{"id":100910,"date":"2017-02-02T11:48:49","date_gmt":"2017-02-02T13:48:49","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/?p=100910"},"modified":"2017-02-14T10:46:18","modified_gmt":"2017-02-14T12:46:18","slug":"grande-sertao-veredas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisconovo\/linguagens-e-codigos\/literatura\/obras-literarias\/grande-sertao-veredas","title":{"rendered":"Grande Sert\u00e3o Veredas"},"content":{"rendered":"<div id=\"corpo\">\n<h4>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa<\/h4>\n<p>A primeira parte do romance (at\u00e9 aproximadamente \u00e0 p\u00e1gina 80), Riobaldo faz um relato &#8220;ca\u00f3tico&#8221; e desconexo de v\u00e1rios fatos (aparentemente sem rela\u00e7\u00f5es entre si ), sempre expondo suas inquieta\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas (reflex\u00f5es sobre a vida, a origem de tudo, Deus, Diabo, &#8230;)<\/p>\n<p>-Eu queria decifrar as coisas que s\u00e3o importantes. E estou contando n\u00e3o \u00e9 uma vida de sertanejo, seja se for jagun\u00e7o, mas a mat\u00e9ria vertente. &#8220;O discurso ambivalente de Riobaldo (&#8230;) se abre a partir de uma necessidade, verbalizada de maneira interrogativa&#8221;. No entanto, h\u00e1 uma grande dificuldade em narrar e organizar seus pensamentos: Contar \u00e9 muito dificultoso. N\u00e3o pelos anos que se j\u00e1 passaram. Mas pela ast\u00facia que tem certas coisas passadas &#8211; de fazer balanc\u00ea, de se remexerem dos lugares.<\/p>\n<p>\u00c9 o compadre Quelem\u00e9m de G\u00f3is que lhe socorre em suas d\u00favidas, mas n\u00e3o de forma satisfat\u00f3ria, da\u00ed a sua necessidade de narrar.<\/p>\n<p>A partir da p\u00e1gina 80, Riobaldo come\u00e7a a organizar suas mem\u00f3rias. Fala da m\u00e3e Brigi, que o obrigava \u00e0 esmola\u00e7\u00e3o para a paga de uma promessa. \u00c9 nessa ocasi\u00e3o, \u00e0 beira do &#8220;Velho Chico&#8221;, que Riobaldo se encontra pela primeira vez com o garoto Reinaldo, fazendo juntos uma travessia pelo rio S\u00e3o Francisco. Riobaldo fica fascinado com a coragem de Reinaldo, pois como este afirma : &#8220;sou diferente (&#8230;) meu pai disse que eu care\u00e7o de ser diferente (&#8230;).<\/p>\n<p>A m\u00e3e de Riobaldo vem a falecer, sendo ele levado \u00e0 fazenda S\u00e3o Greg\u00f3rio, de seu padrinho Selorico Mendes. \u00c9 l\u00e1 que Riobaldo toma contato com o grande chefe Joca Ramiro, juntamente com os chefes Herm\u00f3genes e Ricard\u00e3o.<\/p>\n<p>Selorico Mendes envia o seu afilhado ao Curralinho, a fim de que tivesse contato com os estudos. Posteriormente, assume a fun\u00e7\u00e3o de professor de Z\u00e9 Bebelo (fazendeiro residente no Palh\u00e3o com pretens\u00f5es pol\u00edticas. Z\u00e9 Bebelo, querendo p\u00f4r fim aos jagun\u00e7os que atuavam no sert\u00e3o mineiro, convida Riobaldo a participar de seu bando. Riobaldo troca as letras pelas armas.<\/p>\n<p>\u00c9 desse ponto que come\u00e7a suas aventuras pelo norte de Minas, sul da Bahia e Goi\u00e1s como jagun\u00e7o e depois como chefe. O bando de Z\u00e9 Bebelo faz combate com Herm\u00f3genes e seus jagun\u00e7os, onde este acaba por fugir. Riobaldo deserta do bando de Z\u00e9 Bebelo e acaba por encontrar Reinaldo ( jagun\u00e7o do bando de Joca Ramiro), ingressando no bando do &#8220;grande chefe&#8221;. A amizade entre Riobaldo e Reinaldo acaba por se tornar s\u00f3lida , onde Reinaldo revela o seu nome &#8211; Diadorim &#8211; pedindo-lhe segredo. Juntamente com Herm\u00f3genes , Ricard\u00e3o e outros jagun\u00e7os , combate contra as tropas do governo e de Z\u00e9 Bebelo .<\/p>\n<p>Depois de um conflito com o bando de Z\u00e9 Bebelo, o bando liderado por Herm\u00f3genes fica acuado, acabando-se por se separar , reunindo-se posteriormente. O chefe S\u00f3 Candel\u00e1rio acaba por integrar-se ao bando de Herm\u00f3genes , tornando-se l\u00edder do bando at\u00e9 o encontro com Joca Ramiro. Nessa ocasi\u00e3o, Joca Ramiro presenteia Riobaldo com um rifle, em reconhecimento \u00e0 sua boa pontaria (a qual lhe faz valer apelidos como &#8220;Tatarana&#8221; e &#8220;Cerzidor&#8221;).<\/p>\n<p>O grupo de Joca Ramiro acaba por se dividir para enfrentar Z\u00e9 Bebelo, conseguindo captur\u00e1-lo. Z\u00e9 Bebelo \u00e9 submetido a julgamento por Joca Ramiro e seus chefes &#8211; Herm\u00f3genes, Ricard\u00e3o, S\u00f3 Candel\u00e1rio, Tit\u00e3o Passos e Jo\u00e3o Goanh\u00e1 &#8211; acabando a ser condenado ao ex\u00edlio em Goi\u00e1s. Depois do julgamento, o bando do grande chefe se dispersa, Riobaldo e Diadorim acabam por seguir o chefe Tit\u00e3o Passos. Posteriormente, o jagun\u00e7o Gavi\u00e3o-Cujo vai ao encontro do grupo de Tit\u00e3o Passos para informar a morte de Joca Ramiro, que foi assassinado \u00e0 trai\u00e7\u00e3o por Herm\u00f3genes e Ricard\u00e3o (&#8220;os judas&#8221;). Riobaldo fica impressionado com a rea\u00e7\u00e3o de Diadorim diante da not\u00edcia. Os jagun\u00e7os se re\u00fanem para combaterem os judas. Por essa \u00e9poca , Riobaldo tem um caso com Nhorinh\u00e1 (prostitutriz), filha de Ana Dan\u00fazia. Conhece Otac\u00edlia na fazenda Santa Catarina, onde tem inten\u00e7\u00f5es verdadeiras de amor.Diadorim, em determinada ocasi\u00e3o, por ter raiva de Otac\u00edlia, chega a amea\u00e7ar Riobaldo com um punhal. Medeiro Vaz junta-se ao bando para a vingan\u00e7a, assumindo a chefia. Inicia-se a travessia do Liso do Sussuar\u00e3o. O bando n\u00e3o ag\u00fcenta a travessia e acaba por retornar. Medeiro Vaz morre. Z\u00e9 Bebelo retorna do ex\u00edlio para ajudar na vingan\u00e7a contra os judas, tomando a chefia do bando.<\/p>\n<p>Por suas andan\u00e7as, o bando de Z\u00e9 Bebelo chega \u00e0 fazenda dos Tucanos, onde s\u00e3o encurralados por Herm\u00f3genes. Momentos de grande tens\u00e3o. Z\u00e9 Bebelo envia dois homens para informarem a presen\u00e7a de jagun\u00e7os naquele local. Riobaldo desconfia de uma poss\u00edvel trai\u00e7\u00e3o com esse ato. O bando de Herm\u00f3genes fica acuado pelas tropas do governo e os dois lados se unem provisoriamente para escaparem dos soldados . Z\u00e9 Bebelo e seus homens fogem \u00e0 surdina da fazenda, deixando os herm\u00f3genes travando combate com os soldados. Riobaldo oferece a pedra de top\u00e1zio a Diadorim, mas este recusa, at\u00e9 que a vingan\u00e7a tenha sido consumada . Os bebelos chegam \u00e0s Veredas-Mortas. \u00c9 um dos pontos altos do romance, onde Riobaldo faz o pacto com o Diabo para vencerem os judas. Riobaldo acaba assumindo a chefia do bando com o nome de &#8220;Urutu-Branco&#8221;; Z\u00e9 Bebelo sai do bando. Riobaldo d\u00e1 a incumb\u00eancia a &#8220;se\u00f4 Hab\u00e3o&#8221; para entregar a pedra de top\u00e1zio a Otac\u00edlia, firmando o compromisso de casamento.<\/p>\n<p>O chefe Urutu-Branco acaba por reunir mais homens ( inclusive o cego Borromeu e o menino pretinho Gurig\u00f3). \u00c0 procura dos herm\u00f3genes, fazem a penosa travessia do Liso do Sussuar\u00e3o, onde Riobaldo sofre atentado por Treciano, que \u00e9 morto pelo pr\u00f3prio chefe.<\/p>\n<p>Atravessado o Liso, Riobaldo chega em terras baianas, atacando a fazenda de Herm\u00f3genes e aprisionando sua mulher. Retornam aos sert\u00f5es de Minas, \u00e0 procura dos judas. Encurralam o bando de Ricard\u00e3o nos Campos do Tamandu\u00e1-t\u00e3o, onde o Urutu-Branco mata o traidor. Encontro dos herm\u00f3genes no Pared\u00e3o. Luta sangrenta. Diadorim enfrenta diretamente Herm\u00f3genes, ocasionando a morte de ambos. Riobaldo descobre ent\u00e3o que Diadorim se chama Maria Deodorina da F\u00e9 Bittancourt Marins, filha de Joca Ramiro. Riobaldo acaba por adoecer (febre-tifo). Depois de se restabelecer, fica sabendo da morte de seu padrinho e herda duas fazendas suas. Vai ao encontro de Z\u00e9 Bebelo, o qual o envia com um bilhete de apresenta\u00e7\u00e3o a Quelem\u00e9m de G\u00f3is: Compadre meu Quelem\u00e9m me hospedou, deixou meu contar minha hist\u00f3ria inteira. Como vi que ele me olhava com aquela enorme paci\u00eancia &#8211; calma de que minha dor passasse; e que podia esperar muito longo tempo. O que vendo, tive vergonha, assaz . Mas , por fim , eu tomei coragem , e tudo perguntei: -&#8220;O senhor acha que a minha alma eu vendi , pact\u00e1rio?! &#8221; Ent\u00e3o ele sorriu, o pronto sincero, e me vale me respondeu: -&#8220;Tem cisma n\u00e3o. Pensa para diante. Comprar ou vender, \u00e0s vezes, s\u00e3o as a\u00e7\u00f5es que s\u00e3o as quase iguais &#8230;&#8221; (&#8230;) Cerro. O senhor v\u00ea. Contei tudo. Agora estou aqui, quase barranqueiro. (&#8230;) Am\u00e1vel senhor me ouviu, minha id\u00e9ia confirmou: que o Diabo n\u00e3o existe. Pois n\u00e3o? O senhor \u00e9 um homem soberano , circunspecto. Amigos somos. Nonada. O diabo n\u00e3o h\u00e1! \u00c9 o que eu digo, se f\u00f4r &#8230; Existe \u00e9 homem humano. Travessia.<\/p>\n<h4>Linguagem<\/h4>\n<p>Em Grande Sert\u00e3o: Veredas, Guimar\u00e3es Rosa faz uma recria\u00e7\u00e3o da linguagem, &#8220;recondicionando-a inventivamente, saindo do lugar-comum a fim de dar maior grandeza ao discurso. Nu da cintura para os queixos (ao inv\u00e9s de nu da cintura para cima) e ainda n\u00e3o sabiam de nada cois\u00edssima (no lugar de n\u00e3o sabiam de coisa nenhuma) constituem exemplos do apuramento da linguagem roseana.<\/p>\n<p>Toda a narrativa \u00e9 marcada pela oralidade (Riobaldo conta seus casos a um interlocutor), portanto, sem possibilidades de ser reformulado, j\u00e1 que \u00e9 emitido instantaneamente. Ainda tem-se as d\u00favidas do narrador e suas divaga\u00e7\u00f5es, onde \u00e9 percebido a inten\u00e7\u00e3o de Riobaldo em reafirmar o que diz utilizando a pr\u00f3pria linguagem.<\/p>\n<p>O falar mineiro associado a arca\u00edsmos, brasileirismos e neologismos faz com que o autor de Sagarana extrapole os limites geogr\u00e1ficos de Minas. A linguagem ultrapassa os limites &#8220;prosaicos&#8221; para ganhar dimens\u00e3o po\u00e9tico-filos\u00f3fica (principalmente ao relatar os sentimentos para com Diadorim ou a tirar conclus\u00f5es sobre o ocorrido atrav\u00e9s de seus aforismos).<\/p>\n<h4>Aforismos<\/h4>\n<blockquote><p><strong>1. <\/strong>Viver \u00e9 muito perigoso<strong>2. <\/strong>Deus \u00e9 paci\u00eancia<\/p>\n<p><strong>3.<\/strong> Sert\u00e3o. O senhor sabe: sert\u00e3o &#8216;onde manda quem \u00e9 forte, com as ast\u00facias.<\/p>\n<p><strong>4. <\/strong>&#8230;sert\u00e3o \u00e9 onde o pensamento da gente se forma mais forte do que o poder do lugar.<\/p>\n<p><strong>5. ..<\/strong>.toda saudade \u00e9 uma esp\u00e9cie de velhice<\/p>\n<p><strong>6. <\/strong>Jagun\u00e7o \u00e9 isso. Jagun\u00e7o n\u00e3o se escabreia com perda nem derrota &#8211; quase tudo para ele \u00e9 o igual.<\/p>\n<p><strong>7. <\/strong>Deus existe mesmo quando n\u00e3o h\u00e1. Mas o dem\u00f4nio n\u00e3o precisa de existir para haver.<\/p>\n<p><strong>8. <\/strong>Viver \u00e9 um descuido prosseguido.<\/p>\n<p><strong>9. <\/strong>sert\u00e3o \u00e9 do tamanho do mundo<\/p>\n<p><strong>10.<\/strong> Vingar, digo ao senhor: \u00e9 lamber , frio, o que o outro cozinhou quente demais.<\/p>\n<p><strong>11.<\/strong> Quem desconfia, fica s\u00e1bio.<\/p>\n<p><strong>12.<\/strong> Sert\u00e3o \u00e9 o sozinho.<\/p>\n<p><strong>13. <\/strong>Sert\u00e3o: \u00e9 dentro da gente.<\/p>\n<p><strong>14. <\/strong>&#8230;sert\u00e3o \u00e9 sem lugar.<\/p>\n<p><strong>15. <\/strong>Para as coisas que h\u00e1 de pior, a gente n\u00e3o alcan\u00e7a fechar as portas.<\/p>\n<p><strong>16. <\/strong>Vivendo, se aprende; mas o que se aprende, mais, \u00e9 s\u00f3 a fazer outras maiores perguntas.<\/p>\n<p><strong>17<\/strong>. &#8230;amor s\u00f3 mente para dizer maior verdade.<\/p>\n<p><strong>18.<\/strong> Paci\u00eancia de velho tem muito valor.<\/p>\n<p><strong>19.<\/strong> Sossego traz desejos.<\/p>\n<p><strong>20.<\/strong> &#8230; quem ama \u00e9 sempre muito escravo, mas n\u00e3o obedece nunca de verdade.<\/p><\/blockquote>\n<h4>Estrutura de Narrativa<\/h4>\n<p><strong>I &#8211; TEMPO<\/strong><\/p>\n<p>Psicol\u00f3gico . A narrativa \u00e9 irregular ( enredo n\u00e3o linear), sendo acrescidos v\u00e1rios casos pequenos.<\/p>\n<p><strong>II &#8211; FOCO NARRATIVO<\/strong><\/p>\n<p>Primeira pessoa &#8211; narrador-personagem &#8211; utilizando-se do discurso direto e indireto livre.<\/p>\n<p><strong>III &#8211; ESPA\u00c7O<\/strong><\/p>\n<p>A trama ocorre no sert\u00e3o mineiro (norte) , sul da Bahia e Goi\u00e1s . No entanto , por se tratar de uma narrativa densa , repleta de reflex\u00f5es e divaga\u00e7\u00f5es , ganha um car\u00e1ter universal &#8211; &#8220;o sert\u00e3o \u00e9 o mundo&#8221;.<\/p>\n<p><strong>IV &#8211; PERSONAGENS<\/strong><\/p>\n<p><strong>PRINCIPAIS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Riobaldo: <\/strong>personagem-narrador que conta sua est\u00f3ria a um doutor que nunca aparece. Riobaldo sente dificuldades em narrar, seja por sua precariedade em organizar os fatos, seja por sua dificuldade em entend\u00ea-los. Relata sua inf\u00e2ncia, a breve carreira de professor (de Z\u00e9 Bebelo ), at\u00e9 sua entrada no canga\u00e7o (de jagun\u00e7o Tatarana a chefe Urutu-Branco), estabelecendo-se \u00e0s margens do S\u00e3o Francisco como um pacato fazendeiro.<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>SECUND\u00c1RIOS<\/strong><\/p>\n<blockquote><p><strong>Diadorim:<\/strong> \u00e9 o jagun\u00e7o Reinaldo, integrante do bando de Joca Ramiro. Esconde sua identidade real (Maria Deodorina) travestindo-se de homem. Sua identidade \u00e9 descoberta ao final do romance, com sua morte.<strong>Z\u00e9 Bebelo: <\/strong>personalidade com anseios pol\u00edticos que acaba por formar bando de jagun\u00e7os para combater Joca Ramiro. sai perdedor, sendo exilado para Goi\u00e1s e acaba por retornar com a morte do grande chefe para vingar o seu assassinato.<\/p>\n<p><strong>Joca Ramiro:<\/strong> \u00e9 o maior chefe dos jagun\u00e7os, mostrando um senso de justi\u00e7a e pondera\u00e7\u00e3o no julgamento de Z\u00e9 Bebelo, sendo bastante admirado .<\/p>\n<p><strong>Medeiro Vaz: <\/strong>chefe de jagun\u00e7os que se une aos homens de Joca Ramiro para combater contra Herm\u00f3genes e Ricard\u00e3o por conta da morte do grande chefe.<\/p>\n<p><strong>Herm\u00f3genes e Ricard\u00e3o:<\/strong> s\u00e3o os traidores, sendo chamados de &#8220;judas&#8221;, que acabam por matar Joca Ramiro. Muitos jagun\u00e7os acreditavam que Herm\u00f3genes havia feito o pacto com o Diabo.<\/p>\n<p><strong>S\u00f3 Candel\u00e1rio:<\/strong> outro chefe que ajuda na vingan\u00e7a. Possu\u00eda grande temor de contrair lepra.<\/p>\n<p><strong>Quelem\u00e9m de G\u00f3is:<\/strong> compadre e confidente de Riobaldo, que o ajuda em suas d\u00favidas e inquieta\u00e7\u00f5es sobre o Homem e o mundo.<\/p><\/blockquote>\n<h4>AS TR\u00caS FACES AMOROSAS DE RIOBALDO<\/h4>\n<blockquote><p><strong>Nhorinh\u00e1: <\/strong>prostituta, representa o amor f\u00edsico. O seu car\u00e1ter profano e sensual atrai Riobaldo, mas somente no aspecto carnal.<strong>Otac\u00edlia: <\/strong>contr\u00e1ria a Nhorinh\u00e1 , Riobaldo destina a ela o seu amor verdadeiro (sentimental). \u00c9 constantemente evocada pelo narrador quando este se encontrava desolado e saudoso durante sua vida de jagun\u00e7o. Recebe a pedra de top\u00e1zio de &#8220;se\u00f4 Hab\u00e3o&#8221;, simbolizando o noivado.<\/p>\n<p><strong>Diadorim:<\/strong> representa o amor imposs\u00edvel, proibido. Ao mesmo tempo em que se mostra bastante sens\u00edvel com uma bela paisagem, \u00e9 capaz de matar a sangue frio. \u00c9 ela que causa grande conflito em Riobaldo, sendo objeto de desejo e repulsa (por conta de sua pseudo identidade).<\/p><\/blockquote>\n<p>ROSA , Jo\u00e3o Guimar\u00e3es. Grande Sert\u00e3o: Veredas. Rio de Janeiro, Nova Fronteira , 1986 . BOSI , Alfredo. Hist\u00f3ria Concisa da Literatura Brasileira. S\u00e3o Paulo, Cultrix , 1988. CASTRO, Nei Leandro de. Universo e Vocabul\u00e1rio do Grande Sert\u00e3o, 20 ed. , Rio de Janeiro, Achiam\u00e9, 1982.<\/p>\n<h4>Dados Biogr\u00e1ficos<\/h4>\n<p>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa nasceu em Cordisburgo (MG) e morreu no Rio de Janeiro em 1967. Filho de um comerciante do centro-norte de Minas, fez os primeiros estudos na cidade natal, vindo a cursar Medicina em Belo Horizonte. Formado M\u00e9dico, trabalhou em v\u00e1rias cidades do interior de Minas Gerais, onde tomou contato com o povo e o cen\u00e1rio da regi\u00e3o, t\u00e3o presentes em suas obras. Autodidata, aprendeu alem\u00e3o e russo, e tornou-se diplomata, trabalhando em v\u00e1rios pa\u00edses.<\/p>\n<p>Veio a ser Ministro no Brasil no ano de 1958, e chefe do Servi\u00e7o de Demarca\u00e7\u00e3o de Fronteiras, tratando de dois casos muito cr\u00edticos de nosso territ\u00f3rio: o do Pico da Neblina e das Sete Quedas. <strong>Seu reconhecimento liter\u00e1rio veio mesmo na d\u00e9cada de 50, quando da publica\u00e7\u00e3o de Grande Sert\u00e3o:<\/strong> Veredas e Corpo de Baile, ambos de 1956. Eleito para ocupar cadeira na Academia Brasileira de Letras no ano de 1963, adiou sua posse por longos anos. Tomando posse no ano de 1967, morreu tr\u00eas dias depois, v\u00edtima de um enfarte.<\/p>\n<h4>Caracter\u00edsticas Liter\u00e1rias<\/h4>\n<p>Guimar\u00e3es Rosa \u00e9 figura de destaque dentro do Modernismo. Isso se deve ao fato de ter criado toda uma individualidade quanto ao modo de escrever e criar palavras, transformando e renovando radicalmente o uso da l\u00edngua.<\/p>\n<p>Em suas obras, est\u00e3o presentes os termos coloquiais t\u00edpicos do sert\u00e3o, aliados ao emprego de palavras que j\u00e1 est\u00e3o praticamente em desuso. H\u00e1 tamb\u00e9m a constante cria\u00e7\u00e3o de neologismos nascidos a partir de formas t\u00edpicas da l\u00edngua portuguesa, denotando o uso constante de onomatop\u00e9ias e alitera\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>O resultado disso tudo \u00e9 a beleza de palavras como &#8220;refrio&#8221;, &#8220;retrov\u00e3o&#8221;, &#8220;levantante&#8221;, &#8220;desfalar&#8221;, etc., ou frases brilhantes como: &#8220;os passarinhos que bem-me-viam&#8221;, &#8220;e a\u00eds e deu o que se deu \u2013 o isto \u00e9&#8221;.<\/p>\n<p>A linguagem toda caracterizada de Guimar\u00e3es Rosa reencontra e reconstr\u00f3i o cen\u00e1rio m\u00edtico do sert\u00e3o t\u00e3o marginalizado, onde a economia agr\u00e1ria j\u00e1 em decl\u00ednio e a rusticidade ainda predominam. Os costumes sertanejos e a paisagem, enfocada sob todos os seus aspectos, s\u00e3o mostrados como uma unidade, cheia de mist\u00e9rios e revela\u00e7\u00f5es em torno da vida. A imagem do sert\u00e3o \u00e9, na verdade, a imagem do mundo, como se prega em Grande Sert\u00e3o: Veredas.<\/p>\n<p>O sertanejo n\u00e3o \u00e9 simplesmente o ser humano r\u00fastico que povoa essa grande regi\u00e3o do Brasil. Seu conceito \u00e9 ampliado: ele \u00e9 o pr\u00f3prio ser humano, que convive com problemas de ordem universal e eterna. Problemas que qualquer homem, em qualquer regi\u00e3o, enfrentaria. \u00c9 o eterno conflito entre o ser humano e o destino que o espera, a luta sem tr\u00e9guas entre o bem e o mal dentro de cada um, Deus e o diabo, a morte que nos despeda\u00e7a, e o amor que nos reconstr\u00f3i, num clima muitas vezes m\u00edtico, m\u00e1gico e obscuro, por\u00e9m muitas vezes contrastando com a rusticidade da realidade. Seus contos seguem tamb\u00e9m, de certa forma, a mesma linha desenvolvida dentro de seu \u00fanico romance.<\/p>\n<p>Nonada. Tiros que o senhor ouviu foram de briga de homem n\u00e3o, Deus esteja. Alvejei mira em \u00e1rvore, no quintal, no baixo do c\u00f3rrego. Por meu acerto. Todo dia isso fa\u00e7o, gosto; desde mal em minha mocidade. Da\u00ed, vieram me chamar.<\/p>\n<p>Causa dum bezerro: um bezerro branco, erroso, os olhos de nem ser se viu; e com m\u00e1scara de cachorro. Me disseram; eu n\u00e3o quis avistar. Mesmo que, por defeito como nasceu, arrebitado de bei\u00e7os, essa figurava rindo feito pessoa. Cara de gente, car\u00e3o de c\u00e3o: determinaram era o demo. Povo prasc\u00f3vio. Mataram. Dono dele nem sei quem for. Vieram emprestar minhas armas, cedi. N\u00e3o tenho abus\u00f5es. O senhor ri certas risadas&#8230; Olhe: quando \u00e9 tiro de verdade, primeiro a cachorrada pega a latir, instantaneamente depois, ent\u00e3o, se vai ver se deu mortos.<\/p>\n<p>O senhor tolere, isto \u00e9 o sert\u00e3o. Uns querem que n\u00e3o seja: que situado sert\u00e3o \u00e9 por os campos-gerais a fora a dentro, eles dizem, fim de rumo, terras altas, demais do Urucaia. Toleima. Para os de Corinto e do Curvelo, ent\u00e3o o aqui n\u00e3o \u00e9 dito sert\u00e3o? Ah, que tem maior! Lugar sert\u00e3o se divulga: \u00e9 onde os pastos carecem de fechos; onde um pode torar dez, quinze l\u00e9guas, sem topar com casa de morador; e onde criminoso vive seu cristo-jesus, arredado do arrocho de autoridade.<\/p>\n<p>O Urucuia vem dos mont\u00f5es oestes. Mas, hoje, que na beira dele, tudo d\u00e1 fazend\u00f5es de fazendas, almargem de vargens de bom render, as vazantes; culturas que v\u00e3o de mata em mata, madeiras de grossura, at\u00e9 ainda virgens dessas l\u00e1 h\u00e1. O gerais corre em volta. Esses gerais s\u00e3o sem tamanho. Enfim, cada um o que quer aprova, o senhor sabe: p\u00e3o ou p\u00e3es, \u00e9 quest\u00e3o de opini\u00f5es&#8230; O sert\u00e3o est\u00e1 em toda a parte.<\/p>\n<p>Do demo? Na gloso. Senhor pergunte aos moradores. Em falso receio, desfalam no nome dele dizem s\u00f3: o Que-Diga. V\u00f4te! n\u00e3o&#8230; Quem muito se evita, se convive. Senten\u00e7a num Aristides o que existe no buritizal primeiro desta minha m\u00e3o direita, chamado a Vereda-da-Vaca-Mansa-de-Santa-Rita todo mundo cr\u00ea: ele n\u00e3o pode passar em tr\u00eas lugares, designados: porque ent\u00e3o a gente escuta um chorinho, atr\u00e1s, e uma vozinha que avisando: &#8220;Eu j\u00e1 vou! Eu j\u00e1 vou!&#8230;&#8221; que \u00e9 o capiroto, o que-diga&#8230; E um Jis\u00e9 Simpil\u00edcio quem qualquer daqui jura ele tem um capeta em casa, mi\u00fado, satanazim, preso obrigado a ajudar em toda gan\u00e2ncia que executa; raz\u00e3o que o Simpil\u00edcio se empresa em vias de completar de rico. Apre, por isso dizem tamb\u00e9m que a besta pra ele rupeia, nega de banda, n\u00e3o deixando, quando ele quer amontar&#8230; Supersti\u00e7\u00e3o. Jis\u00e9 Simpil\u00edcio e Aristides, mesmo est\u00e3o se engordando, de assim n\u00e3o-ouvir ou ouvir.<\/p>\n<p>Ainda o senhor estude: agora mesmo, nestes dias de \u00e9poca, tem gente porfalando que o Diabo pr\u00f3prio parou, de passagem, no Andrequic\u00e9. Um Mo\u00e7o de fora, teria aparecido, e l\u00e1 se louvou que para aqui vir normal, a cavalo, dum dia-e-meio ele era capaz que s\u00f3 uns vinte minutos bastava&#8230; porque costeava o Rio do Chico pelas cabeceiras! Ou, tamb\u00e9m, quem sabe sem ofensas n\u00e3o ter\u00e1 sido, por um exemplo, at\u00e9 mesmo o senhor quem se anunciou assim, quando passou por l\u00e1, por prazido divertimento engra\u00e7ado? H\u00e1-de, n\u00e3o me d\u00ea crime, sei que n\u00e3o foi. E mal eu n\u00e3o quis.<\/p>\n<p>S\u00f3 que uma pergunta, em hora, \u00e0s vezes, clareia raz\u00e3o de paz. Mas, o senhor entenda: o tal mo\u00e7o, se h\u00e1, quis mangar. Pois, hem, que, despontar o Rio pelas nascentes, ser\u00e1 a mesma coisa que um se redobrar nos internos deste nosso Estado nosso, custante viagem de uns tr\u00eas meses&#8230; Ent\u00e3o? Que-Diga? Doideira. A fantasia\u00e7\u00e3o. E, o respeito de dar a ele assim esses nomes de rebu\u00e7o, \u00e9 que \u00e9 mesmo um querer invocar que ele forme forma com as presen\u00e7as! N\u00e3o seja.<\/p>\n<p>Eu, pessoalmente, quase que j\u00e1 perdi nele a cren\u00e7a, merc\u00eas a Deus; \u00e9 o que ao senhor lhe digo, \u00e0 puridade. Sei que \u00e9 bem estabelecido, que grassa nos Santos-Evangelhos. Em ocasi\u00e3o, conversei com um rapaz seminarista, muito condizente, conferindo no livro de rezas e revestido de paramenta, com uma vara de maria-preta na m\u00e3o proseou que ia adjutorar o padre, para extra\u00edrem o Cujo, do corpo vivo de uma velha, na Cachoeira-dos-Bois, ele ia com o vig\u00e1rio do Campo-Redondo&#8230; Me concebo.<\/p>\n<p>O senhor n\u00e3o \u00e9 como eu? N\u00e3o acreditei patavim. Compadre meu Quelem\u00e9m descreve que o que revela efeito s\u00e3o os baixos esp\u00edritos descarnados, de terceira, fuzuando nas piores trevas e com \u00e2nsias de se travarem com os viventes d\u00e3o encosto. Compadre meu Quelem\u00e9m \u00e9 quem muito me consola Quelem\u00e9m de Gois. Mas ele tem de morar longe daqui, da Jijuj\u00e3, Vereda do Buriti Pardo&#8230; Arres, me deixe l\u00e1, que em endemoninhamento ou com encosto o senhor mesmo dever\u00e1 de ter conhecido diversos homens, mulheres. Pois n\u00e3o sim? Por mim, tantos vi, que aprendi. Rincha-M\u00e3e, Sangue-d\u2019Outro, o Muitos-Bei\u00e7os, o Rasga-em-Baixo, Faca-Fria, o Fancho-Bode, um Treciziano, o Azinhavre&#8230; o Herm\u00f3genes&#8230; Deles, punhad\u00e3o. Se eu pudesse esquecer tantos nomes&#8230; N\u00e3o sou amansador de cavalos! E, mesmo, quem de si de ser jagun\u00e7o se entrete, j\u00e1 \u00e9 por alguma compet\u00eancia entrante do dem\u00f4nio. Ser\u00e1 n\u00e3o? Ser\u00e1? De primeiro, eu fazia e mexia, e pensar n\u00e3o pensava. N\u00e3o possu\u00eda os prazos. Vivi puxando dif\u00edcil de dif\u00edcel, peixe vivo no moqu\u00e9m: quem m\u00f3i no asp\u2019ro, n\u00e3o fantaseia. Mas, agora, feita a folga que me vem, e sem pequenos dessossegos, estou de range rede. E me inventei neste gosto, de especular id\u00e9ia. O diabo existe e n\u00e3o existe? Dou o dito. Abren\u00fancio. Essas melancolias. O senhor v\u00ea: existe cachoeira; e pois? Mas cachoeira \u00e9 barranco de ch\u00e3o, e \u00e1gua se caindo por ele, retombando; o senhor consome essa \u00e1gua, ou desfaz o barranco, sobra cachoeira alguma? Viver \u00e9 neg\u00f3cio muito perigoso&#8230;<\/p>\n<p>Explico ao senhor: o diabo vige dentro do homem, os crespos do homem ou \u00e9 o homem arruinado, ou o homem dos avessos. Solto, por si, cidad\u00e3o, \u00e9 que n\u00e3o tem diabo nenhum. Nenhum! \u00e9 o que digo. O senhor aprova? Me declare tudo, franco \u00e9 alta merc\u00ea que me faz: e pedir posso, encarecido. Este caso por est\u00fardio que me vejam \u00e9 de minha certa import\u00e2ncia. Tomara n\u00e3o fosse&#8230; Mas, n\u00e3o diga que o senhor, assisado e instru\u00eddo, que acredita na pessoa dele?! N\u00e3o? Lhe agrade\u00e7o! Sua alta opini\u00e3o comp\u00f5e minha valia. J\u00e1 sabia, esperava por ela j\u00e1 o campo! Ah, a gente, na velhice, carece de ter sua aragem de descanso. Lhe agrade\u00e7o. Tem diabo nenhum. Nem esp\u00edrito. Nunca vi. Algu\u00e9m devia de ver, ent\u00e3o era eu mesmo, este vosso servidor. Fosse lhe contar&#8230; Bem, o diabo regula seu estado preto, nas criaturas, nas mulheres, nos homens. At\u00e9: nas crian\u00e7as eu digo. Pois n\u00e3o \u00e9 ditado: &#8220;menino trem do diabo&#8221;? E nos usos, nas plantas, nas \u00e1guas, na terra, no vento&#8230; Estrumes&#8230; O diabo na rua, no meio do redemunho&#8230;<\/p>\n<p>Hem? Hem? Ah. Figura\u00e7\u00e3o minha, de pior pra tr\u00e1s, as certas lembran\u00e7as. Mal haja-me! Sofro pena de contar n\u00e3o&#8230; Melhor, se arrepare: pois, num ch\u00e3o, e com igual formato de ramos e folhas, n\u00e3o d\u00e1 a mandioca mansa, que se come comum, e a mandioca-brava, que mata? Agora, o senhor j\u00e1 viu uma estranhez? A mandioca-doce pode de repente virar azangada motivos n\u00e3o sei; \u00e0s vezes se diz que \u00e9 por replantada no terreno sempre, com mudas seguidas, de mana\u00edbas vai em amargando, de tanto em tanto, de si mesma toma pe\u00e7onhas. E, ora veja: a outra, a mandioca-brava, tamb\u00e9m \u00e9 que \u00e0s vezes pode ficar mansa, a esmo, de se comer sem nenhum mal. E que isso \u00e9? Eh, o senhor j\u00e1 viu, por ver, a fei\u00fara de \u00f3dio franzido, carantonho, nas faces duma cobra cascavel? Observou o porco gordo, cada dia mais feliz bruto, capaz de, pudesse, roncar e engulir por sua suja comodidade o mundo todo? E gavi\u00e3o, corvo, alguns, as fei\u00e7\u00f5es deles j\u00e1 representam a precis\u00e3o de talhar, para adiante, rasgar e estra\u00e7alhar a bico, parece uma quic\u00e9 muito afiada por ruim desejo. Tudo. Tem at\u00e9 tortas ra\u00e7as de pedras, horrorosas, venenosas que estragam mortal a \u00e1gua, se est\u00e3o jazendo em fundo de po\u00e7o; o diabo dentro delas dorme: s\u00e3o o demo. Se sabe? E o demo que \u00e9 s\u00f3 assim o significado dum azougue maligno tem ordem de seguir o caminho dele, tem licen\u00e7a para campear?! Arre, ele est\u00e1 misturado em tudo.<\/p>\n<p>Que o que gasta, vai gastando o diabo de dentro da gente, aos pouquinhos \u00e9 o razo\u00e1vel sofrer. E a alegria de amor compadre meu Quelem\u00e9m diz. Fam\u00edlia. Deveras? \u00c9, e n\u00e3o \u00e9. O senhor ache e n\u00e3o ache. Tudo \u00e9 e n\u00e3o \u00e9&#8230; Quase todo mais grave criminoso feroz, sempre \u00e9 muito bom marido, bom filho, bom pai, e \u00e9 bom amigo-de-seus-amigos! Sei desses. S\u00f3 que tem os depois e Deus, junto. Vi muitas nuvens.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"ads-baixo\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jo\u00e3o Guimar\u00e3es Rosa A primeira parte do romance (at\u00e9 aproximadamente \u00e0 p\u00e1gina 80), Riobaldo faz um relato &#8220;ca\u00f3tico&#8221; e desconexo de v\u00e1rios fatos (aparentemente sem rela\u00e7\u00f5es entre si ), sempre expondo suas inquieta\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas (reflex\u00f5es sobre a vida, a origem de tudo, Deus, Diabo, &#8230;) -Eu queria decifrar as coisas que s\u00e3o importantes. 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