{"id":9992,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/quilombo-dos-palmares\/"},"modified":"2026-08-31T19:07:24","modified_gmt":"2026-08-31T19:07:24","slug":"quilombo-dos-palmares","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biografias\/quilombo-dos-palmares\/","title":{"rendered":"Quilombo dos Palmares"},"content":{"rendered":"\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\nA <strong>origem de Palmares<\/strong> \u00e9 anterior a 1600. N\u00e3o se sabe exatamente o ano. Sabe-se que os escravos de um engenho se rebelaram, e tomaram o engenho.\n\n<strong>Ficaram ent\u00e3o diante de um problema:<\/strong> se ficassem no engenho, seriam esmagados pelas tropas do governo. Se levantassem aldeias no litoral, ficariam livres por um certo tempo, mas seriam apanhados mais cedo ou mais tarde pelos capit\u00e3es do mato.\n\n<strong>Os escravos decidiram ent\u00e3o ir para uma regi\u00e3o desconhecida, perigosa e temida pelos brancos:<\/strong> a regi\u00e3o de Palmares.\n\nO nome &#8220;Palmares&#8221; foi dado porque havia mata fechada, sem luz, cheia de mosquitos e animais perigosos.\n\nA floresta se estendia por muitas serras, cercadas por precip\u00edcios. Homens, mulheres e crian\u00e7as caminharam por muito tempo pela floresta, at\u00e9 escolherem um lugar para fundar uma aldeia. O lugar escolhido, na serra da Barriga, foi o in\u00edcio da Rep\u00fablica dos Palmares.\n\nNo come\u00e7o, viviam de ca\u00e7a, pesca, coleta de frutos. Para os africanos isso era voltar para tr\u00e1s, pois na \u00c1frica tinham sido povos agricultores, pastores, artes\u00e3os, comerciantes e artistas. Era preciso de mais gente em Palmares, pois com mais bra\u00e7os seria poss\u00edvel desenvolver mais o quilombo. Pouco a pouco a popula\u00e7\u00e3o de Palmares aumentou. E a produ\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica tamb\u00e9m. Havia palmarinos com muitos conhecimentos de metalurgia do ferro, com t\u00e9cnicas trazidas da \u00c1frica.\n\nAgora, em Palmares, podiam criar, com seu conhecimento, o que era necess\u00e1rio ao quilombo. Tamb\u00e9m houve crescimento na agricultura.\n\nPalmares chegou a ter onze povoa\u00e7\u00f5es conhecidas, os quilombos chegaram a cobrir uma \u00e1rea de 350 quil\u00f4metros, de norte a sul, em terras que hoje pertencem ao estado de Pernambuco e ao estado de Alagoas. As principais vilas perto de Palmares eram Porto Calvo, Alagoas, S\u00e3o Miguel, Una, Ipojuca e Serinha\u00e9m.\n\nDesde seu in\u00edcio, Palmares estava aberto a todos os perseguidos pelo sistema colonial. Vinham para Palmares negros com as mais diferentes origens africanas, inclusive com diferentes tradi\u00e7\u00f5es religiosas e de costumes. Vinham \u00edndios, vinham brancos pobres, vinham mesti\u00e7os. Os quilombolas n\u00e3o tinham preconceito de cor ou ra\u00e7a. O que os unia era o fato de que todos eram pobres, oprimidos e explorados.\n\nDentro dos povoados palmarinos havia uma rua. Os maiores tinham tr\u00eas a quatro ruas. Ao longo da rua havia casas de madeiras, cobertas com folhas de palmeiras. No centro havia um largo, com uma casa de conselho, uma capela, oficinas dos artes\u00e3os, mercado e po\u00e7o.\n\nCada povoa\u00e7\u00e3o tinha um chefe, escolhido por sua for\u00e7a, intelig\u00eancia e habilidade. Tinha tamb\u00e9m um conselho, que controlava o chefe. As decis\u00f5es sobre os problemas mais complicados eram tomadas em uma assembl\u00e9ia geral, da qual participavam todos os adultos da povoa\u00e7\u00e3o. Havia leis rigorosas, com pena de morte para roubo, adult\u00e9rio, homic\u00eddio e deser\u00e7\u00e3o. A l\u00edngua falada era uma l\u00edngua pr\u00f3pria, misturando portugu\u00eas, l\u00ednguas africanas e ind\u00edgenas.\n\nNa religi\u00e3o, combinavam elementos das religi\u00f5es africanas e crist\u00e3. As capelas tinham imagens dos dois tipos. A presen\u00e7a da l\u00edngua portuguesa e da religi\u00e3o crist\u00e3 nos quilombos, misturada com outras l\u00ednguas e religi\u00f5es, se deve a muita coisa. Uma das coisas que se pode dizer \u00e9 que provavelmente serviam para unificar pessoas que vinham de culturas muito diferentes. Isto \u00e9, na \u00c1frica, os negros que agora estavam em palmares tinham pertencido a tribos diferentes, e at\u00e9 mesmo inimigas.\n\nE a religi\u00e3o e a l\u00edngua de Palmares tinham de incluir a todos, sem privilegiar uma tribo em preju\u00edzo de outra. Para isto, os negros pegavam no &#8220;cristianismo&#8221; aquilo que eles t\u00eam de libertados e jogavam fora o &#8220;cristianismo&#8221; que era ensinado pelos padres nas senzalas, ensinando o escravo a ser passivo e submisso ao senhor de engenho.\n\nEm 1602 houve uma primeira persegui\u00e7\u00e3o contra Palmares. Quem ia nas expedi\u00e7\u00f5es contra Palmares sempre buscava com isso conseguir vantagens pessoais.\n\nHavia senhores de engenho, interessados em arrebentar uma rebeli\u00e3o de escravos. Havia oficiais militares, interessados em impressionar o rei de Portugal e ganhar alguma coisa em troca. A maioria da tropa era formada por mamelucos, brancos pobres e negros libertos, que pretendiam capturar negros e depois vend\u00ea-los.\n\nHavia tamb\u00e9m \u00edndios, que se contentavam com pequenos presentes. Alguns pretendiam capturar negros para comerem. Todos esses pobres buscavam melhorar um pouco a mis\u00e9ria em que viviam.\n\nEssa primeira expedi\u00e7\u00e3o voltou dizendo que tinha destru\u00eddo totalmente o quilombo. Ali\u00e1s, as expedi\u00e7\u00f5es seguintes, por anos e anos, sempre voltavam dizendo isso. E sempre era falso. Logo vinham not\u00edcias das atividades dos palmarinos nas redondezas.\n\nEm 1630 os holandeses invadiram a capitania de Pernambuco. At\u00e9 certo ponto, Palmares saiu ganhando com isso, porque os portugueses passaram a guerrear com os holandeses. Quando os holandeses invadiram Olinda, e as tropas portuguesas se retiraram, os escravos saem \u00e0s ruas, incendiando a cidade. As tropas holandesas entram na cidade, apagam o inc\u00eandio e saqueiam a cidade por 24 horas.\n\nOs portugueses e os senhores de engenho organizam a defesa contra os holandeses, utilizando a guerra de guerrilhas. Mas em 1635 os holandeses conseguem vencer a resist\u00eancia.\n\n<strong>Os portugueses enfrentam duas frentes de batalha:<\/strong> de um lado os holandeses, de outro os escravos e os \u00edndios. Muitos \u00edndios se passam para o lado dos holandeses, contra os portugueses, descarregando sobre estes toda crueldade de que haviam sido v\u00edtimas. Uns poucos permanecem com os portugueses, sob o comando de Felipe Camar\u00e3o, a maioria por dinheiro.\n\nOs negros, entretanto, n\u00e3o escolhem nem portugueses, nem holandeses. Sabiam que nenhum dos dois era flor que se cheirasse. Na Bahia, os holandeses haviam tido apoio de negros, e depois os entregaram aos portugueses para serem novamente escravos. Foi uma das muitas guerras, onde ricos usaram pobres.\n\nEm 1644, o governador holand\u00eas Mauricio de Nassau enviou uma primeira expedi\u00e7\u00e3o contra Palmares. Pouco conseguiu. Em 1645, Nassau organizou outra expedi\u00e7\u00e3o contra Palmares, comandada por um especialista em guerra de emboscada. Foi um fracasso total. A expedi\u00e7\u00e3o nem conseguiu avistar o inimigo, encontrou apenas duas aldeias abandonadas.\n\nOutra expedi\u00e7\u00e3o parte. Fez alguns prisioneiros, que foram repartidos entre soldados. Ainda em 1655 houve mais duas outras expedi\u00e7\u00f5es, uma armada pelos senhores de engenho, outra pelo governador; ambas sem resultados.\n\nEm 1674, o governador de Pernambuco come\u00e7a a preparar uma grande expedi\u00e7\u00e3o. Promete aos volunt\u00e1rios a propriedade dos negros presos; manda vir \u00edndios da Para\u00edba e do Rio Grande do Norte e convoca os negros organizados sob o comando de Henrique Dias, cuja tropa chama-se &#8220;Ter\u00e7o dos Henriques&#8221;. Mas a expedi\u00e7\u00e3o novamente fracassa.\n\nQuando o governador convidou-os \u00e0 atacar Palmares, em 1675, eles n\u00e3o aceitaram. Estavam acostumados a ca\u00e7ar \u00edndios, que se expunham aos ataques, mesmo com inferioridade de armas, e morriam assim aos milhares. J\u00e1 os negros eram t\u00e3o h\u00e1beis na guerra que haviam derrotado grandes militares de Pernambuco.\n\nOs negros tinham t\u00e1ticas de recuo, de emboscada, de fortifica\u00e7\u00e3o e muitas armas. Assim, o governador organiza outras expedi\u00e7\u00f5es com gente da regi\u00e3o, mas sem sucesso.\n\nEm 1676 partem novas expedi\u00e7\u00f5es. Em uma delas, s\u00e3o capturados parentes de Ganga-Zumba.\n\n<strong>Os portugueses prop\u00f5em a seguinte negocia\u00e7\u00e3o:<\/strong> garantia de terra, direitos, e liberdade aos negros que se rendessem. No dia 18 de junho de 1678, entra em Recife uma embaixada de Palmares, com quinze pessoas, incluindo tr\u00eas filhos de Ganga-Zumba, para fazer acordo. Era uma trai\u00e7\u00e3o aceitar este acordo, pois ele dizia que os negros nascidos fora de Palmares voltariam \u00e0 escravid\u00e3o. Mas Ganga-Zumba aceitou o acordo. Houve muita luta dentro de Palmares. Uma pequena parte da popula\u00e7\u00e3o acompanhou Ganga-Zumba.\n\nEm novembro do mesmo ano, Ganga &#8211; Zumba foi a Recife, confirmar pessoalmente o acordo. Foi recebido solenemente pelo governador. Pouco depois, partia para Cuca\u00fa, distante 32 quil\u00f4metros de Serinha\u00e9m, onde viveriam nas novas terras prometidas pelo acordo.\n\nEnquanto isso, o governador distribuiu 150 l\u00e9guas de terras palmarinas a grandes propriet\u00e1rios pernambucanos. Como sempre, os livres e pobres que esperavam terras como recompensa, nada receberam. Mas nem os &#8220;premiados&#8221; conseguiram tomar posse de &#8220;suas&#8221; terras. Quando tentaram nelas entrar, foram violentamente repelidos pelos palmarinos.\n\nPalmares n\u00e3o havia morrido. Foi apenas uma pequena parte que acompanhou Ganga-Zumba.\n\n<strong>A maioria ficou, agora sob comando de um general que lutaria at\u00e9 a morte pela liberdade dos negros:<\/strong> Zumbi.\n\nMuito jovem ainda, Zumbi j\u00e1 era chefe de uma das povoa\u00e7\u00f5es. Na \u00e9poca do acordo feito com Ganga-Zumba, 1678, Zumbi era tamb\u00e9m chefe das for\u00e7as armadas de Palmares. No entanto, a classe dominante procurou ocultar a grandeza. Hoje, o nome &#8220;Zumbi&#8221; \u00e9 visto como nome de assombra\u00e7\u00e3o, saci ou diabo.\n\nIsso porque Zumbi assumiu a luta de seu povo. E os bandeirantes, que na verdade foram uns selvagens, s\u00e3o vistos como her\u00f3is. Muitos chefes militares importantes desertaram junto com Ganga-Zumba.\n\nEra um grande perigo para os que ficavam, pois os portugueses poderiam ter informa\u00e7\u00f5es completas sobre a organiza\u00e7\u00e3o de Palmares. Ent\u00e3o Zumbi reorganiza toda a vida de Palmares, em fun\u00e7\u00e3o da guerra, que mais cedo ou mais tarde certamente viria.\n\nEm 1692, o bandeirante Jorge Velho chega a Palmares, ataca, mas \u00e9 combatido pelos palmarinos, que o obrigam a recuar. Cego e \u00f3dio, o bandeirante descarregou sua loucura degolando duzentos \u00edndios. Ainda em 1692, o padre Ant\u00f4nio Vieira escreve ao rei de Portugal, dizendo que n\u00e3o havia nenhuma possibilidade de negocia\u00e7\u00e3o com os &#8220;quilombas&#8221;. Se continuassem livres em Palmares, em paz, seria um exemplo aos escravos.\n\nO \u00fanico jeito era destruir Palmares totalmente. O governo anunciou que os volunt\u00e1rios receberiam comida para guerrear contra Palmares. Os padres, nas missas, pregam o dever de todos de participar da &#8220;cruzada contra Palmares&#8221;.\n\nE a tropa que se formou, em 1694, tinha nove mil homens. Chegando a Macaco, a tropa tem uma grande surpresa. A povoa\u00e7\u00e3o estava incrivelmente defendida. Por dois dias, o ex\u00e9rcito fica sem saber o que fazer. Tenta dois ataques, fracassados, e encomenda novos refor\u00e7os.\n\nChegam os refor\u00e7os, trazendo tamb\u00e9m canh\u00f5es, que eram um tipo novo de arma. Houve uma grande batalha, e Macaco foi incendiada. Os palmarinos lutavam bravamente. Os sobreviventes entravam na mata. Domingos Jorge Velho fica em Palmares, e aproveita para saquear as fazendas locais. Havia v\u00e1rios grupos negros, armados no mato.\n\nUm deles era chefiado por Ant\u00f4nio Soares, que foi capturado pelos paulistas Andr\u00e9 Furtado de Mendon\u00e7a. Foi torturado e delatou o esconderijo de Zumbi, em troca de liberdade e vida. Ant\u00f4nio Soares chega ao esconderijo, na mata. Zumbi o recebe de bra\u00e7os abertos, mas \u00e9 retribu\u00eddo com um punhal na barriga. Os paulistas atacam, e os negros n\u00e3o se rendem, preferindo morrer. Assim, em 20 de novembro de 1695 morre Zumbi. Sua cabe\u00e7a foi cortada e exposta em pra\u00e7a p\u00fablica, em Recife.\n\nV\u00e1rios palmarinos foram para a Para\u00edba, onde, com outros negros e \u00edndios, fundaram o quilombo Cumbe, que era muito combativo, e sobreviveu at\u00e9 1731. Outros grupos negros permanecem no litoral, chefiados por Camoanga, atacando povoa\u00e7\u00f5es para sobreviver.\n\nAs terras de Palmares foram divididas entre senhores de engenho.Mas at\u00e9 1710, grupos armados negros combatiam na regi\u00e3o. As terras ficaram abandonadas, transformadas em grandes latif\u00fandios. Muitos perseguidos e lavradores sem terras buscaram ref\u00fagio nas matas de Palmares.\n\nFonte: www.ritosdeangola.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\nNo come\u00e7o do s\u00e9culo XVII j\u00e1 existiam aproximadamente 20 mil escravos negros no Brasil. Sofrendo maus tratos e todas prova\u00e7\u00f5es e priva\u00e7\u00f5es poss\u00edveis, mantinham em comum o forte desejo de liberdade. E, sempre que poss\u00edvel, fugiam do cativeiro. Embrenhando-se na floresta, tratavam de unir-se, para tentar escapar \u00e0 recaptura. Formavam agrupamentos na selva, verdadeiras aldeias, que ficaram conhecidas como quilombos.\n\nOs fazendeiros promoviam a busca aos &#8220;foragidos&#8221;, organizando &#8220;entradas&#8221; \u0096 expedi\u00e7\u00f5es que vasculhavam a floresta procurando os insubmissos. Apesar da frequ\u00eancia das entradas, centenas de quilombos foram surgindo, principalmente no Nordeste.\n\n<strong>Um deles destacou-se pela organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia, mantendo guerra prolongada contra os fazendeiros:<\/strong> foi Palmares.\n\nJ\u00e1 em 1600, um grupo de mais ou menos 45 fugitivos refugiara-se na Serra da Barriga (Estado das Alagoas). Abrigados pelas densas florestas de Palmeiras (da\u00ed o nome), os negros evitaram as entradas mandadas \u00e0 sua procura em 1602 e 1608.\n\nNa floresta foram construindo os primeiros mocambos, choupanas r\u00fasticas cobertas de folha de palmeira. Cada mocambo tinha seu chefe, da nobreza africana; mas isso n\u00e3o impediu que alguns, sem ser nobres, conseguissem o posto pela habilidade.\n\nCada mocambo tinha sua pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, com tra\u00e7os em comum como o sistema de defesa, que inclu\u00eda postos de vigia no meio da mata e caminhos camuflados que interligavam todos os mocambos.\n\nEm 1630 os holandeses invadem Pernambuco, gerando a guerra. Com o caos instalado na regi\u00e3o, a fuga de escravos intensificou-se. A maioria dos fugitivos migrou para Palmares, atra\u00eddos pela fama do lugar. Nessa \u00e9poca, a popula\u00e7\u00e3o do quilombo chegou a 10 mil habitantes, abrigando tamb\u00e9m \u00edndios e at\u00e9 brancos.\n\nOs holandeses chegaram a dominar todo o litoral nordestino, at\u00e9 a fronteira da Bahia.\n\n<strong>Por duas vezes tentaram destruir Palmares:<\/strong> em 1644 e 1645, sem sucesso.\n\nEm 1654 foram definitivamente expulsos do Brasil e os portugueses perceberam que destruir Palmares n\u00e3o seria uma tarefa simples.\n\nA prosperidade do Quilombo de Palmares alcan\u00e7ou seu apogeu em 1670. Ocupava grande parte do atual Estado de Alagoas e Pernambuco. Eram aproximadamente 50 mil pessoas distribu\u00eddas num territ\u00f3rio de 260 Km de extens\u00e3o por 132 Km de largura.\n\nAs atividades econ\u00f4micas do quilombo eram t\u00e3o desenvolvidas que extrapolavam seus limites, estabelecendo rela\u00e7\u00f5es comerciais regulares com as vilas e povoados vizinhos. Os quilombolas produziam principalmente produtos agr\u00edcolas, al\u00e9m de serem fortes na ca\u00e7a e pesca.\n\nCom a quest\u00e3o dos invasores solucionada, a Cor\u00f4a e os fazendeiros da regi\u00e3o voltaram-se para Palmares. Estes \u00faltimos j\u00e1 sentiam a decad\u00eancia da ind\u00fastria a\u00e7ucareira e sonhavam com as f\u00e9rteis terras do quilombo, al\u00e9m de toda m\u00e3o-de-obra gratuita que conseguiriam com os negros capturados.\n\nA partir de 1667 v\u00e1rias entradas foram organizadas para destruir o quilombo. As batalhas eram sangrentas, com baixas nos dois lados, mas sem um vencedor.\n\nEm 1674 o novo governador de Pernambuco, Pedro de Almeida, formou uma grande expedi\u00e7\u00e3o, que inclu\u00eda \u00edndios e uma tropa de negros chamada &#8220;T\u00ear\u00e7o de Henrique Dias&#8221;, criada originalmente para combater os holandeses. Mais uma vez os combates foram terr\u00edveis e novamente terminaram sem vencedor.\n\nEm 1675 um grande ex\u00e9rcito comandado por Manuel Lopes desmantela um dos mocambos de Palmares, capturando dezenas de negros.\n\nO comandante instala-se no mocambo conquistado e em 1676 recebe aux\u00edlio de Fern\u00e3o Carrilho, outro &#8220;not\u00e1vel&#8221; estrategista na luta contra quilombolas e \u00edndios.\n\nEm 1677, Carrilho ataca de surpresa o mocambo de Aqualtune, derrotando seus surpreendidos moradores. Monta sua base neste mesmo mocambo e inicia uma s\u00e9rie de ataques aos vizinhos. Mata Toculos e aprisiona Zambi e Acaiene, todos filhos de Ganga Zumba, rei de Palmares.\n\nCarrilho, animado com suas sucessivas vit\u00f3rias, investe contra o mocambo de Subupira, mas \u00e9 surpreendido ao encontr\u00e1-lo j\u00e1 destru\u00eddo pelos pr\u00f3prios palmarinos. Mesmo assim, o comandante consegue capturar Gana Zona, chefe militar de Palmares.\n\nCarrilho, acreditando ter aniquilado o quilombo, funda o Arraial de Bom Jesus e parte, certo de seu sucesso.\n\nMais prudente, o governador Pedro de Almeida percebe que o enfraquecimento de palmares n\u00e3o significa sua derrota. Temendo a reorganiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as do quilombo, prop\u00f5e um acordo de paz a Ganga Zumba. Pelo tratado, Palmares submeteria-se \u00e0 Coroa Portuguesa. Em troca, teria liberdade administrativa e seria considerada uma vila, onde Ganga Zumba ganharia o cargo de mestre-de-campo.\n\nAcuado e militarmente em desvantagem, o rei de Palmares aceita o acordo.\n\nMas isto n\u00e3o ser\u00e1 o fim do quilombo.\n<h4>ZUMBI<\/h4>\nA decis\u00e3o de Ganga Zumba n\u00e3o agrada todos os palmarinos.\n\n<strong>Seus principais opositores s\u00e3o dois importantes chefes de mocambos:<\/strong> Zumbi e Andalaquituche,\n\nQue prop\u00f5em libertar todos os escravos. Em meio \u00e0 controv\u00e9rsia, Ganga Zumba \u00e9 envenenado e Zumbi torna-se rei.\n\nO governador Pedro de Almeida n\u00e3o desiste de seu intento e numa derradeira tentativa de acordo liberta Gana Zona, mas isso de nada adianta. Uma nova fase se inicia em Palmares.\n\nZumbi, o novo rei, revela-se um corajoso estrategista militar, derrotando todas as expedi\u00e7\u00f5es que tentaram derrubar Palmares, entre 1680 e 1691. Suas sucessivas vit\u00f3rias aumentam sua fama, tornando-o temido e respeitado.\n<h4>A QUEDA<\/h4>\nSouto Mayor, o novo governador, decide organizar um ex\u00e9rcito exclusivamente para derrotar Zumbi e acabar de vez com Palmares. Para tanto, sela um acordo em 1691 com o sanguin\u00e1rio bandeirante Domingos Jorge Velho, c\u00e9lebre exterminador de \u00edndios. Pelo trato, em caso de vit\u00f3ria, Jorge Velho ficaria com um quinto do valor dos negros capturados, al\u00e9m de ganhar terras para serem repartidas entre seus homens.\n\nNo ano seguinte, o bandeirante ataca o mocambo C\u00earca do Macaco, sede de resist\u00eancia de Zumbi e sua tropa \u00e9 arrasada. Pede refor\u00e7os e recebe apoio de tropas pernambucanas chefiadas pelo capit\u00e3o Bernardo Vieira de Melo.\n\nAt\u00e9 1694, o mocambo \u00e9 mantido sob s\u00edtio, mas as investidas do ex\u00e9rcito s\u00e3o duramente repelidas.\n\nSomente em 6 de fevereiro desse mesmo ano, com refor\u00e7os redobrados, \u00e9 que o ex\u00e9rcito consegue invadir o mocambo e derrotar os quilombolas. Encurralados entre os inimigos e um abismo, muitos pulam para a morte, outro fogem. Os que ficam s\u00e3o dizimados.\n\nEntre os que conseguem escapar est\u00e1 Zumbi. As tropas n\u00e3o desistem e perseguem os sobreviventes um a um, matando-os ou aprisionando-os.\n\nZumbi s\u00f3 seria localizado um ano depois. Barbaramente morto e esquartejado, teve sua cabe\u00e7a exposta no centro da cidade de Olinda, como prova final da destrui\u00e7\u00e3o de Palmares.\n\nFonte: www.portalafro.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\nA partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, os escravos que conseguiam fugir das fazendas e dos engenhos come\u00e7aram a reunir-se em lugares seguros e ali ficavam vivendo em liberdade, longe de seus senhores. Estes lugares ficaram conhecidos por \u0093quilombos\u0094 e seus habitantes, \u0093quilombolas\u0094.\n\nHouve muitos quilombos no Brasil. O mais importante foi o \u0093Quilombo de Palmares\u0094, instalado na Serra da Barriga, onde hoje \u00e9 o estado de Alagoas. Durou mais de sessenta anos e chegou a contar com uma popula\u00e7\u00e3o de vinte mil habitantes, o que era bastante para a \u00e9poca. Na verdade, era um quilombo formado de v\u00e1rios outros, organizados sob a forma de reino.\n\nQuando houve a Invas\u00e3o da Holanda, os diversos quilombos que o compunham foram refor\u00e7ados, pois in\u00fameros escravos deixavam os lugares onde viviam e iam refugiar-se nos quilombos, aproveitando a aus\u00eancia dos seus senhores, que tamb\u00e9m fugiam dos invasores.\n\nEnquanto os brasileiros e portugueses lutavam contra os holandeses, os fugitivos trataram de fortalecer os seus quilombos.\n\nNo princ\u00edpio, para poder viver, os quilombolas praticavam assaltos \u00e0s fazendas e povoados mais pr\u00f3ximos. Pouco a pouco, foram-se organizando, cultivando a terra e trocando parte das colheitas por outras coisas de que precisavam.\n\nDurante o tempo em que brasileiros e portugueses estavam ocupados, combatendo os invasores, os negros viveram sossegados. Logo, por\u00e9m, que os holandeses deixaram de ser preocupa\u00e7\u00e3o, os brancos come\u00e7aram a combater os quilombolas.\n\nApesar dos in\u00fameros ataques que realizaram, os brancos n\u00e3o conseguiram arrasar os quilombos, como era sua inten\u00e7\u00e3o.\n\nOs quilombos estavam bem refor\u00e7ados, os negros eram corajosos e, ainda por cima, lutavam pela liberdade!\n\nPor fim, o governo de Pernambuco solicitou a ajuda do bandeirante paulista Domingos Jorge Velho, que preparou uma expedi\u00e7\u00e3o para derrotar os fugitivos.\n\nTamb\u00e9m ele falhou nas primeiras tentativas, mas n\u00e3o desistiu. Organizou um ex\u00e9rcito realmente poderoso e voltou ao ataque. Mesmo assim, a resist\u00eancia dos quilombolas foi t\u00e3o grande, t\u00e3o valente, que a luta durou perto de tr\u00eas anos.\n\n<strong>Os negros tinham uma desvantagem:<\/strong> estavam cercados. Enquanto os atacantes podiam conseguir refor\u00e7os e muni\u00e7\u00f5es de fora, principalmente contando com o interesse do governo, os quilombolas encontravam-se sozinhos e apenas podiam contar com o que possu\u00edam. \u00c9 claro que, um dia, a muni\u00e7\u00e3o dos sitiados tinha de se esgotar. Quando isto se deu, muitos negros fugiram para o sert\u00e3o. Outros se suicidaram ou renderam-se aos atacantes.\n<h4>REP\u00daBLICA DOS PALMARES<\/h4>\n<strong>1. Forma\u00e7\u00e3o e Primeiros Tempos dos Palmares <\/strong>\n\nEmbora se costume atribuir, mais ou menos arbitrariamente, a data de 1630 para o in\u00edcio da exist\u00eancia plena dos Palmares, pesquisas recentes indicam que desde os primeiros tempos do s\u00e9culo XVII as autoridades, como o governador de Pernambuco Diogo Botelho, se preocupavam com o ajuntamento de negros fugidos na regi\u00e3o que se estendia da zona ao norte do curso inferior do S\u00e3o Francisco, em Alagoas, at\u00e9 \u00e0s vizinhan\u00e7as do cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco.\n\nUma expedi\u00e7\u00e3o comandada por Bartolomeu Bezerra havia sido mandada, entre 1602 e 1608, para exterminar o agrupamento rebelde.\n\nEntretanto, o assombroso crescimento do quilombo deu-se efetivamente a partir de 1630, quando as guerras com os holandeses desarticularam momentaneamente a economia e a organiza\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareiros, relaxando a vigil\u00e2ncia dos senhores. Mesmo na Bahia, as fugas em massa de escravos durante a luta foram comuns, permitindo a forma\u00e7\u00e3o dos aldeamentos de Rio Vermelho e Itapicuru, destru\u00eddos respectivamente em 1632 e 1636.\n\nNos Palmares (regi\u00e3o assim denominada pela presen\u00e7a intensa da palmeira pindoba), os negros se espalharam por uma regi\u00e3o acidentada e de dif\u00edcil acesso, coberta de espessa mata tropical, o que dificultava as investidos dos brancos.\n\n<strong>Estes exigiram das autoridades alguma a\u00e7\u00e3o contra o quilombo desde o tempo do dom\u00ednio holand\u00eas:<\/strong> os capit\u00e3es Rodolfo Baro e Blaer atacaram-no respectivamente em 1644 e 1645, com escassos resultados.\n\nPor volta dessa \u00e9poca, os aldeamentos deviam contar com cerca de 6 mil pessoas, n\u00famero que se multiplicaria bastante, mais tarde. A natureza, embora inicialmente \u00e1spera, facilitava a sobreviv\u00eancia, pela abund\u00e2ncia de \u00e1rvores frut\u00edferas, animais de ca\u00e7a e rios piscosos que tamb\u00e9m resolviam a necessidade de \u00e1gua, em locais de f\u00e1cil acesso. Derrubada a mata em clareiras, o solo restava f\u00e9rtil e \u00famido para o plantio.\n\nExperientes no trabalho agr\u00edcola, os negros mantinham planta\u00e7\u00f5es que lhes propiciavam farta subsist\u00eancia, chegando a gerar excedentes em pequena escala. Al\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o natural, a mata lhes fornecia tamb\u00e9m os materiais necess\u00e1rios constru\u00e7\u00e3o de suas cho\u00e7as, normalmente feitas de v\u00e1rias palmeiras, ao fabrico de seus m\u00f3veis r\u00fasticos e utens\u00edlios, bem como argila para sua cer\u00e2mica. Em alguns aldeamentos, praticavam uma metalurgia rudimentar, e os relatos falam de uma s\u00e9rie de atividades artesanais entre eles.\n\nEntre os produtos agr\u00edcolas, destacavam-se o milho, do qual muitas lavouras foram encontradas e destru\u00eddas pelos brancos, a mandioca, o feij\u00e3o e a batata-doce. Banana e cana-de-a\u00e7\u00facar tamb\u00e9m eram cultivadas, para o fabrico de rapadura e aguardente.\n\nA import\u00e2ncia das planta\u00e7\u00f5es palmarinas pode ser avaliada pelo fato de que o pr\u00f3prio Rei D. Pedro II (1683-1706), em despacho referente a uma das expedi\u00e7\u00f5es que deviam atacar o reduto, recomendava que a data desta coincidisse com a \u00e9poca de colheita dos negros, para permitir o abastecimento da tropa.\n\nAs aldeias que compunham o quilombo eram chamadas mocambos, ajuntamentos de casas primitivas cobertas de folhas de palmeira, protegidos por pali\u00e7adas duplas de madeira. Espalhados por uma \u00e1rea de cerca de sessenta l\u00e9guas (por volta de 1675), eles chegaram a abrigar uns 20 mil habitantes, segundo J\u00e1come Bezerra, em 1671, ou 30 mil, segundo Brito Freire.\n\nEssa popula\u00e7\u00e3o era bastante heterog\u00eanea. Entre os negros, encontravam-se elementos das mais variadas na\u00e7\u00f5es africanas, com predom\u00ednio de origin\u00e1rios da Costa da Guin\u00e9, mas no quilombo havia tamb\u00e9m mesti\u00e7os brasileiros e ind\u00edgenas.\n\nNo mocambo do Engana-Colomim, quase s\u00f3 havia \u00edndios, vivendo e lutando ao lado dos negros em uma fraternidade racial nascida do conflito comum com o branco. Nos rituais religiosos e nos h\u00e1bitos culturais (sobre os quais existem poucos dados), isto interferia, na medida em que tudo ganhava um car\u00e1ter sincr\u00e9tico.\n\nN\u00e3o foi poss\u00edvel determinar o grau de predomin\u00e2ncia de alguma das culturas da costa guineana nos h\u00e1bitos palmarinos, mas sabe-se que estas eram bastante misturadas com o catolicismo popular, como nos futuros &#8220;candombl\u00e9s&#8221; e &#8220;umbandas&#8221;. No mocambo do Macaco, existia uma capela com imagens de divindades cat\u00f3licas e rezavam-se ora\u00e7\u00f5es crist\u00e3s, chegando at\u00e9 a se celebrarem casamentos.\n\nAs uni\u00f5es conjugais, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o tinham regras fixas, encontrando-se tanto a monogamia quanto, como no caso do rei Ganga-Zumba, com suas tr\u00eas esposas, a poligamia. Os portugueses, na tentativa de descaracterizar a organiza\u00e7\u00e3o social palmarina, pouco anotaram sobre seus padr\u00f5es e normas \u00e9ticas, mas sabe-se que, seguindo tradi\u00e7\u00f5es africanas, &#8220;o roubo e o assass\u00ednio eram igualmente punidos com a morte&#8221;. Quanto aos negros que, no caso de uma incurs\u00e3o palmarina contra alguma fazenda das vizinhan\u00e7as, se recusassem a unir-se aos fugitivos, eram feitos escravos at\u00e9 que concordassem em libertar mais algum cativo.\n\n<strong>\u00c9 importante notar que as expedi\u00e7\u00f5es contra as senzalas, que aterrorizavam os senhores, eram uma pr\u00e1tica n\u00e3o muito comum depois que o quilombo atingiu suas dimens\u00f5es m\u00e1ximas:<\/strong> os senhores das redondezas acabavam por entrar em acordo com os quilombolas, para uma conviv\u00eancia pac\u00edfica.\n\nA &#8220;colabora\u00e7\u00e3o&#8221; de brancos com os rebeldes de Palmares foi muito freq\u00fcente. Os seus excedentes agr\u00edcolas interessavam aos lavradores e mascates, que os trocavam por armas e utens\u00edlios. Por outro lado, para se prevenir de um ataque, alguns senhores pagavam uma esp\u00e9cie de tributo aos mocambos, pr\u00e1tica veementemente condenada pelas autoridades, que tamb\u00e9m puniam o com\u00e9rcio.\n\nDomingos Jorge Velho denunciou o Desembargador Crist\u00f3v\u00e3o de Burgos, propriet\u00e1rio dos arredores palmarinos, como &#8220;colono dos negros&#8221;, impedindo-o de entrar novamente na posse de suas terras ap\u00f3s o t\u00e9rmino da guerra contra aqueles.\n\nEssa &#8220;colabora\u00e7\u00e3o&#8221; prendia-se, como a tr\u00e9gua que seria assinada em determinada ocasi\u00e3o entre Ganga-Zumba e o governo de Pernambuco, \u00e0 realidade efetiva do poder que os negros conseguiram na regi\u00e3o.\n\nEmbora n\u00e3o tivessem objetivos diretamente pol\u00edticos, e pretendessem apenas a liberdade e o bem-estar, os fugitivos concentrados em Palmares representavam por isso mesmo um elemento profundamente subversivo da ordem colonial, a ser incessantemente combatido pelos senhores e autoridades.\n\nE por isso mesmo, na medida em que adquiriam mais for\u00e7as, podiam impor politicamente, atrav\u00e9s de negocia\u00e7\u00f5es, alguns de seus objetivos. Da mesma forma, organizaram um verdadeiro Estado em moldes africanos, em que os chefes dos mocambos, organizados na forma de comunidade tribal, elegiam o rei, baseados em crit\u00e9rios como coragem, for\u00e7a e capacidade de mando.\n\nO primeiro rei foi Ganga-Zumba, substitu\u00eddo depois de morto por seu sobrinho Zumbi, n\u00e3o por um crit\u00e9rio de hereditariedade, mas pela lideran\u00e7a efetiva que este exercia, e que chegou a empanar a de Ganga-Zumba nos \u00faltimos anos de sua vida. Entretanto, a exist\u00eancia do Estado palmarino era absolutamente incompat\u00edvel com a ordem lusitana e branca; ele devia ser incontinenti destru\u00eddo.\n\n<strong>2. Os Ataques Brancos e as T\u00e1ticas de Guerra dos Negros <\/strong>\n\nAs guerras dos Palmares evidenciaram a coragem e o engenho que o amor \u00e0 liberdade incutiu nos negros rebeldes. Sua capacidade de resist\u00eancia aos ataques brancos, permitindo-lhes manter-se por mais de 65 anos, manifestou-se tamb\u00e9m no fato de que o quilombo foi o \u00fanico a ter fortifica\u00e7\u00f5es regulares, cuja efic\u00e1cia causava espanto ao inimigo, ao mesmo tempo que os negros se valiam tamb\u00e9m (e principalmente) da guerra de movimento, em um terreno por eles bem conhecido e que multiplicava as agruras dos atacantes.\n\nJ\u00e1 nos referimos acima aos ataques levados a efeito pelos holandeses, sem sucessos significativos; os negros, advertidos da expedi\u00e7\u00e3o Blaer-Rejmbach (1645), simplesmente se retiraram para o mato, abandonando a maior parte de seus mocambos. A expedi\u00e7\u00e3o de Baro (1644) tamb\u00e9m n\u00e3o passou de uma &#8220;escaramu\u00e7a&#8221;.\n\nDepois da expuls\u00e3o dos batavos, em 1654, durante muito tempo houve apenas incurs\u00f5es policiais, ou de bandos de jagun\u00e7os, que os senhores de engenho enviavam como repres\u00e1lia por ataques \u00e0s suas senzalas.\n\nA primeira &#8220;entrada&#8221; de grande porte enviada aos Palmares foi a do mestre-de-campo Zen\u00f3bio Accioly de Vasconcelos, em 1667. Zen\u00f3bio atacou pela retaguarda, subindo o rio Panema e, na serra do Comonati, destruiu um mocambo e fez algum reconhecimento da regi\u00e3o. Esta entrada fora organizada pelo governo de Pernambuco, mas as dificuldades financeiras deste, agravadas pela crise do com\u00e9rcio a\u00e7ucareiro que se iniciava, levaram-no a deixar aos cuidados das vilas pr\u00f3ximas o combate ao reduto.\n\nEstas logo fizeram entre si acordos de uni\u00e3o financeira e militar para a luta, como o tratado entre Alagoas e Porto Calvo em 1668, ou aquele entre essas duas, Serinha\u00e9m e Rio de S\u00e3o Francisco (hoje Penedo), em 1669. Tais acordos nunca sa\u00edram do papel, havendo apenas not\u00edcias de ataques de pequenos bandos a grupos isolados de negros, que resultavam em reconduzir uns poucos s senzalas.\n\nEssa provid\u00eancia resultava \u00e0s vezes em pior preju\u00edzo, pois os escravos recambiados freq\u00fcentemente estimulavam fugas de novos grupos, ou funcionavam como verdadeiros espi\u00f5es. Por isso mesmo, o Governador Bernardo de Miranda Henriques estabeleceu, em 1669, a regra de que os negros capturados nos Palmares deveriam ser vendidos em Recife, sob pena de confisco.\n\nEm 1670, o vis\u00edvel crescimento do quilombo e as constantes fugas faziam crescer a tens\u00e3o, o que levou o Governador Fern\u00e3o Coutinho a proibir o porte de qualquer arma a qualquer negro, mulato, \u00edndio, mameluco ou branco &#8220;que exer\u00e7a qualquer of\u00edcio mec\u00e2nico ou haja exercido&#8221;, residente nas vilas em torno da \u00e1rea de negros livres.\n\nAs autoridades decidiram-se a tomar medidas mais en\u00e9rgicas, organizando entradas de maior porte, que chegavam a mil homens e mais. Entre 1671 e 1678, segundo um documento an\u00f4nimo existente na Torre do Tombo, houve vinte e cinco expedi\u00e7\u00f5es ofensivas, e sabe-se tamb\u00e9m que os governadores ordenavam a abertura de caminhos entre a densa mata, para facilitar os avan\u00e7os brancos.\n\nAlgumas das entradas foram organizadas por particulares, como a de Crist\u00f3v\u00e3o Lins, fazendeiro a quem os palmarinos haviam incendiado os canaviais, em uma a\u00e7\u00e3o de repres\u00e1lia, e outras eram empresadas por militares ou chefes de bandos armados, como a do Capit\u00e3o Andr\u00e9 da Rocha em 1671, organizada pelo mestre-de-campo General Francisco Barreto, her\u00f3i da guerra holandesa.\n\nAlgumas tiveram certo sucesso, como a de Manuel Lopes, de 1675, que provocou 800 baixas entre os negros, e outras foram um fracasso, como a de Domingos Gon\u00e7alo, de 1672, destro\u00e7ado e sofrendo in\u00fameras deser\u00e7\u00f5es. De qualquer forma, o conjunto dos ataques n\u00e3o conseguiu reduzir o quilombo, que continuou a crescer, ao mesmo tempo que fortaleceu os homens de Ganga-Zumba, seja pelo prest\u00edgio crescente que este possu\u00eda entre os negros das senzalas, estimulados para a fuga, seja porque as entradas derrotadas deixavam aos guerreiros quilombolas muitas armas de fogo, de dif\u00edcil obten\u00e7\u00e3o por outros meios.\n\nEm parte, a resist\u00eancia do reduto durante tanto tempo se deveu \u00e0s t\u00e1ticas de guerra empregadas pelos seus defensores. Os relatos dos brancos, preocupados em exaltar a gl\u00f3ria dos chefes atacantes, para conseguir-lhes t\u00edtulos e favores, falam sempre das &#8220;fugas desordenadas&#8221; dos negros dos mocambos atacados, e de sua incapacidade de manter batalhas longas.\n\nEntretanto, os mocambos que se dizia estarem destru\u00eddos, como o do Macaco, aparecem inteiros nos relatos subseq\u00fcentes. Na verdade, as retiradas dos palmarinos, no caso de batalhas em que as armas de fogo do inimigo impossibilitavam a defesa prolongada, obedeciam a uma estrat\u00e9gia de tipo guerrilheiro, em que os &#8220;mocambos&#8221; eram simplesmente mudados de lugar, pela facilidade de reconstru\u00e7\u00e3o das toscas casas de palmeira.\n\nO pr\u00f3prio &#8220;Macaco&#8221;, que nos \u00faltimos tempos da guerra foi uma esp\u00e9cie de ,quartel-general&#8221; de Zumbi, ao que tudo indica mudou pelo menos uma vez de lugar. Por outro lado, depois que os brancos se retiravam, os s\u00edtios semidestru\u00eddos eram novamente ocupados e reconstru\u00eddos pelos rebeldes abrigados na mata. O Macaco teria sido destru\u00eddo por Manuel Lopes em 1675, mas estava no mesmo lugar em relato posterior, de 1682.\n\nDa mesma forma, mais tarde, quando o mocambo do Cuca\u00fa, chefiado por Zumbi, foi derrotado, os homens do chefe guerreiro se estabeleceram na serra do Barriga. E no ataque final a esse reduto o seu nome, segundo os brancos, seria o de Macaco. No quadro dessa &#8220;guerra de movimento&#8221;, as emboscadas dos palmarinos, facilitadas pelo conhecimento do terreno, infligiam perdas e terror aos inimigos, al\u00e9m de possibilitar a liberta\u00e7\u00e3o de outros escravos.\n\nEntretanto, os negros usavam tamb\u00e9m, para retardar as tropas contra eles enviadas, v\u00e1rios tipos de fortifica\u00e7\u00f5es, aperfei\u00e7oadas com o desenrolar da guerra. As pali\u00e7adas duplas que cercavam os mocambos eram protegidas por troncos, fojos (buracos dissimulados no fundo dos quais se armavam paus de ponta) e estrepes (lan\u00e7as de madeira em riste, escondidas pela vegeta\u00e7\u00e3o). Quando os inimigos conseguiam incendiar as pali\u00e7adas, os quilombolas se retiravam, reagrupando-se s vezes para o contra-ataque algumas centenas de metros depois, como fizeram com os homens de Manuel Lopes em 1675, ou investindo diretamente sobre os brancos, corno na entrada tr\u00edplice de J\u00e1come Bezerra (1672), em que a coluna procedente de Alagoas foi completamente destro\u00e7ado.\n\nAs fortifica\u00e7\u00f5es se aperfei\u00e7oaram de tal forma que, no assalto final de 1694, o poderoso ex\u00e9rcito comandado por Domingos Jorge Velho deparou, estupefato, com uma &#8220;cerca&#8221; tr\u00edplice de 5 434 metros de comprimento, com guaritas e redutos, protegida por uma intricada &#8220;tranqueira&#8221; de vegeta\u00e7\u00e3o, fojos e estrepes. A artilharia empregada contra a cerca n\u00e3o foi capaz de abrir nela uma brecha suficiente para a penetra\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>3. A Tr\u00e9gua <\/strong>\n\nA luta contra os palmarinos, necessidade objetiva do poder colonial, era no entanto um peso excessivo para os senhores de terras que a ela forneciam apoio. As tropas requisitavam das vilas e seus moradores muitos mantimentos, muni\u00e7\u00e3o, escravos para transporte, dinheiro para soldos de uma parte dos combatentes, etc.\n\nEmbora a destrui\u00e7\u00e3o dos Palmares fosse de seu interesse, como um todo, muitos dos propriet\u00e1rios, como vimos, estabeleciam formas de conviv\u00eancia com os quilombolas, que os deixavam em paz. Assim, estes colonos viam a luta como tarefa das autoridades, encarregadas da manuten\u00e7\u00e3o do sistema, e contribu\u00edam contrariados com seus bens para a custosa guerra.\n\nA situa\u00e7\u00e3o se agravava com a crise do a\u00e7\u00facar no mercado internacional, que deixava em dificul dades os produtores, num quadro de aumento de impostos, como aquele causado pela necessidade de pagar o dote \u00e0 rainha da Inglaterra, .conseq\u00fc\u00eancia dos acordos de paz posteriores \u00e0 derrota holandesa. Nos anos subseq\u00fcentes, v\u00e1rios relatos de governadores fizeram-se porta-vozes das queixas dos habitantes de Porto Calvo, Serinha\u00e9m, Alagoas e outras vilas pr\u00f3ximas; em 1686, o Governador Souto Maior reclamou \u00e0 Coroa que &#8220;estes povos t\u00eam suprido das suas fazendas mais do que lhes era poss\u00edvel, e n\u00e3o \u00e9 justo que assistam para esta empresa (contra o quilombo) com mais do que t\u00eam.&#8221; Com dois engenhos de Porto Calvo completamente destru\u00eddos, seus moradores apelavam atrav\u00e9s da C\u00e2mara para a &#8220;piedade&#8221; de Sua Majestade.\n\nA Coroa, por\u00e9m, se ressentia bastante de in\u00fameros problemas financeiros, no quadro de uma grave crise comercial, para poder custear completamente as expedi\u00e7\u00f5es. Em 1694, Caetano de Melo e Castro afirmava que a guerra dos Palmares havia custado ,,perto de 400 mil cruzados&#8221; da Real Fazenda, e &#8220;aos moradores e povo mais de um milh\u00e3o&#8221;. Entre as queixas de Porto Calvo, constava a de que, para pagar os impostos novos exigidos por Lisboa, os propriet\u00e1rios &#8220;vieram pra\u00e7a arrematar-se as j\u00f3ias do ornato de suas mulheres&#8221;.\n\nAl\u00e9m disso, nos anos 1686-87 grassou em Pernambuco terr\u00edvel epidemia, conhecida como &#8220;mal-de-bicho&#8221;, que debilitou ainda mais os brancos, ao mesmo tempo que as revoltas de \u00edndios na regi\u00e3o do Assu carreavam homens e recursos. Era necess\u00e1rio um al\u00edvio da situa\u00e7\u00e3o, e a id\u00e9ia de uma tr\u00e9gua com os Palmares cresceu entre as autoridades. Era necess\u00e1ria, por\u00e9m, uma vit\u00f3ria parcial que fortalecesse a posi\u00e7\u00e3o do poder branco para o caso de uma negocia\u00e7\u00e3o com a chefia quilombola.\n\nPara isso foi chamado Fern\u00e3o Carrilho, sertanista experiente e h\u00e1bil lutador contra n\u00facleos de negros e \u00edndios na selva, contando tamb\u00e9m com o &#8220;background&#8221; de ter reduzido dois quilombos no Sergipe, a mando do governador-geral do Brasil. O capit\u00e3o fez uma primeira tentativa in\u00fatil em 1676 contra os rebeldes, sofrendo com as dificuldades financeiras das vilas que deviam financi\u00e1-lo.\n\nEm 1677, por\u00e9m, o capit\u00e3o conseguiu reunir recursos suficientes e partiu de Porto Calvo, atacando logo o mocambo de Aqualtune, m\u00e3e do rei Ganga-Zumba.\n\nSurpreendidos, os negros se retiraram para um novo agrupamento em Subupira, pondo em a\u00e7\u00e3o a sua t\u00e1tica de movimentos; mas Fern\u00e3o n\u00e3o desistiu e, demonstrando tiroc\u00ednio militar, evitou lan\u00e7ar suas for\u00e7as em conjunto contra os negros, preferindo pequenos ataques enquanto esperava refor\u00e7os. Assim que estes chegaram, sitiou o grande mocambo do Amaro (mais de mil casas), com grande sucesso, pondo em debandada Ganga-Zumba.\n\nNo conjunto da campanha, Carrilho aprisionou dois filhos do rei, Zambi e Acaiene, al\u00e9m de chefes de mocambo como Acai\u00faba e Ganga-Mu\u00ed\u00e7a, junto com dezenas de negros que foram distribu\u00eddos entre os cabos da tropa. O relativo enfraquecimento do quilombo permitiu ao capit\u00e3o oferecer, atrav\u00e9s de dois prisioneiros importantes, uma suspens\u00e3o das hostilidades ao rei Ganga-Zumba, com a condi\u00e7\u00e3o de que os palmarinos depusessem as armas.\n\nA oferta dividiu o quilombo. Embora Ganga-Zumba tendesse a aceit\u00e1-la, preocupado com as perdas humanas e com a possibilidade de aproveitar a paz para refazer-se, ao que parece muitos dos chefes mais jovens, como seu sobrinho Zumbi, percebendo o car\u00e1ter irreconcili\u00e1vel da luta entre senhores e escravos, se opunham.\n\nO irm\u00e3o do rei, Gana-Zona, capturado pelos brancos, era favor\u00e1vel \u00e0 iniciativa. Triunfando momentaneamente a opini\u00e3o do chefe supremo, foi mandada uma &#8220;embaixada&#8221; a Recife, acompanhada de um alferes que tinha vindo renovar os apelos \u00e0 pacifica\u00e7\u00e3o.\n\nA chegada a Recife, em 18 de junho de 1678, dos negros aquilombados, causou grande alvoro\u00e7o. Suados pela caminhada, mal vestidos e cabisbaixos, os quilombolas temidos vinham resignar-se perante o Governador Aires de Souza e Castro, que os recebeu condignamente. Afinal, tratava-se de simples negros, a quem a opini\u00e3o dos propriet\u00e1rios escravistas jamais imaginara dispensar aten\u00e7\u00e3o.\n\nSouza e Castro, percebendo a import\u00e2ncia pol\u00edtica do evento, ouviu atentamente as reivindica\u00e7\u00f5es rebeldes para se chegar a um acordo. Tanto que, uma vez concretizado este, muitos dos brancos n\u00e3o acreditaram, pelo car\u00e1ter concessivo dos seus termos. Os palmarinos, contrariando todas as diretrizes do sistema colonial, teriam direito \u00e0 delimita\u00e7\u00e3o de uma \u00e1rea para viver em liberdade, bem como ao plantio, com\u00e9rcio e trato com os brancos, sem o fisco real, desde que se desfizessem de seu equipamento militar.\n\n<strong>Se alguns brancos n\u00e3o viram com bons olhos o acordo, os quilombolas mais radicais o repudiaram inteiramente:<\/strong> Zumbi, chefiando o mocambo do Cuca\u00fa, continuou a fazer incurs\u00f5es destinadas a libertar mais escravos, ao mesmo tempo que pequenos grupos de brancos persistiam na apreens\u00e3o de quilombolas surpreendidos nos caminhos da mata.\n\nO governo, assim que ficou ciente da rebeldia do Cuca\u00fa, organizou a expedi\u00e7\u00e3o de Gon\u00e7alo Moreira para destru\u00ed-lo. Nesse meio tempo, por\u00e9m, Ganga-Zumba morrera envenenado, e Zumbi assumira o controle total dos palmarinos. Assim, quando Gon\u00e7alo atacou o mocambo rebelde, prendendo alguns chefes, como Jo\u00e3o Mulato e Canhonga, Zumbi n\u00e3o se encontrava mais no reduto, onde s\u00f3 haviam ficado 200 homens, e se internara na mata para organizar as novas defesas.\n\nPara os brancos a fase seguinte da luta seria uma das mais terr\u00edveis, a ponto de os colonos mandarem por v\u00e1rias vezes Gana-Zona a negociar sem sucesso a rendi\u00e7\u00e3o do sucessor de Ganga-Zumba e de propor nova tr\u00e9gua em 1685, rejeitada pelo Conselho Ultramarino. Por bastante tempo ainda, Palmares resistiria.\n\n<strong>4. O Ataque Final <\/strong>\n\nPara a submiss\u00e3o final do quilombo, o poder pernambucano n\u00e3o seria suficiente; resolveu-se contratar o paulista Domingos Jorge Velho, verdadeiro especialista no massacre de ra\u00e7as submetidas ao colonialismo.\n\n<strong>Sertanismo de Contrato &#8211;<\/strong> <strong>Domingos Jorge Velho vinculava-se a uma particular atividade, muito comum no Brasil seiscentista como extens\u00e3o das &#8220;bandeiras de apresamento&#8221; :<\/strong> o massacre e a submiss\u00e3o de grupos ind\u00edgenas, contratados por autoridades do Nordeste, executados por paulistas experientes no ramo e eufemisticamente chamados pela historiografia de &#8220;sertanismo de contrato&#8221;. Desde os tempos de 1670, Domingos e seus capangas e \u00edndios armados combatiam no Piau\u00ed os tabajaras, oroazes e cupinhar\u00f5es, quando uma carta de 1685 do governador pernambucano Souto Maior o convidou para exterminar os Palmares.\n\nDepois de uma extensa marcha at\u00e9 \u00e0s proximidades do quilombo, a tropa paulista recebeu uma contra-ordem do governador-geral do Brasil, Matias da Cunha, mandando-os regressar ao norte, para combater os \u00edndios janduins que se rebelavam na regi\u00e3o do Assu. S\u00f3 em 1687 um emiss\u00e1rio de Jorge Velho, o padre carmelita Crist\u00f3v\u00e3o de Mendon\u00e7a, foi a Pernambuco negociar os termos da sua participa\u00e7\u00e3o na guerra palmarina, mas o acordo s\u00f3 foi aprovado em 1691 pelo novo governador, Marqu\u00eas de Montebelo. Depois de esmagar os jandu\u00eds, perdendo muitos homens, j\u00e1 com o t\u00edtulo de mestre-de-campo, o chefe paulista dirigiu-se para os Palmares, onde chegou em 1692. O paulista Cardoso de Almeida, diante da amea\u00e7a de novas rebeli\u00f5es \u00edndias, foi contratado para seu lugar.\n\nSua tropa contava com quase mil homens, na sua maioria (cerca de 800) \u00edndios armados. Os paulistas faziam jus ao exemplo de seu chefe, homem violento e cruel, detestado at\u00e9 pelos senhores de terra que dele necessitavam.\n\n<strong>O bispo de Pernambuco dizia dele, em 1697: <\/strong>&#8220;Este homem \u00e9 um dos maiores selvagens com que tenho topado. . . nem se diferencia do mais b\u00e1rbaro tapuia mais que em dizer que \u00e9 crist\u00e3o, e n\u00e3o obstante o haver-se casado de pouco, lhe assistem sete \u00edndias concubinas. . . tendo sido a sua vida, desde que teve uso da raz\u00e3o, &#8211; se \u00e9 que a teve, porque, se assim foi, de sorte a perdeu que entendo a n\u00e3o achar\u00e1 com facilidade, &#8211; at\u00e9 o presente, andar metido pelos matos \u00e0 ca\u00e7a de \u00edndios, e de \u00edndias, estas para o exerc\u00edcio das suas torpezas, e aqueles para o granjeio de seus interesses.&#8221; Seus homens roubavam \u00e0 larga os moradores das vilas por onde passavam, provocando in\u00fameras queixas, mas a viol\u00eancia maior era para com os \u00edndios, mesmo aqueles que viviam em paz com os brancos e que eram deixados assim pelas autoridades. Certa vez, Domingos Jorge Velho assassinou duzentos ind\u00edgenas, cortando-lhes as cabe\u00e7as, exclusivamente porque estes se recusaram a acompanh\u00e1-lo na luta contra os Palmares.\n\nA luta contra os negros rebeldes atra\u00eda os paulistas porque tamb\u00e9m oferecia alguns aspectos das vantagens do &#8220;sertanismo de contrato&#8221;, na medida em que tradicionalmente as &#8220;entradas&#8221; capturavam os negros para venda, algumas vezes at\u00e9 com isen\u00e7\u00e3o dos quintos reais. Al\u00e9m disso, havia as ricas terras palmarinas, que mesmo antes da destrui\u00e7\u00e3o do quilombo eram objeto de acirradas disputas.\n\nO grupo de Jorge Velho fez acordos, ou &#8220;Capitula\u00e7\u00f5es&#8221;, com o Governador Souto Maior, ratificados depois pelo Marqu\u00eas de Montebelo, que lhe concediam amplos direitos, como o recebimento de muni\u00e7\u00f5es, armas, mantimentos regulares, isen\u00e7\u00e3o de impostos sobre venda dos negros apreendidos, terras de sesmaria na regi\u00e3o da Para\u00edba, e &#8220;perd\u00e3o para quaisquer crimes anteriores&#8221;, de que eles precisavam bastante.\n\nPrimeira Tentativa e Forma\u00e7\u00e3o da Grande Expedi\u00e7\u00e3o &#8211; Em dezembro de 1692, assim que chegaram aaos Palmares, os paulistas se atiraram galhardamente sobre os mocambos, contando derrot\u00e1-los facilmente. N\u00e3o esperavam a resist\u00eancia violenta e aperfei\u00e7oada dos homens de Zumbi, e n\u00e3o conheciam perfeitamente o terreno \u00edngreme.\n\nApesar de refor\u00e7ados por uma tropa de moradores alagoanos, eles n\u00e3o conseguiram vencer a surpreendente primeira &#8220;cerca&#8221;, edificada a alguns quil\u00f4metros do antigo Macaco. O ataque fracassou redondamente, fazendo fugir em debandada os homens de Alagoas e desarticulando completamente o esquema ofensivo do mestre-de-campo. Desamparados e desmuniciados, &#8220;muito destro\u00e7ados de fomes e marchas&#8221;, os paulistas voltaram a Porto Calvo sentindo na garganta o sabor desconhecido de uma derrota violenta diante de &#8220;simples negros&#8221;.\n\nEm Porto Calvo, seu comportamento violento e desregrado valeu-lhes a hostilidade dos moradores, que com muito custo lhes arranjavam comida. A demora na chegada de muni\u00e7\u00f5es f\u00ea-los ficar dez meses inativos, de janeiro a novembro de 1693, o que facilitou a debandada de mais alguns homens. Com isto, e com as baixas da derrota junto ao quilombo, a gente de Domingos Jorge Velho ficou reduzida a 600 \u00edndios e 45 brancos.\n\nQuando chegaram as muni\u00e7\u00f5es, o mestre-de-campo resolveu seguir assim mesmo para os Palmares, mas a incr\u00edvel &#8220;cerca tr\u00edplice&#8221; do novo Macaco, na serra do Barriga, f\u00ea-lo desistir logo ao primeiro embate. Nos dois meses seguintes, Domingos permaneceu acampado nas redondezas, enquanto providenciava poderosos refor\u00e7os, recrutando homens e novos agrupamentos regulares em todo Pernambuco e vilas alagoanas.\n\n<strong>Ao mesmo tempo, valeu-se de um hediondo expediente para enfraquecer os palmarinos: <\/strong>vestiu alguns negros capturados com roupas de doentes e pestilentos, permitindo-lhes fugir para o reduto, espalhando ali mol\u00e9stias contagiosas.\n\nEm janeiro de 1694, chegaram os enormes refor\u00e7os, carregando inclusive pe\u00e7as de artilharia, comandados por Zen\u00f3bio Accioly de Vasconcelos, Sebasti\u00e3o Dias e Bernardo Vieira de Melo. O conjunto dos atacantes era agora bem maior em n\u00famero e muito mais armado, chegando a quase tr\u00eas mil homens.\n\nEntretanto, a &#8220;cerca&#8221; de mais de cinco mil metros de mocambo, com todas as suas fortifica\u00e7\u00f5es, situada em terreno escarpado, resistia firme ao s\u00edtio, que durou mais de 22 dias.\n\n<strong>Disse depois Domingos Jorge Velho em carta ao Rei:<\/strong> eram &#8220;os exteriores t\u00e3o cheios de estrepes ocultos, e de fojos cheios deles, de todas as medidas, uns de p\u00e9s, outros de virilhas, outros de garganta, que era absolutamente imposs\u00edvel chegar algu\u00e9m \u00e0 dita cerca toda ao redor&#8230; e por ser o lugar muito escarpado, mal aparecia um soldado na extrema da estreparia para especular, e tirar algum estrepe, que era pescado na cerca; nem lhes era poss\u00edvel fazerem aproches, que a espessura e ligame da raizama do mato era tanta que n\u00e3o dera lugar a cavar. A artilharia, por esses motivos, n\u00e3o adiantou muito.\n\n<strong>Assalto Final &#8211; <\/strong>Desde muitos anos antes, Zumbi era muito temido pelos brancos, que consideravam os seus companheiros pr\u00f3ximos como &#8220;a melhor gente para combate&#8221;. Em 1675, o Capit\u00e3o Gon\u00e7alo Moreira chamava-o de &#8220;general-das-armas&#8221; do quilombo. Durante 22 dias, at\u00e9 \u00e0 data de 6 de fevereiro de 1694, Zumbi comandava vigorosamente seus soldados sitiados no Macaco, repelindo v\u00e1rios ataques violentos.\n\nMas os brancos, al\u00e9m de sua superioridade num\u00e9rica, dispunham da preciosa muni\u00e7\u00e3o que os quilombolas tinham em pequena quantidade. Enquanto o inimigo era mantido \u00e0 dist\u00e2ncia pelos estrepes, Zumbi economizava.\n\n<strong>Mas nos \u00faltimos dias de janeiro os comandantes do ataque puseram em execu\u00e7\u00e3o uma t\u00e1tica mais eficaz de aproxima\u00e7\u00e3o:<\/strong> passaram a construir cercas de madeira paralelas \u00e0 &#8220;cerca&#8221; defensiva, que lhes permitiam limpar o terreno e chegar mais perto. Nos dias 23 e 29 foram desfechados poderosos ataques a partir dessas fortifica\u00e7\u00f5es recentes, o que exigiu um grande gasto de p\u00f3lvora dos quilombolas.\n\nFinalmente, ao come\u00e7ar o m\u00eas de fevereiro, Domingos Jorge Velho teve a id\u00e9ia de construir uma cerca obl\u00edqua \u00e0 fortifica\u00e7\u00e3o rebelde, que aproximou rapidamente seus homens do objetivo. Zumbi, no dia 5, ao perceber o \u00eaxito da manobra, sentiu aproximar-se o fim. Estava sem muni\u00e7\u00e3o, com os brancos nas suas barbas.\n\nNessa madrugada, resolveu tentar a retirada estrat\u00e9gica.\n\n<strong>Silenciosamente, centenas de negros se esgueiraram para fora da pali\u00e7ada, mas n\u00e3o foram felizes:<\/strong> as sentinelas inimigas perceberam seus movimentos e a tropa atacou maci\u00e7amente. Apanhados pelas costas, \u00e0 beira de um penhasco, os palmarinos perderam mais de 400 homens nas primeiras horas da madrugada, deixando in\u00fameros feridos e prisioneiros, em uma fuga precipitada que os desarticulou definitivamente. As opera\u00e7\u00f5es posteriores de Domingos Jorge Velho, al\u00e9m de massacrar e assassinar centenas de negros que n\u00e3o puderam fugir do Macaco ap\u00f3s sua tomada definitiva, no dia 6, impossibilitaram a plena rearticula\u00e7\u00e3o dos rebeldes. Depois de mais de 65 anos de luta, o glorioso reduto da liberdade foi derrotado.\n\nZumbi, fugitivo ap\u00f3s o combate do dia 6 de fevereiro, jamais se entregou, realizando nos meses seguintes algumas opera\u00e7\u00f5es de guerrilha com seus homens.\n\nEnquanto os brancos se digladiavam violentamente pela propriedade das terras conquistadas, em uma verdadeira &#8220;nova&#8221; guerra, ele permanecia internado na mata que t\u00e3o bem conhecia. Mas os seus demais mocambos n\u00e3o puderam resistir chacina entusi\u00e1stica perpetrada pelos vitoriosos. Em novembro de 1695, um mulato seu auxiliar, violentamente torturado pelo mestre-de-campo paulista, revelou seu esconderijo.\n\nNo dia 20 desse m\u00eas, surpreendido por Domingos Jorge Velho, Zumbi ainda resistiu, com apenas 20 homens. Em algumas horas, foram todos mortos. O rei negro, combatendo at\u00e9 ao fim em uma luta que sabia irreconcili\u00e1vel, e que amea\u00e7ou seriamente a ordem colonial, foi decapitado. Espetada em um poste da pra\u00e7a principal de Recife, \u00e0 vista dos negros carregadores em sua faina intermin\u00e1vel, sua cabe\u00e7a aguardou com tr\u00e1gica serenidade o descarnamento.\n\nNa m\u00e1gica obscuridade de seus rituais ocultos, os negros de Pernambuco e Alagoas imortalizaram o grande l\u00edder.\n<h4>A Morte de Zumbi<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Quilombo dos Palmares\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/qquilom4.jpg\" alt=\"Quilombo dos Palmares\" width=\"213\" height=\"277\" \/><\/p>\n<strong>Segundo nos conta a tradi\u00e7\u00e3o, logo no in\u00edcio da forma\u00e7\u00e3o do quilombo, foi escolhido um rei: <\/strong>chamava-se Ganga zuma. Habitava um pal\u00e1cio denominado Musumba, juntamente com seus parentes, ministros e auxiliares mais pr\u00f3ximos. Organizara e mantinha sob seu comando um verdadeiro ex\u00e9rcito.\n\nUm dia, morreu Ganga zuma. Os quilombolas ficaram tristes, mas a vida continuava e eles precisavam de um novo rei.\n\nElegiam vitaliciamente, um Zumbi, o senhor da for\u00e7a militar e da lei tradicional.\n\nN\u00e3o havia ricos, nem pobres, nem furtos nem injusti\u00e7as. Tr\u00eas cercas de madeira rodeavam, numa tr\u00edplice pali\u00e7ada, o casario de milhares e milhares de homens.\n\nAo princ\u00edpio, para viver, desciam os negros armados, assaltando, depredando, carregando o butim para as atalaias de sua fortaleza de pedra inacess\u00edvel.\n\nDepois o governo nasceu e com ele a ordem; a produ\u00e7\u00e3o regular simplificou comunica\u00e7\u00f5es pac\u00edficas, em vendas e compras nos lugarejos vizinhos; constituiu-se a fam\u00edlia e nasceram os cidad\u00e3os palmarinos.\n\nAs planta\u00e7\u00f5es ficavam nos intervalos das cercas, vigiadas pelas guardas de duzentos homens, de lan\u00e7as reluzentes, longas espadas e algumas armas de fogo.\n\nNo p\u00e1tio central, como numa aringa africana, o primeiro governo livre em todas as terras americanas.\n\nAli o Zumbi distribu\u00eda justi\u00e7a, exercitava as tropas, recebia festas e acompanhava o culto, religi\u00e3o espont\u00e2nea, acultura\u00e7\u00e3o de catolicismo com os rituais do continente negro.\n\nVinte vezes, durante a exist\u00eancia, foram atacados, com sorte diversa, mas os Palmares resistiam, espalhando-se, divulgando-se, atraindo a esperan\u00e7a de todos os escravos chibateados nos eitos de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.\n\nA rep\u00fablica palmarina desorganizava o ritmo do trabalho escravo em toda a regi\u00e3o. Dia a dia fugiam novos cativos, futuros soldados do Zumbi, com seu manto, sua espada e sua lan\u00e7a real.\n\nDebalde o Zumbi levou suas for\u00e7as ao combate, repelindo e vencendo. O inimigo recompunha-se, recebendo v\u00edveres e muni\u00e7\u00f5es, quando os negros, sitiados, se alimentavam de furor e de vingan\u00e7a.\n\nNuma manh\u00e3, todo ex\u00e9rcito atacou ao mesmo tempo, por todas as faces. As pali\u00e7adas foram cedendo, abatidas a machado, molhando-se o ch\u00e3o com o sangue desesperado dos negros guerreiros.\n\nOs paulistas de Domingos Jorge Velho; Bernardo Vieira de Melo com as tropas de Olinda; Sebasti\u00e3o Dias com os homens de refor\u00e7o \u0096 foram avan\u00e7ando e pagando caro cada polegada que a espada conquistava.\n\nGritando e morrendo, os vencedores subiam sempre, despeda\u00e7ando as resist\u00eancias, derramando-se como rios impetuosos, entre as casinhas de palha, incendiando, prendendo, trucidando.\n\nQuando a derradeira cerca se espatifou, o Zumbi correu at\u00e9 o ponto mais alto da serra, de onde o panorama do reino saqueado era completo e vivo. Da\u00ed, com seus companheiros, olhou o final da batalha.\n\nPaulistas e olindenses iniciavam a ca\u00e7ada humana, revirando as palho\u00e7as, vencendo os \u00faltimos obstinados.\n\nDo cimo da serra, o Zumbi brandiu a lan\u00e7a espelhante, e saltou para o abismo.\n\nSeus generais o acompanharam, numa fidelidade ao Rei e ao Reino vencidos.\n\nEm certos pontos da serra ainda est\u00e3o vis\u00edveis as pedras negras das fortifica\u00e7\u00f5es.\n\nE vive ainda a lembran\u00e7a ao \u00faltimo Zumbi, o Rei de Palmares, o guerreiro que viveu na morte seu direito de liberdade e de hero\u00edsmo&#8230;\n\nFonte: www.terrabrasileira.net\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\nO mais importante quilombo do per\u00edodo colonial chegou a concentrar mais de 20 mil negros, fugitivos das fazendas da regi\u00e3o que se negavam a obedecer \u00e0s ordens dos senhores brancos. Ocupando uma extensa \u00e1rea entre Pernambuco e Alagoas, Palmares se constituiu numa confedera\u00e7\u00e3o de mocambos &#8211; aldeamento de escravos evadidos &#8211; organizada sob a dire\u00e7\u00e3o de um chefe guerreiro. Zumbi, que substituiu Ganga-Zumba depois deste assinar um acordo com o governador Pedro de Almeida, foi o maior l\u00edder da resist\u00eancia.\n\nEm Palmares, al\u00e9m de escapar da escravid\u00e3o, os negros refugiados tentavam recuperar suas ra\u00edzes culturais. Eles plantavam, criavam porcos e galinhas e at\u00e9 produziam excedentes agr\u00edcolas, e essa fartura de alimentos lhes possibilitou resistir aos ataques das autoridades coloniais durante cerca de 100 anos &#8211; de 1590, quando surgiram as primeiras not\u00edcias dos ajuntamentos, a 1694, quando o quilombo foi destru\u00eddo. Zumbi, ferido, escapou do ataque e continuou a resist\u00eancia, mas foi tra\u00eddo por seu homem de confian\u00e7a e morto no ano seguinte. Decepado, sua cabe\u00e7a foi enviada a Recife e exposta em pra\u00e7a p\u00fablica. Com sua morte sepultou-se o sonho de liberdade daqueles ex-escravos. A aboli\u00e7\u00e3o da escravatura no Brasil s\u00f3 ocorreria em 1888.\n\nFonte: www.mre.gov.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\nNo per\u00edodo de escravid\u00e3o no Brasil (s\u00e9culos XVII e XVIII), os negros que conseguiam fugir se refugiavam com outros em igual situa\u00e7\u00e3o em locais bem escondidos e fortificados no meio das matas. Estes locais eram conhecidos como quilombos. Nestas comunidades, eles viviam de acordo com sua cultura africana, plantando e produzindo em comunidade. Na \u00e9poca colonial, o Brasil chegou a ter centenas destas comunidades espalhadas, principalmente, pelos atuais estados da Bahia, Pernambuco, Goi\u00e1s, Mato Grosso, Minas Gerais e Alagoas.\n\nNa ocasi\u00e3o em que Pernambuco foi invadida pelos holandeses (1630), muitos dos senhores de engenho acabaram por abandonar suas terras. Este fato beneficiou a fuga de um grande n\u00famero de escravos. Estes, ap\u00f3s fugirem, buscaram abrigo no Quilombo dos Palmares, localizado em Alagoas.\n\nEsse fato propiciou o crescimento do Quilombo dos Palmares. No ano de 1670, este j\u00e1 abrigava em torno de 50 mil escravos. Estes, tamb\u00e9m conhecidos como quilombolas, costumavam pegar alimentos \u00e0s escondidas das planta\u00e7\u00f5es e dos engenhos existentes em regi\u00f5es pr\u00f3ximas; situa\u00e7\u00e3o que incomodava os habitantes.\n\nEsta situa\u00e7\u00e3o fez com que os quilombolas fossem combatidos tanto pelos holandeses (primeiros a combat\u00ea-los) quanto pelo governo de Pernambuco, sendo que este \u00faltimo contou com os ser\u00advi\u00e7os do bandeirante Domingos Jorge Velho.\n\nA luta contra os negros de Palmares durou por volta de cinco anos; contudo, apesar de todo o empenho e determina\u00e7\u00e3o dos negros chefiados por Zumbi, eles, por fim, foram derrotados.\n\nOs quilombos representaram uma das formas de resist\u00eancia e combate \u00e0 escravid\u00e3o. Rejeitando a cruel forma de vida, os negros buscavam a liberdade e uma vida com dignidade, resgatando a cultura e a forma de viver que deixaram na \u00c1frica.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Quilombo dos Palmares\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/qquilom3.jpg\" alt=\"Quilombo dos Palmares\" width=\"233\" height=\"300\" \/>\n<b>Zumbi dos Palmares: l\u00edder do Quilombo dos Palmares <\/b><\/p>\nFonte: www.bibliotecavirtual.sp.gov.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\nO <strong>Quilombo dos Palmares<\/strong> tratou-se de um dos mais importantes redutos da resist\u00eancia dos negros frente o jugo escravista do per\u00edodo colonial. Diz-se que o ref\u00fagio chegou a abrigar cerca de 20 mil negros fugitivos.\n\nLocalizado em territ\u00f3rio atualmente pertencente ao Estado de Alagoas, desde sua funda\u00e7\u00e3o at\u00e9 sua destrui\u00e7\u00e3o o quilombo chegou a opor resist\u00eancia ao branco durante um per\u00edodo de cerca de cem anos. Havia organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica interna, sendo que elei\u00e7\u00f5es para l\u00edderes eram estabelecidas. Um rei tamb\u00e9m era empossado pela escolha geral dos habitantes de Palmares. A figura do rei provinha dos antigos regimes tribais africanos, que os negros buscaram reproduzir em terras brasileiras em agrupamentos como Palmares.\n\nO rei do Quilombo tratava de dar organiza\u00e7\u00e3o a aspectos como defesa do territ\u00f3rio, quest\u00f5es internas e divis\u00e3o de tarefas. Para sua subsist\u00eancia, o Quilombo possu\u00eda pequenas planta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias, administradas em car\u00e1ter comunal. O Quilombo tamb\u00e9m empreendia investidas guerreiras contra terras e engenhos das \u00e1reas adjacentes.\n\nO potencial guerreiro do Quilombo assustava o colonizador.\n\n<strong>Os holandeses fixados em regi\u00f5es do territ\u00f3rio nordestino foram os primeiros a investirem contra os aquilombados (ou quilombolas) em Palmares:<\/strong> mesmo bem armados e munidos, os holandeses n\u00e3o atingiram suas expectativas, resistindo portanto o Quilombo.\n\n<strong>Houve tentativas de acordo entre o governador da capitania de Pernambuco e o rei de Palmares, ent\u00e3o Ganga-Zumba:<\/strong> o governador exigia a pacifica\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da baixa de defesas do quilombo.\n\n<strong>O acordo dividiu opini\u00f5es entre os quilombolas:<\/strong> de um lado, Ganga-Zumba admitia a necessidade do acordo, enquanto outro l\u00edder negro, Zumbi, defendia a continuidade dessa resist\u00eancia negra ao governo dos brancos. O ideal de Zumbi, tendo sido aprovado pela maioria dos quilombolas, o levou a ser escolhido como o novo rei, enquanto Ganga-Zumba terminou por deixar o quilombo.\n\nO governo, ap\u00f3s v\u00e1rias tentativas de aniquilamento do quilombo, acaba recorrendo ao experiente sertanista das bandeiras, Domingos Jorge Velho, oferecendo-lhe armas, mantimentos e ainda concedendo-lhe o direito a terras e ao dinheiro pelo resgate dos escravos aos senhores. Assim, \u00e9 empreendida a jornada que resultou na Guerra de Palmares.\n\nA guerra estendeu-se de 1690 a 1695, quando Palmares foi destru\u00eddo. A morte de Zumbi \u00e9 cercada de uma lenda em que o rei de Palmares teria se atirado de um penhasco, juntamente com seus seguidores, proferindo um \u00faltimo grito de liberdade. No entanto, Zumbi foi assassinado \u00e0 trai\u00e7\u00e3o, no ano de 1695, por um branco de sua confian\u00e7a.\n\n<strong>Fonte:<\/strong> www.rolltheboneshp.hpg.ig.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\nPor volta de 1590 uma noticia assombrou a Capitania de Pernambuco. Um grupo de quarenta escravos havia se amotinado em um engenho de Porto Calvo, em Alagoas. Foi um banho de sangue. Eles mataram amos e feitores , puseram a casa grande abaixo, queimaram plantas e fugiram sem deixar vest\u00edgios.\n\nMais tarde, descobriu-se o paradeiro dos revoltosos. Eles estavam na Serra da Barriga. Escondiam-se dentro de uma mata cerrada e andavam bem armados.\n\nAquele ousado grupo era o como o do Quilombo dos Palmares. A mais impressionante comunidade de escravos fugidos neste pa\u00eds.\n\nPalmares foi uma na\u00e7\u00e3o completa, um Estado negro onde se falavam dialetos africanos bantos. Uma comunidade econ\u00f4mica que se manteve auto suficiente por mais de um s\u00e9culo. Uma sociedade multirracial na qual eram aceitos \u00edndios e brancos perseguidos pelo Estado colonial.\n\nUm pa\u00eds dentro do Brasil que abrigou 30.000 habitantes, a sexta parte da popula\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. L\u00e1 n\u00e3o havia fome. Palmares, chamada por seus habitantes de Angola-Janga (pequena angola), era uma terra cheia de farturas. Plantavam, pescavam, e ca\u00e7avam, muitos moradores eram h\u00e1beis artes\u00f5es e conheciam a metalurgia. O excedente da produto era comercializado nos vilarejos.\n\nNos seus 100 anos de exist\u00eancia Palmares sempre viveu a viol\u00eancia, as tentativas de invas\u00e3o eram constantes. Havia motivos de sobra para que o governo colonial quisesse destruir Palmares. Os burocratas e senhores de engenho no gostavam do mau exemplo daqueles negros livres andando por ali, fora isso eles saqueavam os engenhos e com\u00e9rcio, seq\u00fcestravam mulheres, matavam os brancos e, havia mais o dinheiro&#8230;\n\nVender escravos era um bom neg\u00f3cio e ali em Palmares havia uma fortuna.\n\nO fogo cerrado contra o quilombo come\u00e7ou em 1680 quando Palmares recusou o tratado de paz com os brancos.\n\nOs portugueses resolveram acabar de vez com o quilombo e, para isso, contrataram o feroz bandeirante paulista Domingos Jorge Velho. A primeira vez que subiu a serra da Barriga em 1692, Domingos Jorge Velho levou um susto. Macaco, a capital do quilombo havia se transformado numa cidadela fortificada.\n\nO bandeirante s voltou dois anos depois com 9.000 homens, seis canh\u00f5es. O cerco durou 42 dias e na madrugada de 5 de fevereiro, os invasores finalmente romperam a resist\u00eancia do quilombo. Mais de 400 guerreiros foram mortos no local, metade empurrada pelo despenhadeiro. Milhares fugiram para as matas, por\u00e9m quase todos foram capturados e muitos degolados.\n\nZumbi conseguiu fugir mas morreria um ano depois em uma emboscada.\n\nNas cidades o fim do Quilombo dos Palmares foi festejado, o governador da Capitania de Pernambuco mandou rezar missa solene, encheu Olinda e Recife de lanternas e jogou dinheiro para o povo das janelas do pal\u00e1cio.\n\n<strong>Fonte:<\/strong> capoeirasuldabahiasp.tripod.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\nNo Brasil, a explora\u00e7\u00e3o colonial resumia-se, em \u00faltima an\u00e1lise, na explora\u00e7\u00e3o do trabalho escravo pelo senhor. Devido ao car\u00e1ter colonial dessa explora\u00e7\u00e3o, \u00e9 verdade que o pr\u00f3prio senhor n\u00e3o ficava com todo o produto do trabalho escravo. Boa parte da riqueza ia para o Estado na forma de impostos e, tamb\u00e9m, para os cofres dos comerciantes portugueses. Da\u00ed a raz\u00e3o da revolta dos senhores contra o sistema colonial e as autoridades que o representavam. Mas n\u00e3o era apenas a camada dominante que se rebelava. Tamb\u00e9m os escravos elaboraram meios de resistir contra o seu opressor imediato, isto \u00e9, o senhor.\n\n<strong>A resist\u00eancia dos escravos assumiu formas muito variadas:<\/strong> fuga, suic\u00eddio, assassinato, passividade no trabalho, etc. Em qualquer uma dessas formas, o escravo negava a sua condi\u00e7\u00e3o e se contrapunha ao funcionamento do sistema como um todo.\n\nA fuga, entretanto, foi a mais significativa forma de resist\u00eancia e rebeldia.\n\n<strong>N\u00e3o pela fuga em si, mas pelas suas conseq\u00fc\u00eancias:<\/strong> os fugitivos se reuniram e se organizavam em n\u00facleos fortificados no sert\u00e3o, desafiando as autoridades coloniais. Observemos que, no combate \u00e0 rebeldia escrava, aliavam-se senhores e autoridades coloniais.\n\nEsses n\u00facleos eram formados por pequenas unidades, os mocambos (reuni\u00e3o de casas), que, no conjunto, formavam os quilombos. Cada mocambo possu\u00eda uma chefe, que, por sua vez, obedecia ao chefe do quilombo, denominado zumbi. Os moradores dos quilombos eram conhecidos como quilombolas. Eles se dedicavam ao trabalho agr\u00edcola e chegavam a estabelecer rela\u00e7\u00f5es comerciais com os povos vizinhos.\n\nPalmares foi o maior quilombo formado no Brasil. Localizava-se no estado atual de Alagoas e deve o seu nome \u00e0 grande quantidade de palmeiras existentes na regi\u00e3o.\n\nSua origem situa-se no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, mas foi a partir de 1630, quando a conquista holandesa desorganizou os engenhos, que a fuga maci\u00e7a de escravos tornou Palmares um quilombo de grandes propor\u00e7\u00f5es. Em 1675, a sua popula\u00e7\u00e3o foi avaliada em 20 ou 30 mil habitantes.\n\nCom a expans\u00e3o dos holandeses em 1654 e a escassez de m\u00e3o-de-obra aliada ao fato de Palmares funcionar como p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o para outros escravos, estimulando a sua fuga, as autoridades coloniais, apoiadas pelos senhores, decidiram pela sua destrui\u00e7\u00e3o. V\u00e1rias expedi\u00e7\u00f5es foram feitas contra ele, mas nenhuma delas teve sucesso.\n\nForam contratadas ent\u00e3o os servi\u00e7os de um veterano bandeirante, Domingos Jorge Velho. Apoiado por abundante material b\u00e9lico e homens, os bandeirante contratado conseguiu finalmente destruir Palmares em 1694. Todavia, o chefe do quilombo, Zumbi, n\u00e3o foi capturado na ocasi\u00e3o. Somente um ano depois foi encontrado e executado.\n\nFonte: www.redescobrindoobrasil.hpg.ig.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\nO <strong>Quilombo dos Palmares<\/strong> foi provavelmente o maior quilombo j\u00e1 formado no Brasil, sendo dirigido pelo escravo fugido Zumbi dos Palmares. O quilombo passa a ser atacado insistentemente pelo ex\u00e9rcito paulista e por volta do ano de 1710 o quilombo se desfaz por completo.\n<h4>Origem<\/h4>\nOs primeiros registros do Quilombo datam 1580 e s\u00e3o de pequenos acampamentos formados por escravos fugitivos na Serra da Barriga, um local de acesso relativamente dif\u00edcil, que era escolhido por estes como esconderijo.\n\nMas o crescimento come\u00e7ou a se dar quando, devido \u00e0 Uni\u00e3o Ib\u00e9rica, o com\u00e9rcio de a\u00e7\u00facar com os holandeses foi prejudicado, e estes decidiram invadir a col\u00f4nia. Foram montadas tropas para proteger a col\u00f4nia da invas\u00e3o, sendo oferecida a alforria para os escravos que lutassem contra os holandeses. Muitos dos negros alforriados aproveitavam a primeira oportunidade para fugir em dire\u00e7\u00e3o a Palmares.\n\nO Quilombo dos Palmares foi uma das maiores organiza\u00e7\u00f5es de escravos negros foragidos das fazendas. Estruturou-se no per\u00edodo colonial e resistiu por quase um s\u00e9culo. No final do s\u00e9culo XVI o Quilombo dos Palmares ocupava uma vasta \u00e1rea coberta de palmeiras, que se estendia do Cabo de Santo Agostinho ao Rio S\u00e3o Francisco.\n\nEm fins do s\u00e9culo XVII o territ\u00f3rio foi reduzido \u00e0 regi\u00e3o de Una e Serinha\u00e9m, em Pernambuco, Porto Calvo e S\u00e3o Francisco, atual Penedo, em Alagoas. Os escravos organizaram um verdadeiro Estado, nos moldes africanos, com o quilombo constitu\u00eddo de povoa\u00e7\u00f5es diversas, mocambos, governados por oligarcas sob a chefia suprema do rei Ganga Zumba. Zumbi, seu sobrinho, herdou a lideran\u00e7a do quilombo por valor pessoal e combatividade.\n<h4>Ganga Zumba<\/h4>\nQuando os Holandeses foram expulsos em 1654, a produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira voltou a prosperar, e com isso a necessidade de m\u00e3o-de-obra escrava aumentou e com ela a aquisi\u00e7\u00e3o de novos escravos.\n\nQuanto mais escravos aportavam em terras brasileiras, mais fugas ocorriam. Dado o elevado pre\u00e7o dos escravos, ataques a Palmares come\u00e7aram a ser feitos visando a captura de negros. Segundo algumas fontes, um desses capturados foi um pequeno jovem que voltaria 15 anos depois e seria Zumbi, o mais famoso lider do quilombo.\n\nDurante essa \u00e9poca o quilombo era governado por Ganga Zumba, um l\u00edder que fez as aldeias crescerem e que implementou t\u00e1ticas de guerrilha na defesa do territ\u00f3rio.\n\nTais t\u00e1ticas foram suficientes para que em 1677 Fern\u00e3o Carrilho oferecesse um tratado de paz com Palmares, reconhecendo a liberdade dos nascidos no quilombo e dando a eles terras inf\u00e9rteis na regi\u00e3o de Coca\u00fa. Grande parte dos quilombolas rejeitou o acordo, nitidamente desfavor\u00e1vel, e uma enorme rixa surgiu entre eles, rixa esta que culminou com o envenenamento de Ganga Zumba e da ascens\u00e3o ao poder de Ganga Zona, seu irm\u00e3o e aliado dos brancos.\n\nCom esse quadro insustent\u00e1vel para os negros, o acordo foi rompido e a maioria voltou para Palmares, nesse momento j\u00e1 liderados por Zumbi.\n<h4>Zumbi<\/h4>\nInicialmente Zumbi substituiu a defensiva t\u00e1tica de guerrilha por uma estrat\u00e9gia de ataques de surpresa constantes a engenhos, libertando escravos e se apoderando de armas e outros materiais que pudessem ser \u00fateis para novos ataques.\n\nCom o tempo come\u00e7ou-se a desenvolver um com\u00e9rcio entre quilombolas e colonos, de tal forma que estes \u00faltimos chegavam a alugar terras para plantio e trocar alimentos por muni\u00e7\u00e3o com os negros.\n\nS\u00e3o atribu\u00eddas a Zumbi uma grande intelig\u00eancia e habilidade para guiar o seu povo tanto na frente de batalha quanto empreendendo a parte administrativa dos Quilombos. Diante dessa prosperidade a coroa tinha que tomar alguma medida imediata para afirmar seu poder na regi\u00e3o. Numa carta \u00e0 coroa portuguesa, o governador-geral da regi\u00e3o confidencia que os Quilombos s\u00e3o mais dif\u00edceis de vencer at\u00e9 mesmo que os neerlandeses.\n<h4>O fim do Quilombo<\/h4>\nAp\u00f3s v\u00e1rias investidas, relativamente infrut\u00edferas contra a na\u00e7\u00e3o de Zumbi,o governador-geral contratou o experiente bandeirante Domingos Jorge Velho para conter e exterminar de vez a amea\u00e7a dos escravos fugitivos na regi\u00e3o.\n\nMesmo ele teve grandes dificuldades em vencer as t\u00e1ticas dos quilombolas, muito mais elaboradas que a dos \u00edndios com quem tivera contato. Tamb\u00e9m encontrou problemas para contornar a inimizade criada com os colonos da regi\u00e3o, que foram roubados por suas tropas por certas vezes.\n\nEm janeiro de 1694, ap\u00f3s um ataque frustrado, o seu ex\u00e9rcito come\u00e7ou uma empreitada vitoriosa. Um quilombola, Antonio Soares, foi capturado e Domigos Jorge Velho promete que dizendo o esconderijo de Zumbi ele ficaria livre. Conclus\u00e3o, Zumbi foi capturado em uma emboscada que causou sua morte em 20 de novembro de 1695. A cabe\u00e7a de Zumbi foi cortada e levada para Recife, e exposta em pra\u00e7a p\u00fablica em cima de um mastro, para servir de exemplo para os outros escravos. Diziam os sobreviventes de Palmares que Zumbi tinha virado um inseto e que quando acontecia uma injusti\u00e7a ele voltava para fazer justi\u00e7a.\n\n<strong>Curiosidades<\/strong>\n\n\u00c9 muito comum a id\u00e9ia de Palmares como um acampamento \u00fanico e superpopuloso, mas essa id\u00e9ia cultivada pelo imagin\u00e1rio popular e incentivada por algumas obras de fic\u00e7\u00e3o \u00e9 err\u00f4nea. Na verdade o quilombo era um conglomerado de uma de dezena de aldeias menores que ocupou vastas terras no nordeste brasileiro e eram separados geograficamente por quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.\n\n<strong>Fonte:<\/strong> www.conhecimentosgerais.com.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<h4>( 1630-1694 )<\/h4>\n<blockquote>\n<p class=\"citacao\">Serra da Barriga!\nBarriga de negranina!\nAs outras montanhas se cobrem de neves,\nDe noiva, de nuvens, de verde!\nE tu, de Loanda, de panos-da-costa,\nDe argolas, de contas, de quilombos!\nSerra da Barriga!\nTe vejo da casa em que nasci.\nQue medo danado de negro fuj\u00e3o!&#8230;<\/p>\n<\/blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<blockquote>\n<p class=\"citacao\"><strong>Jorge de Lima<\/strong><\/p>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\n<\/blockquote>\nOnde houve escravid\u00e3o houve resist\u00eancia e um dos tipos mais caracter\u00edsticos de resist\u00eancia negra na luta pela liberdade foi a fuga e A forma\u00e7\u00e3o de grupos de escravos fugidos.\n\nNo Brasil esses grupos foram chamados principalmente de quilombos ou mocambos e seus membros de quilombolas, calhambolas ou mocambeiros.\n\nDurante mais de 300 anos de escravid\u00e3o no Brasil, os quilombos funcionaram como \u0093v\u00e1lvula de escape\u0094 para a falta de liberdade e a viol\u00eancia das senzalas.\n\nJ\u00e1 em 1597, numa carta do Padre Pero Lopes, provincial dos jesu\u00edtas em Pernambuco, h\u00e1 refer\u00eancias a grupos de escravos revoltados.\n\nO quilombo dos Palmares, nasceu de escravos fugidos, principalmente, dos engenhos de a\u00e7\u00facar pernambucanos, que se agruparam inicialmente a cerca de 70 quil\u00f4metros a oeste do litoral de Pernambuco, na Serra da Barriga, local de densas florestas de palmeiras (da\u00ed o nome Palmares), com terreno acidentado, o que tornava o acesso mais dificil.\n\nO primeiro grupo de escravos construiu seus mocambos numa aldeia que foi denominada de Macaco, nome que poder\u00e1 ser de origem banto (ra\u00e7a negra do sul da \u00c1frica), apesar dos portugueses o interpretarem como uma men\u00e7\u00e3o ao animal macaco. Era tamb\u00e9m chamada de Cerca Real e tornou-se com a expans\u00e3o do quilombo sua capital ou quartel general.\n\n<strong>Palmares chegou a contar com nove aldeias:<\/strong> Macaco, Andalaquituche, Subupira, Dambrabanga, Zumbi, Tabocas, Arotirene, Aqualtene e Amaro.\n\nA floresta fornecia ao quilombola quase tudo que ele precisava para viver, como frutas para comer; folhas de palma, com a qual cobriam as choupanas; fibras para a confec\u00e7\u00e3o de esteiras, vassouras, chap\u00e9us, cestos; o coco para fazer \u00f3leo; a casca de algumas \u00e1rvores que serviam para fazer roupas. Al\u00e9m de praticarem a ca\u00e7a e a pesca, eles plantavam milho, mandioca, feij\u00e3o, legumes, fumo, e cana-de-a\u00e7\u00facar, que abasteciam a comunidade e eram tamb\u00e9m comercializados com povoa\u00e7\u00f5es vizinhas.\n\nO quilombo era organizado como um pequeno Estado. Havia leis e normas que regulamentavam a vida dos seus habitantes, algumas at\u00e9 muito duras; roubo, deser\u00e7\u00e3o ou homic\u00eddio eram punidos com a morte. As decis\u00f5es eram tomadas em assembl\u00e9ias, da qual participavam todos os adultos, sendo aceitas pois resultava da vontade coletiva.\n\nH\u00e1 registros da presen\u00e7a permanente, al\u00e9m de negros, de mulatos, \u00edndios e brancos nas aldeias. Talvez a persegui\u00e7\u00e3o existente na \u00e9poca a minorias \u00e9tnicas, como judeus, mouros e outros, al\u00e9m do combate \u00e0s bruxas, her\u00e9ticos, ladr\u00f5es e criminosos, possa explicar que alguns brancos tenham ido viver no quilombo de Palmares.\n\nOs negros palmarinos eram cat\u00f3licos. Nas aldeias havia igrejas e at\u00e9 padres cat\u00f3licos. Os habitantes falavam v\u00e1rias l\u00ednguas e dialetos em Palmares, inclusive o portugu\u00eas ou um crioulo de portugu\u00eas, mas n\u00e3o se sabe qual a l\u00edngua comum usada no quilombo.\n\nConsiderados como uma grave amea\u00e7a para a classe dos propriet\u00e1rios rurais, senhores-de-engenhos e fazendeiros, o quilombo foi sistem\u00e1tica e duramente reprimido. Existiam os chamados capit\u00e3es-do-mato, especialistas na captura dos negros fugidos e periodicamente tamb\u00e9m eram organizadas expedi\u00e7\u00f5es para destuir seus esconderijos.\n\nAs expedi\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m conhecidas como \u0093entradas\u0094, vasculhavam a floresta a procura dos negros \u0093rebeldes\u0094.\n\nApesar da freq\u00fc\u00eancia com que essas expedi\u00e7\u00f5es eram enviadas, surgiram diversos quilombos no Brasil, principalmente no Nordeste, e o de Palmares foi o mais conhecido pela sua organiza\u00e7\u00e3o e resist\u00eancia.\n\nDe 1602 at\u00e9 1694, foram enviadas diversas expedi\u00e7\u00f5es para destruir Palmares, tanto pelos portugueses como tamb\u00e9m pelos holandeses que invadiram Pernambuco, em 1630. Nessa \u00e9poca, j\u00e1 existia no quilombo cerca de 10 mil habitantes. At\u00e9 1640, Palmares cresceu tanto que os flamengos chegaram a consider\u00e1-lo \u0093um s\u00e9rio perigo\u0094, enviando duas expedi\u00e7\u00f5es para destru\u00ed-lo, uma em 1644 e outra em 1645, sem sucesso.\n\nDepois que os holandeses deixaram o Brasil, em 1654, os portugueses organizaram mais in\u00fameras expedi\u00e7\u00f5es contra Palmares, pondo em marcha, a partir de 1670, um plano de destrui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. As batalhas eram sangrentas, havendo baixas dos dois lados, mas sem nenhum vencedor.\n\nEm 1674, foi enviada pelo ent\u00e3o governador da prov\u00edncia de Pernambuco, Pedro de Almeida, uma grande expedi\u00e7\u00e3o, com a presen\u00e7a de \u00edndios e uma tropa de negros chamada Ter\u00e7o de Henrique Dias, que havia sido criada para combater os holandeses, por\u00e9m tamb\u00e9m dessa vez a luta terminou sem um vencedor.\n\nEm 1675, Manuel Lopes \u00e0 frente de um grande ex\u00e9rcito destruiu uma das aldeias de Palmares, capturando dezenas de negros e instalando-se no local conquistado. Em 1676, recebeu a ajuda de um grande estrategista na luta contra quilombolas e \u00edndios, Fern\u00e3o Carrilho, o qual, em 1677, atacou de surpresa Aqualtene, montou seu quartel general na aldeia e fez uma s\u00e9rie de ataques, matando um e aprisionando outros dois filhos de Ganga Zumba, o rei de Palmares, capturando depois o pr\u00f3prio rei.\n\n<strong>O governador Pedro de Almeida temendo uma reorganiza\u00e7\u00e3o futura do quilombo, prop\u00f4s um acordo de paz a Ganga Zumba<\/strong>: Palmares submeter-se-ia \u00e0 Coroa Portuguesa em troca de liberadade administrativa, seria considerada uma vila e Ganga Zumba receberia o cargo de mestre-de-campo.\n\nMilitarmente em desvantagem o acordo foi aceito, mas a decis\u00e3o n\u00e3o agradou a todos os palmarinos. Ganga Zumba foi envenenado e Zumbi (chefe da aldeia Zumbi), tornou-se rei do quilombo.\n\nZumbi, o novo rei, conseguiu derrotar todas as expedi\u00e7\u00f5es enviadas a Palmares, entre 1680 e 1691, tornando-se temido e respeitado.\n\nEm 1691, o novo governador de Pernambuco, Souto Mayor, organizou um ex\u00e9rcito para acabar definitivamente com o quilombo dos Palmares, contratando um c\u00e9lebre sanguin\u00e1rio exterminador de \u00edndios chamado Domingos Jorge Velho.\n\nEm 1692, Domingos Velho atacou a aldeia de Macaco, local onde ficava Zumbi e teve suas tropas arrasadas. Pediu refor\u00e7o e recebeu a ajuda de tropas chefiadas por Bernardo Vieira de Melo.\n\nAt\u00e9 janeiro de 1694, o quilombo ficou sitiado, mas repeliu todas as investidas do ex\u00e9rcito, capitulando finalmente no dia 6 de fevereiro desse mesmo ano, quando o ex\u00e9rcito com as tropas refor\u00e7adas invadiu o local e derrotou os quilombolas.\n\nZumbi conseguiu escapar e s\u00f3 foi capturado um ano depois. Morto e esquartejado, teve sua cabe\u00e7a exposta na cidade de Olinda.\n\n<strong>L\u00facia Gaspar<\/strong>\n\n<strong>FONTES CONSULTADAS<\/strong>\n\nD\u00c9CIO, Freitas. Palmares: a guerra dos escravos. 4.ed. Rio de Janeiro: Graal, 1982. p.123-132.\nMOTTA, Roberto. Palmares e o comunitarismo negro no Brasil. Revista do Patrim\u00f4nio Hist\u00f3rica e Art\u00edstico Nacional, Rio de Janeiro, n.25, p.223-230, 1997.\nREIS, Jo\u00e3o Jos\u00e9; GOMES, Fl\u00e1vio dos Santos (Org.). Liberdade por um fio: hist\u00f3ria dos quilombos no Brasil. S\u00e3o Paulo: Companhia das Letras, 1998.\nSILVA, Fernando Carreia da. Zumbi dos Palmares: libertador dos escravos: 1655-1695. Dispon\u00edvel em: &lt; http:\/\/vidaslusofonas.pt\/zumbi_dos_palmares.htm&gt; Acesso em: 16 nov. 2004.\n\nFonte: www.fundaj.gov.br\n<h6>Quilombo dos Palmares<\/h6>\n<h4>QUEBRA DO TRATADO DE PAZ &#8211; 1678<\/h4>\nA proposta de paz pedida pelo Rei Ganga zuma foi um dos mais inteligentes golpes pol\u00edtico de sua vida para reaver a sua fam\u00edlia e de seus cabos de guerra que se achavam prisioneiros do governo portugu\u00eas em Pernambuco pois o tratado de paz solenemente assinado em 21 de Junho de 1678 entre o Governador Aires de Souza de Castro e a embaixada negra do Rei Ganga zuma presidida pelo seu filho, n\u00e3o teve longa dura\u00e7\u00e3o de tr\u00e9gua porque n\u00e3o foi ratificado pelo rei supremo dos palmerinos e deus da guerra dos quilombos devido as constantes a\u00e7\u00f5es de seguran\u00e7a desenvolvida pelo governador nas faldas da Serra da Barriga pelo Sargento-mor Manoel Lopes e pelas numerosas incurs\u00f5es do bando autorizado em Fevereiro de 1678 assinado por Dom Pedro de Almeida e que n\u00e3o fora revogado pelo tratado de paz, estes fatos trazia os palmerinos em constantes sobressaltos, e por outro lado os moradores de Porto Calvo e Serinha\u00e9m n\u00e3o viam com bons olhos a concess\u00e3o dado aos negros na floresta de Cacau, todos estes fatos colaborava para fermenta\u00e7\u00e3o da queda da paz, que n\u00e3o tinha sido aceita e ratificada pelo Rei Zumbi, o \u00faltimo coroado, segundo os usos e costumes preestabelecidos no reino. Devido aos acontecimentos os seguidores do Rei Ganga zuma come\u00e7aram a discordar e a se reunir secretamente, e planejaram o envenenamento do soba negro, apesar da relut\u00e2ncia de Gangazona, irm\u00e3o do rei e fiel aos termos do tratado de paz, por\u00e9m estava pregada a disc\u00f3rdia no sobado de Cacau devido a influencia do poderoso Zumbi e de seus embaixadores que soturnamente arrebanhavam nas vilas aramas, muni\u00e7\u00f5es, mantimentos e escravos dos moradores das vilas para a resist\u00eancia e desafio que o Rei Zumbi planejava oferecer aos portugueses e devido aos fatos o Governador Aires de Souza de Castro lan\u00e7ou m\u00e3os de Gangazona para chamar a ordem seus iramos, por\u00e9m era tarde demais pois esta j\u00e1 havia sido envenenado e retirado dos bastidores da contenda.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Quilombo dos Palmares\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/qquilom5.jpg\" alt=\"Quilombo dos Palmares\" width=\"190\" height=\"263\" \/><\/p>\nHer\u00f3ico, resoluto e sublime entre seus vassalos, Zumbi se imp\u00f5e e jura aos seus n\u00e3o ensarilhar as armas da liberdade e Ter\u00e7a-las em defesa da ra\u00e7a negra com isto a tr\u00e9gua foi quebrada.\n\nT\u00e3o logo tomou conhecimento dos atos de rebeldia do Rei Zumbi, o Governador Aires de Souza de Castro mandou preparar duas expedi\u00e7\u00f5es contra o Rei Zumbi, sendo uma comandada pelo Capit\u00e3o Jo\u00e3o de Freitas Cunha com destino ao Palmares a qual sofreu grandes danos nas marchas at\u00e9 aos Palmares onde teve um tremendo rev\u00e9s no encontro os homens do Rei Zumbi que pelo fato se tornara ainda mais enfurecido e mais insolente.\n\nE este ataque serviu de li\u00e7\u00e3o aos palmerinos que a partir desta data passaram a defender os Palmares em uma \u00fanica frente de combate, e a outra expedi\u00e7\u00e3o enviada a floresta de Cacau sob o comando do Capit\u00e3o mor Gon\u00e7alo Moreira foi mais feliz, pois seguindo a dire\u00e7\u00e3o anteriormente tra\u00e7ada por Fern\u00e3o Carrrilho encontrou v\u00e1rios quilombos despovoados em virtude da nova t\u00e1tica adotada pelo Rei Zumbi por isto atacaram a Aldeia de Una e Cucau onde fizeram de prisioneiro diversos negros com suas fam\u00edlias e ali permaneceram por um per\u00edodo de tr\u00eas meses, sem contudo tentar um \u00fanica investida direta sobre o quilombo fortificado do Rei Zumbi.\n\n<strong>A campanha de Palmares entrava em uma fase aguda, dada a reconstitui\u00e7ao das for\u00e7as palmerinas, sob um \u00fanico comando e absoluta obedi\u00eancia ao rei e deus da guerra: <\/strong>Zumbi.\n\nO Governador da Capitania de Pernambuco, por seu turno, tomava medidas acertada, pois fundara diversos arraias nas proximidades de Palmares e organizara permanentemente o servi\u00e7o de provis\u00e3o das tropas sob o comando Sargento mor Manoel Lopes, por\u00e9m as vilas n\u00e3o suportavam mais os ataques que vinham sofrendo dos negros dos Palmares, por estes motivo em 1680 o Capit\u00e3o mor Jo\u00e3o da Fonseca pediu a C\u00e2mara de Alagoas mais recursos para as tropas ali estacionadas, estando a Capitania de Pernambuco arruinada economicamente, teve que apelar para os moradores para enfrentar as despesas com a guerra contra os palmerinos e devido a grave situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o houve a inadimplemento por parte dos moradores para manter as tropas ali estacionadas, pois de diversas vilas mais distante chegaram oferecimento de gente e alimentos em face do apelo do governador, que aproveitando a boa vontade recebida dos moradores e para angariar novos adeptos \u00e0 causa de liberta\u00e7\u00e3o da ra\u00e7a negra.\n\nEle concedeu uma carta patente do posto de Capit\u00e3o mor de Campo a Andr\u00e9 Dias, morador do povoado de S\u00e3o Miguel da jurisdi\u00e7\u00e3o da Vila de Alagoas, com amplos poderes de agir. Andr\u00e9 Dias de imediato organizou diversas expedi\u00e7\u00f5es de ca\u00e7a ao negro pelas faldas da Serra da Barriga por\u00e9m n\u00e3o chegou a penetrar nos sert\u00f5es palmerinos, se tornando um Capit\u00e3o do Mato privilegiado na apanha do negro fugido.\n\nEle concedeu uma carta patente do posto de Capit\u00e3o mor de Campo a Andr\u00e9 Dias, morador do povoado de S\u00e3o Miguel da jurisdi\u00e7\u00e3o da Vila de Alagoas, com amplos poderes de agir. Andr\u00e9 Dias de imediato organizou diversas expedi\u00e7\u00f5es de ca\u00e7a ao negro pelas faldas da Serra da Barriga por\u00e9m n\u00e3o chegou a penetrar nos sert\u00f5es palmerinos, se tornando um Capit\u00e3o do Mato privilegiado na apanha do negro fugido. No final do governo de Aires de Souza de Castro e inicio do governo de Dom Jo\u00e3o de Souza no ano de 1682 foi muito desgastante e de grande guerra de nervos, que os negros bem compreendiam e desta situa\u00e7\u00e3o se aproveitaram para dilatar o seu reinado. As tropas portuguesas estavam sempre bastante alarmadas, n\u00e3o havia um plano de guerra sistem\u00e1tico, pois a luta mudava de aspecto todas as vezes em que era trocada a administra\u00e7\u00e3o da Capitania de Pernambuco pois com a chegada de um novo governador os planos de guerra eram sempre diferentes um dos outros.\n\n<strong>Por\u00e9m entre os palmerinos era bem diferente a situa\u00e7\u00e3o, tanto pol\u00edtica como militar, porque todos obedeciam a um comando \u00fanico:<\/strong> do Rei Zumbi.\n\nEm 1683 o novo Governador Dom Jo\u00e3o de Souza organizou uma forte expedi\u00e7\u00e3o sob o comando de Fern\u00e3o Carrilho aparado em um regimento escrito com minuciosas diretivas para a expedi\u00e7\u00e3o, do qual Fern\u00e3o Carrilho discordou e pediu permiss\u00e3o ao governador para alterar o regimento que lhe fora dado no tocante, em que proibia terminantemente qualquer entendimento de paz com os negros, por\u00e9m o seu pedido foi negado e Fern\u00e3o Carrilho segui par ao Arraial do Outeiro na Serra da Barriga onde se tornou um espantalho para os negros, devido a sua fama de perigoso feiticeiro que mantinha entre os palmerinos.\n\nOs negros palmerinos, diante dos resultados obtidos com o tratado de paz de 1678, lan\u00e7aram m\u00e3os dos mesmos recursos, propondo a Fern\u00e3o Carrilho, um novo tratado de paz, que ele aceitou sob o fundamento de cobrir as suas despesas, contrariando, assim, as diretivas da guerra baixada pelo governador da capitania.\n\nDevido as confraterniza\u00e7\u00f5es entre os portugueses e negros aquilombados em seu arraial, fatos estes que chegaram ao conhecimento do governador, que de imediato suspendeu e ordenou que viesse preso para Recife o comandante Fern\u00e3o Carrilho, e para substitui-lo foi enviado o Capit\u00e3o Jo\u00e3o de Freitas Cunha e quando da chegada de Fern\u00e3o de Carrilho a Capitania de Pernambuco ele foi desterrado e mandado preso para o Cear\u00e1 sem soldo e tendo Dom Jo\u00e3o de Souza apelado da senten\u00e7a para o Conselho Ultramarino que encaminhou o processo para a coroa portuguesa, e com a chegada do Capit\u00e3o Jo\u00e3o de Freitas da Cunha ao Outeiro na Serra da Barriga os negros j\u00e1 avisados por seus agentes, puseram-se em posi\u00e7\u00e3o de oferecer resist\u00eancia ao novo comandante das tropas portuguesa.\n\nEm 8 de Agosto de 1685 tomava posse o novo Governador da Capitania de Pernambuco Jo\u00e3o da Cunha souto Maior, que ao tomar posse deu conta a coroa portuguesa a situa\u00e7\u00e3o que se encontrava a Capitania de Pernambuco, pois sem recursos para continuar a guerra contra os Palmares, ele se via na situa\u00e7\u00e3o de aceitar a paz se os palmerinos a pedissem.\n\nFern\u00e3o Carrilho o famoso preador da paz em 1678 se achava sem soldo e degredado no Cear\u00e1 escreveu uma carta ao Governador Souto Maior oferendo-se para tomar parte como soldado na expedi\u00e7\u00e3o que estava-se organizando em Pernambuco.\n\nO governador por falta de meios, comtemporizava a situa\u00e7\u00e3o angustiosa dos moradores e estava disposto a aceitar as pazes com os negros, quando chegou a carta de Fern\u00e3o Carrilho, o governador aceitou o seu oferecimento e o nomeou-o comandante da expedi\u00e7\u00e3o e em carta a coroa em 7 de Novembro de 1685 deu conhecimento das razoes que o levaram a eleger Fern\u00e3o Carrilho para comandante da expedi\u00e7\u00e3o, pois sua escolha eq\u00fcivalia a um indulto ou perd\u00e3o, a rija vontade de vencer os palmerinos do governador, casava-se plenamente com a de Fern\u00e3o Carrilho, por isto em 10 de Janeiro de 1686 ele partiu laureado por ter sido julgado \u00fatil e necess\u00e1rio pelo governador como \u00fanico e capaz de comandar uma tropa para semelhante fa\u00e7anha.\n\nE ao chegar nas regi\u00f5es dos Palmares sofreu diversas emboscadas dos negros em suas fortifica\u00e7\u00f5es inexpugn\u00e1veis e invenc\u00edveis, por\u00e9m Ferr\u00e3o Carrilho e seus bandos conseguiu p\u00f4-los em fuga desordenadas, entretanto com a chegada do inverno as opera\u00e7\u00f5es tiveram de ser suspensas, e com a chegada do ver\u00e3o o governador recome\u00e7ou as persegui\u00e7\u00e3o aos negros com grande \u00eaxito.\n\nApesar do seu feito e de estar comandando a casa forte dos Palmares, o Governador Souto Maior j\u00e1 estava se comunicando com o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho que se encontrava no Piau\u00ed com sua gente, para descer a Pernambuco e atacar os Palmares, que por essa \u00e9poca j\u00e1 n\u00e3o existiam mais os chamados Palmares maiores e menores dos primeiros tempos dos quilombos, devido ao fato do Rei Zumbi ter assumido todos os poderes temporais e espirituais e a dire\u00e7\u00e3o da guerra, tornando coesos todos os aquilombados que haviam recuado mais para o sert\u00e3o e se engastado nos penhascos da Serra da Barriga com uma administra\u00e7\u00e3o bem superior daqueles velhos tempos, havia coes\u00e3o entre todos os elementos que eram dirigidos pelo pr\u00f3prio Rei Zumbi, os postos avan\u00e7ados tomaram car\u00e1ter militar e eram constitu\u00eddo de grupos de homens dispostos a morrer pela liberdade, as lavouras ficavam sob uma \u00fanica dire\u00e7\u00e3o e atras das organiza\u00e7\u00f5es militares e em todos os caminhos e carreiros foram colocado armadilhas, tocaias e postos de sentinelas avan\u00e7adas para impedir os avan\u00e7os dos portugueses.\n\nOs negros assim dispostos, acompanhavam os avan\u00e7os das tropas inimigas e aguardavam a chegada dos bandeirantes paulistas. No decorrer dos anos de 1686 e 1687 a situa\u00e7\u00e3o na capitania era grave e o Governador Souto Maior nada pode fazer para reverter a situa\u00e7\u00e3o e os \u00edndios Janduins ocuparam algumas aldeias no interior de Pernambuco e nas Capitanias de Itamaraca, Para\u00edba e do Rio Grande do Norte constituindo uma outra potencial amea\u00e7a aos portugueses; esta amea\u00e7a se tornou realidade e o governador mandou contra eles um forte contigentes de soldados, que foram facilmente vencidos pelos \u00edndios ao primeiro encontro, ateando a fogueira da insurrei\u00e7\u00e3o geral, e as tropas destinadas para as guerras dos Palmares foram desviadas para combater os valentes \u00edndios Janduis durante seis anos, e desta tr\u00e9gua os palmerinos souberam aproveitar para refor\u00e7ar suas defesas.\n\nSem derrotar os \u00edndios primeiro n\u00e3o era poss\u00edvel vencer os Palmares e todos os esfor\u00e7os foram feitos, para evitar a jun\u00e7\u00e3o dos \u00edndios com os negros e para isto Domingos Jorge Velho marchou com sua gente para abater os \u00edndios Janduins no Rio Grande do Norte em meados de 1689, e com os entendimentos entre o Rei Caninde dos Janduins e os portugueses; Domingos Jorge Velho recebeu ordem para marchar sobre os Palmares do novo Governador da Capitania de Pernambuco, Marques de Montebelo.\n\nDomingos Jorge Velho subestimou os palmerinos pois regressando vitorioso da campanha contra os \u00edndios Janduins, preferiu mudar de caminho e seguir diretamente para os Palmares em vez de faze-lo para Porto Calvo, onde iria descansar e juntar-se com outras tropas, n\u00e3o procurou refazer-se das fadigas causadas pelas longas caminhadas do altiplano da Serra da Barriga, estacionou nos Campos dos Garanhus perto do quilombo do Rei Zumbi e tratou logo de guerrear os negros rebelados, atirando-se a luta de corpo aberto, sendo fragosamente derrotado na primeira investida contra o Rei Zumbi, por isto retirou-se para a praia deserta de Paratagi onde permaneceu por dez meses descansando e se refazendo da derrota.\n\nPor sua v\u00eas os palmerinos com a vit\u00f3ria alcan\u00e7ada sobre as gentes de Domingos Jorge Velho tornaram-se soberbos e j\u00e1 se consideravam invenc\u00edveis dentro de suas organiza\u00e7\u00f5es e os negros das fazendas e engenhos se tornaram desaforados e insolentes e muitos fugiram para os Palmares de onde voltavam com os palmerinos para roubar, saquear e incendiar as vilas.\n\nFonte: www.zbi.vilabol.uol.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quilombo dos Palmares, Origem, Hist\u00f3ria, Brasil, Zumbi , Rep\u00fablica, Guerras, Rei, Fim, Negros, Escravos, Forma\u00e7\u00e3o, Quilombo dos Palmares<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9993,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[56],"tags":[],"class_list":["post-9992","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biografias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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