{"id":9981,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/primeiro-reinado\/"},"modified":"2026-08-31T19:07:19","modified_gmt":"2026-08-31T19:07:19","slug":"primeiro-reinado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/primeiro-reinado\/","title":{"rendered":"Primeiro Reinado"},"content":{"rendered":"\n<strong>Primeiro Reinado &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nDom Pedro \u00e9 aclamado imperador em 12 de outubro de 1822.\n\nSeu governo, conhecido como primeiro reinado, n\u00e3o chega a representar uma ruptura com o passado.\n\nPertence \u00e0 mesma casa reinante da antiga metr\u00f3pole e \u00e9 herdeiro do trono portugu\u00eas.\n\nMant\u00e9m os privil\u00e9gios das elites agr\u00e1rias, principalmente a continuidade do regime escravocrata. Aos poucos, por\u00e9m, seu governo assume car\u00e1ter centralista e desp\u00f3tico que desagrada aos interesses provinciais.\n\nO\u00a0<strong>primeiro reinado<\/strong>\u00a0dura at\u00e9 a abdica\u00e7\u00e3o de dom Pedro em favor de seu filho, em 1831.\n\nEste per\u00edodo caracterizou-se por ser de transi\u00e7\u00e3o, marcado por uma grande crise econ\u00f4mico-financeira, social e pol\u00edtica.\n\nA efetiva consolida\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia do Brasil se daria a partir de 1831, com a abdica\u00e7\u00e3o de D. Pedro I. \u00c9 historicamente incorreto referir-se a esse per\u00edodo como o \u201cprimeiro imp\u00e9rio\u201d, pois o Brasil teve um \u00fanico per\u00edodo imperial cont\u00ednuo, dividido em primeiro reinado, per\u00edodo de reg\u00eancia e segundo reinado,\n\n<strong>Dom Pedro I (1798-1834)<\/strong>\n\nNasce em Lisboa com o nome de Pedro de Alc\u00e2ntara Francisco Ant\u00f4nio Jo\u00e3o Carlos Xavier de Paula Miguel Rafael Joaquim Jos\u00e9 Gonzaga Pascoal Cipriano Serafim de Bragan\u00e7a e Bourbon.\n\n\u00c9 o quarto filho de dom Jo\u00e3o VI e de dona Carlota Joaquina e o segundo na linha sucess\u00f3ria.\n\nHerda o direito ao trono e o t\u00edtulo de pr\u00edncipe da Beira em 1801, com a morte do irm\u00e3o mais velho.\n\nEducado por preceptores religiosos, dedica-se mais \u00e0 equita\u00e7\u00e3o e atividades f\u00edsicas do que aos estudos. \u00c9 autor da m\u00fasica do Hino da Independ\u00eancia.\n\n<strong>Com fama de aventureiro e bo\u00eamio, tem 13 filhos reconhecidos e mais cinco naturais:<\/strong>\u00a0sete com a primeira esposa, a arquiduquesa austr\u00edaca Maria Leopoldina, morta em 1826; uma filha com a segunda esposa, a duquesa alem\u00e3 Am\u00e9lia Augusta; cinco com a amante brasileira Domitila de Castro, a marquesa de Santos; e mais cinco com diferentes mulheres, inclusive uma irm\u00e3 de Domitila, Maria Benedita Bonfim, baronesa de Sorocaba, e uma monja portuguesa, Ana Augusta. Pr\u00edncipe do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, pr\u00edncipe-regente do Reino do Brasil por mais de um ano e imperador do Brasil por quase nove anos, abdica do trono em favor de seu filho Pedro.\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Primeiro Reinado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/pprimei8.jpg\" alt=\"Primeiro Reinado\" width=\"192\" height=\"270\" \/><\/strong><strong>Dom Pedro I (1798-1834)<\/strong><\/p>\nHerdeiro da Coroa portuguesa como dom Pedro IV, volta a Portugal e trava luta com o irm\u00e3o, dom Miguel, que havia usurpado o trono. A guerra civil dura dois anos.\n\nDom Pedro vence, restaura o absolutismo e instala no trono a filha Maria II.\n\nMorre em 24 de setembro de 1834, no Pal\u00e1cio de Queluz, Lisboa, aos 35 anos.\n\nEm 1972, no sesquicenten\u00e1rio da independ\u00eancia, seus restos mortais s\u00e3o trazidos para a cripta do monumento do Ipiranga, em S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867)<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Primeiro Reinado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/pprimei9.jpg\" alt=\"Primeiro Reinado\" width=\"199\" height=\"264\" \/><\/strong><strong>Domitila de Castro Canto e Melo (1797-1867)<\/strong><\/p>\nA marquesa de Santos, pertence a uma das mais importantes fam\u00edlias de Piratininga, S\u00e3o Paulo. Aos 15 anos, casa-se com o alferes mineiro Fel\u00edcio Pinto Coelho de Mendon\u00e7a, com quem tem tr\u00eas filhos.\n\nConhece dom Pedro num encontro casual, em 1822, \u00e0s v\u00e9speras da proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia\u00a0 um caso de paix\u00e3o primeira vista que dura oito anos.\n\nDom Pedro convida o pai da mo\u00e7a a transferir-se com a fam\u00edlia para o Rio de Janeiro. O caso entre os dois \u00e9 p\u00fablico na corte. Em seus bilhetes, o imperador chamava a amante de filha, Tit\u00edlia, \u201cmeu amor e meu tudo\u201d.\n\nAssinava-os como \u201cdemoni\u00e3o\u201d, \u201cfogo\u201d, \u201cfoguinho\u201d e, \u00e0s vezes, apenas \u201cImperador\u201d. Domitila e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio disputam a influ\u00eancia junto ao imperador. Ela ajuda a indisp\u00f4-los durante a Assembl\u00e9ia Constituinte, o que resulta no ex\u00edlio de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e seu irm\u00e3o, Ant\u00f4nio Carlos. Depois, faz r\u00e1pida carreira palaciana.\n\n\u00c9 nomeada viscondessa de Castro, em 1825, e marquesa de Santos no ano seguinte, t\u00edtulo que afronta os irm\u00e3os Andrada, ciosos do nome de sua cidade natal, Santos. Com a morte de dona Leopoldina, em 1826, dom Pedro frustra a amante ao casar-se com a princesa alem\u00e3 Am\u00e9lia Augusta. A marquesa encerra o romance com dom Pedro e volta para S\u00e3o Paulo.\n\nEm 1842, casa-se com o brigadeiro Rafael Tobias de Aguiar, presidente da Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo. Em seus \u00faltimos anos de vida, torna-se protetora dos estudantes da Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco.\n\nMorre aos 70 anos, em S\u00e3o Paulo, e deixa como legado a capela do Cemit\u00e9rio Municipal de S\u00e3o Paulo, atual Cemit\u00e9rio da Consola\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Constitui\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nAlcan\u00e7ada e reconhecida a independ\u00eancia, os grupos que haviam apoiado dom Pedro come\u00e7am a lutar por interesses espec\u00edficos.\n\n<strong>Tr\u00eas tend\u00eancias pol\u00edticas projetam-se mais nitidamente na cena brasileira:<\/strong>\u00a0a liberal, a conservadora e a republicana.\n\n<strong>Tend\u00eancias pol\u00edticas<\/strong>\n\nOs liberais, divididos em moderados e radicais, querem a implanta\u00e7\u00e3o de uma monarquia constitucionalista que limite os poderes do imperador e reconhe\u00e7a o poder legislativo como o leg\u00edtimo representante da na\u00e7\u00e3o.\n\nOs conservadores defendem um poder executivo forte e centralizado nas m\u00e3os do monarca, capaz de manter a ordem social e assegurar a unidade do Imp\u00e9rio. Os republicanos n\u00e3o t\u00eam muita express\u00e3o pol\u00edtica, mas ressurgem em todos os movimentos sociais de oposi\u00e7\u00e3o do per\u00edodo.\n\n<strong>Processo constituinte<\/strong>\n\nA Assembleia Constituinte \u00e9 instalada em 3 de mar\u00e7o de 1823. \u00c9 presidida por Ant\u00f4nio Carlos Ribeiro de Andrada, irm\u00e3o de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e um dos liberais mais atuantes da \u00e9poca.\n\n<strong>Em 12 de novembro, fica pronto o anteprojeto de Constitui\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>mant\u00e9m a ordem escravocrata e restringe os direitos pol\u00edticos aos indiv\u00edduos com renda anual superior ao valor de 150 alqueires de farinha de mandioca.\n\n<strong>Alguns de seus pontos s\u00e3o pol\u00eamicos:<\/strong>\u00a0a C\u00e2mara seria indissol\u00favel e teria o controle sobre as For\u00e7as Armadas; o veto do imperador teria apenas car\u00e1ter suspensivo.\n\n<b>Dissolu\u00e7\u00e3o da Assembleia\u00a0Constituinte<\/b>\n\nDom Pedro dissolve a Assembleia Constituinte, manda prender as lideran\u00e7as e desterr\u00e1-las. Os irm\u00e3os Andrada, principalmente Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, invejados na corte por sua influ\u00eancia junto ao imperador, caem em desgra\u00e7a e tamb\u00e9m s\u00e3o exilados. Contribuem para isso as articula\u00e7\u00f5es de bastidores feitas por Domitila de Castro, amante do imperador e com grande ascend\u00eancia sobre ele.\n\n<strong>Constitui\u00e7\u00e3o outorgada<\/strong>\n\nDom Pedro nomeia uma comiss\u00e3o especial, o Conselho de Estado, para redigir uma Constitui\u00e7\u00e3o que garanta a centraliza\u00e7\u00e3o do poder em suas m\u00e3os.\n\nA primeira Constitui\u00e7\u00e3o do pa\u00eds \u00e9 outorgada em 25 de mar\u00e7o de 1824 por dom Pedro. Estabelece um governo \u201cmon\u00e1rquico, heredit\u00e1rio e constitucional representativo\u201d. Institui os poderes Executivo representado pelo pr\u00f3prio imperador, Legislativo e Judici\u00e1rio e garante a dom Pedro privil\u00e9gios de monarcas absolutistas, instituindo o Poder Moderador. O legislativo \u00e9 formado pelo Senado, vital\u00edcio, e pela C\u00e2mara, que tem car\u00e1ter tempor\u00e1rio e pode ser dissolvida pelo imperador. A reuni\u00e3o das duas casas legislativas forma a Assembleia Geral \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo do legislativo. S\u00e3o abolidos o a\u00e7oite, a marca de ferro quente e outros castigos usados contra os escravos, mas a escravid\u00e3o \u00e9 mantida. O catolicismo permanece como religi\u00e3o oficial.\n\n<strong>Elei\u00e7\u00f5es e voto censit\u00e1rio<\/strong>\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o institui o voto censit\u00e1rio os eleitores s\u00e3o selecionados de acordo com sua renda.\n\n<strong>O processo eleitoral \u00e9 feito em dois turnos:<\/strong>\u00a0elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias para a forma\u00e7\u00e3o de um col\u00e9gio eleitoral que, por sua vez, escolher\u00e1 nas elei\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias os senadores, deputados e membros dos conselhos das Prov\u00edncias.\n\nOs candidatos precisam ser brasileiros e cat\u00f3licos. Nas elei\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias s\u00f3 podem votar os cidad\u00e3os com renda l\u00edquida anual superior a 100 mil-r\u00e9is. Dos candidatos ao col\u00e9gio eleitoral, \u00e9 exigida renda anual superior a 200 mil-r\u00e9is. Os candidatos \u00e0 C\u00e2mara dos Deputados devem comprovar renda m\u00ednima de 400 mil-r\u00e9is e, para o Senado, de 800 mil-r\u00e9is.\n\nA maioria da popula\u00e7\u00e3o fica exclu\u00edda n\u00e3o apenas do exerc\u00edcio dos cargos representativos como tamb\u00e9m do pr\u00f3prio processo eleitoral.\n\n<strong>Unidade nacional e resist\u00eancia<\/strong>\n\nA monarquia brasileira mant\u00e9m a unidade nacional, mas enfrenta rea\u00e7\u00f5es sobretudo no Norte, Nordeste e na Prov\u00edncia Cisplatina. A aristocracia latifundi\u00e1ria resiste ao comando centralista do Rio de Janeiro.\n\nOs portugueses detentores de cargos pol\u00edticos ou militares preferem manter-se fi\u00e9is a Lisboa.\n\nTodas as tentativas de levantes contr\u00e1rias \u00e0 independ\u00eancia s\u00e3o vencidas por tropas legalistas ou por insurrei\u00e7\u00f5es populares que acabam refor\u00e7ando o poder imperial.\n\n<strong>Confedera\u00e7\u00e3o do Equador<\/strong>\n\nEm 1824, os liberais pernambucanos se recusam a aceitar a Constitui\u00e7\u00e3o outorgada e a pol\u00edtica centralista do imperador. O presidente da Prov\u00edncia, Manuel de Carvalho Paes de Andrade, adere ao movimento e, em 21 de julho de 1824, proclama a Confedera\u00e7\u00e3o do Equador. Os revoltosos seguem o modelo americano de rep\u00fablica, com maior autonomia regional e governo representativo.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o da Col\u00f4mbia \u00e9 adotada provisoriamente. Em agosto, o movimento recebe a ades\u00e3o de separatistas do Rio Grande do Norte, Cear\u00e1 e Para\u00edba. O movimento \u00e9 contido. Recife e Olinda s\u00e3o retomadas em 17 de setembro. No interior, for\u00e7as rebeldes lideradas por Augustinho Bezerra e frei Joaquim do Amor Divino Caneca resistem at\u00e9 21 de novembro de 1824. Todos os l\u00edderes s\u00e3o condenados \u00e0 morte na forca.\n\nFrei Caneca \u00e9 fuzilado, em 1825, porque os carrascos se recusam a enforc\u00e1-lo.\n\n<strong>Guerra Cisplatina<\/strong>\n\nA Banda oriental, disputada por brasileiros e castelhanos, \u00e9 incorporada ao Imp\u00e9rio em 1821 como Prov\u00edncia Cisplatina. Em 1825, l\u00edderes separatistas locais, comandados por Fructuoso Rivera, proclamam a independ\u00eancia da regi\u00e3o. O Brasil declara guerra \u00e0 Argentina, que tamb\u00e9m reivindica a posse da Prov\u00edncia, em 10 de outubro de 1825. \u00c9 derrotado na batalha de Passo do Ros\u00e1rio em 20\/2\/1827.\n\nA diplomacia brit\u00e2nica interv\u00e9m e os dois pa\u00edses desistem da regi\u00e3o. Um tratado de paz cria a Rep\u00fablica Independente do Uruguai, em 27 de agosto de 1828.\n\n<strong>Reconhecimento externo<\/strong>\n\nOs Estados Unidos s\u00e3o os primeiros a reconhecer a independ\u00eancia brasileira, em 25 de junho de 1824\u00a0 uma aplica\u00e7\u00e3o de sua Doutrina Monroe, que prega a \u201cAm\u00e9rica para os americanos\u201d. Portugal, pressionado pelos ingleses, reconhece a independ\u00eancia brasileira em 29 de agosto de 1825 e recebe uma indeniza\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de libras esterlinas.\n\n<strong>Media\u00e7\u00e3o inglesa<\/strong>\n\nA Inglaterra lucra com a independ\u00eancia brasileira. O Brasil faz um empr\u00e9stimo junto \u00e0 Inglaterra para pagar a indeniza\u00e7\u00e3o por sua independ\u00eancia para Portugal.\n\nComo a d\u00edvida portuguesa com os ingleses \u00e9 bem maior que o valor da indeniza\u00e7\u00e3o, o dinheiro nem chega a sair dos cofres brit\u00e2nicos, que ainda recebem os juros e o pagamento do empr\u00e9stimo brasileiro.\n\nPor seu papel de mediadora, consegue renovar os tratados comerciais de 1810 e compromete o Brasil com a conven\u00e7\u00e3o internacional sobre o fim do tr\u00e1fico de escravos.\n\n<strong>Economia no Primeiro Reinado<\/strong>\n\n<strong>A economia brasileira n\u00e3o se altera com sua independ\u00eancia pol\u00edtica:<\/strong>\u00a0mant\u00e9m-se agr\u00e1rio-exportadora e baseada no trabalho escravo. Livre do colonialismo portugu\u00eas, o pa\u00eds passa inteiramente para a esfera econ\u00f4mica da Inglaterra.\n\nOs ingleses tornam-se os \u00fanicos compradores dos produtos prim\u00e1rios brasileiros e os principais fornecedores de bens manufaturados.\n\n<strong>Caf\u00e9<\/strong>\n\nA partir do s\u00e9culo XIX, o caf\u00e9 come\u00e7a a ser plantado na regi\u00e3o Sudeste do pa\u00eds e desenvolve-se rapidamente no Rio de Janeiro, sudeste de Minas e em S\u00e3o Paulo.\n\nEntre 1820 e 1830, j\u00e1 \u00e9 respons\u00e1vel por 43,8% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras, o equivalente a uma venda anual de cerca de 3 milh\u00f5es de sacas de 60 kg.\n\n<strong>O vale do rio Para\u00edba, em S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, torna-se o principal centro da produ\u00e7\u00e3o cafeeira:<\/strong>\u00a0formam-se as grandes fazendas trabalhadas por escravos e as imensas fortunas dos \u201cbar\u00f5es do caf\u00e9\u201d, um dos pilares de sustenta\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio at\u00e9 1889.\n\n<strong>Crise econ\u00f4mica<\/strong>\n\nApesar do desenvolvimento da economia cafeeira, o pa\u00eds \u00e9 abalado por uma forte crise econ\u00f4mica, que j\u00e1 se anunciara antes mesmo da independ\u00eancia. A partir de 1820, come\u00e7am a cair pre\u00e7os do algod\u00e3o, do cacau e do a\u00e7\u00facar no mercado internacional e os ingressos com o caf\u00e9 n\u00e3o s\u00e3o suficientes para superar os d\u00e9ficits da balan\u00e7a comercial. O tabaco perde seu principal mercado, a \u00c1frica, em consequ\u00eancia das press\u00f5es inglesas para o fim do tr\u00e1fico de escravos. Para contornar o problema, o governo desvaloriza a taxa cambial e faz empr\u00e9stimos no exterior, principalmente na Inglaterra. Em 1828, o Banco do Brasil abre fal\u00eancia e, no ano seguinte, \u00e9 liquidado oficialmente. A crise econ\u00f4mica prolonga-se at\u00e9 1840.\n\n<strong>Rombos do or\u00e7amento<\/strong>\n\nOs rombos no or\u00e7amento s\u00e3o constantes durante todo o reinado de dom Pedro I.\n\nAs revoltas e subleva\u00e7\u00f5es das Prov\u00edncias e a oposi\u00e7\u00e3o ao centralismo imperial levam os governos locais a n\u00e3o enviar os impostos arrecadados ao Rio de Janeiro. O imposto territorial, que poderia ser uma grande fonte de recursos, normalmente n\u00e3o \u00e9 cobrado para n\u00e3o contrariar os grandes propriet\u00e1rios. Para agravar o quadro, o governo tem gastos elevados com as guerras da independ\u00eancia e repress\u00e3o s rebeli\u00f5es internas.\n\n<strong>Sociedade no Primeiro Reinado<\/strong>\n\nA diversifica\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica na fase final da col\u00f4nia e in\u00edcio do Imp\u00e9rio produz uma maior estratifica\u00e7\u00e3o social. A estrutura social permanece patriarcal, dominada pelos grandes fazendeiros do centro-sul e senhores de engenho no Nordeste, sem mecanismos de mobilidade e ascens\u00e3o social. A elite agr\u00e1ria controla a economia e a pol\u00edtica.\n\nO clientelismo e a pr\u00e1tica do apadrinhamento come\u00e7am na unidade rural e se estendem aos n\u00facleos urbanos, criando uma rede de fidelidade e depend\u00eancia entre diferentes extratos da popula\u00e7\u00e3o com as elites.\n\n<strong>Cidades no Primeiro Reinado<\/strong>\n\nAs capitais das Prov\u00edncias, localizadas em sua maioria pr\u00f3ximas ao litoral, ganham import\u00e2ncia como centros administrativos. As cidades portu\u00e1rias, principalmente na regi\u00e3o Sudeste, passam por um processo de desenvolvimento e moderniza\u00e7\u00e3o estimulados pelo crescimento das exporta\u00e7\u00f5es do caf\u00e9 e das atividades comerciais e banc\u00e1rias que as acompanham.\n\n<strong>Cidades do interior<\/strong>\n\nNo interior do pa\u00eds a vida urbana permanece estagnada. Nas descri\u00e7\u00f5es dos viajantes da \u00e9poca, a grande maioria dos vilarejos tem aspecto descuidado, o capim cresce pelas ruas e pra\u00e7as, a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica, \u00e0 base de \u00f3leo de baleia, \u00e9 prec\u00e1ria, o abastecimento de \u00e1gua \u00e9 feito em chafarizes ou po\u00e7os, n\u00e3o h\u00e1 saneamento b\u00e1sico e os dejetos correm a c\u00e9u aberto.\n\nEnquanto nas capitais a popula\u00e7\u00e3o tem contato com as novidades europeias, nas pequenas cidades os moradores vivem isolados e as not\u00edcias do que vai pelo mundo s\u00e3o trazidas por tropeiros e mascates.\n\n<strong>Cultura no Primeiro Reinado<\/strong>\n\nA Academia Nacional de Belas-Artes, no Rio de Janeiro, antiga Academia Imperial, inaugurada em 5 de novembro de 1826, introduz nas artes pl\u00e1sticas do pa\u00eds a tend\u00eancia de reprodu\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es neocl\u00e1ssicos europeus.\n\nO compositor paulista Carlos Gomes, influenciado pelos italianos, faz sucesso com as \u00f3peras O Guarani, O escravo e Moema.\n\nNo teatro, surge Martins Pena, considerado o primeiro teatr\u00f3logo original do Brasil. Suas pe\u00e7as marcam o in\u00edcio de um teatro de autor baseado em tem\u00e1ticas brasileiras.\n\n<strong>Entre as mais conhecidas, destacam-se:<\/strong>\n<blockquote>O juiz de paz na ro\u00e7a\nO caixeiro viajante\nQuem casa quer casa\nOs meirinhos\nAs desgra\u00e7as de uma crian\u00e7a.<\/blockquote>\n<strong>Crise do Primeiro Reinado<\/strong>\n\nA crise da economia agr\u00e1rio-exportadora que explode durante o primeiro Imp\u00e9rio, a violenta repress\u00e3o \u00e0 Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, em 1824, e a perda da Prov\u00edncia Cisplatina diminuem o prest\u00edgio do imperador.\n\nNa C\u00e2mara dos Deputados surge uma oposi\u00e7\u00e3o aberta a dom Pedro, representada pelos liberais moderados. Eles defendem um Legislativo mais forte em detrimento do poder do imperador, mas querem manter a centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa do Imp\u00e9rio. Os liberais federalistas, tamb\u00e9m conhecidos como democratas, re\u00fanem muitos profissionais liberais e comerciantes.\n\nReivindicam uma participa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica mais ampla e um equil\u00edbrio de poderes entre o governo central e as Prov\u00edncias. Alguns defendem ideias republicanas.\n\n<strong>Pol\u00edtica na imprensa<\/strong>\n\nA ebuli\u00e7\u00e3o pol\u00edtica anima a cria\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios jornais de oposi\u00e7\u00e3o. Apesar da cerrada censura do governo imperial, pela primeira vez no pa\u00eds o debate pol\u00edtico chega \u00e0 imprensa, com posi\u00e7\u00f5es de diferentes matizes.\n\nV\u00e1rios jornais come\u00e7am a circular no Rio de Janeiro e em outras Prov\u00edncias. O Aurora Fluminense, dirigido por Evaristo da Veiga, combate dom Pedro e os partid\u00e1rios do federalismo. Estes, por sua vez, editam O Republicano e A Nova Luz Brasileira. Dom Pedro \u00e9 apoiado pelo jornal A Gazeta do Brasil, dirigido por Jos\u00e9 da Silva Lisboa, o visconde de Cairu. Em Pernambuco, o veterano jornalista Cipriano Barata edita o jornal Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco. Em S\u00e3o Paulo, Libero Badar\u00f3 dirige O Observador Constitucional, com cr\u00edticas radicais ao imperador.\n\nO jornal circula at\u00e9 1830, quando Libero Badar\u00f3 \u00e9 assassinado, no dia 20 de novembro.\n\n<strong>Jo\u00e3o Batista Libero Badar\u00f3 (1798-1830)<\/strong>\n\nJornalista, pol\u00edtico e m\u00e9dico, \u00e9 considerado um m\u00e1rtir da liberdade de imprensa. Nasce em Laigneglia, It\u00e1lia, e estuda nas universidades de Turim e P\u00e1via.\n\nRadicado no Brasil, destaca-se pela defesa e propaganda dos princ\u00edpios liberais na imprensa paulista durante o reinado de dom Pedro I. Em 1829, funda o jornal O Observador Constitucional, onde faz cr\u00edticas ao autoritarismo de dom Pedro I. Na noite de 20 de novembro de 1830, os estudantes do Curso Jur\u00eddico de S\u00e3o Paulo promovem uma passeata para comemorar a revolu\u00e7\u00e3o liberal que, na Fran\u00e7a, depusera o rei Carlos X. Durante a manifesta\u00e7\u00e3o, Libero Badar\u00f3 \u00e9 assassinado por desconhecidos.\n\n<strong>Pouco antes de morrer, teria dito:\u00a0<\/strong>\u201cMorre um liberal, mas n\u00e3o morre a liberdade\u201d.\n\n<strong>Sua morte acelera a crise pol\u00edtica do primeiro reinado:<\/strong>\u00a0mais de 5 mil pessoas comparecem ao enterro e multiplicam-se as manifesta\u00e7\u00f5es pela ren\u00fancia do imperador.\n\n<strong>Cipriano Jos\u00e9 Barata de Almeida (1764-1838)<\/strong>\n\n\u00c9 um dos mais combativos jornalistas brasileiros do per\u00edodo imperial. Nasce em Salvador, Bahia, e forma-se em filosofia e cirurgia pela Universidade de Coimbra. Liberal-democrata radical, participa da Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, em 1798, e da Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817. Em 1821, deputado pela Bahia nas Cortes Constitucionais, em Lisboa, assume posi\u00e7\u00f5es separatistas. Volta ao Brasil em 1822 e estreia na imprensa na Gazeta de Pernambuco.\n\nEm 1823, cria o jornal Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco, onde denuncia as tend\u00eancias absolutistas de dom Pedro I.\n\n<b>Eleito para a Assembleia\u00a0Constituinte, prefere ficar em seu \u201cposto de combate\u201d:\u00a0<\/b>a reda\u00e7\u00e3o do Sentinela, em Pernambuco.\n\n<strong>Preso nas turbul\u00eancias que precedem a dissolu\u00e7\u00e3o da Constituinte, em novembro, inaugura nova s\u00e9rie de seu jornal, agora clandestino:<\/strong>\u00a0A Sentinela da Liberdade na Guarita de Pernambuco Atacada e Presa na Fortaleza do Brum por Ordem da For\u00e7a Armada e Reunida. Sua ousadia \u00e9 punida com sucessivas transfer\u00eancias de pris\u00e3o. Em quase todas consegue reeditar o jornal, apenas adaptando o t\u00edtulo. Sai da pris\u00e3o em 1830. Com 64 anos e a sa\u00fade abalada, volta para a Bahia e publica A sentinela da Liberdade, Hoje na Guarita do Quartel-general de Piraj\u00e1. Defende o federalismo e ideias republicanas. Volta a ser preso v\u00e1rias vezes e continua na ativa at\u00e9 sua morte.\n\n<strong>Abdica\u00e7\u00e3o de Dom Pedro I<\/strong>\n\nEm 1831 os confrontos entre as diferentes fac\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de oposi\u00e7\u00e3o ao imperador se intensificam.\n\nOs partid\u00e1rios de dom Pedro ganham a ades\u00e3o dos portugueses residentes no Brasil e estouram dist\u00farbios em v\u00e1rias Prov\u00edncias. O mais s\u00e9rio ocorre no Rio de Janeiro e fica conhecido como a Noite das Garrafadas.\n\nEm 12 de mar\u00e7o de 1831 portugueses e brasileiros atracam-se nas ruas durante um ato de desagravo a dom Pedro, com muitos feridos para os dois lados.\n\nProtestos e novos conflitos se reproduzem nas semanas seguintes.\n\n<strong>Ren\u00fancia de dom Pedro<\/strong>\n\nPressionado e sem apoio, dom Pedro abdica do trono em 7 de abril de 1831 em favor de seu filho Pedro.\n\n<strong>Seu ato tem apoio na Constitui\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>em caso de vac\u00e2ncia, o trono deve ser ocupado pelo parente mais pr\u00f3ximo do soberano. Como o pr\u00edncipe Pedro tem apenas 5 anos, \u00e9 formada uma reg\u00eancia tr\u00edplice provis\u00f3ria para administrar o pa\u00eds.\n\n<strong>Brasil:\u00a0<\/strong>o primeiro reinado\n\n<strong>As disputas para decidir quem mandaria no Brasil<\/strong>\n\nNo dia 3 de junho de 1822 (D. Pedro ainda governava o Brasil como pr\u00edncipe regente), foi convocada uma assembleia para elaborar a primeira Constitui\u00e7\u00e3o brasileira.\n\n<strong>A constituinte das elites rurais<\/strong>\n\n<b>O projeto de constitui\u00e7\u00e3o elaborado pela Assembleia\u00a0Constituinte em 1823 tinha tr\u00eas caracter\u00edsticas:<\/b>\u00a0o anticolonialismo, o antiabsolutismo e o classismo.\n<blockquote><strong>Anticolonialismo:<\/strong>\u00a0firme oposi\u00e7\u00e3o aos portugueses (comerciantes e militares) que ainda amea\u00e7avam a independ\u00eancia brasileira e desejavam a recoloniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.<strong>\nAntiabsolutismo:<\/strong>\u00a0preocupa\u00e7\u00e3o de limitar e reduzir os poderes do imperador e valorizar e ampliar os poderes do Legislativo.<strong>\nClassismo:<\/strong>\u00a0inten\u00e7\u00e3o de reservar o poder Pol\u00edtico praticamente para a classe dos grandes propriet\u00e1rios rurais. A maioria do povo n\u00e3o era considerado cidad\u00e3o e n\u00e3o tinha o direito de votar nem de ser votado. O projeto estabelecia que o eleitor precisava ter renda m\u00ednima por ano equivalente a 150 alqueires de farinha de mandioca. Por isso, o projeto ficou conhecido, popularmente, como Constitui\u00e7\u00e3o da Mandioca.<\/blockquote>\n<strong>A ira do imperador:\u00a0<\/strong>D. Pedro I ficou bastante irritado com essa constitui\u00e7\u00e3o que limitava e diminu\u00eda seus poderes. Com o apoio das tropas imperiais, decretou a dissolu\u00e7\u00e3o da Assembl\u00e9ia, no dia 12 de novembro de 1823.\n\n<strong>A constitui\u00e7\u00e3o de 1824 imposta por D. Pedro I<\/strong>\n\nAo fechar a Assembleia Constituinte, D. Pedro provocou a rea\u00e7\u00e3o dos representantes do chamado partido brasileiro, grupo formado por propriet\u00e1rios de terras do centro-sul que tinham apoiado e dirigido o processo de independ\u00eancia do Brasil.\n\nPara acalmar os \u00e2nimos, o imperador no meou uma comiss\u00e3o de dez brasileiros natos e a incumbiu de elaborar uma nova constitui\u00e7\u00e3o para o pa\u00eds, no prazo de quarenta dias.\n\nConclu\u00eddo o trabalho, no dia 25 de mar\u00e7o de 1824, D. Pedro outorgou, isto \u00e9, imp\u00f4s \u00e0 na\u00e7\u00e3o a nova constitui\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O poder arbitr\u00e1rio e absoluto do imperador<\/strong>\n\n<strong>A constitui\u00e7\u00e3o imposta por D. Pedro estabelecia a exist\u00eancia de quatro poderes de Estado:<\/strong>\n<blockquote><strong>Poder Judici\u00e1rio:<\/strong>\u00a0composto pelos ju\u00edzes e tribunais. O \u00f3rg\u00e3o m\u00e1ximo desse Poder era o Supremo Tribunal de Justi\u00e7a, com magistrados nomeados diretamente pelo imperador.<strong>\nPoder Legislativo:\u00a0<\/strong>composto pelos senadores e deputados, encarregados de elaborar as leis do imp\u00e9rio.<strong>\nPoder Executivo:<\/strong>\u00a0exercido pelo imperador (chefe do Executivo) e seus ministros de Estado.<strong>\nPoder Moderador:<\/strong>\u00a0exclusivo do imperador e definido pela constitui\u00e7\u00e3o como a \u201cchave-mestra de toda a organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica\u201d. O Poder Moderador tornou-se pessoal do imperador; a express\u00e3o m\u00e1xima do seu poder arbitr\u00e1rio e absoluto.<\/blockquote>\nTamb\u00e9m fazia parte da estrutura de poder do imp\u00e9rio o Conselho de Estado, \u00f3rg\u00e3o de aconselhamento pol\u00edtico direto do imperador.\n\n<strong>Elei\u00e7\u00f5es:\u00a0<\/strong>o afastamento do povo\n\nA constitui\u00e7\u00e3o outorgada afastou totalmente a grande maioria do povo da vida pol\u00edtica que, assim, n\u00e3o tinha cidadania plena.\n\n<strong>De que maneira?<\/strong>\n\nCondicionou o direito eleitoral a certos n\u00edveis de renda, que a maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o tinha (voto censit\u00e1rio). Para votar, a pessoa precisava ter renda anual de, pelo menos, 100 mil r\u00e9is.\n\n<strong>Para ser candidato a deputado, a renda anual deveria ser de 400 mil r\u00e9is, para senador a renda deveria ser maior:<\/strong>\u00a0800 mil r\u00e9is. S\u00f3 os ricos podiam votar e ser eleitos.\n\n<strong>A submiss\u00e3o da Igreja ao imperador<\/strong>\n\nA constitui\u00e7\u00e3o de 1824 declarou o catolicismo religi\u00e3o oficial do Brasil. A rela\u00e7\u00e3o entre a Igreja Cat\u00f3lica e o Estado era regulada pelo regime do padroado.\n\nOs membros da Igreja recebiam ordenado do governo sendo quase considerados funcion\u00e1rios p\u00fablicos, e o imperador nomeava os sacerdotes para os diversos cargos eclesi\u00e1sticos.\n\n<strong>Dificuldades e Contradi\u00e7\u00f5es do Primeiro Reinado<\/strong>\n\n<strong>Dificuldades externas<\/strong>\n\n<strong>O reconheci\u00admento da emancipa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Embora a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, formalizada em 7 de setembro de 1822, tenha dado ao Brasil a fei\u00e7\u00e3o de um pa\u00eds soberano, sua economia continuava a ser colonial, escravista e dependente do mercado externo. Acontece que, para regularizar o com\u00e9rcio com o exterior, o Brasil necessitava do reconhecimento de sua emancipa\u00e7\u00e3o, sobretudo pelos pa\u00edses europeus.\n\nPara conseguir esse reconhecimento, o Brasil se viu obrigado a assinar tratados desfavor\u00e1veis a seus interesses em troca da normaliza\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es comerciais e diplom\u00e1ticas.\n\nO primeiro pa\u00eds a reconhecer a emancipa\u00e7\u00e3o do Brasil foram os Estados Unidos, em 26 de junho de 1824.\n\n<strong>Duas raz\u00f5es explicam essa atitude:<\/strong>\u00a0a Doutrina Monroe (1823), que preconizava o anticolonialismo e adotava o lema \u201ca Am\u00e9rica para os americanos\u201d, e principalmente os fortes interesses econ\u00f4micos emergentes nos EUA, que procuravam reservar para si o vasto continente americano.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses hispano-americanos, rec\u00e9m-emancipados, o reconhecimento n\u00e3o se deu de imediato, como seria de esperar. A raz\u00e3o era pol\u00edtica.\n\n<strong>Os pa\u00edses hispano-americanos adotaram a forma republicana de governo e desconfiavam da solu\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica brasileira. Al\u00e9m disso, havia a quest\u00e3o platina:<\/strong>\u00a0o Uruguai ainda era parte do imp\u00e9rio brasileiro, com o nome de Prov\u00edncia Cisplatina.\n\nA Inglaterra, com os mais amplos privil\u00e9gios comerciais no Brasil, tinha enorme interesse em reconhecer a sua independ\u00eancia.\n\nMas, como aliada de Portugal, n\u00e3o julgava conveniente reconhecer a nossa independ\u00eancia antes da ex-metr\u00f3pole. Por esse motivo, a sua a\u00e7\u00e3o diplom\u00e1tica deu-se no sentido de convencer Portugal a aceitar a independ\u00eancia brasileira, intermediando assim o reconhecimento, que enfim se concretizou. O fato ocorreu em 29 de agosto de 1825.\n\nMas esse reconheci\u00admento foi feito mediante a indeniza\u00e7\u00e3o de 2 milh\u00f5es de libras, pagos pelo Brasil, e a concess\u00e3o do t\u00edtulo de Imperador do Brasil, em car\u00e1\u00adter honor\u00e1rio, a D. Jo\u00e3o VI.\n\nO reconhecimento por parte de Portugal abriu caminho para que outros pa\u00edses fizessem o mesmo, mas ao custo da concess\u00e3o de tarifas privilegiadas de 15% em nossas alf\u00e2ndegas.\n\nDo ponto de vista internacional, a emancipa\u00e7\u00e3o do Brasil nada mais significou do que a substitui\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o portuguesa pela inglesa, secundada por outros pa\u00edses europeus e pelos Estados Unidos.\n\nAo consumar a sua autonomia pol\u00edtica, o Brasil apenas se reajustou \u00e0 ordem econ\u00f4mica internacional, agora molda\u00adda pelo capitalismo industrial.\n\n<strong>A crise econ\u00f4mico-financeira<\/strong>\n\nVisto que a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o implicou a altera\u00e7\u00e3o da estrutura da produ\u00e7\u00e3o, que se manteve colonial e escravista, a estabilidade do Primeiro Rei\u00adnado dependia do bom desempenho das exporta\u00e7\u00f5es. Ora, a primeira metade do s\u00e9culo XIX foi cr\u00edtica para a economia brasileira. O a\u00e7\u00facar brasileiro sofria a forte concorr\u00eancia de Cuba e Jamaica e, na pr\u00f3pria Europa, do a\u00e7\u00facar de beterraba.\n\nO algod\u00e3o e o arroz disputavam o mercado internacional com a produ\u00e7\u00e3o norte-americana. O tabaco utilizado na compra de escravos na \u00c1frica se retraiu no Brasil devido \u00e0 pres\u00ads\u00e3o inglesa contra o tr\u00e1fico.\n\nO couro brasileiro viu diminuir o seu mercado devido \u00e0 concorr\u00eancia platina. Apenas o caf\u00e9 constitu\u00eda a esperan\u00e7a, pois o seu mercado estava em crescimento e o Brasil n\u00e3o tinha ainda concorrentes.\n\nParalelamente \u00e0 crise econ\u00f4mica, e como seu reflexo, havia a crise financeira. O Estado imperial mostrou a\u00ed toda a sua debilidade. Ele dispunha de poucos recursos devido \u00e0 baixa tarifa alfandeg\u00e1ria (15%), que, no entanto, era a principal fonte da receita governamental. Com isso, o Estado se via for\u00e7ado a fazer empr\u00e9stimos no exterior, pagando juros elevados (15%). Sempre em d\u00edvida, o d\u00e9ficit do Estado tornou-se cr\u00f4nico, agravado ainda com o pagamento dos juros dos empr\u00e9stimos contra\u00eddos.\n\n<strong>Descontentamento<\/strong>\n\nO in\u00fatil derrama\u00admento de sangue e os excessivos sacrif\u00edcios financeiros trouxeram saldos altamente negativos \u00e0 monarquia, pois serviram apenas para ativar as oposi\u00e7\u00f5es.\n\nPara contornar a crise financeira, sanando o d\u00e9ficit, D. Pedro ordenou a emiss\u00e3o descontrolada de papel-moeda, o que sacrificou as camadas populares, pois a desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda foi acompanhada de alta geral dos pre\u00e7os. A infla\u00e7\u00e3o corroeu o poder aquisitivo das massas populares urbanas.\n\nA crise atingiu o auge com a fal\u00eancia do Banco do Brasil, em 1829, cujos fundos haviam sido saqueados por D. Jo\u00e3o VI em seu retorno a Portugal.\n\n<strong>A Abdica\u00e7\u00e3o de D. Pedro I (1831)<\/strong>\n\nInterven\u00e7\u00e3o do imperador na crise de sucess\u00e3o em Portugal D. Jo\u00e3o VI morreu em 1826. Portanto, no ano seguinte ao in\u00edcio da Guerra Cisplatina. Com isso, o temor da re\u00adcoloniza\u00e7\u00e3o voltou, apesar de D. Pedro ter renunciado ao trono portugu\u00eas em favor de sua filha Maria da Gl\u00f3ria.\n\nEm 1828, no momento em que a Guerra Cisplatina terminava, D. Miguel, irm\u00e3o de D. Pedro, assumiu o trono com um golpe. A possibilidade de D. Pedro enviar tropas brasileiras para derrubar o usurpador trouxe novas inquieta\u00e7\u00f5es, pois essa interven\u00e7\u00e3o poderia restaurar a uni\u00e3o das duas monarquias.\n\n<strong>O 7 de Abril<\/strong>\n\nA crescente impopularidade de D. Pedro manifestou-se no recrudescimento da oposi\u00e7\u00e3o. Para dar apoio ao imperador e sustentar a sua pol\u00edtica, os membros do \u201cpartido portugu\u00eas\u201d fundaram a sociedade denominada Colunas do Trono. A oposi\u00e7\u00e3o liberal respondeu com a cria\u00e7\u00e3o da Jardineira ou Carpinteiro de S\u00e3o Jos\u00e9 \u2013 uma organiza\u00e7\u00e3o ma\u00e7\u00f4nica. Com a polariza\u00e7\u00e3o, os \u00e2nimos se exaltaram de lado a lado.\n\nEm 1830, no plano internacional, as for\u00e7as absolutistas estavam sendo derrotadas. A que\u00adda de Carlos X, rei da Fran\u00e7a, com a revolu\u00e7\u00e3o de 1830, provocou uma rea\u00e7\u00e3o euf\u00f3rica entre os liberais brasileiros.\n\nA imprensa difundiu amplamente a revolu\u00e7\u00e3o, com claras inten\u00e7\u00f5es cr\u00edticas a D. Pedro I.\n\nOs jornais desempenharam um papel importante no acirramento das paix\u00f5es pol\u00edticas. O assassinato de L\u00edbero Badar\u00f3, que, em S\u00e3o Paulo, dirigia o jornal de oposi\u00e7\u00e3o ao imperador, O Observador Constitucional, precipitou os acontecimentos. O crime foi come\u00adtido por partid\u00e1rios do imperador, em novembro de 1830, complicando a situa\u00e7\u00e3o de D. Pedro I.\n\nO principal foco de oposi\u00e7\u00e3o ao imperador estava em Minas. N\u00e3o podendo contar sequer com as for\u00e7as militares, pois os soldados estavam passando para a oposi\u00e7\u00e3o, D. Pedro resolveu visitar a prov\u00edncia e, como no passado, pacific\u00e1-la. Por\u00e9m, o imperador foi recebido com frieza pelos mineiros, que preferiram homenagear a mem\u00f3ria de L\u00edbero Badar\u00f3.\n\nDe volta ao Rio, os \u201ccolunas\u201d (membros das Colunas do Trono) resolveram organizar uma manifesta\u00e7\u00e3o de apoio a D. Pedro. Os \u201cbrasileiros\u201d reagiram realizando uma manifesta\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria. Assim, partid\u00e1rios e advers\u00e1rios do imperador entraram em conflito no dia 13 de mar\u00e7o de 1831, fato que ficou conhecido como Noite das Garrafadas.\n\nCom o prop\u00f3sito de conter os \u00edmpetos radicais, D. Pedro se viu for\u00e7ado a reorganizar o seu minist\u00e9rio. No dia 19 de mar\u00e7o de 1831, formou o Minist\u00e9rio Brasileiro, com brasileiros natos, por\u00e9m sem prest\u00edgio.\n\nO \u201cpartido portugu\u00eas\u201d, em 4 de abril, lan\u00e7ou uma nova provoca\u00e7\u00e3o, comemorando o anivers\u00e1rio de Maria da Gl\u00f3ria, filha de D. Pedro e herdeira leg\u00edtima do trono portugu\u00eas. Novos conflitos eclodiram entre as fac\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias. Em 5 de abril D. Pedro dissolveu o minist\u00e9rio e organizou outro, francamente absolutista, o c\u00e9lebre Minist\u00e9rio dos Marqueses ou Minist\u00e9rio dos Medalh\u00f5es.\n\nOcorreu ent\u00e3o uma nova manifesta\u00e7\u00e3o no Rio, exigindo-se a reintegra\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio deposto. Apesar da insist\u00eancia de setores civis e militares, D. Pedro manteve-se irredut\u00edvel.\n\nEssa atitude do imperador determinou a passagem de Francisco de Lima e Silva, chefe militar, para a oposi\u00e7\u00e3o. O imperador ficou completamente iso\u00adlado e sem apoio.\n\nN\u00e3o contava mais sequer com as tropas para reprimir as manifesta\u00e7\u00f5es. J\u00e1 n\u00e3o restava alternativa sen\u00e3o abdicar. E foi o que fez, em favor de seu filho D. Pedro de Alc\u00e2ntara, ent\u00e3o com apenas cinco anos de idade.\n\nNo dia 7 de abril, D. Pedro 1 deixou de ser imperador do Brasil e, em seguida, abandonou o pa\u00eds, mas n\u00e3o sem antes se reconciliar com os Andradas, nomeando Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio como tutor do futuro D. Pedro II.\n\n<strong>Primeiro Reinado &#8211; Per\u00edodo<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Primeiro Reinado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/pprimei12.jpg\" alt=\"Primeiro Reinado\" width=\"370\" height=\"278\" \/><strong>\nDom Pedro I<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>Primeiro Reinado<\/strong>\u00a0foi o per\u00edodo inicial do Imp\u00e9rio, estende-se da Independ\u00eancia do Brasil, em 1822, at\u00e9 a abdica\u00e7\u00e3o de Dom Pedro I, em 1831.\n\nAclamado primeiro imperador do pa\u00eds a 12 de outubro de 1822, Dom Pedro I enfrenta a resist\u00eancia de tropas portuguesas. Ao venc\u00ea-las, em meados do ano seguinte, consolida sua lideran\u00e7a.\n\nSeu primeiro ato pol\u00edtico importante \u00e9 a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Constituinte, eleita no in\u00edcio de 1823.\n\n<strong>\u00c9 tamb\u00e9m seu primeiro fracasso:<\/strong>\u00a0devido a uma forte diverg\u00eancia entre os deputados brasileiros e o soberano, que exigia um poder pessoal superior ao do Legislativo e do Judici\u00e1rio, a Assembleia \u00e9 dissolvida em novembro.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o \u00e9 outorgada pelo imperador em 1824. Contra essa decis\u00e3o rebelam-se algumas prov\u00edncias do Nordeste, lideradas por Pernambuco. A revolta, conhecida pelo nome de Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, \u00e9 severamente reprimida pelas tropas imperiais.\n\nEmbora a Constitui\u00e7\u00e3o de 1824 determine que o regime vigente no pa\u00eds seja liberal, o governo \u00e9 autorit\u00e1rio. Frequentemente, Dom Pedro imp\u00f5e sua vontade aos pol\u00edticos.\n\nEsse impasse constante gera um crescente conflito com os liberais, que passam a v\u00ea-lo cada vez mais como um governante autorit\u00e1rio. Preocupa tamb\u00e9m o seu excessivo envolvimento com a pol\u00edtica interna portuguesa.\n\nOs problemas de Dom Pedro I agravam-se a partir de 1825, com a entrada e a derrota do Brasil na Guerra da Cisplatina.\n\nA perda da prov\u00edncia da Cisplatina e a independ\u00eancia do Uruguai, em 1828, al\u00e9m das dificuldades econ\u00f4micas, levam boa parte da opini\u00e3o p\u00fablica a reagir contra as medidas personalistas do imperador.\n\nOs maiores beneficiados pela independ\u00eancia foram os grandes propriet\u00e1rios rurais brasileiros. A elite brasileira que participou do processo de independ\u00eancia desejava um sistema de governo independente, com alguns tra\u00e7os liberais, mas sem alterar a estrutura socioecon\u00f4mico interna que mantivera o colonialismo, ou seja, a escravid\u00e3o, o latif\u00fandio, a monocultura e a produ\u00e7\u00e3o para exporta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Sucess\u00e3o em Portugal<\/strong>\n\nAl\u00e9m disso, ap\u00f3s a morte de seu pai Dom Jo\u00e3o VI, em 1826, Dom Pedro envolve-se cada vez mais na quest\u00e3o sucess\u00f3ria em Portugal. Do ponto de vista portugu\u00eas, ele continua herdeiro da Coroa. Para os brasileiros, o imperador n\u00e3o tem mais v\u00ednculos com a antiga col\u00f4nia, porque, ao proclamar a Independ\u00eancia, havia renunciado \u00e0 heran\u00e7a lusitana. Depois de muita discuss\u00e3o, formaliza essa ren\u00fancia e abre m\u00e3o do trono de Portugal em favor de sua filha Maria da Gl\u00f3ria.\n\nAinda assim, a quest\u00e3o passa a ser uma das grandes bandeiras da oposi\u00e7\u00e3o liberal brasileira. Nos \u00faltimos anos da d\u00e9cada de 1820, esta oposi\u00e7\u00e3o cresce.\n\nO governante procura apoio nos setores portugueses instalados na burocracia civil-militar e no com\u00e9rcio das principais cidades do pa\u00eds.\n\n<strong>Incidentes pol\u00edticos graves, como o assassinato do jornalista oposicionista L\u00edbero Badar\u00f3 em S\u00e3o Paulo, em 1830, refor\u00e7am esse afastamento:<\/strong>\u00a0esse crime \u00e9 cometido a mando de policiais ligados ao governo imperial e Dom Pedro \u00e9 responsabilizado pela morte.\n\nSua \u00faltima tentativa de recuperar prest\u00edgio pol\u00edtico \u00e9 frustrada pela m\u00e1 recep\u00e7\u00e3o que teve durante uma visita a Minas Gerais na virada de 1830 para 1831.\n\nA inten\u00e7\u00e3o era costurar um acordo com os pol\u00edticos da prov\u00edncia, mas \u00e9 recebido com frieza. Alguns setores da elite mineira fazem quest\u00e3o de lig\u00e1-lo ao assassinato do jornalista.\n\nRevoltados, os portugueses instalados no Rio de Janeiro promovem uma manifesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica em desagravo ao imperador. Isso desencadeia uma retalia\u00e7\u00e3o dos setores antilusitanos.\n\nH\u00e1 tumultos e conflitos de rua na cidade. Dom Pedro fica irado e promete castigos. Mas n\u00e3o consegue sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e \u00e9 aconselhado por seus ministros a renunciar ao trono brasileiro.\n\nEle abdica em 7 de abril de 1831 e retorna a Portugal.\n\n<strong>O Decl\u00ednio do Primeiro Reinado<\/strong>\n\nOs tr\u00eas s\u00e9culos de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa deixaram como heran\u00e7a uma profunda crise econ\u00f4mica.\n\nEm meados de 1825, a Inglaterra exportava para o Brasil a mesma quantidade de mercadorias que exportava para todas as suas col\u00f4nias americanas.\n\nAs poucas manufaturas de tecidos e metal\u00fargicas existentes no Brasil arruinaram-se diante da concorr\u00eancia estrangeira.\n\nO Brasil perdeu uma boa parcela de seu mercado a\u00e7ucareiro diante da utiliza\u00e7\u00e3o da beterraba na produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar.\n\nA crise econ\u00f4mica agravava-se, ainda mais pela cobran\u00e7a de altos juros sobre os empr\u00e9stimos estrangeiros, pagos com a realiza\u00e7\u00e3o de novos empr\u00e9stimos.\n\nD. Pedro foi perdendo prest\u00edgio por n\u00e3o conseguir tirar o pa\u00eds da grave situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.conhecimentosgerais.com.br\/www.geocities.com\/members.tripod.com\/www.culturabrasil.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Primeiro Reinado, Per\u00edodo, Brasil, Hist\u00f3ria, D. 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