{"id":9975,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/periodo-regencial\/"},"modified":"2026-08-31T19:07:15","modified_gmt":"2026-08-31T19:07:15","slug":"periodo-regencial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/periodo-regencial\/","title":{"rendered":"Per\u00edodo Regencial"},"content":{"rendered":"\n<strong>Per\u00edodo Regencial &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nO<strong>\u00a0per\u00edodo da hist\u00f3ria brasileira<\/strong>\u00a0ap\u00f3s a abdica\u00e7\u00e3o de Pedro I em 1831 foi um per\u00edodo de ampla reforma e caos. Na aus\u00eancia de um monarca governante, a Assembleia Geral nomeou uma reg\u00eancia de tr\u00eas homens para governar at\u00e9 o filho de Dom Pedro atingir a idade de dezoito anos.\n\nSeu mandato foi caracterizado por um v\u00e1cuo pol\u00edtico e constitucional, governos inst\u00e1veis, subordina\u00e7\u00e3o do executivo ao legislativo, transfer\u00eancia do poder central para as assembleias provinciais e medidas liberais para criar uma forma federalista de governo.\n\nAs reformas promulgadas em 1834 reduziram o poder do executivo e do imperador e descentralizaram o governo. Os regentes perderam algumas prerrogativas do executivo e dos poderes moderadores, incluindo a capacidade de dissolver a C\u00e2mara dos Deputados e de conferir t\u00edtulos de nobreza, passando a subordinar-se ao legislativo. O Ato Adicional (1834) transferiu para as prov\u00edncias poderes at\u00e9 ent\u00e3o pertencentes ao governo central, aboliu o Conselho de Estado e as propriedades vinculadas e criou assembleias provinciais eleitas.\n\nA Guarda Nacional foi criada para contrabalan\u00e7ar o ex\u00e9rcito.\n\nAs reformas transformaram o governo central em sombra, eliminaram o centro de autoridade e legitimidade e estimularam as for\u00e7as centr\u00edfugas regionalistas.\n\n<strong>Seguiram-se v\u00e1rias revoltas e levantes, entre eles:\u00a0<\/strong>Cabanos\u2014Pernambuco e Alagoas (1835\u20131836); Cabanagem\u2014Par\u00e1 (1831\u20131833, 1835\u20131837); Balaiada (1838\u20131840); Sabinada\u2014Bahia (1838\u20131840); e Farroupilha \u2013 Rio Grande do Sul (1835-1845).\n\nA amea\u00e7a de anarquia resultante das pol\u00edticas liberais provocou um realinhamento das for\u00e7as pol\u00edticas empenhadas em restaurar a ordem e a autoridade do governo central.\n\nO retrocesso come\u00e7ou em 1837, durante a reg\u00eancia do l\u00edder conservador Pedro de Ara\u00fajo Lima, visconde de Olinda, com a aprova\u00e7\u00e3o, em maio de 1840, da Lei de Interpreta\u00e7\u00e3o, que retirava algumas prerrogativas dos governos provinciais, e de um projeto de altera\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Penal. C\u00f3digo de Procedimento para devolver ao controle central as nomea\u00e7\u00f5es policiais e judiciais.\n\nA crise de legitimidade pol\u00edtica continuou, no entanto, e em 1839 o pa\u00eds estava perto do caos e em perigo de dissolu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Lu\u00eds Alves de Lima E Silva, duque de Caxias, utilizou um n\u00facleo de oficiais leais (o Batalh\u00e3o Sagrado) \u00e0 frente da rec\u00e9m-criada Guarda Nacional para reprimir as rebeli\u00f5es. Apesar do sucesso da guarda, a ades\u00e3o antecipada de Pedro II foi vista como a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para restaurar a ordem e a legitimidade.\n\nEmbora os liberais tenham iniciado o movimento por sua maioria por suas pr\u00f3prias raz\u00f5es, o apoio p\u00fablico acabou influenciando os conservadores. Em 1841, Pedro II assumiu o trono aos 15 anos, encerrando assim a Reg\u00eancia.\n\n<strong>A Era da Reg\u00eancia, 1831-1840<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159672 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Period1-223x300.jpg\" alt=\"\" width=\"223\" height=\"300\" \/><strong>A Era da Reg\u00eancia, 1831-1840<\/strong><\/p>\nOs tr\u00eas regentes que governaram em nome do jovem imperador de 1831 a 1840 testemunharam um per\u00edodo de turbul\u00eancia enquanto fac\u00e7\u00f5es locais lutavam para ganhar o controle de suas prov\u00edncias e manter as massas na linha. Desesperado para enfraquecer os apelos radicais ao federalismo, republicanismo e hostilidade contra os portugueses, e para proteger contra os apelos contr\u00e1rios \u00e0 restaura\u00e7\u00e3o de Pedro I, a reg\u00eancia no Rio de Janeiro deu consider\u00e1vel poder \u00e0s prov\u00edncias em 1834.\n\nO\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0assumiu a apar\u00eancia de uma federa\u00e7\u00e3o de p\u00e1trias locais (centros aut\u00f4nomos de poder regional) com vago fidelidade ao governo do Rio de Janeiro, cuja fun\u00e7\u00e3o era defend\u00ea-los de ataques externos e manter a ordem e o equil\u00edbrio entre eles. A capacidade do governo para desempenhar essa fun\u00e7\u00e3o foi prejudicada, no entanto, pelos baixos or\u00e7amentos permitidos ao ex\u00e9rcito e \u00e0 marinha, e pela cria\u00e7\u00e3o de uma Guarda Nacional, cujos oficiais eram not\u00e1veis locais determinados a proteger os seus interesses privados e regionais.\n\nAs rebeli\u00f5es, motins e movimentos populares que marcaram os anos seguintes n\u00e3o surgiram tanto da mis\u00e9ria econ\u00f4mica quanto das tentativas de compartilhar a prosperidade decorrente da demanda do Atl\u00e2ntico Norte pelas exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.\n\nMuitos dos dist\u00farbios foram t\u00e3o fugazes que foram quase esquecidos. Por exemplo, s\u00f3 no Rio de Janeiro ocorreram cinco levantes em 1831 e 1832. Outras oito das mais famosas revoltas do per\u00edodo 1834-49 inclu\u00edram a participa\u00e7\u00e3o de pessoas de classe baixa, \u00edndios, negros livres e fugitivos e escravos, que \u00e9 respons\u00e1vel por sua repress\u00e3o muitas vezes feroz.\n\nOs objetivos republicanos eram evidentes em algumas dessas revoltas, como a Guerra dos Farrapos, tamb\u00e9m conhecida como Rebeli\u00e3o Farroupilha (1835-45), em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul. Outras, como a Cabanagem no Par\u00e1 em 1835-37, a Sabinada em Salvador em 1837-38, a Rebeli\u00e3o da Balaiada no Maranh\u00e3o em 1838-41, e as de Minas Gerais e S\u00e3o Paulo em 1842, foram impulsionadas simultaneamente pela sentimentos promon\u00e1rquicos. Tal agita\u00e7\u00e3o dissipa a no\u00e7\u00e3o de que a hist\u00f3ria da forma\u00e7\u00e3o do Estado no Brasil foi pac\u00edfica. Em vez disso, mostra o confronto entre o governo nacional e os p\u00e1trias estilha\u00e7ados, que continuaria em graus variados pelo pr\u00f3ximo s\u00e9culo.\n\nA morte de Pedro I por tuberculose em 1834 havia minado o impulso restauracionista e removido a cola que mantinha unidos aliados pol\u00edticos inquietos.\n\nCom a reg\u00eancia tentando suprimir revoltas simult\u00e2neas no Sul e no Norte, n\u00e3o poderia reafirmar facilmente sua supremacia sobre as demais prov\u00edncias. O Brasil poderia muito bem ter se separado naqueles anos.\n\n<strong>N\u00e3o o fez por tr\u00eas raz\u00f5es:<\/strong>\n\n<strong>Em primeiro lugar<\/strong>, os militares foram reorganizados como instrumento de unidade nacional sob a lideran\u00e7a de Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, que foi enobrecido como Duque de Caxias (Duque de Caxias) e que mais tarde seria proclamado Patrono do Ex\u00e9rcito Brasileiro.\n\n<strong>Em segundo lugar<\/strong>, o espectro da revolta dos escravos e da desintegra\u00e7\u00e3o social tornou-se muito real.\n\n<strong>E terceiro<\/strong>, a &#8220;vis\u00e3o do Brasil como uni\u00e3o de p\u00e1trias aut\u00f4nomos&#8221;, na frase de Roderick J. Barman, foi substitu\u00edda pela vis\u00e3o do Brasil como Estado-na\u00e7\u00e3o.\n\nEm vez de arriscar suas fortunas e vidas, as elites, ansiando por um foco de lealdade, identidade e autoridade, reuniram-se em torno do menino-imperador, que ascendeu ao trono em 18 de julho de 1841, aos quinze anos, em vez da idade constitucionalmente especificada de dezoito. Assim, o segundo imp\u00e9rio nasceu na esperan\u00e7a de que seria um instrumento de unidade nacional, paz e prosperidade.\n\n<strong>Per\u00edodo Regencial &#8211; O que foi<\/strong>\n\nSe por um lado o\u00a0<strong>Per\u00edodo Regencial<\/strong>\u00a0marcou ou o in\u00edcio da consolida\u00e7\u00e3o do Estado Nacional brasileiro, por outro, mergulhou o Imp\u00e9rio em uma s\u00e9rie de crises pol\u00edticas e confrontos revolucion\u00e1rios que amea\u00e7aram a ordem geral e colocaram em xeque o pr\u00f3prio regime mon\u00e1rquico.\n\nEm toda a Am\u00e9rica Latina, os Estados independentes rec\u00e9m \u2013 fundados se encontravam em enormes crises pol\u00edticas e econ\u00f4micas e em guerras civis, nesse panorama o Brasil n\u00e3o foi exce\u00e7\u00e3o, sem fundamentos econ\u00f4micos s\u00f3lidos e sem uma organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica est\u00e1vel, este encarou uma s\u00e9rie de revoltas separatistas na d\u00e9cada de 1830.\n\n<strong>A Reg\u00eancia<\/strong>\n\nEm 1831, quando o Imperador Pedro I abdicou d o trono do Brasil, desenhou \u2013 se um novo cen\u00e1rio pol\u00edtico. Os setores liberais s e fortaleceram, a final, eram ferrenhos opositores do centralismo pol\u00edtico que caracterizou o reinado de D. Pedro I. De acordo com a Constitui\u00e7\u00e3o de 1824, se o herdeiro do trono fosse menor de ida de, uma reg\u00eancia assumiria o governo em seu lugar at\u00e9 que ele completasse 18 anos. Dessa forma teve in\u00edcio um per\u00edodo de nove anos durante o qual o Brasil foi governado por Reg\u00eancias, essa \u00e9poca constitui uma das m ais agitadas da hist\u00f3ria do Brasil com a me a\u00e7as ao pr\u00f3prio regime mon\u00e1rquico e \u00e0 integridade territorial do pa\u00eds. Em virtude da instabilidade do per\u00edodo, come\u00e7ou a surgir desde 1837 a campanha da \u2013Maioridade, que viria a elevar ao trono D. Pedro de Alc\u00e2ntara em 1840.\n\n<strong>Historicamente o per\u00edodo Regencial \u00e9 dividido em duas grandes etapas:<\/strong>\n<blockquote><strong>1 \u00aa. A mar\u00e9 Liberal 1831 \u2013 1837 \u2013<\/strong>\u00a0Engloba as duas reg\u00eancias Trinas e a Una do Padre Diogo Feij\u00f3, caracterizada por uma nova postura dos pol\u00edticos moderados, interessados, em evitar excessos revolucion\u00e1rios e impedir a radicaliza\u00e7\u00e3o absolutista do pa\u00eds<strong>\n2 \u00aa. O Regresso Moderador 1837 \u2013 1840 \u2013<\/strong>\u00a0Engloba a Reg\u00eancia Una de Pedro Ara\u00fajo Lima, caracterizada pela ascens\u00e3o dos \u201cRegressistas\u201d ao poder, pela defesa intransigente da unidade territorial e da manuten\u00e7\u00e3o da ordem, e pela campanha da maioridade antecipada de Pedro II.<\/blockquote>\n<strong>Em linhas gerais, a s principais realiza\u00e7\u00f5es do Per\u00edodo Regencial foram:<\/strong>\n\n<strong>A Guarda N acional 1831 \u2013<\/strong>\u00a0Pol\u00edcia Civil entregue aos latifundi\u00e1rios (atrav\u00e9s de concess\u00e3o de patentes pelo governo ou da elei\u00e7\u00e3o dos oficiais, segundo o modelo eleitoral estabelecido em 1824) com o objetivo de aumentar a atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da elite agr\u00e1ria e contrabalan\u00e7ar o poder militar do ex\u00e9rcito, considerado perigosamente identificado com as camadas pobres da popula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>A promulga\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo do Processo Criminal &#8211; 1832\u00a0<\/strong>Esse C\u00f3digo visava a regulamenta\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica do Poder Judici\u00e1rio e \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o da aplica\u00e7\u00e3o da justi\u00e7a com o cargo de Juiz de Paz, maior autoridade judici\u00e1ria e policial municipal e eleita conforme o modelo eleitoral estabelecido em 1824.\n\n<strong>O Avan\u00e7o liberal 1831 \u2013 183 7\u00a0<\/strong>Nesse momento, Moderados e exaltados se aliaram e deram o tom do Avan\u00e7o liberal. O principal legado desse per\u00edodo foi o Ato Adicional de 1834, apesar de este ter sido feito em alian\u00e7a com os restauradores.\n\n<strong>O Ato Adicional de 1834 \u2013<\/strong>\u00a0Foi a primeira emenda \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1824, com ela os deputados eleitos para a C\u00e2mara, em 1833, fortaleceram o movimento liberal moderado. As propostas conservadoras e liberais radicais foram isoladas pela maioria moderada. A revis\u00e3o constitucional concedeu certa autonomia \u00e0s prov\u00edncias sem no entanto enfraquecer o poder central. Havia grande temor \u00e0 fragmenta\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio nacional e ao enfraquecimento do reino. Por isso, o Ato Adicional manteve intacto o Poder Moderador e a vitaliciedade do Senado, o que agradou aos setores conservadores.\n\n<strong>As duas mudan\u00e7as mais importantes trazidas pelo Ato foram:<\/strong>\u00a0a institui\u00e7\u00e3o da reg\u00eancia Una no lugar da Trina e a concess\u00e3o de amplos poderes para as Assembleias Provinciais legislarem em mat\u00e9ria civil, militar, pol\u00edtica e econ\u00f4mica.\n\n<strong>A s consequ\u00eancias do Ato Adicional de 1834:\u00a0<\/strong>Durante o Per\u00edodo Regencial, logo foi alterada a correla\u00e7\u00e3o das for\u00e7as pol\u00edticas.\n\n<strong>Havia em 1834, tr\u00eas partidos:\u00a0<\/strong>o dos restauradores, a favor da volta de Pedro I; o dos moderados, a favor do federalismo e do fim do Senado vital\u00edcio e o dos exaltados que defendiam, al\u00e9m das reformas dos moderados, reformas democratizantes. Os \u00e2nimos pol\u00edticos se acirram, inclusive com confrontos nas ruas. O equil\u00edbrio entre concentra\u00e7\u00e3o e divis\u00e3o do poder mostrou-se muito fr\u00e1gil, por isso, as revoltas provinciais, ao inv\u00e9s de recuarem, prosseguiram no mesmo ritmo.\n\nEnquanto isso, o novo regente, o padre Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3, eleito em 1835 para substituir a reg\u00eancia trina, n\u00e3o combateu as agita\u00e7\u00f5es com o vigor e a contund\u00eancia esperados. A tens\u00e3o pol\u00edtica e social s\u00f3 aumentava.\n\nO fantasma do separatismo ressurgia e, nesse contexto, os liberais moderados se dividiram entre \u201cprogressistas\u201d (a favor das medidas liberais do Ato Adicional ) e \u201cregressistas\u201d (contr\u00e1rios a elas).\n\nEstes \u00faltimos, diante do quadro de profunda agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social, fizeram coro com as for\u00e7as conservadoras em favor da centraliza\u00e7\u00e3o. Isolado, Feij\u00f3 acabou renunciando ao cargo.\n\nEm seu lugar assumiu o ministro da Justi\u00e7a, Pedro Ara\u00fajo Lima.\n\n<strong>Pedro Ara\u00fajo Lima \u2013<\/strong>\u00a0Sua reg\u00eancia ficou conhecida como o \u201cregresso conservador\u201d. Durante o mandato de Ara\u00fajo Lima, foi aprovada a Lei de Interpreta\u00e7\u00e3o do Ato Adicional, que fortaleceu o poder central e diminuiu a autonomia das prov\u00edncias imprimindo um passo atr\u00e1s em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s reformas de 1834. O regresso conservador, por\u00e9m, n\u00e3o conseguiu conter a rebeli\u00f5es locais, o que, lentamente, fortaleceu a tese de que o Brasil precisava de um novo imperador. Abria- se, assim, a porta para o golpe da maioridade.\n\n<strong>O Regresso conservador \u2013<\/strong>\u00a0O Ato Adicional deu margem para que estourasse uma s\u00e9rie de rebeli\u00f5es no per\u00edodo, o que fez com que parte dos moderados se aliasse aos restauradores contra o Ato Adicional formando o grupo dos regressistas. O s restauradores n\u00e3o exigiam mais a volta de D. Pedro I, visto que este havia morrido. Nesse quadro, em 1837, um regressista foi eleito dando in\u00edcio ao Regresso conservador, o Ato Adicional foi desfeito e teve in\u00edcio uma ampla repress\u00e3o \u00e0s revoltas regenciais.\n\n<strong>As rebeli\u00f5es regenciais \u2013<\/strong>\u00a0A independ\u00eancia oficial do Brasil frustrou grande parte da popula\u00e7\u00e3o, pois sedimentou a estrutura econ\u00f4mica e pol\u00edtica herdada da col\u00f4nia, pouco alterando a situa\u00e7\u00e3o das massas e, ao mesmo tempo, o centralismo autorit\u00e1rio pressionava tamb\u00e9m o sistema pol\u00edtico nas prov\u00edncias. De um lado, tinha- se a oportunidade perdida de democratizar a pr\u00e1tica pol\u00edtica, de outro, mantinha- se a insist\u00eancia em manter inalterado o instituto da escravid\u00e3o. Tal situa\u00e7\u00e3o, fez aflorar todo o anacronismo do Estado brasileiro, provocando v\u00e1rias rea\u00e7\u00f5es, d entre elas se encontram a Sabinada, na Bahia e a Farroupilha, no Rio Grande do Sul. Essas grandes rebeli\u00f5es eram contr\u00e1rias \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o; a o absolutismo; \u00e0 carestia; eram, muitas vezes, anti lusitanas; a favor das liberdades individuais e em muitas delas estava presente a quest\u00e3o social.\n\n<strong>A Cabanagem 1833 \u2013 183 6 \u2013<\/strong>\u00a0A quest\u00e3o da autonomia pol\u00edtica foi, desde a independ\u00eancia, a grande for\u00e7a motriz motivadora de diversos conflitos e revoltas no Brasil. Na prov\u00edncia do Par\u00e1, as p\u00e9ssima s condi\u00e7\u00f5es de vida das camadas mais baixas da popula\u00e7\u00e3o e a insatisfa\u00e7\u00e3o das elites locais representavam a crise de legitimidade sofrida pelos representantes locais do poder imperial. Al\u00e9m disso, a rela\u00e7\u00e3o conflituosa entre os paraenses e os comerciantes portugueses acentuava outro aspecto da tens\u00e3o s\u00f3cio \u2013 econ\u00f4mica da regi\u00e3o. E m 1832, um grupo armado impediu a posse do governador nomeado pela reg\u00eancia e exigia a expuls\u00e3o dos comerciantes portugueses da prov\u00edncia.\n\nNo ano seguinte o novo governador nomeado passou a administrar o Par\u00e1 de maneira opressiva e autorit\u00e1ria. Em 1835, um motim organizado pelos fazendeiro s prendeu e executou o governador. Os rebelados, tamb\u00e9m chamados de cabanos, instalaram um novo governo controlado pela elite agr\u00e1ria (conflito interna). Nessa nova etapa, um l\u00edder popular ascendeu entre os revoltosos.\n\nA sa\u00edda das elites do movimento causou o enfraquecimento da revolta. Tentando se aproveitar desta situa\u00e7\u00e3o, as autoridades imperiais enviaram tropas que retomaram o controle sobre Bel\u00e9m. No entanto, a ampla ades\u00e3o popular do movimento n\u00e3o se submeteu \u00e0 vit\u00f3ria imperial. Um ex\u00e9rcito de 3 mil homens retomou a capital e proclamou um governo republicano independente. No entanto, a falta de apoio pol\u00edtico de outra s prov\u00edncias e a carestia de recursos prejudicou a estabilidade da rep\u00fablica popular.\n\nSucessivas investidas militares imperiais foram enfraquecendo o movimento cabano. Entre 1837 e 1840, os conflitos no interior foram controlados. Este movimento ficou marcado por sua viol\u00eancia e estima- se que mais de 30 mil pessoas foram mortas no conflito.\n\nA Cabanagem encerrou a \u00fanica revolta regencial na qual os populares conseguiram, mesmo que por um breve per\u00edodo, sustentar um movimento de oposi\u00e7\u00e3o ao governo. A rea\u00e7\u00e3o dos cabanos partiu do interior, organizados e armados retomaram a capital e proclamaram a Rep\u00fablica e o desligamento da prov\u00edncia do restante do imp\u00e9rio. O termo Cabanagem se origina das humildes habita\u00e7\u00f5es cabanas\u00a0 na beira dos rios, nas quais vivia a popula\u00e7\u00e3o pobre, em particular ind\u00edgenas e mesti\u00e7os.\n\n<strong>A Farroupilha 1835 \u2013 18 45 \u2013<\/strong>\u00a0Tamb\u00e9m conhecida como a Guerra dos Farrapos, o movimento partiu basicamente da elite rio grandense, que se sentia prejudicada pela pol\u00edtica fiscal do Imp\u00e9rio.\n\nA base da economia ga\u00facha era a produ\u00e7\u00e3o da carne de charque, do couro e da erva \u2013 mate. Buscando aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o, o governo imperial aumentou muito a taxa\u00e7\u00e3o sobre estes e outros produtos sulistas.\n\nAl\u00e9m disso, havia no per\u00edodo um a quest\u00e3o militar, pois os sulistas consideravam- se preteridos na escolha dos cargos oficiais daqueles que combatiam nas guerras do per\u00edodo (Guerra da Cisplatina contra o Uruguai e a Argentina). E para completar o quadro, o Rio Grande do Sul mesmo sendo reconhecida como uma prov\u00edncia rica e estrat\u00e9gica, recebia poucos investimentos imperiais como a constru\u00e7\u00e3o estradas e a manuten\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os educacionais. Assim sendo, a elite agr\u00e1ria reclamava das altas taxa s de importa\u00e7\u00e3o do sal e da baixas taxas de importa\u00e7\u00e3o do charque. Em 1836, inconformados com o descaso das autoridades imperiais, um grupo liderado por Bento Gon\u00e7alves exigiu a ren\u00fancia do presidente da prov\u00edncia do Rio Grande do Sul. Em resposta \u00e0 invas\u00e3o feita na cidade de Porto Alegre, um grupo de defensores do poder imperial, conhecidos como chimangos, conseguiu controlar a situa\u00e7\u00e3o, em setembro de 1836 o s revolucion\u00e1rios venceram as tropas imperiais e proclamaram a funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica de Piratini ou Rep\u00fablica Rio grandense.\n\nCom a expans\u00e3o do movimento republicano, surgiram novas lide ran\u00e7as revolucion\u00e1rias e na regi\u00e3o de Santa Catarina foi fundada a Rep\u00fablica Juliana, que deveria confederar- se \u00e0 Rep\u00fablica Rio grandense.\n\nA s tropas imperiais conseguiram fazer frente aos revoltosos que devido \u00e0 participa\u00e7\u00e3o popular ficaram conhecidos como farrapos. Sob a lideran\u00e7a de Caxias, as for\u00e7as imperiais tentavam instituir a repress\u00e3o ao movimento. A Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha foi longa (1835 \u2013 1845) e contou com ampla mobiliza\u00e7\u00e3o devido \u00e0 sua origem elitista. Apesar da for\u00e7a do movimento, Caxias conseguiu suprimir a revolta em 1845, fazendo ampla anistia e concess\u00f5es aos revoltosos, inclusive com a nomea\u00e7\u00e3o dos farroupilhas ao Ex\u00e9rcito.\n\n<strong>A Revolta do Mal\u00eas 1835<\/strong>\n\nFoi uma revolta de escravos africanos ocorrida em Salvador, em 1835. O movimento envolveu cerca de 600 homens. Tratava- se, em sua maioria, de negros mu\u00e7ulmanos, em especial da etnia nag\u00f4, falantes da l\u00edngua iorub\u00e1. O nome da revolta teve sua origem na express\u00e3o \u201cmal\u00ea\u201d que significa mu\u00e7ulmano em iorub\u00e1. O primeiro alvo dos rebeldes foi a C\u00e2mara Municipal de Salvador, onde estava preso Pac\u00edfico Licutan, um dos mais populares l\u00edderes mal\u00eas, entretanto, a investida n\u00e3o obteve sucesso. Esse grupo de rebeldes se espalhou ent\u00e3o pelas ruas da cidade, convocando os outros escravos a se unirem a o grupo. Durante algumas horas, a revolta se expandiu por diversas regi\u00f5es de Salvador, ocorrendo confrontos violentos entre os revoltosos e as for\u00e7as policiais.\n\nOs mal\u00ea s foram duramente reprimidos. O medo de uma nova revolta se instalou durante muitos anos entre os habitantes livres de Salvador, bem como das demais prov\u00edncias brasileiras.\n\nPrincipalmente no Rio de Janeiro, sede do Imp\u00e9rio, os jornais noticiaram o ocorrido na Bahia.\n\n<strong>A Sabinada &#8211; 1837 \u2013 1838<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Sabinada<\/strong>\u00a0foi uma revolta feita por militares, integrantes da classe m\u00e9dia (profissionais liberais, comerciantes, etc) e rica da Bahia. A revolta se estendeu entre os anos de 1837 e 1838. Ganhou este nome, pois seu l\u00edder foi o jornalista e m\u00e9dico Francisco Sabino \u00c1lvares da Rocha Vieira.\n\nA\u00a0<strong>Sabinada<\/strong>\u00a0foi um movimento que eclodiu na Bahia e foi liderada pelo m\u00e9dico Francisco Sabino, por isso ficou conhecida como Sabinada.\n\nO principal objetivo da revolta era instituir uma rep\u00fablica Baiana enquanto o herdeiro do trono imperial n\u00e3o atingisse a maioridade legal.\n\nA principal causa da revolta foi a insatisfa\u00e7\u00e3o com as autoridades nomeadas pelo governo regencial para o comando do governo da Bahia. Os rebeldes os acusavam de serem desp\u00f3ticos e centralizadores.\n\nO estopim foi o recrutamento militar imposto pelo governo regencial para combater a Revolta dos Farrapos. Assim, em 1837, com o apoio de parte do ex\u00e9rcito da Bahia, os Sabinos tomaram v\u00e1rios quart\u00e9is e o poder em Salvador. No mesmo ano proclamam a chamada Rep\u00fablica Bahiense. O novo governo se instituiu em car\u00e1ter transit\u00f3rio at\u00e9 que o herdeiro do trono brasileiro, Dom Pedro II, chegasse \u00e0 maioridade. No \u00e2mbito social, a nova rep\u00fablica criada em solo baiano prometia conceder liberdade a todos os escravos que apoiassem o governo. Em resposta ao movimento, o governo regencial nomeou um novo governador e organizou um destacamento de for\u00e7as militares destinadas a dar fim ao levante. Ap\u00f3s bloquear as sa\u00eddas mar\u00edtimas de Salvador, as tropas do governo iniciaram o ataque terrestre. Entre os dias 13 e 15 de mar\u00e7o, as ruas de Salvador foram ocupadas pelas for\u00e7as regenciais que renderam os participantes da revolta.\n\nA\u00a0<strong>Sabinada<\/strong>\u00a0foi duramente reprimida. Prevalecia entre os revoltosos as camadas m\u00e9dias da popula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Causas:\u00a0<\/strong>Os revoltosos eram contr\u00e1rios \u00e0s imposi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e administrativas impostas pelo governo regencial. Estavam profundamente insatisfeitos com as nomea\u00e7\u00f5es de autoridades para o governo da Bahia, realizadas pelo governo regencial. O estopim da revolta ocorreu quando o governo regencial decretou recrutamento militar obrigat\u00f3rio para combater a Guerra dos Farrapos, que ocorria no sul do pa\u00eds.\n\n<strong>Objetivos:\u00a0<\/strong>Os revoltosos queriam mais autonomia pol\u00edtica e defendiam a institui\u00e7\u00e3o do federalismo republicano, sistema que daria mais autonomia pol\u00edtica e administrativa \u00e0s prov\u00edncias.\n\n<strong>A Balaiada 1838 \u2013 18 41<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Balaiada<\/strong>\u00a0foi uma importante revolta popular que explodiu na prov\u00edncia do Maranh\u00e3o entre os anos de 1838 e 1841. Nessa \u00e9poca, a economia agr\u00e1ria do Maranh\u00e3o atravessava grande crise. Sua principal riqueza, o algod\u00e3o, vinha perdendo pre\u00e7o no mercado internacional devido \u00e0 forte concorr\u00eancia do algod\u00e3o produz ido nos EUA, mais barato e de melhor qualidade que o produto brasileiro.\n\nQuem mais sofria as consequ\u00eancias dos problemas econ\u00f4micos do Maranh\u00e3o era a popula\u00e7\u00e3o pobre. Formada principalmente por vaqueiros, sertanejos e escravos, essa popula\u00e7\u00e3o enfrentava duras condi\u00e7\u00f5es de vida e se organizaram naquele momento de crise para lutar contra a mis\u00e9ria, a fome, a escravid\u00e3o e os maus- tratos.\n\nHavia tamb\u00e9m muita insatisfa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre a classe m\u00e9dia maranhense que formava o grupo dos bem \u2013 te \u2013 vis.\n\nE foram estes que iniciaram a revolta contra os grandes fazendeiros conservadores do Maranh\u00e3o e contaram com a ades\u00e3o dos sertanejos pobres.\n\n<strong>Os principais l\u00edderes populares da Balaiada foram:<\/strong>\u00a0Manuel Francisco dos Anjos Ferreira (fazedor de balaios, donde surgiu o nome balaiada); Cosme Bento das Chagas (chefe de um quilombo que reunia aproximadamente tr\u00eas mil negros fugitivos) e Raimundo Gomes (vaqueiro).\n\nA Balaiada n\u00e3o foi um movimento organizado, nem tinha um projeto pol\u00edtico definido. Mas apesar de desorganizados, os rebeldes conseguiram conquistar a cidade de Caxias, uma das mais importantes do Maranh\u00e3o na \u00e9poca. Como n\u00e3o havia clareza dos objetivos entre os l\u00edderes populares, ao assumir o governo o poder foi entregue aos bem \u2013 te \u2013 vis, que j\u00e1 estavam preocupados em conter a rebeli\u00e3o dos populares. Visando combater a revolta dos balaios, o governo enviou tropas comandadas pelo coronel Lu\u00eds Alves de Lima e Silva.\n\nNessa altura dos acontecimentos as camadas m\u00e9dias do Maranh\u00e3o (os bem \u2013 te \u2013 vis) j\u00e1 haviam abandonado os sertanejos e apoiavam as tropas governamentais.\n\nOs Balaios foram reprimidos com viol\u00eancia e a persegui\u00e7\u00e3o aos revoltosos s\u00f3 terminou em 1841, com a morte de cerca de 12 mil sertanejos e escravos.\n\n<strong>O Brasil \u201cPintado\u201d por Debret<\/strong>\n\n<strong>Debret<\/strong>\u00a0procurou demonstrar, com minuciosos detalhes e cuidados, a \u201cforma\u00e7\u00e3o\u201d do Brasil, especialmente no sentido cultural do povo. \u201cAo longo de suas p\u00e1ginas, Debret enfatiza o que considera os diferentes momentos da marcha da civiliza\u00e7\u00e3o no Brasil, os ind\u00edgenas e suas rela\u00e7\u00f5es com o homem branco, as atividades econ\u00f4micas e a presen\u00e7a marcante da m\u00e3o de obra escrava e, por fim, as institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e religiosas.\u201d Debret procurou resgatar particularidades do pa\u00eds e do povo. \u201cTraduzia, igualmente, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, a op\u00e7\u00e3o por privilegiar, no \u201cretrato\u201d dos povos, aspectos que n\u00e3o estivessem limitados \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edticas, mas que dessem testemunho da religi\u00e3o, da cultura e dos costumes dos homens.\u201d Esse desejo, em resgatar costumes e acontecimentos do passado brasileiro evidencia a import\u00e2ncia de sua estada ao Brasil durante 15 anos.\n\n<strong>O Per\u00edodo Regencial \u2013 1831 \u2013 1840<\/strong>\n\nToda a agita\u00e7\u00e3o pol\u00edtica do governo de\u00a0<strong>Dom Pedro I<\/strong>\u00a0culminou em sua r\u00e1pida sa\u00edda do governo durante os primeiros meses de 1831. Surpreendidos com a aus\u00eancia do governo, os deputados da Assembleia resolveram instituir um governo provis\u00f3rio at\u00e9 que Dom Pedro II, herdeiro leg\u00edtimo do trono, completasse a sua maioridade.\n\n\u00c9 nesse contexto de transi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que observamos a presen\u00e7a do Per\u00edodo Regencial.\n\nComo o sucessor de D. Pedro I tinha apenas 5 anos de idade, a Carta de 1824 previa a elei\u00e7\u00e3o de uma reg\u00eancia formada por tr\u00eas membros eleitos pela Assembleia Geral, composta pelo Senado e pela C\u00e2mara dos Deputados. Mas, no dia 7 de abril, os parlamentares estavam de f\u00e9rias. Por isso, os deputados e senadores que se encontravam no Rio de Janeiro elegeram uma reg\u00eancia provis\u00f3ria.\n\nEstendendo-se de 1831 a 1840, o governo regencial abriu espa\u00e7o para diferentes correntes pol\u00edticas. Os liberais, subdivididos entre moderados e exaltados, tinham posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas diversas que iam desde a manuten\u00e7\u00e3o das estruturas mon\u00e1rquicas at\u00e9 a formula\u00e7\u00e3o de um novo governo republicano. De outro lado, os restauradores\u00a0 funcion\u00e1rios p\u00fablicos, militares conservadores e comerciantes portugueses acreditavam que a estabilidade deveria ser reavida com o retorno de Dom Pedro I.\n\nEm meio a tantas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas, a falta de unidade entre os integrantes da pol\u00edtica nacional em nada melhorou o quadro pol\u00edtico brasileiro.\n\nAs mesmas diverg\u00eancias sobre a delega\u00e7\u00e3o de poderes pol\u00edticos continuaram a fazer da pol\u00edtica nacional um sin\u00f4nimo de disputas e instabilidade. Mesmo a a\u00e7\u00e3o reformadora do Ato Adicional, de 1834, n\u00e3o foi capaz de resolver os dilemas do per\u00edodo.\n\nUmas das mais claras consequ\u00eancias desses desacordos foram a s\u00e9rie de revoltas deflagradas durante a reg\u00eancia. A Sabinada na Bahia, a Balaiada no Maranh\u00e3o e a Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha na regi\u00e3o Sul foram todas manifesta\u00e7\u00f5es criadas devido a desordem que marcou todo o per\u00edodo regencial.\n\n<strong>Reg\u00eancia Trina Provis\u00f3ria (abril \u2013 julho de 1831):\u00a0<\/strong>Nicolau de Campos Vergueiro, Jos\u00e9 Joaquim de Campos (marqu\u00eas de Caravelas) e brigadeiro Francisco de Lima e Silva.\n\n<strong>Reg\u00eancia Trina Permanente (1831 \u2013 1834)<\/strong>\n\nBrigadeiro Francisco de Lima e Silva, os deputados Jos\u00e9 da Costa Carvalho e Jo\u00e3o Br\u00e1ulio Muniz.\n\nA figura de maior destaque nesse per\u00edodo foi o padre Feij\u00f3, ministro da Justi\u00e7a.\n\nEm 1834, com a modifica\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o pelo Ato Adicional, a reg\u00eancia trina foi transformada em una, devendo ser eleita pelo voto direto. Foi eleito Feij\u00f3 como regente uno.\n\n<strong>Reg\u00eancia de Feij\u00f3 (1835-1837)<\/strong>\n\nFeij\u00f3 n\u00e3o completou o mandato, renunciando em 1837, assumindo em seu lugar Ara\u00fajo Lima.\n\n<strong>Em 1836, Feij\u00f3 dizia o seguinte num discurso:<\/strong>\u00a0\u201cNossas institui\u00e7\u00f5es vacilam, o cidad\u00e3o vive receoso, assustado; o governo consome o tempo em v\u00e3s recomenda\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Seja ele responsabilizado pelos abusos e omiss\u00f5es:\u00a0<\/strong>dailhe, por\u00e9m, leis adaptadas \u00e0s necessidades p\u00fablicas; dai-lhe for\u00e7as, com que possa fazer efetiva a vontade nacional.\n\n<strong>O vulc\u00e3o da anarquia amea\u00e7a devorar o Imp\u00e9rio:<\/strong>\u00a0aplicai a tempo o rem\u00e9dio.\n\n<strong>Reg\u00eancia de Ara\u00fajo Lima (1837-1840)<\/strong>\n\n<strong>O Regresso Conservador<\/strong>\n\nTem fim com o Golpe da Maioridade.\n\nAs duas fases do per\u00edodo regencial. De 1831 a 1837, ainda sob o efeito da vit\u00f3ria contra a autocracia do imperador deposto, foram tomadas v\u00e1rias medidas liberais, caracterizando-se essa fase como do avan\u00e7o liberal.\n\n<strong>Por\u00e9m, em 1833 eclodiu a Cabanagem, uma vasta rebeli\u00e3o popular no Par\u00e1, \u00e0 qual se seguir\u00e3o outras, com a mesma gravidade:<\/strong>\u00a0a Guerra dos Farrapos ou Farroupilha no Rio Grande do Sul, a Revolta dos Escravos Mal\u00eas e a Sabinada, ambas na Bahia, e, por fim, a Balaiada, no Maranh\u00e3o.\n\nA eclos\u00e3o dessas revoltas e a perman\u00eancia do clima de agita\u00e7\u00e3o em todo o pa\u00eds iriam fortalecer o ideal conservador e centralista que, a partir de 1837, tomaria conta do pa\u00eds. Passou-se, assim, para a fase do regresso conservador.\n\n<strong>Avan\u00e7o Liberal<\/strong>\n\nA queda de D. Pedro I (7\/4\/1831) n\u00e3o trouxe, de imediato, a tranquilidade para a na\u00e7\u00e3o, que continuou mergulhada num clima de agita\u00e7\u00e3o revolucion\u00e1ria. Nas pra\u00e7as e nos jornais, discursos e artigos violentos e ofensivos semeavam a confus\u00e3o, aumentando a incerteza quanto ao futuro do pa\u00eds. No fim do m\u00eas de abril, entre os dias 27 e 30, explodiram novos conflitos entre brasileiros e portugueses.\n\nA inseguran\u00e7a reinante fez com que muitos comerciantes portugueses abandonassem o Rio de Janeiro e os comerciantes brasileiros suspendessem os seus neg\u00f3cios. Com a paralisia econ\u00f4mica, come\u00e7aram as demiss\u00f5es de empregados, que contribu\u00edram para tornar a situa\u00e7\u00e3o mais explosiva.\n\n<strong>Logo no in\u00edcio da reg\u00eancia, ocorreu um reagrupamento pol\u00edtico que deu origem a tr\u00eas correntes:<\/strong>\n<blockquote><strong>Os moderados ou chimangos, integrados pelos membros do partido brasileiro; os moderados eram favor\u00e1veis \u00e0s reformas e tinham em vista duas coisas:<\/strong>\u00a0o federalismo e o fim da vitaliciedade do Senado\nOs restauradores ou caramurus, constitu\u00eddos, em sua maioria, pelos antigos integrantes do \u201cpartido portugu\u00eas\u201d, mas agora refor\u00e7ado com a ades\u00e3o de membros do \u201cpartido brasileiro\u201d, como foi o caso de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio; os restauradores eram assim chamados por serem partid\u00e1rios do retorno de D. Pedro I ao trono\nOs exaltados, farroupilhas ou jurujubas, como ser\u00e3o conhecidos os que denominamos liberais radicais durante o Primeiro Reinado; al\u00e9m do federalismo e do fim da vitaliciedade do Senado, defendiam a democratiza\u00e7\u00e3o da sociedade.<\/blockquote>\nOs moderados (antigo \u201cpartido brasileiro\u201d) que formavam o agrupamento mais poderoso e que haviam sido diretamente beneficiados com a queda do imperador, tinham perdido o controle da situa\u00e7\u00e3o. Por isso, tomaram a iniciativa de estabelecer uma alian\u00e7a tempor\u00e1ria tanto com os exaltados quanto com os ultra-conservadores que formar\u00e3o o grupo dos restauradores.\n\nO instrumento dessa alian\u00e7a foi a Sociedade Defensora da Liberdade e da Independ\u00eancia Nacional, fundada em 28 de abril de 1831, no Rio de Janeiro, por Ant\u00f4nio Borges da Fonseca, um jornalista pertencente \u00e0 ala dos exaltados. Apesar de fundada por um exaltado, a Sociedade Defensora foi controlada pelos moderados, e no seu quadro dirigente havia representantes dos tr\u00eas grupos.\n\nAssim, foram eleitos para o Conselho Deliberativo, ao qual caberia dirigir a Sociedade Defensora, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio \u2013 futuro l\u00edder dos caramurus \u2013 e representantes dos moderados e dos exaltados.\n\nO ministro da Justi\u00e7a era o padre Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3, um l\u00edder moderado, empossado nesse cargo no dia 6 de julho de 1831. Assumiu o cargo somente depois da assinatura de um documento que lhe dava total autonomia para reprimir as agita\u00e7\u00f5es e outros poderes. Na pr\u00e1tica, tornou-se o homem forte da reg\u00eancia.\n\nNa crise de julho mencionada, Feij\u00f3 agiu com determina\u00e7\u00e3o, requisitando for\u00e7as de Minas e S\u00e3o Paulo para enfrentar os revoltosos. Mas n\u00e3o foi necess\u00e1rio.\n\nBastou as autoridades negarem o atendimento das exig\u00eancias para que as tropas rebeladas se recolhessem e o movimento fracassasse.\n\nContudo, havia ficado bastante claro que o governo regencial n\u00e3o poderia confiar nas tropas regulares. Partindo dessa constata\u00e7\u00e3o, foi criada a Guarda Nacional.\n\n<strong>Revoltas dos Mal\u00eas<\/strong>\n\n<strong>Salvador (prov\u00edncia da Bahia) 25 e 27 de janeiro de 1835<\/strong>\n\nOs principais personagens desta revolta foram os negros isl\u00e2micos que exerciam atividades livres, conhecidos como negros de ganho (alfaiates, pequenos comerciantes, artes\u00e3os e carpinteiros).\n\nLivres, mas sofriam discrimina\u00e7\u00e3o por serem negros e seguidores do islamismo.\n\nInsatisfeitos com a escravid\u00e3o africana, a imposi\u00e7\u00e3o do catolicismo e com a preconceito contra os negros. objetivo principal \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos escravos. Queriam tamb\u00e9m acabar com o catolicismo (religi\u00e3o imposta aos africanos desde o momento em que chegavam ao Brasil), o confisco dos bens dos brancos e mulatos e a implanta\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica isl\u00e2mica.\n\nOs soldados das for\u00e7as oficiais conseguiram reprimir a revolta.\n\nOs l\u00edderes foram condenados a pena de morte. Os outros revoltosos foram condenados a trabalhos for\u00e7ados, a\u00e7oites e degredo (enviados para a \u00c1frica).\n\nO governo local, para evitar outras revoltas do tipo, decretou leis proibindo a circula\u00e7\u00e3o de mu\u00e7ulmanos no per\u00edodo da noite bem como a pr\u00e1tica de suas cerim\u00f4nias religiosas.\n\nO termo mal\u00ea \u00e9 de origem africana (ioruba) e significa o mu\u00e7ulmano.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha &#8211; O que foi?<\/strong>\n\nTamb\u00e9m conhecida como Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha, A Guerra dos Farrapos foi um conflito regional contr\u00e1rio ao governo imperial brasileiro e com car\u00e1ter republicano.\n\nOcorreu na prov\u00edncia de S\u00e3o Pedro do Rio Grande do Sul, entre 20 de setembro de 1835 e 1 de mar\u00e7o de 1845.\n\n<strong>Causas:<\/strong>\n<blockquote>Descontentamento pol\u00edtico com o governo imperial brasileiro\nBusca por parte dos liberais por maior autonomia para as prov\u00edncias\nRevolta com os altos impostos cobrados no com\u00e9rcio de couro e charque, importantes produtos da economia do Rio Grande do Sul naquela \u00e9poca\nOs farroupilhas eram contr\u00e1rios a entrada (concorr\u00eancia) do charque e couro de outros pa\u00edses, com pre\u00e7os baratos, que dificultada o com\u00e9rcio destes produtos por parte dos comerciantes sulistas.<\/blockquote>\n<strong>Os desdobramentos do conflito<\/strong>\n\nEm setembro de 1835, os revolucion\u00e1rios, comandados por Bento Gon\u00e7alves, tomaram a cidade de Porto Alegre, for\u00e7ando a retirada das tropas imperiais da regi\u00e3o.\n\nPris\u00e3o do l\u00edder Bento Gon\u00e7alves em 1835. A lideran\u00e7a do movimento passa para as m\u00e3os de Ant\u00f4nio de Souza Neto.\n\nEm 1836, os farroupilhas obt\u00eam v\u00e1rias vit\u00f3rias diante das for\u00e7as imperiais.\n\nEm 11 de setembro de 1836 \u00e9 proclamada, pelos revoltosos, a Rep\u00fablica Rio-Grandense. Mesmo na pris\u00e3o, os farroupilhas declaram Bento Gon\u00e7alves presidente.\n\nNo ano de 1837, ap\u00f3s fugir da pris\u00e3o, Bento Gon\u00e7alves assume de fato a presid\u00eancia da rec\u00e9m-criada Rep\u00fablica Rio-Grandense.\n\nEm 24 de julho de 1839, os farroupilhas proclamam a Rep\u00fablica Juliana, na regi\u00e3o do atual estado de Santa Catarina.\n\n<strong>O fim do movimento<\/strong>\n\nEm 1842, o governo imperial nomeou Duque de Caxias (Luiz Alves de Lima e Silva) para comandar uma a\u00e7\u00e3o com objetivo de finalizar o conflito separatista no sul do Brasil.\n\nEm 1845, ap\u00f3s v\u00e1rios conflitos militares, enfraquecidos, os farroupilhas aceitaram o acordo proposto por Duque de Caxias e a Guerra dos Farrapos terminou.\n\nA Rep\u00fablica Rio-Grandense foi reintegrada ao Imp\u00e9rio brasileiro.\n\n<strong>Rep\u00fablica Bahiense<\/strong>\n\nCom o apoio de v\u00e1rios integrantes do ex\u00e9rcito, os revoltosos foram para as ruas e tomaram v\u00e1rios quart\u00e9is militares. No dia 7 de novembro de 1837, tomaram o poder em Salvador (capital).\n\nDecretaram a Rep\u00fablica Bahiense, que, de acordo com os l\u00edderes da revolta, deveria durar at\u00e9 D.Pedro II atingir a maioridade.\n\nO governo central, sob a reg\u00eancia de regente Feij\u00f3, enviou tropas para a regi\u00e3o e reprimiu o movimento com for\u00e7a total. A cidade de Salvador foi cercada e retomada. Muita viol\u00eancia foi usada na repress\u00e3o.\n\nCentenas de casas de revoltosos foram queimadas pelas for\u00e7as militares do governo.\n\nEntre revoltosos e integrantes das for\u00e7as do governo, ocorreram mais de 2 mil mortes durante a revolta. Mais de 3 mil revoltosos foram presos. Assim, em mar\u00e7o de 1838, terminava mais uma rebeli\u00e3o do per\u00edodo regencial.\n\n<strong>Guarda Nacional<\/strong>\n\nA Guarda Nacional foi criada pela lei de 18 de agosto de 1831, subordinada ao Minist\u00e9rio da Justi\u00e7a, ao mesmo tempo que se extinguiam as ordenan\u00e7as e mil\u00edcias subordinadas ao Minist\u00e9rio da Guerra.\n\nA Guarda Nacional era uma forma paramilitar, composta por cidad\u00e3os com renda anual superior a 200 mil-r\u00e9is, nas grandes cidades, e 100 milr\u00e9is nas demais regi\u00f5es.\n\nOrganizada por distrito, seus comandantes e oficiais locais eram escolhidos por elei\u00e7\u00e3o direta e secreta.\n\nFoi assim que o governo dos moderados equipou-se com uma forma repressiva fiel e eficiente.\n\nComo instrumento de poder da aristocracia rural, sua efici\u00eancia foi testada com sucesso em 1831 e 1832, no Rio de Janeiro e em Pernambuco, contra as rebeli\u00f5es populares.\n\n<strong>Novo reagrupamento pol\u00edtico:\u00a0<\/strong>progressistas e regressistas\n\nDesde o fracasso do golpe de julho de 1832, liderado por Feij\u00f3, ficara claro que os moderados j\u00e1 n\u00e3o formavam um bloco coeso e \u00fanico. Com a aprova\u00e7\u00e3o do Ato Adicional em 1834, a divis\u00e3o se consumou.\n\nOs que eram a favor do Ato Adicional come\u00e7aram a ser chamados de progressistas, e os que eram contra passaram a ser conhecidos como regressistas.\n\nEstes \u00faltimos aproximaram-se dos antigos restauradores e defendiam o centralismo, enquanto os primeiros eram favor\u00e1veis \u00e0 descentraliza\u00e7\u00e3o propiciada pelo Ato Adicional.\n\nMuitos dos moderados que haviam defendido as medidas liberais, que afinal se concretizaram, tomaram consci\u00eancia do perigo que representava aos seus interesses o enfraquecimento do poder central em \u00e9poca de crise como a que estavam vivendo.\n\nE o centralismo come\u00e7ou a ser visto com simpatia por alguns moderados, pois a morte de D. Pedro I e o fim do movimento restaurador haviam afastado definitivamente a amea\u00e7a de retorno do absolutismo.\n\nEnquanto isso, as explos\u00f5es populares estavam mostrando que o perigo real a ser enfrentado era a possibilidade da revolu\u00e7\u00e3o. O \u201cregresso\u201d conservador surgia assim como uma posi\u00e7\u00e3o claramente contrarrevolucion\u00e1ria e come\u00e7ou a ganhar fona a partir de 1834.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.encyclopedia.com\/www.vetorvestibular.com.br\/countrystudies.us\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Per\u00edodo Regencial, Brasil, In\u00edcio, Hist\u00f3ria, Reg\u00eancia, Fase, Brasileiro, Pol\u00edtica, Revolta, Reinado, O que foi, Per\u00edodo Regencial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9978,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-9975","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Per\u00edodo Regencial - 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