{"id":9877,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/"},"modified":"2026-08-31T19:06:22","modified_gmt":"2026-08-31T19:06:22","slug":"linguas-indigenas-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/linguas-indigenas-no-brasil\/","title":{"rendered":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil &#8211; Idiomas<\/strong>\n\n<strong>L\u00ednguas<\/strong>\u00a0que se desenvolveram no Brasil h\u00e1 milhares de anos, com total independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s tradi\u00e7\u00f5es culturais da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental.\n\nAtualmente existem cerca de 170\u00a0<strong>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil<\/strong>, faladas por aproximadamente 270 mil pessoas, concentradas sobretudo na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.\n\nAt\u00e9 hoje s\u00e3o conhecidos dois troncos ling\u00fc\u00edsticos (tupi e macro-j\u00ea), 12 fam\u00edlias que n\u00e3o pertencem a nenhum tronco (caribe, aruaque, araw\u00e1, guaicuru, nambiquara, txapakura, panu, catuquina, mura, tucano, mak\u00fa, yanom\u00e1mi), e dez l\u00ednguas isoladas, que n\u00e3o est\u00e3o agrupadas em nenhuma fam\u00edlia.\n\nA fam\u00edlia mais numerosa do tronco tupi \u00e9 a tupi-guarani, cujas l\u00ednguas (19 no total) s\u00e3o faladas por 33 mil \u00edndios, localizados em sua maioria nas \u00e1reas de floresta tropical e subtropical. Nessa fam\u00edlia, o guarani (15 mil falantes) e o tenetehara (6.776 falantes) destacam-se entre os demais idiomas.\n\nNo tronco macro-j\u00ea, a fam\u00edlia mais numerosa \u00e9 a j\u00ea, que compreende l\u00ednguas (8 no total) faladas principalmente nos campos de cerrado.\n\nAs mais populosas s\u00e3o a caingangue (10.426 falantes) e a xavante (4.413 falantes).\n\nOs outros idiomas que predominam no pa\u00eds s\u00e3o o tuc\u00fcna (18 mil falantes, l\u00edngua isolada); o macuxi (15.287 falantes, fam\u00edlia caribe); o terena (9.848 falantes, fam\u00edlia arauaque); e o yanom\u00e1m (6 mil falantes, fam\u00edlia yanom\u00e1mi).\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-159573 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lingua2.jpg\" alt=\"\" width=\"163\" height=\"214\" \/><strong>Urna funer\u00e1ria tupinamb\u00e1<\/strong><\/p>\n<strong>Influ\u00eancia na l\u00edngua portuguesa<\/strong>\n\nO portugu\u00eas sofreu grande influ\u00eancia das l\u00ednguas nativas, especialmente do tupinamb\u00e1, a l\u00edngua de contato entre europeus e \u00edndios.\n\nO tupinamb\u00e1 foi amplamente usado nas expedi\u00e7\u00f5es bandeirantes no sul do pa\u00eds e na ocupa\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia. Os jesu\u00edtas estudaram a l\u00edngua, traduziram ora\u00e7\u00f5es crist\u00e3s para a catequese e o tupinamb\u00e1 se estabeleceu como l\u00edngua geral, ao lado do portugu\u00eas, na vida cotidiana da col\u00f4nia.\n\nDesta l\u00edngua ind\u00edgena, o portugu\u00eas incorpora principalmente palavras referentes \u00e0 flora (como abacaxi, buriti, carna\u00faba, mandacaru, mandioca, capim, sap\u00e9, taquara, peroba, imbuia, jacarand\u00e1, ip\u00ea, cip\u00f3, pitanga, maracuj\u00e1, jabuticaba e caju), \u00e0 fauna (como capivara, quati, tatu, sag\u00fci, caninana, jacar\u00e9, sucuri, piranha, araponga, urubu, curi\u00f3, sabi\u00e1), nomes geogr\u00e1ficos (como Aracaju, Guanabara, Tijuca, Niter\u00f3i, Pindamonhangaba, Itapeva, Ita\u00fana e Ipiranga) e nomes pr\u00f3prios (como Jurandir, Ubirajara e Ma\u00edra). Em 1757, o tupinamb\u00e1 foi proibido por uma Provis\u00e3o Real.\n\nNessa \u00e9poca, o portugu\u00eas se fortaleceu com a chegada no Brasil de um grande n\u00famero de imigrantes vindos da metr\u00f3pole. Com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas do pa\u00eds, em 1759, o portugu\u00eas fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-159574 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lingua3.jpg\" alt=\"\" width=\"280\" height=\"209\" \/><strong>Cerim\u00f4nia tupinamb\u00e1<\/strong><\/p>\n<strong>Extin\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas<\/strong>\n\nEstima-se que antes da coloniza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia do Brasil o n\u00famero de\u00a0<strong>l\u00ednguas ind\u00edgenas<\/strong>\u00a0no pa\u00eds era mais do que o dobro do atual.\n\nTodas as l\u00ednguas que ainda existem correm s\u00e9rio risco de extin\u00e7\u00e3o devido ao pequeno contingente de falantes.\n\nA grande maioria da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena foi exterminada pelos colonizadores ou morreu v\u00edtima de epidemias decorrentes do contato com o homem branco.\n\nAtualmente um outro fator decisivo na extin\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas nativas \u00e9 a perda de territ\u00f3rios, que obriga os \u00edndios a migrarem para as cidades, abandonando as suas tradi\u00e7\u00f5es e modos de vida.\n\nA falta de documenta\u00e7\u00e3o e registros escritos que possibilitem o estudo das l\u00ednguas nativas tamb\u00e9m contribui para o seu desaparecimento.\n\nEntre as l\u00ednguas j\u00e1 extintas encontram-se o manitsaw\u00e1 e o xip\u00e1ya (ambas da fam\u00edlia juruna), na primeira metade do s\u00e9culo XX; as l\u00ednguas da fam\u00edlia camac\u00e3 (tronco macro-j\u00ea), no s\u00e9culo XX; e da fam\u00edlia pur\u00ed (tronco macro-j\u00ea), no s\u00e9culo XIX. A l\u00edngua kirir\u00ed (tronco macro-j\u00ea) extinguiu-se apesar de ter sido fartamente estudada e documentada no final do s\u00e9culo XVII. Os \u00faltimos membros dessa tribo, situada no norte da Bahia, s\u00f3 falam portugu\u00eas. As l\u00ednguas mais amea\u00e7adas atualmente s\u00e3o o maco (l\u00edngua isolada), com apenas um falante; o bar\u00e9 (fam\u00edlia aru\u00e1k), tamb\u00e9m com um; o umutina (fam\u00edlia bororo), com um falante; o apiac\u00e1 (fam\u00edlia tupi-guarani), com dois; o xet\u00e1 (fam\u00edlia tupi-guarani), com cinco falantes; o coai\u00e1 (l\u00edngua isolada), com sete falantes; o j\u00fama (tupi-guarani), com nove falantes; o katawix\u00ed (fam\u00edlia katukina), com 10 falantes; o parintint\u00edn (fam\u00edlia tupi-guarani), com 13 falantes; o carara\u00f4 (tronco macro-j\u00ea), com 26 falantes; e o saban\u00ea (fam\u00edlia nambikyara), com 20 falantes.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159575 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lingua4-300x195.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"195\" \/><strong>Barcos ind\u00edgenas em batalha<\/strong><\/p>\nAs reservas ind\u00edgenas s\u00e3o, atualmente, os principais locais de preserva\u00e7\u00e3o da cultura e das l\u00ednguas nativas brasileiras. As mais conhecidas s\u00e3o a dos Yanom\u00e1mi e o Parque Ind\u00edgena do Xingu. A primeira, localizada nos estados de Roraima e do Amazonas, \u00e9 uma das maiores em extens\u00e3o territorial, com 9.664.975 ha.\n\nConcentra 9.300 \u00edndios, que falam v\u00e1rias l\u00ednguas da fam\u00edlia yanom\u00e1mi (nin\u00e1m, sanum\u00e1, yanom\u00e1m e yanom\u00e1mi). No nordeste do Mato Grosso est\u00e1 o Parque Ind\u00edgena do Xingu. As 17 tribos que vivem no local evitam a extin\u00e7\u00e3o de suas l\u00ednguas, preservando entre elas o txucarram\u00e3e (fam\u00edlia j\u00ea), o caiabi (fam\u00edlia tupi-guarani), o kamayur\u00e1 (fam\u00edlia tupi-guarani), o txk\u00e3o (fam\u00edlia caribe) e o trumai (l\u00edngua isolada).\n\n<strong>As L\u00ednguas Ind\u00edgenas e sua rela\u00e7\u00e3o com seus universos s\u00f3cio-culturais<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159576 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Lingua5-300x202.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"202\" \/><strong>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil<\/strong><\/p>\nAt\u00e9 1.500, marco hist\u00f3rico da coloniza\u00e7\u00e3o, eram faladas no Brasil aproximadamente 1.300 l\u00ednguas ind\u00edgenas. Epidemias e doen\u00e7as contagiosas, guerras, ca\u00e7a aos escravos, campanhas de exterm\u00ednios, destrui\u00e7\u00e3o dos meios de subsist\u00eancia, redu\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios de ca\u00e7a, coleta e pesca, imposi\u00e7\u00e3o dos costumes estrangeiros, obrigando a uma assimila\u00e7\u00e3o for\u00e7ada, entre outros, levaram muitos povos ind\u00edgenas \u00e0 morte f\u00edsica e cultural.\n\nAtualmente, 180 l\u00ednguas s\u00e3o encontradas pelo territ\u00f3rio brasileiro, o que significa a destrui\u00e7\u00e3o de cerca de 85% dessa diversidade.\n\nApesar dessa viol\u00eancia hist\u00f3rica, ainda hoje h\u00e1 grupos inteiros que s\u00f3 falam a sua l\u00edngua ind\u00edgena materna. H\u00e1 alguns grupos bil\u00edngues, que falam o portugu\u00eas e a sua l\u00edngua ind\u00edgena. Hoje existem aproximadamente 216 povos ind\u00edgenas e alguns destes n\u00e3o possuem mais sua l\u00edngua materna e falam apenas o portugu\u00eas (cerca de 46 povos falam apenas o portugu\u00eas).\n\nAs l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras possuem grande import\u00e2ncia cultural e cient\u00edfica. Quando falamos da l\u00edngua de um povo, estamos tamb\u00e9m falando da sua cultura, hist\u00f3ria, percurso geogr\u00e1fico, cosmovis\u00e3o.\n\nA diversidade lingu\u00edstica existente no Brasil foi classificada de acordo com suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as.\n\nEste estudo sobre as l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras produz um conhecimento a respeito dos universos culturais desses povos.\n\nA cultura de um povo \u00e9 um conjunto de respostas que ele d\u00e1 \u00e0s experi\u00eancias pelas quais ele passa e aos desafios que lhe s\u00e3o feitos ao longo de sua hist\u00f3ria.\n\nE a l\u00edngua \u00e9 uma das mais importantes chaves para se iniciar o conhecimento sobre um povo.\n\nA l\u00edngua, assim como a cultura, tamb\u00e9m \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, ou seja, se forma junto com o povo e vai sendo moldada ao longo do tempo, passando por mudan\u00e7as e sendo, por isso, din\u00e2mica.\n\nUm povo pode crescer demograficamente, ter dificuldades com a alimenta\u00e7\u00e3o, abrigo, defesa, ou pode se dividir, tomando dire\u00e7\u00f5es diferentes.\n\nTais fatores v\u00e3o acarretando diversas experi\u00eancias de vida e respostas diferentes a estes desafios. Tudo isso pode contribuir para a diferencia\u00e7\u00e3o entre as l\u00ednguas.\n\nPelo grande n\u00famero de\u00a0<strong>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil<\/strong>, podemos deduzir que por aqui passaram muitos e muitos grupos humanos. Portanto, o conhecimento das l\u00ednguas ind\u00edgenas, suas semelhan\u00e7as e diferen\u00e7as, nos levam ao conhecimento das experi\u00eancias e aprendizados acumulados pelos povos que as falam.\n\nPara facilitar a compreens\u00e3o da classifica\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas, vejamos uma an\u00e1lise semelhante realizada com as l\u00ednguas que se originam do Latim.\n\n<strong>Na medida em que os povos latinos foram vivendo sua hist\u00f3ria e se estabelecendo em diferentes lugares, compondo e trilhando diferentes experi\u00eancias, o latim foi se modificando e criando as diversas l\u00ednguas<\/strong>: como o portugu\u00eas, o espanhol, o italiano e outras, agrupadas em \u201cfam\u00edlias lingu\u00edsticas\u201d.\n\nO Latim \u00e9 a origem comum de diversas fam\u00edlias lingu\u00edsticas e recebe o nome de \u201cTronco Lingu\u00edstico\u201d..\n\n<strong>Uma an\u00e1lise semelhante realizada com as l\u00ednguas que se originam do Latim: O mesmo processo aconteceu com as l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras, com um agravante:<\/strong>\u00a0a amarga hist\u00f3ria de invas\u00e3o do Brasil pelos colonizadores. Coloniza\u00e7\u00e3o esta que gerou n\u00e3o apenas o exterm\u00ednio de diversas etnias, mas tamb\u00e9m a assimila\u00e7\u00e3o aos usos, costumes e l\u00edngua dos colonizadores, que foi t\u00e3o violenta quanto o genoc\u00eddio aqui ocorrido.\n\nA maior parte das l\u00ednguas ind\u00edgenas se concentra na parte norte ou oeste do Brasil, pelo fato dos primeiros contatos terem acontecido na regi\u00e3o leste.\n\n<strong>Apenas quatro povos desta regi\u00e3o conseguiram conservar suas l\u00ednguas e suas culturas:<\/strong>\u00a0os Fulni-\u00f4 em Pernambuco, os Maxakali em Minas Gerais, os Xokleng em Santa Catarina e os Guarani que migram pelas regi\u00f5es litor\u00e2neas do sul e sudeste.\n\nA classifica\u00e7\u00e3o em Troncos e Fam\u00edlias Ind\u00edgenas Lingu\u00edsticas mais aceita pelos estudiosos foi a realizada pelo Professor Aryon Rodrigues (1986).\n\n<b>As l\u00ednguas ind\u00edgenas brasileiras s\u00e3o classificadas em dois troncos lingu\u00edsticos:<\/b>\u00a0o TUPI (com cerca de 10 fam\u00edlias lingu\u00edsticas) e o MACRO-J\u00ca (com aproximadamente 12 fam\u00edlias).\n\nE h\u00e1 ainda outras l\u00ednguas que n\u00e3o puderam ser agrupadas em troncos e foram consideradas por Rodrigues como fam\u00edlias lingu\u00edsticas de uma etnia apenas (10 l\u00ednguas que n\u00e3o se identificam com nenhum dos dois troncos).\n\nSeguindo este racioc\u00ednio, o Brasil tem cerca de trinta e cinco fam\u00edlias de l\u00ednguas ind\u00edgenas.\n\nO tronco Tupi \u00e9 o maior e o mais conhecido. Os povos ind\u00edgenas pertencentes a este tronco lingu\u00edstico se encontram dispersados geograficamente pelo territ\u00f3rio brasileiro, geralmente, em regi\u00f5es \u00famidas e com florestas ou no litoral.\n\nOs povos ind\u00edgenas constituintes do Tronco Macro-J\u00ea situam-se em regi\u00f5es de cerrado e caatinga que v\u00e3o desde o sul do Par\u00e1 at\u00e9 o sul do pa\u00eds.\n\nA vida dos povos ind\u00edgenas \u00e9 regulamentada por normas e tradi\u00e7\u00f5es e existe uma profunda liga\u00e7\u00e3o com o mundo sobrenatural, o mundo c\u00f3smico.\n\nOs mitos s\u00e3o narrativas que explicam a origem do mundo e dos seres para cada etnia. E os rituais s\u00e3o cerim\u00f4nias que marcam as v\u00e1rias fases da vida de um povo, como a gesta\u00e7\u00e3o, o nascimento, a passagem para a vida adulta, o casamento e a morte. Existem tamb\u00e9m rituais ligados \u00e0 planta\u00e7\u00e3o, \u00e0 colheita, \u00e0 ca\u00e7a e \u00e0 guerra.\n\nTodos estes momentos rituais s\u00e3o celebrados de acordo com as particularidades culturais de cada povo. Os rituais, a forma da aldeia, a maneira de celebrar a vida e a morte, entre outras caracter\u00edsticas possuem uma profunda liga\u00e7\u00e3o com as l\u00ednguas e o caminho hist\u00f3rico e geogr\u00e1fico percorrido pelos ind\u00edgenas. Sendo assim, o estudo das l\u00ednguas e sua classifica\u00e7\u00e3o, nos aproxima da compreens\u00e3o dos universos de sentido dos ind\u00edgenas em toda a sua diversidade.\n\n<strong>ASPECTOS DA HIST\u00d3RIA DAS L\u00cdNGUAS IND\u00cdGENAS DA AMAZ\u00d4NIA<\/strong>\n\n<strong>L\u00edngua, cultura e constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica<\/strong>\n\n<b>\u00c9 fato bem estabelecido e facilmente demonstr\u00e1vel que l\u00edngua, cultura e constitui\u00e7\u00e3o f\u00edsica, embora com frequ\u00eancia\u00a0historicamente associadas, s\u00e3o propriedades independentes nos seres humanos (veja-se, p. ex., F. Boas, Race, language, and culture, New York:<\/b>\u00a0<strong>Macmillan, 1940). Na Amaz\u00f4nia um bom exemplo \u00e9 o povo Kamayur\u00e1:\u00a0<\/strong>suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas externamente observ\u00e1veis s\u00e3o as mesmas de outros povos do Alto Xingu como os Waur\u00e1 ou os Kuik\u00faru, e sua cultura est\u00e1 completamente integrada no complexo cultural alto-xinguano, mas sua l\u00edngua \u00e9 a \u00fanica representante, nesse complexo, da fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica Tupi-Guaran\u00ed, que inclui um grande n\u00famero de povos amaz\u00f4nicos de l\u00ednguas estreitamente aparentadas, por\u00e9m f\u00edsica e culturalmente distintos dos Kamayur\u00e1.\n\n<strong>As l\u00ednguas amaz\u00f4nicas hoje:\u00a0<\/strong>quantidade e diversidade\n\nHoje s\u00e3o faladas na Amaz\u00f4nia cerca de 250 l\u00ednguas ind\u00edgenas, sendo que cerca de 150 em territ\u00f3rio brasileiro. Embora aparentemente altos, esses n\u00fameros s\u00e3o o resultado de um processo hist\u00f3rico &#8211; a coloniza\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia da Amaz\u00f4nia &#8211; que reduziu drasticamente a popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena nos \u00faltimos 400 anos.\n\nEstima-se que, s\u00f3 na Amaz\u00f4nia brasileira, o n\u00famero de l\u00ednguas e de povos teria sido de uns 700 imediatamente antes da penetra\u00e7\u00e3o dos portugueses (cf. Rodrigues 2001). Apesar da extraordin\u00e1ria redu\u00e7\u00e3o quantitativa, as l\u00ednguas ainda existentes apresentam consider\u00e1vel diversidade, caracterizando a Amaz\u00f4nia como uma das regi\u00f5es de maior diferencia\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica do mundo, com mais de 50 fam\u00edlias lingu\u00edsticas.\n\n<strong>O estudo comparativo e classificat\u00f3rio das l\u00ednguas:\u00a0<\/strong>as fam\u00edlias lingu\u00edsticas e os troncos lingu\u00edsticos\n\nO conhecimento cient\u00edfico das l\u00ednguas \u00e9 adquirido basicamente pela lingu\u00edstica descritiva, cujo objetivo \u00e9 documentar, analisar e descrever as l\u00ednguas, de modo a torn\u00e1-las objetos compar\u00e1veis, tanto para estudos classificat\u00f3rios, como para estudos te\u00f3ricos. As classifica\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas podem ser tipol\u00f3gicas ou gen\u00e9ticas.\n\nEstas \u00faltimas consistem em agrupar as l\u00ednguas em conjuntos para os quais se pode estabelecer uma bem fundada hip\u00f3tese de comum origem no passado.\n\nEsses agrupamentos gen\u00e9ticos s\u00e3o chamados fam\u00edlias lingu\u00edsticas e sua identifica\u00e7\u00e3o fornece um crit\u00e9rio classificat\u00f3rio de natureza hist\u00f3rica, que \u00e9 utilizado n\u00e3o s\u00f3 pelos linguistas, mas tamb\u00e9m pelos antrop\u00f3logos como indicativo de rela\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas entre os povos.\n\nO n\u00famero de l\u00ednguas numa fam\u00edlia pode variar de muitas dezenas a apenas uma. Fam\u00edlias com apenas uma l\u00edngua s\u00e3o frequentemente chamadas de l\u00ednguas isoladas ou isolados lingu\u00edsticos.\n\nNa Amaz\u00f4nia, como em toda a Am\u00e9rica do Sul, \u00e9 prov\u00e1vel que a maioria dos isolados lingu\u00edsticos representem sobreviventes de fam\u00edlias maiores, reduzidas durante o processo de coloniza\u00e7\u00e3o europeia.\n\nA constitui\u00e7\u00e3o de uma fam\u00edlia com diversas l\u00ednguas, o que \u00e9 o caso mais comum, implica em que houve em algum tempo do passado uma l\u00edngua ancestral, da qual as l\u00ednguas atuais s\u00e3o modifica\u00e7\u00f5es diferenciadas.\n\nA essa l\u00edngua ancestral, inferida e reconstru\u00edda a partir da compara\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas atuais, \u00e9 dado o nome de proto-l\u00edngua. Uma vez estabelecidas diversas fam\u00edlias lingu\u00edsticas, pode surgir evid\u00eancia de que algumas delas e suas respectivas l\u00ednguas ancestrais prov\u00eam de outra l\u00edngua ancestral, outra protol\u00edngua, mais antiga.\n\nA um conjunto de fam\u00edlias nessa situa\u00e7\u00e3o tem-se chamado de tronco lingu\u00edstico. Como todo procedimento classificat\u00f3rio, a classifica\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas em fam\u00edlias e troncos gen\u00e9ticos organiza nosso conhecimento sobre elas e sobre os povos que as falam.\n\n<strong>A reconstru\u00e7\u00e3o de tra\u00e7os culturais do passado<\/strong>\n\nS\u00e3o reconstru\u00edveis para as protol\u00ednguas as palavras e outros elementos lingu\u00edsticos que se encontram preservados em todas ou na maioria das l\u00ednguas de uma fam\u00edlia &#8211; ou das fam\u00edlias de um tronco &#8211; com forma e significado regularmente deriv\u00e1veis de uma s\u00f3 forma mais antiga.\n\nA compara\u00e7\u00e3o da palavra para faca nas l\u00ednguas da fam\u00edlia Tupi-Guaran\u00ed, p. ex., Tupinamb\u00e1 kys\u00e9, Guaran\u00ed antigo kyts\u00e9, Mby\u00e1 kytx\u00e9, Kaap\u00f3r kyh\u00e9, etc., leva \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o para o Proto-Tup\u00ed-Guaran\u00ed da forma *kytx\u00e9 com o mesmo significado de faca. Por a\u00ed podemos concluir que os falantes pr\u00e9-hist\u00f3ricos da proto-l\u00edngua da fam\u00edlia Tup\u00ed-Guaran\u00ed utilizavam facas como instrumentos cortantes, embora nada possamos dizer sobre a natureza de tais facas (\u00e9 poss\u00c3\u00advel que se tratasse de facas feitas de taquara, j\u00e1 que nas l\u00ednguas da fam\u00edlia Tupar\u00ed &#8211; aparentada com a fam\u00edlia Tup\u00ed-Guaran\u00ed dentro do tronco Tup\u00ed &#8211; a forma correspondente, kyt\u00e9 na l\u00edngua Tupar\u00ed, significa taquaral).\n\nA presen\u00e7a n\u00e3o amb\u00edgua de um conceito numa proto-l\u00edngua implica a exist\u00eancia da coisa correspondente, de modo que, ao reconstruir formas ling\u00fc\u00edsticas, estamos reconstruindo tamb\u00e9m fragmentos de cultura pr\u00e9-hist\u00f3rica. Na Amaz\u00f4nia, um caso particularmente interessante \u00e9 o da reconstru\u00e7\u00e3o de palavras relacionadas \u00e0 agricultura na proto-l\u00edngua do tronco Tupi.\n\nA compara\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas das dez fam\u00edlias que constituem esse tronco permite a reconstru\u00e7\u00e3o das palavras para \u2018ro\u00e7a\u2019, \u2018cavador de cova\u2019, \u2018mandioca\u2019, \u2018batata doce\u2019, \u2018car\u00e1\u2019, \u2018ab\u00f3bora\u2019, \u2018caba\u00e7a\u2019, \u2018socar\u2019 e outras que indicam claramente que o povo pr\u00e9-hist\u00f3rico que falava aquela l\u00edngua j\u00e1 era agricultor como seus descendentes modernos. Note-se que a idade estimada para o Proto-Tup\u00ed \u00e9 de cerca de 5.000 anos.\n\nSe essa estimativa estiver correta, temos um dado que refor\u00e7a outras informa\u00e7\u00f5es, menos claras do que essa, da antig\u00fcidade da agricultura na Amaz\u00f4nia e, particularmente, entre os povos Tup\u00ed.\n\n<strong>A fam\u00edlia Tup\u00ed-Guaran\u00ed e o tronco Tupi<\/strong>\n\nOs troncos ling\u00fc\u00edsticos, enquanto conjuntos de fam\u00edlias oriundas de uma mesma proto-l\u00edngua mais remota, podem ainda mostrar rela\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas com outros troncos ou com fam\u00edlias n\u00e3o classificadas em nenhum tronco, as quais podem no fundo ser consideradas como troncos com uma s\u00f3 fam\u00edlia. Dado o maior distanciamento gen\u00e9tico, os ind\u00edcios dessas rela\u00e7\u00f5es s\u00e3o muito mais\nraros e mais dif\u00edceis de perceber. Assim mesmo, no que toca ao tronco Tup\u00ed, foram detectados sinais de parentesco com a fam\u00edlia Kar\u00edb e com o tronco Macro-J\u00ea (Rodrigues 1985, 2000a). A fam\u00edlia Kar\u00edb \u00e9 tamb\u00e9m esse incialmente amaz\u00f4nica, estendendo-se do Alto Xingu \u00e0 costa do Mar Caribe, e a hip\u00f3tese de uma origem comum com o tronco Tup\u00ed n\u00e3o nos afasta da Amaz\u00f4nia.\n\nJ\u00e1 do tronco Macro-J\u00ea pode-se dizer que, ao contr\u00e1rio, \u00e9 tipicamente n\u00e3o amaz\u00f4nico, pois das doze fam\u00edlias nele inclu\u00eddas, apenas duas, Rikbakts\u00e1 e J\u00ea, t\u00eam l\u00ednguas dentro da Amaz\u00f4nia, mas esta \u00faltima, cujos povos s\u00e3o habitantes t\u00edpicos dos campos cerrados e dos campos do sul do Brasil, est\u00e1 representada na Amaz\u00f4nia por apenas tr\u00eas povos e as respectivas l\u00ednguas (Suy\u00e1, Pana r\u00e1 e Kayap\u00f3), que a\u00ed penetraram em \u00e9pocas relativamente recentes. Sendo as l\u00ednguas do tronco Macro-J\u00ea faladas por povos tipicamente n\u00e3o amaz\u00f4nicos, parentesco gen\u00e9tico entre elas e l\u00ednguas amaz\u00f4nicas como as do tronco Tupi, se confirmado, \u00e9 indicativo de movimentos populacionais para dentro ou para fora da Amaz\u00f4nia em tempos muito mais antigos que o da diversifica\u00e7\u00e3o do tronco Tup\u00ed.\n\n<strong>As l\u00ednguas n\u00e3o amaz\u00f4nicas da fam\u00edlia Tupi-Guaran\u00ed<\/strong>\n\n<strong>A constata\u00e7\u00e3o de que o tronco Tup\u00ed \u00e9 essencialmente amaz\u00f4nico d\u00e1 lugar a uma outra quest\u00e3o interessante: e as l\u00ednguas da fam\u00edlia Tup\u00ed-Guaran\u00ed situadas fora da Amaz\u00f4nia, na bacia dos rios Paran\u00e1 e Paraguai, como a Guarani, e na costa leste do Brasil, como a Tup\u00ed e a Tupinamb\u00e1?<\/strong>\n\nNa primeira metade do s\u00e9culo XX pensava-se que a fam\u00edlia Tup\u00ed-Guaran\u00ed fosse toda oriunda da bacia platina, do espa\u00e7o entre os rios Paran\u00e1 e Paraguai, e que da\u00ed tivesse penetrado na Amaz\u00f4nia. Essa concep\u00e7\u00e3o mudou com o avan\u00e7o dos conhecimentos lingu\u00edsticos e dos estudos arqueol\u00f3gicos.\n\nLinguistas e arque\u00f3logos concordam agora em que os antepassados dos Guarani devem ter passado dos formadores dos rios Tapaj\u00f3s e Madeira para o alto rio Paraguai e da\u00ed para o sul. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 ainda consenso entre arque\u00f3logos e linguistas quanto \u00e0 rota seguida pelos antepassados dos Tup\u00ed e Tupinamb\u00e1 da costa atl\u00e2ntica. A hip\u00f3tese levantada por alguns arque\u00f3logos (Lathrap 1980, Brochado 1984, Noelli 1996) \u00e9 a de que esses povos teriam deixado a Amaz\u00f4nia migrando para leste a partir do m\u00e9dio Amazonas, passando para a costa do Par\u00e1 e do Maranh\u00e3o e ocupando o litoral atl\u00e2ntico at\u00e9 \u00e0 altura do atual Estado de S\u00e3o Paulo.\n\n<b>Entretanto, uma hip\u00f3tese baseada em evid\u00eancias lingu\u00edsticas\u00a0(Rodrigues 2000) indica um caminho quase inverso:<\/b>\u00a0os antepassados dos Tup\u00ed e dos Tupinamb\u00e1 teriam deixado a Amaz\u00f4nia migrando para o sul, tal como os antepassados dos Guarani \u2013 n\u00e3o juntamente com estes, mas provavelmente um pouco antes deles \u2013 e teriam passado para o alto rio Paran\u00e1, a partir do qual teriam tomado um ou mais de seus grandes afluentes orientais, como o rio Grande e o Tiet\u00ea, que teriam subido at\u00e9 chegar \u00e0 Serra do Mar e ao litoral sueste. Os Tupi teriam ficado no alto Tiet\u00ea, na regi\u00e3o de Piratininga e de S\u00e3o Vicente, ao passo que os Tupinamb\u00e1 teriam alcan\u00e7ado, pelo Para\u00edba do Sul, o litoral do Rio de Janeiro, expandindo-se da\u00ed para o nordeste e o norte, at\u00e9 penetrar de novo na Amaz\u00f4nia pela costa do Maranh\u00e3o e do Par\u00e1. Independentemente dos Guaran\u00ed e dos Tup\u00ed e Tupinamb\u00e1, um terceiro povo Tup\u00ed-Guaran\u00ed, provavelmente mais pr\u00f3ximo destes do que daqueles, migrou para o sul, mas na altura do rio S\u00e3o Miguel, afluente do rio Mamor\u00e9, encaminhou-se para noroeste e reentrou na Amaz\u00f4nia, em sua parte sudoeste, na atual Bol\u00edvia.\n\nDescendentes dessa migra\u00e7\u00e3o s\u00e3o os Guarayo.\n\n<strong>As l\u00ednguas tupi-guarani do nordeste da Amaz\u00f4nia<\/strong>\n\nA regi\u00e3o, que se estende do baixo Xingu para leste, passando pelo Tocantins e indo at\u00e9 al\u00e9m do Gurupi, at\u00e9 o Pindar\u00e9 no Maranh\u00e3o, e que alcan\u00e7a para o norte o Amap\u00e1 e a Guiana Francesa, \u00e9 a que estou chamando aqui de nordeste da Amaz\u00f4nia. Essa \u00e9 uma regi\u00e3o que foi habitada por muitos povos de l\u00ednguas da fam\u00edlia Tupi-Guaran\u00ed, os quais sofreram fortes consequ\u00eancias da coloniza\u00e7\u00e3o europeia a partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XVII. V\u00e1rios desses povos desapareceram no decorrer desses 400 anos e de outros sobreviveram apenas poucas fam\u00edlias.\n\nAl\u00e9m das epidemias de novas doen\u00e7as, os principais fatores de destrui\u00e7\u00e3o dos povos e de apagamento de suas l\u00ednguas foram os aldeamentos for\u00e7ados para a doutrina\u00e7\u00e3o religiosa e para a utiliza\u00e7\u00e3o de sua for\u00e7a de trabalho, o recrutam ento para as tropas e as obras do governo colonial e a venda para o trabalho escravo nas propriedades rurais e nos incipientes estabelecimentos urbanos.\n\nAlguns conseguiram escapar da a\u00e7\u00e3o colonialista em certos momentos, para serem novamente alcan\u00e7ados ap\u00f3s poucos ou muitos anos. Um ou outro desses ca\u00edram de novo sob o controle dos n\u00e3o \u00edndios s\u00f3 na segunda metade do s\u00e9culo XX, como os Arawet\u00e9 e os Asurin\u00ed do baixo Xingu, os Parakan\u00e3 e os Asurin\u00ed do Tocantins, os Guaj\u00e1 do Maranh\u00e3o ou os Jo\u2019\u00e9 ou Zo\u2019\u00e9 do Cuminapanema, no norte do Par\u00e1.\n\n\u00c9 pela documenta\u00e7\u00e3o atual das l\u00ednguas destes sobreviventes da hecatombe colonial e p\u00f3s-colonial e pelos registros ling\u00fc\u00edsticos, ainda que limitados, de viajantes e pesquisadores do s\u00e9culo XIX e da primeira metade do s\u00e9culo XX, que sabemos n\u00e3o s\u00f3 que tal povo falava ou fala uma l\u00edngua da fam\u00edlia Tupi-Guaran\u00ed, mas ainda a que ramo mais particular desta essa l\u00edngua pertence, isto \u00e9, com que outras l\u00ednguas ela compartilha mais tra\u00e7os de heran\u00e7a comum.\n\n\u00c9 pelo estudo comparativo sistem\u00e1tico e minucioso desses dados que tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel para o linguista assegurar que os povos ind\u00edgenas desta regi\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o descendentes dos Tupinamb\u00e1 do Maranh\u00e3o e do Par\u00e1, como havia sido suposto por diversos antrop\u00f3logos em virtude de analogias culturais e do simples fato de que uns e outros s\u00e3o linguisticamente tupi-guaranis. A l\u00edngua Tupinamb\u00e1, da qual havia falantes aqui no Par\u00e1 ainda em meados do s\u00e9culo XVIII, pertence a um daqueles ramos da fam\u00edlia Tupi-Guaran\u00ed (o sub-conjunto III) que deixaram a Amaz\u00f4nia migrando para o sul em tempos pr\u00e9-hist\u00f3ricos e depois voltaram para o norte pela costa atl\u00e2ntica.\n\nEmbora n\u00e3o seja raro um povo mudar de l\u00edngua \u2013 com exce\u00e7\u00e3o dos Fulni\u00f4, os povos ind\u00edgenas do nordeste brasileiro falam hoje s\u00f3 a l\u00edngua portuguesa \u2013 as l\u00ednguas normalmente ficam ligadas aos povos por muitos s\u00e9culos, de modo que a hist\u00f3ria das l\u00ednguas reflete a hist\u00f3ria dos respectivos povos.\n\nAnteriormente dei a ideia de que a reconstru\u00e7\u00e3o de palavras de uma proto-l\u00edngua leva \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o de elementos da cultura pr\u00e9-hist\u00f3rica dos que falavam essa, mas, al\u00e9m disso, o estudo comparativo das l\u00ednguas permite obter mais informa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas sobre contatos havidos entre povos de diferentes l\u00ednguas e sobre as migra\u00e7\u00f5es que levaram um povo a entrar em contato com outros.\n\nO estado atual de nosso conhecimento sobre as l\u00ednguas tup\u00ed-guaran\u00ed revela, por exemplo, que tanto os povos dessa filia\u00e7\u00e3o hoje estabelecidos no Amap\u00e1, como os Wayamp\u00ed, e os que agora vivem no Maranh\u00e3o, como os Urubu-Ka\u2019ap\u00f3r, os Guajaj\u00e1ra e os Guaj\u00e1, s\u00e3o oriundos do Par\u00e1, os primeiros do baixo rio Xingu, os \u00faltimos do Tocantins.\n\nEm ambos os casos as evid\u00eancias ling\u00fc\u00edsticas corroboram indica\u00e7\u00f5es etnogr\u00e1ficas e hist\u00f3ricas.\n\nIndicadores ling\u00fc\u00edsticos da hist\u00f3ria recente dos povos tup\u00ed-guaran\u00ed no nordeste da Amaz\u00f4nia s\u00e3o palavras provenientes da L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica, as quais denunciam o contato desses povos com essa l\u00edngua no s s\u00e9culos XVII e XVIII, seja junto aos mamelucos, cafusos e brancos que a falavam mais que a portuguesa, seja em conseq\u00fc\u00eancia da a\u00e7\u00e3o de mission\u00e1rios cat\u00f3licos que tamb\u00e9m a utilizavam.\n\n<strong>A L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica<\/strong>\n\nUm aspecto hist\u00f3rico importante da Amaz\u00f4nia brasileira \u00e9 o desenvolvimento da L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica como produto da intera\u00e7\u00e3o entre os Portugueses e os Tupinamb\u00e1 no s\u00e9culo XVII.\n\nOs filhos de mesti\u00e7os de homens portugueses e mulheres tupinamb\u00e1, que logo passaram a constituir a maior parte da popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o ind\u00edgena da nova col\u00f4nia, falavam a l\u00edngua de suas m\u00e3es, a qual, fora do contexto social e cultural ind\u00edgena, foi-se diferen\u00e7ando mais e mais do Tupinamb\u00e1 falado pelos \u00edndios e no s\u00e9culo XVIII j\u00e1 se distinguia nitidamente como uma nova l\u00edngua.\n\nComo l\u00edngua dos mamelucos, tornou-se a l\u00edngua comum \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a e n\u00e3o mesti\u00e7a tanto nos incipientes n\u00facleos urbanos como nos estabelecimentos do interior amaz\u00f4nico, de modo que tamb\u00e9m passou a ser a l\u00edngua das miss\u00f5es religiosas, onde eram reunidos \u00edndios originalmente falantes de muitas outras l\u00ednguas.\n\nPor essa raz\u00e3o passou a ser tratada como l\u00edngua geral. Hoje n\u00f3s a chamamos L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica para distingui-la de outra, surgida em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1loga, na Prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo, a L\u00edngua Geral Paulista.\n\nNo final do s\u00e9culo XIX foi introduzido o nome Nheengatu, com o qual se designa alternativamente a L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica.\n\nA partir da segunda metade do s\u00e9culo XVII esta l\u00edngua passou a ser o idioma dominante na conquista portuguesa da Amaz\u00f4nia, levada a todas as partes atingidas pelas tropas, pelos colonos e comerciantes e pelos mission\u00e1rios. Como l\u00edngua dos colonizadores ela foi aprendida como segunda l\u00edngua pelos \u00edndios contatados ao sul e ao norte do rio Amazonas, e seu uso se estendeu pelo Solim\u00f5es at\u00e9 a Amaz\u00f4nia peruana e pelo Rio Negro at\u00e9 a Venezuela e a Col\u00f4mbia.\n\nEla foi, portanto, a l\u00edngua predominante do que foi o Estado do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o Par\u00e1, em detrimento da portuguesa, que s\u00f3 tardiamente veio a substitu\u00ed-la.\n\nA situa\u00e7\u00e3o de franco predom\u00ednio da L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica provocou fortes medidas em favor da l\u00edngua portuguesa na administra\u00e7\u00e3o do Marqu\u00eas do Pombal em Portugal e de seu irm\u00e3o Mendon\u00e7a Furtado aqui na Amaz\u00f4nia.\n\nEntretanto, os fatores sociais que mais favoreceram a penetra\u00e7\u00e3o e generaliza\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa na Amaz\u00f4nia, como a temos hoje, foram o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o falantes de l\u00edngua geral durante a repress\u00e3o \u00e0 revolta da Cabanagem e, alguns anos depois, a importa\u00e7\u00e3o maci\u00e7a para os seringais amaz\u00f4nicos de trabalhadores nordestinos, falantes exclusivos da l\u00edngua portuguesa. Mais recentemente, sobretudo no s\u00e9culo XX, um outro fator ter\u00e1 sido a crescente escolariza\u00e7\u00e3o unicamente em Portugu\u00eas.\n\nA presen\u00e7a extensiva da L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica durante mais de duzentos anos influenciou n\u00e3o s\u00f3 o Portugu\u00eas amaz\u00f4nico, mas tamb\u00e9m muitas l\u00ednguas ind\u00edgenas de outras fam\u00edlias, do tronco Tup\u00ed e de outras filia\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, como o Jur\u00fana do rio Xingu, o Maw\u00e9 e o Munduruk\u00fa do rio Tapaj\u00f3s, o Pirah\u00e3 (M\u00fara) do rio Madeira, o Tik\u00fana do rio Solim\u00f5es e l\u00ednguas da fam\u00edlia Kar\u00edb ao norte do rio Amazonas. Na bacia do rio Negro v\u00e1rias l\u00ednguas ind\u00edgenas foram inteiramente substitu\u00eddas pela L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica, como \u00e9 o caso da l\u00edngua dos Bar\u00e9, no munic\u00edpio de S\u00e3o Gabriel da Cachoeira.\n\nRealmente, a L\u00edngua Geral Amaz\u00f4nica foi a principal l\u00edngua da coloniza\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia nos s\u00e9culos XVII e XVIII, tendo se estendido para oeste at\u00e9 o limite com o Peru e para noroeste at\u00e9 as fronteiras com a Venezuela e a Col\u00f4mbia.\n\nA constitui\u00e7\u00e3o e a expans\u00e3o dessa l\u00edngua geral caracterizam um dos cap\u00edtulos mais importantes e mais interessantes da hist\u00f3ria lingu\u00edstica da Amaz\u00f4nia brasileira, uma hist\u00f3ria cujo estudo est\u00e1 apenas iniciado (Freire 1983, Rodrigues 1986, 1996, Cabral 2000, Felix 2002).\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.amazoe.org.br\/www.bibvirt.futuro.usp.br\/orbita.starmedia.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil, Povos, Cultura, Falada, Atualmente, Influ\u00eancia, Idiomas, Extin\u00e7\u00e3o, Amaz\u00f4nia, L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9883,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-9877","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil, Povos, Cultura, Falada, Atualmente, Influ\u00eancia, Idiomas, Extin\u00e7\u00e3o, Amaz\u00f4nia, L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-12-22T00:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-08-31T19:06:22+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"154\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"201\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"26 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"headline\":\"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-08-31T19:06:22+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/\"},\"wordCount\":5116,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/lingua1.jpg\",\"articleSection\":[\"Hist\u00f3ria do Brasil\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/\",\"name\":\"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/lingua1.jpg\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-08-31T19:06:22+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/lingua1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/lingua1.jpg\",\"width\":154,\"height\":201},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/linguas-indigenas-no-brasil\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\",\"name\":\"admin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"admin\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/author\\\/admin\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco","og_description":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil, Povos, Cultura, Falada, Atualmente, Influ\u00eancia, Idiomas, Extin\u00e7\u00e3o, Amaz\u00f4nia, L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_published_time":"2015-12-22T00:00:00+00:00","article_modified_time":"2026-08-31T19:06:22+00:00","og_image":[{"width":154,"height":201,"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"admin","Est. reading time":"26 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/"},"author":{"name":"admin","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"headline":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-08-31T19:06:22+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/"},"wordCount":5116,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg","articleSection":["Hist\u00f3ria do Brasil"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/","name":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-08-31T19:06:22+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#primaryimage","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg","contentUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/lingua1.jpg","width":154,"height":201},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/linguas-indigenas-no-brasil\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"L\u00ednguas Ind\u00edgenas no Brasil"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c","name":"admin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","caption":"admin"},"sameAs":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco"],"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/author\/admin\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9877","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9877"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9877\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9882,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9877\/revisions\/9882"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9883"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9877"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9877"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9877"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}