{"id":9864,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/"},"modified":"2026-08-31T19:06:14","modified_gmt":"2026-08-31T19:06:14","slug":"ligas-camponesas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/ligas-camponesas\/","title":{"rendered":"Ligas Camponesas"},"content":{"rendered":"\n<strong>Ligas Camponesas &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nV\u00e1rias ligas camponesas foram formadas ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial para defender os interesses de arrendat\u00e1rios e pequenos agricultores e trabalhadores rurais. Houve duas fases distintas de atividade da liga, uma (1945-1947) liderada pelo Partido Comunista Brasileiro (PCB) e outra (1955-1964) liderada por camponeses, estudantes e pol\u00edticos nordestinos. Quando foram suprimidas, as\u00a0<strong>Ligas Camponesas<\/strong>\u00a0alcan\u00e7aram notoriedade nacional e internacional.\n\nCom a liberaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica em 1945, o PCB estabeleceu ligas em todo o Brasil e as utilizou para cadastrar novos eleitores. Ao emancipar milhares de camponeses, muitos comunistas ganharam cargos eleitorais.\n\nEm 1947, o governo suprimiu o PCB e suas ligas foram dissolvidas. Em 1955, um ex-militante do PCB organizou a Sociedade Agr\u00edcola de Agricultores e Pecuaristas (SAPP) na fazenda Galil\u00e9ia, em Pernambuco.\n\nPara chamar a aten\u00e7\u00e3o do SAPP, os propriet\u00e1rios de terras o chamaram de &#8220;liga camponesa&#8221;, mas seu plano saiu pela culatra e dezenas de Ligas Camponesas se formaram em todo o estado e regi\u00e3o.\n\nAs ligas, chefiadas por Francisco Juli\u00e3o, alcan\u00e7aram reconhecimento nacional em 1960, quando obrigaram o governo estadual a dividir as terras da Galil\u00e9ia entre os camponeses.\n\nDedicada a uma pol\u00edtica de confisco de terras sem indeniza\u00e7\u00e3o em dinheiro aos propriet\u00e1rios, o apelo das Ligas Camponesas \u00e0 reforma agr\u00e1ria &#8220;pela lei ou pela for\u00e7a&#8221; tornou-se predominante no movimento oper\u00e1rio rural. Em 1962, as ligas se expandiram para treze dos vinte e dois estados do Brasil e criaram um jornal semanal, Liga. Numerosos grupos de estudantes, mulheres e soldados imitaram os camponeses chamando suas organiza\u00e7\u00f5es de &#8220;<strong>ligas<\/strong>&#8220;.\n\nO crescimento das ligas atingiu o pico em 1963, quando disputas internas fraturaram a organiza\u00e7\u00e3o. Uma estrutura descentralizada permitiu que alguns l\u00edderes locais enfatizassem a apropria\u00e7\u00e3o de terras, outros a organiza\u00e7\u00e3o sindical e ainda outros a rebeli\u00e3o armada. Quando as not\u00edcias das bandas de guerrilha da liga chegaram aos Estados Unidos, o governo Kennedy fez do Nordeste um caso de teste para os programas da Alian\u00e7a para o Progresso destinados a impedir a revolu\u00e7\u00e3o. O PCB e a Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m desafiaram as ligas. Isolados, foram reprimidos pelos militares em 1964.\n\n<strong>Ligas Camponesas &#8211; Movimento Social<\/strong>\n\nAs chamadas\u00a0<strong>ligas camponesas\u00a0<\/strong>constituem um movimento social brasileiro, surgido a partir da d\u00e9cada de 1950 no estado de Pernambuco.\n\nAtribui-se a cria\u00e7\u00e3o das\u00a0<strong>ligas camponesas<\/strong>\u00a0ao deputado federal pernambucano Franciso Juli\u00e3o (do Partido Socialista Brasileiro), que auxiliou os camponeses da primeira associa\u00e7\u00e3o a receber essa denomina\u00e7\u00e3o.\n\nAo longo da d\u00e9cada de 1940 j\u00e1 haviam surgido movimentos autodenominados \u201cligas\u201d no estado de Pernambuco, mas sem grande sucesso ou alcance.\n\n<b>Em 1954 se formou no engenho Galileia, da cidade de Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o, a Sociedade Agr\u00edcola e Pecu\u00e1ria de Plantadores de Pernambuco (SAPPP), com tr\u00eas fins espec\u00edficos:<\/b>\u00a0auxiliar os camponeses com despesas funer\u00e1rias\u00a0 evitando que os camponeses falecidos fossem literalmente despejados em covas de indigentes (\u201ccaix\u00e3o emprestado\u201d); fornecer assist\u00eancia m\u00e9dica, jur\u00eddica e educa\u00e7\u00e3o aos camponeses; e formar uma cooperativa de cr\u00e9dito capaz de livrar aos poucos o campon\u00eas do dom\u00ednio do latifundi\u00e1rio.\n\n<strong>No engenho Galil\u00e9ia trabalhavam cerca de 140 fam\u00edlias de camponeses em regime de foro:<\/strong>\u00a0em troca de cultivar a terra, deviam pagar uma quantidade fixa em esp\u00e9cie ao propriet\u00e1rio da terra.\n\n\u00c9 importante frisar que esse engenho j\u00e1 se encontrava em \u201cfogo morto\u201d, ou seja, inadequado para plantio de cana-de-a\u00e7ucar.\n\nA SAPPP at\u00e9 recebera apoio, no come\u00e7o, do propriet\u00e1rio do Galil\u00e9ia. Por\u00e9m aos poucos foi desgostando, e pressionando os camponeses para se desfazerem da liga; os camponeses resistiram, e com o apoio de Francisco Juli\u00e3o (que j\u00e1 havia se pronunciado a favor dos camponeses), institucionalizaram a associa\u00e7\u00e3o. No dia 1 de janeiro de 1955 a SAPPP passou a funcionar legalmente.\n\nA imprensa conservadora rapidamente chamou a SAPPP de \u201cliga\u201d, em associa\u00e7\u00e3o aos movimentos da d\u00e9cada anterior. Em 1959 a SAPPP conseguiu a desapropria\u00e7\u00e3o do engenho. Enquanto isso, o movimento espalhava-se pelo interior do estado, e a vit\u00f3ria dos galileus estimulou bastante as lideran\u00e7as camponesas a sonhar com uma reforma agr\u00e1ria. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1960, as ligas j\u00e1 se espalhavam por 13 estados brasileiros.\n\nPor\u00e9m, a instala\u00e7\u00e3o do regime ditadorial em 1964 acabou com o sonho campon\u00eas, pois as principais lideran\u00e7as das ligas foram presas e o movimento ferozmente perseguido. De certa maneira, pode-se considerar o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) como o sucessor das ligas camponesas\n\n<strong>Ligas Camponesas &#8211; Trabalhadores<\/strong>\n\nSurgem no estado de Pernambuco em 1956 como desdobramento de pequenas organiza\u00e7\u00f5es reivindicat\u00f3rias de plantadores e foreiros (esp\u00e9cie de diaristas) dos grandes engenhos de a\u00e7\u00facar da Zona da Mata.\n\nEm poucos anos, as\u00a0<strong>ligas camponesas<\/strong>\u00a0atuaram em mais de 30 munic\u00edpios e come\u00e7am a espalhar-se pelos estados vizinhos. Sob a lideran\u00e7a de Francisco Juli\u00e3o, deputado do Partido Socialista Brasileiro (PSB), as ligas obt\u00eam o apoio do Partido Comunista (PC) e de setores da Igreja Cat\u00f3lica.\n\nConseguem reunir milhares de trabalhadores rurais na defesa dos direitos do homem do campo e da reforma agr\u00e1ria, sempre enfrentando a repress\u00e3o policial e a rea\u00e7\u00e3o de usineiros e latifundi\u00e1rios.\n\nDurante o Regime Militar de 1964, Juli\u00e3o e seus principais l\u00edderes s\u00e3o presos e condenados.\n\nO movimento fica enfraquecido e desarticulado.\n\nA experi\u00eancia das\u00a0<strong>ligas camponesas<\/strong>\u00a0do Nordeste, com o lema \u201creforma agr\u00e1ria na lei ou na marra\u201d, influencia grupos que lutam pela justi\u00e7a social no campo e pela reforma agr\u00e1ria, como o atual Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).\n\n<strong>Ligas Camponesas &#8211; Origem<\/strong>\n\nOriginalmente surgidas com a organiza\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>camponeses<\/strong>\u00a0na Europa durante a Idade M\u00e9dia.\n\nNo<strong>\u00a0Brasil<\/strong>, as ligas camponesas s\u00e3o conhecidas como a associa\u00e7\u00e3o de trabalhadores rurais que se iniciou no Engenho Galil\u00e9ia, no Estado de Pernambuco, em 1955, a partir da reivindica\u00e7\u00e3o de caix\u00f5es para os camponeses mortos.\n\nO temor dos grandes propriet\u00e1rios acabou por hostilizar o movimento que, junto ao advogado e pol\u00edtico Francisco Juli\u00e3o, tornou-se um movimento de amplitude nacional pelos direitos \u00e0 terra, em defesa da Reforma Agr\u00e1ria.\n\n<strong>Ligas Camponesas &#8211; O que foram<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159560 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1-300x168.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"168\" \/><strong>Ligas Camponesas<\/strong><\/p>\nAs\u00a0<strong>Ligas Camponesas<\/strong>\u00a0surgiram no Brasil na d\u00e9cada de 60, como o movimento mais expressivo contra as rela\u00e7\u00f5es de trabalho, no campo e de luta pela Reforma Agr\u00e1ria.\n\nSurgiram no Nordeste Brasileiro, onde as condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o camponesa era de extrema pobreza e o avan\u00e7o da monocultura da cana-de-a\u00e7\u00facar provocava a expuls\u00e3o do homem do campo.\n\nNa Para\u00edba o movimento tomou for\u00e7a com a funda\u00e7\u00e3o das Ligas Camponesas de Sap\u00e9 e Mamanguape, nas quais, os trabalhadores rurais conseguiram a elimina\u00e7\u00e3o da rela\u00e7\u00e3o de trabalho considerada a mais cruel, o camb\u00e3o e a desapropria\u00e7\u00e3o de alguns latif\u00fandios.\n\nO objetivo deste trabalho \u00e9 organizar informa\u00e7\u00f5es sobre as Ligas Camponesas em Mamanguape e que essas informa\u00e7\u00f5es sirvam de subs\u00eddios para os movimentos sociais atuais da regi\u00e3o.\n\nEsta pesquisa teve como base te\u00f3rico-metodol\u00f3gica elementos hist\u00f3ricos e sociais, norteados pela pesquisa documental, pesquisa de campo e entrevistas. Foi uma pesquisa participante, pois sou membro dessa comunidade, atuando na organiza\u00e7\u00e3o da sociedade atrav\u00e9s de movimentos de base da cidade e do campo.\n\nMinha participa\u00e7\u00e3o em movimentos sociais, como a Consulta Popular motivou o estudo da Geografia Agr\u00e1ria e os problemas rurais enfrentados pelos homens\/mulheres do campo. Sou filho de trabalhadores rurais, isso fortaleceu a id\u00e9ia de pesquisar mais a fundo as Ligas Camponesas na Para\u00edba, em especial na Microrregi\u00e3o de Mamanguape.\n\nOs longos relatos, os hist\u00f3ricos da vida de importantes lideran\u00e7as foram fundamentais para ressaltar a import\u00e2ncia das Ligas Camponesas como experi\u00eancias rurais de resist\u00eancia ao modelo agr\u00e1rio de monoculturas e oligarquias exploradores.\n\nOs movimentos sociais no campo s\u00e3o fundamentais para o estudo da Geografia, mesmo os que j\u00e1 se encontram no passado. Levar esse material para o campo da Sociologia \u00e9 um dos meus interesses, pois entend\u00ea-los a luz dessa ci\u00eancia pode servir para analisar os movimentos atuais do campo como MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra do Brasil) e a CPT (Comiss\u00e3o Pastoral da Terra).\n\nEstes movimentos me ajudam a querer entender o passado de luta pela terra para quem nela trabalha.\n\nO nosso objeto de pesquisa se volta sobre as Ligas Camponesas no Vale do Mamanguape-PB. Essa \u00e1rea localiza-se no litoral Norte do Estado da Para\u00edba na chamada Zona-da-Mata Paraibana, na qual, a cana-de-a\u00e7\u00facar sempre foi a cultura dominante, atividade econ\u00f4mica que consolidou o processo de ocupa\u00e7\u00e3o. Da sua import\u00e2ncia, estabeleceu-se na \u00e1rea o sistema aristocr\u00e1tico rural s\u00f3 afetado com seu decl\u00ednio na primeira rep\u00fablica. Os engenhos foram cedendo espa\u00e7o para as grandes usinas que estabeleceram rela\u00e7\u00f5es concentradoras, duas ou tr\u00eas fam\u00edlias que passaram a controlar a economia canavieira do litoral no in\u00edcio do s\u00e9culo XX. (GALLIZA, 1993:42).\n\nNesse per\u00edodo, meados do s\u00e9c. XX, com a expans\u00e3o da cultura da cana, que ocorreram os conflitos e os movimentos mais expressivos de luta pela terra, pois para penetrar nas novas \u00e1reas de cultivo, a cana, encontrava como barreira a agricultura familiar de subsist\u00eancia praticada por posseiros, moradores e arrendat\u00e1rios, que ao sentirem as amea\u00e7as de serem expulsos do campo se organizaram em um expressivo movimento social, denominado de Ligas Camponesas.\n\n<strong>AS LIGAS CAMPONESAS NA PARA\u00cdBA<\/strong>\n\nAs\u00a0<strong>Ligas Camponesas<\/strong>\u00a0ganharam grande import\u00e2ncia nas \u00e1rea onde havia camponeses a serem expropriados devido \u00e0 expans\u00e3o da cultura da cana-de-a\u00e7\u00facar, como nos munic\u00edpios de Vit\u00f3ria de Santo Ant\u00e3o em Pernambuco, e Mar\u00ed e Sap\u00e9 na Para\u00edba\u2026 (ANDRADE, 1986:27).\n\nAs\u00a0<strong>Ligas Camponesas<\/strong>\u00a0rapidamente se difundiram por todo o Nordeste. E a Para\u00edba passou a ser um importante territ\u00f3rio de organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores rurais, em especial na zona-da-mata canavieira.\n\nEm Hist\u00f3ria e natureza das ligas camponesas (Wrublesk Aued, 2002:82) relata a exist\u00eancia de quinze Ligas na Para\u00edba.\n\n<strong>No depoimento de Jos\u00e9 Herm\u00ednio Dion\u00edsio:<\/strong>\u00a0(CONSULTA POPULAR, 2002:29): No inicio de 1958 foram fundadas as Ligas Camponesas de Sap\u00e9, onde foram filiados 227 camponeses.\n\nLemos (1996:31) descreve a funda\u00e7\u00e3o da Liga de Sap\u00e9 no m\u00eas de fevereiro de 1958. A associa\u00e7\u00e3o foi criada com o objetivo de prestar assist\u00eancia social e jur\u00eddica aos associados. Como veremos, foi a partir da\u00ed que a quest\u00e3o agr\u00e1ria ganhou maior significado para os trabalhadores rurais, que iam se familiarizando com seus direitos, a medida que se organizavam em suas respectivas ligas.\n\n<strong>Antecedentes hist\u00f3ricos das Ligas Camponesas na Para\u00edba<\/strong>\n\nNa Para\u00edba desde a d\u00e9cada de 1930 a organiza\u00e7\u00e3o popular tem se destacado no cen\u00e1rio pol\u00edtico, o povo protestando contra a influ\u00eancia dos coron\u00e9is na pol\u00edtica. (MARTINS, 1986:64).\n\nEm 1960 a realidade paraibana n\u00e3o era diferente da do Nordeste, concentrava 65,5% da sua popula\u00e7\u00e3o no campo e o meio de sobreviv\u00eancia da maior parte da popula\u00e7\u00e3o era o cultivo de lavoura de subsist\u00eancia como milho, feij\u00e3o, fava, mandioca, inhame, etc.\n\n<strong>Para se ter uma id\u00e9ia, no munic\u00edpio de Sap\u00e9 a popula\u00e7\u00e3o era distribu\u00edda da seguinte forma:\u00a0<\/strong>70% era composto de moradores, 15% de rendeiros e foreiro, 10% de trabalhadores urbanos e 5% de outras categorias, (LEMOS, 1996:32).\n\nEssa regi\u00e3o de Sap\u00e9 era marcada por dom\u00ednio de engenhos, usina e uma massa de trabalhadores pobres sem acesso a terra nem \u00e0 renda, fazendo com que buscasse apoio na pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o, at\u00e9 porque a regi\u00e3o f\u00e9rtil propiciava uma agricultura de subsist\u00eancia e que terminava sendo dividida com os propriet\u00e1rios de terra, pois ser morador, meeiro, rendeiro ou foreiro n\u00e3o dava condi\u00e7\u00e3o de posse para estes agricultores que se sentiam, explorados pelas rela\u00e7\u00f5es de trabalho impostas e pelo sistema agr\u00e1rio adotado.\n\nEles que trabalhavam a terra n\u00e3o tinham direitos sobre ela e ainda perdiam parte do que produziam para os grandes propriet\u00e1rios, sem falar nas obriga\u00e7\u00f5es de trabalhar dias seguidos na cana-de-a\u00e7\u00facar e n\u00e3o receber sal\u00e1rio.\n\nO sistema morador \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o em que o trabalhador rural que mora na fazenda recebe um espa\u00e7o para construir uma casa de taipa e, para ter direito a plantar um ro\u00e7ado para obter alimento, ele tem que trabalhar dias gratuitos para o propriet\u00e1rio, essa rela\u00e7\u00e3o \u00e9 denominada de camb\u00e3o que podia ser dois, tr\u00eas e at\u00e9 quatro dias a disposi\u00e7\u00e3o do propriet\u00e1rio. (LEMOS, 1996:22)\n\n<strong>O rendeiro era o campon\u00eas que n\u00e3o tinha terra ou pouca terra, n\u00e3o morava na fazenda:<\/strong>\u00a0ou morava na cidade ou em uma terra insuficiente para produzir o necess\u00e1rio, arrendava um peda\u00e7o de terra ao fazendeiro e pagava o arrendamento em dinheiro ou pagava em produto, quando o pagamento era feito em produto a rela\u00e7\u00e3o era denominada de parceria e o produtor entregava meia ou a ter\u00e7a parte da produ\u00e7\u00e3o ao propriet\u00e1rio, j\u00e1 o foreiro era o agricultor que morava na fazenda, plantava o ro\u00e7ado e pagava o arrendamento em dinheiro ou produto.\n\nNas usinas n\u00e3o era permitido ao morador plantar e, os sal\u00e1rios eram pagos em vales, submetendo o morador a comprar alimentos no barrac\u00e3o a pre\u00e7os exorbitantes, produtos de m\u00e1 qualidade; tamb\u00e9m era proibido o plantio de frutas e a cria\u00e7\u00e3o de animais. Nas terras arrendadas para o plantio de algod\u00e3o a explora\u00e7\u00e3o se agravava. O produtor al\u00e9m de pagar o camb\u00e3o, na colheita, era obrigado a entregar ao propriet\u00e1rio da terra metade ou a ter\u00e7a parte da produ\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O campon\u00eas geralmente vendia sua produ\u00e7\u00e3o antecipada e quando colhia, que vendia ao propriet\u00e1rio, era lesado no peso:<\/strong>\u00a0para a pesagem do algod\u00e3o eram usadas pedras como medida.\n\nJ\u00e1 os assalariados eram contratados para realizar tarefas esses trabalhadores eram supervisionados pelo feitor, ou cabo, pessoa de confian\u00e7a do propriet\u00e1rio.\n\nA medi\u00e7\u00e3o da tarefa realizada no dia era feita com uma vara que media 220 metros (uma bra\u00e7a), ao realizar uma tarefa que medisse 12 x 13 bra\u00e7as, o trabalhador teria trabalhado uma conta. S\u00f3 que ao medir, o feitor n\u00e3o deixava a vara cair ao ch\u00e3o, media colocando uma ponta da vara no ch\u00e3o e caminhando, colocava a outra ponta adiante, diminuindo o tamanho da \u00e1rea trabalhada, causando preju\u00edzo ao trabalhador, essa pr\u00e1tica era chamada de pulo da vara. (LEMOS, 1996:24)\n\nSegundo Lemos (1996:19) a luta na Para\u00edba se diferencia da de Pernambuco, porque l\u00e1 a luta era mais forte na zona canavieira e reivindicava a extens\u00e3o dos direitos trabalhistas aos trabalhadores das usinas e fornecedores de cana, enquanto que na Para\u00edba a luta teve como reivindica\u00e7\u00e3o principal o direito de plantar e colher nas terras arrendadas e a elimina\u00e7\u00e3o do camb\u00e3o.\n\nA explora\u00e7\u00e3o sobre os camponeses aumentava \u00e0 medida que os produtos agr\u00edcolas brasileiros eram valorizados no mercado externo. Antes da valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos brasileiros, os fazendeiros, propriet\u00e1rios de grandes latif\u00fandios arrendaram as terras para trabalhadores sem terra, era vantagem para o propriet\u00e1rio arrendar, pois devido aos baixos pre\u00e7os dos produtos, o lucro n\u00e3o compensava o \u00f4nus de produzir em grandes extens\u00f5es, mas logo que havia a recupera\u00e7\u00e3o dos pre\u00e7os, os propriet\u00e1rios n\u00e3o hesitavam em expandir o cultivo da monocultura, e, a primeira medida era tirar do agricultor o direito de colher o que havia plantado, destruindo as lavouras e expulsando os camponeses. Na Para\u00edba as principais culturas a se expandir foram, a cana-de-a\u00e7\u00facar, o algod\u00e3o e a pecu\u00e1ria.\n\n<strong>Para se ter uma id\u00e9ia da expans\u00e3o da cana-de-a\u00e7\u00facar, entre 1931 e 1948 foram instaladas, s\u00f3 no vale do Rio Mamanguape, quatro grandes usinas:<\/strong>\u00a0Monte Alegre, Santa Maria, S\u00e3o Francisco e Tanque, uma no litoral e tr\u00eas no Brejo.\n\nPara conseguir remover do campo a grande massa de camponeses, os fazendeiros n\u00e3o foram favorecidos apenas pela boa condi\u00e7\u00e3o da agricultura, mas principalmente porque a oligarquia rural controlava a pol\u00edtica a ponto de, na Para\u00edba, o poder permanecer por v\u00e1rios anos concentrados nas m\u00e3os de apenas cinco grupos pol\u00edticos, extremamente poderosos e violentos.\n\n<strong>Esses grupos estavam assim distribu\u00eddos:\u00a0<\/strong>Grupo Ribeiro Coutinho, propriet\u00e1rio de quatro usinas, emissoras de r\u00e1dio, jornais, ind\u00fastrias, estabelecimentos Comerciais e bancos.\n\nEsse grupo mantinha um membro da fam\u00edlia permanentemente no congresso Nacional, al\u00e9m de cinco Deputados Estaduais, Secret\u00e1rios de estado, prefeitos e vereadores em v\u00e1rios munic\u00edpios(LEMOS:1996:27).\n\nOutro grupo \u00e9 a fam\u00edlia Lundgren, fam\u00edlia Su\u00edssa, propriet\u00e1ria de todas as casas e toda a terra do munic\u00edpio de Rio Tinto, metade das terras do munic\u00edpio de Mamanguape e propriet\u00e1ria das antigas casas Pernambucanas, casas Paulistas e da Companhia de Tecidos de Rio Tinto, elegiam deputados na Para\u00edba e Pernambuco. (LEMOS, 1996:28)\n\n<strong>Os grupos mais violentos eram:<\/strong>\u00a0os Ribeiros Coutinho e os Veloso Borges, situados em Santa Rita, propriet\u00e1rio de f\u00e1bricas e usinas, sendo Agnaldo Veloso Borges, Pedro Ramos Coutinho e Antonio Jos\u00e9 Tavares acusados de serem os mandantes do assassinato do l\u00edder Jo\u00e3o Pedro Teixeira. (LEMOS, 1996:55)\n\nAguinaldo Veloso Borges, sexto suplente de deputado na coliga\u00e7\u00e3o UDN-PL, junto com o governador Jo\u00e3o Agripino Filho, numa trama esp\u00faria, fez com que os cinco suplentes anteriores se ausentassem e ele assumisse o mandato para adquirir imunidade. (LEMOS, 1996:87)\n\nGrupo Fernandes de Lima, propriet\u00e1rio da Usina Monte Alegre, por mais de quarenta anos, Jos\u00e9 Fernandes de Lima se elegeu para Deputado, chegou a ser governador da Para\u00edba. (LEMOS, 1996:29)\n\nEssas oligarquias controlavam a ferro e fogo os eleitores de sua regi\u00e3o, no per\u00edodo eleitoral confinavam os moradores em suas fazendas para evitar o contato deles com outros candidatos.\n\nNo dia da elei\u00e7\u00e3o os eleitores eram transportados at\u00e9 a cidade nos transportes da fazenda ou da usina e na cabine de vota\u00e7\u00e3o o eleitor era acompanhado por um capanga, para que o eleitor n\u00e3o votasse no candidato que n\u00e3o fosse indicado pelo grupo. Os camponeses eram controlados sob amea\u00e7as, pois o eleitor que n\u00e3o votasse no candidato era submetido a castigos insuport\u00e1veis.\n\n<strong>Lemos (1996:24-25) descreve o caboc\u00f3 como sendo:\u00a0<\/strong>a v\u00edtima colocada num tanque escuro, com \u00e1gua na altura da boca. A vitima ficava longo tempo naquela situa\u00e7\u00e3o, misturando urina e fezes na \u00e1gua, at\u00e9 que na emin\u00eancia de afogamento, resolviam retira-lo. (Ibid.:25)\n\nIsso mostra o quanto os dispositivos de poder est\u00e3o em todas as inst\u00e2ncias e se apodera de todos os meios para controlar os trabalhadores rurais, que al\u00e9m de n\u00e3o possuir o b\u00e1sico para a sua sobreviv\u00eancia no campo, que seria a terra, estes tamb\u00e9m eram expropriados da liberdade pol\u00edtica e dos direitos b\u00e1sicos como sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o. Diante dessa realidade tornava-se imposs\u00edvel os trabalhadores rurais libertarem-se da submiss\u00e3o, pois a elite detinha nas m\u00e3os todos os mecanismos de controle. Na d\u00e9cada de 1960, dos mais de um milh\u00e3o de moradores do campo, 63% eram analfabetos, sem instru\u00e7\u00f5es para assumir outras atividades e, sem a posse da terra para viver dignamente no campo. (IBGE, CENSO DEMOGR\u00c1FICO: 1960)\n\n<strong>AS LIGAS CAMPONESAS EM MAMANGUAPE<\/strong>\n\nPara MORAES (2002), A expans\u00e3o das Ligas Camponesas se deu de forma r\u00e1pida. De 1958 a 61 foram organizadas 18 Ligas na Para\u00edba, com grande n\u00famero de associados. Em Mamanguape, as ligas tiveram in\u00edcio na fazenda Mirir\u00ed, localizada entre Mamanguape e Sap\u00e9, pertencente a Pedro Ramos Coutinho, irm\u00e3o de Renato Ribeiro Coutinho\n\nOs mil e quinhentos moradores dessa fazenda, passaram a ser expulsos quando o Engenho modernizou suas instala\u00e7\u00f5es. O engenho transformado em usina expandia as planta\u00e7\u00f5es de cana, de modo a retirar das terras toda e qualquer atividade que servisse de empecilho a essa expans\u00e3o. A organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores foi liderada por Alfredo Nascimento que foi assassinado em 14 de mar\u00e7o de 1962.\n\nO movimento em Mamanguape acompanhou o crescimento do movimento, em n\u00edvel estadual e foram formadas Ligas Camponesas em v\u00e1rias fazendas, como em Itapicirica e cachoeira, pois a explora\u00e7\u00e3o do agricultor e a viol\u00eancia eram semelhantes em todas as fazendas. A Liga de Mamanguape cresceu a ponto de quantitativamente se tornar a segunda maior liga do estado, com 10 mil associados. (MORAIS, 2002:55)\n\nDe acordo com o censo agr\u00edcola do IBGE, no ano de 1960, a estrutura fundi\u00e1ria do munic\u00edpio era de 133.830 hectares, distribu\u00eddos entre 2.102 estabelecimentos. Ressalva-se que, Mamanguape compreendia os atuais munic\u00edpios de Ba\u00eda da Trai\u00e7\u00e3o, Mataraca, Jacara\u00fa, Itapororoca, Curral de Cima, Cuit\u00e9 de Mamanguape e Capim.\n\n<strong>A estrutura agr\u00e1ria do munic\u00edpio de Mamanguape no ano de 1960, em rela\u00e7\u00e3o ao respons\u00e1vel, ou seja, quem estava respons\u00e1vel, fazendo uso da terra, no ano de realiza\u00e7\u00e3o do censo, foi caracteriza em quatro categorias<\/strong>: Primeira categoria, na qual, o propriet\u00e1rio era o respons\u00e1vel que tem a posse da terra, essa categoria era respons\u00e1vel por 1.826 estabelecimentos, compreendendo uma \u00e1rea de 40.434 hectares; A segunda categoria era a do arrendat\u00e1rio, que compreendia aos respons\u00e1veis que, para fazer uso da terra, s\u00f3 mediante pagamento e esse pagamento podia ser em dinheiro ou produto, os que faziam o pagamento em dinheiro eram respons\u00e1veis por 146 estabelecimentos, com uma \u00e1rea de 1.319 hectares; arrendat\u00e1rios com pagamento em produtos eram respons\u00e1veis por 2 estabelecimentos, com \u00e1rea total de 13 hectares; A Terceira categoria era de ocupantes, correspondendo aos agricultores que cultivam uma \u00e1rea, a qual pertencia a um propriet\u00e1rio, fazendo uso da terra sem pagar arrendamento com dinheiro ou produto, mas com obriga\u00e7\u00f5es de trabalhar dias gratuitos ao propriet\u00e1rio, essa categoria era respons\u00e1vel por 53 estabelecimentos, com \u00e1rea total de 7.170 hectares; A quarta Categoria era do administrador, empregado da fazenda, na verdade a rela\u00e7\u00e3o entre essa categoria e o propriet\u00e1rio era uma troca de favores, pois o propriet\u00e1rio lhe cedia a terra e o administrador prestava servi\u00e7os administrativos e pessoais ao propriet\u00e1rio. Essa categoria era respons\u00e1vel por 75 estabelecimentos, somando uma \u00e1rea de 84.894 hectares.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o ao respons\u00e1vel, pelo estabelecimento 86,86% eram propriet\u00e1rios, somando uma \u00e1rea de mais de quarenta mil hectares, equivalente a 30% da \u00e1rea total. Nesse total est\u00e3o inclu\u00eddos todos os propriet\u00e1rios, desde os que possuem menos de um hectare at\u00e9 os que possuem mais de dez mil hectares. \u00c9 importante observar no quadro, as categorias ocupante e administrador, apesar de as duas categorias cultivarem na propriedade alheia, e sem pagar arrendamento, o administrador era respons\u00e1vel por 90% a mais em rela\u00e7\u00e3o a categoria ocupante.\n\nEsses dados mostram claramente um mecanismo de controle sobre os trabalhadores rurais, pois os administradores recebiam mais terras para cultivar e em troca prestavam servi\u00e7os particulares ao propriet\u00e1rio; inclusive a capangagem e persegui\u00e7\u00e3o aos agricultores.\n\nObserva-se sem nenhum esfor\u00e7o, a realidade mais cruel da estrutura fundi\u00e1ria no munic\u00edpio de Mamanguape, em que apenas, os 20 maiores estabelecimentos concentravam uma \u00e1rea mais de duas vezes maior \u00e0 \u00e1rea ocupada pelos mais de dois mil estabelecimentos menores de mil hectares e os 2.084 estabelecimentos menores de mil hectares, representava 70,5% da \u00e1rea do \u00fanico estabelecimento com mais de 10 mil hectares.\n\n<strong>Essa concentra\u00e7\u00e3o de terra provocou o atraso econ\u00f4mico e social da popula\u00e7\u00e3o rural, que ao ser expulso, do campo, passaram a formar os bols\u00f5es de pobreza nas cidades da regi\u00e3o, esse fato pode ser observado no depoimento que me foi cedido no dia 25 de janeiro de 2003, por um ex-agricultor da fazenda Itapiririca:\u00a0<\/strong>As usinas butaram os trabaiador tudo pra fora por causa dessa liga. Fizeram uma rua de casa em Sap\u00e9, perto da esta\u00e7\u00e3o, morava mais de 300 pessoas (fam\u00edlias). Nenhum propriet\u00e1rio achava bom, s\u00f3 queria ver o pobre escravo dele num queria ver o povo com nada n\u00e3o, em Itapororoca fizeram uma rua de barraco, perto do cemit\u00e9rio.(Oliveiros Ant\u00f4nio do Nascimento ex-agricultor em Itapicirica).\n\nDos mais de 66 mil habitantes do munic\u00edpio, no tocante ao item, pessoal ocupado, apenas 16,6 mil tinham ocupa\u00e7\u00e3o, sendo que o pessoal ocupado do campo era 6,2 vezes maiores que o da cidade. Dos mais de 14 mil camponeses que tinham ocupa\u00e7\u00e3o. Apenas 25% eram empregados sendo 5%, empregados permanentes e, a grande maioria dos camponeses com ocupa\u00e7\u00e3o desenvolviam atividades n\u00e3o remuneradas.\n\nEssa situa\u00e7\u00e3o era denunciada, nas vilas pr\u00f3ximas \u00e0s usinas e, com mais gravidade nos engenhos, que apesar de estarem incorporados \u00e0s usinas, ainda conservavam povoados, que habitavam em casas de taipa, cobertas de palha, nas \u00e1reas de relevo acidentado ou nas estreitas trincheiras de terras arenosas \u00e0s margens das estradas. Essa realidade podia ser observada at\u00e9 in\u00edcio dos anos 80, nos povoados dos engenhos Linhare e Leit\u00e3o, pertencentes \u00e0 Usina Monte Alegre e na pr\u00f3pria vila que se estende da usina Monte Alegre at\u00e9 o povoado de Pindobal, numa extens\u00e3o de mais de 6 Km.\n\nA vila fica suprimida entre a colina de solo pouco \u00famido e pedregoso que se eleva por tr\u00e1s das resid\u00eancias e o canavial denso que ocupa as terras f\u00e9rteis e \u00famidas da v\u00e1rzea em frete \u00e0s casas, essa forma de organiza\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o e denominada por Ros\u00e1rio de casas.\n\n<strong>O h\u00e1bito alimentar do morador, se resumia ao consumo de produtos como:\u00a0<\/strong>o feij\u00e3o, a fava e o milho, farinha de mandioca e carne de charque ou peixe seco, o consumo de frutas e verduras era muito resumido, sendo mais variados apenas num curto per\u00edodo do ano, quando chegavam as safras de manga, caju, laranja e jaca. Essa car\u00eancia alimentar provocava doen\u00e7as como a subnutri\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as diarr\u00e9icas e palidez.\n\nEssas condi\u00e7\u00f5es eram presentes, entre os moradores da usina Monte Alegre e seus engenhos, apesar de o grupo propriet\u00e1rio ser considerado moderado e a favor da Reforma Agr\u00e1ria (ANDRADE, 1997:63-67).\n\nSegundo dados do IBGE para o ano de 1960, a taxa de analfabetismo era desastrosa, a popula\u00e7\u00e3o em idade escolar, a partir dos 5 anos de idade, n\u00e3o tinha acesso a escola, principalmente na zona rural, pois, nessa idade as crian\u00e7as j\u00e1 acompanhavam os pais nas atividades agr\u00edcolas, embora n\u00e3o praticassem as atividades, observaram e, aos 7 anos de idade j\u00e1 faziam tarefas mais leves como, semear semente de milho, feij\u00e3o e outras lavouras, na \u00e9poca de plantio, participavam o transporte e o debulhamento, na \u00e9poca da colheita.\n\nAbaixo um demonstrativo do n\u00edvel de escolaridade da popula\u00e7\u00e3o de Mamanguape.\n\nPara o IBGE \u2013 Censo populacional 1960, do total de 55.545 habitantes de 5 anos e mais, no ano de 1960, somente 16,4% sabiam ler e escrever e, o percentual baixa mais ainda para os que estavam estudando, sendo apenas 8%. \u00c0 medida que a faixa et\u00e1ria ia aumentando, ia diminuindo o n\u00famero de pessoas que freq\u00fcentavam escola, at\u00e9 chegar ao estremo, em que, a faixa et\u00e1ria de 20 anos e mais, dos 29.704 habitantes, freq\u00fcentavam a escola, reduzido n\u00famero de 129 pessoas. Isso demonstrava a falta de investimento no setor educacional, a falta de atividade que requisitasse maior n\u00edvel de escolaridade e a necessidade de assumir desde a inf\u00e2ncia, atividades, principalmente no campo, para ajudar no sustento da fam\u00edlia, mesmo que para isso custasse abandonar os estudos, pois a freq\u00fc\u00eancia a escola dependia de recursos e boas condi\u00e7\u00f5es financeiras, por n\u00e3o haver escolas p\u00fablicas na zona rural.\n\n<strong>Origem e Desenvolvimento das Ligas Camponesas em Mamanguape<\/strong>\n\nDiante da realidade descrita, os trabalhadores rurais s\u00f3 suportaram at\u00e9 quando tiveram o direito de colher o que plantavam.\n\nA partir do momento que os propriet\u00e1rios perceberam a valoriza\u00e7\u00e3o dos produtos agroindustriais no mercado internacional, ampliaram as \u00e1reas cultivadas.\n\nOs agricultores que dependiam do cultivo de lavouras de subsist\u00eancia para alimentar a fam\u00edlia, em terras arrendadas sob as mais diversas formas de arrendamentos, que ia desde o pagamento com dias de trabalho gratuito, ao serem amea\u00e7ados de ter suas lavouras destru\u00eddas, suas casas derrubadas, serem expulsos, sob os mais terr\u00edveis atos de viol\u00eancia, ou ainda aumentando a explora\u00e7\u00e3o sobre sua for\u00e7a-de-trabalho, se organizaram em todo o munic\u00edpio para resistirem a a\u00e7\u00e3o desumana dos latifundi\u00e1rios.\n\nO primeiro conflito do munic\u00edpio ocorreu antes da funda\u00e7\u00e3o da Liga Camponesa em Mamanguape, em 1954, na fazenda Miriri que estava situada, parte em Mamanguape e parte em Sap\u00e9.\n\nTudo come\u00e7ou quando Pedro Ramos Coutinho comprou a fazenda e proibiu os agricultores de plantar e criar gado. L\u00e1 morava Pedro Fazendeiro que era uma pessoa resistente e, consciente e que passou a reivindicar o direito de colher o que havia plantado, conseguindo indeniza\u00e7\u00e3o pela destrui\u00e7\u00e3o de sua lavoura, depois Pedro Fazendeiro foi preso e torturado na cadeia de Sap\u00e9 e, depois de solto sofreu um atentado, sendo atingido com um tiro na perna. (CONSULTA POPULAR, 2002:33-34)\n\nOutro conflito violento ocorreu em Miriri no dia 17 de janeiro de 1962, quando dois capangas, mais uma vez a mando de Pedro Ramos, chegaram pr\u00f3ximo aos trabalhadores insultando-os e logo atirando.\n\nOs agricultores revidaram, morreram no conflito dois capangas e dois trabalhadores rurais, entre eles Alfredo Nascimento, grande l\u00edder que participara da funda\u00e7\u00e3o da primeira Liga de Sap\u00e9 (CONSULTA POPULAR, 2002:34 a 37).\n\nMais uma a\u00e7\u00e3o violenta contra camponeses ocorreu em outubro de 1963, na fazenda de Cezar Cartaxo em Itapororoca, ent\u00e3o distrito de Mamanguape. O propriet\u00e1rio expulsou os trabalhadores rurais da fazenda e, para impedir que eles voltassem derrubou as casas, deixando as fam\u00edlias desabrigadas. Cerca de 300 pessoas foram transportadas em um caminh\u00e3o para Jo\u00e3o Pessoa, o epis\u00f3dio causou grande repercuss\u00e3o na capital, onde foi realizada uma grande manifesta\u00e7\u00e3o, denunciando mais um ato de viol\u00eancia contra camponeses pobres. (LEMOS, 1966:162)\n\nA cada a\u00e7\u00e3o praticada contra os agricultores, crescia a organiza\u00e7\u00e3o da liga por todo o munic\u00edpio e tamb\u00e9m crescia a repress\u00e3o contra os trabalhadores que participassem das ligas.\n\nO simples fato de um agricultor possuir a carteira de s\u00f3cio das ligas camponesas, era motivo para ser espancado e preso.\n\nTanto a, organiza\u00e7\u00e3o, quanto, a persegui\u00e7\u00e3o, se intensificaram nas fazendas Itapicirica e Cachoeira, mas, a atua\u00e7\u00e3o das ligas atingiu todo o munic\u00edpio.\n\nEm Itapicirica cada vez que a lavoura de um agricultor era arrancada, se organizava um multir\u00e3o e, em um dia um outro ro\u00e7ado era plantado, numa outra \u00e1rea.\n\nEm cada fazenda existia um grupo de agricultores organizados, mas existiam tamb\u00e9m pessoas espi\u00e3s de confian\u00e7a do patr\u00e3o, que eram informantes.\n\nEsses informantes muitas vezes por motivo de apadrinhamento faziam falsas den\u00fancias contra os trabalhadores rurais, de possu\u00edrem armas e forjavam depoimentos contra os agricultores (RAMOS, 1993:112-113).\n\nA cada ato de viol\u00eancia praticado, organizavam-se passeatas de protestos pelas ruas da cidade, os dias 11,12 e 13 de setembro de 1962 foram de sucessivos protestos em todas as cidades que tinham liga, contra o espancamento que Assis Lemos e Pedro Fazendeiro sofreram em Itabaiana, em Miriri foram mais de tr\u00eas mil trabalhadores num com\u00edcio de protesto. No dia seguinte, realizou-se passeatas, em Mamanguape e Rio Tinto.\n\n<strong>Outra grande manifesta\u00e7\u00e3o havia acontecido em 1\u00ba de maio de 1962, em protesto a morte de Jo\u00e3o Pedro Teixeira, em Jo\u00e3o Pessoa, onde dezenas de caminh\u00f5es alugados pela Liga, sa\u00edram lotados de Mamanguape e Rio Tinto que se juntaram aos mais de vinte mil trabalhadores em ato de rep\u00fadio a toda maldade praticada pelos latifundi\u00e1rios da Para\u00edba e contra a situa\u00e7\u00e3o de trabalho e, aos v\u00edcios malditos do propriet\u00e1rios que eram:<\/strong>\u00a0o camb\u00e3o, o caboc\u00f3, pulo da vara, a compra na folha, o roubo no peso, o barrac\u00e3o, derrubada das casas, destrui\u00e7\u00e3o dos ro\u00e7ados, viol\u00eancia dos capangas e da pol\u00edcia, expuls\u00e3o do campo e o voto de cabresto. (LEMOS, 1996:81).\n\nA Liga Camponesa de Mamanguape era denominada de A Redentora (RAMOS, 1993:112), tinha sede em Mamanguape, na Rua S\u00e3o Jos\u00e9 e tinha n\u00facleos organizados em v\u00e1rias fazendas, as maiores fazendas, em que tinham delegados eram, Itapicirica, Mendon\u00e7a, Camuc\u00e1 e Leit\u00e3o, a \u00faltima, pertencente a usina Monte Alegre.\n\nAs reuni\u00f5es eram semanais, nas quais participavam entre 60 e 80 pessoas e presididas por Manoel de Deus, conhecido por Manoel do Sab\u00e3o, a convoca\u00e7\u00e3o para as reuni\u00f5es extraordin\u00e1rias se davam com foguet\u00f5es, como ocorria em Sap\u00e9.\n\nOs piores atos repressivos contra os trabalhadores rurais ocorreram na fazenda Itapicirica, pertencente \u00e0 Companhia de Tecidos Rio Tinto e na fazenda Leit\u00e3o, pertencente a usina Monte Alegre, com pris\u00e3o dos agricultores que se organizavam em mutir\u00e3o para fazer ro\u00e7ados e, espancamento de agricultores que eram associados da Liga Camponesa.\n\n<strong>Protagonista das Ligas Camponesas em Mamanguape<\/strong>\n\nQuando surgiram os primeiros conflitos em Miriri, os trabalhadores rurais logo tiveram uma conquista, que foi o recebimento de indeniza\u00e7\u00e3o pela destrui\u00e7\u00e3o das lavouras. Toda essa organiza\u00e7\u00e3o, foi liderada por Alfredo Nascimento. Ele n\u00e3o aceitava o que os propriet\u00e1rios vinham fazendo contra os trabalhadores rurais, era um agricultor que tinha muita coragem, conhecedor dos direitos, n\u00e3o se abatia diante das amea\u00e7as. Depois do primeiro conflito, tratou de se juntar a outras lideran\u00e7as e fundar a primeira liga camponesa, pois, havia a preocupa\u00e7\u00e3o de que os conflitos se ampliassem por outras fazendas, havendo a necessidade de organizar os trabalhadores para enfrentar o que estava por vir.\n\nDepois, quando o movimento cresceu no munic\u00edpio, surgiram novas lideran\u00e7as que organizavam as atividades e faziam a articula\u00e7\u00e3o entre os delegados nas fazendas.\n\nManoel de Deus, conhecido como Man\u00e9 do sab\u00e3o, dirigente das se\u00e7\u00f5es na sede da liga, era pastor da Igreja Evang\u00e9lica Assembl\u00e9ia de Deus e Presidente da Liga de Mamanguape.\n\nJos\u00e9 de Oliveira Ramos era dirigente e fazia a articula\u00e7\u00e3o da liga de Mamanguape com a federa\u00e7\u00e3o das ligas, em Jo\u00e3o Pessoa e com as outras ligas como a de Sap\u00e9. Foi vereador, por cinco mandatos pelo Partido Republicano. Foi preso quatro vezes, conduzido para 15\u00ba Regimento de Infantaria, quartel reacion\u00e1rio e repressor, situado em Jo\u00e3o Pessoa, a servi\u00e7o dos latifundi\u00e1rios, sob a acusa\u00e7\u00e3o de atos subversivos. (RAMOS, 1993:112).\n\n<strong>Outras lideran\u00e7as importantes foram:<\/strong>\u00a0Pedro Dantas das Chagas, In\u00e1cio da Costa Farias, Manoel Barreto Diniz, Durval de Assis e Ant\u00f4nio de Melo, todos foram presos e interrogados pelo IPM (Inqu\u00e9rito Policial Militar), instalado no 15\u00ba RI em Jo\u00e3o Pessoa, para investigar os atos praticados pelos que subvertessem a ordem.\n\nOs membros do IPM faziam a investiga\u00e7\u00e3o sobre as a\u00e7\u00f5es dos camponeses e prendiam os lideres.\n\nEra um grupo formado por militares que ap\u00f3s as investiga\u00e7\u00f5es preparava relat\u00f3rio sobre os acusados e fornecia a justi\u00e7a, geralmente nessas investiga\u00e7\u00f5es eram colhidos depoimentos pr\u00e9-fabricados, de pessoas inescrupulosas que em troca de dinheiro, depunham contra os camponeses e suas lideran\u00e7as. (RAMOS 1993:113)\n\nAs lideran\u00e7as tinham import\u00e2ncia fundamental na organiza\u00e7\u00e3o do movimento, mas, nas atividades pr\u00e1ticas, os pr\u00f3prios camponeses se organizavam sob orienta\u00e7\u00e3o do delegado em cada fazenda.\n\nTinha sede em Mamanguape, as reuni\u00f5es era por semana. Eu tava trabaiano no engenho de Itapicirica, Domico chegou, mandou parar tudo (parou) Parou, dizia pra todo mundo tirar carteira, pra arrumar terra pra trabai\u00e1, (Jos\u00e9 In\u00e1cio Alves da Silva, ex-funcion\u00e1rio do engenho Itapicirica e cortador de cana da Usina Monte Alegre). Depoimento cedido ao autor em 24 de janeiro de 2003.\n\nTanto os trabalhadores da ind\u00fastria (engenho) quanto os moradores agricultores estavam engajados na luta, que no munic\u00edpio reivindicavam direitos trabalhistas e Reforma Agr\u00e1ria.\n\nOs delegados tinham grande poder de convencimento e de articula\u00e7\u00e3o, a ponto de organizarem-se em mutir\u00f5es e reunir grande n\u00famero de agricultores para, cada dia de mutir\u00e3o deixar pronto um ro\u00e7ado para uma fam\u00edlia, apesar de toda persegui\u00e7\u00e3o que havia para acabar com a pr\u00e1tica do mutir\u00e3o.\n\nFoi, apanharo que s\u00f3 a mulesta, foi um carro lotadim pra Sap\u00e9. Foi no tempo do coron\u00e9 Luiz de Barros, joventino levou uma pisa, mas ainda t\u00e1 vivo, outros desertaram pro Rio de Janeiro. Man\u00e9 Severo ainda t\u00e1 vivo, ele veio escondido mais eu pra num apanhar. Foram tudim botar um ro\u00e7ado, telefonaro pra puli\u00e7a, quem veio pela estrada foi preso tudim, quem entrou dentro do mato, escapou. (Oliveiros Ant\u00f4nio do Nascimento, ex-agricultor na Fazenda Itapicirica). Depoimento cedido ao autor em 25 de janeiro de 2003.\n\nQuando havia resist\u00eancia por parte dos trabalhadores rurais em se associar e participar da reuni\u00e3o e, de nenhuma forma ele se convencia da necessidade de sua participa\u00e7\u00e3o, para for\u00e7ar esse agricultor a participar, era usado o chocalho, ou seja, ele era levado at\u00e9 \u00e0 reuni\u00e3o e na presen\u00e7a da multid\u00e3o colocava-se um chocalho em seu pesco\u00e7o, esse ato, fez com que muitos agricultores se comprometessem com a luta, pois n\u00e3o era apenas o enchocalhamento, mas na hora da assembl\u00e9ia o orador procurava expor as conquistas alcan\u00e7adas pela organiza\u00e7\u00e3o dos camponeses e a necessidade de fortalecer para que nenhum campon\u00eas ficasse de fora do movimento, que a situa\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o era sobre todos. Muitos depois de enchocalhados se tornaram atuantes e at\u00e9 lideran\u00e7as. (LEMOS, 1996:74)\n\nTalvez essa forma de conquistar militantes para ampliar os quadros, tenha sido a pior forma. Pois o agricultor, que vivia oprimido na fazenda, quando oferecia resist\u00eancia, em participa\u00e7\u00e3o do movimento n\u00e3o significava, que ele n\u00e3o quisesse a transforma\u00e7\u00e3o, a liberdade, mas a a\u00e7\u00e3o de um homem que sempre teve quem decidisse por ele, o que devia plantar, colher, um homem que ao reagir ao sistema, era amea\u00e7ado de ser expulso com a fam\u00edlia. Se ele sofria amea\u00e7as do lado opressor, jamais devia sofrer qualquer tipo de amea\u00e7a do lado que se propunha a libert\u00e1-lo. O que faltava aos submissos era a consci\u00eancia plena dos seus direitos, do direito coletivo de acesso \u00e0 terra e o que faltou ao movimento foi o investimento em forma\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para as bases. Segundo (FREIRE, 1987:32) a forma\u00e7\u00e3o do oprimido deve ser constru\u00edda com ele e n\u00e3o para ele, para que a opress\u00e3o das causas seja objeto de reflex\u00e3o e o oprimido n\u00e3o carregue consigo heran\u00e7as do opressor.\n\n\u00c9 que, quase sempre, num primeiro momento deste descobrimento, os oprimidos, em vez de buscar a liberta\u00e7\u00e3o na luta e por ela, tendem a ser opressores tamb\u00e9m ou subopressores.\n\nA estrutura de seu pensar se encontra condicionada pela contradi\u00e7\u00e3o vivida na situa\u00e7\u00e3o concreta, existencial, em que se formam. (FREIRE, 1987:32)\n\nSegundo depoimento de ex-agricultor o m\u00e9todo utilizado, na conquista dos militantes, era o chocalho.\n\nNo princ\u00edpio come\u00e7ou at\u00e9 bom, mais o povo se adiantou demais. Quando se juntava pra fazer um ro\u00e7ado ia 60,70,80\u2026, quem n\u00e3o fosse era mode os outros botar um chucai\u2026 (Oliveiros Ant\u00f4nio do Nascimento, ex-agricultor na fazenda de Itapicirica) Depoimento cedido ao autor em 25 de janeiro de 2003.\n\nNa \u00e1rea canavieira do munic\u00edpio o movimento era pela conquista dos direitos trabalhistas, pois os trabalhadores, al\u00e9m de receberem sal\u00e1rio muito baixo, n\u00e3o tinham sequer carteira assinada.\n\nNaquela \u00e9poca eu trabaiava na di\u00e1ria prantano cana, trabaiva crandestino, eu trabaiei vinte e dois anos crandestino. (Jos\u00e9 In\u00e1cio Alves da Silva ex-funcion\u00e1rio do engenho de Itapicirica e cortador de cana da Usina Monte Alegre). Depoimento cedido ao autor em 24 de janeiro de 2003.\n\nDevido ao fato de os trabalhadores n\u00e3o terem a carteira de trabalho assinada, e sem acesso a terra, Mamanguape, apesar de ser uma cidade pequena, que n\u00e3o oferece condi\u00e7\u00f5es de sobreviv\u00eancia na zona urbana, tem atualmente cerca de 80% (IBGE, 2000) de sua popula\u00e7\u00e3o residindo na cidade e um \u00edndice alto de idosos que n\u00e3o t\u00eam direito sequer a aposentadoria, por n\u00e3o ter contribu\u00eddo para a previd\u00eancia social e nem provar que foi assalariado. Hoje se percebe claramente o atraso econ\u00f4mico de Mamanguape, por causa de uma ou duas oligarquias que apesar de serem considerados progressistas controlaram a economia e a pol\u00edtica local por mais de quatro d\u00e9cadas.\n\nAlcance e Limites da Liga de Mamanguape, conquistas e repercuss\u00e3o.\n\nA Liga Camponesa de Mamanguape conseguiu se expandir em todo o munic\u00edpio gra\u00e7as \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o nas maiores fazendas, ao trabalho de organiza\u00e7\u00e3o feito pelas lideran\u00e7as em cada fazenda e tamb\u00e9m ao apoio dado pela Federa\u00e7\u00e3o das Ligas Camponesas da Para\u00edba, por v\u00e1rias vezes os trabalhadores rurais de Mamanguape receberam a visita de Assis Lemos e de Elizabete Teixeira, lideran\u00e7as do movimento.\n\nO maior latif\u00fandio da Regi\u00e3o pertencia a Companhia de tecidos Rio Tinto, da fam\u00edlia Lundgren compreendia todo o munic\u00edpio de Rio Tinto e metade do munic\u00edpio de Mamanguape (incluso os munic\u00edpios atualmente emancipados).\n\nEm todas as fazendas pertencentes ao grupo Lundgren, a rela\u00e7\u00e3o de trabalho era de explora\u00e7\u00e3o, do agricultor, que era obrigado a pagar o camb\u00e3o e pagar foro de todos os animais que criasse.\n\nTodas as pessoas da fam\u00edlia, que tivessem acima de 18 anos, eram obrigados a trabalhar um dia de gra\u00e7a para o propriet\u00e1rio e o agricultor era proibido de cultivar qualquer tipo de lavoura permanente, s\u00f3 era permitido plantar lavoura de subsist\u00eancia, de colheita r\u00e1pida como milho, feij\u00e3o, mandioca, nem inhame era permitido.\n\n<strong>Segundo depoimento de pessoas que vivenciaram o per\u00edodo nos relata que:<\/strong>\n<blockquote>Nenhum morador podia plantar uma toceira de cana, meu pai plantou, eles vieram e arrancaram, s\u00f3 plantava coisas que sa\u00eda logo. S\u00f3 depois da revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 que pai plantou bananeira, coqueiro, laranjeira. E tinha uma coisa, morava em casa de paia, da porta de vara, de dia o home trabaiava de noite, ficava atucaiano o gado pra n\u00e3o cumer a paia da casa, porque ningu\u00e9m pudia cercar a casa. Panhar capim ningu\u00e9m pudia, pai panhou um m\u00f3i de capim, o vigia mandou deixar o capim, a navaia, deixar tudo. Trabaiava o dia todim e n\u00e3o pudia cortar uma cana pra chupar, se o fregu\u00eai chupasse uma cana, trabaiava um dia todim pra pagar a cana que chupou, e n\u00e3o trabaiava perto de casa m\u00e3o, trabaiva longe. Meio mundo de m\u00ednimo e num tinha direito de chupar uma laranja. (seu Arn\u00f3bio morador de Itapicirica). Depoimento cedido ao autor em 26 de janeiro de 2003.<\/blockquote>\nAs limita\u00e7\u00f5es dos camponeses em se organizarem eram grandes, pois tratava-se de uma classe composta em sua maioria de analfabetos, com pouca capacidade de argumenta\u00e7\u00e3o contra o sistema pol\u00edtico, pois a consci\u00eancia do trabalhador rural era de trabalhar para sustentar a fam\u00edlia, por isso a conscientiza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o ficava reduzida a um pequeno grupo. Era necess\u00e1rio um poder muito forte de convencimento, se n\u00e3o muitos agricultores se posicionavam contra o movimento, quando isso ocorria, ai acontecia a amea\u00e7a do chocalho.\n\nMas os agricultores que se recusavam de participar n\u00e3o eram simplesmente por n\u00e3o simpatizarem com o movimento, pois todo agricultor desejava deixar de ser dependente, queria deixar de pagar o camb\u00e3o, queria ter sua terra para plantar o que quisesse, mas por medo de sofrer espancamentos, pris\u00e3o, ter a lavoura destru\u00edda ou ser expulso da terra, pois era isso que acontecia aos que desafiavam a gan\u00e2ncia dos latifundi\u00e1rios, que come\u00e7ou perseguindo as lideran\u00e7as, mas, na medida que o movimento ia crescendo, as persegui\u00e7\u00f5es iam se ampliando e alcan\u00e7ando os associados. Esse depoimento representa minha observa\u00e7\u00e3o.\n\nMandavam chamar a pol\u00edcia para afastar o povo era da vez que acontecia as surras.(Maria da Gloria Celestino Silva, agricultora na comunidade de Itapicirica). Depoimento cedido ao autor em 26 de janeiro de 2003.\n\nApesar de toda a\u00e7\u00e3o repressora, o movimento se fortaleceu e avan\u00e7ou em conquistas muito importantes.\n\nLogo que surgiu o movimento, foi uma conquista, o alcance num curto per\u00edodo, de grande repercuss\u00e3o do movimento, conseguir com que mais de 10 mil camponeses se associassem e lutassem contra a explora\u00e7\u00e3o, que lhes abatiam. Conquistas vieram, atrav\u00e9s da resist\u00eancia dos trabalhadores rurais. Foi eliminado o camb\u00e3o, em 1964 o foro tamb\u00e9m foi eliminado e os moradores ficaram morando e trabalhando na fazenda, em 1966 todos as terras que pertenciam \u00e0 Companhia de Tecidos Rio Tinto, situadas no munic\u00edpio de Mamanguape foram desapropriadas. (PIC \u2013 Rio Tinto, 1966:1)\n\nAs principais conquistas foram: a desapropria\u00e7\u00e3o. O \u00fanico objetivo era esse, terra pra trabalhar, acabar o camb\u00e3o e a di\u00e1ria. As propriedades que foram desapropriadas no tempo, j\u00e1 tava nesse regime, ningu\u00e9m pagava direito, nem camb\u00e3o, morava na terra, de gra\u00e7a, j\u00e1 tava no dom\u00ednio do INCRA, mas n\u00e3o tinha dividido ainda. A desapropria\u00e7\u00e3o foi em 73 ou 74, foi quando cada um soube onde ia ficar. (Maria da Gl\u00f3ria Celestino da Silva). Depoimento cedido ao autor em 26 de janeiro de 2003.\n\nForam desapropriadas partes das terras, pertencentes \u00e0 companhia de Tecido Rio Tinto, onde foram assentadas 1.062 fam\u00edlias, cada fam\u00edlia recebeu lote, entre dezoito e trinta e cinco hectares.\n\nO projeto de assentamento era denominado PIC \u2013 Rio Tinto (Projeto Integrado de Coloniza\u00e7\u00e3o \u2013 Rio Tinto), a \u00e1rea desapropriada corresponde a 18.742 hectares.\n\n<strong>De acordo com as informa\u00e7\u00f5es fornecidas por um agricultor residente em Itapicirica, o PIC era um projeto de coloniza\u00e7\u00e3o que vinha acompanhado de toda assist\u00eancia e estrutura aos camponeses como:<\/strong>\u00a0tratores de pneu e de esteira, para o cultivo da terra e abertura de estradas, caminh\u00f5es e caminhonetes para o transporte da produ\u00e7\u00e3o, \u00f4nibus para o transporte das pessoas, postos de assist\u00eancia m\u00e9dica e odontol\u00f3gica, assist\u00eancia t\u00e9cnica, sementes, cr\u00e9dito motor pra irriga\u00e7\u00e3o e at\u00e9 linha telef\u00f4nica comunit\u00e1ria. Instalou-se um escrit\u00f3rio do INCRA (Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria) para prestar assist\u00eancia e fiscalizar.\n\nItapicirica recebeu toda essa estrutura onde foi criada uma cooperativa agr\u00edcola que atuava em todas as \u00e1reas desapropriadas, oferecendo assist\u00eancia t\u00e9cnica, m\u00e1quinas, cr\u00e9dito e comercializa\u00e7\u00e3o, principalmente da cana-de-a\u00e7\u00facar.\n\nO munic\u00edpio de Mamanguape sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica muito intensa, os camponeses tiveram grande melhoria com boas condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o gra\u00e7as \u00e0 organiza\u00e7\u00e3o e a luta para conseguir um peda\u00e7o de terra para dele tirar seu sustento.\n\nAi o INCRA chegou, a gente era cativo pegava de tr\u00eas horas da madrugada, at\u00e9 no domingo, o INCRA chegou, trouxe liberdade, trouxe semente de arroz, de feij\u00e3o, milho, dava m\u00e1quinas, herbicidas pra combater pragas, lagarta, formiga, s\u00f3 tinha retorno, as sementes, trouxe motor de irriga\u00e7\u00e3o, ningu\u00e9m pagava nada, eles davam at\u00e9 o \u00f3leo. Tinha assist\u00eancia t\u00e9cnica, todo dia o agr\u00f4nomo passava no ro\u00e7ado. Tinha dia que um campon\u00eas tirava carrada de mercadorias pra vender em Natal ou Recife, do que apurava pagava 5% para a cooperativa e 17% de imposto, s\u00f3 do arroz.\n\nAgora quem trouxe isso tudim foi a revolu\u00e7\u00e3o de 64, fale quem quiser, porque tem gente que n\u00e3o agradece. (Seu Arn\u00f3bio, agricultor na comunidade de Itapicirica) Depoimento cedido ao autor em 26 de janeiro de 2003.\n\nUm fato curioso \u00e9 que at\u00e9 a natureza deu sua contribui\u00e7\u00e3o para a vit\u00f3ria dos camponeses de Itapicirica. Foi em 1964, o Rio Mamanguape deu uma grande enchente.\n\nNa \u00e9poca nenhum campon\u00eas tinha semente de cana ou banana pra plantar, pois tudo isso era proibido aos camponeses pelos propriet\u00e1rios, s\u00f3 que, com a enchente, o Rio arrancou grandes plantios de cana, da usina Monte Alegre e dos engenhos da regi\u00e3o do brejo, situados na bacia do Mamanguape, arrancou tamb\u00e9m muita fia\u00e7\u00e3o de bananeira e depositou tudo numa extensa v\u00e1rzea em Itapicirica. Com essas sementes, cada agricultor plantou cerca de 5 hectares de cana e de banana. Veio duas coisas boas em 64, a cheia e a revolu\u00e7\u00e3o. (Seu Arn\u00f3bio). Depoimento cedido ao autor em 25 de janeiro de 2003.\n\nO movimento teve grande repercuss\u00e3o, tanto local como em n\u00edvel nacional, despertou toda a sociedade para o problema da terra.\n\nAntes do golpe militar de 1964, o movimento pela terra, teve ades\u00e3o da grande massa camponesa tanto dos sem terra, quanto dos pequenos propriet\u00e1rios que dependiam de arrendamentos para tirar seu sustento, dos estudantes que apoiavam os trabalhadores rurais, a UNE (Uni\u00e3o Nacional dos Estudantes), com representa\u00e7\u00f5es nos estados teve fundamental import\u00e2ncia na organiza\u00e7\u00e3o de manifesta\u00e7\u00f5es urbanas, eram os estudantes quem conseguiam levar grandes massas urbanas \u00e0s ruas, em apoio aos trabalhadores rurais. Um exemplo desse apoio ficou provado na manifesta\u00e7\u00e3o de 1\u00ba maio de 1962 em Jo\u00e3o Pessoa, em que participaram 40 mil pessoas, sendo 20 mil pessoas do campo e 20 mil da cidade (LEMOS, 1996:81).\n\nAmplos setores da imprensa tamb\u00e9m n\u00e3o hesitavam em se manifestar contra as atrocidades praticadas pelos fazendeiros, tamb\u00e9m houve mobiliza\u00e7\u00e3o nas Assembl\u00e9ias Estaduais, na C\u00e2mara Federal e no Senado, em que deputados e senadores progressistas lutaram fortemente pela Reforma Agr\u00e1ria e foram combatidos pelos pol\u00edticos reacion\u00e1rios.\n\nGra\u00e7as a toda mobiliza\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00e3o dos agricultores, que conseguiram mobilizar a sociedade, em torno da quest\u00e3o agr\u00e1ria.\n\nEm 1964 com o objetivo de acalmar o movimento revolucion\u00e1rio do campo, foi aprovado pelo o Estatuto da Terra, que, teoricamente \u00e9 considerado um avan\u00e7o, por considerar que a terra tem fun\u00e7\u00e3o social; fazer a classifica\u00e7\u00e3o da terra em quatro categorias (latif\u00fandios por extens\u00e3o, latif\u00fandio por explora\u00e7\u00e3o, minif\u00fandio e empresa Rural); criou o ITR (Imposto Territorial Rural); criou um \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel para fazer a reforma agr\u00e1ria (INCRA) e autorizou a desapropria\u00e7\u00e3o das terras improdutivas (terras n\u00e3o cultivadas) em conflito. Embora, considerado um avan\u00e7o, na pr\u00e1tica o Estatuto da Terra serviu para desmobilizar o movimento dos trabalhadores rurais, pois, ao mesmo tempo em que o estatuto autoriza a desapropria\u00e7\u00e3o, o governo militar oficializa a repress\u00e3o a qualquer movimento que lutasse por reforma agr\u00e1ria e, criava programas de incentivo restrito \u00e0s empresas rurais que se instalassem no Brasil para modernizar a produ\u00e7\u00e3o para o mercado externo.\n\nEm Mamanguape, o movimento seguia a orienta\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o das Ligas Camponesas da Para\u00edba, que tinha como objetivo, a elimina\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es de explora\u00e7\u00e3o do trabalhador rural e a desapropria\u00e7\u00e3o das terras j\u00e1 cultivadas pelos agricultores. Esses objetivos eram comuns em todas as ligas da Para\u00edba, mas a n\u00edvel nacional, havia j\u00e1 uma forte diverg\u00eancia entre Francisco Juli\u00e3o e a ULTAB (Uni\u00e3o dos Lavradores e Trabalhadores Agr\u00edcolas do Brasil), pois Juli\u00e3o organizou um movimento de guerrilha, com o objetivo de promover a Reforma Agr\u00e1ria atrav\u00e9s da luta armada, que tinha como tema, Reforma Agr\u00e1ria na lei ou na Marra.\n\nNa Para\u00edba, depois da morte de Jo\u00e3o Pedro Teixeira, Elizabete Teixeira, segue a orienta\u00e7\u00e3o de Juli\u00e3o, ent\u00e3o acontece tamb\u00e9m diverg\u00eancia entre Elizabete e Assis Lemos. Essa diverg\u00eancia se fortaleceu em 1962, quando Assis Lemos e Elizabete se candidataram para concorrer a vaga de deputado estadual e, os dois tinham como base eleitoral, a regi\u00e3o de Sap\u00e9.\n\nEm 1963 o presidente Jo\u00e3o Goulart sancionou a lei que ampliava os direitos sociais sobre os trabalhadores do campo (Estatuto do Trabalhador Rural) e regulamentou a sindicaliza\u00e7\u00e3o dos camponeses, ai v\u00e1rias Ligas Camponesas se transformaram em sindicatos, inclusive Sap\u00e9 e Mamanguape. Apesar da liga de Mamanguape ter se transformado em sindicato, o movimento pela desapropria\u00e7\u00e3o continuou at\u00e9 1966, quando foram desapropriadas as terras pertencentes \u00e0 fam\u00edlia Lundgren, atrav\u00e9s do decreto de desapropria\u00e7\u00e3o, 58.160 de 06 de abril de 1966. Depois da diverg\u00eancia com Assis Lemos, Elizabete foi eleita presidente da Federa\u00e7\u00e3o das ligas da Para\u00edba e exerceu grande influ\u00eancia entre os trabalhadores rurais de Sap\u00e9 e Mamanguape.\n\nAqui tinha um bucado de associado, quando dizia: Tem reuni\u00e3o das ligas, era muita gente passando por aqui. Quando vinha gente importante, vinha Assis Lemos, depois vinha Elizabete, ela veio muitas vezes aqui (Maria da Gl\u00f3ria Celestino da Silva, agricultora na comunidade de Itapicirica). Depoimento cedido ao autor em 26 de janeiro de 2003.\n\nCom a deflagra\u00e7\u00e3o do golpe militar em 1\u00ba de Abril de 1964 foram presas as principais lideran\u00e7as das Ligas Camponesas e foi montado um grande esquema repressivo contra o movimento.\n\nOutras lideran\u00e7as que n\u00e3o foram, presas, fugiram, ficando o movimento sem articula\u00e7\u00e3o e sem direcionamento e os camponeses ficaram dependendo apenas da boa vontade da classe golpista.\n\n<strong>Foram duas, as formas desmobilizar a luta de Reforma Agr\u00e1ria:<\/strong>\u00a0a repress\u00e3o e o Estatuto da Terra, pois, apesar desse estatuto ser considerado um avan\u00e7o a Reforma Agr\u00e1ria de fato n\u00e3o aconteceu, uma prova disso \u00e9 o latif\u00fandio da Companhia de Tecidos Rio Tinto, que possui 57.200 hectares e s\u00f3 foram desapropriadas 32% da \u00e1rea, devendo-se considerar que esse im\u00f3vel pertencia a uma ind\u00fastria de tecidos, que fazia uso da terra apenas na implanta\u00e7\u00e3o de suas instala\u00e7\u00f5es na cidade de Rio Tinto.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.conhecimentosgerais.com.br\/EncBrasil\/www.encyclopedia.com\/www.cchla.ufpb.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ligas Camponesas, Brasil, Nordeste, Movimento, Pernambuco, Para\u00edba, Associa\u00e7\u00f5es, Forma\u00e7\u00e3o, Atua\u00e7\u00e3o, Organiza\u00e7\u00e3o, Objetivo, Hist\u00f3ria, Ligas Camponesas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9865,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-9864","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Ligas Camponesas, Brasil, Nordeste, Movimento, Pernambuco, Para\u00edba, Associa\u00e7\u00f5es, Forma\u00e7\u00e3o, Atua\u00e7\u00e3o, Organiza\u00e7\u00e3o, Objetivo, Hist\u00f3ria, Ligas Camponesas\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-12-22T00:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-08-31T19:06:14+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"469\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"263\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"45 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"headline\":\"Ligas Camponesas\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-08-31T19:06:14+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/\"},\"wordCount\":9047,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/Ligas-1.jpg\",\"articleSection\":[\"Hist\u00f3ria do Brasil\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/\",\"name\":\"Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/Ligas-1.jpg\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-08-31T19:06:14+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/Ligas-1.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/Ligas-1.jpg\",\"width\":469,\"height\":263},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/uncategorized\\\/ligas-camponesas\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Ligas Camponesas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\",\"name\":\"admin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"admin\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/author\\\/admin\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco","og_description":"Ligas Camponesas, Brasil, Nordeste, Movimento, Pernambuco, Para\u00edba, Associa\u00e7\u00f5es, Forma\u00e7\u00e3o, Atua\u00e7\u00e3o, Organiza\u00e7\u00e3o, Objetivo, Hist\u00f3ria, Ligas Camponesas","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_published_time":"2015-12-22T00:00:00+00:00","article_modified_time":"2026-08-31T19:06:14+00:00","og_image":[{"width":469,"height":263,"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"admin","Est. reading time":"45 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/"},"author":{"name":"admin","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"headline":"Ligas Camponesas","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-08-31T19:06:14+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/"},"wordCount":9047,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg","articleSection":["Hist\u00f3ria do Brasil"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/","name":"Ligas Camponesas - Portal S\u00e3o Francisco","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-08-31T19:06:14+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#primaryimage","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg","contentUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ligas-1.jpg","width":469,"height":263},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ligas-camponesas\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Ligas Camponesas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c","name":"admin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","caption":"admin"},"sameAs":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco"],"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/author\/admin\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9864","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=9864"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9864\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":9866,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/9864\/revisions\/9866"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9865"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=9864"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=9864"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=9864"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}