{"id":9655,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/idioma-do-brasil\/"},"modified":"2026-08-31T19:04:18","modified_gmt":"2026-08-31T19:04:18","slug":"idioma-do-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/idioma-do-brasil\/","title":{"rendered":"Idioma do Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Idioma do Brasil &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nNo<strong>\u00a0Brasil\u00a0<\/strong>dos paradoxos, acontecem coisas que a mais f\u00e9rtil imagina\u00e7\u00e3o n\u00e3o teria condi\u00e7\u00e3o de acreditar.\n\nO retrato da identidade nacional \u00e9 composto por um branco, um \u00edndio e um negro e, obviamente, falamos um idioma formado por palavras oriundas destas tr\u00eas fontes lingu\u00edsticas. No entanto, temos a coragem de dizer que \u201cno Brasil, fala-se o portugu\u00eas\u201d. Ledo engano.\n\nNo\u00a0<strong>Brasil<\/strong>\u00a0fala-se um\u00a0<strong>idioma<\/strong>\u00a0que s\u00f3 se fala no Brasil e em nenhum lugar mais. Ali\u00e1s, somos a \u00fanica ex-col\u00f4nia portuguesa que n\u00e3o fala com sotaque portugu\u00eas. E isto deve-se \u00e0 influ\u00eancia da l\u00edngua tupi ou seja, o nheengat\u00fa \u2013 ou, como quer o presidente, ao \u201cnhen,nhen,nhen\u201d. Esta espinha dorsal lingu\u00edstica brasileira est\u00e1 um tanto desbotada diante de tantas \u201clavagens culturais\u201d \u00e0 que foi submetida ultimamente pelos estrangeirismos que empesteiam o nosso idioma.\n\nA\u00a0<strong>l\u00edngua portuguesa<\/strong>\u00a0original trazida para o Brasil continha 140 mil verbetes ou palavras. O portugu\u00eas, esta \u201cl\u00edngua de marinheiro\u201d, cont\u00e9m hoje 260 mil verbetes, fato que o torna a mais rica l\u00edngua em sinon\u00edmica do mundo.\n\nOs 120 mil verbetes excedentes em nosso idioma falado, ficam por conta das culturas africanas e tupi-guarani. Portanto, a t\u00e3o alardeada \u201cunifica\u00e7\u00e3o ortogr\u00e1fica e gramatical\u201d torna-se imposs\u00edvel a partir da pr\u00f3pria consequ\u00eancia lingu\u00edstica que este idioma adquiriu no Brasil. Isto porque, o significado de milhares de palavras oriundas da l\u00edngua tupi e falados diariamente, s\u00e3o completamente desconhecidos por todos indistintamente. Isto sem mencionarmos obviamente, a contribui\u00e7\u00e3o lingu\u00edstica africana.\n\n<strong>As tr\u00eas l\u00ednguas que formam o idioma bras\u00edlico t\u00eam um sentido e uma objetividade declaradamente importante:\u00a0<\/strong>O africano nos deu verbetes com os quais nos expressamos na forma espiritual, culin\u00e1ria, lazer, g\u00edria e glotologias\u00a0<strong>Ex:<\/strong>\u00a0Bunda, Xod\u00f3, Biz\u00fa, Gog\u00f3, Tijolo, Zureta, Muvuca, Mumunha, Maluco, Garfo e por a\u00ed vai aos milhares tamb\u00e9m.\n\nO Tupi nos deu verbetes que nos permitem ir e vir no real sentido locativo e topon\u00edmico. O Portugu\u00eas nos deu verbetes que nos fornecem condi\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas, pol\u00edticas e did\u00e1ticas.\n\nTornar-se-ia imposs\u00edvel a um brasileiro fazer tudo que faz diariamente usando apenas o recurso da l\u00edngua portuguesa. Da\u00ed que\u2026.\n\n<strong>\u00c9 IMPOSS\u00cdVEL UMA UNIFICA\u00c7\u00c3O ORTOGR\u00c1FICA COM OS DEMAIS PA\u00cdSES DE \u201cL\u00cdNGUA PORTUGUESA\u201d!<\/strong>\n\nCorrigir a injusti\u00e7a hist\u00f3rica secular para com a cultura amer\u00edndia bras\u00edlica, origem da forma\u00e7\u00e3o nacional e esp\u00edrito latente de insubmiss\u00e3o \u00e0 domina\u00e7\u00e3o estrangeira, deve ser o objetivo de todos aqueles que lidam com a Educa\u00e7\u00e3o e Cultura deste pa\u00eds e que tenham um pouco de amor ao verde e amarelo.\n\nDevemos propiciar aos milh\u00f5es de brasileiros que diariamente expressam-se na l\u00edngua tupi, a oportunidade de saberem o significado dessas palavras e, sabendo-o, terem condi\u00e7\u00f5es de conhecer a hist\u00f3ria da grande na\u00e7\u00e3o Tupi, fato que gerar\u00e1 o inevit\u00e1vel esp\u00edrito nacionalista e a responsabilidade em sua preserva\u00e7\u00e3o.\n\nA consequ\u00eancia imediata desta provid\u00eancia ser\u00e1 a expans\u00e3o para al\u00e9m das nossas fronteiras da verdadeira epopeia da estrutura\u00e7\u00e3o brasileira, permitindo ainda que as demais na\u00e7\u00f5es, por interm\u00e9dio dos milhares de turistas que pisam o territ\u00f3rio nacional, saibam, em seu pr\u00f3prio idioma, o significado dos nomes e palavras t\u00e3o comuns nos logradouros p\u00fablicos, locais e cidades mundialmente famosas, e, cujos nomes em l\u00edngua Tupi, at\u00e9 a presente data, n\u00e3o t\u00eam tradu\u00e7\u00e3o literal e significa\u00e7\u00e3o, uma vez que os pr\u00f3prios brasileiros n\u00e3o o sabem.\n\n<strong>E apenas para informa\u00e7\u00e3o, longe de ser alguma l\u00edngua morta e sem origem, o tupi ou nhengat\u00fa possui uma gram\u00e1tica expositiva dividida em quatro partes exatamente como a l\u00edngua portuguesa<\/strong>: Fonologia Morfologia Taxinomia e Sintaxe.\n\nEstamos diante, portanto, de uma prova que os milhares de nomes topon\u00edmicos que descrevem e definem lugares, cidades, pra\u00e7as, ruas, produtos, objetos ou fen\u00f4menos da terra, n\u00e3o foram jogados ao vento \u201cpor um caboclo brejeiro qualquer\u201d como quer a explica\u00e7\u00e3o at\u00e9 hoje passada nas escolas do pa\u00eds, mas sim, fazem parte do aspecto topogr\u00e1fico local, traduzido pelo idioma bras\u00edlico, genu\u00edno irm\u00e3o lingu\u00edstico do portugu\u00eas.\n\n<b>Se observarmos apenas algumas das palavras que falamos diariamente, j\u00e1 teremos uma pequena ideia\u00a0da nossa ignor\u00e2ncia e a consequente\u00a0responsabilidade para com o futuro:<\/b>\u00a0Jacarepagu\u00e1, \u00e9 Lago do Jacar\u00e9 Andara\u00ed, \u00e9 \u00c1gua do morcego Aracaju, \u00e9 Tempo de Caju Tijuca, \u00e9 barro mola \u2013 Par\u00e1, \u00e9 mar Paran\u00e1, \u00e9 rio afluente Paraguai, \u00e9 rio do papagaio Para\u00edba, \u00e9 rio ruivo ou encachoeirado \u2013 Pirapora, \u00e9 peixe que salta Pindorama, \u00e9 pa\u00eds das palmeiras Sergipe, \u00e9 rio dos siris Goi\u00e1s, \u00e9 gente da mesma ra\u00e7a Piratininga, \u00e9 seca peixe Curitiba, \u00e9 barro branco Mogi-Mirim, \u00e9 riacho das cobras Carioca, \u00e9 casa de branco Anhangaba\u00fa, \u00e9 buraco do diabo e Ipanema, \u00e9 \u00e1gua suja.\n\nEstas s\u00e3o apenas algumas das milhares de palavras do idioma tupi faladas e escritas diariamente e que, identificando locais e cidades nacional e internacionalmente conhecidas, fazem parte do nosso vocabul\u00e1rio di\u00e1rio, por\u00e9m as suas tradu\u00e7\u00f5es ou significados s\u00e3o desconhecidos por todos. Os padres jesu\u00edtas Jos\u00e9 de Anchieta e N\u00f3brega dedicaram suas vidas aos estudos e codifica\u00e7\u00e3o da l\u00edngua tupi-guarani, seus usos, costumes, hist\u00f3ria e origem antropol\u00f3gica desta grande na\u00e7\u00e3o cujo sangue corre em nossas veias, direta ou indiretamente. Centenas de outros jesu\u00edtas sucederam aos pioneiros na continuidade deste trabalho, legando-nos verdadeiros tratados acerca de tal assunto, vez que, j\u00e1 \u00e0quela \u00e9poca, previam a necessidade das futuras gera\u00e7\u00f5es acerca do conhecimento da l\u00edngua bras\u00edlica que faria parte da nossa exist\u00eancia como na\u00e7\u00e3o.\n\nMas a leviandade, o preconceito e o racismo de alguns \u201cintelectual\u00f3ides de beira de jardim\u201d que se revezaram durante anos no controle da educa\u00e7\u00e3o e cultura, desprezaria por completo o trabalho destes jesu\u00edtas, preferindo dar cunho oficial aos anglicanismos, galicismos e estrangeirismos que corroem o nosso idioma e alteram o nosso comportamento.\n\nDe tal maneira desafiaram o conceito de na\u00e7\u00e3o que hoje, nas faculdades, ningu\u00e9m sabe gram\u00e1tica portuguesa e muito menos gram\u00e1tica tupi-guarani.\n\n<strong>E s\u00f3 para exemplificar a\u00ed vai um texto que prova a import\u00e2ncia da cultura ind\u00edgena na nossa vida:<\/strong>\n\n\u201cA\u00ed, o presidente Fernando Henrique Cardoso saiu do pal\u00e1cio \u00e0s margens do Lago do Parano\u00e1, observou uma Siriema que ciscava no pal\u00e1cio do Jaburu, chegou ao seu gabinete sendo recebido pelo mordomo Peri, lembrou a um assessor sobre as comemora\u00e7\u00f5es da Batalha do Humait\u00e1, convocou o ministro do Itamaraty e o governador do Goi\u00e1s, que visitava seu colega no pal\u00e1cio do Buriti, e, uma vez juntos, tomaram um suco de Maracuj\u00e1, comentaram sobre as reformas do est\u00e1dio do Maracan\u00e3 e as recentes obras no vale do Anhangaba\u00fa, riram de um antigo coment\u00e1rio do Bar\u00e3o de Itarar\u00e9 sobre obras p\u00fablicas, e, abrindo uma agenda de pele de Jacar\u00e9, passaram, a decidir sobre o carv\u00e3o de Crici\u00fama, os su\u00ednos de Chapec\u00f3 e a safra de arroz de Una\u00ed.\u201d Viram, falaram, beberam e escreveram em tupi e n\u00e3o se aperceberam disto.\n\nO embara\u00e7o maior, seria se tivessem que traduzir todas estas palavras para o chanceler franc\u00eas que visitava o Brasil.\n\nE j\u00e1 que \u00e9 assim, por que n\u00e3o inserir em todas as placas de ruas, pra\u00e7as, avenidas, estradas, rodovias, monumentos e locais cujos nomes sejam originalmente em l\u00edngua tupi, o significado em portugu\u00eas, o qual, via de regra, poder\u00e1 ser traduzido para qualquer idioma estrangeiro.\n\nE por que n\u00e3o explicar nas escolas prim\u00e1rias e secund\u00e1rias esta fus\u00e3o da<strong>\u00a0l\u00edngua portuguesa\u00a0<\/strong>com a l\u00edngua tupi-guarani e seus fen\u00f4menos topon\u00edmicos e gramaticais usados no cotidiano desde a tenra idade\n\n<strong>Achamos esta sa\u00edda ideal para um problema que tem gerado situa\u00e7\u00f5es embara\u00e7osas para brasileiros no exterior, quando algu\u00e9m pergunta o significado da palavra Ipanema ou, dentro do seu pr\u00f3prio pa\u00eds, quando um filho ou uma filha pergunta:\u00a0<\/strong>\u201c\u2026papai, o que quer dizer Carioca \u201d Diante do desconhecimento total por parte dos brasileiros acerca desta cultura e heran\u00e7a, corremos os risco de permitir que as gera\u00e7\u00f5es futuras pensem que tais palavras, h\u00e1bitos e costumes, fazem parte da cultura e l\u00edngua portuguesa, por\u00e9m, sem significado e explica\u00e7\u00e3o. \u00c9 o m\u00e1ximo !\n\nE, caso algum especialista em educa\u00e7\u00e3o e cultura ache que \u00e9 poss\u00edvel viver sem esta influ\u00eancia lingu\u00edstica, poder\u00e1 come\u00e7ar por retirar todas as palavras da l\u00edngua tupi do nosso vocabul\u00e1rio. Inicialmente, ter\u00e1 que trocar o nome de dez estados e sete capitais brasileiras, cujos nomes s\u00e3o em tupi. Depois trocar os nomes de centenas de munic\u00edpios, milh\u00f5es de ruas, pra\u00e7as, avenidas, estradas, rodovias e localidades topogr\u00e1ficas cujos nomes tamb\u00e9m s\u00e3o origin\u00e1rios da l\u00edngua tupi. E finalmente, ter\u00e1 que mudar milhares de nomes pr\u00f3prios e palavras comuns do nosso dia-a-dia, as quais s\u00e3o verbetes da l\u00edngua tupi. A\u00ed ver\u00e1 que a comunica\u00e7\u00e3o e a locomo\u00e7\u00e3o tornar-se-\u00e3o imposs\u00edveis.\n\n<b>E j\u00e1 que esta terra era propriedade de uma ra\u00e7a t\u00e3o importante que mesmo dizimada nos legou um tratado lingu\u00edstico\u00a0e antropol\u00f3gico de beleza impar, nada melhor do que repetir a c\u00e9lebre frase de Aimber\u00ea, o cacique-comandante da Confedera\u00e7\u00e3o dos Tamoios no Rio de Janeiro:<\/b>\u00a0\u201cNhand\u00ea Coive Ore Retama!\u201d Esta terra, \u00e9 nossa ! \u2013 E \u00e9, por esta raz\u00e3o que me considero um leg\u00edtimo Tupinamb\u00e1\u2026porque no Brasil, TODO DIA, \u00c9 DIA DE \u00cdNDIO !\n\n<strong>OS CINCO S\u00c9CULOS DA L\u00cdNGUA PORTUGUESA NO BRASIL<\/strong>\n\n<strong>Brasil \u2013 Col\u00f4nia<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>idioma portugu\u00eas<\/strong>, j\u00e1 dotado de rica literatura e de disciplina gramatical, n\u00e3o encontrou, na Terra de Santa Cruz, ambiente prop\u00edcio \u00e0 sua imediata implanta\u00e7\u00e3o por serem predominantes o elemento ind\u00edgena e o africano (os primeiros escravos negros datam do s\u00e9culo XVI).\n\nO pr\u00f3prio elemento branco domiciliado na col\u00f4nia tamb\u00e9m foi respons\u00e1vel por essa dificuldade de se impor a l\u00edngua portuguesa.\n\nOs cruzamentos eram quase todos de mulheres \u00edndias com portugueses, que, dedicados integralmente aos seus afazeres agr\u00edcolas ou comerciais, n\u00e3o dispunham de tempo para ensinar aos filhos o idioma p\u00e1trio, ensejando, assim, \u00e0s mulheres iniciarem-nos no uso da l\u00edngua nativa. Houve at\u00e9, nessa \u00e9poca, certa predile\u00e7\u00e3o pelo tupi, pois os portugueses, por necessidade de comunica\u00e7\u00e3o com os selvagens, tiveram tamb\u00e9m de aprender esse falar ind\u00edgena da costa colonial, o qual era mais ou menos uniforme.\n\nOs jesu\u00edtas, com destaque para Anchieta, igualmente contribu\u00edram para o crescente predom\u00ednio do tupi. Visando \u00e0 catequese dos selvagens, estudavam-lhes a l\u00edngua, organizando a sua gram\u00e1tica e o dicion\u00e1rio para melhor resultado do apostolado. Por outro lado, nos col\u00e9gios que fundaram, ensinavam aos filhos dos colonos n\u00e3o s\u00f3 o portugu\u00eas mas tamb\u00e9m o tupi.\n\nOutro fator para o crescente uso e expans\u00e3o do tupi foram as entradas e as bandeiras. Nas expedi\u00e7\u00f5es ao sert\u00e3o a dentro, ligando o litoral ao interior, os bandeirantes, que tinham ordinariamente guias \u00edndios, faziam do abanhe\u00e9m (nome da l\u00edngua geral do Brasil, vulgarmente dita tupi-guarani) o instrumento de suas comunica\u00e7\u00f5es di\u00e1rias, o que explica os in\u00fameros top\u00f4nimos ind\u00edgenas em regi\u00f5es que n\u00e3o eram ocupadas pelos tupis.\n\nA influ\u00eancia da l\u00edngua geral foi grande, porquanto era necess\u00e1ria aos mercadores nas suas viagens, aos aventureiros em suas investidas pelo interior, aos habitantes da col\u00f4nia em seu contato com o gentio.\n\n<strong>O seu dom\u00ednio se prolongou por dois s\u00e9culos e meio de coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa, sendo interessante o depoimento de Francisco Xavier Mendon\u00e7a Furtado, que chamava \u00e0 l\u00edngua geral \u201d inven\u00e7\u00e3o diab\u00f3lica\u201d, acerca de dois fatos que muito o irritaram e o obrigaram a adotar medidas mais efetivas na repress\u00e3o ao uso dessa l\u00edngua<\/strong>: O primeiro foi virem \u00e0 minha casa umas crian\u00e7as filhos de umas pessoas Principais desta terra, e falando eu com elas, que entendendo pouco Portugu\u00eas, compreendiam e se explicavam bastante na l\u00edngua tapuia, ou chamada geral. O segundo foi ver debaixo de minha janela dois negros dos que proximamente se est\u00e3o introduzindo da Costa da \u00c1frica, falando desembara\u00e7adamente a sobredita l\u00edngua e n\u00e3o compreendendo nada da portuguesa.\n\nPor outro lado, a necessidade de comunica\u00e7\u00e3o entre os senhores e escravos negros fez surgir um falar de emerg\u00eancia que tinha por base a l\u00edngua portuguesa. Alterada e simplificada na boca dos escravos, formaram-se, consequentemente, os dialetos crioulos do Brasil.\n\nAt\u00e9 a metade do s\u00e9culo XVIII, nas regi\u00f5es perif\u00e9ricas das vilas e cidades, na zona rural ou nos lugares onde n\u00e3o havia ocorrido a transcultura\u00e7\u00e3o, falou-se tupi, nag\u00f4 ou quimbundo, e principalmente a l\u00edngua de circunst\u00e2ncia, a qual, sendo meio-portugu\u00eas, ia servindo de instrumento de comunica\u00e7\u00e3o para quem n\u00e3o tinha conhecimento de qualquer idioma africano ou ind\u00edgena.\n\nO governo metropolitano, por\u00e9m, preocupava-se em difundir a l\u00edngua portuguesa, sobretudo a partir da primeira metade do s\u00e9culo XVIII, recomendando aos mission\u00e1rios que ensinassem aos \u00edndios o portugu\u00eas. Em 1757, com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, proibiu-se o uso da l\u00edngua geral e, concomitantemente, tornava-se obrigat\u00f3rio o emprego da l\u00edngua portuguesa, pois a classe dominante n\u00e3o descartaria o prest\u00edgio advindo da sua condi\u00e7\u00e3o de senhores da terra, substituindo a sua pr\u00f3pria l\u00edngua.\n\n<strong>Outros fatores contribu\u00edram para a consagra\u00e7\u00e3o da l\u00edngua portuguesa:<\/strong>\u00a0exprimia a melhor forma de civiliza\u00e7\u00e3o; era a l\u00edngua da administra\u00e7\u00e3o; exigia-se seu conhecimento nos concursos p\u00fablicos; nela eram redigidos os livros de fic\u00e7\u00e3o ou de ci\u00eancia, os contratos, testamentos, registros, transmiss\u00f5es e todos os documentos jur\u00eddicos; era a l\u00edngua da escola; sendo apenas falado, o tupi carecia da categoria de l\u00edngua escrita liter\u00e1ria; esmoreceu-se o uso da l\u00edngua geral por n\u00e3o contar mais com o amparo dos jesu\u00edtas, expulsos e perseguidos por Marqu\u00eas de Pombal; sem os jesu\u00edtas, houve o consequente retorno dos \u00edndios \u00e0 primitiva selvageria, indo eles para as zonas mais distantes do Oeste; o Brasil se comunicava em portugu\u00eas com o resto do mundo \u2013 o progresso da civiliza\u00e7\u00e3o favorece o uso de uma l\u00edngua liter\u00e1ria em detrimento de um falar exclusivamente local; a prolifera\u00e7\u00e3o do mesti\u00e7o, cuja ascens\u00e3o social se tornara imperativa da melhor condi\u00e7\u00e3o paterna, sendo, para tal, indispens\u00e1vel o conhecimento da l\u00edngua culta ou padr\u00e3o, fazia aumentar o n\u00famero de usu\u00e1rios da l\u00edngua portuguesa; as sucessivas imigra\u00e7\u00f5es de fam\u00edlias portuguesas (800.000 portugueses segundo Gladstone Chaves de Melo atra\u00eddas pelo progresso da col\u00f4nia, aqui se estabeleceram, irradiando lusitanidade e ensinando espontaneamente a l\u00edngua na sua fei\u00e7\u00e3o continental.\n\nA chegada de D.Jo\u00e3o VI em 1807 veio favorecer a expans\u00e3o e a consolida\u00e7\u00e3o do emprego da l\u00edngua portuguesa.\n\nA passagem do Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Vice-Reino e mais tarde a transforma\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro na capital da na\u00e7\u00e3o portuguesa fizeram da escola importante agente para o definitivo aportuguesamento da linguagem brasileira. O surgimento da Impress\u00e3o R\u00e9gia, proporcionando a edi\u00e7\u00e3o de livros e jornais no Brasil, aumentou o n\u00famero de leitores nacionais.\n\nAntes da chegada do Pr\u00edncipe Regente, o portugu\u00eas j\u00e1 sobressa\u00eda como l\u00edngua de cultura; o tupi e os dialetos crioulos eram utilizados apenas como l\u00edngua de circunst\u00e2ncia ou geral, facilitando os contatos entre gente analfabeta e inculta.\n\nA l\u00edngua geral foi paulatinamente deixando de ser usada, firmando-se a l\u00edngua portuguesa, a partir da segunda metade do s\u00e9culo XVIII, como l\u00edngua pr\u00f3pria e \u00fanica do pa\u00eds, com a qual todos se comunicavam e expressavam por escrito seus pensamentos e sentimentos e na qual eram expedidos todos os documentos oficiais.\n\nDo ponto de vista lingu\u00edstico a consequ\u00eancia ser\u00e1 o triunfo da l\u00edngua de maior pot\u00eancia cultural, ou seja, o Portugu\u00eas, tal como as elites procuravam pratic\u00e1-lo.\n\nToda essa massa ondulante e sequiosa de ascens\u00e3o social buscava integrar-se no estilo de vida das classes superiores e encontrava no polimento da linguagem um dos instrumentos mais eficientes para consegui-lo.\n\nA escola representou, ent\u00e3o, um papel decisivo no definitivo aportuguesamento da linguagem brasileira padr\u00e3o.\n\n<strong>Brasil \u2013 Independente<\/strong>\n\nAt\u00e9 as margens pl\u00e1cidas do Ipiranga ouvirem o brado retumbante de um povo heroico, os modelos lingu\u00edsticos e liter\u00e1rios eram importados da Corte de Lisboa e da Universidade de Coimbra.\n\nCondenava-se tudo aquilo que n\u00e3o se coadunava com o figurino ditado pela metr\u00f3pole. Os puristas e os gram\u00e1ticos n\u00e3o aceitavam as altera\u00e7\u00f5es que aqui se processavam naturalmente, exigindo total submiss\u00e3o aos padr\u00f5es liter\u00e1rios e lingu\u00edsticos.\n\nContudo, certas manifesta\u00e7\u00f5es de sentimento de brasilidade na literatura colonial j\u00e1 come\u00e7avam aflorar sobretudo nas obras do Grupo Mineiro ou Pl\u00eaiade Mineira, c\u00e9lebre por conter as principais figuras da Inconfid\u00eancia. Esse grupo de poetas reunia \u00e9picos e l\u00edricos impregnados do sentimento nativista, cantando em seus poemas a terra virgem da p\u00e1tria nas suas cores, nos seus frutos, na sua exuber\u00e2ncia tropical.\n\nO influxo do movimento liter\u00e1rio proveniente da Fran\u00e7a o Romantismo veio satisfazer plenamente as nossas aspira\u00e7\u00f5es de liberdade ao coincidir com os primeiros anos de independ\u00eancia e transformou-se num poderoso ve\u00edculo de emancipa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Das caracter\u00edsticas rom\u00e2nticas, a que mais se acentuou no Brasil foi a do patriotismo. A fobia lusitana fazia que os escritores repudiassem a imita\u00e7\u00e3o dos cl\u00e1ssicos portugueses e buscassem novas fontes de inspira\u00e7\u00e3o genuinamente brasileiras.\n\n<strong>Os temas nacionais ganhavam a sua prefer\u00eancia:<\/strong>\u00a0transformavam o \u00edndio em supimpa mat\u00e9ria liter\u00e1ria, surgindo da\u00ed o indianismo, cujos arautos foram Gon\u00e7alves Dias no verso e Jos\u00e9 de Alencar na prosa; insurgem-se contra tudo que \u00e9 luso, pretendendo mesmo criar uma l\u00edngua nacional, cujo movimento foi encabe\u00e7ado pelos mesmos Gon\u00e7alves Dias e Jos\u00e9 de Alencar; iam abeberar-se no folclore brasileiro para as suas cria\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias; usavam a literatura como arma pol\u00edtica e social, servindo \u00e0 causa da Aboli\u00e7\u00e3o e da Rep\u00fablica.\n\nO Romantismo quebrou a fidelidade da produ\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria aos padr\u00f5es cl\u00e1ssicos portugueses, n\u00e3o podendo ser mais, como antes, simples ramo da literatura lusa.\n\nIntroduziu na nossa literatura a maneira brasileira de sentir e encarar o mundo, de traduzir os sentimentos e as rea\u00e7\u00f5es. Data de ent\u00e3o a exist\u00eancia de uma literatura brasileira pelo conte\u00fado e pela forma. No entanto, nada h\u00e1 que afete a estrutura lingu\u00edstica comum aos dois povos; a l\u00edngua \u00e9 a mesma, apenas os estilos nacionais s\u00e3o diferentes.\n\nEm 13 de fevereiro de 1922, com a Semana da Arte Moderna, outro surto da literatura brasileira o Modernismo levanta novamente o problema do nacionalismo lingu\u00edstico. Com M\u00e1rio de Andrade, o uso da l\u00edngua popular na l\u00edngua liter\u00e1ria foi muito al\u00e9m do Romantismo. Em Macuna\u00edma, obra de M\u00e1rio de Andrade, o aproveitamento excessivo da l\u00edngua falada em busca da cria\u00e7\u00e3o de uma l\u00edngua liter\u00e1ria essencialmente brasileira em seus modismos l\u00e9xicos e sint\u00e1ticos, sem preocupa\u00e7\u00e3o alguma com os moldes cl\u00e1ssicos e tradicionais da l\u00edngua padr\u00e3o, chega a prejudicar o entendimento da mensagem do autor.\n\nSurge, ent\u00e3o, o movimento da l\u00edngua brasileira, resultante do confronto entre as falas regionais ou populares do Brasil e as de Portugal. Esse movimento identifica diferen\u00e7as na pron\u00fancia, no vocabul\u00e1rio e na sintaxe, ignorando que, acima das variantes regionais e dos estratos sociais, existe a forma lingu\u00edstica padr\u00e3o que as pessoas cultas de qualquer regi\u00e3o do mesmo pa\u00eds procuram praticar.\n\n\u00c9 incontest\u00e1vel que a l\u00edngua culta \u00e9 a mesma nos dois pa\u00edses, bem como nos demais da comunidade lus\u00f3fona; constitu\u00edmos uma estrutura lingu\u00edstica comum e que, em consequ\u00eancia, fazemos parte do mesmo dom\u00ednio lingu\u00edstico, ali\u00e1s ainda mais vasto, pois engloba territ\u00f3rios de \u00c1frica e de \u00c1sia.\u201d\n\nAs diferen\u00e7as sint\u00e1ticas apontadas pelos brasileiristas se devem aos recursos expressionais que a l\u00edngua portuguesa oferece, escolhendo o brasileiro um, e o portugu\u00eas outro.\n\n<strong>Na conjuga\u00e7\u00e3o perifr\u00e1stica, o portugu\u00eas usa o verbo no infinitivo: estou a escrever; o brasileiro prefere o ger\u00fandio ao infinitivo, conservando a forma usual no portugu\u00eas arcaico:\u00a0<\/strong>estou escrevendo.\n\nA nossa pron\u00fancia reflete o sistema fon\u00e9tico do s\u00e9culo XVI. \u00c9 abusiva e incompreens\u00edvel tolice sustentar que a diferen\u00e7a de uma l\u00edngua, ou dialeto, para outra, consiste apenas na pros\u00f3dia.\n\nA pronuncia \u00e9 sinal ou sintoma de outras diferencia\u00e7\u00f5es, exc\u00eantricas ou conc\u00eantricas, que caracterizam qualquer tipo de linguagem. O sotaque tem diferencia\u00e7\u00f5es infinitesimais e cada pessoa pode ser conhecida pela voz.\n\n\u00c0s diferen\u00e7as de timbre correspondem outras diferen\u00e7as fundamentais. O vocabul\u00e1rio foi enriquecido de palavras e express\u00f5es ind\u00edgenas e africanas e o continua sendo com os empr\u00e9stimos tomados de outras l\u00ednguas.\n\nOcorre muitas vezes no Brasil uso de palavras de material essencialmente portugu\u00eas, justificando-se a prefer\u00eancia pelo modo de ser e sentir do brasileiro, pela sua cultura lingu\u00edstica, pela influ\u00eancia do meio f\u00edsico e social, que o sensibiliza para as compara\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00f5es de imagens e met\u00e1foras; assim esp\u00e1tula, aeromo\u00e7a, fila, refrigerador cochilar correspondem em Portugal, respectivamente, a corta-papel ou faca de cortar papel, hospedeira, bicha, frigor\u00edfico, dormitar ou toscanejar. Neste caso, pode-se dizer que tal emprego \u00e9 portugu\u00eas do Brasil, uma vez que a diferen\u00e7a \u00e9 uma quest\u00e3o de escolha das op\u00e7\u00f5es.\n\nS\u00f3 se devem denominar de brasileirismos as palavras e express\u00f5es de uso exclusivamente regional.\n\nA\u00a0<strong>l\u00edngua portuguesa<\/strong>, escreve Serafim da Silva Neto, pertence a todos que a falam\u2026Por isso os brasileiros s\u00e3o t\u00e3o propriet\u00e1rios quanto os portugueses dessa l\u00edngua que nos \u00e9 comum.\n\nEm 15 de outubro de 1940, a comiss\u00e3o encarregada de opinar sobre a denomina\u00e7\u00e3o do idioma nacional, dirime essa controv\u00e9rsia, concluindo pela unidade lingu\u00edstica entre Portugal e o Brasil, conforme a seguir fragmento do seu parecer, cujo relator foi o Professor Sousa da Silveira\n\nOs estudos lingu\u00edsticos, s\u00e9rios e imparciais, aplicados ao Brasil, fazem-nos concluir que a nossa l\u00edngua nacional \u00e9 a l\u00edngua portuguesa, com pron\u00fancia nossa, algumas leves diverg\u00eancias sint\u00e1ticas em rela\u00e7\u00e3o ao idioma atual de al\u00e9m-mar, e o vocabul\u00e1rio enriquecido por elementos ind\u00edgenas e africanos e pelas cria\u00e7\u00f5es e ado\u00e7\u00f5es realizadas em nosso meio.\n\n<strong>As palavras brasileiras s\u00e3o iguais \u00e0s portuguesas na sua composi\u00e7\u00e3o fon\u00e9tica, apenas diferindo na pron\u00fancia; os nomes de n\u00fameros s\u00e3o os mesmos em Portugal e no Brasil; as conjuga\u00e7\u00f5es s\u00e3o as mesmas, num e noutro pa\u00eds; as mesmas s\u00e3o tamb\u00e9m as palavras gramaticais<\/strong>: os pronomes (pessoais, possessivos, demonstrativos, relativos, interrogativos, indefinidos), os artigos, os adv\u00e9rbios (de tempo, modo, quantidade, lugar, afirma\u00e7\u00e3o, nega\u00e7\u00e3o) as preposi\u00e7\u00f5es e as conjun\u00e7\u00f5es. Em geral \u00e9 o mesmo g\u00eanero gramatical c\u00e1 e l\u00e1; s\u00e3o as mesmas regras de forma\u00e7\u00e3o do plural, o mesmo sistema de graus de substantivos e adjetivos; os mesmos preceitos de concord\u00e2ncia nominal e verbal; quase na totalidade dos casos \u00e9 a mesma reg\u00eancia dos complementos dos nomes e dos verbos; o mesmo emprego de modos e tempos, e a mesma estrutura geral do per\u00edodo quanto \u00e0 sucess\u00e3o das ora\u00e7\u00f5es e \u00e0 liga\u00e7\u00e3o de umas com outras.\n\nLemos e compreendemos t\u00e3o bem uma p\u00e1gina de E\u00e7a de Queir\u00f3s quanto uma de Machado de Assis; e quando, em escrito de autor brasileiro ou portugu\u00eas, desconhecemos o significado de qualquer palavra, recorremos, salvo tratando-se de algum termo muito restritamente regionalista, a um dicion\u00e1rio da\u00a0<strong>L\u00cdNGUA PORTUGUESA<\/strong>; nunca o brasileiro para ler, compreendendo um jornal ou livro portugu\u00eas, precisou de aprender previamente a l\u00edngua de Portugal como se aprende uma l\u00edngua estrangeira; n\u00e3o h\u00e1 dicion\u00e1rio Portugu\u00eas-Brasileiro, nem Brasileiro-Portugu\u00eas, como h\u00e1, por exemplo, dicion\u00e1rio Portugu\u00eas-Espanhol e Espanhol-Portugu\u00eas; a gram\u00e1tica da l\u00edngua nacional do Brasil \u00e9 a mesma gram\u00e1tica portuguesa.\n\n<strong>Afirma\u00e7\u00f5es id\u00eanticas a essas que acabamos de fazer n\u00e3o teriam lugar se compar\u00e1ssemos o Portugu\u00eas com o Espanhol, n\u00e3o obstante serem l\u00ednguas rom\u00e2nicas parecid\u00edssimas uma com a outra:<\/strong>\u00a0\u00e9 que Espanhol e Portugu\u00eas s\u00e3o l\u00ednguas diversas, ao passo que \u00e9 a mesma l\u00edngua a que se fala e escreve no Brasil e a que se fala e escreve em Portugal.\n\nQuando os linguistas tratam de Geografia das l\u00ednguas rom\u00e2nicas, incluem a l\u00edngua do Brasil no dom\u00ednio do Portugu\u00eas; e nas estat\u00edsticas relativas ao n\u00famero de pessoas que falam as grandes l\u00ednguas do globo, o povo brasileiro figura entre os de l\u00edngua portuguesa.\n\n<strong>A Forma\u00e7\u00e3o da L\u00edngua Portuguesa no Brasil<\/strong>\n\nA l\u00edngua \u00e9 um organismo vivo que se modifica ao longo do tempo. Palavras novas surgem para expressar conceitos igualmente novos; outras deixam de ser utilizadas, sendo substitu\u00eddas.\n\nNa \u00e9poca das grandes navega\u00e7\u00f5es, Portugal conquistou in\u00fameras col\u00f4nias e o idioma portugu\u00eas foi influenciado pelas l\u00ednguas faladas nesses lugares, incorporando termos diferentes como \u201cjangada\u201d, de origem malaia, e \u201cch\u00e1\u201d, de origem chinesa. O per\u00edodo renascentista tamb\u00e9m provocou uma s\u00e9rie de modifica\u00e7\u00f5es na l\u00edngua, que recebeu termos eruditos, especialmente aqueles relacionados \u00e0 arte.\n\nOs colonizadores portugueses, principalmente os padres jesu\u00edtas, difundiram o idioma no Brasil. No entanto, diversas palavras ind\u00edgenas foram incorporadas ao portugu\u00eas e, posteriormente, express\u00f5es utilizadas pelos escravos africanos e imigrantes tamb\u00e9m foram adotadas. Assim, o idioma portugu\u00eas foi se juntando \u00e0 fam\u00edlia lingu\u00edstica tupi-guarani, em especial o Tupinamb\u00e1, um dos dialetos Tupi. Os \u00edndios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa \u201cl\u00edngua geral\u201d, o Tupinamb\u00e1. Em 1694, a l\u00edngua geral reinava na ent\u00e3o col\u00f4nia portuguesa, com caracter\u00edsticas de l\u00edngua liter\u00e1ria, pois os mission\u00e1rios traduziam pe\u00e7as sacras, ora\u00e7\u00f5es e hinos, na catequese.\n\nCom a chegada do idioma iorub\u00e1 (Nig\u00e9ria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da \u00c1frica, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presen\u00e7a pol\u00edtica.\n\nUma das primeiras medidas que adotou, ent\u00e3o, foi obrigar o ensino da\u00a0<strong>L\u00edngua Portuguesa<\/strong>\u00a0aos \u00edndios.\n\nDesde o s\u00e9culo XVI, \u00e9poca da forma\u00e7\u00e3o do Portugu\u00eas moderno, o portugu\u00eas falado em Portugal manteve-se mais imperme\u00e1vel \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas externas. J\u00e1 o Brasil, em decorr\u00eancia do processo de forma\u00e7\u00e3o de sua nacionalidade, esteve mais aberto \u00e0s contribui\u00e7\u00f5es lingu\u00edsticas de outros povos.\n\nAinda hoje o portugu\u00eas \u00e9 constantemente influenciado por outras l\u00ednguas. \u00c9 comum surgirem novos termos para denominar as novas tecnologias do mundo moderno, al\u00e9m de palavras t\u00e9cnicas em ingl\u00eas e em outros idiomas que se aplicam \u00e0s descobertas da medicina e da ci\u00eancia. Assim, o contato com l\u00ednguas estrangeiras faz com que se incorporem ao idioma outros voc\u00e1bulos, em sua forma original ou aportuguesados.\n\nAtualmente, existem muitas diferen\u00e7as entre o portugu\u00eas que falamos no Brasil e o que se fala em Portugal. Tais diferen\u00e7as n\u00e3o se limitam apenas \u00e0 pron\u00fancia das palavras, facilmente notabilizada na linguagem oral.\n\nExistem tamb\u00e9m diferen\u00e7as de vocabul\u00e1rio (s\u00f3 para citar um exemplo, no Brasil dizemos \u201ctrem\u201d, em Portugal se diz \u201ccomboio\u201d) e de constru\u00e7\u00e3o gramatical (enquanto no Brasil se utiliza uma constru\u00e7\u00e3o como \u201cestou estudando\u201d, em Portugal prefere-se a forma \u201cestou a estudar\u201d).\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Brasil<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Portugal<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Banheiro<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Quarto de banho<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">A\u00e7ougue\/A\u00e7ogueiro<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Talho\/Talhante<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Fila<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Bicha<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00d4nibus<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Autocarro<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Trem<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Comb\u00f3io<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Toca-fitas<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Leitor de cassetes<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00a0Tela (de TV)<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00c9cran<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Um \u201cacontecimento\u201d no Brasil\u2026<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u2026.\u00e9 um \u201cfacto\u201d em Portugal<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Terno<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Fato<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Menino\/garoto<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u201cputo\u201d<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Meias masculinas<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Pe\u00fagas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Cueca<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Boxer<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Multa<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Coima<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u201cmeia\u201d<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">6 (seis)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Galera<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Turma<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Embarca\u00e7\u00e3o<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Galera<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Usu\u00e1rio<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Utilizador<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Xerox<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Fotoc\u00f3pia<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Ca\u00e7a comprida<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Pantalona<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<strong>Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa de 1990<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Acordo Ortogr\u00e1fico de 1990<\/strong>\u00a0foi proposto para criar uma norma ortogr\u00e1fica \u00fanica, de que participaram na altura todos os pa\u00edses de l\u00edngua oficial portuguesa, com a ades\u00e3o da delega\u00e7\u00e3o de observadores da Galiza.\n\nOs signat\u00e1rios que ratificaram o acordo original foram Portugal (1991), Brasil (1996), Cabo Verde (2006) e S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (2006). Timor-Leste, n\u00e3o sendo um subscritor do acordo original, ratificou-o em 2004.\n\nEm julho de 2004 foi aprovado, em S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe, o Segundo Protocolo Modificativo, durante a C\u00fapula dos Chefes de Estado e de governo da CPLP.\n\nO Segundo Protocolo permitiu que o Acordo passasse a vigorar com a ratifica\u00e7\u00e3o de apenas tr\u00eas pa\u00edses, sem a necessidade de aguardar que todos os demais membros da CPLP adotassem o mesmo procedimento.\n\nAssim, tendo em vista que o Segundo Protocolo Modificativo foi ratificado pelo Brasil (2004), Cabo Verde (2006) e S. Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe (Dez. 2006), e que o Acordo passaria automaticamente a vigorar um m\u00eas ap\u00f3s a terceira ratifica\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, o Acordo Ortogr\u00e1fico da L\u00edngua Portuguesa est\u00e1 em vigor, na ordem jur\u00eddica internacional e nos ordenamentos jur\u00eddicos dos tr\u00eas Estados acima indicados, desde 1\u00ba de Janeiro de 2007. Cf. Nota da CPLP\n\n<strong>Portugu\u00eas, a l\u00edngua oficial do Brasil<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159478 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Idioma2-300x272.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"272\" \/><strong>Portugu\u00eas &#8211; l\u00edngua oficial do Brasil<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>idioma portugu\u00eas<\/strong>\u00a0chegou ao territ\u00f3rio brasileiro a bordo das naus portuguesas, no S\u00e9culo XVI, para se juntar \u00e0 fam\u00edlia lingu\u00edstica tupi-guarani, em especial o Tupinamb\u00e1, um dos dialetos Tupi.\n\nOs \u00edndios, subjugados ou aculturados, ensinaram o dialeto aos europeus que, mais tarde, passaram a se comunicar nessa l\u00edngua geral \u2013 o Tupinamb\u00e1.\n\nEm 1694, a l\u00edngua geral reinava na ent\u00e3o col\u00f4nia portuguesa, com caracter\u00edsticas de l\u00edngua liter\u00e1ria, pois os mission\u00e1rios traduziam pe\u00e7as sacras, ora\u00e7\u00f5es e hinos, na catequese.\n\nCom a chegada do idioma iorub\u00e1 (Nig\u00e9ria) e do quimbundo (Angola), por meio dos escravos trazidos da \u00c1frica, e com novos colonizadores, a Corte Portuguesa quis garantir uma maior presen\u00e7a pol\u00edtica.\n\nUma das primeiras medidas que adotou, ent\u00e3o, foi obrigar o ensino da L\u00edngua Portuguesa aos \u00edndios.\n\n<strong>Lei do diret\u00f3rio<\/strong>\n\nEm seguida, o Marques de Pombal promulgou a Lei do Diret\u00f3rio (1757) que abrangia a \u00e1rea compreendida pelos estados do Par\u00e1 e do Maranh\u00e3o, um ter\u00e7o do territ\u00f3rio brasileiro de ent\u00e3o.\n\nEsta lei considerava a l\u00edngua geral uma inven\u00e7\u00e3o verdadeiramente abomin\u00e1vel e diab\u00f3lica e proibia \u00e0s crian\u00e7as, filhos de portugueses, e aos ind\u00edgenas aprenderem outro idioma que n\u00e3o o portugu\u00eas.\n\n<strong>Em 1759, um alvar\u00e1 ampliou a Lei do Diret\u00f3rio:<\/strong>\u00a0tornou obrigat\u00f3rio o uso da l\u00edngua portuguesa como idioma oficial em todo o territ\u00f3rio nacional.\n\n<strong>Portanto, ao longo de dois s\u00e9culos, o Brasil possuiu dois idiomas:<\/strong>\u00a0a l\u00edngua geral ou tupinamb\u00e1 e o portugu\u00eas.\n\n<strong>Portugu\u00eas no mundo<\/strong>\n\nHoje, o mundo que fala portugu\u00eas (lus\u00f3fono) soma cerca de 200 milh\u00f5es de pessoas. \u00c9 o oitavo idioma mais falado no planeta e a terceira entre as l\u00ednguas ocidentais, ap\u00f3s o ingl\u00eas e o castelhano.\n\n<strong>\u00c9, ainda, o idioma oficial de sete pa\u00edses, todos eles ex-col\u00f4nias portuguesas:\u00a0<\/strong>Angola, Brasil, Cabo Verde, Guin\u00e9 Bissau, Mo\u00e7ambique, Portugal e S\u00e3o Tom\u00e9 e Pr\u00edncipe.\n\nCom a admiss\u00e3o de Portugal na Uni\u00e3o Europeia, o portugu\u00eas passou a ser uma de suas l\u00ednguas oficiais.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.brazzilbrief.com\/www.mackenzie.br\/www.colegiosantarosa.com\/www.brasil.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Idioma do Brasil, Pa\u00eds, Oficial, Portugu\u00eas, Forma\u00e7\u00e3o , Mundo, L\u00edngua, Portuguesa, Gram\u00e1tica, Uso, Tipo, Origem, Hist\u00f3ria, Idioma do Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9656,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-9655","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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