{"id":9524,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/seringueiros\/"},"modified":"2026-08-31T19:03:01","modified_gmt":"2026-08-31T19:03:01","slug":"seringueiros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/seringueiros\/","title":{"rendered":"Seringueiros"},"content":{"rendered":"\n<strong>Seringueiros &#8211; O que s\u00e3o<\/strong>\n\nA floresta amaz\u00f4nica \u00e9 o \u00fanico lugar no mundo onde as seringueiras crescem em estado selvagem.\n\nPor gera\u00e7\u00f5es, os seringueiros fizeram a sua vida atrav\u00e9s da extra\u00e7\u00e3o da seiva leitosa (chamado de l\u00e1tex), sem prejudicar as \u00e1rvores.\n\nDepois da Segunda Guerra Mundial a produ\u00e7\u00e3o Brasileira de borracha entrou em crise de novo.\n\nApesar do pre\u00e7o baixo, a borracha permaneceu o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o do Acre. O que tinha mudado era a estrutura econ\u00f4mica.\n\nDepois que a maioria dos seringalistas tinham falido muitos dos trabalhadores ficaram na \u00e1rea do seringal e se tornaram\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0posseiros, inclusive podendo cultivar a terra (que antes era interdito para eles), vendendo a borracha para revendedores ambulantes chamados \u201cRegat\u00f5es\u201d ou \u201cMareteiros\u201d.\n\nEstes Mareteiros enganaram muito o seringueiro e mesmo como os antigos seringalistas mantiveram ele numa depend\u00eancia econ\u00f4mica, o trabalho do\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>.\n\nRegularmente o\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>\u00a0anda nas trilhas que passam pelas seringas, em cujos troncos ele aplica cortes diagonais.\n\nAssim o l\u00e1tex vai saindo e escorrendo num pote amarrado na \u00e1rvore e pode ser recolhido na pr\u00f3xima volta. Este l\u00e1tex liquido antigamente foi aplicado em varas, os quais eram giradas na fuma\u00e7a em cima da fogueira.\n\nCom o calor o l\u00e1tex ficava solido e com a fuma\u00e7a ficava resistente contra fungos. Assim se formavam fardos de borracha de mais ou menos meio metro de di\u00e2metro. Esta t\u00e9cnica hoje em dia quase n\u00e3o se usa mais.\n\nHoje existem outras formas de processamento do l\u00e1tex sem fuma\u00e7a. A forma de subsist\u00eancia como seringueiro \u00e9 at\u00e9 hoje a mais comum entre os moradores da floresta.\n\nOs\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0de hoje, sendo a maioria \u00edndios ou mesti\u00e7os, chamados \u201ccaboclos\u201d, n\u00e3o extraem s\u00f3 o L\u00e1tex, mas tamb\u00e9m outros produtos da floresta, principalmente a Castanha do Brasil.\n\nEles tamb\u00e9m exercem agricultura e ca\u00e7a para o pr\u00f3prio uso em pequena extens\u00e3o.\n\nAs casas dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0s\u00e3o simples, cobertas de palha. Muitas vezes onde eles moram n\u00e3o tem escolas nem assist\u00eancia medica.\n\nO usufruto sustent\u00e1vel da floresta pluvial pelos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0\u00e9 uma forma de conviv\u00eancia harmoniosa e ecologicamente consistente de homem e floresta pluvial.\n\nA situa\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica da floresta amaz\u00f4nica \u00e9 inseparavelmente ligada \u00e1 situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u2026\n\n<strong>O trabalho de um seringueiro<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>Seringueiros<\/strong>\u00a0foram muito usados para exterminar as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Quando o seringalista, o dono do seringal, sabia que existia uma regi\u00e3o habitada por \u00edndios, reunia os seringueiros para que atacassem e destru\u00edssem as malocas. Depois do massacre, ali constru\u00edam o barrac\u00e3o, a sede do seringal.\n\nMas a vida dos seringueiros n\u00e3o era f\u00e1cil. Devido ao isolamento no meio da florestas, as fam\u00edlias compravam as mercadorias de primeira necessidade, como sal, redes, p\u00f3lvora e f\u00f3sforos, no barrac\u00e3o do patr\u00e3o.\n\n<strong>O dinheiro para pagar essas mercadorias era ganho com o trabalho de cortar seringa:<\/strong>\u00a0fazer o corte na casca da seringa e recolher o l\u00e1tex que escorre.\n\nMas, como o pre\u00e7o cobrado pelas mercadorias n\u00e3o era muito alto, o dinheiro ganho nunca era suficiente para pag\u00e1-las, e as fam\u00edlias ficavam sempre devendo no barrac\u00e3o do patr\u00e3o.\n\nEnquanto n\u00e3o pagassem, n\u00e3o poderiam abandonar o seringal. Se tentassem fugir, a pol\u00edcia e os jagun\u00e7os os matavam. Com isso, o seringueiro tornava-se um tipo de escravo.\n\nNo seringal tamb\u00e9m existe at\u00e9 hoje o regat\u00e3o. Ele \u00e9 um comerciante que coloca mercadorias em barcos e desce o rio trocando-as por borracha. Assim como o seringalista, o regat\u00e3o vende as mercadorias por um pre\u00e7o alto e paga um baixo pre\u00e7o pela borracha.\n\nOs\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0fizeram o personagem principal do Ciclo da Borracha, que ocorreu, em seu auge, durante os anos de 1879 e 1912. Per\u00edodo esse que deu um grande impulso econ\u00f4mico em cidades como Manaus, Porto Velho e Bel\u00e9m. Essa era a vida e o trabalho de um seringueiro.\n\n<strong>Seringueiros da\u00a0<\/strong><b>Amaz\u00f4nia<\/b>\n\nA sofrida hist\u00f3ria dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0\u00e9 pouco conhecida.\n\n<strong>Qual a diferen\u00e7a entre o seringueiro e o seringalista?<\/strong>\n\n<strong>Coron\u00e9is de Barranco<\/strong>\n\n<strong>Com o in\u00edcio da demanda do mundo industrializado pela borracha, os empres\u00e1rios \u201cSeringalistas\u201d, ou \u201cCoron\u00e9is de Barranco\u201d estabeleceram na Amaz\u00f4nia um sistema de semi-escravid\u00e3o capitalista:<\/strong>\u00a0Eles obrigaram grande parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena de forma violenta a trabalhar para eles, transformando-os em \u201c<strong>caboclos seringueiros<\/strong>\u201c. Os trabalhadores nordestinos, que vieram na Amaz\u00f4nia em busca de emprego, ca\u00edram logo na depend\u00eancia econ\u00f4mica dos Seringalistas e se tornaram os \u201c<strong>seringueiros nordestinos<\/strong>\u201c.\n\n<strong>Concorr\u00eancia internacional<\/strong>\n\nOs ingleses logo descobriram o potencial econ\u00f4mico da borracha, e no ano 1876, um Ingl\u00eas chamado Henry Wickham levou sementes de seringa da Amaz\u00f4nia para Inglaterra.\n\nForam formados os seringais de cultivo na Mal\u00e1sia, e a produ\u00e7\u00e3o estrangeira superou logo a produ\u00e7\u00e3o Brasileira.\n\n<strong>Soldados da borracha<\/strong>\n\nHouve um segundo surto da borracha no Brasil durante a segunda guerra mundial, quando aumentou a demanda pela borracha e os brasileiros sujeitos ao servi\u00e7o militar tinham que escolher entre lutar na guerra ou trabalhar como seringueiro na Amaz\u00f4nia. Estes \u201cSoldados da Borracha\u201d nunca conseguiram voltar para a terra deles, porque nunca foram pagos pelos Seringalistas.\n\nCom o falecimento dos Seringalistas, devido \u00e1 concorr\u00eancia internacional, os\u00a0<strong>Seringueiros<\/strong>\u00a0ficaram entregues \u00e1 pr\u00f3pria sorte. At\u00e9 hoje eles sobrevivem cultivando, ca\u00e7ando e vendendo borracha por um pre\u00e7o muito baixo.\n\n<strong>Guardi\u00f5es da floresta<\/strong>\n\nA partir de de 1970 chegaram os fazendeiros na Amaz\u00f4nia, expulsando os\u00a0<strong>Seringueiros<\/strong>, derrubando a floresta e assim iniciando os conflitos de terra.\n\nSob esta amea\u00e7a, os\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0come\u00e7aram a se unir em cooperativas e sindicatos, e surgiram as grandes lideran\u00e7as dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0como Chico Mendes, assassinado em 1988 pelos fazendeiros Darly e Darcy Alves da Silva.\n\nNestes conflitos os\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0se mostraram como os guardi\u00f5es da floresta, e hoje sua conviv\u00eancia com a floresta serve como exemplo, mostrando que o homem pode viver da natureza sem destru\u00ed-la.\n\n<strong>\u00caxodo rural<\/strong>\n\nDevido \u00e0s dificuldades econ\u00f4micas, a falta de condi\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o, mais e mais\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0abandonam a floresta num grande \u00eaxodo rural e v\u00e3o pelas periferias das cidades, onde a mis\u00e9ria continua crescendo.\n\nPara incentivar a perman\u00eancia dos\u00a0<strong>seringueiros na floresta<\/strong>, precisa-se encontrar formas de beneficiamento do l\u00e1tex mais rent\u00e1veis, sendo uma delas o Couro Vegetal.\n\n<strong>Seringueiros e Ribeirinhos<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Seringueiros\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssering22.jpg\" alt=\"Seringueiros\" width=\"346\" height=\"241\" \/><b>Na \u00e9poca das cheias as \u00e1guas\u00a0dos rios amaz\u00f4nicos<\/b>\n<b>lambem os barracos ribeirinhos<\/b><\/p>\nOs\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0acreanos s\u00e3o oriundos dos estados do nordeste do Brasil, sobretudo do Cear\u00e1. Vieram para o Acre, primeiramente, motivados pela seca que atingiu o nordeste a partir de 1877, arrasando as planta\u00e7\u00f5es e cria\u00e7\u00f5es de animais.\n\nVieram tamb\u00e9m, em grande parte, motivados pela busca de melhoria de vida atrav\u00e9s do t\u00e3o falado \u201couro negro\u201d (a borracha). J\u00e1 chegavam endividados pelos custos gerados pela longa viagem, e logo se viam obrigados a aumentar sua d\u00edvida adquirindo junto ao patr\u00e3o seringalista os mantimentos e ferramentas necess\u00e1rias para a sobreviv\u00eancia e o trabalho di\u00e1rio na extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex.\n\nCarne seca, espingarda, muni\u00e7\u00e3o, a faca de cortar seringa, o balde, eram alguns dos utens\u00edlios que o barrac\u00e3o costumava fornecer. Essa forma de endividamento ficou historicamente conhecida por \u201csistema de aviamento\u201d, atrav\u00e9s do qual o seringueiro tinha que se aviar com o patr\u00e3o, que ditava os pre\u00e7os. Nesse sentido, era quase imposs\u00edvel o seringueiro se libertar do patr\u00e3o.\n\nDe in\u00edcio, como n\u00e3o conheciam ainda as t\u00e9cnicas do corte e de sobreviv\u00eancia na floresta, eram apelidados de \u201cbrabos\u201d, denomina\u00e7\u00e3o que carregavam consigo at\u00e9 adquirirem experi\u00eancia com a nova rotina com a qual se deparavam. O seringueiro passou a trabalhar duro, diariamente, se dedicando exclusivamente \u00e0 extra\u00e7\u00e3o da seringa, pois inicialmente n\u00e3o podia plantar, nem para subsist\u00eancia, nem t\u00e3o pouco criar animais.\n\nEssa realidade s\u00f3 come\u00e7ou mudar quando, em 1913, a produ\u00e7\u00e3o dos seringais de plantio da \u00c1sia superou a produ\u00e7\u00e3o brasileira ocasionando uma queda no pre\u00e7o do produto, levando os seringais da Amaz\u00f4nia a uma grave crise. A partir de ent\u00e3o, o seringueiro converteu-se em agricultor e criador de pequenos animais e, ap\u00f3s ter sobrevivido \u00e0 crise do primeiro ciclo da borracha, desenvolveu uma economia familiar baseada em m\u00faltiplos usos dos recursos da floresta, da qual ele passou a ser profundo conhecedor.\n\nA Segunda Guerra Mundial impulsionou o que chamamos de segundo ciclo da borracha.\n\n<strong>Isso se deu, ap\u00f3s a tomada dos seringais asi\u00e1ticos pelos japoneses privando os pa\u00edses aliados contra o nazismo do produto que ficou conhecido como nervo da guerra:<\/strong>\u00a0a borracha.\n\nO governo brasileiro, incentivado pelos norte-americanos, promoveu uma pol\u00edtica de est\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o da borracha dando in\u00edcio \u00e0 \u201cbatalha da borracha\u201d.\n\nSurgiu ent\u00e3o a figura do \u201csoldado da borracha\u201d recrutado do nordeste do pa\u00eds para os seringais da Amaz\u00f4nia, objetivando o aumento da produ\u00e7\u00e3o da seringa.\n\nO fim da guerra causou nova queda nos pre\u00e7os do produto e a consequente fal\u00eancia dos seringais.\n\nA maioria dos seringalistas falidos abandonou suas propriedades dando origem a uma nova categoria nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho que \u00e9 a do seringueiro aut\u00f4nomo, onde o mesmo passou a viver livre dos la\u00e7os de depend\u00eancia com o patr\u00e3o. Ganha for\u00e7a a figura do marreteiro, comerciante ambulante, que percorria os seringais viajando pelos rios e varadouros oferecendo produtos diretamente aos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>, o que muito incomodava os seringalistas donos de barrac\u00e3o.\n\nNa d\u00e9cada de 70, tem in\u00edcio uma nova fase na trajet\u00f3ria de lutas dos\u00a0<strong>seringueiros acreanos<\/strong>. Isso porque o governo federal, com apoio do governo estadual passou a oferecer incentivos fiscais para a implanta\u00e7\u00e3o da pecu\u00e1ria na regi\u00e3o. Fazendeiros, vindos do centro-sul do pa\u00eds adquiriam terras a pre\u00e7os baixos e nela passaram a plantar pasto para a cria\u00e7\u00e3o de gado. Vinham do Paran\u00e1, Mato Grosso ou S\u00e3o Paulo, mas ficaram mesmo conhecidos por \u201cpaulistas\u201d.\n\nEssa pol\u00edtica for\u00e7ou o \u00eaxodo de\u00a0<strong>seringueiros e extrativistas<\/strong>\u00a0para as periferias das cidades e para o pa\u00eds vizinho, a Bol\u00edvia. Os que se recusaram a sair das coloca\u00e7\u00f5es se organizaram com a ajuda da Contag (Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Trabalhadores na Agricultura), criando os sindicatos de trabalhadores rurais que atuaram na defesa da floresta e na briga pelo direito a terra.\n\nOs\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0passaram a praticar os \u201cempates\u201d, manifesta\u00e7\u00e3o pac\u00edfica em que protegiam as \u00e1rvores se posicionado a frente delas numa forma de impedir a derrubada, o desmatamento.\n\nA luta pela terra ocasionou a morte de muitas lideran\u00e7as sindicais no Acre, como Wilson Pinheiro, Evair Higino e Chico Mendes.\n\nFrancisco Alves Mendes Filho ficou conhecido mundialmente pela luta em favor da preserva\u00e7\u00e3o do modo de vida das popula\u00e7\u00f5es tradicionais.\n\nEle prop\u00f4s a uni\u00e3o dos povos da floresta buscando unir os interesses dos \u00edndios,\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0e ribeirinhos. Por insistir nesse ideal foi assassinado, em 22 de dezembro de 1988, uma semana ap\u00f3s completar 44 anos.\n\nA cria\u00e7\u00e3o das Reservas Extrativistas como Unidades de conserva\u00e7\u00e3o de Uso Direto, definidas como territ\u00f3rios destinados ao uso por popula\u00e7\u00f5es com tradi\u00e7\u00e3o no uso sustent\u00e1vel dos recursos naturais, representa um marco na trajet\u00f3ria de lutas dos\u00a0<strong>seringueiros acreanos.<\/strong>\n\nA primeira delas, criada em janeiro de 1990, foi a Reserva Extrativista do Alto Juru\u00e1. Em mar\u00e7o do mesmo ano foi criada a Reserva Extrativista Chico Mendes.\n\n\u00c9 preciso conhecer a trajet\u00f3ria de lutas dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>\u00a0acreanos pela sobreviv\u00eancia na floresta, pela defesa da floresta, e reconhecer os conhecimentos adquiridos ao longo da viv\u00eancia na floresta.\n\n<strong>Ribeirinhos<\/strong>\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o das terras do Acre se deu primeiramente atrav\u00e9s dos rios, em cujas margens formaram-se os seringais e posteriormente as sedes dos primeiros munic\u00edpios do Estado. Foi \u00e0s margens dos rios Acre, Purus, Iaco, Envira, Tarauac\u00e1, Juru\u00e1 e seus afluentes que se estabeleceu uma forma de organiza\u00e7\u00e3o social onde o principal meio de transporte \u00e9 fluvial.\n\nA rela\u00e7\u00e3o do ribeirinho com o rio, entretanto, n\u00e3o se restringe \u00e0 sua utiliza\u00e7\u00e3o como meio de locomo\u00e7\u00e3o. O cultivo cont\u00ednuo da regi\u00e3o de v\u00e1rzea no per\u00edodo de seca, a pesca e os banhos de rio fazem parte de sua rotina.\n\n\u00c9 em meio a esse universo que lendas como a do boto s\u00e3o contadas, recriadas e fortalecidas como um componente importante do imagin\u00e1rio das popula\u00e7\u00f5es que habitam as margens dos rios acreanos.\n\nA maior parte da popula\u00e7\u00e3o ribeirinha do Acre est\u00e1 estabelecida nas regionais do Juru\u00e1 e do Tarauac\u00e1\/Envira, onde busca diversificar uma economia de subsist\u00eancia atrav\u00e9s do cultivo de frutas, hortali\u00e7as e cria\u00e7\u00e3o de pequenos animais, complementando com a ca\u00e7a, a pesca e o extrativismo vegetal.\n\n<strong>SERINGUEIROS E SERINGALISTAS<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Seringueiros\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssering23.jpg\" alt=\"Seringueiros\" width=\"336\" height=\"242\" \/><strong>Seringueiros<\/strong><\/p>\nO termo\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>\u00a0era, inicialmente, o \u00fanico usado para designar todos aqueles que se dedicavam \u00e0 explora\u00e7\u00e3o da Hervea, mas depois, sutilmente, aquele mais abastado que empregava os demais ou tinha qualquer dom\u00ednio sobre eles, passou a ser denominado seringalista.\n\n<strong>Por ocasi\u00e3o da cria\u00e7\u00e3o do Territ\u00f3rio era essa a atividade econ\u00f4mica predominante, sen\u00e3o a \u00fanica, eis que todas as demais atividades extrativas eram feitas por esses profissionais, durante o per\u00edodo de entressafra da borracha, quais sejam:<\/strong>\u00a0coleta da castanha-do-par\u00e1, \u00f3leos(pau-rosa e copa\u00edba), couros e peles etc.\n\nMuito se discute at\u00e9 hoje sobre a rela\u00e7\u00e3o de trabalho entre seringueiros e seringalistas, pois o primeiro n\u00e3o era, verdadeiramente, um empregado do segundo.\n\nPodia ser considerado uma esp\u00e9cie de associado ou tarefeiro. Com efeito, o seringalista, embora pensasse ter a propriedade dos seringais, na verdade apenas os possu\u00eda, pois eram raros os t\u00edtulos concedidos pelo Estado.\n\nA terra pertencia a quem chegasse primeiro ou fosse mais ousado. O limite era de respeito, isto \u00e9, ia at\u00e9 onde o vizinho concordasse. Ou, se n\u00e3o concordasse, at\u00e9 onde resistisse pela for\u00e7a \u00e0 entrada do outro vizinho.\n\n<strong>Guardem o nome:<\/strong>\u00a0limite de respeito.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Seringueiros\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssering24.jpg\" alt=\"Seringueiros\" width=\"500\" height=\"266\" \/><strong>Seringueiros<\/strong><\/p>\nUma vez dominada a gleba, pela for\u00e7a, o\u00a0<strong>seringalista<\/strong>\u00a0tinha de conseguir abastecimento para os seus homens, durante v\u00e1rios meses de safra, o que n\u00e3o era f\u00e1cil, pois importava no congelamento de capitais durante meses, sem maiores garantias que a honradez do aviado, ou seringalista.\n\nO credor era o comerciante abastado da pra\u00e7a de Manaus ou Bel\u00e9m, que a si denominava aviadores.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Seringueiros\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssering25.jpg\" alt=\"Seringueiros\" width=\"193\" height=\"276\" \/><strong>Seringueiros<\/strong><\/p>\nEntre o\u00a0<strong>seringalista e o seringueiro<\/strong>\u00a0formava-se um subcontrato do mesmo g\u00eanero, comprometendo-se o trabalhador a cortar seringa em uma das estradas do seringalista, e ao fim da safra, entregar-lhe a produ\u00e7\u00e3o, por um determinado pre\u00e7o.\n\nDito assim, a coisa parece simples, mas na pr\u00e1tica ocorriam espertezas de parte a parte. Nem sempre o seringueiro era a v\u00edtima perseguido pelo poderoso seringalista, pois muitas vezes tentava usar da esperteza para ludibria-lo, seja fugindo com os aviamentos para outro seringal, seja vendendo parte da borracha para os comerciantes avulsos que percorriam os seringais, e tinham regat\u00f5es.\n\nTamb\u00e9m havia o expediente de colocar pedras e outros objetos pesados dentro das bolas ou pelas de borracha, para aumentar o peso, e , por consequ\u00eancia, o lucro desonesto, fato que, pela const\u00e2ncia, chegou a depreciar a borracha brasileira nos mercados internacionais.\n\nOs\u00a0<strong>seringalistas<\/strong>, por sua vez, tinham meios de recrutar \u00e0s espertezas dos seringueiros, seja diminu\u00eddo o peso da mercadoria no ato do recebimento, seja atrav\u00e9s da cobran\u00e7a de pre\u00e7os exagerados pelas mercadorias que s\u00f3 ele podia levar para o seringal, seja pelo aumento das cartas, cobrando artigos nos fornecidos.\n\nNa verdade era uma negocia\u00e7\u00e3o tortuosa, mas no fim, geralmente, se estendiam, sendo poucas as reclama\u00e7\u00f5es que iam at\u00e9 \u00e0 pol\u00edtica ou \u00e0 justi\u00e7a, para solu\u00e7\u00e3o, mesmo por que as longas distancias tornavam quase imposs\u00edvel qualquer interfer\u00eancia do Estado nessas transa\u00e7\u00f5es comerciais, onde fraude permanentemente era quase sempre bilateral.\n\n<strong>Seringueiros &#8211; Profissional<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Seringueiros\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ssering26.jpg\" alt=\"Seringueiros\" width=\"423\" height=\"279\" \/><strong>\nSeringueiros<\/strong><\/p>\n<strong>Seringueiro<\/strong>\u00a0\u00e9 o profissional que trabalha com e extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex, um l\u00edquido grosso da \u00e1rvore chamada Seringueira, mat\u00e9ria-prima da borracha natural.\n\nPara a extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex, o profissional sangra a \u00e1rvore, fazendo talhos, e coloca sobre a sangria uma cuia ou bacia para aparar o l\u00edquido.\n\nDepois o l\u00e1tex \u00e9 defumado, para ser endurecido e transformado em bolas, chamadas p\u00e9las, que chegam a pesar at\u00e9 40 quilos.\n\nAtualmente, j\u00e1 existem muitas t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o da borracha industrialmente, que elimina as impurezas da mat\u00e9ria-prima e tem como produto final uma borracha resistente e imperec\u00edvel.\n\nAs Seringueiras se encontram no meio de florestas e matas, sempre em lugares de dif\u00edcil acesso, portanto o seringueiro deve sempre conhecer bem a regi\u00e3o e as caracter\u00edsticas da \u00e1rvore.\n\nO\u00a0<strong>Seringueiro<\/strong>\u00a0\u00e9 o produtor direto da borracha, quem extraia o l\u00e1tex da seringueira e formavam as p\u00e9las de borracha.\n\nO maior l\u00edder sindical e seringueiro dos \u00faltimos tempos foi Chico Mendes, assassinado no dia 22 de dezembro de 1988, em Xapuri, no Acre.\n\n<strong>O seringueiro \u00e9 considerado um s\u00edmbolo da luta pela preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente no Acre e dos interesses dos povos da floresta, que sobreviviam do que ela gerava:\u00a0<\/strong>do l\u00e1tex. Denunciava a intensidade e o ritmo com que a floresta estava sendo desmatada.\n\n<strong>Seringueiros<\/strong>\u00a0s\u00e3o pessoas que trabalham na floresta retirando l\u00e1tex das arvores que s\u00e3o chamadas seringueiras dai o nome.\n\n<strong>Quais as caracter\u00edsticas desej\u00e1veis para ser um seringueiro?<\/strong>\n\nPara ser um\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>\u00a0\u00e9 necess\u00e1rio ter conhecimento sobre a regi\u00e3o explorada, sobre as caracter\u00edsticas da planta e sobre as t\u00e9cnicas utilizadas na produ\u00e7\u00e3o da borracha.\n\n<strong>Outras caracter\u00edsticas interessantes s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote>For\u00e7a f\u00edsica\nMetodologia\nFacilidade de lidar com a natureza\nResponsabilidade\nConsci\u00eancia ambiental\nResist\u00eancia\nT\u00e9cnica<\/blockquote>\n<strong>Qual a forma\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para ser um seringueiro?<\/strong>\n\nN\u00e3o existe forma\u00e7\u00e3o espec\u00edfica necess\u00e1ria para ser um\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>, entretanto, por ser uma atividade extrativista, \u00e9 necess\u00e1rio conhecimento de diversas t\u00e9cnicas, de caracter\u00edsticas da \u00e1rvore e do meio ambiente em que est\u00e1 inserida. Al\u00e9m disso, por ser uma atividade econ\u00f4mica muito importante, na extra\u00e7\u00e3o em grande escala, h\u00e1 todo um planejamento, e, muitas vezes, h\u00e1 um profissional projetista ou engenheiro ambiental que coordena o trabalho dos\u00a0<strong>seringueiros<\/strong>.\n\n<strong>Principais atividades de um seringueiro:<\/strong>\n<blockquote>Reconhecer o ambiente e a regi\u00e3o a ser explorada\nVerificar as condi\u00e7\u00f5es das Seringueiras\nPreparar o equipamento necess\u00e1rio\nRealizar a sangria\nRecolher o material extra\u00eddo\nDefumar a borracha\nRealizar t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o\nVender o l\u00e1tex defumado, ou a pr\u00f3pria mat\u00e9ria-prima para ind\u00fastrias, ou at\u00e9 mesmo confeccionar objetos<\/blockquote>\n<strong>\u00c1reas de atua\u00e7\u00e3o e especialidades<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>\u00a0trabalha sempre na extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex da Seringueira, podendo recolher at\u00e9 20 litros de l\u00e1tex por dia. \u00c9 uma atividade muito importante para a economia, por\u00e9m, o seringueiro fica com a menor parte do que produz, pois geralmente precisa dar, ou vender uma parte da produ\u00e7\u00e3o para o dono das terras (a maioria dos casos \u00e9 de arrendamento), ou pode ainda vender diretamente \u00e0s f\u00e1bricas. Como o produto bruto sempre tem menos valor do que o elaborado e processado, o seringueiro n\u00e3o tem grande participa\u00e7\u00e3o nos lucros da borracha.\n\n<strong>Mercado de trabalho:\u00a0<\/strong>O mercado de trabalho para o seringueiro \u00e9 restrito \u00e0 regi\u00e3o Norte, por ser, a Seringueira, de l\u00e1 origin\u00e1ria.\n\n<strong>Curiosidades<\/strong>\n\nOs primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades da borracha foram os \u00edndios centro-americanos, entretanto, foi na Floresta Amaz\u00f4nica que se desenvolveu a atividade de extra\u00e7\u00e3o da borracha, a partir da Seringueira (Havea brasiliensis), uma \u00e1rvore pertencente \u00e0 fam\u00edlia das Euphorbiaceae, tamb\u00e9m conhecida como \u201c\u00e1rvore da fortuna\u201d.\n\nDo caule da seringueira \u00e9 extra\u00eddo um l\u00edquido branco, chamado l\u00e1tex, em cuja composi\u00e7\u00e3o ocorre, em m\u00e9dia, 35% de hidrocarbonetos, destacando-se o 2-metil-1,3-butadieno (C5H8), comercialmente conhecido como isopreno, o mon\u00f4mero da borracha.\n\n<strong>A hist\u00f3ria da borracha no Brasil \u00e9 composta por ciclos:<\/strong>\n\n<strong>Primeiro ciclo (1879-1912):<\/strong>\u00a0com a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial e o desenvolvimento tecnol\u00f3gico na Europa a procura pela borracha natural, produto at\u00e9 ent\u00e3o exclusivamente da Amaz\u00f4nia, aumentou vertiginosamente, juntamente com seu pre\u00e7o. A atividade extrativista do l\u00e1tex na Amaz\u00f4nia revelou-se de imediato muito lucrativa.\n\nA borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas ind\u00fastrias da Europa e da Am\u00e9rica do Norte, o que fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na inten\u00e7\u00e3o de conhecer a seringueira e os m\u00e9todos e processos de extra\u00e7\u00e3o, com o objetivo de lucrar tamb\u00e9m com esse produto. Nessa \u00e9poca, Bel\u00e9m e Manaus, que j\u00e1 existiam, passaram ent\u00e3o por importante transforma\u00e7\u00e3o e urbaniza\u00e7\u00e3o. Manaus foi a primeira cidade brasileira a ser urbanizada e a segunda a possuir energia el\u00e9trica \u2013 a primeira foi Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro.\n\n<strong>Segundo ciclo (1942 \u2013 1945):<\/strong>\u00a0Ap\u00f3s o apogeu e decl\u00ednio do primeiro ciclo da borracaha, a Amaz\u00f4nia viveria outro ciclo da borracha durante a Segunda Guerra Mundial, embora por pouco tempo.\n\nComo for\u00e7as japonesas dominaram militarmente o Pac\u00edfico Sul nos primeiros meses de 1942 e invadiram tamb\u00e9m a Mal\u00e1sia, o controle dos seringais passou a estar nas m\u00e3os dos nip\u00f4nicos, o que culminou na queda de 97% da produ\u00e7\u00e3o da borracha asi\u00e1tica.Isto resultaria na implanta\u00e7\u00e3o de mais alguns elementos, inclusive de infra-estrutura, apenas em Bel\u00e9m, desta vez por parte dos Estados Unidos.\n\nA exemplo disso, temos o Banco de Cr\u00e9dito da Borracha, atual BASA; o Grande Hotel, luxuoso hotel constru\u00eddo em Bel\u00e9m em apenas 3 anos, onde hoje \u00e9 o Hilton Hotel; o aeroporto de Bel\u00e9m; a base a\u00e9rea de Bel\u00e9m; entre outros. Os finais abruptos do primeiro e do segundo ciclo da borracha demonstraram a incapacidade empresarial e falta de vis\u00e3o da classe dominante e dos pol\u00edticos da regi\u00e3o.\n\nO final da guerra conduziu, pela segunda vez, \u00e0 perda da chance de fazer vingar esta atividade econ\u00f4mica.\n\n<strong>N\u00e3o se fomentou qualquer plano de efetivo desenvolvimento sustentado na regi\u00e3o, o que gerou reflexos imediatos:<\/strong>\u00a0assim que terminou a segunda guerra mundial, tanto as economias de vencedores como de vencidos se reorganizaram na Europa e na \u00c1sia, fazendo cessar novamente as atividades nos velhos e ineficientes seringais da Amaz\u00f4nia.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.amazonlink.org\/www.newsrondonia.com.br\/www.bibliotecadafloresta.ac.gov.br\/www.brasilprofissoes.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Seringueiros, Seringalista, Produtor, Profissional, Trabalho, Seringal, Borracha, Forma\u00e7\u00e3o, Profiss\u00e3o, Amaz\u00f4nia, Atividade, Caracter\u00edsticas, Seringueiros<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9529,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-9524","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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