{"id":707,"date":"2015-11-18T00:00:00","date_gmt":"2015-11-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/agrotoxicos-em-meios-aquaticos-2\/"},"modified":"2026-08-31T15:56:22","modified_gmt":"2026-08-31T15:56:22","slug":"agrotoxicos-em-meios-aquaticos-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/agrotoxicos-em-meios-aquaticos-2\/","title":{"rendered":"Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\nNo passado, os organismos indesej\u00e1veis \u00e0 agricultura eram controlados atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o de pequeno n\u00famero de compostos inorg\u00e2nicos \u00e0 base de cobre e ars\u00eanico, al\u00e9m de alguns inseticidas de ocorr\u00eancia natural como as piretrinas (NIMMO, 1985). At\u00e9 a II Guerra Mundial o desenvolvimento e uso efetivo de compostos org\u00e2nicos foi lento, por\u00e9m, com a descoberta da propriedade inseticida do dicloro-difenil-tricloroetano, o DDT, iniciou-se a expans\u00e3o e desenvolvimento de uso caracter\u00edsticos dos \u00faltimos 40 anos (KOTAKA &amp; ZAMBRONE, 2001; NIMMO, 1985). E em fun\u00e7\u00e3o do modelo de agricultura adotado que se baseia no uso de agrot\u00f3xicos estas subst\u00e2ncias passaram, ent\u00e3o, a ser amplamente utilizadas (R\u00dcEGG, 1987).\n\nN\u00e3o se pode negar que esses produtos possibilitaram o aumento da produtividade agr\u00edcola e t\u00eam auxiliado no controle de vetores de diversas doen\u00e7as, entretanto, seu uso desordenado e excessivo vem provocando diversos impactos sobre o meio ambiente. Dentre os efeitos nocivos ao ambiente podese citar a presen\u00e7a de res\u00edduos no solo, na \u00e1gua, no ar, nas plantas e animais.\n\nAl\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente, estes res\u00edduos podem chegar ao homem atrav\u00e9s da cadeia alimentar e ocasionar danos \u00e0 sa\u00fade (EDWARDS, 1973).\n\nDatam da d\u00e9cada de 50 os primeiros relatos sobre res\u00edduos de inseticidas organoclorados no ambiente e nos alimentos, onde observou-se a ocorr\u00eancia de bioconcentra\u00e7\u00e3o e bioacumula\u00e7\u00e3o na cadeia alimentar, que resultou em altos teores no homem (ALMEIDA, 1974).\n\nEm meados do s\u00e9culo XIX, John Snow, o pai da epidemiologia, comprovava que a qualidade ambiental possui estreita rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade humana, atrav\u00e9s de seu estudo sobre a exist\u00eancia de associa\u00e7\u00e3o causal entre a epidemia de c\u00f3lera que assolava Londres e o consumo de \u00e1gua contaminada por fezes de doentes (ROUQUARYOL, 1994).\n\nOs agrot\u00f3xicos podem alcan\u00e7ar os ambientes aqu\u00e1ticos atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o intencional, deriva e escoamento superficial a partir de \u00e1reas onde ocorreram aplica\u00e7\u00f5es.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/agroto74.jpg\" alt=\"Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos\" \/><strong>\nCaminho percorrido pelos agrot\u00f3xicos em ecossistemas aqu\u00e1ticos (adaptado de Nimmo 1985)<\/strong><\/p>\nA lixivia\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos atrav\u00e9s do perfil dos solos pode ocasionar a contamina\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos (EDWARDS, 1973), portanto, al\u00e9m de afetar os pr\u00f3prios cursos de \u00e1gua superficiais, os agrot\u00f3xicos podem alcan\u00e7ar os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos cuja descontamina\u00e7\u00e3o apresenta grande dificuldade. Certas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas ligadas ao modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola predominante, como o uso excessivo e inadequado de agrot\u00f3xicos, a destrui\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal dos solos para plantio, a n\u00e3o-preserva\u00e7\u00e3o das matas ciliares e das vegeta\u00e7\u00f5es protetoras de nascentes , dentre outros fatores, s\u00e3o respons\u00e1veis por grande parte dos problemas com os recursos h\u00eddricos (ROSA, 1998).\n\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, embora a agricultura seja apenas uma das in\u00fameras fontes n\u00e3o-pontuais de polui\u00e7\u00e3o, geralmente \u00e9 apontada como a maior contribuinte de todas as categorias de poluentes (EDWIN,1996).\n\nUma vez na \u00e1gua, dependendo das caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas o res\u00edduo do agrot\u00f3xico pode tanto se ligar ao material particulado em suspens\u00e3o, como se depositar no sedimento do fundo ou ser absorvido por organismos, podendo ent\u00e3o ser detoxicados ou acumulados. Eles podem ser transportados atrav\u00e9s do sistema aqu\u00e1tico por difus\u00e3o nas correntes de \u00e1gua ou nos corpos dos organismos aqu\u00e1ticos.\n\nAlguns agrot\u00f3xicos e\/ou metab\u00f3litos podem tamb\u00e9m retornar \u00e0 atmosfera por volatiliza\u00e7\u00e3o. Assim, fica evidenciado que h\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos agrot\u00f3xicos entre sedimento e \u00e1gua, influenciada pelo movimento da \u00e1gua, turbul\u00eancia e temperatura (NIMMO, 1985). Desta intera\u00e7\u00e3o, pode resultar inclusive maior tempo de exposi\u00e7\u00e3o dos organismos aqu\u00e1ticos aos compostos t\u00f3xicos.\n\nExistem diversos estudos na literatura internacional para determinar-se a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos em \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas (MALLET &amp; MALLET, 1989; DURAND &amp; BARCEL\u00d3, 1989; BARCEL\u00d3, 1994; BARCEL\u00d3, et al., 1996; DUPAS, et al., 1995) al\u00e9m de estudos nacionais sobre os efeitos de herbicidas sobre organismos aqu\u00e1ticos (TUNDISI, 1990; RODRIGUES,1993), estes estudos muitas vezes envolvem compostos que j\u00e1 s\u00e3o apontados como problemas em potencial para o meio ambiente e sa\u00fade, por\u00e9m, ainda n\u00e3o s\u00e3o controlados pela legisla\u00e7\u00e3o.\n\nOs agrot\u00f3xicos presentes em corpos d&#8217;\u00e1gua podem penetrar nos organismos aqu\u00e1ticos atrav\u00e9s de diversas portas de entrada e seu grau de acumula\u00e7\u00e3o depende do tipo de cadeia alimentar, da disponibilidade e persist\u00eancia do contaminante na \u00e1gua e especialmente de suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas (SPACIE &amp; HAMELINK, 1985).\n\nOs peixes e invertebrados podem acumular os agrot\u00f3xicos em concentra\u00e7\u00f5es muito acima daquelas encontradas nas \u00e1guas nas quais eles vivem, pois estes compostos podem se ligar ao material particulado em suspens\u00e3o e ser ingeridos pelos organismos aqu\u00e1ticos (NIMMO,1985), dentre outros processos.\n\nA toxicologia aqu\u00e1tica estuda os efeitos de compostos qu\u00edmicos e outros xenobi\u00f3ticos sobre os organismos aqu\u00e1ticos com \u00eanfase especial nos efeitos adversos ou danosos. In\u00fameros testes toxicol\u00f3gicos s\u00e3o utilizados para avaliar as concentra\u00e7\u00f5es e a dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o a estes agentes qu\u00edmicos necess\u00e1rias para produzir um efeito pr\u00e9-determinado, ou seja, um teste toxicol\u00f3gico \u00e9 desenvolvido para mensurar o grau da resposta produzida por um n\u00edvel espec\u00edfico de est\u00edmulo &#8211; concentra\u00e7\u00e3o do composto em estudo (RAND &amp; PETROCELLI, 1985).\n<h4>Fatores que influenciam a toxicidade de compostos qu\u00edmicos em ambiente aqu\u00e1tico<\/h4>\nOs estudos em toxicologia aqu\u00e1tica s\u00e3o qualitativos e quantitativos em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos t\u00f3xicos sobre os organismos aqu\u00e1ticos. Os efeitos t\u00f3xicos podem incluir tanto a letalidade (mortalidade) e efeitos sub-letais, como altera\u00e7\u00f5es no crescimento, desenvolvimento, reprodu\u00e7\u00e3o, respostas farmacocin\u00e9ticas, patologia, bioqu\u00edmica, fisiologia e comportamento. Os efeitos podem ser expressos atrav\u00e9s de crit\u00e9rios mensur\u00e1veis como o n\u00famero de organismos mortos, porcentagem de ovos chocos, altera\u00e7\u00f5es no tamanho e peso, porcentagem de inibi\u00e7\u00e3o de enzima, incid\u00eancia de tumor, dentre outros. A toxicologia aqu\u00e1tica tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada com as concentra\u00e7\u00f5es ou quantidades dos agentes qu\u00edmicos que podem ocorrer no ambiente aqu\u00e1tico (\u00e1gua, sedimento ou alimento) (RAND &amp; PETROCELLI, 1985). A toxicidade de um composto qu\u00edmico depende da exposi\u00e7\u00e3o, da suscetibilidade do organismo, das caracter\u00edsticas qu\u00edmicas do agente e de fatores ambientais.\n\n<strong>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o contato\/rea\u00e7\u00e3o entre o organismo e o composto qu\u00edmico, sendo que os fatores mais importantes relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/strong> o tipo, dura\u00e7\u00e3o e freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o e a concentra\u00e7\u00e3o do agente qu\u00edmico.\n\nDependendo do tipo de exposi\u00e7\u00e3o a toxicidade ser\u00e1 afetada, por exemplo, os compostos hidrossol\u00faveis est\u00e3o mais prontamente dispon\u00edveis aos organismos do que aqueles mais lipof\u00edllicos que estar\u00e3o mais fortemente adsorvidos ou de alguma maneira ligados \u00e0s part\u00edculas em suspens\u00e3o, mat\u00e9ria org\u00e2nica ou sistemas biol\u00f3gicos. Assim, os agentes qu\u00edmicos mais hidrossol\u00faveis podem penetrar num organismo atrav\u00e9s de toda a superf\u00edcie do corpo, guelras e boca, enquanto os mais lipof\u00edlicos t\u00eam que ser ingeridos e absorvidos atrav\u00e9s do trato gastrintestinal (RAND &amp; PETROCELLI, 1985).\n\nA dura\u00e7\u00e3o e a freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o dos organismos ao agente qu\u00edmico tamb\u00e9m afetar\u00e1 a toxicidade. Na exposi\u00e7\u00e3o aguda, os organismos entram em contato com o composto qu\u00edmico num evento \u00fanico ou em eventos m\u00faltiplos que ocorrem num pequeno per\u00edodo de tempo, geralmente variando de horas a dias. Nas exposi\u00e7\u00f5es agudas onde o agente qu\u00edmico \u00e9 rapidamente absorvido normalmente os efeitos s\u00e3o imediatos, embora seja poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o de efeitos retardados similares \u00e0queles resultantes de exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica (RAND &amp; PETROCELLI, 1985). Na exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica normalmente os organismos s\u00e3o expostos a baixas concentra\u00e7\u00f5es do agente t\u00f3xico que \u00e9 liberado continuamente ou com alguma periodicidade num longo per\u00edodo de tempo (semanas, meses ou anos). Exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a compostos qu\u00edmicos pode tamb\u00e9m induzir a efeitos r\u00e1pidos e imediatos, como os efeitos agudos, em adi\u00e7\u00e3o aos efeitos que se desenvolvem lentamente (RAND &amp; PETROCELLI, 1985).\n\nA freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta a toxicidade dos compostos qu\u00edmicos. Uma exposi\u00e7\u00e3o aguda a uma \u00fanica concentra\u00e7\u00e3o pode resultar num efeito adverso imediato num organismo, enquanto duas exposi\u00e7\u00f5es sucessivas cumulativas iguais \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o aguda \u00fanica podem ter efeito pequeno ou nenhum efeito, devido ao metabolismo (detoxifica\u00e7\u00e3o) do organismo entre as exposi\u00e7\u00f5es ou \u00e0 aclimata\u00e7\u00e3o do organismo ao composto (RAND &amp; PETROCELLI, 1985).\n\nComo j\u00e1 mencionado, a toxicidade depende da suscetibilidade dos organismos ao composto qu\u00edmico. Diferentes esp\u00e9cies possuem suscetibilidades diferentes de acordo com seu aparato metab\u00f3lico, de acordo com seus h\u00e1bitos alimentares, seu comportamento, fase de desenvolvimento, dentre outros aspectos.\n\nIndiv\u00edduos jovens ou imaturos geralmente s\u00e3o mais suscet\u00edveis aos agentes qu\u00edmicos do que adultos, provavelmente em fun\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as no grau de desenvolvimento dos mecanismos de detoxifica\u00e7\u00e3o. Organismos estressados em fun\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a outros toxicantes tamb\u00e9m podem ser mais suscet\u00edveis aos compostos qu\u00edmicos (RAND &amp; PETROCELLI, 1985), cen\u00e1rio comum na realidade dos ecossistemas, pois normalmente h\u00e1 a presen\u00e7a simult\u00e2nea de diferentes produtos.\n\nAs caracter\u00edsticas do composto qu\u00edmico tamb\u00e9m influenciam grandemente na toxicidade como, por exemplo, sua composi\u00e7\u00e3o, ou grau de pureza, pois as impurezas ou contaminantes que s\u00e3o consideravelmente mais t\u00f3xicos do que o agente propriamente dito 138 R.Y. Tomita &amp; Z. Beyruth Biol\u00f3gico, S\u00e3o Paulo, v.64, n.2, p.135-142, jul.\/dez., 2002 podem estar presentes. Assim, a identidade e a pureza dos compostos qu\u00edmicos s\u00e3o importantes nos testes de toxicidade.\n\nAs propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas como solubilidade, press\u00e3o de vapor e pH afetam a biodisponibilidade, persist\u00eancia, transforma\u00e7\u00e3o, e o destino do agente qu\u00edmico no ambiente tamb\u00e9m s\u00e3o fatores importantes nos testes de toxicidade. Existem compostos qu\u00edmicos n\u00e3o seletivos em seu modo de a\u00e7\u00e3o e que provocam efeitos indesej\u00e1veis em numerosas c\u00e9lulas e tecidos dos organismos aqu\u00e1ticos. Em contraste h\u00e1 os compostos com modo de a\u00e7\u00e3o seletivo que afeta adversamente apenas um tipo de c\u00e9lula ou tecido, sendo inofensivo para os demais com os quais esteve em contato direto, assim, o modo de a\u00e7\u00e3o dos compostos qu\u00edmicos tamb\u00e9m afeta sua toxicidade (RAND &amp; PETROCELLI, 1985).\n\nOs fatores ambientais definidos pelas caracter\u00edsticas bi\u00f3ticas e abi\u00f3ticas tamb\u00e9m podem alterar a toxicidade de compostos qu\u00edmicos no ambiente aqu\u00e1tico. Os fatores bi\u00f3ticos incluem o tipo de organismo (alga, inseto ou peixe, etc.), est\u00e1gio de desenvolvimento (larva, juvenil, adulto), tamanho, estado nutricional e de sa\u00fade, altera\u00e7\u00f5es sazonais no estado fisiol\u00f3gico, dentre outros, sendo que estes fatores bi\u00f3ticos influenciam a resposta ao poluente de diferentes maneiras. Os fatores abi\u00f3ticos que podem atuar modificando a toxicidade incluem todas as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas da \u00e1gua que circunda o organismo vivo, como a temperatura, o pH, o teor de oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua, a salinidade e a dureza, conte\u00fado de mat\u00e9ria org\u00e2nica e material particulado em suspens\u00e3o, a velocidade do fluxo da \u00e1gua, dentre outros (SPRAGUE, 1985).\n<h4>Problemas ambientais com agrot\u00f3xicos<\/h4>\nDentre os in\u00fameros casos j\u00e1 relatados pela literatura internacional de problemas ambientais, destaca-se o caso do DDT, inseticida organoclorado, o primeiro usado em larga escala a partir de 1945.\n\nAp\u00f3s 27 anos, a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos (U.S.E.P.A.) baniu seu uso (METCALF, 1974), por apresentar alta persist\u00eancia no ambiente e ser bioacumulado e biomagnificado. NIMMO (1985) relata in\u00fameros casos de problemas ambientais com agrot\u00f3xicos e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como os polibifenil-clorados (PCB\u0092s) que tamb\u00e9m s\u00e3o compostos organoclorados, com estrutura qu\u00edmica muito similar aos agrot\u00f3xicos DDT, dieldrin e aldrin.\n\nOs relatos incluem casos de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de organismos.\n\nSPACIE &amp; HAMELINK (1985) tamb\u00e9m reportaram que a bioacumula\u00e7\u00e3o e biomagnifica\u00e7\u00e3o de poluentes recebeu aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela primeira vez nos anos 60, com a descoberta de res\u00edduos de DDT, DDD e de metil-merc\u00fario em peixes e animais silvestres. Problemas de mortalidade e de reprodu\u00e7\u00e3o em peixes e p\u00e1ssaros que se alimentam de peixes foram relacionados \u00e0s altas concentra\u00e7\u00f5es de DDT ou seus metab\u00f3litos encontradas no tecido adiposo destes animais.\n\nComo especialmente os p\u00e1ssaros que eram carn\u00edvoros estavam com as concentra\u00e7\u00f5es mais elevadas de res\u00edduos do que o alimento (peixes) que ingeriram, era l\u00f3gico postular que a acumula\u00e7\u00e3o havia ocorrido primariamente pela transfer\u00eancia atrav\u00e9s da cadeia tr\u00f3fica. Esta id\u00e9ia apoiou-se indiretamente na observa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos de DDT que aumentavam passo a passo de um n\u00edvel tr\u00f3fico para o pr\u00f3ximo.\n\nIn\u00fameros outros compostos j\u00e1 foram detectados em \u00e1guas superficiais, em \u00e1guas subterr\u00e2neas e de abastecimento (BALINOVA, 1993; BRAMBILLA, et al., 1993; TEKEL &amp; KOVACICOV\u00c1, 1993; Z AHRADN\u00cdCKOV\u00c1, et al., 1994; PEREIRA, et al., 1996) relacionando atividades urbanas e agr\u00edcolas com os casos de contamina\u00e7\u00e3o ambiental. De acordo com TEKEL &amp; KOVACICOV\u00c1 (1993) na maioria dos pa\u00edses europeus e nos Estados Unidos os herbicidas representam mais de 50% de todos os agrot\u00f3xicos usados e, portanto, n\u00e3o \u00e9 de se surpreender que esta classe de compostos contribuam de maneira t\u00e3o significativa para a contamina\u00e7\u00e3o do ambiente, particularmente solo, \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas. Al\u00e9m do alto volume de uso, muitos dos herbicidas s\u00e3o aplicados em \u00e1reas pr\u00f3ximas aos corpos d&#8217;\u00e1gua e s\u00e3o, portanto, comumente encontrados em \u00e1guas superficiais, al\u00e9m disto, tamb\u00e9m alcan\u00e7am \u00e1guas subterr\u00e2neas em fun\u00e7\u00e3o de sua mobilidade em solo que permite sua imigra\u00e7\u00e3o (YOUNES &amp; GALALGORCHEV, 2000). Em \u00e1gua de abastecimento tamb\u00e9m j\u00e1 foram encontrados res\u00edduos de herbicidas, principalmente a atrazina que \u00e9 um herbicida triaz\u00ednico. As triazinas s\u00e3o os herbicidas mais antigos e mais comumente usados, sendo respons\u00e1veis por cerca de 30% do mercado mundial de pesticidas. Mais recentemente as triazinas, especialmente atrazina, est\u00e1 sendo gradualmente substitu\u00edda por herbicidas que apresentem risco ambiental menor (TEKEL &amp; KOVACICOV\u00c1, 1993).\n\nAMARANENI &amp; PILLALA (2001) encontraram res\u00edduos de v\u00e1rios agrot\u00f3xicos nas duas esp\u00e9cies de peixes usados como bioindicadores, coletados no lago Kolleru, \u00cdndia. Os resultados demonstraram que os peixes continham res\u00edduos de agrot\u00f3xicos em n\u00edveis superiores aos padr\u00f5es estabelecidos pela Food and Agriculture Organization (FAO), organismo das Na\u00e7\u00f5es Unidas, se constituindo em mais uma fonte de exposi\u00e7\u00e3o dos habitantes da regi\u00e3o aos agrot\u00f3xicos. Os resultados refletiram tamb\u00e9m o n\u00edvel de polui\u00e7\u00e3o por estes compostos naquele lago bem como o perigo ao qual os habitantes estavam expostos ao consumirem os peixes contaminados.\n\nYOUNES &amp; GALAL-GORCHEV (2000) ressaltam que a capacidade dos agrot\u00f3xicos persistirem e produzirem efeitos t\u00f3xicos sobre a sa\u00fade humana e sobre o meio ambiente \u00e9 muito variada em fun\u00e7\u00e3o das in\u00fameras classes qu\u00edmicas existentes. Al\u00e9m disto, em fun\u00e7\u00e3o de seu amplo uso, os agrot\u00f3xicos podem estar presentes inclusive em \u00e1gua de abastecimento.\n\nNum estudo realizado no Parque Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) localizado no Vale do Ribeira (S\u00e3o Paulo), ELFVENDAHL (2000) analisou amostras de \u00e1gua, sedimento e peixe no per\u00edodo das chuvas, em janeiro de 2000 e seus resultados indicaram que a fauna e flora do PETAR est\u00e3o expostas a diferentes agrot\u00f3xicos que se encontram dissolvidos na \u00e1gua ou presentes no sedimento, sendo que dos 20 agrot\u00f3xicos detectados na \u00e1gua, sete eram considerados altamente t\u00f3xicos para peixes e outros organismos aqu\u00e1ticos e os demais eram considerados moderadamente t\u00f3xicos.\n\nSTRANDBERG &amp; SCOTT-FORDSMAND (2002) considerando organismos expostos ao herbicida simazina em meio terrestre e meio aqu\u00e1tico, relataram in\u00fameros efeitos ecol\u00f3gicos, dentre eles a bioacumula\u00e7\u00e3o de simazina em organismos aqu\u00e1ticos, a diminui\u00e7\u00e3o de densidade e diversidade de algumas esp\u00e9cies de organismos de solo expostos ao herbicida. Al\u00e9m disto, o estudo relata in\u00fameros experimentos e monitoramentos efetuados nos Estados Unidos e Europa sobre a toxicidade de simazina para diversos organismos aqu\u00e1ticos e terrestres e discutem os fatores bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos que influenciaram a toxicidade e comportamento ambiental do herbicida.\n\nDORES &amp; DE-LAMONICA-FREIRE (2001) atrav\u00e9s do levantamento e an\u00e1lise de par\u00e2metros f\u00edsicos e qu\u00edmicos do solo e de 29 agrot\u00f3xicos, verificaram o potencial de contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas numa \u00e1rea agr\u00edcola em Primavera do Leste (MT), demonstrando o risco potencial que cada composto estudado apresentava naquele ambiente. Embora tenha sido um estudo efetuado com dados sobre os pesticidas retirados da literatura internacional, e portanto, obtidos em clima diferente do local, este estudo demonstrou a necessidade e a possibilidade de utilizar-se an\u00e1lises preliminares deste tipo para se priorizar estudos mais aprofundados de comportamento ambiental e toxicidade de agrot\u00f3xicos.\n\nFILIZOLA et al. (2002) em seu estudo, tamb\u00e9m concluem que avalia\u00e7\u00f5es preliminares da possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas superficiais, subsuperficiais e subterr\u00e2neas por pesticidas de uma dada \u00e1rea agr\u00edcola, podem se constituir em instrumentos importantes para avalia\u00e7\u00e3o de risco ambiental, sendo vantajoso inclusive devido ao alto custo das an\u00e1lises qu\u00edmicas de res\u00edduos de pesticidas.\n\nLAABS et al. (2002), concluiram em seu estudo que na \u00e1rea da bacia do Pantanal, a atmosfera representa importante porta de entrada de agrot\u00f3xicos nos ecossistemas, inclusive na \u00e1gua, diferentemente do que ocorre em regi\u00f5es temperadas, reafirmando a necessidade de estudos em condi\u00e7\u00f5es ambientais brasileiras. Outra lacuna importante relaciona-se \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de estudos como o desenvolvido por FARRE et al. (2002) aliando-se testes toxicol\u00f3gicos com organismos e as an\u00e1lises qu\u00edmicas quantitativas e qualitativas, permitindo assim o levantamento de dados qu\u00edmicos como concentra\u00e7\u00e3o e dose real, juntamente com a verifica\u00e7\u00e3o dos efeitos toxicol\u00f3gicos para os organismos, de forma a embasar avalia\u00e7\u00f5es globais.\n<h4>Exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla aos agrot\u00f3xicos<\/h4>\nOutro tipo de problema bastante comum \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla, isto \u00e9, exposi\u00e7\u00e3o a mistura de agentes t\u00f3xicos. O emprego de misturas \u00e9 conhecido como vantajoso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de um \u00fanico composto (MARKING, 1985).\n\n<strong>As vantagens relatadas s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)<\/strong> aumento da efici\u00eancia contra os organismos alvo,\n<strong>b)<\/strong> aumento da seguran\u00e7a para organismos n\u00e3o-alvo,\n<strong>c)<\/strong> diminui\u00e7\u00e3o das quantidades aplicadas sem redu\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia e com quantidades menores de res\u00edduos no meio ambiente,\n<strong>d)<\/strong> custos reduzidos para o material de aplica\u00e7\u00e3o (MARKING, 1985). Entretanto, h\u00e1 equ\u00edvocos em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de toxicidade de misturas, pois esta n\u00e3o \u00e9 resultante da soma das atividades t\u00f3xicas dos compostos. A mistura de diferentes agentes pode ocorrer inadvertidamente porque alguns compostos persistem por longos per\u00edodos no meio ambiente ou porque s\u00e3o aplicados repetidamente ou, como j\u00e1 citado, para melhorar a efic\u00e1cia e diminuir os custos (MARKING, 1985).<\/blockquote>\nExistem dados sobre a toxicidade de misturas de inseticidas organofosforados (MARKING, 1985) onde se observou aumento da toxicidade (sinergismo) quando se comparou os resultados de aplica\u00e7\u00f5es individuais, h\u00e1 relatos tamb\u00e9m de exposi\u00e7\u00f5es a m\u00faltiplos compostos qu\u00edmicos onde ocorreu antagonismo, pois a exposi\u00e7\u00e3o a uma mistura de agentes qu\u00edmicos resultou em efeito menor do que aquele esperado se a exposi\u00e7\u00e3o tivesse sido a cada composto individualmente (MARKING, 1985). Sinergismo e antagonismo s\u00e3o termos gen\u00e9ricos e seu uso deve ser baseado em dados quantitativos, ambos fen\u00f4menos resultam da soma de exposi\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios agentes qu\u00edmicos presentes no meio ambiente (MARKING, 1985), mas a toxicidade n\u00e3o se resume simplesmente \u00e0 soma das toxicidades individuais.\n\nSTRANDBERG &amp; SCOTTFORDSMAND (2002), relataram estudo de 16 anos realizado nos Estados Unidos onde se observou o efeito sin\u00e9rgico da aplica\u00e7\u00e3o dos herbicidas simazina e diuron resultando num controle mais eficiente de ervas daninhas, comprovando que do ponto de vista agron\u00f4mico o emprego de misturas pode apresentarse vantajoso, por\u00e9m permanece a d\u00favida: o efeito sin\u00e9rgico resultar\u00e1 em efeito t\u00f3xico mais severo apenas para os organismos-alvo?\n\nA compreens\u00e3o do conceito de toxicidade de misturas e o desenvolvimento da capacidade para calcular quantitativamente a toxicidade adicionada de misturas de agentes qu\u00edmicos podem ser ferramentas \u00fateis para se determinar as vantagens e desvantagens do uso de misturas (MARKING, 1985). Aproximadamente 6 milh\u00f5es de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sint\u00e9ticas s\u00e3o conhecidas e 63 mil s\u00e3o de uso cotidiano podendo ser encontradas no ambiente, sendo que 118 agentes qu\u00edmicos s\u00e3o considerados mundialmente como priorit\u00e1rios para efeito de controle (ARA\u00daJO, 2000). Com estes dados \u00e9 f\u00e1cil verificar a necessidade de desenvolver-se legisla\u00e7\u00e3o e mecanismos formais para controlar e avaliar o risco para a sa\u00fade e para o meio ambiente em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o individual e m\u00faltipla aos agentes qu\u00edmicos t\u00f3xicos.\n\nYOUNES &amp; GALAL-GORCHEV (2000) ressaltam a dificuldade e complexidade da caracteriza\u00e7\u00e3o do risco em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o normalmente se dar a misturas complexas de agrot\u00f3xicos, e n\u00e3o a apenas um composto, al\u00e9m disto, a exposi\u00e7\u00e3o usualmente se d\u00e1 atrav\u00e9s de in\u00fameras matrizes ambientais. ARA\u00daJO et al. (2000) num estudo realizado em Pernambuco, para a cultura de tomate, comprovaram a ocorr\u00eancia do emprego preventivo dos agrot\u00f3xicos gerando outros problemas, dentre eles a necessidade de uso crescente de novos produtos e misturas, al\u00e9m disto, constataram que h\u00e1 car\u00eancia de a\u00e7\u00f5es que visem \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos trabalhadores rurais que lidam com agrot\u00f3xicos bem como de medidas contra os danos ambientais, sendo que o meio ambiente j\u00e1 se encontra gravemente comprometido. Estes autores tamb\u00e9m verificaram que embora exista uma legisla\u00e7\u00e3o nacional e normas regulamentando o uso e descarte de embalagens dos agrot\u00f3xicos, a pr\u00e1tica entre alguns agricultores locais ainda consiste em deixar as embalagens vazias ou restos de produtos espalhados pelo campo e certamente por meio das \u00e1guas de chuva e de irriga\u00e7\u00e3o h\u00e1 o arraste de res\u00edduos pelo solo at\u00e9 atingirem reservat\u00f3rios e cursos d&#8217;\u00e1gua, que poder\u00e1 resultar em contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por agrot\u00f3xicos de diversas naturezas qu\u00edmicas num mesmo momento, resultando na exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla de todo o ecossistema aqu\u00e1tico bem como do homem.\n\nNestas \u00faltimas d\u00e9cadas, para adquirir-se conhecimentos sobre os efeitos dos agentes qu\u00edmicos para a biota aqu\u00e1tica t\u00eam sido utilizados testes com organismos de \u00e1guas continentais, estuarinas e marinhas, sob condi\u00e7\u00f5es de campo e de laborat\u00f3rio (ARA\u00daJO, 2000), onde se verifica a toxicidade dos compostos. Estes testes possibilitam o estabelecimento de limites permiss\u00edveis para v\u00e1rias subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e ainda possibilitam a avalia\u00e7\u00e3o do impacto destes poluentes sobre a biota dos recursos h\u00eddricos receptores (MAKI &amp; BISHOP, 1985). Estudos j\u00e1 foram desenvolvidos para verificar a toxicidade de misturas de diversos agrot\u00f3xicos e de outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como os metais, bem como para tentar elucidar os mecanismos de a\u00e7\u00e3o envolvidos (BAILEY et al., 1997; BELDEN &amp; LYDY, 2000; ALTENBURGER et al., 2000; CHRISTENSEN et al., 2001; JIN-CLARK, 2001; ANDERSON &amp; LYDY, 2002; FRANKLIN et al., 2002). Dentre os organismos utilizados podemos citar algas verdes, microcrust\u00e1ceos, insetos, larvas de mosquitos, dentre outros. Nestes diversos estudos observou-se a ocorr\u00eancia de efeito sin\u00e9rgico, indicando o potencial para toxicidade aumentada em organismos expostos a misturas ambientais de compostos. ELFVENDAHL (2000) concluiu em seu estudo que embora a biota aqu\u00e1tica do Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) estivesse exposta aos pesticidas detectados dissolvidos na \u00e1gua ou ligados ao material particulado suspenso ou sedimento, \u00e9 muito dif\u00edcil tecer considera\u00e7\u00f5es sobre o risco pois a biota encontrava-se exposta a in\u00fameros e diferentes compostos estressantes e que havia possibilidade de potencializa\u00e7\u00e3o da toxicidade devido principalmente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o dos organismos a misturas de agrot\u00f3xicos.\n\nConsiderando os aspectos citados e que na natureza normalmente o cen\u00e1rio que se tem, intencionalmente ou n\u00e3o, \u00e9 a presen\u00e7a de mais de um agente qu\u00edmico simultaneamente. Pode-se inferir que h\u00e1 possibilidade de altera\u00e7\u00e3o da toxicidade destes agrot\u00f3xicos no meio ambiente quando em misturas e que h\u00e1 necessidade de se verificar a toxicidade quando h\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla.\n\n<strong>Portanto, se apresenta a quest\u00e3o:<\/strong> O uso de agrot\u00f3xicos em mistura no ambiente aqu\u00e1tico representa nova perspectiva em toxicologia aqu\u00e1tica?\n\n<strong>Fonte:<\/strong> www.geocities.com\n<h6>Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>TOXICOLOGIA DE AGROT\u00d3XICOS EM AMBIENTES AQU\u00c1TICOS<\/h4>\n<strong>INTRODU\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\nNo passado, os organismos indesej\u00e1veis \u00e0 agricultura eram controlados por meio da aplica\u00e7\u00e3o de pequeno n\u00famero de compostos inorg\u00e2nicos \u00e0 base de cobre e ars\u00eanico, al\u00e9m de alguns inseticidas de ocorr\u00eancia natural como as piretrinas (Nimmo 1985). At\u00e9 a II Guerra Mundial o desenvolvimento e uso efetivo de compostos org\u00e2nicos foram lentos. Por\u00e9m, com a descoberta da propriedade inseticida do dicloro-difenil- tricloroetano, o DDT, foram iniciados a expans\u00e3o e desenvolvimento de uso caracter\u00edsticos dos \u00faltimos 40 anos (Kotaka &amp; Zambrone 2001, Nimmo 1985).\n\nE, em fun\u00e7\u00e3o do modelo de agricultura adotado, que se baseia no uso de agrot\u00f3xicos, estas subst\u00e2ncias passaram, ent\u00e3o, a ser amplamente utilizadas (R\u00fcegg et al. 1987).\n\nN\u00e3o se pode negar que esses produtos possibilitaram o aumento da produtividade agr\u00edcola e t\u00eam auxiliado no controle de vetores de diversas doen\u00e7as.\n\nEntretanto, seu uso desordenado e excessivo vem provocando diversos impactos sobre o meio ambiente. Dentre os efeitos nocivos ao ambiente, podem ser citados a presen\u00e7a de res\u00edduos no solo, na \u00e1gua, no ar, nas plantas e animais. Al\u00e9m da contamina\u00e7\u00e3o do meio ambiente, estes res\u00edduos podem chegar ao homem atrav\u00e9s da cadeia alimentar e ocasionar danos \u00e0 sa\u00fade (Edwards 1973). Datam da d\u00e9cada de 50 os primeiros relatos sobre res\u00edduos de inseticidas organoclorados no ambiente e nos alimentos, onde foi observada a ocorr\u00eancia de bioconcentra\u00e7\u00e3o e bioacumula\u00e7\u00e3o na cadeia alimentar, que resultou em altos teores no homem (Almeida 1974). Em meados do s\u00e9culo XIX, John Snow, o pai da epidemiologia, comprovava que a qualidade ambiental possui estreita rela\u00e7\u00e3o com a sa\u00fade humana, por meio de seu estudo sobre a exist\u00eancia de associa\u00e7\u00e3o causal entre a epidemia de c\u00f3lera que assolava Londres e o consumo de \u00e1gua contaminada por fezes de doentes (Rouquaryol 1994).\n\nOs agrot\u00f3xicos podem alcan\u00e7ar os ambientes aqu\u00e1ticos atrav\u00e9s da aplica\u00e7\u00e3o intencional, deriva e escoamento superficial a partir de \u00e1reas onde ocorreram aplica\u00e7\u00f5es (Figura 1). A percola\u00e7\u00e3o dos agrot\u00f3xicos atrav\u00e9s do perfil dos solos pode ocasionar a contamina\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos (Edwards 1973). Portanto, al\u00e9m de afetar os pr\u00f3prios cursos de \u00e1gua superficiais, os agrot\u00f3xicos podem alcan\u00e7ar os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos cuja descontamina\u00e7\u00e3o apresenta grande dificuldade.\n\nCertas pr\u00e1ticas agr\u00edcolas ligadas ao modelo de produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola predominante, como o uso excessivo e inadequado de agrot\u00f3xicos, a destrui\u00e7\u00e3o da cobertura vegetal dos solos para plantio, a n\u00e3o-preserva\u00e7\u00e3o das matas ciliares e das formas de vegeta\u00e7\u00e3o protetoras de nascentes, dentre outros fatores, s\u00e3o respons\u00e1veis por grande parte dos problemas com os recursos h\u00eddricos (Rosa 1998).\n\nEm rela\u00e7\u00e3o \u00e0 \u00e1gua, embora a agricultura seja apenas uma das in\u00fameras fontes n\u00e3o-pontuais de polui\u00e7\u00e3o, geralmente \u00e9 apontada como a maior contribuinte de todas as categorias de poluentes (Edwin 1996).\n\nDependendo das caracter\u00edsticas f\u00edsico-qu\u00edmicas, o res\u00edduo do agrot\u00f3xico uma vez na \u00e1gua, pode tanto se ligar ao material particulado em suspens\u00e3o, como se depositar no sedimento do fundo ou ser absorvido por organismos, podendo ent\u00e3o ser detoxicados ou acumulados.\n\nEles podem ser transportados atrav\u00e9s do sistema aqu\u00e1tico por difus\u00e3o nas correntes de \u00e1gua ou nos corpos dos organismos aqu\u00e1ticos. Alguns agrot\u00f3xicos e\/ou metab\u00f3litos podem tamb\u00e9m retornar \u00e0 atmosfera por volatiliza\u00e7\u00e3o. Assim, fica evidenciado que h\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o cont\u00ednua dos agrot\u00f3xicos entre sedimento e \u00e1gua, influenciada pelo movimento da \u00e1gua, turbul\u00eancia e temperatura (Nimmo 1985). Desta intera\u00e7\u00e3o, pode resultar inclusive maior tempo de exposi\u00e7\u00e3o dos organismos aqu\u00e1ticos aos compostos t\u00f3xicos.\n\nExistem diversos estudos na literatura internacional para se determinar a presen\u00e7a de agrot\u00f3xicos em \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas (Mallet &amp; Mallet 1989, Durand &amp; Barcel\u00f3 1989, Barcel\u00f3 1994, Dupas, et al. 1995, Barcel\u00f3 et al. 1996) al\u00e9m de estudos nacionais dos efeitos de herbicidas sobre organismos aqu\u00e1ticos (Tundisi 1990, Rodrigues 1993).\n\nEstes estudos muitas vezes envolvem compostos que j\u00e1 s\u00e3o apontados como problemas em potencial para o meio ambiente e sa\u00fade, por\u00e9m, ainda n\u00e3o s\u00e3o controlados pela legisla\u00e7\u00e3o.\n\nOs agrot\u00f3xicos presentes em corpos d\u0092\u00e1gua podem penetrar nos organismos aqu\u00e1ticos atrav\u00e9s de diversas portas de entrada e seu grau de acumula\u00e7\u00e3o depende do tipo de cadeia alimentar, da disponibilidade e persist\u00eancia do contaminante na \u00e1gua e especialmente de suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas (Spacie &amp; Hamelink 1985). Os peixes e invertebrados podem acumular os agrot\u00f3xicos em concentra\u00e7\u00f5es muito acima daquelas encontradas nas \u00e1guas nas quais eles vivem, pois estes compostos podem se ligar ao material particulado em suspens\u00e3o e ser ingeridos pelos organismos aqu\u00e1ticos (Nimmo 1985), dentre outros processos. A toxicologia aqu\u00e1tica estuda os efeitos de compostos qu\u00edmicos e outros xenobi\u00f3ticos sobre os organismos aqu\u00e1ticos com \u00eanfase especial nos efeitos adversos ou danosos. In\u00fameros testes toxicol\u00f3gicos s\u00e3o utilizados para avaliar as concentra\u00e7\u00f5es e a dura\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o a estes agentes qu\u00edmicos, necess\u00e1rias para produzir um efeito pr\u00e9-determinado, ou seja, um teste toxicol\u00f3gico \u00e9 desenvolvido para mensurar o grau da resposta produzida por um n\u00edvel espec\u00edfico de est\u00edmulo &#8211; concentra\u00e7\u00e3o do composto em estudo (Rand &amp; Petrocelli 1985).\n<h4><strong>FATORESQUE INFLUENCIAM A TOX ICIDADE DE COMPOSTOSQU\u00cdMICOS EM AMBIENTES AQU\u00c1TICOS <\/strong><\/h4>\nOs estudos em toxicologia aqu\u00e1tica s\u00e3o qualitativos e quantitativos em rela\u00e7\u00e3o aos efeitos t\u00f3xicos sobre os organismos aqu\u00e1ticos. Os efeitos t\u00f3xicos podem incluir tanto a letalidade (mortalidade) e efeitos sub-letais, como altera\u00e7\u00f5es no crescimento, desenvolvimento, reprodu\u00e7\u00e3o, respostas farmacocin\u00e9ticas, patologia, bioqu\u00edmica, fisiologia e comportamento.\n\nOs efeitos podem ser expressos atrav\u00e9s de crit\u00e9rios mensur\u00e1veis como o n\u00famero de organismos mortos, porcentagem de ovos chocos, altera\u00e7\u00f5es no tamanho e peso, porcentagem de inibi\u00e7\u00e3o de enzima, incid\u00eancia de tumor, dentre outros. A toxicologia aqu\u00e1tica tamb\u00e9m est\u00e1 relacionada com as concentra\u00e7\u00f5es ou quantidades dos agentes qu\u00edmicos que podem ocorrer no ambiente aqu\u00e1tico (\u00e1gua, sedimento ou alimento) (Rand &amp; Petrocelli 1985). A toxicidade de um composto qu\u00edmico depende da exposi\u00e7\u00e3o, da suscetibilidade do organismo, das caracter\u00edsticas qu\u00edmicas do agente e de fatores ambientais.\n\n<strong>A exposi\u00e7\u00e3o \u00e9 o contato\/rea\u00e7\u00e3o entre o organismo e o composto qu\u00edmico, sendo que os fatores mais importantes relacionados \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/strong> o tipo, dura\u00e7\u00e3o e freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o e a concentra\u00e7\u00e3o do agente qu\u00edmico.\n\nDependendo do tipo de exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 toxicidade ser\u00e1 afetada, por exemplo, os compostos hidrossol\u00faveis est\u00e3o mais prontamente dispon\u00edveis aos organismos do que aqueles mais lipof\u00edlicos que estar\u00e3o mais fortemente adsorvidos ou de alguma maneira ligados \u00e0s part\u00edculas em suspens\u00e3o, mat\u00e9ria org\u00e2nica ou sistemas biol\u00f3gicos. Assim, os agentes qu\u00edmicos mais hidrossol\u00faveis podem penetrar num organismo atrav\u00e9s de toda a superf\u00edcie do corpo, guelras e boca, enquanto os mais lipof\u00edlicos t\u00eam que ser ingeridos e absorvidos atrav\u00e9s do trato gastrintestinal (Rand &amp; Petrocelli 1985).\n\nA dura\u00e7\u00e3o e a freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o dos organismos ao agente qu\u00edmico tamb\u00e9m afetar\u00e1 a toxicidade. Na exposi\u00e7\u00e3o aguda, os organismos entram em contato com o composto qu\u00edmico num evento \u00fanico ou em eventos m\u00faltiplos que ocorrem num pequeno per\u00edodo de tempo, geralmente variando de horas a dias. Nas exposi\u00e7\u00f5es agudas onde o agente qu\u00edmico \u00e9 rapidamente absorvido normalmente os efeitos s\u00e3o imediatos, embora seja poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o de efeitos retardados similares \u00e0queles resultantes de exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica (Rand &amp; Petrocelli 1985).\n\nNa exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica, normalmente os organismos s\u00e3o expostos a baixas concentra\u00e7\u00f5es do agente t\u00f3xico que \u00e9 liberado continuamente ou com alguma periodicidade num longo per\u00edodo de tempo (semanas, meses ou anos). A exposi\u00e7\u00e3o cr\u00f4nica a compostos qu\u00edmicos pode tamb\u00e9m induzir a efeitos r\u00e1pidos e imediatos, como os efeitos agudos, em adi\u00e7\u00e3o aos efeitos que se desenvolvem lentamente (Rand &amp; Petrocelli 1985).\n\nA freq\u00fc\u00eancia da exposi\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m afeta a toxicidade dos compostos qu\u00edmicos. Uma exposi\u00e7\u00e3o aguda a uma \u00fanica concentra\u00e7\u00e3o pode resultar num efeito adverso imediato num organismo, enquanto duas exposi\u00e7\u00f5es sucessivas cumulativas iguais \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o aguda \u00fanica podem ter efeito pequeno ou nenhum efeito, devido ao metabolismo (detoxifica\u00e7\u00e3o) do organismo entre as exposi\u00e7\u00f5es ou \u00e0 aclimata\u00e7\u00e3o do organismo ao composto (Rand &amp; Petrocelli 1985). Como j\u00e1 mencionado, a toxicidade depende da suscetibilidade dos organismos ao composto qu\u00edmico.\n\nDiferentes esp\u00e9cies possuem suscetibilidades diferentes de acordo com seu aparato metab\u00f3lico, de acordo com seus h\u00e1bitos alimentares, seu comportamento, fase de desenvolvimento, dentre outros aspectos. Indiv\u00edduos jovens ou imaturos geralmente s\u00e3o mais suscet\u00edveis aos agentes qu\u00edmicos do que adultos, provavelmente em fun\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as no grau de desenvolvimento dos mecanismos de detoxifica\u00e7\u00e3o.\n\nOrganismos estressados em fun\u00e7\u00e3o de exposi\u00e7\u00e3o pr\u00e9via a outros toxicantes tamb\u00e9m podem ser mais suscet\u00edveis aos compostos qu\u00edmicos (Rand &amp; Petrocelli 1985), cen\u00e1rio comum na realidade dos ecossistemas, pois normalmente h\u00e1 a presen\u00e7a simult\u00e2nea de diferentes produtos.\n\nAs caracter\u00edsticas do composto qu\u00edmico tamb\u00e9m influenciam grandemente na toxicidade, como por exemplo sua composi\u00e7\u00e3o ou grau de pureza, pois as impurezas ou contaminantes que s\u00e3o consideravelmente mais t\u00f3xicos do que o agente propriamente dito podem estar presentes. Assim, a identidade e a pureza dos compostos qu\u00edmicos s\u00e3o importantes nos testes de toxicidade. As propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas como solubilidade, press\u00e3o de vapor e pH afetam a biodisponibilidade, persist\u00eancia, transforma\u00e7\u00e3o, e o destino do agente qu\u00edmico no ambiente tamb\u00e9m s\u00e3o fatores importantes nos testes de toxicidade.\n\nExistem compostos qu\u00edmicos n\u00e3o seletivos em seu modo de a\u00e7\u00e3o e que provocam efeitos indesej\u00e1veis em numerosas c\u00e9lulas e tecidos dos organismos aqu\u00e1ticos. Em contraste h\u00e1 os compostos com modo de a\u00e7\u00e3o seletivo que afeta adversamente apenas um tipo de c\u00e9lula ou tecido, sendo inofensivo para os demais com os quais esteve em contato direto, assim, o modo de a\u00e7\u00e3o dos compostos qu\u00edmicos tamb\u00e9m afeta sua toxicidade (Rand &amp; Petrocelli 1985).\n\nOs fatores ambientais definidos pelas caracter\u00edsticas bi\u00f3ticas e abi\u00f3ticas tamb\u00e9m podem alterar a toxicidade de compostos qu\u00edmicos no ambiente aqu\u00e1tico. Os fatores bi\u00f3ticos incluem o tipo de organismo (alga, inseto ou peixe, etc.), est\u00e1gio de desenvolvimento (larva, juvenil, adulto), tamanho, estado nutricional e de sa\u00fade, altera\u00e7\u00f5es sazonais no estado fisiol\u00f3gico, dentre outros, sendo que estes fatores bi\u00f3ticos influenciam a resposta ao poluente de diferentes maneiras. Os fatores abi\u00f3ticos que podem atuar modificando a toxicidade incluem todas as caracter\u00edsticas f\u00edsicas e qu\u00edmicas da \u00e1gua que circunda o organismo vivo, como a temperatura, o pH, o teor de oxig\u00eanio dissolvido na \u00e1gua, a salinidade e a dureza, conte\u00fado de mat\u00e9ria org\u00e2nica e material particulado em suspens\u00e3o, a velocidade do fluxo da \u00e1gua, dentre outros (Sprague 1985).\n<h4><strong>PROBLEMAS AMBIENTAIS COM AGROT\u00d3XICOS<\/strong><\/h4>\nDentre os in\u00fameros casos de problemas ambientais j\u00e1 relatados pela literatura internacional, destaca-se o caso do DDT, inseticida organoclorado, o primeiro usado em larga escala a partir de 1945. Ap\u00f3s 27 anos, a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental dos Estados Unidos (U.S.E.P.A.) baniu seu uso (Metcalf 1974), por apresentar alta persist\u00eancia no ambiente e ser bioacumulado e biomagnificado. Nimmo (1985) relata in\u00fameros casos de problemas ambientais com agrot\u00f3xicos e outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como os polibifenil clorados (PCB\u0092s) que tamb\u00e9m s\u00e3o compostos organoclorados, com estrutura qu\u00edmica muito similar aos agrot\u00f3xicos DDT, dieldrin e aldrin. Os relatos incluem casos de contamina\u00e7\u00e3o da \u00e1gua e de organismos.\n\nSpacie &amp; Hamelink (1985) tamb\u00e9m reportaram que a bioacumula\u00e7\u00e3o e biomagnifica\u00e7\u00e3o de poluentes recebeu aten\u00e7\u00e3o p\u00fablica pela primeira vez nos anos 60, com a descoberta de res\u00edduos de DDT, DDD e de metil-merc\u00fario em peixes e animais silvestres. Problemas de mortalidade e de reprodu\u00e7\u00e3o em peixes e p\u00e1ssaros que se alimentam de peixes foram relacionados \u00e0s altas concentra\u00e7\u00f5es de DDT ou seus metab\u00f3litos encontrados no tecido adiposo destes animais. Como, especialmente os p\u00e1ssaros que eram carn\u00edvoros estavam com as concentra\u00e7\u00f5es mais elevadas de res\u00edduos do que o alimento (peixes) que ingeriram, era l\u00f3gico postular que a acumula\u00e7\u00e3o havia ocorrido primariamente pela transfer\u00eancia atrav\u00e9s da cadeia tr\u00f3fica. Esta id\u00e9ia apoiou-se indiretamente na observa\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos de DDT que aumentavam passo a passo de um n\u00edvel tr\u00f3fico para o pr\u00f3ximo.\n\nIn\u00fameros outros compostos j\u00e1 foram detectados em \u00e1guas superficiais, em \u00e1guas subterr\u00e2neas e de abastecimento (Balinova 1993, Brambilla et al. 1993, Tekel &amp; Kovacicov\u00e1 1993, Zahradnickov\u00e1 et al. 1994, Pereira et al. 1996) relacionando atividades urbanas e agr\u00edcolas com os casos de contamina\u00e7\u00e3o ambiental.\n\nDe acordo com Tekel &amp; Kovacicov\u00e1 (1993), na maioria dos pa\u00edses europeus e nos Estados Unidos, os herbicidas representam mais de 50% de todos os agrot\u00f3xicos usados e, portanto, n\u00e3o \u00e9 de surpreender que esta classe de compostos contribua de maneira t\u00e3o significativa para a contamina\u00e7\u00e3o do ambiente, particularmente solo, \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas. Al\u00e9m do alto volume de uso, muitos dos herbicidas s\u00e3o aplicados em \u00e1reas pr\u00f3ximas aos corpos d\u0092\u00e1gua e s\u00e3o, portanto, comumente encontrados em \u00e1guas superficiais. Al\u00e9m disto, tamb\u00e9m alcan\u00e7am \u00e1guas subterr\u00e2neas em fun\u00e7\u00e3o de sua mobilidade em solo que permite sua migra\u00e7\u00e3o.\n\nEm \u00e1gua de abastecimento tamb\u00e9m j\u00e1 foram encontrados res\u00edduos de herbicidas, principalmente a atrazina que \u00e9 um herbicida triaz\u00ednico. As triazinas s\u00e3o os herbicidas mais antigos e mais comumente usados, sendo respons\u00e1veis por cerca de 30% do mercado mundial de pesticidas. Mais recentemente as triazinas, especialmente atrazina, est\u00e1 sendo gradualmente substitu\u00edda por herbicidas que apresentem risco ambiental menor (Tekel &amp; Kovacicov\u00e1 1993). Amaraneni &amp; Pillala (2001) encontraram res\u00edduos de v\u00e1rios agrot\u00f3xicos nas duas esp\u00e9cies de peixes usados como bioindicadores, coletados no lago Kolleru, \u00cdndia.\n\nOs resultados demonstraram que os peixes continham res\u00edduos de agrot\u00f3xicos em n\u00edveis superiores aos padr\u00f5es estabelecidos pela Food and Agriculture Organization (FAO), organismo das Na\u00e7\u00f5es Unidas, se constituindo em mais uma fonte de exposi\u00e7\u00e3o dos habitantes da regi\u00e3o aos agrot\u00f3xicos.\n\nOs resultados refletiram tamb\u00e9m o n\u00edvel de polui\u00e7\u00e3o por estes compostos naquele lago bem como o perigo a que os habitantes estavam expostos ao consumirem os peixes contaminados. Younes &amp; Galalgorchev (2000) ressaltam que a capacidade dos agrot\u00f3xicos persistirem e produzirem efeitos t\u00f3xicos sobre a sa\u00fade humana e sobre o meio ambiente \u00e9 muito variada em fun\u00e7\u00e3o das in\u00fameras classes qu\u00edmicas existentes. Al\u00e9m disto, em fun\u00e7\u00e3o de seu amplo uso, os agrot\u00f3xicos podem estar presentes inclusive em \u00e1gua de abastecimento.\n\nNum estudo realizado no Parque Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) localizado no Vale do Ribeira (S\u00e3o Paulo), Elfvendahl (2000) analisou amostras de \u00e1gua, sedimento e peixe no per\u00edodo das chuvas, em janeiro de 2000, e seus resultados indicaram que a fauna e flora do PETAR est\u00e3o expostas a diferentes agrot\u00f3xicos que se encontram dissolvidos na \u00e1gua ou presentes no sedimento, sendo que dos 20 agrot\u00f3xicos detectados na \u00e1gua, sete eram considerados altamente t\u00f3xicos para peixes e outros organismos aqu\u00e1ticos e os demais eram considerados moderadamente t\u00f3xicos.\n\nStrandberg &amp; Scott-Fordsmand (2002), considerando organismos expostos ao herbicida simazina em meio terrestre e meio aqu\u00e1tico, relataram in\u00fameros efeitos ecol\u00f3gicos, dentre eles a bioacumula\u00e7\u00e3o de simazina em organismos aqu\u00e1ticos, a diminui\u00e7\u00e3o de densidade e diversidade de algumas esp\u00e9cies de organismos de solo expostos ao herbicida. Al\u00e9m disto, o estudo relata in\u00fameros experimentos e monitoramentos efetuados nos Estados Unidos e Europa sobre a toxicidade de simazina para diversos organismos aqu\u00e1ticos e terrestres e discutem os fatores bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos que influenciaram a toxicidade e comportamento ambiental do herbicida.\n\nDores &amp; De-Lamonica-Freire (2001), atrav\u00e9s do levantamento e an\u00e1lise de par\u00e2metros f\u00edsicos e qu\u00edmicos do solo e de 29 agrot\u00f3xicos, verificaram o potencial de contamina\u00e7\u00e3o de \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas numa \u00e1rea agr\u00edcola em Primavera do Leste (MT), demonstrando o risco potencial que cada composto estudado apresentava naquele ambiente. Embora tenha sido um estudo efetuado com dados sobre os pesticidas retirados da literatura internacional e, portanto, obtidos em clima diferente do local, este estudo demonstrou a necessidade e a possibilidade de se utilizar an\u00e1lises preliminares deste tipo para se priorizar estudos mais aprofundados de comportamento ambiental e toxicidade de agrot\u00f3xicos.\n\nFilizola et al. (2002) afirmam que, avalia\u00e7\u00f5es preliminares da possibilidade de contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas superficiais, subsuperficiais e subterr\u00e2neas por pesticidas de uma dada \u00e1rea agr\u00edcola, podem se constituir em instrumentos importantes para avalia\u00e7\u00e3o de risco ambiental, sendo vantajoso inclusive devido ao alto custo das an\u00e1lises qu\u00edmicas de res\u00edduos de pesticidas. Laabs et al. (2002) conclu\u00edram que, na \u00e1rea da bacia do Pantanal, a atmosfera representa importante porta de entrada de agrot\u00f3xicos nos ecossistemas, inclusive na \u00e1gua, de forma diferente do que ocorre em regi\u00f5es temperadas, reafirmando a necessidade de estudos em condi\u00e7\u00f5es ambientais brasileiras. Outra lacuna importante relaciona-se \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o de estudos, como o desenvolvido por Farre et al. (2002), aliando-se testes toxicol\u00f3gicos com organismos e as an\u00e1lises qu\u00edmicas quantitativas e qualitativas, permitindo assim o levantamento de dados qu\u00edmicos como concentra\u00e7\u00e3o e dose real, juntamente com a verifica\u00e7\u00e3o dos efeitos toxicol\u00f3gicos para os organismos, de forma a embasar avalia\u00e7\u00f5es globais.\n<h4><strong>EXPOSI\u00c7\u00c3O M\u00daLTIPLA AOS AGROT\u00d3XICOS<\/strong><\/h4>\nOutro tipo de problema bastante comum \u00e9 a exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla, isto \u00e9, exposi\u00e7\u00e3o \u00e0 mistura de agentes t\u00f3xicos. O emprego de misturas \u00e9 conhecido como vantajoso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 aplica\u00e7\u00e3o de um \u00fanico composto (Marking 1985).\n\n<strong>As vantagens relatadas s\u00e3o: <\/strong>\n<blockquote><strong>a) <\/strong>aumento da efici\u00eancia contra os organismos alvo,<strong>\nb) <\/strong>aumento da seguran\u00e7a para organismos n\u00e3o-alvo, <strong>\nc) <\/strong>diminui\u00e7\u00e3o das quantidades aplicadas sem redu\u00e7\u00e3o da efici\u00eancia e com quantidades menores de res\u00edduos no meio ambiente,<strong>\nd) <\/strong>custos reduzidos para o material de aplica\u00e7\u00e3o (Marking 1985). Entretanto, h\u00e1 equ\u00edvocos em rela\u00e7\u00e3o ao conceito de toxicidade de misturas, pois esta n\u00e3o \u00e9 resultante da soma das atividades t\u00f3xicas dos compostos.<\/blockquote>\nA mistura de diferentes agentes pode ocorrer inadvertidamente porque alguns compostos persistem por longos per\u00edodos no meio ambiente ou porque s\u00e3o aplicados repetidamente ou, como j\u00e1 citado, para melhorar a efic\u00e1cia e diminuir os custos (Marking 1985).\n\nExistem dados sobre a toxicidade da mistura de inseticidas organofosforados (Marking 1985), o qual observou aumento da toxicidade (sinergismo) quando foram comparados os resultados de aplica\u00e7\u00f5es individuais. H\u00e1 relatos tamb\u00e9m de exposi\u00e7\u00f5es a m\u00faltiplos compostos qu\u00edmicos onde ocorreu antagonismo, pois a exposi\u00e7\u00e3o a uma mistura de agentes qu\u00edmicos resultou em efeito menor do que aquele esperado se a exposi\u00e7\u00e3o tivesse acontecido com cada composto individualmente (Marking 1985). Sinergismo e antagonismo s\u00e3o termos gen\u00e9ricos e seu uso deve ser baseado em dados quantitativos.\n\nAmbos os fen\u00f4menos resultam da soma de exposi\u00e7\u00e3o a v\u00e1rios agentes qu\u00edmicos presentes no meio ambiente (Marking 1985), mas a toxicidade n\u00e3o se resume simplesmente \u00e0 soma das toxicidades individuais. Strandberg &amp; Scottfordsmand (2002) relataram estudo de 16 anos realizado nos Estados Unidos, pelo qual foi observado o efeito sin\u00e9rgico da aplica\u00e7\u00e3o dos herbicidas simazina e diuron, resultando num controle mais eficiente de ervas daninhas, comprovando que do ponto de vista agron\u00f4mico o emprego de misturas pode apresentarse vantajoso, por\u00e9m permanece a d\u00favida: o efeito sin\u00e9rgico sin\u00e9rgico resultar\u00e1 em efeito t\u00f3xico mais severo apenas para os organismos-alvo?\n\nA compreens\u00e3o do efeito da toxicidade de misturas e o desenvolvimento da capacidade para calcular quantitativamente a toxicidade adicionada de misturas de agentes qu\u00edmicos podem ser ferramentas \u00fateis para se determinar as vantagens e desvantagens do uso de misturas (Marking 1985).\n\nAproximadamente 6 milh\u00f5es de subst\u00e2ncias qu\u00edmicas sint\u00e9ticas s\u00e3o conhecidos e 63 mil s\u00e3o de uso cotidiano podendo ser encontradas no ambiente, de forma que 118 agentes qu\u00edmicos s\u00e3o considerados mundialmente como priorit\u00e1rios para efeito de controle organismos alvo (Ara\u00fajo 2000).\n\nCom estes dados \u00e9 f\u00e1cil verificar a necessidade de desenvolvimento de legisla\u00e7\u00e3o e mecanismos formais para controlar e avaliar o risco para a sa\u00fade e para o meio ambiente em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o individual e m\u00faltipla aos agentes qu\u00edmicos t\u00f3xicos. Younes &amp; Galal Gorchev (2000) ressaltam a dificuldade e complexidade da caracteriza\u00e7\u00e3o do risco em fun\u00e7\u00e3o da exposi\u00e7\u00e3o normalmente se dar a misturas complexas de agrot\u00f3xicos, e n\u00e3o a apenas um composto; al\u00e9m disto, a exposi\u00e7\u00e3o usualmente se d\u00e1 por meio de in\u00fameras matrizes ambientais.\n\nAra\u00fajo et al. (2000), num estudo realizado em Pernambuco para a cultura de tomate, comprovaram a ocorr\u00eancia do emprego preventivo dos agrot\u00f3xicos gerando outros problemas, dentre eles a necessidade de uso crescente de novos produtos e misturas. Al\u00e9m disto, constataram que h\u00e1 car\u00eancia de a\u00e7\u00f5es que visem \u00e0 prote\u00e7\u00e3o da sa\u00fade dos trabalhadores rurais que lidam com agrot\u00f3xicos bem como de medidas contra os danos ambientais, sendo que o meio ambiente j\u00e1 se encontra gravemente comprometido.\n\nEstes autores tamb\u00e9m verificaram que, embora exista uma legisla\u00e7\u00e3o nacional e normas regulamentando o uso e descarte de embalagens dos agrot\u00f3xicos, a pr\u00e1tica entre alguns agricultores locais ainda consiste em deixar as embalagens vazias ou restos de produtos espalhados pelo campo. Certamente por meio das \u00e1guas de chuva e de irriga\u00e7\u00e3o, h\u00e1 o arraste de res\u00edduos pelo solo at\u00e9 atingirem reservat\u00f3rios e cursos d\u0092\u00e1gua, que poder\u00e1 resultar em contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas por agrot\u00f3xicos de diversas naturezas qu\u00edmicas num mesmo momento, resultando na exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla de todo o ecossistema aqu\u00e1tico bem como do homem.\n\nNestas \u00faltimas d\u00e9cadas, para se adquirir conhecimentos sobre os efeitos dos agentes qu\u00edmicos sobre a biota aqu\u00e1tica t\u00eam sido utilizados testes com organismos de \u00e1guas continentais, estuarinas e marinhas, sob condi\u00e7\u00f5es de campo e de laborat\u00f3rio (Ara\u00fajo 2000), por meio dos quais tem sido verificada a toxicidade dos compostos. Estes testes possibilitam o estabelecimento de limites permiss\u00edveis para v\u00e1rias subst\u00e2ncias qu\u00edmicas e ainda possibilitam a avalia\u00e7\u00e3o do impacto destes poluentes sobre a biota dos recursos h\u00eddricos receptores (Maki &amp; Bishop 1985).\n\nEstudos j\u00e1 foram desenvolvidos para verificar a toxicidade de misturas de diversos agrot\u00f3xicos e de outras subst\u00e2ncias qu\u00edmicas como os metais, bem como para tentar elucidar os mecanismos de a\u00e7\u00e3o envolvidos (Bailey et al. 1997, Belden &amp; Lydy 2000, Altenburger et al. 2000, Christensen et al. 2001, Jin-Clark et al. 2001, Anderson &amp; Lydy 2002, Franklin et al. 2002). Dentre os organismos utilizados, podemos citar algas verdes, microcrust\u00e1ceos, insetos, larvas de mosquitos.\n\nNestes diversos estudos foi observada a ocorr\u00eancia de efeito sin\u00e9rgico, indicando o potencial para toxicidade aumentada em organismos expostos a misturas ambientais de compostos. Elfvendahl (2000) concluiu que, embora a biota aqu\u00e1tica do Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) estivesse exposta aos pesticidas detectados, dissolvidos na \u00e1gua ou ligados ao material particulado suspenso ou sedimento, \u00e9 muito dif\u00edcil tecer considera\u00e7\u00f5es sobre o risco, pois a biota encontrava-se exposta a in\u00fameros e diferentes compostos estressantes e que havia possibilidade de potencializa\u00e7\u00e3o da toxicidade devido principalmente \u00e0 exposi\u00e7\u00e3o dos organismos a misturas de agrot\u00f3xicos.\n\nConsiderando os aspectos citados acima bem como o fato de que na natureza normalmente o cen\u00e1rio que se tem, intencionalmente ou n\u00e3o, \u00e9 a presen\u00e7a de mais de um agente qu\u00edmico simultaneamente, pode ser feita a infer\u00eancia que h\u00e1 possibilidade de altera\u00e7\u00e3o da toxicidade destes agrot\u00f3xicos no meio ambiente quando em misturas e que h\u00e1 necessidade de se verificar a toxicidade quando h\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o m\u00faltipla.\n\n<strong>Portanto, a quest\u00e3o que se apresenta \u00e9: O uso de agrot\u00f3xicos em mistura no ambiente aqu\u00e1tico representa nova perspectiva em toxicologia aqu\u00e1tica?<\/strong>\n\n<strong>Joelmir Marques da Silva\nJosilane Rodrigues dos Santos<\/strong>\n\n<strong>REFER\u00caNCIAS<\/strong>\n\nALMEIDA, W.F. 1974. 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Na pr\u00e1tica, o gerenciamento dos metais pesados e de outras subst\u00e2ncias t\u00f3xicas nos lagos \u00e9 combinado com o gerenciamento de outros problemas (como, p.ex., a eutrofiza\u00e7\u00e3o associada \u00e0 entrada de fosfato na \u00e1gua), dentro de uma abordagem integrada, visando a qualidade da \u00e1gua.\n\n<strong>Os principais elementos t\u00f3xicos carreados para os lagos e reservat\u00f3rios s\u00e3o os seguintes:<\/strong>\n<blockquote>Pesticidas e Fertilizantes Agr\u00edcolas\nMetais Pesados\nSubst\u00e2ncias Org\u00e2nicas T\u00f3xicas\n\u00d3leos e Derivados<\/blockquote>\nOs AGROT\u00d3XICOS s\u00e3o produtos qu\u00edmicos naturais e sint\u00e9ticos utilizados no campo para o controle de pragas, doen\u00e7as e ervas daninhas. S\u00e3o extremamente perigosos, tanto para o agricultor que o aplica (sem os cuidados necess\u00e1rios e o uso de EPI\u00b4s), como para a biota aqu\u00e1tica.\n\nOs pesticidas org\u00e2nicos mais s\u00e9rios em termos de impactos sobre os ecossistemas aqu\u00e1ticos foram, e continuam sendo, os produtos org\u00e2nicos contendo cloro.\n\nOs principais motivos s\u00e3o sua toxicidade e as propriedades qu\u00edmicas que os tornam persistentes no meio aqu\u00e1tico por longo tempo.\n\nA Tabela abaixo relaciona alguns dos agrot\u00f3xicos mais perigosos (a maioria de uso proibido) e sua aplica\u00e7\u00e3o mais comum na agricultura.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/agroto76.jpg\" alt=\"Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos\" width=\"290\" height=\"197\" \/>\n<strong>Aplica\u00e7\u00e3o manual<\/strong><\/p>\n\n<h4><strong>AGROT\u00d3XICOS ORGANOCLORADOS E SEU USO NA AGRICULTURA <\/strong><\/h4>\n<table border=\"0\" width=\"300\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<th width=\"150\">COMPOSTO<\/th>\n<th width=\"150\">USO AGR\u00cdCOLA<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Aldrin<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">inseticida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Diedrin (*)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">contra pulgas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Endrin<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">vermicida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">BHC (*)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">carrapaticida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Lindane (*)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">contra moscas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">DDT (*)<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">contra mosquitos<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Endosulfan<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">pesticida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Heptacloro<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">pesticida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Metoxiclor<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">pesticida<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Mirex<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">pesticida<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n(*) Carreados, tamb\u00e9m, pelas correntes a\u00e9reas.\n\nOs METAIS PESADOS, logo depois dos Agrot\u00f3xicos, s\u00e3o a maior causa dos desequil\u00edbrios qu\u00edmicos e bi\u00f3ticos que ocorrem na \u00e1gua e nos sedimentos dos lagos e reservat\u00f3rios.\n\n<strong>As principais fontes de metais pesados para os lagos e reservat\u00f3rios s\u00e3o:<\/strong>\n<blockquote>Natural (rochas)\nAtmosfera (chuvas)\n\u00c1guas residu\u00e1rias (esgotos) e lix\u00f5es\nMinera\u00e7\u00e3o (enxurradas)<\/blockquote>\nO transporte e a distribui\u00e7\u00e3o dos metais pesados dependem do somat\u00f3rio das caracter\u00edsticas do lago ou reservat\u00f3rio e da natureza qu\u00edmica dos contaminantes.\n\nDois dos maiores desastres ecol\u00f3gicos com metais pesados conhecidos, ocorreram na ba\u00eda de Minamata e na parte central do Jap\u00e3o, durante as d\u00e9cadas de 1940 e 1960. O Mal de Minamata (atinge o sistema nervoso central, os rins e outros \u00f3rg\u00e3os) afetou cerca de 1.742 pessoas, al\u00e9m de gatos e ratos que se alimentaram de peixes e mariscos contaminados com merc\u00fario. A Doen\u00e7a de Itai-itai foi provocada pelo c\u00e1dmio concentrado nos gr\u00e3os de arroz cultivado por inunda\u00e7\u00e3o, que causava dor intensa nos ossos, da\u00ed o nome itai-itai que, em Japon\u00eas, quer dizer &#8220;d\u00f3i-d\u00f3i&#8221;.\n\n<strong>As \u00e1guas servidas domiciliares (esgoto dom\u00e9stico) s\u00e3o a maior fonte isolada de metais pesados lan\u00e7ados ao meio ambiente e, geralmente, cont\u00eam elevados n\u00edveis de: <\/strong>cobre, chumbo, zinco, c\u00e1dmio e prata. As ind\u00fastrias aliment\u00edcias e texteis, geram efluentes com elevados n\u00edveis de metais pesados. O escoamento superficial das \u00e1guas de chuva das \u00e1reas urbanas, cont\u00e9m n\u00edveis relativamente elevados de metais pesados, como cobre, chumbo e zinco, associados a bact\u00e9rias, nutrientes e elevada DBO. A disposi\u00e7\u00e3o de detritos s\u00f3lidos (lixo) e efluentes l\u00edquidos, industriais e municipais, em valas cobertas ou em aterros abertos, \u00e9 outra fonte potencial de metais pesados e subst\u00e2ncias inorg\u00e2nicas t\u00f3xicas.\n\nAs SUBST\u00c2NCIAS ORG\u00c2NICAS T\u00d3XICAS s\u00e3o t\u00e3o variadas quanto perigosas para os corpos h\u00eddricos e, mesmo em pequenas dosagens, causam estragos consider\u00e1veis. A Tabela abaixo relaciona algumas dessas subst\u00e2ncias e o seu uso.\n<h4><strong>SUBST\u00c2NCIAS ORG\u00c2NICAS T\u00d3XICAS<\/strong><\/h4>\n<table border=\"0\" width=\"300\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr bgcolor=\"#FFFFCC\">\n<th width=\"150\">TIPO<\/th>\n<th width=\"50\">USO<\/th>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Solventes<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">tintas<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Cosm\u00e9ticos<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">homem<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Adesivos<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">v\u00e1rios<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Propelente<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">aeross\u00f3is<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Surfactantes<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">v\u00e1rios<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Efluentes de oficinas<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">&#8212;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"150\">Efluentes de postos de gasolina<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" width=\"50\">&#8212;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\nOs \u00d3LEOS E DERIVADOS podem ter como origem, tanto o vazamento do l\u00edquido refrigerante dos transformadores de energia el\u00e9trica (o ascarel); a drenagem de lubrificantes dos postos de gasolina; como o escapamento dos motores de combust\u00e3o usados nos barcos e nas lanchas.\n\n<strong>As consequ\u00eancias danosas podem se extender \u00e0 fauna e ao homem, neste caso, atrav\u00e9s da \u00e1gua de abastecimento:<\/strong>\n<blockquote>Problemas ecol\u00f3gicos\nToxidez na \u00e1gua\nSabor e odor na \u00e1gua\nAltera\u00e7\u00f5es na carne de peixes<\/blockquote>\n<strong>As subst\u00e2ncias descarregadas na \u00e1gua pelos motores s\u00e3o:<\/strong> gasolina (com seus aditivos e antidetonantes), \u00f3leo lubrificante e os produtos da combust\u00e3o de ambos. A gasolina comp\u00f5e-se de mais de cem compostos qu\u00edmicos conhecidos, entre os quais predominam os hidrocarbonetos formados de 6 a 10 \u00e1tomos de carbono em cadeia, pertencentes aos grupos das alcanas, cicloalcanas e alquilbenzenos.\n\nO aditivo mais empregado como antidetonante \u00e9 o tetraetileno de chumbo. Tamb\u00e9m podem ser acrescentados o dibrometo-etileno ou dicloreto-etileno, para evitar o ac\u00famulo de \u00f3xidos de chumbo na c\u00e2mera de combust\u00e3o.\n\nQuanto aos \u00f3leos lubrificantes, s\u00e3o formados de compostos com 26 a 38 carbonos e cont\u00eam elementos tais como zinco, enxofre, f\u00f3sforo e outros aditivos. Nos motores de popa de 2 tempos, empregam-se lubrificantes contendo detergentes org\u00e2nicos biodegrad\u00e1veis.\n\nFonte: www.ufrrj.br\n<h6>Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos<\/h6>\n<h4>TOXICOLOGIA AQU\u00c1TICA<\/h4>\nA Toxicologia Aqu\u00e1tica tem sido definida como o estudo dos efeitos adversos de agentes qu\u00edmicos e de outros produtos de natureza alheia ao ambiente sobre os organismos aqu\u00e1ticos.\n\nTais estudos podem ser conduzidos atrav\u00e9s de bioensaios (testes experimentais de metodologias distintas), estabelecidos de acordo com os diversos objetivos que se procuram alcan\u00e7ar nestas avalia\u00e7\u00f5es.\n\nOs bioensaios de Toxicologia Aqu\u00e1tica figuram como importante ferramenta para avalia\u00e7\u00e3o da sensibilidade de organismos aqu\u00e1ticos a poluentes e medicamentos e se resumem em testes de toxicidade aguda e cr\u00f4nica, que representam a base dos estudos cient\u00edficos nesta complexa \u00e1rea.\n\nOs conhecimentos gerados nestes testes podem viabilizar medidas legais que normatizam o uso de fontes de \u00e1guas naturais, assim como fornecer dados essenciais para a homologa\u00e7\u00e3o e etiquetagem de produtos qu\u00edmicos utilizados na agricultura em geral. Testes de toxicidade aguda s\u00e3o experimentos de curta dura\u00e7\u00e3o que proporcionam r\u00e1pidas respostas na estimativa dos efeitos t\u00f3xicos letais de produtos qu\u00edmicos sobre organismos aqu\u00e1ticos.\n\nSeu principal objetivo \u00e9 determinar as Concentra\u00e7\u00f5es Letais M\u00e9dias (CL50) em\u00a0tempo reduzido de exposi\u00e7\u00e3o, que geralmente varia entre 24 a 96 horas. A CL50 \u00e9 definida e padronizada como a concentra\u00e7\u00e3o do agente t\u00f3xico que causa 50% de mortalidade na popula\u00e7\u00e3o de organismos submetidos ao teste.\n\nOs testes desta natureza disponibilizam informa\u00e7\u00f5es b\u00e1sicas para outros estudos mais criteriosos como os testes de toxicidade cr\u00f4nica e avalia\u00e7\u00e3o de risco ecotoxicol\u00f3gico. Testes de toxicidade cr\u00f4nica s\u00e3o experimentos de longa dura\u00e7\u00e3o, que visam ao estudo dos efeitos n\u00e3o letais nos organismos aqu\u00e1ticos, a partir da sua exposi\u00e7\u00e3o prolongada a concentra\u00e7\u00f5es sub-letais.\n\n<strong>Estes efeitos s\u00e3o geralmente avaliados atrav\u00e9s de an\u00e1lises espec\u00edficas (histol\u00f3gicas, hematol\u00f3gicas, comportamentais, etc.), utilizadas para a detec\u00e7\u00e3o de altera\u00e7\u00f5es cr\u00f4nicas, tais como:<\/strong> dist\u00farbios fisiol\u00f3gicos, deformidades em tecidos som\u00e1ticos e\/ou gam\u00e9ticos, altera\u00e7\u00f5es no crescimento e reprodu\u00e7\u00e3o do organismo, dentre outras.\n\nA avalia\u00e7\u00e3o de risco ecotoxicol\u00f3gico consiste basicamente na compara\u00e7\u00e3o entre as Concentra\u00e7\u00f5es Letais Medias (CL50) e\/ou cr\u00f4nicas de um determinado xenobi\u00f3tico para diversos grupos de organismos aqu\u00e1ticos e as suas concentra\u00e7\u00f5es ambientais esperadas (CAE).\n\nA CAE depende diretamente da quantidade do produto que atinge o ecossistema aqu\u00e1tico ap\u00f3s o processo de degrada\u00e7\u00e3o e carreamento para fora da \u00e1rea de aplica\u00e7\u00e3o \u0093runoff\u0094. A grande dificuldade de um estudo de risco ecotoxicol\u00f3gico est\u00e1 na estimativa da CAE, uma vez que envolve in\u00fameros fatores que dificultam a elabora\u00e7\u00e3o de c\u00e1lculos precisos.\n\nAlguns desses fatores est\u00e3o relacionados com as caracter\u00edsticas do produto (propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas e poderes de solubilidade, volatiliza\u00e7\u00e3o e adsor\u00e7\u00e3o), que determinam a degrada\u00e7\u00e3o deste no meio.\n\nA padroniza\u00e7\u00e3o da metodologia utilizada nos estudos de Toxicologia Aqu\u00e1tica \u00e9 imprescind\u00edvel para que uma determinada pesquisa possa dar subs\u00eddio a outras de car\u00e1ter corroborativo ou contestativo.\n\n<strong>Julio Vicente Lombardi<\/strong>\n\nFonte: www.aquicultura.br\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos, Fatores, Ambiente, Problemas, Uso, \u00c1gua, Subst\u00e2ncias, Toxicologia, Aplica\u00e7\u00e3o, Produtos, Consequ\u00eancias, Agrot\u00f3xicos em Meios Aqu\u00e1ticos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":300,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-707","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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