{"id":6824,"date":"2015-12-11T00:00:00","date_gmt":"2015-12-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/chorume\/"},"modified":"2026-08-31T18:17:56","modified_gmt":"2026-08-31T18:17:56","slug":"chorume","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/chorume\/","title":{"rendered":"Chorume"},"content":{"rendered":"\nO\u00a0<strong>lixo<\/strong>\u00a0sofre transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas\n\nTodos os materiais que v\u00e3o para o lixo sofrem transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas.\n\nOs restos de alimentos s\u00e3o decompostos rapidamente por fungos e bact\u00e9rias, liberando gases malcheirosos e transformando-se num caldo negro denominado\u00a0<strong>chorume<\/strong>.\n\nO\u00a0<strong>chorume\u00a0<\/strong>tamb\u00e9m cont\u00e9m produtos t\u00f3xicos, como o merc\u00fario e o chumbo provenientes de l\u00e2mpadas fluorescentes, baterias, pilhas, tintas etc.\n\nSe o\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0for carregado pela \u00e1gua da chuva pode vir a contaminar o solo, a \u00e1gua e os aqu\u00edferos.\n\nOs materiais como pl\u00e1sticos, vidros, latas de alum\u00ednio e tantos outros, tamb\u00e9m sofrem transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, por\u00e9m elas s\u00e3o muito lentas quando comparadas com aquelas sofridas por outros materiais como, por exemplo, os restos de alimentos. Essas transforma\u00e7\u00f5es s\u00e3o t\u00e3o lentas que, geralmente, n\u00e3o s\u00e3o percebidas durante toda a vida de uma pessoa.\n\nAssim, devemos reduzir o consumo e evitar jogar no lixo restos de alimentos junto com o lixo seco (vidro, pl\u00e1stico, papel e metal). O lixo seco deve ser reciclado, no intuito de preservar o meio ambiente.\n\n<strong>Chorume &#8211; Aterro Sanit\u00e1rio<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>aterros sanit\u00e1rios<\/strong>\u00a0s\u00e3o uma das formas mais populares de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos, principalmente porque s\u00e3o a forma menos dispendiosa de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.\n\nMais de quatro quintos dos res\u00edduos s\u00f3lidos urbanos s\u00e3o descartados em aterros sanit\u00e1rios. Os aterros sanit\u00e1rios est\u00e3o se enchendo rapidamente em todo o pa\u00eds, no entanto, a maioria deles fechar\u00e1 em 2010.\n\nAl\u00e9m disso, muitos t\u00eam problemas de res\u00edduos que s\u00e3o s\u00e9rias amea\u00e7as \u00e0 sa\u00fade. Em 1983, havia 184 aterros listados, ou propostos para serem listados, na Lista de Prioridades Nacionais do Superfund.\n\nUm\u00a0<strong>aterro sanit\u00e1rio<\/strong>\u00a0\u00e9 um meio projetado de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos. Em um aterro sanit\u00e1rio, os res\u00edduos s\u00e3o espalhados em camadas em uma propriedade, geralmente em terrenos marginais ou submarginais.\n\nO objetivo \u00e9 espalhar as camadas e depois compact\u00e1-las bem, reduzindo bastante o volume dos res\u00edduos. Os res\u00edduos s\u00e3o ent\u00e3o cobertos pelo solo.\n\nOs problemas encontrados no despejo a c\u00e9u aberto, incluindo insetos, roedores, riscos \u00e0 seguran\u00e7a e riscos de inc\u00eandio, podem ser evitados com o aterro.\n\nUm aterro n\u00e3o deve ser localizado em \u00e1reas com len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos altos. Os padr\u00f5es de controle de migra\u00e7\u00e3o de lixiviados devem ser seguidos no projeto, constru\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios durante o uso da instala\u00e7\u00e3o e durante o per\u00edodo p\u00f3s-fechamento.\n\nGrande parte dos res\u00edduos em um aterro sanit\u00e1rio se decomp\u00f5e por meio de processos biol\u00f3gicos e qu\u00edmicos que produzem produtos s\u00f3lidos, l\u00edquidos e gasosos. Os res\u00edduos de alimentos se degradam rapidamente, enquanto os pl\u00e1sticos, vidro e res\u00edduos de constru\u00e7\u00e3o n\u00e3o. Os tipos mais comuns de g\u00e1s produzidos pela decomposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00e3o o metano e o di\u00f3xido de carbono. O metano, que \u00e9 produzido pela decomposi\u00e7\u00e3o anaer\u00f3bica de materiais depositados em aterros, \u00e9 perigoso porque \u00e9 explosivo. Dependendo da composi\u00e7\u00e3o do aterro, os gases podem ser recuperados e utilizados na gera\u00e7\u00e3o de energia ou calor. A ci\u00eancia da recupera\u00e7\u00e3o de aterros sanit\u00e1rios \u00e9 uma nova tecnologia que \u00e9 utilizada em muitos pa\u00edses. Infelizmente, em muitos lugares, p\u00e2ntanos e outros terrenos considerados marginais foram usados para aterros. S\u00f3 agora as pessoas est\u00e3o se conscientizando do valor das zonas \u00famidas e outras \u00e1reas que foram usadas \u2013 especialmente no que diz respeito a habitats sens\u00edveis, biodiversidade e impactos nas \u00e1guas subterr\u00e2neas.\n\nDepois que um aterro atinge sua capacidade, ele \u00e9 fechado para deposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos e coberto. Em alguns casos, pode ser usado como pasto, como terra de cultivo ou para fins recreativos.\n\nA manuten\u00e7\u00e3o do aterro fechado \u00e9 importante para evitar a eros\u00e3o do solo e o excesso de escoamento em \u00e1reas desej\u00e1veis.\n\n<strong>Chorume &#8211; O Que \u00e9<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0\u00e9 um l\u00edquido escuro contendo alta carga poluidora, o que pode ocasionar diversos efeitos sobre o meio ambiente.\n\nO potencial de impacto deste efluente est\u00e1 relacionado com a alta concentra\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica, reduzida biodegradabilidade,\u00a0presen\u00e7a de metais pesados e\u00a0de subst\u00e2ncias recalcitrantes.\n\nA decomposi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos s\u00f3lidos, depositados em aterros sanit\u00e1rios, \u00e9 um processo din\u00e2mico comandado por organismos decompositores de mat\u00e9ria org\u00e2nica, sendo em sua maioria bact\u00e9rias heterotr\u00f3ficas, aer\u00f3bias e facultativas. Esta decomposi\u00e7\u00e3o pode ser descrita pelas fases aer\u00f3bia e anaer\u00f3bia.\n\nA fase aer\u00f3bia ocorre durante o primeiro m\u00eas de deposi\u00e7\u00e3o e recobrimento do lixo na vala. A a\u00e7\u00e3o de decomposi\u00e7\u00e3o \u00e9 realizada pelas bact\u00e9rias aer\u00f3bias que utilizam o oxig\u00eanio presente no interior do aterro.\n\n\u00c9 mais intensa no in\u00edcio e a medida que o oxig\u00eanio vai ficando escasso a decomposi\u00e7\u00e3o torna-se mais lenta.\u00a0A presen\u00e7a de \u00e1guas pluviais exerce grande influ\u00eancia sobre esta fase, pois facilita a redistribui\u00e7\u00e3o de nutrientes e microorganismos ao longo do aterro sanit\u00e1rio.\n\nQuando todo o oxig\u00eanio \u00e9 consumido, inicia-se a fase anaer\u00f3bia, onde a decomposi\u00e7\u00e3o ocorre atrav\u00e9s dos organismos anaer\u00f3bios e\/ou facultativos que hidrolisam e fermentam celulose e outros\u00a0materiais presentes no res\u00edduo.\n\nEsta fase \u00e9 caracterizada pela\u00a0redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de carbono org\u00e2nico, altos n\u00edveis de am\u00f4nia e largo espectro de metais, representando consider\u00e1vel potencial de risco para o meio ambiente.\n\nA fase anaer\u00f3bia pode demorar v\u00e1rios anos para estar completa.\n\nDiversos fatores contribuem para que o res\u00edduo da decomposi\u00e7\u00e3o do lixo (chorume) seja complexo e apresente significativas varia\u00e7\u00f5es em sua composi\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Dentre as mais importantes contam-se:<\/strong>\u00a0din\u00e2mica de decomposi\u00e7\u00e3o ao longo do tempo, varia\u00e7\u00f5es na forma de opera\u00e7\u00e3o do aterro sanit\u00e1rio, na composi\u00e7\u00e3o dos res\u00edduos depositados, no volume de chuvas e outras altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.\n\nEstudos realizados, com amostras de chorume provenientes de diferentes aterros sanit\u00e1rios, demonstraram diferen\u00e7as significativas em suas composi\u00e7\u00f5es.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160257 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Chorum4-300x221.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"221\" \/><strong>Chorume<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0era inicialmente apenas a subst\u00e2ncia gordurosa expelida pelo tecido adiposo da banha de um animal. Posteriormente, o significado da palavra foi ampliada e passou a significar o l\u00edquido poluente, de cor escura e odor nauseante, originado de processos biol\u00f3gicos, qu\u00edmicos e f\u00edsicos da decomposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos org\u00e2nicos. Esses processos, somados com a a\u00e7\u00e3o da \u00e1gua das chuvas, se encarregam de lixiviar compostos org\u00e2nicos presentes nos aterros sanit\u00e1rios para o meio ambiente.\n\nEsse l\u00edquido pode atingir os len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, de \u00e1guas subterr\u00e2neas, poluindo esse recurso natural.\n\nA elevada carga org\u00e2nica presente no chorume faz com que ele seja extremamente poluente e danoso \u00e0s regi\u00f5es por ele atingidas.\n\nD\u00e1-se o nome de necrochorume ao l\u00edquido produzido pela decomposi\u00e7\u00e3o dos cad\u00e1veres nos cemit\u00e9rios, composto sobretudo pela cadaverina, uma amina (C5H64N2) de odor repulsivo subproduto da putrefa\u00e7\u00e3o.\n\nA mat\u00e9ria org\u00e2nica presente no chorume tem import\u00e2ncia na complexa\u00e7\u00e3o e transporte de metais pesados e na reten\u00e7\u00e3o de alguns contaminantes org\u00e2nicos.\n\nAliado a que a mat\u00e9ria org\u00e2nica natural presente no solo, al\u00e9m de participar desses processos pode aumentar a concentra\u00e7\u00e3o de constituintes do chorume na solu\u00e7\u00e3o do solo e, consequentemente, nas \u00e1guas.\n\nDesta forma, tanto a mat\u00e9ria org\u00e2nica do chorume quanto a do solo e a associa\u00e7\u00e3o das duas, podem limitar ou tornar invi\u00e1vel o uso dos recursos naturais solo e \u00e1gua.\n\nA mat\u00e9ria org\u00e2nica natural do solo apresenta maiores concentra\u00e7\u00f5es nas camadas superficiais (&lt; 1,0 m) e diminui com o aumento da profundidade. Ante a sua distribui\u00e7\u00e3o no solo, an\u00e1lises da mat\u00e9ria org\u00e2nica em amostras de solos contaminados por chorume de res\u00edduos s\u00f3lidos dom\u00e9sticos podem ser utilizadas para identificar a pluma de contamina\u00e7\u00e3o.\n\nCaso sejam encontrados teores de mat\u00e9ria org\u00e2nica em \u00e1reas sujeitas \u00e0 influ\u00eancia do chorume (em m\u00e9dia profundidade) superiores aos teores da composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica natural dos solos, ou seja, nas \u00e1reas n\u00e3o-afetadas, pode ser indicativo de que a pluma de contamina\u00e7\u00e3o do chorume j\u00e1 tenha migrado e afetado o solo, at\u00e9 determinada profundidade.\n\nContudo, apesar da sua import\u00e2ncia, a mat\u00e9ria org\u00e2nica tem sido muito pouco analisada em solos sujeitos \u00e0 contamina\u00e7\u00e3o devido \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o inadequada de res\u00edduos s\u00f3lidos dom\u00e9sticos.\n\nNo\u00a0<strong>aterro sanit\u00e1rio<\/strong>, o\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0\u00e9 captado atrav\u00e9s de drenos e conduzido ao tanque de equaliza\u00e7\u00e3o que t\u00eam a fun\u00e7\u00e3o de reter os metais pesados e homogenizar os afluentes.\n\nEm seguida \u00e9 conduzido \u00e0 lagoa anaer\u00f3bica onde bact\u00e9rias v\u00e3o atacar a parte org\u00e2nica, provocando a biodegrada\u00e7\u00e3o. Para complementar a biodegrada\u00e7\u00e3o, o chorume \u00e9 conduzido para a lagoa facultativa, que ir\u00e1 trata-lo por processo aer\u00f3bico e anaer\u00f3bico. Os efluentes ap\u00f3s passarem por este sistema de tratamento e com a redu\u00e7\u00e3o de sua carga org\u00e2nica em torno de 89 a 92% s\u00e3o lan\u00e7ados nos rios, neste momento n\u00e3o causar\u00e3o mais danos ao meio ambiente.\n\n<strong>Chorume &#8211; Considera\u00e7\u00f5es ambientais<\/strong>\n\nEm todo mundo a disposi\u00e7\u00e3o final do lixo urbano tem se tornado um s\u00e9rio problema ambiental.\n\nO crescimento r\u00e1pido da popula\u00e7\u00e3o e as mudan\u00e7as nos h\u00e1bitos de consumo t\u00eam levado ao aumento consider\u00e1vel na produ\u00e7\u00e3o de rejeitos s\u00f3lidos.\n\nO\u00a0<strong>lixo\u00a0<\/strong>descartado pela sociedade urbana \u00e9 uma mistura complexa e de natureza muito diversa. Como principais constituintes tem-se o material org\u00e2nico (resto de alimentos e de material vegetal), papel, vidro, metais e pl\u00e1sticos. A percentagem de cada um desses constituintes \u00e9 vari\u00e1vel e depende do n\u00edvel de desenvolvimento da sociedade local. Muito do material que \u00e9 descartado no lixo, tem valor em termos de conte\u00fado de nutrientes, conte\u00fado energ\u00e9tico ou como recurso a ser reciclado e reutilizado. Por isso, nos \u00faltimos anos, v\u00e1rios estudos t\u00eam enfatizado a import\u00e2ncia e o potencial associado \u00e0 reciclagem do lixo dom\u00e9stico e destacado o impacto que isso pode exercer na redu\u00e7\u00e3o da quantidade do rejeito para disposi\u00e7\u00e3o final, al\u00e9m de reduzir o impacto no meio ambiente.\n\nO principal m\u00e9todo usado para armazenar o lixo domestico \u00e9 a sua coloca\u00e7\u00e3o em aterros sanit\u00e1rios, que de um modo bem simplificado pode ser descrito como uma grande escava\u00e7\u00e3o no solo, revestida por uma camada de argila e\/ou membrana de material pl\u00e1stico, onde o lixo \u00e9 compactado em camadas e coberto com solo ao final das opera\u00e7\u00f5es di\u00e1ria. Deste modo, o aterro \u00e9 formado por muitas pilhas adjacentes, cada uma correspondente ao lixo de um dia.\n\nAp\u00f3s completar uma camada de pilhas, uma outra \u00e9 iniciada at\u00e9 o total preenchimento da cavidade. No final, o aterro \u00e9 coberto com um metro ou mais de solo, mas preferivelmente com um material imperme\u00e1vel a chuva, do tipo argila, podendo ainda ser colocado sobre a argila uma geomembrana fabricada de material pl\u00e1stico.\n\n<strong>A descarga de res\u00edduos s\u00f3lidos em locais inadequados, pode causar os seguintes problemas ambientais:<\/strong>\n<blockquote>Alterar a qualidade do ar em fun\u00e7\u00e3o das emana\u00e7\u00f5es de gases e poeiras;\nPoluir as \u00e1guas superficiais e do subsolo pelos l\u00edquidos percolados (chorume) e pela migra\u00e7\u00e3o de gases;\nAgredir esteticamente o solo devido ao espalhamento do lixo;\nAtrair diversos vetores causadores de enfermidades, como por exemplo ratos, moscas, baratas, etc.<\/blockquote>\nSe na sua cidade existe um lix\u00e3o exija do governo provid\u00eancias imediatas para a solu\u00e7\u00e3o do problema. Os lix\u00f5es ferem as normas de Sa\u00fade P\u00fablica e poluem o meio ambiente.\n\nLembre-se que n\u00f3s contribu\u00edmos com impostos e que \u00e9 nosso direito ter a nossa sa\u00fade assegurada.\n\n<strong>O que acontece com o lixo dentro do aterro?<\/strong>\n\nInicialmente \u00e9 decomposto (degradado) aerobicamente (na presen\u00e7a de oxig\u00eanio) e depois via anaer\u00f3bia (sem oxig\u00eanio) e ap\u00f3s meses ou ano, a \u00e1gua das chuvas mais o l\u00edquido do pr\u00f3prio lixo e as \u00e1guas subterr\u00e2neas que se infiltram no aterro, produzem um l\u00edquido chamado de chorume. O chorume em geral contem \u00e1cidos org\u00e2nicos, bact\u00e9rias, metais pesados e alguns constituintes inorg\u00e2nicos comuns, como c\u00e1lcio e magn\u00e9sio.\n\nUma fra\u00e7\u00e3o gasosa tamb\u00e9m \u00e9 formada no processo de degrada\u00e7\u00e3o, inicialmente contendo \u00e1cidos carbox\u00edlicos e \u00e9steres vol\u00e1teis, respons\u00e1veis pelo cheiro doce e enjoativo que emana do aterro. Depois, forma-se o g\u00e1s metano que \u00e9 liberado para atmosfera ou que \u00e9 queimado em respiros a medida que \u00e9 liberado, podendo tamb\u00e9m ser aproveitado como fonte energ\u00e9tica.\n\nA sua simples libera\u00e7\u00e3o na atmosfera n\u00e3o \u00e9 desej\u00e1vel pois ele \u00e9 um dos contribuintes para o efeito estufa.\n\nO\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0precisa ser contido, n\u00e3o pode vazar pelas paredes e fundo do aterro nem transbordar para n\u00e3o contaminar o solo, \u00e1guas subterr\u00e2neas e superficiais.\n\nEm resumo, precisa ser coletado com freq\u00fc\u00eancia e tratado para posterior descarte. Em alguns aterros o chorume coletado volta para o aterro para sofrer um segunda degrada\u00e7\u00e3o biol\u00f3gica, mas esta pr\u00e1tica \u00e9 desaconselh\u00e1vel nos Estados Unidos.\n\nNos \u00faltimos dias, temos assistido pela m\u00eddia algumas discuss\u00f5es em rela\u00e7\u00e3o ao projeto do Aterro Sanit\u00e1rio de Aracaju e da proposta de sua localiza\u00e7\u00e3o na Imbura.\n\n<strong>Em termos ambientais achamos que dois itens principais devem ser considerados:<\/strong>\u00a0a fra\u00e7\u00e3o gasosa e a fra\u00e7\u00e3o liquida (chorume) formadas no processo de degrada\u00e7\u00e3o.\n\nPelas especificidades do local proposto para receber o aterro centrarei as minhas considera\u00e7\u00f5es na fra\u00e7\u00e3o l\u00edquida \u2013 chorume.\n\nO\u00a0<strong>chorume<\/strong>\u00a0sem duvida nenhuma \u00e9 o maior problema ambiental associado a opera\u00e7\u00e3o e gerenciamento de aterros sanit\u00e1rios, por causa da consider\u00e1vel polui\u00e7\u00e3o que pode causar em contato com o solo, \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas.\n\nO problema surge quando o aterro opera sem uma adequada impermeabiliza\u00e7\u00e3o das paredes e fundo e sem um eficiente sistema de coleta e tratamento do chorume antes da sua destina\u00e7\u00e3o final.\n\nTradicionalmente, para impermeabiliza\u00e7\u00e3o de aterros usa-se argila natural compactada. Este tipo de revestimento, algumas vezes, n\u00e3o se mostrou eficiente, apresentando vazamentos em consequ\u00eancia da exist\u00eancia de fraturas naturais e macro poros. A literatura especializada tem mostrado que argilas naturais ret\u00eam menos que 95% do l\u00edquido e isso \u00e9 insuficiente para garantir a qualidade da \u00e1gua dos aqu\u00edferos da regi\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio conter pelo menos 99% do chorume.\n\nOs revestimentos sint\u00e9ticos, que tamb\u00e9m s\u00e3o usados, tanto a base de pol\u00edmeros lineares (ex. polietileno de alta densidade) como de argilas artificiais t\u00eam apresentado uma reten\u00e7\u00e3o entre 70 e 95%.\n\nRecentemente foram desenvolvidos revestimentos de argilas terci\u00e1rias de elevada elasticidade pl\u00e1stica (Engineering Geology, 1999) e os resultados at\u00e9 agora obtidos s\u00e3o promissores.\n\n<strong>Considero que antes de se bater o martelo em rela\u00e7\u00e3o a viabilidade ou n\u00e3o da localiza\u00e7\u00e3o do aterro sanit\u00e1rio na Imbura, duas quest\u00f5es precisam ser respondidas:<\/strong>\n\n<strong>O processo de impermeabiliza\u00e7\u00e3o a ser utilizado garante 100% de reten\u00e7\u00e3o do chorume?<\/strong>\n\nN\u00e3o vale aqui respostas do tipo, o material previsto para revestimento \u00e9 o mesmo que foi usados nos locais tais e tais e deu certo. \u00c9 preciso que se demonstre que este revestimento que est\u00e1 sendo proposto, funciona num local com as caracter\u00edsticas geol\u00f3gicas e hidrogeol\u00f3gicas da Imbura e com efici\u00eancia maior que 99%.\n\n<strong>Assumindo que a primeira quest\u00e3o est\u00e1 resolvida, qual o sistema de coleta, tratamento e destina\u00e7\u00e3o final previsto para o chorume que ser\u00e1 produzido no aterro?<\/strong>\n\nSe o sistema n\u00e3o for eficiente, corre-se o risco de trasbordamento para o ambiente, principalmente no per\u00edodo chuvoso.\n\n\u00c9 preciso tamb\u00e9m definir todo os procedimentos de monitoramento das emana\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas e das \u00e1guas subterr\u00e2neas e superficiais adjacentes ao aterro, e as a\u00e7\u00f5es de controle e corre\u00e7\u00e3o a serem adotadas no caso de um poss\u00edvel vazamento.\n\nSabemos da urg\u00eancia da solu\u00e7\u00e3o para o problema do lixo de Aracaju, mas n\u00e3o podemos correr o risco de criar no futuro, um problema maior e de muito mais dif\u00edcil solu\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Chorume &#8211; Solo Natural<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160256 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Chorum3-300x197.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"197\" \/><strong>Tanque de chorume \u2013 Aterro Sanit\u00e1rio<\/strong><\/p>\nA compacta\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>solo natural n<\/strong>as bases de aterros para res\u00edduos, mesmo que arenoso, constitui uma forma pouco custosa de prepara\u00e7\u00e3o, resultando na redu\u00e7\u00e3o da permeabilidade e garantindo um confinamento maior da fase l\u00edquida.\n\nPara tanto, necessita-se de um conhecimento adequado dos processos envolvidos no escoamento do chorume, principalmente nas primeiras camadas da base para aterros sanit\u00e1rios, seja sob condi\u00e7\u00f5es naturais ou compactadas.\n\n<strong>O objetivo principal do trabalho foi avaliar e comparar os efeitos do escoamentos do chorume &gt; de um aterro sanit\u00e1rio com idade de oito anos e de \u00e1gua pot\u00e1vel, sobre as camadas iniciais de um solo arenoso fino, atrav\u00e9s do acompanhamento das caracter\u00edsticas do escoamento em meio n\u00e3o saturado, considerando-se<\/strong>:\n<blockquote><strong>1)\u00a0<\/strong>uma base natural, sem compacta\u00e7\u00e3o e<strong>\n2)<\/strong>\u00a0outras bases compactadas com diferentes n\u00edveis de energia, baseadas no Proctor Normal.<\/blockquote>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao escoamento de chorume n\u00e3o foram observadas altera\u00e7\u00f5es significativas para as duas colunas com menor grau de compacta\u00e7\u00e3o (70% e 80% do Proctor Normal), assemelhando-se ao comportamento das primeiras colunas submetidas \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o com \u00e1gua. Por outro lado, os solos compactados com graus de 85 e 90%, apresentaram entre si comportamentos semelhantes, com redu\u00e7\u00e3o crescente do fluxo para valores inferiores a 100 ml mensais ou o equivalente a 6,1 x 10-7 cm\/s.\n\nTal fato demonstra suscetibilidade \u00e0 colmata\u00e7\u00e3o do solo compactado estudado com graus maiores ou iguais a 85%, promovida pelas part\u00edculas em suspens\u00e3o e pelo desenvolvimento prov\u00e1vel de flocos e pel\u00edculas biol\u00f3gicas, reduzindo a permeabilidade a valores extremamente baixos, compat\u00edveis com um solo argiloso.\n\nA disposi\u00e7\u00e3o direta dos res\u00edduos dom\u00e9sticos no solo \u00e9 a forma corrente de disposi\u00e7\u00e3o para a maioria dos munic\u00edpios brasileiros. Sendo uma pr\u00e1tica comum de destina\u00e7\u00e3o de lixo ao longo de muitos anos, at\u00e9 momento poucos estudos t\u00eam sido conduzidos para avaliar os efeitos provocados principalmente pelo lixiviado ou chorume, que se infiltra no solo.\n\nAl\u00e9m disso, a maioria dos estudos n\u00e3o fornece subs\u00eddios para determinar qualitativamente os efeitos sobre o solo e sobre o pr\u00f3prio l\u00edquido que escoa por meio poroso. Em fun\u00e7\u00e3o das indefini\u00e7\u00f5es encontradas, verifica-se que as condutas adotadas pelos t\u00e9cnicos e aquela estabelecida pela legisla\u00e7\u00e3o imp\u00f5em a ado\u00e7\u00e3o de sistemas totalmente confinantes.\n\nA ado\u00e7\u00e3o de tais crit\u00e9rios, na realidade, acaba inviabilizando os pequenos munic\u00edpios geradores do lixo dom\u00e9stico, principalmente pela obrigatoriedade do emprego de mantas geossint\u00e9ticas para impermeabiliza\u00e7\u00e3o dos respectivos aterros sanit\u00e1rios. Alia-se a esta alternativa, a necessidade de uma opera\u00e7\u00e3o mais custosa.\n\nPor outro lado, quanto maiores s\u00e3o as exig\u00eancias t\u00e9cnicas, menores ser\u00e3o as possibilidades para que um pequeno munic\u00edpio atenda-as integralmente, transformando o que poderia ser um aterro vi\u00e1vel em um sistema desordenado de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.\n\nUma solu\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria para restringir o escoamento do chorume para os aqu\u00edferos subterr\u00e2neos, \u00e9 a compacta\u00e7\u00e3o do solo da base, reduzindo sua permeabilidade. Desta forma, o conhecimento dos processos envolvidos nesse escoamento, atrav\u00e9s das condi\u00e7\u00f5es de permeabilidade natural e do solo compactado, diante do escoamento de chorume, permitiria estabelecer quais par\u00e2metros deveriam ser avaliados para viabilizar ambientalmente as instala\u00e7\u00f5es, e tamb\u00e9m definir potencialmente sua capacidade de confinar e atenuar os eventuais impactos sobre o solo.\n\nO conhecimento adequado dos processos envolvidos no escoamento do chorume em solos arenosos, ao longo das primeiras camadas do subsolo, sob condi\u00e7\u00f5es naturais ou compactadas de permeabilidade, permite observar as condi\u00e7\u00f5es transit\u00f3rias mais importantes do processo de transporte de contaminantes.\n\nA compacta\u00e7\u00e3o de um solo arenoso nas bases de aterros constitui uma forma pouco custosa de prepara\u00e7\u00e3o, resultando na redu\u00e7\u00e3o da permeabilidade e garantindo um confinamento maior do chorume, sem, contudo atingir os valores exigidos pelos \u00f3rg\u00e3os ambientais.\n\nNeste caso, torna-se fundamental conhecer os mecanismos envolvidos, que permitam avaliar e quantificar eventuais impactos, assim como estabelecer crit\u00e9rios espec\u00edficos para execu\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o do sistema de disposi\u00e7\u00e3o de res\u00edduos.\n\nComo descrito por Daniel (1993), o procedimento de compacta\u00e7\u00e3o visa a cria\u00e7\u00e3o de uma barreira protetora, denominada de liner, considerada como revestimento de base e laterais em aterros e obras similares, ou como cobertura final dos aterros.\n\nComo revestimento de base s\u00e3o indicadas quando se deseja retardar ao m\u00e1ximo a migra\u00e7\u00e3o de contaminantes no solo, saturados ou n\u00e3o, de forma a atenuar a concentra\u00e7\u00e3o dos contaminantes quando atingirem \u00e1guas subterr\u00e2neas.\n\nMcBean et al (1995) e Qasin et al (1994) descrevem que os solos naturais apresentam um sistema complexo e din\u00e2mico em que interagem continuamente os processos f\u00edsicos, qu\u00edmicos e biol\u00f3gicos.\n\nO solo \u00e9 um sistema heterog\u00eaneo e polidisperso de componentes s\u00f3lidos, l\u00edquidos e gasosos, em diversas propor\u00e7\u00f5es, e s\u00e3o tamb\u00e9m bastante porosos e constituem corpos quimicamente solventes pela presen\u00e7a de \u00e1gua em seus interst\u00edcios. Os solos consistem de compostos quimicamente inertes, de subst\u00e2ncias de alta ou baixa solubilidade, de uma grande variedade de compostos org\u00e2nicos e de organismos vivos e ainda apresentam um meio favor\u00e1vel no qual ocorrem atividades biol\u00f3gicas complexas de forma simult\u00e2nea.\n\nA for\u00e7a de intera\u00e7\u00e3o e a predomin\u00e2ncia de uma rea\u00e7\u00e3o sobre outra \u00e9 controlada pelos constituintes espec\u00edficos do solo.\n\nAs intera\u00e7\u00f5es solo-chorume e as rea\u00e7\u00f5es f\u00edsico-qu\u00edmicas envolvidas durante a percola\u00e7\u00e3o, resultam na atenua\u00e7\u00e3o da carga de contaminantes do chorume.\n\nEsse processo de atenua\u00e7\u00e3o resulta na redu\u00e7\u00e3o da concentra\u00e7\u00e3o de contaminantes durante o respectivo transporte atrav\u00e9s do solo.\n\n<strong>As principais formas de atenua\u00e7\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddas nos seguintes mecanismos b\u00e1sicos:<\/strong>\u00a0f\u00edsico (filtra\u00e7\u00e3o, difus\u00e3o e dispers\u00e3o, dilui\u00e7\u00e3o e absor\u00e7\u00e3o); qu\u00edmico (precipita\u00e7\u00e3o\/dissolu\u00e7\u00e3o, adsor\u00e7\u00e3o\/desor\u00e7\u00e3o, complexa\u00e7\u00e3o, troca i\u00f4nica e rea\u00e7\u00f5es de redox); e microbiol\u00f3gico (biodegrada\u00e7\u00e3o aer\u00f3bia e anaer\u00f3bia).\n\n<strong>Chorume &#8211; Caracter\u00edsticas<\/strong>\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160255 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Chorum2-300x228.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"228\" \/>\n\nO\u00a0<strong>chorume<\/strong>, tamb\u00e9m conhecido como sumeiro, chumeiro, lixiviado ou percolado, apresenta altos teores de mat\u00e9ria org\u00e2nica e de subst\u00e2ncias inorg\u00e2nicas (metais pesados), al\u00e9m de uma grande variedade de compostos org\u00e2nicos t\u00f3xicos. Segundo Sisinno e Oliveira (2002) podem ser encontradas mais de cem subst\u00e2ncias t\u00f3xicas em amostras de chorume proveniente da decomposi\u00e7\u00e3o do lixo urbano, dentre elas o ars\u00eanio, chumbo, c\u00e1dmio, merc\u00fario, etc.\n\nDe acordo com estes autores, a fra\u00e7\u00e3o org\u00e2nica encontrada no chorume \u00e9 composta tanto por prote\u00ednas, carboidratos e lip\u00eddios quanto por poluentes org\u00e2nicos persistentes benzeno, tolueno, acetona, fenol e outros.\n\nQuanto \u00e0 fra\u00e7\u00e3o inorg\u00e2nica (metais pesados), as concentra\u00e7\u00f5es variam de acordo com o tipo de res\u00edduo depositado no aterro, aumentando quando h\u00e1 despejo inadequado de res\u00edduos industriais.\n\n<strong>Impactos do chorume no Meio Ambiente<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>chorume\u00a0<\/strong>\u00e9, sem d\u00favida, um dos grandes problemas ambientais e de sa\u00fade p\u00fablica relacionados \u00e0 opera\u00e7\u00e3o e gerenciamento de aterros sanit\u00e1rios. Quando operados inadequadamente, podem causar polui\u00e7\u00e3o do solo, das \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas, al\u00e9m da prolifera\u00e7\u00e3o de vetores de doen\u00e7as, tais como ratos, baratas, moscas, vermes, v\u00edrus e etc.\n\nApesar da grande variabilidade no tocante \u00e0 sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, o chorume \u00e9 comumente despejado nos ecossistemas aqu\u00e1ticos.\n\nUma das primeiras altera\u00e7\u00f5es observadas \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o do teor de oxig\u00eanio dissolvido (OD), elevando a DBO (Demanda Bioqu\u00edmica de Oxig\u00eanio). Quando o OD desaparece ou \u00e9 reduzido significativamente, os organismos aer\u00f3bios podem ser extinguidos da biota aqu\u00e1tica cedendo lugar aos anaer\u00f3bios, respons\u00e1veis pela libera\u00e7\u00e3o de gases como CH<sub>4<\/sub>\u00a0e NH<sub>3<\/sub>, sendo este \u00faltimo t\u00f3xico para a maioria das formas de vida superiores.\n\nA contamina\u00e7\u00e3o do solo ocorre atrav\u00e9s da infiltra\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>chorume<\/strong>, de modo que os poluentes presentes no l\u00edquido penetram no solo, modificando drasticamente as suas caracter\u00edsticas f\u00edsicas, qu\u00edmicas e biol\u00f3gicas, podendo ainda, inviabilizar o uso deste recurso, bem como o das \u00e1guas subterr\u00e2neas, caso consiga alcan\u00e7\u00e1-las.\n\nO teor de mat\u00e9ria org\u00e2nica do chorume pode aumentar a solubilidade em \u00e1gua de metais e outros compostos facilitando sua lixivia\u00e7\u00e3o e percola\u00e7\u00e3o, elevando o risco de contamina\u00e7\u00e3o de len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos, aq\u00fc\u00edferos, lagos e rios.\n\nO chorume pode permanecer por muitos anos ap\u00f3s o encerramento das opera\u00e7\u00f5es do aterro, fazendo-se necess\u00e1rio o monitoramento do l\u00edquido durante d\u00e9cadas.\n\nQuando em contato com as \u00e1guas superficiais e\/ou subterr\u00e2neas, o chorume tende a alterar significativamente as caracter\u00edsticas naturais dos corpos h\u00eddricos, tornando-os impr\u00f3prios para o consumo e at\u00e9 mesmo para a sobreviv\u00eancia dos organismos aqu\u00e1ticos. De acordo com Souza (s.a), as \u00e1guas subterr\u00e2neas sofrem um impacto n\u00e3o vis\u00edvel envolvendo geralmente longos per\u00edodos de tempo, pois dependendo da composi\u00e7\u00e3o litol\u00f3gica do aq\u00fc\u00edfero, os contaminantes podem migrar a velocidades muito lentas.\n\nEm virtude da carga de mat\u00e9ria org\u00e2nica e da presen\u00e7a de poluentes t\u00f3xicos, o chorume pode causar um grande n\u00famero de altera\u00e7\u00f5es na fauna e flora dos ecossistemas, afetando todos os seres que comp\u00f5em a cadeia alimentar. Atrav\u00e9s da ingest\u00e3o de peixes e alimentos contaminados pelo alcance d chorume \u00e0 biota aqu\u00e1tica, podem ocorrer in\u00fameras altera\u00e7\u00f5es no organismo humano, o qual encontra-se no topo da cadeia tr\u00f3fica.\n\nAssim, pelo que foi exposto fica evidente que devem ser feitos esfor\u00e7os para minimizar a forma\u00e7\u00e3o do chorume, controlar o seu percurso no meio ambiente, tratando-o antes do seu descarte, evitando assim, a contamina\u00e7\u00e3o do solo e das \u00e1guas superficiais e subterr\u00e2neas.\n\n<strong>PAR\u00c2METROS UTILIZADOS PARA AVALIAR AS CARACTER\u00cdSTICAS DO chorume<\/strong>\n\nPara avaliar a toxicidade e a presen\u00e7a de compostos t\u00f3xicos no chorume t\u00eam sido utilizados v\u00e1rios par\u00e2metros.\n\n<strong>Oliveira &amp; Pasqual (2002), avaliando a qualidade da \u00e1gua subterr\u00e2nea pr\u00f3xima a um dep\u00f3sito de res\u00edduos s\u00f3lidos em Botucatu SP, utilizaram como par\u00e2metros anal\u00edticos<\/strong>: pH, DQO (Demanda Qu\u00edmica de Oxig\u00eanio) e metais pesados (Cd, Pb, Cr,Ni e Zn).\n\nPara avaliar a composi\u00e7\u00e3o dos l\u00edquidos percolados do aterro sanit\u00e1rio de S\u00e3o Gi\u00e1como (Caxias do Sul RS), Pessin et al. (1997) analisaram os mesmos par\u00e2metros citados, al\u00e9m da alcalinidade, condutividade, DBO (Demanda Bioqu\u00edmica de Oxig\u00eanio), teor de s\u00f3lidos (totais, suspensos e dissolvidos), nitrog\u00eanio (total e amoniacal), fosfato, prata (Ag), ars\u00eanico(Ar), cobre (Cu), ferro (Fe), mangan\u00eas (Mn), sel\u00eanio (Se), estanho (Sn) e merc\u00fario (Hg).\n\nSegundo Mac\u00eado (2002), a Demanda Qu\u00edmica de Oxig\u00eanio (DQO) expressa a quantidade de oxig\u00eanio consumido em meio \u00e1cido para degradar a mat\u00e9ria org\u00e2nica.\n\nA condutividade \u00e9 a capacidade da \u00e1gua transmitir a corrente el\u00e9trica e o teor de s\u00f3lidos representa as impurezas presentes na \u00e1gua e s\u00e3o classificados de acordo com o seu tamanho.\n\nOs par\u00e2metros mais utilizados para avaliar as caracter\u00edsticas do chorume s\u00e3o pH,metais pesados e DBO. Por\u00e9m, apenas as an\u00e1lises f\u00edsico-qu\u00edmicas do chorume n\u00e3o permitem avaliar eventuais impactos em organismos de ecossistemas aqu\u00e1ticos. Para esta avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 fundamental o uso de bioindicadores ou testes ecotoxicol\u00f3gicos.\n\nEstes testes constituem uma importante ferramenta para fornecer resposta adicional no que se refere \u00e0s conseq\u00fc\u00eancias para o meio ambiente.\n\n<strong>Testes Ecotoxicol\u00f3gicos<\/strong>\n\nConsiderando que efluentes como o chorume podem impactar de forma severa em ecossistemas aqu\u00e1ticos, exigindo uma avalia\u00e7\u00e3o criteriosa dos contaminantes presentes de forma qualitativa e quantitativa, e em fun\u00e7\u00e3o da grande complexidade desta matriz com uma infinidade de compostos qu\u00edmicos e poss\u00edveis intera\u00e7\u00f5es entre os mesmos, os testes ecotoxicol\u00f3gicos podem ser adequados para este tipo de avalia\u00e7\u00e3o.\n\nO uso de bioindicadores assume que uma determinada esp\u00e9cie, representante de um certo n\u00edvel tr\u00f3fico, ao perceber a toxicidade existente em uma matriz ambiental, pode sugerir que o ecossistema ao qual faz parte tamb\u00e9m ser\u00e1 afetado pela toxicidade daquela matriz. Neste contexto um dos organismos mais utilizados como bioindicador, \u00e9 a Daphnia magna (MENEZES et al., 2004).\n\n<strong>FUNDAMENTOS DA ECOTOXICIDADE<\/strong>\n\nO emprego dos testes de toxicidade permite avaliar os poss\u00edveis impactos que a simples caracteriza\u00e7\u00e3o f\u00edsica e qu\u00edmica da \u00e1gua n\u00e3o revela.\n\nSabe-se que apenas a an\u00e1lise f\u00edsico-qu\u00edmica n\u00e3o \u00e9 suficiente para se definir a toxicidade das subst\u00e2ncias, uma vez que pode haver processos sin\u00e9rgicos e antag\u00f4nicos sobre os organismos.\n\nComo complemento aos testes convencionais, t\u00eam-se utilizado organismos como bioindicadores. Estes testes s\u00e3o conhecidos como testes ecotoxicol\u00f3gicos uma das ferramentas de um novo campo da ci\u00eancia (Ecotoxicologia ou Toxicologia Ambiental) que estuda os efeitos adversos das subst\u00e2ncias t\u00f3xicas, principalmente, sobre os ecossistemas aqu\u00e1ticos. Pois, a presen\u00e7a de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas no meio ambiente pode causar in\u00fameras altera\u00e7\u00f5es nos organismos que entram em contato com estas subst\u00e2ncias, incluindo efeitos carcinog\u00eanicos,mutag\u00eanicos e teratog\u00eanicos.\n\nQuando expostos \u00e0 contaminantes ambientais, os bioindicadores reagem de forma a modificar as suas fun\u00e7\u00f5es vitais normais, fornecendo assim, respostas acerca das condi\u00e7\u00f5es ambientais do corpo h\u00eddrico.\n\nAs rea\u00e7\u00f5es comumente observadas s\u00e3o redu\u00e7\u00e3o do crescimento de uma popula\u00e7\u00e3o, perda da capacidade reprodutiva, mudan\u00e7as fisiol\u00f3gicas e morfol\u00f3gicas, redu\u00e7\u00e3o de tamanho, morte, entre outras.\n\nDe acordo com Azevedo (2003), muitas vezes, um determinado xenobi\u00f3tico por si s\u00f3 n\u00e3o causa efeitos adversos na biota, por\u00e9m, quando interage com outras subst\u00e2ncias, pode produzir derivados mais t\u00f3xicos, acarretando graves danos em todo o ecossistema. Assim, a aplica\u00e7\u00e3o dos testes ecotoxicol\u00f3gicos faz-se necess\u00e1rio para auxiliar o monitoramento de lan\u00e7amento de efluentes nos corpos receptores (geralmente recursos h\u00eddricos), de modo que n\u00e3o haja altera\u00e7\u00e3o na biota aqu\u00e1tica decorrente da toxicidade de determinados compostos.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0dspace.comiteitajai.org.br\/www.vivaterra.org.br\/www.encyclopedia.com\/www.rnufs.ufs.br\/www.quimica.ufpr.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chorume, Aterro Sanit\u00e1rio, Produtos, O Que \u00e9, Meio Ambiente, Composi\u00e7\u00e3o, Processo, Lixo, Tratamento, Contamina\u00e7\u00e3o, Solos, Chorume<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6829,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-6824","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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