{"id":433,"date":"2015-11-18T00:00:00","date_gmt":"2015-11-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/amanita\/"},"modified":"2026-08-25T18:07:31","modified_gmt":"2026-08-25T18:07:31","slug":"amanita","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/amanita\/","title":{"rendered":"Amanita"},"content":{"rendered":"\n<strong>Amanita &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Amanita<\/strong>\u00a0\u00e9 qualquer um dos v\u00e1rios cogumelos do g\u00eanero Amanita, muitos dos quais extremamente venenosos.\n\n<strong>Amanitas<\/strong>\u00a0tem esporos brancos e geralmente um anel ao redor do caule e um bulbo arredondado na base.\n\nAs esp\u00e9cies se assemelham a cogumelos comest\u00edveis e s\u00e3o freq\u00fcentemente confundidas com eles.\n\n<strong>Amanita muscaria<\/strong>, \u00e9 um alucin\u00f3geno e deve ser considerada venenosa. Esses atraentes fungos costumam aparecer em grupos e s\u00e3o comuns em todos os tipos de bosques.\n\n<strong>Amanita &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nAs<strong>\u00a0Amanitas<\/strong>\u00a0s\u00e3o seres pertencentes ao\u00a0<strong>reino Fungi<\/strong>, que n\u00e3o apresentam atividade fotossint\u00e9tica, obtendo os seus nutrientes atrav\u00e9s da decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica morta.\n\nNo seu ciclo de vida forma-se um fruto que cont\u00e9m numerosos esporos (elementos reprodutivos). Estes fungos s\u00e3o basidiomicetos e por isso produzem basidi\u00f3sporos (esporos), que levam \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do fruto (basidiocarpo), vulgarmente designado por cogumelo.\n\nAs esp\u00e9cies do g\u00eanero Amanita mais perigosas (A. verna, A. virosa e A. phalloides) representam cerca de 90% dos casos fatais de envenenamentos por cogumelos.\n\nMas nenhum cogumelo \u00e9 mais temido do que a Amanita phalloides. \u00c9 respons\u00e1vel pela maioria das mortes e envenenamentos causados por cogumelos.\n\nExistem outras esp\u00e9cies tamb\u00e9m muito venenosas, mas esta, em particular, causa mais envenenamentos que todas as outras.\n\nA explica\u00e7\u00e3o para esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 simples e relaciona-se com a semelhan\u00e7a f\u00edsica da Amanita phalloides com esp\u00e9cies de cogumelos comest\u00edveis, tal como Volvariella volvacea.\n\nAs v\u00edtimas de envenenamento s\u00e3o frequentemente crian\u00e7as e jovens que usam estes cogumelos na esperan\u00e7a de obter efeitos alucinog\u00e9nicos, n\u00e3o sendo por\u00e9m essa uma das suas propriedades.\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Amanita\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/amanit41.jpg\" alt=\"Amanita\" width=\"255\" height=\"309\" \/><strong>Amanita<\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Os\u00a0<strong>cogumelos<\/strong>\u00a0venenosos t\u00eam uma longa hist\u00f3ria.<\/p>\n<p align=\"left\">O Imperador Romano Tib\u00e9rio Cl\u00e1udio Nero C\u00e9sar Druso morreu de causa desconhecida, mas a tradi\u00e7\u00e3o romana \u00e9 un\u00e2nime em afirmar que a sua morte resultou de envenenamento.<\/p>\n<p align=\"left\">Acredita-se que a sua esposa Agripina lhe ter\u00e1 servido cogumelos venenosos, que se pensa pertencerem ao g\u00eanero Amanita.<\/p>\n<strong>Amanita &#8211; Toxinas<\/strong>\n\n<strong>A Amanita phalloides possui tr\u00eas grupos de toxinas identificados:\u00a0<\/strong>as falotoxinas, as amatoxinas e as virotoxinas. As falotoxinas possuem esqueleto heptapept\u00eddico c\u00edclico.\n\nAs amatoxinas possuem esqueleto octapept\u00eddico. As virotoxinas s\u00e3o hepapetideos monocicl\u00edcos.\n\nTodos os grupos possuem um res\u00edduo de triptofano substitu\u00eddo na posi\u00e7\u00e3o 2 do anel indol por um \u00e1tomo de enxofre.\n\nEstas toxinas n\u00e3o s\u00e3o destru\u00eddas pelo calor, sendo por isso resistentes a opera\u00e7\u00f5es culin\u00e1rias.\n\nA concentra\u00e7\u00e3o de toxinas \u00e9 menor num fruto jovem do que num j\u00e1 bem desenvolvido.\n\n<strong>Amatoxinas<\/strong>\n\nAs\u00a0<strong>amatoxinas<\/strong>\u00a0s\u00e3o mais t\u00f3xicas que as falotoxinas, especialmente a alfa-amanitina. Numa primeira fase causam dano no nucl\u00e9olo e mais tarde no n\u00facleo das c\u00e9lulas hep\u00e1ticas.\n\nO efeito mais importante das amatoxinas \u00e9 a inibi\u00e7\u00e3o da RNA polimerase. Esta intera\u00e7\u00e3o conduz \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um complexo e inibi\u00e7\u00e3o n\u00e3o-competitiva. As primeiras altera\u00e7\u00f5es nucleares acontecem ao n\u00edvel do n\u00facleo, com fragmenta\u00e7\u00e3o deste e condensa\u00e7\u00e3o da cromatina, causando necrose do f\u00edgado, e tamb\u00e9m em parte do rim, com as altera\u00e7\u00f5es celulares surge a fragmenta\u00e7\u00e3o e segrega\u00e7\u00e3o de todos os componentes nucleares.\n\nA concentra\u00e7\u00e3o de amatoxinas varia consoante a esp\u00e9cie, mas est\u00e3o presentes em todos os tecidos do cogumelo em concentra\u00e7\u00e3o tal que 2 a 3 g s\u00e3o potencialmente fatais. No caso da A. phalloides estas toxinas encontram-se em concentra\u00e7\u00f5es de 2 a 7.3 mg por grama de tecido.\n\n<strong>Exposi\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nO maior risco associado aos cogumelos est\u00e1 na dificuldade em distinguir as esp\u00e9cies t\u00f3xicas das comest\u00edveis. A ingest\u00e3o leva \u00e0 intoxica\u00e7\u00e3o e \u00e0s consequentes sequelas.\n\nTorna-se importante o alerta \u00e0s pessoas para o risco de colher cogumelos para consumo de forma \u201camadora\u201d, sem conhecimento da sua toxicidade e potenciais perigos.\n\n<strong>Diagn\u00f3stico<\/strong>\n\nO atraso no in\u00edcio dos sintomas associado ao fato destes, numa fase inicial, serem semelhantes ao influenza e a v\u00edrus gastrintestinais, causam dificuldades no diagn\u00f3stico e tratamento.\n\nNa maioria dos doentes o diagn\u00f3stico \u00e9 tardio devido ao fato de muitas pessoas s\u00f3 recorrerem \u00e0s urg\u00eancias apenas quando o seu estado \u00e9 j\u00e1 muito grave.\n\nO desenvolvimento de uma intoxica\u00e7\u00e3o por A. phalloides apresenta 3 fases distintas.\n\nNa primeira o sistema gastrintestinal \u00e9 o mais afetado, sendo que os primeiros sintomas come\u00e7am a surgir em 6 a 24 horas ap\u00f3s a sua ingest\u00e3o e com uma dura\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de 24 a 48 horas.\n\nNesta altura os sintomas s\u00e3o inespec\u00edficos e incluem n\u00e1usea, v\u00f3mitos, diarreia severa, febre, dor abdominal, taquicardia, hipoglicemia, hipotens\u00e3o e desequil\u00edbrio dos eletr\u00f3litos, com dist\u00farbio \u00e1cido-base.\n\nLogo a seguir surge uma segunda fase, com dura\u00e7\u00e3o de 2 a 3 dias, em que parece existir uma melhoria (desparecimento dos sintomas gastrintestinais), mas por esta altura deterioram-se gravemente as fun\u00e7\u00f5es hep\u00e1tica e renal.\n\nNa \u00faltima fase, mais severa, ocorre geralmente necrose hep\u00e1tica e culmina com uma r\u00e1pida degenera\u00e7\u00e3o do sistema nervoso central.\n\nEm simult\u00e2neo ocorre coagula\u00e7\u00e3o intravenosa com manifesta\u00e7\u00f5es hemorr\u00e1gicas severas e dissemina\u00e7\u00e3o, falha renal e ocasionalmente a morte.\n\nA cura raramente \u00e9 total, pelo que grande parte dos doentes desenvolve hepatites cr\u00f4nicas.\n\n<strong>Tratamento<\/strong>\n\nNo caso de um diagn\u00f3stico precoce as terapias eficazes incluem doses massivas de penicilina; o uso de extrato de cardo mariano (contendo os flavonoides silimarina, silibina e silibinina), que inibe os efeitos da amatoxina; di\u00e1lise com albumina. Nos casos mais severos, especialmente quando o diagn\u00f3stico \u00e9 mais tardio, o transplante de f\u00edgado torna-se muitas vezes a \u00fanica op\u00e7\u00e3o a oferecer um progn\u00f3stico razo\u00e1vel.\n\n<strong>Carv\u00e3o ativado (reduz a absor\u00e7\u00e3o e por consequ\u00eancia os n\u00edveis sist\u00eamicos da toxina):<\/strong>\n<blockquote>25 a 100g nos adultos e adolescentes\n25 a 50g nas crian\u00e7as de 1 a 12 anos\n1g\/Kg nas crian\u00e7as com menos de 1 anos de idade\nIngerir com \u00e1gua, na propor\u00e7\u00e3o de 240ml para cada 30g de carv\u00e3o<\/blockquote>\n<strong>Podem ser necess\u00e1rias doses m\u00faltiplas de carv\u00e3o ativado:<\/strong>\n<blockquote>Depois da dose inicial (descrita anteriormente), considerar a administra\u00e7\u00e3o de 12.5g por hora nos adultos e 6.25g por hora em crian\u00e7as de 1 a 12 anos de idade, em intervalos de 1 a 4 horas\nLavagem g\u00e1strica\nCorre\u00e7\u00e3o da desidrata\u00e7\u00e3o e hipovolemia\nMonitoriza\u00e7\u00e3o da press\u00e3o arterial e do ?output? urin\u00e1rio\nPode considerar-se a administra\u00e7\u00e3o de silibina intravenosa em doses de 20 a 50mg\/kg\/dia, ou de penicilina G em doses de 300.000 a 1.000.000 units\/kg\/dia (no caso da penicilina n\u00e3o h\u00e1 suporte com ensaios cl\u00ednicos controlados)\nNa ocorr\u00eancia de falha renal suportar os procedimentos anteriores com uma dieta pobre em prote\u00ednas, podendo mesmo ser necess\u00e1rio recorrer a hemodi\u00e1lise\nNo caso da falha hep\u00e1tica severa deve ser consultado um especialista para que se proceda \u00e0 avalia\u00e7\u00e3o da necessidade de transplante de f\u00edgado<\/blockquote>\n<strong>Carv\u00e3o ativado &#8211; Uso terap\u00eautico<\/strong>\n\nAnt\u00eddoto, com largo espectro de atividade adsortiva. A sua a\u00e7\u00e3o \u00e9 r\u00e1pida e valiosa, sendo considerado o agente mais eficaz para o tratamento de emerg\u00eancia de um grande n\u00famero de casos de envenenameno, onde se destacam as toxinas de A. phalloides, digoxina, teofilina, fenobarbital, antidepressivos tric\u00edclicos. No entanto, \u00e9 preciso ter em conta que o carv\u00e3o ativado n\u00e3o \u00e9 eficaz contra todos os venenos.\n\nInterrompe a circula\u00e7\u00e3o entero-hep\u00e1tica das subst\u00e2ncias, pela adsor\u00e7\u00e3o das part\u00edculas \u00e0 sua superf\u00edcie.\n\nA sua a\u00e7\u00e3o est\u00e1 muito dependente do tempo que passa desde a ingest\u00e3o do t\u00f3xico e a sua toma; alguns estudos afirmam que o ideal \u00e9 que a toma se realize at\u00e9 30 minutos ap\u00f3s a ingest\u00e3o do veneno.\n\n<strong>Amanita muscaria<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Amanita muscaria<\/strong>\u00a0\u00e9 encontrado em bosques de Pinus sp., este fungo pertencente \u00e0 fam\u00edlia Amanitaceae (Basidiomycotina, Agaricales), que vive em associa\u00e7\u00e3o micorr\u00edzica (ectomicorriza) com v\u00e1rias con\u00edferas, inclusive do g\u00eanero Pinus. Embora de apar\u00eancia inocente e aspecto apetitoso, quando ingerido pelo homem ou animais dom\u00e9sticos este cogumelo \u00e9 t\u00f3xico.\n\nDependendo da quantidade ingerida \u00e9 capaz de induzir altera\u00e7\u00f5es no sistema nervoso, levando a altera\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o da realidade, descoordena\u00e7\u00e3o motora, alucina\u00e7\u00f5es, crises de euforia ou depress\u00e3o intensa.\n\nEspasmos musculares, movimentos compulsivos, transpira\u00e7\u00e3o, saliva\u00e7\u00e3o, lacrimejamento, tontura e v\u00f4mitos s\u00e3o tamb\u00e9m sintomas referidos na literatura.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-153953 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Amanit8-300x180.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"180\" \/><strong>Amanita muscaria<\/strong><\/p>\nEsse cogumelo, origin\u00e1rio do Hemisf\u00e9rio Norte, \u00e9 bastante conhecido na Europa e na Am\u00e9rica do Norte. No Brasil, foi constatado pela primeira vez na regi\u00e3o metropolitana em Curitiba \u2013 PR pelo bot\u00e2nico A. Cervi, da Universidade Federal do Paran\u00e1, em 1982. Nessa ocasi\u00e3o, a introdu\u00e7\u00e3o desse cogumelo no Brasil foi atribu\u00edda a importa\u00e7\u00e3o de sementes de Pinus de regi\u00f5es onde ele \u00e9 nativo.\n\nOs esporos do fungo teriam sido trazidos em mistura com as sementes importadas. Posteriormente, o cogumelo foi tamb\u00e9m encontrado no Rio Grande do Sul e, mais recentemente (1984) em S\u00e3o Paulo na regi\u00e3o de Itarar\u00e9, em associa\u00e7\u00e3o micorr\u00edzica com Pinus pseudostrobus.\n\nAlgumas esp\u00e9cies de Amanita s\u00e3o comest\u00edveis \u2013 A. cesarea (Fr.) Mlady, A. ovoidea, A. valens Gilbert., A. giberti Beaus. etc. \u2013 mas o g\u00eanero \u00e9 not\u00f3rio pelos seus representantes venenosos, sendo alguns mortais. Entretanto, segundo alguns autores, 90 a 95% das mortes ocorridas na Europa como resultado de micetismo \u2014 nome dado ao envenenamento por cogumelos \u2014 foram atribu\u00eddos a uma \u00fanica esp\u00e9cie de Amanita, ou seja, A. phalloides, esp\u00e9cie conhecida popularmente como \u201cta\u00e7a da morte\u201d (death cup) ou ainda por \u201cta\u00e7a verde da morte\u201d (Ta\u00e7a verde da morte).\n\nEsta esp\u00e9cie possui um p\u00edleo ou \u201cchap\u00e9u\u201d de colora\u00e7\u00e3o verde oliva, com cerca de 12 cm de di\u00e2metro e 10 a 15 cm de altura no estipe. O problema de envenenamento com A. phalloides \u00e9 que, por vezes, isento de cor e volva pouco definida, este cogumelo pode ser facilmente confundido com Amanita mappa (Batsch) Pers. ou mesmo com Agaricus campestris, L. selvagens, que s\u00e3o esp\u00e9cies saborosas que n\u00e3o apresentam princ\u00edpios t\u00f3xicos. As esp\u00e9cies venenosas de Amanita cont\u00eam compostos ciclopept\u00eddicos conhecidos como amatoxinas e phallotoxinas, altamente t\u00f3xicos e mortais, para os quais inexistem ant\u00eddotos eficientes.\n\nA maioria dos fungos\u00a0<strong>Amanita<\/strong>\u00a0n\u00e3o possui qualquer sabor especial que os identifique e suas toxinas t\u00eam um per\u00edodo latente para manifesta\u00e7\u00e3o bastante longo, permitindo sua completa absor\u00e7\u00e3o pelo organismo antes de que qualquer medida de tratamento ou desintoxica\u00e7\u00e3o tenha sido adotada. As toxinas atuam, predominantemente, no f\u00edgado e a morte, no caso dos Amanitas contendo princ\u00edpios letais, ocorre por coma hep\u00e1tico, sem que haja terap\u00eautica espec\u00edfica.\n\nAl\u00e9m de A. phalloides, A. virosa e A. pantherina (DC.) Secr., que s\u00e3o t\u00f3xicos, A. verna (Bull.) Pers. \u00e9 o grande respons\u00e1vel nos Estados Unidos pelas mortes por intoxica\u00e7\u00e3o que ocorrem no pa\u00eds.\n\nCogumelos frescos cont\u00eam o \u00e1cido ibot\u00eamico, que tem efeito sobre o sistema nervoso, sendo os cogumelos secos muito mais potentes. Isso ocorre porque o \u00e1cido ibot\u00eamico, com a secagem, \u00e9 degradado em mucinol, ap\u00f3s descarboxila\u00e7\u00e3o, sendo 5 a 10 vezes mais psicoativo. Cogumelos secos s\u00e3o capazes de manter sua pot\u00eancia por 5 a 11 anos. Poucas mortes foram, at\u00e9 hoje, relacionadas com esse tipo de envenenamento e 10 ou mais cogumelos podem constituir-se em uma dose fatal. Na maioria dos casos o melhor tratamento \u00e9 o n\u00e3o-tratamento, pois a recupera\u00e7\u00e3o \u00e9 espont\u00e2nea e completada em 24 horas.\n\nDizem os relatos que pessoas sob os efeitos dos princ\u00edpios ativos do cogumelo escarlate mosqueado tornam-se hiperativos, fazendo movimentos compulsivos e descoordenados, falando sem parar e com a percep\u00e7\u00e3o de realidade totalmente alterada. Ocasionalmente, a experi\u00eancia pode tornar-se altamente depressiva.\n\nA.muscaria parece conter uma ou mais subst\u00e2ncias que afetam especialmente o sistema nervoso central.\n\nA. muscaria apresenta a vantagem de que seu princ\u00edpio ativo \u00e9 excretado intacto pela urina, podendo ser reciclado e utilizado outra vez por homens e mulheres em banquetes org\u00edacos.\n\nO cogumelo de \u201cchap\u00e9u\u201d, A.muscaria jamais causou a morte de pessoas saud\u00e1veis. Usualmente, de uma a tr\u00eas horas depois de sua ingest\u00e3o, h\u00e1 um per\u00edodo de del\u00edrio e alucina\u00e7\u00f5es, por vezes acompanhado de certas perturba\u00e7\u00f5es gastrointestinais. Ap\u00f3s algumas horas desse estado de excita\u00e7\u00e3o ps\u00edquica, adv\u00e9m um intenso estupor e o indiv\u00edduo acorda sem se lembrar de coisa alguma do que se passou.\n\nEssa varia\u00e7\u00e3o da opini\u00e3o de tantos autores deve-se, provavelmente, a que as subst\u00e2ncias intoxicantes, que situam-se principalmente na camada superficial do p\u00edleo, variam consideravelmente em suas quantidades de acordo com a regi\u00e3o e as condi\u00e7\u00f5es nas quais os cogumelos se desenvolvem.\n\n<strong>Amanita musc\u00e1ria &#8211; Cogumelo<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-153952 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Amanit7-300x205.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"205\" \/><strong>Amanita (Amanita muscaria)<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Amanita musc\u00e1ria<\/strong>\u00a0\u00e9 o cogumelo mais difundido em literatura e por isso talvez o mais visto e conhecido pelas pessoas de uma forma geral.\n\nN\u00c3O \u00c9 UM COGUMELO COMEST\u00cdVEL e embora n\u00e3o seja mortal est\u00e1 associado a graves perturba\u00e7\u00f5es gastrointestinais, antes da fase alucin\u00f3gena\n\nEste fungo esteve muito presente na evolu\u00e7\u00e3o humana, tanto em povos asi\u00e1ticos, como em tradi\u00e7\u00f5es n\u00f3rdicas, tendo usos xam\u00e2nicos por toda a regi\u00e3o europeia. \u00c9 encontrado tamb\u00e9m no Jap\u00e3o, Norte da Europa, \u00cdndia e America Central. Tamb\u00e9m presente na cultura Persa.\n\n<strong>Amanita muscaria<\/strong>\u00a0(e outra variedade semelhante, Amanita pantherina) \u00e9 um cogumelo da ordem agaricales que aparece em habitats muito amplos nas zonas temperadas e boreais do hemisf\u00e9rio norte.\n\nCresce tanto em baixas altitudes como em \u00e1reas montanhosas altas, especialmente em florestas de con\u00edferas, como abetos e pinheiros negros, bem como em florestas de faias e b\u00e9tulas.\n\nGeralmente aparece durante o final dos meses de ver\u00e3o e \u00e9 especialmente prevalente no outono.\n\nSeu aspecto \u00e9 bem conhecido pela cor vermelha do gorro, coberto de pintas brancas, assim como pelo caule branco.\n\nEste cogumelo cont\u00e9m dois alcal\u00f3ides psicoativos, \u00e1cido ibot\u00eanico e muscimol, al\u00e9m de muitos outros alcal\u00f3ides. Tem sido usado desde a antiguidade como uma subst\u00e2ncia inebriante, bem como em contextos xam\u00e2nicos e adivinha\u00e7\u00e3o.\n\nO nome Amanita muscaria vem do efeito paralisante que tem sobre alguns insetos.\n\n<strong>Alguns fatos interessantes<\/strong>\n\nO pesquisador Robert Gordon Wasson sugeriu que o cogumelo estivesse relacionado ao Soma, bebida sagrada dos Vedas. Os mais antigos textos religiosos.\n\nTal bebida \u00e9 citada nos hinos do Rigveda escritos por volta de 1.500 A.C.\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-153951 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Amanit6-300x138.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"138\" \/>\n\nNa Sib\u00e9ria o fungo foi muito utilizado por xam\u00e3s tribais. Segundo a tradi\u00e7\u00e3o pag\u00e3, em todo solsticio de inverno os xam\u00e3s penduravam chap\u00e9us secos de amanitas ao pesco\u00e7o e destribuiam para a popula\u00e7\u00e3o.\n\nEntrando pelas sa\u00eddas de fuma\u00e7a das casas. Da\u00ed se vem a ideia do surgimento do bom velhinho Santa Claus.\n\nOutro ponto interessante \u00e9 que as renas adoram comer amanitas (n\u00e3o apenas as siberianas). Outra tradi\u00e7\u00e3o desses povos era alimentar as renas com A. Muscaria para que ficassem mais fortes e resistentes.\n\nComo a subst\u00e2ncia de princ\u00edpio ativo muscimol permanece intacta na urina de quem consumir o fungo, \u00e9 poss\u00edvel se reciclar o uso. E tamb\u00e9m atrair renas.\n\n<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0\u00e9 um fungo que trabalha em simbiose com \u00e1rvores coniferas atrav\u00e9s de micorrizas. Todo o mic\u00e9lio se desenvolve e serve como um filtro de metais pesados para o solo, al\u00e9m do processo de simbiose.\n\nSegundo escritos antigos o cogumelo era dado a comer aos animais para que passassem a \u201cfase m\u00e1\u201d e depois era bebida a urina, para que os humanos usufru\u00edssem apenas a parte alucinogena.\n\n<strong>Amanita Muscaria &#8211; Origem\/Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nRegistros hist\u00f3ricos como pinturas rupestres, entalhes em madeira e esculturas sugerem que os efeitos psicoativos de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0s\u00e3o conhecidos desde os tempos antigos em todos os continentes, e pr\u00e1ticas semelhantes foram observadas em rela\u00e7\u00e3o ao uso de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0em grupos geograficamente e culturalmente distantes.\n\n<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0tem sido usada para fins religiosos, adivinhadores, terap\u00eauticos e sociais.\n\nA primeira evid\u00eancia do uso de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0como intoxicante \u00e9 baseada em an\u00e1lises lingu\u00edsticas de l\u00ednguas do norte da \u00c1sia de 4000 aC, nas quais as ra\u00edzes das palavras \u201cembriaguez\u201d e Amanita muscaria parecem ser as mesmas. Pinturas policrom\u00e1ticas foram encontradas em rochas do Saara que datam do per\u00edodo Paleol\u00edtico; representa\u00e7\u00f5es do que parecem ser cogumelos do g\u00eanero Amanita, provavelmente da esp\u00e9cie muscaria.\n\nO fungo cresce naturalmente nas terras altas da Mesoam\u00e9rica e alguns mitos e esculturas de cogumelos sugerem o uso de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0na Guatemala e no sul do M\u00e9xico na \u00e9poca da cria\u00e7\u00e3o da civiliza\u00e7\u00e3o maia, por volta de 1500-1000 aC. Algumas semelhan\u00e7as simb\u00f3licas foram encontradas nas popula\u00e7\u00f5es da Guatemala e da \u00c1sia relacionadas \u00e0 cren\u00e7a de que o cogumelo nasce em locais onde caem raios.\n\nEsses paralelos poderiam ser explicados pelas migra\u00e7\u00f5es que provavelmente ocorreram do continente asi\u00e1tico para as Am\u00e9ricas via Estreito de Bering, portanto o conhecimento sobre o uso de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>teria sido retransmitido.\n\nH\u00e1 outras evid\u00eancias de seu uso na Am\u00e9rica do Norte pelas tribos Dogrib Athabasca nas montanhas Mackenzie no Canad\u00e1, bem como nas pr\u00e1ticas cerimoniais dos \u00edndios Ojibwa e Ahnishinuabeg na \u00e1rea do Lago Michigan nos Estados Unidos, que se referiam ao\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0com o nome de miskwedo e cujas pr\u00e1ticas sobreviveram at\u00e9 pelo menos o final do s\u00e9culo XX.\n\nO primeiro relat\u00f3rio ocidental sobre o uso de\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0foi feito por Filip Johan von Strahlenberg, um soldado sueco que, em 1730, foi preso por doze anos na Sib\u00e9ria. Ele observou como\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>foi usado como um intoxicante em contextos xam\u00e2nicos. Atualmente, as tribos Ostyak e Vogul, a oeste da Sib\u00e9ria, e as tribos Kamchadal, Koryak e Chukchi no leste, continuam a usar\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>em seus rituais.\n\nEssas tribos siberianas dependiam exclusivamente do\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>\u00a0como subst\u00e2ncia intoxicante at\u00e9 a introdu\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool pelos russos. Eles coletavam a Amanita, secavam ao sol e consumiam inteira, na extra\u00e7\u00e3o de \u00e1gua ou leite de rena, ou misturavam com sucos de plantas para ado\u00e7ar seu sabor.\n\nEssas tribos tamb\u00e9m exibiram a pr\u00e1tica de consumir a urina de pessoas que comeram\u00a0<strong>Amanita Muscaria<\/strong>, pois aprenderam que os alcal\u00f3ides do Amanita s\u00e3o eliminados inalterados pela urina, por isso permanecem ativos e podem ser reutilizados por at\u00e9 quatro ou cinco ciclos.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.ff.up.pt\/www.reinodosfungos.com\/www.celestialgarden.org\/www.yourdictionary.com\/www.first-nature.com\/findwords.info\/www.iceers.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Amanita, Fungo, Esp\u00e9cies, Toxinas, Risco, Reino Fungi, Cogumelo, Tratamento, Diagn\u00f3stico, Uso, O que \u00e9, Amanita<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":434,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-433","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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