{"id":27675,"date":"2016-01-22T00:00:00","date_gmt":"2016-01-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/pinhao\/"},"modified":"2026-09-01T18:15:39","modified_gmt":"2026-09-01T18:15:39","slug":"pinhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/alimentos-2\/pinhao\/","title":{"rendered":"Pinh\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<h4>Fruto Soberano<\/h4>\nNos campos do planalto Sul, ela \u00e9 soberana. Nada chama mais a aten\u00e7\u00e3o do que a arauc\u00e1ria com sua altura de at\u00e9 50 metros e grande copa em forma de ta\u00e7a.\n\n\u00c1rvore de longa vida e muitos nomes, a Araucaria angustifolia fornece madeira de excelente qualidade, mas tamb\u00e9m se tornou famosa pelo pinh\u00e3o, semente produzida com fartura a cada dois anos.\n\nEsse mesmo pinh\u00e3o que garante a alimenta\u00e7\u00e3o de muitas esp\u00e9cies animais, principalmente roedores e p\u00e1ssaros, se tornou item obrigat\u00f3rio no card\u00e1pio de outono e inverno em milhares de resid\u00eancias do Sul.\n\nO apetite humano por esse fruto pode, inclusive, funcionar como o principal aval para a perpetua\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria, que, derrubada sem piedade para a extra\u00e7\u00e3o de madeira, j\u00e1 esteve amea\u00e7ada de extin\u00e7\u00e3o. Caso lament\u00e1vel \u00e9 o de S\u00e3o Carlos do Pinhal, interior do Estado de S\u00e3o Paulo&#8230; N\u00e3o que, de repente, as pessoas tenham sido contaminadas por um surto preservacionista. A motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 puramente econ\u00f4mica.\n\n&#8220;Para o serrano, o pinheiro hoje est\u00e1 valendo mais de p\u00e9, produzindo pinhas, do que cortado, vendido como madeira&#8221;, explica o fazendeiro catarinense La\u00e9lio Bianchini, em cuja propriedade, em Lages, existem 15 mil arauc\u00e1rias. &#8220;Muitas fam\u00edlias tiram o sustento da venda do pinh\u00e3o e at\u00e9 grandes propriet\u00e1rios conseguem bom capital de giro com seu com\u00e9rcio, j\u00e1 que se trata de iguaria cada vez mais procurada aqui no Estado&#8221;, acrescenta.\n\nNo in\u00edcio de junho, a Funda\u00e7\u00e3o de Meio Ambiente de Santa Catarina (Fatma) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (Ibama) baixaram portaria autorizando o manejo florestal no Estado, incluindo esp\u00e9cies nativas, entre elas a arauc\u00e1ria, que em terras catarinenses tinha o corte proibido desde 1992. Mas a procura pela pinha, aliada \u00e0s dificuldades para colocar madeiras de lei no mercado internacional e sua baixa cota\u00e7\u00e3o no mercado nacional, pode tornar o plano de manejo in\u00fatil para o pinheiro brasileiro.\n\n&#8220;Ele j\u00e1 cobriu grande parte do territ\u00f3rio catarinense e por isso sofreu a maior press\u00e3o de corte&#8221;, revela M\u00e1rcia Batista, t\u00e9cnica em controle ambiental da Fatma.\n\nDo final da 2\u00aa Guerra Mundial at\u00e9 a d\u00e9cada de 60, a prosperidade dos fazendeiros do Sul e centro do Planalto Catarinense era medida em pinheiros.\n\nDurante o Ciclo do Pinheiro, como ficou conhecida esta \u00e9poca em Santa Catarina, Lages, no Planalto Sul, tinha tanta arauc\u00e1ria, que se tornou a cidade mais rica do Estado. At\u00e9 o pagamento dos funcion\u00e1rios p\u00fablicos s\u00f3 era poss\u00edvel quando o munic\u00edpio remetia sua parte na arrecada\u00e7\u00e3o estadual para a capital. No Meio-Oeste, onde os pinheirais tamb\u00e9m eram abundantes, a extra\u00e7\u00e3o igualmente movimentou e gerou fortunas.\n\n<strong>O mapa de cobertura vegetal elaborado recentemente pela Fatma mostra uma realidade muito diferente:<\/strong> a floresta ombr\u00f3fila (\u00famida) mista, onde est\u00e1 inclu\u00edda a esp\u00e9cie, cobre apenas 13,8% dos 95 mil quil\u00f4metros quadrados do territ\u00f3rio catarinense.\n\nEsgotada sua explora\u00e7\u00e3o, as \u00e1reas em que as arauc\u00e1rias dominavam est\u00e3o cobertas por esp\u00e9cies ex\u00f3ticas, principalmente pelos Pinus elliottii e Pinus taeda, para a produ\u00e7\u00e3o de celulose. Em outras, sequer houve reposi\u00e7\u00e3o da cobertura original, predominando os campos limpos. Mas quem manteve \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o est\u00e1 lucrando com a venda do pinh\u00e3o.\n\nColhido em tr\u00eas \u00e9pocas do ano, o consumo desta semente no Planalto Catarinense \u00e9 t\u00e3o tradicional que gerou inclusive um dos principais eventos culturais do Estado &#8211; a Festa do Pinh\u00e3o, em Lages, que numa semana, no in\u00edcio de junho \u00faltimo, teve 315 mil visitantes e consumo ou comercializa\u00e7\u00e3o de 25 toneladas do produto.\n\n&#8220;Descobrimos e estimulamos um grande mercado consumidor de pinh\u00e3o, com muitas varia\u00e7\u00f5es gastron\u00f4micas&#8221;, afirma Fl\u00e1vio Agustini, diretor da Serratur, \u00f3rg\u00e3o de turismo da prefeitura de Lages. Nas rodovias da regi\u00e3o, centenas de barraquinhas vendem o produto, cru ou cozido, entre fevereiro e agosto.\n\n&#8220;\u00c9 a \u00e9poca que mais refor\u00e7o meu sustento, porque o pessoal quer comprar pinh\u00e3o e acaba levando tamb\u00e9m feij\u00e3o, queijo e outros produtos que vendo&#8221;, diz Eleonora Santos, que tem uma barraca de lona na BR 282, pr\u00f3ximo \u00e0 entrada de Lages. Os frutos que vende v\u00eam de seus 140 hectares, &#8220;com uns 500 pinheiros&#8221;, al\u00e9m do que \u00e9 colhido nas propriedades vizinhas.\n\nApesar de sua import\u00e2ncia regional como fonte de renda, o pinh\u00e3o n\u00e3o mereceu estudos de impacto econ\u00f4mico ou social e grande parte de sua comercializa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 clandestina, sem emiss\u00e3o de notas fiscais e transportada \u00e0 noite, evitando as fiscaliza\u00e7\u00f5es&#8221;.\n\n<strong>DE GALHO EM GALHO<\/strong>\n\n&#8220;H\u00e1 20 anos, de mar\u00e7o a julho, Adelmo Miguel, o Juruna, tem uma obriga\u00e7\u00e3o: escalar \u00e1rvores entre 10 e 35 metros de altura, pisar em galhos de resist\u00eancia duvidosa e, com longas varas, derrubar as frutas das pontas desses galhos. Natural de Urupema, SC, ele colhe pinhas desde os 6 anos, habilidade herdada do pai, que chegou a ficar dois anos em cadeira de rodas, recupernado-se de uma queda do topo de uma arauc\u00e1ria de 20 metros. &#8220;Um pinheiro bom rende 300 pinhas, que d\u00e3o cerca de cinco sacas de 50 quilos de pinh\u00e3o&#8221;, explica.\n\nEle recolhe as pinhas jogadas em torno da \u00e1rvore, carrega as broacas (bolsas de couro penduradas numa mula) e segue atr\u00e1s de outras arauc\u00e1rias apinhadas.\n\nJuruna testemunhou muitas vezes o apetite dos animais pelo pinh\u00e3o. &#8220;O ouri\u00e7o, por exemplo, sobe at\u00e9 a grinfa (copa) da \u00e1rvores e r\u00f3i a pinha, sem derrub\u00e1-la&#8221;, conta. &#8220;H\u00e1 30 anos, os bandos de papagaios que migravam para o planalto na \u00e9poca de pinhas chegavam a escurecer o c\u00e9u&#8221;, lembra o fazendeiro Bianchini. A lista de animais, entretanto, \u00e9 muito grande, come\u00e7ando com o veado branco, passando pelas capivaras, pacas, macacos, pre\u00e1s, esquilos, perdizes e cutias, al\u00e9m de papagaios e gralhas.\n\nE s\u00e3o as cutias, e n\u00e3o a gralha-azul, ao contr\u00e1rio do que diz o folclore, as principais respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o de pinheiros.\n\n&#8220;A cutia \u00e9 grande apreciadora de pinh\u00e3o e comumente enterra-o, para com\u00ea-lo depois. Dessa pr\u00e1tica nascem milhares de novas arauc\u00e1rias&#8221;, explica Paulo Ernani Carvalho, engenheiro florestal da Embrapa de Colombo, PR. Os macacos justificam, inclusive, o nome das \u00faltimas pinhas que amadurecem, entre o fim de julho e meados de agosto.\n\nComo n\u00e3o debulham e nem caem das \u00e1rvores, s\u00f3 estes animais conseguem chegar at\u00e9 elas. Por isso, seu fruto \u00e9 chamado pinh\u00e3o de macaco.\n\nOs animais dom\u00e9sticos tamb\u00e9m foram sustentados com a semente de pinha. &#8220;Antes das granjas de su\u00ednos, os porcos viviam soltos para engordar \u00e0 base do pinh\u00e3o&#8221;, lembra Bianchini. Tamb\u00e9m os bovinos alimentam-se de pinh\u00f5es ca\u00eddos sob os pinheiros&#8221;.\n\n<strong>A PIONEIRA SOBREVIVEU<\/strong>\n\n&#8220;Presente no planeta desde a \u00faltima glacia\u00e7\u00e3o &#8211; que come\u00e7ou h\u00e1 mais de um milh\u00e3o e quinhentos mil anos, a arauc\u00e1ria, segundo o engenheiro florestal Paulo Carvalho, da Embrapa de Colombo, PR, j\u00e1 ocupou \u00e1rea equivalente a 200 mil quil\u00f4metros quadrados no Brasil, predominando nos territ\u00f3rios do Paran\u00e1 (80.000 km\u00b2), Santa Catarina (62.000 km\u00b2) e Rio Grande do Sul (50.000 km\u00b2), com manchas esparsas em Minas Gerais, S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, que juntas, n\u00e3o ultrapassam 4% da \u00e1rea originalmente ocupada pela Araucaria angustifolia no pa\u00eds. \u00c9 uma esp\u00e9cie resistente, tolerando inc\u00eandios rasos, devido \u00e0 casca grossa, que faz papel de isolante t\u00e9rmico. A capacidade de germina\u00e7\u00e3o \u00e9 alta e chega a 90% em pinh\u00f5es rec\u00e9m-colhidos. Esp\u00e9cie pioneira, dissemina-se facilmente em campo aberto.\n\nApesar do desmatamento, o que motivou a proibi\u00e7\u00e3o do corte em Santa Catarina, a arauc\u00e1ria n\u00e3o corre mais o risco de extin\u00e7\u00e3o. &#8220;O corte persistia clandestino e sem garantias de recomposi\u00e7\u00e3o da floresta. Com o plantio de manejo sustent\u00e1vel, garante-se a biodiversidade e a renda das propriedades&#8221;, resume o superintendente da Funda\u00e7\u00e3o de Meio Ambiente de Santa Catarina, Vladimir Ortiz.\n\nO corte, entretanto, n\u00e3o \u00e9 estimulante. Apesar da voca\u00e7\u00e3o para a fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00f3veis, o pre\u00e7o pago pelas serrarias n\u00e3o justifica a derrubada. &#8220;No mato, n\u00e3o vai al\u00e9m de 50 reais pela d\u00fazia de t\u00e1buas, ou 100 reais entregues nas serrarias&#8221;, compara o fazendeiro La\u00e9lio Bianchini. J\u00e1 o pinh\u00e3o, no atacado, custa 1 real o quilo e, uma s\u00f3 \u00e1rvore produz, em m\u00e9dia, 250 quilos.\n\n&#8220;Al\u00e9m disso&#8221;, refor\u00e7a Bianchini, &#8220;a madeira \u00e9 negociada uma s\u00f3 vez, enquanto que com o pinh\u00e3o a renda perpetua-se&#8221;.\n\nO plano de manejo liberado em Santa Catarina, que tamb\u00e9m inclui imbuia, palmito e canela, \u00e9 similar ao do Paran\u00e1, onde o corte nunca foi proibido. Pela portaria, \u00e9 liberada a derrubada de at\u00e9 40% das \u00e1rvores com mais de 40 cent\u00edmetros de di\u00e2metro. &#8220;Muitos fazendeiros arrancavam os exemplares ainda pequenos, pois sabiam que n\u00e3o poderiam cort\u00e1-los quando crescidos e preferiam deixar o campo limpo&#8221;, explica Andr\u00e9 Boclin, engenheiro florestal do Ibama catarinense. &#8220;O manejo \u00e9 necess\u00e1rio, pois a pr\u00f3pria natureza equilibra o n\u00famero de indiv\u00edduos por esp\u00e9cie. No caso da arauc\u00e1ria, a varia\u00e7\u00e3o vai de 5 a 25 exemplares por hectare&#8221;, observa Paulo Ernani Carvalho&#8221;.\n<h6>O pinh\u00e3o<\/h6>\nO pinh\u00e3o \u00e9 caracter\u00edstico das festas juninas do interior do Paran\u00e1, S\u00e3o Paulo e Minas. Por ser produto do Pinheiro do Paran\u00e1, a Arauc\u00e1ria, que apenas vegeta em serras e zonas de inverno, guarda algum sabor regionalista, por\u00e9m pela sua abund\u00e2ncia e pela \u00e9poca de sua colheita (maio, junho e julho), o pinh\u00e3o \u00e9 fundamental nas festas juninas.\n\nA presen\u00e7a do pinh\u00e3o remonta a import\u00e2ncia que tem como alimento para as primeiras popula\u00e7\u00f5es das serras. Os bandeirantes do Vale do Para\u00edba, por exemplo, marcavam a sa\u00edda das incurs\u00f5es em datas que fizessem coincidir com a passagem pela Serra da Mantiqueira, com a safra de pinh\u00e3o. Assim, garantiam uma alimenta\u00e7\u00e3o farta e de alto poder aliment\u00edcio e energ\u00e9tico. Cozido em grandes panelas ou assados na brasa, o pinh\u00e3o \u00e9 uma festa e a sua degusta\u00e7\u00e3o coletiva se transforma em uma verdadeira comunh\u00e3o.\n<h4>Fortaleza do Pinh\u00e3o da Serra Catarinense<\/h4>\nA Serra Catarinense \u00e9 um territ\u00f3rio montanhoso do estado de Santa Catarina, cuja economia \u00e9 tradicionalmente baseada no uso dos recursos florestais, agricultura e pecu\u00e1ria.\n\nA Arauc\u00e1ria (Araucaria angustifolia), \u00e1rvore nativa e s\u00edmbolo da regi\u00e3o meridional do Brasil, a ponto de ser chamada comumente de Pinheiro do Brasil, sempre esteve na base do sistema alimentar dos habitantes desta \u00e1rea, tanto os humanos como os animais. Se trata de uma \u00e1rvore secular que pode chegar a 40 metros de altura e vive em m\u00e9dia 200 a 300 anos, podendo chegar at\u00e9 os 500 anos de vida.\n\nSe nos s\u00e9culos passados Santa Catarina era completamente coberta de Arauc\u00e1ria, nos \u00faltimos dez anos se est\u00e1 verificando na zona uma substitui\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica das arauc\u00e1rias pelo pinheiro canadense (Pinus eucariotis), muito mais rent\u00e1vel por causa da alta demanda por sua madeira.\n\n<strong>Assim, onde antigamente se encontrava a Floresta de Arauc\u00e1ria, hoje se observam vastas \u00e1reas de cultivo do pinheiro canadense:<\/strong> estima-se que das \u00e1reas brasileiras de Floresta com Arauc\u00e1ria originais, hoje em dia reste apenas 1%. Quem compra uma \u00e1rea e corta as \u00e1rvores de arauc\u00e1ria recebe uma san\u00e7\u00e3o m\u00ednima, que pode ser facilmente paga com os lucros do com\u00e9rcio de pinheiros canadenses.\n\nOs Parques Nacionais &#8220;Aparados da Serra&#8221; e &#8220;Igua\u00e7u&#8221; t\u00eam \u00e1reas destinadas \u00e0 preserva\u00e7\u00e3o da arauc\u00e1ria, mas sua extens\u00e3o n\u00e3o chega a 3.000 hectares.\n<h4>O <strong>pinh\u00e3o<\/strong><\/h4>\nO pinh\u00e3o \u00e9 a semente da Arauc\u00e1ria Angustifolia. Se trata de uma semente de cerca de 4 cent\u00edmetros, de forma alongada e de cor de marfim, envolto em uma casca grossa e colhido em pinhas de grande dimens\u00e3o, que podem conter de 10 a 120 pinh\u00f5es.\n\nPesquisas hist\u00f3ricas e achados arqueol\u00f3gicos mostram que os ind\u00edgenas Kaingang e Xokleng, antigos habitantes desta \u00e1rea, viviam da ca\u00e7a e da coleta do pinh\u00e3o.\n\nO pinh\u00e3o representou um alimento fundamental, no passar dos s\u00e9culos, tamb\u00e9m para outros povos ind\u00edgenas e para os descendentes de italianos e alem\u00e3es que colonizaram esta \u00e1rea.\n\nNo passado os coletores de pinh\u00e3o, na \u00e9poca da safra, destinavam um c\u00f4modo inteiro da pr\u00f3pria casa para estocar o pinh\u00e3o que seria consumido nos meses seguintes. Sempre foi considerado um &#8220;alimento de pobre&#8221;, para matar a fome, mas na culin\u00e1ria tradicional \u00e9 utilizado em muitas receitas, e seu valor nunca foi oficialmente reconhecido em n\u00edvel nacional.\n\nUsualmente, o pinh\u00e3o \u00e9 cozido em \u00e1gua para a utiliza\u00e7\u00e3o em in\u00fameras prepara\u00e7\u00f5es, ou assado diretamente na chapa do fog\u00e3o de lenha nas casas dos coletores.\n\n<strong>As duas receitas mais tradicionais na qual se utiliza o pinh\u00e3o s\u00e3o:<\/strong> pa\u00e7oca de pinh\u00e3o (pinh\u00e3o cozido e mo\u00eddo, misturado com carne seca em um pil\u00e3o) e entrevero (um cozido de verduras e carnes acompanhados de pinh\u00e3o).\n\n<strong>O povo ind\u00edgena consumia o pinh\u00e3o na sapecada:<\/strong> o pinh\u00e3o era coberto com as folhas (grimpas) da arauc\u00e1ria e se colocava fogo, assando o pinh\u00e3o que depois era descascado e consumido na floresta.\n\nEsta forma de consumo \u00e9 muito tradicional atualmente dentre os coletores, que consomem o pinh\u00e3o durante o trabalho.\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Pinh\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/pinhao18.jpg\" alt=\"Pinh\u00e3o\" width=\"235\" height=\"266\" \/><strong>Pinh\u00e3o<\/strong><\/p>\nO pinh\u00e3o, ao contr\u00e1rio do que muitos pensam n\u00e3o \u00e9 o fruto da Arauc\u00e1ria, e sim sua semente. Ele se desenvolve no interior da pinha que \u00e9 a flor do pinheiro.\n\nO pinh\u00e3o \u00e9 um excelente alimento e possui um valioso teor nutricional. Sua polpa \u00e9 formada basicamente de amido e \u00e9 rico em vitaminas do complexo B, c\u00e1lcio, f\u00f3sforo e prote\u00ednas.\n\nA semente \u00e9 muito apreciada e muito usada na gastronomia da regi\u00e3o al\u00e9m de fazer parte da dieta de pequenos animais da fauna local e no passado de \u00edndios que habitavam a regi\u00e3o.\n\nOs muitos animais que se alimentam do pinh\u00e3o s\u00e3o os principais respons\u00e1veis pela dissemina\u00e7\u00e3o dos pinheirais, entre eles est\u00e3o antas, queixadas, capivaras, sabi\u00e1s, pombas rolas, periquitos, papagaios, gralha azul, entre outros.\n<h4>O <strong>pinh\u00e3o<\/strong><\/h4>\nO pinh\u00e3o \u00e9 a semente da \u00e1rvore &#8220;Araucaria angustifolia&#8221;, que j\u00e1 cobriu boa parte do territ\u00f3rio de Minas Gerais, Espirito Santo, S\u00e3o Paulo, Paran\u00e1, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O pinh\u00e3o \u00e9 um excelente alimento.\n\nOs pequenos animais que se alimentam do pinh\u00e3o s\u00e3o respons\u00e1veis pela planta\u00e7\u00e3o dos pinherais. Da anta ao sabi\u00e1, da queixada \u00e0 impressionante gralha azul, da vaca ao cavalo, todos gostam do pinh\u00e3o. A gralha azul \u00e9 capaz de &#8220;plantar&#8221; 3.000 pinheiros por hectare. Nos campos de vegeta\u00e7\u00e3o rasteira formam-se cap\u00f5es de pinheiros gra\u00e7as a esta ave, que enterra os pinh\u00f5es em lugares \u00famidos.\n\nO pinh\u00e3o tem cerca de 5 cm de comprimento, recoberto por uma casca lisa de cor castanha. A polpa \u00e9 a parte comest\u00edvel, muito dura se estiver crua, e deliciosa quando cozida. \u00c9 formada basicamente de amido.\n\nFonte:\u00a0www.marcelosilva.com.br\/lproweb.procempa.com.br\/www.slowfoodbrasil.com\/www.festadopinhao.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pinh\u00e3o, Fruto, Pinheiro, \u00c1rvore, Valor, Produ\u00e7\u00e3o, Semente, Brasil, Alimento, Alimenta\u00e7\u00e3o, Planta, Castanha, Utilidade, Caracter\u00edsticas, Pinh\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":27677,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[65],"class_list":["post-27675","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos-2","tag-alimentos"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Pinh\u00e3o - 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