{"id":27053,"date":"2016-01-22T00:00:00","date_gmt":"2016-01-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/araticum-2\/"},"modified":"2026-09-01T18:09:11","modified_gmt":"2026-09-01T18:09:11","slug":"araticum-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/alimentos-2\/araticum-2\/","title":{"rendered":"Araticum"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>Araticum-do-cerrado<\/h4>\n<strong>Nome cient\u00edfico: <\/strong>Annona crassiflora\n\n<strong>Fam\u00edlia: <\/strong>Anon\u00e1ceas\n\n<strong>Nome comum: <\/strong>araticum, marolo, araticum-do-campo, araticum-do-cerrado, bruto\n\n<strong>Origem:<\/strong> Brasil\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic17.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"338\" height=\"250\" \/><strong>\nAraticum<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic19.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"304\" height=\"228\" \/>\nAraticum<\/strong><\/p>\n\n<h4>Descri\u00e7\u00e3o e caracter\u00edstica da planta<\/h4>\nO araticum \u00e9 da mesma fam\u00edlia da atem\u00f3ia, pinha, condessa, graviola, fruta-do-conde e, s\u00f3 no cerrado, existem ou existiam 27 outras esp\u00e9cies de araticum.\n<h4>Planta<\/h4>\nPerene, arb\u00f3rea, com 6 a 8 metros de altura, bem adaptada principalmente \u00e0s condi\u00e7\u00f5es dos cerrados remanescentes do Brasil \u0096 Central, que abrange o Distrito Federal e os estados da Bahia, Cear\u00e1, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Par\u00e1, Piau\u00ed e S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Folhas \u0096 <\/strong>simples, cori\u00e1ceas (consist\u00eancia semelhante ao couro), formas e tamanhos vari\u00e1veis, com pilosidade de cor marrom na face superior, caducas (caem durante o inverno ou na \u00e9poca de seca mais prolongada, nas regi\u00f5es de clima quente).\n\n<strong>Flores \u0096 <\/strong>formadas em ramos novos, solit\u00e1rias, seis p\u00e9talas carnosas\u00b8 livres, geralmente n\u00e3o se abrem totalmente. Frutos \u0096 compostos, tipo sincarpo (originado da reuni\u00e3o de muitos frutos pequenos que se aderem, mas fecundados separadamente), da\u00ed a forma\u00e7\u00e3o de numerosas \u00e1reas salientes na parte externa que lembram escamas arredondadas. Apresenta variabilidade gen\u00e9tica relacionada ao tamanho, \u00e0 forma e \u00e0 cor da polpa \u0096 branca, amarela e r\u00f3sea, em fun\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o de plantas.\n\nAs plantas que produzem frutos com polpa branca s\u00e3o pouco produtivas; com polpa rosada \u0096 mais doce e macia; com polpa amarela \u0096 \u00e9 a mais comum, n\u00e3o muito doce e um pouco \u00e1cida.\n\nO peso de cada fruto varia de 0,50 a 1,50 quilo e produz de 60 a 90 sementes.\n\n<strong>As condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis ao desenvolvimento das plantas e frutifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o:<\/strong> temperatura amena a quente, solos profundos, bem drenados, n\u00e3o \u00e9 exigente em fertilidade do solo.\n\nS\u00e3o adaptadas ao longo per\u00edodo sem chuva durante o inverno, porque apresentam um sistema radicular bastante desenvolvido e profundo nos solos do cerrado.\n\nA propaga\u00e7\u00e3o \u00e9 feita normalmente atrav\u00e9s de sementes, mas, para cultivo comercial, recomenda-se fazer enxertia, porque por sementes ocorre grande variabilidade gen\u00e9tica em muitas caracter\u00edsticas como no tamanho, cor e no sabor dos frutos.\n<h4>Produ\u00e7\u00e3o e produtividade<\/h4>\nO in\u00edcio de frutifica\u00e7\u00e3o ocorre a partir de 4 anos de idade em plantas originadas de sementes e de 2 a 3 anos por enxertia. Nas condi\u00e7\u00f5es do cerrado da regi\u00e3o de Bras\u00edlia, DF, cada \u00e1rvore produz 10 a 50 frutos. Possivelmente, essa produtividade pode ser aumentada e melhorada, mas pouco se sabe sobre o comportamento dessa planta quanto \u00e0 ocorr\u00eancia de pragas e de doen\u00e7as ao cultivar em pomares comerciais e com aduba\u00e7\u00f5es para aumentar o seu desempenho.\n<h4>Utilidade<\/h4>\nA polpa \u00e9 comest\u00edvel e muito apreciada, ao natural e na forma de sucos, doces, sorvetes, gel\u00e9ias, licores e recheios na confec\u00e7\u00e3o de bolos e bombons. A planta \u00e9 usada na medicina popular. Os frutos servem de alimento para muitos p\u00e1ssaros e animais silvestres.\n<h4>Composi\u00e7\u00e3o Nutricional<\/h4>\n<blockquote>O araticum, apresenta teores de vitaminas do complexo B, tais como as vitaminas\nB1 e B2, equivalentes ou superiores aos encontrados em frutas como o abacate, a banana e a goiaba, que s\u00e3o \u00a0consideradas como boas fontes destas vitaminas.\nO <strong>araticum <\/strong>\u00e9 uma boa fonte de \u00e1cidos graxos, onde 80% s\u00e3o monoinsaturados, 16% saturados e 4% poliinsaturados (o linol\u00eanico).\n\u00c9 tamb\u00e9m uma fonte rica de caroten\u00f3ides, pr\u00f3 vitamina A.<\/blockquote>\n<h4 align=\"left\"><strong>Tabela Nutricional do Araticum<\/strong><\/h4>\n<p align=\"left\"><strong>Quantidade \u00a0\u00a0 100 gramas<\/strong><\/p>\n\n<table border=\"0\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Calorias\u00a0 <\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">52,0Kcal<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Prote\u00edna<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">0,40g<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Lip\u00eddios\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">1,60g<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>C\u00e1lcio <\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">52mg<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>F\u00f3sforo\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00a0\u00a0 24mg<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Ferro\u00a0 <\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00a0 2,30mg<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Vitamina A\u00a0 <\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Vitamina B1\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">453mcg<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Vitamina B1\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">100mcg<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Vitamina B1\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Niacina \u00a0\u00a0<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">\u00a02,675mcg<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\nO Araticum \u00e9 da mesma fam\u00edlia da atem\u00f3ia, pinha, condessa, graviola, fruta-do-conde e, s\u00f3 no cerrado, existem ou existiam 27 outras esp\u00e9cies de araticum.\n\nO Araticum-do-cerrado \u00e9 bem caracterizado pelos ramos e gemas pilosos e ferrug\u00edneos. Seu ritidoma \u00e9 de colora\u00e7\u00e3o bege ou cinza-clara, com cristas e fissuras sinuosas, estreitas e descont\u00ednuas.\n\nAs folhas s\u00e3o simples, alternas, d\u00edsticas, de colora\u00e7\u00e3o verde sendo que a parte abaxial possui pilosidade do tipo ferrug\u00ednea e as margens s\u00e3o inteiras.\n\nAs flores possuem seis p\u00e9talas livres, que se abrem pouco, s\u00e3o carnosas e de colora\u00e7\u00e3o creme-ferrug\u00edneas. Tr\u00eas p\u00e9talas s\u00e3o maiores e dispostas externamente e as outras tr\u00eas menores e internas.\n\nOs frutos s\u00e3o carnosos, podem ter at\u00e9 2 kg de peso, s\u00e3o de cor ferrug\u00ednea e cada fruto possui in\u00fameras sementes.\n\nSua flora\u00e7\u00e3o ocorre de setembro a janeiro e sua frutifica\u00e7\u00e3o de outubro a abril, seus polinizadores s\u00e3o os besouros que buscam as flores para o acasalamento e alimenta\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o de suas sementes \u00e9 feita pelos animais e pela gravidade.\n\nEssa \u00e1rvore \u00e9 encontrada no DF e nos estados BA, CE, GO, MA, MG, MT, MS, PA, PI, SP e TO.\n\n\u00c9 um fruto apreciado pelo homem em sua forma natural ou em iguarias regionais. As sementes na medicina popular s\u00e3o usadas para diarreia e menstrua\u00e7\u00e3o, e ainda servem como inseticidas.\n\nA casca corticeira \u00e9 usada como boia de redes de pescar.\n<h4>Origem<\/h4>\nA palavra araticum vem do guarani (ind\u00edgena), cujo significado \u00e9 fruto mole.\n\n<strong>De dezembro a abril, frutifica no cerrado uma fruta parecida com uma pinha, bastante apreciada e conhecida no pa\u00eds e no mundo: <\/strong>\u00e9 o araticum.\n\nEsse nome \u00e9 comumente utilizado para muitas variedades de Annona nos pa\u00edses cuja l\u00edngua oficial \u00e9 o portugu\u00eas.\n\nEle representa v\u00e1rias esp\u00e9cies, como a fruta-do-conde (Annona squamosa), a graviola (Annona muricata) e o araticum-do-cerrado ou marolo (Annona crassiflora).\n<h4>O Araticum<\/h4>\nO Araticum pode ser chamado de ata, no norte e no nordeste do pa\u00eds, no interior de S\u00e3o Paulo e em Minas Gerais, pode ser araticum, no Rio Grande do Sul e na Bahia, pode ser fruta do conde ou pinha. \u00c9 conhecido tamb\u00e9m como Arixicum, ariticum, articum, marolo, bruto, cabe\u00e7a de negro,pinha do cerrado, pasmada.\n<h4>Fruto<\/h4>\nGloboso ou alongado que cont\u00e9m numerosas sementes presas a uma polpa branca, aquosa, mole, envolvida por uma casca de colora\u00e7\u00e3o amarelo-esverdeada, lisa ou recoberta por escamas carnosas. Frutificam durante quase todo o ano.\n\nQuando maduros, os frutos s\u00e3o usados, em aplica\u00e7\u00f5es locais, provocando a abertura dos mesmos.\n\n<strong>Lorena Vaz da Silva<\/strong>\n<h4>Caracter\u00edsticas Gerais<\/h4>\n\u00c1rvore de pequeno porte (de 4 a 8 m de altura), ramifica-se a pouca altura do solo. Tem casca cinza-escura, folhagem aveludada e copa arredondada.\n\nOs frutos, parecidos com a fruta-do-conde, s\u00f3 que menores e de casca amarela, amadurecem entre os meses de mar\u00e7o e maio. A massa branca e fibrosa que envolve grande n\u00famero de sementes \u00e9 comest\u00edvel. \u00c9 encontrada de Minas Gerais at\u00e9 o Rio Grande do Sul em matas baixas (capoeiras), v\u00e1rzeas e matas ciliares (aquelas que margeiam os rios).\n\nPrefere solos \u00famidos e f\u00e9rteis. Para a ci\u00eancia, \u00e9 a Rollinia exalbida.\n<h4>A ORIGEM E DISTRIBUI\u00c7\u00c3O<\/h4>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic27.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"343\" height=\"232\" \/><strong>\nAraticum<\/strong><\/p>\nO araticum, tamb\u00e9m conhecido popularmente como bruto, cabe\u00e7a-de-negro, cascudo, marolo e pinha-do-cerrado. \u00c9 esp\u00e9cie frut\u00edfera da fam\u00edlia Annonaceae, assim como a cherim\u00f3ia, condessa, pinha, graviola e outras. As Annonaceae s\u00e3o representadas no cerrado por 27 esp\u00e9cies, perfazendo 3,5% da flora total.\n\nDestacam-se pelo seu potencial frut\u00edfero os g\u00eaneros Annona, Duguetia e Rollinia. O g\u00eanero Annona apresenta duas esp\u00e9cies produtoras de frutos comest\u00edveis no cerrado, a Annona crassiflora Mart e a Annona coriaceae Mart.\n\nNativo do planalto central brasileiro, o araticum pode ser encontrado nas \u00e1reas de Cerrad\u00e3o, Cerrado, Cerrado Denso, Cerrado Ralo e Campo Rupestre. Sua distribui\u00e7\u00e3o ocorre no Distrito Federal e nos Estados da Bahia, Goi\u00e1s, Maranh\u00e3o, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Par\u00e1, Piau\u00ed e Tocantins.\n<h4>BOT\u00c2NICA E ECOLOGIA<\/h4>\n\u00c1rvore hermafrodita de at\u00e9 8m, com flores e ramos jovens apresentando densa pilosidade marrom-avermelhada e os \u00f3rg\u00e3os vegetativos glabrescentes com a idade. As folhas s\u00e3o alternas, simples, pecioladas, sem est\u00edpulas; limbo com 5,5 a 13 x 3,5 a 10 cm, largamente obovado a oblongo, cart\u00e1ceo e cori\u00e1ceo; \u00e1pice arredondado a obtuso; base arredondada, obtusa ou subcordada; pec\u00edolo com 2 a 6 mm de comprimento, actinomorfas, internamente creme-amareladas, crassas; s\u00e9palas 3, livres; p\u00e9talas 6, livres; estames numerosos; anteras subs\u00e9sseis, oblongas, de conectivo espessado; ov\u00e1rio dialicarpelar, s\u00fapero, com muitos carpelos uniovulados; estigma s\u00e9ssil. O fruto \u00e9 um sinc\u00e1rpio com cerca de 15 cm de di\u00e2metro e 2 kg de peso, oval a arredondado, externamente marrom-claro, comoso, internamente creme amarelado, com polpa firme; numerosas sementes com formato el\u00edptico.\n\nA planta \u00e9 caducif\u00f3lia (perde as folhas) na \u00e9poca seca, florescendo com o in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa, sendo o in\u00edcio no final de setembro, at\u00e9 o final do m\u00eas de dezembro, para a regi\u00e3o de Selv\u00edria\/MS. Para a regi\u00e3o de Tr\u00eas Lagoas\/MS, a flora\u00e7\u00e3o d\u00e1-se no in\u00edcio de outubro, at\u00e9 o final de novembro. A frutifica\u00e7\u00e3o inicia-se em novembro, com a matura\u00e7\u00e3o dos frutos ocorrendo de fevereiro a mar\u00e7o. A dispers\u00e3o das sementes \u00e9 realizada por animais.\n\nO bot\u00e3o floral pode surgir antes da rebrota das folhas, concomitante ou com as folhas j\u00e1 formadas. As flores s\u00e3o hermafroditas, apresentam protoginia e termog\u00eanese. O aquecimento interior da flor (termog\u00eanese) inicia-se geralmente ao anoitecer, podendo chegar at\u00e9 10 \u00baC acima da temperatura do ar, por\u00e9m uma chuva ou varia\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es do meio externo, pode provocar a queda de temperatura no inferior da flor.\n\nAs flores de A. crassiflora aquecem-se uma vez somente e caem na mesma noite. Por volta das 19 horas, o estigma encontra-se coberto de exudato transparente e devido a esse aquecimento, exala forte odor que atrai de besouros. Os primeiros insetos atra\u00eddos penetram nas flores por volta das 19 horas, perfuram as p\u00e9talas internas e depois saem ou iniciam a c\u00f3pula. Por volta das 22 e 24 horas, os estames deiscentes caem no interior da c\u00e2mara floral e posteriormente as p\u00e9talas separam-se do recept\u00e1culo floral, caindo no ch\u00e3o. Alguns besouros permanecem no interior do anel de p\u00e9talas durante o dia, no ch\u00e3o, saindo somente no in\u00edcio da noite, cobertos de p\u00f3len para visitar outras flores rec\u00e9m abertas.\n\nO araticunzeiro apresenta problemas com a baixa taxa de frutifica\u00e7\u00e3o necessitando serem melhor estudadas as suas causas, visando seu aproveitamento econ\u00f4mico.\n\nDeve-se principalmente ao ambiente de ocorr\u00eancia, a variabilidade sobre o n\u00famero de indiv\u00edduos encontrados. Em Cuiab\u00e1, MT, as densidades variam de 6 indiv\u00edduos\/ha numa \u00e1rea menos f\u00e9rtil a 48 indiv\u00edduos\/ha em outra mais f\u00e9rtil.\n\nCom rela\u00e7\u00e3o ao comportamento da esp\u00e9cie, houve baix\u00edssima sobreviv\u00eancia em plantio puro (15%) e baixa quando consorciada (40%). A altura das plantas foram superiores no plantio puro, sendo observada flora\u00e7\u00e3o de plantas de araticum a partir dos 4 anos no plantio puro e dos 5 anos na \u00e1rea consorciada.\n<h4>COMPOSI\u00c7\u00c3O DO FRUTO<\/h4>\n<blockquote><strong>A composi\u00e7\u00e3o da polpa do fruto (100g) apresenta: <\/strong>82,0 calorias; 1,1 g de prote\u00edna; 0,2 g de lip\u00eddios; 21,3 g de carboidratos; 34,0 mg de c\u00e1lcio; 35 mg de f\u00f3sforo; 0,6 eq. ret. de fero; 0,09mg de tiamina; 0,9 mg de niacina; 17mg de vit. C; 0,13 mg de riboflavina.\n\n<strong>A composi\u00e7\u00e3o da polpa do fruto \u00e9 a seguinte:<\/strong> umidade de 76,3%; prote\u00edna 1,3%; extrato et\u00e9reo 0,3%; cinzas 0,6%; carboidratos 21,5%; fibras 1,6%; valor cal\u00f3rico (cal\/100g) 87; pH = 4,57; acidez (sol.N.) 5,56%; 14\u00ba Brix (s\u00f3lidos sol\u00faveis totais); a\u00e7\u00facares redutores 7,72%; a\u00e7\u00facares totais 56,4%; tanino 0,38%; caroteno 0,23%; 24,2 mg Mg\/100g polpa e 0,7 mg F\u00e9\/100g polpa.\n\n<strong>Para minerais e vitaminas em 100g de polpa: <\/strong>52 mg de Ca; 24 mg de P; 2,3 mg de F\u00e9; 21 mg de vit. C; 50 mg de vit. A; 0,04 mg de vit. B? e 0,07 mg de vit. B2.<\/blockquote>\nNa polpa do araticum, cerca de 80% dos \u00e1cidos graxos s\u00e3o monoinsaturados, 16% saturados e 4% poliinsaturados, o linol\u00eanico.\n<h4>PROPAGA\u00c7\u00c3O<\/h4>\nO araticum \u00e9 uma esp\u00e9cie predominantemente al\u00f3gama, de modo que as plantas oriundas de sementes segregam e n\u00e3o reproduzem o fen\u00f3tipo da planta m\u00e3e. Mesmo assim , o uso de sementes \u00e9 necess\u00e1ria para a obten\u00e7\u00e3o de mudas ou para a forma\u00e7\u00e3o de porta-enxertos.\n\nA semente germina com dificuldade, havendo longo per\u00edodo de dorm\u00eancia, sendo que em areia, o in\u00edcio da germina\u00e7\u00e3o ocorreu entre 237 a 292 dias. O embri\u00e3o \u00e9 muito pequeno, medindo 2 mm de comprimento e delicado. Parece ser esta a causa da dorm\u00eancia da semente, pois o embri\u00e3o precisa primeiro construir seus \u00f3rg\u00e3os para depois germinar, n\u00e3o havendo, na realidade, nenhum bloqueio \u00e0 germina\u00e7\u00e3o. As sementes n\u00e3o conseguem germinar no cerrado, pois n\u00e3o toleram o meio seco, levando de 8 a 10 dias em solo \u00famido. A germina\u00e7\u00e3o em condi\u00e7\u00f5es de campo teve in\u00edcio aos 75 dias e prosseguiu at\u00e9 os 392 dias, sendo bastante irregular, com cerca de 42% de germina\u00e7\u00e3o. Um per\u00edodo m\u00e9dio de 25 dias e \u00edndices m\u00e9dios de 60% de germina\u00e7\u00e3o foram obtidos. Esse comportamento parece estar ligado ao per\u00edodo de dispers\u00e3o as esp\u00e9cie, que, ocorrendo no final da \u00e9poca chuvosa, as sementes se mant\u00e9m dormentes at\u00e9 o final da seca e in\u00edcio da \u00e9poca chuvosa seguinte, para, a partir da\u00ed, ter condi\u00e7\u00f5es de germina\u00e7\u00e3o no seu ambiente natural. Se por um lado,a dorm\u00eancia \u00e9 vantajosa para a sobreviv\u00eancia das esp\u00e9cies em condi\u00e7\u00f5es naturais, uma vez que ela distribui a germina\u00e7\u00e3o ao longo do tempo ou permite que a germina\u00e7\u00e3o ocorra somente quando as condi\u00e7\u00f5es forem favor\u00e1veis \u00e0 sobreviv\u00eancia das pl\u00e2ntulas, ela \u00e9 freq\u00fcentemente prejudicial \u00e0 atividade de viveiro, onde se deseja a germina\u00e7\u00e3o de uma grande quantidade de sementes em um curto per\u00edodo de tempo.\n\nAnnona crassiflora possui semente com embri\u00e3o imaturo, por\u00e9m seu tegumento \u00e9 perme\u00e1vel \u00e0 \u00e1gua. A estratifica\u00e7\u00e3o \u00e9 recomendada para sementes com tegumento imperme\u00e1vel a gases e para as que tem embri\u00f5es imaturos.\n\nA solu\u00e7\u00e3o para quebrar a dorm\u00eancia das sementes parece estar no uso de reguladores vegetais, pois utilizando \u00e1cido giber\u00e9lico (GA3), nas doses de 500, 1000 e 2000 ppm, em associa\u00e7\u00e3o com per\u00edodos de embebi\u00e7\u00e3o (0, 3 e 6 dias), foi conseguido antecipa\u00e7\u00e3o da germina\u00e7\u00e3o para 36 dias. Foi verificado efeito do per\u00edodo de embebida\u00e7\u00e3o e da concentra\u00e7\u00e3o utilizada sobre a germina\u00e7\u00e3o, sendo significativos, havendo aumento da germina\u00e7\u00e3o com o aumento da concentra\u00e7\u00e3o de GA3 e do per\u00edodo de embebida\u00e7\u00e3o. Nos tratamentos sem GA3, n\u00e3o houve germina\u00e7\u00e3o, mostrando que a dorm\u00eancia deve-se \u00e0 falta de giberelina.\n\nDevido \u00e0 alta variabilidade gen\u00e9tica dos araticunzeiros nativos, o plantio por sementes pode originar cultivos desuniformes, com plantas de caracter\u00edsticas agron\u00f4micas bem diferentes. A enxertia promove uniformidade nas caracter\u00edsticas das plantas, frutos, bem como no desenvolvimento e produtividade. A t\u00e9cnica de enxertia parece ser a mais indicada para a propaga\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o de mudas de araticum. Estudos realizados na EMBRAPA \u0096 CPAC em Planaltina, DF, demonstraram sucesso inicial para algumas fruteiras nativas do cerrado, inclusive o araticum, onde trabalhos com enxertia do tipo garfagem \u00e0 inglesa simples, mostraram \u00edndices de pegamento superiores a 80%.\n\nOs garfos devem ser provenientes de plantas sadias e sem ataque de broca, pois ao contr\u00e1rio, possuem sua parte interna oca. Devem ser selecionados de ponteiras com tecido jovem em crescimento e desfolhados. Uma semana ap\u00f3s a retirada das folhas, garfos com 8 a 12 cm de comprimento e com di\u00e2metro semelhante a um l\u00e1pis, s\u00e3o retirados e devem ser levados o mais r\u00e1pido poss\u00edvel para a opera\u00e7\u00e3o de enxertia em porta-enxertos (cavalinhos), com di\u00e2metro compat\u00edvel ao garfo.\n\nA enxertia \u00e9 do tipo garfagem lateral ou ingl\u00eas simples, fazendo-se um corte em bisel de cerca de 4 cm na ponta do porta-enxerto e na base do garfo. O \u00e2ngulo de inclina\u00e7\u00e3o do corte deve ser o mesmo em ambos, para que a regi\u00e3o de contato fique bem unida e assim promover o pegamento do enxerto. Ap\u00f3s o encaixe do garfo com o porta-enxerto, amarra-se com fita pl\u00e1stica. A enxertia pode ser feita de outubro a abril.\n<h4>FORMA\u00c7\u00c3O DO POMAR<\/h4>\nQuando enxertadas, o plantio deve ser feito em campo somente ap\u00f3s a brota\u00e7\u00e3o das mudas (no in\u00edcio da esta\u00e7\u00e3o chuvosa), devendo apresentar as folhas maduras e procedendo uma irriga\u00e7\u00e3o para proporcionar melhor pegamento.\n\nO araticunzeiro requer solos profundos, bem drenados, n\u00e3o \u00e9 exigente em fertilidade de solo e tolera os solos \u00e1cidos da regi\u00e3o do Cerrado.\n\nO espa\u00e7amento recomendado \u00e9 de 5 a 7 metros entre linhas e de 5 a 7 metros entre plantas, para mudas n\u00e3o enxertadas, reduzindo-se o espa\u00e7amento, se as mudas forem provenientes de enxerto.\n\nA fertilidade de solos pobres n\u00e3o corrigidos anteriormente, pode ser incrementada pela adi\u00e7\u00e3o na cova no momento do plantio de 100 g de calc\u00e1rio dolom\u00edtico (PRNT=100%), 250 g de superfosfato simples, 10 g de cloreto de pot\u00e1ssio, 10 g de sulfato de zinco, 4 g de sulfato de cobre e de sulfato de mangan\u00eas, 1 g de b\u00f3rax e 0,1 g de molibidato de am\u00f4nio. Ap\u00f3s o plantio, recomenda-se tr\u00eas aduba\u00e7\u00f5es de cobertura com 25 g de sulfato de am\u00f4nio e 10 g de cloreto de pot\u00e1ssio por cova, a cada 40 dias, at\u00e9 o final do per\u00edodo chuvoso.\n\nEm solos de baixa fertilidade, recomenda-se aduba\u00e7\u00f5es anuais, a partir do primeiro ano com a dose de 150 g da f\u00f3rmula 10-10-10 e aumentando gradativamente para 300, 450, 600 e 750 g. A formula\u00e7\u00e3o deve ser acrescentada de sulfatos de zinco, cobre e mangan\u00eas em doses equivalentes a 5, 2,5 e 2,5% da f\u00f3rmula, respectivamente, parcelando as doses anuais em tr\u00eas aplica\u00e7\u00f5es de cobertura, durante o per\u00edodo chuvoso.\n\nAs \u00e1reas onde ocorreram o araticum tenderam em todas as profundidades de solo analisadas, a apresentar teores de Ca, Mg, K e Zn menores que nas \u00e1reas onde n\u00e3o ocorrem esta esp\u00e9cie. Ou seja, as \u00e1reas de ocorr\u00eancia de A. crassiflora s\u00e3o notavelmente mais pobres nestes nutrientes que nas \u00e1reas onde esta esp\u00e9cie n\u00e3o ocorre. O araticum prefere situar em solos que disp\u00f5em de quantidades em termos qu\u00edmicos com rela\u00e7\u00e3o aos nutrientes citados e tamb\u00e9m em solos com um n\u00edvel menor de alum\u00ednio.\n<h4>COLHEITA<\/h4>\nOs frutos podem ser coletados no ch\u00e3o, por\u00e9m s\u00e3o altamente perec\u00edveis nesta fase. O forte aroma caracter\u00edstico que o fruto exala, indica a certa dist\u00e2ncia, a presen\u00e7a de araticum maduro no local. O fruto tamb\u00e9m pode ser coletado \u0093de vez\u0094 na \u00e1rvore, mas \u00e9 necess\u00e1rio que haja pequenos sinais de abertura na casca.\n\n<strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 qualidade da polpa, distinguem-se dois tipos de frutos: <\/strong>o araticum de polpa r\u00f3sea, mais doce e macio e o araticum de polpa amarela, n\u00e3o muito macio e um pouco \u00e1cido. Os frutos de colora\u00e7\u00e3o de polpa amarela s\u00e3o predominantes, enquanto aqueles de colora\u00e7\u00e3o rosada, intermedi\u00e1ria. Tamb\u00e9m \u00e9 citada a ocorr\u00eancia de frutos com colora\u00e7\u00e3o de polpa branca, havendo por\u00e9m, pequena produ\u00e7\u00e3o destes. Dessa cita\u00e7\u00e3o, pode-se concluir, que h\u00e1 diferentes prog\u00eanies existentes no ambiente de ocorr\u00eancia do araticum e que por isso deve ser realizada uma sele\u00e7\u00e3o de plantas com caracter\u00edsticas agron\u00f4micas superiores, sendo propagadas de forma assexuada para manter as caracter\u00edsticas.\n\nA produ\u00e7\u00e3o inicia-se a partir do quarto ano ap\u00f3s o plantio, podendo ser antecipada para o segundo ou terceiro ano se as mudas forem enxertadas. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 irregular e em m\u00e9dia uma planta em condi\u00e7\u00f5es naturais produz de 5 a 30 frutos com peso entre 500 a 4500 g. Um fruto apresenta em m\u00e9dia de 60 a 130 sementes, apresentando um peso de 300 g\/100 sementes.\n<h4>VALOR ALIMENTAR E USOS<\/h4>\nH\u00e1 descri\u00e7\u00e3o desde o processamento da polpa do araticum, at\u00e9 os detalhes de uso, como receitas de batida, bolachas, bolos, bombom, doces, compota, cremes, gelatina, geleias, iogurte, pudim, sorvetes, sucos e outros.\n\nNa medicina popular, a infus\u00e3o das folhas e das sementes pulverizadas servem para combater a diarreia e a induzir a menstrua\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m desses usos, tem-se isolado v\u00e1rios compostos de A. crassiflora com diferentes fins de utiliza\u00e7\u00e3o.\n\nO extrato hex\u00e2nico de sementes de A. crassiflora mostrou efeito contra Ceratilis capitata. Os vegetais da fam\u00edlia Annonaceae predominaram entre aqueles que apresenta alguma atividade. Plantas da fam\u00edlia Annonaceae, possuem componentes como alcal\u00f3ides e acetogeninas com atividade contra af\u00eddeos e piolhos. A presen\u00e7a da subst\u00e2ncia acetogenina, encontrada em A. crassiflora e em outras Annonaceas, possuindo propriedade herbicida.\n\nS\u00e3o conhecidas tamb\u00e9m atividades antif\u00fangicas e antitumorosa do araticum.\n<h4>MERCADO<\/h4>\nN\u00e3o se disp\u00f5e de dados oficiais sobre quantidade e pre\u00e7o m\u00e9dio alcan\u00e7ado pelos frutos, por\u00e9m um produtor de Itarar\u00e9, SP, informou que possui plantio comercial com 2000 plantas, conseguiu na safra de 2000, pre\u00e7os de R$ 5,00\/ kg. A produ\u00e7\u00e3o \u00e9 toda comercializada na propriedade. O produtor cita o problema da irregularidade na produ\u00e7\u00e3o e a ocorr\u00eancia na mesma planta de frutos com varia\u00e7\u00e3o na colora\u00e7\u00e3o de polpa, sendo amarelo aquele mais precoce e com odor mais pronunciado. Frutos de colora\u00e7\u00e3o branca de polpa, tendem a ser mais tardios e n\u00e3o apresentar um odor t\u00e3o pronunciado.\n\nEm Padre Bernardo, GO, \u00e9 explorada comercialmente uma \u00e1rea de 300 ha de cerrado nativo e \u00e1reas de pastagens, formadas h\u00e1 40 anos, foi deixado o araticum entre outras esp\u00e9cies do cerrado. Vem ocorrendo regenera\u00e7\u00e3o natural de araticum, ao longo desse per\u00edodo. A produ\u00e7\u00e3o de frutos tem sido maior nas \u00e1reas de pasto do que nos cerrados. \u00c9 comum para os indiv\u00edduos com uma alta produ\u00e7\u00e3o de frutos num ano, apresentarem, no ano seguinte, uma redu\u00e7\u00e3o dr\u00e1stica na quantidade de frutos produzidos (altern\u00e2ncia de produ\u00e7\u00e3o). O destino da comercializa\u00e7\u00e3o tem sido Bras\u00edlia (DF) e An\u00e1polis (GO). Os compradores do araticum v\u00e3o at\u00e9 a \u00e1rea e ajudam na coleta dos frutos.\n\nA comercializa\u00e7\u00e3o dos frutos \u00e9 feita em mercados regionais, de onde sua produ\u00e7\u00e3o, quase que exclusivamente, \u00e9 provinda de \u00e1reas de cerrado nativo, sendo uma forma extrativista de utiliza\u00e7\u00e3o. Diante dessa situa\u00e7\u00e3o, torna-se necess\u00e1rio incentivar o plantio comercial do araticum, pois o extrativismo ocorrendo de forma intensa e descontrolada, poderia afetar a perpetua\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie.\n<h4>Araticum &#8211; Annona crassiflora Mart.<\/h4>\nTamb\u00e9m \u00e9 conhecido por marolo ou bruto.\n<blockquote>\u0093Aratic\u00fb he hua aruore do tamanho de laranjeira, e maior, a folha parece de cidreiras ou limoeiro, he aruore fresca, e graciosa, d\u00e1 hua fruita da fei\u00e7a\u00f5 e tamanho de pinhas, e cheira be tem arezoada gosto, e he fruita desenfastiada\u0094. Cardim, 1584 em Do clima e Terra do Brasil<\/blockquote>\n<strong>Araticum <\/strong>\u00e9 nome dado \u00e0 diversas esp\u00e9cies da fam\u00edlia Annonaceae, mesma da fruta-do-conde (Annona squamosa), conhecida tamb\u00e9m como ata ou pinha, dependendo da regi\u00e3o. Pio Corr\u00eaa relata que a primeira muda desta esp\u00e9cie foi plantada no pa\u00eds pelo Conde de Miranda, na Bahia no ano de 1626.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic22.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"372\" height=\"153\" \/>\n<strong>Figura 1\nA &#8211;<\/strong> \u00c1rvore com altura de cerca de 5 metros, com frutos maduros e de vez\n<strong>B \u0096<\/strong> ramos portando frutos\n<strong>C \u0096<\/strong> ritidoma (casca externa do tronco e ramos).<\/p>\nSegundo professor, da Universidade de Bras\u00edlia-UnB, em Guia de Campo para \u00e1rvores do cerrado, o nome araticum \u00e9 derivado do tupi, podendo significar \u00e1rvore de fibra rija e dura, fruto do c\u00e9u, saboroso, ou ainda fruto mole.\n\nTrata-se de uma \u00e1rvore (Fig. 1A), sem exsuda\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex no caule ou ao se destacar a folha, com ramos e brotos com pilosidade ferrug\u00ednea; tronco pode alcan\u00e7ar cerca de 40 cm de di\u00e2metro, o ritidoma (casca) \u00e9 bege ou cinzento, com fissuras e cristas estreitas, descont\u00ednuas e sinuosas (Fig. 1C); suas folhas s\u00e3o simples, alternas, de 5-16cm de comprimento e 3 a 12 de largura, possuem as margens lisas e nerva\u00e7\u00f5es bem marcadas na face superior; sua consist\u00eancia \u00e9 bem firme (cori\u00e1cea). Flores de at\u00e9 4cm de comprimento, com seis p\u00e9talas livres entre si, de colora\u00e7\u00e3o creme ou verde ferrug\u00ednea, consist\u00eancia carnosa, que pouco se abrem (Fig. 2A); s\u00e3o tr\u00eas p\u00e9talas maiores, dispostas externamente, e tr\u00eas menores internas; seus frutos alcan\u00e7am mais de 15 cm de di\u00e2metro e 2kg de peso, contendo muitas sementes com cerca de 1,5cm de comprimento.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic23.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"310\" height=\"155\" \/>\nFigura 2\nA &#8211;<\/strong> Flores de araticum, p\u00e9talas externas de colora\u00e7\u00e3o verde ferrug\u00ednea\n<strong>B \u0096 <\/strong>S\u00e9palas (03) de colora\u00e7\u00e3o marrom ferrug\u00edneo<\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic24.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"273\" height=\"266\" \/>\nOv\u00e1rio feminino composto por in\u00fameros carpelos soldados, as escamas j\u00e1 guardam semelhan\u00e7a com o fruto maduro.<\/strong><\/p>\nOcorre em cerrados e cerrad\u00f5es, ao longo de todo o bioma Cerrado.\n\nSua flora\u00e7\u00e3o se d\u00e1 predominantemente de setembro a janeiro e frutifica de outubro a abril (principalmente de fevereiro a mar\u00e7o), sendo a dispers\u00e3o das sementes realizada pela pr\u00f3pria gravidade ou por animais. Na Caatinga foi constatada a dispers\u00e3o de araticum (Annona coriaceae) por formigas (Pheidole sp.) e no Mato Grosso, sementes (A. crassiflora) foram encontradas nas fezes da rapozinha-do-campo (Lycalopex vetulus), o menor can\u00eddeo das Am\u00e9ricas, mesmo em \u00e1rea sem a ocorr\u00eancia da \u00e1rvore. Um quilo cont\u00e9m aproximadamente 1400 sementes, que perdem rapidamente a viabilidade se armazenadas.\n\nA germina\u00e7\u00e3o do Araticum pode ser antecipada em at\u00e9 36 dias e concentrada em at\u00e9 3 meses ap\u00f3s a semeadura, com o uso de \u00e1cido giber\u00e9lico (GA3).\n\nRecomenda-se colocar as sementes imersas numa solu\u00e7\u00e3o contendo 1g de \u00c1cido giber\u00e9lico por litro de \u00e1gua, por um per\u00edodo de 24h, antes da semeadura (Melo, 1993, apud Silva et al. 2001)\n\nQuando aberto, o fruto oferece uma polpa cremosa de odor e sabor bem fortes e caracter\u00edsticos. A polpa pode ser consumida ao natural ou na forma de batidas, bolos, biscoitos e bolachas, picol\u00e9s, sorvetes, gel\u00e9ias e diversos doces.\n<blockquote>\u0093Pois, v\u00e1rias viagens, ele veio ao Curralinho, vender bois e mais outros neg\u00f3cios \u0096 e trazia para mim caixetas de doce de buriti ou de aratic\u00fam, requeij\u00e3o e marmeladas.\u0094 Guimar\u00e3es Rosa em Grande sert\u00e3o: veredas, pg. 115.<\/blockquote>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Araticum\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/aaratic25.jpg\" alt=\"Araticum\" width=\"293\" height=\"208\" \/><strong>\nAraticum<\/strong><\/p>\n\n<h4>Utiliza\u00e7\u00e3o medicinal do Araticum<\/h4>\n<table border=\"0\" width=\"64%\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"24%\" height=\"18\"><strong>Indica\u00e7\u00f5es<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"14%\"><strong>Parte usada<\/strong><\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFCC\" width=\"62%\"><strong>Preparo e dosagem<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\" height=\"50\">diarr\u00e9ia cr\u00f4nica<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\">sementes<\/td>\n<td align=\"center\" bgcolor=\"#FFFFFF\"><strong>Infuso ou cozimento:<\/strong> 1 colher de sopa de sementes raladas ou picadas para 1 litro de \u00e1gua. Tomar de 3 a 6 colheres de sopa do ch\u00e1 ao dia.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<strong>Fernando Tatagiba<\/strong>\n\n<strong>Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas <\/strong>\n\nAgostini-Costa, T. &amp; Vieira, R.F. Frutas nativas do cerrado: qualidade nutricional e sabor\nAlmeida, S.P. 1998. Cerrado: Aproveitamento Alimentar. Planaltina: EMBRAPA-CPAC. 188p.\nAlmeida, S.P.; Proen\u00e7a, C.E.B.; Sano, S.M.; Ribeiro, J.F. , 1998. Cerrado: esp\u00e9cies vegetais \u00fateis. Planaltina: EMPRAPA-CEPAC.\nAltiplano. Frutos do Cerrado: Aliados da Sa\u00fade.\nAlves Filho, M. 2005. Pesquisadores mapeiam propriedades funcionais de frutas nativas do Cerrado. Jornal da Unicamp.\nAttuch, I.M. 2006. Conhecimentos Tradicionais do Cerrado: sobre a mem\u00f3ria de Dona Flor, raizeira e parteira. Disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Antropologia Social pela Universidade de Bras\u00edlia, UnB.\nBettiol Neto, J. E. et al. 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Rede de Sementes do Cerrado, 278p.\nSilva, D.B. da; et al., 2001. Frutas do Cerrado. Bras\u00edlia: Emprapa Informa\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica.\nSirtoli, L.F. et al. Supera\u00e7\u00e3o de Dorm\u00eancia em sementes de araticum-cag\u00e3o (Anona cacan Wern.).\nWWF \u0096 Not\u00edcias. Aproveitamento de frutos estimula a conserva\u00e7\u00e3o do cerrado. www.wwf.org.br\/natureza_brasileira\/meio_ambiente_brasil\/educacao\/\neducacacao_news\/index.cfm?uNewsID=1480\n\nFonte: globoruraltv.globo.com\/www.sitecurupira.com.br\/www.uritins.br\/www.biologo.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Araticum, Fruto, Planta, \u00c1rvore, Cerrado, Origem, Utilidade, Composi\u00e7\u00e3o, Tabela, Valor, Benef\u00edcios, Uso, Polpa, Caracter\u00edstica, Araticum<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":24045,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"class_list":["post-27053","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Araticum - 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