{"id":26915,"date":"2016-01-19T00:00:00","date_gmt":"2016-01-19T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teseu-2\/"},"modified":"2026-09-01T18:07:36","modified_gmt":"2026-09-01T18:07:36","slug":"teseu-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teseu-2\/","title":{"rendered":"Teseu"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/teseu-01.jpg\" alt=\"Teseu\" title=\"Teseu\" \/><\/p>\n   \n<h4>TESEU E O MINOTAURO<\/h4>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0era      filho do rei ateniense Egeu. Ele passou a juventude na terra natal de sua      m\u00e3e, no sul da Gr\u00e9cia.<\/p>\n   \n<p>Anos      antes de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0ir      para Atenas, uma trag\u00e9dia terr\u00edvel havia abalado aquela cidade. Mino, o poderoso      ditador de Creta, havia perdido seu \u00fanico filho, quando o jovem se encontrava      em Atenas. Como vingan\u00e7a, Mino invadiu o pa\u00eds, sitiou Atenas, e declarou que      destruiria completamente a cidade, a menos que a cada nove anos, sete donzelas      e sete mo\u00e7os fossem oferecidos a ele, em tributo. Um destino assustador aguardava      essas pobres criaturas. Quando chegavam a Creta, eles eram dados ao Minotauro      para que os devorassem.<\/p>\n   \n<p>O      Minotauro era um monstro, metade touro, metade homem, fruto do relacionamento      da esposa de Mino, Pasifae, com um touro extremamente bonito. Poss\u00eaidon havia      dado o tal touro a Mino, para que ele o sacrificasse em sua homenagem, mas      Mino n\u00e3o suportou sacrific\u00e1-lo e ficou com o animal. Para puni-lo, Poss\u00eaidon      fez com que Pasifae se apaixonasse perdidamente pelo touro.<\/p>\n   \n<p>Quando o Minotauro nasceu, Mino n\u00e3o o matou. Ele pediu a D\u00e9dalo, um grande      arquiteto e inventor, que constru\u00edsse um lugar onde o Minotauro pudesse ficar      aprisionado e de onde nunca escaparia. D\u00e9dalo construiu, ent\u00e3o, o Labirinto,      que se tornou conhecido em todo o mundo. <\/p>\n   \n<p>Uma vez dentro do Labirinto, uma pessoa poderia andar exaustivamente pelos      caminhos cheios de voltas, sem nunca encontrar a sa\u00edda. Os jovens atenienses      eram levados para esse lugar e abandonados diante do Minotauro. N\u00e3o havia      como escapar. <\/p>\n   \n<p>Em qualquer dire\u00e7\u00e3o que corressem, eles poderiam estar indo exatamente em      dire\u00e7\u00e3o ao monstro; se ficassem parados, a qualquer momento o Minotauro poderia      emergir do meio do labirinto.<\/p>\n   \n<p>Era      essa a senten\u00e7a que aguardava 14 mo\u00e7os e donzelas alguns dias antes de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0desembarcar      em Atenas. Havia chegado a \u00e9poca de pagar novo tributo.<\/p>\n   \n<p>Imediatamente\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0apresentou-se      e se ofereceu para ser uma das v\u00edtimas. Todos gostavam dele por causa de sua      bondade e o admiravam por sua nobreza, mas n\u00e3o sabiam que ele pretendia matar      o Minotauro.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0prometeu      a seu pai que se seu plano desse certo, ele trocaria as velas pretas (que      o navio geralmente carregava em sinal de luto pelos jovens que eram levados      \u00e0 Creta) por outras, de cor branca, para que Egeu soubesse com anteced\u00eancia      que o filho dele estava a salvo.<\/p>\n   \n<p>Quando      as jovens v\u00edtimas chegaram em Creta, desfilaram diante dos habitantes da ilha,      a caminho do Labirinto. A filha de Mino, Ariadne, estava entre os espectadores      e se apaixonou por\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0assim      que o viu. Ela procurou D\u00e9dalo e lhe disse que precisava saber o que uma pessoa      deveria fazer para conseguir sair do Labirinto. Ent\u00e3o Ariadne procurou\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0e      disse que o ajudaria a escapar, caso ele prometesse lev\u00e1-la de volta para      Atenas e casar-se com ela.<\/p>\n   \n<p><strong>Como era de se esperar, ele n\u00e3o recusou a proposta, e Ariadne deu      a ele a dica que tinha conseguido com D\u00e9dalo:<\/strong>\u00a0um novelo      de linha, que ele deveria amarrar em uma sa\u00edda, no lado de dentro da porta,      e ir desenrolando \u00e0 medida que fosse caminhando. <\/p>\n   \n<p>Foi o que ele fez e, certo de que seria capaz de voltar pelo mesmo caminho      quando quisesse, percorreu o Labirinto, confiante, procurando pelo Minotauro.\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0encontrou      o Minotauro dormindo e o atacou, imobilizando-o no ch\u00e3o e &#8211; n\u00e3o tendo outra      arma &#8211; espancou o monstro com suas m\u00e3os at\u00e9 a morte.<\/p>\n   \n<p><b>Como      um carvalho que cai em uma encosta<br \/>\n     Esmagando tudo o que encontra ao seu redor<br \/>\n     Assim \u00e9 Teseu. Ele retira lentamente a vida<br \/>\n     A vida cruel de um animal, agora preso \u00e0 morte<br \/>\n     A cabe\u00e7a deslizando no ch\u00e3o e os chifres sem utilidade alguma.<\/b><\/p>\n   \n<p>Quando\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0se      levantou daquela grande luta, o novelo de linha estava no mesmo lugar onde      ele o havia deixado. Com o novelo em suas m\u00e3os, o caminho era claro. Os outros      acompanharam tudo e, levando com eles Ariadne, abandonaram a ilha e embarcaram      no navio, rumo a Atenas.<\/p>\n   \n<p>No caminho para Atenas, eles atracaram na ilha de Naxos, e o que aconteceu,      ent\u00e3o, \u00e9 contado de diferentes maneiras. Uma das vers\u00f5es diz que\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0abandonou      Ariadne. Ela dormiu e ele foi embora sem ela, mas o deus Dion\u00edsio a encontrou      e a confortou. <\/p>\n   \n<p>A outra vers\u00e3o \u00e9 bem mais favor\u00e1vel a\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.      Ariadne estava com muito enj\u00f4o por causa do movimento do mar, e ele a deixou      na beira da praia para que ela pudesse se recuperar, enquanto voltou ao barco      para fazer alguns reparos. Um vento muito violento carregou o barco para o      mar e o manteve l\u00e1 por bastante tempo. Quando\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0voltou,      encontrou Ariadne morta, e ficou completamente desesperado.<\/p>\n   \n<p>As      duas hist\u00f3rias concordam na vers\u00e3o do acontecido quando eles se aproximaram      de Atenas.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0se esqueceu de erguer a vela branca. Ou      sua alegria por causa do sucesso ou sua tristeza por Ariadne fizeram com que      ele se esquecesse de todas as outras coisas. A vela de cor preta foi vista      por seu pai, o Rei Egeu, da Acr\u00f3pole, de onde ele tinha observado o mar por      v\u00e1rios dias, com as vistas j\u00e1 cansadas. <\/p>\n   \n<p>Para ele, aquele era o sinal de que seu filho estava morto, e ele se lan\u00e7ou      de uma elevado rochedo no mar e morreu. Desde ent\u00e3o, o mar no qual ele caiu      foi chamado de Egeu.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0se      tornou, ent\u00e3o, o rei de Atenas, e foi o mais s\u00e1bio e o mais desinteressado      dos reis.<\/p>\n   \n<p>Fonte: www.letras.ufmg.br<\/p>\n   \n<h6>Teseu<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<p><strong>Quanto \u00e0 genalogia do her\u00f3i ateniense observa-se em suas veias o      sangue divino de tr\u00eas deuses:<\/strong>\u00a0descende longinquamente      de Zeus, est\u00e1 &#8220;bem mais pr\u00f3ximo&#8221; de Hefesto e \u00e9 filho de Pos\u00eddon.<\/p>\n   \n<p>Her\u00f3i      essencialmente de Atenas,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0\u00e9      o H\u00e9racles da \u00c1tica. Tendo vivido, consoante os mit\u00f3grafos, uma gera\u00e7\u00e3o antes      da Guerra de Tr\u00f3ia, dois de seus filhos, Demofoonte e \u00c1camas, participaram      da mesma.<\/p>\n   \n<p><strong>Bem      mais jovem que o filho de Alcmena, foi-lhe, no entanto, associado em duas      grandes expedi\u00e7\u00f5es coletivas:<\/strong>\u00a0a      busca do Velocino de Ouro e a guerra contra as Amazonas.<\/p>\n   \n<h4><strong>Nascimento<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Como todo her\u00f3i, &#8220;o filho de Pos\u00eddon&#8221; teve uma origem deveras complicada.      Segundo o mito, Egeu, rei de Atenas, n\u00e3o conseguindo ter um filho com v\u00e1rias      esposas sucessivas, dirigiu-se a Delfos para consultar Apolo. A P\u00edtia respondeu-lhe      com um or\u00e1culo tipicamente &#8216;L\u00f3xias&#8217;, proibindo-lhe &#8220;desatar a boca do      odre antes de chegar a Atenas&#8221;. <\/p>\n   \n<p>N\u00e3o tendo conseguido decifrar o enigma, Egeu decidiu passar por Trezena,      cidade da Arg\u00f3lida, onde reinava o s\u00e1bio Piteu. Foi no decorrer do percurso      Delfos-trezena que o rei de Atenas aportou em Corinto, exatamente no momento      em que Med\u00e9ia, no relato de Eur\u00edpedes, Med\u00e9ia, j\u00e1 decidida a matar Creonte,      a princesa Cre\u00fasa e os pr\u00f3prios filhos, mas sem saber para onde fugir, resolveu      tomar a decis\u00e3o tremenda. <\/p>\n   \n<p>\u00c9 que tendo recebido do rei de Atenas a promessa de asilo, em troca de &#8220;faz\u00ea-lo      gerar uma descend\u00eancia, por meio de determinados filtros&#8221;, a desventurada      esposa de Jas\u00e3o encontrou, afinal, a sa\u00edda t\u00e3o ansiosamente esperada.<\/p>\n   \n<p><strong>Eis      suas palavras de j\u00fabilo, ap\u00f3s o juramento do soberano da cidade de Palas Atena:<\/strong><\/p>\n   \n<p>Oh      Zeus, \u00f3 Justi\u00e7a de Zeus, \u00f3 luz de H\u00e9lio! Agora, amigas, bela vit\u00f3ria teremos      sobre meus inimigos, e j\u00e1 estamos a caminho.<\/p>\n   \n<p><strong>Agora      tenho esperan\u00e7a de que meus advers\u00e1rios ser\u00e3o castigados:<\/strong>\u00a0este      homem surgiu quando est\u00e1vamos a ponto de naufragar, como porto seguro de minhas      resolu\u00e7\u00f5es, porto em que ataremos as cordas da popa, quando chegarmos \u00e0 cidade      e \u00e0 acr\u00f3pole de Palas.<\/p>\n   \n<p>Egeu      haveria de lamentar, um pouco mais tarde, como se ver\u00e1, o asilo inviol\u00e1vel      prometido \u00e0 m\u00e1gica da C\u00f3lquida.<\/p>\n   \n<p>De      Corinto o rei de Atenas navegou diretamente para Trezena. Piteu, ap\u00f3s ouvir      a recomenda\u00e7\u00e3o da P\u00edtia, compreendeu-lhe, de imediato, a mensagem. Embriagou      o h\u00f3spede e, mandando lev\u00e1-lo para o leito, p\u00f4s junto dele sua filha Etra.<\/p>\n   \n<p><strong>Acontece,      todavia, que na mesma noite em que passara ao lado do rei de Atenas, a princesa      tivera um sonho:<\/strong>\u00a0aparecera-lhe      Atena, ordenando-lhe que fosse a uma ilha bem pr\u00f3xima do pal\u00e1cio real, a fim      de oferecer-lhe um sacrif\u00edcio. Ali lhe surgiu pela frente o deus Pos\u00eddon,      que fez dela sua mulher. Foi desse encontro, nas horas caladas da noite, que      Etra ficou gr\u00e1vida de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>,      que o rei de Atenas sempre pensou tratar-se de um filho seu.<\/p>\n   \n<p>Temendo seus sobrinhos, os pal\u00e2ntidas, que lhe disputavam a sucess\u00e3o, o rei,      ap\u00f3s o nascimento de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>, se preparou para      retornar a Atenas, deixando o filho aos cuidados do av\u00f4, o s\u00e1brio Piteu e      a um grande pedagogo, C\u00f4nidas, ao qual os atenienses, \u00e0 \u00e9poca hist\u00f3rica, sacrificavam      um carneiro, \u00e0s v\u00e9speras das (These\u00eea), festas solenes em honra de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.    <\/p>\n   \n<p>Antes de partir, entretanto, escondeu ritualmente, sob enorme rochedo, sua      espada e sand\u00e1lias, recomendando a Etra que, t\u00e3o logo o menino alcan\u00e7asse      a adolesc\u00eancia, se fosse suficientemente forte para erguer a rocha, retirasse      os objetos escondidos e o procurasse em Atenas.<\/p>\n   \n<p>P.      Diel oferece, ao nosso ver, magn\u00edfica interpreta\u00e7\u00e3o dessa primeira prova inici\u00e1tica      a que ser\u00e1 submetido o furuto soberano da \u00c1tica.<\/p>\n   \n<p><strong>Depois      de ponderar que, como filho de Pos\u00eddon, no plano m\u00edtico, Teseu percorria o      roteiro tr\u00e1gico de todo her\u00f3i, afirma o mestre franc\u00eas:<\/strong><\/p>\n   \n<p>&#8220;Teseu n\u00e3o seria, por conseguinte, um her\u00f3i, se porventura sucumbisse      sem lutar, se n\u00e3o tivesse uma firme disposi\u00e7\u00e3o espiritual, se o esp\u00edrito,      sob forma positiva, n\u00e3o fosse igualmente seu pai m\u00edtico. Lega a seu filho      as ins\u00edgnias da sublimidade e da espiritualidade. <\/p>\n   \n<p>Obrigado a retornar a Atenas, esconde sob um rochedo sua espada (a arma do      her\u00f3i, combatente espiritual) e suas sand\u00e1lias (cuja fun\u00e7\u00e3o, na marcha atrav\u00e9s      da vida, \u00e9 &#8220;armar&#8221;, proteger o p\u00e9, s\u00edmbolo da alma).<\/p>\n    \n<p class=\"imagem\">Atingida      a adolesc\u00eancia, Teseu se mostrou capaz de seguir o apelo do esp\u00edrito. O entusiasmo      da juventude lhe assegurou for\u00e7a suficiente para erguer a rocha, configura\u00e7\u00e3o      do peso esmagador da terra (desejo tel\u00farico). Empunhou a espada, cal\u00e7ou as      sand\u00e1lias e foi ao encontro do pai, seu &#8220;pai corporal&#8221; e igualmente      seu pai m\u00edtico. O her\u00f3i partiu em busca do esp\u00edrito&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Na      realidade, t\u00e3ologo atingiu a adolesc\u00eancia, ap\u00f3s oferecer, segundo o costume,      parte de seu cabelo a Apolo, em Delfos, o jovem foi informado por Etra do      segredo de seu nascimento e do esconderijo das sand\u00e1lias e da espada paterna.      Sem dificuldade alguma, como Artur ou Sigmund, que arrancavam sua Nothung,      a (espada) &#8220;necess\u00e1ria&#8221;, de uma pedra ou de uma \u00e1rvore, o her\u00f3i      ateniense ergueu a rocha e retirou os objetos &#8220;necess\u00e1rios&#8221; para      as provas que iriam come\u00e7ar.<\/p>\n   \n<p>Aconselhado      pela m\u00e3e e pelo av\u00f4 a dirigir-se a Atenas por mar,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0preferiu      a rota terrestre, ao longo do Istmo de Corinto, infestado de bandidos, uma      vez que, com o ex\u00edlio de H\u00e9racles na L\u00eddia, junto a \u00d4nfale, salteadores e      fac\u00ednoras at\u00e9 ent\u00e3o camuflados, haviam retomado suas atividades. Competia,      pois, ao her\u00f3i \u00e1tico reiniciar a luta para &#8220;libertar-se&#8221; e libertar      a Gr\u00e9cia de tantos monstros.<\/p>\n   \n<h4><strong>A Caminho de Atenas<\/strong><\/h4>\n   \n<p>O      primeiro grande encontro foi com Perifetes, um malfeitor cruel, filho de Hefesto      e Anticl\u00e9ia. Coxo, apoiava-se numa muleta ou clava de bronze com que atacava      os peregrinos que se dirigiam a Epidauro.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0o      matou e fez da clava uma arma terr\u00edvel na elimina\u00e7\u00e3o de tantos outros bandidos      que encontraria pela vida.<\/p>\n   \n<p><strong>Comentando esta primeira vit\u00f3ria do filho de Pos\u00eddon, Paul Diel faz      uma observa\u00e7\u00e3o deveras interessante:<\/strong>\u00a0&#8220;esta arma      simb\u00f3lica, a ma\u00e7a de Perifetes, est\u00e1 destinada a exercer uma fun\u00e7\u00e3o precisa      na hist\u00f3ria de Teseu. \u00c9 necess\u00e1rio lembrar que o esmagamento sob o peso da      terra, de que a clava \u00e9 uma forma de express\u00e3o, pode significar tanto a ru\u00edna      devida \u00e0 perversidade quanto sua puni\u00e7\u00e3o legal. <\/p>\n   \n<p>A ma\u00e7a na m\u00e3o do criminoso \u00e9 a configura\u00e7\u00e3o da perversidade destruidora;      manejada pelo her\u00f3i, converte-se em s\u00edmbolo da destrui\u00e7\u00e3o e da perversidade.      De posse da arma do malfeitor, Teseu a usar\u00e1 com mais frequ\u00eancia que a espada      recebida de Egeu. <\/p>\n   \n<p>A clava de Perifetes, por\u00e9m, n\u00e3o poder\u00e1 jamais substituir legitimamente a      arma &#8220;outorgada pela divindade&#8221;. Embora nas m\u00e3os de um her\u00f3i, ela      continua a ser uma transforma\u00e7\u00e3o da brutalidade. A troca de arma \u00e9 o primeiro      sinal de uma transforma\u00e7\u00e3o secreta que toma corpo na atitude do filho de Etra.    <\/p>\n   \n<p>A vit\u00f3ria sobre o assassino de Epidauro traduz a advert\u00eancia ainda latente      de que a liga\u00e7\u00e3o filial com Pos\u00eddon n\u00e3o tardar\u00e1 a manifestar-se. De outro      lado, tamb\u00e9m Perifetes \u00e9 filho de Pos\u00eddon. Teseu vence e mata, por conseguinte,      seu irm\u00e3o m\u00edtico e simb\u00f3lico; triunfa de seu pr\u00f3prio perigo, mas sua vit\u00f3ria      permanece incompleta. Apossando-se da arma do assassino, prepara-se para exercer      o papel do vencido.<\/p>\n   \n<p><strong>A      vit\u00f3ria sobre Pefifetes, como o pr\u00f3prio nome indica, \u00e9 a perip\u00e9cia da vida      de Teseu:<\/strong>\u00a0esse      triunfo marca o princ\u00edpio da ru\u00edna do her\u00f3i.<\/p>\n   \n<p>O sengundo encontro vitorioso do filho de Etra foi com o perigoso e cruel      gigante S\u00ednis que, com m\u00fasculos de a\u00e7o, vergava o tronco de um pinheiro at\u00e9      o solo e obrigava os que lhe ca\u00edam nas m\u00e3os a mant\u00ea-lo neste estado. <\/p>\n   \n<p>Vencidos pela retra\u00e7\u00e3o violenta da \u00e1rvore, os infelizes eram lan\u00e7ados a grande      dist\u00e2ncia, caindo despeda\u00e7\u00e3dos. N\u00e3o raro, S\u00ednis vergava duas \u00e1rvores de uma      s\u00f3 vez e amarrava a cabe\u00e7a do condenado \u00e0 copa de uma delas e os p\u00e9s \u00e0 outra,      fazendo a v\u00edtima dilacerar-se.<\/p>\n   \n<p>Submetido      \u00e0 primeira prova,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0vergou      o pinheiro com tanta for\u00e7a, que lhe quebrou o tronco; e depois subjugou S\u00ednis,      amarrou-o e o submeteu \u00e0 segunda prova, despeda\u00e7ando-o no ar.<\/p>\n   \n<p>Em      honra do arqueador de pinheiros, como lhe chama Arist\u00f3teles, que era igualmente      filho de Pos\u00eddon,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0teria      institu\u00eddo os Jogos Istmicos, considerados como os ag\u00f4nes f\u00fanebres de S\u00ednis.<\/p>\n   \n<p>Acrescente-se      que ssa personagem tinha uma filha, chamada Perigune, que se escondera numa      planta\u00e7\u00e3o de aspargo, enquanto seu pai lutava com\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.<\/p>\n   \n<p>Unindo-se,      depois, ao her\u00f3i ateniense, foi m\u00e3e de Melanipo, que, por sua vez, foi pai      de Ioxo, cujos descendentes tinham devo\u00e7\u00e3o particular pelos aspargos, aos      quais, afinal das contas, deviam o fato de &#8220;ter nascido&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Prosseguindo      em sua caminhada, o jovem her\u00f3i enfrentou a monstruosa e antrop\u00f3faga Porca      de Cr\u00f4mion, filha de Tif\u00e3o e \u00c9quidna e que se chamava F\u00e9ia, nome de uma velha      bruxa que a criara e alimentava. O filho de Egeu a eliminou com um golpe de      espada.<\/p>\n   \n<p>Consoante Chevalier e Gheerbrant, a Porca \u00e9 o s\u00edmbolo da fecundidade e da      abund\u00e2ncia, rivalizando, sob esse aspecto, com a vaca. Divindade sel\u00eanica,      a Porca \u00e9 a m\u00e3e de todos os astros, que ela devora e devolve alternadamente,      se s\u00e3o diurnos ou noturnos, para permitir-lhes viajar pela ab\u00f3bada celeste.    <\/p>\n   \n<p>Desse modo, engole as estrelas, ao aproximar-se a aurora e as pare novamente      ao crep\u00fasculo, agindo de maneira inversa com seu filho,o sol. V\u00edtima predileta      de Dem\u00e9ter, a Porca simboliza o princ\u00edpio feminino, reduzido \u00e0 sua \u00fanica prerrogativa      de reprodu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>No      caso em pauta, a Porca de Cr\u00f4mion configura o princ\u00edpio feminino devorador.<\/p>\n   \n<p>Tendo      chegado \u00e0s Rochas Cir\u00f4nicas,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0enfrentou      o assassino e perverso Cir\u00e3o. Filho de P\u00e9lops ou Pos\u00eddon, segundo alguns mit\u00f3grafos,      instalou-se estrategicamente \u00e0 beira-mar, nas terras de M\u00e9gara, nos denominados      Rochedos Cir\u00f4nicos, por onde passava a estrada, ladeando a costa; obrigava      os transeuntes a lavarem-lhe os p\u00e9s e depois os precipitava no mar, onde eram      devorados por monstruosa tartaruga.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>,      em vez de lavar-lhe os p\u00e9s, o enfrentou vitoriosamente e jogou-lhe o cad\u00e1ver      nas ondas, para ser devorado pela tartaruga gigante.<\/p>\n   \n<p>Existe      uma variante, segundo a qual Cir\u00e3o era filho n\u00e3o de P\u00e9lops ou Pos\u00eddon, mas      de Caneto e Hen\u00edoque, filha de Piteu. Nesse caso, Cir\u00e3o e\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0eram      primos germanos. Supunha-se por isso mesmo, que, para expiar esse crime, Teseu      fundara, n\u00e3o em honra de S\u00ednis, mas em mem\u00f3ria do primo, os Jogos \u00cdstmicos.<\/p>\n   \n<p><strong>Para Paul Diel, Cir\u00e3o \u00e9 um s\u00edmbolo muito forte:<\/strong>\u00a0&#8220;Esse      gigante monstruoso obrigava os que lhe ca\u00edam \u00e0s m\u00e3os, os viajantes (da vida),      a lavar-lhe os p\u00e9s, isto \u00e9, for\u00e7ava-os \u00e0 servid\u00e3o humilhante, na qual a banaliza\u00e7\u00e3o      mant\u00e9m os vencidos. <\/p>\n   \n<p>O homem, escravo da banaliza\u00e7\u00e3o, \u00e9 for\u00e7ado a servir ao corpo, e a exig\u00eancia      de Cir\u00e3o simboliza esta servid\u00e3o em seu aspecto mais humilhante. &#8220;Lavar      os p\u00e9s&#8221; \u00e9 um s\u00edmbolo de purifica\u00e7\u00e3o. Mas esse ato de purificar a alma      morta do monstro banal (banaliza\u00e7\u00e3o &#8211; morte da alma), em vez de significar      uma autopurifica\u00e7\u00e3o, vale apenas como um trabalho insensato, simples pretexto      para elimina\u00e7\u00e3o da v\u00edtima.<\/p>\n   \n<p>O      monstro (a banaliza\u00e7\u00e3o), sentado no topo de um rochedo, enquanto sua infeliz      v\u00edtima est\u00e1 absorvida na tarefa humilhante, precipita-a no abismo do mar profundo,      onde est\u00e1 devorada por gigantesca tartaruga. O rochedo e os abismos marinhos      s\u00e3o s\u00edmbolos j\u00e1 suficientemnte explicados. Quanto \u00e0 tartaruga, seu tra\u00e7o mais      caracter\u00edstico \u00e9 a lentid\u00e3o de movimentos.<\/p>\n   \n<p><strong>Imaginada      como monstruosa e devoradora, retrata o aspecto que \u00e9 insepar\u00e1vel da agita\u00e7\u00e3o      banalmente ambiciosa:<\/strong>\u00a0o      amortecimento de qualquer aspira\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n   \n<p>A      quinta e arriscada tarefa de Teseu foi a luta com o sanguin\u00e1rio Damastes ou      Polip\u00eamon, apelidado Procrusto, isto \u00e9, &#8220;aquele que estica&#8221;.<\/p>\n   \n<p><strong>O criminoso assassino usava de uma &#8220;t\u00e9cnica&#8221; singular com      suas v\u00edtimas:<\/strong>\u00a0deitava-as em um dos dois leitos de ferro      que possu\u00eda, cortando os p\u00e9s dos que ultrapassavam a cama pequena ou distendia      violentamente as pernas dos que n\u00e3o preenchiam o comprimento do leito maior.    <\/p>\n   \n<p>O her\u00f3i \u00e1tico deu-lhe combate e o matou, preparando-se par a sexta vit\u00f3ria      contra o her\u00f3i eleusino C\u00e9rcion, filho de Pos\u00eddon ou de Hefesto e de uma filha      de Anf\u00edction. O gigante de El\u00eausis obrigava os transeuntes a lutarem com ele      e, dotado de for\u00e7a gigantesca, sempre os vencia e matava.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu      o enfrentou:<\/strong>\u00a0levantou-o      no ar e, lan\u00e7ando-o violentamente no solo, o esmagou.<\/p>\n   \n<p><strong>C\u00e9rcion \u00e9 apenas mais um primo liquidado por Teseu, mas Procrusto      merece um ligeiro coment\u00e1rio:<\/strong>\u00a0reduzindo suas v\u00edtimas      \u00e0s dimens\u00f5es que desejava, o &#8220;monstro de El\u00eausis&#8221; simboliza &#8220;a      banaliza\u00e7\u00e3o, a redu\u00e7\u00e3o da alma a um acerta medida convencional&#8221;. Trata-se,      no fundo, como asseveram, com propriedade, Chevalier e Gheerbrant, da pervers\u00e3o      do ideal em conformismo. <\/p>\n   \n<p>Procrusto configura a tirania \u00e9tica e intelectual exercida por pessoas que      n\u00e3o toleram e nem aceitam as a\u00e7\u00f5es e os julgamentos alheios, a n\u00e3o ser para      concordar. Temos, assim, nessa personagem sanguin\u00e1ria, a imagem do poder absoluto,      quer se trate de um homem, de um partido ou de um regime pol\u00edtico.<\/p>\n   \n<p>Vencida a primeira etapa, derrotados os monstros que a ele se opuseram, do      Istmo de Corinto a El\u00eausis, o her\u00f3i chegou aos arredores de Atenas. Com tanto      sangue parental derramado, Teseu dirigiu-se para as margens do rio Cefiso,      o pai de Narciso, onde foi purificado pelos Fit\u00e1lidas, os ilustres descendents      de um her\u00f3i ep\u00f4nimo ateniense, F\u00edtalo. <\/p>\n   \n<p>Coberto com uma luxuosa t\u00fanica branca e com cabelos cuidadosamente penteados,      o her\u00f3i foi posto em rid\u00edculo por alguns pedreiros que trabalhavam no templo      de Apolo Delf\u00ednio. Sem dizer palavra, Teseu ergueu um carro de bois e atirou-o      contra os oper\u00e1rios.<\/p>\n   \n<p>Feito      isso, penetrou inc\u00f3gnito na sede de seu futuro reino, mas, apesar de n\u00e3o se      ter identificado, precedia-o uma grande reputa\u00e7\u00e3o de destruidor de monstros,      pelo que o rei temeu por sua seguran\u00e7a, pois que Atenas vivia dias confusos      e dif\u00edceis.<\/p>\n   \n<p><strong>Med\u00e9ia,      que se exilara na cidade, com o fito de dar a Egeu uma &#8220;bela descend\u00eancia&#8221;,      fizera uso de filtros diferentes:<\/strong>\u00a0casara-se      com o rei e propriamente se apossara das r\u00e9deas do governo.<\/p>\n   \n<p>Percebendo      logo de quem se tratava, a m\u00e1gica da C\u00f3lquida, se dar conhecimento a Egeu      de quanto sabia, mas, pelo contr\u00e1rio, procurando alimentar-lhe o medo com      uma rede de intrigas em torno do rec\u00e9m-chegado, facilmente o convenceu a eliminar      o &#8220;perigoso estrangeiro&#8221;, durante um banquete que lhe seria oferecido.<\/p>\n   \n<p>Com      pleno assentimento do marido, Med\u00e9ia preparou uma ta\u00e7a de veneno e colocou-a      no lugar reservado ao h\u00f3spede.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>,      que ignorava a perf\u00eddia da madrasta, mas querendo dar-se a conhecer de uma      vez ao pai, puxou da espada, como se fosse para cortar a carne, e foi, de      imediato, reconhecido por Egeu. Este entornou o veneno preparado pela esposa,      abra\u00e7ou o filho diante de todos os convivas e proclamou-o seu sucessor.<\/p>\n   \n<p>Quanto      a Med\u00e9ia, ap\u00f3s ser repudiada publicamente, mas uma vez foi execrada e exilada,      dessa feita para a C\u00f3lquida.<\/p>\n   \n<p>Existe      uma variante, certamente devida aos tr\u00e1gicos, no que se refere ao reconhecimento      de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0pelo      pai. Conta-se que, antes de tentar o envenenamento do enteado, Med\u00e9ia o mandou      capturar o touro gigantesco que assoalva a plan\u00edcie de Maratona e que n\u00e3o      era outro sen\u00e3o o c\u00e9lebre Touro de Creta, objeto do s\u00e9timo trabalho de H\u00e9racles.<\/p>\n   \n<p>Apesar      da ferocidade do animal, que lan\u00e7ava chamas pelas narinas, o her\u00f3i o capturou      e, trazendo-o peado para Atenas, ofereceu-o em sacrif\u00edcio a Apolo Delf\u00ednio.      Ao puxar a espada para cortar os p\u00ealos da fronte do animal, com estipulavam      os ritos de consagra\u00e7\u00e3o, foi reconhecido pelo pai.<\/p>\n   \n<p><strong>O      epis\u00f3dio da captura do Touro de Maratona \u00e9 significativo para Diel:<\/strong>\u00a0capturando      e matando o animal, s\u00edmbolo da domina\u00e7\u00e3o perversa,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0d\u00e1      provas de que pode governar e, por isso mesmo, \u00e9 convidado a compartilhar      do trono com Egeu, &#8220;seu pai corporal, s\u00edmbolo do esp\u00edrito&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Foi      durante a ca\u00e7ada desse touro que se passou a est\u00f3ria de H\u00e9cale. H\u00e9cale era      uma anci\u00e3, que habitava o campo e teve a honra de hospedar o her\u00f3i na noite      que precedeu a ca\u00e7ada ao Touro de Maratona. Havia prometido oferecer um sacrif\u00edcio      a Zeus, se\u00a0<strong>Teseu<\/strong>regressasse      vitorioso de t\u00e3o arrojada empresa. Ao retornar, tendo-a encontrado morta,      o filho de Egeu instituiu em sua honra um culto a Zeus Hacal\u00e9sio.<\/p>\n   \n<p>Se bem que marcado, ali\u00e1s como todo her\u00f3i, pela H\u00fdbris e por um \u00edndice normal      de enfraquecimento,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>, com a captura e morte      do Touro de Maratona, provar\u00e1 dentro em breve a todos os seus s\u00faditos que      a for\u00e7a que subsiste nele resulta de sua tim\u00e9 e aret\u00e9, vale dizer, de sua      ascend\u00eancia divina. <\/p>\n   \n<p>Com o esp\u00edrito bem armado e a alma protegida, o filho de Pos\u00eddon soube e      saber\u00e1, gra\u00e7as \u00e0 inoc\u00eancia de sua juventude, ultrapassar todas as barreiras      que amea\u00e7avam barrar-lhe a caminhada para o &#8220;tr\u00e1gico e para a gl\u00f3ria&#8221;.    <\/p>\n   \n<p>Uma vez reconhecido pelo pai e j\u00e1 compartilhando o poder, teve logo conhecimento      da conspira\u00e7\u00e3o tramada pelos primos e, de imediato (o her\u00f3i nasceu para o      movimento e para as grandes e perigosas tarefas) se aprestou para a luta.      Os Pal\u00e2ntidas, que eram cinquenta, inconformados com a impossibilidade de      sucederem a Egeu no trono de Atenas, resolveram eliminar\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.<\/p>\n   \n<p><strong>Dividiram      suas for\u00e7as, como bons estrategistas, em dois grupos:<\/strong>\u00a0um      atacou a cidade abertamente e o outro se emboscou, procurando surpreender      pela retaguarda.<\/p>\n   \n<p><strong>O plano dos conspiradores foi, todavia, revelado por seu pr\u00f3prio      arauto, Leos, e Teseu modificou sua t\u00e1tica:\u00a0<\/strong>massacrou      o contingente inimigo emboscado e investiu contra os demais, que se dispersaram      e foram mortos. <\/p>\n   \n<p>Relata-se que, para expiar o sangue derramado de seus primos, o her\u00f3i se      exilou, passando um ano em Trezena. Esta \u00e9 a vers\u00e3o seguida por Eur\u00edpedes      em sua trag\u00e9dia, bel\u00edssima por sinal, Hip\u00f3lito Porta-Coroa. <\/p>\n   \n<p>Mas, como o poeta ateniense acrescenta que Teseu levara em sua companhia      a Hip\u00f3lito, o filho do primeiro matrim\u00f4nio com Ant\u00edope, uma das Amazonas,      j\u00e1 falecida, bem como a segunda esposa, Fedra, que se apaixonara pelo enteado,      dando origem \u00e0 trag\u00e9dia, segue-se qua a &#8220;cronologia&#8221; foi inteiramente      modificada por Eur\u00edpedes. Com efeito, colocar a expedi\u00e7\u00e3o contra as Amazonas      antes do massacre dos Pal\u00e2ntidas \u00e9 contrariar toda uma tradi\u00e7\u00e3o m\u00edtica.<\/p>\n   \n<h4><strong>O Minotauro<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Com a morte de Androgeu, filho de Pas\u00edfae e Minos, rei de Creta, morte essa      atribu\u00edda indiretamente a Egeu, que, invejoso das vit\u00f3rias doher\u00f3i cregense      nos Jogos que mandara celebrar em Atenas, o enviara para compatar o Touro      de Maratona &#8211; eclodiu um aguerra sangrenta entre Creta e Atenas. <\/p>\n   \n<p>A morte de Androgeu se deveria, narra uma variante, n\u00e3o a Egeu, mas aos pr\u00f3prios      atletas atenienses, que, ressentidos com tantas vit\u00f3rias do filho de Minos,      maratam-no. Haveria, por outro lado, um motivo pol\u00edtico, pois que Androgeu      teria sido assassinado por suas liga\u00e7\u00f5es com os Pal\u00e2ntidas.<\/p>\n   \n<p>De      qualquer forma, Minos, com poderosa esquadra, ap\u00f3s apossar-se de M\u00e9gara, marchou      contra a cidade e Palas Atena. Como a guerra se prolongasse e uma peste (a      pedido de Minos a Zeus) assolasse Atenas, o rei de Creta concordou em retirar-se,      desde que, anualmente, lhe fossem enviados sete mo\u00e7os e sete mo\u00e7as, que serial      lan\u00e7ados no Labirinto, para servirem de pasto ao Minotauro.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0se      prontificou a seguir para Creta com as outras treza v\u00edtimas, porque, sendo      j\u00e1 a terceira vez que se ia pagar o tributo ao rei cretense, os atenienses      come\u00e7avam a irritar-se contra Egeu.<\/p>\n   \n<p>Relata-se      ainda que Minos escolhia pessoalmente os quatorze jovens e dentre eles o futuro      rei de Atenas, afirmando que, uma vez lan\u00e7ados inermes no Labirinto, se conseguissem      matar o Minotauro, poderiam regressar livremente \u00e0 sua p\u00e1tria.<\/p>\n   \n<p>O      her\u00f3i da \u00c1tica partiu com um basco ateniense, cujo piloto, Naus\u00edtoo, era da      ilha de Salamina, uma vez que Menestres, neto de Ciro, rei desta ilha, contava-se      entre os jovens exigidos por Minos. Entre eles estava tamb\u00e9m Erib\u00e9ia ou Perib\u00e9ia,      filha de Alc\u00e1too, rei de M\u00e9gara.<\/p>\n   \n<p>Uma      variante insiste que Minos viera pessoalmente buscar o tribuo anual e na travessia      para Creta se apaixonara por Perib\u00e9ia, que chamou\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0em      seu aux\u00edlio.<\/p>\n   \n<p>Este      desafiou o rei de Cnossos,diendo-lhe ser t\u00e3o nobre quanto ele, embora Minos      fosse filho de Zeus. Para provar a aret\u00e9 do pr\u00edncipe ateniense, o rei de Creta      lan\u00e7ou no mar um anel e ordenou ao desafiante fosse busc\u00e1-lo.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0mergulhou      imediatamente e foi recebido no pal\u00e1cio de Pos\u00eddon, que lhe devolveu o anel.      Mais tarde,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0se      casou com Perib\u00e9ia, que se celebrizou muito tempo depois como mulher de T\u00e9lamon,      pai de \u00c1jax, personagem famosa da Il\u00edada e da trag\u00e9dia hom\u00f4nima de S\u00f3focles.<\/p>\n   \n<p>\u00c0      partida, Egeu entregou ao filho dois jogos de vela para o navio, um preto,      outro branco, recomendando-lhe que, se porventura regressasse vitorioso, i\u00e7asse      as velas brancas; se o navio voltasse com as pretas, era sinal de que todos      haviam perecido.<\/p>\n   \n<p>O construtor do labirinto foi D\u00e9dalo; o que significa que D\u00e9dalo, atilado      e p\u00e9rfido, teceu a intriga que anulou a sabedoria de Minos. Por um enganoso      racionc\u00ednio, deu respaldo aos conselhos de Pas\u00edfae, conseguindo assim vencer      a resist\u00eancia e as hesita\u00e7\u00f5es do rei. <\/p>\n   \n<p>Este racioc\u00ednio, ilus\u00f3rio mas aparentemente v\u00e1lido, \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o complicada,      labir\u00edntica. No labirinto do inconsciente a domina\u00e7\u00e3o perversa de minos, o      Touro de minos, continua a viver. <\/p>\n   \n<p>O rei, no entanto, \u00e9 incessantemente obrigado a opor-se \u00e0 sua sabedoria,      a &#8220;nutrir&#8221; sua atitude monstruosa com base em motivos falsos e a      &#8220;alimentar&#8221; seu remorso obsedante, seu arrependimento n\u00e3o confessado,      por um racioc\u00ednio ilus\u00f3rio, o que o torna incapaz de reconhecer seu erro e      renunciar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es infligidas aos atenienses.<\/p>\n   \n<p><strong>As      condi\u00e7\u00f5es tir\u00e2nicas realmente impostas encontram-se, nesse caso, substitu\u00eddas      pelo tributo simb\u00f3lico destinado a alimentar o monstro:<\/strong>\u00a0o      sacrif\u00edcio anual dos jovens inocentes de Atenas.<\/p>\n   \n<p>O      ilogismo do mito, os s\u00edmbolos &#8220;Minotauro&#8221; e &#8220;Labirinto&#8221;      tornam-se assim reduzidos \u00e0 verdade psicol\u00f3gica, \u00e0 realidade, frequente e      banal, de uma intriga palaciana. Essa tradu\u00e7\u00e3o do sentido oculto do nascimento      do monstro e da hist\u00f3ria de sua pris\u00e3o se patenteia na medida em que se mostra      v\u00e1lida para traduzir igualmentet o epis\u00f3dio central do mito, isto \u00e9, o combate      do her\u00f3i contra o monstro.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0decide,      pois combater o Minotauro, isto \u00e9, resolve opor-se \u00e0 domina\u00e7\u00e3o exercida por      Minos sobre os atenienses, abolindo a imposi\u00e7\u00e3o tir\u00e2nica.<\/p>\n   \n<p><strong>Mas      pelo mesmo fato de o Labirinto, em que est\u00e1 escondido o monstro simb\u00f3lico,      ser o inconsciente de Minos, este adquire, de per si, uma significa\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica:<\/strong>\u00a0retrata      o &#8220;homem&#8221; mais ou menos secretamente habitado pela tend\u00eancia perversa      da domina\u00e7\u00e3o. At\u00e9 mesmo o rei Minos, at\u00e9 mesmo o homem dotado de sabedoria      (da justa medida) pode sucumbir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o dominadora. Esta generaliza\u00e7\u00e3o      representativa estende-se igualmente ao her\u00f3i convocado para lutar contra      o monstro.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu n\u00e3o se curvar\u00e1 \u00e0 opress\u00e3o provinda de outrem, mas enfrentando-a,      mesmo vitoriosamente, corre o risco de se tornar prisioneiro da fraqueza banal      inerente \u00e0 natureza humana:<\/strong>\u00a0a vaidade de acreditar que      o descomedimento da justa medida nas rela\u00e7\u00f5es humanas seria uma prova de for\u00e7a,      e assim justificar a tenta\u00e7\u00e3o de reprimir seus semelhantes com medidas injustas.    <\/p>\n   \n<p>\u00c9 pois muit\u00edssimo significativo que o monstro acantonado no Labirinto do      inconsciente, sendo irm\u00e3o m\u00edtico de Teseu por descend\u00eancia de Pos\u00eddon, constitui      o perigo essencial para o her\u00f3i. Como todo her\u00f3i que combate um monstro, Teseu,      ao se defrontar com o Minotauro, luta contra sua pr\u00f3pria flata essencial,      contra a tenta\u00e7\u00e3o perversa que o habita secretamente.<\/p>\n   \n<p>Uma      vez em Creta,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0e      os treza jovens foram, de imediato, encerrados no Labirinto, uma complicada      edifica\u00e7\u00e3o constru\u00edda por D\u00e9dalo, com tantas voltas e ziguezagues, corredores      e caminhos retorcidos, que, quem ali penetrasse, jamais encontraria a sa\u00edda.<\/p>\n   \n<p>O      amor, por\u00e9m, torna todo imposs\u00edvel poss\u00edvel! Ariadne, talvez a mais bela das      filhas de Minos, se apaixonara pelo her\u00f3i ateniense. Para que pudesse, uma      vez no intricado covil do Minotauro, encontrar o caminho de volta, dera-lhe      um novelo de fios, que ele ia desenrolando, \u00e0 medida que penetrava no Labirinto.      Conta uma variante que o presente salvador da pincesa min\u00f3ica fora n\u00e3o um      novelo, mas uma coroa luminosa, que Dionisio lhe oferecera como presente de      n\u00fapcias.<\/p>\n   \n<p>Uma      terceira variante atesta que a coroa luminosa, que orientou e guiou\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0nas      trevas, lhe havia sido dada por Afrodite, quando o her\u00f3i desceu ao pal\u00e1cio      de Anfitrite para buscar o anel de Minos. Talvez a jun\u00e7\u00e3o fio e coroa luminosa,      &#8220;foi condutor de luz&#8221;, seja realmente o farol ideal para espancar      trevas inferiores!<\/p>\n   \n<p><strong>Ariadne      condicionou seu aux\u00edlio a Teseu:<\/strong>\u00a0livre      do Labirinto, ele a desposaria e levaria para Atenas.<\/p>\n   \n<p>Derrotado      e morto o Minotauro, o her\u00f3i escapou das trevas com todos os companheiros      e, ap\u00f3s inutilizar os navios cretenses, para dificultar qualquer persegui\u00e7\u00e3o,      velejou de retorno \u00e0 Gr\u00e9cia, levando consigo Ariadne. O navio fez escala na      ilha de Naxos. Na manh\u00e3 seguinte, Ariadne, quando acordou, estava s\u00f3.<\/p>\n   \n<p><strong>Longe,      no horizonte, o navio de velas pretas desaparecia:<\/strong>\u00a0Teseu      a havia abandonado.<\/p>\n   \n<p><strong>H\u00e1 variantes:<\/strong>\u00a0uns afirmam que Teseu abandonou      a filha de Minos porque amava outra mulher, Egle, filha de Panopleu. Outros      acham que o her\u00f3i foi for\u00e7ado a deix\u00e1-la em Naxos, porque Dionisio se apaixonara      por ela ou at\u00e9 mesmo a teria raptado durante a noite; e ap\u00f3s despos\u00e1-la, a      teria levo para o Olimpo. <\/p>\n   \n<p>Como presente de n\u00fapcias o deus lhe teria dado um diadema de ouro, cinzelado      por Hefesto. Tal diadema foi, mais tarde, transformado em constela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p><strong>Com      Dionisio, Ariadne teria tido quatro filhos:\u00a0<\/strong>Toas,      Est\u00e1filo, En\u00f3pion e Pepareto.<\/p>\n   \n<p>De      Naxos\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0navegou      para a Ilha de Delos, onde fez escala, a fim de consagrar num templo uma est\u00e1tua      de Afrodite, com que Ariadne o havia presenteado.<\/p>\n   \n<p>Ali      ele e seus companheiros executaram uma dan\u00e7a circular de evolu\u00e7\u00f5es complicadas,      representando as sinuosidades do Labirinto. Tal rito subsistiu na ilha de      Apolo por muito tempo, ao menos at\u00e9 a \u00e9poca cl\u00e1ssica.<\/p>\n   \n<p>Triste      com a perda de Ariadne, ou castigado por hav\u00ea-la abandonado, ao aproximar-se      das costas da \u00c1tica o her\u00f3i se esqueceu de trocas as velas negras do seu navio,      sinal de luto, pelas brancas, sinal de vit\u00f3ria.<\/p>\n   \n<p><strong>Egeu,      que ansiosamente aguardava na praia a chegada do barco, ao ver as velas negras,      julgou que o filho houvesse perecido em Creta e lan\u00e7ou-se nas ondas do mar,      que recebeu seu nome:\u00a0<\/strong>&#8220;Mar      Egeu&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Relata-se      ainda que o rei esperava o filho no alto da Acr\u00f3pole, exatamente no local      onde se ergue o templo da Vit\u00f3ria \u00c1ptera. Ao ver de longe o navio com as velas      negras, precipitou-se do penhasco e morreu.<\/p>\n   \n<p>Consoante      a interpreta\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica de Diel, &#8220;a vit\u00f3ria s\u00f3 poderia ser difinitiva      para o her\u00f3i na medida em que tivesse sobrepujado seu pr\u00f3prio perigo, quer      dizer, ap\u00f3s a destui\u00e7\u00e3o do monstro existente nele pr\u00f3prio.<\/p>\n   \n<p>Diante      de tareja t\u00e3o essencial,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0fracassou.      Triunfou t\u00e3o-somente da pervesidae de Minos, atacando apenas o monstro no      advers\u00e1rio. Um pormenor do combate simb\u00f3lico, negligenciado at\u00e9 o momento      como de pouca import\u00e2ncia, mas capaz de sclarecer toda a situa\u00e7\u00e3o psicol\u00f3gica      e resumir-lhe todas as consequ\u00eancias, \u00e9 o fato de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0haver      liquidado o Minotauro com a clava que pertencera ao fac\u00ednora Perifetes.<\/p>\n   \n<p><strong>Este tra\u00e7o simb\u00f3lico mosta que o her\u00f3i, aceitando o aux\u00edlio de Ariadne,      usa de uma arma p\u00e9rfida:<\/strong>\u00a0seu amor pela princesa \u00e9 somente      pretexto e c\u00e1lculo, comportando-se ele pr\u00f3prio realmente como um fac\u00ednora.      A arma da vit\u00f3ria, a clava de Perifetes, faz prever que seu triunfo sobre      o monstro n\u00e3o traduz um ato de coragem e nem trar\u00e1 benef\u00edcios. <\/p>\n   \n<p>Se o her\u00f3i, gra\u00e7as ao poder do amor, soube derrotar a Minos, n\u00e3o se aproveitar\u00e1,      todavia, da vit\u00f3ria conseguida por esse poder, uma vez que este n\u00e3o lhe pertence.      Longe de ser her\u00f3ico, o triunfo sobre o Minotauro n\u00e3o passa de uma fa\u00e7anha      perversa, uma trai\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Explorou o amor de Ariadne para atingir seus objetivos e logo depois a traiu.      Ora, o &#8220;fio de Ariadne&#8221; deveria conduz\u00ed-lo n\u00e3o apenas apra fora      do d\u00e9dalo insconsciente de Minos, mas igualmente para fora do labirinto de      seu pr\u00f3prio inconsciente.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu<\/strong>\u00a0se      perde e esse extravio h\u00e1 de decidir toda sua hist\u00f3ria futura&#8221;. Seu amor      pela irm\u00e3 de Ariadne, Fedra, lhe trar\u00e1 s\u00e9rias consequ\u00eancias.<\/p>\n   \n<p>O principe ateniense n\u00e3o deixa Creta como her\u00f3i, mas como um bandido e traidor.      Abandonando Ariadne, apesar da vit\u00f3ria sobre o Touro de Minos, seu \u00caxito se      convert em derrota essencial. Em sua trai\u00e7\u00e3o a Ariadne se acham conjugados      tanto os signos da perversidade dominadora quanto os da pervers\u00e3o sexual.    <\/p>\n   \n<p>As velas negras, sinal de luto, com que\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0partiu,      tornam-se o s\u00edmbolo da pervers\u00e3o, ins\u00edgnia das for\u00e7as das trevas. O her\u00f3i      navegar\u00e1 de agora em diante sob seu imp\u00e9rio. N\u00e3o penetra em Atenas como vencedor      e, fato importante, de uma significa\u00e7\u00e3o m\u00edtica profunda, o her\u00f3i se esquce      de i\u00e7ar as velas brancas, que lhe traduziriam a vit\u00f3ria. <\/p>\n   \n<p>Egeu, contemplando as velas negras, precipita-se no mar. O rei, enquanto      pai corporal, mata-se de desespero, persuadido de que o filho havia corporalmente,      perecido.<\/p>\n   \n<p><strong>O      rei, pai m\u00edtico, lan\u00e7ando-se nas profundezas das \u00e1guas, simboliza algo de      muito s\u00e9rio:<\/strong>\u00a0o      her\u00f3i ser\u00e1 doravante e definitivamente abandonado pelo esp\u00edrito, que est\u00e1      introjetado nas profundezas marinhas, s\u00edmbolo do inconsciente. Outro pai m\u00edtico,      Pos\u00eddon, passar\u00e1 a comandar o destino do her\u00f3i.<\/p>\n   \n<h4><strong>O Rei de Atenas<\/strong><\/h4>\n   \n<p><strong>Reforma<\/strong><\/p>\n   \n<p>Ap\u00f3s      a morte de Egeu,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0assumiu      o poder na \u00c1tica. Realizou o c\u00e9lebre (synoikism\u00f3s), sinecismo, isto \u00e9, reuniu      em uma s\u00f3 polis os habitantes at\u00e9 ent\u00e3o disseminados pelo campo. Atenas tournou-se      a capital do Estado. Mandou construir o Pritaneu e a Bul\u00e9, o Senado. Promulgou      leis; adotou o uso da moeda; instituiu a grande festa das Panaten\u00e9ias, s\u00edmbolo      da unidade pol\u00edtica da \u00c1tica.<\/p>\n   \n<p><strong>Dividiu      os cidad\u00e3os em tr\u00eas classes:<\/strong>\u00a0eup\u00e1tridas,      artes\u00e3os e camponeses. Instaurou, miticamente, em suas linhas gerais, a democracia.      Conquistou a cidade de M\u00e9gara e anexou-a ao estado rec\u00e9m-criado; na fronteira      entre a \u00c1tica e o Peloponeso, mandou erigir marcos para separar o territ\u00f3rio      j\u00f4nico do d\u00f3rico; e reorganizou em Corinto os jogos \u00cdstmicos, em honra a seu      pai Pos\u00eddon.<\/p>\n   \n<p>Executadas      essas tarefas pol\u00edticas, o rei de Atenas retomou sua vida &#8220;her\u00f3ica&#8221;.      Como Et\u00e9ocles houvesse expulso de Tebas a seu irm\u00e3o Polinice, este, casando-se      com Argia, filha de Adrasto, rei de Argos, conseguiu organizar sob o comando      do sogro a c\u00e9lebre expedi\u00e7\u00e3o dos sete chefes (Adrasto, Anfiarau, Capaneu,      Hip\u00f3medon, Partenopeu, Tideu e Polinice).<\/p>\n   \n<p><strong>A      expedi\u00e7\u00e3o foi um desastre:<\/strong>\u00a0somente      escapou Adrasto, que se p\u00f4s sob a prote\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.      Este, que j\u00e1 havia acolhido como exilado a \u00c9dido, como nos mostra S\u00f3focles      no \u00c9dipo em Colono, marchou contra Tegas e, tomando \u00e0 for\u00e7a os cad\u00e1veres de      Seis chefes, deu-lhes condigna sepultura em El\u00eausis.<\/p>\n   \n<p><strong>Teseu contra as Amazonas<\/strong><\/p>\n   \n<p>A      tradi\u00e7\u00e3o insiste numa guerra entre os habitantes da \u00c1tica e as Amazonas, que      lhes teriam invadido o pa\u00eds. As orignes da luta diferem de um mit\u00f3grafo para      outro. Segundo uns, tendo-se engajado, na expedi\u00e7\u00e3o de H\u00e9racles contra as      Amazonas,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>recebera,      com pr\u00eamio de suas proezas, a amazona Ant\u00edope, com a qual tivera um filho,      Hip\u00f3lito.<\/p>\n   \n<p>Segundo      outros,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0viajara      sozinho ao pa\u00eds dessas tem\u00edveis guerreiras e tendo convidado a bela Ant\u00edope      para visitar o navio, t\u00e3o logo a teve a bordo, navegou a toda a vela de volta      \u00e0 p\u00e1tria. Para vingar o rapto de sua irm\u00e3, as Amazonas invadiram a \u00c1tica.      A batalha decisiva foi travada nos p\u00e9s da Acr\u00f3pole e, apesar da vantagem inicial,      as guerreiras n\u00e3o resistiram e foram vencidas por\u00a0<strong>Teseu<\/strong>,      que acabou perdendo a esposa Ant\u00edope. Esta, por amor, lutava ao lado do marido      contra as pr\u00f3prias irm\u00e3s.<\/p>\n   \n<p>Para      comemorar a vit\u00f3ria de seu her\u00f3i, os atenienses celebravam, na \u00e9poca cl\u00e1ssica,      as festas denominadas Boedr\u00f4mias.<\/p>\n   \n<p>Existe ainda outra variante. A invas\u00e3o de Atenas pelas amazonas n\u00e3o se deveu      ao rapto de Ant\u00edope, mas ao abandono desta por<strong> Teseu<\/strong>, que      a repudiara, para se casar com a irm\u00e3 de Ariadne, Fedra. A pr\u00f3pria Ant\u00edope      comandara a expedi\u00e7\u00e3o e tentara. \u00e0 base da for\u00e7a, penetrar na sala do festim,      no dia mesmo do novo casamento do rei de Atenas. Como fora repelida e morta,      as Amazonas se retiraram da \u00c1tica.<\/p>\n   \n<p><strong>Hip\u00f3lito e Fedra<\/strong><\/p>\n   \n<p>De qualquer forma, o casamento de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0com      Fedra, que lhe deu dois filhos, \u00c1camas e Demofoonte, foi uma fatalidade. Hip\u00f3lito,      filho de Ant\u00edope e\u00a0<strong>Teseu<\/strong>, consagrara-se a \u00c1rtemis,      a deusa virgem, irritando profundamente a Afrodite. Sentido-se desprezada,      a deusa do amor fez que Fedra concebesse pelo enteado uma paix\u00e3o irresist\u00e9vel.    <\/p>\n   \n<p>Repudiada violentamente por Hip\u00f3lito e, temendo que este a denunciasse a\u00a0<strong>Teseu<\/strong>,      rasgou as pr\u00f3prias vestes e quebrou a porta da c\u00e2mara nupcial, simulando uma      tentativa de viola\u00e7\u00e3o por parte do enteado. Louco de raiva, mas n\u00e3o querendo      matar o pr\u00f3prio filho, o rei apelou para seu pai Pos\u00eddon, que prometera atender-lhe      tr\u00eas pedidos.<\/p>\n   \n<p>O deus, quando Hip\u00f3lito passava com sua carruagem \u00e0 beira-mar, tem Trezena,      enviou das ondas um monstro, que lhe espantou os cavalos, derrugando o pr\u00edncipe.    <\/p>\n   \n<p>Este, ao cair, prendeu os p\u00e9s nas r\u00e9deas e, arrastado na carreira pelos animais,      se esfacelou contra os rochedos. Presa de remorsos, fedra se enforcou. Existe      uma variante, segundo a qual Ascl\u00e9pio, a pedido de Artemis, ressuscitara Hip\u00f3lito,      que foi transportado para o santu\u00e1rio de &#8220;Diana&#8221;, em Ar\u00edcia, na      It\u00e1lia.<\/p>\n   \n<p>Ali,      o filho de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0fundiu-se      com o deus local, V\u00edrbio, conforme se pode ver em Ov\u00eddio, Metamorfoses.<\/p>\n   \n<p>Eur\u00edpedes      comp\u00f4s duas pe\u00e7as acerca da paix\u00e3o de Fedra por Hip\u00f3lito.<\/p>\n   \n<p>Na primeira Hip\u00f3lito, da qual possu\u00edmos apenas cerca de cinquenta versos,      a rainha de Atenas, num verdadeiro rito do &#8220;motivo putifar&#8221;, entrega-se      inteira \u00e0 sua paix\u00e3o desenfreada, delcarando-a ela pr\u00f3pria ao enteado. Repelida      por este, caluniou-o perante<strong> Teseu<\/strong>, e s\u00f3 se enforcou ap\u00f3s      a morte tr\u00e1gica de seu grande amor. <\/p>\n   \n<p>Na segunda vers\u00e3o, Hip\u00f3lito Porta-Coroa, uma das trag\u00e9dias mais bem elaboradas      por Eur\u00edpedes, do ponto de vista liter\u00e1rio e psicol\u00f3gico, Fedra confidencia      \u00e0 ama sua paix\u00e3o fatal e esta, sem que a rainha o desejasse, ou lhe pedisse      &#8220;explicitamente&#8221;, narra-a a Hip\u00f3lito, sob juramento. <\/p>\n   \n<p>Envergonhada com a recusa do jovem pr\u00edncipe e temndo que este tudo revelasse      ao pai, enforca-se, mas deixa um bilhete ao marido, em que mentirosamente      acusa Hip\u00f3lito de tentar seduzila.<\/p>\n   \n<p>A      imprudente maldi\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0provoca      a terr\u00edvel desdita do filho, mas a verdade dos fatos \u00e9 revedala por Artemis      ao infortunado pai.<\/p>\n   \n<p>Com      o filho agonizante nos bra\u00e7os,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0tem      ao menos o consolo do perd\u00e3o de Hip\u00f3lito e a promessa de que esta h\u00e1 de receber      horas perp\u00e9tuas em Trenzena.<\/p>\n   \n<p>As      jovens, antes do casamento, lhe ofertar\u00e3o seus cabelos e Hip\u00f3lito jamais cair\u00e1      no esquecimento. &#8220;De fato, esse grande amor foi muitas vezes invocado,      sobretudo na Phaedra de L\u00facio Aneu S\u00eaneca e na Ph\u00e9dre de Jean Racine.<\/p>\n   \n<p>Seja      como for, o que se evidencia no mito transmutado em trag\u00e9dia por Eur\u00edpedes      \u00e9 a superlativa\u00e7\u00e3o do &#8220;p\u00e1thos da paix\u00e3o&#8221;.<\/p>\n   \n<p><strong>O Rapto de Helena e Pers\u00e9fone<\/strong><\/p>\n   \n<p>Alguns      Epis\u00f3dios da maturidade de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0est\u00e3o      intimamente ligados \u00e0 sua grande amizade com o her\u00f3i l\u00e1pita Pir\u00edtoo. Conta-se      que essa fraterna amizade entre o l\u00e1pita e o ateniense se deveu \u00e0 emula\u00e7\u00e3o      de Pir\u00edtoo.<\/p>\n   \n<p>Tendo      ouvido ruidosos coment\u00e1rios acerca das fa\u00e7anhas de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>,      o l\u00e1pita quis p\u00f4-lo \u00e0 prova. No momento, por\u00e9m de atac\u00e1-lo, ficou t\u00e3o impressionado      com o porte majestoso e a figura do her\u00f3i da \u00c1tica, que renunciou \u00e0 justa      e declarou-se seu escravo.\u00a0<strong>Teseu<\/strong>,      generosamente, lhe concedeu sua amizade para sempre.<\/p>\n   \n<p>Com      a morte de Hipodamia, Pir\u00edtoo, passou a compartilhar mais de perto das proezas      de\u00a0<strong>Teseu<\/strong>.      Duas das aventuras mais s\u00e9rias dessa dupla famosa no mito foram o rapto de      Helena e a cat\u00e1base ao Hades, no intuito de raptar tamb\u00e9m Pers\u00e9fone.<\/p>\n   \n<p><strong>Os      dois epis\u00f3dios, aparentemente grotescos, traduzem ritos muito significativos:<\/strong>\u00a0o      rapto de mulheres, sejam elas deusas ou hero\u00ednas, fato comum na mitologia,      configura, n\u00e3o s\u00f3 um rito inici\u00e1tico, mas tamb\u00e9m o importante ritual da vegeta\u00e7\u00e3o:      chegados a seu termo os trabalhos agr\u00edcolas, \u00e9 necess\u00e1rio &#8220;transferir      a matriz&#8221;, a Grande M\u00e3e, para receber a nova por\u00e7\u00e3o de &#8220;sementes&#8221;,      que h\u00e3o de germinar para a colheita seguinte. A cat\u00e1base ao Hades, simboliza      a anagn\u00f3risis, o autoconhecimento, a &#8220;queima&#8221; do que resta do homem      velho, para que possa eclodir o homem novo.<\/p>\n   \n<p><strong>Os dois her\u00f3is, por serem filhos de dois grandes deuses:<\/strong>\u00a0Zeus      e Pos\u00eddon, resolveram que s\u00f3 se casariam dali em diante com filhas do pai      dos deuses e dos homens e, para tanto, resolveram raptar Helena e Pers\u00e9fone.      A primeira seria a esposa de Teseu e a segunda, de Pir\u00edtoo. Tudo come\u00e7ou,      portanto, com o rapto de Helena. <\/p>\n   \n<p>O her\u00f3i estava &#8220;\u00e0 \u00e9poca&#8221;, com cinquenta anos e Helena nem sequer      era n\u00fabil. Assustados com a despropor\u00e7\u00e3o da idade de ambos, os mit\u00f3grafos      narraram diversamente esse rapto famoso. N\u00e3o teriam sido Teseu e Pir\u00edtoo os      raptores, mas Idas e Linceu, que confiaram Helena a Teseu, ou ainda o pr\u00f3prio      pai da jovem espartana, T\u00edndaro, que, temendo que Helena fosse sequestrada      por um dos filhos de Hipocoonte, entregara a filha \u00e0 prote\u00e7\u00e3o do her\u00f3i ateniense.<\/p>\n   \n<p>A vers\u00e3o mais conhecida \u00e9 aquela em que se narra a ida dos dois her\u00f3i a Esparta,      quando ent\u00e3o se apoderaram \u00e0 for\u00e7a de helena, que executava uma dan\u00e7a ritual      no templo de Artemis \u00d3rtia. Os irm\u00e3os da menina, Castor e P\u00f3lux, sa\u00edram-lhes      ao encal\u00e7o, mas detiveram-se em Teg\u00e9ia. <\/p>\n   \n<p>Uma vez em seguran\u00e7a,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0e Pir\u00edtoo      tiraram a sorte para ver quem ficaria com a princesa espartana, comprometendo-se      o vencedor a ajudar o outro no rapto de Pers\u00e9fone. A sorte favoreceu o her\u00f3i      ateniense, mas como Helena fosse ainda imp\u00fabere,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0a      levou secretamente para Afidna, demo da \u00c1tica, e colocou-a sob a prote\u00e7\u00e3o      de sua m\u00e3e Etra. Isto feito, desceram ao Hades para conquistar Pers\u00e9fone.<\/p>\n   \n<p>Durante a prolongada aus\u00eancia do rei ateniense, Castor e P\u00f3lux, \u00e0 frente      de um grande ex\u00e9rcito, invadiram a \u00c1tica. Come\u00e7aram a reclamar pacificamente      a irm\u00e3, mas como os atenienses lhe assegurassem que lhe desconheciam o destino,      tomaram uma atitude hostil. <\/p>\n   \n<p>Foi ent\u00e3o que um certo Academo lhes revelou o lugar onde\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0a      retinha prisioneira. Eis o motivo por que, quando das in\u00fameras invas\u00f5es da      \u00c1tica, os espartanos sempre pouparam a Academia, o jardim onde ficava o t\u00famulo      de Acadmo. Imediatamente os dois her\u00f3i de Esparta invadiram Afidna, recuperaram      a irm\u00e3 e levaram Etra como escrava. Antes de abandonar a \u00c1tica, colocaram      no trono de Atenas um bisneto de Erecteu, chamado Menesteu, que liderava os      descontentes, particularmente os nobres irritados com as reformas de seu soberano,      sobretudo com a democracia. Muito bem recebidos por Plut\u00e3o,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0e      Pir\u00edtoo, foram, todavia, v\u00edtimas de sua temeridade.<\/p>\n   \n<p>Convidados pelo rei do Hades a participar de um banquete, n\u00e3o mais puderam      levantar-se de suas cadeiras. H\u00e9racles, quando desceu aos Infernos, tentou      libert\u00e1-los, mas os deuses somente permitiram que o filho de Alcmena &#8220;arrancasse&#8221;\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0de      seu assento, para que pudesse retornar \u00e0 luz. <\/p>\n   \n<p>Pir\u00edtoo h\u00e1 de permanecer para sempre sentado na Cadeira do Esquecimento.      Conta-se que, no esfor\u00e7o feito para se soltar da cadeira,\u00a0<strong>Teseu<\/strong>\u00a0deixou      na mesma uma parcela de seu traseiro, o que explicaria terem o atenienses      cadeiras e n\u00e1degas t\u00e3o pouco carnudas e salientes.<\/p>\n   \n<p><strong>Odsson      Ferreira<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Refer\u00eancia Bibliogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n   \n<p>BRAND\u00c3O,      Junito de Souza. Mitologia Greva Vol III. Petr\u00f3polis, Vozes, 2004<\/p>\n   \n<p>CHEVALIER      J. e GHEERBRANT, A. Op. cit., p. 980<\/p>\n   \n<p>DIEL,      Paul. Op. cit., p. 188sqq<\/p>\n   \n<p>DIEL,      Paul. Le Symbolisme dans la Mythologie Grecque. Paris, Payot, 1966, p. 182.<\/p>\n   \n<p>Fonte: www.mitologiagrega.templodeapolo.net<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teseu, Mitologia Grega, Hist\u00f3ria, Minotauro, Filho, Rei, Atenas, Reforma, Hip\u00f3lito, Egeu, Origem, Mito, Teseu<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":22322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Teseu - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Teseu - 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