{"id":26499,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/roma-antiga-3\/"},"modified":"2026-09-01T18:05:19","modified_gmt":"2026-09-01T18:05:19","slug":"roma-antiga-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/roma-antiga-3\/","title":{"rendered":"Roma Antiga"},"content":{"rendered":"\n<strong>Roma Antiga &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nAlguns dizem que a\u00a0<strong>cidade de Roma<\/strong>\u00a0foi fundada no Monte Palatino por R\u00f4mulo, filho de Marte, o deus da guerra.\n\nOutros dizem que En\u00e9ias e alguns de seus seguidores escaparam da queda de Tr\u00f3ia e estabeleceram a cidade. Independentemente de qual dos muitos mitos se prefira, ningu\u00e9m pode duvidar do impacto da\u00a0<strong>Roma Antiga<\/strong>\u00a0na civiliza\u00e7\u00e3o ocidental. Um povo conhecido por suas institui\u00e7\u00f5es militares, pol\u00edticas e sociais, os antigos romanos conquistaram vastas extens\u00f5es de terra na Europa e no norte da \u00c1frica, constru\u00edram estradas e aquedutos e espalharam o latim, sua l\u00edngua, por toda parte.\n\nOutras lendas afirmam que a cidade recebeu o nome de uma mulher, Roma, que viajou com En\u00e9ias e os outros sobreviventes de Tr\u00f3ia ap\u00f3s a queda da cidade. Ao pousar nas margens do rio Tibre,\u00a0<strong>Roma<\/strong>\u00a0e as outras mulheres se opuseram quando os homens quiseram seguir em frente. Ela liderou as mulheres na queima dos navios de Tr\u00f3ia e, assim, efetivamente prendeu os sobreviventes de Tr\u00f3ia no local que mais tarde se tornaria Roma. En\u00e9ias de Tr\u00f3ia \u00e9 apresentado nesta lenda e tamb\u00e9m, notoriamente, na Eneida de Virg\u00edlio, como fundador de Roma e ancestral de R\u00f4mulo e Remo, ligando assim Roma \u00e0 grandeza e poder que j\u00e1 foi Tr\u00f3ia.\n\nAinda outras teorias sobre o nome da famosa cidade sugerem que ela veio de Rumon, o antigo nome do rio Tibre, e era simplesmente um nome de lugar dado ao pequeno centro comercial estabelecido em suas margens ou que o nome derivou de uma palavra etrusca que poderia ter designado um de seus assentamentos.\n\n<strong>Roma Antiga &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-158453 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Roma-A1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" \/><strong>Roma Antiga<\/strong><\/p>\n<strong>Roma\u00a0<\/strong>localiza-se na regi\u00e3o central da pen\u00ednsula It\u00e1lica, \u00e0s margens do rio Tibre.\n\nEntrando pelo mar Mediterr\u00e2neo, a pen\u00ednsula It\u00e1lica situa-se entre a pen\u00ednsula Balc\u00e2nica, \u00e0 direita, e a pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, \u00e0 esquerda.\n\nApresenta a costa leste banhada pelo mar Andri\u00e1tico e costa oeste banhada pelo mar Tirreno. Ao sul, localiza-se o mar J\u00f4nio.\n\nO relevo da pen\u00ednsula It\u00e1lica \u00e9 constitu\u00eddo ao norte pela cordilheira dos Alpes, cuja altitude vai diminuindo em dire\u00e7\u00e3o ao sul, at\u00e9 a plan\u00edcie do rio P\u00f3. Da\u00ed at\u00e9 o extremo sul, na dire\u00e7\u00e3o norte-sul, estende-se a regi\u00e3o montanhosa dos Apeninos, que separa as duas plan\u00edcies litor\u00e2neas paralelas.\n\nToda essa regi\u00e3o, extremamente f\u00e9rtil, sempre permitiu \u00e0 popula\u00e7\u00e3o local, principalmente das plan\u00edcies, produzir em seu pr\u00f3prio alimento.\n\nEssa era uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a sobreviv\u00eancia dos povos que habitavam o territ\u00f3rio, pois as montanhas de um lado e o mar de outro provocavam um relativo isolamento de toda a It\u00e1lia.\n\nEntre os primitivos habitantes da pen\u00ednsula It\u00e1lica encontravam-se, ao norte, os ligures e ao sul, os s\u00edculos (ou sicilianos).\n\nA partir de 2000 a.C., povos indo europeus, aparentados com os arianos gregos, deslocaram-se para o centro e para o sul da pen\u00ednsula.\n\n<strong>Esses povos conhecidos como italiotas ou it\u00e1licos, formavam v\u00e1rios n\u00facleos de povoa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0latinos, samnitas, \u00fambrios, volscos e sabinos.\n\nOs latinos fixaram-se na plan\u00edcie do L\u00e1cio, \u00e0s margens do rio Tibre, onde praticavam a agricultura e o pastoreio.\n\n<strong>Viviam em comunidades primitivas, tendo como chefe o mais velho do grupo<\/strong>: o pater-fam\u00edlia.\n\nNa \u00e9poca da coloniza\u00e7\u00e3o pelos latinos, Roma era nada mais que um forte militar, constru\u00eddo para evitar a invas\u00e3o de povos vizinhos.\n\nA partir do s\u00e9culo VIII a.C., enquanto o n\u00edvel de vida das tribos italiotas era ainda muito rudimentar, os gregos que come\u00e7aram a colonizar o sul j\u00e1 apresentavam not\u00e1vel desenvolvimento econ\u00f4mico e cultural.\n\nNessa mesma \u00e9poca chegaram tamb\u00e9m os etruscos, vindos provavelmente da \u00c1sia Menor, que ocupavam a plan\u00edcie a oeste do Tibre.\n\nDistribu\u00eddos em doze cidades, os etruscos formavam uma confedera\u00e7\u00e3o. A partir de sua \u00e1rea de ocupa\u00e7\u00e3o inicial, estenderam seus dom\u00ednios para o sul, at\u00e9 chegar \u00e0s plan\u00edcies do L\u00e1cio e de Camp\u00e2nia. Ao norte, expandiram-se em dire\u00e7\u00e3o ao vale do P\u00f3. Ao sul chegaram a competir com os gregos, principalmente depois de se aliarem aos fen\u00edcios de Cartago.\n\nOcupando toda regi\u00e3o do L\u00e1cio, os etruscos conseguiram dar \u00e0 cidade de Roma uma nova estrutura. Empregaram novas t\u00e9cnicas, desconhecidas pelos latinos, e fizeram da agricultura a atividade econ\u00f4mica predominante. Desenvolveram tamb\u00e9m atividades tipicamente urbanas como o com\u00e9rcio e o artesanato, contribuindo para a transforma\u00e7\u00e3o da aldeia em cidade.\n\nAs mudan\u00e7as econ\u00f4micas ocorridas em Roma conduziram a transforma\u00e7\u00f5es na organiza\u00e7\u00e3o social.\n\nCom o surgimento da propriedade privada, a comunidade primitiva teve fim e as fam\u00edlias ligadas ao p\u00e1ter-fam\u00edlia apropriaram-se das melhores terras, formando uma aristocracia de patr\u00edcios (palavra cujo significado se aproxima de \u201cpai\u201d, ou pater em latim). Constituindo a camada social dominante, os patr\u00edcios eram denominados gentes por estarem agrupados numa \u00fanica unidade b\u00e1sica, o gens ou cl\u00e3\n\nOs membros de gens reuniam-se em torno do mesmo chefe e cultuavam o mesmo antepassado.\n\nEssa unidade compreendia os parentes pobres ou clientes e os patr\u00edcios agrupavam-se em associa\u00e7\u00f5es religiosas chamadas c\u00farias.\n\nTodos os que n\u00e3o pertenciam ao gens eram considerados plebeus. Em geral a camada dos plebeus era formada por estrangeiros, comerciantes, artes\u00e3os e pequenos propriet\u00e1rios de terras pouco f\u00e9rteis.\n\nOs plebeus que conseguiram enriquecer, podiam reivindicar a condi\u00e7\u00e3o de clientes, desde que se colocassem sob a prote\u00e7\u00e3o legal de uma fam\u00edlia patr\u00edcia. Em troca, prestavam determinados servi\u00e7os e adotavam o mesmo culto religioso da fam\u00edlia. Desse modo, conseguiram assegurar seu direito \u00e0 propriedade perante as leis romanas.\n\nTais plebeus que enriquecidos compunhas a clientela que, dependendo da fam\u00edlia patr\u00edcia, poderia tornar-se heredit\u00e1ria.\n\nHavia, ainda, os escravos que, em pequeno n\u00famero, limitavam-se aos servi\u00e7os dom\u00e9sticos ou a atender as necessidades pessoais dos patr\u00edcios.\n\n<strong>O per\u00edodo da monarquia<\/strong>\n\nDurante o s\u00e9culo VI a.C., o regime de governo era mon\u00e1rquico e o poder real apresentava car\u00e1ter divino. O rei acumulava a chefia militar, administrativa, jur\u00eddica e religiosa.\n\nEra eleito pelo Senado e governava durante toda vida.\n\n<strong>Para governar, apoiava-se em duas institui\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0O Senado, um conselho de anci\u00e3os composto pelos patr\u00edcios mais importantes, e a Assembl\u00e9ia Curiativa, que reunia todos os patr\u00edcios adultos, membros das trinta c\u00farias romanas.\n\nOs patr\u00edcios estavam divididos em tr\u00eas tribos e estas em dez c\u00farias. Cada tribo contribu\u00eda para defesa do Estado com cem cavaleiros e dez cent\u00farias (unidade b\u00e1sica do ex\u00e9rcito romano).\n\nA elei\u00e7\u00e3o do rei envolvia um complexo sistema, onde cabia ao Senado selecionar um membro de cada tribo e \u00e0 Assembl\u00e9ia Curiata escolher um entre os tr\u00eas selecionados para o cargo.\n\nA partir de 625 a.C., Roma passou a ser governada por reis etruscos. O \u00faltimo deles, Tarqu\u00ednio, o Soberbo, foi deposto e expulso da cidade em 509 a.C., Tarqu\u00ednio teria se aproximado das classes mais baixas da sociedade, provocando a ira do patriciado. Mas o imp\u00e9rio etrusco j\u00e1 estava em decad\u00eancia, principalmente pelos constantes ataques dos gauleses e da forte presen\u00e7a dos gregos na Sic\u00edlia.\n\nO nascimento da Rep\u00fablica romana foi uma rea\u00e7\u00e3o dos patr\u00edcios, que procuravam reaver o poder pol\u00edtico perdido para os reis etruscos.\n\n<strong>A Rep\u00fablica Romana<\/strong>\n\nA substitui\u00e7\u00e3o da Monarquia pela Rep\u00fablica foi um ato reacion\u00e1rio dos patr\u00edcios, que afastaram a realeza, cada vez mais comprometida com as classes empobrecidas.\n\nO monop\u00f3lio do poder voltou \u00e0s m\u00e3os dos patr\u00edcios, com as institui\u00e7\u00f5es romanas assegurando a manuten\u00e7\u00e3o desse poder.\n\nPlebeus e escravos continuaram sem direitos pol\u00edticos, mas alguns plebeus, enriquecidos com o com\u00e9rcio, chegaram a Ter certos privil\u00e9gios resultantes de sua condi\u00e7\u00e3o de clientes. Entretanto, dependiam inteiramente dos benef\u00edcios concedidos pelos patr\u00edcios.\n\nA base da Rep\u00fablica romana era o Senado, formado por trezentos patr\u00edcios, com a responsabilidade de propor leis.\n\n<strong>Os cargos eram vital\u00edcios, abrigando outras fun\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0garantir a integridade da tradi\u00e7\u00e3o e da religi\u00e3o, supervisionar as finan\u00e7as p\u00fablicas, conduzir a pol\u00edtica externa e administrar as prov\u00edncias.\n\nA presid\u00eancia do Senado era exercida por magistrado, que o convocava, podendo ser um c\u00f4nsul, um pretor ou tribuno.\n\nExistiam duas assembl\u00e9ias encarregadas de votar as leis sugeridas pelo Senado. A Assembl\u00e9ia Curiata, que perdeu quase toda sua import\u00e2ncia durante a Rep\u00fablica, e a Assembl\u00e9ia Centuriata, formada pelas cent\u00farias (divis\u00f5es pol\u00edticas e militares compostas de cem cidad\u00e3os), a quem cabia de fato discutir e votar as propostas.\n\nO poder executivo era exercido pelos magistrado, pertencentes na maioria das vezes \u00e0 classe dos patr\u00edcios. Com exce\u00e7\u00e3o do censor, todos os magistrados eram eleitos pela Assembl\u00e9ia Centuriata para um mandato de um ano. Coletivas, as magistraturas exigiam a presen\u00e7a de dois ou mais magistrados para cada cargo.\n\n<strong>Os magistrados eram os seguintes:<\/strong>\n<blockquote><strong>C\u00f4nsules:\u00a0<\/strong>Detinham o maior poder, equivalente ao dos antigos reis. Eram dois eleitos para o per\u00edodo de um ano. Tinham como atribui\u00e7\u00f5es comandar o Ex\u00e9rcito, convocar o Senado e presidir os cultos. Nos per\u00edodos de crise, indicavam um ditador, que exercia o poder de forma absoluta durante o per\u00edodo m\u00e1ximo de seis meses.<strong>\nPretores:<\/strong>\u00a0<strong>Ministravam a justi\u00e7a, existindo dois<\/strong>: uma para as cidades, chamado de urbano, e outro para o campo e para estrangeiros, chamado de peregrino.<strong>\nCensores:<\/strong>\u00a0Sua fun\u00e7\u00e3o era fazer o recenseamento dos cidad\u00e3os. Calculavam o n\u00edvel de riqueza de cada um e vigiavam a conduta moral do povo.<strong>\nQuestores:<\/strong>\u00a0Encarregados de administrar as finan\u00e7as p\u00fablicas.<\/blockquote>\n<strong>Tribunos da plebe<\/strong>\n\nSurgiram em decorr\u00eancia das lutas da plebe por seus direitos. Os Tribunos podiam vetar todas as leis contr\u00e1rias aos interesses dos plebeus, menos em \u00e9poca de guerras ou graves perturba\u00e7\u00f5es sociais, quando todas as leis ficavam sob controle exclusivo do ditador. Os tribunos da plebe eram considerados inviol\u00e1veis em quem os agredisse era condenado \u00e0 morte.\n\n<strong>As lutas de classe na Rep\u00fablica<\/strong>\n\nA marginaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da plebe vinha desde os tempos da Monarquia continuando at\u00e9 a Rep\u00fablica. Como conseq\u00fc\u00eancia, os plebeus sofriam s\u00e9rias discrimina\u00e7\u00f5es. Nas guerras, ficavam com os piores despojos; quando se endividavam e n\u00e3o podiam pagar suas d\u00edvidas, tornavam-se escravos. Nessa \u00e9poca, as leis n\u00e3o eram escritas, mas orais, baseadas na tradi\u00e7\u00e3o, o que concedia grandes privil\u00e9gios ao patriciado devido \u00e0 sua complexa interpreta\u00e7\u00e3o.\n\nO monop\u00f3lio do poder pelos patr\u00edcios (que controlavam o Senado, a Assembl\u00e9ia Centuriata e as principais magistraturas), impedindo que os plebeus fossem nomeados c\u00f4nsules ou censores, levou a sucessivas revoltas.\n\nNa primeira delas, ocorrida em 494 a.C., os plebeus de Roma realizaram a primeira greve da hist\u00f3ria. Retirando-se para o Monte Sagrado, amea\u00e7aram formar ali uma nova rep\u00fablica, deixando a cidade totalmente desprotegida e \u00e0 merc\u00ea de poss\u00edveis invasores. Os patr\u00edcios foram obrigados a ceder, criando-se ent\u00e3o os Tribuno da Plebe, cargo exercido exclusivamente por plebeus para defender os interesses de classe.\n\nComo os tribunos eram eleitos pelas Assembl\u00e9ias Centuriatas, onde os patr\u00edcios tinham maioria absoluta de votos, a a\u00e7\u00e3o dos Tribunos da Plebe ficou bastante limitada. Por isso os plebeus continuaram a lutar e, em 471 a.C., foi criada a Assembl\u00e9ia da Plebe, composta exclusivamente por membros das camadas inferiores para escolher seus pr\u00f3prios tribunos.\n\nComo n\u00e3o havia nenhuma legisla\u00e7\u00e3o escrita que garantisse os direitos dos plebeus, estes novamente se revoltaram em 450 a.C.,\n\n<strong>Desta vez, o resultado da revolta foi a cria\u00e7\u00e3o dos dec\u00eanviros com a finalidade de redigir novas leis que, prontas, receberam o nome de Lies das Doze T\u00e1buas:<\/strong>\n\nMas, quando a Lei das Doze T\u00e1buas ficou pronta, os plebeus perceberam que a situa\u00e7\u00e3o anterior pouco havia mudado. Entre as proibi\u00e7\u00f5es mantidas, continuava vetado o casamento entre patr\u00edcios e plebeus, cuja finalidade era preservar a pureza do sangue patr\u00edcio e, portanto, fixar seu direito exclusivo ao poder. Certos de que com os casamentos mistos poderiam quebrar a hegemonia patr\u00edcia, os plebeus passaram a exigir o fim dessa lei, o que foi atendido atrav\u00e9s da institui\u00e7\u00e3o da Lei Canul\u00e9ia. Mas seu efeito ficou bastante reduzido, j\u00e1 que s\u00f3 beneficiou apenas os plebeus ricos.\n\nOs plebeus revoltaram-se pela \u00faltima vez em 247 a.C., quando retornaram para o Monte Sagrado. Dessa vez, os patr\u00edcios concordaram que as leis votadas para a plebe na sua Assembl\u00e9ia tivesses validade para todo Estado. Essas decis\u00f5es foram chamadas plebiscito, o que significa \u201ca plebe aceita\u201d.\n\nEmbora os progressos entre a primeira e a \u00faltima revolta tivesses sido grandes, essa leis, na pr\u00e1tica, continuaram a beneficiar apenas os plebeus ricos, principalmente os comerciantes, que, por casamento, podiam almejar os melhores cargos da Rep\u00fablica. A explora\u00e7\u00e3o dos pobres, no entanto, continuou, n\u00e3o havendo a m\u00ednima condi\u00e7\u00e3o de alcan\u00e7arem o poder.\n\nApesar disso, por volta do s\u00e9culo III A.C., a Rep\u00fablica de Roma se caracterizava pelo equil\u00edbrio de poder entre as classes, o que, no fundo, escondia o fato de que havia um Estado Patr\u00edcio e um Estado Plebeu.\n\n<strong>O Imperialismo Romano<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Rep\u00fablica romana<\/strong>\u00a0foi marcada por conquistas que expandiram seu dom\u00ednio por toda a bacia do Mediterr\u00e2neo.\n\nEm Roma, escravos e terras constitu\u00edam riqueza, e a forma de os grandes propriet\u00e1rios e comerciantes romanos consegu\u00ed-los era por meio de guerras e conquistas. Assim, o imperialismo romano manifestou-se como uma pol\u00edtica de conquista de novos territ\u00f3rios, para aumentar a m\u00e3o-de-obra escrava e atender aos interesses dos grandes propriet\u00e1rios de terras e de escravos.\n\n<strong>A conquista da It\u00e1lia<\/strong>\n\nOs romanos levaram 230 anos para conquistar toda It\u00e1lia.\n\n<strong>As primeiras guerras tiveram um car\u00e1ter diferente:\u00a0<\/strong>a prosperidade de Roma atra\u00eda a cobi\u00e7a dos vizinhos e, para defender-se, os romanos acabavam ocupando novos territ\u00f3rios.\n\nNessa fase inicial foram vencidos os volscos e sabinos; as cidades latinas foram tomadas em 338 a.C..\n\nNo outro lado do rio Tibre estavam os etruscos, dominadores dos romano durante v\u00e1rios s\u00e9culos. Cinq\u00fcenta anos depois da conquista das cidades latinas, os romanos anexaram toda a Etr\u00faria Meridional. Entretanto, a expans\u00e3o romana pelo continente foi interrompida pelos gauleses, que chegaram a saquear Roma.\n\nAp\u00f3s a sa\u00edda dos gauleses, que ainda eram semin\u00f4mades, os romanos continuaram sua campanha.\n\nO passo seguinte foi a conquista da f\u00e9rtil plan\u00edcie de Camp\u00e2nia. Mas a presen\u00e7a romana ao sul da pen\u00ednsula alertou os gregos da Magna Gr\u00e9cia, principalmente Tarento, que pediram ajuda a Pirro, rei do Epiro, e seu ex\u00e9rcito de mercen\u00e1rios e elefantes.\n\nA derrota de Pirro e seus aliados abriu aos romanos a possibilidade de conquistar toda It\u00e1lia, o que foi confirmado com a anexa\u00e7\u00e3o da Etr\u00faria, em 265 a.C., e a vit\u00f3ria sobre os gauleses da costa do Andri\u00e1tico.\n\nOs territ\u00f3rios conquistados pelos romanos na It\u00e1lia n\u00e3o apresentavam uma organiza\u00e7\u00e3o uniforme. Havia uma imensa variedade de culturas e sistemas de governo, e em toda parte os romanos procuravam manter os vencidos unidos numa confedera\u00e7\u00e3o. Tentavam, assim, estabelecer uma liga\u00e7\u00e3o permanente entre o Estado romano e o resto da It\u00e1lia. Al\u00e9m disso, adotaram uma h\u00e1bil pol\u00edtica diplom\u00e1tica, concedendo o direito de cidadania a muitos povos conquistados.\n\nA constru\u00e7\u00e3o de um sistema de estradas tamb\u00e9m permitiu o r\u00e1pido deslocamento e a presen\u00e7a do seu forte ex\u00e9rcito em qualquer parte da It\u00e1lia.\n\n<strong>Roma contra Cartago:\u00a0<\/strong>as guerras p\u00fanicas\n\nCartago, col\u00f4nia fundada pelos fen\u00edcios no s\u00e9culo VIII a.C., era grande rival de Roma na regi\u00e3o do Mediterr\u00e2neo Ocidental. Os mercadores cartagineses dominavam o com\u00e9rcio, transformando Cartago num grande entreposto, que contava com uma poderosa for\u00e7a naval e um ex\u00e9rcito composto de mercen\u00e1rios.\n\n<strong>Primeira Guerra P\u00fanica:<\/strong>\u00a0Os cartagineses ocupavam parte da Sic\u00edlia. Aproveitando-se de uma disputa que envolveu piratas italiotas e habitantes cartagineses da Sic\u00edlia, Roma entrou em guerra contra Cartago em 264 a.C. Depois de v\u00e1rias lutas, que duraram 23 anos, Roma venceu a batalha decisiva, realizada na ilha de \u00c9gales. Lideradas por Am\u00edlcar Barca, as for\u00e7as cartaginesas tiveram que pagar um pesado tributo aos vencedores e entregar a Roma as ilhas da Sic\u00edlia, da C\u00f3rsega e da Sardenha.\n\n<strong>Segunda Guerra P\u00fanica:<\/strong>\u00a0Para compensar as perdas no mar Tirreno, Cartago passou a explorar intensamente as minas de prata da Espanha. Era uma forma de conseguir recursos para a desforra. Na tentativa de evitar novas guerras, uma delega\u00e7\u00e3o romana chegou a ser enviada a Cartago, com o objetivo de delimitar as \u00e1reas de influ\u00eancia dos dois contendores. Mas a iniciativa n\u00e3o obteve \u00eaxito e, em 216 a.C., An\u00edbal Barca, filho de Am\u00edlcar, partiu de Cartago com uma formid\u00e1vel for\u00e7a de sessenta mil homens, mais de dez mil cavalos e grande n\u00famero de elefantes.\n\nO Ex\u00e9rcito cartagin\u00eas rumou na dire\u00e7\u00e3o norte e, depois de atravessar os Alpes, derrotou os romanos, conseguindo chegar perto de Roma. Entretando, a rebeli\u00e3o das cidades gregas contra a Maced\u00f4nia privou An\u00edbal de um precioso aliado. Aos poucos, o Ex\u00e9rcito romano foi reconquistando posi\u00e7\u00f5es at\u00e9 que, na Batalha de Zama. em 202 a.C., os cartagineses foram finalmente vencidos.\n\n<strong>O resultado da guerra foi doloroso para os cartagineses:<\/strong>\u00a0perderam a Espanha e o resto da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e tiveram que entregar sua esquadra naval aos romanos.\n\n<strong>Terceira Guerra P\u00fanica:<\/strong>\u00a0Na terceira e \u00faltima guerra (150-146 a.C.), um ex\u00e9rcito de oitenta mil homens, liderados pelo general Cipi\u00e3o Emiliano, foi enviado \u00e0 \u00c1frica e reduziu Cartago a uma simples prov\u00edncia. A cidade foi totalmente destru\u00edda, seus quarenta mil habitantes escravizados e as terras conquistadas divididas entre os invasores. Assim, Roma completou seu dom\u00ednio sobre todo o Mediterr\u00e2neo Ocidental.\n\n<strong>A conquista do Mediterr\u00e2neo Oriental<\/strong>\n\nComo a Maced\u00f4nia auxiliara os cartaginesess em sua luta contra Roma durante a Segunda Guerra P\u00fanica, os romanos decidiram intervir na Maced\u00f4nia e em todo Oriente M\u00e9dio. Assim, em pouco mais de trinta anos foram respectivamente ocupadas a Maced\u00f4nia, a Gr\u00e9cia, a S\u00edria e a Palestina. O Egito foi o \u00faltimo imp\u00e9rio Mediterr\u00e2neo a ser conquistado, sendo ocupado pelas tropas romanas em 30 a.C. Finalmente, com as vit\u00f3rias dos ex\u00e9rcitos de J\u00falio C\u00e9sar nas campanhas da G\u00e1lia, completou-se o quadro de conquistas romanas na fase da Rep\u00fablica.\n\nRoma passou a dominar toda bacia do Mediterr\u00e2neo. Estabeleceu sua pr\u00f3pria administra\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es conquistadas e em cada prov\u00edncia colocou um governador (proc\u00f4nsul), designado para o cargo por um ano mas que, na maioria das vezes, permanecia durante v\u00e1rios anos. O poder do proc\u00f4nsul era absoluto, exercendo tanto fun\u00e7\u00f5es militares como civis.\n\nRoma, respeitava as institui\u00e7\u00f5es e os costumes locais, e o tratamento dispensado a cada prov\u00edncia variava muito. Em geral, limitava-se a tomar escravos e a cobrar impostos.\n\n<b>Consequ\u00eancias<\/b><strong>\u00a0do imperialismo<\/strong>\n\nO dom\u00ednio na bacia do Mediterr\u00e2neo resultou em grandes transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e pol\u00edticas, que conduziram \u00e0 crise e ao fim da Rep\u00fablica, formando-se o Imp\u00e9rio.\n\nA economia romana passou a se fundamentar na venda de escravos capturados entre os povos vencidos e na cobran\u00e7a de tributos das regi\u00f5es conquistadas.\n\nUm dos reflexos dessa mudan\u00e7a foi a forma\u00e7\u00e3o de uma classe de ricos comerciantes, os cavaleiros.\n\nO trabalho escravo passou a ocupar todas as atividades profissionais, sobretudo nas grandes propriedades, que chegavam a atingir a extens\u00e3o de 80.000 hectares. Entretanto, na Gr\u00e9cia, durante o per\u00edodo cl\u00e1ssico, o escravismo coincidiu com a estabiliza\u00e7\u00e3o da pequena propriedade e a forma\u00e7\u00e3o de um grupo de cidad\u00e3os composto principalmente por pequenos propriet\u00e1rios, em Roma o resultado foi o latif\u00fandio e o dom\u00ednio de uma poderosa aristocracia.\n\nCom o progresso econ\u00f4mico resultante do imperialismo ocorre o surgimento de uma nova classe social, a dos homens novos ou cavaleiros. Eram antigos plebeus que possu\u00edam algum capital e que, aplicando-o em atividades rendosas \u2014 cobran\u00e7a de impostos, fornecimento de v\u00edveres para o ex\u00e9rcito durante as campanhas militares, arrendamento da explora\u00e7\u00e3o de minas e florestas pertencentes ao poder p\u00fablico, constru\u00e7\u00e3o de pontes, estradas, etc. \u2014 obtinham grandes lucros, tornando-se imensamente ricos.\n\nPor\u00e9m, a classe pleb\u00e9ia, sustent\u00e1culo do ex\u00e9rcito, tendia a desaparecer.\n\nA agricultura em grande escala exigia cada vez mais capital e tanto o escravo quanto os pequenos propriet\u00e1rios estavam sendo totalmente arruinados. Como o trabalho livre praticamente n\u00e3o existia (a maioria das tarefas era executada pelos escravos), os plebeus proletarizados, cada vez em maior n\u00famero passaram a viver em torno de Roma com o p\u00e3o e o circo fornecido pelo Estado.\n\nEssas mudan\u00e7as, resultantes da explora\u00e7\u00e3o imperialista, abriram um novo quadro em Roma, marcado por violentas lutas pol\u00edticas e sociais. Inicialmente ocorreram conflitos entre patr\u00edcios e plebeus e, depois, entre patr\u00edcios e cavaleiros, que reivindicavam o direito de ocupar cargos na magistratura e no Senado, pois isso lhes aumentaria o poder econ\u00f4mico.\n\nEssas lutas iriam destruir as bases da Rep\u00fablica romana e formar o Imp\u00e9rio.\n\n<strong>A Crise da Rep\u00fablica<\/strong>\n\nA plebe proletarizada tinha seus tribunos no Senado para defender seus interesses. O tribuno Tib\u00e9rio Graco prop\u00f4s, em 133 a.C., a Lei Agr\u00e1ria, destinada a realizar em Roma a redistribui\u00e7\u00e3o de terras inativas (n\u00e3o cultivadas) entre os plebeus desempregados.\n\nDe origem nobre e rica, Tib\u00e9rio Graco teve educa\u00e7\u00e3o esmerada, sendo influenciado pela cultura grega. Seu modelo de conduta era a democracia ateniense, principalmente os ensinamentos de P\u00e9ricles.\n\nComo tribuno da plebe, retomou antigas leis, que nunca haviam sido postas em pr\u00e1tica, referentes ao uso de terras p\u00fablicas por particulares. Prop\u00f4s um limite \u00e0 propriedade de 125 hectares.\n\nAs que ultrapassassem esse n\u00famero, voltariam ao Estado e seriam redistribu\u00eddas aos mais pobres. Uma comiss\u00e3o agr\u00e1ria composta por tr\u00eas membros faria o cadastramento.\n\nA reforma agr\u00e1ria n\u00e3o interessava aos patr\u00edcios propriet\u00e1rios de terras, que come\u00e7aram a boicotar as propostas de Tib\u00e9rio Graco. Com fim do mandato, o tribuno candidatou-se novamente (o que n\u00e3o era permitido por lei). Mas apesar de sua vit\u00f3ria na reelei\u00e7\u00e3o, sem i apoio dos camponeses presos \u00e0 terra e da plebe urbana desinteressada, tornou-se presa f\u00e1cil dos inimigos.\n\nCercado no Capit\u00f3lio por senadores em membros do partido dos nobres, Tib\u00e9rio foi massacrado junto com trezentos partid\u00e1rios.\n\nA semente da revolta pleb\u00e9ia brotou novamente com Caio Graco, irm\u00e3o de Tib\u00e9rio, em 123 a.C.\n\nCaio Graco reivindicou melhores condi\u00e7\u00f5es de vida para a plebe e conseguiu que o Senado aprovasse a Lei Frument\u00e1ria, que distribu\u00eda p\u00e3o \u00e0 plebe.\n\nMais Caio Graco pretendia radicalizar o movimento, conseguindo terras para plebe. Os cavaleiros, que tamb\u00e9m eram propriet\u00e1rios, retiraram o apoio a Caio, impedindo assim a sua reelei\u00e7\u00e3o como tribuno.\n\nTentando impor sua proposta pela for\u00e7a o movimento foi reprimido e os principais disc\u00edpulos de Caio decapitados. Caio pediu a um escravo que o matasse.\n\nO movimento dos plebeus, liderado pelos irm\u00e3os Graco, n\u00e3o alcan\u00e7ou seu objetivos. O proletariado romano, sustentado pelo Estado, relutou em apoiar o movimento, prejudicando tamb\u00e9m a uni\u00e3o entre patr\u00edcios e cavaleiros.\n\n<strong>A luta entre patr\u00edcios e plebeus<\/strong>\n\nA alian\u00e7a entre cavaleiros e patr\u00edcios era fr\u00e1gil, principalmente porque existia, entre eles uma incans\u00e1vel luta pelo poder.\n\nDepois da morte dos irm\u00e3os Graco, a plebe, \u00f3rf\u00e3 de lideran\u00e7a pol\u00edtica, aliou-se ao Partido Democrata, formado por ricos comerciantes \u2014 os cavaleiros \u2014, que lutavam para tirar o poder dos patr\u00edcios.\n\nOs patr\u00edcios, por sua vez, eram incapazes de resolver os graves problemas que amea\u00e7avam a Rep\u00fablica. Enquanto isso, generais vitoriosos em in\u00fameras batalhas alcan\u00e7avam enorme popularidade e usavam seu prest\u00edgio para fazer carreira pol\u00edtica.\n\nM\u00e1rio era um exemplo desse novo homem pol\u00edtico, depois de vencer muitas batalhas na \u00c1frica, aliou-se a fac\u00e7\u00e3o radical do Partido Democrata, o Partido Popular, elegendo-se ilegalmente c\u00f4nsul por seis vezes consecutivas (105-100 a.C.). Devido a sua origem pleb\u00e9ia, M\u00e1rio era destacado pelo Senado. Mas sua popularidade cresceu ainda mais depois da vit\u00f3ria sobre os teut\u00f5es.\n\nSila, grande rival de M\u00e1rio e seu subalterno na \u00c1frica, tornou-se famoso quando, a servi\u00e7o dos patr\u00edcios, reprimiu com viol\u00eancia as guerras sociais que eclodiam em toda It\u00e1lia.\n\nDa rivalidade entre os dois resultou uma violenta guerra civil que s\u00f3 terminaria com a morte de M\u00e1rio em 86 a.C. Com o apoio do Senado, Sila alcan\u00e7ou um poder quase absoluto. Entretanto, o Dom\u00ednio de Sila durou pouco. Depois de derrotar os \u00faltimos partid\u00e1rios de M\u00e1rio, abandonou a vida p\u00fablica.\n\nCom a perda de express\u00e3o pol\u00edtica e econ\u00f4mica dos patr\u00edcios, desenvolveu-se um novo per\u00edodo de lutas, solucionado com um acordo entre as classes dominantes.\n\nEsse acordo permitiu a forma\u00e7\u00e3o do primeiro triunvirato, em 60 a.C.., composto por Crasso, rico cavaleiro, Pompeu representante dos patr\u00edcios, e Caio J\u00falio C\u00e9sar pol\u00edtico de origem nobre mas com enorme prest\u00edgio entre a popula\u00e7\u00e3o pobre.\n\nAs guerras que envolveram Roma, desde Sila a M\u00e1rio, demonstraram que a Rep\u00fablica dos patr\u00edcios chegava ao fim e que lhe surgiam novos instrumentos do poder, como a plebe urbana e o ex\u00e9rcito profissional.\n\n<strong>Dos triunviratos \u00e0 forma\u00e7\u00e3o do Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nAs for\u00e7as adversas e a morte de Crasso na luta contra os partas (53 a.C.) conseguiram derrubar o prec\u00e1rio equil\u00edbrio do primeiro triunvirato. Sob o pretexto de reprimir os grupos armados, formados por ex\u00e9rcitos particulares que espalhavam o terror em Roma, o Senado nomeou Pompeu c\u00f4nsul, com a miss\u00e3o de restabelecer a ordem.\n\nPara evitar uma nova crise de poder, J\u00falio C\u00e9sar prop\u00f4s que todos os ex\u00e9rcitos particulares fossem desmobilizados. Al\u00e9m de recusar a proposta, o Senado exigiu que ele pr\u00f3prio desmobilizasse suas tropas e abandonasse seus t\u00edtulos.\n\nNo entanto, ao conquistar a G\u00e1lia, importante fonte de fornecimento de escravos, C\u00e9sar ganhou forte simpatia dos cavaleiros, assim como do proletariado protegido pela pol\u00edtica do p\u00e3o e circo.\n\nSentindo-se suficientemente forte para enfrentar Pompeu e o Senado, C\u00e9sar, auxiliado por suas tropas da G\u00e1lia, cruzou o rio Rubic\u00e3o e invadiu a It\u00e1lia. Ap\u00f3s o assassinato de Pompeu, no Egito, C\u00e9sar instaurou a ditadura.\n\nComo ditador, C\u00e9sar limitou o poder do Senado, acumulou cargos e restringiu a influ\u00eancia do patriciado. Armado de poder quase absoluto, iniciou amplas reformas.\n\nP\u00f4s fim ao longo per\u00edodo de guerra civil e restabeleceu a paz em todo imp\u00e9rio. Distribuiu terras aos soldados, obrigou os propriet\u00e1rios a empregar homens livres e reformou o calend\u00e1rio romano.\n\nJ\u00falio C\u00e9sar pretendia tornar seus poderes heredit\u00e1rios, o que significava o fim do Senado e da Rep\u00fablica. Isso foi suficiente para que, liderada por C\u00e1ssio e Bruto a aristocracia conspirasse.\n\nAproveitando-se de uma visita de C\u00e9sar ao Senado, um grupo de senadores aristocratas o assassinou a punhaladas (44 a.C.).\n\nMas C\u00e1ssio e Bruto n\u00e3o conseguiram ascender ao poder. Marco Ant\u00f4nio, general e amigo pessoal de C\u00e9sar, sublevou o povo de Roma contra os conspiradores, que foram perseguidos e mortos.\n\nTemeroso e seguindo o conselho de C\u00edcero \u2014 advogado famoso, defensor do regime republicano e da Constitui\u00e7\u00e3o \u2014 o, Senado entregou o poder a Caio Ot\u00e1vio, sobrinho e herdeiro leg\u00edtimo de C\u00e9sar.\n\nApesar de Ot\u00e1vio atacar Marco Ant\u00f4nio em M\u00f3dena, os dois litigantes chegaram a um acordo e, com L\u00e9pido, formaram segundo triunvirato. Ot\u00e1vio ficou com as prov\u00edncias da Sic\u00edlia e da \u00c1frica; Marco Ant\u00f4nio com a G\u00e1lia Cisalpina; L\u00e9pido com a G\u00e1lia Harbonesa e Hisp\u00e2nia. Mais tarde, uma nova divis\u00e3o estabeleceu que L\u00e9pido ficava com a \u00c1frica, Marco Ant\u00f4nio com o Oriente e Ot\u00e1vio com o Ocidente.\n\nEm conseq\u00fc\u00eancia da nova divis\u00e3o do poder e do enfraquecimento dos patr\u00edcios, realizou-se um numero expurgo no Senado. Milhares de inimigos foram presos e cassados. C\u00edcero foi um deles. Suas m\u00e3os cortadas; depois acabou assassinado por Her\u00eanio.\n\nComo ocorreu no primeiro triunvirato, o novo acordo durou pouco. L\u00e9pido foi rapidamente afastado e indicado para a an\u00f3dina fun\u00e7\u00e3o religiosa e sumo-sacerdote. Marco Ant\u00f4nio deixou-se ficar no Oriente, onde acostumou-se com os h\u00e1bitos e o luxo locais. Essa atitude deu liberdade a Ot\u00e1vio que, depois de fortalecer sua posi\u00e7\u00e3o em Roma, sob a alega\u00e7\u00e3o de que queria criar um imp\u00e9rio romano no Oriente, atacou Marco Ant\u00f4nio, derrotando-o na Batalha de \u00c1cio. Marco Ant\u00f4nio fugiu com Cle\u00f3patra para o Egito, perseguidos pelos ex\u00e9rcitos de Ot\u00e1vio. Quando as tropas romanas tomaram Alexandria, Ant\u00f4nio e Cle\u00f3patra suicidaram-se (30 a.C.).\n\nCom a vit\u00f3ria no Egito e a posse dos imensos tesouros do fara\u00f3, Ot\u00e1vio acumulou uma fortuna que lhe permitiu formar um imenso ex\u00e9rcito, composto de setenta legi\u00f5es, e abastecer de trigo a plebe de Roma.\n\nTendo sob seu controle as principais fontes de poder ( o Ex\u00e9rcito e a plebe), Ot\u00e1vio procurou disfar\u00e7ar seu pr\u00f3prio poder, mantendo nas apar\u00eancias o regime republicano.\n\n<strong>Com receio de perder seus privil\u00e9gios, o Senado cumulou Ot\u00e1vio de t\u00edtulos:\u00a0<\/strong>Poder Tribun\u00edcio (que o tornava sacrossanto e inviol\u00e1vel); Imperador Consular (que lhe confiava o poder supremo do ex\u00e9rcito em todas as prov\u00edncias); Pont\u00edfice M\u00e1ximo (que o tornou chefe da religi\u00e3o romana); Princeps Senatus (que lhe dava o direito de governar o Senado); Imperador t\u00edtulo reservado aos generais vencedores)e, finalmente, Augusto (t\u00edtulo reservado aos deuses). Marcando o in\u00edcio do Imp\u00e9rio e o final da Rep\u00fablica, formou-se um regime pol\u00edtico caracterizado pelo absolutismo teocr\u00e1tico, muito semelhante aos antigos imp\u00e9rios orientais.\n\n<strong>O Alto Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nAo assumir o Imp\u00e9rio, Ot\u00e1vio \u2014 agora Ot\u00e1vio Augusto \u2013, refor\u00e7ando a base de poder, passou a Ter um papel mais importante que o do Senado. Entretanto isso, os antigos magistrados passaram a desempenhar fun\u00e7\u00f5es puramente civis e o Senado a Ter apenas o controle administrativo de Roma.\n\nO Ex\u00e9rcito estabeleceu armas em todas as prov\u00edncias, passando tamb\u00e9m a cobrar impostos \u2014 cujo sistema foi totalmente \u201creorganizado\u201d \u2014 e impondo pela for\u00e7a a chamada Pax Romana.\n\nDevido \u00e0 grande extens\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano e \u00e0 variada composi\u00e7\u00e3o de povos e costumes, havia um clima de permanente instabilidade que cabia ao Ex\u00e9rcito reprimir.\n\nAugusto estendeu os Dom\u00ednios de seu Imp\u00e9rio aos pa\u00edses situados ao sul do rio Dan\u00fabio, delimitando novas fronteiras para a regi\u00e3o setentrional. No Oriente, anexou a Gal\u00e1cia e a Jud\u00e9ia, estabelecendo tamb\u00e9m sua soberania sobre os arm\u00eanios.\n\nNo campo administrativo, criou novos impostos sobre as heran\u00e7as e sobre as vendas para aumentar a arrecada\u00e7\u00e3o do Estado. Aperfei\u00e7oou o sistema de justi\u00e7a e desenvolveu um correio especial, o que lhe permitiu um controle mais eficaz da administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica.\n\nNo campo social, modificou a estrutura da sociedade. Em substitui\u00e7\u00e3o ao crit\u00e9rio de nascimento, que era usado at\u00e9 ent\u00e3o para hierarquizar a sociedade, introduziu uma escala econ\u00f4mica, pela qual os cidad\u00e3os teriam direitos pol\u00edticos proporcionais ao bens.\n\nCom a morte de Augusto (14 d.C.), a dinastia J\u00falio-Claudiana teve continuidade com Tib\u00e9rio, filho adotivo de Augusto e seu herdeiro. Tib\u00e9rio foi um administrador eficiente, mas sua participa\u00e7\u00e3o na morte do general germ\u00e2nico tornou-o impopular.\n\nCal\u00edgula, seu sucessor, com sintomas de desequil\u00edbrio mental, passou a perseguir senadores e tentou criar um estilo oriental de governo. Foi assassinato por um guarda pretoriano em 41 d.C.\n\nAo assumir o poder no meio de uma conspira\u00e7\u00e3o palaciana, Nero (56-68 d.C.), o \u00faltimo imperador da dinastia J\u00falio-Claudiana, depois de um in\u00edcio feliz de governo, foi obrigado a renunciar no meio de uma revolta popular (68 d.C.) Nero perdeu seu prest\u00edgio ap\u00f3s Ter sido acusado de haver provocado o inc\u00eandio de Roma. Nesse per\u00edodo, a grande extens\u00e3o territorial do imp\u00e9rio dificultava cada vez mais a sua administra\u00e7\u00e3o, que passava a depender da fidelidade dos generais que controlavam as prov\u00edncias. Esses, fortalecidos, tamb\u00e9m come\u00e7aram a participar ativamente da luta pelo, poder, o que serviu para aumentar a instabilidade em Roma.\n\nCom o fim da dinastia J\u00falio-Claudiana, tr\u00eas generais \u2013 Galba, Ot\u00e3o e Vit\u00e9lio \u2014 assumiram provisoriamente o poder. Vespasiano (68-79 d.C), rico comerciante origin\u00e1rio da classe dos cavaleiros italianos e n\u00e3o da aristocracia romana, corou-se imperador e fundou uma nova dinastia, a Flaviana.\n\nNo auge do escravismo e da expans\u00e3o romana, essa nova dinastia representava os senhores donos de escravos. Os imperadores da dinastia Flaviana caracterizaram-se, sobretudo, por serem administradores competentes, que melhoraram as condi\u00e7\u00f5es gerais do Imp\u00e9rio. Vespasiano restaurou a paz e as finan\u00e7as; Tito (79-81 d.C.) foi \u00f3timo governante, mas Domiciano (81-96 d.C.) quis governar como soberano absoluto e foi assassinado numa conspira\u00e7\u00e3o palaciana (96 d.C).\n\nO per\u00edodo em que a dinastia dos Antoninos esteve no poder (96-192 d.C) marcou o apogeu de Roma. O Imp\u00e9rio atingiu sua maior extens\u00e3o territorial, conheceu grande prosperidade econ\u00f4mica, gozou de paz interna e foi administrado com efici\u00eancia.\n\n<strong>Entre os imperadores que mais se destacaram nesse per\u00edodo merecem ser lembrados:<\/strong>\u00a0Trajano (98-117 d.C.); excelente administrador e respeitador das institui\u00e7\u00f5es civis e do Senado; Adriano (117-138d.C.), homem pac\u00edfico que contribuiu para melhorar o direito romano, e Marco Aur\u00e9lio (161-180 d.C.) que se destacou pelo grande esp\u00edrito de justi\u00e7a.\n\nCom a morte de C\u00f4modo (180-192 d.C.) que se divertia combatendo gladiadores na arena, teve fim a dinastia dos Antoninos. O Imp\u00e9rio de Roma entrou em gradativa crise e estagna\u00e7\u00e3o. Os Severos, substitutos dos Antoninos, procuraram dar um car\u00e1ter ainda mais oriental ao Imp\u00e9rio, apoiados na burocracia e no ex\u00e9rcito. Duraram apenas quarenta anos.\n\n<strong>O Baixo Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nA economia de Roma, baseada quase exclusivamente no uso de trabalhadores escravos, passou a ressentir, a partir do s\u00e9culo II d.C., com falta desse tipo de m\u00e3o-de-obra.\n\nO longo per\u00edodo de paz afetou a oferta de escravos (fornecidos principalmente pelas guerras), que n\u00e3o p\u00f4de ser devidamente superada com a compra de novos contingentes nas regi\u00f5es de fronteira.\n\nComo esse tipo de popula\u00e7\u00e3o apresentava um baixo \u00edndice de natalidade e crescimento demogr\u00e1fico, o pre\u00e7o dos escravos come\u00e7ou a subir acentuadamente. Em menos de um s\u00e9culo, seu pre\u00e7o chegou a representar mais de dez vezes o seu custo inicial. Como era considerada uma mercadoria perec\u00edvel e de alto risco, tornou-se cada vez mais oneroso para os propriet\u00e1rios rurais fazerem esse tipo de investimento.\n\nAssim, a produ\u00e7\u00e3o dos grandes latif\u00fandios come\u00e7ou a declinar, caindo tamb\u00e9m o lucro dos propriet\u00e1rios.\n\n<strong>Com menos impostos a receber, em conseq\u00fc\u00eancia da crise econ\u00f4mica, O Estado romano viu-se obrigado a tomar uma s\u00e9rie de medidas:<\/strong>\u00a0deixou de sustentar a plebe urbana (que foi trabalhar no campo) e limitou os gastos com a corte imperial; aumentou tamb\u00e9m o valor dos impostos (quem n\u00e3o pudesse pag\u00e1-los fugiria para o campo) e, finalmente, reduziu os contingentes militares.\n\nComo sa\u00edda para a crise, os propriet\u00e1rios rurais escolheram um novo sistema de arrendamento. Pelo novo sistema, os trabalhadores sustentavam-se com o pr\u00f3prio trabalho, nos peda\u00e7os de terra fornecidos pelos donos.\n\nEm troca, tinham que trabalhar uns dias por semana para o propriet\u00e1rio. Esse tipo de arranjo tornava auto-suficiente a produ\u00e7\u00e3o de alimentos, mas dificultada a produ\u00e7\u00e3o de excedentes para o com\u00e9rcio.\n\nDesse modo, foram gradativamente transformados em colonos plebeus da cidade, b\u00e1rbaros que fugiam das guerras no mundo germ\u00e2nico, pequenos propriet\u00e1rios agr\u00edcolas e escravos que conseguiam obter seu peda\u00e7o de terra.\n\nA cidade deixou de ser o centro do Imp\u00e9rio. O n\u00facleo econ\u00f4mico passou a ser a vila, onde os grandes propriet\u00e1rios de terras, em uma ou mais constru\u00e7\u00f5es protegidas dirigiam a vida econ\u00f4mica, social e militar de toda a propriedade.\n\nEsse processo de ruraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e de descentraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica enfraquecia o imp\u00e9rio e preparava o surgimento do feudalismo. Por outro lado, \u00e0 medida que o imp\u00e9rio se enfraquecia, suas dificuldades aumentavam. Povos b\u00e1rbaros, na fronteira ocidental como os germ\u00e2nicos e os gauleses, amea\u00e7avam invadir. O mesmo ocorria no Oriente com os persas, berberes e maurit\u00e2nios.\n\nA partir de 235 d.C., o Imp\u00e9rio Romano passou a ser governado por imperadores-soldados. Eram comandantes do ex\u00e9rcito que tinham como prioridade a defesa do territ\u00f3rio.\n\nPara melhorar a efici\u00eancia administrativa do Estado, Dioclessiano introduziu, em 284 d.C., a tertrarquia, sistema pelo qual o Imp\u00e9rio seria governado ao mesmo tempo por quatro imperadores.\n\nMas essa forma de governo logo entrou em crise, ap\u00f3s a morte de Diocleciano.\n\nPor outro lado, o cristianismo, seita religiosa que come\u00e7ava a se expandir pelo Imp\u00e9rio, com ades\u00e3o de plebeus, mulheres e escravos, minava as bases do regime, j\u00e1 que o car\u00e1ter pacifista e monote\u00edsta, negava o militarismo e a configura\u00e7\u00e3o divina do imperador. Em 313 d.C., o imperador Constantino, pelo Edito de Mil\u00e3o, deu liberdade de culto aos seus seguidores.\n\n<strong>Sessenta anos mais tarde, outro imperador, Teod\u00f3sio, oficializaria o cristianismo, tentando criar uma nova base ideol\u00f3gica para o governo, e dividiria definitivamente o Imp\u00e9rio Romano em duas partes:<\/strong>\u00a0o Imp\u00e9rio Romano do Ocidente que, ficou com seu filho Hon\u00f3rio; e o Imp\u00e9rio Romano do Ocidente, com a capital em Constantinopla, que passou para seu outro filho, Arc\u00e1dio (395 d.C.).\n\nO Imp\u00e9rio do Ocidente, depois de enfrentar e sofrer sucessivas invas\u00f5es de povos b\u00e1rbaros, foi finalmente destru\u00eddo por Odoacro, rei dos h\u00e9rulos, em 476 d.C.\n\nComo conseq\u00fc\u00eancia do esfacelamento do Imp\u00e9rio do Ocidente, acentuou-se o processo de descentraliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, dando origem ao feudalismo, que marcaria a Idade M\u00e9dia. No outro lado do mundo, por\u00e9m, desenvolveu-se no Imp\u00e9rio Romano do Oriente a civiliza\u00e7\u00e3o bizantina, que duraria mais de mil anos.\n\n<strong>Roma Antiga &#8211; Legi\u00f5es Romanas<\/strong>\n\nN\u00e3o s\u00f3 o terror das armas, mas tamb\u00e9m os estandartes com a \u00e1guia e a inscri\u00e7\u00e3o SPQR das legi\u00f5es romanas, davam peso e dignidade \u00e0 modera\u00e7\u00e3o dos imperadores.\n\nEles preservavam a paz mediante uma constante prepara\u00e7\u00e3o para a guerra; e ao mesmo tempo em que regulavam sua conduta pelos ditames da justi\u00e7a, anunciavam \u00e0s na\u00e7\u00f5es dos seus confins que estavam t\u00e3o pouco dispostos a suportar quanto a cometer uma inj\u00faria.\n\nA for\u00e7a que Adriano e o Antonino mais velho se haviam contentado em apenas exibir foi empregada contra os partos e os germanos pelo imperador Marco Aur\u00e9lio.\n\nAs hostilidades dos b\u00e1rbaros suscitaram o ressentimento desse filos\u00f3fico monarca, e na busca de uma justa repara\u00e7\u00e3o ele e seus generais alcan\u00e7aram muitas vit\u00f3rias not\u00e1veis tanto no Eufrates quanto no Dan\u00fabio.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o das for\u00e7as militares do imp\u00e9rio romano, que de tal modo lhe asseguravam ou a tranq\u00fcilidade ou o \u00eaxito, vai-se tornar agora o objeto, adequado e importante, de nossa aten\u00e7\u00e3o.\n\nNas \u00e9pocas mais singelas da rep\u00fablica, o uso das armas ficava reservado \u00e0quelas classes de cidad\u00e3os que tinham um pa\u00eds para amar, uma propriedade a defender e alguma participa\u00e7\u00e3o na feitura das leis que eram do seu interesse e da sua obriga\u00e7\u00e3o manter. Mas \u00e0 medida que se foi perdendo a liberdade p\u00fablica pelo alargamento das conquistas, a guerra se aperfei\u00e7oou gradualmente numa arte e se degradou em neg\u00f3cio. As pr\u00f3prias legi\u00f5es, ao tempo em que eram recrutadas nas prov\u00edncias mais remotas, deviam supostamente consistir em cidad\u00e3os romanos.\n\nTal distin\u00e7\u00e3o, de modo geral, era considerada ou como uma qualifica\u00e7\u00e3o legal ou como uma recompensa justa para o soldado; todavia, maior aten\u00e7\u00e3o se dava ao m\u00e9rito essencial da idade, do vigor f\u00edsico e da estatura militar. Em todos os recrutamentos avultava uma justificada prefer\u00eancia pelos climas do norte em rela\u00e7\u00e3o aos do sul; a classe de homens mais adequados para o exerc\u00edcio das armas era antes buscada nos campos que nas cidades, e com muito boa raz\u00e3o se supunha que as rudes ocupa\u00e7\u00f5es de ferreiro, carpinteiro e ca\u00e7ador dariam a seus praticantes mais vigor e intrepidez do que os of\u00edcios sedent\u00e1rios a servi\u00e7o do luxo. Apesar de todas as qualifica\u00e7\u00f5es de propriedade terem sido deixadas de parte, os ex\u00e9rcitos dos imperadores romanos eram n\u00e3o obstante comandados, na maior parte dos casos, por oficiais de nas\u00adcimento e educa\u00e7\u00e3o liberal; os soldados rasos, como as tropas mercen\u00e1rias da Europa moderna, recrutavam-se contudo entre as camadas mais baixas e com muita freq\u00fc\u00eancia mais vulgares da sociedade.\n\nA virtude p\u00fablica conhecida entre os antigos pelo nome de patriotismo adv\u00e9m de uma firme consci\u00eancia de nosso interesse pr\u00f3prio na preserva\u00e7\u00e3o e prosperidade de um governo livre do qual sejamos membros.\n\nUm sentimento desses, que havia tornado quase invenc\u00edveis as legi\u00f5es da rep\u00fablica, s\u00f3 podia causar fraqu\u00edssima impress\u00e3o nos servidores mercen\u00e1rios de um pr\u00edncipe desp\u00f3tico, pelo que se tornou necess\u00e1rio compensar tal defici\u00eancia com outros motivos de natureza diversa, mas n\u00e3o menos convincente honra e religi\u00e3o.\n\nO campon\u00eas ou o art\u00edfice se imbuia do \u00fatil preconceito de que fora promovido \u00e0 honrosa profiss\u00e3o das armas, na qual o seu posto e a sua reputa\u00e7\u00e3o dependeriam do seu pr\u00f3prio valor; e conquanto a intrepidez de um soldado raso escapasse comumente \u00e0 aten\u00e7\u00e3o da fama, o seu comportamento podia por vezes trazer gl\u00f3ria ou desonra \u00e0 companhia, legi\u00e3o ou mesmo ex\u00e9rcito a cuja reputa\u00e7\u00e3o estivesse ligado. Quando do seu ingresso no servi\u00e7o militar, via-se ele obrigado a um juramento que se revestia de toda a solenidade.\n\nJurava jamais desertar do seu estandarte curvar a pr\u00f3pria vontade \u00e0s ordens dos seus chefes e sacrificar a vida pela seguran\u00e7a do imperador e do imp\u00e9rio.\n\nA lealdade das tropas romanas aos seus estandartes era inspirada pela influ\u00eancia conjunta da religi\u00e3o e da honra. A \u00e1guia que rebrilhava \u00e0 frente da legi\u00e3o tornava-se objeto da sua mais profunda devo\u00e7\u00e3o; era considerado t\u00e3o \u00edmpio qu\u00e3o ignominioso o abandono dessa ins\u00edgnia sagrada numa hora de perigo. Tais motivos, cuja for\u00e7a advinha da imagina\u00e7\u00e3o, eram refor\u00e7ados por temores e esperan\u00e7as de natureza mais substancial. Soldo regular, donativos ocasionais e uma recompensa fixa ap\u00f3s o devido tempo de servi\u00e7o aliviavam as durezas da vida militar1, ao passo que, de outro lado, era imposs\u00edvel escapar \u00e0 mais severa das puni\u00e7\u00f5es por covardia ou desobedi\u00eancia. Os centuri\u00f5es estavam autorizados a castigar com espancamento, os generais tinham o direito de punir com a morte; era uma m\u00e1xima inflex\u00edvel da disciplina romana que um bom soldado tinha muito mais a temer dos seus oficiais que do inimigo. Por via de tais louv\u00e1veis recursos, o valor das tropas imperiais alcan\u00e7ou um grau de firmeza e docilidade que as paix\u00f5es impetuosas e irregulares dos b\u00e1rbaros jamais poderiam alcan\u00e7ar.\n\nNo entanto, os romanos eram t\u00e3o sens\u00edveis \u00e0 imperfei\u00e7\u00e3o do valor quando n\u00e3o secundado pela destreza e pr\u00e1tica que, na sua l\u00edngua, o nome ?ex\u00e9rcito? deriva da palavra usada para designar exerc\u00edcio.\n\nOs exerc\u00edcios militares eram o objeto mais relevante e cont\u00ednuo de sua disciplina. Os recrutas e soldados novos recebiam adestramento constante de manh\u00e3 e \u00e0 tarde; nem a idade nem o conhecimento serviam de desculpa para eximir os veteranos da repeti\u00e7\u00e3o di\u00e1ria daquilo que j\u00e1 haviam aprendido completamente.\n\nGrandes telheiros eram erguidos nos quart\u00e9is de inverno das tropas para que os seus \u00fateis treinamentos n\u00e3o sofressem nenhuma interrup\u00e7\u00e3o mesmo na mais tempestuosa das quadras; tinha-se, outrossim, o cuidado de prover, para tal imita\u00e7\u00e3o de guerra, armas com o dobro do peso das usadas na a\u00e7\u00e3o real. N\u00e3o \u00e9 prop\u00f3sito deste texto entrar na descri\u00e7\u00e3o pormenorizada dos exerc\u00edcios romanos.\n\nDiremos apenas que compreendiam quanto pudesse conferir vigor ao corpo, atividade aos membros ou gra\u00e7a aos movimentos.\n\nOs soldados eram diligentemente instru\u00eddos a marchar, correr, saltar, nadar, carregar grandes pesos; manejar qualquer esp\u00e9cie de arma que fosse usada para ataque ou defesa, quer no combate \u00e0 dist\u00e2ncia, quer na luta corpo a corpo; fazer variadas evolu\u00e7\u00f5es; e mover-se ao som de flautas na dan\u00e7a p\u00edrrica ou marcial.\n\nEm tempos de paz, as tropas romanas se familiarizavam com as pr\u00e1ticas de guerra, e com propriedade observa um antigo historiador que contra elas lutara, ser o derramamento de sangue a \u00fanica circunst\u00e2ncia que diferenciava um campo de batalha de um campo de exerc\u00edcios. Os generais mais capazes, e os pr\u00f3prios imperadores tinham por norma encorajar tal prepara\u00e7\u00e3o militar pela sua presen\u00e7a e exemplo; sabemos que Adriano, tanto quanto Trajano, freq\u00fcentemente condescendia em instruir os soldados inexperientes, em premiar os diligentes, e \u00e0s vezes em disputar com eles torneios de destreza ou for\u00e7a. No reinado desses monarcas, a ci\u00eancia da t\u00e1tica foi cultivada com sucesso, e enquanto o imp\u00e9rio logrou manter o seu vigor, sua instru\u00e7\u00e3o militar era respeitada como o modelo mais perfeito da disciplina romana.\n\n<strong>A Vida na Roma Antiga<\/strong>\n\n<strong>Em \u201cfam\u00edlia\u201d<\/strong>\n\nNa sociedade romana as mulheres ocupavam uma posi\u00e7\u00e3o de maior dignidade que na Gr\u00e9cia. A mulher, quando casada, era a verdadeira dona da casa, em vez de permanecer reclusa nos aposentos das mulheres.\n\nEla tomava conta dos escravos e fazia as refei\u00e7\u00f5es com o marido, podia sair (usando a stola matronalis), e era tratada com profundo respeito, tendo acesso ao teatro e aos tribunais. O casamento ? justum matrimonium ?, sancionado pela lei e pela religi\u00e3o, era nos tempos mais antigos uma cerim\u00f4nia solene, e resultava da transfer\u00eancia da mulher do controle (potestas) do pai para o de seu marido (manus).\n\nO casamento tomava a forma de coemptio, uma modalidade simb\u00f3lica de compra com o consentimento da noiva. Ele tamb\u00e9m podia consumar-se mediante o usus, se a mulher vivesse com o marido durante um ano sem ausentar-se por mais de tr\u00eas noites.\n\nTeve in\u00edcio no S\u00e9culo II a.C. um processo de emancipa\u00e7\u00e3o das mulheres. Abandonaram-se gradualmente as formas mais antigas de casamento e adotou-se uma na qual a mulher permanecia sob a tutela de seu pai, e retinha na pr\u00e1tica o direito \u00e0 gest\u00e3o de seus bens. Temos not\u00edcias de mulheres versadas em literatura. A freq\u00fc\u00eancia do div\u00f3rcio aumentou. Podemos ver mulheres inteligentes e ambiciosas como Cl\u00f3dia, e Sempr\u00f4nia (mulher de D. J\u00fanio Bruto), que participou da Conspira\u00e7\u00e3o de Catilina.\n\n<strong>Aparentemente as mulheres atuavam \u00e0s vezes nos tribunais:<\/strong>\u00a0\u201cJurisperita\u201d \u00e9 o t\u00edtulo de uma fabula togata escrita por Tit\u00ednio, e Val\u00e9rio M\u00e1ximo menciona uma certa Afr\u00e2nia no S\u00e9culo I a.C. como sendo uma litigante habitual, que cansava os tribunais com seu clamor.\n\nNa \u00e9poca imperial o casamento passou a ser impopular, e foram tomadas medidas para encoraj\u00e1-lo mediante a imposi\u00e7\u00e3o de penalidades aos n\u00e3o-casados.\n\nJ\u00e1 em 131 a.C. Q. Cec\u00edlio Metelo Maced\u00f4nico havia proferido como censor um discurso famoso, mais tarde relembrado com aprova\u00e7\u00e3o por Augusto, sobre a necessidade de aumentar-se a taxa de natalidade.\n\n<strong>Cec\u00edlio Metelo disse:\u00a0<\/strong>\u201cSe pud\u00e9ssemos passar sem uma esposa, romanos, todos evitar\u00edamos os inconvenientes, mas como a natureza disp\u00f4s que n\u00e3o podemos viver confortavelmente sem ela, devemos ter em vista nosso bem-estar permanente e n\u00e3o o prazer de um momento\u201d (Suet\u00f4nio, \u201cAugusto\u201d, 89).\n\nAs \u201cS\u00e1tiras\u201d de Juvenal mostram-nos a desmoraliza\u00e7\u00e3o de parte da sociedade feminina. Por outro lado, h\u00e1 evid\u00eancias na literatura (p. ex., Est\u00e1cio, e Pl\u00ednio em suas cartas) e em epit\u00e1fios, de que os casamentos felizes n\u00e3o eram raros.\n\nO exemplo mais marcante \u00e9 o elogio preservado numa inscri\u00e7\u00e3o, presumivelmente de um certo Lucr\u00e9cio Vesp\u00edlio que serviu sob o comando de Pompeu em 48 a.C. e foi c\u00f4nsul na \u00e9poca de Augusto (em 19 a.C.), a prop\u00f3sito de sua esposa T\u00faria. O elogio registra a coragem e a fidelidade de T\u00faria em meio \u00e0s aventuras rom\u00e2nticas e perigosas com Lucr\u00e9cio Vesp\u00edlio, tanto durante o noivado como ao longo de quarenta anos de vida conjugal.\n\n<strong>Apar\u00eancia pessoal<\/strong>\n\nAs mulheres nobres desfrutavam de um certo prest\u00edgio e tinha de pagar especial aten\u00e7\u00e3o pela sua apar\u00eancia.\n\n<strong>Sendo que o mais importante era o estilo de cabelo:\u00a0<\/strong>muito bem elaborado, com diversos tipos de enfeites, e complementando com brincos e pulseiras de pedras preciosas, colares ou gargantilhas. Os vestidos eram sempre longos combinando com um manto bordado com cores variadas.\n\n<strong>Maternidade<\/strong>\n\nNos textos de Soranus (por volta do s\u00e9culo I), lemos que a pr\u00e1tica do aborto era usada naquela \u00e9poca (sempre em casos de perigo para a crian\u00e7a ou a m\u00e3e) com o uso de abortivos.\n\n<strong>Em compara\u00e7\u00e3o com os m\u00e9todos adotados nos dias de hoje as mulheres provocavam o aborto de diversas maneiras:<\/strong>\u00a0apertando os seios exageradamente, tomando bebidas extremamente geladas, consumindo mel em grandes quantidades, ingerindo \u00f3leo de quinino, inserindo um feixe de palha na uretra para perfurar o \u00fatero, ou tomando certas misturas preparadas com o uso de vinhos.\n\n<strong>O homem<\/strong>\n\n<strong>O mundo dos antigos romanos era dividido em duas macro-categorias:\u00a0<\/strong>homens livres e escravos, cidad\u00e3os Romanos e estrangeiros (\u201cperegrini\u201d).\n\nOs escravos viviam por toda parte, na maioria prisioneiros de guerra e em alguns casos cidad\u00e3os livres que eram vendidos para pagar d\u00edvidas. Os escravos eram os ideais para serem vendidos. Sem nenhum direito, desempenhavam trabalhos pesados bem como tarefas intelectuais, dependendo do n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o de cada um. E raramente podiam ganhar a liberdade de seus senhores.\n\n<strong>Todos os cidad\u00e3os livres tinham tr\u00eas nomes:<\/strong>\u00a0o \u201cpraenomen\u201d (nome de batismo), o \u201cnomen\u201d (nome de fam\u00edlia) e o \u201ccognomen\u201d (\u00faltimo nome). Usualmente se vestiam com simplicidade; uma t\u00fanica que ia at\u00e9 os joelhos e uma esp\u00e9cie de sapatilha de cano alto. Em ocasi\u00f5es especiais vestiam uma \u201ctoga\u201d, um manto bordado semicircular feito de l\u00e3.\n\nOs cidad\u00e3os comuns trajavam uma t\u00fanica branca enquanto os senadores, soldados e membros da cavalaria usavam t\u00fanicas com uma p\u00farpura bordada. Esta \u00faltima tamb\u00e9m era usada por homens com menos de 17 anos de idade.\n\nO homem era o \u201cpater familias\u201d, ou o cabe\u00e7a da fam\u00edlia.\n\n<strong>O conceito de fam\u00edlia tinha grande significado para os romanos:<\/strong>\u00a0consistia n\u00e3o somente de marido, esposa e filhos, mas tamb\u00e9m de av\u00f3s, netos, e bisnetos.\n\nDesse modo a sucess\u00e3o familiar mantinha o patrim\u00f4nio protegido.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.arqueologyc.hpg.ig.com.br\/www.nomismatike.hpg.ig.com.br\/www.nationalgeographic.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma Antiga, Povo, Cidade, Hist\u00f3ria, Per\u00edodo, Religi\u00e3o, Imp\u00e9rio, Rep\u00fablica, Legi\u00f5es, Caracter\u00edstica, Civiliza\u00e7\u00e3o, Origem, Roma Antiga<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16985,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26499","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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