{"id":26457,"date":"2016-01-07T00:00:00","date_gmt":"2016-01-07T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teatro-brasileiro-3\/"},"modified":"2026-09-01T18:04:21","modified_gmt":"2026-09-01T18:04:21","slug":"teatro-brasileiro-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/teatro-brasileiro-3\/","title":{"rendered":"Teatro Brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\n<strong>S\u00e9culo XVI<\/strong>\n\nNo in\u00edcio do per\u00edodo colonial, os jesu\u00edtas utilizam o teatro para catequizar os \u00edndios. O padre Jos\u00e9 de Anchieta ncena seus autos com os nativos e os primeiros colonos. As pe\u00e7as s\u00e3o faladas em tupi- guarani, portugu\u00eas e espanhol.\n\n<strong>S\u00e9culo XVII <\/strong>\n\nAs apresenta\u00e7\u00f5es teatrais passam a fazer parte, oficialmente, das comemora\u00e7\u00f5es c\u00edvicas. O baiano Manuel Botelho de Oliveira, que escreve duas com\u00e9dias em espanhol inspirado na dramaturgia espanhola, \u00e9 o primeiro brasileiro a publicar suas pe\u00e7as.\n\n<strong>S\u00e9culo XVIII <\/strong>\n\nA partir da segunda metade do s\u00e9culo come\u00e7am a ser constru\u00eddas as Casas de \u00d3pera, nome que os teatros recebiam na \u00e9poca. Como dramaturgo se destaca Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, o Judeu. No entanto, por ter vivido em Portugal desde os 8 anos, n\u00e3o \u00e9 visto como um autor verdadeiramente brasileiro.\n\n<strong>S\u00e9culo XIX <\/strong>\n\nA com\u00e9dia afirma- se como g\u00eanero dramat\u00fargico brasileiro por excel\u00eancia. Seus maiores representantes no per\u00edodo s\u00e3o Martins Pena, considerado o fundador de nossa com\u00e9dia de costumes; Fran\u00e7a J\u00fanior, tamb\u00e9m um autor de costumes; e Arthur Azevedo. Os escritores rom\u00e2nticos Gon\u00e7alves Dias e Jos\u00e9 de Alencar ncursionam pela dramaturgia. Do primeiro, destaca- se o drama Leonor de Mendon\u00e7a, e, do segundo, O Dem\u00f4nio Familiar.\n\n<strong>1838 <\/strong>\n\nA trag\u00e9dia rom\u00e2ntica Ant\u00f4nio Jos\u00e9, ou O Poeta e a Inquisi\u00e7\u00e3o, de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, \u00e9 a primeira pe\u00e7a de tema nacional escrita por um brasileiro. \u00c9 levada \u00e0 cena pelo ator Jo\u00e3o Caetano\n<h4>Atores Brasileiros<\/h4>\nA companhia pioneira constitu\u00edda exclusivamente de atores brasileiros \u00e9 formada em 1833 por Jo\u00e3o Caetano, tido como o maior int\u00e9rprete dram\u00e1tico da \u00e9poca.\n\nNo Rio de Janeiro da \u00e9poca predominam os atores portugueses, e h\u00e1 constantes visitas de trupes estrangeiras, principalmente francesas e portuguesas. Jo\u00e3o Caetano \u00e9 tamb\u00e9m o primeiro a se preocupar com a transmiss\u00e3o do conhecimento sobre a arte de interpretar, escrevendo suas Li\u00e7\u00f5es Dram\u00e1ticas, nas quais preconiza uma representa\u00e7\u00e3o mais cl\u00e1ssica.\n\n<strong>S\u00e9culo XX <\/strong>\n\nA primeira metade do s\u00e9culo se caracteriza por um teatro comercial. As companhias s\u00e3o lideradas pelos primeiros atores, que se convertem na principal atra\u00e7\u00e3o, mais que as pe\u00e7as apresentadas. As exce\u00e7\u00f5es acontecem quando um bom dramaturgo, como Oduvaldo Vianna, se alia a grandes int\u00e9rpretes, como Proc\u00f3pio Ferreira e Dulcina de Moraes. Oduvaldo \u00e9 ainda o introdutor da pros\u00f3dia brasileira no teatro, atrelado at\u00e9 ent\u00e3o a falas aportuguesadas.\n\n<strong>1927<\/strong>\n\nO Teatro de Brinquedo apresenta- se no Rio de Janeiro (RJ) com a pe\u00e7a Ad\u00e3o, Eva e Outros Membros da Fam\u00edlia, de \u00c1lvaro Moreyra, l\u00edder do grupo. Formado por amadores, o grupo prop\u00f5e um teatro de elite. \u00c9 o come\u00e7o da insurrei\u00e7\u00e3o contra o teatro comercial considerado de baixo n\u00edvel.\n\n<strong>1938 <\/strong>\n\n\u00c9 lan\u00e7ado no Rio de Janeiro (RJ) o Teatro do Estudante do Brasil, concebido e dirigido por Paschoal Carlos Magno e com um elenco constitu\u00eddo de universit\u00e1rios. A primeira montagem \u00e9 Romeu e Julieta, de Shakespeare, protagonizada por Paulo Porto e S\u00f4nia Oiticica, com dire\u00e7\u00e3o de It\u00e1lia Fausta.\n\n<strong>1943 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia a pe\u00e7a Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, encenada pelo grupo amador Os Comediantes, do Rio de Janeiro. A dire\u00e7\u00e3o de Zbigniew Ziembinski &#8211; \u00c9 inaugurado, em S\u00e3o Paulo (SP), o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC); inicialmente uma casa de espet\u00e1culos criada para abrigar os trabalhos de grupos amadores.\n\n<strong>Dois desses grupos est\u00e3o \u00e0 frente da renova\u00e7\u00e3o do teatro brasileiro<\/strong>: o Grupo de Teatro Experimental (GTE), de Alfredo Mesquita, e o Grupo Universit\u00e1rio de Teatro (GUT), de D\u00e9cio de Almeida Prado. No ano seguinte, o TBC se profissionaliza, com a contrata\u00e7\u00e3o de atores e do diretor italiano Adolfo Celi. Um repert\u00f3rio ecl\u00e9tico, constitu\u00eddo de grandes textos cl\u00e1ssicos e modernos, al\u00e9m de com\u00e9dias de bom n\u00edvel, torna- se a t\u00f4nica dessa companhia, que, liderada por Franco Zampari em seu per\u00edodo \u00e1ureo, marca uma das mais importantes fases do teatro brasileiro.\n\n<strong>O TBC encerra suas atividades em 1964. Outras companhias se formam nos seus moldes<\/strong>: o Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa, a Cia. Nydia L\u00edcia- S\u00e9rgio Cardoso o Teatro Cacilda Becker a Cia. T\u00f4nia- Celi- Autran.\n\nAlfredo Mesquita funda a Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD) em S\u00e3o Paulo (SP), um dos principais centros de forma\u00e7\u00e3o de atores.\n\n<strong>1953 <\/strong>\n\nFunda\u00e7\u00e3o do Teatro de Arena de S\u00e3o Paulo, por Jos\u00e9 Renato. A princ\u00edpio apenas uma tentativa de inova\u00e7\u00e3o espacial, acaba sendo respons\u00e1vel pela introdu\u00e7\u00e3o de elementos renovadores na dramaturgia e na encena\u00e7\u00e3o brasileiras. A montagem de Eles N\u00e3o Usam Black- Tie, de Gianfrancesco Guarnieri, em 1958, introduz a luta de classes como tem\u00e1tica. Sob a lideran\u00e7a de Augusto Boal, o Arena forma novos autores e adapta textos cl\u00e1ssicos para que mostrem a realidade brasileira. Chega \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o do sistema curinga, no qual desaparece a no\u00e7\u00e3o de protagonista, em trabalhos como Arena Conta Zumbi (1965) e Arena Conta Tiradentes (1967), que fazem uma revis\u00e3o hist\u00f3rica nacional. O Arena termina em 1970.\n\n<strong>1958 <\/strong>\n\nZ\u00e9 Celso, Renato Borghi, Carlos Queiroz Telles e Amir Haddad, entre outros, fundam um grupo amador &#8211; chamado Teatro Oficina &#8211; na Faculdade de Direito do Largo S\u00e3o Francisco, em S\u00e3o Paulo (SP). Seus integrantes passam por uma fase stanislavskiana (interpreta\u00e7\u00e3o realista criada pelo dramaturgo russo Stanislavski, orientada por Eug\u00eanio Kusnet. A pe\u00e7a mais importante desse per\u00edodo \u00e9 Os Pequenos Burgueses (1963), de Maxim Gorki. Logo ap\u00f3s a antol\u00f3gica montagem de O Rei da Vela (1967), de Oswald de Andrade o grupo evolui para uma fase brechtiana (interpreta\u00e7\u00e3o distanciada desenvolvida pelo alem\u00e3o Bertolt Brecht) com Galileu Galilei (1968) e Na Selva das Cidades (1969), sempre sob a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica de Jos\u00e9 Celso. Com a obra coletiva Gracias Se\u00f1or, inicia- se a chamada fase irracionalista do Oficina. Uma nova rela\u00e7\u00e3o com o espa\u00e7o e com o p\u00fablico reflete as profundas mudan\u00e7as pelas quais o grupo passa. Essa fase se encerra com As Tr\u00eas Irm\u00e3s (1973), de Tchecov.\n\n<strong>D\u00e9cada de 60 &#8211;<\/strong> Uma vigorosa gera\u00e7\u00e3o de dramaturgos irrompe na cena brasileira nessa d\u00e9cada. Entre eles destacam- se Pl\u00ednio Marcos, Ant\u00f4nio Bivar, Leilah Assump\u00e7\u00e3o, Consuelo de Castro e Jos\u00e9 Vicente.\n\n<strong>1964 <\/strong>\n\nO grupo Opini\u00e3o entra em atividade no Rio de Janeiro, adaptando shows musicais para o palco e desenvolvendo um trabalho teatral de car\u00e1ter pol\u00edtico.\n\nRespons\u00e1vel pelo lan\u00e7amento de Z\u00e9 Keti e Maria Beth\u00e2nia, realiza a montagem da pe\u00e7a Se Correr o Bicho Pega, Se Ficar o Bicho Come, de Oduvaldo Vianna Filhoe Ferreira Gullar.\n\n<strong>1968 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia Cemit\u00e9rio de Autom\u00f3veis, de Arrabal. Este espet\u00e1culo e O Balc\u00e3o, de Genet, ambos dirigidos por Victor Garcia e produzidos por Ruth Escobar, marcam o ingresso do teatro brasileiro numa fase de ousadias c\u00eanicas, tanto espaciais quanto tem\u00e1ticas.\n\n<strong>D\u00e9cada de 70 <\/strong>\n\nCom o acirramento da atua\u00e7\u00e3o da censura, a dramaturgia passa a se expressar por meio de met\u00e1foras. Apesar disso, Fauzi Arap escreve pe\u00e7as que refletem sobre o teatro, as op\u00e7\u00f5es alternativas de vida e a homossexualidade. Surgem diversos grupos teatrais formados por jovens atores e diretores. No Rio de Janeiro destacam- se o Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone, cujo espet\u00e1culo Trate- me Le\u00e3o retrata toda uma gera\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia, e o Pessoal do Despertar, que adota esse nome ap\u00f3s a encena\u00e7\u00e3o de O Despertar da Primavera, de Wedekind. Em S\u00e3o Paulo surgem a Royal Bexiga\u0092s Company, com a cria\u00e7\u00e3o coletiva O Que Voc\u00ea Vai Ser Quando Crescer; o Pessoal do V\u00edtor, sa\u00eddo da EAD, com a pe\u00e7a V\u00edtor, ou As Crian\u00e7as no Poder, de Roger Vitrac; o Pod Minoga, constitu\u00eddo por alunos de Naum Alves de Souza, que se lan\u00e7am profissionalmente com a montagem coletiva Follias B\u00edblicas, em 1977; o Mambembe, nascido sob a lideran\u00e7a de Carlos Alberto Soffredini, de quem representam Vem Buscar- me Que Ainda Sou Teu; e o Teatro do Ornitorrinco, de Cac\u00e1 Rosset e Lu\u00eds Roberto Galizia, que inicia sua carreira nos por\u00f5es do Oficina, em espet\u00e1culos como Os Mais Fortes e Ornitorrinco Canta Brecht- Weill, de 1977.\n\n<strong>1974 <\/strong>\n\nAp\u00f3s a invas\u00e3o do Teatro Oficina pela pol\u00edcia, Z\u00e9 Celso parte para o auto- ex\u00edlio em Portugal e Mo\u00e7ambique. Regressa ao Brasil em 1978, dando in\u00edcio a uma nova fase do Oficina, que passa a se chamar Uzyna- Uzona.\n\n<strong>1978 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia de Macuna\u00edma, pelo grupo Pau Brasil, com dire\u00e7\u00e3o de Antunes Filho. Inaugura- se uma nova linguagem c\u00eanica brasileira, em que as imagens t\u00eam a mesma for\u00e7a da narrativa. Com esse espet\u00e1culo, Antunes Filho come\u00e7a outra etapa em sua carreira, \u00e0 frente do Centro de Pesquisas Teatrais (CPT), no qual desenvolve intenso estudo sobre o trabalho do ator.\n\n<strong>Grandes montagens suas fazem carreira internacional<\/strong>: Nelson Rodrigues, o Eterno Retorno; Romeu e Julieta, de Shakespeare; Xica da Silva, de Lu\u00eds Alberto de Abreu; A Hora e a Vez de Augusto Matraga, adaptado de Guimar\u00e3es Rosa; Nova Velha Hist\u00f3ria; Gilgamesh; Vereda da Salva\u00e7\u00e3o, de Jorge Andrade\n\n<strong>1979<\/strong>\n\nA censura deixa de ser pr\u00e9via e volta a ter car\u00e1ter apenas classificat\u00f3rio. \u00c9 liberada e encenada no Rio de Janeiro a pe\u00e7a Rasga Cora\u00e7\u00e3o, de Oduvaldo Vianna Filho, que fora premiada num concurso do Servi\u00e7o Nacional de Teatro e, em seguida, proibida.\n\n<strong>D\u00e9cada de 80<\/strong>\n\nA diversidade \u00e9 o principal aspecto do teatro dos anos 80. O per\u00edodo se caracteriza pela influ\u00eancia do p\u00f3s- modernismo movimento marcado pela uni\u00e3o da est\u00e9tica tradicional \u00e0 moderna. O expoente dessa linha \u00e9 o diretor e dramaturgo Gerald Thomas. Montagens como Carmem com Filtro, Eletra com Creta e Quartett apresentam um apuro t\u00e9cnico in\u00e9dito. Seus espet\u00e1culos d\u00e3o grande import\u00e2ncia \u00e0 cenografia e \u00e0 coreografia. Novos grupos teatrais, como o Ponk\u00e3, o Boi Voador e o XPTO, tamb\u00e9m priorizam as linguagens visuais e sonoras. O diretor Ulysses Cruz, da companhia Boi Voador, destaca- se com a montagem de Fragmentos de um Discurso Amoroso, baseado em texto de Roland Barthes. Outros jovens encenadores, como Jos\u00e9 Possi Neto (De Bra\u00e7os Abertos), Roberto Lage (Meu Tio, o Iauaret\u00ea) e M\u00e1rcio Aur\u00e9lio (Lua de Cetim), t\u00eam seus trabalhos reconhecidos. Cac\u00e1 Rosset, diretor do Ornitorrinco, consegue fen\u00f4meno de p\u00fablico com Ubu, de Alfred Jarry. Na dramaturgia predomina o besteirol &#8211; com\u00e9dia de costumes que explora situa\u00e7\u00f5es absurdas. O movimento cresce no Rio de Janeiro e tem como principais representantes Miguel Falabella e Vicente Pereira. Em S\u00e3o Paulo surgem nomes como Maria Adelaide Amaral, Fl\u00e1vio de Souza, Alcides Nogueira, Naum Alves de Souza e Mauro Rasi. Trair e Co\u00e7ar \u00c9 S\u00f3 Come\u00e7ar, de Marcos Caruso e Jandira Martini, torna- se um dos grandes sucessos comerciais da d\u00e9cada. Lu\u00eds Alberto de Abreu &#8211; que escreve pe\u00e7as como Bella, Ciao e Xica da Silva- \u00e9 um dos autores com obra de maior f\u00f4lego, que atravessa tamb\u00e9m os anos 90.\n\n<strong>1987 <\/strong>\n\nA atriz perform\u00e1tica Denise Stoklos desponta internacionalmente em carreira solo. O espet\u00e1culo Mary Stuart, apresentado em Nova York, nos Estados Unidos, \u00e9 totalmente concebido por ela. Seu trabalho \u00e9 chamado de teatro essencial porque utiliza o m\u00ednimo de recursos materiais e o m\u00e1ximo dos pr\u00f3prios meios do ator, que s\u00e3o o corpo, a voz e o pensamento.\n\n<strong>D\u00e9cada de 90 <\/strong>\n\nNo campo da encena\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia \u00e0 visualidade convive com um retorno gradativo \u00e0 palavra por meio da montagem de cl\u00e1ssicos. Dentro dessa linha tem destaque o grupo Tapa, com Vestido de Noiva, de N\u00e9lson Rodrigues e A Megera Domada, de William Shakespeare. O experimentalismo continua e alcan\u00e7a sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica nos espet\u00e1culos Para\u00edso Perdido (1992) e O Livro de J\u00f3 (1995), de Ant\u00f4nio Ara\u00fajo. O diretor realiza uma encena\u00e7\u00e3o ritualizada e utiliza- se de espa\u00e7os c\u00eanicos n\u00e3o- convencionais &#8211; uma igreja e um hospital, respectivamente. As t\u00e9cnicas circenses tamb\u00e9m s\u00e3o adotadas por v\u00e1rios grupos. Em 1990 \u00e9 criado os Parlapat\u00f5es, Patifes e Paspalh\u00f5es. A figura do palha\u00e7o \u00e9 usada ao lado da dramaturgia bem- humorada de Hugo Possolo, um dos membros do grupo. Tamb\u00e9m ganha proje\u00e7\u00e3o a arte de brincante do pernambucano Ant\u00f4nio N\u00f3brega. O ator, m\u00fasico e bailarino explora o lado l\u00fadico na encena\u00e7\u00e3o teatral, empregando m\u00fasicas e dan\u00e7as regionais.\n\nOutros nomes de destaque s\u00e3o Bia Lessa (Viagem ao Centro da Terra) e Gabriel Villela (A Vida \u00c9 Sonho). No final da d\u00e9cada ganha import\u00e2ncia o diretor S\u00e9rgio de Carvalho, da Companhia do Lat\u00e3o. Seu grupo realiza um trabalho de pesquisa sobre o teatro dial\u00e9tico de Bertolt Brecht, que resulta nos espet\u00e1culos Ensaio sobre o Lat\u00e3o e Santa Joana dos Matadouros.\n\n<strong>1993 <\/strong>\n\nO diretor Z\u00e9 Celso reabre o Teatro Oficina, com a montagem de Hamlet, cl\u00e1ssico de Shakespeare. Z\u00e9 Celso opta por uma adapta\u00e7\u00e3o que enfoca a situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social do Brasil.\n\n<strong>1998 <\/strong>\n\nEstr\u00e9ia Dom\u00e9stica, de Renata Melo, espet\u00e1culo que tem forte influ\u00eancia da dan\u00e7a. Essa encena\u00e7\u00e3o d\u00e1 seq\u00fc\u00eancia ao trabalho iniciado em 1994, com Bonita Lampi\u00e3o. Sua obra se fundamenta na elabora\u00e7\u00e3o da dramaturgia pelos atores, por meio do estudo do comportamento corporal das personagens.\n\n<strong>1999 <\/strong>\n\nAntunes Filho apresenta Fragmentos Troianos, baseada em As Troianas, de Eur\u00edpedes. Pela primeira vez, o diretor monta uma pe\u00e7a grega. Essa montagem \u00e9 resultado da reformula\u00e7\u00e3o de seu m\u00e9todo de interpreta\u00e7\u00e3o, alicer\u00e7ado em pesquisas de imposta\u00e7\u00e3o da voz e postura corporal dos atores.\n\nFonte: br.geocities.com\n<h6>Teatro Brasileiro<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nNo Brasil, os primeiros contatos com o teatro aconteceram no s\u00e9culo XVI, per\u00edodo barroco, in\u00edcio do Brasil colonial, com o padre Jos\u00e9 de Anchieta. Ele utilizou a arte para catequizar os \u00edndios. As pe\u00e7as eram apresentadas pelos pr\u00f3prios \u00edndios e faladas em tupi-guarani, portugu\u00eas e espanhol. Na Festa de S\u00e3o Louren\u00e7o, Prega\u00e7\u00e3o Universal , A Santa In\u00eas, Na Vila da Vit\u00f3ria . Mist\u00e9rio de Jesus e O Rico Avarento e o L\u00e1zaro Pobre, s\u00e3o alguns textos da dramaturgia de Anchieta.\n\nNo s\u00e9culo seguinte o teatro brasileiro se diversificou com a introdu\u00e7\u00e3o de novas pe\u00e7as trazidas da Espanha, al\u00e9m das encena\u00e7\u00f5es em l\u00edngua portuguesa. O baiano Manoel Botelho de Almeida escreveu obras teatrais e Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, o Judeu, contribui com pe\u00e7as que eram encenadas no Teatro do Padre Ventura, no Rio de Janeiro.\n\nAs representa\u00e7\u00f5es aconteciam principalmente em ocasi\u00f5es festivas, quando grupos amadores montavam, em pra\u00e7a p\u00fablica, pe\u00e7as populares, em homenagem \u00e0s autoridades.\n\nO primeiro ator e dramaturgo a se destacar foi Jo\u00e3o Caetano. Carioca, nascido em 1808, interpretou cl\u00e1ssicos de autores do teatro como Shakespeare e Moli\u00e8re, al\u00e9m de autores brasileiros. Hoje, a sala de teatro do Rio de Janeiro, que anteriormente se chamava de Real Teatro S\u00e3o Jo\u00e3o, constru\u00edda em 1810 por determina\u00e7\u00e3o do imperador D. Jo\u00e3o VI, leva o nome de Jo\u00e3o Caetano, em homenagem ao dramaturgo.\n\nOs circos brasileiros mais antigos organizaram-se na segunda metade do s\u00e9culo XVIII. Em 1828, Manuel Ant\u00f4nio da Silva apresentou um espet\u00e1culo de dan\u00e7a sobre um cavalo a galope em uma resid\u00eancia particular.\n\nOutra fase do teatro brasileiro acontece com o Romantismo, com \u00eanfase a literatura cotidiana e hist\u00f3rica do pa\u00eds. Dessa \u00e9poca destacaram-se Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, Martins Pena, Leonor de Mendon\u00e7a, Castro Alves e Joaquim Manuel de Macedo.\n\nEm meados do s\u00e9culo XIX, autores como Machado de Assis e Aluisio de Azevedo introduzem o Realismo atrav\u00e9s da literatura recheada de humor e sarcasmo que criticava as elites brasileiras.\n\nNo teatro, destacou-se o escritor Arthur de Azevedo que escreveu pe\u00e7as relacionadas \u00e0s quest\u00f5es pol\u00edtico-sociais do pa\u00eds. Entre as quais A Capital Federal e O Mambembe , at\u00e9 hoje montadas em nossos teatros.\n\nJ\u00e1 no final do s\u00e9culo XIX, teve in\u00edcio a constru\u00e7\u00e3o dos grandes teatros brasileiros como o Teatro Amazonas (1896), o Theatro Municipal do Rio de Janeiro (1909) e o Theatro Municipal de S\u00e3o Paulo (1911). As edifica\u00e7\u00f5es foram inspiradas na \u00d3pera de Paris. Nesses locais, em princ\u00edpio, encenavam-se obras eruditas, \u00f3peras, orquestras, apresenta\u00e7\u00f5es de grupos e artistas estrangeiros. Hoje esses teatros recebem todo tipo de espet\u00e1culos, do cl\u00e1ssico ao regional.\n\nNa d\u00e9cada de 40, atores do leste europeu refugiaram-se no Brasil, introduzindo o m\u00e9todo de Stanisl\u00e1vski no Teatro Oficina, no Rio de Janeiro. A montagem de Ziembinski, para Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, em 1943, transformou o papel do diretor de teatro no Brasil e a obra revolucionou a dramaturgia brasileira.\n\nEm 1948, o italiano Franco Zampari fundou o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC) em S\u00e3o Paulo, transformando um casar\u00e3o em teatro, com 365 lugares e equipamento de luz. Contratou t\u00e9cnicos da Europa, diretores, cen\u00f3grafos e iluminadores que ensinaram e formaram profissionais no Brasil.\n\nAs quest\u00f5es sociais passaram a ser discutidas nas pe\u00e7as brasileiras nos anos 50. Nelson Rodrigues despertou pol\u00eamica com pe\u00e7as consideradas escandalosas.\n\nAriano Suassuna inovou o teatro regionalista.\n\nNesse per\u00edodo diversas companhias se formam como o Teatro Popular de Arte, de Maria Della Costa; a Cia. Nydia L\u00edcia-S\u00e9rgio Cardoso; o Teatro Cacilda Becker e a Companhia T\u00f4nia-Celi-Autran. Alfredo Mesquita funda tamb\u00e9m nesse per\u00edodo a Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD) em S\u00e3o Paulo.\n\nO Teatro de Arena foi fundado em na d\u00e9cada de 50 em S\u00e3o Paulo. Novos elementos na dramaturgia brasileira s\u00e3o utilizados, destacando as montagens de pe\u00e7as como Eles N\u00e3o Usam Black-Tie, de Gianfrancesco Guarnieri. Sob a lideran\u00e7a de Augusto Boal, o Arena forma novos autores e adapta textos cl\u00e1ssicos para que mostrem a realidade brasileira. Nesta fase o teatro brasileiro implantou o sistema curinga, no qual desapareceu a no\u00e7\u00e3o de protagonista, em trabalhos como Arena Conta Zumbi (1965) e Arena Conta Tiradentes (1967), que abordavam acontecimentos hist\u00f3ricos nacionais. O Arena fechou suas portas em 1970 com o regime militar.\n\nA censura imposta pelo novo regime obrigou os atores a encontrarem uma linguagem que driblasse as proibi\u00e7\u00f5es. Com isso apareceram grupos irreverentes que se expressavam por meio de met\u00e1foras.\n\nO dramaturgo Fauzi Arap escreveu pe\u00e7as sobre a homossexualidade. Outros grupos surgem, na mesma \u00e9poca, formados por jovens atores e diretores.\n\nNo Rio de Janeiro destaca-se Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone, cujo espet\u00e1culo Trate-me Le\u00e3o retratava a gera\u00e7\u00e3o de classe m\u00e9dia carioca.\n\nEm S\u00e3o Paulo surge a Royal Bexiga&#8217;s Company e o grupo Pod Minoga, formado por alunos de Naum Alves de Souza, com a montagem coletiva Follias B\u00edblicas, em 1977.\n\nEm 1979 a censura perde a for\u00e7a e algumas pe\u00e7as proibidas nesse per\u00edodo s\u00e3o liberadas. A montagem de Rasga Cora\u00e7\u00e3o , de Oduvaldo Vianna Filho, teve estr\u00e9ia nacional, no dia 21 de setembro do mesmo ano, no Guairinha.\n\nNa d\u00e9cada de 80 o teatro sofreu influ\u00eancia do p\u00f3s-modernismo, tendo como expoente o dramaturgo Gerald Thomas. Montagens como Carmem com Filtro, Electra com Creta e Quartett apresentavam ironias sofisticadas e concep\u00e7\u00f5es ousadas.\n\nJ\u00e1 na d\u00e9cada de 90 as encena\u00e7\u00f5es mostraram tend\u00eancias \u00e0 visualidade e o retorno gradativo \u00e0 palavra, por meio de montagens de textos cl\u00e1ssicos.\n\nO experimentalismo alcan\u00e7a sucesso de p\u00fablico e cr\u00edtica nos espet\u00e1culos Para\u00edso Perdido (1992) e O Livro de J\u00f3 (1995), de Ant\u00f4nio Ara\u00fajo, encenadas em um hospital e uma igreja. A t\u00e9cnica circense tamb\u00e9m \u00e9 adotada por v\u00e1rios grupos da \u00e9poca.\n\nAtualmente o teatro alternativo \u00e9 considerado uma quarta forma de encena\u00e7\u00e3o porque ocupa espa\u00e7os pouco usuais como galp\u00f5es, banheiros p\u00fablicos, cadeias ou edif\u00edcios abandonados.\n<h4>Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/h4>\nCriado em S\u00e3o Paulo, em 1948, pelo industrial italiano Franco Zampari, o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia era, inicialmente, na rua Major Diogo, apenas um espa\u00e7o para abrigar os grupos amadores. Ao verificar-se a inviabilidade econ\u00f4mica da iniciativa, nesse esquema, organizou-se uma companhia profissional, que aproveitou os melhores atores desses grupos, aos quais se agregaram outros, vindos do Rio.\n\nEm pouco tempo o TBC chegou a ter o melhor elenco jovem do Pa\u00eds, em que se distinguiam Cacilda Becker, T\u00f4nia Carrero, Fernanda Montenegro, Cleyde Y\u00e1conis, Nydia L\u00edcia, Nathalia Timberg, Tereza Rachel, Paulo Autran, S\u00e9rgio Cardoso, Jardel Filho, Walmor Chagas, \u00cdtalo Rossi e muitos outros.\n\n<strong>A encena\u00e7\u00e3o estava confiada a europeus e, em certos momentos, at\u00e9 quatro deles se alternavam nas montagens<\/strong>: Adolfo Celi, Luciano Salce, Ruggero Jacobbi, Ziembinski, Flaminio Bollini Cerri, Maurice Vaneau, Alberto D&#8217;Aversa e Gianni Ratto.\n\nAs premissas do conjunto eram a implanta\u00e7\u00e3o de um teatro de equipe, em que todos os pap\u00e9is recebiam o mesmo tratamento, e se valorizavam igualmente a cenografia e a indument\u00e1ria, a cargo de Aldo Calvo, Bassano Vaccarini, Tulio Costa, Gianni Ratto e Mauro Francini; e a pol\u00edtica do ecletismo de repert\u00f3rio, revezando-se no cartaz S\u00f3focles, John Gay, Goldoni, Strindberg, Shaw, Pirandello, Tennessee Williams, Arthur Miller e Sauvajon, Sardou, Roussin, Barillet e Gr\u00e9dy, Jan de Hartog e Andr\u00e9 Birabeau, entre muitos outros.\n\nO TBC consolidou a renova\u00e7\u00e3o est\u00e9tica do espet\u00e1culo brasileiro, iniciada pelo grupo amador carioca de Os Comediantes, e tornou-se a origem de outros conjuntos dele desdobrados, como a Cia. Nydia L\u00edcia-S\u00e9rgio Cardoso, a Cia. T\u00f4nia-Celi-Autran, o Teatro Cacilda Becker e o Teatro dos Sete (Maria Della Costa, enquanto aguardava a constru\u00e7\u00e3o de sua casa de espet\u00e1culos, passou por ele, e adotou no Teatro Popular de Arte os mesmos princ\u00edpios).\n\nNa \u00faltima fase, o TBC alterou suas diretrizes, confiando as encena\u00e7\u00f5es aos brasileiros Fl\u00e1vio Rangel e Antunes Filho, al\u00e9m do belga Maurice Vaneau, e o repert\u00f3rio privilegiou os dramaturgos nacionais Dias Gomes, Jorge Andrade e Giafrancesco Guarnieri, quando, antes, o autor da casa havia sido Ab\u00edlio Pereira de Almeida.\n\nFonte: www.tguaira.pr.gov.br\/www.mre.gov.br\n<h6>Teatro Brasileiro<\/h6>\nDo s\u00e9culo XVII ao in\u00edcio do s\u00e9culo XIX o teatro \u00e9 marcadamente colonial, fortemente influenciado pelo teatro portugu\u00eas. Os primeiros textos, como o &#8221;Auto da festa de S. Louren\u00e7o&#8221;, do padre Jos\u00e9 de Anchieta, s\u00e3o escritos pelos jesu\u00edtas de Piratininga, numa mistura de espanhol, portugu\u00eas e tupi-guarani. Visam a catequese e s\u00e3o encenados pelos ind\u00edgenas.\n\nEm Minas Gerais, durante o s\u00e9culo XVIII, atores portugueses visitam Vila Rica. A \u00fanica pe\u00e7a local preservada \u00e9 &#8221;O parnaso obsequioso&#8221;, de Cl\u00e1udio Manuel da Costa, em homenagem ao anivers\u00e1rio do governador.\n\nNo Rio de Janeiro, na segunda metade do s\u00e9culo XVIII, o Teatro do padre Ventura encena as &#8220;\u00f3peras&#8221; &#8211; na verdade, com\u00e9dias entremeadas de can\u00e7\u00f5es &#8211; de Ant\u00f4nio Jos\u00e9 da Silva, o Judeu &#8221;Guerras do Alecrim e Mangerona&#8221;, autor nascido no Brasil mas que vive praticamente toda sua vida em Portugal.\n\nE o Teatro de Manuel Lu\u00eds importa espet\u00e1culos de Portugal e da Espanha. As representa\u00e7\u00f5es acontecem principalmente em ocasi\u00f5es festivas, quando grupos amadores montam, em pra\u00e7a p\u00fablica, pe\u00e7as de tom popular, louvando as autoridades.\n\nDepois que a sala do padre Ventura \u00e9 destru\u00edda por um inc\u00eandio (1769) e a de Manuel Lu\u00eds \u00e9 fechada, D. Jo\u00e3o VI manda construir, em 1810, o Real Teatro de S\u00e3o Jo\u00e3o, atual Jo\u00e3o Caetano, onde tamb\u00e9m se exibem atores portugueses. S\u00f3 no romantismo surge um teatro com caracter\u00edsticas nacionais.\n<h4>Romantismo<\/h4>\nPrimeira metade do s\u00e9culo XIX. No reinado de D. Pedro I, surgiu o primeiro grande ator brasileiro, Jo\u00e3o Caetano dos Santos. No ano seguinte, &#8221;O juiz de paz na ro\u00e7a&#8221; revela Lu\u00eds Carlos Martins Pena, cujas com\u00e9dias fazem uma cr\u00edtica bem-humorada da sociedade da \u00e9poca.\n\nOs dramas &#8221;Leonor de Mendon\u00e7a&#8221;, de Ant\u00f4nio Gon\u00e7alves Dias, e &#8221;&#8217;A revolu\u00e7\u00e3o de Minas&#8221;, de Ant\u00f4nio Castro Alves; e as com\u00e9dias &#8221;O dem\u00f4nio familiar&#8221;, de Jos\u00e9 de Alencar e &#8221;A torre emconcurso&#8221;, de Joaquim Manuel de Macedo v\u00eam ampliar o repert\u00f3rio nacional.\n\nJo\u00e3o Caetano (1808-1863) \u00e9 considerado o primeiro grande ator brasileiro. Especializado em pap\u00e9is dram\u00e1ticos, trabalha em pe\u00e7as de autores como Victor Hugo, Shakespeare, Alexandre Dumas Filho e Moli\u00e8re. Sua montagem de &#8221;Ant\u00f4nio Jos\u00e9&#8221; ou &#8221;O poeta e a Inquisi\u00e7\u00e3o&#8221; (1838), de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, d\u00e1 in\u00edcio a um teatro com temas e atores brasileiros. No livro &#8221;Li\u00e7\u00f5es Dram\u00e1ticas&#8221; reflete sobre a arte de representar.\n\nLu\u00eds Carlos Martins Pena (1815-1848) nasce no Rio de Janeiro, de fam\u00edlia pobre. Torna-se diplomata, chegando a adido em Londres. Utiliza com maestria a linguagem coloquial e faz rir com situa\u00e7\u00f5es engra\u00e7adas envolvendo pessoas do interior em contato com a corte em pe\u00e7as como &#8221;O juiz de paz da ro\u00e7a&#8221;, &#8221;Um sertanejo na corte&#8221; e &#8221;A fam\u00edlia e a festa na ro\u00e7a&#8221;. \u00c9 o primeiro dramaturgo importante do cen\u00e1rio brasileiro e um dos primeiros a retratar o princ\u00edpio da urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n<h4>Realismo<\/h4>\nSegunda metade do s\u00e9culo XIX. A rea\u00e7\u00e3o aos excessos rom\u00e2nticos j\u00e1 se percebe numa pe\u00e7a de transi\u00e7\u00e3o, como &#8221;ALi\u00e7\u00e3o de bot\u00e2nica&#8221;, de Joaquim Maria Machado de Assis . Joaquim Jos\u00e9 da Fran\u00e7a J\u00fanior &#8221;Como se faz um deputado&#8221;, &#8221;Caiu o minist\u00e9rio&#8221; tra\u00e7a, num tom bem amargo, o painel das maquina\u00e7\u00f5es pol\u00edticas do 2\u00ba Imp\u00e9rio. Igualmente sat\u00edrico, mas brincalh\u00e3o, \u00e9 o tom de Artur de Azevedo. Tamb\u00e9m Henrique Maximiano Coelho Neto pratica, em &#8221;Quebranto&#8221; ou &#8221;O patinho feio&#8221;, uma com\u00e9dia de costumes \u00e1gil e leve.\n\nMas as companhias nacionais s\u00e3o prec\u00e1rias, e os atores mais aclamados &#8211; Furtado Coelho, Lucinda Sim\u00f5es e Adelaide Amaral &#8211; ainda s\u00e3o portugueses.\n\nArtur de Azevedo (1855-1908) nasce no Maranh\u00e3o e muda-se para o Rio de Janeiro em 1873. Al\u00e9m de se dedicar ao teatro, trabalha tamb\u00e9m como jornalista. Cria, com &#8221;As burletas&#8221;, &#8221;O mambembe&#8221; ou &#8221;A capital federal&#8221;, a com\u00e9dia musical brasileira. Escreve tamb\u00e9m par\u00f3dias de dramas franceses. Sua import\u00e2ncia n\u00e3o se restringe ao texto, atua tamb\u00e9m divulgando obras de outros autores. Pouco antes de morrer \u00e9 nomeado diretor do Teatro da Exposi\u00e7\u00e3o Nacional.\n<h4>Simbolismo<\/h4>\nPrimeiros anos do s\u00e9culo XX. De uma produ\u00e7\u00e3o muito irregular, que se limita a copiar autores europeus, salvam-se &#8221;Eva&#8221;, de Jo\u00e3o do Rio (pseud\u00f4nimo de Paulo Barreto); &#8221;O Canto sem palavras&#8221;, de Roberto Gomes; e &#8221;A com\u00e9dia do cora\u00e7\u00e3o&#8221;, de Paulo Gon\u00e7alves. Mas o isolamento criado pela 1\u00aa Guerra Mundial gera um embri\u00e3o nacionalista que se manifesta, sob a forma de tem\u00e1tica regional, em &#8221;Flores de sombra&#8221;, de Cl\u00e1udio de Sousa, e &#8221;Onde canta o sabi\u00e1&#8221;, de Gast\u00e3o Tojeiro.\n<h4>Modernismo<\/h4>\nEmbora o teatro seja a arte menos atingida pela Semana de Arte Moderna de 1922, uma de suas conseq\u00fc\u00eancias \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o, por \u00c1lvaro Moreira, do Teatro de Brinquedo, que estr\u00e9ia com &#8221;Ad\u00e3o, Eva e outros membros da fam\u00edlia&#8221; (1927).\n\n<strong>Escrita em linguagem coloquial, coloca em cena, pela primeira vez, como protagonistas, dois marginais<\/strong>: um mendigo e um ladr\u00e3o. Esse exemplo ser\u00e1 seguido por Joracy Camargo em &#8221;Deus lhe pague&#8221;, primeira pe\u00e7a brasileira a obter sucesso no exterior.\n<h4>Companhias Nacionais<\/h4>\nLeopoldo Fr\u00f3es cria a primeira companhia inteiramente nacional depois de voltar de Portugal, em 1908, e procura fixar uma dic\u00e7\u00e3o teatral brasileira, livre dos maneirismos herdados de atores portugueses. Para seu grupo contribuem Viriato Correa (Sol do sert\u00e3o), Oduvaldo Vianna (A casa do tio Pedro) e Armando Gonzaga (Cala a boca, Etelvina!).\n\nNas d\u00e9cadas de 30 e 40 Jaime Costa, Proc\u00f3pio Ferreira , Abigail Maia e Dulcina de Moraes fundam suas pr\u00f3prias companhias, ativas at\u00e9 o fim dos anos 50.\n\nA h\u00fangara Eva Todor, naturalizada brasileira, e seu marido, Lu\u00eds Igl\u00e9sias &#8221;Chuvas de ver\u00e3o&#8221;, al\u00e9m de apresentar com\u00e9dias leves, revelam textos de Bernard Shaw, Ferenc Moln\u00e1r e Henryk Ibsen.\n<h4>Moderniza\u00e7\u00e3o do Teatro<\/h4>\n<strong>Gera\u00e7\u00e3o TBC &#8211; Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/strong>\n\nEm 1948 o industrial italiano Franco Zampari funda, em S\u00e3o Paulo, o Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia (TBC), marco na hist\u00f3ria do teatro brasileiro.\n\n<strong>A posi\u00e7\u00e3o de preponder\u00e2ncia que ocupa deve-se \u00e0 incorpora\u00e7\u00e3o de novos talentos<\/strong>: N\u00eddia L\u00edcia, Paulo Autran, Cacilda Becker , S\u00e9rgio Cardoso, e \u00e0 importa\u00e7\u00e3o dos diretores italianos Luciano Salce e Adolfo Celli, que ajudam a formar os brasileiros Fl\u00e1vio Rangel e Antunes Filho. Com o sucesso em S\u00e3o Paulo, o TBC abre uma filial no Rio.\n\nAs companhias de Eva Todor, Maria Della Costa, Dulcina e Odilon, Proc\u00f3pio e Bibi Ferreira s\u00e3o contratadas para excursionar em Portugal e suas col\u00f4nias.\n\n<strong>Os problemas criados por uma estrutura grande e onerosa, a morte de Franco Zampari e cis\u00f5es entre os membros do elenco fazem com que, ao longo da d\u00e9cada de 50, o TBC se desmembre nos grupos de<\/strong>: T\u00f4nia Carreiro, Paulo Autran e Margarida Rey, dirigido por Adolfo Celli; de Cacilda, o marido Walmor Chagas e a irm\u00e3 Cleyde Y\u00e1conis, dirigido por Ziembinski; o Teatro dos Sete, de Fernanda Montenegro, Italo Rossi e S\u00e9rgio Brito; e o de S\u00e9rgio Cardoso e N\u00eddia L\u00edcia.\n<h4>Contribui\u00e7\u00e3o Estrangeira<\/h4>\nNa d\u00e9cada de 40 alguns atores do Leste europeu refugiam-se no Brasil. Entre eles, est\u00e3o o ucraniano Eug\u00eanio Kusnet, ator e professor que vai ter import\u00e2ncia crucial na primeira fase do Teatro Oficina ao introduzir com todo o rigor o m\u00e9todo Stanislavski; e o polon\u00eas Zbigniew Ziembinski , que, com o cen\u00f3grafo Gustavo Santa Rosa, funda Os Comediantes, com os quais monta Pirandello, Eugene O&#8217;Neill e Arthur Miller.\n\nO trabalho de Ziembinski em &#8221;Vestido de noiva&#8221;, de Nelson Rodrigues, encenada em 1943, transforma o papel do diretor de teatro no Brasil. At\u00e9 ent\u00e3o n\u00e3o se conhecia a figura do diretor como respons\u00e1vel pela linha est\u00e9tica do espet\u00e1culo, ele era apenas um ensaiador.\n<h4>Revolu\u00e7\u00e3o na Dramaturgia<\/h4>\nO pioneiro da moderna dramaturgia brasileira \u00e9 Nelson Rodrigues, que constr\u00f3i uma obra coerente e original, expondo o inconsciente da classe m\u00e9dia com seus ci\u00fames, loucuras, incestos e adult\u00e9rios.\n\nNelson Rodrigues (1912-1980) nasce no Recife e ainda crian\u00e7a muda-se para o Rio de Janeiro. Filho de um jornalista, come\u00e7a aos 13 anos a trabalhar como rep\u00f3rter no jornal do pai. Resolve escrever para teatro para aumentar sua renda. Sua primeira pe\u00e7a encenada \u00e9 &#8221;Mulher sem pecado&#8221;, em 1942. Mas o marco da moderna dramaturgia brasileira \u00e9 &#8221;Vestido de Noiva&#8221; &#8211; texto fragment\u00e1rio e ousado sobre as lembran\u00e7as e del\u00edrios de uma mulher que agoniza durante uma cirurgia.\n<h4>Escolas de Teatro<\/h4>\nEm 1938, Pascoal Carlos Magno cria, no Rio de Janeiro, o Teatro do Estudante, primeiro grupo s\u00e9rio de teatro amador. Como &#8221;Hamle&#8221;t, \u00e9 lan\u00e7ado S\u00e9rgio Cardoso, que, mais tarde, ser\u00e1 a primeira estrela do palco a tornar-se um popular ator de telenovelas.\n\nEm 1948, Alfredo Mesquita funda em S\u00e3o Paulo a Escola de Arte Dram\u00e1tica (EAD).\nAinda em 1948, com &#8221;O casaco encantado&#8221;, L\u00facia Benedetti lan\u00e7a as bases do teatro infantil interpretado por adultos; sua seguidora mais importante \u00e9 Maria Clara Machado &#8221;Pluft, o fantasminha&#8221;, &#8221;O rapto das cebolinhas&#8221;, que, na d\u00e9cada de 50, cria o Tablado, importante centro de forma\u00e7\u00e3o de atores ainda em atividade.\n<h4>Servi\u00e7o Nacional de Teatro<\/h4>\nFundado no fim dos anos 40, patrocina a cria\u00e7\u00e3o de grupos experimentais e a montagem de novos textos brasileiros, como &#8221;A raposa e as uvas&#8221;, de Guilherme de Figueiredo, aclamado no exterior.\n\nNovos representantes do teatro de costumes s\u00e3o Pedro Bloch &#8221;As m\u00e3os de Eur\u00eddice&#8221; e o humorista Mill\u00f4r Fernandes &#8221;Do tamanho de um defunto&#8221;.\n<h4>Preocupa\u00e7\u00e3o com a Tem\u00e1tica Social no Teatro<\/h4>\nNa d\u00e9cada de 50 os textos teatrais s\u00e3o marcados pela preocupa\u00e7\u00e3o com as quest\u00f5es sociais. &#8221;O Pagador de promessas&#8221;, de Dias Gomes &#8211; tamb\u00e9m autor de telenovelas -, se transforma num grande sucesso e \u00e9 adaptada para o cinema em 1962 por Anselmo Duarte. O filme ganha a Palma de Ouro em Cannes.\n\nNelson Rodrigues, que firmara sua reputa\u00e7\u00e3o com &#8221;O anjo negro&#8221;, &#8221;\u00c1lbum de fam\u00edlia&#8221; e &#8221;A falecida&#8221;, desperta pol\u00eamica com &#8221;Perdoa-me por me tra\u00edres&#8221;, &#8221;Beijo no asfalto&#8221;, &#8221;Bonitinha mas ordin\u00e1ria&#8221;, consideradas escandalosas.\n\nJorge Andrade retrata a decad\u00eancia da aristocracia rural paulista em &#8221;A morat\u00f3ria&#8221; e a ascens\u00e3o das classes novas em &#8221;Os ossos do bar\u00e3o&#8221;.\n\nFora do eixo Rio-S\u00e3o Paulo, Ariano Suassuna, nas com\u00e9dias folcl\u00f3ricas &#8221;O auto da Compadecida&#8221; e &#8221;O santo e a porca&#8221;, cruza o modelo renascentista das pe\u00e7as de Gil Vicente com a tem\u00e1tica folcl\u00f3rica nordestina.\n\nJorge Andrade (1922-1984) nasce em Barretos, interior de S\u00e3o Paulo. Come\u00e7a a carreira de dramaturgo, incentivado pela atriz Cacilda Becker. Na d\u00e9cada de 50 escreve pe\u00e7as dram\u00e1ticas e nos anos 60 estr\u00e9ia as com\u00e9dias &#8221;A escada&#8221; e &#8221;Os osso do bar\u00e3o&#8221;, ambas transformadas em novelas de televis\u00e3o. Para a TV escreve tamb\u00e9m as novelas &#8221;O grito&#8221; e &#8221;As gaivotas&#8221;.\n\n<strong>Ao lado de Nelson Rodrigues, \u00e9 o dono da obra teatral mais significativa do Brasil<\/strong>: nela se destacam den\u00fancias do fanatismo e da intoler\u00e2ncia, como &#8221;Veredas da salva\u00e7\u00e3o&#8221; ou o delicado testemunho autobiogr\u00e1fico de &#8221;Rasto atr\u00e1s&#8221;.\n<h4>A Contesta\u00e7\u00e3o no Teatro<\/h4>\nA partir do final dos anos 50, a orienta\u00e7\u00e3o do TBC, de dar prioridade a textos estrangeiros e importar encenadores europeus, \u00e9 acusada de ser culturalmente colonizada por uma nova gera\u00e7\u00e3o de atores e diretores que prefere textos nacionais e montagens simples. Cresce a preocupa\u00e7\u00e3o social, e diversos grupos encaram o teatro como ferramenta pol\u00edtica capaz de contribuir para mudan\u00e7as na realidade brasileira.\n\nO Teatro de Arena, que com seu palco circular aumenta a intimidade entre a plat\u00e9ia e os atores, encena novos dramaturgos &#8211; Augusto Boal &#8221;Marido magro, mulher chata&#8221;, Gianfrancesco Guarnieri &#8221;Eles n\u00e3o usam black-tie&#8221;, Oduvaldo Vianna Filho &#8221;Chapetuba Futebol Clube&#8221; &#8211; e faz musicais como &#8221;Arena conta Zumbi&#8221;, que projeta Paulo Jos\u00e9 e Dina Sfat.\n\n<strong>Trabalho semelhante \u00e9 o de Jos\u00e9 Celso Martinez Correa no Grupo Oficina, tamb\u00e9m de S\u00e3o Paulo<\/strong>: al\u00e9m de montar &#8221;Os pequenos burgueses&#8221;, de Gorki, &#8221;Galileu, Galilei&#8221;, de Brecht, e &#8221;Andorra&#8221;, de Max Frisch, redescobre &#8221;O rei da vela&#8221;, escrito em 1934 por Oswald de Andrade, mas proibido pelo Estado Novo; e cria &#8221;Roda viva&#8221;, do m\u00fasico Chico Buarque de Holanda.\n\nChico havia feito a trilha sonora para &#8221;Vida e morte severina&#8221;, auto nordestino de Natal, de Jo\u00e3o Cabral de Melo Neto, montado pelo Teatro da Universidade Cat\u00f3lica de S\u00e3o Paulo (Tuca) e premiado no Festival Internacional de Teatro de Nancy, na Fran\u00e7a.\n\nOs passos do Arena, de conota\u00e7\u00f5es nitidamente pol\u00edticas, s\u00e3o seguidos pelo Grupo Opini\u00e3o, do Rio de Janeiro. Seu maior sucesso \u00e9 &#8221;Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come&#8221;, de Oduvaldo Vianna Filho.\n\nNo final da d\u00e9cada de 60, novo impulso \u00e0 dramaturgia realista \u00e9 dado por Pl\u00ednio Marcos em &#8221;Dois perdidos numa noite suja&#8221; e &#8221;Navalha na carne&#8221;. Outros autores importantes s\u00e3o Br\u00e1ulio Pedroso &#8221;O fard\u00e3o&#8221; e Lauro C\u00e9sar Muniz &#8221;O santo milagroso&#8221;.\n\nGianfrancesco Guarnieri (1934- ) nasce em Mil\u00e3o. Participa da cria\u00e7\u00e3o do Teatro de Arena. &#8221;Eles n\u00e3o usam black-tie&#8221; &#8211; hist\u00f3ria de uma fam\u00edlia de oper\u00e1rios durante uma greve e suas diferentes posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas &#8211; \u00e9 um marco do teatro de tem\u00e1tica social. Junto com Augusto Boal monta &#8221;Arena conta Zumbi&#8221;, onde s\u00e3o usadas t\u00e9cnicas do teatro brechtiano. Entre suas pe\u00e7as destacam-se tamb\u00e9m &#8221;Um grito parado no ar&#8221; e &#8221;Ponto de partida&#8221;. Trabalha como ator de cinema (Eles n\u00e3o usam black-tie, Gaijin) e de novelas.\n\nPlinio Marcos (1935- ) nasce em Santos, filho de um banc\u00e1rio. Abandona cedo a escola. Trabalha em diversas profiss\u00f5es &#8211; \u00e9 oper\u00e1rio, camel\u00f4, jogador de futebol, ator. Em 1967 explode com &#8221;Dois perdidos numa noite suja&#8221; e &#8221;Navalha na carne&#8221;, pe\u00e7as que retratam a vida dos marginais da sociedade. Sua tem\u00e1tica realista e linguagem agressiva chocam parte do p\u00fablico e fazem com que suas pe\u00e7as sejam freq\u00fcentemente censuradas. Ap\u00f3s dez anos sem publicar, lan\u00e7a &#8221;A dan\u00e7a final&#8221; em 1994. Vive da venda direta de seus livros e da leitura de tar\u00f4.\n\nOduvaldo Vianna Filho (1936-1974) nasce em S\u00e3o Paulo. Filho do dramaturgo Oduvaldo Vianna, torna-se conhecido como Vianinha. \u00c9 um dos fundadores do Teatro de Arena e do Grupo Opini\u00e3o. Suas pe\u00e7as &#8221;Chapetuba F.C.&#8221;, &#8221;Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come&#8221;, &#8221;Longa noite de cristal&#8221;, &#8221;Papa Highirte&#8221; e &#8221;Rasga cora\u00e7\u00e3o &#8221;o transformam num dos mais importantes dramaturgos brasileiros. &#8221;Rasga cora\u00e7\u00e3o&#8221;, s\u00edntese do teatro brasileiro de seu tempo, fica censurada por cinco anos durante o regime militar e s\u00f3 \u00e9 montada em 1979, ap\u00f3s sua morte.\n<h4>Censura<\/h4>\nNa d\u00e9cada de 70 a censura imposta pelo governo militar chega ao auge. Os autores s\u00e3o obrigados a encontrar uma linguagem que drible os censores e seja acess\u00edvel ao espectador.\n\n<strong>Nessa fase, surge toda uma gera\u00e7\u00e3o de jovens dramaturgos cuja obra vai consolidar-se ao longo das d\u00e9cadas de 70 e 80:<\/strong>\n<blockquote>M\u00e1rio Prata (B\u00e9same mucho),\nFauzi Arap (O amor do n\u00e3o),\nAnt\u00f4nio Bivar (Cord\u00e9lia Brasil),\nLeilah Assun\u00e7\u00e3o (Fala baixo sen\u00e3o eu grito),\nConsuelo de Castro (Caminho de volta),\nIsabel C\u00e2mara (As mo\u00e7as),\nJos\u00e9 Vicente (O assalto),\nCarlos Queiroz Telles (Frei Caneca),\nRoberto Athayde (Apareceu a margarida),\nMaria Adelaide Amaral (De bra\u00e7os abertos),\nJo\u00e3o Ribeiro Chaves Neto (Pat\u00e9tica),\nFl\u00e1vio M\u00e1rcio (R\u00e9veillon),\nNaum Alves de Souza (No Natal a gente vem te buscar).<\/blockquote>\n<strong>Marcam \u00e9poca tamb\u00e9m as montagens feitas, em S\u00e3o Paulo, pelo argentino Victor Garc\u00eda<\/strong>: &#8221;Cemit\u00e9rio de autom\u00f3veis&#8221;, de Fernando Arrabal, e &#8221;O balc\u00e3o&#8221;, de Jean Genet &#8211; nesta \u00faltima, ele chega a demolir internamente o Teatro Ruth Escobar para construir o cen\u00e1rio, uma imensa espiral met\u00e1lica ao longo da qual se sentam os espectadores.\n<h4>As Novas Propostas<\/h4>\n<blockquote>A partir do final da d\u00e9cada de 70, aparecem grupos de cria\u00e7\u00e3o coletiva, irreverentemente inovadores.\n&#8221;Trate-me le\u00e3o&#8221;, do Asdr\u00fabal Trouxe o Trombone, aborda o inconformismo e a falta de perspectivas da adolesc\u00eancia e revela a atriz Regina Cas\u00e9.\n&#8221;Salada paulista&#8221;, do Pod Minoga tamb\u00e9m calca seu humor nos problemas do cotidiano.\nJ\u00e1 &#8221;Na carreira do divino&#8221;, de Alberto Soffredini, baseia-se numa pesquisa do grupo Pessoal do V\u00edtor sobre a desestrutura\u00e7\u00e3o do mundo caipira.\nAntunes Filho \u00e9 aplaudido por sua adapta\u00e7\u00e3o de &#8221;Macuna\u00edma&#8221;, de M\u00e1rio de Andrade, e Nelson Rodrigues, &#8221;O eterno retorno&#8221;.\nLuiz Alberto de Abreu &#8221;Bella ciao&#8221;, Fl\u00e1vio de Souza &#8221;Fica comigo esta noite&#8221; e Alcides Nogueira &#8221;Lua de Cetim&#8221; e &#8221;Opera Joyce&#8221; destacam-se entre os autores.\nO Ornitorrinco, de Cac\u00e1 Rosset e Lu\u00eds Roberto Galizia, inaugura, com &#8221;Os p\u00e1rias&#8221;, de Strindberg, e um recital das can\u00e7\u00f5es de Kurt Weil e Brecht, uma f\u00f3rmula underground original.\nOs espet\u00e1culos posteriores de Rosset, o &#8221;Ubu&#8221;, de Alfred Jarry, o pol\u00eamico &#8221;Teledeum&#8221;, do catal\u00e3o Albert Boadella, &#8221;Sonhos de uma noite de ver\u00e3o&#8221; e &#8221;Com\u00e9dia dos erros&#8221;, de Shakespeare, s\u00e3o comercialmente bem-sucedidos.<\/blockquote>\nAntunes Filho (1929- ) come\u00e7a a trabalhar com teatro dirigindo um grupo de estudantes. Na d\u00e9cada de 50 trabalha como assistente de dire\u00e7\u00e3o no TBC.\n\nNo final dos anos 70 rompe com o teatro mais comercial em sua montagem de Macuna\u00edma, de M\u00e1rio de Andrade, um dos marcos do teatro brasileiro.\n\nCom Nelson Rodrigues, o eterno retorno, montagem que engloba as pe\u00e7as Toda nudez ser\u00e1 castigada, Os sete gatinhos, Beijo no asfalto e \u00c1lbum de fam\u00edlia, traz \u00e0 tona a discuss\u00e3o sobre a obra de Nelson Rodrigues. No Centro de Pesquisas Teatrais, pesquisa um modo brasileiro de fazer teatro.\n\nFonte: my.opera.com\n<h6>Teatro Brasileiro<\/h6>\n<h4>TBC \u0096 Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Brasileiro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tteatro1.jpg\" alt=\"Teatro Brasileiro\" width=\"344\" height=\"241\" \/><strong>\nTeatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/strong><\/p>\nA companhia paulistana, fundada por Franco Zampari em 1948, mudou o rumo do teatro nacional. Foi a partir das inova\u00e7\u00f5es do empres\u00e1rio italiano que come\u00e7ou a ser desenhada a profissionaliza\u00e7\u00e3o teatral no pa\u00eds, com grande preocupa\u00e7\u00e3o art\u00edstica e sucessos de bilheteria. O grupo revelou grandes nomes como Cacilda Becker, Paulo Autran, S\u00e9rgio Cardoso, T\u00f4nia Carreiro e Cleyde Y\u00e1conis.\n\nZampari se aproximou do movimento teatral amador de S\u00e3o Paulo a partir de 1945, ap\u00f3s a montagem de uma pe\u00e7a escrita por ele. Como mal havia salas para as apresenta\u00e7\u00f5es, ele prop\u00f4s a funda\u00e7\u00e3o da Sociedade Brasileira de Com\u00e9dia, entidade sem fins lucrativos que congregaria os grupos de teatro amadores. Alugou um sobrado no bairro da Bela Vista, na Rua Major Diogo, para transform\u00e1-lo em um estruturado teatro, chamado na \u00e9poca de \u0091teatro assobradado\u0092. O TBC foi inaugurado tr\u00eas anos mais tarde com as pe\u00e7as \u0093La Voix Humaine\u0094, de Jean Cocteau, por Henriette Morineau, em franc\u00eas, e \u0093A Mulher do Pr\u00f3ximo\u0094, de Ab\u00edlio Pereira de Almeida, com o Grupo de Teatro Experimental, dirigido por Alfredo Mesquita.\n\nA companhia seguiu com montagens amadoras e, em 1949, estreou sua fase profissional com \u0093Nick Bar&#8230; \u00c1lcool, Brinquedos, ambi\u00e7\u00f5es\u0094, de William Saroyan, dirigida por Adolfo Celi. A partir da\u00ed, segue um longo aprendizado t\u00e9cnico e art\u00edstico em busca de um teatro mais sofisticado. Cacilda Becker foi a primeira atriz contratada pelo TBC, seguida de Paulo Autran, Madalena Nicoll e muitos outros nomes que marcaram o teatro nacional. Houve tamb\u00e9m a implementa\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es t\u00e9cnicas, como a utiliza\u00e7\u00e3o de palcos girat\u00f3rios, com a pe\u00e7a &#8220;Entre Quatro Paredes&#8221;, de Jean Paul Sartre, tamb\u00e9m dirigida Celi. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 50, o TBC j\u00e1 havia conquistado a posi\u00e7\u00e3o de um dos mais importantes do pa\u00eds.\n\nEm 1954, Zampari abriu uma filial no TBC com intuito de prolongar a temporada das produ\u00e7\u00f5es e aumentar a renda da companhia. A crise come\u00e7a a rondar o teatro. Em 1955, T\u00f4nia Carrero, Adolfo Celi e Paulo Autran sa\u00edram do grupo para fundar companhia pr\u00f3pria no Rio. Em 1957, ap\u00f3s o sucesso de \u0093Rua S\u00e3o Lu\u00eds, 27 &#8211; 8\u00ba Andar\u0094, de Ab\u00edlio Pereira de Almeida, Cacilda Becker e Walmor Chagas tamb\u00e9m se despedem e criam o Teatro Cacilda Becker &#8211; TCB.\n\nProdu\u00e7\u00f5es da companhia de Cacilda e do Teatro de Arena deram novo g\u00e1s \u00e0 dramaturgia nacional e o TBC mergulhou em grande crise. Em 1959, foi a vez de Fernanda Montenegro deixar a companhia para fundar o Teatro dos Sete (embri\u00e3o do Teatro dos Quatro), ao lado de S\u00e9rgio Britto, Gianni Ratto e \u00cdtalo Rossi.\n\nUm ano mais tarde, Zampari entregou a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica da casa a Fl\u00e1vio Rangel, primeiro brasileiro a comandar a companhia.\n\nRangel emplacou sucessos como \u0093A Semente\u0094 (1961), de Gianfrancesco Guarnieri, \u0093Revolu\u00e7\u00e3o dos Beatos\u0094 (1962), de Dias Gomes e \u0093Vereda da Salva\u00e7\u00e3o\u0094, de Jorge Andrade, \u00faltima produ\u00e7\u00e3o da casa, em 1964. Depois de 16 anos, 144 pe\u00e7as e mais de dois milh\u00f5es de espectadores, o TBC foi fechado e deu lugar a um teatro de aluguel.\n\nNa d\u00e9cada de 80, houve uma tentativa de recuperar um pouco do brilho dos anos \u00e1ureos do espa\u00e7o. Ant\u00f4nio Abujamra apresentou sete espet\u00e1culos com o \u0093Projeto Cacilda Becker\u0094. E o teatro foi comprado e tombado pelo Condephaat dois anos mais tarde. No in\u00edcio dos anos 90, repleto de d\u00edvidas, acabou arrendado pela prefeitura.\n\nNo fim daquela d\u00e9cada, houve a grande e \u00faltima tentativa de reativar o TBC. Com investimento de cerca de R$ 4 milh\u00f5es, o empres\u00e1rio Marcos Tidemann reformou a estrutura e entregou a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica ao diretor Gabriel Villela. Por l\u00e1 passaram boas pe\u00e7as do eixo Rio\/SP \u0096 uma das salas serviu de sede para o grupo Parlapat\u00f5es, Patifes e Paspalh\u00f5es. Mas, mais uma vez, a crise financeira engoliu a arte. Com faturamento abaixo do esperado, o \u0093Novo TBC\u0094, como era conhecido, encerrou as atividades art\u00edsticas do pequeno pr\u00e9dio do centro da cidade em 2003.\n\n<strong>Fatos Marcantes:<\/strong>\n<blockquote><strong>1948: <\/strong>A Companhia Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia foi criada pelo empres\u00e1rio italiano Franco Zampari .<strong>\n1949: <\/strong>A estr\u00e9ia de \u0093Nick Bar&#8230; \u00c1lcool, Brinquedos, Ambi\u00e7\u00f5es\u0094, de William Saroyan, sob a dire\u00e7\u00e3o de Adolfo Celi, marca a profissionaliza\u00e7\u00e3o do grupo.<strong>\n1950: <\/strong>Ziembinski passa a integrar o conjunto, assinando a dire\u00e7\u00e3o de algumas encena\u00e7\u00f5es.<strong>\n1951<\/strong>: Cacilda Becker \u00e9 a protagonista de \u0093A Dama das Cam\u00e9lias\u0094, de Alexandre Dumas Filho, com encena\u00e7\u00e3o de Luciano Salce, que comemora os tr\u00eas anos do TBC.<strong>\n1952: <\/strong>Adolfo Celi dirige \u0093Ant\u00edgone\u0094, que une a trag\u00e9dia cl\u00e1ssica de S\u00f3focles e a vers\u00e3o moderna de Jean Anouilh.<strong>\n1953: <\/strong>Apesar do sucesso, a companhia amarga d\u00edvidas. Sergio Cardoso e Nydia Licia se desligam para fundar a Companhia Nydia Licia &#8211; Sergio Cardoso.<strong>\n1954: <\/strong>Como tentativa de contornar a crise, Zampari abre uma sucursal do TBC no Rio de Janeiro, na tentativa de estender a temporada das produ\u00e7\u00f5es.<strong>\n1955: <\/strong>Um inc\u00eandio destr\u00f3i parte dos figurinos e equipamentos, mas o grupo ressurge com bons projetos de Ziembinski. Adolfo Celi, Paulo Autran e T\u00f4nia Carrero deixam a Cia. para fundar uma companhia pr\u00f3pria.<strong>\n1956: <\/strong>A companhia continua com pe\u00e7as de sucesso, como \u0093Eurydice\u0094, de Jean Anouilh, dirigida por Gianni Ratto.<strong>\n1957: <\/strong>Cacilda Becker deixa o TBC, ao lado de Walmor Chagas, para fundar o Teatro Cacilda Becker &#8211; TCB.<strong>\n1958: <\/strong>Apesar do sucesso de \u0093Um Panorama Visto da Ponte\u0094, de Arthur Miller, a crise financeira torna-se incontorn\u00e1vel para Zampari.<strong>\n1959: <\/strong>\u00c9 a vez de Sergio Britto, Gianni Ratto, \u00cdtalo Rossi e Fernanda Montenegro dizer adeus ao TBC para fundar o Teatro dos Sete.<strong>\n1960: <\/strong>Zampari entrega a dire\u00e7\u00e3o art\u00edstica da casa a Fl\u00e1vio Rangel, primeiro diretor brasileiro a assumir a companhia.<strong>\n1961: <\/strong>O novo diretor consegue emplacar sucessos de p\u00fablico, como \u0093A Semente\u0094, de Gianfrancesco Guarnieri.<strong>\n1962: <\/strong>Entre as pe\u00e7as da programa\u00e7\u00e3o, Antunes Filho dirige \u0093Yerma\u0094, de Federico Garc\u00eda Lorca.<strong>\n1964: <\/strong>Antunes tamb\u00e9m assina dire\u00e7\u00e3o de \u0093Vereda da Salva\u00e7\u00e3o\u0094, de Jorge Andrade, \u00faltima produ\u00e7\u00e3o da companhia. Em 16 anos de atua\u00e7\u00e3o, o TBC produziu 122 espet\u00e1culos.<\/blockquote>\nFonte: www.agentesevenoteatro.com.br\n<h6>Teatro Brasileiro<\/h6>\nDo Teatro de Catequese \u00e0 dramaturgia moderna muitas formas de representa\u00e7\u00e3o vem traduzindo a evolu\u00e7\u00e3o cultural brasileira.\n\nDas cren\u00e7as passadas ao cotidiano da atualidade, dramaturgos tem sempre em mente construir obras coerentes e originais, expondo os sentimentos e as viv\u00eancias decorrentes deles, buscando atender as expectativas do grande p\u00fablico.\n\nAs inova\u00e7\u00f5es c\u00eanicas de infra-estrutura obviamente causaram uma revolu\u00e7\u00e3o teatral contribuindo plenamente para o prosseguimento e sucesso dessa arte.\n<h4>TBC &#8211; Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/h4>\nO teatro de com\u00e9dia marcou seu in\u00edcio e conquistou seu espa\u00e7o nas d\u00e9cadas de 30 e 40. Os espet\u00e1culos eram de muito humor e apenas um ator encenava e abusava de seu poder de comunica\u00e7\u00e3o e improviso. Em geral, o ator principal era o dono da companhia e a maior atra\u00e7\u00e3o.\n\nJ\u00e1 nos anos 40, essa mentalidade come\u00e7ou a se transformar. Surgiram os grupos de amadores, que eram formados por estudantes, intelectuais e profissionais liberais. D\u00e9cio de Almeida Prado fundou o Grupo Universit\u00e1rio de Teatro. Formou-se o Grupo de Teatro Experimental de Afredo Mesquita e a primeira escola de atores do Brasil, a EAD &#8211; Escola de Arte Dram\u00e1tica, em S\u00e3o Paulo. Com essas inova\u00e7\u00f5es, uma transforma\u00e7\u00e3o marcou sensivelmente os textos e a t\u00e9cnica teatral. Em 1948, o italiano Franco Zampari realizou uma grande reforma num casar\u00e3o, apoiado por um grupo de empres\u00e1rios, e inaugurou em 11 de outubro do mesmo ano o TBC &#8211; Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia. Esse espa\u00e7o tinha 18 camarins, duas salas de ensaio, uma sala de leitura, oficina de carpintaria e marcenaria, almoxarifados para cenografia e figurinos, modernos equipamentos de som e luz. Um verdadeiro sonho para a \u00e9poca. O espet\u00e1culo duplo de estr\u00e9ia foi &#8220;A Voz Humana&#8221;, interpretado por Henriette Morineau e &#8220;A Mulher do Pr\u00f3ximo&#8221;, com a jovem atriz Cacilda Becker. Proc\u00f3pio Ferreira, Dulcina de Morais, Ziembinski, Cacilda Becker, S\u00e9rgio Cardoso, Paulo Autran, T\u00f4nia Carrero e muitos outros s\u00e3o exemplos dos grandes nomes do teatro brasileiro.\n\nO TBC marcou hist\u00f3ria no teatro brasileiro, pois formou gera\u00e7\u00f5es de atores, diretores e dramaturgos que at\u00e9 hoje encenam nos palcos dos nossos teatros.\n<h4>Teatro Colonial ( at\u00e9 s\u00e9culo XVIII )<\/h4>\nExiste uma lacuna enorme, de quase dois s\u00e9culos, entre o per\u00edodo do Teatro de Catequese e a evolu\u00e7\u00e3o do teatro brasileiro at\u00e9 o s\u00e9culo XVIII. Na verdade, a decad\u00eancia da vida cultural ocorreu devido \u00e0s modifica\u00e7\u00f5es sociais por que passava o Brasil e posteriormente os conflitos pol\u00edticos, guerras contra os franceses no Maranh\u00e3o, contra os holandeses na Bahia e Pernambuco, e ainda o conflito entre os colonos e jesu\u00edtas.\n\nEm meados do s\u00e9culo XVIII, a dramaturgia come\u00e7ou a ganhar impulso e at\u00e9 umcerto humor, apesar de ainda sofrer influ\u00eancia do teatro franc\u00eas e italiano. Perdurou a tradi\u00e7\u00e3o dos espet\u00e1culos nos conventos, nas igrejas ou pal\u00e1cios.\n\nEm 1717, foram encenadas duas com\u00e9dias, El conde Lucanor e Afetos de odio y amor. No ano de 1760 foi constru\u00eddo na Bahia o primeiro teatro p\u00fablico brasileiro, o teatro da praia. Mais tarde, o Rio de Janeiro se tornou o grande centro cultural do teatro brasileiro. Nos dias das apresenta\u00e7\u00f5es os tocadores de p\u00edfanos e tambores anunciavam o evento n\u00e3o s\u00f3 para a classe social privilegiada que chegava em belas carruagens, mas tamb\u00e9m para o povo.\n<h4>O Teatro ( S\u00e9culo XVIII \u00e0 XIX )<\/h4>\nDa segunda metade do s\u00e9culo XVIII at\u00e9 as primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, o teatro apenas sobreviveu. Com a chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, refugiando-se da invas\u00e3o napole\u00f4nica, refletiu-se um processo de transforma\u00e7\u00e3o na atividade teatral. A corte de Lisboa acostumada \u00e0 intensa vida cultural europ\u00e9ia estimulou D. Jo\u00e3o VI a ordenar a constru\u00e7\u00e3o de um teatro que verdadeiramente acolhesse os nobres e visitantes estrangeiros. O novo teatro foi inaugurado na presen\u00e7a da fam\u00edlia real e de toda a corte, com o nome de Real Teatro de S\u00e3o Jo\u00e3o, no dia 12 de outubro de 1813, por ocasi\u00e3o do anivers\u00e1rio do rei.\n\nA seguir, nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX foram constru\u00eddos teatros menores. Tamb\u00e9m na Bahia, Pernambuco, Maranh\u00e3o e S\u00e3o Paulo a vida cultural ganhou seus teatros, casa de \u00f3pera, com a interpreta\u00e7\u00e3o de atores locais, na maioria mulatos. Com a chegada das companhias estrangeiras, as aptid\u00f5es foram se desenvolvendo. Os figurinos refletiam as tradi\u00e7\u00f5es do s\u00e9culo anterior e os cen\u00e1rios evolu\u00edram gra\u00e7as aos pintores locais e a influ\u00eancia do mestre Debret, que estava em miss\u00e3o no Brasil introduzindo o estudo das artes pl\u00e1sticas.\n<h4>Teatro de Costumes e Com\u00e9dia Brasileira ( S\u00e9c XIX )<\/h4>\nO in\u00edcio da Com\u00e9dia Brasileira foi marcado pela obra O Juiz de Paz na Ro\u00e7a, de Martins Pena, o fundador do Teatro de Com\u00e9dia de Costumes, em 1838. Com um tema de marcante nacionalidade, provocou o in\u00edcio do processo de liberta\u00e7\u00e3o das influ\u00eancias da cultura europ\u00e9ia e incentivou futuras encena\u00e7\u00f5es de temas da cultura nacional.\n\nO Teatro de Costumes revelou uma identidade popular, sem grandes pretens\u00f5es e pouca preocupa\u00e7\u00e3o com a est\u00e9tica, mas deixou uma marca aut\u00eantica do teatro nacional do s\u00e9culo passado. Geralmente era composto por apenas um ato e apresentava personagens, situa\u00e7\u00f5es e costumes tipicamente brasileiros. Revelava di\u00e1logos simples, enfocava problemas da \u00e9poca, tramas amorosas e muitas com\u00e9dias satirizavam os costumes rurais e urbanos, conquistando a simpatia do p\u00fablico.\n<h4>Teatro Rom\u00e2ntico ( S\u00e9c XIX )<\/h4>\nMuitas pe\u00e7as foram influenciadas pelo Romantismo, movimento liter\u00e1rio em evid\u00eancia na \u00e9poca. A primeira pe\u00e7a escrita por um brasileiro foi a trag\u00e9dia Ant\u00f4nio Jos\u00e9 ou O Poeta e a Inquisi\u00e7\u00e3o, de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, de 1838, encenada pelo primeiro grande ator brasileiro, Jo\u00e3o Caetano dos Santos. Com a encena\u00e7\u00e3o dessa obra foi dado o primeiro grande passo para um teatro verdadeiramente brasileiro. Mais tarde, Jo\u00e3o Caetano lan\u00e7ou Li\u00e7\u00f5es Dram\u00e1ticas, um documento que traduzia o teatro da \u00e9poca.\n<h4>Teatro Realista ( S\u00e9c XIX )<\/h4>\nO Teatro Realista retratava a realidade do povo brasileiro, enfatizando os principais problemas sociais. Os personagens eram trabalhadores e pessoas simples. Os grandes autores dessa fase da dramaturgia nacional s\u00e3o Artur de Azevedo (O Mandarim, 1884), Jos\u00e9 de Alencar (O Dem\u00f4nio Familiar, 1857) Machado de Assis (Quase Ministro, 1863), Joaquim Manuel de Macedo (Luxo e Vaidade, 1860) e Fran\u00e7a Junior.\n<h4>Teatro Modernista<\/h4>\nO in\u00edcio do s\u00e9culo XX marcou o per\u00edodo mais cr\u00edtico do teatro brasileiro. Os textos apresentavam uma linguagem antiteatral, sofisticada, extremamente acad\u00eamica, com destaque para Goulart de Andrade. Mesmo assim registrou a consagra\u00e7\u00e3o de grandes atores tais como Proc\u00f3pio Ferreira e Dulcina de Morais e dramaturgos renomados como Oswald de Andrade (O Rei da Vela, A Mostra, O Homem e o Cavalo) e Joracy Camargo (Deus lhe Pague). O movimento modernista de 1922 investiu contra essa realidade da \u00e9poca e lan\u00e7ou o desafio de novas concep\u00e7\u00f5es est\u00e9ticas, procurou romper com a arte voltada para a Europa e tentou inovar, invocando a valoriza\u00e7\u00e3o da arte e da cultura brasileira.\n\n<strong>Essa renova\u00e7\u00e3o fez surgir importantes grupos teatrais<\/strong>: Os Comediantes, o TBC &#8211; Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia, O Tablado, Oficina e conseq\u00fcentemente grandes autores como Nelson Rodrigues e Maria Clara Machado, e grandes artistas como Cacilda Becker, Tonia Carrero, Sergio Cardoso, Paulo Autran, Fernanda Montenegro e muitos mais.\n<h4>Teatro de Revista<\/h4>\nNos anos 30 e 40, um g\u00eanero teatral alcan\u00e7ou o auge do sucesso e dominou os palcos brasileiros &#8211; o teatro de revista.\n\nOriginou da Companhia de Teatro de Vaudeville (Fran\u00e7a). Encenava n\u00fameros musicais, com dan\u00e7arinas de pouca roupa e n\u00fameros que satirizavam personalidades de destaque da vida p\u00fablica.\n\nCom o passar dos anos, foi ficando mais ousado e chegou a ser chamado &#8220;teatro rebolado&#8221;. J\u00e1 nos anos 40, as superprodu\u00e7\u00f5es mantinham as caracter\u00edsticas iniciais, acrescidas de textos de humor picante, imita\u00e7\u00f5es e trocadilhos, alcan\u00e7ando o reconhecimento do seu valor art\u00edstico junto \u00e0 cr\u00edtica teatral.\n\nSurgem as grandes vedetes, Virg\u00ednia Lane, Brigitte Blair, Angelita Martinez, Mara R\u00fabia e as estrelas da noite, Grande Otelo, Oscarito, Ankito, Dercy Gon\u00e7alves, interpretando &#8220;personagens-clich\u00eas&#8221;, como o malandro carioca, a mulata, o portugu\u00eas.\n\nEsta \u00e9poca \u00e1urea dos brilhos e paet\u00eas resistiu at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 60, sendo sufocada pela modernidade da televis\u00e3o e despersonalizada pela censura dos governantes militares.\n\nFonte: www.edukbr.com.br\n<h6>Teatro Brasileiro<\/h6>\n<h4>O<strong> Teatro no Brasi<\/strong>l<\/h4>\nO<strong> teatro no Brasi<\/strong>l surgiu no s\u00e9culo XVI, tendo como motivo a propaga\u00e7\u00e3o da f\u00e9 religiosa.\n\nDentre uns poucos autores, destacou-se o padre Jos\u00e9 de Anchieta, que escreveu alguns autos (antiga composi\u00e7\u00e3o teatral) que visavam a catequiza\u00e7\u00e3o dos ind\u00edgenas, bem como a integra\u00e7\u00e3o entre portugueses, \u00edndios e espanh\u00f3is. Exemplo disso \u00e9 o Auto de S\u00e3o Louren\u00e7o, escrito em tupi-guarani, portugu\u00eas e espanhol.\n\nUm hiato de dois s\u00e9culos separa a atividade teatral jesu\u00edtica da continuidade e desenvolvimento do teatro no Brasil. Isso porque, durante os s\u00e9culos XVII e XVIII, o pa\u00eds esteve envolvido com seu processo de coloniza\u00e7\u00e3o (enquanto col\u00f3nio de Portugal) e em batalhas de defesa do territ\u00f3rio colonial. Foi a transfer\u00eancia da corte portuguesa para o Rio de Janeiro, em 1808, que trouxe ineg\u00e1vel progresso para o teatro, consolidado pela Independ\u00eancia, em 1822.\n\nO ator Jo\u00e3o Caetano formou, em 1833, uma companhia brasileira.\n\n<strong>Seu nome est\u00e1 vinculado a dois acontecimentos fundamentais da hist\u00f3ria da dramaturgia nacional<\/strong>: a estr\u00e9ia, em 13 de mar\u00e7o de 1838, da pe\u00e7a Ant\u00f4nio Jos\u00e9 ou O Poeta e a Inquisi\u00e7\u00e3o, de autoria de Gon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, a primeira trag\u00e9dia escrita por um brasileiro e a \u00fanica de assunto nacional; e, em 4 de outubro de 1838, a estr\u00e9ia da pe\u00e7a O Juiz de Paz na Ro\u00e7a, de autoria de Martins Pena, chamado na \u00e9poca de o &#8220;Moli\u00e8re brasileiro&#8221;, que abriu o fil\u00e3o da com\u00e9dia de costumes, o g\u00eanero mais caracter\u00edstico da tradi\u00e7\u00e3o c\u00eanica brasileira.\n\nGon\u00e7alves de Magalh\u00e3es, ao voltar da Europa em 1867, introduziu no Brasil a influ\u00eancia rom\u00e2ntica, que iria nortear escritores, poetas e dramaturgos. Gon\u00e7alves Dias (poeta rom\u00e2ntico) \u00e9 um dos mais representativos autores dessa \u00e9poca, e sua pe\u00e7a Leonor de Mendon\u00e7a teve altos m\u00e9ritos, sendo at\u00e9 hoje representada. Alguns romancistas, como Machado de Assis, Joaquim Manuel de Macedo, Jos\u00e9 de Alencar, e poetas como \u00c1lvares de Azevedo e Castro Alves, tamb\u00e9m escreveram pe\u00e7as teatrais no s\u00e9culo XIX.\n\nO s\u00e9culo XX despontou com um s\u00f3lido teatro de variedades, mescla do variet\u00e9 franc\u00eas e das revistas portuguesas. As companhias estrangeiras continuavam a vir ao Brasil, com suas encena\u00e7\u00f5es tr\u00e1gicas e suas \u00f3peras bem ao gosto refinado da burguesia. O teatro ainda n\u00e3o recebera as influ\u00eancias dos movimentos modernos que pululavam na Europa desde fins do s\u00e9culo anterior.\n\nOs ecos da modernidade chegaram ao teatro brasileiro na obra de Oswald de Andrade, produzida toda na d\u00e9cada de 1930, com destaque para O Rei da Vela, s\u00f3 encenada na d\u00e9cada de 1960 por Jos\u00e9 Celso Martinez Corr\u00eaa. \u00c9 a partir da encena\u00e7\u00e3o de Vestido de Noiva, de Nelson Rodrigues, que nasce o moderno teatro brasileiro, n\u00e3o somente do ponto-de-vista da dramaturgia, mas tamb\u00e9m da encena\u00e7\u00e3o, e em pleno Estado Novo.\n\n<strong>Surgiram grupos e companhias est\u00e1veis de repert\u00f3rio. Os mais significativos, a partir da d\u00e9cada de 1940, foram<\/strong>: Os Comediantes, o TBC, o Teatro Oficina, o Teatro de Arena, o Teatro dos Sete, a Companhia Celi-Autran-Carrero, entre outros.\n\nQuando tudo parecia ir bem com o teatro brasileiro, a ditadura militar veio impor a censura pr\u00e9via a autores e encenadores, levando o teatro a um retrocesso produtivo, mas n\u00e3o criativo. Prova disso \u00e9 que nunca houve tantos dramaturgos atuando simultaneamente.\n\nCom o fim do regime militar, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o teatro tentou recobrar seus rumos e estabelecer novas diretrizes. Surgiram grupos e movimentos de est\u00edmulo a uma nova dramaturgia.\n<h4>O TBC &#8211; Teatro Brasileiro de Com\u00e9dia<\/h4>\nEm 1948, S\u00e3o Paulo vivia o auge do processo de industrializa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Franco Zampari &#8211;<\/strong> industrial que transitava nas altas rodas dos neg\u00f3cios e das tradicionais fam\u00edlias paulistanas &#8211; criou, junto a Francisco Matarazzo Sobrinho e Paulo \u00c1lvaro de Assun\u00e7\u00e3o, a Sociedade Brasileira de Com\u00e9dia. Assim nascia o TBC, inaugurado no dia 11 de Outubro, contando com uma \u00fanica apresenta\u00e7\u00e3o do mon\u00f3logo &#8211; em franc\u00eas &#8211; A Voz Humana, de Jean Cocteau, a cargo de Henriette Morineau, e a com\u00e9dia A Mulher do Pr\u00f3ximo, de Ab\u00edlio Pereira de Almeida.\n\nNeste mesmo ano, ainda foram realizados os primeiros exames p\u00fablicos da Escola de Arte Dram\u00e1tica, fundada por Alfredo Mesquita. Zampari transformou o pr\u00e9dio da Rua Major Diogo n\u00b0 315 em um bem equipado teatro de 365 lugares, onde grupos amadores da \u00e9poca se apresentavam em esquema de rod\u00edzio.\n\nNum primeiro momento, nomes como o de Cacilda Becker e de Paulo Autran participavam destes grupos amadores e experimentais. O teatro herdou do grupo amador Os Comediantes, da d\u00e9cada de 40, as diretrizes que o fizeram manter um elenco fixo com mais de 30 atores, sendo inevit\u00e1vel dominar o cen\u00e1rio da produ\u00e7\u00e3o teatral da d\u00e9cada de 50.\n\n<strong>Consagradas pe\u00e7as importadas da Europa e dos EUA trouxeram \u00e0 classe m\u00e9dia ao teatro, pelos nomes dos atraentes diretores estrangeiros, que pela primeira vez pisavam no Brasil<\/strong>: Adolfo Celi, Luciano Salce, Flam\u00ednio Bollini Cerri, Ruggero Jacobbi. Este processo influenciou brasileiros como Antunes Filho, Jos\u00e9 Renato, Fl\u00e1vio Rangel, hoje diretores teatrais consagrados.\n\nEm 1950, vieram os espet\u00e1culos Nick Bar, de Saroyan; Ars\u00eanico e Alfazema, de Kesselring; Luz de G\u00e1s, de Patrick Hamilton; O Mentiroso, de Goldoni (marcando a estr\u00e9ia de S\u00e9rgio Cardoso); Entre Quatro Paredes, de Sartre; Os Filhos de Eduardo, de Sauvajon; Anjo de Pedra, de Tenesse Williaams; e Pega Fogo, duas cria\u00e7\u00f5es de Cacilda Becker. Tudo encenado pelos dois diretores fixos da companhia, Adolfo Celi e Ruggero Jacobbi. O elenco reunia os atores Cacilda Becker, S\u00e9rgio Cardoso, Maur\u00edcio Barroso, C\u00e9lia Biar, Ruy Affonso, Waldemar Wey, Renato Consorte, Nydia L\u00edcia, Fredi Kleemann, Elizabeth Henreid.\n\nZampari, depois de muito insistir, conseguiu convencer o ator e diretor polon\u00eas Zbigniew Ziembinski a aceitar o seu convite e juntar-se \u00e0 companhia. A partir da\u00ed, o hor\u00e1rio alternativo das segundas-feiras passou a ser ocupado por ele (sua estr\u00e9ia marcada com Falou Freud). A seguir vieram os trabalhos O Homem da Flor na Boca, de Pirandello, Lembran\u00e7as de Bertha, de Tennessee Williams e O Banquete, de L\u00facia Benedetti.\n\nDa\u00ed por diante, o destino art\u00edstico de Ziembinski confunde-se com o do TBC.\n\nEm 1956, Gianni Ratto, Alberto d\u0092Aversa e Maurice Vaneau passam a integrar a equipe fixa da casa e o TBC transforma-se no orgulho cultural da cidade, sendo cada vez mais bem freqentado pela elite burguesa. Em fun\u00e7\u00e3o de tanto sucesso, Zampari, num impeto de empolga\u00e7\u00e3o, leva um elenco fixo do TBC para o Rio de Janeiro, no Teatro Gin\u00e1stico.\n\nMas a dr\u00e1stica trag\u00e9dia veio em seguida. Com poucos meses de intervalo, a sede paulista do TBC e o Teatro Gin\u00e1stico s\u00e3o parcialmente destru\u00eddos por inc\u00eandios.\n\n<strong>Os graves preju\u00edzos antecipam o \u00eaxodo dos principais artistas, que conseq\u00fcentemente criaram as suas pr\u00f3prias companhias<\/strong>: S\u00e9rgio Cardoso e Bibi Ferreira, Adolfo Celi e Paulo Autran, a de T\u00f5nia Carreiro, de Walmor Chagas, de Cacilda Becker, a de Ziembinski e de Cleide Y\u00e1conis.\n\nNo ano de 1958, em seu d\u00e9cimo anivers\u00e1rio, o TBC j\u00e1 se encontrava abalado financeira e artisticamente. Algumas comemora\u00e7\u00f5es foram realizadas, mas um ano depois a crise se precipitava com o fracasso de v\u00e1rios espet\u00e1culos e a sa\u00edda de Fernanda Montenegro, Fernando Torres, S\u00e9rgio Brito, \u00cdtalo Rossi e Gianni Ratto, para fundar o Teatro dos Sete.\n\nEm 1960 foi suprimido o elenco carioca.\n\nNo mesmo ano, a tentativa de uma nova pol\u00edtica de repert\u00f3rio foi adotada com a contrata\u00e7\u00e3o de Fl\u00e1vio Rangel e com a montagem de O Pagador de Promessas, de Dias Gomes. Neste per\u00edodo, o Brasil vivia turbul\u00eancias e com a febre do nacionalismo, o ambiente era prop\u00edcio para uma nova dramaturgia nacional. Mas apesar do sucesso do espet\u00e1culo, n\u00e3o foi poss\u00edvel reequilibrar a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica j\u00e1 bastante debilitada.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teatro Brasileiro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/tteatro2.jpg\" alt=\"Teatro Brasileiro\" width=\"266\" height=\"215\" \/>\nFranco Zampari<\/strong><\/p>\nDoente e com d\u00edvidas, Zampari anunciou o fechamento do TBC. A pedido da classe teatral, o Governo do Estado de S\u00e3o Paulo procurou garantir a sobreviv\u00eancia da companhia, declarando-a sob regime de interven\u00e7\u00e3o, a cargo da Comiss\u00e3o Estadual de Teatro, que nomeou Roberto Freire como diretor-superintendente. Depois vieram Maur\u00edcio Segall, Fl\u00e1vio Rangel e D\u00e9cio de Almeida Prado. Alguns espet\u00e1culos foram montados, mas o regime de interven\u00e7\u00e3o n\u00e3o deu certo e Zampari reassumiu com menos poderes. Paralelamente, a Companhia Cinematogr\u00e1fica Vera Cruz &#8211; tamb\u00e9m de sociedade de Zampari &#8211; j\u00e1 havia quebrado.\n\nNas comemora\u00e7\u00f5es do seu d\u00e9cimo-quinto anivers\u00e1rio, o TBC apresentou a montagem de maior sucesso de sua bilheteria, Os Ossos do Bar\u00e3o, de Jorge Andrade. Mas a situa\u00e7\u00e3o ainda muito cr\u00edtica fez com que suas portas cerrassem em 1964 como companhia produtora, permanecendo apenas como casa de espet\u00e1culos, alugada a outras companhias e grupos.\n\nEm sua trajet\u00f3ria, o TBC apresentou 144 pe\u00e7as &#8211; al\u00e9m de espet\u00e1culos de m\u00fasica e poesia &#8211; totalizando 8.990 representa\u00e7\u00f5es, assistidas por 1 milh\u00e3o e 911 mil pessoas, e foi uma das maiores escolas pr\u00e1ticas de profissionalismo que o teatro brasileiro j\u00e1 teve. A partir dele, passou-se a dar uma maior import\u00e2ncia ao encenador e \u00e0 equipe.\n\nA rotina da valoriza\u00e7\u00e3o somada \u00e0 exig\u00eancia do acabamento artesanal, profissional e impec\u00e1vel, ofereceu know-how e profissionalismo a dezenas de artistas e t\u00e9cnicos.\n\nE como escola de atores, o TBC lan\u00e7ou grandes nomes do palco brasileiro ao longo destes anos todos, sendo experi\u00eancia \u00fanica e inesquec\u00edvel para todos que vivenciaram este processo criativo.\n\nAgora, a cada vez que voc\u00ea pisar neste teatro para assistir a mais um de seus espetaculos, tenha em sua memoria, o que ele respresenta para a classe teatral como \u00edcone e celebrac\u00e3o.\n\nFonte: www.ocisco.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Teatro Brasileiro, Com\u00e9dia, Hist\u00f3ria, Brasil, TBC, Escolas, Grupos, Evolu\u00e7\u00e3o, Caracter\u00edsticas, Espectadores, Import\u00e2ncia, Teatro Brasileiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16662,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26457","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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