{"id":26399,"date":"2016-01-06T00:00:00","date_gmt":"2016-01-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/chilopoda-e-diplopoda-3\/"},"modified":"2026-09-01T18:03:21","modified_gmt":"2026-09-01T18:03:21","slug":"chilopoda-e-diplopoda-3","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biologia-2\/chilopoda-e-diplopoda-3\/","title":{"rendered":"Chilopoda e Diplopoda"},"content":{"rendered":"\n<p> <strong>Os artr\u00f3podos atuais est\u00e3o divididos em quatro grupos de acordo      com sua origem evolutiva:<\/strong> os Trilobita, j\u00e1 extintos, os Chelicerata,      que compreendem os \u00e1caros, escorpi\u00f5es, aranhas e carrapatos, os Crustacea,      que abrangem os caranguejos, camar\u00f5es e lagostas, e os Uniramia, um grupo      diverso que cont\u00e9m os insetos e os miri\u00e1podos.<\/p>\n   \n<p>Os unirremes recebem este nome porque seus ap\u00eandices n\u00e3o s\u00e3o ramificados,      ao contr\u00e1rio dos crust\u00e1ceos, por exemplo. Possuem um \u00fanico par de antenas      e assim diferem dos quelicerados (desprovidos desses \u00f3rg\u00e3os) e dos crust\u00e1ceos      (que possuem dois pares). Al\u00e9m disso, os unirremes s\u00e3o na sua grande maioria      terrestres, e acredita-se que evolu\u00edram na terra, ao contr\u00e1rio dos outros      artr\u00f3podos. N\u00e3o existe forma aqu\u00e1tica f\u00f3ssil e os poucos unirremes aqu\u00e1ticos      atuais s\u00e3o todos invasores secund\u00e1rios do ambiente aqu\u00e1tico.<\/p>\n   \n<p>Os unirremes mais evolu\u00eddos s\u00e3o certamente os insetos, e a literatura sobre      estes \u00e9 farta. H\u00e1 entretanto, grupo que recebeu menor aten\u00e7\u00e3o dos bi\u00f3logos      apesar da sua abund\u00e2ncia. Quatro grupos de unirremes abrangendo cerca de 10.500      esp\u00e9cies &#8211; os quil\u00f3podos, dipl\u00f3podos, paur\u00f3podos e s\u00ednfilos &#8211; t\u00eam um corpo      composto de uma cabe\u00e7a e um tronco alongado, com muitos segmentos portadores      de pernas. Essa caracter\u00edstica comum era anteriormente considerada suficiente      para coloc\u00e1-los numa \u00fanica classe, os Myriapoda. Embora estes artr\u00f3podos estejam      mais pr\u00f3ximos uns aos outros que os insetos entre si, eles exibem diferen\u00e7as      marcantes. Assim, cada grupo \u00e9 agora considerado uma classe distinta.<\/p>\n   \n<p>Os miri\u00e1podos s\u00e3o artr\u00f3podos na sua maioria terrestres, com nove ou mais      pares de pernas, de corpo alongado e vermiforme. A maioria dos miri\u00e1podos      requer ambiente relativamente \u00famido, pois n\u00e3o possuem epicut\u00edcula cerosa.      Em geral, vivem debaixo de pedras e troncos e no solo, estando amplamente      distribu\u00eddos tanto em regi\u00f5es temperadas como tropicais. Das 4 classes de      miri\u00e1podos, as centop\u00e9ias (Chilopoda) e piolhos de cobra (Diplopoda) s\u00e3o encontradas      freq\u00fcentemente, enquanto os indiv\u00edduos das classes Pauropoda e Symphyla, de      tamanho min\u00fasculo, s\u00e3o mais raramente observados. <\/p>\n   \n<h4><strong>Classe Chilopoda<\/strong><\/h4>\n   \n<p>(<strong>grego<\/strong>: chilo = l\u00e1bio; poda = p\u00e9, ap\u00eandice)<\/p>\n   \n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o geral da classe<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os membros da classe Chilopoda, conhecidos vulgarmente como centop\u00e9ias ou      lacraias s\u00e3o animais alongados, achatados ou vermiformes com 15 ou mais pares      de pernas. As centop\u00e9ias est\u00e3o distribu\u00eddas por todo o mundo, tanto em regi\u00f5es      temperadas como tropicais. Podem ser encontradas facilmente em locais protegidos,      no solo, h\u00famus ou debaixo de pedras, cascas de \u00e1rvores e troncos. S\u00e3o animais      muito ativos, correm muito e s\u00e3o predadores; alimentam-se de aranhas, insetos,      e outros animais pequenos.<\/p>\n   \n<p>Existem aproximadamente 3.000 esp\u00e9cies descritas, distribu\u00eddas em quatro      ordens principais. A ordem Geophilomorpha \u00e9 composta de centop\u00e9ias longas      e filiformes adaptadas para viver no solo. As ordens Scolopendromorpha e Lithobiomorpha      cont\u00eam centop\u00e9ias achatadas, com corpo forte, que vivem em fendas em pedras,      e cascas de \u00e1rvores e no solo. Os Scutigeromorpha abrangem quil\u00f3podos de longas      pernas, alguns dos quais vivem dentro ou ao redor de habita\u00e7\u00f5es humanas. A      Scutigera coleoptrata, por exemplo, \u00e9 freq\u00fcentemente encontrada em banheiros      e pias no Hemisf\u00e9rio Norte.<\/p>\n   \n<p>A maior centop\u00e9ia descrita \u00e9 a esp\u00e9cie tropical americana Scolopendra gigantea,      que atinge um comprimento de 26 cm. Outras formas tropicais, principalmente      escolopendromorfos, podem medir de 18 a 24 cm, mas a maioria das esp\u00e9cies      europ\u00e9ias e americanas medem de 3 a 6 cm de comprimento. As centop\u00e9ias de      zonas temperadas t\u00eam em geral cor marrom-avermelhada, enquanto muitos escolopendromorfos      tropicais possuem colora\u00e7\u00e3o variada e vibrante, alguns com padr\u00f5es de listras      coloridas.<\/p>\n   \n<p>A maioria das centop\u00e9ias t\u00eam h\u00e1bitos cr\u00edpticos e\/ou vida noturna. Esse h\u00e1bito      n\u00e3o representa n\u00e3o somente uma prote\u00e7\u00e3o contra predadores, mas tamb\u00e9m contra      desseca\u00e7\u00e3o. \u00c0 noite, elas saem \u00e0 procura de alimento e novas moradias. Os      escolopendromorfos constr\u00f3em um sistema de galerias no solo ou sob pedras      e troncos que cont\u00eam uma c\u00e2mara no interior da qual o animal se esconde.<\/p>\n   \n<p><strong>Anatomia externa dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>A cabe\u00e7a \u00e9 convexa nos escutigeromorfos; e achatada nas outras ordens, com      as antenas localizadas na margem frontal. Cada antena \u00e9 formada por 14 ou      mais segmentos. A base da mand\u00edbula \u00e9 alongada e encontra-se na regi\u00e3o ventro-lateral      da cabe\u00e7a. Os lobos gnatais s\u00e3o portadores de v\u00e1rios dentes grandes e de uma      espessa franja de cerdas. Debaixo das mand\u00edbulas, h\u00e1 um par de primeiras maxilas,      que forma um l\u00e1bio inferior funcional. Um par de segundas maxilas sobrep\u00f5e-se      ao primeiro. Cada primeira maxila tem um palpo curto. Nos escutigeromorfos,      as segundas maxilas s\u00e3o delgadas e semelhantes a pernas, mas em outras centop\u00e9ias      elas s\u00e3o curtas, fortes e em forma de palpo.<\/p>\n   \n<p>Cobrindo todos os outros ap\u00eandices bucais, h\u00e1 um grande par de garras de      veneno, tamb\u00e9m chamadas de maxil\u00edpedes, pois s\u00e3o, na verdade, os ap\u00eandices      do primeiro segmento do tronco, envolvidos na alimenta\u00e7\u00e3o. Cada garra \u00e9 curvada      em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 linha mediana ventral, e termina num gancho pontiagudo, que \u00e9      a sa\u00edda do ducto da gl\u00e2ndula de veneno, localizada dentro do ap\u00eandice. \u00c9 a      esses ap\u00eandices que se refere o nome Chilopoda. As grandes coxas das garras      de veneno e o esternito daquele segmento formam uma grande placa que cobre      a parte inferior da cabe\u00e7a.<\/p>\n   \n<p>Atr\u00e1s do primeiro segmento do tronco, que possui as garras de veneno, encontram-se      15 ou mais segmentos portadores de pernas. As placas tergais variam bastante      em tamanho e n\u00famero, dependendo dos h\u00e1bitos locomotores. As coxas das pernas      est\u00e3o inseridas lateralmente em cada placa esternal. Entre o \u00faltimo segmento      com pernas e o telson terminal, est\u00e3o dois pequenos segmentos sem pernas &#8211;      os segmentos pr\u00e9-genital e genital.<\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m das garras de veneno, h\u00e1 outras adapta\u00e7\u00f5es para prote\u00e7\u00e3o. O \u00faltimo par      de pernas nas centop\u00e9ias \u00e9 o mais longo e podem ser usadas na defesa atrav\u00e9s      de &#8220;belisc\u00f5es&#8221;. Os geofilomorfos possuem gl\u00e2ndulas repugnat\u00f3rias      no lado ventral de cada segmento e alguns litobiomorfos s\u00e3o portadores de      numerosas gl\u00e2ndulas repugnat\u00f3rias unicelulares nos \u00faltimos quatro pares de      pernas, que eles chutam em dire\u00e7\u00e3o de um inimigo, expelindo gotas adesivas.<\/p>\n   \n<p><strong>Locomo\u00e7\u00e3o dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>Com exce\u00e7\u00e3o dos geofilomorfos, as centop\u00e9ias est\u00e3o adaptadas para correr      e muitas das suas peculiaridades estruturais est\u00e3o associadas com a evolu\u00e7\u00e3o      de uma marcha r\u00e1pida. As pernas longas capacitam o animal a dar passadas mais      largas. Al\u00e9m disso, h\u00e1 um aumento progressivo no comprimento da perna, da      parte anterior para a posterior, o que permite que as pernas posteriores se      movam por fora das pernas anteriores, reduzindo, assim a interfer\u00eancia. Nesse      aspecto, os escutigeromorfos s\u00e3o os mais desenvolvidos e s\u00e3o ativos ao ar      livre, onde podem tirar melhor vantagem da sua velocidade.<\/p>\n   \n<p>Para reduzir a tend\u00eancia de ondular, o tronco \u00e9 refor\u00e7ado por placas tergais      dispostas alternadamente nos litobiomorfos e por placas tergais grandes e      imbricadas nos escutigeromorfos. Os segmentos distais das pernas dos escutigeromorfos      permitem ao animal apoiar grande parte da perna no substrato, como um p\u00e9,      para diminuir o deslizamento.<\/p>\n   \n<p>Em contraste com os outros quil\u00f3podos, os geofilomorfos vermiformes est\u00e3o      adaptados para cavar em solo fofo ou humo. Eles n\u00e3o empurram o solo com as      pernas, como os dipl\u00f3podos, mas a for\u00e7a de propuls\u00e3o \u00e9 fornecida pela extens\u00e3o      e contra\u00e7\u00e3o do tronco, como nas minhocas. Esp\u00e9cies europ\u00e9ias podem aumentar      o comprimento do corpo em at\u00e9 70%. Essa elasticidade \u00e9 facilitada pela presen\u00e7a      de m\u00fasculos longitudinais fortes na parede do corpo e por uma parede pleural      el\u00e1stica. As pernas s\u00e3o curtas e ancoram o corpo como as cerdas de uma minhoca.<\/p>\n   \n<p><strong>Alimenta\u00e7\u00e3o dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>Acredita-se que a classe, como um todo, \u00e9 predadora. Pequenos artr\u00f3podos      formam a maior parte da dieta, mas algumas centop\u00e9ias alimentam-se de minhocas,      carac\u00f3is e nemat\u00f3ides. A presa \u00e9 detectada e localizada por contato atrav\u00e9s      das antenas, ou com as pernas em Scutigera e, ent\u00e3o, \u00e9 capturada e morta,      ou atordoada com as garras de veneno. Certas esp\u00e9cies n\u00e3o se alimentam quando      desprovidas de suas antenas.<\/p>\n   \n<p>Ap\u00f3s a captura, a presa \u00e9 sustentada pelas segundas maxilas e garras de veneno,      enquanto as mand\u00edbulas e as primeiras maxilas desempenham a a\u00e7\u00e3o manipuladora      requerida para a ingest\u00e3o. Os geofilomorfos, que possuem mand\u00edbulas fracamente      armadas e menos m\u00f3veis, podem digerir parcialmente a presa antes da ingest\u00e3o.      O trato digestivo \u00e9 um tubo reto, com o intestino anterior ocupando de 10      a 70% do comprimento, dependendo da esp\u00e9cie. O intestino posterior \u00e9 curto.      As secre\u00e7\u00f5es salivares s\u00e3o fornecidas pelas gl\u00e2ndulas associadas em cada um      dos ap\u00eandices alimentares.<\/p>\n   \n<p>Grande centop\u00e9ias s\u00e3o freq\u00fcentemente temidas, mas o veneno da maioria delas,      embora doloroso, n\u00e3o \u00e9 suficientemente t\u00f3xico para ser letal ao homem. O efeito      \u00e9 geralmente similar \u00e0 picada de uma vespa. Registros de mortes humanas causadas      por Scolopendra gigantea n\u00e3o foram comprovados. A esp\u00e9cie Scolopendra heros,      al\u00e9m da picada, faz pequenas incis\u00f5es com suas pernas ao andar; quando o animal      \u00e9 irritado, derrama nessas feridas um veneno produzido perto das coxas, causando      inflama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n   \n<p><strong>Trocas Gasosas, Circula\u00e7\u00e3o e Excre\u00e7\u00e3o dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>As<strong> trocas gasosas <\/strong>s\u00e3o efetuadas atrav\u00e9s de um sistema de      traqu\u00e9ias. Com exce\u00e7\u00e3o dos escutigeromorfos, os estigmas encontram-se na regi\u00e3o      pleural membranosa acima e logo atr\u00e1s das coxas. Basicamente, h\u00e1 um par de      estigmas por segmento. O estigma, que n\u00e3o pode ser fechado, abre-se em um      \u00e1trio revestido de p\u00ealos cuticulares (tricomas) que podem reduzir a desseca\u00e7\u00e3o      ou impedir a entrada de part\u00edculas de p\u00f3. Os tubos traqueais se abrem na base      do \u00e1trio e terminam em pequenos tubos cheios de l\u00edquido que fornecem oxig\u00eanio      diretamente para v\u00e1rios tecidos.<\/p>\n   \n<p>As centop\u00e9ias geofilomorfas que habitam a zona entre mar\u00e9s vivem em algas,      pedras e conchas. O ar retido dentro do sistema traqueal \u00e9 provavelmente suficiente      durante a submers\u00e3o na mar\u00e9 alta, embora em algumas esp\u00e9cies, ar adicional      \u00e9 armazenado na superf\u00edcie das coxas e \u00e9 alojado como uma bolha na extremidade      enrolada do tronco.<\/p>\n   \n<p>Talvez associado com seus h\u00e1bitos mais ativos, e com uma taxa metab\u00f3lica      mais alta, o sistema traqueal dos escutigeromorfos \u00e9 semelhante a um pulm\u00e3o      e provavelmente evoluiu independentemente daquele dos outros quil\u00f3podos. Os      estigmas situam-se pr\u00f3ximos \u00e0 margem posterior das placas tergais, exceto      as oito placas posteriores que cobrem os segmentos portadores de pernas. Cada      estigma se abre em um \u00e1trio do qual se estendem dois grandes leques de curtos      tubos traqueais.<\/p>\n   \n<p>Geralmente h\u00e1 um \u00fanico par de t\u00fabulos de Malpighi, que consistem de um ou      dois pares de tubos delgados ramificados que se originam na parte posterior      do mes\u00eantero na sua jun\u00e7\u00e3o com o intestino. Os detritos passam do sangue,      atrav\u00e9s das finas paredes dos t\u00fabulos, para o l\u00famen, e depois para o intestino.      Grande parte dos detritos nitrogenados \u00e9 excretada como am\u00f4nia e n\u00e3o como      \u00e1cido \u00farico. Os quil\u00f3podos requerem ambiente \u00famido para manter um balan\u00e7o      h\u00eddrico apropriado, pois o tegumento n\u00e3o possui a cut\u00edcula cerosa dos insetos      e aracn\u00eddeos. Desta maneira, a maioria dos quil\u00f3podos vive sob pedras e troncos,      e s\u00f3 s\u00e3o ativos na superf\u00edcie da terra \u00e0 noite.<\/p>\n   \n<p><strong>\u00d3rg\u00e3os Sensoriais dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os geofilomorfos, diversos escolopendromorfos e alguns litobiomorfos habitantes      de cavernas n\u00e3o possuem olhos. Outros quil\u00f3podos possuem de poucos a muitos      ocelos. Nos escutigeromorfos, os ocelos est\u00e3o agrupados e organizados de modo      que formam olhos compostos. As unidades \u00f3pticas das quais existem at\u00e9 200,      formam um grupo compacto em cada lado da cabe\u00e7a e tendem a ser alongados com      bastonetes \u00f3ticos convergentes. Em Scutigera sp, a superf\u00edcie corneana \u00e9 muito      convexa, como nos olhos compostos dos insetos e crust\u00e1ceos, e cada unidade      \u00e9 similar a um omat\u00eddeo. Entretanto, n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancia de que esses olhos compostos      funcionem mais do que na simples detec\u00e7\u00e3o do claro e escuro. Muitos quil\u00f3podos      s\u00e3o negativamente fototr\u00f3picos.<\/p>\n   \n<p>Um par de \u00f3rg\u00e3os de Tomosvary est\u00e1 presente na base das antenas de todos      os litobiomorfos e escutigeromorfos. Cada \u00f3rg\u00e3o sensorial consiste de um disco      com um poro central, para o qual convergem as extremidades de c\u00e9lulas sensoriais.      Os poucos estudos sobre os \u00f3rg\u00e3os de Tomosvary sugerem que eles detectam vibra\u00e7\u00f5es,      talvez auditivas. O \u00faltimo longo par de pernas de muitos quil\u00f3podos tem uma      fun\u00e7\u00e3o sensorial, especialmente nos litobiomorfos e escutigeromorfos; elas      est\u00e3o modificadas para formar um par de ap\u00eandices anteniformes, dirigidos      para tr\u00e1s. <\/p>\n   \n<p><strong>Reprodu\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento dos Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>O ov\u00e1rio \u00e9 um \u00f3rg\u00e3o tubular \u00fanico localizado acima do intestino e o oviduto      se abre numa sa\u00edda mediana ventral do segmento genital posterior, sem pernas.      A abertura feminina \u00e9 ladeada por um pequeno par de ap\u00eandices, chamados de      gon\u00f3podos. Nos machos h\u00e1 de 1 a 24 test\u00edculos, localizados acima do intestino      m\u00e9dio. Os test\u00edculos est\u00e3o ligados a um \u00fanico par de ductos esperm\u00e1ticos que      se abrem atrav\u00e9s de um gon\u00f3poro mediano no lado ventral do segmento genital.      O segmento genital possui pequenos gon\u00f3podos.<\/p>\n   \n<p>A transmiss\u00e3o de espermatoz\u00f3ides \u00e9 indireta nos quil\u00f3podos, como nos outros      miri\u00e1podos. Em geral, o macho constr\u00f3i uma pequena teia de fios de seda secretada      por uma fiandeira localizada no \u00e1trio genital. Um espermat\u00f3foro, de at\u00e9 v\u00e1rios      mil\u00edmetros, \u00e9 colocado na teia. A f\u00eamea apanha o espermat\u00f3foro e o coloca      na sua abertura genital. Os gon\u00f3podos de cada sexo auxiliam na manipula\u00e7\u00e3o      do espermat\u00f3foro.<\/p>\n   \n<p>O macho geralmente s\u00f3 produz um espermat\u00f3foro ao encontrar a f\u00eamea, e freq\u00fcentemente      h\u00e1 um comportamento inicial de corte. Cada indiv\u00edduo pode apalpar a extremidade      posterior do parceiro com as antenas enquanto o casal se move em c\u00edrculos.      Este comportamento pode durar at\u00e9 uma hora antes do macho depositar o espermat\u00f3foro.      O macho ent\u00e3o &#8220;sinaliza&#8221; para a f\u00eamea (<strong>ex.<\/strong>: mantendo      as pernas posteriores ao lado do espermat\u00f3foro enquanto gira a parte anterior      do corpo e toca nas antenas da f\u00eamea). Ela responde rastejando-se em dire\u00e7\u00e3o      do macho e apanhando o espermat\u00f3foro.<\/p>\n   \n<p>Tanto os escolopendromorfos quanto os geofilomorfos p\u00f5em e depois incubam      os ovos em grupos de 15 a 35. Esses quil\u00f3podos alojam-se em cavidades feitas      em madeira podre ou no solo e se enrolam sobre a massa de ovos. A f\u00eamea guarda      os ovos desta maneira durante o per\u00edodo de eclos\u00e3o e dispers\u00e3o dos jovens.      Nessas ordens o desenvolvimento \u00e9 epim\u00f3rfico, isto \u00e9, o jovem apresenta todos      os segmentos quando eclode.<\/p>\n   \n<p>Nos escutigeromorfos e litobiomorfos, os ovos s\u00e3o depositados isoladamente      no solo ap\u00f3s serem carregados por um curto per\u00edodo de tempo entre os gon\u00f3podos      femininos. O desenvolvimento \u00e9 anam\u00f3rfico, ou seja, na eclos\u00e3o, o jovem tem      apenas parte dos segmentos do adulto. Ao eclodir, o jovem de Scutigera tem      4 pares de pernas e nas seis mudas seguintes passa por est\u00e1gios com 5 a 13      pares de pernas. Existem, ainda, 4 est\u00e1gios epim\u00f3rficos com 15 pares de pernas      antes da maturidade ser atingida. O desenvolvimento de Lithobius \u00e9 similar,      embora os jovens rec\u00e9m-eclodidos tenham 7 pares de pernas. Em algumas esp\u00e9cies      s\u00e3o necess\u00e1rios v\u00e1rios anos para que as formas jovens atinjam a maturidade      sexual.<\/p>\n   \n<h4>Classe Diplopoda<\/h4>\n   \n<p>(<strong>grego<\/strong>: diplo = duplo; poda = p\u00e9, ap\u00eandice)<\/p>\n   \n<p><strong>Descri\u00e7\u00e3o geral da classe Diplopoda<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os membros da classe Diplopoda, conhecidos vulgarmente como piolhos de cobra      ou imbu\u00e1s, formam a maior classe de miri\u00e1podos, compreendendo mais de 8.000      esp\u00e9cies descritas. Esses artr\u00f3podos s\u00e3o encontrados em todo o mundo, especialmente      nos tr\u00f3picos, embora as faunas mais conhecidas habitem o Hemisf\u00e9rio Norte.      Em geral t\u00eam h\u00e1bitos cr\u00edpticos e evitam a luz. Vivem debaixo de folhas, pedras,      cascas de \u00e1rvores e no solo. Alguns habitam antigas galerias de outros animais,      como minhocas; outros s\u00e3o comensais de ninhos de formigas. Um grande n\u00famero      de dipl\u00f3podos habita cavernas. A maioria dos dipl\u00f3podos tem cor preta ou marrom;      algumas esp\u00e9cies s\u00e3o vermelhas ou alaranjadas, e n\u00e3o s\u00e3o raros os padr\u00f5es      manchados. Alguns dipl\u00f3podos do sul da Calif\u00f3rnia s\u00e3o luminescentes.<\/p>\n   \n<p><strong>ANATOMIA EXTERNA DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Uma caracter\u00edstica distintiva da classe \u00e9 a presen\u00e7a de segmentos duplos      no t\u00f3rax (diplossegmentos) derivados da fus\u00e3o de dois somitos originalmente      separados.<\/p>\n   \n<p>Cada diplossegmento tem dois pares de pernas, de onde deriva o nome da classe.      A condi\u00e7\u00e3o de segmenta\u00e7\u00e3o dupla \u00e9 tamb\u00e9m evidente internamente, pois existem      dois pares de g\u00e2nglios ventrais e dois pares de \u00f3stios card\u00edacos dentro de      cada segmento.<\/p>\n   \n<p>A cabe\u00e7a dos dipl\u00f3podos tende a ser convexa dorsalmente e achatada ventralmente,      com o epist\u00f4mio e o labro estendendo-se para a frente das antenas. Os lados      da cabe\u00e7a est\u00e3o cobertos pelas bases convexas das mand\u00edbulas muito grandes.      Distalmente, a mand\u00edbula porta um lobo gnatal que possui dentes e uma superf\u00edcie      raspadora. O assoalho da c\u00e2mara pr\u00e9-bucal \u00e9 formado pela maxila, freq\u00fcentemente      chamada gnatoquil\u00e1rio. \u00c9 uma placa larga, achatada, fixada \u00e0 superf\u00edcie ventral      posterior da cabe\u00e7a. O assoalho posterior da c\u00e2mara pr\u00e9-bucal possui um lobo      mediano e dois laterais, que em diferentes grupos de dipl\u00f3podos representam      a hipofaringe.<\/p>\n   \n<p>O tronco pode ser achatado, como na ordem Polydesmoidea; ou essencialmente      cil\u00edndrico, como nos familiares piolhos de cobra da ordem Juliformia. O segmento      t\u00edpico (diplossegmento) \u00e9 coberto por um tergo dorsal convexo que, em muitas      esp\u00e9cies, estende-se lateralmente como uma sali\u00eancia, chamada carena ou paranoto.      Ventrolateralmente, existem duas placas pleurais, e ventralmente, duas placas      esternais. Tamb\u00e9m \u00e9 comum a presen\u00e7a de uma placa esternal mediana. As placas      esternais s\u00e3o portadoras de pernas. Primitivamente, as placas que comp\u00f5em      um segmento podem estar separadas e distintas, mas geralmente houve coalesc\u00eancia      em graus variados. Nos membros da ordem polidesm\u00f3ideos e juliformes, todas      as placas est\u00e3o fundidas formando um anel cil\u00edndrico.<\/p>\n   \n<p>Os segmentos anteriores diferem consideravelmente dos outros e n\u00e3o s\u00e3o, provavelmente,      diplossegmentos. O primeiro (colo) \u00e9 desprovido de pernas e forma um grande      colarinho atr\u00e1s da cabe\u00e7a. Os segundo, terceiro e quarto segmentos possuem      apenas um par de pernas. Em alguns polidesm\u00f3ideos os \u00faltimos 1-5 segmentos      tamb\u00e9m s\u00e3o desprovidos de pernas. O corpo termina no t\u00e9lson, no qual o orif\u00edcio      retal se abre ventralmente.<\/p>\n   \n<p>O tegumento \u00e9 duro, particularmente os tergitos e, como o tegumento dos crust\u00e1ceos,      est\u00e1 impregnado com sais de c\u00e1lcio. A superf\u00edcie \u00e9 lisa, mas em alguns grupos      o tergo possui cristas, tub\u00e9rculos, espinhos ou cerdas isoladas.<\/p>\n   \n<p>A anatomia externa descrita acima aplica-se \u00e0 subclasse Chilognata, que cont\u00e9m      a grande maioria dos dipl\u00f3podos. Os membros da pequena subclasse Pselaphognata      s\u00e3o bastante diferentes. O tegumento \u00e9 mole e coberto com fileiras de espinhos      ocos em forma de escamas. O tronco \u00e9 composto por 11-13 segmentos, dos quais      os quatro primeiros s\u00e3o portadores de um \u00fanico par de pernas cada; os dois      \u00faltimos s\u00e3o desprovidos de pernas.<\/p>\n   \n<p>O tamanho dos dipl\u00f3podos varia muito. Os pselafognatos s\u00e3o min\u00fasculos, algumas      esp\u00e9cies medem 2mm de comprimento. Existem tamb\u00e9m quilognatos que medem menos      que 4mm mas a maioria dos membros desta subclasse tem v\u00e1rios cent\u00edmetros de      comprimento. Os maiores dipl\u00f3podos s\u00e3o as esp\u00e9cies tropicais da fam\u00edlia Spirostreptidae,      que podem ter 28cm de comprimento. O n\u00famero de segmentos tamb\u00e9m \u00e9 extremamente      vari\u00e1vel, de 11, nos pselafognatos, a mais de 100 nos juliformes. Al\u00e9m disso,      nos juliformes o n\u00famero varia dentro de certos limites at\u00e9 numa mesma esp\u00e9cie.<\/p>\n   \n<p><strong>LOCOMO\u00c7\u00c3O DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Em geral, os dipl\u00f3podos andam lentamente sobre o solo. Embora lenta, essa      marcha exerce uma poderosa for\u00e7a de propuls\u00e3o, capacitando o animal a abrir      caminho atrav\u00e9s do humo e solo fofo. A for\u00e7a \u00e9 exercida inteiramente pelas      pernas, e \u00e9 com a evolu\u00e7\u00e3o desta marcha que a estrutura diplossegmentada est\u00e1      provavelmente associada. O movimento em dire\u00e7\u00e3o posterior \u00e9 ativado por ondas      ao longo do comprimento do corpo e \u00e9 de dura\u00e7\u00e3o maior do que o movimento para      a frente. Assim, a qualquer momento, mais pernas est\u00e3o em contato com o substrato      do que levantadas. O n\u00famero de pernas envolvidas em uma \u00fanica onda \u00e9 proporcional      \u00e0 quantidade de for\u00e7a requerida para o impulso. Desta maneira, quando o animal      est\u00e1 correndo, 12 pernas ou menos podem compor uma onda, mas quando est\u00e1 empurrando,      uma \u00fanica onda pode envolver at\u00e9 52 pernas.<\/p>\n   \n<p>O h\u00e1bito de empurrar com a cabe\u00e7a \u00e9 mais desenvolvido nos juliformes, que      cavam no solo ou em h\u00famus compacto. Isto se reflete nos segmentos cil\u00edndricos      r\u00edgidos, lisos e fundidos, na cabe\u00e7a arredondada e na disposi\u00e7\u00e3o de pernas      pr\u00f3ximo \u00e0 linha mediana do corpo. Os dipl\u00f3podos da ordem Polydesmoidea, que      s\u00e3o os mais poderosos, abrem fendas for\u00e7ando com toda a superf\u00edcie dorsal      de seu corpo. A carena lateral desses dipl\u00f3podos protege as pernas localizadas      lateralmente. A capacidade de trepar \u00e9 not\u00e1vel em esp\u00e9cies que habitam locais      rochosos. Estes dipl\u00f3podos s\u00e3o mais r\u00e1pidos, e podem subir em superf\u00edcies      lisas segurando-se com as pernas opostas. A velocidade destes habitantes de      rochas pode ser 20 vezes maior que a dos juliformes t\u00edpicos. A velocidade      est\u00e1 relacionada aos h\u00e1bitos predadores e sapr\u00f3fagos e a necessidade de cobrir      dist\u00e2ncias maiores para encontrar alimento.<\/p>\n   \n<p><strong>PROTE\u00c7\u00c3O DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Para compensar a falta de velocidade na fuga de predadores, muitos mecanismos      protetores evolu\u00edram nos dipl\u00f3podos. O esqueleto calc\u00e1rio protege as regi\u00f5es      superiores e laterais do corpo. Os juliformes protegem a superf\u00edcie ventral      mais vulner\u00e1vel, enrolando o tronco em espiral quando em repouso ou perturbados.      Os membros da ordem Glomerida podem se enrolar como uma bola. O corpo dos      glomer\u00eddeos \u00e9 bastante convexo dorsalmente e achatado ventralmente e cont\u00e9m      apenas 15 a 17 segmentos do tronco. O \u00faltimo tergito est\u00e1 expandido lateralmente      e cobre a cabe\u00e7a quando o animal est\u00e1 enrolado.<\/p>\n   \n<p>As gl\u00e2ndulas repugnat\u00f3rias est\u00e3o presentes em muitos dipl\u00f3podos, incluindo      os polidesm\u00f3ideos e o s juliformes. Geralmente h\u00e1 apenas um par de gl\u00e2ndulas      por segmento, embora elas estejam totalmente ausentes em alguns segmentos.      As aberturas se encontram nos lados das placas tergais, ou nas margens dos      lobos tergais. Cada gl\u00e2ndula consiste de um grande saco secretor, que se esvazia      em um ducto para o exterior atrav\u00e9s de um poro externo. O principal componente      da secre\u00e7\u00e3o pode ser um alde\u00eddo, quinona, fenol ou cianeto de hidrog\u00eanio.      A secre\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00f3xica ou repelente a pequenos animais, e em algumas esp\u00e9cies      tropicais grandes \u00e9 c\u00e1ustica \u00e0 pele humana. O fluido \u00e9 geralmente exsudado      lentamente, mas algumas esp\u00e9cies podem liber\u00e1-lo como um jato de 10 a 30 cm      de dist\u00e2ncia. A eje\u00e7\u00e3o \u00e9 provavelmente causada pela contra\u00e7\u00e3o dos m\u00fasculos      do tronco, adjacentes ao saco secretor.<\/p>\n   \n<p><strong>ALIMENTA\u00c7\u00c3O DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Quase todos os dipl\u00f3podos s\u00e3o herb\u00edvoros, alimentando-se principalmente de      vegeta\u00e7\u00e3o em decomposi\u00e7\u00e3o. O alimento \u00e9 umedecido por secre\u00e7\u00f5es e mastigado      ou raspado pelas mand\u00edbulas. Entretanto, algumas fam\u00edlias exibem um progressivo      desenvolvimento de pe\u00e7as sugadoras, com degenera\u00e7\u00e3o das mand\u00edbulas, culminando      com a forma\u00e7\u00e3o de um rostro perfurante para sugar seiva vegetal. Curiosamente,      uma dieta carn\u00edvora foi adotada por algumas esp\u00e9cies, e as presas mais comuns      incluem opili\u00f5es, minhocas e insetos. Como as minhocas, alguns dipl\u00f3podos      ingerem solo do qual a mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 digerida.<\/p>\n   \n<p>O trato digestivo \u00e9 tipicamente um tubo reto com um longo intestino m\u00e9dio.      As gl\u00e2ndulas salivares se abrem na cavidade pr\u00e9-bucal. O par anterior est\u00e1      localizado na cabe\u00e7a, e o par posterior fica ao redor do intestino anterior.      O intestino m\u00e9dio possui uma membrana peritr\u00f3fica semelhante \u00e0 dos insetos.      Uma constric\u00e7\u00e3o separa o intestino m\u00e9dio do longo intestino posterior (reto).<\/p>\n   \n<p><strong>TROCAS GASOSAS, CIRCULA\u00c7\u00c3O E EXCRE\u00c7\u00c3O DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os dipl\u00f3podos respiram por um sistema de traqu\u00e9ias. Existem quatro estigmas      por diplossegmento, localizados logo na frente e lateralmente a cada uma das      coxas. Cada estigma se abre em uma bolsa traqueal interna da qual surgem numerosas      traqu\u00e9ias.<\/p>\n   \n<p>O cora\u00e7\u00e3o situa-se na parte posterior do tronco, mas na parte anterior uma      curta aorta continua at\u00e9 a cabe\u00e7a. Existem dois pares de \u00f3stios laterais para      cada segmento, com exce\u00e7\u00e3o dos segmentos anteriores, nos quais h\u00e1 um \u00fanico      par. Os t\u00fabulos de Malpighi surgem de cada lado da jun\u00e7\u00e3o dos intestinos m\u00e9dio      e posterior e frequentemente s\u00e3o longos e enrolados.<\/p>\n   \n<p>Como os quil\u00f3podos, os dipl\u00f3podos n\u00e3o possuem uma epicut\u00edcula cerosa, e a      maioria das esp\u00e9cies \u00e9 muito sens\u00edvel \u00e0 desseca\u00e7\u00e3o. Os poucos quil\u00f3podos que      vivem em \u00e1reas muito secas possuem sacos coxais que aparentemente absorvem      \u00e1gua, como gotas de orvalho.<\/p>\n   \n<p><strong>\u00d3RG\u00c3OS SENSORIAIS DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os olhos podem estar totalmente ausentes ou pode haver de 2 a 80 ocelos.      Estes est\u00e3o dispostos perto das antenas em uma ou v\u00e1rias fileiras, ou em grupos      laterais. A maioria dos dipl\u00f3podos \u00e9 fototr\u00f3pica negativa, e mesmo as esp\u00e9cies      sem olhos t\u00eam fotorreceptores no tegumento. As antenas cont\u00eam p\u00ealos t\u00e1cteis      e outras proje\u00e7\u00f5es supridas de quimiorreceptores. O animal tende a bater com      as antenas no substrato enquanto move. Como nos quil\u00f3podos, os \u00f3rg\u00e3os de Tomosvary      est\u00e3o presentes em muitos dipl\u00f3podos e podem ter fun\u00e7\u00e3o olfativa.<\/p>\n   \n<p><strong>REPRODU\u00c7\u00c3O E DESENVOLVIMENTO DOS DIPLOPODOS<\/strong><\/p>\n   \n<p>Um par de longos ov\u00e1rios tubulares fundidos encontra-se entre o intestino      m\u00e9dio e o cord\u00e3o nervoso ventral. Dois ovidutos se estendem para frente at\u00e9      o terceiro segmento, onde cada um se abre em um \u00e1trio ou vulva. As vulvas      s\u00e3o bolsas prot\u00e1teis que se abrem na superf\u00edcie ventral, perto das coxas.      Quando retra\u00edda, a vulva \u00e9 coberta externamente por uma pe\u00e7a esclerotizada      em forma de capuz, e internamente um pequeno op\u00e9rculo cobre a abertura do      oviduto. Na base da vulva, um sulco leva at\u00e9 um recept\u00e1culo seminal.<\/p>\n   \n<p>Os test\u00edculos ocupam posi\u00e7\u00f5es correspondentes \u00e0s dos ov\u00e1rios, mas s\u00e3o tubos      pares com conex\u00f5es transversais.Na parte anterior do corpo, cada test\u00edculo      se abre em um ducto esperm\u00e1tico, que se dirige at\u00e9 um par de falo, perto da      coxa do segundo par de pernas, ou se abre em um \u00fanico falo mediano.<\/p>\n   \n<p>A transfer\u00eancia de esperma nos dipl\u00f3podos \u00e9 indireta, por n\u00e3o haver introdu\u00e7\u00e3o      direta de pe\u00e7as do aparelho reprodutor masculino na f\u00eamea. Entretanto, h\u00e1      necessidade de acasalamento, para que o macho &#8220;entregue&#8221; seu esperma      \u00e0 f\u00eamea. As aberturas genitais s\u00e3o localizadas na parte anterior do tronco,      entre o segundo e terceiro segmentos. Os \u00f3rg\u00e3os copuladores geralmente s\u00e3o      ap\u00eandices do tronco modificado (gon\u00f3podos). Na maioria dos dipl\u00f3podos, um      ou ambos os pares de pernas do s\u00e9timo segmento agem como gon\u00f3podos. Quando      o macho carrega os gon\u00f3podos com espermatoz\u00f3ide, ele insere os dois aparelho      reprodutor masculino coxais do terceiro segmento atrav\u00e9s de um anel formado      por estruturas em forma de foice chamadas telopoditos. <\/p>\n   \n<p>Os machos comunicam sua identidade e inten\u00e7\u00e3o \u00e0 f\u00eamea de diversas maneiras.      O sinal \u00e9 t\u00e1ctil na maioria dos juliformes, quando o macho sobe no dorso da      f\u00eamea por meio de almofadas especiais das pernas. Contato das antenas, batidas      com a cabe\u00e7a e estridula\u00e7\u00e3o s\u00e3o outros m\u00e9todos usados. Algumas esp\u00e9cies produzem      ferom\u00f4nios que estimulam o comportamento de acasalamento.<\/p>\n   \n<p>Durante o &#8220;acasalamento&#8221;, o corpo do macho est\u00e1 enrolado sobre      ou estendido ao lado do corpo da f\u00eamea, de modo que os gon\u00f3podos est\u00e3o opostos      \u00e0 vulva, e o corpo da f\u00eamea \u00e9 sustentado pelas pernas do macho. Os gon\u00f3podos      est\u00e3o protra\u00eddos e os espermatoz\u00f3ides s\u00e3o transferidos atrav\u00e9s da ponta do      telopodito ao interior da vulva. <\/p>\n   \n<p>Os ovos dos dipl\u00f3podos s\u00e3o fecundados no momento da postura e, dependendo      da esp\u00e9cie, s\u00e3o produzidos de 10 a 300 ovos de uma s\u00f3 vez. Alguns depositam      os ovos em grupos no solo ou h\u00famus. Outros p\u00f5em ovos isolados protegidos num      estojo em forma de ta\u00e7a. Muitos dipl\u00f3podos constroem um ninho para a deposi\u00e7\u00e3o      dos ovos. Certas esp\u00e9cies constr\u00f3em esse ninho utilizando excremento, que      seca rapidamente. A f\u00eamea pode permanecer enrolada ao redor do ninho por v\u00e1rias      semanas.<\/p>\n   \n<p>O desenvolvimento dos quil\u00f3podos \u00e9 anam\u00f3rfico. Os ovos da maioria das esp\u00e9cies      eclodem em algumas semanas e os jovens rec\u00e9m-eclodidos geralmente possuem      apenas os tr\u00eas primeiros pares de pernas e sete ou oito segmentos do tronco.      A cada muda, segmentos e pernas s\u00e3o adicionados ao tronco. Muitos dipl\u00f3podos      tecedores de seda sofrem a muda dentro de c\u00e2maras especialmente constru\u00eddas,      similares aos ninhos, e \u00e9 nessa c\u00e2mara que o animal sobrevive em esta\u00e7\u00f5es      secas. O exoesqueleto desprendido \u00e9 geralmente comido, talvez para auxiliar      na reposi\u00e7\u00e3o de c\u00e1lcio. A partenog\u00eanese parece ocorrer em algumas fam\u00edlias.      Os dipl\u00f3podos vivem de 1 a mais de 10 anos, dependendo da esp\u00e9cie. <strong>Sim\u00e3o      Vasconcelos<\/strong><\/p>\n   \n<h4>Chilopoda e Diplopoda &#8211; M<strong>iri\u00e1podes e Quil\u00f3podes<\/strong><\/h4>\n   \n<p>M<strong>iri\u00e1podes<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Tamb\u00e9m conhecidos como miri\u00e1podes, este grupo, atualmente sem significado      taxon\u00f4mico, pode ser dividido em quatro classes:<\/strong> quil\u00f3podes, dipl\u00f3podes,      paur\u00f3podes e sinfilos. Apesar de algumas diferen\u00e7as importantes, apresentam      um padr\u00e3o semelhante de organiza\u00e7\u00e3o. De forma geral, todos os miri\u00e1podes s\u00e3o      formados por uma cabe\u00e7a e um longo corpo segmentado com muitas patas. Na cabe\u00e7a,      h\u00e1 um par de antenas e, \u00e0s vezes, ocelos. Olhos compostos s\u00f3 existem em alguns      quil\u00f3podes. Vivem em ambiente \u00famido e t\u00eam larga distribui\u00e7\u00e3o pelo planeta,      sendo os dipl\u00f3podes as esp\u00e9cies predominantes. <\/p>\n   \n<p><strong>Quil\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>Centop\u00e9ias e lacraias s\u00e3o os representantes mais conhecidos da classe dos      quil\u00f3podes. S\u00e3o animais delgados, com o corpo achatado dorsoventralmente.      H\u00e1 cerca de 3 mil esp\u00e9cies conhecidas, geralmente encontradas no solo, sob      pedras ou troncos. <\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-58.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"326\" height=\"161\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Centop\u00e9ia vermelha<\/strong><\/p>\n   \n<p>O n\u00famero de segmentos do corpo varia de acordo com a esp\u00e9cie. As lacraias      apresentam, no primeiro segmento, um par de garras venenosas situadas ventralmente,      \u00fateis na captura de alimento. Nos outros segmentos, exceto nos dois \u00faltimos,      h\u00e1 sempre um par de patas. As centop\u00e9ias sempre t\u00eam um n\u00famero \u00edmpar de pares      de patas, que podem variar de 15 a 177 pares. Apesar das numerosas patas,      as lacraias se locomovem rapidamente, j\u00e1 que geralmente s\u00e3o predadoras.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-59.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"274\" height=\"63\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Esta centop\u00e9ia est\u00e1 correndo, e nessa<br \/>\n     situa\u00e7\u00e3o poucas pernas se ap\u00f3iam no ch\u00e3o.<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-60.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"279\" height=\"75\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Como remos de um barco, as pernas da centop\u00e9ia empurram<br \/>\n     seu corpo para a frente e tamb\u00e9m para lado. Por isso ela serpenteia<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-61.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"280\" height=\"65\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Aqui ela reduziu um pouco a velocidade e seu corpo ficou menos ondulado.<br \/>\n     Oscilando o corpo lateralmente, a centop\u00e9ia pode dar passos mais longos sem      pisar nos pr\u00f3prios &#8220;p\u00e9s&#8221;.<\/strong><\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-62.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"287\" height=\"75\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Quando anda devagar, o corpo da centop\u00e9ia torna-se praticamente reto      e ela ap\u00f3ia <br \/>\n     mais pernas no ch\u00e3o ao mesmo tempo. Se ficar parada, todas as pernas tocam      no ch\u00e3o<\/strong><\/p>\n   \n<p>Seus h\u00e1bitos s\u00e3o noturnos e alimentando-se de pequenos artr\u00f3podes, minhocas,      carac\u00f3is e nemat\u00f3deos. S\u00e3o di\u00f3icos e apresentam desenvolvimento direto. <\/p>\n   \n<p>Algumas lacraias tropicais atingem 20 cm de comprimento e suas picadas s\u00e3o      dolorosas para o homem, embora n\u00e3o letais; s\u00f3 picam quando presas ou comprimidas      pelas m\u00e3os ou p\u00e9s. As pequenas centop\u00e9ias dom\u00e9sticas s\u00e3o inofensivas.<\/p>\n   \n<p><strong>Dipl\u00f3podes<\/strong><\/p>\n   \n<p>Os<strong> piolhos-de-cobra<\/strong> ou <strong>gongol\u00f4s<\/strong> s\u00e3o membros      caracter\u00edsticos da classe dos dipl\u00f3podes, animais de corpo cil\u00edndrico. S\u00e3o      cerca de 7500 esp\u00e9cies descritas, vivendo sob folhas, pedras e troncos, de      modo a evitar a luz.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-63.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"308\" height=\"147\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>Piolho-de-cobra<\/strong><\/p>\n   \n<p>Em cada segmento existem dois pares de patas, que podem variar de 9 a 200,      dependendo da esp\u00e9cie. Controlam muito bem esse grande n\u00famero de patas, erguendo      cerca de 22 pares de cada vez, mas ao contr\u00e1rio das centop\u00e9ias, eles s\u00e3o lentos      pois alimentam-se de mat\u00e9ria morta animal e principalmente vegetal. <\/p>\n   \n<p>Al\u00e9m disso o piolho-de-cobra \u00e9 o campe\u00e3o em n\u00famero de patas. As esp\u00e9cies      gigantes das Ilhas Seychelles, que atingem quase 30 cm de comprimento, tem      mais de 600 patas. Todavia, o recorde pertence a um piolho-de-cobra americano,      com o impressionante n\u00famero total de 752 patas. Quando perturbados, podem      enrolar-se em uma espiral. Algumas esp\u00e9cies secretam, em gl\u00e2ndulas especiais,      um l\u00edquido de odor forte, contendo iodo e cianeto, que \u00e9 usado para repelir      predadores. S\u00e3o di\u00f3icos, t\u00eam fecunda\u00e7\u00e3o interna desenvolvimento direto. <\/p>\n   \n<p><strong>Paur\u00f3podes e Sinfilos<\/strong><\/p>\n   \n<p>Contam apenas de 11 a 12 segmentos no corpo e, conquanto dotados de um s\u00f3      par de patas por segmento, o n\u00famero de destas \u00e9 sempre inferior ao dos quil\u00f3podes.<\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/chilopoda-e-diplopoda-64.jpg\" alt=\"Chilopoda e Diplopoda\" width=\"316\" height=\"105\" title=\"Chilopoda e Diplopoda\" \/><br \/>\n<strong>(Pauropus silvaticus), mostrando antenas, cabe\u00e7a e tronco segmentado.      <\/strong><\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.ufpe.br\/www.geocities.com <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Chilopoda e Diplopoda, Classe, Artr\u00f3podos, Anatomia, Locomo\u00e7\u00e3o, Alimenta\u00e7\u00e3o, Excre\u00e7\u00e3o, Reprodu\u00e7\u00e3o, Centop\u00e9ias, Lacraias, Circula\u00e7\u00e3o, Chilopoda e Diplopoda<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":15900,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[46],"tags":[],"class_list":["post-26399","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biologia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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