{"id":26377,"date":"2016-01-05T00:00:00","date_gmt":"2016-01-05T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/hesiodo-4\/"},"modified":"2026-09-01T18:03:03","modified_gmt":"2026-09-01T18:03:03","slug":"hesiodo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/hesiodo-4\/","title":{"rendered":"Hes\u00edodo"},"content":{"rendered":"\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n   \n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hesiod28.jpg\" alt=\"Hes\u00edodo\" title=\"Hes\u00edodo\" \/><strong><br \/>\n     Hes\u00edodo &#8211; Poeta Grego<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> um poeta, viveu por volta de 700 aC.<\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> \u00e9 sempre comparado a Homero e \u00e9 um      daqueles poetas raros cujas composi\u00e7\u00f5es sobrevivem at\u00e9 hoje. <\/p>\n   \n<p>Ningu\u00e9m sabe quem nasceu primeiro Homero ou <strong>Hes\u00edodo<\/strong>,      mas alguns sup\u00f5em que viveram na mesma \u00e9poca.<\/p>\n   \n<h4>Obras e Composi\u00e7\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>Apenas tr\u00eas das muitas obras de Hes\u00edodo est\u00e3o em bom estado      hoje. Outros restos s\u00e3o fragmentados e, portanto, incompleta. A primeira edi\u00e7\u00e3o      de &#8220;Trabalhos e os Dias&#8221; saiu em 1493 compiladas por Demetrius Chalcondyles.      Junto com esta composi\u00e7\u00e3o outras obras foram compiladas e publicadas em Veneza      por Aldus Manutius em 1495.<\/p>\n   \n<p>Principal diferen\u00e7a poemas de Homero e de Hes\u00edodo \u00e9 que, enquanto      Homero descreveram os pessoas ricas e real em suas obras, Hes\u00edodo \u00e9 conhecido      por descrever a vida do homem comum. De fato, alguns detalhes de sua pr\u00f3pria      vida, \u00e9 conhecida em &#8216;Trabalhos e os Dias &#8220;.<\/p>\n   \n<p><strong>Trabalho e Dias<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Este trabalho, que cont\u00e9m cerca de 800 versos, \u00e9 a base      para dois fatos no Universo:<\/strong> Trabalho \u00e9 o lote universal do homem,      mas aquele que est\u00e1 disposto a trabalhar vai sobreviver. O pano de fundo deste      trabalho pode ser datada para a crise terras agr\u00edcolas na Gr\u00e9cia que levou      a col\u00f4nias em busca de novas terras.<\/p>\n   \n<p>Os trabalhos descreve as cinco idades do homem; principalmente      a Idade de Ouro, governado por Cronos. Nesta \u00e9poca, as pessoas tinham vidas      extremamente longas e n\u00e3o havia tristeza. Tamb\u00e9m s\u00e3o mencionados A Era de      Prata, que foi governado por Zeus, o per\u00edodo Idade do Bronze de guerras e      da Idade Her\u00f3ica, o tempo da guerra de Tr\u00f3ia e da idade do ferro, o presente      era corrupto.<\/p>\n   \n<p>&#8216;Trabalhos e os Dias &#8220;tamb\u00e9m descreve os valores \u00e9ticos,      o trabalho duro e dias de azar e sorte para ocasi\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n   \n<h4><strong>Hes\u00edodo &#8211; Poeta Grego<\/strong><\/h4>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> foi um dos dois grandes poetas gregos da idade arcaica.      Junto com a de Homero, sua obra constitui um dos pilares sobre os quais se      edificou a identidade hel\u00eanica. <\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> viveu por volta de 800 a.C. na Be\u00f3cia, regi\u00e3o situada      no centro da Gr\u00e9cia. Passou a maior parte da vida em Ascra, a aldeia natal.      Sabe-se que viajou a C\u00e1lcis, na ilha de Eub\u00e9ia (a cerca de 800m da costa grega),      com o objetivo de participar dos jogos funer\u00e1rios realizados em honra de um      certo Anfidamos, e foi o ganhador do pr\u00eamio. Sabe-se tamb\u00e9m &#8211; sempre pelas      informa\u00e7\u00f5es do pr\u00f3prio poeta &#8211; que depois da morte do pai, seu irm\u00e3o Perses      corrompeu os ju\u00edzes locais e apoderou-se da maior parte da heran\u00e7a que correspondia      a ambos. <\/p>\n   \n<p>Por esse motivo, em suas obras, <strong>Hes\u00edodo<\/strong> exalta particularmente      a virtude da justi\u00e7a, cuja guarda atribui a Zeus. <\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> relata ainda que foi pastor, at\u00e9 que lhe apareceram      as Musas e ordenaram-lhe &#8220;cantar a ra\u00e7a dos benditos deuses imortais&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Dessa exorta\u00e7\u00e3o nasceram a G\u00eanese dos deuses e Os trabalhos e os dias, as      duas \u00fanicas obras aut\u00eanticas do poeta que permaneceram. A G\u00eanese dos deuses      parece ser o primeiro poema escrito por <strong>Hes\u00edodo<\/strong>. Relata a      sangrenta hist\u00f3ria dos deuses da mitologia grega pr\u00e9-hom\u00e9rica. No in\u00edcio existem      o Caos, a Terra e Eros. <\/p>\n   \n<p>Da Terra (ou Gaia, ou G\u00e9ia) nasceu Urano, o primeiro rei dos deuses, que      contraiu matrim\u00f4nio com sua m\u00e3e. Entre os filhos de ambos encontra-se o tit\u00e3      Cronos, que se rebelou contra Urano e, depois de castr\u00e1-lo, governou o universo.      Cronos foi destronado pelo filho Zeus, que fundou o pante\u00e3o hel\u00eanico cl\u00e1ssico.      Os trabalhos e os dias trata de temas mais terrenos.<\/p>\n   \n<p>A primeira parte \u00e9 dedicada a mitos que ressaltam a necessidade do trabalho      duro e honesto. Exalta a Justi\u00e7a, filha predileta de Zeus e \u00fanica esperan\u00e7a      dos homens. <\/p>\n   \n<p><strong>A segunda parte do poema tem prop\u00f3sitos did\u00e1ticos:<\/strong> estabelece      normas para a agricultura e para a educa\u00e7\u00e3o dos filhos, al\u00e9m de mencionar      supersti\u00e7\u00f5es do dia-a-dia. Diferentemente de Homero, <strong>Hes\u00edodo<\/strong>      n\u00e3o se ocupou das espl\u00eandidas fa\u00e7anhas dos her\u00f3is gregos. Seus temas s\u00e3o os      deuses, regentes do destino do homem, e o pr\u00f3prio ser humano, com suas fadigas      e mis\u00e9rias. <\/p>\n   \n<p>Dividiu a hist\u00f3ria da humanidade em cinco per\u00edodos, da idade do ouro \u00e0 do      ferro, das quais o \u00faltimo correspondia ao dif\u00edcil per\u00edodo hist\u00f3rico em que      ele pr\u00f3prio viveu. <\/p>\n   \n<p>Para <strong>Hes\u00edodo<\/strong>, s\u00f3 o trabalho e o exerc\u00edcio das virtudes morais      permitem aos seres humanos chegar a uma exist\u00eancia discretamente feliz na      infausta idade do ferro.<\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong> morreu, ao que tudo indica, em Ascra. <\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.ancientgreece.com\/www.nomismatike.hpg.ig.com.br<\/p>\n   \n<h6>Hes\u00edodo<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<h4>Prometeu e Pandora<\/h4>\n   \n<blockquote>      \n<p>Possuidoras de defeitos e virtudes, as divindades primordiais tinham no        Olimpo o remanso. Procriavam deuses e deusas gerados de suas pr\u00f3prias paix\u00f5es;        paix\u00f5es que dariam forma \u00e0 personalidade de cada um, transformados em mitos        e colocados, assim, acima do bem e do mal. Eram deuses, enfim.,<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>Prometeu<\/h4>\n   \n<p><strong>J\u00fapiter diz a Prometeu:<\/strong> &#8220;Filho de I\u00e1peto, rejubilas-te      por haveres roubado o fogo divino e iludido a minha sabedoria; mas esse ato      ser\u00e1 fatal a ti e aos homens que h\u00e3o de vir. Para vingar-me, enviarlhes-ei      um funesto presente que os enfeiti\u00e7ar\u00e1 e far\u00e1 com que amem o seu pr\u00f3prio flagelo.&#8221;      (<strong>Hes\u00edodo<\/strong>).<\/p>\n   \n<p>Por serem concebidos sob os ausp\u00edcios dos espasmos de Gaia, os imortais desfrutavam      de privil\u00e9gios. Donos de mat\u00e9ria sutil, metamorfoseavam-se e se multiplicavam.      No Olimpo n\u00e3o havia a id\u00e9ia de perfei\u00e7\u00e3o conforme a concebemos a partir do      Cristianismo, pois segundo o pensamento cl\u00e1ssico, no Universo, tudo, absolutamente      tudo, est\u00e1 em processo de evolu\u00e7\u00e3o, portanto, da ameba aos deuses todos evoluem      todo o tempo. Assim, Hera andava infeliz porque seus filhos gerados com Zeus,      do qual era irm\u00e3, eram criaturas grotescas, eventualmente deformadas, a exemplo      dos c\u00edclopes, tr\u00edclopes e depois os tit\u00e3s. E o deus do Olimpo, compadecido      pela dor de sua mulher, mandou que exterminassem os tit\u00e2nicos, e uma batalha      entre eles e os ol\u00edmpicos foi instaurada.<\/p>\n   \n<p>C\u00e9u e terra j\u00e1 estavam criados. A parte \u00edgnea, mais leve, havia se espalhado      e formado o firmamento. O ar colocou-se em seguida. A terra, sendo a mais      pesada, ficou para baixo e a \u00e1gua ocupou o ponto inferior, fazendo flutuar      a terra. E neste mundo assim criado, habitavam as plantas e os animais. Mas      faltava a criatura na qual pudesse habitar o esp\u00edrito divino. Foi ent\u00e3o que      chegou \u00e0 terra o tit\u00e3 Prometeu, descendente da antiga ra\u00e7a de deuses, destronada      por Zeus.<\/p>\n   \n<p>Prometeu, &#8220;aquele que pensa antes&#8221; ou &#8220;aquele que prev\u00ea&#8221;      (o nome Prometeu, segundo a etimologia popular, teria vindo da conjun\u00e7\u00e3o das      palavras gregas pr\u00f3 (antes) e manth\u00e1nein (saber, ver), ou seja, Prometeu equivaleria      a prudente ou previdente), filho de I\u00e1peto (ou J\u00e1peto), um tit\u00e3, permanecera      neutro e vira sua ra\u00e7a ser dizimada pelos ol\u00edmpicos. Era, entretanto, admirado      por Zeus, que gostava de seus dons premonit\u00f3rios; fora recebido entre os imortais,      participando dos banquetes e assembl\u00e9ias das divindades. Enviado \u00e0 Terra a      fim de criar um ser diferente dos animais, decidira vingar-se de Zeus, que      destru\u00edra sua ra\u00e7a. O gigante sabia que na terra estava adormecida a semente      dos c\u00e9us. Por isso apanhou um bocado de argila e molhou com um pouco de \u00e1gua      de um rio. <\/p>\n   \n<p><strong>Com essa mat\u00e9ria prima fez o homem, \u00e0 semelhan\u00e7a dos deuses, para      que fosse o senhor da terra e soprou-lhe as narinas com a ess\u00eancia de que      seriam feitos, apanhou das almas dos animais caracter\u00edsticas boas e m\u00e1s, animando      sua criatura:<\/strong> a fidelidade dos cavalos, a for\u00e7a do touro, a esperteza      da raposa, a avidez do lobo. Minerva dera n\u00e9ctar \u00e0s novas criaturas e elas      ganharam esp\u00edrito divino. Foi assim que surgiram os primeiros seres humanos,      que logo povoaram a terra.<\/p>\n   \n<p>Mas faltavam-lhes os conhecimentos sobre os assuntos da terra e do c\u00e9u. Vagavam      sem saber a arte da constru\u00e7\u00e3o, da agricultura, da filosofia. N\u00e3o sabiam ca\u00e7ar      ou pescar e nada sabiam da sua origem divina. Prometeu se aproximou e ensinou      \u00e0s suas criaturas todos esses segredos. Inventou o arado para que o homem      plantasse, a cunhagem das moedas para que houvesse o com\u00e9rcio, a escrita e      a minera\u00e7\u00e3o. Ensinou-lhes a arte da profecia e da astronomia, enfim todas      as artes necess\u00e1rias ao desenvolvimento da humanidade. Os orgulhosos homens      de Prometeu eram belos como deuses, entretanto, a condi\u00e7\u00e3o de humanos, reles      mortais, faria com que pagassem pelo status adquirido, transformados assim      no alvo da ira dos deuses.<\/p>\n   \n<p>Ent\u00e3o houve um banquete. Prometeu, encarregado da partilha do boi, o fizera      de modo a humilhar os imortais, oferecendo a eles as entranhas, enquanto que      aos humanos reservou a carne saborosa.<\/p>\n   \n<p><strong>Encolerizado, Zeus esconde daquelas criaturas o privil\u00e9gio da luz      e do movimento, simbolicamente, da luz na alma, da intelig\u00eancia: <\/strong>o      fogo, \u00faltimo privil\u00e9gio para que se constitu\u00edsse e se consumasse a civiliza\u00e7\u00e3o.      E n\u00e3o havia movimento na Terra, n\u00e3o havia luz entre as criaturas de Prometeu.<\/p>\n   \n<p>Andavam \u00e0 esmo&#8230; errando, at\u00e9 que, indignado e movido por um gesto de profundo      inconformismo, Prometeu apanhou um caule do n\u00e1rtex, aproximou-se da carruagem      do Sol e incendiou-o. Roubara o fogo dos c\u00e9us. Com esta tocha, Prometeu entregou      o fogo para a humanidade, o que dava a ela a possibilidade de dominar o mundo      e seus habitantes.<\/p>\n   \n<p>Ah, os belos e orgulhos homens de Prometeu dan\u00e7avam em torno do fogo e conheciam      o movimento, a luz, a cor&#8230; Mas os c\u00e9us tremiam. Como tivera, Prometeu, a      coragem de colocar seus homens e os deuses no mesmo plano de exist\u00eancia? Tal      soberba lhe reservaria a ira de Zeus, o deus dos deuses que por isso tramou      a sua vingan\u00e7a. Convocando os deuses do Olimpo, decide dar a Prometeu e aos      tolos homens um castigo. Que Prometeu fosse acorrentado a um rochedo por trinta      s\u00e9culos, \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos abutres que deveriam mordiscar-lhe quase todo o      f\u00edgado ao longo do dia.<\/p>\n   \n<p>N\u00e3o havia perd\u00e3o no cora\u00e7\u00e3o endurecido de Zeus, personificado na figura do      rochedo. Durante a noite o \u00f3rg\u00e3o se recomporia para ser novamente semi-devorado      quando o dia amanhecesse. Estava lan\u00e7ado o supl\u00edcio de Prometeu. Mas era pouco      ainda. A tentativa de comparar grosseiras criaturas feitas do barro com os      deuses era um evento tal que merecia do Olimpo uma vingan\u00e7a maior.<\/p>\n   \n<p><strong>Assim, com a ajuda dos ol\u00edmpicos e ninfas, Zeus manda criar um ser      oposto aos homens:<\/strong> uma mulher, \u00fanica naquele universo masculino.      Deveria ser bel\u00edssima, e dela se encarregariam primeiramente Minerva e Vulcano.      Dotada de beleza inigual\u00e1vel, sagacidade, gra\u00e7a, aud\u00e1cia, for\u00e7a, persuas\u00e3o,      habilidade manual e sensualidade delicada, receberia de Merc\u00fario gotas de      sedutora dissimula\u00e7\u00e3o. Deveria seduzir todos os homens e tirar-lhes o rumo.      Esta mulher foi batizada por Hermes como Pandora, (pan = todos, dora = presente),      pois cada um dos deuses deu \u00e0 donzela um dom. Afrodite deu-lhe a beleza, Hermes      o dom da fala, Apolo, a m\u00fasica. Ainda v\u00e1rios outros encantos foram colocados      na criatura pelos deuses. Zeus pediu ainda que cada imortal reservasse um      malef\u00edcio para a humanidade.<\/p>\n   \n<p>Esses presentes mal\u00e9ficos foram guardados numa caixa, que a donzela levava      nas m\u00e3os. Pandora, desceu \u00e0 terra, conduzida por Hermes, e foi dada como esposa      a Epimeteu, &#8220;o que pensa depois&#8221; ou &#8220;o que reflete tardiamente&#8221;,      o irm\u00e3o de Prometeu; que, deslumbrado com sua beleza perfeita, aceitou apesar      dos avisos do irm\u00e3o, para que n\u00e3o aceitasse nada dos deuses. Pandora, ent\u00e3o,      diante dele abriu a tampa do presente de n\u00fapcias de Zeus, e de dentro, como      nuvem negra, escaparam todas as maldi\u00e7\u00f5es e pragas que assolaram todo o planeta.      Desgra\u00e7as que at\u00e9 hoje atormentam a humanidade. <\/p>\n   \n<p><strong>Pandora ainda tenta fechar a caixa divina, mas era tarde demais:      <\/strong>ela estava vazia, com exce\u00e7\u00e3o da &#8220;esperan\u00e7a&#8221;, que permaneceu      presa junto \u00e0 borda da caixa. A \u00fanica forma do homem n\u00e3o sucumbir \u00e0s dores      e aos sofrimentos da vida.<\/p>\n   \n<p>Deste mito ficou a express\u00e3o caixa de Pandora, que se usa, em sentido figurado,      quando se quer dizer que alguma coisa, sob uma aparente inoc\u00eancia ou beleza,      \u00e9 na verdade uma fonte de calamidades. Abrir a Caixa de Pandora significa      que uma a\u00e7\u00e3o pequena pode liberar uma avalanche de repercuss\u00f5es negativas.<\/p>\n   \n<p><strong>H\u00e1 ainda um detalhe intrigante que poder\u00edamos levantar:<\/strong>      do por qu\u00ea a esperan\u00e7a estava guardada na caixa entre todos os males. Porque      a esperan\u00e7a pode tamb\u00e9m ter uma conota\u00e7\u00e3o negativa, j\u00e1 que ela pode minar      as nossas a\u00e7\u00f5es nos paralisando diante de coisas que dever\u00edamos confrontar.<\/p>\n   \n<h4>Pandora<\/h4>\n   \n<p>A maior dificuldade de relatar um mito n\u00e3o est\u00e1 em traduzir as suas m\u00faltiplas      conex\u00f5es e desdobramentos, mas em resolver onde parar, onde recortar este      mito do todo da mitologia. Por isso, a hist\u00f3ria de Pandora come\u00e7a antes da      pr\u00f3pria Pandora. Divindade criada pelos deuses do Olimpo sob as ordens de      Zeus para a vingan\u00e7a contra a humanidade por esta ter recebido de Prometeu      o segredo do fogo, o que dava a ela a possibilidade de dominar o mundo e seus      habitantes. Zeus tramou a sua vingan\u00e7a mandando que Hefestos moldasse uma      est\u00e1tua de uma linda donzela. Chamou-a de Pandora, \u0093a que possui todos      os dons\u0094, e ordenou a cada um dos deuses que desse \u00e0 donzela um dom.    <\/p>\n   \n<p><strong>V\u00e1rios encantos foram colocados na criatura, por exemplo: <\/strong>Afrodite      deulhe a beleza, Hermes o dom da fala, Apolo, a m\u00fasica, etc. Em seguida Zeus      pediu ainda que cada imortal escolhesse um malef\u00edcio para a humanidade e os      depositasse em uma caixa, que a donzela levava nas m\u00e3os, como presente de      n\u00fapcias a Epimeteu; a caixa de Pandora.<\/p>\n   \n<p>Ent\u00e3o ela desceu \u00e0 terra, conduzida por Hermes, aproximou-se de Epimeteu,      o irm\u00e3o de Prometeu, e diante dele abriu a tampa do presente de Zeus. E da      Caixa de Pandora escaparam a dor, as doen\u00e7as, a inveja, a morte, a hipocrisia,      a peste, a desuni\u00e3o, o desamor, a guerra, o \u00f3dio, a loucura&#8230; Pandora, percebendo      a inten\u00e7\u00e3o dos deuses e tudo o que se espalhara sobre os homens, fechou a      caixa rapidamente, entretanto, era tarde demais, os males haviam sido despejados      sobre a ra\u00e7a de Prometeu. Havia l\u00e1grimas nos desavisados olhos de Pandora,      a primeira mulher, ingenuamente, usada como ferramenta para a vingan\u00e7a Ol\u00edmpica.<\/p>\n   \n<p><strong>No fundo de sua Caixa havia sobrado, a despeito dos males, um \u00fanico      elemento bom: <\/strong>a Esperan\u00e7a. <\/p>\n   \n<p>Foi ent\u00e3o que a humanidade, que at\u00e9 aquele momento havia habitado um mundo      sem doen\u00e7as ou sofrimentos, se viu assaltada por in\u00fameros males, e somente      a Esperan\u00e7a lhe d\u00e1 for\u00e7as e alento para sobreviver aos problemas.<\/p>\n   \n<p>Outra vers\u00e3o do mito, diz que Pandora \u00e9 a deusa da ressurrei\u00e7\u00e3o. Ela, por      n\u00e3o nascer como divindade, \u00e9 conhecida como uma semi-deusa. Sua ambi\u00e7\u00e3o em      se tornar deusa do Olimpo e esposa de Zeus, fez com que ela abrisse a caixa      divina. Zeus para castig\u00e1-la tirou a sua vida. Hades com interesse nas ambi\u00e7\u00f5es      de Pandora, procurou as pacas (dominadoras do tempo) e pediu para que o tempo      voltasse, mas sem a permiss\u00e3o de Zeus elas n\u00e3o puderam fazer nada. Hades convenceu      o irm\u00e3o a ressuscitar Pandora, e devido aos argumentos do irm\u00e3o, Zeus a ressuscitou      dando-lhe a divindade que ela desejava. Assim, Pandora tornou-se a deusa da      ressurrei\u00e7\u00e3o. Para um esp\u00edrito ressuscitar Pandora entrega-lhe uma tarefa,      se o esp\u00edrito cumprir ele \u00e9 ressuscitado. Pandora, com \u00f3dio de Zeus por ele      t\u00ea-la tornado uma deusa sem import\u00e2ncia, entrega aos esp\u00edritos somente tarefas      imposs\u00edveis. Assim nenhum esp\u00edrito conseguiu e nem conseguir\u00e1 ressuscitar.<\/p>\n   \n<p>O mito mais conhecido sobre Pandora \u00e9 o que conta a hist\u00f3ria da sua cria\u00e7\u00e3o      pelos deuses, e de seu mal\u00e9fico presente para a humanidade, escondido em uma      caixa. Esse mito \u00e9 o descrito acima. H\u00e1, por\u00e9m, outra vers\u00e3o que remonta aos      povos pr\u00e9-hel\u00eanicos, que tinham de Pandora, uma id\u00e9ia diametralmente oposta      da conhecida. Esta \u00e9 a mitologia de um povo agr\u00edcola, com seu culto \u00e0 deusa-m\u00e3e&#8230;<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>\u0093Assim o novo mito tornou-se a doadora de talentos divinos        e de todos os males da humanidade. Certa manh\u00e3 os homens descobriram uma        colina coberta de arbustos com frutos vermelhos. Eles come\u00e7aram a banquetear-se        imediatamente. Depois de um estremecimento, uma fenda abriu-se no topo do        morro, e dela emergiu a deusa com suas serpentes terrenas. Os mortais estavam        paralisados de medo, mas a deusa acalmou-os dizendo: &#8211; Eu sou Pandora, a        Doadora de todos os Presentes &#8211; e retirou a tampa de sua grande caixa. Dela        tirou uma rom\u00e3, que tornou-se uma ma\u00e7\u00e3, que tornou-se um lim\u00e3o, que tornou-se        uma pera. &#8211; Eu trago \u00e1rvores cheias de flores que d\u00e3o muitos frutos, \u00e1rvores        retorcidas com olivas penduradas e essa videira que ir\u00e1 sustentar voc\u00eas        -. A deusa pegou da caixa uma por\u00e7\u00e3o de sementes as quais espalhou pela        colina e continuou seu discurso. &#8211; Eu trago a voc\u00eas plantas para matar a        fome e para curar a doen\u00e7a, para tecelagem e tinturaria. Sob a superf\u00edcie        da terra voc\u00eas encontrar\u00e3o minerais e argila de in\u00fameras formas. Eu trago        maravilhas, curiosidades e mem\u00f3ria. Eu trago sabedoria. Eu trago justi\u00e7a        com miseric\u00f3rdia. Eu trago la\u00e7os de cuidado e de comunh\u00e3o. Eu trago coragem,        for\u00e7a e persist\u00eancia. Eu trago amabilidade para todos os seres. Eu trago        as sementes da paz.\u0094<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>Pandora e Eva<\/h4>\n   \n<p>Os mitos ocidentais relacionados com a origem humana, por vezes, tratam da      perda de uma condi\u00e7\u00e3o feliz jamais alcan\u00e7ada depois, na hist\u00f3ria. Tanto os      ass\u00edrios, babil\u00f4nios, judeus e helenos, como os \u00edndios do Brasil, concordam      que a mat\u00e9ria prima para feitura dos primeiros homens seria o barro. O termo      hebraico adam vem de adama, terra, e quer dizer \u0093aquele que surgiu da      terra\u0094.<\/p>\n   \n<p>Quanto \u00e0 mulher, entretanto, h\u00e1 diverg\u00eancias. No Antigo Testamento, Eva seria      uma parte retirada do pr\u00f3prio homem, por Deus, a fim de lhe fazer companhia.    <\/p>\n   \n<p>Por outro lado, na Teogonia e em Trabalhos e os Dias, de <strong>Hes\u00edodo<\/strong>      (s\u00e9cs. VIII ou VII a.C.), Pandora seria um \u0093presente\u0094 que Zeus mandara      fazer para prejudicar os homens, criaturas de Prometeu. Em ambos casos, a      desaten\u00e7\u00e3o da mulher acaba por levar \u00e0 perda do para\u00edso para a humanidade,      que passa a conviver com os males do mundo, sendo obrigada a sobreviver com      o suor do rosto.<\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>\u0093Antes vivia sobre a terra a grei dos humanos a recato        dos males, dos dif\u00edceis trabalhos, das terr\u00edveis doen\u00e7as que ao homem p\u00f5em        fim; mas a mulher, a grande tampa do jarro al\u00e7ado, dispersou-os e para os        homens tramou tristes pesares. Sozinha, ali, a Expectativa em indestrut\u00edvel        morada abaixo das bordas restou e para fora n\u00e3o voou, pois antes rep\u00f4s ela        a tampa do jarro, por des\u00edgnios de Zeus porta-\u00e9gide, o agrega nuvens\u0094        (HESIODO, Trabalhos e os Dias, v. 90 a 99).<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p><strong>A compara\u00e7\u00e3o de Eva com Pandora \u00e9 muito \u00f3bvia para ter escapado a      Milton, que a apresenta no Livro IV do Para\u00edso Perdido:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>\u0093Mais bela que Pandora a quem os deuses Cumularam de        todos os seus bens E, ah! bem semelhante na desgra\u00e7a, Quando ao insensato        filho de J\u00e1peto Por Hermes conduzido, a humanidade Tomou, com sua espl\u00eandida        beleza, E caiu a vingan\u00e7a sobre aquele Que de J\u00fapiter furtou o sacro fogo.&#8221;<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<h4>O Mito de Prometeu e Epimeteu segundo \u00c9squilo, Hes\u00edodo e Plat\u00e3o<\/h4>\n   \n<p><strong>O Mito por Hes\u00edodo e \u00c9squilo<\/strong><\/p>\n   \n<p>O mito de Prometeu \u00e9 descrito na literatura cl\u00e1ssica principalmente em <strong>Hes\u00edodo<\/strong>.      Aparece nas duas obras do poeta, Teogonia e Os trabalhos e os Dias, sendo      que na segunda ele \u00e9 recontado e complementado. Afora <strong>Hes\u00edodo<\/strong>,      outra obra importante, a trag\u00e9dia Prometeu Acorrentado, \u00e9 dedicada a ele.      Por\u00e9m nesta trag\u00e9dia o mito n\u00e3o est\u00e1 completo, pois come\u00e7a no instante em      que Hefesto e Cratos castigam o tit\u00e3, a mando de Zeus pai. Prometeu, em diversas      partes da trag\u00e9dia, se refere aos motivos que o levaram a ser acorrentado.      A trag\u00e9dia fazia parte de uma trilogia sobre Prometeu, mas as outras duas      partes se perderam.<\/p>\n   \n<p>O nome Prometeu, segundo a etimologia popular, teria vindo da conjun\u00e7\u00e3o das      palavras gregas pr\u00f3 (antes) e manth\u00e1nein (saber, ver). Ou seja, Prometeu equivaleria      a prudente ou previdente. Embora, como afirma \u00c9squilo, Prometeu n\u00e3o supusesse      o teor do castigo de Zeus ao desafi\u00e1-lo, ainda assim lhe \u00e9 atribu\u00eddo um car\u00e1ter      oracular, por ter proferido um vatic\u00ednio sobre a queda de Zeus, o governador.      A profecia diz que o filho da nereida T\u00e9tis e de Zeus destronaria o pai. <\/p>\n   \n<p>Por causa disso, Zeus desiste de seduzir a nereida e se apressa a lhe dar      um esposo mortal, que acabou sendo Peleu. Este cuidado de Zeus tamb\u00e9m se verifica      quando ele engole a m\u00e3e de Atena, M\u00e9tis (sabedoria, ast\u00facia), sua primeira      esposa, para que n\u00e3o nascesse dela um segundo filho mais poderoso que o pai.      Zeus engole M\u00e9tis ainda gr\u00e1vida, e Atena, deusa da sabedoria, nasce da cabe\u00e7a      do pai.<\/p>\n   \n<p>Prometeu, que parece detestar Zeus &#8211; como se observa na trag\u00e9dia esquiliana      pelo desprezo a seu mensageiro Hermes ou quando critica a arrog\u00e2ncia de Zeus      e diz abominar os demais deuses &#8211; era filho do tit\u00e3 I\u00e1peto e da oce\u00e2nide Cl\u00edmene.      Apenas em \u00c9squilo a m\u00e3e de Prometeu \u00e9 T\u00eamis, a deusa da justi\u00e7a. Tinha como      irm\u00e3os Atlas, Men\u00e9cio e Epimeteu, sendo que todos eles foram castigados por      Zeus. I\u00e1peto era irm\u00e3o de Crono (Prometeu era, portanto, primo de Zeus) e      de Oceano, que em \u00c9squilo sai do seu reino e avan\u00e7a sobre a Terra para tentar      dissuadir o sobrinho Prometeu de sua revolta e dizer a ele que intercederia      junto a Zeus, uma prova ferrenha de sua amizade.<\/p>\n   \n<p>Nos versos 510 a 516 da Teogonia, estes contam a hist\u00f3ria de Prometeu segundo      <strong>Hes\u00edodo<\/strong>. Consta ali que a primeira falta de Prometeu para      com Zeus em favor dos homens foi quando dividiu um boi em duas partes, uma      cabendo a Zeus e outra aos mortais. Na primeira estavam as carnes e as v\u00edsceras,      cobertas com o couro. Na segunda, apenas ossos, cobertos com a banha do animal.      Zeus, atra\u00eddo pela banha, escolhe a segunda, e ent\u00e3o a raiva, o rancor, e      a c\u00f3lera lhe subiram a cabe\u00e7a e ao cora\u00e7\u00e3o. Por conta disso, Zeus castiga      os homens, negando a eles a for\u00e7a do fogo infatig\u00e1vel. O fogo representa simbolicamente      a intelig\u00eancia do homem. A afronta definitiva de Prometeu, por\u00e9m, ocorre quando      este rouba \u0093o brilho longevis\u00edvel do infatig\u00e1vel fogo em oca F\u00e9rula\u0094      (Teogonia, 566). Com isto, Prometeu reanimou a intelig\u00eancia do homem, que      antes era semelhante aos fantasmas dos sonhos.<\/p>\n   \n<p>A fala de Prometeu na trag\u00e9dia de \u00c9squilo remete para ele a d\u00edvida dos mortais      por terem a habilidade de, por exemplo, construir casas de tijolos e madeira.      Os mortais, diz o tit\u00e3, tudo faziam sem tino at\u00e9 que este lhes ensinasse \u0093as      intricadas sa\u00eddas e portas dos astros. Por elas inventei os n\u00fameros (&#8230;)      a composi\u00e7\u00e3o das letras e a mem\u00f3ria (&#8230;), matriz universal.\u0094 Prometeu      diz, enfim, que os homens devem a ele todas as artes, inclusive a de domesticar      animais selvagens e faz\u00ea-los trabalhar para si.<\/p>\n   \n<p><strong>Por conta dos mortais terem o fogo, Zeus armou uma armadilha:<\/strong>      mandou o filho de Hera, o deus coxo e ferreiro Hefesto, plasmar uma mulher      ideal, fascinante, ao qual os deuses presentearam com alguns atributos de      forma a torn\u00e1-la irresist\u00edvel. Esta mulher foi batizada por Hermes como Pandora,      (pan = todos, dora = presente) e ela recebeu de Atena a arte da tecelagem,      de Afrodite o poder de sedu\u00e7\u00e3o, de Hermes as artimanhas e assim por diante.      Pandora foi dada de presente para o atrapalhado Epimeteu, que ingenuamente      aceitou, a despeito da advert\u00eancia de seu irm\u00e3o Prometeu. A vingan\u00e7a planejada      por Zeus estava contida numa caixa, que foi levada como presente de n\u00fapcias      para Epimeteu e Pandora. Quando esta, por curiosidade feminina, abriu a caixa      e rapidamente a fechou, escaparam todas as desgra\u00e7as e calamidades da humanidade,      restando apenas a esperan\u00e7a.<\/p>\n   \n<p>Quanto a Prometeu, foi castigado sendo preso pelas inquebr\u00e1veis correntes      de Hefesto no meio de uma coluna, e uma \u00e1guia de longas asas enviada por Zeus      comia-lhe o f\u00edgado imortal. Ao cabo do dia, chegava a negra noite por Prometeu      ansiada, e seu f\u00edgado tornava a crescer. Teria sido assim eternamente se n\u00e3o      fosse por interven\u00e7\u00e3o de H\u00e9rcules, que matou a \u00e1guia como consentimento de      Zeus.<\/p>\n   \n<h4>O Mito por Plat\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>No Prot\u00e1goras de Plat\u00e3o, todas as criaturas vivas aparecem como obra de v\u00e1rios      deuses, que as plasmaram inicialmente com terra, limo e fogo. A palavra latina      homem est\u00e1 ligada a humus (terra) e os gregos acreditavam que uma centelha      divina de imortalidade percorria toda a Terra. S\u00e3o os outros deuses que incumbem      Prometeu e Epimeteu de dar aos seres as qualidades necess\u00e1rias para se sustentarem      quando viessem \u00e0 luz. Epimeteu, por ser atrapalhado, torna-se um reversor      dos benef\u00edcios de Prometeu aos homens, tanto em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> quanto      em Plat\u00e3o. Prot\u00e1goras continua a narrativa dizendo que Epimeteu pediu a seu      irm\u00e3o para que deixasse por sua conta a distribui\u00e7\u00e3o das qualidades, cabendo      a Prometeu apenas uma revis\u00e3o final.<\/p>\n   \n<p><strong>Come\u00e7a ent\u00e3o a divis\u00e3o compensat\u00f3ria de Epimeteu:<\/strong> a alguns      d\u00e1 for\u00e7a sem velocidade, a outros d\u00e1 apenas velocidade. Para algumas criaturas,      Epimeteu deu armas. Aos que n\u00e3o a tinham, achou diferentes solu\u00e7\u00f5es, como      asas para fugir aos pequenos e tamanho a outros. \u00c9 certo que asas s\u00e3o um meio      de transporte ideal para as fugas, mas tamb\u00e9m o s\u00e3o para a ca\u00e7a. As qualidades      foram assim distribu\u00eddas para que houvesse um equil\u00edbrio, e n\u00e3o viessem as      esp\u00e9cies destruir umas \u00e0s outras.<\/p>\n   \n<p>Depois Epimeteu prov\u00ea os seres com o necess\u00e1rio para sobreviverem no frio,      os p\u00ealos. <\/p>\n   \n<p><strong>Por \u00faltimo determinou o que cada um deveria comer, de acordo com      a sua constitui\u00e7\u00e3o: <\/strong>ervas, frutos, ra\u00edzes e carne. Os que comiam      carne, de acordo com o mito, se reproduziriam menos do que os herb\u00edvoros.<\/p>\n   \n<p><strong>Epimeteu, por n\u00e3o refletir, termina a sua distribui\u00e7\u00e3o das qualidades,      mas deixa de lado um ser: <\/strong>o homem. O que sobrou para o homem? Nada,      permanecera nu e sem defesa. Estava se aproximando a hora determinada para      que o homem chegasse \u00e0 luz e Prometeu aparece para fazer sua parte. N\u00e3o encontrando      outra solu\u00e7\u00e3o, Prometeu \u00e9 obrigado a roubar o fogo de Hefesto e a sabedoria      de Atena, deusa de olhos verde-mar. De posse dessas duas qualidades, o homem      estava apto a trabalhar o fogo nas suas diversas utilidades, e assim garantir      a sobreviv\u00eancia. <\/p>\n   \n<p><strong>Por\u00e9m, a qualidade necess\u00e1ria para os homens se relacionarem entre      si se encontrava nas m\u00e3os de Zeus:<\/strong> a pol\u00edtica. E era proibido a Prometeu      penetrar na Acr\u00f3pole de Zeus, vigiada por tem\u00edveis sentinelas.<\/p>\n   \n<p>Prot\u00e1goras termina o mito dizendo que consta ter sido Prometeu morto por      este crime, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pois Prometeu era imortal. As diferen\u00e7as      entre as narrativas de Plat\u00e3o e <strong>Hes\u00edodo<\/strong> s\u00e3o mais vis\u00edveis      que as semelhan\u00e7as. Por exemplo, em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> o trabalho \u00e9      um castigo do Cr\u00f4nida aos mortais, o mito plat\u00f4nico nos leva a crer que o      trabalho \u00e9 uma d\u00e1diva.<\/p>\n   \n<p>O nascimento dos mortais em Hes\u00edodo \u00e9 bem anterior a Plat\u00e3o, se tomarmos      como refer\u00eancia o roubo do fogo, que em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> se d\u00e1 depois      do nascimento dos homens. Em \u00c9squilo, o homem vive por s\u00e9culos sem conseguir      a aptid\u00e3o necess\u00e1ria, antes de receber o fogo como presente. Isto representa      a dificuldade de sobreviv\u00eancia do homem nas eras primitivas, ou a mis\u00e9ria      do homem na Idade do Ferro.<\/p>\n   \n<p>Em Plat\u00e3o o homem j\u00e1 obt\u00e9m a capacidade de trabalhar o fogo desde a sua cria\u00e7\u00e3o.      A mis\u00e9ria em Plat\u00e3o consiste na falta da arte pol\u00edtica, indispens\u00e1vel para      a fortifica\u00e7\u00e3o dos homens em cidades e a institui\u00e7\u00e3o de um governo virtuoso      baseado na justi\u00e7a.<\/p>\n   \n<p>Diz Plat\u00e3o que n\u00e3o demorou aos homens usarem a sabedoria herdada de Atena      para desenvolverem uma linguagem, construir casas e roupas e procurar alimentos.      Por\u00e9m, n\u00e3o tendo pol\u00edtica, n\u00e3o conseguia vencer as feras nem guerrear, pois      n\u00e3o tinham a arte militar, parte da pol\u00edtica. E, ao tentar se reunirem em      grupos, a anarquia reinante fazia de todos, inimigos e v\u00edtimas de querelas      militares. Os homens ent\u00e3o passaram a se destruir, v\u00edtimas das feras e deles      pr\u00f3prios.<\/p>\n   \n<p>Zeus, preocupado com o iminente desaparecimento do homem, mandou seu filho      e mensageiro Hermes distribuir pudor e justi\u00e7a, para que pudessem se relacionar      e subsistir. O pudor e a justi\u00e7a deveriam, ao contr\u00e1rio das demais artes,      serem distribu\u00eddos igualmente a todos os homens, e aqueles que n\u00e3o a tivessem      deveriam morrer, por estarem contra o princ\u00edpio unificador da sociedade.<\/p>\n   \n<p>S\u00f3crates apresentara a Prot\u00e1goras, como principal obje\u00e7\u00e3o \u00e0 impossibilidade      do ensino da virtude o fato de homens virtuosos, como P\u00e9ricles, n\u00e3o terem      tido filhos virtuosos. Como ficaria o mito de Prot\u00e1goras ent\u00e3o, se ele diz      que a virtude \u00e9 necess\u00e1ria e comum a todos? Prot\u00e1goras n\u00e3o pretendia o seu      mito verdadeiro, ele \u00e9 um instrumento escolhido, dentre outros, para expor      a sua teoria. Para Prot\u00e1goras todos os homens s\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar a virtude,      mas somente pelo estudo e aplica\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m puniria as pessoas que tem algum      defeito sem ter culpa &#8211; como a fei\u00fara ou a baixa estatura &#8211; , mas algu\u00e9m que      se apresenta injusto \u00e9 punido. <\/p>\n   \n<p>Para ser justo, o cidad\u00e3o grego era ensinado desde pequeno a ser racional      e a caminhar para a virtude, pelos pais, que procuram a cada ato demonstrar      as virtudes como justi\u00e7a, temperan\u00e7a e santidade. Na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as,      tamb\u00e9m \u00e9 usado o exemplo de her\u00f3is virtuosos do passado, cantado em poemas      como os de Homero. Se a crian\u00e7a aprende, tudo bem, sen\u00e3o, ela \u00e9 levada a se      corrigir atrav\u00e9s da amea\u00e7a de castigos violentos. Isto \u00e9 explicado por Prot\u00e1goras      com o exemplo dos tocadores de flauta. <\/p>\n   \n<p><strong>A virtude \u00e9 generalizada, imaginemos que tocar flauta tamb\u00e9m o fosse:      <\/strong>\u00e9 de se esperar que os filhos dos melhores tocadores de flauta fossem      melhores tamb\u00e9m? N\u00e3o necessariamente. Todos saberiam tocar flauta minimamente,      mas os grandes talentos nasceriam em fam\u00edlias diferentes.<\/p>\n   \n<p><strong>Fica assim respondida a quest\u00e3o de S\u00f3crates, que ficou muito impressionado      com a sabedoria de Prot\u00e1goras:<\/strong> todos teriam virtude em pot\u00eancia,      mas somente os mais aplicados conseguir\u00e3o. A virtude, portanto, \u00e9 a raz\u00e3o,      mas exercida por favor divino. A base \u00e9 o mito, \u00e9 necess\u00e1rio receber um bom      quinh\u00e3o das moiras para poder agir retamente, conforme a raz\u00e3o e o racioc\u00ednio      ditam. Plat\u00e3o nos leva a crer que quem age com virtude &#8211; elevando assim o      seu esp\u00edrito- \u00e9 recompensado. No mito de Prot\u00e1goras, a virtude \u00e9 presente      divino, mantenedor da coes\u00e3o social, mas s\u00f3 alcan\u00e7\u00e1vel pela pr\u00e1tica e estudo      aplicado.<\/p>\n   \n<h4>O Mito Interpretado<\/h4>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8220;Essas coisas n\u00e3o aconteceram nunca, mas existiram sempre&#8221;        Sal\u00fastio, Degli Dei e del mondo<\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Foi descrito que da uni\u00e3o de Urano (C\u00e9u) com a Terra (Gaia), teriam se originado      Cronos (Saturno) e I\u00e1peto. Cronos daria origem a Zeus (J\u00fapiter).<\/p>\n   \n<p><strong>Por sua vez I\u00e1peto se uniria a Cl\u00edmene, dando origem a linhagem dos      Tit\u00e3s: <\/strong>Men\u00e9cio, Atlas, Epimeteu e Prometeu. Epimeteu se uniria a      Pandora, Prometeu se uniria a Celeno (ou a Cl\u00edmene?), da primeira uni\u00e3o surgiu      Pirra, e da segunda, Deucali\u00e3o. Como veremos adiante, ap\u00f3s o &#8220;dil\u00favio&#8221;,      Pirra e Deucali\u00e3o se uniram dando origem a toda a humanidade atual. Verificamos      a iniciativa dos antigos gregos em descrever a genealogia de uma &#8220;fam\u00edlia&#8221;      divina.<\/p>\n   \n<p>A palavra grega para Prometeu teria parentesco, tamb\u00e9m com o s\u00e2nscrito, dando      a id\u00e9ia de pensar, premeditar, prevenir, relacionada ainda com a &#8220;produ\u00e7\u00e3o      do fogo por perfura\u00e7\u00e3o&#8221;. Prometeu em grego, significa na acep\u00e7\u00e3o do termo,      &#8220;pr\u00e9-pensador&#8221; e pode ser interpretado como aquele que pensa antes      de agir. Epimeteu \u00e9 o &#8220;p\u00f3s-pensador&#8221;, ou aquele que age antes de      pensar. Enquanto o primeiro calcula, delibera, buscando prever e domar o futuro,      Epimeteu se entrega ao impulso, desfruta, buscando tirar do momento tudo o      que ele oferece de melhor. Portanto, Prometeu e Epimeteu, primos de Zeus,      representam p\u00f3los extremos e sim\u00e9tricos da rela\u00e7\u00e3o entre o pensar e o agir.<\/p>\n   \n<p>Antes da cria\u00e7\u00e3o da terra, do mar e do c\u00e9u, todas as coisas tinham aspecto      de uma massa confusa e disforme denominada Caos. Posteriormente, as divindades      primitivas separaram a \u00e1gua da terra e o c\u00e9u de ambas. Mais adiante, criaram      as plantas e os animais. Mas era preciso um animal mais nobre, ent\u00e3o, as divindades      incumbiram os dois tit\u00e3s da tarefa de criar o homem. N\u00e3o se sabe se ele foi      criado a partir de mat\u00e9rias divinas ou da terra, recentemente separada do      c\u00e9u, e onde ainda restavam algumas sementes celestes. A criatura humana altamente      contradit\u00f3ria que resultou reflete a grandeza e as fraquezas peculiares a      cada um dos criadores.<\/p>\n   \n<p>Aparentemente, ao completar a tarefa, Prometeu troca de lado e se alia aos      mortais na luta contra a opress\u00e3o e a avareza dos deuses. Durante a cria\u00e7\u00e3o      dos animais e do homem, coube a Epimeteu, supervisionado por Prometeu, a tarefa      de providenciar os meios necess\u00e1rios para a sobreviv\u00eancia e o crescimento      deles.<\/p>\n   \n<p><strong>Epimeteu come\u00e7ou a distribuir as diversas qualidades aos v\u00e1rios animais:<\/strong>      coragem, for\u00e7a, velocidade, sagacidade; as asas a uns, garras a outros, uma      cobertura de concha a outros, etc. Quando chegou a vez do homem, Epimeteu      que fora liberal na distribui\u00e7\u00e3o das v\u00e1rias qualidades, nada mais tinha para      conceder. <\/p>\n   \n<p>Prometeu percebendo a situa\u00e7\u00e3o, com a ajuda de Minerva, subiu ao c\u00e9u, acendeu      sua tocha no carro do sol e trouxe o fogo \u00e0 terra para o homem. O fogo permitiu-lhe      fabricar armas, com as quais submeteu os outros animais; criar ferramentas,      com as quais cultivou a terra; aquecer a sua moradia, ficando de certo modo      independente do clima; e finalmente, promover as artes e cunhar moedas, com      as quais p\u00f4de comerciar.<\/p>\n   \n<p>Zeus n\u00e3o gostou da insubordina\u00e7\u00e3o de Prometeu e ordenou que se moldasse um      ser espl\u00eandido e irresist\u00edvel, Pandora, que poderia ser entendida como &#8220;todos      os encantos, todas as virtudes&#8221;. Zeus incumbiu Hermes, o mensageiro dos      deuses, para que, disfar\u00e7ado como um velho brincalh\u00e3o, conduzisse Pandora,      juntamente com um porta-j\u00f3ias, at\u00e9 a terra. A inten\u00e7\u00e3o era que ela seduzisse      Prometeu e oferecesse a ele uma caixa nupcial contendo as mais valiosas prendas      do Olimpo.<\/p>\n   \n<p>Prometeu, espertamente esquivou-se da oferta, al\u00e9m de alertar Epimeteu dizendo      que &#8220;nunca devemos aceitar um presente dos deuses&#8221;. Epimeteu cedeu      aos encantos e casou-se com Pandora. Em seguida, num ato intempestivo, talvez      de Pandora, ou de Epimeteu, a caixa nupcial foi aberta.<\/p>\n   \n<p><strong>Da caixa de Pandora emergiram toda forma de males e sofrimentos que      assolam a humanidade: <\/strong>a velhice, o trabalho, as doen\u00e7as, os v\u00edcios      e as paix\u00f5es. <\/p>\n   \n<p><strong>Ou, no dizer de Pandora:<\/strong> &#8220;Eu trago amor mas tamb\u00e9m      loucura e todo tipo de sofrimento&#8221;. H\u00e1 uma outra vers\u00e3o, na qual Pandora      foi enviada de boa f\u00e9 por Zeus, para aben\u00e7oar o homem. Nessa vers\u00e3o, os deuses      d\u00e3o-lhe a caixa, dentro da qual colocaram suas v\u00e1rias b\u00ean\u00e7\u00e3os. Pandora teria      aberto esta caixa sem o devido cuidado e todas as b\u00ean\u00e7\u00e3os escaparam, permanecendo      apenas a esperan\u00e7a. Essa hist\u00f3ria parece ser mais prov\u00e1vel que a anterior,      pois como poderia a esperan\u00e7a, j\u00f3ia t\u00e3o preciosa, ter sido guardada num recipiente      cheio de toda a sorte de males, como se diz na primeira vers\u00e3o?<\/p>\n   \n<p>Paralelamente, devemos recordar a rela\u00e7\u00e3o do mito de H\u00e9rcules com o de Prometeu.      Sabemos que H\u00e9rcules para se purificar de um crime foi incumbido de desenvolver      doze trabalhos, nos quais foi auxiliado e orientado por v\u00e1rios mestres, dentre      eles o centauro Ch\u00edron (ou Qu\u00edron) que habitava uma gruta. Por sua sabedoria,      intelig\u00eancia e virtude, Ch\u00edron diferenciava-se dos outros centauros e recebeu      de seu pai, Saturno, conhecimentos de medicina, magia, arte de adivinhar o      futuro, astronomia e m\u00fasica.<\/p>\n   \n<p>Um dos trabalhos de H\u00e9rcules foi destruir um monstro, que tinha o corpo aparentemente      feminino e deformado, apresentando m\u00faltiplas cabe\u00e7as semelhantes a serpentes      que aterrorizava a regi\u00e3o de Lerna, que fica pr\u00f3xima a Argos, a chamada Hidra      de Lerna. O her\u00f3i conseguiu venc\u00ea-la ao usar toda sua habilidade para decepar      as m\u00faltiplas cabe\u00e7as. H\u00e9rcules sabia que o sangue do monstro era extremamente      venenoso, assim, embebeu nele suas flechas, tornando-as mort\u00edferas para sempre.<\/p>\n   \n<p>Um personagem que freq\u00fcentemente agredia e amea\u00e7ava esse her\u00f3i era o centauro      Nessos. Certa vez, H\u00e9rcules encontrava-se no interior de uma gruta e percebeu      contra a luz da sa\u00edda da cavidade, um centauro. Rapidamente, ele se armou      com seu arco e lan\u00e7ou a flecha envenenada, achando que se tratava de Nessos.      Para seu espanto, era Ch\u00edron quem ali estava a sua procura. Embora com um      ferimento grav\u00edssimo na pata o centauro n\u00e3o morrera, j\u00e1 que era imortal, mas      estava sofrendo de dores lancinantes em uma les\u00e3o que n\u00e3o cicatrizava. Devido      ao sofrimento, Ch\u00edron solicitou a Plut\u00e3o que lhe fosse permitido abandonar      o reino dos vivos. O centauro foi alertado que esta passagem do reino dos      vivos para o dos mortos, somente seria permitida se encontrasse algu\u00e9m que      aceitasse e recebesse a sua imortalidade. H\u00e9rcules tratou de rumar ao C\u00e1ucaso,      onde matou a \u00e1guia e arrebentou as correntes libertando Prometeu que havia      aceito a troca proposta por Ch\u00edron. Desta forma, Prometeu retorna de seu castigo,      reconcilia-se com Zeus e volta para o Olimpo; mas j\u00e1 que Zeus afirmara que      o supl\u00edcio duraria milhares de anos e que um deus n\u00e3o deve mentir, excogitou-se      um subterf\u00fagio. De um dos elos da cadeia que agrilhoava o Tit\u00e3 se fez um anel,      no qual se introduziu um pedacinho do rochedo; desse modo, Prometeu continuava,      simbolicamente, sempre preso ao C\u00e1ucaso.<\/p>\n   \n<h4>O Dil\u00favio<\/h4>\n   \n<p>A humanidade anteriormente criada, passou por v\u00e1rias fases, a primeira chamada      Idade \u00c1urea, era da inoc\u00eancia e da felicidade, seguida da Idade de Prata,      inferior a anterior, embora melhor que a de Bronze, que deu ao homem um temperamento      mais violento, obrigando-o a recorrer \u00e0s armas. A pior e mais dura foi a Idade      do Ferro, \u00e9poca que os crimes aumentaram e a mod\u00e9stia, a verdade e a honra      desapareceram.<\/p>\n   \n<p>Zeus, vendo o estado das coisas na terra, encheu-se de ira e convocou os      deuses para um conc\u00edlio. A estrada onde est\u00e3o os pal\u00e1cios dos deuses, percorrida      por eles at\u00e9 o pal\u00e1cio do c\u00e9u pode ser vista at\u00e9 hoje como a Via L\u00e1ctea. Quando      os deuses estavam reunidos, Zeus descreveu-lhes os acontecimentos e terminou      dizendo que era sua inten\u00e7\u00e3o destruir a popula\u00e7\u00e3o inteira e criar uma nova      ra\u00e7a terrestre diferente da primeira, que fosse mais digna de viver e mais      devota dos deuses.<\/p>\n   \n<p>Ao terminar o discurso, pegou um raio e preparou-se para lan\u00e7\u00e1-lo contra      a terra, a fim de destru\u00ed-la por meio do fogo. Mas foi alertado, a tempo pelos      deuses, que uma conflagra\u00e7\u00e3o dessa poderia incendiar o pr\u00f3prio c\u00e9u e o Olimpo.      Ent\u00e3o ele mudou de id\u00e9ia e resolveu afog\u00e1-la com um grande dil\u00favio.<\/p>\n   \n<p>Desta cat\u00e1strofe, que encobriu todas as montanhas, somente o Parnaso ficou      mais alto que as \u00e1guas, onde se refugiaram apenas Pirra e Deucali\u00e3o. Ele,      um homem justo e ela, uma devota fiel dos deuses. Com o abaixamento do n\u00edvel      das \u00e1guas e o reaparecimento da terra, cabe a este casal o repovoamento da      terra. <\/p>\n   \n<p><strong>Eles consultaram um or\u00e1culo em um templo ainda cheio de lodo e receberam      como resposta: <\/strong>&#8220;- Sa\u00ed do templo com as cabe\u00e7as cobertas e as      vestimentas soltas, e atirai para tr\u00e1s de v\u00f3s os ossos de vossa m\u00e3e&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Depois de muita reflex\u00e3o, eles entenderam que a terra \u00e9 a grande m\u00e3e e as      pedras s\u00e3o seus ossos.<\/p>\n   \n<p>Dessa forma, obedeceram lan\u00e7ando pedras para tr\u00e1s por sobre as cabe\u00e7as. Quando      as pedras ca\u00edam, come\u00e7avam a amolecer e aos poucos tomavam uma apar\u00eancia tosca      humana. Aos poucos, como se estivessem na m\u00e3o de um escultor, as pedras lan\u00e7adas      pela m\u00e3o de Pirra transformavam-se em mulheres, enquanto que as lan\u00e7adas por      Deucali\u00e3o, em homens.<\/p>\n   \n<p>Prometeu desafia os deuses e quer ultrapass\u00e1-los. Amarrado ao pilar da necessidade,      ele encontra al\u00edvio no sono, mas segue aterrado por ansiedades e pensamentos      c\u00e9leres como a \u00e1guia, que ferem e dilaceram o seu esp\u00edrito desperto e fazem      do seu corpo uma fonte de tormento.<\/p>\n   \n<p>Epimeteu \u00e9 o servo inconseq\u00fcente dos impulsos e que o arrastam pela vida.      Jovial, extrovertido e como que embriagado dos sonhos generosos e esperan\u00e7as      que alimenta, ele trope\u00e7a pela exist\u00eancia em meio a apuros e prazeres ef\u00eameros.      Toda op\u00e7\u00e3o tem custos. O conflito entre Prometeu e Epimeteu \u00e9 de todas as      \u00e9pocas e povoa cada peito humano. Na f\u00e1bula dos dois irm\u00e3os mitol\u00f3gicos, est\u00e1      a lenda de todo um povo que aspira aos poderes e confortos da racionalidade      de Prometeu, mas se nega obstinadamente a abrir m\u00e3o dos gozos e del\u00edcias da      imprevid\u00eancia de Epimeteu.<\/p>\n   \n<p>A li\u00e7\u00e3o do mito de Prometeu, \u00e9 que podemos transcender as nossas limita\u00e7\u00f5es,      desde que isso n\u00e3o seja um gesto gratuito. Perdemos alguma coisa e, \u00e0s vezes,      \u00e9 a que mais queremos. No caso de Prometeu, perdeu a liberdade, a integridade      f\u00edsica, seu contato com os humanos. Por\u00e9m o que ganhou no final, depois de      suportar o castigo de Zeus, foi a integra\u00e7\u00e3o com o coletivo, seu sacrif\u00edcio      sublimou a sua exist\u00eancia e ele superou o est\u00e1gio do ego\u00edsmo da individualidade.      Atrav\u00e9s desse sofrimento pessoal alcan\u00e7ou a imortalidade. <\/p>\n   \n<p><strong>Sua dor n\u00e3o foi v\u00e3: <\/strong>a humanidade sobreviveu gra\u00e7as a seu      gesto her\u00f3ico de roubar o fogo do c\u00e9u.<\/p>\n   \n<h4>O Mito ma Astrologia<\/h4>\n   \n<p>Estamos na Idade do Bronze. <\/p>\n   \n<p><strong>Muita coisa estava acontecendo: <\/strong>guerras, injusti\u00e7as e toda      sorte de crimes comuns e hediondos. A vida humana era considerada miser\u00e1vel      e dolorosa de ser vivida. Zeus ent\u00e3o resolveu acabar com tudo julgando que      nenhum homem era merecedor da prote\u00e7\u00e3o de quaisquer dos deuses do Olimpo.<\/p>\n   \n<p>Pensando assim, Zeus determinou que se fizesse o dil\u00favio. Sabendo do que      estava para acontecer, Prometeu avisou a seu filho Deucali\u00e3o e o orientou      para construir uma grande arca. Nela seriam colocadas a esposa, os familiares      e as provis\u00f5es necess\u00e1rias. Choveu intensamente durante nove dias e nove noites.      O planeta todo transbordava em \u00e1gua e a arca de Deucali\u00e3o foi at\u00e9 o Monte      Parnaso, um dos locais n\u00e3o invadido pelas \u00e1guas. Desembarcaram em terra firme      e imediatamente ofereceram um sacrif\u00edcio a Zeus em agradecimento por suas      vidas, aparentemente as \u00fanicas que restaram no planeta Terra. Por\u00e9m a medida      que as \u00e1guas foram descendo, o casal entristecido via animais e pessoas mortas.      Desesperados, pediram a Zeus que a ra\u00e7a humana fosse reconstitu\u00edda.<\/p>\n   \n<p>Assim, foram orientados a jogarem pedras para tr\u00e1s. A Terra foi ent\u00e3o repovoada,      por\u00e9m pouco depois o homem voltou a apresentar os mesmos padr\u00f5es de comportamento      e nunca mais houve paz.<\/p>\n   \n<p>Prometeu, como aquariano, faz a escolha pelo grupo com o qual se identifica.      Como signo fixo, os aquarianos se preocupam profundamente com a lealdade,      a fidelidade, a confian\u00e7a. Neste signo encontra-se o arqu\u00e9tipo da amizade,      portanto eles se identificam com o grupo que partilha seus ideais e nem sempre      com sua fam\u00edlia de sangue. Sua op\u00e7\u00e3o \u00e9 pelos amigos e pela \u0093tribo\u0094      que compartilhe suas id\u00e9ias sobre a vida e sua vis\u00e3o a respeito do mundo.<\/p>\n   \n<p>A lenda de Prometeu \u00e9 a que melhor representa o padr\u00e3o m\u00edtico do Aqu\u00e1rio.      Sendo o grande \u0093trabalhador social c\u00f3smico\u0094, rouba o fogo sagrado      para do\u00e1-lo \u00e0 humanidade, para que todos tenham acesso a seus benef\u00edcios,      mesmo tendo que pagar um alto pre\u00e7o por sua ousadia. O aquariano usa sua rebeldia      em obras que favorecem a coletividade. Isto, muitas vezes, \u00e9 encarado como      sua miss\u00e3o na Terra.<\/p>\n   \n<p>Prometeu pode ser considerado um her\u00f3i porque trouxe o fogo divino aos homens.      Por\u00e9m, do ponto de vista dos deuses, ele cometeu uma transgress\u00e3o, pela qual      foi severamente punido. Primeiro, com a caixa de Pandora, que traz a consci\u00eancia      da limitada condi\u00e7\u00e3o humana, e depois com o castigo do C\u00e1ucaso.<strong> <\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Essa situa\u00e7\u00e3o chama a aten\u00e7\u00e3o:<\/strong> o senso de pecado que surge      quando se faz qualquer esfor\u00e7o no sentido da realiza\u00e7\u00e3o individual. O isolamento      de seus semelhantes \u00e9 um paradoxo para a mente social do aquariano. <\/p>\n   \n<p><strong>N\u00e3o por acaso, todos os campos de atividades consideradas, classicamente,      aquarianas: <\/strong>a ci\u00eancia, inven\u00e7\u00e3o, assist\u00eancia social, psicologia e      mesmo a astrologia, s\u00e3o mescladas pela solid\u00e3o. Embora todo o trabalho seja      feito para os outros, o profissional dessas \u00e1reas costuma ser, essencialmente,      solit\u00e1rio. \u00c9 como se precisasse desse tipo de tarefa, de promo\u00e7\u00e3o social e      humana, para poder aliviar um pouco dessa intensa falta de compreens\u00e3o, por      se sentir um ser de outra dimens\u00e3o.<\/p>\n   \n<p>vanguarda, nem sempre as pessoas conseguem compreender e nem assimilar a      mensagem que ele traz. Radical, original, intempestivo, se fixa em id\u00e9ias      ou em uma ideologia, gostam de olhar o c\u00e9u e contemplar o firmamento, s\u00e3o      ut\u00f3picos e podem apresentar grande dificuldade em lidar com a rotina do dia-a-dia,      devem aprender a contemporizar, suas vidas est\u00e3o sempre se remodelando e estruturas      obsoletas s\u00e3o substitu\u00eddas pelas novas, normalmente repudiam o animalesco,      o primitivo, tem grande instinto civilizador num sentido greg\u00e1rio pois os      aquarianos sentem-se confort\u00e1veis na cria\u00e7\u00e3o de grupos. Por\u00e9m, apesar de estar      sempre voltado para a comunidade, para os grupos, \u00e9 extremamente individualista.      Muitas vezes s\u00e3o subtra\u00eddos de seus cargos ou do seio de uma comunidade em      que representam um papel importante, mas \u00e9 porque lhes est\u00e1 destinada uma      nova fun\u00e7\u00e3o, com novas oportunidades, novos caminhos. Seus atos extremos,      que muitas vezes, lhes d\u00e3o a sua fama de ex\u00f3tico, na verdade s\u00e3o apenas tentativas      de compartilhar as sementes do fogo, para que todos tenham acesso \u00e0 sabedoria.<\/p>\n   \n<p>Como det\u00e9m em si a mudan\u00e7a do status-quo, s\u00e3o tidos como rebeldes, revolucion\u00e1rios      e anarquistas. Muitos inventores e artistas est\u00e3o em grande n\u00famero entre os      aquarianos. Rompem fronteiras, n\u00e3o aceitam limites, buscam a verdade, s\u00e3o      cient\u00edficos e intelectuais. Tem muitas vezes uma criatividade compulsiva.      Preocupam-se com a fidelidade, lealdade e confian\u00e7a. A amizade lhes \u00e9 importante      pois \u00e9 com os amigos que compartilham suas id\u00e9ias. As vezes, os aquarianos      tem a sensa\u00e7\u00e3o de n\u00e3o pertencerem ao planeta terra ou a esta dimens\u00e3o. Acham      que tem uma miss\u00e3o mas nem sempre tem consci\u00eancia de qual seja, s\u00e3o extremamente      apegados a liberdade e defendem com tenacidade suas id\u00e9ias.<\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.sca.org.br<\/p>\n   \n<h6>Hes\u00edodo<\/h6>\n   \n<h4>O mito de Prometeu e Epimeteu segundo \u00c9squilo, Hes\u00edodo e Plat\u00e3o<\/h4>\n   \n<p><strong>1. Hes\u00edodo e \u00c9squilo<\/strong><\/p>\n   \n<p>O mito de Prometeu \u00e9 descrito na literatura cl\u00e1ssica principalmente em <strong>Hes\u00edodo<\/strong>.      Aparece nas duas obras do poeta, <i>Teogonia<\/i> e <i>Os trabalhos e os Dias<\/i>,      sendo que na segunda ele\u00a0 \u00e9 recontado e complementado. Afora <strong>Hes\u00edodo<\/strong>,      outra obra importante, a trag\u00e9dia <i>Prometeu Acorrentado<\/i>, \u00e9 dedicada      a ele. Por\u00e9m nesta trag\u00e9dia o mito n\u00e3o est\u00e1 completo, pois come\u00e7a no instante      em que Hefesto e Cratos castigam o tit\u00e3, a mando de Zeus pai. Prometeu, em      diversas partes da trag\u00e9dia, se refere aos motivos que o levaram a ser acorrentado.      A trag\u00e9dia fazia parte de uma trilogia sobre Prometeu, mas as outras duas      partes se perderam. <\/p>\n   \n<p>Como explica Junito de Souza Brand\u00e3o, o nome Prometeu, segundo a etimologia      popular, teria vindo da conjun\u00e7\u00e3o das palavras gregas <i>pr\u00f3 <\/i>(antes) e      <i>manth\u00e1nein <\/i>(saber, ver). Ou seja, Prometeu equivaleria a prudente ou      previdente. Embora, como afirma \u00c9squilo, Prometeu n\u00e3o supusesse o teor do      castigo de Zeus ao desafi\u00e1-lo, ainda assim lhe \u00e9 atribu\u00eddo um car\u00e1ter oracular,      por ter proferido um vatic\u00ednio sobre a queda de Zeus, o governador. Alguns      outros mit\u00f3grafos atribuem a teoria desta previs\u00e3o a T\u00eamis. A profecia diz      que o filho da nereida T\u00e9tis e de Zeus destronaria o pai. Por causa disso,      Zeus desiste de seduzir a nereida e se apressa a lhe dar um esposo mortal,      que acabou sendo Peleu. Este cuidado de Zeus tamb\u00e9m se verifica quando ele      engole a m\u00e3e de Atena, M\u00e9tis (sabedoria, ast\u00facia) \u0096 sua primeira esposa      -, para que n\u00e3o nascesse dela um segundo filho mais poderoso que o pai. Zeus      engole M\u00e9tis ainda gr\u00e1vida, e Atena, deusa da sabedoria, nasce da cabe\u00e7a do      pai. <\/p>\n   \n<p>Prometeu, que parece detestar Zeus &#8211;\u00a0 como se observa na trag\u00e9dia esquiliana      pelo desprezo a seu mensageiro Hermes ou quando critica a arrog\u00e2ncia de Zeus      e diz abominar os demais deuses \u0096 era filho do tit\u00e3\u00a0 J\u00e1peto e da      oce\u00e2nide Cl\u00edmene. Apenas em \u00c9squilo a m\u00e3e de Prometeu \u00e9 T\u00eamis, a deusa da      justi\u00e7a. Tinha como irm\u00e3os Atlas, Men\u00e9cio e Epimeteu, sendo que todos eles      foram castigados por Zeus. J\u00e1peto era irm\u00e3o de Crono (Prometeu era, portanto,      primo de Zeus)\u00a0 e de Oceano, que em \u00c9squilo sai do seu reino e avan\u00e7a      sobre a Terra para tentar dissuadir o sobrinho Prometeu de sua revolta e dizer      a ele que intercederia junto a Zeus, uma prova ferrenha de sua amizade. <\/p>\n   \n<p>Nos versos 510 a 516 da Teogonia, est\u00e1 contada a hist\u00f3ria de Prometeu segundo      <strong>Hes\u00edodo<\/strong>. Consta ali\u00a0 que a primeira falta de Prometeu      para com Zeus em favor dos homens foi quando dividiu um boi em duas partes,      uma cabendo a Zeus e outra aos mortais. Na primeira estavam as carnes e as      v\u00edsceras, cobertas com o couro. Na segunda, apenas ossos, cobertos com a banha      do animal. <\/p>\n   \n<p>Zeus, atra\u00eddo pela banha, escolhe a segunda, e ent\u00e3o a raiva, o rancor, e      a c\u00f3lera lhe subiram-lhe a cabe\u00e7a e ao cora\u00e7\u00e3o. Por conta disso, Zeus castiga      os homens, negando a eles a for\u00e7a do fogo infatig\u00e1vel. O fogo representa simbolicamente      a intelig\u00eancia do homem. A afronta definitiva de Prometeu, por\u00e9m, ocorre quando      este rouba \u0093o brilho longevis\u00edvel do infatig\u00e1vel fogo em oca F\u00e9rula\u0094      (<i>Teogonia<\/i>, 566). Com isto, Prometeu reanimou a intelig\u00eancia do homem,      que antes era semelhante aos fantasmas dos sonhos. A fala de Prometeu na trag\u00e9dia      de \u00c9squilo remete para ele a d\u00edvida dos mortais por terem a habilidade de,      por exemplo, construir casas de tijolos e madeira. Os mortais, diz o tit\u00e3,      tudo faziam sem tino at\u00e9 que este lhes ensinasse \u0093as intricadas sa\u00eddas      e portas dos astros. Por elas inventei os n\u00fameros (\u0085) a composi\u00e7\u00e3o das      letras e a mem\u00f3ria (\u0085), matriz universal.\u0094 Prometeu diz, enfim,      que os homens devem a ele todas as artes, inclusive a de domesticar animais      selvagens e faz\u00ea-los trabalhar para os homens. <\/p>\n   \n<p><strong>Por conta dos mortais terem o fogo, Zeus armou uma armadilha: <\/strong>mandou      o filho de Hera, o deus coxo e ferreiro Hefesto,\u00a0 plasmar uma mulher      ideal, fascinante, ao qual os deuses presentearam com alguns atributos de      forma a torn\u00e1-la irresist\u00edvel. Esta mulher foi batizada por Hermes como Pandora,\u00a0      (<i>pan<\/i> = todos, <i>dora <\/i>= presente) e ela recebeu de Atena a arte      da tecelagem, de Afrodite o poder de sedu\u00e7\u00e3o, de Hermes as artimanhas e assim      por diante. Pandora foi dada de presente para o atrapalhado Epimeteu, que      ingenuamente a aceitou, a despeito da advert\u00eancia de seu irm\u00e3o Prometeu. A      vingan\u00e7a planejada por Zeus estava contida numa jarra, que foi levada como      presente de n\u00fapcias para Epimeteu e Pandora. Quando esta, por curiosidade      feminina, abriu a jarra e rapidamente a fechou, escaparam todas as desgra\u00e7as      e calamidades da humanidade, restando na jarra apenas a esperan\u00e7a. <\/p>\n   \n<p>Quanto a Prometeu, foi castigado sendo preso pelas inquebr\u00e1veis correntes      de Hefesto no meio de uma coluna, e uma \u00e1guia de longas asas enviada por Zeus      comia-lhe o f\u00edgado imortal. Ao cabo do dia, chegava a negra noite por Prometeu      ansiada, e seu f\u00edgado tornava a crescer. Teria sido assim eternamente se n\u00e3o      fosse por interven\u00e7\u00e3o de Her\u00e1cles, que matou a \u00e1guia como consentimento de      Zeus. <\/p>\n   \n<p>2 &#8211;<b> O mito de Prometeu e Epimeteu segundo Plat\u00e3o<\/b><\/p>\n   \n<p>Este \u00e9 o resumo do mito tal como \u00e9 contado por <strong>Hes\u00edodo<\/strong>,      com complementos de \u00c9squilo, tragedi\u00f3grafo significativamente posterior a      <strong>Hes\u00edodo<\/strong>, mas contempor\u00e2neo de Plat\u00e3o. No <i>Prot\u00e1goras<\/i>      de Plat\u00e3o, todas as criaturas vivas aparecem como obra de v\u00e1rios deuses, que      as plasmaram inicialmente com terra, limo e fogo. A palavra latina homem est\u00e1      ligada a <i>humus<\/i> (terra) e os gregos acreditavam que uma centelha divina      de imortalidade percorria toda a Terra. S\u00e3o os outros deuses que incubem Prometeu      e Epimeteu de dar aos seres as qualidades necess\u00e1rias para se sustentarem      quando viessem \u00e0 luz. Epimeteu, por ser atrapalhado, torna-se um reversor      dos benef\u00edcios de Prometeu aos homens, tanto em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> quanto      em Plat\u00e3o. Prot\u00e1goras continua a narrativa dizendo que Epimeteu pediu a seu      irm\u00e3o para que deixasse por sua conta a distribui\u00e7\u00e3o das qualidades aos seres      criados, cabendo a Prometeu apenas uma revis\u00e3o final. <\/p>\n   \n<p><strong>Come\u00e7a ent\u00e3o a divis\u00e3o compensat\u00f3ria de Epimeteu:<\/strong> a alguns      d\u00e1 for\u00e7a sem velocidade, a outros d\u00e1 apenas velocidade. Tendo em vista o que      conhecemos dos animais hoje, sabemos que \u00e9 perfeitamente poss\u00edvel um animal      ter for\u00e7a e velocidade ao mesmo tempo, como no caso de uma leoa ou guepardo.    <\/p>\n   \n<p>Para algumas criaturas, Epimeteu deu armas. Aos\u00a0 que n\u00e3o a tinham, achou      diferentes solu\u00e7\u00f5es, como asas para fugir aos pequenos e tamanho a outros.      \u00c9 certo que asas s\u00e3o um meio de transporte ideal para as fugas, mas tamb\u00e9m      o s\u00e3o para a ca\u00e7a, como comprovam as aves rapinaces predadoras. As qualidades      foram assim distribu\u00eddas para que houvesse um equil\u00edbrio, e n\u00e3o viessem as      esp\u00e9cies destruir umas \u00e0s outras. Depois Epimeteu prov\u00ea os seres com o necess\u00e1rio      para sobreviverem no frio, os p\u00ealos.<\/p>\n   \n<p><strong>Por \u00faltimo determinou o que cada um deveria comer, de acordo com      a sua constitui\u00e7\u00e3o: <\/strong>ervas, frutos, ra\u00edzes e carne. Os que comiam      carne, de acordo com o mito, se reproduziriam menos do que os herb\u00edvoros.      Hoje sabemos que o n\u00famero de filhotes faz parte de duas estrat\u00e9gias de perpetua\u00e7\u00e3o      de esp\u00e9cie que independem do h\u00e1bito alimentar. Na primeira, as m\u00e3es t\u00eam filhotes      em grande n\u00famero, sendo que poucos chegar\u00e3o na vida adulta. Na segunda, a      m\u00e3e tem poucos filhotes, e se esfor\u00e7a para que todos atinjam a idade da reprodu\u00e7\u00e3o.      Um elefante herb\u00edvoro, por exemplo, tem apenas um filhote por vez, ao passo      que uma armadeira predadora tem v\u00e1rios. <\/p>\n   \n<p><strong>Epimeteu, por n\u00e3o refletir, termina a sua distribui\u00e7\u00e3o\u00a0 das      qualidades, mas deixa de lado um ser:<\/strong> o homem. O que sobrou para      o homem? Nada, permanecera nu e sem defesa. Estava se aproximando a hora determinada      para que o homem chegasse \u00e0 luz e Prometeu aparece para fazer sua parte. N\u00e3o      encontrando outra solu\u00e7\u00e3o, Prometeu \u00e9 obrigado a roubar o fogo de Hefesto      e a sabedoria de Atena, deusa de olhos verde-mar. De posse dessas duas qualidades,      o homem estava apto a trabalhar o fogo nas suas diversas utilidades, e assim      garantir a sobreviv\u00eancia. <\/p>\n   \n<p><strong>Por\u00e9m, a qualidade necess\u00e1ria para os homens se relacionarem entre      si se encontrava nas m\u00e3os de Zeus:<\/strong> a pol\u00edtica. E era proibido a Prometeu      penetrar na Acr\u00f3pole de Zeus, vigiada por tem\u00edveis sentinelas. <\/p>\n   \n<p>Prot\u00e1goras termina o mito dizendo\u00a0 que consta ter sido Prometeu morto      por este crime, o que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, pois Prometeu era imortal. As diferen\u00e7as      entre as narrativas de Plat\u00e3o e <strong>Hes\u00edodo<\/strong> s\u00e3o mais vis\u00edveis      que as semelhan\u00e7as. Por exemplo, em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> o trabalho \u00e9      um castigo do Cr\u00f4nida aos mortais, o mito plat\u00f4nico nos leva a crer que o      trabalho \u00e9 uma d\u00e1diva. O nascimentos dos mortais em <strong>Hes\u00edodo<\/strong>      \u00e9 bem anterior a Plat\u00e3o, se tomarmos como refer\u00eancia o roubo do fogo, que      em <strong>Hes\u00edodo<\/strong> se d\u00e1 depois do nascimentos dos homens. Em \u00c9squilo,      o homem vive por s\u00e9culos sem conseguir a aptid\u00e3o necess\u00e1ria, antes de receber      o fogo como presente. Isto representa a dificuldade de sobreviv\u00eancia do homem      nas eras primitivas, ou a mis\u00e9ria do homem na Idade do ferro, como afirma      Junito Brand\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Em Plat\u00e3o o homem j\u00e1 obt\u00e9m a capacidade de trabalhar o fogo desde a sua cria\u00e7\u00e3o.      A mis\u00e9ria em Plat\u00e3o consiste na falta da arte pol\u00edtica, indispens\u00e1vel para      a fortifica\u00e7\u00e3o dos homens em cidades e a institui\u00e7\u00e3o de um governo virtuoso      baseado na justi\u00e7a. <\/p>\n   \n<p>Diz Plat\u00e3o que n\u00e3o demorou aos homens usarem a sabedoria herdada de Atena      para desenvolverem uma linguagem, construir casas e roupas e procurar alimentos.      Por\u00e9m, n\u00e3o tendo pol\u00edtica, n\u00e3o conseguia vencer as feras nem guerrear, pois      n\u00e3o tinham a arte militar, parte da pol\u00edtica. E, ao tentar se reunirem em      grupo, a anarquia reinante fazia de todos inimigos e v\u00edtimas de querelas militares.      Os homens ent\u00e3o passaram a se destruir, v\u00edtimas das feras e deles pr\u00f3prios.    <\/p>\n   \n<p>Zeus, preocupado com o iminente desaparecimento dos homens, mandou seu filho      e mensageiro Hermes distribuir pudor e justi\u00e7a, para que pudessem se relacionar      e subsistir. O pudor e a justi\u00e7a deveriam, ao contr\u00e1rio das demais artes,      serem distribu\u00eddos igualmente a todos os homens, e aqueles que n\u00e3o a tivessem      deveriam morrer, por estarem contra o princ\u00edpio unificador da sociedade. <\/p>\n   \n<p>Prot\u00e1goras exibe o seu modo de ver do mito de Prometeu \u0096 o qual fiz      um resumo, para responder a quest\u00e3o de S\u00f3crates sobre a virtude, se ela pode      ou n\u00e3o ser ensinada. S\u00f3crates, neste di\u00e1logo, fora levado por Hip\u00f3crates na      casa de C\u00e1lias, o belo. Hip\u00f3crates queria desfrutar dos ensinamentos do famoso      Prot\u00e1goras, usando a influ\u00eancia de S\u00f3crates. Prot\u00e1goras, estrangeiro em Atenas      por ser de Abdera, prometia, em troca de dinheiro, tornar o jovem mais s\u00e1bio      e com a alma mais rica. Prot\u00e1goras, como sofista, exercia uma esp\u00e9cie de ensino      superior, no qual os jovens bem nascidos de casas abastadas despontavam para      exercer atividades de lideran\u00e7a na p\u00f3lis.\u00a0 <\/p>\n   \n<p><strong>Prot\u00e1goras generaliza a atividade do sofista, enxerga\u00a0 como      sofistas figuras diversas:<\/strong> Hes\u00edodo, Homero, Sim\u00f4nides, Orfeu, P\u00edtocles      e outros (<i>Prot\u00e1goras<\/i>, 316d). <\/p>\n   \n<p>Ao mesmo tempo se distancia dos outros sofistas contempor\u00e2neos \u0096 como      H\u00edpias \u0096 ao dizer que n\u00e3o ensinar\u00e1 aos jovens as artes da astronomia,      geometria, m\u00fasica e c\u00e1lculo. (<i>Prot\u00e1goras<\/i>, 319 a) O jovem aprendiz,      ao iniciar seus estudos superiores, \u00e9 reconduzido a estas artes, que j\u00e1 estudou.    <\/p>\n   \n<p><strong>No m\u00e9todo de Prot\u00e1goras, o aprendiz \u00e9 levado diretamente ao assunto      que o interessava quando procurou o mestre:<\/strong> a prud\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es      familiares que o deixar\u00e1 mais apto para os assuntos da cidade. <\/p>\n   \n<p>Bem administrar a casa (economia), e o Estado (pol\u00edtica), resumiam a virtude      pol\u00edtica, objeto dos ensinamentos dos sofistas. Para isso o jovem era treinado      a falar bem sobre qualquer assunto, e Prot\u00e1goras, como mestre e grande ret\u00f3rico,      orgulha-se disto. S\u00f3crates, pelo contr\u00e1rio, admite sua inaptid\u00e3o nos debates      constitu\u00eddos de longos per\u00edodos, preferindo ao inv\u00e9s destes a investiga\u00e7\u00e3o      em falas curtas. Por duas vezes amea\u00e7a interromper o embate com Prot\u00e1goras      se o mesmo n\u00e3o concordar com seus termos. Num dado momento do di\u00e1logo, os      ouvintes intercedem, e na parte final as falas de S\u00f3crates constituem longos      per\u00edodos, enquanto Prot\u00e1goras apenas d\u00e1 respostas curtas. Mas esta n\u00e3o \u00e9 a      \u00fanica troca de pap\u00e9is, como veremos. <\/p>\n   \n<p>S\u00f3crates apresentara a Prot\u00e1goras, como principal obje\u00e7\u00e3o \u00e0 impossibilidade      do ensino da virtude o fato de homens virtuosos, como P\u00e9ricles, n\u00e3o terem      tido filhos virtuosos. Como ficaria o mito de Prot\u00e1goras ent\u00e3o, se ele diz      que a virtude \u00e9 necess\u00e1ria e comum a todos?\u00a0 Prot\u00e1goras n\u00e3o pretendia      o seu mito verdadeiro, ele \u00e9 um instrumento escolhido, dentre outros, para      expor a sua teoria. Para Prot\u00e1goras todos os homens s\u00e3o capazes de alcan\u00e7ar      a virtude, mas somente pelo estudo e aplica\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m puniria as pessoas      que tem algum defeito sem ter culpa \u0096 como a fei\u00fara ou a baixa estatura      \u0096 , mas algu\u00e9m que se apresenta injusto \u00e9 punido. Para ser justo, o cidad\u00e3o      grego era ensinado desde pequeno a ser racional e a caminhar para a virtude,      pelos pais, que procuram a cada ato demonstrar as virtudes como justi\u00e7a, temperan\u00e7a      e santidade. Na forma\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as, tamb\u00e9m \u00e9 usado o exemplo de her\u00f3is      virtuosos do passado, cantado em poemas como os de Homero. Se a crian\u00e7a aprende,      tudo o bem, sen\u00e3o, ela \u00e9 levada a se corrigir atrav\u00e9s da amea\u00e7a\u00a0 de castigos      violentos. Isto \u00e9 explicado por Prot\u00e1goras com o exemplo dos tocadores de      flauta. <\/p>\n   \n<p><strong>A virtude \u00e9 generalizada, imaginemos que tocar flauta tamb\u00e9m o fosse:      <\/strong>\u00e9 de se esperar que os filhos dos melhores tocadores de flauta fossem      melhores tamb\u00e9m? N\u00e3o necessariamente. Todos saberiam tocar flauta minimamente,      mas os grandes talentos nasceriam em fam\u00edlias diferentes. <\/p>\n   \n<p><strong>Fica assim respondida a quest\u00e3o de S\u00f3crates, que ficou muito impressionado      com a sabedoria de Prot\u00e1goras:<\/strong> todos teriam virtude em pot\u00eancia,      mas somente os mais aplicados a consegueriam. <\/p>\n   \n<p><strong>S\u00f3crates se refere a Prot\u00e1goras com o seu maior elogio a algu\u00e9m:<\/strong>      \u0093o homem mais s\u00e1bio de nosso tempo\u0094. \u00c9 neste di\u00e1logo tamb\u00e9m que      o oponente de S\u00f3crates apresenta obje\u00e7\u00f5es mais s\u00f3lidas, em outros di\u00e1logos      os interlocutores geralmente se limitam a concordar. <\/p>\n   \n<p><strong>A resposta agradou a S\u00f3crates, mas ainda resta uma dificuldade pendente:      <\/strong>a defini\u00e7\u00e3o de virtude. Esta dificuldade ir\u00e1 permanecer at\u00e9 o fim      do di\u00e1logo, e ela tamb\u00e9m se encontra em <i>M\u00eanon<\/i>. <\/p>\n   \n<p><strong>S\u00f3crates chegar\u00e1 a cinco exemplos claros de virtude \u0096 o que      ser\u00e1 aceito por Prot\u00e1goras-; que s\u00e3o:<\/strong> a sabedoria. a temperan\u00e7a,      a coragem, a justi\u00e7a e a santidade (394 a); e a uma defini\u00e7\u00e3o: a virtude \u00e9      o conhecimento.\u00a0 O problema \u00e9 saber se cada uma destas partes da virtude      s\u00e3o semelhantes entre si e a virtude \u00e9 Una, ou se cada uma das cinco partes      \u00e9 diferente. sendo virtude ao seu modo. <\/p>\n   \n<p>Todo encadeamento do di\u00e1logo M\u00eanon parte da recusa de S\u00f3crates em aceitar      a defini\u00e7\u00e3o de virtude como virtude pol\u00edtica, dada pelos sofistas. Para S\u00f3crates,      a virtude \u00e9 \u00fanica, e tem um car\u00e1ter geral em virtude do qual as virtudes s\u00e3o      virtudes. O efeito-tremelga socr\u00e1tico levar\u00e1 M\u00eanon a reformular v\u00e1rias vezes      sua defini\u00e7\u00e3o de virtude. S\u00f3crates procura distinguir se a virtude \u00e9 uma ci\u00eancia,      para saber ent\u00e3o se ela pode ser ensinada. Recusa a opini\u00e3o de M\u00eanon, de ser      a virtude procurar o bem com justi\u00e7a, pois a justi\u00e7a \u00e9 s\u00f3 parte da virtude.      Para S\u00f3crates, a virtude para ser \u00fatil e boa deve ser exercida com a raz\u00e3o,      o bom-senso. <\/p>\n   \n<p>Coragem sem racioc\u00ednio n\u00e3o passa de aud\u00e1cia, assim como a temperan\u00e7a n\u00e3o      vale muito sem reflex\u00e3o. A virtude, como qualidade \u00fatil\u00a0 da alma,\u00a0      \u00e9 ent\u00e3o definida como a raz\u00e3o, no seu todo ou em parte. ( M\u00eanon, 89). Mas      S\u00f3crates e M\u00eanon verificam que os mestres da virtude n\u00e3o concordam entre si,      pois ora dizem\u00a0 que a virtude \u00e9 ensin\u00e1vel, ora n\u00e3o. <\/p>\n   \n<p>Como S\u00f3crates demonstrou com o escravo, no epis\u00f3dio dos quadrados, a reminisc\u00eancia      oferece a base racional\u00a0 para transformar as opini\u00f5es certas em ci\u00eancia      atrav\u00e9s do encadeamento de umas com as outras por um racioc\u00ednio de causalidade.      (<i>M\u00eanon, <\/i>98) Como s\u00f3 o que \u00e9 ensin\u00e1vel \u00e9 ci\u00eancia, e a virtude n\u00e3o \u00e9      ensin\u00e1vel ( para S\u00f3crates ela \u00e9 privil\u00e9gio de poucos ), ela n\u00e3o \u00e9 ci\u00eancia.      Por\u00e9m, ela nos guia retamente, ent\u00e3o ela \u00e9 posta como opini\u00e3o certa, que d\u00e1      o mesmo resultado da ci\u00eancia. Os virtuosos acertam sem saber, por isso devem      ser chamados de divinos. Os pol\u00edticos n\u00e3o conseguem formar outros iguais a      eles.\u00a0 A virtude, portanto, \u00e9 a raz\u00e3o, mas exercida por favor divino.      A base \u00e9 o mito, \u00e9 necess\u00e1rio receber um bom quinh\u00e3o das moiras para poder      agir retamente, conforme a raz\u00e3o e o racioc\u00ednio ditam. Plat\u00e3o nos leva a crer      que quem age com virtude \u0096 elevando assim o seu esp\u00edrito- \u00e9 recompensado.      Um exemplo dito est\u00e1 no final de <i>A Rep\u00fablica<\/i> com o mito de Er. No M\u00eanon      est\u00e1 presente esta predestina\u00e7\u00e3o do bom quinh\u00e3o da divindade \u0096 pois a      virtude \u00e9 uma liga\u00e7\u00e3o dos homens com os deuses -, na p\u00e1gina 81, quando S\u00f3crates      exp\u00f5e sua admira\u00e7\u00e3o pelo misticismo oracular e pelos versos de P\u00edndaro, que      afirma que Pers\u00e9fone, esposa de Hades, forma reis gloriosos e homens poderosos      com a alma daqueles que pagaram os pecados de outras vidas. <\/p>\n   \n<p>No mito de Prot\u00e1goras, a virtude \u00e9 presente divino, mantenedor da coes\u00e3o      social, mas s\u00f3 alcan\u00e7\u00e1vel pela pr\u00e1tica e estudo aplicado.\u00a0 Em <i>M\u00eanon<\/i>      ela \u00e9 a raz\u00e3o (agir com bom senso) e exercida pelo favor divino, como determina      o destino e as moiras. O Destino (fado) \u00e9 regido pelas moiras, que para \u00c9squilo      s\u00e3o mais poderosas que o pr\u00f3prio Zeus, pois ele n\u00e3o poderia escapar da fortuna      que lhe foi preparada. (<i>Prometeu Acorrentado<\/i>, epis\u00f3dio II) S\u00f3crates,      explicando o poema de Sim\u00f4nides a Prot\u00e1goras, demonstra que \u00e9 dif\u00edcil, por\u00e9m      poss\u00edvel se tornar virtuoso, ao passo que permanecer virtuoso \u00e9 s\u00f3 para os      deuses.\u00a0 No <i>Prot\u00e1goras<\/i> ocorre ent\u00e3o um elogio de S\u00f3crates \u00e0 raz\u00e3o,      ao logos enquanto arte de medir, ou propor\u00e7\u00e3o e racioc\u00ednio aritm\u00e9tico. Para      ele, \u00e9 imposs\u00edvel o homem querer viver o mal conhecendo o bem, ou querer viver      o desagrad\u00e1vel se pode viver o agrad\u00e1vel. Alguns prazeres, por\u00e9m, causam danos      posteriores, como os excessos de comidas, bebidas ou amor. Mas ao mesmo tempo      algumas dores imediatas ocasionam ganhos futuros, como ser medicado ou praticar      exerc\u00edcios f\u00edsicos. O que est\u00e1 em quest\u00e3o para o homem, no seu \u00e2mbito a\u00e7\u00e3o,      \u00e9 medir os prazeres e os sofrimentos de uma determinada situa\u00e7\u00e3o para poder      escolher o melhor caminho. Isto, muitas vezes, pode ser a salva\u00e7\u00e3o da vida,      ou no m\u00ednimo ocasionar uma vida agrad\u00e1vel. S\u00f3crates demonstra que se voc\u00ea      pode escolher o melhor, escolher\u00e1, e que as a\u00e7\u00f5es erradas decorrem apenas      ignor\u00e2ncia. <\/p>\n   \n<p>S\u00f3crates admite ent\u00e3o que se a virtude, como escolha acertada, depende apenas      do conhecimento, ou \u00e9 o conhecimento, ela pode ser ensinada, enquanto Prot\u00e1goras      parece defender no final do di\u00e1logo que a virtude pode ser tudo, menos o conhecimento.      \u00c9 devido a esta invers\u00e3o de pap\u00e9is, a qual j\u00e1 nos referimos antes, que S\u00f3crates      brinca dizendo n\u00e3o ter restado pedra sobre pedra da investiga\u00e7\u00e3o. Vale lembrar      que no jogo da dial\u00e9tica, uma vez assentado um princ\u00edpio, n\u00e3o era permitido      voltar atr\u00e1s.\u00a0 A confus\u00e3o talvez tenha acontecido por culpa de Epimeteu,      que j\u00e1 havia se esquecido dos homens antes. Durante a investiga\u00e7\u00e3o de S\u00f3crates      e Prot\u00e1goras no decurso do di\u00e1logo, alguma coisa se perdeu. Seria necess\u00e1rio      voltar tudo, e desvelar a quest\u00e3o procurando saber o que \u00e9 a virtude em si,      numa defini\u00e7\u00e3o universal, o que \u00e9 essencial para S\u00f3crates. S\u00f3crates toma Prometeu,      benfazejo dos homens, como modelo no mito, e se disp\u00f5e a examinar novamente      a quest\u00e3o. De fato, muitos di\u00e1logos plat\u00f4nicos est\u00e3o envoltos nesta tem\u00e1tica      do ensino e pr\u00e1tica da virtude. Alguns di\u00e1logos s\u00e3o ditos apor\u00e9ticos, por      n\u00e3o apresentarem uma solu\u00e7\u00e3o, enquanto outros, como <i>A Rep\u00fablica<\/i>, oferecem      algumas respostas mais exatas, no caso, um tratado sobre a educa\u00e7\u00e3o de modo      a selecionar os melhores, que conseguiriam experimentar a virtude e governar      a cidade, fazendo dela justa. O importante no m\u00e9todo socr\u00e1tico \u00e9 que, como      ele afirma em M\u00eanon, leva quem o pratica a um questionamento constante, a      um querer saber, ao auto-conhecimento e ao trabalho, ao passo que o m\u00e9todo      sof\u00edstico leva o homem \u00e0 pregui\u00e7a e \u00e0 indol\u00eancia. <\/p>\n   \n<p><strong>Miguel Ducl\u00f3s <\/strong><\/p>\n   \n<p><b>BIBLIOGRAFIA <\/b><\/p>\n   \n<p>1.\u00a0 Brand\u00e3o, Junito de Souza. Mitologia grega. Volume      1. Editora vozes.<br \/>\n     2.\u00a0 \u00c9squilo, Prometeu acorrentado. Editora vozes<br \/>\n     3.\u00a0 Hes\u00edodo. Os trabalhos e os dias. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio da Gama Khuri<br \/>\n     4.\u00a0\u00a0 Hes\u00edodo, Teogonia. Tradu\u00e7\u00e3o de M\u00e1rio da Gama Khuri.<br \/>\n     5.\u00a0\u00a0 Plat\u00e3o, M\u00eanon. Editora globo. Tradu\u00e7\u00e3o de Jorge Paleikat.<br \/>\n     6.\u00a0 Plat\u00e3o, Prot\u00e1goras. Editora Globo, Tradu\u00e7\u00e3o de Jorge Paleikat. <\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.consciencia.org<\/p>\n   \n<h6>Hes\u00edodo<\/h6>\n   \n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hesiod29.jpg\" alt=\"Hes\u00edodo\" title=\"Hes\u00edodo\" \/><strong><br \/>\n     Hes\u00edodo &#8211; Poeta Grego<\/strong><\/p>\n   \n<h4>O Mito<\/h4>\n   \n<p>O homem, desde os prim\u00f3rdios, tenta explicar a origem do mundo. Esse assunto      sempre interessou a humanidade, devido estar ligado intrinsecamente a exist\u00eancia.      Com os mitos o homem busca responder de onde veio e para aonde vai. Se engana      quem tem uma leitura apressada dos mitos e acha que se trata apenas de uma      vis\u00e3o fict\u00edcia da realidade. Os mitos t\u00eam linguagem simb\u00f3lica, mas seu sentido      \u00e9 mais profundo do que pensamos, mesmo porque a realidade \u00e9 maior que o poder      de capta\u00e7\u00e3o da mente humana, a realidade \u00e9 feita de caos. <\/p>\n   \n<p>A concep\u00e7\u00e3o de mito faz parte indissoci\u00e1vel da maneira humana de compreender      a realidade. Os mitos n\u00e3o s\u00e3o vistos como lendas por aqueles que os respeitam,      mas como hist\u00f3rias que realmente aconteceram nos tempos ancestrais, envolvendo      seres sobrenaturais que produzem uma nova realidade (vide o mito de Ad\u00e3o e      Eva). <\/p>\n   \n<h4>Mito e Filosofia<\/h4>\n   \n<p>A filosofia \u00e9 um fen\u00f4meno restrito, surgiu em poucos lugares, como a Gr\u00e9cia      e a \u00cdndia. Os mitos e a religi\u00e3o, ao contr\u00e1rio, s\u00e3o universais, surgiram em      todos os povos do mundo. A filosofia apareceu como uma forma de explicar o      mundo racionalmente, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de mitos. Mas isso n\u00e3o aconteceu de      repente, nem houve um abandono dos mitos, inclusive muitos fil\u00f3sofos se utilizaram      de mitos para explicar suas concep\u00e7\u00f5es. Portanto, para se entender a filosofia      \u00e9 preciso partir dos mitos. <\/p>\n   \n<p>Existem descri\u00e7\u00f5es cosmog\u00f4nicas que s\u00e3o intermedi\u00e1rias entre os mitos e as      concep\u00e7\u00f5es filos\u00f3ficas sobre a origem do universo. Tal \u00e9 o caso da Teogonia      de <strong>Hes\u00edodo<\/strong>. <\/p>\n   \n<h4>No Princ\u00edpio era o Caos<\/h4>\n   \n<p>Realmente antes de tudo existiu o Khaos (Caos)&#8230; (<strong>Hes\u00edodo<\/strong>).      A concep\u00e7\u00e3o de caos que se tem, contemporaneamente, \u00e9 de desordem e de confus\u00e3o.      Caos vem da palavra grega kh\u00ednein, que quer dizer abismo. Assim, caos era      concebido como o abismo profundo, algo indefinido, anterior a todas as coisas.      Alguns autores interpretam como divis\u00e3o, mas divis\u00e3o de qu\u00ea? Muito j\u00e1 se escreveu      sobre o Caos, mas sem se chegar a uma conclus\u00e3o definitiva, aceita por todos.    <\/p>\n   \n<p><strong>Hes\u00edodo<\/strong>, em seu poema Teogonia, busca implicitamente demonstrar      que tudo tem uma origem. <\/p>\n   \n<p><strong>Segundo ele, os primeiros &#8220;filhos&#8221; do Caos s\u00e3o:<\/strong>      a Gaia, terra; o T\u00e1rtaro, local mais profundo que Hades (o inferno dos gregos);      e o Eros, amor, desejo, deus que supera todas as for\u00e7as atraindo os opostos.      A Terra se apoiava no T\u00e1rtaro, que por sua vez era poss\u00edvel que se apoiasse      no Caos. Naquele tempo, n\u00e3o se tinha a concep\u00e7\u00e3o de que a Terra flutuasse      no espa\u00e7o. Posteriormente, se acreditou que a Terra era uma bolha imersa dentro      do Caos. <\/p>\n   \n<p>Teogonia significa origem dos deuses. Nesse mito os deuses surgem atrav\u00e9s      do desejo de uni\u00e3o de outros deuses ou da separa\u00e7\u00e3o. Eros \u00e9 o desejo. Mutantis      muntandes, dos primitivos &#8220;filhos&#8221; do Caos s\u00e3o gerados deuses como      Urano (C\u00e9u), que inicialmente vivia imerso na Terra, e os Tit\u00e3s e as Tit\u00e2nidas,      filhos e filhas resultantes da uni\u00e3o de Gaia e de Urano. <\/p>\n   \n<p>O mito segue explicando que do Caos saiu as trevas. Das trevas saiu a luz.      A Gaia (Terra) deu nascimento a Urano (c\u00e9u), depois \u00e0s montanhas e ao mar.    <\/p>\n   \n<p>Segue-se a apresenta\u00e7\u00e3o dos filhos da luz, dos filhos das trevas e da descend\u00eancia      da Terra &#8211; at\u00e9 o momento do nascimento de Zeus, que triunfar\u00e1 sobre seu pai,      Cronos (tempo), come\u00e7ando ent\u00e3o a era ol\u00edmpicos. <\/p>\n   \n<p>Fonte:  www.geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hes\u00edodo, Poeta Grego, Vida, Hist\u00f3ria, Mitologia Grega, Poemas, Teogonia, Fil\u00f3sofo, Obras, Trabalho, Mito, Hes\u00edodo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12843,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26377","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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