{"id":26349,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-cachaca-4\/"},"modified":"2026-09-01T18:02:27","modified_gmt":"2026-09-01T18:02:27","slug":"historia-da-cachaca-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/historia-da-cachaca-4\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a"},"content":{"rendered":"\nA cana-de-a\u00e7\u00facar, elemento b\u00e1sico para a obten\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rios tipos de \u00e1lcool, entre eles o et\u00edlico. \u00c9 uma planta pertencente \u00e0 fam\u00edlia das gram\u00edneas (Saccharum officinarum) origin\u00e1ria da \u00c1sia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da Hist\u00f3ria.\n<p class=\"imagem\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/hist-cachaa.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" \/><\/p>\nOs primeiros relatos sobre a fermenta\u00e7\u00e3o vem dos eg\u00edpcios antigos. Curam v\u00e1rias mol\u00e9stias, inalando vapor de l\u00edquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.\n\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens. A \u00c1gua que pega fogo &#8211; \u00e1gua ardente (Al Kuhu).\n\nA \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades m\u00edstico-medicinais. Se transforma em \u00e1gua da vida. A Eau de Vie \u00e9 receitada como elixir da longevidade.\n\nA aguardente ent\u00e3o vai para da Europa para o Oriente M\u00e9dio, pela for\u00e7a da expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje.\n\n<strong>\u00cales n\u00e3o usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia: <\/strong>Arak.\n\nUma aguardente misturada com licores de anis e degustada com \u00e1gua.\n\nA tecnologia de produ\u00e7\u00e3o espalha-se pelo velho e novo mundo. Na It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germ\u00e2nicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Esc\u00f3cia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.\n\nNo extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz.\n\nPortugal tamb\u00e9m absorve a tecnologia dos \u00e1rabes e destila a partir do baga\u00e7o de uva, a Bagaceira\n\nOs portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lan\u00e7am-se ao mar. Na vontade da explora\u00e7\u00e3o e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de A\u00e7\u00facar, vindas do sul da \u00c1sia. Assim surgem na nova col\u00f4nia portuguesa, os primeiros n\u00facleos de povoamento e agricultura.\n\nOs primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho d&#8217;Oporto. Assim como a alimenta\u00e7\u00e3o, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de S\u00e3o Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de a\u00e7\u00facar &#8211; Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura.\n\n\u00c9 uma bebida limpa, em compara\u00e7\u00e3o com o Cauim &#8211; vinho produzido pelos \u00edndios, no qual todos cospem num enorme caldeir\u00e3o de barro para ajudar na fermenta\u00e7\u00e3o do milho, acredita-se. Os Senhores de Engenho passam a servir o tal caldo, denominado Caga\u00e7a, para os escravos. Da\u00ed \u00e9 um pulo para destilar a Caga\u00e7a, nascendo a\u00ed a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nDos meados do S\u00e9culo XVI at\u00e9 metade do S\u00e9culo XVII as &#8220;casas de cozer m\u00e9is&#8221;, como est\u00e1 registrado, se multiplicam nos engenhos. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>torna-se moeda corrente para compra de escravos na \u00c1frica. Alguns engenhos passam a dividir a aten\u00e7\u00e3o entre o a\u00e7\u00facar e a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nA descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande popula\u00e7\u00e3o, vinda de todos os cantos do pa\u00eds, que constr\u00f3i cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinha\u00e7o. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ameniza a temperatura.\n\nIncomodada com a queda do com\u00e9rcio da Bagaceira e do vinho portugueses na col\u00f4nia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte pro\u00edbe v\u00e1rias vezes a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o consumo da <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nSem resultados, a Metr\u00f3pole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756 a Aguardente de Cana de A\u00e7\u00facar foi um dos g\u00eaneros que mais contribu\u00edram com impostos voltados para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755.\n\nPara a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>s\u00e3o criados v\u00e1rios impostos conhecidos como subs\u00eddios, como o liter\u00e1rio, para manter as faculdades da Corte.\n\nComo s\u00edmbolo dos Ideais de Liberdade, a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>percorre as bocas dos Inconfidentes e da popula\u00e7\u00e3o que apoia a Conjura\u00e7\u00e3o Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nCom o passar dos tempos melhoram-se as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 apreciada por todos. \u00c9 consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas &#8211; o famoso Quent\u00e3o.\n\nNo s\u00e9culo passado instala-se, com a economia cafeeira, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e o in\u00edcio da rep\u00fablica, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda \u00e9 europ\u00e9ia e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 deixada um pouco de lado\n\nEm 1922, a Semana da Arte Moderna, vem resgatar a brasilidade. No decorrer do nosso s\u00e9culo, o samba \u00e9 resgatado. Vira o carnaval. Nestas \u00faltimas d\u00e9cadas a feijoada \u00e9 valorizada como comida brasileira especial e a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apura\u00e7\u00e3o de sua qualidade.\n\nHoje, v\u00e1rias marcas de alta qualidade figuram no com\u00e9rcio nacional e internacional e est\u00e3o presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo\n\nFonte: www.museudacachaca.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nA palavra <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 de origem pol\u00eamica.\n\n<strong>Algumas vers\u00f5es dadas por pesquisadores:<\/strong>\n<blockquote>&#8211; Do castelhano CACHAZA, vinho que era feito de borra de uva;\n\n&#8211; Da aguardente, que era usada para amaciar a carne de porco (CACHA\u00c7O);\n\n&#8211; Da grapa azeda, tomada pelos escravos e chamada por eles de caga\u00e7a;<\/blockquote>\nA cacha\u00e7a \u00e9 genuinamente nacional. Sua hist\u00f3ria remonta ao tempo da escravid\u00e3o quando os escravos trabalhavam na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar da cana de a\u00e7\u00facar. O m\u00e9todo j\u00e1 era conhecido e consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida deix\u00e1-lo esfriar em f\u00f4rmas, obtendo a rapadura, com a qual ado\u00e7avam as bebidas.\n\nOcorre que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava caga\u00e7a e era jogado fora, pois n\u00e3o prestava para ado\u00e7ar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.\n\nOs senhores de engenho por vezes estimulavam aos seus escravos, mas a corte portuguesa, vendo nisto uma forma de rebeli\u00e3o, proibia que a referida bebida fosse dada aos negros, temendo um levante.\n\nCom o tempo esta bebida foi aperfei\u00e7oada, passando a ser filtrada e depois destilada, sendo muito apreciada em \u00e9pocas de frio. O processo de fermenta\u00e7\u00e3o com fub\u00e1 de milho remonta aos prim\u00f3rdios do nascimento da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e permanece at\u00e9 hoje com a maior parte dos produtores artesanais.\n\nExistem atualmente pesquisas de fermenta\u00e7\u00e3o com diversos produtos denominados enzimas que, aos poucos, est\u00e3o substituindo o processo antigo.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>sempre viveu na clandestinidade, sendo consumida principalmente por pessoas de baixa renda e, por isto, sua imagem ficou associada a produto de m\u00e1 qualidade. Mas atualmente ela ascendeu a n\u00edveis nunca antes sonhados e hoje \u00e9 uma bebida respeitada e apreciada mundialmente, j\u00e1 tendo conquistado a prefer\u00eancia de pessoas de alta classe e sendo servida em encontros pol\u00edticos internacionais e eventos de toda esp\u00e9cie pelo mundo afora.\n<h4>Cronologia<\/h4>\n<h4><strong>Prim\u00f3rdios do XVI<\/strong><\/h4>\nO caldo era apenas consumido pelos escravos, para que ficassem mais d\u00f3ceis ou para cur\u00e1-los da depress\u00e3o causada pela saudade de sua terra (banzo).\n\nComo a carne de porco era dura, usava-se a aguardente para amolec\u00ea-la. Da\u00ed o nome \u0093<strong>Cacha\u00e7a<\/strong>\u0094, j\u00e1 que os porcos criados soltos eram chamados de \u0093cacha\u00e7os\u0094.\n\nO apelido \u0093Pinga\u0094 veio porque o l\u00edquido \u0093pingava\u0094 do <strong>alambique<\/strong>.\n<blockquote><strong>2\u00aa metade do S\u00e9culo XVI<\/strong>\n\nPassou a ser produzida em <strong>alambiques <\/strong>de barro, depois de cobre, como aguardente.<\/blockquote>\n<h4>S\u00e9culo XVII<\/h4>\nCom o aprimoramento da produ\u00e7\u00e3o, passou a atrair consumidores. Come\u00e7ou a ter import\u00e2ncia econ\u00f4mica e valor de moeda corrente.\n<h4>Ano de 1635<\/h4>\nContrariado com a desvaloriza\u00e7\u00e3o de sua bebida t\u00edpica, a Bagaceira, produzida do baga\u00e7o da uva, Portugal proibiu a fabrica\u00e7\u00e3o da Cacha\u00e7a e seu consumo na col\u00f4nia brasileira.\n<h4>Menos da metade do S\u00e9culo XVII<\/h4>\nA retalia\u00e7\u00e3o \u00e0 <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>provou o nacionalismo brasileiro, levando o povo a boicotar o vinho Portugu\u00eas.\n<h4>Final do S\u00e9culo<\/h4>\nPortugal recuou quanto \u00e0 decis\u00e3o de proibir o consumo da <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>brasileira e decidiu apenas taxar o destilado.\n<h4>Ano de 1756<\/h4>\nA aguardente da cana-de-a\u00e7\u00facar era um dos g\u00eaneros que mais contribu\u00eda para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abalada por terremoto em 1755.\n<h4>Ano de 1789<\/h4>\n<strong>A Cacha\u00e7a virou s\u00edmbolo da resist\u00eancia ao dom\u00ednio portugu\u00eas. O \u00faltimo pedido de Tiradentes: <\/strong>\u0093Molhem a minha goela com cacha\u00e7a da terra\u0094.\n<h4>Inicio do S\u00e9culo XIX<\/h4>\nCom as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o aprimoradas, a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>passou a ser muito apreciada. Era consumida em banquetes palacianos e misturada a outros ingredientes, como gengibre, o famoso Quent\u00e3o.\n<h4>Depois da metade do S\u00e9culo XIX<\/h4>\nCom a economia cafeeira, aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e in\u00edcio da Rep\u00fablica, um largo preconceito se criou frente a tudo que fosse brasileiro, prevalecendo \u00e0 moda da Europa. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>estava em baixa.\n<h4>Ano de 1922<\/h4>\nA Semana da Arte Moderna resgatou a nacionalidade brasileira. A Cacha\u00e7a ainda tentava se desfazer dos preconceitos e continuava a apurar sua qualidade.\n<h4>Depois da metade do S\u00e9culo XX<\/h4>\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>teve influ\u00eancia na vida art\u00edstica nacional, com a \u0093cultura de botequim\u0094 e a boemia. Passou a ser servida como bebida brasileira oficial nas embaixadas, eventos comerciais e v\u00f4os internacionais. A Fran\u00e7a tentou registrar a marca Cacha\u00e7a, assim como o Jap\u00e3o tentou a marca Assai.\n<h4>S\u00e9culo XXI<\/h4>\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>est\u00e1 consagrada como brasileir\u00edssima, \u00e9 apreciada em diversos cantos do mundo e representa nossa cultura, como a feijoada e o futebol.\n\nEm alguns pa\u00edses da Europa, principalmente a Alemanha, a Caipirinha de <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 muito mais consumida que o tradicional Scott.\n\nA produ\u00e7\u00e3o brasileira de <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>j\u00e1 ultrapassa os 1,3 bilh\u00f5es de litros e apenas 0,40% s\u00e3o exportados.\n\nA industrializa\u00e7\u00e3o da <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>emprega atualmente no Brasil mais de 450 mil pessoas. O Decreto 4.702 assinado em 2002 pelo presidente FHC, declara ser a Cacha\u00e7a um destilado de origem nacional.\n\nA Cacha\u00e7a \u00e9 original do Brasil!\n<h4>Cacha\u00e7a, Aguardente e Pinga<\/h4>\n<h4><strong>Etimologia da Palavra Cacha\u00e7a<\/strong><\/h4>\nA origem do nome <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, provavelmente, deve ser espanhola. Mas a palavra nunca pegou na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Ela foi escrita algumas vezes como sin\u00f4nimo da milenar bagaceira, feita das borras da uva, mas nunca na nossa acep\u00e7\u00e3o e com a nossa sede. O termo cacha\u00e7a chega at\u00e9 n\u00f3s pelos portugueses, junto com os alambiques, as primeiras destila\u00e7\u00f5es.\n\nA primeira refer\u00eancia liter\u00e1ria, livresca, que C\u00e2mara Cascudo (1991) encontrou (portanto, de que se tem not\u00edcia), est\u00e1 na Carta-II de S\u00e1 de Miranda (1481-1558) ao seu &#8220;amigo e comensal, Ant\u00f4nio Pereira, o Marramaque, senhor de Basto&#8221;, quando o primeiro provou da<strong>cacha\u00e7a <\/strong>na Quinta da Tapada, em Celorico de Basto, no Minho, de propriedade do segundo.\n\n<strong>Cantavam os versos:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">Ali n\u00e3o mordia a gra\u00e7a\nEram iguais os ju\u00edzes;<\/p>\n<p class=\"imagem\">N\u00e3o vinha nada da pra\u00e7a,<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ali, da vossa cacha\u00e7a!<\/p>\n<p class=\"imagem\">Ali, das vossas perdizes!<\/p>\nCertamente, n\u00e3o era a aguardente da cana-de-a\u00e7\u00facar, mas a bagaceira. Por\u00e9m, Nicolau Lanckman, em 1451, viu a cana-de-a\u00e7\u00facar &#8220;ao redor de Coimbra&#8221;. Depois, em 1525, Gil Vicente registrou &#8220;vales para a\u00e7afr\u00e3o e canas a\u00e7ucaradas&#8221; em s\u00edtios da Beira. Na verdade, na Pen\u00ednsula, n\u00e3o se empregava o termo <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, visto como uma palavra quase vulgar e rara para designar a bagaceira.\n\n<strong>Segundo C\u00e2mara Cascudo (1991): <\/strong>&#8220;A bebida nasceu aqui, \u00e9 brasileira, com mat\u00e9ria-prima e bra\u00e7os nacionais, ainda que com alambiques lusos&#8221; (p. 3). A palavra somente se generalizou aqui. Cacha\u00e7a origin\u00e1ria &#8220;do mel de a\u00e7\u00facar sacarino&#8221;, obtida do caldo ou mela\u00e7o, borras ou escumas da cana-de-a\u00e7\u00facar, \u00e9 bebida gerada no Brasil.\n\n<strong>O primeiro registro escrito, culto, da palavra cacha\u00e7a deve-se ao naturalista alem\u00e3o Jorge Maregrave, quando descreve a fabrica\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar em Pernambuco, sob o imp\u00e9rio do Conde Nassau: <\/strong>a primeira caldeira \u00e9 chamada pelos portugueses &#8220;caldeira de mear descumos&#8221;, na qual o caldo \u00e9 sujeito \u00e0 a\u00e7\u00e3o de um fogo lento, sempre movido e purgado por uma grande colher de cobre chamada &#8220;escumadeira&#8221;, at\u00e9 que fique bem escumado e purificado. A escuma \u00e9 recebida numa canoa, posta em baixo, chamada &#8220;tanque&#8221;, e assim tamb\u00e9m a cacha\u00e7a, a qual serve de bebida para os burros.\n\nAntes do termo <strong>cacha\u00e7a <\/strong>firmar-se, no Brasil, definitivamente como a aguardente derivada da fermenta\u00e7\u00e3o e destila\u00e7\u00e3o do caldo ou do mela\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar,\n\n<strong>Conv\u00e9m registrar um nome que prevalesceu pelos s\u00e9culos XVI e XVII. Era tamb\u00e9m muito popular jeribita e suas varia\u00e7\u00f5es: <\/strong>jiribita, jurubita, geribita, giribita, geriba, piripita. Ainda hoje, em alguns locais do Brasil, fala-se uma dessas formas. Os dicion\u00e1rios da \u00e9poca registram todas elas como sin\u00f4nimo de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e de aguardente.\n\nPor\u00e9m, C\u00e2mara Cascudo (1991) alerta que muitas vezes a fala popular e os documentos liter\u00e1rios e estatais (legais e de fisco) indicam que s\u00e3o l\u00edquidos diferentes. Ao mesmo tempo, documentos comerciais gravam eufemismos como aguardente da terra, vinho da terra e vinho de mel que, na verdade, s\u00e3o <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, para diferenciar de geribita de fora, aguardente (solitariamente para designar bagaceira), agardente do reino ou ainda bagaceira.\n\nA caxaxa azeda ou garapa azeda, registrada no final do s\u00e9culo XVII, \u00e9 o caldo fermentado, sem destila\u00e7\u00e3o, que tamb\u00e9m, em excesso, embriaga. \u00c9 como a garapa doida, que encontramos no in\u00edcio deste s\u00e9culo no Acre, onde n\u00e3o havia alambiques, somente engenhocas para moer a cana.\n\nO nome pinga s\u00f3 veio depois, no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, segundo C\u00e2mara Cascudo (1991), no final do s\u00e9culo XIX. Era a destila\u00e7\u00e3o, depois da fervura e evapora\u00e7\u00e3o do caldo fermentado, que &#8220;pingava&#8221; na bica do alambique.\n\nFonte: www.alambiquedacachaca.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<h3>Origem da Cacha\u00e7a<\/h3>\nA <strong>hist\u00f3ria da CACHA\u00c7A <\/strong>remonta ao s\u00e9culo XVI.\n\n<strong>O grande portugu\u00eas S\u00e1 de Miranda j\u00e1 a ela se referia, como na carta versificada ao seu amigo Ant\u00f4nio Pereira:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Ali n\u00e3o mordia a gra\u00e7a\/<\/p>\n<p class=\"imagem\">eram iguais os ju\u00edzes;\/<\/p>\n<p class=\"imagem\">n\u00e3o vinha nada da pra\u00e7a,\/<\/p>\n<p class=\"imagem\">ali, da vossa cacha\u00e7a!\/<\/p>\n<p class=\"imagem\">ali, das vossas perdizes!&#8221;<\/p>\nSua produ\u00e7\u00e3o, no Brasil, vem assinalada pelos fins desse mesmo s\u00e9culo, pois Gabriel Soares dizia que, na altura de 1584, existiam oito casas de &#8220;cozer m\u00e9is&#8221;, na Bahia. Em 1648, Margrave e Piso, na Hist\u00f3ria Naturalis Brasiliense (Hist\u00f3ria Natural do Brasil), descreviam o m\u00e9todo de fabrica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar em nossos engenhos e mencionavam o fato de a CACHA\u00c7A tamb\u00e9m ser destinada \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o dos animais dom\u00e9sticos.\n\n\u00c9 como se refere o De &#8220;Indae ultriusque re et medica&#8221; (sobre coisa natural e m\u00e9dica das duas \u00cdndias). Deste sumo, a coagular-se num primeiro tacho, com pouco fogo, de onde se tira uma espuma um tanto feculenta e abundante, chamada de CAGASSA, que serve de comida e bebida somente para o gado.\n\nJ\u00e1 no livro de contas do engenho de Serijipe do Conde, engenho esse dos jesu\u00edtas e localizado no rec\u00f4ncavo da Bahia, consta, no per\u00edodo de 1622\u00961653, a \u00e1gua ardente servida aos escravos, durante o trabalho.\n\nDe prazer dionis\u00edaco reservado inicialmente a escravos, a <strong>CACHA\u00c7A <\/strong>com o aprimoramento da produ\u00e7\u00e3o, atraiu outros consumidores e passou a ter import\u00e2ncia econ\u00f4mica no Brasil Col\u00f4nia.\n\nTal fato traduziu amea\u00e7a aos interesses dos portugueses que fabricavam a aguardente metropolitana BAGACEIRA. J\u00e1 em 1635, era proibida a venda de <strong>CACHA\u00c7A <\/strong>na Bahia.\n\nEm 1639, deu-se a primeira tentativa de impedir at\u00e9 o fabrico do produto, mas a partir de ent\u00e3o, iniciou-se a rea\u00e7\u00e3o dos interesses locais, formada por senhores de engenho, comerciantes, destiladores, e, assim, enquanto a disputa sofria flutua\u00e7\u00f5es, aumentava o fazer e o consumir das &#8220;bebidas de vinho de mel, a <strong>CACHA\u00c7A<\/strong>&#8220;.\n\nA metr\u00f3pole sendo derrotada na luta contra a <strong>CACHA\u00c7A BRASILEIRA<\/strong>, mudou ent\u00e3o de pol\u00edtica e, em 1756, o produto j\u00e1 figurava entre os g\u00eaneros que, pela tributa\u00e7\u00e3o, concorriam para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, ap\u00f3s sua destrui\u00e7\u00e3o pelo terremoto.\n\nNo s\u00e9culo XIX, o consumo da <strong>CACHA\u00c7A <\/strong>j\u00e1 era alto. H\u00e1 refer\u00eancias aos s\u00e9rios problemas de produtividade insuficiente dos engenhos, em decorr\u00eancia do crescimento de seu consumo, principalmente de negros e irlandeses.\n\nE, no mesmo per\u00edodo, j\u00e1 era tamb\u00e9m pretexto para exalta\u00e7\u00e3o patri\u00f3tica contra o dom\u00ednio portugu\u00eas. Na regi\u00e3o do nordeste, surge o movimento da Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, de aspira\u00e7\u00e3o republicana, onde o ent\u00e3o coronel JOS\u00c9 F\u00c9LIX DE AZEVEDO E S\u00c1 ent\u00e3o vice-presidente da Prov\u00edncia do Cear\u00e1 fazia seus brindes com <strong>CACHA\u00c7A <\/strong>ao movimento em refer\u00eancia ao nacionalismo.\n\nAp\u00f3s a derrota do movimento pelas for\u00e7as mercen\u00e1rias inglesa em sua maioria e as leais ao Imperador D. Pedro I, o coronel JOS\u00c9 F\u00c9LIX com seu esp\u00edrito humanit\u00e1rio, lideran\u00e7a e ast\u00facia, veio ser o interlocutor das duas partes, sendo nomeado por D. Pedro I para Presidente da Prov\u00edncia do Cear\u00e1 por v\u00e1rios mandatos.\n\nEntre os aspectos folcl\u00f3ricos do seu uso, come\u00e7aram a propagar-se os de natureza medicinal, havendo receitas caseiras muitas elaboradas de rem\u00e9dios \u00e0 base da <strong>CACHA\u00c7A<\/strong>. Tamb\u00e9m no terreno de supersti\u00e7\u00e3o, consignam-se procedimentos, tal como o dever de deixar um pouco da bebida no copo, a fim de ser jogada fora, por cima do ombro direito, com vistas a um &#8220;ofert\u00f3rio&#8221; \u00e0s almas em geral, em particular \u00e0s dos b\u00eabados.\n\nA produ\u00e7\u00e3o de <strong>CACHA\u00c7A <\/strong>n\u00e3o \u00e9 mais realizada nos antigos engenhos, nas atuais usinas de fabrico de a\u00e7\u00facar, mas sim nos alambiques em pequenas propriedades.\n\nFonte: www.cambeba.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<h3>Conhecimento da Cacha\u00e7a<\/h3>\n<strong>\u00c1gua que passarinho n\u00e3o bebe<\/strong>\n<h3>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h3>\n<strong>Aqueles que se ligam \u00e0 cacha\u00e7a de uma forma ou de outra, por fabric\u00e1-la, por vend\u00ea-la ou por beb\u00ea-la, j\u00e1 devem ter ouvido esta hist\u00f3ria :<\/strong>\n\n\u0093Nosso Senhor Jesus Cristo, quando caminhava por uma estrada, morrendo de sede, debaixo de um sol causticante, avistou um canavial. Protegendo-se do sol entre sua folhagem, refrescou-se do calor. Depois de descascar uma cana, chupou alguns gomos, saciando sua sede. Ao ir embora, para seguir viagem, estendeu suas m\u00e3os por sobre o canavial, aben\u00e7oando-o desejando que das canas o homem haveria de t\u00ea-las sempre boas e doces.\n\nEm um outro dia, o diabo, passando pela mesma estrada, foi dar no mesmo canavial. Ali parando, resolveu refrescar-se. Cortou um peda\u00e7o da cana e come\u00e7ou a chupar um gomo, mas seu caldo estava azedo, e quando por ele foi engolido, desceu garganta abaixo queimando-lhe as ventas. Irritado, o diabo prometeu que da cana o homem tiraria uma bebida t\u00e3o forte e ardente quanto as caldeiras do inferno\u0094.\n\n\u0093Da\u00ed surge o a\u00e7\u00facar aben\u00e7oado por Nosso Senhor e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>amaldi\u00e7oada pelo diabo&#8221;.\n<h3>Origens da Cacha\u00e7a<\/h3>\nA cana-de-a\u00e7\u00facar, elemento b\u00e1sico para a obten\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rios tipos de \u00e1lcool, entre eles o et\u00edlico, \u00e9 uma planta pertencente \u00e0 fam\u00edlia das gram\u00edneas (Saccharum officinarum) origin\u00e1ria da \u00c1sia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da Hist\u00f3ria.\n\nOs primeiros relatos sobre a fermenta\u00e7\u00e3o vem dos eg\u00edpcios antigos. Curavam v\u00e1rias mol\u00e9stias, inalando vapor de l\u00edquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.\n\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens, a \u00e1gua que pega fogo &#8211; \u00e1gua ardente (Al Kuhu).\n\nA \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades m\u00edstico-medicinais. Se transforma em \u00e1gua da vida. A Eau de Vie \u00e9 receitada como elixir da longevidade. A aguardente ent\u00e3o da Europa vai para o Oriente M\u00e9dio, pela for\u00e7a da expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje.\n\n<strong>Eles n\u00e3o usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia: <\/strong>Arak.\n\nUma aguardente misturada com licores de anis e degustada com \u00e1gua.\n\nA tecnologia de produ\u00e7\u00e3o espalha-se pelo Velho e Novo Mundo. Na It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germ\u00e2nicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Esc\u00f3cia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.\n\nNo Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz.\n\nPortugal tamb\u00e9m absorve a tecnologia dos \u00e1rabes e destila a partir do baga\u00e7o de uva, a Bagaceira.Os portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lan\u00e7am-se ao mar. Na vontade de explora\u00e7\u00e3o e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de A\u00e7\u00facar, vinda do sul da \u00c1sia. Assim surgem na nova col\u00f4nia portuguesa, os primeiros n\u00facleos de povoamento e agricultura.\n\nOs primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho do Porto. Assim como a alimenta\u00e7\u00e3o, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de S\u00e3o Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana-de-a\u00e7\u00facar &#8211; Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura.\n\n\u00c9 uma bebida limpa, em compara\u00e7\u00e3o com o Cauim &#8211; vinho produzido pelos \u00edndios, no qual todos cospem num enorme caldeir\u00e3o de barro para ajudar na fermenta\u00e7\u00e3o do milho, acredita-se. Os senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado Caga\u00e7a, para os escravos. Da\u00ed \u00e9 um pulo para destilar a Caga\u00e7a, nascendo a\u00ed a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nDos meados do s\u00e9culo XVI at\u00e9 metade do s\u00e9culo XVII as &#8220;casas de cozer m\u00e9is&#8221;, como est\u00e1 registrado, se multiplicam nos engenhos.\n\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>torna-se moeda corrente para compra de escravos na \u00c1frica. Alguns engenhos passam a dividir a aten\u00e7\u00e3o entre o a\u00e7\u00facar e a Cacha\u00e7a. A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande popula\u00e7\u00e3o, vinda de todos os cantos do pa\u00eds, que constr\u00f3i cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinha\u00e7o.\n\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ameniza a temperatura.\n\nIncomodada com a queda do com\u00e9rcio da Bagaceira e do vinho portugueses na col\u00f4nia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte pro\u00edbe v\u00e1rias vezes a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o consumo da <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nSem resultados, a Metr\u00f3pole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756, a aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar foi um dos g\u00eaneros que mais contribu\u00edram com impostos voltados para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755. Para a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>s\u00e3o criados v\u00e1rios impostos conhecidos como subs\u00eddios, como o liter\u00e1rio, para manter as faculdades da Corte.\n\nComo s\u00edmbolo dos ideais de Liberdade, a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>percorre as bocas dos Inconfidentes e da popula\u00e7\u00e3o que apoia a Conjura\u00e7\u00e3o Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nCom o passar dos tempos melhoram-se as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 apreciada por todos. \u00c9 consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas &#8211; o famoso Quent\u00e3o.\n\nNo s\u00e9culo passado instala-se, com a economia cafeeira, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e o in\u00edcio da Rep\u00fablica, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda \u00e9 europ\u00e9ia e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 deixada um pouco de lado.\n\nEm 1922, a semana da Arte Moderna, vem resgatar a Brasilidade. No decorrer do nosso s\u00e9culo, o samba \u00e9 resgatado. Vira o carnaval. Nestas \u00faltimas d\u00e9cadas a feijoada \u00e9 valorizada como comida brasileira especial e a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apura\u00e7\u00e3o de sua qualidade.\n\nHoje, v\u00e1rias marcas de alta qualidade figuram no com\u00e9rcio nacional e internacional e est\u00e3o presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais do Brasil e do mundo.\n<h4>Curiosidades<\/h4>\nExistem colecionadores que se dedicam a colecionar r\u00f3tulos de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>(M\u00e1rio Souto Maior, autor do livro &#8220;Cacha\u00e7a&#8221; e um seu amigo, s\u00e3o possuidores de bel\u00edssimas cole\u00e7\u00f5es, assim como o advogado Eurico Viveiro de Castro, morador na cidade do Rio de Janeiro.\n\nA Faculdade de Agronomia Luiz Queiroz, na cidade de Piracicaba, tem exposto em um de seus pr\u00e9dios, para quem quiser ver, uma &#8220;pingoteca&#8221;, com uma fabulosa cole\u00e7\u00e3o de garrafas de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>. Seu acervo \u00e9 para mais de 2.000 exemplares, e as marcas ali expostas t\u00eam no m\u00ednimo 20 anos.\n\nExiste tamb\u00e9m, no Museu do Homem Nordestino, em Recife, uma grande cole\u00e7\u00e3o de r\u00f3tulos que pertenceram ao grande m\u00fasico, cr\u00edtico e folclorista &#8220;Almirante&#8221;.\n\nEstima-se que existam mais de 5 mil marcas de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e 30 mil produtores em todo pa\u00eds, gerando aproximadamente 400 mil empregos diretos e indiretos.\n<h4><strong>Cacha\u00e7a Artesanal e Industrial, voc\u00ea sabe as diferen\u00e7as?<\/strong><\/h4>\nMuito se fala sobre as diferen\u00e7as entre as <strong>cacha\u00e7as brancas <\/strong>industrializadas, produzidas em colunas e as de alambique, por muitos chamada de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>de qualidade. Mas quais s\u00e3o realmente as diferen\u00e7as?\n<h4><strong>Cacha\u00e7a agora \u00e9 marca nacional<\/strong><\/h4>\nO decreto publicado no D.O traz as especificidades da bebida e define o que \u00e9 caipirinha\n<h4><strong>Branquinhas<\/strong><\/h4>\nFabricadas em Minas Gerais ou em outros Estados, branquinhas, amareladas, envelhecidas em ton\u00e9is de carvalho ou alum\u00ednio.\n\n<strong>A cacha\u00e7a, nos nossos sert\u00f5es, \u00e9 mezinha para males f\u00edsicos e mesmo morais: <\/strong>h\u00e1 contrariedade? toma-se um gole e tudo desaparecer\u00e1; reina alegria? sa\u00fada-se esta alegria com uma bicada; d\u00f3i o dente? bochecha-se <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e a dor some; h\u00e1 falta de apetite? tome-se um aperitivo de cacha\u00e7a e a fome volta voraz; falta coragem para resolver um neg\u00f3cio s\u00e9rio? uma lambada forte de cacha\u00e7a, torna-se corajoso; falta-lhe disposi\u00e7\u00e3o de falar em p\u00fablico? uma chamada boa de cacha\u00e7a torna-o orador; faz frio? toma-se uma talagada de cacha\u00e7a e esquenta-se; faz calor? toma-se um golinho de cacha\u00e7a e refresca-se&#8230;\n\n<strong>Por causa da opularidade da cacha\u00e7a os seus apelidos s\u00e3o numerosos e pitorescos:<\/strong>\n\nbranquinha, mata-bicho, tira-teima, malfadada, desgra\u00e7ada, para-ti, abrideira, \u00e1gua bruta, \u00e1gua-de-briga, \u00e1gua-que-gato-n\u00e3o-bebe, \u00e1gua-que-passarinho-n\u00e3o-bebe, bagaceira, baronesa, bicha, bico, branca, brasa, brasileira, c\u00e2ndida, caiana, cana, caninha, canjica, catuta, caxaramba, caxiri, cobreiro, corta-bainha, camulaia, dindinha, dengosa, desmancha-samba, dona branca, elixir, engasga-gato, esp\u00edrito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, fruta, g\u00e1s, girgolina, gororoba, gram\u00e1tica, homeopatia, imaculada, j\u00e1-come\u00e7a, jerebita, jinjibirra, jura, legume, malunga, mam\u00e3e-de-luanda, mam\u00e3e-de-aruanda, mam\u00e3e-sacode, marafa, maria-branca, meu-consolo, mo\u00e7a-branca, patr\u00edcia, perigosa, pinga, prego, purinha, rama, rem\u00e9dio, restilo, samba, sete-virtudes, sinhazinha, sumo-de-cana, suor-de-alambique, tafi\u00e1, teimosa, tiquira, tome-ju\u00edzo etc. etc. Note-se que estes apelidos da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>s\u00e3o regionais, pois em cada regi\u00e3o do Brasil tem o seu pitoresco em ser apelidada pelos seus bebedores.\n<h4>Dicas para degustar uma cacha\u00e7a<\/h4>\nDegustar <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 uma arte que nem todos sabem e que precisa ser exercitada. Mesmo n\u00e3o sendo perito, \u00e9 f\u00e1cil saber se uma cacha\u00e7a \u00e9 boa ou ruim. H\u00e1 algumas dicas para isso. Mesmo que n\u00e3o se goste de beber, pelo menos n\u00e3o se erra na hora de presentear os amigos. Sempre, antes de tomar o destilado, \u00e9 preciso examin\u00e1-lo.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>pode ser branca ou dourada, o que indica que a bebida foi envelhecida em um barril de madeira. H\u00e1 ainda as que t\u00eam um tom amarelo mais escuro, provavelmente pelo uso de melado ou caramelo para a altera\u00e7\u00e3o do sabor.\n\nA presen\u00e7a de ciscos &#8211; subst\u00e2ncias decantadas no fundo da garrafa ou insetos &#8211; \u00e9 mau sinal. A higiene em todo o processo \u00e9 determinante na qualidade final do produto.\n\nA forma\u00e7\u00e3o de espuma na parte de cima, quando sacudida vigorosamente, \u00e9 tamb\u00e9m um bom m\u00e9todo para avaliar a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ainda dentro da garrafa. Essa espuma dever\u00e1 se desfazer com uma certa rapidez, dando lugar a um &#8220;ros\u00e1rio&#8221; de contas gra\u00fadas, que desaparece em pouco mais de 10 segundos. No restante da bebida tamb\u00e9m formar-se-\u00e3o pequenas bolhas, em grande quantidade, desaparecendo nesse mesmo tempo, indicando boa gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica e boa destila\u00e7\u00e3o.\n\nRecomenda-se, para degusta\u00e7\u00e3o, um c\u00e1lice branco, liso e de boca larga. Uma por\u00e7\u00e3o da bebida deve ficar agarrada nas paredes do c\u00e1lice, escorrendo mais devagar, indicando a oleosidade do l\u00edquido. Isso \u00e9 sinal de cacha\u00e7a bem encorpada.\n\nAinda antes de beber, \u00e9 preciso sentir o buqu\u00ea da pinga, cheirando profundamente e sentindo um aroma agrad\u00e1vel. A exala\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode arder nos olhos.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>deve ficar por alguns segundos na boca. Uma boa cacha\u00e7a apresenta quatro sabores &#8211; adocicado, \u00e1cido, amargo e salgado &#8211; mais ou menos acentuados, dependendo da marca.\n\n<strong>E muito importante: <\/strong>a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>n\u00e3o pode queimar profundamente mas sim de uma forma agrad\u00e1vel.\n\nDor de cabe\u00e7a e v\u00f4mitos tamb\u00e9m n\u00e3o fazem parte dos efeitos do dia seguinte. Claro, por se tratar de uma bebida forte, o excesso pode causar mal estar, mas nada de ressacas terr\u00edveis.\n<h4>Quem prova, aprova o sabor da cacha\u00e7a<\/h4>\nCaipirinha populariza a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e se transforma em culto nos pa\u00edses da Europa, \u00c1sia e Estados Unidos.\n\nAl\u00e9m do sabor e aroma, a cacha\u00e7a possui uma enorme versatilidade. Pode ser degustada pura, on the rocks ou em drinks com as mais variadas frutas. Entre os principais coquet\u00e9is destaca-se a famosa caipirinha.\n\n<strong>Presen\u00e7a obrigat\u00f3ria em toda festa brasileira, o drink impressiona pela simplicidade da f\u00f3rmula: <\/strong>um lim\u00e3o cortado em rodelas, pressionado por um socador de madeira dentro de um copo com duas doses de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, duas colheres de a\u00e7\u00facar e gelo picado.\n\nT\u00e3o singela quanto deliciosa, a bebida j\u00e1 conquistou adeptos em todo o mundo. Um fen\u00f4meno de simplicidade e requinte, a caipirinha virou sin\u00f4nimo de alegria e espontaneidade do povo brasileiro. Provar a bebida \u00e9 como sentir o gosto do Brasil.\n\nDiferente dos outros destilados, a suavidade e refresc\u00e2ncia da mistura agradam inclusive ao p\u00fablico feminino. O drink \u00e9 considerado fashion, requintado e \u00e9 aprovado pela maioria das mulheres que freq\u00fcentam bares e restaurantes pelo mundo inteiro.\n\nTamb\u00e9m entre especialistas a caipirinha conquista admiradores. Em 1998, a Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Barmen a incluiu entre as sete maravilhas da coquetelaria mundial.\n\nNo \u00faltimo ano do mil\u00eanio, a revista americana In Style a elegeu a &#8220;bebida mais quente do s\u00e9culo&#8221;.\n\nA caipirinha \u00e9 um sucesso ineg\u00e1vel, mas n\u00e3o se pode esquecer que rea\u00e7\u00f5es positivas ocorrem tamb\u00e9m quando os estrangeiros experimentam as batidas de frutas tropicais ou, \u00e9 claro, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>pura, que pode ser tamb\u00e9m envelhecida.\n\nProva de que o arsenal \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o dos fabricantes para conquistar o mercado externo \u00e9 diversificado.\n\nFonte: www.arara.fr\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens. A \u00e1gua que pega fogo &#8211; \u00e1gua ardente &#8211; aparece nos registros do Tratado da Ci\u00eancia escrito por Pl\u00ednio, o velho, que viveu entre os anos 23 e 79 d. C. A \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos alquimistas que lhe atribuem propriedades m\u00edstico-medicinais. Transforma-se em \u00e1gua da vida. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes ao que conhecemos hoje.\n\nNa It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras germ\u00e2nicas, destila-se a partir da cereja, o Kirsch. Na Esc\u00f3cia, fica popular o Whisky, destilado da cevada sacrificada. No Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia, a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz.\n\nMinas Gerais produz cerca de 200 milh\u00f5es de litros por safra, o que representa cerca de 50% da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a de alambique. S\u00e3o 8.500 alambiques, mas apenas 500 s\u00e3o registrados no Minist\u00e9rio da Agriculura. No Brasil contam-se 30.000 alambiques.\n\nDe acordo com Cristiano Lamego, Superintendente Executivo do Sindicato das Ind\u00fastrias de Cerveja e Bebidas em Geral do Estado de Minas Gerais &#8211; SINDBEBIDAS, &#8220;o mercado interno tem se mostrado est\u00e1vel ao longo dos anos. N\u00e3o existe evolu\u00e7\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o e de consumo em rela\u00e7\u00e3o a volume de produ\u00e7\u00e3o.\n\nO fato mais relevante \u00e9 amplia\u00e7\u00e3o do mercado consumidor. Cada vez mais a cacha\u00e7a se torna uma bebida nobre com aceita\u00e7\u00e3o cada vez maior do p\u00fablico classe A. Outro fato relevante \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o cada vez maior da cacha\u00e7a pelo p\u00fablico feminino&#8221;.\n\nQuanto ao mercado externo, de acordo com Cristiano Lamego, ser\u00e1 necess\u00e1rio um esfor\u00e7o de marketing para fazer com que reconhe\u00e7am a diferen\u00e7a entre uma cacha\u00e7a de alambique de uma cacha\u00e7a de coluna ou industrial, j\u00e1 que l\u00e1 fora a cacha\u00e7a \u00e9 vista somente como base para a caipirinha.\n\nA grande dificuldade dos fabricantes continua sendo a quest\u00e3o tribut\u00e1ria. &#8220;Altos impostos fazendo com que os produtores continuem informais, trazendo graves problemas sociais para os mesmos. As cacha\u00e7as de alambique de Minas tiveram seus valores de IPI reajustados em at\u00e9 700%. Para exemplificar, o IPI de uma garrafa de alambique chega a R$ 2,23, enquanto uma cacha\u00e7a de coluna ou industrial recolhe em m\u00e9dia 0,38 por garrafa.\n\n\u00c9 uma diferen\u00e7a brutal que vem impactando diretamente na alta informalidade do setor. Al\u00e9m disto, os produtores de cacha\u00e7a de alambique foram recentemente impedidos de se enquadrarem ao SIMPLES. (Programa Federal de Impostos),agravando ainda mais a situa\u00e7\u00e3o&#8221;. Explica Cristiano.\n\nReceitas, livros, produtos feitos \u00e0 base de cacha\u00e7a. A bebida se tornou, muitas vezes, ingrediente principal na cozinha de grandes chefs e de restaurantes. De acordo com Cristiano, &#8220;a novidade \u00e9 a constata\u00e7\u00e3o da grande flexibilidade que a cacha\u00e7a de alambique possui para o preparo de drinques e coquet\u00e9is.\n\nSe pegarmos, por exemplo, os dez drinques mais conhecidos do mundo e substituirmos a bebida alco\u00f3lica, seja vodka, tequila ou outras, por cacha\u00e7a, o resultado ser\u00e1 fant\u00e1stico. Tamb\u00e9m \u00e9 cada vez maior o uso da cacha\u00e7a na culin\u00e1ria. Os produtores t\u00eam investido em melhoria de embalagens e r\u00f3tulos e lan\u00e7ando produtos \u00e0 base de cacha\u00e7a, como Ice e caipirinhas prontas para atingir o p\u00fablico mais jovem&#8221;.\n\nNo Parque Ecol\u00f3gico da Cacha\u00e7aria Vale Verde s\u00e3o fabricadas as tradicionais cacha\u00e7as Vale Verde e a envelhecida Minha Deusa, produtos que s\u00e3o o resultado de uma combina\u00e7\u00e3o de sofisticadas t\u00e9cnicas de fermenta\u00e7\u00e3o e destila\u00e7\u00e3o, trazidas da Europa em meados dos anos 80.\n\nAl\u00e9m das novas t\u00e9cnicas, o solo calc\u00e1rio da Fazenda contribuiu para enriquecer o sabor e a textura da cana dando um agrad\u00e1vel paladar ao produto final.\n\nEmbora passem pelo mesmo processo de fabrica\u00e7\u00e3o, as duas marcas possuem caracter\u00edsticas distintas: a Vale Verde, com sua cor dourada e sabor suave, \u00e9 envelhecida por tr\u00eas anos em barris de carvalho europeus; j\u00e1 a Minha Deusa \u00e9 engarrafada e sai pronta para comercializa\u00e7\u00e3o.\n\nO Vale Verde Alambique Parque Ecol\u00f3gico \u00e9 aberto ao p\u00fablico. Al\u00e9m do alambique, h\u00e1 uma enorme \u00e1rea verde com in\u00fameras esp\u00e9cies de aves silvestres, algumas, amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o e orqu\u00eddeas em exposi\u00e7\u00e3o. O restaurante oferece pratos \u00e0 base de cacha\u00e7a e v\u00e1rias op\u00e7\u00f5es de saladas, pratos quentes, drinques e sobremesa.\n\nFonte: www.chefonline.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nA <strong>cana-de-a\u00e7\u00facar<\/strong>, elemento b\u00e1sico para a obten\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rios tipos de \u00e1lcool, entre eles o et\u00edlico, \u00e9 uma planta pertencente \u00e0 fam\u00edlia das gram\u00edneas (Saccharum officinarum) origin\u00e1ria da \u00c1sia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da Hist\u00f3ria.\n\nOs primeiros relatos sobre a fermenta\u00e7\u00e3o v\u00eam dos eg\u00edpcios antigos. Curavam v\u00e1rias mol\u00e9stias, inalando vapor de l\u00edquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.\n\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens, a \u00e1gua que pega fogo &#8211; <strong>\u00e1gua ardente <\/strong>(Al Kuhu).\n\nA \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades m\u00edstico-medicinais. Se transforma em \u00e1gua da vida. A Eau de Vie \u00e9 receitada como elixir da longevidade. A aguardente ent\u00e3o da Europa vai para o Oriente M\u00e9dio, pela for\u00e7a da expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje.\n\n<strong>Eles n\u00e3o usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia: <\/strong>Arak.\n\nUma aguardente misturada com licores de anis e degustada com \u00e1gua.\n\nA tecnologia de produ\u00e7\u00e3o espalha-se pelo Velho e Novo Mundo. Na It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germ\u00e2nicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Esc\u00f3cia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.No Extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz.Portugal tamb\u00e9m absorve a tecnologia dos \u00e1rabes e destila a partir do baga\u00e7o de uva, a Bagaceira.\n\nOs portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lan\u00e7am-se ao mar. Na vontade de explora\u00e7\u00e3o e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de A\u00e7\u00facar, vinda do sul da \u00c1sia. Assim surgem na nova col\u00f4nia portuguesa, os primeiros n\u00facleos de povoamento e agricultura.\n\nOs primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho do Porto. Assim como a alimenta\u00e7\u00e3o, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho entre o rec\u00f4ncavo baiano e a capitania de S\u00e3o Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana-de-a\u00e7\u00facar &#8211; Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura.\n\n\u00c9 uma bebida limpa, em compara\u00e7\u00e3o com o Cauim &#8211; vinho produzido pelos \u00edndios, no qual todos cospem num enorme caldeir\u00e3o de barro para ajudar na fermenta\u00e7\u00e3o do milho, acredita-se.\n\nOs senhores de engenho passam a servir o tal caldo, denominado Caga\u00e7a, para os escravos. Da\u00ed \u00e9 um pulo para destilar a Caga\u00e7a, nascendo a\u00ed a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nDos meados do S\u00e9culo XVI at\u00e9 metade do S\u00e9culo XVII as &#8220;casas de cozer m\u00e9is&#8221;, como est\u00e1 registrado, se multiplicam nos engenhos.\n\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>torna-se moeda corrente para compra de escravos na \u00c1frica. Alguns engenhos passam a dividir a aten\u00e7\u00e3o entre o a\u00e7\u00facar e a Cacha\u00e7a. A descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande popula\u00e7\u00e3o, vinda de todos os cantos do pa\u00eds, que constr\u00f3i cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinha\u00e7o. A Cacha\u00e7a ameniza a temperatura.\n\nIncomodada com a queda do com\u00e9rcio da Bagaceira e do vinho portugueses na col\u00f4nia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte pro\u00edbe v\u00e1rias vezes a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o consumo da <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nSem resultados, a Metr\u00f3pole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756, a aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar foi um dos g\u00eaneros que mais contribu\u00edram com impostos voltados para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755.\n\nPara a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong> s\u00e3o criados v\u00e1rios impostos conhecidos como subs\u00eddios, como o liter\u00e1rio, para manter as faculdades da Corte.\n\nComo s\u00edmbolo dos ideais de Liberdade, a Cacha\u00e7a percorre as bocas dos Inconfidentes e da popula\u00e7\u00e3o que apoia a Conjura\u00e7\u00e3o Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nCom o passar dos tempos melhoram-se as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 apreciada por todos. \u00c9 consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas &#8211; o famoso <strong>Quent\u00e3o<\/strong>.\n\nNo s\u00e9culo passado instala-se, com a economia cafeeira, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e o in\u00edcio da Rep\u00fablica, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda \u00e9 europ\u00e9ia e a cacha\u00e7a \u00e9 deixada um pouco de lado.\n\nEm 1922, a Semana da Arte Moderna, vem resgatar a Brasilidade. No decorrer do nosso s\u00e9culo, o samba \u00e9 resgatado. Vira o carnaval. Nestas \u00faltimas d\u00e9cadas a feijoada \u00e9 valorizada como comida brasileira especial e a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apura\u00e7\u00e3o de sua qualidade.\n\nHoje, v\u00e1rias marcas de alta qualidade figuram no com\u00e9rcio nacional e internacional e est\u00e3o presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais do Brasil e do mundo.\n\nFonte: www.ampaq.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nA nossa aguardente, a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, \u00e9 produzida a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar atrav\u00e9s da destila\u00e7\u00e3o da garapa fermentada. O Teor alco\u00f3lico deve ficar entre 38 e 54 graus.\n<h3>As primeiras aguardentes<\/h3>\nAs primeiras not\u00edcias sobre fermenta\u00e7\u00e3o vieram do Egito Antigo.\n\nOs eg\u00edpcios inalavam vapores de l\u00edquidos fermentados diretamente do bico da chaleira, com o intuito de curar mol\u00e9stias.\n\nNo entanto, os gregos chegaram primeiro ao processo de obten\u00e7\u00e3o da &#8220;\u00e1cqua ardens&#8221;, a \u00e1gua que pegava fogo ou \u00e1gua ardente. Da\u00ed, a receita foi parar com os alquimistas que viram, na bebida, propriedades medicinais e m\u00edsticas. Chegou a ser chamada de &#8220;\u00c1gua da Vida&#8221;. A &#8220;Eau de Vie&#8221; ou seja, o Elixir da Longevidade. A novidade foi primeiramente para a Europa e Oriente M\u00e9dio. Foram os \u00e1rabes que inventaram o processo de destila\u00e7\u00e3o semelhante ao atual.\n\nA tecnologia ent\u00e3o se espalhou pelo mundo. Utilizando por\u00e9m, cada pa\u00eds, uma mat\u00e9ria prima diferente. Na It\u00e1lia, a uva para fazer o Grappa; na Alemanha, a cereja para o Kirsch; na Esc\u00f3cia a cevada (ou o milho) para o U\u00edsque; na R\u00fassia o centeio para a Vodka; no Jap\u00e3o e na China, o arroz para o Sak\u00ea; em Portugal, a uva para a Bagaceira.\n<h3>Cacha\u00e7a &#8211; a aguardente \u00e0 moda brasileira<\/h3>\nForam os portugueses que trouxeram para o Brasil a nossa mat\u00e9ria prima, a cana-de-a\u00e7\u00facar, quando aqui estabeleceram os primeiros n\u00facleos de povoamento e implantaram a agricultura. Os lusitanos j\u00e1 tomavam e gostavam da Bagaceira. Tudo come\u00e7ou entre 1532 e 1548, na Capitania de S\u00e3o Vicente, quando foi descoberto, por acaso, o &#8220;vinho&#8221; da cana-de-a\u00e7\u00facar.\n\nMelhor dizendo, a garapa azeda da cana. Essa garapa, vinha dos engenhos de rapadura e ficava ao relento, em cochos de madeira, servindo apenas de alimento para os animais. Assim, fermentava com facilidade. Algu\u00e9m provou e notou que era melhor do que o cauim, dos \u00edndios, uma bebida produzida com o emprego de cuspe para facilitar a fermenta\u00e7\u00e3o do milho (ou mandioca).\n\nO Caldo azedo, com o nome Caga\u00e7a, passou ent\u00e3o a ser fornecido aos escravos para que pudessem suportar melhor a pesada carga de trabalho nos canaviais. Logo, por\u00e9m, tiveram a id\u00e9ia de destilar a caga\u00e7a e nasceu assim, a <strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nAs primeiras destilarias de cacha\u00e7a (do s\u00e9culo XVI ao XVII) eram denominadas de &#8220;casas de cozer m\u00e9is&#8221; e logo se multiplicaram, pela facilidade de j\u00e1 existirem engenhos para produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e rapadura. A novidade foi t\u00e3o apreciada que se tornou moeda corrente entre os escravos. A Corte tentou, v\u00e1rias vezes, proibir o consumo (em 1635) e at\u00e9 a fabrica\u00e7\u00e3o (em 1639) da cacha\u00e7a, mas n\u00e3o conseguiu.\n\nO motivo, logicamente era a concorr\u00eancia com a Bagaceira. A bebida j\u00e1 era muito apreciada e servia tamb\u00e9m para abrandar o frio, sobretudo nas baixas temperaturas como as da Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais, onde uma grande popula\u00e7\u00e3o se aglomerou em busca de ouro. Em 1756, n\u00e3o tendo tido \u00eaxito, na proibi\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o e muito menos do consumo, o Rei de Portugal resolveu taxar a nova bebida.\n\nA aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar foi, nessa \u00e9poca, um dos produtos brasileiros que mais contribu\u00edram com impostos. Esses recursos foram fundamentais para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abalada por um violento terremoto no ano anterior. A Aguardente brasileira foi assim, um s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa e esteve presente na mesa dos Inconfidentes.\n\nLogo melhoram as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>era exaltada por todos como uma \u00f3tima bebida e consumida at\u00e9 em banquetes palacianos. Misturada ao gengibre e outros ingredientes, era apreciada tamb\u00e9m nas festas religiosas portuguesas com o nome de Quent\u00e3o.\n\nQuando se iniciou a economia cafeeira, a implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, a nossa <strong>cacha\u00e7a <\/strong>passou a ser v\u00edtima de um preconceito irracional.\n\nEm 1922 no entanto, com a Semana da Arte Moderna, a cacha\u00e7a ganhou novamente o reconhecimento que merecia. Outras inven\u00e7\u00f5es genuinamente brasileiras, como o samba e a feijoada fizeram parte do resgate do brasileirismo.\n<h3>Bebida internacional<\/h3>\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ainda hoje enfrenta algum preconceito, mas hoje bem menos do que antes. Atualmente, v\u00e1rias destilarias, em todo o pa\u00eds, produzem cacha\u00e7as de excelente qualidade. S\u00e3o centenas, talvez milhares de marcas. Minas, Cear\u00e1 e Pernambuco, possuem juntos mais de mil marcas.\n\nMuitas com controle de qualidade e embalagens dignas do melhor u\u00edsque. Tal empenho dos fabricantes, conquistou o p\u00fablico feminino, abriu o com\u00e9rcio internacional e a nossa <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ganhou o mundo.\n\nFonte: www.cumbuca.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nBebidas fermentadas como o vinho e a cerveja, remontam aos prim\u00f3rdios da humanidade. No c\u00f3digo de Hamurabi na antiga Babil\u00f4nia, em 1750 a.c. j\u00e1 se mencionavam proibi\u00e7\u00f5es para sacerdotisas frequentarem tavernas.\n\nDurante s\u00e9culos a humanidade saboreou suas bebidas fermentadas, os babil\u00f4nios com sua cerveja, os gregos com o vinho e os \u00edndios brasileiros com o cai\u00e7uma, uma bebida fermentada a partir do milho. Os Salmos de Davi 103:15 diz &#8220;fazes brotar plantas \u00fateis ao homem, para que da terra ele tire o p\u00e3o e o vinho que alegra o cora\u00e7\u00e3o do homem&#8221;.\n\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens. A \u00c1gua que pega fogo &#8211; \u00e1gua ardente, aparece nos registros do Tratado da Ci\u00eancia escrito por Pl\u00ednio, o velho, que viveu entre os anos 23 e 79 depois de Cristo.\n\nEle conta que apanha o vapor da resina de cedro, do bico de uma chaleira, com um peda\u00e7o de l\u00e3. Torcendo o tecido obtem-se o Al kuhu. Foi no s\u00e9culo X que Avicena &#8211; m\u00e9dico, astr\u00f4nomo e fil\u00f3sofo \u00e1rabe &#8211; descobriu o processo de destila\u00e7\u00e3o do material fermentado. A destila\u00e7\u00e3o produz um l\u00edquido composto em sua maior parte por \u00e1lcool et\u00edlico. A palavra \u00e1lcool tem origem \u00e1rabe &#8220;Al Kuhul&#8221; que curiosamente significa fina poeira referindo-se ao sulfeto de antim\u00f4nio, cosm\u00e9tico muito usado pelos eg\u00edpcios. Posteriormente este termo passou a designar qualquer ess\u00eancia como o \u00e1lcool.\n\nEntre o s\u00e9culo X e XII, os alquimistas europeus classificaram o produto da destila\u00e7\u00e3o como &#8220;aqua ardens&#8221; literalmente \u00e1gua que pegava fogo. A \u00e1gua que ardia posteriormente foi obtida com um maior teor alco\u00f3lico e foi chamada de aqua vitae, eau de vie em franc\u00eas e uisqe beatha em irland\u00eas. Esta \u00e1gua da vida ou quintess\u00eancia era usada pelos m\u00e9dicos como rem\u00e9dio.\n\nCom o avan\u00e7o da ci\u00eancia os qu\u00edmicos classificaram os \u00e1lcoois e sua grande fam\u00edlia, o \u00e1lcool et\u00edlico \u00e9 o composto que nos embriaga. A famosa rea\u00e7\u00e3o de fermenta\u00e7\u00e3o onde a glicose vira \u00e1lcool \u00e9 chamada de rea\u00e7\u00e3o de Gay Lussac, famoso qu\u00edmico franc\u00eas. Ele deixou sua marca em cada garrafa pois ao lermos o teor alco\u00f3lico usamos a escala que tem seu nome.\n\nAvancemos um pouco no tempo, estamos no s\u00e9culo XVI, per\u00edodo da introdu\u00e7\u00e3o da cana de a\u00e7\u00facar no Brasil. Nos engenhos de cana, o que restava da produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar era dado aos escravos e aos animais. Este res\u00edduo era a borra do mela\u00e7o fermentada, conhecido como &#8220;vinho de cana&#8221;. Esta borra \u00e9 chamada at\u00e9 hoje pelos espanh\u00f3is de &#8220;cachaza&#8221; ou cagassa em portugu\u00eas. Os jesu\u00edtas registraram que a &#8220;\u00e1ugoa ardente&#8221; era dada aos escravos.\n\nBebidas alco\u00f3licas n\u00e3o eram muito comuns no continente africano, em fun\u00e7\u00e3o do islamismo (&#8220;\u00d3 v\u00f3s que credes, o vinho, os jogos de azar, os \u00eddolos e as flechas da adivinha\u00e7\u00e3o s\u00e3o obras repugnantes do dem\u00f4nio. Evitai-os. E possais prosperar!&#8221; Sura 5:90). Os \u00fanicos aguardentes existentes eram os de mel de abelha e sorgo.\n\nA \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades m\u00edstico-medicinais. Se transforma em \u00e1gua da vida. A Eau de Vie \u00e9 receitada como elixir da longevidade. A aguardente ent\u00e3o vai para da Europa para o Oriente M\u00e9dio, pela for\u00e7a da expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje.\n\nEles n\u00e3o usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia: Arak. Uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com \u00e1gua. A tecnologia de produ\u00e7\u00e3o espalha-se pelo velho e novo mundo. Na It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germ\u00e2nicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Esc\u00f3cia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.\n\nNo extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz. Portugal tamb\u00e9m absorve a tecnologia dos \u00e1rabes e destila a partir do baga\u00e7o de uva, a Bagaceira.\n\nAlgu\u00e9m teve ent\u00e3o a id\u00e9ia de usar a t\u00e9cnica de Avicena, nesta \u00e9poca j\u00e1 espalhada pela Europa, e destilar este res\u00edduo obtendo um destilado com alto teor alco\u00f3lico. Surgia assim a cacha\u00e7a. No in\u00edcio, a pinga era usada para amaciar a carne do cacha\u00e7o (porco). A origem deste nome \u00e9 controversa.\n\nMorais Silva, autor do primeiro grande dicion\u00e1rio de portguues em 1813 e dono de engenho, relata que quando se fervia a mistura aparecia um pesco\u00e7o ou cacha\u00e7o no tacho. Nas palavras dele a palavra cacha\u00e7a vem da &#8220;primeira fervura da cana, que se alteia e toma a forma de um cacha\u00e7o. Mas existe a palavra espanhola &#8220;cachaza&#8221; e fica-se na d\u00favida se foi o cacha\u00e7o portugu\u00eas que influenciou o espanhol ou vice-versa. A palavra teria origem espanhola, segundo o folclorista C\u00e2mara Cascudo.\n\nNo s\u00e9culo XVI em Portugal j\u00e1 se falava em cacha\u00e7a, o poeta S\u00e1 de Miranda, escrevia para um amigo em forma de versos: Ri n\u00e3o mordia a gra\u00e7a\/eram iguais os ju\u00edzes\/N\u00e3o vinha nada da pra\u00e7a\/Ali da vossa cacha\u00e7a\/Ali das vossas perdizes. Segundo o jesu\u00edta Andr\u00e9 Jo\u00e3o Antonil (1649-1716) em seu &#8220;Cultura e Opul\u00eancia no Brasil por suas Drogas e Minas&#8221;, cacha\u00e7a era a &#8220;&#8230;espuma grossa que se tira das caldeiras na primeira fervura do caldo de cana durante o processo de evapora\u00e7\u00e3o.&#8221;\n\nO fato \u00e9 que a palavra praticamente n\u00e3o foi usada em Portugal, existindo somente no Brasil para nomear a bebida destilada obtida do caldo ou mela\u00e7o da cana-de-a\u00e7\u00facar mo\u00edda.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-112780 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1302-Mar.-08-11.22.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" width=\"271\" height=\"497\" \/><\/p>\nDatam de 1516 as primeiras iniciativas oficiais para o estabelecimento da ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar no Brasil, na forma de &#8220;engenhos reais&#8221; por ordem de D. Manuel (1469-1521). No entanto, somente em 1532, aparecem as primeiras not\u00edcias de engenhos estabelecidos solidamente em terras brasileiras, sendo o mais famoso deles na Capitania de S\u00e3o Vicente, pr\u00f3ximo a Santos, no litoral paulista.\n\nNum engenho da Capitania de S\u00e3o Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de a\u00e7\u00facar &#8211; Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura. \u00c9 uma bebida limpa, em compara\u00e7\u00e3o com o Cauim &#8211; vinho produzido pelos \u00edndios, no qual todos cospem num enorme caldeir\u00e3o de barro para ajudar na fermenta\u00e7\u00e3o do milho, acredita-se.\n\nOs Senhores de Engenho passam a servir o tal caldo, denominado Caga\u00e7a, para os escravos. Da\u00ed \u00e9 um pulo para destilar a Caga\u00e7a, nascendo a\u00ed a Cacha\u00e7a.\n\nOs livros de hist\u00f3ria s\u00e3o un\u00e2nimes em afirmar que o primeiro lugar a produzir aguardente foi a Capitania de S\u00e3o Vicente, onde hoje fica o estado de S\u00e3o Paulo, j\u00e1 que l\u00e1 \u00e9 onde estava instalado o primeiro engenho real de cana.Em 1584, Gabriel Soares faz o relato de que j\u00e1 existiam 8 casas de &#8220;cozer mel&#8221; como eram chamados os engenhos que produziam a cacha\u00e7a, bem antes dos ingleses iniciarem a produ\u00e7\u00e3o de rum no Caribe em um processo assemelhado.\n\nNo alambique quando a temperatura chega a 78 graus o \u00e1lcool et\u00edlico ferve e se separa da \u00e1gua. O objetivo \u00e9 se livrar das partes t\u00f3xicas como o metanol e obter \u00e1lcool aromatizado. O segredo de uma destila\u00e7\u00e3o perfeita consiste em descartar-se o in\u00edcio e o fim da destila\u00e7\u00e3o chamada respectivamente de cacha\u00e7a de cabe\u00e7a e cacha\u00e7a de rabo, obtendo o meio que \u00e9 a cacha\u00e7a do cora\u00e7\u00e3o.\n\nEsta, com seus diversos compostos como \u00f3leos f\u00faseis \u00e9 que \u00e9 a cacha\u00e7a de boa qualidade, transparente, ideal para fazer caipirinha, com um teor de \u00e1lcool alco\u00f3lico acima de 40%.\n\nA cacha\u00e7a era fabricada quase em todo lugar onde houvesse um engenho de a\u00e7\u00facar, virou moeda de troca, usada para comprar escravos na \u00c1frica. A produ\u00e7\u00e3o nacional passou at\u00e9 a incomodar o governo portugu\u00eas que viu sua venda de vinho e de seu destilado, a bagaceira, despencarem. Tentaram proibir a produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a, mas tal tarefa revelou-se quase imposs\u00edvel.\n\nNos dias \u00famidos e frios, o duro trabalho nos canaviais tornava essencial a ingest\u00e3o de uma dose da &#8220;dengosa&#8221;. Era tamb\u00e9m excelente lenitivo para cativos adoentados. O trabalho nas Minas tamb\u00e9m nao se fazia sem a &#8220;branquinha&#8221;, que mantinha aquecidos os escravos que ficavam horas mergulhados nos rios, lidando com as bat\u00e9ias.\n\nDizia-se que podiam passar mal-vestidos e mal-alimentados, mas jamais sem um gole de aguardente. Sua situa\u00e7\u00e3o de g\u00eanero e primeira necessidade era t\u00e3o evidente que, em 1720, na vila de Pitangui, uma revolta quase eclodiu quando o governo tentou dificultar seu com\u00e9rcio.\n\nOs primeiros engenhos possu\u00edam quatro n\u00edveis para aproveitar a gravidade na transfer\u00eancia dos diferentes produtos. No primeiro n\u00edvel, a cana de a\u00e7\u00facar era recebida e mo\u00edda em engenho movido com roda de \u00e1gua, para extra\u00e7\u00e3o de seu caldo, o qual era transferido para um segundo n\u00edvel, mais baixo, onde era cozido em tachos de cobre para fabrica\u00e7\u00e3o de melado que, depois de fermentado em cochos de madeira, era transferido para o terceiro n\u00edvel, mais baixo que o segundo, para ser destilado.\n\nA cacha\u00e7a destilada era transferida para o quarto n\u00edvel, mais baixo que o terceiro, para ser armazenada em ton\u00e9is de madeira para envelhecimento. O aparelho de destila\u00e7\u00e3o, o alambique, compunha-se de duas pe\u00e7as: a inferior conhecida como curc\u00farbita ou caldeira e a superior denominada capitel.\n\nA primeira era um vaso bojudo de cobre com capacidade de 40 medidas (104 litros), com uma boca de 70 cent\u00edmetros de di\u00e2metro. A segunda pe\u00e7a, o capitel ou capacete, era feito em barro. de forma esf\u00e9rica inteiri\u00e7a. na propor\u00e7\u00e3o de um quarto da curc\u00farbita e ajustada na sua boca.\n\nNa parte lateral do capitel era instalada a serpentina, grosso tubo de barro afinando para sua extremidade aberta. Sobre a serpentina e o capitel era lan\u00e7ada \u00e1gua para condensa\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a vaporizada.\n<h4>As etapas para fabrica\u00e7\u00e3o da pinga artesanal essencialmente s\u00e3o:<\/h4>\n<blockquote><strong>1)<\/strong> A cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 mo\u00edda em um equipamento similar \u00e0queles de caldo de cana, vistos nas feiras livres (quanto mais doce a cana, melhor).\n\n<strong>2)<\/strong> A garapa \u00e9 levada ao cocho de fermenta\u00e7\u00e3o, onde passa uma noite fermentando sem ajuda de produtos qu\u00edmicos.\n\n<strong>3)<\/strong> J\u00e1 fermentada, a garapa chega ao alambique propriamente dito, onde s\u00e9ra fervida por seis horas, vaporizando,\n\n<strong>4)<\/strong> O vapor escoa pelo capelo (parte superior do alambique) at\u00e9 uma serpentina,\n\n<strong>5)<\/strong> Na serpentina, o vapor volta \u00e0 forma l\u00edquina, j\u00e1 pinga, saindo em uma bica direto para o barril, onde fica at\u00e9 alcan\u00e7ar o teor alc\u00f3olico de 20 graus.\n\n<strong>6)<\/strong> Descartam-se os primeiros e ultimos 10% da destila\u00e7\u00e3o e a cacha\u00e7a j\u00e1 esta prontar para ser servida e comercializada.<\/blockquote>\nSe o tr\u00e1fico com a \u00c1frica dependia primordialmente do escambo do tabaco, apoiava-se tamb\u00e9m na troca da aguardente brasileira. Tanto assim quem em 1649, quando proibida a fabrica\u00e7\u00e3o do &#8220;vinho do mel de cana&#8221;, por atrapalhar o com\u00e9rcio do vinho portugu\u00eas, houve grande rea\u00e7\u00e3o de todos os que se beneficiavam do com\u00e9rcio de escravos.\n\nAt\u00e9 1661, quando o veto foi levantado, a produ\u00e7\u00e3o permaneceu est\u00e1vel, contando inclusive com a coniv\u00eancia daqueles encarregados da admistra\u00e7\u00e3o colonial. Debret em seu livro Viagem pitoresca e Hist\u00f3rica ao Brasil de 1830 ao relatar as doen\u00e7as a que estavam sujeitos os escravos relata: &#8220;por\u00e9m, o mais incur\u00e1vel desse flagelos que grassam entre os escravos masculinos, \u00e9 o abuso da aguardente, cacha\u00e7a.\n\nEssa bebida, infelizmente de pre\u00e7o m\u00f3dico e com que se embebedam todos os dias, acaba por torn\u00e1-los tuberculosos, ceifando grande parte deles&#8221; o que mostra que a bebida tenha sido motivo para baixa de produtividade dos escravos.\n\nRugendas, na mesma \u00e9poca, referindo-se aos moradores do Rio de Janeiro relata: &#8220;sua sobriedade \u00e9 igualmente not\u00e1vel em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 bebida alco\u00f3lica, embora isso se aplique menos as classes inferiores, para as quais na verdade, os vinhos generosos e a aguardente de cana s\u00e3o necess\u00e1rios at\u00e9 certo ponto, pois de outro modo, os alimentos pesados, que constituem sua alimenta\u00e7\u00e3o principal, mandioca, milho, feij\u00e3o e carne seca salgada lhes seriam nocivos.\n\nRaramente se encontram b\u00eabados, mesmo entre os brasileiros (brancos nascidos no Brasil) da mais baixa categoria, tais excessos s\u00e3o mais frequentes entre negros e \u00edndios&#8221;. Adiante Rugendas mostra os efeitos do \u00e1lcool: &#8220;Em geral os divertimentos dos negros provocam desordens tanto mais graves quanto raramente eles tem o esp\u00edrito livre dos efeitos do \u00e1lcool, n\u00e3o somente porque bebem demasiado mas ainda porque suportam mal a bebida, bastando uma pequena dose de cacha\u00e7a, esp\u00e9cie de rum de m\u00e1 qualidade, para embriag\u00e1-los completamente. Imediatamente puxam-se as facas e os ferimentos graves e assass\u00edneos s\u00e3o mais do que comuns&#8221;\n\nAugusto de Saint-Hilaire, de junho de 1816 a agosto de 1822, percorrendo o Brasil do sul, fixado em livros incompar\u00e1veis, informava em 1819 que Cacha\u00e7a \u00e9 a aguardente do pa\u00eds. Apesar do registro vulgarizador, o grande bot\u00e2nico n\u00e3o hesitou em afirmar: &#8220;N\u00e3o se deva supor, todavia, que o gosto desses homens pela cacha\u00e7a os conduza freq\u00fcentemente \u00e0 embriaguez. Apresso-me a dizer, em louvor n\u00e3o s\u00f3 dos goianos, como ainda dos habitantes do Brasil em geral, que n\u00e3o me lembro de ter visto, no decurso das minhas longas viagens, um \u00fanico homem embriagado&#8221; (Viagem \u00e0s nascentes do rio S\u00e3o Francisco e pela prov\u00edncia de Goi\u00e1s, 2\u00ba, S\u00e3o Paulo, 1937).\n\nMais vivo \u00e9 o depoimento de George Gardner, de julho de 1836 a junho de 1841 no Brasil, colecionando plantas para os museus da Inglaterra. M\u00e9dico, Gardner ficou dois anos no Rio de Janeiro, passando \u00e0 Bahia, Recife, Cear\u00e1, alcan\u00e7ando o Piau\u00ed, Goi\u00e1s, Minas Gerais, visitando regi\u00f5es inexploradas, motivando o inimit\u00e1vel Travels in the interior of Brazil, Londres, 1846. Declara: &#8220;Vindo do Brasil desembarquei num domingo de manh\u00e3 em Liverpool, e vi nesse dia mais \u00e9brios, no meio das ruas dessa cidade, do que vi, entre os brasileiros, brancos ou mesti\u00e7os, durante toda a minha estada em seu pa\u00eds, que foi de cinco anos&#8221;.\n\nA leitura de &#8220;Hist\u00f3ria da alimenta\u00e7\u00e3o no Brasil&#8221; de C\u00e2mara Cascudo e &#8220;A\u00e7\u00facar&#8221; de Gilberto Freyre sugere que a cacha\u00e7a sempre foi o maior &#8220;mata-fome&#8221; do Brasil, fazendo a popula\u00e7\u00e3o mais pobre esquecer que o est\u00f4mago ronca e seguir com o trabalho.\n\nRugendas aponta o uso da aguardente como instrumento para desarticula\u00e7\u00e3o da oposi\u00e7\u00e3o dos negros \u00e0 escravid\u00e3o: &#8220;por toda a parte e com verdadeiro furor, os mercadores de escravos excitaram os chefes negros&#8230;com presentes&#8230;promessas de lucros fabulosos e finalmente empregaram a aguardente, veneno a que os negros n\u00e3o resistiam nunca&#8221;\n\nO governo portugu\u00eas resolveu cobrar taxas sobre a produ\u00e7\u00e3o. Os impostos sobre a cacha\u00e7a ajudaram a reconstruir Lisboa, abalada por um terremoto em 1756. Altos impostos cobrados pela coroa portuguesa foi uma das causas de revoltas no Brasil. Na Conjura\u00e7\u00e3o Mineira a cacha\u00e7a passou a ser um dos s\u00edmbolos.\n\nOs inconfidentes valorizavam o produto nacional e incentivaram o consumo do que at\u00e9 hoje os portugueses chamam de aguardente da terra. A cacha\u00e7a, sendo relativamente barata, tinha conquistado o pa\u00eds. Em quatro s\u00e9culos de hist\u00f3ria ganhou diversos nomes.\n\nO novo dicion\u00e1rio Houaiss registra mais de 500 sin\u00f4nimos para a cacha\u00e7a do &#8220;abre&#8221; \u00e0 &#8220;zuninga&#8221;. Embora a elite brasileira tenha por vezes torcido o nariz para a cacha\u00e7a ela tornou-se a bebida nacional, a cara do Brasil.\n\nNo s\u00e9culo 19, sua produ\u00e7\u00e3o e consumo j\u00e1 estavam t\u00e3o disseminado e identificados com a terra que a cacha\u00e7a tornou-se, ent\u00e3o sin\u00f4nimo de brasilidade. Na Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817, bem como nas lutas de Independ\u00eancia, brindar com vinho ou outra bebida significava alinhar-se com o lado portugu\u00eas.\n\nA situa\u00e7\u00e3o tornou-se t\u00e3o extrema que, em certos lugares, n\u00e3o beber era considerado pouco patri\u00f3tico. Nas guerras Cisplatina, do Paraguai e de Canudos, recomendava-se a ingest\u00e3o de &#8220;janu\u00e1ria&#8221;com p\u00f3lvora, um santo rem\u00e9dio para a falta de coragem.\n\nObservou o citado C\u00e2mara Cascudo, em todo o norte do Brasil, um interessante rito da cacha\u00e7a, que assim nos descreve: Tendo na m\u00e3o o copo, feita a v\u00eania do estilo, o primeiro bebedor derrama um pouco do l\u00edquido no ch\u00e3o, antes do primeiro gole, nunca ali\u00e1s bebido por quem oferece o trago e sim pelo homenageado, quando s\u00f3 h\u00e1 um copo para os dois amigos.\n\nPerquirindo a origem do costume o ilustre rio-grandense-do-norte foi encontr\u00e1-la na libatio romana, cerim\u00f4nia pag\u00e3 que consistia em derramar no fogo ou no solo o vinho que sobrava das liba\u00e7\u00f5es.\n\nA &#8220;mo\u00e7a-branca&#8221; n\u00e3o ficaria de fora de um dos aspectos mais importantes da vida do brasileiro: a religi\u00e3o. No Candombl\u00e9 sua presen\u00e7a e constante, especialmente nos despachos. O catolicismo n\u00e3o foi menos influenciado pela &#8220;pindaiba&#8221;.\n\nO folclorista Melo Morais Filho registrou sua presen\u00e7a em um auto do ciclo de Natal, chamado &#8220;Baile da Aguardente&#8221;. S\u00e3o Benedito era catado nas trovas populares com o &#8220;santo preto, que bebe cacha\u00e7a e ronca no peito&#8221;. Mas a cacha\u00e7a era usada como rem\u00e9dio tamb\u00e9m. Quando a medicina sequer podia ser considerada uma ci\u00eancia j\u00e1 existiam elixires que em sua grande parte eram alco\u00f3licos.\n\nAt\u00e9 hoje no interior do Brasil \u00e9 comum tomar-se pinga com lim\u00e3o e mel. Um saud\u00e1vel rem\u00e9dio para gripes e resfriados. A aguardente tornava-se novamente a \u00e1qua da vida dos alquimistas. Hoje, s\u00e9culos depois, a cacha\u00e7a \u00e9 a segunda bebida mais consumida no Pa\u00eds, perdendo apenas para a cerveja, que no ano passado despejou mais de 9,7 bilh\u00f5es de litros nos copos dos brasileiros, contra 1,3 bilh\u00e3o de litros da aguardente.\n\nUma boa cacha\u00e7a \u00e9 definida no processo de fermenta\u00e7\u00e3o, pois \u00e9 nele que s\u00e3o formados todos os compostos. De nada adianta o cuidado nas outras etapas da produ\u00e7\u00e3o, se houver descuido durante a fermenta\u00e7\u00e3o.\n\nOs produtores costumam adicionar fub\u00e1 de milho, farelo de soja, querela de arroz, entre outros, ao caldo de cana na prepara\u00e7\u00e3o de receitas pr\u00f3prias do fermento iniciador, tamb\u00e9m chamado de p\u00e9-de-cuba. Segundo o pesquisador Carlos Rosa da UFMG, a maioria dos produtores acredita que o segredo est\u00e1 na mistura, que fermenta de cinco a 20 dias. Mas, na realidade, pouco importa o que vai ser adicionado ao caldo de cana, pelo menos em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento dos microorganismos presentes no ambiente. &#8220;Os gr\u00e3os n\u00e3o s\u00e3o fonte de nutrientes para o levedo, possivelmente, apenas servem de suporte para a sua prolifera\u00e7\u00e3o e ajudam na decanta\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Carlos Rosa.\n\nSe o processo foi conduzido com higiene e o tempo de fermenta\u00e7\u00e3o foi respeitado, o sucesso nessa etapa \u00e9 certo. Ao final do per\u00edodo de prepara\u00e7\u00e3o do p\u00e9-de-cuba, ocorre o predom\u00ednio da levedura Saccharomyces cerevisiae. Por ser um fungo altamente adaptado ao \u00e1lcool, o S. cerevisiae quase sempre domina a fermenta\u00e7\u00e3o de bebidas alco\u00f3licas.\n\nEntretanto, muitas linhagens diferentes dessa mesma levedura podem conduzir o processo. Isso significa que a cacha\u00e7a apresenta varia\u00e7\u00f5es de qualidade ao longo da safra, que, em Minas, vai de maio a novembro. Sem ter como avaliar, os produtores costumam misturar toda a cacha\u00e7a produzida ao longo de cada safra, correndo o risco de misturar uma excelente pinga com uma de pior qualidade. O resultado final \u00e9 uma cacha\u00e7a mediana.\n\nInfelizmente a originalidade de nossa cacha\u00e7a \u00e9 amea\u00e7ada pelo rum, primo da cacha\u00e7a pois \u00e9 tamb\u00e9m fabricado a partir da destila\u00e7\u00e3o da cana de a\u00e7\u00facar. O rum branco, destilado do mosto de cana fermentado sai do alambique com mais de 80% de teor alco\u00f3lico tendo seu teor alco\u00f3lico dilu\u00eddo para cerca de 40%. A mat\u00e9ria prima \u00e9 parecida mas o processo gera um produto diferente.\n\nEsta semelhan\u00e7a faz com que diversos dicion\u00e1rios e artigos na imprensa mundo afora ignorem a cacha\u00e7a por ach\u00e1-la semelhante ao rum. N\u00f3s brasileiros temos parte da culpa pois por vezes chamamos fazemos caipirinha com vodka ou mesmo com o concorrente rum.\n\nDe acordo com o sistema de designa\u00e7\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial das Alfandegas (OMA) na categoria bebidas, a cacha\u00e7a n\u00e3o tem uma classifica\u00e7\u00e3o \u00fanica, como o u\u00edsque, vodka, etc, sendo classificada no grupos &#8220;outros destilados alco\u00f3licos&#8221;.\n\nOs produtores brasileiros ainda precisam cumprir algumas etapas para definir a palavra cacha\u00e7a como designa\u00e7\u00e3o de um produto t\u00edpico do Brasil e produzido exclusivamente em territ\u00f3rio nacional, para destac\u00e1-la no mercado internacional.\n\nEm primeiro lugar, o INPI conseguiu junto ao INPI franc\u00eas que se anulasse o registro de marca cacha\u00e7a indevidamente concedido na Fran\u00e7a por terceiros. O presidente Fernado Henrique Cardoso assinou na primeira semana de 2002 o decreto 4072 que estabelece que &#8220;cacha\u00e7a \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o t\u00edpica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com gradua\u00e7\u00e3o alc\u00f3olica de 38% a 48% em volume a 20 graus Celsius e com caracter\u00edsticas sensoriais peculiares&#8221; alterando assim o decreto 2314\/97 da Lei de Bebidas 8918 de 14.07.94.\n\nCom os recentes decretos presidenciais (incluindo o decreto 4062 de dezembro de 2001, que assegura o uso do termo cacha\u00e7a apenas para a aguardente nacional) o quadro da identifica\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a como rum pode ser finalmente revertido, com o aval da OMPI: &#8220;a pinga \u00e9 feita a partir do caldo da cana, enquanto o rum utiliza o mela\u00e7o.\n\nExistem diferen\u00e7as culturais, qu\u00edmicas e sensoriais entre as bebidas&#8221; , argumenta a presidente do Programa Brasileiro de Desenvolvimento da Aguardente de Cana (PBDAC), Maria das Vit\u00f3rias Cavalcanti.\n\nO pr\u00f3ximo passo \u00e9 obter junto ao INPI o registro de indica\u00e7\u00e0o geogr\u00e1fica, um atestado de proced\u00eancia e qualidade e finalmente modificar a classifica\u00e7\u00e3o da OMA. Pelo DECRETO N\u00ba 4.851, DE 2 DE OUTUBRO DE 2003, Art. 92, do governo Lula, &#8220;Cacha\u00e7a \u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o t\u00edpica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil, com gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica de trinta e oito a quarenta e oito por cento em volume, a vinte graus Celsius, obtida pela destila\u00e7\u00e3o do mosto fermentado de cana-de-a\u00e7\u00facar com caracter\u00edsticas sensoriais peculiares, podendo ser adicionada de a\u00e7\u00facares at\u00e9 seis gramas por litro, expressos em sacarose.\n<blockquote>\u00a7 1\u00ba A cacha\u00e7a que contiver a\u00e7\u00facares em quantidade superior a seis e inferior a trinta gramas por litro ser\u00e1 denominada cacha\u00e7a ado\u00e7ada.\n\n\u00a7 2\u00ba Ser\u00e1 denominada de cacha\u00e7a envelhecida, a bebida que contiver no m\u00ednimo cinq\u00fcenta por cento de aguardente de cana envelhecida, por um per\u00edodo n\u00e3o inferior a um ano, podendo ser adicionada de caramelo para a corre\u00e7\u00e3o da cor.\n\n\u00a7 3\u00ba O coeficiente de cong\u00eaneres da cacha\u00e7a n\u00e3o poder\u00e1 ser inferior a duzentos miligramas por cem mililitros de \u00e1lcool anidro.&#8221;<\/blockquote>\nNos \u00faltimos sete anos, as exporta\u00e7\u00f5es cresceram quase 100%, de 5,6 milh\u00f5es de litros em 1995 para 11,1 milh\u00f5es de litros em 2001. Em d\u00f3lares, foi um salto de US$ 5,6 milh\u00f5es para US$ 9 milh\u00f5es. Em termos absolutos, estes n\u00e3o chegam a ser n\u00fameros expressivos.\n\nApenas para comparar, s\u00f3 de suco de laranja o Brasil exportou, no ano passado, US$ 812 milh\u00f5es. Mas indicam a exist\u00eancia de um mercado externo n\u00e3o atendido. O principal mercado consumidor da cacha\u00e7a brasileira \u00e9 a Europa, que, em 2000, consumiu quase metade (49%) das exporta\u00e7\u00f5es.\n\nA Alemanha responde, sozinha, por 30% (US$ 2 milh\u00f5es) do total exportado. Se na Alemanha a cacha\u00e7a se vai consolidando, em outros mercados de grande potencial as vendas continuam engatinhando. Os Estados Unidos, que consomem anualmente 495 milh\u00f5es de litros de destilados brancos &#8211; gim, vodka e tequila -, respondem por apenas 4% das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras de cacha\u00e7a.\n\nParte desse baixo desempenho no mercado norte-americano se explica pelo fato de que, nos Estados Unidos, a cacha\u00e7a passou a ser considerada rum. Primeiro, porque, classificada como rum, a cacha\u00e7a \u00e9 tributada em US$ 0,19 por litro exportado.\n\nSe integrasse a lista dos &#8220;outros destilados&#8221;, como ocorria antes de 2000, a cacha\u00e7a seria isenta de tributa\u00e7\u00e3o. O segundo motivo \u00e9 que essa classifica\u00e7\u00e3o dificulta sua dissemina\u00e7\u00e3o no mercado norte-americano, porque impede campanhas de divulga\u00e7\u00e3o que d\u00eaem \u00e0 cacha\u00e7a uma imagem ligada ao Brasil\n\nFonte: inventabrasilnet.t5.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><strong>&#8220;Quando o Brasil criar ju\u00edzo e se tornar uma pot\u00eancia mundial, ser\u00e1 a cacha\u00e7a e n\u00e3o o whisky a bebida do planeta&#8221; &#8211; Sobral Pinto &#8211; Jurista<\/strong><\/p>\nA <strong>cana de ac\u00facar <\/strong>foi cultivada pelos eg\u00edpcios, gregos e povos do Oriente M\u00e9dio. Na Am\u00e9rica, a cana chegou por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo, que trouxe as primeiras mudas para S\u00e3o Domingos, Rep\u00fablica Dominicana, em 1493, em sua segunda viagem \u00e0 America.\n\nH\u00e1 ind\u00edcios de que a planta j\u00e1 era cultivada no Brasil antes da chegada de Cabral.\n\nOficialmente o ingresso das primeiras mudas no pa\u00eds, trazida da ilha da Madeira pelos portugueses, no ano de 1534, se deu por S\u00e3o Paulo, estendeu-se para a Bahia, Rio de Janeiro e se consolidou como lavoura comercal em Minas Gerais.\n\nA cana-de-ac\u00facar chegou ao Rio Grande do Sul atrav\u00e9s dos a\u00e7orianos, que se instalaram no litoral norte (Santo Ant\u00f4nio da Patrulha, Os\u00f3rio, Torres) por volta de 1720, e trouxeram as mudas da planta em suas bagagens, junto veio a ind\u00fastria caseira de seus derviados. A cultura da cana j\u00e1 era um dos principais produtos da economia brasileira no in\u00edco do s\u00e9culo XVII.\n<h4>A Destila\u00e7\u00e3o<\/h4>\nOs Eg\u00edpcios antigos s\u00e3o quem descobriram o princ\u00edpio da destila\u00e7\u00e3o.\n\nEles curavam v\u00e1rias mol\u00e9stias inalando os vapores l\u00edquidos aromatizados e fermentados diretamente do bico de uma panela, tipo chaleira, em um quarto fechado.\n\nJ\u00e1 os gregos descobriram o processo de destila\u00e7\u00e3o da &#8220;acqua ardns&#8221;. A \u00e1gua que pega fogo, a \u00e1gua ardente, conforme descrito por Pl\u00ednio, O Velho, que viveu de 23 a 79 d.C, no Tratado da Ci\u00eancia.\n\nA \u00e1gu ardente vai para a m\u00e3o dos alquimistas, que levaram a f\u00f3rmula para a Fran\u00e7a. Crediam-lhe propriedades m\u00edstico-medicinais.\n\n<strong>Surge da\u00ed a \u00c1gua da Vida, ou &#8220;Eau de Vie&#8221;, receitada como elixir de longevidade: <\/strong>um c\u00e1lice di\u00e1rio de &#8220;Eau de Vie&#8221; prolongaria a vida.\n\nEla era obtida das mais variadas frutas e gr\u00e3os. Ao mesmo tempo, por for\u00e7a da expans\u00e3o romana, os \u00e1rabes, habitantes da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia, apossaram-se da f\u00f3rmula. Forma eles que descobriram os equipamentos de destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje, e destilavam o Arak.\n\nDa Fran\u00e7a foi para a It\u00e1lia, onde destlando a uva surgiria a &#8220;grappa&#8221;; entretanto na Alemanha, a partir da cerveja fez-se o Kirsh; da Esc\u00f3cia surgiu o wisky, destilando-se o mostro do gr\u00e3o da cevada; da R\u00fassia, a vodca do centeio; da China e Jap\u00e3o, o saqu\u00ea do arroz; e de Portugal, nasce a bagaceira, do baga\u00e7o da uva.\n<h4>Cacha\u00e7a<\/h4>\nNa nova col\u00f4nia de Portugal, os primeiros colonizadores apreciavam a bagaceira e o vinho portugu\u00eas.\n\nUm dia, num engenho (local onde se produzia a\u00e7\u00facar), da Capitania de S\u00e3o Vicente (hoje, S\u00e3o Paulo), entre os anos de 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana-de-a\u00e7\u00facar, que nada mais era que o resto de garapa que fermentou, porque ficou em cocho de madeira ao relento, para ser servida aos animais. Por ser doce, e a temperatura ambiental quente, a mesma teve uma fermenta\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea.\n\nAo fazer a rapadura, no tacho, era colhida com espumadeira a espuma por cima do caldo de cana que estava sendo cozido. Tal espuma e que fermentou, e se tornou \u00e1lcool pobre, de baixa gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica. Um escravo tomou tal caldo (vinho de cana) e alterou o seu comportamento no sentido de aguentar e suportar mais a dor.\n\nAo observar que o mesmo trabalhava mais e melhor, o Senhor do Engenho deduziu que se tratava de um l\u00edquido estimulante. Passou a servir ent\u00e3o para todos os escravos, que sentiam muito &#8220;Banzo&#8221;, ou seja, saudades de sua terra natal, a \u00c1frica. Esse caldo fermentado era ent\u00e3o o subproduto dos tachos da rapadura, a espuma que era denominada &#8220;Caga\u00e7a&#8221;.\n\nComo os portugueses, que eram donos dos engenhos, conheciam o processo de produ\u00e7\u00e3oda bagaceira, trouxeram de Portugal alambiques de barro que utilizavam na destila\u00e7\u00e3o de mesma e come\u00e7aram a destilar a &#8220;Caga\u00e7a&#8221; fermentada, e foi da\u00ed que surgiu o nome <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nPortanto \u00e9 um produto genuinamente BRASILEIRO.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>atravessou os s\u00e9culos ganhando qualidade e incorporando as melhores t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A cacha\u00e7a brasileira \u00e9 feita com padr\u00f5es compar\u00e1veis aos melhores destilados do mundo, tal seja o whisky, grappa, saqu\u00ea, conhaque, etc&#8230;\n\nEste s\u00e9culo ser\u00e1 o da genu\u00edna bebida brasileira &#8211; A <strong>CACHA\u00c7A<\/strong>!\n\nHoje a produ\u00e7\u00e3o brasileira \u00e9 de 1,3 bilh\u00f5es de litros por ano. \u00c9 a primeira bebida mais consumida no pa\u00eds e terceira no mundo.\n<h4>Tipos de Cacha\u00e7a: Industrial e de Alambique<\/h4>\n<strong>A cacha\u00e7a \u00e9 produzida atrav\u00e9s de dois processo bastante distintos:<\/strong>\n<h4>Industrial<\/h4>\nProduzida em grandes destilarias, localizada especilamente no Estado de S\u00e3o Paulo.\n\nNo processo industrial, como de siz o nome, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 produzida em volume industrial, ou seja, em grandes volumes, isto \u00e9, 300 a 400 mil litros\/dia. A cana \u00e9 colhida ap\u00f3s a queima das folhas da planta no campo, transportada em grandes caminh\u00f5es e levada a moenda enorme de onde \u00e9 extra\u00eddo o suco da cana, o qual \u00e9 fermentado com adi\u00e7\u00e3o de levedos.\n\nAp\u00f3s a destila\u00e7\u00e3o se processa em Grandes Colunas de destila\u00e7\u00e3o, constru\u00eddasem a\u00e7o inox, e n\u00e3o h\u00e1 a separa\u00e7\u00e3o da cabe\u00e7a e cauda, mas a destila\u00e7\u00e3o continua, o que permite grande rendimento de produto, mas sem a qualidade de um destilado fino. O pocesso \u00e9 o mesmo da destila\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool carburante.\n\nPortanto a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>industrial obt\u00e9m no mercado pre\u00e7os bem menores por ser um produto de qualidade inferior.\n<h4>De Alambique<\/h4>\nProduzida em engenhos ou pequenas Destilarias Artesanais, tamb\u00e9m chamadas Alambiques.\n\nNeste processo, utiliza-se a cana-de-ac\u00facar cortada \u00e0 m\u00e3o, selecionada, sem a queima das folhas, apenas se faz a desfolha manualmente. A produ\u00e7\u00e3o neste sistema \u00e9 sempre em pequenas quantidades, isto \u00e9, de at\u00e9 5000 litros\/dia , sedndo que a m\u00e9dia fica pro volta de 1500 a 1800 litros\/dia.\n\nOs alambiques s\u00e3o sempre de cobre, similares aos usados para o conhaque, e utilizam o fogo direto ou vapor para o aquecimento . No processo de destila\u00e7\u00e3o \u00e9 decisiva a interven\u00e7\u00e3o do homem, que deve ser um profundo conhecedor do processo, e qual controla pessoalmente todo o ciclo.\n\nNo sistema de destila\u00e7\u00e3o artesanal, s\u00e3o separados os primeiros 10% que se chama &#8220;cabe\u00e7a&#8221;, aproveitados pro volta de 80% que se &#8220;cora\u00e7\u00e3o&#8221; ou a parte nobre do destilado e desprezado os 10% restantes que denominamos &#8220;cauda&#8221;. Assim obtemos um destilado nobre, refinado e de grande valor no mercado, que \u00e9 denominada a &#8220;<strong>CACHA\u00c7A DE ALAMBIQUE<\/strong>&#8220;.\n\nAlgumas <strong>cacha\u00e7as <\/strong>desta categoria, mesmo no Brasil chegam a valer 100 d\u00f3lares por garrafa.\n<h4>Branca ou Envelhecida<\/h4>\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>poder\u00e1 ser consumida branca, isto \u00e9, jovem como saiu do alambique, ou envelhecida, ap\u00f3s passar algum tempo ( no m\u00ednimo, um ano) em barris de madeira que poder\u00e1 ser carvalho (importado) ou outras madeiras nobres, de origem brasileira.\n<h4>Branca<\/h4>\nRecomendada para fazer a caipirinha*, coquet\u00e9is de frutas ou servir super gelado, em copos de cristal (tipo vodca).\n\n*<strong>Caipirinha: <\/strong>como diz o nome, come\u00e7ou como um drinque caipira, ou rural, vem da\u00ed o seu nome. Este encontro m\u00e1gico da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>de qualidade, com o lim\u00e3o e o a\u00e7\u00facar de cana, t\u00e3o bem casados que est\u00e3o fazendo o maior sucesso no mundo.\n<h4>Envelhecida<\/h4>\nRecomenda-se para ser consumida como aperitivo, pura me c\u00e1lice pr\u00f3prio, acompanha petiscos, ou no happy hour, ou ainda na misturada com Coca-Cola, surgindo da\u00ed o famoso &#8220;Samba&#8221;, muito conhecido no Brasil (150ml de cola, 50ml de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, gelo \u00e0 vontade e uma rodela de lim\u00e3o), servido em copo long drink.\n\nO envelhecimento da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>traz \u00e0 mesma, mais qualidade, amadurece, arredonda e bonifica o paladar da mesma passando a ser um destilado envelhecido nobre e genu\u00edno.\n\nA madeira utilizada para o envelhecimento pode ir do carvalho, o mesmo que envelhece o whisky, o conhaque ou a grappa, at\u00e9 as madeiras de origem brasileira, como amburana, b\u00e1lsamo, jequitib\u00e1, grapia, etc&#8230;\n\nCada tipode madeira tem uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria e d\u00e1 uma personalidade a cada uma das <strong>cacha\u00e7as <\/strong>envelhecidas. O que agrada ao paladar de um pode n\u00e3o agradar a outro e assim sucessivamente.\n\nPortanto, s\u00f3 provando, sempre moderadamente, \u00e9 que podemos conhecer e escolher a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>que nos agrada mais.\n\nFonte: www.assbb.org.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<h4>Caipirinha, ou seja, cacha\u00e7a, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar: Breve hist\u00f3ria de um relacionamento<\/h4>\n<strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar. Quando contamos a hist\u00f3ria da caipirinha, referimonos \u00e0 hist\u00f3ria do relacionamento entre os tr\u00eas produtos, um relacionamento que \u00e9 bemsucedido, duradouro e que tem uma legi\u00e3o de admiradores. E, para fazermos essa narra\u00e7\u00e3o, vamos voltar no tempo e contar, sucintamente, a <strong>hist\u00f3ria da cacha\u00e7a <\/strong>e do a\u00e7\u00facar.\n\nDe onde eles vieram? A cana surgiu no Pac\u00edfico Sul, seguindo, ent\u00e3o, um roteiro que a levaria at\u00e9 \u00e0 \u00cdndia, onde, pela primeira vez, cinco s\u00e9culos antes de Cristo, o a\u00e7\u00facar dela seria extra\u00eddo.\n\nDa \u00cdndia, migrou para o Oriente M\u00e9dio, regi\u00e3o na qual foram criadas as primeiras rotas ligadas ao produto. Dali, a cana chegou ao Mediterr\u00e2neo, sendo cultivada, mais de mil anos depois, nas Ilhas Can\u00e1rias, situadas no Atl\u00e2ntico.\n\nDessas ilhas, foi transportada para o Brasil, transformando o Nordeste em seu reino e transformando- se, j\u00e1 a partir do s\u00e9culo XVI, no principal produto colonial de exporta\u00e7\u00e3o.\n\nA <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, por sua vez, foi concebida, ainda nas primeiras d\u00e9cadas da coloniza\u00e7\u00e3o, na Capitania de S\u00e3o Vicente, onde hoje \u00e9 o estado de S\u00e3o Paulo. No final do s\u00e9culo XVI, registrava- se a exist\u00eancia de oito engenhos dedicados \u00e0 sua produ\u00e7\u00e3o. Inicialmente, a bebida n\u00e3o possu\u00eda grande valor comercial e era feita pelos escravos \u00e0s escondidas, pois seus senhores n\u00e3o gostavam de v\u00ea-los consumindo-a.\n\nFoi assim at\u00e9 que ela caiu, de vez, no gosto popular \u0096 inclusive dos senhores \u0096 e virou, enfim, produto de exporta\u00e7\u00e3o, entrando nas rotas comerciais que envolviam o tr\u00e1fico negreiro, uma vez que encontrava enorme aceita\u00e7\u00e3o na \u00c1frica.\n\nO termo \u0093pinga\u0094 surgiu do vapor produzido pelo lento processo necess\u00e1rio para fermentar o l\u00edquido, na medida em que, ao subir, se condensava no teto e pingava.\n\n<strong>E a pinga do\u00eda quando ca\u00eda nos escravos, o que teria gerado outro voc\u00e1bulo: <\/strong>aguardente. Hip\u00f3tese controversa, por\u00e9m, pois a bebida proveniente da destila\u00e7\u00e3o j\u00e1 era chamada pelos alquimistas europeus, no s\u00e9culo XII, de aqua ardens.\n\nAinda no per\u00edodo colonial, surgiu uma diferencia\u00e7\u00e3o entre a bebida importada e a nacional.\n\nDenominava-se bagaceira a bebida destilada importada de Portugal, enquanto se conhecia por <strong>cacha\u00e7a <\/strong>a proveniente do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. O cachaceiro, que posteriormente seria a denomina\u00e7\u00e3o dada ao alco\u00f3latra, significava, na \u00e9poca, apenas o comerciante da bebida.\n\nO termo <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, ali\u00e1s, \u00e9 especificamente brasileiro. Um profundo conhecedor do assunto, como C\u00e2mara Cascudo, n\u00e3o apenas asseverou a inexist\u00eancia do voc\u00e1bulo no Brasil, mas tamb\u00e9m afirmou nunca ter ouvido tal palavra em Portugal. Em espanhol, por sua vez, <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 uma esp\u00e9cie de vinho de borras.\n\nA bebida caiu rapidamente no gosto popular e espalhou-se pelo Brasil \u00e0 medida que o Pa\u00eds ia sendo povoado. Em Minas Gerais, terra de ouro, de diamante, e de frio, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>encontrou terreno f\u00e9rtil para produ\u00e7\u00e3o e consumo. Os inconfidentes chegaram a eleg\u00ea-la uma esp\u00e9cie de bebida nacional, s\u00edmbolo dos brasileiros, a ser consumida de prefer\u00eancia ao vinho produzido pelos portugueses, considerado a bebida dos opressores.\n\nDomingos Xavier, por exemplo, um dos l\u00edderes da Revolta, era dono de um alambique e saciava os participantes das reuni\u00f5es com a<strong>cacha\u00e7a <\/strong>por ele mesmo produzida. E, adiantando um pouco mais no tempo, \u00e9 bom lembrar que os revolucion\u00e1rios de 1817, em Pernambuco, almejaram, tamb\u00e9m, a transforma\u00e7\u00e3o da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>em s\u00edmbolo nacional, em resposta a mais uma tentativa de proibi\u00e7\u00e3o por parte dos renitentes portugueses.\n\nNesse ritmo, a bebida chegou a batizar o porto de Parati, que virou sin\u00f4nimo de pinga. Ou foi Parati que batizou a cacha\u00e7a? A ordem dos fatores n\u00e3o \u00e9 de grande import\u00e2ncia, mas o fato \u00e9 que alambiques constru\u00eddos pelos portugueses surgiram em volta do porto ali constru\u00eddo.\n\nO Caminho Novo, liga\u00e7\u00e3o entre Minas e o mar, facilitou a subida da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>para as montanhas, as quais j\u00e1 eram providas, contudo, de diversos alambiques e engenhocas que proliferavam, embora como s\u00edmbolo de cacha\u00e7as mais sofisticadas.\n\nA produ\u00e7\u00e3o logo espalhou-se pela prov\u00edncia do Rio de Janeiro, chegando at\u00e9 Campos dos Goitacases, tradicional produtor a\u00e7ucareiro. E t\u00e3o importante era a bebida, que a regi\u00e3o terminou por protagonizar, em 1660, a Revolta da <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, quando os insurretos tomaram e governaram a cidade do Rio de Janeiro durante cinco meses, contra as proibi\u00e7\u00f5es de fabrica\u00e7\u00e3o e venda de aguardente.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>era produzida, normalmente, em pequenos engenhos \u0096 as chamadas engenhocas \u0096, e seu consumo estava predominantemente vinculado \u00e0s camadas mais baixas da popula\u00e7\u00e3o colonial.\n\n<strong>Em Minas Gerais, por exemplo, a grande produ\u00e7\u00e3o de aguardente, no s\u00e9culo XVIII, deveu- se ao mercado consumidor constitu\u00eddo pelas comunidades aur\u00edferas, mas teve como fator determinante, igualmente, a posi\u00e7\u00e3o peculiar dos engenhos mineiros: <\/strong>sem acesso ao mercado externo, especializaram sua produ\u00e7\u00e3o no com\u00e9rcio local e em pequena escala.\n\nDepois da Independ\u00eancia, manteve-se um ciclo produtivo ininterrupto, logrando Minas manter-se, ainda hoje, como centro produtor por excel\u00eancia. Assim, a exist\u00eancia de engenhocas no interior mineiro \u00e9 atestada ao longo do s\u00e9culo XIX por diversos viajantes que percorreram a regi\u00e3o no per\u00edodo.\n\nRichard Burton aludiu \u00e0 presen\u00e7a de uma delas em Jaboticatubas, e o Conde de Castelnau, \u00e0 de outra pr\u00f3xima a Juiz de Fora. Saint- Hilaire, por sua vez, definiu a cacha\u00e7a como \u0093a aguardente do Pa\u00eds\u0094.\n\nPortanto, como o fumo, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>tornou-se moeda de troca no tr\u00e1fico de escravos, inserindo o produto em um circuito econ\u00f4mico que ultrapassou o \u00e2mbito dom\u00e9stico e colocando muitos propriet\u00e1rios de engenhocas voltadas para a produ\u00e7\u00e3o de aguardente em contato com o com\u00e9rcio externo.\n\nCriou-se, contudo, uma dicotomia com os grandes engenhos, dedicando-se prioritariamente ao a\u00e7\u00facar e tendo em vista o mercado externo, e as engenhocas \u0096 na maioria das vezes clandestinas e sem a aparelhagem necess\u00e1ria \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e muito menos o capital para adquirilo, dedicando-se, de modo exclusivo, \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de rapadura e <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, produtos destinados, majoritariamente, ao mercado interno.\n\nConv\u00e9m ressaltar que nem s\u00f3 de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e vinho compunham-se os h\u00e1bitos et\u00edlicos no per\u00edodo colonial. Popularizou-se, por exemplo, o alu\u00e1, nome africano dado \u00e0 bebida fermentada de milho, de origem ind\u00edgena. E mesmo o consumo da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ganhou variantes, como o cachimbo, ou meladinha, <strong>cacha\u00e7a <\/strong>com mel de abelhas.\n\nO consumo de bebidas alc\u00f3olicas era compreendido, tamb\u00e9m, do ponto de vista de rem\u00e9dio a ser utilizados em diferentes ocasi\u00f5es. Poderia servir tanto como fortificante, tomado pela manh\u00e3 ou em situa\u00e7\u00f5es que exigiam grande esfor\u00e7o f\u00edsico -, quanto como prote\u00e7\u00e3o ao organismo, em situa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.\n\nEconomicamente, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>era considerada um produto menos nobre que o a\u00e7\u00facar, pois destinava-se, predominantemente, ao consumo local e, quando exportada, seu destino era a \u00c1frica, n\u00e3o alcan\u00e7ando o cobi\u00e7ado mercado europeu.\n\nEmbora pouco nobre, resistiu no mercado e tornou- se cada vez mais popular.\n\nQuanto \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e o vinho, criou-se, no per\u00edodo colonial, outra dicotomia que ainda hoje se mant\u00e9m nos h\u00e1bitos et\u00edlicos do brasileiro. O vinho esteve presente em festas e tradi\u00e7\u00f5es, como o coreto, reuni\u00f5es festivas nas quais as sauda\u00e7\u00f5es, acompanhadas pela bebida, eram cantadas. Permaneceu, assim, uma bebida tradicionalmente associada a ocasi\u00f5es solenes e \u00e0 elite, ao contr\u00e1rio da <strong>cacha\u00e7a<\/strong>; vinho de missa tornou-se, nesse sentido, express\u00e3o proverbial.\n\nA partir de ent\u00e3o, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>passou a ser uma concorrente inc\u00f4moda para os vinhos portugueses, o que levou a Coroa a proibir sua fabrica\u00e7\u00e3o.\n\nA primeira medida proibitiva data de 1639, ind\u00edcio claro do sucesso j\u00e1 obtido pela bebida.\n\nTodavia, nunca se conseguiu alcan\u00e7ar, nem de longe, tal objetivo. Percebendo que a proibi\u00e7\u00e3o jamais seria bem-sucedida, a Coroa preferiu render-se ao inimigo e explor\u00e1-lo a partir de diversos impostos, como a taxa institu\u00edda para auxiliar na reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, destru\u00edda por um terremoto em 1765, e o subs\u00eddio liter\u00e1rio, institu\u00eddo, em Minas, para financiar o pagamento de professores r\u00e9gios.\n\nA bebida passou a ser vista, com o tempo, como fortificante e, mais do que isso, como alimento imprescind\u00edvel para os escravos, o que foi reconhecido inclusive em relat\u00f3rios escritos por funcion\u00e1rios da Coroa.\n\nAli\u00e1s, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e suas variantes, como a pinga com lim\u00e3o e mel, foram vistas, desde cedo, como santo rem\u00e9dio para gripes e resfriados, seguindo costume arraigado no imagin\u00e1rio e na farmacop\u00e9ia popular que, desde o in\u00edcio, atribui \u00e0 bebida \u0096 consumida, \u00e9 claro, em doses adequadas \u0096 fun\u00e7\u00f5es terap\u00eauticas.\n\nQuanto \u00e0 caipirinha, ela surgiu quando os escravos, esses grandes experimentadores e criadores da culin\u00e1ria brasileira, resolveram misturar \u00e0 <strong>cacha\u00e7a <\/strong>sucos de frutas que, como o lim\u00e3o, eram tradicionalmente ignorados pela elite branca.\n\nA bebida teve como antecedente a batida-de lim\u00e3o, de origem tamb\u00e9m escrava, e tornou-se completa quando a ela foram adicionados a\u00e7\u00facar e casca de lim\u00e3o. A origem do termo \u0093caipirinha\u0094 permanece, todavia, obscura, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 nenhuma liga\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica entre seu consumo e a figura do caipira, habitante do interior brasileiro, tradicionalmente associado \u00e0s regi\u00f5es de Minas e S\u00e3o Paulo.\n\nTampouco se sabe como surgiu o h\u00e1bito de fazer batidas com <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, sendo a caipirinha apenas uma entre tantas, ainda que a mais famosa e, certamente, a mais caracteristicamente brasileira.\n\nO coco, o caju e o maracuj\u00e1 tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados, al\u00e9m de outras variantes como o leitede- on\u00e7a, feito \u00e0 base de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e creme de cacau.\n\nTodas essas bebidas possuem antecedentes, como a jinjibirra, feita \u00e0 base de garapa e frutas, apelidada de \u0093cerveja dos pobres\u0094 e encontrada no Nordeste at\u00e9 in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Em Minas Gerais, da mesma forma, tornou-se comum o consumo de um ponche feito com <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, laranja azeda e a\u00e7\u00facar.\n\nO que \u00e9, afinal, a caipirinha? Segundo a defini\u00e7\u00e3o presente no Decreto n\u00b0 4.800, de 2003, \u00e9 uma \u0093bebida t\u00edpica brasileira, com gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica de quinze a trinta e seis por cento em volume, a vinte graus Celsius, batida exclusivamente com <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, acrescida de lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar\u0094.\n\nNascida das m\u00e3os e da criatividade dos escravos, a caipirinha adquiriu, com o tempo, status internacional. Nos dias de hoje, ela j\u00e1 foi inclu\u00edda pela Associa\u00e7\u00e3o Internacional de Barmen entre os sete cl\u00e1ssicos da coquetelaria mundial, transformando-se em bebida muito apreciada em pa\u00edses como a Alemanha e os Estados Unidos, com consider\u00e1vel potencial consumidor e tradi\u00e7\u00e3o et\u00edlica.\n\nNesse mercado consumidor, o Brasil busca ocupar seu lugar, possuindo, hoje, cerca de 30 mil produtores de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e cerca de cinco mil marcas.\n\nA produ\u00e7\u00e3o anual alcan\u00e7a 1,3 bilh\u00e3o de litros, dos quais 900 mil s\u00e3o industrializados e 400 mil de alambique. As exporta\u00e7\u00f5es chegam aos 70 milh\u00f5es de litros, destinados a mais de 70 pa\u00edses.\n\nA caipirinha, por\u00e9m, permanece como uma bebida de fabrica\u00e7\u00e3o essencialmente dom\u00e9stica, embora j\u00e1 tenha sido consolidado um mercado de caipirinhas industrializadas.\n\nMas manda a tradi\u00e7\u00e3o, ainda, que cada um fabrique a sua, para consumo pr\u00f3prio ou para os amigos, ou que, em bares e restaurantes, o barman prepare a dose de cada cliente. A bebida \u00e9, ademais, associada a ocasi\u00f5es festivas, especiais, n\u00e3o sendo ligada ao consumo cotidiano, como \u00e9 o caso da cacha\u00e7a.\n\n<strong>Preparar a caipirinha \u00e9, assim, um ritual festivo, embora n\u00e3o acess\u00edvel a todos: <\/strong>cumpre saber prepar\u00e1- la, e \u00e9 sempre algu\u00e9m tido como expert no assunto que \u00e9 incumbido da tarefa.\n\n<strong>Tradicionalmente, a bebida \u00e9 vista como mais fraca e mais aceit\u00e1vel socialmente, o que gera uma situa\u00e7\u00e3o curiosa: <\/strong>o apreciador de caipirinha nem sempre \u00e9 um apreciador de cacha\u00e7a, considerada muito forte. Caipirinhas e batidas, de forma geral, s\u00e3o, ent\u00e3o, variantes mais festivas da cacha\u00e7a; assim s\u00e3o vistas, assim s\u00e3o consumidas.\n\n<strong>Ricardo Luiz de Souza<\/strong>\n\nFonte: www.dc.mre.gov.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nAntigamente, no Brasil, para se ter melado, os escravos colocavam o caldo da cana-de-a\u00e7\u00facar em um tacho e levavam ao fogo. N\u00e3o podiam parar de mexer at\u00e9 que uma consist\u00eancia cremosa surgisse.\n\nPor\u00e9m um dia, cansados de tanto mexer e com servi\u00e7os ainda por terminar, os escravos simplesmentepararam e o melado desandou !\n<h4><strong>O que fazer agora ?<\/strong><\/h4>\nA sa\u00edda que encontraram foi guardar o melado longe das vistas do feitor. No dia seguinte, encontraram o melado azedo (fermentado). N\u00e3o pensaram duas vezes e misturaram o tal melado azedo com o novo e levaram os dois ao fogo.\n<h4><strong>Resultado<\/strong><\/h4>\nO &#8220;azedo&#8221; do melado antigo era \u00e1lcool que aos poucos foi evaporando e se formou no teto do engenho umas goteiras que pingavam constantemente, era a cacha\u00e7a j\u00e1 formada que pingava (por isso o nome PINGA).\n\nQuando a pinga batia nas suas costas marcadas com as chibatadas dos feitores ardia muito, por isso deram o nome de &#8220;<strong>\u00c1GUA-ARDENTE<\/strong>&#8220;.\n\nCaindo em seus rostos e escorrendo at\u00e9 a boca, os escravos perceberam que, com a tal goteira, ficavam alegres e com vontade de dan\u00e7ar. E sempre que queriam ficar alegres repetiam o processo.\n\nHoje, como todos sabem, a <strong>AGUARDENTE <\/strong>\u00e9 s\u00edmbolo nacional !!!\n\nFonte: www.cachacaexport.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 genuinamente nacional. Sua hist\u00f3ria remonta ao tempo da escravid\u00e3o quando os escravos trabalhavam na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar da cana de a\u00e7\u00facar.\n\nO m\u00e9todo j\u00e1 era conhecido e consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida deix\u00e1-lo esfriar em f\u00f4rmas, obtendo a rapadura, com a qual ado\u00e7avam as bebidas.\n\nOcorre que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava caga\u00e7a e era jogado fora, pois n\u00e3o prestava para ado\u00e7ar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.\n\nOs senhores de engenho por vezes estimulavam aos seus escravos, mas a corte portuguesa, vendo nisto uma forma de rebeli\u00e3o, proibia que a referida bebida fosse dada aos negros, temendo um levante.\n\nCom o tempo esta bebida foi aperfei\u00e7oada, passando a ser filtrada e depois destilada, sendo muito apreciada em \u00e9pocas de frio. O processo de fermenta\u00e7\u00e3o com fub\u00e1 de milho remonta aos prim\u00f3rdios do nascimento da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e permanece at\u00e9 hoje com a maior parte dos produtores artesanais.\n\nExistem atualmente pesquisas de fermenta\u00e7\u00e3o com diversos produtos denominados enzimas que, aos poucos, est\u00e3o substituindo o processo antigo.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>sempre viveu na clandestinidade, sendo consumida principalmente por pessoas de baixa renda e, por isto, sua imagem ficou associada a produto de m\u00e1 qualidade. Mas atualmente ela ascendeu a n\u00edveis nunca antes sonhados e hoje \u00e9 uma bebida respeitada e apreciada mundialmente, j\u00e1 tendo conquistado a prefer\u00eancia de pessoas de alta classe e sendo servida em encontros pol\u00edticos internacionais e eventos de toda esp\u00e9cie pelo mundo afora.\n<h3>A Produ\u00e7\u00e3o de Cacha\u00e7a<\/h3>\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>pertence \u00e0 nobre fam\u00edlia das aguardentes. Trata-se de um destilado feito \u00e0 base de cana-de-a\u00e7\u00facar, leveduras e \u00e1gua. Seu processo de fabrica\u00e7\u00e3o inicia-se com a moagem ou prensagem da cana, que produz um caldo ao qual adiciona-se \u00e1gua, resultando no mosto.\n\nSob o efeito das leveduras, o mosto entra em processo de fermenta\u00e7\u00e3o.\n\nDepois da decanta\u00e7\u00e3o, na qual separam-se as borras, processa-se a destila\u00e7\u00e3o num alambique tipo cebol\u00e3o ou espiral.\n\nO primeiro corte, ou &#8220;<strong>cacha\u00e7a de cabe\u00e7a<\/strong>&#8220;, cont\u00e9m muito \u00e1lcool e, de todos, \u00e9 o que apresenta o sabor mais forte. O corte do meio, ou &#8220;do cora\u00e7\u00e3o&#8221;, \u00e9 que ser\u00e1 industrializado. A por\u00e7\u00e3o final, ou &#8220;rabo&#8221;, cont\u00e9m subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. A cacha\u00e7a de cora\u00e7\u00e3o quase n\u00e3o apresenta gosto ou cheiro, que s\u00f3 ir\u00e1 adquirir com o envelhecimento em ton\u00e9is de carvalho, b\u00e1lsamo ou vinh\u00e1tico.\n\nFonte: www.minimundodacachaca.com\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<h4><b>A Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a &#8211; a nossa aguardente<\/b><\/h4>\n<b>\n<\/b>A <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 genuinamente nacional. Sua hist\u00f3ria remonta ao tempo da escravid\u00e3o quando os escravos trabalhavam na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar da cana de a\u00e7\u00facar.\n\nO m\u00e9todo j\u00e1 era conhecido e consistia em se moer a cana, ferver o caldo obtido e, em seguida deix\u00e1-lo esfriar em f\u00f4rmas, obtendo a rapadura, com a qual ado\u00e7avam as bebidas.\n\nOcorre que, por vezes, o caldo desandava e fermentava, dando origem a um produto que se denominava caga\u00e7a e era jogado fora, pois n\u00e3o prestava para ado\u00e7ar. Alguns escravos tomavam esta beberagem e, com isso, trabalhavam mais entusiasmados.\n\nOs senhores de engenho por vezes estimulavam aos seus escravos, mas a corte portuguesa, vendo nisto uma forma de rebeli\u00e3o, proibia que a referida bebida fosse dada aos negros, temendo um levante.\n\nCom o tempo esta bebida foi aperfei\u00e7oada, passando a ser filtrada e depois destilada, sendo muito apreciada em \u00e9pocas de frio. O processo de fermenta\u00e7\u00e3o com fub\u00e1 de milho remonta aos prim\u00f3rdios do nascimento da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>e permanece at\u00e9 hoje com a maior parte dos produtores artesanais.\n\nExistem atualmente pesquisas de fermenta\u00e7\u00e3o com diversos produtos denominados enzimas que, aos poucos, est\u00e3o substituindo o processo antigo.\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>sempre viveu na clandestinidade, sendo consumida principalmente por pessoas de baixa renda e, por isto, sua imagem ficou associada a produto de m\u00e1 qualidade. Mas atualmente ela ascendeu a n\u00edveis nunca antes sonhados e hoje \u00e9 uma bebida respeitada e apreciada mundialmente, j\u00e1 tendo conquistado a prefer\u00eancia de pessoas de alta classe e sendo servida em encontros pol\u00edticos internacionais e eventos de toda esp\u00e9cie pelo mundo afora.\n\nA nossa aguardente, a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, \u00e9 produzida a partir da cana-de-a\u00e7\u00facar atrav\u00e9s da destila\u00e7\u00e3o da garapa fermentada, obtendo-se da\u00ed variados tipos de \u00e1lcoois, entre eles, o et\u00edlico, que \u00e9 a aguardente. O Teor alco\u00f3lico deve ficar entre 38 e 54 graus.\n<h4><strong>As primeiras aguardentes<\/strong><\/h4>\nAs primeiras not\u00edcias sobre fermenta\u00e7\u00e3o vieram do Egito Antigo. Os eg\u00edpcios inalavam vapores de l\u00edquidos fermentados diretamente do bico da chaleira, com o intuito de curar mol\u00e9stias. No entanto, os gregos chegaram primeiro ao processo de obten\u00e7\u00e3o da &#8220;\u00e1cqua ardens&#8221;, a \u00e1gua que pegava fogo ou \u00e1gua ardente. Da\u00ed, a receita foi parar com os alquimistas que viram, na bebida, propriedades medicinais e m\u00edsticas. Chegou a ser chamada de &#8220;\u00c1gua da Vida&#8221;. A &#8220;Eau de Vie&#8221; ou seja, o Elixir da Longevidade.\n\nA novidade foi primeiramente para a Europa e Oriente M\u00e9dio. Foram os \u00e1rabes que inventaram o processo de destila\u00e7\u00e3o semelhante ao atual. A tecnologia ent\u00e3o se espalhou pelo mundo. Utilizando por\u00e9m, cada pa\u00eds, uma mat\u00e9ria prima diferente. Na It\u00e1lia, a uva para fazer o Grappa; na Alemanha, a cereja para o kirsch; na Esc\u00f3cia a cevada (ou o milho) para o U\u00edsque (Whisky); na R\u00fassia o centeio para a Vodka; no Jap\u00e3o e na China, o arroz para o Sak\u00ea; em Portugal, a uva para a Bagaceira.\n<h4><strong>Nomes de Cacha\u00e7a<\/strong><\/h4>\nAben\u00e7oada; abrideira; acaba-festa; adorada; alpista; aninha; apreciada; arrebenta-peito; branca, branquinha, brasa; braseira; brasileira; bichinha-boa; acorda-o-velho; afamada; afiada;\u00e1gua-benta;\u00e1gua-bruta; \u00e1gua-de-briga; \u00e1gua-de-cana; aguada; \u00e1gua-forte;\u00a0\u00e1gua-que-passarinho-n\u00e3o-bebe; \u00e1gua-que-gato-n\u00e3o-bebe; alertadeira; alma-de-gato; amansa-sogra; amansa-corno; amargosa; antibi\u00f3tico; apetitosa; arranja-briga; a-que-matou-o-guarda; arranca-bofe; atitude; azarenta; bichinha; bicho- bom; bigorna; birinaite; birusca; bribada; branquinha; briosa; cabo; catutca; caideira; calafrio; calorenta; cambirimba;cambraia; canavieira; canforada; canilina; capil\u00e9;catuta; catinguenta; chamegada; chamarisco;cipoada; cheirosinha; carinhosa; carraspana;caxaramba;caxiri;caxirim; chibatada; choraminga; chorumela; cobreira; corta-bainha; cotr\u00e9ia; cumbe; cumulaia; criminosa; curandeira; da boa; danadinha; desperta paix\u00e3o;\u00a0 distinta; depurativo; douradinha; encantada; enrola-chifre; ensina-estrada; garapa; girgolina; gor\u00f3; gororoba; jeribita; jurubita; lapada; limpa; lindinha; lisa; mandureba, mam\u00e3e-sacode;\u00a0 marafo; maria-branca; mata-bicho; mata-o-velho; mel; merol; meu-consolo; n\u00e3o-sei-qu\u00ea; pap\u00f4co; papudinha; precip\u00edcio; piadeira; pif\u00e3o;pinga; pisca-pisca; pura; purinha; queimante; quero-mais; reiada; saideira; sacudidela; salve-ela; samaritana; sapeca; sedutora; seleta; sopapo; sossega-le\u00e3o; sputinik;\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 renitente; suadeira; sururu; tacada; talagada; tagarela; tiririca; ti\u00faba;\u00a0 tijolo-quente; tira-frio; tira-prosa; tira-reima; tiririca; ti\u00faba; tenta\u00e7\u00e3o; tenebrosa; treco; tremedeira; trombada; turbulenta;\u00a0 uma&#8230;;\u00a0 uma-da-boa; uma-daquelas;\u00a0 valentona; veneno; venenosa; virgem-afamada; vexadinha; vuco-vuco; xaropada; xixi-de-anjo; zombeteira; zinabre, zuninga.\n<h4><b>Origem do nome da cacha\u00e7a<\/b><\/h4>\nA <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, aguardente de cana ou pinga \u00e9 uma bebida alco\u00f3lica tipicamente brasileira. Seu nome pode ter sido originado da velha l\u00edngua ib\u00e9rica &#8211; cachaza &#8211; significando vinho de borra, um vinho inferior bebido em Portugal e Espanha, ou ainda, de &#8220;cacha\u00e7o&#8221;, o porco, e seu feminino &#8220;<strong>cacha\u00e7a<\/strong>&#8220;, a porca. Isso porque a carne dos porcos selvagens, encontrados nas matas do Nordeste &#8211; os chamados catitus &#8211; era muito dura e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>usada para amolec\u00ea-la.\n<h4><b>A primeira \u00e9 do Santo<\/b><\/h4>\nS\u00f3 existe uma explica\u00e7\u00e3o para este costume arraigado e natural no nosso povo. \u00c9 a Libatio dos romanos e gregos, desaparecida h\u00e1 quase dois mil anos no uso religioso e mantida no costume inconsciente, pelos herdeiros da cultura que se dissolveu, no tempo, em Portugal e, decorrentemente, no Brasil colonial. E ficou resistindo at\u00e9 nossos dias.\n\nO ato de Libaro era justamente derramar \u00e1gua, vinho ou \u00f3leo perfumado, no ch\u00e3o, no lume ou no altar, oferenda aos deuses.\n\nN\u00e3o se come\u00e7ava uma refei\u00e7\u00e3o grega ou romana sem a liba\u00e7\u00e3o. Provava-se o l\u00edquido e despejava-se o restante no solo. Sem esta pequena cerim\u00f4nia os deuses teriam inveja da alegria do banquete e vingar-se-iam.\n\nFonte: www.donabranca.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nA cana-de-a\u00e7\u00facar, elemento b\u00e1sico para a obten\u00e7\u00e3o, atrav\u00e9s da fermenta\u00e7\u00e3o, de v\u00e1rios tipos de \u00e1lcool, entre eles o et\u00edlico, \u00e9 uma planta pertencente \u00e0 fam\u00edlia das gram\u00edneas (Saccharum officinarum) origin\u00e1ria da \u00c1sia, onde teve registrado seu cultivo desde os tempos mais remotos da Hist\u00f3ria.\n\nOs primeiros relatos sobre a fermenta\u00e7\u00e3o vem dos eg\u00edpcios antigos. Curam v\u00e1rias mol\u00e9stias, inalando vapor de l\u00edquidos aromatizados e fermentados, absorvido diretamente do bico de uma chaleira, num ambiente fechado.\n\nOs gregos registram o processo de obten\u00e7\u00e3o da \u00e1cqua ardens. A \u00c1gua que pega fogo &#8211; \u00e1gua ardente (Al Kuhu).\n\nA \u00e1gua ardente vai para as m\u00e3os dos Alquimistas que atribuem a ela propriedades m\u00edstico-medicinais. Se transforma em \u00e1gua da vida. A Eau de Vie \u00e9 receitada como elixir da longevidade.\n\nA aguardente ent\u00e3o vai para da Europa para o Oriente M\u00e9dio, pela for\u00e7a da expans\u00e3o do Imp\u00e9rio Romano. S\u00e3o os \u00e1rabes que descobrem os equipamentos para a destila\u00e7\u00e3o, semelhantes aos que conhecemos hoje. Eles n\u00e3o usam a palavra Al kuhu e sim Al raga, originando o nome da mais popular aguardente da Pen\u00ednsula Sul da \u00c1sia: Arak. Uma aguardente misturada com licores de anis e degustada com \u00e1gua.\n\nA tecnologia de produ\u00e7\u00e3o espalha-se pelo velho e novo mundo. Na It\u00e1lia, o destilado de uva fica conhecido como Grappa. Em terras Germ\u00e2nicas, se destila a partir da cereja, o kirsch. Na Esc\u00f3cia fica popular o Whisky, destilado da cevada sacarificada.\n\nNo extremo Oriente, a aguardente serve para esquentar o frio das popula\u00e7\u00f5es que n\u00e3o fabricam o Vinho de Uva. Na R\u00fassia a Vodka, de centeio. Na China e Jap\u00e3o, o Sak\u00ea, de arroz.\n\nPortugal tamb\u00e9m absorve a tecnologia dos \u00e1rabes e destila a partir do baga\u00e7o de uva, a Bagaceira\n\nOs portugueses, motivados pelas conquistas espanholas no Novo Mundo, lan\u00e7am-se ao mar. Na vontade da explora\u00e7\u00e3o e na tentativa de tomar posse das terras descobertas no lado oeste do Tratado de Tordesilhas, Portugal traz ao Brasil a Cana de A\u00e7\u00facar, vindas do sul da \u00c1sia. Assim surgem na nova col\u00f4nia portuguesa, os primeiros n\u00facleos de povoamento e agricultura.\n\nOs primeiros colonizadores que vieram para o Brasil, apreciavam a Bagaceira Portuguesa e o Vinho d&#8217;Oporto. Assim como a alimenta\u00e7\u00e3o, toda a bebida era trazida da Corte. Num engenho da Capitania de S\u00e3o Vicente, entre 1532 e 1548, descobrem o vinho de cana de a\u00e7\u00facar &#8211; Garapa Azeda, que fica ao relento em cochos de madeiras para os animais, vinda dos tachos de rapadura.\n\n\u00c9 uma bebida limpa, em compara\u00e7\u00e3o com o Cauim &#8211; vinho produzido pelos \u00edndios, no qual todos cospem num enorme caldeir\u00e3o de barro para ajudar na fermenta\u00e7\u00e3o do milho, acredita-se. Os Senhores de Engenho passam a servir o tal caldo, denominado Caga\u00e7a, para os escravos. Da\u00ed \u00e9 um pulo para destilar a Caga\u00e7a, nascendo a\u00ed a <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nDos meados do S\u00e9culo XVI at\u00e9 metade do S\u00e9culo XVII as &#8220;casas de cozer m\u00e9is&#8221;, como est\u00e1 registrado, se multiplicam nos engenhos.\n\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>torna-se moeda corrente para compra de escravos na \u00c1frica. Alguns engenhos passam a dividir a aten\u00e7\u00e3o entre o a\u00e7\u00facar e a Cacha\u00e7a.\n\nA descoberta de ouro nas Minas Gerais, traz uma grande popula\u00e7\u00e3o, vinda de todos os cantos do pa\u00eds, que constr\u00f3i cidades sobre as montanhas frias da Serra do Espinha\u00e7o. A Cacha\u00e7a ameniza a temperatura.\n\nIncomodada com a queda do com\u00e9rcio da Bagaceira e do vinho portugueses na col\u00f4nia e alegando que a bebida brasileira prejudica a retirada do ouro das minas, a Corte pro\u00edbe v\u00e1rias vezes a produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e at\u00e9 o consumo da <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nSem resultados, a Metr\u00f3pole portuguesa resolve taxar o destilado. Em 1756 a Aguardente de Cana de A\u00e7\u00facar foi um dos g\u00eaneros que mais contribu\u00edram com impostos voltados para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abatida por um grande terremoto em 1755.\n\nPara a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>s\u00e3o criados v\u00e1rios impostos conhecidos como subs\u00eddios, como o liter\u00e1rio, para manter as faculdades da Corte.\n\nComo s\u00edmbolo dos Ideais de Liberdade, a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>percorre as bocas dos Inconfidentes e da popula\u00e7\u00e3o que apoia a Conjura\u00e7\u00e3o Mineira. A Aguardente da Terra se transforma no s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nCom o passar dos tempos melhoram-se as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o.\n\nA <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 apreciada por todos. \u00c9 consumida em banquetes palacianos e misturada ao gengibre e outros ingredientes, nas festas religiosas portuguesas &#8211; o famoso Quent\u00e3o.\n\nNo s\u00e9culo passado instala-se, com a economia cafeeira, a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura e o in\u00edcio da rep\u00fablica, um grande e largo preconceito a tudo que fosse relativo ao Brasil. A moda \u00e9 europ\u00e9ia e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 deixada um pouco de lado\n\nEm 1922, a Semana da Arte Moderna, vem resgatar a brasilidade. No decorrer do nosso s\u00e9culo, o samba \u00e9 resgatado. Vira o carnaval. Nestas \u00faltimas d\u00e9cadas a feijoada \u00e9 valorizada como comida brasileira especial e a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>ainda tenta desfazer preconceitos e continuar no caminho da apura\u00e7\u00e3o de sua qualidade.\n\nHoje, v\u00e1rias marcas de alta qualidade figuram no com\u00e9rcio nacional e internacional e est\u00e3o presentes nos melhores restaurantes e adegas residenciais pelo Brasil e pelo mundo.\n\nFonte: www.grupoclaudia.com.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\n<h4>Cacha\u00e7a ou pinga ou aguardente ou canjebrina ou caninha ou&#8230;: em diferentes lugares, um s\u00edmbolo nacional<\/h4>\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>se origina ainda no Brasil col\u00f4nia quando um somat\u00f3rio de condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis tais como, presen\u00e7a de engenhos e facilidade de armazenamento da bebida frente ao vinho fazem dela uma bebida t\u00e3o popular que no ano de 1635 chega a ser proibida na col\u00f4nia j\u00e1 que seu com\u00e9rcio concorria com os vinhos e a bagaceira (bebida t\u00edpica portuguesa produzida atrav\u00e9s do baga\u00e7o da uva) da metr\u00f3pole.\n\nEsta proibi\u00e7\u00e3o culminaria no epis\u00f3dio conhecido como Revolta da <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>que foi um dos primeiros levantes nacionais contra a dom\u00ednio portugu\u00eas. Apesar de a t\u00e9cnica de destila\u00e7\u00e3o j\u00e1 ser conhecida em Portugal, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>vai surgir pela primeira vez na col\u00f4nia, sendo registrada antes mesmo do in\u00edcio da produ\u00e7\u00e3o do rum &#8211; que tem processo de produ\u00e7\u00e3o semelhante ao da cacha\u00e7a &#8211; no Caribe (C\u00c2MARA, 2004).\n\nUma das vantagens da produ\u00e7\u00e3o da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>era o fato de que a bebida podia ser produzida com pre\u00e7o bem baixo, j\u00e1 que era feita com \u0093o resto da safra da cana, sem gastos adicionais, com o mesmo sistema produtivo do a\u00e7\u00facar\u0094 (RODRIGUES E RODRIGUES, 2008).\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>foi tamb\u00e9m um dos s\u00edmbolos da conjura\u00e7\u00e3o mineira, quando passou a ser chamada \u0093aguardente da terra\u0094(<strong>MUSEU DA CACHA\u00c7A<\/strong>). Podemos perceber que a <strong>hist\u00f3ria da cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 atrelada \u00e0 pr\u00f3pria hist\u00f3ria do Brasil e por isso percebemos como \u00e9 grande sua import\u00e2ncia at\u00e9 hoje, recentemente o Instituto Brasileiro da Cacha\u00e7a (IBRAC) escolheu at\u00e9 um dia especial para a cacha\u00e7a, dia 13 de setembro.\n\nSegundo reportagem do pr\u00f3prio IBRAC, o dia da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u0093tem como objetivo contemplar a bebida nacional, que traz a identidade do povo brasileiro, reconhecida pelo governo federal em 2001, por decreto, que reconheceu a <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>como indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Brasil.\n\nComo j\u00e1 ocorre em outras na\u00e7\u00f5es, na Esc\u00f3cia com o u\u00edsque, Fran\u00e7a com o Champagne e M\u00e9xico com a tequila\u0094 (IBRAC, 2009). Segundo dados do IBRAC existem hoje cerca de 40 mil produtores de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, sendo que 99% deles s\u00e3o pequenos produtores.\n\nA produ\u00e7\u00e3o de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>no Brasil \u00e9 respons\u00e1vel por cerca de 600 mil empregos e a bebida \u00e9 exportada para 55 pa\u00edses. A relev\u00e2ncia da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>para o Brasil \u00e9 t\u00e3o grande que sua produ\u00e7\u00e3o \u00e9 regulamentada pelo decreto federal n\u00ba 4.072-02 de 2002 que versa sobre a classifica\u00e7\u00e3o, registro e fiscaliza\u00e7\u00e3o da <strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nO primeiro par\u00e1grafo do decreto diz que \u0093<strong>Cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 a denomina\u00e7\u00e3o t\u00edpica e exclusiva da aguardente de cana produzida no Brasil\u0094 e no quarto par\u00e1grafo temos que \u0093Caipirinha \u00e9 a bebida t\u00edpica brasileira, exclusivamente elaborada com <strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, lim\u00e3o e a\u00e7\u00facar\u0094.\n\nAssim, explicita-se oficialmente a cacha\u00e7a como um produto t\u00edpico do Brasil, que s\u00f3 pode ser considerado um bom produto se seguir \u00e0 risca certos padr\u00f5es, dando destaque \u00e0 localiza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, o que agrega valor \u00e0 <strong>cacha\u00e7a <\/strong>no mercado internacional.\n\nAtualmente tramitam no Congresso dois projetos de lei que visam especificar a produ\u00e7\u00e3o da bebida destilada, diferenciando a aguardente da cacha\u00e7a, sendo a primeira de produ\u00e7\u00e3o industrial e a segunda de produ\u00e7\u00e3o artesanal (O ESTADO de S. PAULO, 2010).\n\nAproveitando-se da dinamiza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio, surgem cursos como o de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em tecnologia da Cacha\u00e7a da Universidade Federal de Lavras que visa preparar profissionais para dar conta da crescente demanda de mercado.\n\nPor\u00e9m, a import\u00e2ncia da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>brasileira n\u00e3o \u00e9 puramente econ\u00f4mica. Para al\u00e9m de uma mercadoria ex\u00f3tica internacionalmente, a pinga est\u00e1 presente em v\u00e1rios aspectos da vida do brasileiro. Ela se insere na hist\u00f3ria, folclore, culin\u00e1ria, m\u00fasica e rituais religiosos. A pinga se faz presente na fabrica\u00e7\u00e3o de rem\u00e9dios caseiros e em simpatias diversas. Est\u00e1 ligada ao m\u00e1gico e \u00e9 oferecida a santos e esp\u00edritos como forma de agradecimento ou como forma de pedir favores.\n\nDas fam\u00edlias produtoras aos escravos que trabalhavam nos engenhos, a pinga passou atrav\u00e9s dos tempos como produto de v\u00e1rias utilidades sendo considerada hoje uma marca nacional, ao lado de s\u00edmbolos como o carnaval e o futebol (CASCUDO, 1986).\n\nA forte presen\u00e7a dela no cotidiano de muitos alimentou tamb\u00e9m a cria\u00e7\u00e3o de lendas e rituais de aprecia\u00e7\u00e3o que s\u00e3o reproduzidos por tradi\u00e7\u00e3o oral e tamb\u00e9m em importantes registros da cultura nacional na literatura, como na c\u00e9lebre passagem do livro de M\u00e1rio de Andrade, quando Macuna\u00edma vai ao terreiro de Tia Ciata para se vingar do gigante Piaim\u00e3 levando \u0093o garraf\u00e3o de pinga obrigat\u00f3rio\u0094 sendo l\u00e1 a primeira vez que provou \u0093o cachiri tem\u00edvel cujo nome \u00e9 cacha\u00e7a. Provou estalando com a l\u00edngua feliz e deu uma grande gargalhada\u0094 (ANDRADE, 1973, p.76).\n<p class=\"imagem\">As paisagens naturais e culturais representam uma fonte de inspira\u00e7\u00e3o para os escritores e poetas que as convertem em express\u00f5es verbais de acordo com seu pr\u00f3prio olhar, sua imagina\u00e7\u00e3o, sua cosmologia e seus sentimentos. Muitas obras liter\u00e1rias cont\u00eam alus\u00f5es ao espa\u00e7o geogr\u00e1fico e se tornam objetos de estudo para os ge\u00f3grafos culturais que visam registrar e interpretar a geograficidade nos textos, isto \u00e9 a rela\u00e7\u00e3o dos seres humanos com a Terra como modo de sua exist\u00eancia e de seu destino. (SEEMANN, 2007, p.50).<\/p>\nA pinga enquanto s\u00edmbolo pode expressar identidade nacional. Sendo o s\u00edmbolo uma imagem que representa o abstrato, um \u0093emblema ou alegoria\u0094 (HOUAISS e VILLAR, 2003, p.616) \u0093uma parte que tem o poder de sugerir o todo\u0094 (TUAN, 1980, p.26) , a pinga enquanto s\u00edmbolo representa muito mais que uma bebida destilada feita no Brasil.\n\nAs v\u00e1rias refer\u00eancias sobre a <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, da literatura \u00e0s piadas, revelam a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>como parte de nossa paisagem cultural e reflete parte de nossas prefer\u00eancias, atrav\u00e9s do s\u00edmbolo podemos vislumbrar o lugar de sua origem. Como a paisagem n\u00e3o \u00e9 formada apenas de elementos naturais, pensar na parte humana das paisagens \u00e9 pensar numa autobiografia inconsciente, refletindo nossos gostos, nossos valores, nossas aspira\u00e7\u00f5es e at\u00e9 nossos medos de uma maneira tang\u00edvel, vis\u00edvel.\n\nRaramente pensamos na paisagem desse modo, e assim sendo, o registro cultural que temos \u0091escrito\u0092 na paisagem tende a ser mais verdadeiro do que muitas autobiografias porque n\u00f3s estamos menos auto-conscientes sobre como descrevemos a n\u00f3s mesmos.\n\nA leitura da paisagem, portanto, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil como a leitura de um livro, porque no texto da paisagem h\u00e1 p\u00e1ginas que faltam, que est\u00e3o rasgadas ou manchadas ou n\u00e3o s\u00e3o mais o original por se tratar de (re-) edi\u00e7\u00f5es publicadas por pessoas com uma caligrafia ileg\u00edvel (LEWIS APUD SEEMANN, 2007, p.55).\n\nTentaremos ent\u00e3o fazer uma leitura da nossa paisagem cultural, destacando a pinga enquanto s\u00edmbolo, que \u00e9 nacional, mas que ganha tra\u00e7os bem delineados e espec\u00edficos ao observarmos mais de perto alguns lugares.\n\nA geograficidade, express\u00e3o de nossa viv\u00eancia no mundo e da rela\u00e7\u00e3o homem-terra (HOLZER, 2001), pode ser investigada atrav\u00e9s do significado que esta bebida ganha em diferentes contextos. Falar de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00a0 no Brasil \u00e9 falar de algo comum, algo que est\u00e1 presente no cotidiano de muitos.\n\nA imagem da cacha\u00e7a pode nos remeter a diversos cen\u00e1rios, variando conforme a regi\u00e3o e conforme o grupo social observado. Seu aroma, suas hist\u00f3rias podem nos conduzir a paisagens de interior nas quais seu consumo e produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o muito mais que simples rela\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas, s\u00e3o pr\u00e1ticas do cotidiano, ligadas ao modo de vida daqueles que habitam esses lugares. Nos fazeres do caipira encontramos algumas pr\u00e1ticas que utilizam a pinga assim como se utilizariam de frutas ou temperos t\u00edpicos. A <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ocupa lugar no imagin\u00e1rio do brasileiro, como podemos ver no filme \u0093Estrada Real da Cacha\u00e7a\u0094.\n\nO filme nos mostra a Estrada Real de Minas Gerais como paisagem de acontecimentos passados e atuais e reconstitui para n\u00f3s, atrav\u00e9s da fala dos personagens, um cen\u00e1rio onde a cacha\u00e7a tem presen\u00e7a marcante.\n\nO document\u00e1rio nos mostra personagens como o barqueiro que h\u00e1 30 anos distribui <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, a cozinheira que faz pratos datados do s\u00e9culo XVIII com a cacha\u00e7a como ingrediente, o propriet\u00e1rio do mais antigo alambique do pa\u00eds ou o homem que ainda encomenda almas usando de rituais com<strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nAspectos do cotidiano das cidades conectadas pela estrada real, mantendo tradi\u00e7\u00f5es de longu\u00edssima data que cada vez mais ganham car\u00e1ter ex\u00f3tico, j\u00e1 que a cacha\u00e7a tamb\u00e9m pode ser vista por um outro lado, como uma bebida para exporta\u00e7\u00e3o, num movimento que exp\u00f5e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>como made in Brazil atrav\u00e9s de uma mescla de imagens tradicionais com novas imagens criadas apenas para facilitar sua veicula\u00e7\u00e3o no exterior. Assim a bebida ganha novos ares, respeita normas r\u00edgidas e ganha um padr\u00e3o que \u00e9 comum aos produtos para exporta\u00e7\u00e3o.\n\nDeste modo sua imagem se associa ao Brasil assim como associamos o whisky com a Esc\u00f3cia, a vodka com a R\u00fassia ou a tequila com o M\u00e9xico. A descaracteriza\u00e7\u00e3o em prol da venda como produto \u00e9 salientada por Castells quando diz que h\u00e1 uma dissolu\u00e7\u00e3o de identidades compartilhadas em meio ao conflito globaliza\u00e7\u00e3o versus identidade (CASTELLS, 2001). Neste caso, o enfraquecimento de identidades favorece essa exposi\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a como um produto ex\u00f3tico, pouco importando as hist\u00f3rias contadas j\u00e1 que o foco \u00e9 somente a venda de um produto.\n\nPor\u00e9m, Castells tamb\u00e9m afirma que de modo contradit\u00f3rio h\u00e1 aqueles que recusam o individualismo radical da sociedade em rede, fazendo ressurgir grupos de identidade coletiva que desafiam a globaliza\u00e7\u00e3o justamente em fun\u00e7\u00e3o da sua singularidade cultural (CASTELLS, 2001).\n\nDa\u00ed a necessidade de dar vozes ao tradicional investigando-o para que este n\u00e3o seja meramente manipulado em prol de uma imagem mercantilizada. Investig\u00e1-lo \u00e9 perceber que o mundo n\u00e3o \u00e9 homog\u00eaneo, nem explicado por uma \u00fanica teoria (NOGUEIRA, 2009), \u00e9 se permetir observar outras perspectivas e se aventurar por outros mundos.\n<h3>Degustando lugares, experienciando a pinga<\/h3>\nA geografia pode interpretar lugares partindo da experi\u00eancia daqueles que o vivenciam, olhando o mundo atrav\u00e9s das lentes dos que o experienciam, o relato deste mundo \u00e9 geografia tamb\u00e9m. Segundo Merleau-Ponty (apud NOGUEIRA, 2009), nossa exist\u00eancia \u00e9 espacial e atrav\u00e9s dela nos envolvemos com o mundo e ordenamos nosso mundo, por isso nos reconhecemos nele.\n\nOs lugares no mundo t\u00eam cor, cheiro, barulho e forma, cada experi\u00eancia com ele mostra um pouco de como ele realmente \u00e9 e est\u00e1 sendo. A montanha, o mar, o c\u00e9u, a floresta, a \u00e1gua, as pra\u00e7as, os monumentos, os pal\u00e1cios, n\u00e3o se traduzem apenas pela sua forma material, mas tamb\u00e9m simb\u00f3lica e imagin\u00e1ria.\n\nAl\u00e9m de serem constitui\u00e7\u00f5es f\u00edsicas, s\u00e3o tamb\u00e9m culturais, t\u00eam m\u00faltiplas significa\u00e7\u00f5es. O que \u00e9 a montanha para um judeu? Para um crist\u00e3o? Para um mul\u00e7umano? Para um chin\u00eas? Para um \u00e1rabe? Para um ocidental? O que significa o c\u00e9u? A floresta? A essas interroga\u00e7\u00f5es devemos responder levando em conta as m\u00faltiplas experi\u00eancias que temos, experi\u00eancias de quem vive os lugares, mas tamb\u00e9m dos que distantes deles, possuem uma rela\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica com eles: n\u00e3o apenas os judeus amam Israel, mas todo crist\u00e3o sonha com esta \u0093terra prometida\u0094, onde Cristo caminhou, se banhou e subiu aos c\u00e9us (NOGUEIRA, 2009, p.3).\n\n<strong>Da mesma forma n\u00e3o seriam diferentes os modos como: <\/strong>a estudante universit\u00e1ria enxerga a pinga no Brasil? Ou o dono do boteco? Ou olhar daquele que produz a pinga?\n\nE daquele que tem o hobby de colecion\u00e1-la? Pensando nisso, visitamos no come\u00e7o deste ano no interior de Minas Gerais uma cidade tamb\u00e9m cortada por trechos da Estrada Real, Presidente Bernades ou Calambau como era conhecida antigamente. O estado de Minas Gerais \u00e9 conhecido por produzir as melhores cacha\u00e7as do Brasil, em Minas existem muitos festivais da <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, o mais famoso \u00e9 o festival mundial da cacha\u00e7a de Salinas.\n\nAssim como Salinas, Calambau tamb\u00e9m \u00e9 conhecida como uma das cidades que mais produzem <strong>cacha\u00e7a <\/strong>artesanal no estado, todos os anos realiza o mais antigo Festival da Cana no m\u00eas de julho, onde se pode experimentar as cacha\u00e7as fabricadas na regi\u00e3o.\n\nCalambau \u00e9 uma pequena cidade de 6 mil habitantes localizada na zona da mata mineira, fazendo parte do p\u00f3lo turismo conhecido como Nascente do Rio Doce que inclui outras 7 cidades e segundo informa\u00e7\u00f5es de Marcos, morador da regi\u00e3o que nos guiou em nosso passeio, a cidade possui cerca de 15 alambiques e tem 20 marcas de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nA estrada de terra que nos leva at\u00e9 a regi\u00e3o \u00e9 bel\u00edssima, ao longo do percurso deslindam-se paisagens com morros, riachos e casas isoladas que parecem querer se esconder do mundo contempor\u00e2neo. A fazenda mais antiga da regi\u00e3o, Fazenda \u00c1gua Limpa da fam\u00edlia Fernandes, produz cacha\u00e7a desde 1888.\n\nTinha como foco as cidades de Ouro Preto e Mariana mas, segundo Dona Ros\u00e1lia, (esposa de Seo Toninho Fernandes, dono da fazenda) pessoas de v\u00e1rias regi\u00f5es de Minas v\u00e3o comprar a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>produzida na Fazenda.\n\nDisse tamb\u00e9m que \u00e9 muito comum que as encomendas sejam de larga escala e que \u00e9 comum que as pessoas venham buscar a bebida na fazenda, por isso ela na \u00e9poca n\u00e3o possu\u00eda garrafas para envasar a bebida, nos vendendo a cacha\u00e7a em garrafas pet de refrigerante. Dona Ros\u00e1lia e Marieta foram muito simp\u00e1ticas conosco, fizeram quest\u00e3o de nos mostrar o processo de produ\u00e7\u00e3o da<strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00c1gua Limpa.\n\nO processo \u00e9 interessante, primeiro a cana \u00e9 mo\u00edda, depois o caldo \u00e9 fervido e estocado em ton\u00e9is para a fermenta\u00e7\u00e3o, o caldo fermentado chama-se mosto.\n\n\u00c9 o mosto que segue para ser destilado, durante esse processo a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>evapora e pinga num recepiente met\u00e1lico que a conduz para a estocagem nos ton\u00e9is (figura abaixo).\n\nA <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 produzida nos fundos do casar\u00e3o da fam\u00edlia, o alambique \u00e9 movido \u00e0 roda d\u0092\u00e1gua e o caldo da cana fermentado com fub\u00e1. O lugar possui um cheiro caracter\u00edstico que tem algo de adocicado e, ao mesmo tempo, de mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o, devido \u00e0 fermenta\u00e7\u00e3o.\n\nDona Ros\u00e1lia nos disse que seu av\u00f3 j\u00e1 produzia a bebida sendo a t\u00e9cnica herdada como tradi\u00e7\u00e3o. Produz-se <strong>cacha\u00e7a <\/strong>branca, a preferida da maioria das pessoas segundo ela, a amarela que \u00e9 envelhecida 4 anos em ton\u00e9is de carvalho e a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>com laranja, sendo que a fruta \u00e9 adicionada ainda no processo de moagem da cana.\n<h3>Processo de produ\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a<\/h3>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112782\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1311-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" width=\"565\" height=\"355\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112783\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1312-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"ScreenHunter_1312 Mar. 08 11.47\" width=\"550\" height=\"353\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112784\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1313-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"ScreenHunter_1313 Mar. 08 11.47\" width=\"541\" height=\"348\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112785\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1314-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"ScreenHunter_1314 Mar. 08 11.47\" width=\"567\" height=\"352\" \/><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112786\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1315-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"ScreenHunter_1315 Mar. 08 11.47\" width=\"542\" height=\"351\" \/> <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-112787\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1316-Mar.-08-11.47.jpg\" alt=\"ScreenHunter_1316 Mar. 08 11.47\" width=\"538\" height=\"352\" \/><\/p>\nNos mostraram tamb\u00e9m o t\u00edpico casar\u00e3o antigo, com muitos quartos, uma enorme mesa de jantar e cozinha com fog\u00e3o \u00e0 lenha. Elas possuem mais parentes trabalhando com pinga na cidade, s\u00e3o tios e primos que possuem alambiques em Presidente Bernardes. Visitamos tamb\u00e9m o alambique de um primo de Dona Ros\u00e1lia, Seo Nilton Fernandes que possui um alambique movido a motor na fazenda Vista Alegre.\n\n\u00c9 produtor da <strong>Cacha\u00e7a <\/strong>Calambau. Ao contr\u00e1rio de Dona Ros\u00e1lia, Seo Nilton n\u00e3o faz envase da bebida na fazenda, \u00e9 o irm\u00e3o que trabalha com o processo de engarrafamento. Seu irm\u00e3o, Ant\u00f4nio, nos fala com muito entusiasmo sobre a cacha\u00e7a Calambau e sobre o festival da cacha\u00e7a do meio do ano.\n\nNos disse que o festival \u00e9 um evento \u00f3timo e nos mostrou sua cole\u00e7\u00e3o de canecas (cada uma delas representando os v\u00e1rios anos de participa\u00e7\u00e3o no festival). Nos explicou como funciona a participa\u00e7\u00e3o no evento.\n\nProdutores de toda a regi\u00e3o montam tendas para expor suas marcas de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, quem quer participar compra uma caneca por 5 reais e pode experimentar todas as cacha\u00e7as do evento e depois leva consigo a caneca de lembra\u00e7a.\n\n\u00c9 a festividade mais esperada do ano. Ant\u00f4nio diz que a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>Calambau \u00e9 muito apreciada e com grande contentamento nos conta sobre seu trabalho com a<strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nAinda nesta viagem, por\u00e9m em outra cidade, em Cataguazes, tamb\u00e9m em Minas, visitamos Seo Jo\u00e3o, colecionador e apreciador de cacha\u00e7as. Seo Jo\u00e3o nos conta sobre sua paix\u00e3o pela cacha\u00e7a, nos explica a diferen\u00e7a de sabores entre as madeiras, sobre os v\u00e1rios ton\u00e9is de envelhecimento, sobre os segredos para encontrar uma boa cacha\u00e7a, sobre cacha\u00e7as que s\u00e3o muito famosas em Minas apesar de serem baratas.\n\nDisse que as boas <strong>cacha\u00e7a<\/strong>s s\u00e3o aquelas que ficam bastante tempo no tonel, sendo que a maior parte costuma ficar entre 3 e 5 anos. \u00c9 por isso que algumas cacha\u00e7as se tornam t\u00e3o caras, pois quando o tonel chega ao fim, \u00e9 preciso esperar outros 3, 5 ou mais anos para se ter uma cacha\u00e7a de igual qualidade.\n\nEle possui um barril pr\u00f3prio de 1.250L, barril que \u00e9 de carvalho e outros 3 pequenos de Umburana. Cada uma dessas madeiras dar\u00e1 gosto espec\u00edfico \u00e0 cacha\u00e7a. Eis a\u00ed uma das diferen\u00e7as entre as cacha\u00e7as envelhecidas. Para experimentar sua <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ele nos faz seguir um ritual.\n\nDespeja um pouco de pinga em nossas m\u00e3os e pede que as esfreguemos para que o \u00e1lcool evapore. Depois explica que assim apenas o cheiro da madeira permanece na m\u00e3o, mostrando que de \u00e9 fato uma pinga envelhecida. Logo ap\u00f3s, nos convida para ir a um bar completar o ritual. Diz-se que \u00e9 t\u00edpico da regi\u00e3o comer \u0093torresmo de barriga\u0094 enquanto se degusta a pinga. Nos leva a um bar que segundo ele tem a melhor comida mineira da regi\u00e3o.\n\nNo card\u00e1pio estavam dispon\u00edveis vaca atolada, canjiquinha e o torresmo de barriga. Seo Jo\u00e3o nos conta sobre um costume entre os cachaceiros que \u00e9 de sempre levar um pouco de sua pr\u00f3pria pinga para que as outras pessoas experimentem. Ele mesmo anda sempre com umas tr\u00eas garrafinhas no carro.\n\nDiz conhecer o 5\u00ba maior colecionador de cacha\u00e7a do Brasil, que mora na cidade ao lado, em Itamarati, que \u00e9 uma cidade conhecida pela produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7ucar mascavo e pinga. Se diverte tentando se lembrar dos diversos nomes engra\u00e7ados das cacha\u00e7as que o amigo possui.\n\nDe fato algumas pingas e r\u00f3tulos s\u00e3o de fazer rir. \u00c9 poss\u00edvel encontrar nomes como \u0093Tomba Carro\u0094, \u0093Marafo do Z\u00e9 do Caix\u00e3o\u0094, \u0093Cura Tombos\u0094, \u0093Duvido \u0096 duvido que \u0091oc\u00ea\u0092 num goste\u0094, \u0093Com essa que eu vou!\u0094, \u0093Sideral\u0094 &#8211; ao lado de uma imagem de foguete, \u0093Leite da mulher amada\u0094, \u0093Mais Uma\u0094, \u0093Amansa Sogra\u0094, \u0093Meia Mijada\u0094, etc.\n\nOs desenhos mostram paisagens do interior, caipiras com chap\u00e9u de palha ou mulheres em poses sensuais, nos mostrando como a pinga \u00e9 vinculada a imagens de um mundo dos botequeiros, um mundo que envolve conversas descontra\u00eddas que tamb\u00e9m fazem rir, petiscos salgados, hist\u00f3rias sobre aventuras amorosas e que eventualmente envolve tamb\u00e9m quedas, assim como o nome de algumas pingas j\u00e1 prediz.\n\nSeo Jo\u00e3o ainda divaga sobre as poss\u00edveis origens de lendas como as de que pinga com ervas faz bem ou serve para curar alguma doen\u00e7a. Para ele isso n\u00e3o passa de obra de algum cachaceiro que arrumou a desculpa perfeita para tomar \u0093uma pinguinha\u0094. Pondera que \u00e9 como dizer que o \u00faltimo peda\u00e7o mulher n\u00e3o pode comer porque se comer n\u00e3o casa.\n\nEle, que \u00e9 casado, come o \u00faltimo peda\u00e7o de torresmo que estava no prato e explica que assim sempre pode tirar vantagens comendo os \u00faltimos peda\u00e7os das por\u00e7\u00f5es que acompanham a aprecia\u00e7\u00e3o da pinga. A pinga faz parte da hist\u00f3ria de Dona Ros\u00e1lia, enche de orgulho Seo Ant\u00f4nio, \u00e9 divertimento para Seo Jo\u00e3o mas pode ser s\u00f3 parte de uma festa ou uma conex\u00e3o com a espiritualidade.\n\nIndependente da rela\u00e7\u00e3o que se tenha com a pinga, ela \u00e9 uma manifesta\u00e7\u00e3o de nossa terra e sendo assim, descrevendo estas rela\u00e7\u00f5es descrevemos tamb\u00e9m este lugar, um modo pr\u00f3prio de produ\u00e7\u00e3o, um modo pr\u00f3prio de intera\u00e7\u00e3o com a natureza, uma forma de cultura (CLAVAL, 2007).\n\nA valoriza\u00e7\u00e3o de diferentes pontos de vista \u00e9 atributo dos estudos geogr\u00e1ficos justamente porque tentam representar o mundo, mais do que uma liga\u00e7\u00e3o instrumental temos uma liga\u00e7\u00e3o simb\u00f3lica com o mundo (ALMEIDA, 2008). \u0093No final, nossa sociedade ser\u00e1 definida, n\u00e3o pelo que criamos, mas pelo que nos recusamos a destruir.\u0094 (SAWHILL apud MACHADO, 2006, p.153).\n\nPensar a cultura \u00e9 pensar naquilo que nos recusamos a destruir, de modo que nem sempre nossas inven\u00e7\u00f5es se resumem a estrat\u00e9gias de sobreviv\u00eancia. Herdamos cultura assim como tamb\u00e9m herdamos genes, a diferen\u00e7a \u00e9 que os genes se limitam a ser de pai para filho e podem sumir em pouco tempo, a cultura \u00e9 mais ampla e pode permanecer por muito mais tempo. (MACHADO, 2006).\n\nA inven\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 uitilidade, tal como acontece com receitas culin\u00e1rias que se criam com o objetivo de conservar por mais tempo alimentos muito perec\u00edveis (CLAVAL, 2007), mas a continuidade de sua produ\u00e7\u00e3o junto \u00e0 originalidade de sua produ\u00e7\u00e3o no Brasil parece motivar a identidade brasileira com a pinga.\n\nCertos cen\u00e1rios, nos quais vemos a inser\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a, revelam significados constru\u00eddos culturalmente. Ao descrevermos alguns destes cen\u00e1rios, nos permitirmos entrar em contato com esses mundos que n\u00e3o est\u00e3o t\u00e3o pr\u00f3ximos, um primeiro passo na compreens\u00e3o de outras perspectivas, tentar entend\u00ea-los \u00e9 uma forma de preservar essas pr\u00e1ticas que comp\u00f5em uma determinada maneira de ser e estar no mundo, ressaltando assim nossa cultura.\n\nO conhecimento e a reflex\u00e3o sobre nossa pr\u00f3pria cultura \u00e9 tamb\u00e9m uma forma de resist\u00eancia, j\u00e1 que nossas identidades s\u00e3o constru\u00eddas a partir da cultura, atrav\u00e9s dela conferimos legitimidade ao nosso pr\u00f3prio modo de ser.\n<h3>Bibliografia<\/h3>\nALMEIDA, Maria Geralda de. Uma leitura etnogeogr\u00e1fica do Brasil Sertanejo. In: SERPA, \u00c2ngelo (Org.) Espa\u00e7os Culturais: viv\u00eancias, imagina\u00e7\u00f5es e representa\u00e7\u00f5es. Salvador: Edufba, 2008.\n\nANDRADE, M\u00e1rio. Macuna\u00edma: o her\u00f3i sem nenhum car\u00e1ter. S\u00e3o Paulo: Martins, 1973. C\u00c2MARA, Marcelo. Cacha\u00e7a: prazer brasileiro. Rio de Janeiro: Mauad, 2004. CASCUDO, Luis da Camara. Prel\u00fadio da cacha\u00e7a: etnologia, hist\u00f3ria e sociologia da aguardente no Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1986. CASTELLS, Manuel. O poder da identidade.\n\nRio de Janeiro: Paz e Terra, 2001. CLAVAL, Paul. A Geografia Cultural. Florian\u00f3polis: Ed. da UFSC, 2007. DOCUMENT\u00c1RIO. Estrada Real da Cacha\u00e7a. De Pedro Urano HOLZER, Wrther.\n\nA Geografia fenomenol\u00f3gica de Eric Dardel. In: ROSENDAHL, Zeny e CORR\u00caA, Roberto L. (orgs.) Matrizes da Geografia Cultural. Rio de Janeiro: EdUERJ, 2001. HOUAISS, Ant\u00f4nio; VILLAR, Mauro de Salles. Dicion\u00e1rio Houaiss de sin\u00f4nimos e ant\u00f4nimos.\n\nRio de Janeiro: Objetiva, 2003. IBRAC \u0096 Intituto Brasileiro da Cacha\u00e7a &lt;http:\/\/www.ibrac.net&gt;. IBRAC &#8211; Cacha\u00e7a pode ganhar data especial &#8211; Um dia nacional para um s\u00edmbolo nacional. IBRAC. 17 de junho de 2009.\n\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.ibraccachacas.org\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=132:cachaca-pode-ganhar-data-es pecial-um-dia-nacional-para-um-simbolo-nacional&amp;catid=3:noticias&amp;Itemid=57&gt;. MACHADO, Lucy Marion C. P. Paisagem Cultural. In: KOZEL, Salete; Silva, Josu\u00e9 da Costa; GIL FILHO, Sylvio F.\n\nDa percep\u00e7\u00e3o e cogni\u00e7\u00e3o \u00e0 representa\u00e7\u00e3o: reconstru\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas da geografia cultural e humanista. S\u00e3o Paulo: Terceira Margem, 2006. MUSEU DA CACHA\u00c7A \u0096 Lagoa do Carro \u0096 PE. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.museudacachaca.com.br&gt;. NOGUEIRA, Am\u00e9lia Regina Batista. A geografia e a experi\u00eancia do mundo.\n\nTrabalho apresentado no 12\u00ba Encontro de Ge\u00f3grafos da Am\u00e9rica Latina. Uruguai, Universidad de Montevideo, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/egal2009.easyplanners.info\/area02\/2125_Nogueira_Amelia.pdf&gt;. RODRIGUES, ANT\u00d4NIO E. M. e RODRIGUES, Paula de Oliveira. Revolta Da Cacha\u00e7a: Uma Manifesta\u00e7\u00e3o Popular Que Demonstrou Organiza\u00e7\u00e3o Em Torno Dos Seus Interesses Contra O Poder Excessivo. Mneme \u0096 Revista de Humanidades. Caic\u00f3, v. 9, n. 24, Set\/out. 2008.\n\nDispon\u00edvel em: &lt;www.cerescaico.ufrn.br\/mneme\/anais&gt;. SEEMANN, J\u00f6rn. Geografia, geograficidade e a po\u00e9tica do espa\u00e7o: Patativa do Assar\u00e9 e as paisagens da regi\u00e3o do Cariri (Cear\u00e1). Ateli\u00ea Geogr\u00e1fico. v.1, n.1, 2007.\n\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.revistas.ufg.br\/index.php\/atelie\/article\/view\/2714\/3066&gt;. SILVA, Jairo M. A cacha\u00e7a busca sua identidade. O estado de S. Paulo, S\u00e3o Paulo, 12 de maio de 2010, se\u00e7\u00e3o Economia.\n\nDispon\u00edvel em: &lt;http:\/\/www.estadao.com.br\/estadaodehoje\/20100512\/not_imp550567,0.php&gt;. TUAN, Yi-Fu. 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Com isso, a Corte Portuguesa proibiu sua produ\u00e7\u00e3o, comercializa\u00e7\u00e3o e consumo sob a justificativa de que seu consumo pelos escravos poderia amea\u00e7ar a seguran\u00e7a e a ordem da Col\u00f4nia, e que prejudicava, tamb\u00e9m, o rendimento dos trabalhadores das minas de ouro e no com\u00e9rcio local.\n\nEntretanto, o principal motivo, segundo alguns historiadores, \u00e9 que a cacha\u00e7a produzida no Brasil come\u00e7ou a ganhar espa\u00e7o junto \u00e0 classe m\u00e9dia da \u00e9poca, levando \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o do consumo da bagaceira, importada de Portugal e, consequentemente, arrecadando menos impostos.\n\nComo na pr\u00e1tica nunca se conseguiu acabar com o consumo da bebida, em meados do s\u00e9culo XVIII a Corte Portuguesa decidiu taxar a venda da <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, por\u00e9m sem sucesso, pois a sonega\u00e7\u00e3o era muito elevada e a aguardente tornou-se um s\u00edmbolo de resist\u00eancia contra a domina\u00e7\u00e3o portuguesa.\n\nQuando o produto nacional come\u00e7ou a ganhar for\u00e7a entre todas as classes sociais, alguns setores da elite e da classe m\u00e9dia do s\u00e9culo XIX e in\u00edcio do XX iniciaram um movimento de preconceito contra a <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, uma vez que eles buscavam uma identidade mais pr\u00f3xima da europ\u00e9ia.\n\nSomente durante a Semana de Arte de 1922, quando se buscou as ra\u00edzes brasileiras, \u00e9 que a cacha\u00e7a voltou a ser considerada um s\u00edmbolo da cultura nacional e contra a ado\u00e7\u00e3o da cultura europ\u00e9ia. E, desde ent\u00e3o, \u00e9 considerada a mais brasileira das bebidas e famosa em todo o mundo.\n<h4><strong>Cacha\u00e7a<\/strong>, caninha, pinga, cana e aguardente de cana<\/h4>\nPara que o produto receba a denomina\u00e7\u00e3o de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, deve obedecer os par\u00e2metros estabelecidos pelo Decreto n\u00b0 2314, de 4 de setembro de 1997, que regulamenta a padroniza\u00e7\u00e3o e classifica\u00e7\u00e3o de bebidas.\n\nSendo a cacha\u00e7a, caninha, cana ou aguardente de cana toda bebida que utilize a cana-de-a\u00e7\u00facar como mat\u00e9ria-prima e com sua gradua\u00e7\u00e3o alco\u00f3lica entre 38% e 54% em volume, a 20\u00b0 C, podendo ainda ser acrescida de a\u00e7\u00facar em at\u00e9 seis gramas por litro, sendo que quando a adi\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar for superior a seis e inferior a 30 gramas por litro deve receber a denomina\u00e7\u00e3o de <strong>cacha\u00e7a<\/strong>ado\u00e7ada, caninha ado\u00e7ada ou aguardente de cana ado\u00e7ada.\n<h4>Cacha\u00e7a de alambique e industrial<\/h4>\nEmbora a legisla\u00e7\u00e3o n\u00e3o estabele\u00e7a distin\u00e7\u00e3o entre os produtos finais das destilarias industriais e dos alambiques artesanais, existem, na pr\u00e1tica, muitas diferen\u00e7as entre <strong>cacha\u00e7a <\/strong>de alambique e cacha\u00e7a industrial.\n\nAs <strong>cacha\u00e7as industriais <\/strong>s\u00e3o controladas por empresas e a cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 cultivada em grandes \u00e1reas, enquanto a pinga artesanal \u00e9 produzida em pequena escala por pequenos produtores, em sua maioria utilizando m\u00e3o-de-obra familiar. Estima-se que existam por volta de 40 mil produtores de cacha\u00e7a artesanal no Brasil.\n\nO processo de produ\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m \u00e9 diferente, pois em larga escala utiliza-se, muitas vezes, colunas de destila\u00e7\u00e3o e ton\u00e9is de a\u00e7o-inox, a adi\u00e7\u00e3o de produtos qu\u00edmicos na fermenta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o se separa a parte nobre do destilado. No processo artesanal, a destila\u00e7\u00e3o \u00e9 feita em alambiques de cobree a fermenta\u00e7\u00e3o ocorre de forma natural.\n<p class=\"imagem\" align=\"center\"><\/p>\nA parte nobre da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 separada das impurezas com o objetivo de dar mais qualidade ao produto artesanal e, por fim, vem o processo de envelhecimento em ton\u00e9is de madeira (carvalho, b\u00e1lsamo, al\u00e9m de esp\u00e9cies nativas do Pa\u00eds).\n<h4>Fabrica\u00e7\u00e3o da cacha\u00e7a<\/h4>\nA fabrica\u00e7\u00e3o de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>ocorre seguindo basicamente os mesmos processos da fabrica\u00e7\u00e3o do etanol combust\u00edvel, como mostra a , com diferen\u00e7as nas etapas a partir de destila\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\" align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-112788 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1317-Mar.-08-11.56.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" width=\"354\" height=\"468\" \/>\n<strong>Fluxograma da produ\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a.<\/strong><\/p>\nA cana colhida \u00e9 levada para a moenda (Figura abaixo) para a extra\u00e7\u00e3o do caldo, que \u00e9 \u00e9 filtrado e vai para a dorna de decanta\u00e7\u00e3o com o objetivo de separar impurezas, como bagacilhos, terra e areia. A dilui\u00e7\u00e3o do caldo \u00e9 o processo em que se prepara o caldo de cana para atingir o teor de sacarose entre 14 e 16 graus Brix. Isto acontece com a adi\u00e7\u00e3o de \u00e1gua de boa qualidade na dorna de dilui\u00e7\u00e3o. Ainda nesta etapa, pode-se adicionar \u00e1cido sulf\u00farico para evitar a contamina\u00e7\u00e3o do caldo por bact\u00e9rias que podem produzir outros compostos prejudiciais \u00e0 qualidade final da <strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n<p class=\"imagem\" align=\"center\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-112789 size-full\" title=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ScreenHunter_1318-Mar.-08-11.57.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a\" width=\"325\" height=\"250\" \/>\nRecep\u00e7\u00e3o e moagem da cana<\/strong><\/p>\nIndependente do fermento utilizado, esse processo deve ser conclu\u00eddo em aproximadamente 24 horas. O m\u00e9todo usual para verificar o fim da fermenta\u00e7\u00e3o \u00e9 quando o caldo come\u00e7a a soltar borbulhas de forma uniforme e com cheiro agrad\u00e1vel, com leve aroma de frutas. O fermento depositado no fundo da dorna costuma ser reutilizado na pr\u00f3xima fermenta\u00e7\u00e3o.\n\nO vinho \u00e9 retirado por gravidade das dornas de fermenta\u00e7\u00e3o e levado diretamente para a destila\u00e7\u00e3o nos alambiques. Na etapa de destila\u00e7\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 aproveitado o \u00e1lcool inicial (cabe\u00e7a) e final (calda). Utiliza-se para a comercializa\u00e7\u00e3o somente o \u00e1lcool do meio da destila\u00e7\u00e3o (corpo ou cora\u00e7\u00e3o), 80% do material destilado.\n\nAp\u00f3s a retirada do \u00e1lcool, este \u00e9 padronizado para que o teor alco\u00f3lico fique entre 38 e 54%. A partir disso, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>j\u00e1 pode ser engarrafada ou ir para ton\u00e9is de madeira para envelhecimento. A cacha\u00e7a envelhecida tem sabor e aroma mais agrad\u00e1veis do que a<strong>cacha\u00e7a <\/strong>rec\u00e9m destilada, o que lhe agrega maior valor.\n<h4>Mercado<\/h4>\nO pre\u00e7o do produto e a forma de comercializa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m s\u00e3o diferentes. A cacha\u00e7a industrial \u00e9 vendida em torno R$0,70 o litro na destilaria e \u00e9 comercializada em larga escala, tanto no mercado interno quanto no externo. A pinga artesanal consegue um valor de, no m\u00ednimo, R$1,30 por litro e, dependendo da forma como \u00e9 comercializada, pode chegar, em m\u00e9dia, a R$4,50 a R$6,00 por litro.\n\nEm lojas especializadas, a <strong>cacha\u00e7a <\/strong>artesanal \u00e9 vendida a pre\u00e7os muito altos, dependendo da marca, podendo ultrapassar o valor de R$200,00 por uma garrafa de 700 mililitros. Ou seja, o valor agregado na produ\u00e7\u00e3o artesanal \u00e9 muito elevado, j\u00e1 que o consumidor adquire um produto praticamente exclusivo.\n\nOutra forma de agrega\u00e7\u00e3o de valor ao produto s\u00e3o os certificados de qualidade e os certificados socioambientais, como o org\u00e2nico e\/ou o de indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica. A cacha\u00e7a produzida em Paraty, no Estado do Rio de Janeiro, foi a primeira a conseguir o certificado de indica\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica como denomina\u00e7\u00e3o de origem.\n\nPara exporta\u00e7\u00e3o, o pre\u00e7o varia entre US$1,00 e US$2,50 o litro, que \u00e9 vendido no mercado internacional por US$ 20,00 a US$24,00 por litro. Segundo estimativas do PBDAC, espera-se que as exporta\u00e7\u00f5es cheguem a 100 milh\u00f5es de litros em dez anos, pois a qualidade da <strong>cacha\u00e7a <\/strong>brasileira vem melhorando a cada safra e conquistando cada vez mais consumidores estrangeiros, sobretudo os europeus.\n<h4><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h4>\nMARTINELLI, D. P.; SPERS, E. E.; COSTA, A. F. Ypi\u00f3ca &#8211; introduzindo uma bebida genuinamente brasileira no mercado global. In: CONGRESSO ANUAL DO PENSA (PROGRAMA DE ESTUDOS DOS NEG\u00d3CIOS DE SISTEMA INDUSTRIAL), 10., 2000, S\u00e3o Paulo. Anais &#8230; [S\u00e3o Paulo, 2000].\n\nRODRIGUES, L. R.; OLIVEIRA, E. A. A. Q. de. Expans\u00e3o da exporta\u00e7\u00e3o de cacha\u00e7a brasileira: uma nova oportunidade de neg\u00f3cios internacionais. In: ENCONTRO LATINO AMERICANO DE INICIA\u00c7\u00c3O CIENT\u00cdFICA, 11.; ENCONTRO LATINO AMERICANO DE P\u00d3S-GRADUA\u00c7\u00c3O, 7., 2006, S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos. [Anais&#8230;]. [S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: Univap, 2007].\n\nFonte: www.agencia.cnptia.embrapa.br\n<h6>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/h6>\nPara conhecer a <strong>hist\u00f3ria da cacha\u00e7a <\/strong>\u00e9 necess\u00e1rio voltar ao in\u00edcio do s\u00e9culo XV. Os portugueses tinham conhecido a cana de a\u00e7\u00facar durante suas viagens \u00e0 \u00c1sia e n\u00e3o tardaram em levar algumas mudas para a ilha da Madeira, para, mais adiante, levar a cana para novas terras descobertas no Ocidente.\n\nRapidamente a cana de a\u00e7\u00facar se tornou para os pa\u00edses europeus um dos neg\u00f3cios mais lucrativos em terras americanas, dada a crescente demanda por este produto no Velho Mundo para usos gastron\u00f4micos.\n\nMas o Rei A\u00e7\u00facar exigia cada vez mais terras e sacrif\u00edcios humanos. Milhares de hectares de matas foram destru\u00eddos e como a m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena n\u00e3o era suficiente para assegurar a produ\u00e7\u00e3o, milhares de africanos acabaram embarcados rumo \u00e0 Am\u00e9rica para que servissem de m\u00e3o-de-obra escrava nos canaviais.\n\nGra\u00e7as ao suor e ao sangue destes trabalhadores negros, a nobreza europ\u00e9ia podia levar uma vida que, al\u00e9m de confort\u00e1vel, era cada vez mais doce.\n\nNos engenhos onde se obtinha o a\u00e7\u00facar, o caldo da cana era depurado em uma enorme caldeira em fogo brando. A espuma formada pelos res\u00edduos da planta era usada como alimento para os animais. Era a <strong>cacha\u00e7a<\/strong>.\n\nS\u00f3 a partir do s\u00e9culo XVI, a <strong>cacha\u00e7a<\/strong>, da mesma forma que se fazia com os restos da fermenta\u00e7\u00e3o do suco da uva, come\u00e7ou a ser destilada com a ajuda de um alambique. Seu primeiro nome foi aguardente de cana e ela era dada aos escravos junto com a primeira refei\u00e7\u00e3o do dia para que pudessem suportar melhor o trabalho nos canaviais.\n\nCom o passar do tempo, o processo para a obten\u00e7\u00e3o deste aguardente foi melhorando, assim como sua qualidade. Seu consumo cresceu de maneira t\u00e3o r\u00e1pida que a Coroa Portuguesa viu perigar a venda de seu aguardente nacional, a &#8220;bagaceira&#8221;, para as col\u00f4nias.\n\nEm 1635, a metr\u00f3pole acabou proibindo a venda de <strong>cacha\u00e7a <\/strong>no estado da Bahia e, quatro anos depois, tentou proibir sua fabrica\u00e7\u00e3o. No entanto, a cacha\u00e7a j\u00e1 tinha se tornada a bebida preferida da enorme col\u00f4nia americana.\n\nO motivo da proibi\u00e7\u00e3o, logicamente era a concorr\u00eancia com a Bagaceira. A bebida j\u00e1 era muito apreciada e servia tamb\u00e9m para abrandar o frio, sobretudo nas baixas temperaturas como as da Serra do Espinha\u00e7o, em Minas Gerais, onde uma grande popula\u00e7\u00e3o se aglomerou em busca de ouro.\n\nEm 1756, n\u00e3o tendo tido \u00eaxito, na proibi\u00e7\u00e3o da fabrica\u00e7\u00e3o e muito menos do consumo, o Rei de Portugal resolveu taxar a nova bebida. A aguardente de cana-de-a\u00e7\u00facar foi, nessa \u00e9poca, um dos produtos brasileiros que mais contribu\u00edram com impostos.\n\nEsses recursos foram fundamentais para a reconstru\u00e7\u00e3o de Lisboa, abalada por um violento terremoto no ano anterior. A Aguardente brasileira foi assim, um s\u00edmbolo de resist\u00eancia \u00e0 domina\u00e7\u00e3o portuguesa e esteve presente na mesa dos Inconfidentes.\n\nLogo melhoram as t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o. A Cacha\u00e7a era exaltada por todos como uma \u00f3tima bebida e consumida at\u00e9 em banquetes palacianos. Misturada ao gengibre e outros ingredientes, era apreciada tamb\u00e9m nas festas religiosas portuguesas com o nome de Quent\u00e3o.\n\nQuando se iniciou a economia cafeeira, a implanta\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica e a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, a nossa cacha\u00e7a passou a ser v\u00edtima de um preconceito irracional.\n\nEm 1922 no entanto, com a Semana da Arte Moderna, a cacha\u00e7a ganhou novamente o reconhecimento que merecia. Outras inven\u00e7\u00f5es genuinamente brasileiras, como o samba e a feijoada fizeram parte do resgate do brasileirismo.\n\nA cacha\u00e7a ainda hoje enfrenta algum preconceito, mas hoje bem menos do que antes. Atualmente, v\u00e1rias destilarias, em todo o pa\u00eds, produzem cacha\u00e7as de excelente qualidade.\n\nS\u00e3o centenas, talvez milhares de marcas. Minas, Cear\u00e1 e Pernambuco, possuem juntos mais de mil marcas. Muitas com controle de qualidade e embalagens dignas do melhor u\u00edsque. Tal empenho dos fabricantes, conquistou o p\u00fablico feminino, abriu o com\u00e9rcio internacional e a nossa cacha\u00e7a ganhou o mundo.\n\nFonte: www.cabanacaipira.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a, Origem, Aguardente, Pinga, Produ\u00e7\u00e3o, Tipos, Industrial, Alambique, Evolu\u00e7\u00e3o, Caipirinha, Cronologia, Caracter\u00edstcas Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12435,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26349","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Hist\u00f3ria da Cacha\u00e7a - 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