{"id":26307,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/cartago-4\/"},"modified":"2026-09-01T18:02:08","modified_gmt":"2026-09-01T18:02:08","slug":"cartago-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/cartago-4\/","title":{"rendered":"Cartago"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n\n<strong>Cartago<\/strong> grande cidade da antiguidade, na costa norte da \u00c1frica, agora um bairro residencial da cidade de Tunis, Tun\u00edsia.\n\nSegundo a tradi\u00e7\u00e3o, <strong>Cartago<\/strong> foi fundada pelos fen\u00edcios de Tiro em 814 aC e seu nome fen\u00edcio significa &#8220;nova cidade&#8221;.\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\nFundada por uma princesa fen\u00edcia conhecida por dois nomes distintos, Elissa ou Dido, <b>Cartago<\/b> sempre esteve envolta em lendas desde a sua cria\u00e7\u00e3o.\n\nHoje est\u00e1 envolta na vegeta\u00e7\u00e3o frondosa das margens mediterr\u00e2nicas, as ru\u00ednas que restam da invas\u00e3o romana expostas aos olhos dos visitantes.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag1.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"435\" height=\"285\" \/><strong>\nRu\u00ednas de Cartago, antiga cidade fen\u00edcia no norte da Tun\u00edsia<\/strong><\/p>\n<strong>\u00c0 SOMBRA DE CARTAGO<\/strong>\n\nCartago marcou o in\u00edcio hist\u00f3rico da Tun\u00edsia, cuja capital fica agora na sua sombra. Situa-se mesmo ao lado de Tunes, junto a uma costa com poucas praias de areia mas banhada por um Mediterr\u00e2neo especialmente calmo e azul. As suas ru\u00ednas est\u00e3o espalhadas por uma \u00e1rea extensa, que obriga a v\u00e1rias paragens diferentes no comboio local, ou a uma longa caminhada entre os v\u00e1rios s\u00edtios a visitar. S\u00e3o doze locais visit\u00e1veis com espa\u00e7os de dois ou tr\u00eas quil\u00f3metros entre cada um deles, de La Marsa at\u00e9 Sidi Bou Said. \u00c9 um percurso que vale a pena, quer pelos vest\u00edgios cartagineses e romanos, quer pelas ruelas de vivendas modernas, moradas de embaixadores, o pal\u00e1cio do pr\u00f3prio presidente, tudo ensombrado por uma vegeta\u00e7\u00e3o luxuriante, t\u00e3o agrad\u00e1vel durante o quente estio do Norte de \u00c1frica.\n\nA lenda grega diz que a princesa fen\u00edcia Dido chegou de Tiro, depois de o seu marido ter sido morto pelo irm\u00e3o, e s\u00f3 lhe foi permitido comprar uma \u00e1rea de terra correspondente ao tamanho de uma pele de vaca.\n\n<strong>Dido cortou ent\u00e3o a pele em tiras finas e com elas delimitou territ\u00f3rio suficiente para fundar uma cidade: <\/strong>Cartago.\n\nN\u00e3o demorou muito at\u00e9 que esta se tornasse um grande centro de com\u00e9rcio e poder, com cerca de quinhentos mil habitantes, de tal modo que no tempo de An\u00edbal este ousou mesmo atacar Roma, dando origem \u00e0 extraordin\u00e1ria hist\u00f3ria da travessia dos Alpes com quarenta mil homens e trinta e oito elefantes. As Guerras P\u00fanicas terminaram com um cerco que durou tr\u00eas anos, ao fim dos quais os romanos a queimaram, arrasando-a por completo.\n\nEstava-se no ano de 146 a.C., e este n\u00e3o foi o fim da cidade; tal como a F\u00e9nix, Cartago levantou-se das cinzas, agora integrada no Imp\u00e9rio Romano como um centro cultural e intelectual mas, sobretudo, como o celeiro do imp\u00e9rio, j\u00e1 que se situava &#8211; e situa &#8211; numa zona f\u00e9rtil como poucas. Foi preciso mais uma s\u00e9rie de invas\u00f5es, nomeadamente de bizantinos e \u00e1rabes, para que a cidade desaparecesse da hist\u00f3ria.\n\nO seu mito, por\u00e9m, nunca foi esquecido. Usada como pedreira e fonte de material para constru\u00e7\u00f5es &#8211; incluindo a da moderna capital &#8211; desde o s\u00e9culo VII, chegou ao s\u00e9culo XIX com pouco para mostrar. Em finais do mesmo s\u00e9culo come\u00e7aram as primeiras escava\u00e7\u00f5es a s\u00e9rio, feitas pelos franceses, que revelaram aos poucos o que hoje podemos ver. Ao mesmo tempo, os artefatos, estatu\u00e1ria e mosaicos encontrados foram sendo guardados num museu.\n\nEm 1979, a UNESCO reconheceu o local como Patrim\u00f3nio da Humanidade, e a partir da\u00ed Cartago conheceu uma nova hist\u00f3ria.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag2.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"424\" height=\"282\" \/><strong>\nCartago<\/strong><\/p>\n<strong>Da \u00e9poca cartaginesa sobrou pouco: <\/strong>o \u0093tophet\u0094, santu\u00e1rio com pedras tumulares, algumas moradias e o local dos c\u00e9lebres portos p\u00fanicos onde se fazia a riqueza da cidade; mas da posterior \u00e9poca romana, os vest\u00edgios s\u00e3o muito mais impressionantes. Basta visitar as Termas de Antonino para percebermos a import\u00e2ncia que estes davam a Cartago. S\u00e3o o local mais bem preservado e apesar de pouco mais restar que os seus subterr\u00e2neos &#8211; ou talvez por isso mesmo &#8211; o que resta \u00e9 t\u00e3o grandioso que j\u00e1 foi classificado como o maior banho p\u00fablico de \u00c1frica e o terceiro maior do Imp\u00e9rio Romano. Com uma magn\u00edfica localiza\u00e7\u00e3o, junto ao mar e dentro de um jardim frondoso, o conjunto de arcadas subterr\u00e2neas, paredes e colunas colossais ainda d\u00e3o uma ideia do que deveria ter sido o complexo.\n\nAinda na zona de Carthage Hannibal, no cimo do Monte Byrsa podemos ver o que resta da acr\u00f3pole, um conjunto de moradias e um teatro romano, que a m\u00fasica anima todos os anos durante o Festival Internacional de Cartago. Em Carthage Salammbo fica o \u0093tophet\u0094, no cimo de uma colina, onde eram cremadas crian\u00e7as e pequenos animais no que \u00e9 considerado hoje o maior local de sacrif\u00edcios do mundo. Na costa ainda h\u00e1 vest\u00edgios dos grandes portos de onde sa\u00eda toda a riqueza do Norte de \u00c1frica em dire\u00e7\u00e3o a Roma. O Museu de Cartago fica junto Bas\u00edlica de S\u00e3o Lu\u00eds, assim como alguns vest\u00edgios de ru\u00ednas, estelas e sarc\u00f3fagos cartagineses. Mas para apreciar o que de melhor se fez em termos de arte, conv\u00e9m completar a visita com uma manh\u00e3 no Museu do Bardo, em Tunes, verdadeiramente excepcional no que toca a estatu\u00e1ria e, sobretudo, mosaicos.\n\nApesar da destrui\u00e7\u00e3o progressiva, que come\u00e7ou com a conquista da cidade pelos romanos e continuou com invas\u00f5es e pilhagens ao longo dos s\u00e9culos, Cartago levanta-se do ch\u00e3o por entre novas constru\u00e7\u00f5es, estradas e a linha do comboio. \u00c9 necess\u00e1rio um pouco de paci\u00eancia e vis\u00e3o hist\u00f3rica para reconstruir a antiga opul\u00eancia do local, mas os pormenores est\u00e3o l\u00e1 para quem os quiser ver. E se j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam a mesma grandiosidade no presente, a sua import\u00e2ncia hist\u00f3rica continua fora de quest\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag3.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"430\" height=\"281\" \/><strong>\nCartago, pr\u00f3ximo de Tunes<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag4.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"431\" height=\"285\" \/><strong>\nRu\u00ednas de Cartago<\/strong><\/p>\nFonte: www.almadeviajante.com\n<h6>Cartago<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nSegundo a lenda,<strong> Cartago<\/strong> foi fundada pela rainha fen\u00edcia Elissa (mais conhecido como Dido), por volta de 813 aC.\n\nA cidade (na atual Tun\u00edsia, Norte da \u00c1frica ) foi originalmente conhecida como Kart-Hadasht (cidade nova) para distingui-la da cidade fen\u00edcia mais antiga do Utica nas proximidades.\n\nOs gregos chamavam a cidade Karchedon e os romanos transformaram este nome em Cartago.\n\nOriginalmente um pequeno porto na costa, criada apenas como uma parada para comerciantes fen\u00edcios para re-abastecimento ou reparar seus navios, Cartago cresceu para se tornar a cidade mais poderosa do Mediterr\u00e2neo antes da ascens\u00e3o de Roma.\n<h4>Cartago: Antiga cidade-estado fen\u00edcia<\/h4>\nFundada por um povo mar\u00edtimo conhecido como os fen\u00edcios, a antiga cidade de Cartago, localizada na moderna Tun\u00edsia, foi um importante centro de com\u00e9rcio e de influ\u00eancia no Mediterr\u00e2neo ocidental. A cidade travou uma s\u00e9rie de guerras contra Roma, que acabaria por levar \u00e0 sua destrui\u00e7\u00e3o.\n\nOs fen\u00edcios habitavam originalmente uma s\u00e9rie de cidades-estado que se estendiam desde o sudeste da Turquia at\u00e9 a moderna Israel. Eles eram grandes marinheiros com um gosto para a explora\u00e7\u00e3o. Provas dos seus feitos sobreviveram em lugares t\u00e3o distantes como o Norte da Europa e da \u00c1frica Ocidental. Eles fundaram col\u00f3nias em todo o Mediterr\u00e2neo durante o primeiro mil\u00e9nio AC.\n\n<strong>Cartago<\/strong>, cujo nome fen\u00edcio era Qart Hadasht (nova cidade), era um desses novos assentamentos. Estabeleceu rotas comerciais de leste a oeste, atrav\u00e9s do Mediterr\u00e2neo, e de norte a sul, entre a Europa e \u00c1frica. As pessoas falavam P\u00fanica, uma forma de linguagem fen\u00edcia.\n\nAs duas principais divindades em Cartago foram Baal Hammon e a sua consorte Tanit. Richard Miles escreve no seu livro &#8220;Carthage must be destroyed&#8221; (Penguin Group, 2010) que a palavra Baal significa &#8220;Senhor&#8221; ou &#8220;Mestre&#8221;, e Hammon pode vir de uma palavra fen\u00edcia que significa &#8220;quente&#8221; ou &#8220;ser ardente.&#8221; Miles observa que Baal Hammon \u00e9 muitas vezes representado com uma lua crescente, enquanto Tanit, sua consorte, \u00e9 mostrado com os bra\u00e7os estendidos.\n\nA mais antiga evid\u00eancia arqueol\u00f3gica de ocupa\u00e7\u00e3o em Cartago data de cerca de 760 AC. A metr\u00f3pole rapidamente cresceu para abranger uma \u00e1rea de 61-74 hectares residenciais rodeado por uma necr\u00f3pole (cemit\u00e9rio), observa Roald Docter, da Universidade de Gent.\n\nDentro de um s\u00e9culo a cidade teria muros, instala\u00e7\u00f5es portu\u00e1rias e uma &#8220;Tofete&#8221;, um controverso edif\u00edcio a sudeste da cidade, que pode ter sido usado para o sacrif\u00edcio de crian\u00e7as (que tamb\u00e9m poderia simplesmente ter sido um cemit\u00e9rio especial).\n\nUm grande mercado (que os gregos chamavam de &#8220;\u00e1gora&#8221;) tamb\u00e9m se desenvolveu e, em s\u00e9culos posteriores, foi localizado no mar, escreve o professor da Universidade de Sydney Dexter Hoyos, no seu livro, &#8220;The Carthaginians&#8221; (Routledge, 2010).\n\nEm 500 AC, o sistema municipal de governo, como sugere o grande mercado, era uma rep\u00fablica. Hoyos nota que os cartagineses tiveram dois sufetes eleitos (os gregos chamavam reis) que serviram juntamente com um senado. Houve tamb\u00e9m um corpo enigm\u00e1tico chamado de &#8220;corte de 104&#8221; que ocasionalmente crucificavam generais cartagineses derrotados.\n\nNo s\u00e9culo II AC, pouco antes de ter sido destru\u00edda por Roma, a cidade contava com uma popula\u00e7\u00e3o estimada em mais de meio milh\u00e3o de pessoas. A cidade cresceu, assim como a sua influ\u00eancia externa, com evid\u00eancia de envolvimento em lugares como a Sardenha, Sic\u00edlia, Espanha e enredos que acabaria por levar ao conflito com Roma.\n<h4>Funda\u00e7\u00e3o lend\u00e1ria<\/h4>\nN\u00e3o era incomum para grandes cidades do mundo antigo terem mitos de funda\u00e7\u00e3o elaborados, e escritores gregos e romanos tinham um conto de Cartago.\n\nSegundo a lenda, Cartago foi fundada por Elissa (por vezes referido como Dido), uma rainha da cidade fen\u00edcia de Tiro, localizado no atual L\u00edbano. Quando o seu pai morreu, ela e o seu irm\u00e3o Pigmale\u00e3o ascenderam ao trono. Isso n\u00e3o funcionou bem, com Pigmale\u00e3o, eventualmente, a ordenar a execu\u00e7\u00e3o do marido de Elissa.\n\nElissa, junto com um pequeno grupo de colonos, deixaria a cidade, navegando quase 1.400 milhas (2.300 km) a oeste. O rei local, um homem chamado Iarbas, disse que eles poderiam construir em Cartago. Iarbas acabaria por exigir que Elissa casasse com ele, sendo que ela acabaria por matar-se com uma espada em cima de uma pira funer\u00e1ria.\n\nOs arque\u00f3logos ainda n\u00e3o encontraram restos de Cartago dat\u00e1veis do s\u00e9culo IX AC, e os estudiosos tendem a considerar esta hist\u00f3ria como sendo em grande parte m\u00edtica. O conto, ali\u00e1s, vem em grande parte de fontes gregas e romanas, e \u00e9 discut\u00edvel se cartagineses realmente acreditavam em si mesmos.\n<h4>Guerras P\u00fanicas<\/h4>\nRoma e Cartago lutaria um total de tr\u00eas &#8220;Guerras P\u00fanicas&#8221;, que culminou com a destrui\u00e7\u00e3o deste \u00faltimo e re-funda\u00e7\u00e3o.\n\nAs duas cidades nem sempre foram hostis. Antes da Primeira Guerra P\u00fanica come\u00e7ou em 264 aC, eles tinham uma longa hist\u00f3ria de com\u00e9rcio, e em um ponto os dois poderes, na verdade, aliado juntos contra Pirro, um rei com base no \u00c9piro, que \u00e9 na atual Alb\u00e2nia. Este \u00e9 hoje conhecida como a Guerra de Pirro.\n\nHistoriadores ainda debatem as causas das guerras p\u00fanicas, mas a fa\u00edsca que acendeu-off aconteceu na Sic\u00edlia. Carthage h\u00e1 muito territ\u00f3rio controlado na parte ocidental da ilha, lutando contra a cidade grega de Siracusa.\n\nEm 265 aC, o Mamertines, um grupo de ex-mercen\u00e1rios baseados em Messina, Sic\u00edlia, apelou a ambos Cartago e Roma para ajuda contra Syracuse.\n\nEles acabaram ficando ambas as solicita\u00e7\u00f5es respondidas.\n\nRichard Miles escreve que Carthage enviou uma pequena for\u00e7a para Messina, que foi ent\u00e3o expulso por uma for\u00e7a Roman maior. A situa\u00e7\u00e3o rapidamente se transformou em uma guerra aberta entre as duas grandes pot\u00eancias.\n\nNo in\u00edcio, Cartago tinha supremacia naval, dando-lhes a vantagem. No entanto, os romanos constru\u00edram uma frota rapidamente, desenvolvendo um dispositivo de ponte-like chamado de &#8220;Corvo&#8221;, que tornou mais f\u00e1cil para as suas tropas embarcadas para atacar navios cartagineses .\n\nA Primeira Guerra P\u00fanica iria passar por mais de 20 anos e terminar\u00e1 em Carthage aceitar um tratado de paz humilhante que cedeu Sic\u00edlia juntamente com grande parte das suas explora\u00e7\u00f5es do Mediterr\u00e2neo para Roma.\n\nA Segunda Guerra P\u00fanica duraria 218-201 aC e veria o general cartagin\u00eas An\u00edbal, com sede em Espanha, It\u00e1lia atacar diretamente atravessando os Alpes. No in\u00edcio de seu ataque foi bem sucedida, tendo uma grande quantidade de territ\u00f3rio e infligir uma derrota romana na Batalha de Canas, no sul da It\u00e1lia, em 216 aC.\n\nHannibal foi, no entanto, n\u00e3o conseguiu tirar a pr\u00f3pria Roma. Durante a pr\u00f3xima d\u00e9cada, uma s\u00e9rie de contra-ataques romanos na It\u00e1lia, Espanha e Sic\u00edlia virou a mar\u00e9 da guerra contra Cartago e em 204 aC, uma for\u00e7a Roman liderada por Publius Cornelius Scipio desembarcou na \u00c1frica, derrotando Hannibal na batalha de Zama. A paz imposta em Carthage deixou privado de terras e dinheiro.\n\nA Terceira Guerra P\u00fanica, 149-146 aC, consistia principalmente de um cerco prolongado de Carthage, que terminou com a cidade que est\u00e1 sendo queimado.\n\nUm mito moderno-dia tem os romanos &#8220;salga a terra&#8221; para impedir que os campos de Cartago sendo lavrados novamente; no entanto, n\u00e3o h\u00e1 nenhuma evid\u00eancia para esta antiga.\n\n<strong>Owen Jarus<\/strong>\n\nFonte: www.livescience.com\n<h6>Cartago<\/h6>\n<strong>CARTAGO, UM GRANDE IMP\u00c9RIO DE P\u00d3<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag5.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"251\" height=\"307\" \/>\nBusto de An\u00edbal <\/strong><\/p>\n<strong>Um l\u00edder carism\u00e1tico e corajoso.<\/strong>\n\n<strong>O \u00fanico capit\u00e3o de guerra da antiguidade estudado at\u00e9 hoje nas escolas miliatres.<\/strong>\n\n<strong>L\u00edder de batalhas dignas de epopeias<\/strong>\n\nAssim \u00e9 caracterizado An\u00edbal Barca, um dos maiores generais que o mundo j\u00e1 viu. Filho de Am\u00edlcar Barca, ficou famoso gra\u00e7as a sua genialidade no campo de batalha, por assolar os ex\u00e9rcitos romanos diversas vezes, infringindo \u00e0 Roma a pior derrota de sua hist\u00f3ria. Um homem valente, que deu \u00e0 vida por sua terra, Cartago.\n\n<strong>Cartago <\/strong>\u00e9 hoje um imp\u00e9rio esquecido, que n\u00e3o deixou resqu\u00edcios e de que pouco se ouve falar. No seio da cidade de T\u00fanis, capital da atual Tun\u00edsia, pequenas ru\u00ednas restaram. S\u00e3o fragmentos \u00ednfimos para contar a trajet\u00f3ria do \u00fanico Imp\u00e9rio capaz de desafiar Roma.\n\n<strong>O mito de cria\u00e7\u00e3o e o crescimento no Mediterr\u00e3neo<\/strong>\n\nA hist\u00f3ria de Cartago \u00e9 iniciada da mesma forma que das grandes sociedades antigas, com um Mito de Cria\u00e7\u00e3o. Nove\u00a0 s\u00e9culos antes de Cristo, na cidade de Tiro \u0096 parte da Fen\u00edcia \u0096 Dido, a filha do rei local, viu seu marido ser assassinado por seu irm\u00e3o. Desgostosa, vagou pelo Mar Mediterr\u00e2neo em busca de uma nova terra para reinar.\n\nE foi na parte apelidada de \u0093chifre da \u00c1frica\u0094 que Dido achou o territ\u00f3rio ideal. Negociou com os moradores da regi\u00e3o e pagou por um peda\u00e7o de terra com o tamanho de uma pele de boi. Seria um p\u00e9ssimo neg\u00f3cio, n\u00e3o fosse a ast\u00facia de Dido, que cortou a pele em tiras fin\u00edssimas, que envolveram uma parte de terra muito maior que a esperada pelos vendedores. Ali, a Rainha fundou Qart Hadsht, \u0093Cidade Nova\u0094 para os fen\u00edcios, Cartago para a hist\u00f3ria.\n\nAli Dido reinou, tornando-se famosa por sua beleza, intelig\u00eancia e riqueza, atraindo Jarbas, o Rei dos Et\u00edopes, disposto a casar-se com ela. Mas Dido n\u00e3o se dobrou as investidas, preferindo se jogar ao fogo pela paix\u00e3o nutrida pelo marido assassinado.\n\nAssim se inicia, muito antes da exist\u00eancia da Roma como conhecemos, a hist\u00f3ria de um povo esquecido \u0096 os \u0093perdedores honrados da hist\u00f3ria\u0094. Era o s\u00e9culo VII A.C. e Cartago j\u00e1 controlava territ\u00f3rios na atual ilha de Ibiza e C\u00f3rsega, promovida pelas inova\u00e7\u00f5es feitas na navega\u00e7\u00e3o, carro-chefe dos cartagineses muito antes de serem assim conhecidos \u0096 desde a velha Fen\u00edcia, conhecido p\u00f3lo de com\u00e9rcio mar\u00edtimo na antiguidade.\n\nO processo de crescimento de Cartago n\u00e3o foi muito diferente da j\u00e1 conhecida expans\u00e3o romana \u0096 colonizar novas terras trazendo riqueza para a Cidade-Estado. E com um com\u00e9rcio aberto e muito operante num Mar Mediterr\u00e2neo exclusivo para eles, os cartagineses se expandiram, chegando aos trezentos mil moradores no s\u00e9culo VII A.C.\n\nComparada por historiadores com a atual Manhattan (cora\u00e7\u00e3o de Nova Iorque, e por que n\u00e3o, do Imp\u00e9rio Estadunidense), Cartago era pequena para tanta gente, e foi a\u00ed que a engenharia cartaginesa agiu, sendo pioneira na constru\u00e7\u00e3o de pr\u00e9dios em larga escala. Eram pequenas constru\u00e7\u00f5es, arranha-c\u00e9us para \u00e9poca, com seis andares \u0096 equipados com o primeiro grande sistema integrado de \u00e1gua e esgoto (nas ru\u00ednas da cidade de Kerkuane, regi\u00e3o mais preservada do Imp\u00e9rio, foram achados vest\u00edgios de banheiras, pias e chuveiros nas resid\u00eancias, al\u00e9m de um sistema de impermeabiliza\u00e7\u00e3o com cascas de ovo, cinzas e gesso e processo de armazenamento em cisternas \u0091prediais\u0092).\n\nPara a popula\u00e7\u00e3o crescente eram necess\u00e1rias novas expans\u00f5es, pontos de com\u00e9rcio e servi\u00e7o. Foi assim que o conquistador Hanno saiu pelas colunas de H\u00e9rcules , hoje conhecidas como Estreito de Gibraltar, para desbravar e colonizar o litoral africano. Al\u00e9m disso, a Ilha da Sic\u00edlia, territ\u00f3rio que na \u00e9poca era de Cartago, tinha grande import\u00e2ncia, por sua acess\u00edvel e infind\u00e1vel fonte de recursos minerais, como prata, ouro e cobre. Mas com o passar de alguns s\u00e9culos e depois de diversas disputas pelos territ\u00f3rios do centro da It\u00e1lia, a maior pot\u00eancia j\u00e1 vista no Ocidente come\u00e7ava a ganhar for\u00e7a, Roma. E essa mesma Sic\u00edlia foi o estopim da primeira grande disputa entre romanos e cartagineses, a Primeira Guerra P\u00fanica.\n\nA Sic\u00edlia era a metade do caminho entre Roma e Cartago e, como dito, uma mina de tesouros pronta para ser explorada pelas duas pot\u00eancias. Da\u00ed surge o conflito que deu origem a Primeira Guerra P\u00fanica (p\u00fanica pois assim eram conhecidos os fen\u00edcios, que deram origem \u00e0 Cartago). Depois de v\u00e1rias pequenas batalhas na ilha, entre cidades ali situadas, come\u00e7a uma rivalidade entre romanos e cartagineses, que disputam cidade a cidade o dom\u00ednio da Sic\u00edlia.\n\nForam vinte e tr\u00eas anos de guerra, com a vit\u00f3ria final de Roma. Por um fator determinante, o r\u00e1pido aprendizado romano. Roma era feita de terra, assim batalhava, nela vivia. J\u00e1 Cartago era um Imp\u00e9rio Mar\u00edtimo, controlando o Mar Mediterr\u00e2neo por s\u00e9culos. Por se passar numa ilha, a disputa favoreceria os cartagineses, principalmente pela grande frota com que contavam, e pelo uso de uma embarca\u00e7\u00e3o inovadora, a quinquirreme. <em>Quinqui <\/em>\u0096 cinco. <em>Reme<\/em> \u0096 remos. A quinquirreme contava com cinco linhas de remadores, mais de quarenta metros de comprimento, entre tr\u00eas a quatro de largura e podia levar consigo at\u00e9 420 marinheiros e 100 toneladas de peso no seu carregamento m\u00e1ximo. Era uma grande m\u00e1quina de matar inventada pelos gregos e utilizada em sua plenitude pelos cartagineses, que simplesmente estra\u00e7alhavam as trirremes (barco menor e mais conhecido, que contava com tr\u00eas linhas de remos) com sua velocidade e for\u00e7a.\n\nAl\u00e9m de ser perfeita no mar, a quinquirreme era simples de ser fabricada, com uma linha de montagem em Cartago capaz de produzir as embarca\u00e7\u00f5es em massa. S\u00f3 que esta facilidade acabou sendo o diferencial para o lado romano.\n\nNum deslize, algumas quinquirremes ficaram encalhadas, e assim os romanos aprenderam a montar uma embarca\u00e7\u00e3o semelhante. \u00c9 claro que, por terem sido feitas as pressas por pessoal menos experiente, \u00a0as embarca\u00e7\u00f5es romanas n\u00e3o eram t\u00e3o boas ou dur\u00e1veis quanto aquelas de Cartago, mas com boas t\u00e1ticas de guerra, e outros descuidos de Cartago, Roma venceu a Primeira Guerra P\u00fanica. Ao fim, a batalha das Ilhas \u00c9gadi foi o fim da guerra, com trinta mil prisioneiros cartagineses. Foram 23 anos de batalha, entre 264 e 241 A.C. que se acabaram quando os romanos interceptaram barcos vindos da \u00c1frica com mais soldados e mantimentos para as tropas de Am\u00edlcar Barca, comandante cartagin\u00eas estabelecido em Panormus, atual Palermo.\n\nO diferencial romano sempre foi o maior contingente de tropas e o quase infinito patroc\u00ednio da elite romana, preocupada com uma poss\u00edvel invas\u00e3o cartaginesa. J\u00e1 o ex\u00e9rcito de Cartago sempre tinha que pagar por mercen\u00e1rios e convencer a elite cartaginesa, que pouco se importava com os conflitos al\u00e9m-mar. Nos tratados de paz assinados entre as na\u00e7\u00f5es, Cartago perdeu as ilhas da Sic\u00edlia, Sardenha, C\u00f3rsega e aquelas entre a Sic\u00edlia e a \u00c1frica. Al\u00e9m de uma indeniza\u00e7\u00e3o de 2200 talentos (moeda da \u00e9poca) anuais, al\u00e9m de 1000 talentos logo depois de negociada a paz. Cartago pouco pode negociar, estava esgotada.\n\nO general Am\u00edlcar Barca viu o fim da guerra e foi o respons\u00e1vel pela rendi\u00e7\u00e3o. Depois disso foi se aventurar numa nova investida, as batalhas cartaginesas na Espanha. Na \u00e9poca Cartago dominou toda a regi\u00e3o at\u00e9 o rio Ebro, fundando a Nova Cartago na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica. Foi l\u00e1 que nasceu um dos maiores, sen\u00e3o o maior, dos generais e estrategistas da hist\u00f3ria, An\u00edbal Barca, filho do comandante Am\u00edlcar.\n\nA lenda conta que An\u00edbal aos nove anos pediu ao pai para ir \u00e0 Espanha ver as batalhas cartaginesas.\n\n<strong>Am\u00edlcar prop\u00f4s um trato:<\/strong> An\u00edbal ia, com a condi\u00e7\u00e3o de jurar odiar e destruir Roma para sempre. E assim foi feito.\n\nAos 26 anos, depois da morte do pai em confronto com tribos na Espanha, An\u00edbal assumiu o controle das tropas cartaginesas. Foi ent\u00e3o, pouco a pouco conquistando terras ao longo da pen\u00ednsula em dire\u00e7\u00e3o a atual Fran\u00e7a e, \u00e9 claro, Roma. Roma viu-se amea\u00e7ada e se aliou a Sagunto, cidade ao sul do rio Ebro, o que a colocava como \u0093pass\u00edvel de domina\u00e7\u00e3o cartaginesa\u0094. Os romanos protestaram quando a cidade foi cercada pelos ex\u00e9rcitos de An\u00edbal e amea\u00e7aram entrar em guerra. Nesta \u00e9poca sa\u00edram do senado romano comiss\u00f5es para tentar acabar com as ideias de disputa pleiteadas por An\u00edbal. Quando o Conselho dos Cem, senado cartagin\u00eas, passou a decis\u00e3o de entrar em guerra para An\u00edbal, j\u00e1 sabia o que viria. Em 218 A.C., Roma declara guerra a Cartago.\n\nEnquanto Roma discutia se entrava em guerra ou n\u00e3o, An\u00edbal j\u00e1 agia. Com 90 mil homens, 12 mil cavalos e 37 elefantes, An\u00edbal decidia com seus engenheiros qual a melhor forma de honrar a promessa feita ao pai Am\u00edlcar.\n\nPara Roma era mais que \u00f3bvia a forma com que An\u00edbal chegaria a Pen\u00ednsula It\u00e1lica \u0096 pelo mar ou pela costa mar\u00edtima. Os dois caminhos foram ent\u00e3o bem guarnecidos \u00e0 espera do atacante. Mas An\u00edbal escolheu o caminho mais inusitado e tamb\u00e9m o mais dif\u00edcil \u0096 a travessia dos Alpes.\n\nPor que hoje An\u00edbal \u00e9 ainda considerado um importante general? A resposta s\u00f3 pode ser a genialidade e humildade de An\u00edbal Barca. Genialidade que fez suas t\u00e1ticas serem copiadas at\u00e9 mesmo contra ele. Humildade que fez o general n\u00e3o marchar por Roma, e acatar as ideias de seus comandados em diversas oportunidades. Ao escolher passar pelos Alpes, An\u00edbal sabia que s\u00f3 sendo original ao atacar Roma seria poss\u00edvel vencer. Para colocar seu plano em pr\u00e1tica contou com um corpo de engenheiros, que deram aqueles homens a capacidade de atravessar rios em balsas improvisadas e passar pelos montes mais \u00edngremes da regi\u00e3o.\n\nNo rio R\u00f3dano ocorreu a primeira dificuldade. Eram 100 metros de largura, com tribos gaulesas \u00e0 espera da batalha do outro lado. Em nove dias, uma eternidade nos dias atuais, mas tempo recorde naquela \u00e9poca, foram constru\u00eddas dezenas de balsas de 60 metros de comprimento e 15 de largura com as \u00e1rvores da margem do R\u00f3dano, capazes de levar os soldados, os cavalos e os elefantes. \u00a0Depois a travessia dos Alpes foi feita pouco a pouco, com o uso de fogo e vinagre para a destrui\u00e7\u00e3o dos morros mais \u00edngremes, abrindo a travessia para o ex\u00e9rcito cartagin\u00eas. Ao chegar do outro lado, An\u00edbal tinha ganhado terreno, mas suas tropas tinham diminu\u00eddo. Depois de diversas batalhas nos campos italianos, veio aquela que foi a maior derrota de Roma. A Batalha de Canas.\n\nEm agosto de 216 A.C. Roma tinha decidido que era hora de acabar com a amea\u00e7a cartaginesa. An\u00edbal, que j\u00e1 tinha chego \u00e0s muralhas de Roma, n\u00e3o se sentia confiante para invadir a cidade, visto que suas tropas eram diminutas se comparadas ao poder que os romanos podiam convocar. An\u00edbal preferia, e assim foi at\u00e9 sua morte, conquistar aliados ao largo de Roma, para que houvesse uma destrui\u00e7\u00e3o completa. Foram ent\u00e3o chamadas oito legi\u00f5es romanas, um contingente de mais de 86 mil soldados.\n\nA legisla\u00e7\u00e3o romana da \u00e9poca ditava que, quando em batalha, o poder de decis\u00e3o ficaria um dia para cada um de dois c\u00f4nsules. Assim, o ex\u00e9rcito foi mudando de a\u00e7\u00e3o conforme o c\u00f4nsul\u00a0 no comando. Caio Ter\u00eancio Varr\u00e3o e Paulo Em\u00edlio eram respons\u00e1veis pelas tropas, mas tinham opini\u00f5es diferentes sobre o que fazer.\n\nEnquanto no dia de Varr\u00e3o a tropa avan\u00e7ava e se dispunha para a batalha, no dia de Paulo Em\u00edlio ela esperava e descansava. \u00a0At\u00e9 que o c\u00f4nsul Varr\u00e3o finalmente avan\u00e7ou com as tropas.\n<p class=\"imagem\"><em>\u0093Temos de ir at\u00e9 a I Grande Guerra para achar outra derrota nessa escala\u0094<\/em>, considera Ross Leckie, autor do livro \u0093An\u00edbal\u0094.<\/p>\nForam 70 mil mortos do lado romano. Apenas 3500 conseguiram escapar, e os outros tantos foram escravizados.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag6.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"222\" height=\"308\" \/>\nEscudo de Henrique II da Fran\u00e7a que homenageia An\u00edbal<\/strong><\/p>\nA acachapante derrota s\u00f3 foi poss\u00edvel gra\u00e7as ao diferencial de An\u00edbal. Ele estudava seus advers\u00e1rios muito mais do que era estudado. Sabia o que seus inimigos fariam no campo de batalha, usava a psicologia para praticamente \u0093adivinhar\u0094 movimentos de seus oponentes. Em Canas, usou o campo aberto e sua cavalaria como arma. O cartagin\u00eas sabia que Varr\u00e3o atacaria no meio de seu ex\u00e9rcito, pois com a superioridade num\u00e9rica que tinha o mais prov\u00e1vel \u00e9 que o romano tentasse vencer An\u00edbal pela for\u00e7a de cada homem a mais que contava. An\u00edbal ent\u00e3o postou nas laterais de sua linha de batalha seus cavaleiros e suas melhores tropas, deixando o meio da linha com soldados menos experientes. Ao que Varr\u00e3o investiu exatamente no meio da linha inimiga com seus melhores homens, foi sendo espremido pelo melhor do ex\u00e9rcito de Cartago. O ex\u00e9rcito romano n\u00e3o teve muito o que fazer, pois mesmo em maior n\u00famero estava sendo atacado por todos os lados, a derrota foi humilhante.\n\nDepois de Canas, An\u00edbal conseguiu mais aliados, mas mesmo assim suas tropas n\u00e3o aumentavam. Enquanto isso Nova Cartago era atacada na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, e Cartago era atacada pelo Norte da \u00c1frica. An\u00edbal \u00e9 ent\u00e3o chamado de volta para cidade, e o Conselho dos Cem decide envi\u00e1-lo ao campo de batalha em uma regi\u00e3o in\u00f3spita. An\u00edbal n\u00e3o concorda com a ideia, mas vai depois de ser amea\u00e7ado pelo Conselho. L\u00e1, \u00e9 facilmente derrotado pelo ex\u00e9rcito na Batalha de Zama, em 202 A.C. Depois da derrota, An\u00edbal n\u00e3o teve nem possibilidade de reordenar suas tropas, tal era a situa\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica em que se encontrava. Foi a derrota que deu fim a Segunda Guerra P\u00fanica, quatorze anos depois de seu in\u00edcio.\n\nNa situa\u00e7\u00e3o em que se encontrava, Roma podia pedir tudo para Cartago. Foi praticamente isso que fez. Para selar a paz Cartago desistiu de suas terras al\u00e9m-mar, passa a pagar impostos para Roma, entrega toda sua for\u00e7a militar, paga uma grande multa, para qual ganha a possibilidade de debitar em at\u00e9 50 anos, e fica proibida de entrar em qualquer guerra, mesmo que para pr\u00f3pria defesa, sem o consentimento de Roma. Cartago est\u00e1 praticamente destru\u00edda.\n\nAn\u00edbal se suicida na regi\u00e3o da atual Turquia depois de ser exilado pelos cartagineses e ca\u00e7ado pelos romanos.\n\nCartago passa tempos dif\u00edceis, tendo inclusive que batalhar com antigos aliados como a Num\u00eddia, regi\u00e3o que muito ajudou nas guerras p\u00fanicas, principalmente com cavalos e cavaleiros de qualidade. Asdr\u00fabal comanda as tropas cartaginesas nesta \u00e9poca mas tem pouco a fazer, Cartago n\u00e3o pode se defender, afinal Roma impossibilitou inclusive a defesa quando da rendi\u00e7\u00e3o de Cartago. Roma na verdade n\u00e3o quer ver a antiga rival prosperar. Mas Cartago prospera, podendo inclusive pagar o que devia de multa em apenas dez anos, quarenta a menos que o prazo dado por Roma. Cat\u00e3o, o Velho, demonstra o sentimento de muitos dos cidad\u00e3os romanos. Acaba seus discursos sempre com a frase \u0093<em>Delenda est Cartago<\/em>\u0094 \u0096 Cartago tem de ser destru\u00edda.\n\nCat\u00e3o era diferente dos outros senadores da \u00e9poca. Ele vinha de baixo, n\u00e3o da aristocracia romana. E se orgulhava disso. Aos 17 anos j\u00e1 tinha entrado para o ex\u00e9rcito exatamente para se opor ao poderio de An\u00edbal. Ele odiava Cartago, queria ver a cidade dizimada. No Senado existiam vozes contr\u00e1rias \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio no norte da \u00c1frica como Cipi\u00e3o e seus aliados, que acreditavam que sem Cartago a cidade de Roma sairia do controle, pois s\u00f3 com uma disputa b\u00e9lica o\u00a0 poder n\u00e3o subiria \u00e0 cabe\u00e7a dos romanos. Ao fim da Segunda Guerra P\u00fanica, um exemplo do que poderia ocorrer j\u00e1 tinha sido dado. Soldados voltaram para suas casas e acharam tudo destru\u00eddo, ou at\u00e9 mesmo ocupado por grandes aristocratas. Mas Cat\u00e3o s\u00f3 pensava em ver Cartago acabada.\n\nE em 149 A.C. Cat\u00e3o pode sorrir, ao ver que enfim Cartago havia se defendido da Num\u00eddia. Assim Roma declara guerra e cerca a cidade. Foram tr\u00eas anos de cerco. \u00a0Cartago se viu unida at\u00e9 os \u00faltimos fios de cabelo. Literalmente. \u00c9 que as mulheres, segundo a lenda, doavam seus cabelos para fabrica\u00e7\u00e3o de cordas especiais de catapulta. As pris\u00f5es foram esvaziadas. At\u00e9 idosos se apresentaram para lutar pela cidade sitiada. \u0093Rearmaram-se todos, com tamanha vontade e determina\u00e7\u00e3o que s\u00f3 a defesa contra os alem\u00e3es em Estalingrado igualaria\u0094, compara Ross Leckie, citando a batalha ocorrida entre 17 de julho de 1942 e 2 de fevereiro de 1943 na cidade sovi\u00e9tica de Estalingrado (atual Volgogrado), durante a II Guerra Mundial.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Cartago\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/cartag7.jpg\" alt=\"Cartago\" width=\"351\" height=\"264\" \/>\nRu\u00edna de Cartago<\/strong><\/p>\nDepois de tr\u00eas anos para achar uma brecha nas grandes fortalezas cartaginesas, Cipi\u00e3o Emiliano consegue invadir a cidade. S\u00e3o sete dias de batalha campal. Rua a rua, casa a casa. Os cartagineses vendo a destrui\u00e7\u00e3o de perto defendem-se como podem. Asdr\u00fabal \u00e9 impedido pelos anci\u00e3os de comandar a batalha. Os anci\u00e3os pedem miseric\u00f3rdia aos comandantes romanos. 50 mil cartagineses s\u00e3o poupados, mas viram escravos. Asdr\u00fabal, ao ver a situa\u00e7\u00e3o da cidade, a esta altura completamente em chamas e destru\u00edda, implora aos romanos. Sua mulher assiste a toda destrui\u00e7\u00e3o do telhado de um templo com seus dois filhos. Ela culpa o marido, chamando-o de <em>traidor infeliz<\/em>, o <em>mais afeminado dos homens<\/em>. Por orgulho ela ent\u00e3o mata os dois filhos e se mata logo depois, se jogando no grande inc\u00eandio da cidade. Se para a vit\u00f3ria foram sete dias, para destruir a cidade at\u00e9 as funda\u00e7\u00f5es, como ordenado pelo Senado, foram semanas de trabalho. Ali morrerram 450 mil pessoas, e suas casas, pr\u00e9dios comerciais e templos foram cortados do mapa. Ao fim, a terra foi salgada para que nada ali crescesse.\n\nEm Roma, o que j\u00e1 tinha sido visto no fim da Segunda Guerra P\u00fanica volta a acontecer. Senadores n\u00e3o querem dividir o esp\u00f3lio cartagin\u00eas. Soldados perdem suas terras. Camponeses perdem sua autonomia. Roma est\u00e1 pronta para se tornar imperial, como logo acontece. A era do P\u00e3o e Circo chega, como j\u00e1 era esperado pelo aristocrata Cipi\u00e3o e seus correligion\u00e1rios do Senado.\n\nAtualmente Cartago est\u00e1 situada num bairro de T\u00fanis, como um importante ponto tur\u00edstico e arqueol\u00f3gico, patrim\u00f4nio mundial da UNESCO desde 1979.\n\n<strong>Cartago<\/strong> \u00e9 hoje um imp\u00e9rio esquecido, que n\u00e3o deixou resqu\u00edcios e de que pouco se ouve falar.\n\nNo seio da cidade de T\u00fanis, capital da atual Tun\u00edsia, pequenas ru\u00ednas restaram. S\u00e3o fragmentos \u00ednfimos para contar a trajet\u00f3ria do \u00fanico Imp\u00e9rio capaz de desafiar Roma.\n\n<strong>Jo\u00e3o Victor Moura<\/strong>\n\nFonte: www.revistaovies.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cartago, Cidade, \u00c1frica, Com\u00e9rcio, Hist\u00f3ria, An\u00edbal, Carthage, Fen\u00edcios, Guerras P\u00fanicas, Roma, Destrui\u00e7\u00e3o, Imp\u00e9rio, Funda\u00e7\u00e3o, Cartago<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12169,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26307","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Cartago - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Cartago - 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