{"id":26290,"date":"2016-01-04T00:00:00","date_gmt":"2016-01-04T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-do-libano-4\/"},"modified":"2026-09-01T18:01:45","modified_gmt":"2026-09-01T18:01:45","slug":"guerra-do-libano-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/guerra-do-libano-4\/","title":{"rendered":"Guerra do L\u00edbano"},"content":{"rendered":"\n<strong>Guerra do L\u00edbano &#8211; O que foi<\/strong>\n\nGuerra civil que op\u00f5e os crist\u00e3os maronitas, de um lado, e a coaliz\u00e3o de drusos e mu\u00e7ulmanos, de outro, entre 1975 e 1991.\n\nO conflito tem reflexos na situa\u00e7\u00e3o do L\u00edbano at\u00e9 hoje. Em 1948, o L\u00edbano recebe 170 mil refugiados palestinos, depois da derrota dos Ex\u00e9rcitos \u00e1rabes que tentaram impedir a cria\u00e7\u00e3o do Estado de Israel.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o de 1926 estabelecia, por um acordo t\u00e1cito, que o presidente seria sempre um crist\u00e3o maronita e o primeiro-ministro, um mu\u00e7ulmano sunita. \u00c0 medida que cresce a popula\u00e7\u00e3o mu\u00e7ulmana no pa\u00eds, o pacto estabelecido impede que esse grupo ocupe os cargos mais importantes do governo.\n\nUma guerra civil eclode em 1958, com insurrei\u00e7\u00f5es mu\u00e7ulmanas contra o presidente maronita Camille Chamoun (pr\u00f3-norte-americano), sob inspira\u00e7\u00e3o dos regimes nacionalistas pr\u00f3-sovi\u00e9ticos da S\u00edria e do Egito.\n\nTropas norte-americanas desembarcam no pa\u00eds, provocando imediato protesto sovi\u00e9tico. A crise \u00e9 contornada, depois de negocia\u00e7\u00f5es, com a substitui\u00e7\u00e3o de Chamoun e a retirada norte-americana.\n\nAp\u00f3s a sa\u00edda das tropas dos Estados Unidos (EUA), \u00e9 encontrada uma solu\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a pedido da ONU (Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas).\n\nOrganiza-se um governo composto de l\u00edderes dos v\u00e1rios grupos religiosos do pa\u00eds.\n\nO fr\u00e1gil equil\u00edbrio de poder, no entanto, rompe-se na d\u00e9cada de 70.\n\nUma nova derrota \u00e1rabe na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e o massacre dos palestinos na Jord\u00e2nia durante o Setembro Negro, em 1970, elevam para mais de 300 mil o n\u00famero de refugiados palestinos no L\u00edbano.\n\nA Organiza\u00e7\u00e3o para a Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina (OLP) estabelece seu quartel-general em Beirute e come\u00e7a a atacar Israel a partir da fronteira libanesa, agindo com independ\u00eancia no interior do pa\u00eds.\n\nA OLP \u00e9 apoiada pelos setores reformistas e pan-arabistas (interessados em reunir todos os pa\u00edses de l\u00edngua \u00e1rabe), sendo hostilizada pelos conservadores, que a consideram uma amea\u00e7a \u00e0 soberania do pa\u00eds e respons\u00e1vel pelas repres\u00e1lias israelenses.\n\n<strong>Guerra do L\u00edbano &#8211; In\u00edcio<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do L\u00edbano\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra81-1.jpg\" alt=\"Guerra do L\u00edbano\" \/><strong>\nGuerra do L\u00edbano<\/strong><\/p>\nOs crist\u00e3os maronitas acusam o governo de inefic\u00e1cia e integram-se \u00e0s mil\u00edcias do Partido Falangista, de extrema-direita, que defende a expuls\u00e3o imediata dos palestinos e a manuten\u00e7\u00e3o do poder nas m\u00e3os dos crist\u00e3os.\n\nMilhares de jovens drusos, sunitas e xiitas alistam-se nas for\u00e7as de suas respectivas organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.\n\nEm abril de 1975, as tens\u00f5es explodem numa guerra civil em larga escala, que op\u00f5e a coaliz\u00e3o de esquerda druso-mu\u00e7ulmana, que tem o apoio da OLP, e a alian\u00e7a maronita de direita. O Ex\u00e9rcito liban\u00eas, comandado por oficiais crist\u00e3os, fragmenta-se em fac\u00e7\u00f5es rivais e o governo praticamente deixa de funcionar.\n\nA guerra civil atinge o pa\u00eds com uma viol\u00eancia sem precedentes. Em 1976, diante da iminente vit\u00f3ria do bloco esquerdista, a S\u00edria rompe sua alian\u00e7a com os mu\u00e7ulmanos e invade o pa\u00eds, apoiando inicialmente as mil\u00edcias maronitas. No decorrer do conflito, os s\u00edrios mudam de aliados v\u00e1rias vezes, passando a dominar cada vez mais o territ\u00f3rio e as institui\u00e7\u00f5es libanesas.\n\nA presen\u00e7a de tropas s\u00edrias provoca protestos dos \u00e1rabes e h\u00e1 deslocamento de tropas de Fran\u00e7a, EUA e Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica (URSS) para a regi\u00e3o.\n\nO prosseguimento da luta leva \u00e0 desagrega\u00e7\u00e3o da sociedade libanesa. Mil\u00edcias armadas fracionam o pa\u00eds em enclaves \u00e9tnico-religiosos rivais. Em 1976, realiza-se o Encontro de Riad, que obriga a S\u00edria a reconciliar-se com a OLP e renunciar \u00e0 interven\u00e7\u00e3o no L\u00edbano. Uma comiss\u00e3o formada por Egito, Ar\u00e1bia Saudita, S\u00edria e Kuweit \u00e9 encarregada de supervisionar a paz na regi\u00e3o. Em 1977, no entanto, o assassinato do l\u00edder druso Kamal Jumblatt desencadeia nova onda de viol\u00eancia e os combates s\u00e3o retomados. A situa\u00e7\u00e3o se agrava com a a\u00e7\u00e3o de Israel que, na opera\u00e7\u00e3o Paz na Galil\u00e9ia, realiza incurs\u00f5es militares no territ\u00f3rio liban\u00eas, com o objetivo de expulsar a OLP.\n\nEm junho de 1982, com o apoio das mil\u00edcias crist\u00e3s, Israel invade o L\u00edbano e chega a Beirute. Ap\u00f3s dois meses de intensos bombardeios israelenses, \u00e9 negociada a retirada da OLP da capital libanesa. No ano seguinte, ela deixa o pa\u00eds. Em 16 de setembro, com permiss\u00e3o israelense, mil\u00edcias crist\u00e3s libanesas invadem os campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, na parte oeste de Beirute, e massacram a popula\u00e7\u00e3o civil.\n\nA a\u00e7\u00e3o \u00e9 uma repres\u00e1lia pelo assassinato, dois dias antes, do presidente eleito Bachir Gemayel. O governo liban\u00eas pr\u00f3-israelense \u00e9 fortemente combatido, com a ajuda da S\u00edria, e Israel retira suas tropas para uma estreita faixa ao longo da fronteira sul do L\u00edbano.\n\nOs EUA enviam suas tropas ao L\u00edbano ap\u00f3s os massacres de Sabra e Chatila e se retiram em fevereiro de 1984, ap\u00f3s press\u00e3o internacional. A sa\u00edda das tropas norte-americanas e das de Israel, em seguida, enfraquece os crist\u00e3os. Os drusos dominam a regi\u00e3o do Chuf, \u00e1rea montanhosa ao sul e leste de Beirute, expulsando as comunidades maronitas que ali viviam h\u00e1 s\u00e9culos.\n\nOs falangistas sofrem uma significativa derrota em 1984 e 1985, quando, sob patroc\u00ednio s\u00edrio, as tr\u00eas principais fac\u00e7\u00f5es militares libanesas a mil\u00edcia drusa (xiita), a mil\u00edcia Amal (tamb\u00e9m xiita, pr\u00f3-S\u00edria) e a Falange (crist\u00e3) assinam, em Damasco, um acordo para o cessar-fogo. O pacto \u00e9 boicotado pelo Hezbollah (grupo xiita radical apoiado pelo Ir\u00e3), pela Murabitun (mil\u00edcia mu\u00e7ulmana sunita) e por setores da comunidade crist\u00e3.\n\nA viol\u00eancia prossegue, com o seq\u00fcestro de v\u00e1rios estrangeiros, o assassinato do primeiro ministro Rashid Karame, em junho de 1987, e sangrentos combates nos sub\u00farbios de Beirute, opondo o Amal e o Hezbollah.\n\nGemayel encerra seu mandato em setembro de 1988, sem conseguir pacificar o pa\u00eds.\n\nIsrael cria uma mil\u00edcia libanesa aliada, o Ex\u00e9rcito do Sul do L\u00edbano (ESL), e ocorrem 20 invas\u00f5es a\u00e9reas israelenses durante o ano de 1988. Em 1989, uma nova reuni\u00e3o tripartite prop\u00f5e uma \u201ccarta de reconcilia\u00e7\u00e3o nacional\u201d, que \u00e9 apoiada por EUA, URSS, Fran\u00e7a, Reino Unido e principais governos \u00e1rabes. Em 22 de outubro de 1989, a Assembl\u00e9ia Nacional Libanesa, reunida em at Taif, na Ar\u00e1bia Saudita, aprova essa carta. Ela determina a participa\u00e7\u00e3o, em condi\u00e7\u00f5es de igualdade, de crist\u00e3os e mu\u00e7ulmanos no governo e o desarmamento das mil\u00edcias.\n\nO general crist\u00e3o Michel Aoun rejeita o acordo de at Taif e autoproclama-se presidente da Rep\u00fablica. Os combates terminam em outubro de 1990, quando bombardeios s\u00edrios destroem o quartel-general de Aoun e o for\u00e7am ao ex\u00edlio na Fran\u00e7a. Uma fr\u00e1gil paz, estabelecida sob a prote\u00e7\u00e3o s\u00edria, \u00e9 formalizada por um tratado em maio de 1991.\n\nA S\u00edria consolida seu dom\u00ednio sobre o L\u00edbano, mantendo 35 mil soldados no pa\u00eds. Todas as mil\u00edcias s\u00e3o desarmadas, menos aquelas que atuam na regi\u00e3o do sul liban\u00eas. Ali, a tens\u00e3o continua, com ataques de guerrilheiros do Hezbollah, apoiados pelo Ir\u00e3, contra o ESL e o norte de Israel. Os israelenses respondem com ataques a\u00e9reos \u00e0s posi\u00e7\u00f5es da guerrilha e, em 1996, iniciam maci\u00e7os ataques a\u00e9reos e de artilharia que atingem, pela primeira vez desde 1982, os sub\u00farbios de Beirute. Em abril de 1998, o gabinete israelense anuncia a inten\u00e7\u00e3o de cumprir a resolu\u00e7\u00e3o 425 da ONU, que exige sua retirada da faixa de seguran\u00e7a de 15 quil\u00f4metros no sul do L\u00edbano.\n\n<strong>Guerra do L\u00edbano &#8211; Conflito<\/strong>\n\n<strong>O termo Guerra do L\u00edbano pode se referir a qualquer um dos seguintes guerras, lutou no L\u00edbano:<\/strong>\n<blockquote>Guerra Civil Libanesa (1975-1990)\nGuerra dos Cem Dias \u201d de 1978 (parte da Guerra Civil Libanesa)\n1982 Guerra do L\u00edbano (parte da Guerra Civil Libanesa, tamb\u00e9m conhecido como a Primeira Guerra do L\u00edbano)\nGuerra Mountain (L\u00edbano) 1983-1984 (parte da Guerra Civil Libanesa)\nGuerra dos Camps 1984-1989 (parte da Guerra Civil Libanesa)\nConflito Sul do L\u00edbano (1985-2000)\n2006 Guerra do L\u00edbano (tamb\u00e9m conhecido como a guerra Segunda Guerra do L\u00edbano ou Israel-Hezbollah)\n2011-presente conflito no L\u00edbano<\/blockquote>\n<strong>Guerra do L\u00edbano &#8211; Israel<\/strong>\n\n<strong>Per\u00edodo :<\/strong>\u00a01982-1985\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-157771 size-full\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra2-3.jpg\" alt=\"\" width=\"592\" height=\"302\" \/><strong>Guerra do L\u00edbano<\/strong><\/p>\nO\u00a0<strong>Estado de Israel<\/strong>\u00a0sempre tentou ter uma fronteira norte pac\u00edfica, mas a posi\u00e7\u00e3o do L\u00edbano como ref\u00fagio de terroristas tornava isto imposs\u00edvel. Em mar\u00e7o de 1978, terroristas da OLP (Organiza\u00e7\u00e3o para Liberta\u00e7\u00e3o da Palestina) invadiram Israel, mataram um turista americano e logo depois seq\u00fcestraram um \u00f4nibus civil. Quando o ex\u00e9rcito de Israel interceptou o \u00f4nibus, os terroristas abriram fogo.\n\nNo total, morreram 34 ref\u00e9ns.\n\nEm resposta a este ataque terrorista o ex\u00e9rcito israelense invadiu o L\u00edbano e atacou bases terroristas no sul do pa\u00eds, empurrando-as para longe da fronteira.\n\nDepois de dois meses as tropas israelenses se retiraram, dando lugar \u00e0s for\u00e7as de paz da ONU, que se mostraram incapazes de conter o terrorismo.\n\nA viol\u00eancia aumentava devido a ataques terroristas da OLP e repres\u00e1lias israelenses, chegando a um ponto em que uma interven\u00e7\u00e3o externa foi necess\u00e1ria e os Estados Unidos mediaram um cessar-fogo entre a OLP e Israel.\n\nCessar-fogo que foi desrespeitado in\u00fameras vezes pelos terroristas da OLP durante 11 meses.\n\nNeste meio tempo, 29 israelenses morreram e mais de 300 ficaram feridos, em 270 ataques terroristas.\n\nEnquanto isso uma for\u00e7a do OLP contendo de quinze mil a dezoito mil homens estava acampada no L\u00edbano, dos quais de cinco a seis mil eram mercen\u00e1rios estrangeiros vindos da L\u00edbia, S\u00edria, Sri Lanka, Chade e Mo\u00e7ambique. O Arsenal da OLP, suficiente para equipar cinco brigadas, era composto de, al\u00e9m de muitas armas leves e uma quantidade menor de armas m\u00e9dias e pesadas, morteiros, foguetes, centenas de tanques, uma extensa rede antia\u00e9rea e m\u00edsseis terra-ar (providos pela S\u00edria).\n\n<strong>Ataques do ex\u00e9rcito de Israel n\u00e3o conseguiram conter o crescimento do ex\u00e9rcito da OLP at\u00e9 que a situa\u00e7\u00e3o na Galil\u00e9ia (regi\u00e3o norte de Israel, pr\u00f3xima ao Golan) tornou-se intoler\u00e1vel:<\/strong>\u00a0milhares de pessoas foram for\u00e7adas a fugir de seus lares ou passar muito tempo em abrigos anti-bomba devido aos ataques terroristas.\n\nA gota d&#8217;agua foi a tentativa de assassinato do embaixador de Israel na Gr\u00e3 Bretanha, Shlomo Argov, levada a cabo por um grupo de terroristas palestinos. Em repres\u00e1lia, as For\u00e7as de Defesa de Israel invadiram o L\u00edbano em 4 de junho de 1982. Em resposta, a OLP reagiu com artilharia massiva e ataques com morteiros direcionados \u00e0 popula\u00e7\u00e3o israelense na Galil\u00e9ia.\n\nEm 6 de junho Israel lan\u00e7ou a opera\u00e7\u00e3o &#8220;Paz para a Galil\u00e9ia&#8221;, cujo sucesso inicial levou os oficiais israelenses a, ao inv\u00e9s de expulsar a OLP da regi\u00e3o, tentaram induzir os l\u00edderes do L\u00edbano a assinar um tratado de paz.\n\nEm 1983, Amin Gemayel assinou um tratado de paz com Israel.\n\nUm ano depois, no entanto, a S\u00edria for\u00e7ou Gemayel a abandonar o acordo de paz. A guerra terminou logo ap\u00f3s, quando o ex\u00e9rcito israelense invadiu Beirute, capital libanesa, e cercou Yasser Arafat e sua guerrilha.\n\n<strong>A Tirania da OLP no L\u00edbano<\/strong>\n\nPara os residentes \u00e1rabes no sul do L\u00edbano, controlado pela OLP, a vida era terr\u00edvel. Depois de ser expulsa da Jord\u00e2nia pelo rei Hussein em 1970, muitos militantes foram para o L\u00edbano onde cometerem atrocidades com a popula\u00e7\u00e3o e usurparam a autoridade do governo liban\u00eas.\n\nEm 14 de outubro de 1976, um embaixador liban\u00eas, Edward Ghorra, falou \u00e0 ONU que a OLP estava arruinando seu pa\u00eds. Em suas palavras elementos palestinos pertencentes a v\u00e1rias organiza\u00e7\u00f5es seq\u00fcestravam libaneses e estrangeiros, aprisionado, interrogando e as vezes matando-os.\n\nDois colunistas do Washington Post, reconhecidamente n\u00e3o favor\u00e1veis com Israel declararam que a OLP estava infestada de bandidos e aventureiros.\n\nUm correspondente do New York Times visitou a cidade de Damour e escreveu que a OLP havia transformado a aldeia crist\u00e3 em uma base militar. Quando a aldeia foi libertada pelo ex\u00e9rcito israelense, os habitantes disseram ao correspondente que sentiam-se muito felizes por terem sido libertados.\n\n<strong>A Retirada Relutante da OLP<\/strong>\n\nQuando Israel capturou Beirute havia de seis a nove mil terroristas na cidade e para prevenir mortes de civis, Israel acordou um cessar-fogo para permitir que um diplomata americano negociasse uma retirada pac\u00edfica da OLP do L\u00edbano. Como gesto de flexibilidade, Israel permitiu que os membros da OLP se retirassem com suas armas pessoais.\n\n<strong>A OLP adotou uma estrat\u00e9gia de viola\u00e7\u00f5es controladas do cessar fogo com dois objetivos:<\/strong>\u00a0causar danos ao ex\u00e9rcito israelense e fazer com que o mesmo retaliasse e acidentalmente infligisse danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o civil libanesa. Esta t\u00e1tica tinha por objetivo extrair uma vit\u00f3ria pol\u00edtica, fazendo que Israel fosse condenado internacionalmente, j\u00e1 que a vit\u00f3ria militar n\u00e3o foi poss\u00edvel.\n\nEsta estrat\u00e9gia deu certo pois a m\u00eddia passou a relatar ataques israelenses a \u00e1reas em que aparentemente n\u00e3o havia atividade militar, mas a intelig\u00eancia israelense dizia existirem terroristas escondidos.\n\nEm uma noite uma rede de televis\u00e3o americana reportou que Israel atacara sete embaixadas absolutamente pac\u00edficas.\n\nFotos divulgadas pela intelig\u00eancia israelense mostravam que as embaixadas estavam infestadas de tanques, morteiros, metralhadoras pesadas e posi\u00e7\u00f5es antia\u00e9reas. Mais tarde, o ex\u00e9rcito do L\u00edbano descobriu uma extensa rede subterr\u00e2nea de apoio aos terroristas.\n\nPela primeira vez na hist\u00f3ria de Israel, n\u00e3o houve consenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 guerra, alguns a consideravam certa e outros n\u00e3o, fato que gerou imensos debates em Israel.\n\nMenachem Begin demitiu-se devido ao clamor pelo fim dos combates e o governo de coaliz\u00e3o formado em 1984 decidiu retirar Israel da guerra, deixando para tr\u00e1s uma for\u00e7a simb\u00f3lica de mil homens na fronteira entre o L\u00edbano e Israel para auxiliar o ex\u00e9rcito liban\u00eas a conter o terrorismo.\n\nApesar da opera\u00e7\u00e3o militar ter conseguido expulsar a OLP da fronteira, ela n\u00e3o encerrou o problema do terrorismo proveniente do L\u00edbano. Al\u00e9m disso, nos combates, 1216 soldados israelenses morreram entre 5 de junho de 1982 e 31 de maio de 1985.\n\n<strong>A viol\u00eancia continua<\/strong>\n\nA viol\u00eancia, no entanto, continua. O grupo terrorista mais ativo \u00e9 o Hezbolla, que \u00e9 totalmente apoiado pela S\u00edria. Existem outros como a Frente Popular para a Libera\u00e7\u00e3o da Palestina (FPLP), cuja amea\u00e7a ainda n\u00e3o foi extinta, entre outros. Em 1995, o ex\u00e9rcito de Israel, montou uma opera\u00e7\u00e3o para conter bombardeios do Hezbolla na fronteira norte de Israel.\n\nA artilharia israelense errou o alvo e acertou uma base das Na\u00e7\u00f5es Unidas, matando em torno de 100 civis que l\u00e1 trabalhavam. Ap\u00f3s este incidente, um mecanismo de preven\u00e7\u00e3o do uso de civis em opera\u00e7\u00f5es terroristas foi criado, com representantes dos EUA, Fran\u00e7a, S\u00edria e L\u00edbano.\n\nEm 24 de mar\u00e7o de 2000 a for\u00e7a israelense presente no sul do L\u00edbano, retirou-se ap\u00f3s 22 anos de ocupa\u00e7\u00e3o militar. Todos os postos avan\u00e7ados foram evacuados de acordo com a resolu\u00e7\u00e3o 425 do Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas (1978).\n\nA Falange Crist\u00e3 libanesa foi respons\u00e1vel pelos massacres ocorridos nos campos de refugiados \u00e1rabes de Sabra e Shatila, em 16 e 17 de setembro de 1982.\n\nAs tropas israelenses permitiram que a mil\u00edcia crist\u00e3 entrasse nos campos para expulsar c\u00e9lulas terroristas que acreditava-se estarem l\u00e1. Estimava-se que haveria em torno de 200 homens armados nos bunkers da OLP constru\u00eddos durante a ocupa\u00e7\u00e3o.\n\nQuando soldados israelenses ordenaram que a Falange Crist\u00e3 deixasse os campos, eles encontraram muitos mortos de diversas nacionalidades \u00e1rabes, incluindo crian\u00e7as e mulheres (460 de acordo com a pol\u00edcia libanesa e 700-800 de acordo com o ex\u00e9rcito israelense).\n\nA matan\u00e7a foi realizada para vingar o assassinato do presidente liban\u00eas Bashir Gemayel e 25 seguidores seus, mortos num ataque a bomba, na mesma semana.\n\nIsrael declarou-se indiretamente respons\u00e1vel pelas mortes por n\u00e3o ter previsto a possibilidade de viol\u00eancia por parte da Falange. O general Raful Eitan, Chefe de Staff do ex\u00e9rcito foi demitido e o ministro da defesa Ariel Sharon (futuro primeiro-ministro) demitiu-se.\n\nIronicamente, enquanto 300.000 israelenses protestaram contra o massacre, o mundo \u00e1rabe calou-se. Fora do Oriente M\u00e9dio, Israel foi culpada pelo massacre. A Falange, que cometeu os crimes, foi salva da maior parte das cr\u00edticas. Esse massacre ocorreu devido \u00e0 guerra civil que ocorria no L\u00edbano de 1975 a 1982, que resultou em quase 100.000 mortes.\n\nN\u00e3o houve pronunciamentos quando, em Maio de 1985, integrantes de mil\u00edcias mu\u00e7ulmanas atacaram os campos de refugiados palestinos de Shatila e Burj-el Barajneh. De acordo com a ONU, 635 morreram e 2500 ficaram feridos. Durante uma guerra de dois anos entre a mil\u00edcia Xiita apoiada pela S\u00edria, Amal, e a OLP, 2.000 pessoas morreram, dentre as quais muitos civis. N\u00e3o houve cr\u00edticas direcionadas a OLP ou aos s\u00edrios.\n\nIgualmente n\u00e3o houve rea\u00e7\u00e3o do meio internacional quando for\u00e7as S\u00edrias atacaram \u00e1reas do L\u00edbano sob controle crist\u00e3o, em outubro de 1990, matando, na maior batalha da guerra civil libanesa, que durou 8 horas, 700 crist\u00e3os.\n\n<strong>A Retirada Israelense<\/strong>\n\nIsrael retirou suas tropas do Sul do L\u00edbano em 24 de maio de 2000, depois de uma ocupa\u00e7\u00e3o militar de 22 anos. Todos os postos do ex\u00e9rcito de Israel foram evacuados.\n\nA retirada foi feita cumprindo uma defini\u00e7\u00e3o da ONU.\n\nHoje em dia os libaneses brigam pela retirada do ex\u00e9rcito s\u00edrio de seu territ\u00f3rio em grandes manifesta\u00e7\u00f5es populares, buscando a independ\u00eancia e a democracia.\n\nIsso mostra que h\u00e1 meios pac\u00edficos mais leg\u00edtimos do que a guerra, al\u00e9m de trazer a esperan\u00e7a de que o pensamento democr\u00e1tico esta chegando no oriente m\u00e9dio. Em 2005, o ex\u00e9rcito s\u00edrio se retirou do L\u00edbano..\n\n<strong>Guerra do L\u00edbano &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>Desde 1975 conflitos acontecem no L\u00edbano:<\/strong>\u00a0crist\u00e3os contra palestinos; palestinos contra mu\u00e7ulmanos; mu\u00e7ulmanos contra mu\u00e7ulmanos. Uma guerra intermin\u00e1vel.\n\nE uma guerra em que morreram n\u00e3o apenas libaneses.\n\nA leste e ao sul do L\u00edbano, s\u00edrios e israelenses jogam seu jogo mortal de \u201cdividir para conquistar\u201d. Ref\u00e9ns, bombardeios, massacres, carros-bomba, campos de concentra\u00e7\u00e3o de refugiados. Desde 1975, o L\u00edbano tem sido o campo de exterm\u00ednio de in\u00fameros senhores da guerra. Entretanto, nem faz tanto tempo, esta regi\u00e3o era um s\u00edmbolo de toler\u00e2ncia e vida digna.\n\nEm Israel, a poucos quil\u00f4metros do L\u00edbano, os judeus veneram o Muro das Lamenta\u00e7\u00f5es, os crist\u00e3os cultuam o lugar do sacrif\u00edcio de Jesus, e os mu\u00e7ulmanos, a rocha de onde o cavalo de Maom\u00e9 saltou, levando-o para o c\u00e9u.\n\nMesmo assim, nestes anos, morreram no L\u00edbano mais de cem mil pessoas. Trinta por cento da popula\u00e7\u00e3o foi evacuada e mais de trezentos mil libaneses escolheram viver no ex\u00edlio a ter de conviver com a guerra.\n\n<strong>Por que tanto \u00f3dio? Por que tanta loucura?<\/strong>\n\n1975. Antes do in\u00edcio da guerra, o L\u00edbano era uma na\u00e7\u00e3o aberta e democr\u00e1tica. Beirute era a capital financeira e banc\u00e1ria de todo o Oriente M\u00e9dio, uma pr\u00f3spera Su\u00ed\u00e7a Oriental.\n\nA situa\u00e7\u00e3o do L\u00edbano, contudo, \u00e9 complexa. Dezessete diferentes comunidades convivem num ex\u00edguo territ\u00f3rio de tr\u00eas milh\u00f5es de habitantes. Os crist\u00e3os e os mu\u00e7ulmanos dividem-se em muitos grupos.\n\nE h\u00e1 os refugiados palestinos.\n\nGovernos crist\u00e3os gozavam de muitas regalias, mas j\u00e1 n\u00e3o alcan\u00e7avam a maioria. Os mu\u00e7ulmanos aspiram a um poder maior e a mais influ\u00eancia na economia libanesa.\n\nE se impacientam com a resist\u00eancia que os crist\u00e3os oferecem \u00e0s mudan\u00e7as. Assim como h\u00e1 v\u00e1rios grupos e comunidades, o pa\u00eds divide-se em cl\u00e3s poderosos, cada um com sua mil\u00edcia armada.\n\n<strong>Outras na\u00e7\u00f5es decidem intervir:\u00a0<\/strong>a S\u00edria tenta manter sua supremacia no Oriente M\u00e9dio; o Ir\u00e3 tamb\u00e9m interv\u00e9m atrav\u00e9s do Hezbollah; e Israel revida, agredindo os pa\u00edses \u00e1rabes que oferecem prote\u00e7\u00e3o aos grupos que lutam pela liberta\u00e7\u00e3o da Palestina.\n\nMais de trezentos mil palestinos vivem em campos de concentra\u00e7\u00e3o de refugiados no L\u00edbano, de onde emergiu um poderoso ex\u00e9rcito palestino.\n\nA Organiza\u00e7\u00e3o de Liberta\u00e7\u00e3o para a Palestina, liderada por Yassir Arafat, nasceu nesses campos de refugiados.\n\nCrist\u00e3os contra crist\u00e3os; mu\u00e7ulmanos contra mu\u00e7ulmanos; palestinos contra palestinos. Os grupos se subdividem. Os inimigos trocam de lado.\n\nO n\u00famero de libaneses que atualmente vive fora do L\u00edbano j\u00e1 \u00e9 maior que o n\u00famero que permaneceu no pa\u00eds. Esses libaneses est\u00e3o longe, vivendo da esperan\u00e7a de que a paz volte a reinar e possam, afinal, voltar para casa.\n\n<strong>Entenda o Conflito\u2026<\/strong>\n\nA partir da destrui\u00e7\u00e3o do segundo templo em Jerusal\u00e9m (70 a.C.), pelos romanos, o povo judeu deu in\u00edcio \u00e0 sua dispers\u00e3o pelo mundo (A Di\u00e1spora), fruto da domina\u00e7\u00e3o e de persegui\u00e7\u00f5es sofridas em seu territ\u00f3rio de origem. Desde ent\u00e3o, os israelitas mantiveram o objetivo nacional e messi\u00e2nico do retorno \u00e0 p\u00e1tria.\n\nDurante s\u00e9culos, contudo, esse prop\u00f3sito tinha, exclusivamente, uma dimens\u00e3o religiosa, pouco ou nada sendo feito de concreto para realiz\u00e1-lo.\n\nNo s\u00e9culo XIX, quando explodiram na Europa Oriental os nacionalismos dos povos ent\u00e3o sob imp\u00e9rios multinacionais, como os Austro- H\u00fangaros, Russos e, parcialmente, o Turco-Otomanos, tamb\u00e9m o povo judeu come\u00e7ou a formular, de maneira pol\u00edtica, a cria\u00e7\u00e3o de um moderno Estado Judeu.\n\n<strong>Nascia o sionismo:<\/strong>\u00a0nacionalismo judaico que prega a a\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para recriar Israel em seu territ\u00f3rio original, a Palestina, ent\u00e3o em m\u00e3os turcas. Para o avan\u00e7o das id\u00e9ias sionistas, cuja origem \u00e9 atribu\u00edda a Theodor Hertzl, escritor judeu-h\u00fangaro que redigiu &#8220;O Estado Judeu&#8221;, tamb\u00e9m contribuiu um crescente anti-semitismo que ganhou corpo no leste europeu.\n\nO preconceito contra os judeus levava-os a aspirar por um pa\u00eds pr\u00f3prio.\n\nNa passagem dos s\u00e9culos XIX e XX, o movimento sionista ganhou adeptos de v\u00e1rias ramifica\u00e7\u00f5es \u2013 socialistas, religiosos e outros \u2013 que visavam levar colonos judeus para a Palestina, atraindo particularmente os jovens.\n\n<strong>A Guerra do L\u00edbano<\/strong>\n\nO sofrimento e a destrui\u00e7\u00e3o causados pela ofensiva de Israel contra o Hezbollah, que atinge sobretudo a popula\u00e7\u00e3o civil, come\u00e7am a mudar a vis\u00e3o que o mundo tem desse conflito.\n\n<strong>A quest\u00e3o, que fica cada vez mais aguda, \u00e9:<\/strong>\u00a0por mais que tenha os motivos certos para retaliar seus agressores, Israel n\u00e3o pode lutar uma guerra suja.\n\nExistem raz\u00f5es justas, baseadas na lei moral e nas regras internacionais, para iniciar uma guerra. Israel as teve todas ao revidar as agress\u00f5es dos terroristas isl\u00e2micos instalados no seu vizinho do norte, o L\u00edbano.\n\nO tr\u00e1gico \u00e9 que, por mais justas e embasadas que sejam as raz\u00f5es para disparar os canh\u00f5es, quando eles come\u00e7am a vomitar fogo o inferno se instala e consome igualmente vidas inocentes e de combatentes.\n\nEm sua terceira semana, o conflito entre Israel e a mil\u00edcia do Hezbollah, o \u201cPartido de Deus\u201d, parece estar apenas no come\u00e7o. Apesar do nome, o Hezbollah nada tem de sagrado.\n\n\u00c9 uma falange sanguin\u00e1ria montada com dinheiro do Ir\u00e3 e armas fornecidas pela S\u00edria. Seu objetivo imediato \u00e9 matar israelenses, sendo-lhes indiferente se os alvos s\u00e3o civis ou militares.\n\nSeu objetivo final \u00e9 converter ou matar todos os que n\u00e3o pensem como seus l\u00edderes. O duplamente tr\u00e1gico no atual est\u00e1gio da guerra iniciada por Israel deriva do fato de que, mesmo sem ser esse seu objetivo, as a\u00e7\u00f5es militares de Israel est\u00e3o matando civis inocentes e, aos olhos do mundo, os justos come\u00e7am a se assemelhar aos sic\u00e1rios que eles se propuseram a punir.\n\nO n\u00famero de mortos cresce, e n\u00e3o existe at\u00e9 agora um claro vencedor. Os civis pagam o pre\u00e7o mais alto. Pelas estimativas da sexta-feira passada, 800.000 libaneses, numa popula\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es, foram for\u00e7ados a abandonar suas casas e mais de 400 foram mortos. As cidades costeiras de Tiro e Sidon est\u00e3o abarrotadas com mais de 100.000 refugiados. Israel sofre tamb\u00e9m, ainda que seu total de mortos seja dez vezes menor que o liban\u00eas. Ao menos 2.300 m\u00edsseis e foguetes lan\u00e7ados pelo Hezbollah j\u00e1 ca\u00edram em cidades e povoados israelenses, obrigando mais de 1 milh\u00e3o de pessoas a procurar os abrigos antia\u00e9reos. O balan\u00e7o desproporcional em n\u00famero de v\u00edtimas e nas dimens\u00f5es da destrui\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora no centro de um complicado dilema \u00e9tico que vai al\u00e9m do habitual debate entre Israel e seus detratores.\n\n<strong>Diz respeito ao seguinte:<\/strong>\u00a0uma guerra continua justa se for lutada de modo sujo?\n\nDo ponto de vista das regras internacionais, todo Estado tem o direito e o dever de preservar a vida de seus cidad\u00e3os de ataques externos. A ofensiva israelense no territ\u00f3rio liban\u00eas \u00e9 justa, ao menos no que diz respeito a sua motiva\u00e7\u00e3o. Se o Hezbollah atravessou uma fronteira internacional e seq\u00fcestrou dois soldados (como fez tr\u00eas semanas atr\u00e1s) e h\u00e1 anos lan\u00e7a regularmente foguetes sobre as cidades israelenses, \u00e9 um direito de Israel usar a for\u00e7a para tentar eliminar esse grupo ou, pelo menos, reduzir sua campanha terrorista.\n\nA moralidade da ofensiva torna-se nebulosa, contudo, quando Israel usa bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o em \u00e1reas populosas, ataca estradas e centrais el\u00e9tricas que, apesar de terem algum uso militar, s\u00e3o vitais para a popula\u00e7\u00e3o civil. A quase universal compreens\u00e3o com que o Estado judeu contou nos primeiros dias de confronto, at\u00e9 mesmo em alguns pa\u00edses \u00e1rabes, est\u00e1 agora virada de cabe\u00e7a para baixo.\n\nA mudan\u00e7a deve-se exclusivamente ao sofrimento imposto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o do L\u00edbano, da qual o Hezbollah representa apenas uma \u00ednfima parcela.\n\n<strong>Pelas normas internacionais, a maneira de fazer uma guerra \u00e9 considerada justa quando preenche tr\u00eas requisitos:\u00a0<\/strong>a resposta deve ser proporcional \u00e0 amea\u00e7a ou agress\u00e3o, n\u00e3o se pode usar for\u00e7a excessiva e os ataques t\u00eam de ser direcionados aos combatentes inimigos, e n\u00e3o aos civis. A proporcionalidade de um conflito n\u00e3o \u00e9 julgada apenas pela agress\u00e3o sofrida.\n\nH\u00e1 dois outros fatores igualmente importantes. O primeiro s\u00e3o as dimens\u00f5es da amea\u00e7a (a chuva de foguetes e m\u00edsseis lan\u00e7ados contra o territ\u00f3rio israelense d\u00e1 a dimens\u00e3o do enorme perigo representado pelo Hezbollah). O segundo leva em conta a destrui\u00e7\u00e3o que a guerra causa, em compara\u00e7\u00e3o aos benef\u00edcios que pode trazer. Se o Hezbollah for destru\u00eddo ou contido, argumentam os israelenses, os benef\u00edcios ser\u00e3o enormes. N\u00e3o apenas para Israel, mas tamb\u00e9m para o L\u00edbano e para os outros pa\u00edses da regi\u00e3o, amea\u00e7ados pelo extremismo isl\u00e2mico patrocinado pelo Ir\u00e3.\n\nA quest\u00e3o da proporcionalidade cobre apenas uma parte da discuss\u00e3o \u00e9tica. Desde o fim da II Guerra, o mundo tem colocado \u00eanfase na diplomacia e na jurisprud\u00eancia para a solu\u00e7\u00e3o de lit\u00edgios.\n\nO conceito moderno \u00e9 que a guerra deve ser o \u00faltimo recurso, depois de todos os outros terem se esgotado.\n\n<strong>Uma s\u00e9rie de acordos internacionais e a Conven\u00e7\u00e3o de Genebra \u00e9 a mais conhecida tenta colocar ordem numa quest\u00e3o que j\u00e1 era discutida nos tempos da conquista da G\u00e1lia por J\u00falio C\u00e9sar:<\/strong>\u00a0na guerra vale tudo?\n\nA resposta \u00e9tica \u00e9 n\u00e3o. Mesmo que se entenda que o soldado, no meio da balaceira, n\u00e3o hesite em usar sua arma mais poderosa, certas regras separam a civiliza\u00e7\u00e3o da barb\u00e1rie.\n\nAs quest\u00f5es essenciais s\u00e3o a imunidade do n\u00e3o combatente, a prote\u00e7\u00e3o aos feridos e a garantia de bom tratamento aos prisioneiros.\n\nEssas regras b\u00e1sicas surgiram no s\u00e9culo IV, nas obras de Santo Agostinho, que tratou do conceito da guerra justa de acordo com a moralidade crist\u00e3. Quem transformou o assunto em uma quest\u00e3o de direito, lan\u00e7ando as bases do que seria uma \u201clei da guerra\u201d, foi o jurista holand\u00eas Hugo Grotius, no s\u00e9culo XVII. Grotius defendeu a necessidade de alguma modera\u00e7\u00e3o nos conflitos, recomendando pr\u00e1ticas como a preserva\u00e7\u00e3o das riquezas arquitet\u00f4nicas e obras de arte encontradas no territ\u00f3rio inimigo e o cuidado com a vida dos civis. Se n\u00e3o respeitar essas regras, Israel se igualar\u00e1 a seus inimigos, os terroristas.\n\n<strong>Na sexta-feira passada, surgiu o primeiro fio de esperan\u00e7a:<\/strong>\u00a0um plano de cessar-fogo proposto pelos Estados Unidos e por outros pa\u00edses, que dever\u00e1 ser submetido ao Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas nesta semana. O resultado dessa iniciativa depende de v\u00e1rias quest\u00f5es fundamentais, alinhadas a seguir.\n\n<strong>O CULPADO PELO COME\u00c7O DA GUERRA \u00c9 O HEZBOLLAH<\/strong>\n\nNem sempre \u00e9 f\u00e1cil identificar o respons\u00e1vel por um novo surto de viol\u00eancia no Oriente M\u00e9dio. Na guerra no L\u00edbano, no entanto, h\u00e1 o consenso de que o Hezbollah bateu primeiro. Em 12 de julho, seus guerrilheiros cruzaram a fronteira, mataram tr\u00eas soldados israelenses e seq\u00fcestraram dois. Desde que se retirou do sul do L\u00edbano, h\u00e1 seis anos, o Ex\u00e9rcito israelense reagia com modera\u00e7\u00e3o \u00e0s provoca\u00e7\u00f5es do Hezbollah.\n\n<strong>A ESTRAT\u00c9GIA MILITAR DE ISRAEL \u00c9 DUVIDOSA<\/strong>\n\nO primeiro-ministro Ehud Olmert persegue dois objetivos principais no L\u00edbano. O primeiro \u00e9 usar o poderio a\u00e9reo para causar o maior estrago poss\u00edvel na estrutura militar, nas vias de transporte e de comunica\u00e7\u00e3o do Hezbollah antes de arriscar a vida de soldados israelenses em combates de infantaria. O segundo objetivo \u00e9 demonstrar de forma enf\u00e1tica o poder de fogo israelense, de forma a persuadir o inimigo de que n\u00e3o vale a pena insistir em futuras agress\u00f5es.\n\n<strong>Ambas as metas esbarram no mesmo problema:<\/strong>\u00a0a dificuldade de derrotar uma for\u00e7a guerrilheira que conhece bem o campo de batalha e tem o apoio da popula\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O HEZBOLLAH, O HAMAS E A AL QAEDA REZAM PELA MESMA CARTILHA<\/strong>\n\nO Hezbollah, o Hamas e a Al Qaeda compartilham a abomin\u00e1vel estrat\u00e9gia do homem-bomba. Em princ\u00edpio, esses movimentos radicais isl\u00e2micos querem a destrui\u00e7\u00e3o do Estado de Israel e a constru\u00e7\u00e3o de Estados teocr\u00e1ticos. A\u00ed come\u00e7am as diferen\u00e7as. A Al Qaeda \u00e9 um movimento global, sem v\u00ednculos territoriais ou nacionais. Seu objetivo \u00e9 um califado mundial e a destrui\u00e7\u00e3o de seu pior inimigo, a vertente xiita do Isl\u00e3. O Hezbollah representa a comunidade xiita do L\u00edbano, tem um bra\u00e7o pol\u00edtico, com participa\u00e7\u00e3o no governo liban\u00eas, e outro social. O Hamas ganhou as \u00faltimas elei\u00e7\u00f5es palestinas. Apesar da atual alian\u00e7a t\u00e1tica e do inimigo em comum, a tens\u00e3o entre o Hamas e o Hezbollah \u00e9 grande e reflete o profundo racha dentro do mundo mu\u00e7ulmano. O Hezbollah \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o dos aiatol\u00e1s do Ir\u00e3. O Hamas foi financiado pelos xeques sunitas da Ar\u00e1bia Saudita, cujo maior inimigo s\u00e3o exatamente os xiitas iranianos.\n\n<strong>RETIRADAS UNILATERAIS FORAM UMA BOA ID\u00c9IA, MAS N\u00c3O DERAM CERTO<\/strong>\n\nIsrael deixou a faixa de seguran\u00e7a que ocupava no sul do L\u00edbano em 2000. No ano passado saiu da Faixa de Gaza, depois de 38 anos de ocupa\u00e7\u00e3o.\n\nO governo israelense promoveu todos esses recuos de forma unilateral.\n\n<strong>Resultado:<\/strong>\u00a0o Hezbollah, que passou dezoito anos combatendo a presen\u00e7a de tropas israelenses no territ\u00f3rio liban\u00eas, saiu do epis\u00f3dio com pose de vencedor.\n\nDesde ent\u00e3o Israel assistiu impotente \u00e0 corrida do Hezbollah para construir bunkers, abrigos e armar-se com a ajuda do Ir\u00e3. Na Faixa de Gaza, sem os israelenses para combater, seis ou sete grupos armados passaram a lutar uns com os outros, levando o caos \u00e0 regi\u00e3o. Hoje se v\u00eaem confirmadas as previs\u00f5es pessimistas dos cr\u00edticos tanto da direita quanto da esquerda israelense.\n\n<strong>ACORDO NO L\u00cdBANO \u00c9 POSS\u00cdVEL, MESMO SEM SOLU\u00c7\u00c3O PARA A ENCRENCA PALESTINA<\/strong>\n\nOficialmente, Israel e L\u00edbano est\u00e3o em estado de guerra desde 1948. Ambos assinaram o armist\u00edcio de 1949, que estabeleceu as fronteiras entre os dois pa\u00edses.\n\nCom uma grande minoria crist\u00e3 e forte influ\u00eancia ocidental, o L\u00edbano pode ser considerado o menos hostil e o mais fraco vizinho \u00e1rabe de Israel. Na verdade, as invas\u00f5es e os ataques israelenses nunca foram exatamente contra o Estado liban\u00eas, mas contra o Estado dentro do Estado criado pelos palestinos, em 1982, e agora contra o Estado dentro do Estado criado pelo Hezbollah. O governo liban\u00eas sempre repete que ser\u00e1 o \u00faltimo pa\u00eds \u00e1rabe a assinar a paz com Israel, para n\u00e3o ser acusado de traidor pelos demais. Por sua vez, o Hezbollah condiciona a conviv\u00eancia pac\u00edfica com os israelenses \u00e0 solu\u00e7\u00e3o do problema palestino.\n\nObjetivamente, Israel e L\u00edbano podem chegar a um compromisso em torno de assuntos concretos sem um tratado formal de paz.\n\n<strong>A GUERRA NO L\u00cdBANO REFLETE A DIVIS\u00c3O NO MUNDO MU\u00c7ULMANO<\/strong>\n\n<strong>Qualquer solu\u00e7\u00e3o para afastar o perigo do Hezbollah provavelmente teria o apoio de tr\u00eas influentes pa\u00edses de maioria sunita:<\/strong>\u00a0o Egito, a Ar\u00e1bia Saudita e a Jord\u00e2nia.\n\nOs governos desses tr\u00eas pa\u00edses apressaram-se, logo de in\u00edcio, a criticar o ataque do grupo xiita liban\u00eas que deu in\u00edcio \u00e0 guerra. O governo do Ir\u00e3, de maioria xiita, tem se empenhado em aumentar seu poder regional influenciando grupos da mesma fac\u00e7\u00e3o isl\u00e2mica, como o Hezbollah, no L\u00edbano, e os pol\u00edticos xiitas que atualmente dominam o governo iraquiano.\n\n<strong>O EQUIL\u00cdBRIO CONFESSIONAL NO L\u00cdBANO EST\u00c1 AMEA\u00c7ADO<\/strong>\n\nO equil\u00edbrio entre dezessete confiss\u00f5es religiosas era a grande fa\u00e7anha daquele pa\u00eds at\u00e9 meses atr\u00e1s. Agora, h\u00e1 d\u00favidas se o delicado equil\u00edbrio pode sobreviver \u00e0 guerra provocada pelo Hezbollah. No L\u00edbano, h\u00e1 cinco subdivis\u00f5es entre os mu\u00e7ulmanos, e doze entre os crist\u00e3os. Um em cada dez habitantes \u00e9 refugiado palestino. Na guerra civil, que castigou o pa\u00eds de 1975 a 1990 e causou a morte de 150.000 pessoas, as rixas entre os grupos sect\u00e1rios foram alimentadas por interesses externos. A S\u00edria, os palestinos e Israel tomaram partido e acabaram por participar diretamente do conflito.\n\nO acordo de paz que p\u00f4s fim \u00e0 guerra foi sacramentado por um l\u00edder carism\u00e1tico, o primeiro-ministro Rafik Hariri, assassinado no in\u00edcio de 2005. Mu\u00e7ulmano sunita, Hariri assumiu a chefia do governo em 1992.\n\nSob o seu comando, Beirute voltou a atrair turistas e investimentos estrangeiros.\n\n<strong>Sobrou uma encrenca sem solu\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0todas as mil\u00edcias foram desarmadas, exceto o Hezbollah.\n\n<strong>TROPAS DE PAZ NUNCA DERAM CERTO NO ORIENTE M\u00c9DIO<\/strong>\n\nA proposta de cessar-fogo que os Estados Unidos e outros pa\u00edses devem apresentar, nesta semana, ao Conselho de Seguran\u00e7a das Na\u00e7\u00f5es Unidas prev\u00ea o envio de tropas internacionais para o sul do L\u00edbano.\n\nA miss\u00e3o dessas for\u00e7as seria ajudar o governo liban\u00eas a desarmar o Hezbollah e garantir a chegada de ajuda humanit\u00e1ria. A solu\u00e7\u00e3o \u00e9 atraente mas de dif\u00edcil execu\u00e7\u00e3o. Se a guerra parar agora, a guerrilha xiita conserva boa parte de sua for\u00e7a militar e de seu prest\u00edgio popular e pol\u00edtico. Em outras palavras, s\u00f3 entregar\u00e1 as armas se quiser.\n\n<strong>S\u00d3 A VIT\u00d3RIA INCONTESTE INTERESSA A ISRAEL<\/strong>\n\nIsrael embarcou nesta guerra para impor sua autoridade no sul do L\u00edbano.\n\n<strong>Seu objetivo \u00e9 claro:<\/strong>\u00a0destruir a capacidade ofensiva do Hezbollah de tal maneira que o grupo leve anos para se recuperar e, de prefer\u00eancia, nunca o fa\u00e7a.\n\n<strong>Que alternativa poderia ser considerada uma vit\u00f3ria para Israel?<\/strong>\n\nTalvez um acordo de cessar-fogo para desarmar o Hezbollah aos poucos e restituir ao Estado liban\u00eas o controle de todo o seu territ\u00f3rio.\n\nIsso dificilmente poderia ser feito sem a supervis\u00e3o de uma for\u00e7a internacional e sem a concord\u00e2ncia t\u00e1cita da S\u00edria.\n\n<strong>SE O HEZBOLLAH VENCER A GUERRA, O ORIENTE M\u00c9DIO MUDA PARA PIOR<\/strong>\n\nQuanto mais a guerra se estende e o n\u00famero de baixas israelenses aumenta, mais o Hezbollah ganha cr\u00e9dito como a \u00fanica for\u00e7a \u00e1rabe a derrotar os israelenses. Se isso acontecer, ser\u00e1 um desastre para o Oriente M\u00e9dio.\n\nOs terroristas do Hamas e da Jihad Isl\u00e2mica interpretariam o sucesso do Hezbollah como se fosse deles pr\u00f3prios. Isso estimularia novos atentados palestinos e o crescimento do extremismo isl\u00e2mico na Jord\u00e2nia, no Egito e na Ar\u00e1bia Saudita, pa\u00edses aliados dos Estados Unidos. O governo de Israel fez uma aposta pesada ao mergulhar t\u00e3o fundo na guerra contra o Hezbollah. Se fracassar, o mundo todo ter\u00e1 o que lamentar.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.tvcultura.com.br\/chazit.com\/www.libanoshow.com\/cdn.cfr.org\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra do L\u00edbano, Civil, Hist\u00f3ria, S\u00edria, Mu\u00e7ulmanos, Israel, Isl\u00e2mica, Palestinos, Conflito, In\u00edcio, Per\u00edodo, Guerra do L\u00edbano<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":12088,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26290","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Guerra do L\u00edbano - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Guerra do L\u00edbano - 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