{"id":26167,"date":"2015-12-29T00:00:00","date_gmt":"2015-12-29T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/democracia-e-populismo-4\/"},"modified":"2015-12-29T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-29T00:00:00","slug":"democracia-e-populismo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/democracia-e-populismo-4\/","title":{"rendered":"Democracia e Populismo"},"content":{"rendered":"\n<p>O <strong>populismo<\/strong> \u00e9 definido como uma preocupa\u00e7\u00e3o com os direitos      das pessoas comuns, a democracia \u00e9 um sistema pol\u00edtico em que a regra do povo.<\/p>\n   \n<p>Assim, o populismo e a <strong>democracia<\/strong> deve ir bem juntos, certo?    <\/p>\n   \n<p>Talvez n\u00e3o &#8211; talvez os dois podem realmente conflito, o que levanta quest\u00f5es      interessantes para a pol\u00edtica americana. <\/p>\n   \n<p><strong>O Inverno de 2005 Wilson Quarterly tem uma pe\u00e7a sobre a forma como      o Partido Democrata nos Estados Unidos tem vindo a perder, em parte por causa      de sua incapacidade de ser populista suficiente: <\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>Conservadorismo moderno, [historiador Alan Brinkley, o reitor da Universidade        de Columbia, observa em The American Prospect (dezembro de 2004)], \u00e9 &#8220;um        fen\u00f4meno populista Baseando-se fortemente a classe m\u00e9dia baixa, a classe        trabalhadora e, talvez, acima de tudo, o do Sul, uma vez-democrata. &#8220;Para        ganhar os eleitores de volta, os democratas&#8221; precisa virar muito de        sua aten\u00e7\u00e3o longe de cultura e de volta para a classe. &#8220;Eles devem        entregar com mais for\u00e7a&#8221;, uma mensagem econ\u00f4mica clara &#8220;sobre        quest\u00f5es como sa\u00fade, prevarica\u00e7\u00e3o corporativa e direitos dos trabalhadores.      <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>Classe tem muito mais import\u00e2ncia na pol\u00edtica e na sociedade norte-americana      do que a maioria das pessoas imagina &#8211; os americanos gostam de pensar que      eles deixaram para tr\u00e1s classe, tornando-se uma sociedade sem classes. Isso,      no entanto, n\u00e3o \u00e9 verdadeira. Apelando para a aula, ou populismo, n\u00e3o pode      ser a resposta para os problemas pol\u00edticos democratas, apesar de tudo. <\/p>\n   \n<p><strong>The Quarterly Wilson tamb\u00e9m cita o artigo &#8220;O Triunfo e o colapso      do liberalismo&#8221;, de John Lukacs, em The Chronicle Review (10 de dezembro      de 2004)<\/strong>: <\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p>&#8220;Quando ele veio para a forma\u00e7\u00e3o das democracias do Ocidente, os conceitos        de liberalismo e democracia, embora n\u00e3o insepar\u00e1veis, eram sem d\u00favida complementar,        com \u00eanfase na primeira. Entre os fundadores da rep\u00fablica americana eram        homens s\u00e9rios que estavam mais d\u00favidas sobre a democracia do que sobre a        liberdade. Eles certamente n\u00e3o acreditam em verdade, temiam-populismo, o        populismo que, ao contr\u00e1rio de h\u00e1 um s\u00e9culo atr\u00e1s, tornou-se (e n\u00e3o s\u00f3 nos        Estados Unidos), o instrumento pol\u00edtico de &#8216;conservadores&#8217;, dos chamados        homens da &#8216; direito. \u00c9 significativo que, na Europa, tamb\u00e9m, o apelo do        termo &#8216;liberal&#8217; diminuiu, enquanto &#8220;democr\u00e1tico&#8221; \u00e9 o nome adotado        por uma variedade de partidos, muitos deles n\u00e3o s\u00f3 antiliberal, mas tamb\u00e9m        extrema nacionalista de direita &#8220;.<\/p>\n     \n<p>&#8220;Sim, a democracia \u00e9 o governo da maioria, mas h\u00e1 liberalismo deve        entrar. Regra da maioria deve ser temperada pelos direitos das minorias        e dos homens e mulheres individuais, mas quando que a temperan\u00e7a \u00e9 fraco,        ou n\u00e3o impostos, ou impopular, ent\u00e3o a democracia nada mais \u00e9 do populismo.        Mais precisamente: Ent\u00e3o \u00e9 o populismo nacionalista. Pode ser que a degenera\u00e7\u00e3o        da democracia liberal populismo ser\u00e1 o problema fundamental da futura &#8220;.      <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>O populismo n\u00e3o \u00e9 ruim, mas o populismo temperada pelos valores da democracia      liberal n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 ruim, mas \u00e9 sem d\u00favida apenas a rota tomada pelos Estados      que desceram em vicioso, o fascismo violento. Isso \u00e9 particularmente verdadeiro      quando se trata de apelos conservadores ao populismo.<\/p>\n   \n<p>Conservadores em si n\u00e3o s\u00e3o fascistas, mas o fascismo foi uma conseq\u00fc\u00eancia      dos conservadores que procuram expandir sua base de poder, incorporando ideologias      ou movimentos populistas em seu sistema. <\/p>\n   \n<p>O liberal, West democr\u00e1tico fascismo derrotado uma vez, mas o perigo do fascismo      n\u00e3o desapareceu &#8211; isto \u00e9, porque algumas das mais graves amea\u00e7as fascistas      podem vir de dentro de democracias liberais, e n\u00e3o de fora delas. S\u00f3 um s\u00e9rio      compromisso com os princ\u00edpios democr\u00e1ticos b\u00e1sicos, em vez de mera majorit\u00e1rio      ou populismo demag\u00f3gico pode nos ajudar a evitar essas amea\u00e7as. <\/p>\n   \n<p>Fonte: atheism.about.com<\/p>\n   \n<h6>Democracia e Populismo<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<p>O presente trabalho analisa os fundamentos do<strong> populismo<\/strong>,      tendo por refer\u00eancia a esfera pol\u00edtica das rela\u00e7\u00f5es entre o Estado e a sociedade.      Busca, entretanto, chegar a uma representa\u00e7\u00e3o s\u00edntese do processo de mudan\u00e7as      estruturais ocorridos na sociedade brasileira entre o primeiro quartel e meados      do s\u00e9culo XX, dando \u00eanfase \u00e0s causas e efeitos da in\u00e9rcia psicossocial herdada      do per\u00edodo colonial e escravocrata. Estudo um Brasil que se moderniza e se      industrializa a partir de est\u00edmulos de mercado, mas que permaneceu atrasado      do ponto de vista de seu amadurecimento institucional. <\/p>\n   \n<p>A an\u00e1lise inicia-se com o exame do conceito de aliena\u00e7\u00e3o. Em seguida, entender      como os intelectuais, no per\u00edodo imediato ao golpe militar de 1964, se engajam      fortemente na quest\u00e3o nacional em detrimento da quest\u00e3o democr\u00e1tica. Nessa      altura da an\u00e1lise, reconhe\u00e7o, que o mesmo fen\u00f4meno &#8211; valoriza\u00e7\u00e3o e busca da      identidade nacional em descompasso com a institucionaliza\u00e7\u00e3o da democracia      &#8211; ocorreu em outros pa\u00edses onde o colonizador europeu esteve presente. <\/p>\n   \n<p>Na Am\u00e9rica Latina, o populismo d\u00e1-se nos governos democr\u00e1ticos e ditatoriais      instaurados no per\u00edodo 1950 a 1970. No Brasil, embora me referenciando ao      Estado Novo, para efeito desta an\u00e1lise a mesma fase ocorre no per\u00edodo que      vai de 1945 a 1964, quando governantes e lideran\u00e7as buscam legitimidade e      retorno eleitoral junto \u00e0s massas populares. <\/p>\n   \n<p>Embora para o l\u00edder populista as classes sociais se agreguem num todo homog\u00eaneo      que se presta \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o, o sucesso do populismo, todavia, associa-se ao      baixo n\u00edvel de institucionaliza\u00e7\u00e3o da sociedade civil brasileira do in\u00edcio      e meados do corrente s\u00e9culo. <\/p>\n   \n<p>O fen\u00f4meno da industrializa\u00e7\u00e3o que promove a r\u00e1pida migra\u00e7\u00e3o do campo para      a cidade \u00e9, sem d\u00favida, relevante para explicar a manipula\u00e7\u00e3o do operariado      e das camadas m\u00e9dias urbanas. Esses contingentes de trabalhadores, em grande      parte vindos do interior ou do exterior, tinham dificuldades para organizar      a\u00e7\u00f5es coletivas de longo alcance, preferindo confiar ao l\u00edder populista seus      anseios de justi\u00e7a e progresso social. <\/p>\n   \n<p>O crescimento econ\u00f4mico e as mudan\u00e7as estruturais da sociedade s\u00e3o avan\u00e7os      importantes dessa \u00e9poca. Os intelectuais, sobretudo os do ISEB, s\u00e3o vistos      como pessoas devotadas \u00e0 causa nacional e muito pouco \u00e0 causa democr\u00e1tica.      A crise institucional que leva \u00e0 ruptura autorit\u00e1ria de 1964 tem a ver com      tudo isso. <\/p>\n   \n<p>A manipula\u00e7\u00e3o das massas populares durou enquanto Estado teve condi\u00e7\u00f5es de      responder, embora que com limites, suas demandas. Fracassou quando, esgotada      as possibilidades da acumula\u00e7\u00e3o capitalista em curso, as reformas estruturais      passaram a ser demandadas por um movimento de massas que se insinuava cada      vez mais aut\u00f4nomo, radical e fora do controle dos l\u00edderes populistas. Essa      atmosfera de radicaliza\u00e7\u00e3o chega rapidamente ao Congresso Nacional e, com      ela, o impasse institucional que acabaria em golpe militar. <\/p>\n   \n<h4>Uma teoria para superar a aliena\u00e7\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>As coisas s\u00e3o assim e assim h\u00e3o de ficar! Parece ser esta a imagem que a      maioria dos brasileiros faziam de si e de seu pa\u00eds no in\u00edcio do s\u00e9culo XX.      Uma imagem calcada na realidade do colonizador que domina e promove a acultura\u00e7\u00e3o      subalterna. Uma imagem de quem se referencia integralmente nos olhos de algu\u00e9m      que enxerga o colonizado como simples &#8220;coisa&#8221;. Uma imagem que emana      de uma auto-estima coletiva rebaixada com o peso dos complexos herdados do      longo per\u00edodo colonial e da escravid\u00e3o. Uma perspectiva que imp\u00f5e, aos pa\u00edses      colonizados, domina\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e cultural. A primeira, no plano material,      se completa com a segunda pela apropria\u00e7\u00e3o do espirito do oprimido pelo opressor.    <\/p>\n   \n<p>Era este, portanto, o cen\u00e1rio psicossocial brasileiro no in\u00edcio do s\u00e9culo.      No correr dos anos, todavia, com as tens\u00f5es e conflitos provocados com a transi\u00e7\u00e3o      urbano-industrial (IANNI. 1994), essas formas de representa\u00e7\u00e3o de si mesmo      seriam questionadas pela intelectualidade brasileira e logo pelos pol\u00edticos.    <\/p>\n   \n<p><strong>Uma nova pergunta resumiria a problem\u00e1tica no campo social, econ\u00f4mico      e pol\u00edtico:<\/strong> o que sou e por que estou assim? Tratava-se, do colonizado      ir em busca de sua verdadeira identidade como forma de seguir novos rumos      com vistas a enfrentar os desafios reais de sua exist\u00eancia individual e coletiva.      O indiv\u00edduo agora era chamado a fazer a sua op\u00e7\u00e3o! Um comportamento que nos      anos 50 e 60 se generalizaria entre as elites dos chamados povos oprimidos      do Terceiro Mundo. <\/p>\n   \n<p>A sistematiza\u00e7\u00e3o filos\u00f3fica desse comportamento encontrou, nos Intelectuais      do mundo perif\u00e9rico \u0097 Am\u00e9rica Latina, \u00c1sia e \u00c1frica, formas de comunica\u00e7\u00e3o      de massa at\u00e9 ent\u00e3o raras. A realidade colonial e neocolonial seria analisada      a partir da intera\u00e7\u00e3o dos fatores subjetivos e objetivos que a comp\u00f5e. A domina\u00e7\u00e3o      econ\u00f4mica assente nas rela\u00e7\u00f5es desiguais das trocas internacionais e a domina\u00e7\u00e3o      cultural, assente numa vis\u00e3o euroc\u00eantrica do passado, do presente e do futuro      da condi\u00e7\u00e3o humana.<\/p>\n   \n<p><strong>No Brasil, essa abordagem encontra sua especificidade na produ\u00e7\u00e3o      intelectual do ISEB orientada de conformidade com as id\u00e9ias do nacional-desenvolvimentismo:      <\/strong><\/p>\n   \n<p>Para os intelectuais brasileiros vinculados ao ISEB, a transi\u00e7\u00e3o da filosofia      para a pol\u00edtica implicava viver e transformar o mundo em que se vive a partir      da \u00f3tica e dos interesses do oprimido. E transformar, era agora sin\u00f4nimo de      desenvolvimento no contexto de um movimento pol\u00edtico que chamaria as massas      n\u00e3o para uma ruptura revolucion\u00e1ria, mas, t\u00e3o somente, para uma ruptura reformista      (ORTIZ. 1985:60; IANII. 1994:18) <\/p>\n   \n<p>A participa\u00e7\u00e3o do povo como ator no teatro pol\u00edtico brasileiro, inicia-se      a partir de 1922 prolongando-se at\u00e9 1964. De 1922 a 1945, o fundamento mobilizador      \u00e9 a luta pela redu\u00e7\u00e3o do poder econ\u00f4mico e pol\u00edtico das oligarquias vinculadas      ao com\u00e9rcio externo. Um conflito entre os setores tradicionais e os setores      urbanos em torno de diferentes projetos de moderniza\u00e7\u00e3o. S\u00e3o lutas pol\u00edticas      relacionadas \u00e0 necessidade de construir um sistema cultural e institucional      adequado \u00e0s exig\u00eancias da sociedade urbano-industrial em forma\u00e7\u00e3o. De 1945      at\u00e9 1964, uma vez atendidas as condi\u00e7\u00f5es institucionais e materiais para o      desenvolvimento industrial, com a redemocratiza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, viria o proletariado      e a classe m\u00e9dia serem convocados a figurar no teatro das lutas pol\u00edticas      e sociais, engrossando, assim, um movimento que, sob a designa\u00e7\u00e3o de populismo,      seria o agente propulsor da orienta\u00e7\u00e3o nacionalista dos governantes e de lideran\u00e7as      pol\u00edticas nas pra\u00e7as e ruas de todo o Brasil. <\/p>\n   \n<p>Povo e democracia, eis a f\u00f3rmula do p\u00f3s-guerra. Democracia populista e crise      institucional, o resultado. Experi\u00eancia importante que duraria at\u00e9 1964 e,      durante todo esse per\u00edodo, refletiria, por meio de uma sucess\u00e3o de governos      e golpes, as contradi\u00e7\u00f5es de uma sociedade que, embora amadurecida sob a \u00f3tica      do mercado, continuava atrasada em suas institui\u00e7\u00f5es e na maneira de pensar      de suas elites. <\/p>\n   \n<p><strong>Francisco Weffort, comentando sobre a crescente perspectiva de crise,      ap\u00f3s an\u00e1lise dos pressupostos do golpe de 1964, reproduz uma frase de Vargas      que sintetiza muito bem o descompasso entre as demandas organizadas do povo      e a disposi\u00e7\u00e3o de resposta dos governantes: <\/strong><\/p>\n   \n<p>&#8220;Por for\u00e7a das transforma\u00e7\u00f5es sociais e econ\u00f4micas que se associam ao      desenvolvimento do capitalismo industrial e que assumem um ritmo mais intenso      a partir de 1930, a democracia defronta-se, apenas come\u00e7a a instaurar-se no      ap\u00f3s guerra, com a tarefa tr\u00e1gica de toda a democracia burguesa: a incorpora\u00e7\u00e3o      das massas populares ao processo pol\u00edtico&#8221;. Deste modo, podemos crer      que Vargas, j\u00e1 em 1950 quando se elege Presidente diretamente pelo voto popular,      tocava no ponto essencial em coment\u00e1rio que teria feito sobre a designa\u00e7\u00e3o      de seu Minist\u00e9rio: Governo popular, Minist\u00e9rio reacion\u00e1rio; por muito tempo      ter\u00e1 de ser assim. (Weffort.1989: 17) <\/p>\n   \n<p>Eis a f\u00f3rmula da manipula\u00e7\u00e3o que presidiria as rela\u00e7\u00f5es entre o governo e      as classes sociais durante todo o per\u00edodo de vig\u00eancia da democracia populista      de 1945 at\u00e9 1964.<\/p>\n   \n<h4>Democracia, populismo, desenvolvimentismo e crise institucional<\/h4>\n   \n<p>A partir de 1946 o Brasil ganhou uma nova Constitui\u00e7\u00e3o que, no essencial,      contemplava os requisitos do que a maioria dos cientistas pol\u00edticos reconhece      como sendo uma democracia cl\u00e1ssica no sentido da palavra. Competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica,      pluralismo partid\u00e1rio, elei\u00e7\u00f5es diretas, separa\u00e7\u00e3o formal dos poderes do Estado,      razo\u00e1vel direito de contesta\u00e7\u00e3o p\u00fablica, faziam secund\u00e1rias as distor\u00e7\u00f5es      de in\u00e9rcia herdadas do regime anterior, o Estado Novo. Com efeito, a in\u00e9rcia      a que nos referimos explica uma transi\u00e7\u00e3o marcada pela apatia das massas,      pelas exig\u00eancias democratizantes de al\u00e9m fronteira e que, por n\u00e3o haver reciclado      a elite do regime anterior, incorrera na sobreposi\u00e7\u00e3o das novas regras \u00e0 velha      estrutura de poder, mantendo intacto o sistema sindical corporativista e o      perfil de uma burocracia estatal concentradora do poder decis\u00f3rio. (Souza.1976:105)    <\/p>\n   \n<p>N\u00e3o bastando a limita\u00e7\u00e3o das franquias democr\u00e1ticas, o modelo pol\u00edtico de      1945 conseguiu captar a complexidade da sociedade brasileira via sistema partid\u00e1rio.<\/p>\n   \n<p>Um partido de trabalhadores (PTB), um partido das camadas m\u00e9dias urbanas      e empresariais moderna (UDN) e um terceiro, com penetra\u00e7\u00e3o no meio rural e      na parte menos desenvolvida do pa\u00eds (PSD). A competi\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, em que pese      tentativas de interrup\u00e7\u00e3o da democracia, sobreviveu por vinte anos. <\/p>\n   \n<p>Foi nesse ambiente, de fragilidade do consenso e da democratiza\u00e7\u00e3o, que a      intelectualidade brasileira estreou suas lutas, aderindo, voluntariamente,      as causas populares. Alguns \u00e0 esquerda, sa\u00edram do liberalismo da UDN para      em seguida entrarem, majoritariamente, no Partido Socialista Brasileiro ao      tempo em que outro segmento, mais radicalmente comprometido com o socialismo      e menos com a democracia, firmava posi\u00e7\u00e3o dentro do Partido Comunista \u0097      declarado ilegal e 1947 e com os parlamentares cassados em 1948. <\/p>\n   \n<p><strong>Daniel P\u00e9caut em estudo sobre os intelectuais da gera\u00e7\u00e3o 1954-1964,      analisando esse contexto declara: <\/strong><\/p>\n   \n<p>&#8220;&#8230; o ardor democr\u00e1tico dos intelectuais de 1945 tinha poucas chances      de durar. Tendo admitido, por c\u00e1lculo ou impot\u00eancia, o aspecto corporativista      do regime, pouco inclinados aos prazeres da pol\u00edtica partid\u00e1ria e, al\u00e9m disso,      pouco instrumentados para tomar parte nela, n\u00e3o tinham motivos para celebrar      as virtudes da &#8220;democracia formal&#8221; que de qualquer forma nunca exaltaram      assim. &#8220;.<\/p>\n   \n<p>Para essa elite pensante, o aperfei\u00e7oamento democr\u00e1tico em curso era apenas      um tema subordinado a quest\u00e3o nacional que agora, diferente do per\u00edodo 1925-1940,      estaria definitivamente gravitando em torno do reconhecimento da exist\u00eancia      concreta da na\u00e7\u00e3o brasileira, do car\u00e1ter e da personalidade acabadas de seu      povo, e do direito inalien\u00e1vel ao progresso econ\u00f4mico e social. Agora n\u00e3o      se tratava mais de buscar a identidade do oprimido frente o opressor, mas      de mobilizar as massas para o confronto que afirma e defende a soberania nacional      indispens\u00e1vel ao desenvolvimento.<\/p>\n   \n<p>Com essa orienta\u00e7\u00e3o, a intelectualidade tinha a clara percep\u00e7\u00e3o de que sua      op\u00e7\u00e3o, ao privilegiar o mercado interno, contrariava interesses estabelecidos      dentro e fora do Pa\u00eds, n\u00e3o lhe restando outra escolha que n\u00e3o o apelo \u00e0s massas      urbanas para dar sustenta\u00e7\u00e3o a um projeto abrangente e politicamente definido.      Coube ao ISEB, criado em 1955, produzir esse projeto. (P\u00c9CAUT,1989. BIELSCHOWSKY,      1988). O diagn\u00f3stico da realidade brasileira a ser transformada pela a\u00e7\u00e3o      do planejamento estatal, com o apoio das massas, inspirava-se na contribui\u00e7\u00e3o      te\u00f3rica da Cepal. Essa entidade j\u00e1 havia desenvolvido, para toda a Am\u00e9rica      Latina, estudos e conceitos encadeados para dar sustenta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica a um modelo      econ\u00f4mico condizente a proposta de industrializa\u00e7\u00e3o das economias da regi\u00e3o.    <\/p>\n   \n<p>Conceitos como deteriora\u00e7\u00e3o dos termos de troca, baixa elasticidade da demanda      do exterior por produtos do setor prim\u00e1rio; desemprego estrutural; desequil\u00edbrio      no balan\u00e7o de pagamentos; infla\u00e7\u00e3o estrutural e vulnerabilidade aos ciclos      econ\u00f4micos \u0097 eram interligados num discurso que se espalhou no universo      acad\u00eamico e pol\u00edtico, sustentando a defesa do planejamento e da industrializa\u00e7\u00e3o      da economia. (BIELSCHOWSKY, 1988:26). <\/p>\n   \n<p>O impulso para a industrializa\u00e7\u00e3o veio com o retorno de Vargas, em 1950,      pelo voto direto. O desejo de autonomia econ\u00f4mica, entretanto, despertaria      tens\u00f5es sociais e protestos junto \u00e0s classes tradicionalmente ligadas ao com\u00e9rcio      de exporta\u00e7\u00e3o e importa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tanto pela industrializa\u00e7\u00e3o em si, mas e principalmente      devido a amea\u00e7a aos privil\u00e9gios que chegava com a emerg\u00eancia de uma nova estrutura      social. (Skiidmore.1979). Seguem-se os conflitos, tens\u00f5es e golpes planejados      ou abortados, o que n\u00e3o impede a elei\u00e7\u00e3o e a posse traum\u00e1tica de Juscelino      Kubitschek, com o r\u00f3tulo do nacional desenvolvimentismo e a promessa de realizar      &#8220;cinq\u00fcenta anos de progresso em cinco&#8221;.<\/p>\n   \n<p>Desta vez o ISEB \u0097 &#8220;agora Meca da pesquisa e do ensino de problemas      brasileiros&#8221; (Skidmore. 1979: 211) \u0097 encontra o seu momento, sua      hora e a sua vez, para lan\u00e7ar uma s\u00e9rie de livros e publica\u00e7\u00f5es sobre as causas      do subdesenvolvimento e as formas de sua supera\u00e7\u00e3o. Entrava o Brasil num per\u00edodo      de crescimento sem precedentes no s\u00e9culo XX para o conjunto dos pa\u00edses capitalistas      do Ocidente. A renda per capita brasileira viria sustentar-se ao longo da      d\u00e9cada de 50 em n\u00edvel tr\u00eas vezes maior do que o resto da Am\u00e9rica Latina. <\/p>\n   \n<p><strong>A respeito dos anos JK \u00e9 bom ouvir o que Skidmore tem a dizer sobre      o desempenho da economia:<\/strong> &#8220;Entre 1955 e 1961, a produ\u00e7\u00e3o industrial      cresceu 80% (em pre\u00e7os constantes), com as porcentagens mais altas registradas      pelas ind\u00fastrias de a\u00e7o (100%), ind\u00fastrias mec\u00e2nicas (125%), ind\u00fastrias el\u00e9tricas      e de comunica\u00e7\u00f5es (380%) e ind\u00fastria de equipamentos de transportes (600%).      De 1957 a 1961, a taxa de crescimento real foi de 7% ao ano e, aproximadamente,      4% per capita.&#8221; (Skidmore.1979: 204) <\/p>\n   \n<p>Esse processo de industrializa\u00e7\u00e3o, uma trajet\u00f3ria que remonta, com j\u00e1 referido,      a revolu\u00e7\u00e3o de 1930 \u00e9, na segunda metade dos anos 50 e primeira dos 60, fator      primordial das tens\u00f5es decorrentes do avan\u00e7o do capitalismo brasileiro e das      mudan\u00e7as na estrutura social. Nos anos 60, a participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria no      PIB (26%) quase se equiparou com a agricultura (28%). O pa\u00eds transforma-se      de economia agr\u00e1ria exportadora, em agr\u00e1ria industrial com todas as mazelas      e demanda acarretada por uma intensa migra\u00e7\u00e3o do campo para a cidade. Um processo      em que brasileiros esquecidos nos lugares mais remotos, chegavam a grande      cidade para conhecer novos padr\u00f5es de consumo, instru\u00e7\u00e3o, amparo social limitado,      mas tamb\u00e9m desemprego, mis\u00e9ria, viol\u00eancia e discrimina\u00e7\u00e3o. Estas s\u00e3o as raz\u00f5es      que fazem do populismo um jogo perigoso, um jogo de m\u00e3o dupla. Se havia interesse      do Estado na emerg\u00eancia pol\u00edtica das classes populares, esse mesmo Estado      sofre, via mercado, as press\u00f5es decorrentes desse processo. De um lado precisa      das massas trabalhadoras para seu projeto pol\u00edtico nacional-desenvolvimentista.      Mas de outro, precisa controlar essas massas trabalhadoras de forma a atender      a estrat\u00e9gia da acumula\u00e7\u00e3o com o aumento da lucratividade e dos n\u00edveis de      poupan\u00e7a do setor privado. <\/p>\n   \n<p><strong>Este conflito encontra em Wefforf uma advert\u00eancia: <\/strong><\/p>\n   \n<p>&#8220;Seria ing\u00eanuo supor que somente para atender as necessidades de seu      jogo interno, o Estado tivesse inventado uma nova for\u00e7a social&#8221;. (Weffort.      1978: 71) <\/p>\n   \n<p>De acordo com Weffort o poder de manipula\u00e7\u00e3o do governante e a passividade      das massas era um fen\u00f4meno social aparente. A incapacidade de representa\u00e7\u00e3o      associada a suposta passividade das massas, contagiava tamb\u00e9m o grupo dominante      que, fragmentado nos seus interesses, n\u00e3o consegue fazer-se representar. <\/p>\n   \n<p>Essa \u00e9 a raz\u00e3o porque a tutela de um Presidente que centraliza o poder e      manipula \u00e9 aceita por oprimidos e opressores. Heterogeneidade de interesses      e conflitos inter e intra classes \u00e9 o resultado desse fen\u00f4meno brasileiro      que termina por revelar o populismo como uma falsa solu\u00e7\u00e3o. Trata-se, portanto,      de uma ambig\u00fcidade das rela\u00e7\u00f5es classe x governo e classe x classe. S\u00e3o rela\u00e7\u00f5es      individuais infensas a qualquer forma aut\u00f4noma de organiza\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<p><strong>Vejamos de novo o que Weffort tem a dizer: <\/strong><\/p>\n   \n<p>&#8220;Desse modo, a manipula\u00e7\u00e3o \u00e9 uma rela\u00e7\u00e3o amb\u00edgua, tanto do ponto de      vista social como do ponto de vista pol\u00edtico&#8221;. (Weffort. 1978: 74) <\/p>\n   \n<p>A l\u00f3gica dos fatos vem comprovar, no entanto, os limites da manipula\u00e7\u00e3o populista.      Pois enquanto a economia cresceu, houve acumula\u00e7\u00e3o e p\u00f4de o Estado atender,      no interesse dessa mesma acumula\u00e7\u00e3o e de sua sustenta\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, a demanda      dos trabalhadores. Contudo, t\u00e3o logo se esgota o ciclo de expans\u00e3o da economia      brasileira, essa demanda extrapola a capacidade de atendimento do Estado,      abrindo as portas para uma verdadeira mobiliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica popular. (Weffort.1978)      Com isso, instala-se o conflito que combinado \u00e0 prec\u00e1ria institucionaliza\u00e7\u00e3o      da democracia (uma d\u00edvida do populismo) converge para o impasse e a ruptura.      \u00c9 o advento dos governos militares e da fase de moderniza\u00e7\u00e3o conservadora      quando o pa\u00eds, superados os ajustes da segunda metade dos anos 60, adentra      os 70 com um crescimento reconhecidamente acelerado.<\/p>\n   \n<h4>Conclus\u00e3o<\/h4>\n   \n<p>O presente estudo atesta a especificidade da constru\u00e7\u00e3o da cidadania no Brasil.      Vimos que as marcas da coloniza\u00e7\u00e3o s\u00f3 foram parcialmente superadas com o advento      da industrializa\u00e7\u00e3o que cria e demanda m\u00e3o-de-obra excedente do campo. No      in\u00edcio essa m\u00e3o-de-obra, fundamento da forma\u00e7\u00e3o do proletariado urbano, chega      \u00e0 cidade para ganhar a vida sem voltar as costas para seu local de origem,      o interior atrasado e olig\u00e1rquico. Por isso, durante muito tempo sente-se      estranha e pouco representada, incapaz de se organizar para lutar por seus      interesses. Esse perfil social, pouco a pouco, com o aprofundamento da industrializa\u00e7\u00e3o,      sobretudo ap\u00f3s a II Guerra Mundial, cristaliza e segmenta interesses econ\u00f4micos      de um proletariado e de uma classe m\u00e9dia nitidamente urbanos, que n\u00e3o conseguem      fazer-se representar na esfera pol\u00edtica. Nas classes dominantes, o mesmo fen\u00f4meno      ocorre em raz\u00e3o da r\u00e1pida mudan\u00e7a da estrutura produtiva e de classes. Seus      interesses tamb\u00e9m se fragmentam e a perplexidade impede-as de uma representa\u00e7\u00e3o      pol\u00edtica consistente. <\/p>\n   \n<p>Como decorr\u00eancia dessa especificidade hist\u00f3rica, a a\u00e7\u00e3o da elite pol\u00edtica      que capta e opera a transforma\u00e7\u00e3o, inventa uma forma de poliarquia limitada,      a Constitui\u00e7\u00e3o de 1946, chamada aqui de democracia populista. Esse arranjo      institucional expressa seus fundamentos pol\u00edticos por meio de a\u00e7\u00f5es populistas      circunscritas a alian\u00e7as policlassistas, estimulando rela\u00e7\u00f5es individuais      entre as classes, no interior destas, e entre estas e o Estado. \u00c9 o populismo,      um recurso, uma muleta que a meu ver sustenta a falta de legitimidade original      do Estado perante o conjunto da sociedade brasileira. Trata-se, portanto,      de uma particularidade hist\u00f3rica de um Estado que nasceu antes da nacionalidade.      (Carvalho 1980 e 1994) Essas s\u00e3o as raz\u00f5es que explicam o per\u00edodo 1945 a 1964.    <\/p>\n   \n<p>Esse per\u00edodo expressa todo o potencial de conflito decorrente da in\u00e9rcia      da regula\u00e7\u00e3o da cidadania patrocinada no per\u00edodo Vargas e que aflora na forma      do radicalismo pol\u00edtico, da paralisia decis\u00f3ria e da nega\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es      democr\u00e1ticas. <\/p>\n   \n<p>Surpreendentemente, a intelectualidade que poderia ser o contraponto dessa      tend\u00eancia, produzindo um pensamento pol\u00edtico capaz de questionar as institui\u00e7\u00f5es      na perspectiva do aperfei\u00e7oamento, preferiu apostar na quest\u00e3o nacional, mergulhando,      de cabe\u00e7a numa proposta de desenvolvimento econ\u00f4mico e social que terminou,      nos meandros das negocia\u00e7\u00f5es de gabinete, transformando-se em ap\u00eandice do      populismo.<\/p>\n   \n<p>Fonte: geocities.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Democracia e Populismo, Brasil, Hist\u00f3ria, Fundamentos, Sistema Pol\u00edtico, Pol\u00edtica, Povo, Sociedade, Valores, Democracia e Populismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26167","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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