{"id":26093,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:59:06","modified_gmt":"2026-09-01T17:59:06","slug":"sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-4\/","title":{"rendered":"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial"},"content":{"rendered":"\n<h4>Agroind\u00fastria a\u00e7ucareira &#8211; Raz\u00f5es da sua instala\u00e7\u00e3o<\/h4>\nA necessidade de efetivar a posse definitiva da terra amea\u00e7ada por estrangeiros levou Portugal a iniciar a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil. Na \u00f3ptica da pol\u00edtica mercantilista, no entanto, a ocupa\u00e7\u00e3o da terra exigia o estabelecimento de uma atividade econ\u00f4mica suficientemente lucrativa que atra\u00edsse os interesses de investidores e colonos e que gerasse dividendos para a metr\u00f3pole. Desse ponto de vista, a explora\u00e7\u00e3o do pau-brasil nas costas brasileiras, sozinha, n\u00e3o se ajustava \u00e0s necessidades da Coroa portuguesa.\n\nEra necess\u00e1rio passar de uma fase de mera circula\u00e7\u00e3o de mercadorias (com\u00e9rcio afro-asi\u00e1tico) e de explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria da madeira para uma fase de produ\u00e7\u00e3o. Assim sendo, a ocupa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica das terras americanas deveria se distinguir do modelo de explora\u00e7\u00e3o comercial levado a efeito pelos portugueses no imp\u00e9rio afro-indiano. Em busca da recupera\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, devido \u00e0 crise do com\u00e9rcio indiano, o governo portugu\u00eas tomou a iniciativa de efetivar a coloniza\u00e7\u00e3o de suas terras americanas com a instala\u00e7\u00e3o no Brasil de uma empresa a\u00e7ucareira. E nisto Portugal tamb\u00e9m foi pioneiro. O Brasil teria, portanto, uma coloniza\u00e7\u00e3o de base agr\u00e1ria que se iniciava dentro da estrutura monopolista do sistema colonial.\n\nDo ponto de vista do produto explorado, a coloniza\u00e7\u00e3o brasileira, montada em base agrotropical, difere da coloniza\u00e7\u00e3o de base metal\u00edfera das col\u00f4nias espanholas da Am\u00e9rica.\n\nDe qualquer maneira, tanto as col\u00f4nias espanholas como a portuguesa na Am\u00e9rica tropical eram \u00e1reas econ\u00f4micas perif\u00e9ricas cuja fun\u00e7\u00e3o seria a de complementar .a economia central, metropolitana.\n\nEram col\u00f4nias de explora\u00e7\u00e3o. Isto as diferenciava das col\u00f4nias de povoamento criadas pelos ingleses na Am\u00e9rica do Norte. Fatores determinantes do sucesso da empresa agroa\u00e7ucareira\n\nA escolha da empresa a\u00e7ucareira foi determinada por uma s\u00e9rie de fatores. Primeiro, os portugueses j\u00e1 estavam habituados ao plantio da cana e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar desde o s\u00e9culo XV, quando transformaram as rec\u00e9m-conquistadas ilhas atl\u00e2nticas em centros a\u00e7ucareiros. Essa experi\u00eancia possibilitou-lhes desenvolver o conhecimento sobre a produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar e o fabrico de equipamentos para os engenhos, provocando a queda de pre\u00e7o do produto, pois quebrou o monop\u00f3lio veneziano na produ\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar.\n\nPor sua vez, o a\u00e7\u00facar despontava, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, como uma mercadoria de alta aceita\u00e7\u00e3o nos mercados consumidores europeus. Crescia o consumo de um produto que j\u00e1 fora considerado de alto luxo e de tal maneira raro que chegara a figurar como dote nos casamentos de rainhas. Naquele momento j\u00e1 era intensa a comercializa\u00e7\u00e3o com a regi\u00e3o de flandres do a\u00e7\u00facar portugu\u00eas produzido na \u00c1frica. Devido \u00e0 amplia\u00e7\u00e3o do mercado consumidor, o a\u00e7\u00facar tomou-se um produto altamente rent\u00e1vel e atraente para aqueles que pretendessem investir na instala\u00e7\u00e3o de engenhos no Brasil. O clima quente e \u00famido e o rico solo de massap\u00ea do litoral, especialmente em Pernambuco e na Bahia, tomaram o Nordeste a \u00e1rea por excel\u00eancia para o cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar.\n\nAl\u00e9m disso, dada a rentabilidade da empresa a\u00e7ucareira, os holandeses investiram substancialmente seus capitais no financiamento da refina\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o, importa\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra escrava e, em especial, na instala\u00e7\u00e3o de engenhos no Brasil, o que lhes garantia maior porcentagem da renda gerada pela empresa a\u00e7ucareira brasileira. Pelo exposto fica claro que a alta rentabilidade do a\u00e7\u00facar facilitou a aquisi\u00e7\u00e3o de financiamentos portugueses ou estrangeiros para a montagem da empresa agromanufatureira do a\u00e7\u00facar no Brasil. De resto, havia o problema da m\u00e3o-de-obra. Transportar para o Brasil uma quantidade de m\u00e3o-de-obra livre compat\u00edvel com as necessidades da empresa que se iniciava era demasiado caro e antiecon\u00f4mico. Al\u00e9m disso, havia escassez de m\u00e3o-de-obra em Portugal. Portanto, o trabalho assalariado era invi\u00e1vel. E mesmo que fosse poss\u00edvel pagar sal\u00e1rios, isto n\u00e3o estimularia a vinda de portugueses para a col\u00f4nia.\n\nN\u00e3o devemos esquecer que o colono portugu\u00eas n\u00e3o vinha \u00e0 Am\u00e9rica para ser m\u00e3o-de-obra e sim para ser senhor. O que o estimulava era a id\u00e9ia de ter na col\u00f4nia uma proje\u00e7\u00e3o social e econ\u00f4mica superior \u00e0 que tinha na metr\u00f3pole, ser propriet\u00e1rio, enriquecer rapidamente e, se poss\u00edvel, voltar para gozar a vida na Corte.\n\nOra, como &#8220;&#8230; a produ\u00e7\u00e3o se devia organizar de modo a possibilitar aos empres\u00e1rios metropolitanos ampla margem de lucratividade&#8221;, impunha-se a utiliza\u00e7\u00e3o do trabalho obrigat\u00f3rio, isto \u00e9, da m\u00e3o-de-obra escrava. &#8220;Sem embargo, tamb\u00e9m neste caso uma circunst\u00e2ncia veio facilitar enormemente a solu\u00e7\u00e3o do problema. Por essa \u00e9poca os portugueses eram j\u00e1 senhores de um completo conhecimento do mercado africano de escravos. As opera\u00e7\u00f5es de guerra para captura de negros pag\u00e3os, iniciadas quase um s\u00e9culo antes (&#8230;), haviam evolu\u00eddo num bem organizado e lucrativo escambo que abastecia cenas regi\u00f5es da Europa de m\u00e3o-de-obra escrava. Mediante recursos suficientes, seria poss\u00edvel ampliar esse neg\u00f3cio e organizar a transfer\u00eancia para a nova col\u00f4nia agr\u00edcola da m\u00e3o-de-obra barata, sem a qual ela seria economicamente invi\u00e1vel.\u0092\u0092\n\n<strong>Estrutura de produ\u00e7\u00e3o <\/strong>\n\nA empresa agrocolonial brasileira se estruturou na plantation, grande propriedade monocultura escravista. Em concord\u00e2ncia com o sistema colonial que lhe deu vida, essa empresa teria de viabilizar a coloniza\u00e7\u00e3o e gerar fortunas para o Estado e o grupo mercantil metropolitano.\n\nInserida nos quadros da pol\u00edtica mercantilista, a empresa agr\u00edcola rec\u00e9m-instalada no Brasil s\u00f3 seria economicamente vi\u00e1vel se fosse suficientemente grande para produzir em larga escala para os crescentes mercados internacionais.\n\nA produ\u00e7\u00e3o em grande escala, por sua vez, exigia a utiliza\u00e7\u00e3o de vasta \u00e1rea territorial e o emprego de uma grande quantidade de m\u00e3o-de-obra. Em s\u00edntese, para que houvesse o r\u00e1pido retomo do capital aplicado em sua instala\u00e7\u00e3o, a empresa tinha de ser de grande porte. Da\u00ed a grande propriedade monocultura escravista ter sido a c\u00e9lula fundamental da explora\u00e7\u00e3o agr\u00e1ria colonial.\n\nComo j\u00e1 vimos, a concess\u00e3o de grandes propriedades (sesmarias) no Brasil j\u00e1 era uma atribui\u00e7\u00e3o legal dos donat\u00e1rios e depois do governador geral. A concess\u00e3o de sesmarias foi a f\u00f3rmula encontrada pelo governo portugu\u00eas para atrair colonos e investimentos para o Brasil.\n\nO colono recebia a sesmaria e em troca se obrigava a utilizar a terra, sob pena de perd\u00ea-la. Deveria cultiv\u00e1-la e torn\u00e1-la produtiva com capital pr\u00f3prio ou emprestado.\n\n<strong>O engenho <\/strong>\n\nO engenho era a unidade de produ\u00e7\u00e3o onde se localizavam os canaviais, as planta\u00e7\u00f5es de subsist\u00eancia, a f\u00e1brica do a\u00e7\u00facar com sua moenda, a casa das caldeiras e a casa de purgar -, a casa-grande, a senzala, a capela, a escola e as habita\u00e7\u00f5es dos trabalhadores livres &#8211; como o feitor, o mestre do a\u00e7\u00facar, os lavradores contratados etc.\n\nHavia alguns engenhos que produziam exclusivamente cacha\u00e7a, um dos produtos utilizados no escambo de negros africanos.\n\nEm curvos engenhos produtores de a\u00e7\u00facar as destilarias de cacha\u00e7a funcionavam como atividade secund\u00e1ria.\n\nNa moenda a cana era prensada para a extra\u00e7\u00e3o da garapa. Na casa das caldeiras fazia-se a apura\u00e7\u00e3o e a purifica\u00e7\u00e3o do caldo. Na casa de purgar, o caldo era colocado em formas especiais de barro para esfriar, at\u00e9 o mestre &#8220;d\u00e1 o ponto&#8221;. Depois desse processo, o a\u00e7\u00facar era encaixotado e transportado para a metr\u00f3pole. Dai, seguia para a Holanda, onde era refinado. O transporte do a\u00e7\u00facar, inclusive parte do transporte do Brasil para Portugal, era controlado pelos holandeses, o que contribu\u00eda para transform\u00e1-los nos principais interessados nos neg\u00f3cios a\u00e7ucareiros.\n\nA casa-grande era a resid\u00eancia do senhor do engenho e sua fam\u00edlia, e centro irradiador e autoridade e de toda a atividade econ\u00f4mica e social da propriedade. A senzala era a habita\u00e7\u00e3o reservada aos negros. O n\u00famero de negros numa unidade de produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira dependia da capacidade produtiva do engenho. Podia chegar a algumas centenas. A capela era ao mesmo tempo centro religioso e social, onde se reuniam os homens livres do local e das proximidades. O primeiro engenho brasileiro foi instalado por Martim Afonso de Sousa na Capitania de S\u00e3o Vicente.\n\nA capitania foi, durante algum tempo, um importante centro produtor de a\u00e7\u00facar, mas perdeu posi\u00e7\u00e3o para a empresa nordestina de Pernambuco e Bahia, que se transformaram, ainda no s\u00e9culo XVI, nos principais centros a\u00e7ucareiros do Brasil Col\u00f4nia. A produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira pernambucana e baiana superou a vicentina devido tanto ao predom\u00ednio do solo de massap\u00ea, apropriado para o cultivo da cana, quanto pela localiza\u00e7\u00e3o geogr\u00e1fica do Nordeste, mais pr\u00f3ximo dos mercados consumidores europeus, o que tomava a sua empresa mais lucrativa.\n\nNa zona a\u00e7ucareira havia tamb\u00e9m os fazendeiros obrigados. Eram arrendat\u00e1rios que n\u00e3o possu\u00edam engenhos. Plantavam cana nas terras que arrendavam de outros fazendeiros e eram obrigados a mo\u00ea-la no engenho do dono da terra, que lhes cobrava 50% do a\u00e7\u00facar produzido, al\u00e9m de uma outra porcentagem pelo uso da terra.\n\nHavia tamb\u00e9m fazendeiros que n\u00e3o possu\u00edam engenho, mas eram os donos da terra onde se cultivava a cana. Apesar de serem &#8220;obrigados&#8221; a moer a cana no engenho de outro senhor, a quem pagavam metade do a\u00e7\u00facar produzido, n\u00e3o tinham outras obriga\u00e7\u00f5es. Atividades econ\u00f4micas complementares Mandioca, tabaco e algod\u00e3o\n\nParalelamente ao crescimento da lavoura cavadeira e da produ\u00e7\u00e3o a\u00e7ucareira, principal atividade exportadora, desenvolveu-se na col\u00f4nia um setor de subsist\u00eancia respons\u00e1vel pela produ\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros que vinham atender \u00e0s necessidades b\u00e1sicas dos colonos e escravos. Nesse particular, a produ\u00e7\u00e3o de subsist\u00eancia contribuiu fortemente para o perfeito funcionamento da economia colonial centrada no a\u00e7\u00facar.\n\nIsso quer dizer que, al\u00e9m da cana, desenvolveram-se na col\u00f4nia algumas atividades econ\u00f4micas complementares como a pecu\u00e1ria e o cultivo agr\u00edcola do tabaco, do algod\u00e3o, da mandioca, do milho, do feij\u00e3o e outros.\n\nO principal produto agr\u00edcola de subsist\u00eancia para o consumo interno era a mandioca, pois com ela se fazia a farinha, elemento b\u00e1sico da alimenta\u00e7\u00e3o do brasileiro.\n\nApesar disso, muitos senhores n\u00e3o admitiam plantar mandioca em suas terras, j\u00e1 que estavam m\u00e1s interessados em ampliar as \u00e1reas para o plantio da cana. Este fato gerou, muitas vezes, a car\u00eancia do produto nos mercados locais.\n\nO fumo passou a ocupar o segundo lugar na economia colonial como produto de exporta\u00e7\u00e3o. Sua import\u00e2ncia consistiu no fato de ter se transformado, juntamente com a cacha\u00e7a, num dos produtos b\u00e1sicos para aquisi\u00e7\u00e3o de escravos no mercado africano. A produ\u00e7\u00e3o do fumo na \u00e9poca colonial se concentrou em zonas restritas da Bahia e Alagoas.\n\nPlanta nativa do Brasil, o algod\u00e3o j\u00e1 era conhecido pelo \u00edndio pr\u00e9-cabralino. Com a coloniza\u00e7\u00e3o, passou a ser usado no fabrico de tecidos de baixa qualidade destinados \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de roupas para os mais pobres, especialmente para os escravos.\n\nO algod\u00e3o se tomou o terceiro produto de exporta\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XVIII, devido \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Industrial iniciada na Inglaterra.\n\nA mecaniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria t\u00eaxtil transformou o algod\u00e3o em mat\u00e9ria-prima fundamental, na medida em que foi respons\u00e1vel pela queda do pre\u00e7o dos tecidos e, conseq\u00fcentemente, pela amplia\u00e7\u00e3o dos mercados consumidores desse produto.\n\n<strong>O est\u00edmulo e o financiamento da produ\u00e7\u00e3o algodoeira para exporta\u00e7\u00e3o foram iniciativa das companhias de com\u00e9rcio criadas no s\u00e9culo XVIII pelo marqu\u00eas de Pombal<\/strong>: a Companhia Geral do Gr\u00e3o-Par\u00e1 e Maranh\u00e3o e a Companhia Geral de Pernambuco e Para\u00edba. O principal centro produtor no s\u00e9culo XVIII foi o Maranh\u00e3o e, em menor escala, Pernambuco. A partir do in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a produ\u00e7\u00e3o algodoeira do Brasil voltou a sofrer a concorr\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o dos Estados Unidos.\n\n<strong>Pecu\u00e1ria Bovina no nordeste <\/strong>\n\nA pecu\u00e1ria bovina foi introduzida no Brasil em meados do s\u00e9culo XVI e se desenvolveu inicialmente em Pernambuco e na Bahia, de onde penetrou para os sert\u00f5es consumidores desse produto brasileiros. Apesar da sua import\u00e2ncia como elemento de penetra\u00e7\u00e3o e de povoamento de v\u00e1rias regi\u00f5es, a pecu\u00e1ria bovina foi sempre uma atividade secund\u00e1ria, complementar portanto \u00e0s atividades econ\u00f4micas principais como a lavoura cavadeira e mais tarde a minera\u00e7\u00e3o. Importante como fornecedora de for\u00e7a de tra\u00e7\u00e3o animal e meio de transporte para os engenhos, al\u00e9m de ser fonte de alimento e de couro, a pecu\u00e1ria n\u00e3o exigia, como o engenho, muito capital para seu desenvolvimento. Por isso mesmo, era muito mais f\u00e1cil instalar uma fazenda de gado do que um engenho de a\u00e7\u00facar. Para formar uma fazenda de gado, o eventual fazendeiro n\u00e3o precisava de m\u00e3o-de-obra abundante nem de importar equipamentos caros. O fundamental era a terra, em grande extens\u00e3o e aberta ao desbravamento no interior da col\u00f4nia.\n\nAos senhores de engenho n\u00e3o interessava criar gado. Pelo contr\u00e1rio, para eles as terras deveriam ser usadas para o plantio da cana e n\u00e3o para pastagens. Al\u00e9m disso, devido \u00e0 aus\u00eancia de cercas, o gado estragava as planta\u00e7\u00f5es. Por essa raz\u00e3o o gado foi afastado do litoral e penetrou para o interior em busca de novas pastagens e outros alimentos naturais.\n\nO sert\u00e3o nordestino seria, finalmente, povoado. Nas margens do Rio S\u00e3o Francisco nasceram e cresceram muitas fazendas de gado no decorrer do s\u00e9culo XVII.\n\nA pecu\u00e1ria era o v\u00ednculo de liga\u00e7\u00e3o do sen\u00e3o do Nordeste com o litoral a\u00e7ucareiro. As fazendas nordestinas do sen\u00e3o abasteciam a zona do a\u00e7\u00facar, ao mesmo tempo que se tornavam \u00e1rea de atra\u00e7\u00e3o para as pessoas pobres e marginalizadas daquela regi\u00e3o, que viam na pecu\u00e1ria uma possibilidade de melhorar sua condi\u00e7\u00e3o de vida.\n\nGeralmente, como dissemos, a fazenda de gado exigia pouca m\u00e3o-de-obra. Os trabalhadores (vaqueiros) eram livres e s\u00f3 excepcionalmente se encontrava um negro numa fazenda do sen\u00e3o nordestino. Os vaqueiros eram brancos, mesti\u00e7os, poucos negros livres e alguns \u00edndios.\n\nAl\u00e9m de um pequeno sal\u00e1rio, o vaqueiro era pago com um quarto das crias, que ele recebia ap\u00f3s cinco anos de trabalho. Essa forma de pagamento era um grande est\u00edmulo para o vaqueiro que sonhava em ser fazendeiro e se instalar por conta pr\u00f3pria, passados os cinco anos.\n\nA pecu\u00e1ria foi respons\u00e1vel pelo povoamento do sert\u00e3o nordestino da Bahia ao Maranh\u00e3o. Foi um excelente instrumento de expans\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o do interior do Brasil. Com ela surgiram muitas feiras que deram origem a importantes centros urbanos, como por exemplo Feira de Santana, na Bahia. No s\u00e9culo XVIII, com a minera\u00e7\u00e3o, a pecu\u00e1ria nordestina ganhou novo impulso econ\u00f4mico. A necessidade de abastecimento das zonas mineradoras elevou o pre\u00e7o da carne bovina e, conseq\u00fcentemente, estimulou os criadores nordestinos a expandir suas atividades.\n\n<strong>Sociedade a\u00e7ucareira &#8211; Caracter\u00edsticas <\/strong>\n\nA sociedade colonial como um todo era o reflexo da estrutura econ\u00f4mica escravista e, portanto, foi estruturada para atender aos interesses mercantilistas da metr\u00f3pole.\n\nMesclada por elementos feudais e capitalistas importados de Portugal, a sociedade colonial apresentou caracter\u00edsticas pr\u00f3prias. Apesar do absoluto dom\u00ednio do senhor de engenho em suas propriedades e at\u00e9 fora delas, a sociedade colonial n\u00e3o era feudal e sim escravista.\n\nNa sociedade feudal os servos n\u00e3o eram propriedade dos senhores; no modo de produ\u00e7\u00e3o colonial, os escravos o eram. No sistema feudal os servos eram donos da mat\u00e9ria-prima e dos instrumentos de trabalho; no sistema escravista o escravo n\u00e3o era dono de nada, nem mesmo da sua for\u00e7a de trabalho. De resto, vale frisar que o escravismo moderno difere do modelo escravista greco-romano, pois, iniciado no s\u00e9culo XVI, ele foi estruturado como elemento de acumula\u00e7\u00e3o capitalista em conjun\u00e7\u00e3o com a pol\u00edtica mercantilista.\n\nNa sociedade colonial a\u00e7ucareira a mobilidade social era praticamente inexistente. A vida social se restringia aos limites da grande propriedade a\u00e7ucareira (o engenho).\n\n<strong>Havia basicamente duas classes sociais (bipolaridade social), opostas e conflitantes<\/strong>: a do branco senhor e a do negro escravo. N\u00e3o havia ainda classes m\u00e9dias no Brasil, e as camadas intermedi\u00e1rias eram extremamente heterog\u00eaneas em sua composi\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>De forma geral, a sociedade colonial brasileira era: <\/strong>escravista; rural; bipolar; aristocrata; patriarcal.\n\n<strong>A classe senhorial <\/strong>\n\nA elite dominante (classe senhorial) era formada pelos grandes propriet\u00e1rios rurais que formavam a aristocracia brasileira. Dona de terras e de escravos, essa elite era senhora de amplos poderes sobre todas as pessoas que viviam na fazenda &#8211; familiares ou n\u00e3o. Seu dom\u00ednio muitas vezes extrapolava as fronteiras de sua propriedade.\n\nSua palavra tinha for\u00e7a de lei, e contest\u00e1-la era um abuso imperdo\u00e1vel. O poder pol\u00edtico da elite senhorial pode ser simbolizado no controle que ela tinha sobre as C\u00e2maras Municipais.\n\nPor isso, como disse Antonil, &#8220;o ser senhor do engenho \u00e9 t\u00edtulo a que muitos aspiram porque traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos. E se for, qual deve ser, homem de cabedal e governo, bem se pode estimar no Brasil o ser senhor de engenho, quanto proporcionadamente se estimam os t\u00edtulos entre fidalgos do Reino&#8221;.\n\nO regime familiar era patriarcal. Neste regime, todos, familiares, escravos, agregados, deviam se submeter ao p\u00e1trio poder, isto \u00e9, ao poder do patriarca, que, n\u00e3o raro, decidia sobre a vida e a morte daqueles que estavam a ele subordinados. Nesse regime o herdeiro de todos os bens era o filho mais velho (primog\u00eanito), a quem todos deveriam obedecer quando se tomasse senhor.\n\nA mulher, al\u00e9m de subordinada ao homem, era considerada um ser inferior. Tinha de obedecer cegamente \u00e0s ordens do pai e, depois de casada, \u00e0s do marido. A preserva\u00e7\u00e3o da virgindade feminina era fundamental para o casamento. Por isso a sinhazinha s\u00f3 podia sair de casa acompanhada. Vivia confinada e seu quarto geralmente n\u00e3o tinha janelas. Deveria casar-se entre os quinze e dezessete anos com um marido muito -mais velho que ela e escolhido pelo &#8220;pater fam\u00edlia&#8221;. No fundo, a mulher era um objeto e seu casamento n\u00e3o passava de uma troca de favores pol\u00edticos ou materiais entre seu pai e membros da elite.\n\nSobre a vida sexual vale dizer que, &#8220;submetendo as escravas (e muitas vezes os garotos escravos) a seus caprichos, os senhores impunham \u00e0 escravaria uma verdadeira deprava\u00e7\u00e3o, pois se tratava, a mais das vezes, de uma sexualidade pervertida e sadomasoquista. A consci\u00eancia culpada do lusitano moralista se descarregava na atribui\u00e7\u00e3o da culpa suposta lubricidade da ra\u00e7a negra, \u00e0s &#8220;torpezas&#8221; da mulher escrava. Dessa forma, as rela\u00e7\u00f5es eram carregadas de viol\u00eancia e promiscuidade, e as negras tinham que servir a v\u00e1rios filhos da casa-grande e a outros membros do engenho; nesse quadro, espalhavam-se as doen\u00e7as ven\u00e9reas&#8230;\n\n<strong>&#8220;O negro africano Suplanta\u00e7\u00e3o da m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena&#8221; <\/strong>\n\n<strong>O negro foi trazido para o Brasil para atender a uma necessidade b\u00e1sica do colono branco<\/strong>: ser utilizado como m\u00e3o-de-obra na lavoura canavieira. N\u00e3o sabemos precisar o momento em que desembarcou o primeiro negro no Brasil. Como antecedente, sabemos que a primeira m\u00e3o-de-obra utilizada em terras brasileiras pelo homem branco foi a ind\u00edgena.\n\nVimos tamb\u00e9m que aos portugueses, inferiorizados numericamente e temerosos e for\u00e7ar os \u00edndios a um trabalho obrigat\u00f3rio, restava usar o \u00edndio como trabalhador livre. E o mecanismo usado para alcan\u00e7ar tal objetivo foi a institui\u00e7\u00e3o do escambo.\n\nEssa situa\u00e7\u00e3o se alterou com a montagem da coloniza\u00e7\u00e3o e da empresa agroexportadora. Tomou-se ent\u00e3o necess\u00e1rio explorar o \u00edndio na lavoura canavieira n\u00e3o como trabalhador livre, mas como trabalhador for\u00e7ado, escravizado.\n\n<strong>O \u00edndio foi finalmente submetido, pela for\u00e7a das armas, a um sistema at\u00e9 ent\u00e3o desconhecido por ele<\/strong>: o do trabalho escravo. Em algumas capitanias como a de S\u00e3o Vicente, o \u00edndio foi escravizado at\u00e9 fins do s\u00e9culo XVII, e no Par\u00e1 e Maranh\u00e3o, at\u00e9 fins do XVIII. Por \u00e9 falsa a id\u00e9ia de que o \u00edndio n\u00e3o foi escravizado no Brasil porque reagiu \u00e0 escraviza\u00e7\u00e3o. \u00c9 verdade que o \u00edndio, assim como o negro, reagiu, mas isso n\u00e3o impediu a escraviza\u00e7\u00e3o de ambos, pois o. poder econ\u00f4mico, pol\u00edtico e militar do homem branco definiu o dominador e o dominado.\n\nA partir de meados do s\u00e9culo XVI, o n\u00famero de trabalhadores escravos africanos superou o de ind\u00edgenas como m\u00e3o-de-obra escrava explorada nas \u00e1reas produtoras de a\u00e7\u00facar. A supera\u00e7\u00e3o n\u00e3o se deu, como afirmaram falsamente alguns autores, pela superioridade da m\u00e3o-de-obra negra em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ind\u00edgena nem porque o \u00edndio n\u00e3o aceitou a condi\u00e7\u00e3o de trabalhador escravo na lavoura. Puro falseamento ideol\u00f3gico, pois o negro e o \u00edndio n\u00e3o tinham condi\u00e7\u00f5es de escolher o tipo de trabalho. Na falsa afirma\u00e7\u00e3o desses autores est\u00e1 impl\u00edcita tamb\u00e9m a id\u00e9ia de que o negro foi escravo porque n\u00e3o reagiu \u00e0 escravid\u00e3o. Ora, nada mais falso, preconceituoso e racista.\n\n<strong>A supera\u00e7\u00e3o se deu por um complexo de raz\u00f5es, a saber<\/strong>: as dificuldades para abastecer regularmente as zonas canavieiras de m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena &#8211; dada a dispers\u00e3o do \u00edndio pelo territ\u00f3rio -, a defesa do \u00edndio pelos jesu\u00edtas e as guerras ind\u00edgenas em rea\u00e7\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o e ao roubo de suas terras. Estas raz\u00f5es dificultavam a organiza\u00e7\u00e3o da empresa agromanufatureira do a\u00e7\u00facar, uma empresa que tinha de produzir em larga escala em atendimento aos interesses mercantilistas.\n\n<strong>Tr\u00e1fico negreiro <\/strong>\n\n<strong>E, por fim, a raz\u00e3o principal<\/strong>: o tr\u00e1fico negreiro. Iniciado pelos portugueses em meados do s\u00e9culo XV, o tr\u00e1fico negreiro mostrou ser uma atividade altamente lucrativa e, portanto, acumuladora de capitais. A metr\u00f3pole portuguesa regulamentava-o e cobrava impostos sobre essa atividade.\n\nA escravid\u00e3o negra se fazia necess\u00e1ria para a manuten\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro dada a sua import\u00e2ncia como um dos setores mais rent\u00e1veis do com\u00e9rcio intencional.\n\nA \u00c1frica abastecia de bra\u00e7os o reino e suas possess\u00f5es ultramarinas. Na \u00e9poca, a Igreja aplaudia e justificava o tr\u00e1fico como um ve\u00edculo para a convers\u00e3o \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3 do negro africano. Afinal, a Igreja recebia uma porcentagem do dinheiro arrecadado com o tr\u00e1fico negreiro.\n\nCom a crescente coloniza\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica, aumentou o tr\u00e1fico negreiro portugu\u00eas, pois, al\u00e9m do Brasil, Portugal passou a suprir de escravos algumas \u00e1reas da Am\u00e9rica espanhola, sobretudo o Caribe, onde o negro tamb\u00e9m tornou-se necess\u00e1rio para substituir a m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena devido ao exterm\u00ednio da popula\u00e7\u00e3o nativa. A viagem da \u00c1frica para a Am\u00e9rica era feita nos infectos e superlotados por\u00f5es dos tumbeiros (navios negreiros). A promiscuidade, a sujeira, os maus-tratos, a p\u00e9ssima alimenta\u00e7\u00e3o, a insalubridade, a superlota\u00e7\u00e3o dos por\u00f5es e o banzo matavam, em geral, a metade dos negros embarcados.\n\nV\u00e1rias foram as formas usadas pelos portugueses para aprisionar os negros. No in\u00edcio do processo eles invadiam as aldeias, incendiavam-nas, matavam e prendiam quantos podiam.\n\nEspalhava-se o medo pela \u00c1frica,. Quando os traficantes se aproximavam de uma aldeia, os negros, impossibilitados de reagir, fugiam desesperados. Procurando escapar a qualquer custo, viam-se &#8220;m\u00e3es abandonando filhos e maridos as mulheres&#8221;. Era a \u00fanica maneira de defender a liberdade e preservar a pr\u00f3pria vida.\n\nCom o tempo os portugueses passaram a estimular guerras inter tribais na \u00c1frica. Os vencedores trocavam os vencidos por panos, alimentos, cavalos, vacas, armas; muni\u00e7\u00f5es, rapadura, fumo e cacha\u00e7a. Em. algumas tribos os chefes (sobas) faziam o escambo de seus guerreiros com aquelas mercadorias.\n\nAssim, mais de 70 milh\u00f5es de africanos foram assassinados ou escravizados entre os s\u00e9culos XV e XIX.\n\n<strong>Os principais grupos \u00e9tnicos negros trazidos ao Brasil foram: <\/strong>\n<blockquote><strong>Bantos &#8211;<\/strong> oriundos principalmente de Angola, Golfo da Guin\u00e9 e Congo;\n\n<strong>Sudaneses &#8211;<\/strong> origin\u00e1rios predominantemente da costa setentrional do Golfo da Guin\u00e9 e Sud\u00e3o;\n\n<strong>Maleses &#8211;<\/strong> sudaneses islamizados. Angola e Costa da Mina (todo o litoral do Golfo da Guin\u00e9) foram os principais centros fonecedores de negros para o Brasil. <strong>Dizia o padre Vieira: <\/strong>&#8220;Sem negros n\u00e3o h\u00e1 Pernambuco, sem Angola, n\u00e3o h\u00e1 negros&#8221;.<\/blockquote>\n<strong>O negro no Brasil<\/strong>\n\nIndescrit\u00edvel era a crueldade do tratamento dispensado ao negro pelo branco. Os relatos s\u00e3o v\u00e1rios e nos esclarecem sobre a torpeza dos atos inumanos contra a escravaria.\n\nApesar de os negros serem &#8220;as m\u00e3os e os p\u00e9s do senhor de engenho&#8221;, no dizer de Antonil, eram comuns os assassinatos, mutila\u00e7\u00f5es, a\u00e7oites, correntes, palmat\u00f3rias e outras pr\u00e1ticas abomin\u00e1veis.\n\n<strong>No dizer da \u00e9poca, no Brasil o negro tinha direito a tr\u00eas &#8220;p\u00eas&#8221;: <\/strong>pau para andar na linha; pano para vestir; p\u00e3o para ag\u00fcentar o trabalho.\n\n<strong>Os exemplos de viol\u00eancia causavam espanto at\u00e9 em defensores do castigo, como Jorge Benci, um jesu\u00edta do s\u00e9culo XVII que, tentando racionalizar o uso do a\u00e7oite como instrumento de. tortura, nos deixa o seguinte relato: <\/strong>&#8220;Suposto pois que o castigo deva ser moderado pela raz\u00e3o e n\u00e3o governado pela paix\u00e3o: pergunto eu agora aos senhores do Brasil s\u00e9 \u00e9 castigo racion\u00e1vel queimar ou atanazar (que t\u00e3o \u00edmpio e cruel \u00e9 este g\u00eanero de castigo) com lacre aos servos ; cortar-lhes as orelhas ou os narizes; marc\u00e1-los nos peitos e ainda na cara; abrasar-lhes os bei\u00e7os e a boca com ti\u00e7\u00f5es ardentes? Deixo outros castigos ainda mais inumanos que os ci\u00fames do senhor ou da senhora fazem executar nos escravos ou nas escravas, porque s\u00e3o t\u00e3o indignos de virem \u00e0 pena (&#8230;) Haja a\u00e7oites, haja correntes e grilh\u00f5es, tudo a seu tempo e com regra e modera\u00e7\u00e3o de vida e vereis como em breve tempo fica domada a rebeldia dos servos (escravos); porque as pris\u00f5es e a\u00e7oites, mais que qualquer outro g\u00eanero de castigo, lhes abatem o orgulho e quebram os brios&#8221;.\n\nTorturando-o f\u00edsica e psicologicamente, os senhores e seus algozes buscavam destruir os valores do negro e for\u00e7\u00e1-lo a aceitar a id\u00e9ia da superioridade da ra\u00e7a branca. O negro tinha de aceitar a escravid\u00e3o como uma d\u00e1diva, pois, segundo a l\u00f3gica da classe dominante, a Igreja o havia cristianizado e o homem branco o havia integrado \u00e0 &#8220;civiliza\u00e7\u00e3o&#8221;.\n\nInferiorizado e adjetivado pelo homem branco como vadio, pregui\u00e7oso, trai\u00e7oeiro, malicioso etc., o negro perdia sua identidade e se submetia \u00e0 estrutura racista.\n\nAt\u00e9 o mulato, sofrendo reflexo da domina\u00e7\u00e3o cultural branca, assumia uma postura de superioridade em rela\u00e7\u00e3o ao negro. Acreditando que estava mais pr\u00f3ximo do branco do que do negro &#8211; como filho de um homem branco com uma mulher negra -, o mulato negava os seus pr\u00f3prios valores negros. Sua superioridade era apenas fruto dessa nega\u00e7\u00e3o, do seu sonho de embranquecer. Assim agindo, o mulato aceitava a superioridade da cor e da cultura branca sobre a negra. Negando-se, buscava chegar-se ao senhor.\n\nA realidade sobre o relacionamento senhor-escravo contraria a falsa id\u00e9ia de que a maioria dos senhores cuidava muito bem de seus escravos, dando-lhes comida e tratamento adequados, preservando-os f\u00edsica e moralmente. Em s\u00edntese, a crueldade com o negro escravo foi a marca dominante do comportamento do homem branco.\n\n<strong>A rea\u00e7\u00e3o negra<\/strong>\n\nA historiografia tradicional brasileira, elitista e her\u00f3ica, foi usada como instrumento para desfigurar a verdade hist\u00f3rica. Deliberadamente ou n\u00e3o, foi comum aos historiadores do passado escrever a hist\u00f3ria do Brasil segundo a \u00f3ptica do colonizador, ou seja, da elite dominante. Da\u00ed as incorre\u00e7\u00f5es metodol\u00f3gicas; da\u00ed os falseamentos ideol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos.\n\nDentre as in\u00fameras id\u00e9ias falsas sobre a hist\u00f3ria do Brasil, citemos a da &#8220;passividade&#8221; do negro, isto \u00e9, a afirma\u00e7\u00e3o preconceituosa e racista de que o negro aceitou a escravid\u00e3o passivamente. Falso. Se a historiografia tradicional pretende ressaltar a &#8220;benevol\u00eancia&#8221; branca e a &#8220;passividade&#8221; negra, sua atitude n\u00e3o passa de uma tentativa de mascarar a realidade.\n\n<strong>O negro sempre lutou contra a escravid\u00e3o<\/strong>\n\nA rigor, a luta do negro pela liberdade no Brasil \u00e9 um fato hist\u00f3rico que extrapola os limites do tempo e chega aos dias atuais.\n\n<strong>Os movimentos de luta e rea\u00e7\u00e3o contra as rela\u00e7\u00f5es escravistas adquiriram v\u00e1rias formas: <\/strong>suic\u00eddios, guerrilhas, insurrei\u00e7\u00f5es, assassinatos de feitores e senhores, e as fugas &#8211; individuais e coletivas &#8211; que levaram \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos quilombos.\n\n<strong>Isto gerou um problema s\u00e9rio para o historiador tradicionalista:<\/strong> como falar sobre as lutas negras e ao mesmo tempo defender a id\u00e9ia sobre a &#8220;bondade&#8221; do senhor? O melhor seria sustentar a tese da &#8220;passividade&#8221; negra.\n\nTodavia, n\u00e3o podemos confundir as lutas negras na col\u00f4nia como movimentos de consci\u00eancia coletiva e politicamente organizados com o prop\u00f3sito de colocar um ponto final no regime escravista. Nem tampouco foram movimentos voltados ideologicamente para a tomada do poder. Foram, invariavelmente; rebeldias, individuais ou coletivas, onde o negro buscava livrar-se da escravid\u00e3o.\n\nEssas ressalvas, contudo, n\u00e3o anulam a import\u00e2ncia da luta dos negros no per\u00edodo colonial. J\u00e1 no Imp\u00e9rio, as diferentes formas de luta do negro contribu\u00edram, em escala consider\u00e1vel, para a substitui\u00e7\u00e3o do trabalho escravo pelo livre e, conseq\u00fcentemente, para a aboli\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Os quilombos <\/strong>\n\nQuilombo, por defini\u00e7\u00e3o, \u00e9 uma comunidade formada e organizada por negros em luta pela liberdade. Esses redutos foram a base da resist\u00eancia negra contra a escravid\u00e3o. Em qualquer lugar do Brasil onde prevalecessem rela\u00e7\u00f5es escravistas surgiam quilombos, colocando em polvorosa a aristocracia rural.\n\n&#8220;Pequeno ou grande, est\u00e1vel ou de vida prec\u00e1ria, em qualquer regi\u00e3o em que existia a escravid\u00e3o, l\u00e1 se encontrava ele como elemento de desgaste do regime servil. (&#8230;)\n\nMuitas vezes surpreende pela capacidade de organiza\u00e7\u00e3o, pela resist\u00eancia que oferece; destru\u00eddo parcialmente dezenas de vezes e novamente aparecendo, em outros locais, plantando a sua ro\u00e7a, constituindo suas casas, reorganizando a sua vida social e estabelecendo novos sistemas de defesa. &#8220;Das dezenas de quilombos existentes no Brasil, destacamos o Quilombo de Palmares, pela extens\u00e3o territorial, organiza\u00e7\u00e3o e dura\u00e7\u00e3o (65 anos). Palmares localizava-se estrategicamente no atual Estado de Alagoas, numa regi\u00e3o acidentada e de dif\u00edcil acesso, por\u00e9m dotada de abundantes terras f\u00e9rteis, ca\u00e7as, frutas, rios e madeira.\n\nA popula\u00e7\u00e3o de Palmares apresentava uma composi\u00e7\u00e3o bastante heterog\u00eanea. Ali conviviam negros das mais diferentes etnias, mesti\u00e7os e \u00edndios organizados em mocambos (aldeias), onde domesticavam animais, desenvolviam a arte da cer\u00e2mica e praticavam rudimentos de metalurgia. Os negros que chegavam em Palmares de livre e espont\u00e2nea vontade passavam a viver em liberdade; os que fossem raptados dos engenhos ou aprisionados nos combates com portugueses e holandeses eram escravizados at\u00e9 que conseguissem trazer outro negro ao quilombo. A fertilidade da regi\u00e3o da Serra da Barriga e o trabalho geraram grandes planta\u00e7\u00f5es e colheitas. Ali se cultivavam cana-de-a\u00e7\u00facar, arroz, feij\u00e3o, milho, fumo, mandioca e batata-doce.\n\nOs quilombolas de Palmares faziam um pequeno com\u00e9rcio com os habitantes das redondezas e exigiam de alguns senhores pr\u00f3ximos contribui\u00e7\u00f5es em forma de tributo para uma conviv\u00eancia pac\u00edfica.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Palmares se assemelhava \u00e0 de um reino africano. O governo era exercido por um rei e por um Conselho. O rei era escolhido entre aqueles que se destacavam nas guerras. O primeiro rei foi Ganga Zumba, que negociou uma paz com os brancos e por isso perdeu o prest\u00edgio.\n\nAssassinado, Ganga Zumba foi substitu\u00eddo por Zumbi, o grande her\u00f3i da resist\u00eancia palmarina.\n\nPalmares, com sua organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, econ\u00f4mica e social, era um verdadeiro Estado negro aut\u00f4nomo dentro do Brasil senhorial. Por isso, sua exist\u00eancia era uma afronta \u00e0 ordem branca institu\u00edda, devendo ser destru\u00eddo. Depois de v\u00e1rias incurs\u00f5es ao quilombo, Palmares foi finalmente destru\u00eddo, em 1694, por tropas comandadas pelo paulista Domingos Jorge Velho.\n\nZumbi resistiu heroicamente. Todavia, impossibilitado de resistir por mais tempo, tentou uma retirada com centenas de quilombolas. A estrat\u00e9gia n\u00e3o deu resultado. Apanhados de surpresa pelas for\u00e7as inimigas, os fugitivos morreram lutando. Zumbi conseguiu fugir, por\u00e9m, em 20 de novembro de 1695, foi aprisionado e decapitado. Sua cabe\u00e7a, espetada em um poste, foi colocada em pra\u00e7a p\u00fablica, para servir de exemplo aos negros que o julgavam imortal.\n\nTodavia, a figura do grande her\u00f3i negro Zumbi continua, at\u00e9 hoje, sendo o s\u00edmbolo da luta negra contra o preconceito e o racismo no Brasil. Os negros elegeram 20 de novembro como o dia da consci\u00eancia negra.\n\n<strong>Os jesu\u00edtas<\/strong>\n\nEntre todos os membros componentes das diferentes ordens religiosas que marcaram presen\u00e7a no Brasil &#8211; franciscanos, beneditinos, carmelitas, dominicanos -, destacaram-se os jesu\u00edtas.\n\nPrivilegiados na Corte portuguesa, os membros da Companhia de Jesus n\u00e3o tiveram dificuldades em se deslocar para o Brasil, onde exerceram o papel de mestres, catequistas, defensores dos \u00edndios e organizadores de miss\u00f5es.\n\nOs primeiros jesu\u00edtas, entre eles Manuel da N\u00f3brega, chegaram ao Brasil com Tom\u00e9 de Sousa. Naquele momento, a Igreja buscava a convers\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es americanas com a finalidade de ampliar a f\u00e9 cat\u00f3lica abalada pela Reforma protestante iniciada por Lutero no continente europeu. Com esse intuito, os jesu\u00edtas come\u00e7aram na col\u00f4nia o trabalho de catequese e ensino.\n\nIn\u00fameros col\u00e9gios onde se ministrava o ensino gratuito e p\u00fablico foram fundados no Brasil. Para tanto foram auxiliados financeiramente pelo governo portugu\u00eas. Nos col\u00e9gios os cursos eram organizados em classes inferiores e superiores.\n\n<strong>Havia cinco classes inferiores<\/strong>: uma de ret\u00f3rica, uma de humanidades e tr\u00eas de gram\u00e1tica. Nas classes inferiores o ensino durava de cinco a seis anos. Nas classes superiores faziam-se os estudos de filosofia, que abrangia matem\u00e1tica, moral, f\u00edsica, metaf\u00edsica e l\u00f3gica. O ensino superior era proibido na col\u00f4nia. Quem quisesse uma forma\u00e7\u00e3o universit\u00e1ria tinha de ir estudar em universidades europ\u00e9ias.\n\nCabia tamb\u00e9m aos jesu\u00edtas o papel de guardi\u00e3es da moral, e o de manter os colonos em permanente obedi\u00eancia \u00e0 f\u00e9 cat\u00f3lica. Esta a\u00e7\u00e3o moralizadora, contudo, n\u00e3o impediu os desmandos e a liberalidade dos colonos. Vez ou outra a Igreja Cat\u00f3lica enviava em visita\u00e7\u00f5es ao Brasil alguns fan\u00e1ticos inquisidores do Tribunal do Santo Of\u00edcio, tamb\u00e9m conhecido como Inquisi\u00e7\u00e3o.\n\nAs pessoas julgadas pela Inquisi\u00e7\u00e3o por algum crime contra a f\u00e9 n\u00e3o tinham o menor direito de defesa. No Brasil as acusa\u00e7\u00f5es eram as mais diversas e atingiam os indiv\u00edduos independentemente da camada social a que pertencessem, isto \u00e9, tanto ricos quanto pobres. As pessoas eram acusadas por crime de feiti\u00e7aria, blasf\u00eamia, heresia, pr\u00e1tica do juda\u00edsmo, bigamia e &#8220;pecados nefandos&#8221; (pr\u00e1ticas sexuais conden\u00e1veis). Inocentes ou n\u00e3o, os julgados pelo Tribunal do Santo Of\u00edcio podiam ter os bens confiscados ou serem condenados \u00e0 morte.\n\nOs jesu\u00edtas foram respons\u00e1veis pela catequese e pela organiza\u00e7\u00e3o dos \u00edndios em miss\u00f5es ou redu\u00e7\u00f5es. A catequese gerou s\u00e9rios conflitos entre colonos e jesu\u00edtas, pois os colonos que pretendiam escravizar o \u00edndio viam nos jesu\u00edtas um empecilho \u00e0 utiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a do trabalho ind\u00edgena. As miss\u00f5es se localizavam em regi\u00f5es distantes das \u00e1reas urbanas, j\u00e1 que os \u00edndios migravam para o interior para fugir da escravid\u00e3o imposta pelo colono. As miss\u00f5es foram organizadas de modo a se tomarem unidades produtoras de bens que seriam mercantilizados pelos padres. Assim, os jesu\u00edtas tamb\u00e9m foram respons\u00e1veis pela explora\u00e7\u00e3o do trabalho ind\u00edgena em proveito pr\u00f3prio, com a diferen\u00e7a de que os \u00edndios trabalhavam em regime de liberdade.\n\nAl\u00e9m disso, a catequiza\u00e7\u00e3o serviu como instrumento desarticulador da identidade cultural do \u00edndio. Com a catequese, o universo de valores do ind\u00edgena foi desmantelado. Ressalte-se ainda o fato de que os \u00edndios catequizados, amansados, vivendo nas isoladas miss\u00f5es jesu\u00edticas, tomaram-se presa f\u00e1cil dos bandeirantes que ali iam busc\u00e1-los para escraviz\u00e1-los ou vend\u00ea-los como escravos.\n\nPortanto, ao organizar os \u00edndios em miss\u00f5es e catequiz\u00e1-los, os jesu\u00edtas estavam contribuindo com a Coroa no processo de expans\u00e3o e coloniza\u00e7\u00e3o. E enquanto defendiam os ind\u00edgenas da escraviza\u00e7\u00e3o, estavam contribuindo para uma maior acumula\u00e7\u00e3o capitalista do Estado e do grupo traficante, que tinham no tr\u00e1fico negreiro uma das suas principais fontes de renda. Em 1759, o ministro portugu\u00eas marqu\u00eas de Pombal expulsou os jesu\u00edtas do Brasil, alegando que eles estavam montando um imp\u00e9rio pr\u00f3prio em terras brasileiras.\n<h4>A Sociedade A\u00e7ucareira<\/h4>\nA <b>sociedade da regi\u00e3o a\u00e7ucareira<\/b> dos s\u00e9culos XVI e XVII era composta, basicamente, por dois grupos.\n\nO dos propriet\u00e1rios de escravos e de terras compreendia os senhores de engenho e os plantadores independentes de cana. Estes n\u00e3o possu\u00edam recursos para montar um engenho para moer a sua cana e, para tal, usavam os dos senhores de engenho.\n\nO outro grupo era formado pelos escravos, numericamente muito maior, por\u00e9m quase sem direito algum.\n\n<strong>Entre esses dois grupos existia uma faixa intermedi\u00e1ria<\/strong>: pessoas que serviam aos interesses dos senhores como os trabalhadores assalariados (feitores, mestres-de-a\u00e7\u00facar, artes\u00e3os) e os agregados (moradores do engenho que prestavam servi\u00e7os em troca de prote\u00e7\u00e3o e aux\u00edlio).\n\n<strong>Ao lado desses colonos e colonizados situavam-se os colonizadores:<\/strong> religiosos, funcion\u00e1rios e comerciantes.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-1.jpg\" alt=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" width=\"346\" height=\"311\" \/><strong>\nHenry Chamberlain. Uma Fam\u00edlia Brasileira<\/strong><\/p>\nA sociedade a\u00e7ucareira era patriarcal. A maior parte dos poderes se concentrava nas m\u00e3os do senhor de engenho.\n\n<strong>Com autoridade absoluta, submetia todos ao seu poder<\/strong>: mulher, filhos, agregados e qualquer um que habitasse seus dom\u00ednios. Cabia-lhe dar prote\u00e7\u00e3o \u00e0 fam\u00edlia, recebendo, em troca, lealdade e defer\u00eancia.\n\nEssa fam\u00edlia podia incluir parentes distantes, de status social inferior, filhos adotivos e filhos ileg\u00edtimos reconhecidos. Seu poder extrapolava os limites de suas terras, expandindo-se pelas vilas, dominando as C\u00e2maras Municipais e a vida colonial. A casa grande foi o s\u00edmbolo desse tipo de organiza\u00e7\u00e3o familiar implantado na sociedade colonial. Para o n\u00facleo dom\u00e9stico convergia a vida econ\u00f4mica, social e pol\u00edtica da \u00e9poca.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-2.jpg\" alt=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" width=\"346\" height=\"225\" \/><strong>\nJ. Baptiste Debret, Regresso de um Propriet\u00e1rio, Viagem Pitoresca e Hist\u00f3rica ao Brasil, 1834 &#8211; 1839.<\/strong><\/p>\nA posse de escravos e de terras determinava o lugar ocupado na sociedade do a\u00e7\u00facar. Os senhores de engenho detinham posi\u00e7\u00e3o mais vantajosa. Possu\u00edam, al\u00e9m de escravos e terras, o engenho. Abaixo deles situavam-se os agricultores que possu\u00edam a terra em que trabalhavam, adquirida por concess\u00e3o ou compra.\n\nEm termos sociais podiam ser identificados como senhores de engenho em potencial, possuindo terra, escravos, bois e outros bens, menos o engenho. Compartilhavam com eles as mesmas origens sociais e as mesmas aspira\u00e7\u00f5es.\n\nO fato de serem propriet\u00e1rios independentes permitia-lhes consider\u00e1vel flexibilidade nas negocia\u00e7\u00f5es da moagem da cana com os senhores de engenho. Eram uma esp\u00e9cie de elite entre os agricultores, apesar de haver entre eles um grupo que tinha condi\u00e7\u00f5es e recursos bem mais modestos.\n\nEsses dois grupos &#8211; senhores de engenho e agricultores -, unidos pelo interesse e pela depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao mercado internacional, formaram o setor a\u00e7ucareiro.\n\nOs interesses comuns, por\u00e9m, n\u00e3o asseguravam a aus\u00eancia de conflitos no relacionamento. Os senhores de engenho consideravam os agricultores seus subalternos, que lhes deviam n\u00e3o s\u00f3 cana &#8211; de &#8211; a\u00e7\u00facar, mas tamb\u00e9m respeito e lealdade. As esposas dos senhores de engenho seguiam o exemplo, tratando como criadas as esposas dos agricultores.\n\nCom o tempo, esse grupo de plantadores independentes de cana foi desaparecendo, devido \u00e0 depend\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o aos senhores de engenho e \u00e0s d\u00edvidas acumuladas. Essa situa\u00e7\u00e3o provocou a concentra\u00e7\u00e3o da propriedade e a diminui\u00e7\u00e3o do n\u00famero de agricultores.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/sociedade-acucareira-no-brasil-colonial-3.jpg\" alt=\"Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial\" width=\"495\" height=\"315\" \/><strong>\nJ. Baptiste Debret, Uma senhora brasileira em seu lar, Viagem Pitoresca e Hist\u00f3rica ao Brasil, 1834 &#8211; 1839.<\/strong><\/p>\nExistiam tamb\u00e9m os lavradores, que n\u00e3o possu\u00edam terras, somente escravos. Recorriam a alguma forma de arrendamento de terras dos engenhos para plantar a cana. Esse contrato impunha-lhes um pesado \u00f4nus, pois em cada safra cabia-lhes, apenas, uma pequena parcela do a\u00e7\u00facar produzido. Esses homens tornaram-se fundamentais \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar. O senhor de engenho deixava em suas m\u00e3os toda a responsabilidade pelo cultivo da cana, assumindo somente a parte do beneficiamento do a\u00e7\u00facar, muito mais lucrativa.\n\nNesta \u00e9poca, o termo &#8220;lavrador de cana&#8221; designava qualquer pessoa que praticasse a agricultura, podendo ser usado tanto para o mais humilde dos lavradores como para um grande senhor de engenho, conforme explica o historiador americano Stuart Schwartz.\n\nNo s\u00e9culo XVI o a\u00e7\u00facar tornou-se o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o brasileiro. Apesar da atividade mineradora do s\u00e9culo XVIII e da concorr\u00eancia do a\u00e7\u00facar produzido nas Antilhas, essa posi\u00e7\u00e3o manteve-se at\u00e9 o inicio do s\u00e9culo XIX. Em todo esse tempo, segundo Schwartz, &#8220;houve tanto bons quanto maus per\u00edodos e, embora o Brasil nunca recuperasse sua posi\u00e7\u00e3o relativa como fornecedor de a\u00e7\u00facar no mercado internacional, a ind\u00fastria a\u00e7ucareira e a classe dos senhores de engenho permaneceram dominantes em regi\u00f5es como Bahia e Pernambuco.&#8221;\n\nFonte: www.geocities.com\/www.multirio.rj.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial, Hist\u00f3ria, Col\u00f4nia, Economia, Engenhos, Negro, Movimentos, Colonos, Caracter\u00edsticas, Sociedade A\u00e7ucareira no Brasil Colonial<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10576,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26093","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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