{"id":26091,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/revoltas-coloniais-4\/"},"modified":"2015-12-28T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-28T00:00:00","slug":"revoltas-coloniais-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/revoltas-coloniais-4\/","title":{"rendered":"Revoltas Coloniais"},"content":{"rendered":"\n<strong>As Revoltas Coloniais, em suma, foram as seguintes:<\/strong>\n\n<strong>ACLAMA\u00c7\u00c3O DE AMADOR BUENO (S\u00c3O PAULO, 1641)<\/strong>\n<blockquote><strong>MOTIVO:<\/strong> PROIBI\u00c7\u00c3O DA ESCRAVID\u00c3O IND\u00cdGENA<\/blockquote>\n<strong>REVOLTA DE BECKMAN (MARANH\u00c3O, 1684)<\/strong>\n<blockquote><strong>MOTIVOS: <\/strong>CONTRA O MONOP\u00d3LIO DA CIA GERAL DO COM\u00c9RCIO DO MARANH\u00c3O E PROIBI\u00c7\u00c3O DA ESCRAVID\u00c3O IND\u00cdGENA<\/blockquote>\n<strong>GUERRA DOS EMBOABAS (S\u00c3O VICENTE, 1707 \u0096 1710)<\/strong>\n<blockquote><strong>MOTIVO:<\/strong> DISPUTA PELO OURO<\/blockquote>\n<strong>GUERRA DOS MASCATES (PERNAMBUCO, 1710)<\/strong>\n<blockquote><strong>MOTIVO: <\/strong>ENDIVIDAMENTO DOS SENHORES DE ENGENHO (OLINDA) COM OS COMERCIANTES REIN\u00d3IS (RECIFE)<\/blockquote>\n<strong>REVOLTA DE VILA RICA (OU FELIPE DOS SANTOS, 1720)<\/strong>\n<blockquote><strong>MOTIVO:<\/strong> CASAS DE FUNDI\u00c7\u00c3O<\/blockquote>\n<h4>Revoltas Coloniais e Conflitos<\/h4>\nEm fun\u00e7\u00e3o da explora\u00e7\u00e3o exagerada da metr\u00f3pole ocorreram v\u00e1rias revoltas e conflitos no per\u00edodo colonial do Brasil.\n\n<strong>Dentre as principais revoltas e conflitos do per\u00edodo temos: <\/strong>\n<blockquote><strong>Guerra dos Emboabas &#8211; <\/strong>os bandeirantes queriamexclusividade na explora\u00e7\u00e3o do ouro nas minas que encontraram. Entraram em choque com os paulistas que estavam explorando o ouro das minas.\n\n<strong>Revolta de Filipe dos Santos &#8211; <\/strong>ocorrida em Vila Rica, representou a insatisfa\u00e7\u00e3o dos donos de minas de ouro com a cobran\u00e7a do quinto e das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o. O l\u00edder Filipe dos Santos foi preso e condenado a morte pela coroa portuguesa.\n\n<strong>Inconfid\u00eancia Mineira (1789) &#8211;<\/strong> liderada por Tiradentes, os inconfidentes mineiros queriam a liberta\u00e7\u00e3o do Brasil de Portugal. O movimento foi descoberto pelo rei de Portugal e os l\u00edderes foram condenados.<\/blockquote>\n<h4>Revoltas Coloniais<b> &#8211; <\/b>Per\u00edodo Colonial<\/h4>\nAs revoltas ocorridas no Per\u00edodo Colonial costumam ser divididas didaticamente em Nativistas e Separatistas.\n\n<b>REVOLTAS NATIVISTAS<\/b>\n\nForam movimentos de protesto contra o excesso de explora\u00e7\u00e3o por parte de Portugal, bem como, conflitos internos entre grupos rivais, mas sem qualquer pretens\u00e3o de independ\u00eancia.\n\n<strong>As principais foram:<\/strong>\n\n<b>A Aclama\u00e7\u00e3o de Amador Bueno da Ribeira \u0096 Vila de S\u00e3o Paulo (1641)<\/b>\n<blockquote>Foi um protesto contra o fim do com\u00e9rcio com a regi\u00e3o do Rio da Prata, provocado pela Restaura\u00e7\u00e3o Portuguesa, bem como, contra repress\u00e3o \u00e0 escravid\u00e3o ind\u00edgena. A popula\u00e7\u00e3o aclamou o comerciante Amador Bueno da Ribeira como \u0093rei da Vila de S\u00e3o Paulo, que se recusou a participar do movimento. Dias depois, as autoridades pacificaram a popula\u00e7\u00e3o.<\/blockquote>\n<strong>A Revolta de Nosso Pai &#8211; Pernambuco (1666)<\/strong>\n<blockquote>Foi causada pelas dificuldades econ\u00f4micas no per\u00edodo ap\u00f3s a expuls\u00e3o dos holandeses e pela nomea\u00e7\u00e3o de Jer\u00f4nimo de Mendon\u00e7a Furtado para governar Pernambuco. Um grupo, do qual faziam parte senhores de engenho. padres, vereadores e at\u00e9 o Juiz de Olinda, organizou uma falsa prociss\u00e3o de Nosso Pai, na qual foi preso o Governador. Mais tarde foi nomeado Andr\u00e9 Vidal de Negreiros como novo Governador de Pernambuco, acalmando os \u00e2nimos.<\/blockquote>\n<b>Revolta de Beckman \u0096 Maranh\u00e3o (1684)<\/b>\n<blockquote>Foi provocada pela proibi\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o ind\u00edgena, gra\u00e7as aos jesu\u00edtas, e pela falta de negros, al\u00e9m, \u00e9 claro, pelos altos pre\u00e7os cobrados pela Companhia de Com\u00e9rcio do Estado do Maranh\u00e3o. Os rebeldes, liderados pelos fazendeiros Jorge Sampaio, Manuel Beckman e Tom\u00e1s Beckman, expulsaram os jesu\u00edtas, saquearam os armaz\u00e9ns da Companhia de Com\u00e9rcio, depuseram as autoridades locais e formaram um novo governo. Tom\u00e1s Beckman foi enviado a Portugal para informar ao rei quais eram os motivos da revolta. L\u00e1 chegando, foi preso e reconduzido ao Maranh\u00e3o, junto com Gomes Freire, novo governador indicado por Portugal, que recolocou no poder as autoridades depostas e capturou os rebeldes. Manuel Beckman e Jorge Sampaio foram enforcados e Tom\u00e1s Beckman foi exilado na \u00c1frica. Os jesu\u00edtas voltaram ao Maranh\u00e3o e a Companhia de Com\u00e9rcio foi reativada.<\/blockquote>\n<b>Guerra dos Emboabas \u0096 Minas Gerais (1708 \u0096 1709)<\/b>\n<blockquote>Foi provocada pela rivalidade entre os bandeirantes paulistas (descobridores das minas) e os \u0093emboabas\u0094 (pessoas que vieram de outros lugares em busca de metais preciosos). O Rei Dom Jo\u00e3o V determinou que todos poderiam explorar as minas e separou a capitania de S\u00e3o Paulo e Minas de Ouro da jurisdi\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro. Muitos paulistas partiram para Goi\u00e1s e Mato Grosso, onde acabaram descobrindo novas jazidas de ouro.<\/blockquote>\n<b>Guerra dos Mascates \u0096 Pernambuco (1710 \u0096 1711)<\/b>\n<blockquote>Com a decad\u00eancia do a\u00e7\u00facar, os outrora poderosos senhores de engenho, que moravam em Olinda, foram se endividando com os portugueses que habitavam em Recife, que, ali\u00e1s, dependia das leis vindas da C\u00e2mara de Olinda. Os olindenses denominavam os recifenses de \u0093mascates\u0094, que, por sua vez, chamavam os olindenses de \u0093p\u00e9s-rapados\u0094. O conflito se agravou quando Recife obteve autonomia em rela\u00e7\u00e3o a Olinda. Os olindenses, liderados por Bernardo Vieira de Melo, atacaram Recife, provocando a imediata rea\u00e7\u00e3o dos \u0093mascates\u0094, liderados por Jo\u00e3o da Mota. O conflito s\u00f3 terminou com o perd\u00e3o de parte das d\u00edvidas dos senhores de engenho e com a ascens\u00e3o de Recife como capital da Capitania.<\/blockquote>\n<b>Revolta de Felipe dos Santos \u0096 Vila Rica (1720)<\/b>\n<blockquote>Foi provocada pelos elevados pre\u00e7os cobrados pelos comerciantes portugueses e, principalmente, pela cria\u00e7\u00e3o das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o. Os rebeldes entregaram uma lista ao governador Conde de Assumar, contendo uma s\u00e9rie de exig\u00eancias, tais como, diminui\u00e7\u00e3o dos impostos (inclusive sobre o ouro), e o fim do monop\u00f3lio que os comerciantes portugueses possu\u00edam sobre o sal, o fumo e a aguardente. Assumar fingiu concordar com tudo, mas quando a situa\u00e7\u00e3o se acalmou, mandou prender os l\u00edderes, entre eles, Felipe dos Santos, que foi enforcado e esquartejado. Os demais foram enviados a Portugal e, logo depois, foram perdoados.<\/blockquote>\n<b>REVOLTAS SEPARATISTAS<\/b>\n\n<strong>Buscavam a independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Portugal e suas causas gerais foram:<\/strong><b> <\/b>influ\u00eancia do Iluminismo, o desejo do fim do monop\u00f3lio, a Revolu\u00e7\u00e3o Americana (1776) e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789).\n\n<strong>As principais foram:<\/strong>\n\n<b>Inconfid\u00eancia Mineira (1789)<\/b>\n\n<b>Causas Locais: <\/b>Os impostos exagerados sobre a minera\u00e7\u00e3o, assim como, o violento aumento da fiscaliza\u00e7\u00e3o e da repress\u00e3o na regi\u00e3o mineradora.\n\n<b>L\u00edderes: <\/b>Domingos Vidal Barbosa, Jos\u00e9 \u00c1lvares Maciel, Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga, Cl\u00e1udio Manuel da Costa, Alvarenga Peixoto, Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier (o Tiradentes), etc.\n\n<b>Projetos: <\/b>Implanta\u00e7\u00e3o de uma Rep\u00fablica inspirada nos Estados Unidos, cuja capital seria S\u00e3o Jo\u00e3o Del Rei e o primeiro presidente seria Tom\u00e1s Ant\u00f4nio Gonzaga; cria\u00e7\u00e3o do servi\u00e7o militar obrigat\u00f3rio; funda\u00e7\u00e3o de uma universidade em Vila Rica; instala\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas por todo o pa\u00eds; amparo \u00e0s fam\u00edlias numerosas; manuten\u00e7\u00e3o da escravid\u00e3o.\n\nO movimento deveria acontecer no dia da Derrama, mas os rebeldes foram delatados por Silv\u00e9rio dos Reis, Brito Malheiros e Correia Pamplona. Foram todos presos e submetidos a processo (Os Autos da Devassa), que durou tr\u00eas anos, e condenados \u00e0 morte, mas apenas Tiradentes foi executado, pois todos os outros reconheceram que eram \u0093culpados de trai\u00e7\u00e3o\u0094 e foram degredados para a \u00c1frica.\n\n<b>Conjura\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro (1794)<\/b>\n\nEm 1794, os membros da Sociedade Liter\u00e1ria do Rio de Janeiro, liderados por Ildefonso Costa Abreu, Silva Alvarenga, Mariano Jos\u00e9 Pereira da Fonseca e Jo\u00e3o Marques Pinto, foram presos por ordem do vice-rei Conde de Resende, acusados de conspira\u00e7\u00e3o contra a Coroa Portuguesa. Dois anos depois, foram libertados por falta de provas.\n\n<b>Conjura\u00e7\u00e3o Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798)<\/b>\n\n<b>Causas Locais: <\/b>Decad\u00eancia econ\u00f4mica, aumento dos pre\u00e7os das mercadorias, aumento dos impostos, influ\u00eancia das duas revoltas populares de 1711, conhecidas como \u0093Motins do Maneta\u0094 (Jo\u00e3o de Figueiredo Costa).\n\n<b>L\u00edderes: <\/b>Membros da Loja Ma\u00e7\u00f4nica Cavaleiros da Luz, Cipriano Barata, <b>Lucas Dantas, Luiz Gonzaga das Virgens, Jo\u00e3o de Deus do Nascimento e Manuel Faustino dos Santos Lira.<\/b> Foi um movimento com grande participa\u00e7\u00e3o popular e seus principais l\u00edderes eram pessoas pobres e negras (soldados, alfaiates, escravos, ex-escravos, etc).\n\n<b>Projetos: <\/b>Implantar a Rep\u00fablica Bahiense, inspirada na Rep\u00fablica Francesa; liberdade de com\u00e9rcio; fim da escravid\u00e3o e do preconceito.\n\nA revolta foi duramente reprimida e seus l\u00edderes mais pobres foram enforcados e esquartejados. Os demais l\u00edderes foram degredados ou presos e muito foram anistiados depois.\n<h4>Revoltas Coloniais &#8211; Brasil<\/h4>\nAinda hoje, muitos historiadores pensam sobre como o Brasil conseguiu dar fim a domina\u00e7\u00e3o colonial exercida pelos portugueses.\n\nO interesse pelo assunto promove uma discuss\u00e3o complexa que interliga as transforma\u00e7\u00f5es intelectuais e pol\u00edticas que tomaram conta do continente europeu e o comportamento das ideias que sustentaram a luta pelo fim da inger\u00eancia lusitanadiretamente ligados ao poder .\n\nPor fim, tivemos que alcan\u00e7ar nossa autonomia gra\u00e7as ao interesse de sujeitos metropolitano.\n\nNo s\u00e9culo XVIII, podemos observar que algumas revoltas foram fruto da incompatibilidade de interesses existente entre os colonos e os portugueses. Algumas vezes, a situa\u00e7\u00e3o de conflito n\u00e3o motivou uma ruptura radical com a ordem vigente, mas apenas a manifesta\u00e7\u00e3o por simples reformas que se adequassem melhor aos interesses locais. Usualmente, os livros de Hist\u00f3ria costumam definir essas primeiras revoltas como sendo de car\u00e1ter nativista.\n\nOutras rebeli\u00f5es desenvolvidas no mesmo s\u00e9culo XVIII tomaram outra fei\u00e7\u00e3o. As chamadas rebeli\u00f5es separatistas pensavam um novo meio de se organizar a vida no espa\u00e7o colonial a partir do banimento definitivo da autoridade lusitana. Em geral, seus integrantes eram membros da elite que se influenciaram pelas manifesta\u00e7\u00f5es liberais que engendraram a Independ\u00eancia das Treze Col\u00f4nias, na Am\u00e9rica no Norte, e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa de 1789.\n\nMesmo preconizando os ideais iluministas e liberais, as revoltas acontecidas no Brasil eram cercadas por uma s\u00e9rie de limites. O mais vis\u00edvel deles se manifestava na conserva\u00e7\u00e3o da ordem escravocrata e a limita\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico aos membros da elite econ\u00f4mica local. Al\u00e9m disso, ao contr\u00e1rio do que apregoavam muitos historiadores, essas revoltas nem mesmo tinham a inten\u00e7\u00e3o de formar uma na\u00e7\u00e3o soberana ou atingir amplas parcelas do territ\u00f3rio colonial.\n\nEntre os principais eventos que marcam a deflagra\u00e7\u00e3o das revoltas nativistas, destacamos a Revolta dos Beckman (1684, Maranh\u00e3o); a Guerra dos Emboabas (1707, Minas Gerais); a Guerra dos Mascates (1710, Pernambuco); e a Revolta de Filipe dos Santos (1720, Minas Gerais). As \u00fanicas revoltas separatistas foram a Inconfid\u00eancia Mineira, ocorrida em 1789, na regi\u00e3o de Vila Rica, e a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, deflagrada em 1798, na cidade de Salvador.\n\n<strong>Rebeli\u00f5es Nativistas<\/strong>\n\nAs pessoas aprendem ou interpretam as rebeli\u00f5es coloniais em bloco, julgando, quase sempre, todos os eventos como uma prova incontest\u00e1vel do desejo e da luta pela rom\u00e2ntica e patri\u00f3tica autonomia pol\u00edtica da na\u00e7\u00e3o.\n\nDe fato, v\u00e1rias revoltas, motins e conspira\u00e7\u00f5es marcaram o nosso passado colonial e revelavam a insatisfa\u00e7\u00e3o dos colonos e a dificuldade de controle por parte das for\u00e7as metropolitanas. Contudo, dizer que eles lutavam pela autonomia do nosso povo ou defendiam a constru\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma incorre em um grande equ\u00edvoco. Afinal de contas, as ideias de povo ou na\u00e7\u00e3o brasileira nem sequer eram debatidos nos meios intelectuais da \u00e9poca.\n\nObservando os primeiros conflitos ocorridos na col\u00f4nia, observamos que a inten\u00e7\u00e3o fundamental era a de promover algumas mudan\u00e7as nas exig\u00eancias e pr\u00e1ticas impostas pela metr\u00f3pole. Em nenhum momento, as primeiras grandes revoltas, acontecidas entre os s\u00e9culos XVII e XVIII, pretendiam extinguir o pacto colonial ou estabelecer a independ\u00eancia da Am\u00e9rica Portuguesa. Com isso, temos mais um argumento que vai contra a tradicional interpreta\u00e7\u00e3o dada aos levantes decorridos no per\u00edodo colonial.\n\nConhecidos como revoltas nativistas, esses movimentos tiveram in\u00edcio no s\u00e9culo XVII, momento em que diversas regi\u00f5es da col\u00f4nia enfrentavam s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas provenientes da crise da economia a\u00e7ucareira. Adentrando o s\u00e9culo XVIII, vemos que essas rebeli\u00f5es persistem com a rigorosa fiscaliza\u00e7\u00e3o imposta por Portugal nessa mesma \u00e9poca. Entre as maiores rebeli\u00f5es nativistas destacamos a Revolta de Beckman (1684), a Guerra dos Emboabas (1708), a Guerra dos Mascates (1710) e a Revolta de Filipe dos Santos (1720).\n\n<strong>Rebeli\u00f5es Separatistas<\/strong>\n\nA independ\u00eancia do Brasil, notamos que os desejos pela emancipa\u00e7\u00e3o apareceram anteriormente ao momento em que o pr\u00edncipe regente, Dom Pedro I, realizou a proclama\u00e7\u00e3o de 1822. Ao longo do s\u00e9culo XVIII, em um contexto em que a minera\u00e7\u00e3o tinha grande visibilidade econ\u00f4mica, os colonos se mostravam insatisfeitos com as exig\u00eancias, cobran\u00e7as e imposi\u00e7\u00f5es estabelecidas pela Coroa Portuguesa.\n\nSe por um lado contabilizamos a mudan\u00e7a pol\u00edtica do governo portugu\u00eas, tamb\u00e9m devemos destacar que essa insatisfa\u00e7\u00e3o veio acompanhada por uma base de sustenta\u00e7\u00e3o ideol\u00f3gica. Nesse sentido, surge a necessidade de salientarmos como o Iluminismo, a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e a Independ\u00eancia dos Estados Unidos tiveram grande peso para que uma parte dos colonos projetasse o fim do pacto colonial. J\u00e1 nessa \u00e9poca, alguns filhos de nossas elites se formavam em universidades europeias onde essas transforma\u00e7\u00f5es eram propagadas.\n\nAo identificarmos as rebeli\u00f5es separatistas, observamos que esse conjunto de fatores atuou em favor de levantes favor\u00e1veis \u00e0 quebra do pacto colonial. Contudo, vale aqui frisar que esses movimentos n\u00e3o podem ser erroneamente julgados como eventos que lutaram pela forma\u00e7\u00e3o de uma na\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma. No s\u00e9culo XVIII, a emancipa\u00e7\u00e3o de nosso extenso territ\u00f3rio ou o reconhecimento de uma p\u00e1tria brasileira n\u00e3o se evidenciou na pauta dos revoltosos dessa \u00e9poca.\n\nPor meio dessa afirmativa, realizamos a constru\u00e7\u00e3o de uma outra perspectiva com rela\u00e7\u00e3o ao significado da Inconfid\u00eancia Mineira. Ocorrida em 1789, essa conspira\u00e7\u00e3o antimetropolitana n\u00e3o fez men\u00e7\u00e3o a nenhum desejo de liberta\u00e7\u00e3o do nosso territ\u00f3rio. Focado no desenvolvimento de uma p\u00e1tria mineira, a elite envolvida com esse movimento estabeleceu um projeto de emancipa\u00e7\u00e3o que preservava o trabalho escravo em terras coloniais.\n\nTocada por essa mesma separa\u00e7\u00e3o entre as elites e as camadas menos favorecidas, a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana, de 1798, foi impulsionada por uma elite ilustrada que se afastou do movimento ao perceber que o mesmo passava a ser controlado por populares. Mesmo n\u00e3o tendo um projeto amplo de emancipa\u00e7\u00e3o, essa revolta teve grande import\u00e2ncia ao tocar diretamente na quest\u00e3o da escravid\u00e3o \u0096 um dilema que ainda perduraria por um bom tempo em nossa hist\u00f3ria.\n\nPor fim, em 1817, observamos uma \u00faltima revolta que se desenvolveu na capitania de Pernambuco, j\u00e1 conhecida pelo desenvolvimento de diversas situa\u00e7\u00f5es de enfrentamento. Na chamada Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana, temos o discurso iluminista e o socialismo ut\u00f3pico, fundamentando a fala de uma popula\u00e7\u00e3o desgastada com os altos impostos a serem pagos e as oscila\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas que marcavam o lugar. Mais uma vez, a reprimenda das cortes impediu o fortalecimento dessa situa\u00e7\u00e3o de conflito.\n<h4>Revoltas no Brasil Colonial<\/h4>\n<strong>Do fim do s\u00e9culo XVII at\u00e9 o come\u00e7o do s\u00e9culo XIX, o Brasil passou por diversas revoltas que podem ser divididas, segundo suas caracter\u00edsticas, em dois grupos:<\/strong> movimentos nativistas ou reformistas e movimentos emancipacionistas.\n\nAt\u00e9 a primeira metade do s\u00e9culo XVIII, diversos movimentos nativistas realizaram-se no Brasil. O que caracterizou esses movimentos foi a nega\u00e7\u00e3o dos abusos portugueses sem, no entanto, contestar o dom\u00ednio luso. Baseavam-se, portanto, na defesa dos interesses locais e regionais por\u00e9m sem questionar o pacto colonial.\n\nJ\u00e1 os movimentos emancipacionistas, ocorridos da segunda metade do s\u00e9culo XVIII ao primeiro quartel do XIX, trataram-se de revoltas contra a subordina\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia ao poder da Coroa portuguesa. Diante dos sinais de esgotamento do sistema colonial, estas tens\u00f5es surgem lutando, principalmente, pela independ\u00eancia pol\u00edtica da regi\u00e3o que representavam.\n\nNeste espa\u00e7o trataremos das principais rebeli\u00f5es pertencentes \u00e0s duas categorias acima descritas e da liga\u00e7\u00e3o de cada uma destas com o contexto mundial da \u00e9poca.\n\nRevoltas Nativistas\n\nOcorridas num intervalo de aproximadamente 30 anos, as revoltas nativistas t\u00eam muito em comum. Nos links abaixo voc\u00ea poder\u00e1 ler sobre a situa\u00e7\u00e3o da Europa na \u00e9poca e um pouco mais sobre cada uma dessas manifesta\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Contexto Internacional<\/strong>\n\nComo j\u00e1 estudado, Portugal esteve sob dom\u00ednio espanhol de 1580 a 1640.\n\n<strong>Durante esse per\u00edodo, os portugueses foram obrigados a participar de guerras contra os inimigos da Espanha:<\/strong> Fran\u00e7a, Holanda e Inglaterra. Isto acarretou-lhe a perda de diversas col\u00f4nias na \u00c1frica e no Oriente e invas\u00f5es no territ\u00f3rio brasileiro, prejudicando a pol\u00edtica mercantilista portuguesa. As principais dessas invas\u00f5es foram as holandesas ocorridas no Nordeste a\u00e7ucareiro na regi\u00e3o da Bahia, de 1624 a 1625, e na de Pernambuco, de 1630 a 1654, e que fizeram com que os portugueses perdessem o controle sobre uma importante \u00e1rea produtora de cana.\n\nA situa\u00e7\u00e3o portuguesa ainda s\u00f3 tendia a piorar. Na luta pela liberta\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o das Coroas Ib\u00e9ricas, Portugal contou com ajuda financeira inglesa, tornando-se economicamente dependente e submisso a essa pot\u00eancia. Al\u00e9m disso tamb\u00e9m tiveram de arcar com a perda do controle do tr\u00e1fico negreiro para a Holanda em 1641 e, treze anos mais tarde, com as despesas adquiridas na briga contra o dom\u00ednio holand\u00eas no Nordeste.\n\nOs batavos, sem contar mais com o a\u00e7\u00facar brasileiro, foram estabelecer-se nas Antilhas francesas e inglesas onde foram bem sucedidos na economia a\u00e7ucareira.\n\nEm pouco tempo, a produ\u00e7\u00e3o antilhana come\u00e7ou a concorrer com a brasileira, dando in\u00edcio a decad\u00eancia do a\u00e7\u00facar do Brasil.\n\nDiante desse quadro t\u00e3o desfavor\u00e1vel, s\u00f3 restava a Portugal intensificar a explora\u00e7\u00e3o de sua col\u00f4nia de maior import\u00e2ncia econ\u00f4mica, o Brasil, que mesmo sofrendo com a crise da comercializa\u00e7\u00e3o da cana ainda era a base colonial do Reino. Essa intensifica\u00e7\u00e3o consistia no arrocho colonial, determinando menor autonomia para a col\u00f4nia e maior controle e explora\u00e7\u00e3o da mesma atrav\u00e9s de v\u00e1rias medidas como a implanta\u00e7\u00e3o do Conselho Ultramarino , que resultou no aumento de poder dos governantes gerais (elevados a categoria de vice-reis em 1720), as Companhias de Com\u00e9rcio que asseguravam o monop\u00f3lio portugu\u00eas no com\u00e9rcio brasileiro, e a interfer\u00eancia nas C\u00e2maras Municipais atrav\u00e9s de Ju\u00edzes de Fora, nomeados pelo pr\u00f3prio rei, visando controlar a elite local.\n\nToda essa situa\u00e7\u00e3o de enrijecimento do pacto colonial, a partir do fim do s\u00e9culo XVII, gerou insatisfa\u00e7\u00f5es, desencadeando os movimentos denominados nativistas ou reformistas.\n\n<strong>Revolta dos Beckman (1684)<\/strong>\n\nNo Maranh\u00e3o, por volta do s\u00e9culo XVII, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica baseava-se na explora\u00e7\u00e3o das drogas do sert\u00e3o e nas lavouras dos colonos. A m\u00e3o-de-obra usada nessas planta\u00e7\u00f5es n\u00e3o podia ser a escrava negra, uma vez que a regi\u00e3o maranhense era pobre e n\u00e3o tinha recursos para valer-se de tal m\u00e3o-de-obra escassa e cara, restando como op\u00e7\u00e3o a escraviza\u00e7\u00e3o de ind\u00edgenas. J\u00e1 as drogas do sert\u00e3o eram extra\u00eddas com m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena por\u00e9m n\u00e3o escrava, uma vez que os \u00edndios, habitantes de miss\u00f5es jesu\u00edticas, eram convencidos a faz\u00ea-lo por livre e espont\u00e2nea vontade, a favor da comunidade onde viviam. Um impasse, por\u00e9m, estabeleceu-se nessa situa\u00e7\u00e3o quando os jesu\u00edtas conseguiram determinar junto a Portugal a proibi\u00e7\u00e3o da escraviza\u00e7\u00e3o ind\u00edgena, causando a insatisfa\u00e7\u00e3o dos colonos e opondo os dois grupos. Tendo como um dos motivos amenizar a tens\u00e3o entre agricultores e religiosos, o governo portugu\u00eas estabeleceu, em 1682, uma Companhia de Com\u00e9rcio para o Estado do Maranh\u00e3o, que tinha como finalidade deter o monop\u00f3lio do com\u00e9rcio da regi\u00e3o, vendendo os produtos europeus e comprando os locais, al\u00e9m de estabelecer um trato de fornecimento de escravos negros para a regi\u00e3o. Esta, contudo, n\u00e3o foi a solu\u00e7\u00e3o do problema uma vez que a Companhia vendia produtos importados a altos pre\u00e7os, oferecia pouco pelos artigos locais e n\u00e3o cumpria com o abastecimento de escravos, sendo marcada pelo roubo e pela corrup\u00e7\u00e3o.\n\nO descontentamento da popula\u00e7\u00e3o, diante deste quadro, aumentava cada vez mais. Assim, chefiados por Manuel e Tomas Beckman, os colonos se rebelaram, expulsando os jesu\u00edtas do Maranh\u00e3o, abolindo o monop\u00f3lio da Companhia e constituindo um novo governo, que durou quase um ano. Com a interven\u00e7\u00e3o da Coroa Portuguesa, foi nomeado um novo governador para a regi\u00e3o. Este puniu os revoltosos com a condena\u00e7\u00e3o \u00e0 pris\u00e3o ou ao ex\u00edlio dos mais envolvidos, a pena de morte para Manuel Beckman e Jorge Sampaio e reintegrou os jesu\u00edtas no Maranh\u00e3o. Dos objetivos da revolta o \u00fanico que foi, de fato, alcan\u00e7ado com sucesso foi a extin\u00e7\u00e3o da Companhia de Com\u00e9rcio local.\n<p class=\"imagem\">&#8220;N\u00e3o resta outra coisa sen\u00e3o cada um defender-se por si mesmo; duas coisas s\u00e3o necess\u00e1rias: revoga\u00e7\u00e3o dos monop\u00f3lios e a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas, a fim de se recuperar a m\u00e3o livre no que diz respeito ao com\u00e9rcio e aos \u00edndios.&#8221; Manuel Beckman (1684)<\/p>\n<strong>Guerra dos Emboabas (1708)<\/strong>\n\nNo fim do s\u00e9culo XVII, os bandeirantes paulistas descobriram ouro na regi\u00e3o das Minas Gerais, na \u00e9poca, regi\u00e3o pertencente \u00e0 capitania de S\u00e3o Vicente. Este ouro seria uma riqueza muito importante para Portugal e para todos os brasileiros, uma vez que, desde a crise da produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar, estes vinham buscando uma nova fonte de lucro. Pelo fato dos paulistas terem sido pioneiros na descoberta das jazidas de metais preciosos, julgavam-se no direito de possuir a exclusividade de extra\u00e7\u00e3o destes, n\u00e3o aceitando que forasteiros, em sua maioria baianos e portugueses, tamb\u00e9m se beneficiassem da atividade.\n\nO nome emboabas, palavra vinda da l\u00edngua tupi e que se referia a um determinado tipo de ave com p\u00e9s emplumados, fora usado pelos paulistas, povo simples e rude, em men\u00e7\u00e3o pejorativa aos portugueses, que usavam botas, acess\u00f3rio incomum dentre os primeiros.\n\nEstas discrep\u00e2ncias entre bandeirantes, colonos da Bahia e portugueses acabaram desencadeando um conflito armado. Neste, os emboabas sa\u00edram vitoriosos, visto que estavam em maior n\u00famero, possu\u00edam mais e melhores armamentos e tinham o apoio do Estado Portugu\u00eas, para o qual interessava que o maior n\u00famero poss\u00edvel de mineradores explorassem a regi\u00e3o, visto que quanto maior fosse a minera\u00e7\u00e3o, mais ouro seria extra\u00eddo e conseq\u00fcentemente mais lucro teria a metr\u00f3pole.\n\nPara melhor administrar a regi\u00e3o e encerrar o conflito, o Governo Portugu\u00eas criou a capitania de S\u00e3o Paulo e das Minas. Voltando aos paulistas, derrotados, muitos abandonaram a regi\u00e3o, dirigindo-se para Mato Grosso e Goi\u00e1s, fato que implicou n\u00e3o s\u00f3 na descoberta de novas minas de ouro, como tamb\u00e9m na expans\u00e3o territorial do dom\u00ednio portugu\u00eas na Am\u00e9rica.\n\n<strong>Guerra dos Mascates (1710)<\/strong>\n\nEm Pernambuco, por volta do s\u00e9culo XVIII, podia-se destacar dois grupos sociais como os de maior import\u00e2ncia. O primeiro deles era a aristocracia rural olindense, que, produtora de a\u00e7\u00facar, vinha empobrecendo com a crescente desvaloriza\u00e7\u00e3o deste produto devido \u00e0 crise a\u00e7ucareira. O segundo era o grupo de comerciantes recifenses, que estavam prosperando com o intenso com\u00e9rcio que se praticava na regi\u00e3o e com os empr\u00e9stimos que faziam a altos juros aos olindenses falidos. \u00c0 medida que os mascates, apelido pejorativo dado pelos olindenses aos comerciantes do Recife, ganhavam import\u00e2ncia econ\u00f4mica, mais se incomodavam com a condi\u00e7\u00e3o de subordina\u00e7\u00e3o pol\u00edtica a Olinda, estabelecida pelo fato de ser apenas da segunda o t\u00edtulo de Munic\u00edpio, implicando que se localizasse e fosse comandada por esta a C\u00e2mara Municipal, for\u00e7a pol\u00edtica de ambas regi\u00f5es. Muito insatisfeito com a condi\u00e7\u00e3o de freguesia de Olinda e com as decis\u00f5es pol\u00edticas que barganhavam as crescentes d\u00edvidas da elite rural, Recife busca a autonomia junto a Portugal. Inicialmente a Coroa pendeu para o lado dos propriet\u00e1rios de terra, mas n\u00e3o deixando de ignorar a import\u00e2ncia cada vez maior dos comerciantes, o governo luso acabou por, em 1709, privilegi\u00e1-los, elevando a freguesia a categoria de munic\u00edpio, com sua pr\u00f3pria C\u00e2mara Municipal.\n\nOs olindenses, inconformados, invadem e dominam os recifenses, nomeando um governador. A rea\u00e7\u00e3o local gera um conflito armado que prossegue at\u00e9 a chegada de um novo governador enviado pelo Reino. Este prende os principais envolvidos na revolta mant\u00e9m a autonomia do Recife, que no ano seguinte viria a ser elevado a categoria de sede administrativa de Pernambuco.\n\n<strong>Revolta de Felipe dos Santos (1720)<\/strong>\n\nA descoberta das jazidas de ouro e o in\u00edcio da extra\u00e7\u00e3o aur\u00edfera na Brasil faziam surgir em Portugal a necessidade de uma administra\u00e7\u00e3o que assegurasse os privil\u00e9gios da metr\u00f3pole, facilitasse a pol\u00edtica fiscal e impusesse o absoluto controle sobre a minera\u00e7\u00e3o, impedindo o contrabando. A Revolta de Felipe dos Santos ou Levante de Vila Rica, ocorreu como conseq\u00fc\u00eancia destes crescentes tributos. Visando impedir fraudes no transporte e no com\u00e9rcio do ouro em p\u00f3 ou em pepitas, o governo real criou as Casas de Fundi\u00e7\u00e3o, nas quais todo ouro extra\u00eddo seria fundido e teria o quinto cobrado. Tamb\u00e9m foi estabelecida uma rigorosa legisla\u00e7\u00e3o com penas sever\u00edssimas a todos aqueles que fossem surpreendidos circulando com ouro bruto. Insatisfeitos com as novas medidas e com a opressiva tributa\u00e7\u00e3o imposta \u00e0 regi\u00e3o, mais de 2000 mineradores, liderados por Felipe dos Santos, dirigiram-se ao governador de Minas Gerais. Sem soldados suficientes para reprimir a revolta, o governador estrategicamente decidiu receber alguns revoltosos fingindo aceitar a revoga\u00e7\u00e3o da instala\u00e7\u00e3o das Casas de Fundi\u00e7\u00e3o e a diminui\u00e7\u00e3o das tributa\u00e7\u00f5es. Deste modo ganhou tempo e quando conseguiu reunir for\u00e7as militares suficientes prendeu todos os revoltosos punindo-os com rigor e viol\u00eancia e condenando \u00e0 forca e ao esquartejamento o l\u00edder Felipe dos Santos.\n\nSendo totalmente frustrada em seus objetivos, esta rebeli\u00e3o ainda implicou na separa\u00e7\u00e3o das capitanias de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, intensificando a autoridade real sobre a regi\u00e3o.\n\n<strong>Revoltas Emancipacionistas<\/strong>\n\nSendo influ\u00eanciadas pelo ideal iluminista europeu, as revoltas emancipacionistas s\u00e3o o assunto desta se\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Abaixo est\u00e3o detalhados cada um destes importantes movimentos ocorridos no Brasil colonial: <\/strong>\n\n<strong>Contexto Internacional<\/strong>\n\nO s\u00e9culo XVIII, na Europa, foi um per\u00edodo de transi\u00e7\u00e3o da velha ordem mon\u00e1rquica, absolutista, mercantilista e estamental para uma ordem mais liberal burguesa. Essas transforma\u00e7\u00f5es foram encabe\u00e7adas por pa\u00edses como Fran\u00e7a e Inglaterra, ber\u00e7os de novas ideologias que vinham de encontro aos princ\u00edpios do Antigo Regime.\n\nNo plano filos\u00f3fico, difundiram-se as id\u00e9ias iluministas, que com o lema &#8220;liberdade, igualdade e fraternidade&#8221;, baseavam-se no princ\u00edpio de que todo homem podia aprender e agir com sua pr\u00f3pria consci\u00eancia, condenando a submiss\u00e3o total ao Estado e exaltando valores como o individulismo, o livre arb\u00edtrio, a liberdade de express\u00e3o e a propriedade privada. Influenciados por esta doutrina, muitos movimentos eclodiram na Europa. O primeiro deles foi a Revolu\u00e7\u00e3o Industrial que impulsionou a burguesia e representou a transi\u00e7\u00e3o do capitalismo mercantil para o capitalismo industrial, difundindo a doutrina do liberalismo. Outro movimento de influ\u00eancias Iluministas foi a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa que, tamb\u00e9m com bases liberalistas, fez a burguesia chegar ao poder. Toda essa movimenta\u00e7\u00e3o na Europa, teve como conseq\u00fc\u00eancia inicial a Independ\u00eancia dos Estados Unidos, que foi o primeiro forte ind\u00edcio da decad\u00eancia do sistema colonial e o ato respons\u00e1vel pela divulga\u00e7\u00e3o do Regime Republicano na Am\u00e9rica.\n\nTodos estes acontecimentos e novos pensamentos circulantes chegavam ao Brasil atrav\u00e9s de um h\u00e1bito da \u00e9poca que era o de jovens da elite colonial brasileira viajarem para a Europa para completar seus estudos, em sua grande maioria na universidade de Coimbra. L\u00e1, entravam em contato com todos estas novas id\u00e9ias e vinham divulg\u00e1-las na col\u00f4nia ao retornarem. Em um Brasil sufocado pela intensa explora\u00e7\u00e3o da Coroa Portuguesa, tais ideais foram muito bem aceitos, servindo como fonte de inspira\u00e7\u00e3o para a ocorr\u00eancia de algumas revoltas, cujas propostas revolucion\u00e1rias foram estruturadas sobre o desejo de emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da sua \u00e1rea de ocorr\u00eancia.\n\n<strong>Inconfid\u00eancia Mineira (1789)<\/strong>\n\nNa segunda metade do s\u00e9culo XVII, a minera\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a entrar em decad\u00eancia, surgindo os primeiros sinais de esgotamento do ouro. Nessa \u00e9poca, a col\u00f4nia j\u00e1 nem mais conseguia arrecadar com a cobran\u00e7a do quinto as cem arrobas de ouro anuais exigidas pela Coroa Portuguesa que, mesmo diante deste quadro, no qual era quase imposs\u00edvel para os mineiradores pagar tantas taxas, n\u00e3o diminuia a alta tributa\u00e7\u00e3o que aplicava sobre o metal extra\u00eddo. Pelo contr\u00e1rio, o governo real, em 1765, ainda criou a derrama, novo imposto que visava alcan\u00e7ar a meta anual de ouro atrav\u00e9s da apropria\u00e7\u00e3o de pertences da popula\u00e7\u00e3o mineira. Inconformados, um grupo de colonos da elite de Vila Rica iniciou reuni\u00f5es secretas com o objetivo de conspirar contra Portugal e preparar uma revolta.\n\nA proposta revolucion\u00e1ria do grupo era muito baseada nas id\u00e9ias e acontecimentos de car\u00e1ter iluminista que vinham ocorrendo na Europa e englobavam medidas como a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre Brasil e Portugal, com a ado\u00e7\u00e3o de um sistema republicano; a obrigatoriedade do servi\u00e7o militar; o apoio \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o; a cria\u00e7\u00e3o de uma universidade em Vila Rica&#8230;\n\nOs inconfidentes haviam decidido que o movimento ocorreria no dia da derrama e pretendiam aprisionar o representante do governo portugu\u00eas da regi\u00e3o.\n\nSegundo o plano, Tiradentes, Joaquim Jos\u00e9 da Silva Xavier, iria ao Rio de Janeiro para a divulga\u00e7\u00e3o do movimento por\u00e9m, tr\u00eas conspiradores, sendo o mais famoso deles Joaquim Silv\u00e9rio dos Reis, denunciaram a revolta a autoridades portuguesas que suspenderam a derrama, expediu ordem de pris\u00e3o aos conjurados e aprisionou Tiradentes, que estava a caminho do Rio. Este, foi o \u00fanico dos envolvidos que assumiu responsabilidade no movimento, recebendo como pena o enforcamento e o esquartejamento. As partes do corpo de Tiradentes foram distribu\u00eddas pelas cidades onde este esteve pedindo apoio e sua cabe\u00e7a foi exposta em Vila Rica, na inten\u00e7\u00e3o de intimidar o acontecimento de novas rebeli\u00f5es.\n\nO fracasso da Inconfid\u00eancia Mineira deveu-se principalmente \u00e0 falta de apoio popular ao movimento, organizado somente entre a elite, e \u00e0 falta de organiza\u00e7\u00e3o militar. De qualquer forma, apesar de n\u00e3o ter passado de uma conspira\u00e7\u00e3o, esta foi o principal movimento emancipacionista ocorrido no Brasil.\n<blockquote>\n<p class=\"imagem\">\u0093Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre!\nDe cada ribeir\u00e3o trepidante e de cada recosto\nDe montanha o metal rolou na cascalhada\nPara fausto d\u0092El-Rei: para a gl\u00f3ria do imposto\nQue restou do esplendor de outrora? Quase nada:\nPedras&#8230;Templos que s\u00e3o fantasmas ao sol-posto.\u0094 Manoel Bandeira &#8211; Ouro Preto &#8211; Lira dos 50 anos<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>Conjura\u00e7\u00e3o Baiana (1798)<\/strong>\n\nAp\u00f3s 1763, quando a capital brasileira foi transferida para o Rio de Janeiro, Salvador entrou em s\u00e9rias dificuldades econ\u00f4micas. L\u00e1, as diferen\u00e7as sociais eram contrastantes, havendo por um lado ricos comerciantes portugueses e grandes propriet\u00e1rios, com a maioria da popula\u00e7\u00e3o, submetida \u00e0 opress\u00e3o tributativa e preconceitos raciais e sociais. O descontentamento do povo havia ganhado for\u00e7a com as informa\u00e7\u00f5es que chegavam, principalmente, sobre a fase popular da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e sobre a independ\u00eancia do Haiti.\n\nFoi fundada ent\u00e3o em Salvador a &#8220;Academia dos Renascidos&#8221;, uma associa\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria que discutia os ideais do iluminismo e os problemas sociais que afetavam a popula\u00e7\u00e3o. A Conjura\u00e7\u00e3o Baiana surgiu com as discuss\u00f5es promovidas por esta associa\u00e7\u00e3o, que por contar com a participa\u00e7\u00e3o de negros e mulatos, artes\u00e3os, pequenos comerciantes, escravos, alfaiates e libertos ficou tamb\u00e9m conhecida como Revolta dos Alfaiates. O movimento pretendia o fim da escravid\u00e3o, a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica de Portugal, a proclama\u00e7\u00e3o de uma rep\u00fablica democr\u00e1tica e a igualdade social.\n\nEm 12 de agosto de 1798, a cidade de Salvador amanheceu com cartazes revolucion\u00e1ris espalhados por diversas igrejas, estabelecimentos comerciais e resid\u00eancias. A repress\u00e3o contra o movimento foi imediata. Houve a decreta\u00e7\u00e3o da devassa pelo governador e a pris\u00e3o e enforcamento dos principais envolvidos.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana (1817)<\/strong>\n\nEm 1808, fugindo dos franceses, a fam\u00edlia real portugu\u00easa veio abrigar-se no Brasil e, para manter os luxos que a sua corte tinha em Portugal, foram ainda mais elevados os impostos cobrados sobre a col\u00f4nia. A popula\u00e7\u00e3o desta, que j\u00e1 se encontrava em uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil por n\u00e3o ter nenhum produto em ascend\u00eancia comercial, ficou revoltada com este aumento tribut\u00e1rio. Ent\u00e3o, grupos populares e de classe m\u00e9dia pernambucanos organizaram um movimento pr\u00f3-independ\u00eancia e rep\u00fabica.\n\nOs revoltosos chegaram a derrubar o governador e implantar um novo governo, acabando com a tributa\u00e7\u00e3o, dando liberdade de imprensa e religi\u00e3o. Os envolvidos discordavam quanto ao t\u00f3pico escravid\u00e3o, n\u00e3o tendo chegado a nenhuma conclus\u00e3o. Esta e outras diverg\u00eancias internas enfraqueceram o movimento, que sucumbiu quando foi cercado por mar e por terra por tropas portuguesas, que prenderam ou executaram os envolvidos.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817 contribuiu decisivamente para a independ\u00eancia brasileira, ocorrida pouco mais tarde, em 1822.\n\n<strong>Paralelo com a atualidade&#8230;<\/strong>\n\nMudam-se as \u00e9pocas e os contextos, por\u00e9m focos de insatisfa\u00e7\u00e3o com caracter\u00edsticas da sociedade, da pol\u00edtica ou da economia sempre se fazem presentes. Do per\u00edodo colonial at\u00e9 hoje, em muitas ocasi\u00f5es os brasileiros de v\u00e1rias regi\u00f5es uniram-se na tentativa de concretizar mudan\u00e7as que julgavam necess\u00e1rias. No entanto, o que mais diferencia estas mobiliza\u00e7\u00f5es s\u00e3o os modos pelos quais elas ocorrem.\n\nNo Brasil-Col\u00f4nia, em geral, as reivindica\u00e7\u00f5es realizavam-se de modo desorganizado, havendo contradi\u00e7\u00f5es de interesses entre os grupos envolvidos e a distin\u00e7\u00e3o entre revoltas das camadas populares e da elite, visto que esta segunda temia pedir apoio aos primeiros para n\u00e3o ter que atender suas reivindica\u00e7\u00f5es como terra, fim da escravid\u00e3o, melhores condi\u00e7\u00f5es de vida etc., as manifesta\u00e7\u00f5es, quando chegavam a acontecer, davam-se violentamente, buscando alcan\u00e7ar seus objetivos atrav\u00e9s da for\u00e7a f\u00edsica. A opress\u00e3o destas revoltas por parte da Coroa Portuguesa tamb\u00e9m era igualmente agressiva, realizada de modo tir\u00e2nico, sem dar espa\u00e7o a eventuais negocia\u00e7\u00f5es ou acordos.\n\nJ\u00e1 atualmente, as contesta\u00e7\u00f5es s\u00e3o feitas de modo muito mais organizado. Normalmente as pessoas unem-se e protestam atrav\u00e9s de greves e passeatas. Buscam por meio da argumenta\u00e7\u00e3o e negocia\u00e7\u00e3o atingir suas metas. O governo, por sua vez, tamb\u00e9m modificou sua maneira de reagir a estas manifesta\u00e7\u00f5es, passando a tentar propor acordos ou fazer concess\u00f5es que venham a beneficiar ambas as partes.\n\n<strong>Mas o que levou de fato a essas diferentes maneiras de demonstrar descontentamento? <\/strong>\n\n<strong>A resposta para esta pergunta tamb\u00e9m acaba evidenciando um outro fato, do qual, \u00e0s vezes, n\u00e3o nos damos conta: <\/strong>o de quanto \u00e9 forte influ\u00eancia da pol\u00edtica sobre nosso modo de viver e de agir. Quando col\u00f4nia, o Brasil era regido por um Estado Absolutista, no qual todo o poder concentrava-se na m\u00e3o de um s\u00f3 governante, determinado por hereditariedade. Para esse tipo de regime, n\u00e3o \u00e9 importante a vontade e a satisfa\u00e7\u00e3o popular sendo, portanto praticamente nulo o interesse da Coroa pela opini\u00e3o e sentimentos da popula\u00e7\u00e3o. Sem espa\u00e7o e at\u00e9 mesmo sem outra op\u00e7\u00e3o para expor o que lhes desagradava, s\u00f3 mesmo restava a eventuais grupos descontentes chamar aten\u00e7\u00e3o para suas causas atrav\u00e9s de revoltas, lutas, invas\u00f5es, etc. E, diante dessas rebeli\u00f5es, o governo, poder \u00fanico e majorit\u00e1rio, tinha como \u00fanico objetivo abaf\u00e1-las para assegurar sua autoridade, derramando para isto o sangue que fosse necess\u00e1rio e na maioria das vezes n\u00e3o dando a m\u00ednima aten\u00e7\u00e3o ou import\u00e2ncia \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es dos revoltosos. O grande trunfo do regime atual, a rep\u00fablica, para assegurar que haja respeito \u00e0s id\u00e9ias e \u00e0 integridade do povo \u00e9 o fato de os governantes atuais dependerem do voto popular para serem eleitos. Atualmente, o governo, para manter-se precisa preocupar-se com o bem-estar de todo seu povo, respeitando e ouvindo todas as suas exig\u00eancias e tentando solucionar eventuais mobiliza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o com repres\u00e1lias brutas, mas sim com diplomacia e acordos, visando conservar sua popularidade.\n\nN\u00e3o se pode afirmar que hoje a popula\u00e7\u00e3o conquista todas as melhorias pelas quais protesta, nem mesmo que t\u00eam seus desejos como prioridade governamental, por\u00e9m, o progresso, assim como o tempo, n\u00e3o p\u00e1ra e desejamos que com mais alguns anos o Brasil livre-se das falhas de sua pol\u00edtica (com um destaque para a vergonhosa corrup\u00e7\u00e3o), alcan\u00e7ando, conseq\u00fcentemente, o molde de uma sociedade ideal.\n\nFonte: www.aridesa.com.br\/jchistorybrasil.webnode.com.br\/www.colband.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revoltas Coloniais, Brasil, Per\u00edodo, Hist\u00f3ria, Motivo, Revolu\u00e7\u00e3o, Guerra, Conflito, Movimentos, Rebeli\u00f5es, Brasileiro, Causa, Revoltas Coloniais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26091","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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