{"id":26088,"date":"2015-12-28T00:00:00","date_gmt":"2015-12-28T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/economia-no-brasil-colonia-4\/"},"modified":"2015-12-28T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-28T00:00:00","slug":"economia-no-brasil-colonia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/economia-no-brasil-colonia-4\/","title":{"rendered":"Economia no Brasil Col\u00f4nia"},"content":{"rendered":"\nDurante o per\u00edodo colonial, de 1500 a 1822, desenvolvem-se no Brasil m\u00faltiplas atividades econ\u00f4micas de subsist\u00eancia e de exporta\u00e7\u00e3o. As que mais interessam \u00e0 metr\u00f3pole e a sua pol\u00edtica mercantilista s\u00e3o aquelas dirigidas para o mercado externo, submetidas direta ou indiretamente ao monop\u00f3lio e \u00e0 tributa\u00e7\u00e3o real.\n\nA primeira atividade econ\u00f4mica da col\u00f4nia \u00e9 a explora\u00e7\u00e3o do pau-brasil, mas ela perde a import\u00e2ncia quando as \u00e1rvores come\u00e7am a escassear na regi\u00e3o da mata Atl\u00e2ntica.\n\nDestacam-se ent\u00e3o as monoculturas exportadoras de cana-de-a\u00e7\u00facar, algod\u00e3o e tabaco e a minera\u00e7\u00e3o de ouro e diamante, ramos em geral baseados na grande propriedade e na escravid\u00e3o. Paralelamente, a cria\u00e7\u00e3o de gado, vista como um meio de subsist\u00eancia, contribui para a coloniza\u00e7\u00e3o do interior do pa\u00eds.\n\nA economia colonial organiza-se de forma complementar \u00e0 metr\u00f3pole. Produz principalmente o que a ela conv\u00e9m e compra dela muito do que necessita. Cada um dos seus setores tem import\u00e2ncia maior ou menor de acordo com a regi\u00e3o e o per\u00edodo em que se desenvolve.\n<h4>Economia no Brasil Col\u00f4nia &#8211; Hist\u00f3ria<\/h4>\nA economia colonial brasileira \u00e9 integrada ao processo mundial de expans\u00e3o do capitalismo mercantil. Baseada no monop\u00f3lio colonial &#8211; Portugal tem a exclusividade do com\u00e9rcio com a col\u00f4nia -, \u00e9 altamente especializada e dirigida para o mercado externo. Internamente tem car\u00e1ter predat\u00f3rio sobre os recursos naturais. As t\u00e9cnicas agr\u00edcolas utilizadas s\u00e3o rudimentares e provocam r\u00e1pido esgotamento da terra. A produ\u00e7\u00e3o est\u00e1 centrada na grande propriedade monocultora, o latif\u00fandio, e na utiliza\u00e7\u00e3o de numerosa m\u00e3o-de-obra escrava &#8211; primeiro dos ind\u00edgenas e depois dos negros.\n\n<strong>Escravid\u00e3o <\/strong>\n\nO trabalho compuls\u00f3rio do ind\u00edgena \u00e9 usado em diferentes regi\u00f5es do Brasil at\u00e9 meados do s\u00e9culo XVIII. A ca\u00e7a ao \u00edndio \u00e9 um neg\u00f3cio local e os ganhos obtidos com sua venda permanecem nas m\u00e3os dos colonos, sem lucros para Portugal. Por isso, a escraviza\u00e7\u00e3o do nativo brasileiro \u00e9 gradativamente desestimulada pela metr\u00f3pole e substitu\u00edda pela escravid\u00e3o negra. O tr\u00e1fico negreiro \u00e9 um dos mais vantajosos neg\u00f3cios do com\u00e9rcio colonial e seus lucros s\u00e3o canalizados para o reino.\n\n<strong>Escravid\u00e3o negra <\/strong>\n\nA primeira leva de escravos negros que chega ao Brasil vem da Guin\u00e9, na expedi\u00e7\u00e3o de Martim Afonso de Souza, em 1530. A partir de 1559, o com\u00e9rcio negreiro se intensifica. A Coroa portuguesa autoriza cada senhor de engenho a comprar at\u00e9 120 escravos por ano. Sudaneses s\u00e3o levados para a Bahia e bantus espalham-se pelo Maranh\u00e3o, Par\u00e1, Pernambuco, Alagoas, Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>Tr\u00e1fico de escravos<\/strong>\n\nO tr\u00e1fico negreiro \u00e9 oficializado em 1568 pelo governador-geral Salvador Correa de S\u00e1. Em 1590, s\u00f3 em Pernambuco registra-se a entrada de 10 mil escravos.\n\nN\u00e3o h\u00e1 consenso entre os historiadores sobre o n\u00famero de escravos trazidos para o Brasil. Alguns, como Roberto Simonsen e S\u00e9rgio Buarque de Holanda, estimam esse n\u00famero entre 3 milh\u00f5es e 3,6 milh\u00f5es. Caio Prado J\u00fanior sup\u00f5e cerca de 6 milh\u00f5es e Pandi\u00e1 Cal\u00f3geras chega aos 13,5 milh\u00f5es.\n\n<strong>Cana-de-a\u00e7\u00facar <\/strong>\n\nO cultivo da cana-de-a\u00e7\u00facar \u00e9 introduzido no Brasil por Martim Afonso de Souza, na capitania de S\u00e3o Vicente. Seu apogeu ocorre entre 1570 e 1650, principalmente em Pernambuco.\n\n<strong>Fatores favor\u00e1veis explicam o sucesso do empreendimento:<\/strong> experi\u00eancia anterior dos portugueses nos engenhos das ilhas do Atl\u00e2ntico, solo apropriado, principalmente no Nordeste, abund\u00e2ncia de m\u00e3o-de-obra escrava e expans\u00e3o do mercado consumidor na Europa. A agroind\u00fastria a\u00e7ucareira exige grandes fazendas e engenhos e enormes investimentos em equipamentos e escravos.\n\n<strong>O engenho <\/strong>\n\nOs chamados engenhos de a\u00e7\u00facar s\u00e3o unidades de produ\u00e7\u00e3o completas e, em geral, auto-suficientes. Al\u00e9m da casa grande, moradia da fam\u00edlia propriet\u00e1ria, e da senzala, dos escravos, alguns t\u00eam capela e escola, onde os filhos do senhor aprendem as primeiras letras. Junto aos canaviais, uma parcela de terras \u00e9 reservada para o gado e ro\u00e7as de subsist\u00eancia. A &#8220;casa do engenho&#8221; possui toda a maquinaria e instala\u00e7\u00f5es fundamentais para a obten\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar.\n\n<strong>Economia a\u00e7ucareira<\/strong>\n\nEstimativa do final do s\u00e9culo XVII indica a exist\u00eancia de 528 engenhos na col\u00f4nia. Eles garantem a exporta\u00e7\u00e3o anual de 37 mil caixas, cada uma com 35 arrobas de a\u00e7\u00facar. Dessa produ\u00e7\u00e3o, Portugal consome apenas 3 mil caixas anuais e exporta o resto para a Europa. O monop\u00f3lio portugu\u00eas sobre o a\u00e7\u00facar assegura lucros consider\u00e1veis aos senhores de engenho e \u00e0 Coroa. Esse monop\u00f3lio acaba quando os holandeses come\u00e7am a produzir a\u00e7\u00facar nas Antilhas, na segunda metade do s\u00e9culo XVII. A concorr\u00eancia e os limites da capacidade de consumo na Europa provocam uma r\u00e1pida queda de pre\u00e7os no mercado.\n\n<strong>Minera\u00e7\u00e3o <\/strong>\n\nNa passagem do s\u00e9culo XVII para o XVIII, s\u00e3o descobertas ricas jazidas de ouro no centro-sul do Brasil. A Coroa portuguesa volta toda sua aten\u00e7\u00e3o para as terras brasileiras.\n\n<strong>A regi\u00e3o das minas espalha-se pelos territ\u00f3rios dos atuais Estados de Minas Gerais, Goi\u00e1s e Mato Grosso e torna-se p\u00f3lo de atra\u00e7\u00e3o de migrantes<\/strong>: portugueses em busca de fortuna, aventureiros de todas as regi\u00f5es do Brasil e escravos trazidos do Nordeste.\n\n<strong>Criam-se novas vilas<\/strong>: Sabar\u00e1, Mariana, Vila Rica de Ouro Preto, Caet\u00e9, S\u00e3o Jo\u00e3o del Rey, Arraial do Tejuco (atual Diamantina) e Cuiab\u00e1.\n\n<strong>O quinto<\/strong>\n\nA Coroa portuguesa autoriza a livre exporta\u00e7\u00e3o de ouro mediante o pagamento de um quinto do total explorado. Para administrar e fiscalizar a atividade mineradora, cria a Intend\u00eancia das Minas, vinculada diretamente \u00e0 metr\u00f3pole. Toda descoberta deve ser comunicada. Para garantir o pagamento do quinto, s\u00e3o criadas a partir de 1720 as casas de fundi\u00e7\u00e3o, que transformam o min\u00e9rio em barras timbradas e quintadas.\n\n<strong>Em 1765 \u00e9 institu\u00edda a derrama<\/strong>: o confisco dos bens dos moradores para cobrir o valor estipulado para o quinto quando h\u00e1 d\u00e9ficit de produ\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Economia mineradora<\/strong>\n\nO chamado &#8220;ciclo do ouro&#8221; traz uma grande diversifica\u00e7\u00e3o social para a col\u00f4nia. A explora\u00e7\u00e3o das jazidas n\u00e3o exige o emprego de grandes capitais, permite a participa\u00e7\u00e3o de pequenos empreendedores e estimula novas rela\u00e7\u00f5es de trabalho, inclusive com a m\u00e3o-de-obra escrava. Os escravos trabalham por tarefa e, muitas vezes, podem ficar com uma parte do ouro descoberto. Com isso, t\u00eam a chance de comprar sua liberdade.\n\n<strong>O per\u00edodo \u00e1ureo dura pouco<\/strong>: entre 1735 e 1754, a exporta\u00e7\u00e3o anual gira em torno de 14.500 kg. No final do s\u00e9culo, o volume enviado a Portugal cai para 4.300 kg por ano, em m\u00e9dia.\n\n<strong>Diamantes<\/strong>\n\nA explora\u00e7\u00e3o de diamantes toma corpo por volta de 1729, nas vilas de Diamantina e Serra do Frio, no norte de Minas Gerais. A produ\u00e7\u00e3o atinge grandes volumes e chega a causar p\u00e2nico no mercado joalheiro europeu, provocando a queda nos pre\u00e7os das pedras. Em 1734 \u00e9 institu\u00edda uma intend\u00eancia para administrar as lavras. A extra\u00e7\u00e3o passa a ser controlada por medidas severas que incluem confisco, proibi\u00e7\u00e3o da entrada de forasteiros e expuls\u00e3o de escravos.\n\n<strong>Diversifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola <\/strong>\n\nA agricultura de subsist\u00eancia e a pecu\u00e1ria desenvolvem-se ao longo dos caminhos para as minas e nas proximidades das lavras. O crescimento demogr\u00e1fico aumenta rapidamente os lucros dessas atividades. Sesmarias s\u00e3o doadas na regi\u00e3o a quem queira cultiv\u00e1-las. Novas culturas surgem em outras \u00e1reas da col\u00f4nia.\n\n<strong>Novos produtos agr\u00edcolas<\/strong>\n\nEm meados do s\u00e9culo XVII, o algod\u00e3o, o tabaco e o cacau passam a ser produzidos em larga escala e a integrar a pauta de exporta\u00e7\u00f5es da col\u00f4nia. A produ\u00e7\u00e3o algodoeira desenvolve-se no Nordeste, em especial Maranh\u00e3o e Pernambuco. O tabaco \u00e9 produzido principalmente na Bahia, seguida por Alagoas e Rio de Janeiro e, ao longo do s\u00e9culo XVII, o produto \u00e9 usado como moeda de troca para aquisi\u00e7\u00e3o de escravos nos mercados da costa africana. O cacau \u00e9 explorado inicialmente apenas em atividade extrativista, no Par\u00e1 e no Amazonas. Come\u00e7a ent\u00e3o a ser cultivado na Bahia e no Maranh\u00e3o com m\u00e3o-de-obra escrava.\n\n<strong>Introdu\u00e7\u00e3o do caf\u00e9 <\/strong>\n\nO caf\u00e9 \u00e9 introduzido no Brasil por Francisco de Melo Palheta, em 1727, que o contrabandeia da Guiana Francesa. Durante o s\u00e9culo XVIII, seu cultivo limita-se ao nordeste, onde os solos n\u00e3o s\u00e3o adequados. A cafeicultura s\u00f3 se desenvolve no s\u00e9culo XIX, quando o produto come\u00e7a a ser cultivado na regi\u00e3o Sudeste.\n\nFrancisco de Melo Palheta (1670 -?) nasce em Bel\u00e9m do Par\u00e1 e \u00e9 considerado o primeiro a introduzir o caf\u00e9 no Brasil. Militar e sertanista, em 1727 \u00e9 mandado \u00e0 Guiana Francesa e recebe duas incumb\u00eancias do governador do Estado do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1, Jo\u00e3o Maia da Gama.\n\n<strong>A primeira tem car\u00e1ter diplom\u00e1tico<\/strong>: o governador da Guiana, Claude d&#8217;Orvilliers, tinha mandado arrancar um padr\u00e3o com o escudo portugu\u00eas plantado na fronteira entre as duas col\u00f4nias. A miss\u00e3o de Palheta seria fazer respeitar a divisa, estabelecida pelo Tratado de Utrecht no rio Oiapoque.\n\n<strong>A segunda tarefa de Palheta \u00e9 clandestina<\/strong>: deveria obter mudas de caf\u00e9, cultivado nas Guianas desde 1719, e traz\u00ea-las para o plantio no Par\u00e1. O sertanista cumpre suas duas incumb\u00eancias. Faz os franceses aceitarem a faixa divis\u00f3ria entre os dois pa\u00edses e traz mudas de caf\u00e9 para o Brasil, apesar da proibi\u00e7\u00e3o formal do governo franc\u00eas.\n\nConta-se que ele mesmo teve um cafezal no Par\u00e1, com mais de mil p\u00e9s, para o qual pediu ao governo cem casais de escravos.\n\n<strong>Expans\u00e3o do a\u00e7\u00facar <\/strong>\n\nA agroind\u00fastria a\u00e7ucareira do nordeste volta a se expandir no s\u00e9culo XVIII, quando as revoltas escravas nas Antilhas interrompem a produ\u00e7\u00e3o local. O aumento das exporta\u00e7\u00f5es brasileiras estimula a expans\u00e3o dos canaviais para o Rio de Janeiro e S\u00e3o Paulo, j\u00e1 enriquecidos pelo com\u00e9rcio do ouro.\n\n<strong>Pecu\u00e1ria <\/strong>\n\nFator essencial na ocupa\u00e7\u00e3o e povoamento do interior, a pecu\u00e1ria se desenvolve no vale do rio S\u00e3o Francisco e na regi\u00e3o sul da col\u00f4nia.\n\nAs fazendas do vale do S\u00e3o Francisco s\u00e3o latif\u00fandios assentados em sesmarias e dedicados \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de couro e cria\u00e7\u00e3o de animais de carga. Muitos propriet\u00e1rios arrendam as regi\u00f5es mais distantes a pequenos criadores.\n\n<strong>N\u00e3o \u00e9 uma atividade dirigida para a exporta\u00e7\u00e3o e combina o trabalho escravo com a m\u00e3o-de-obra livre<\/strong>: mulatos, pretos forros, \u00edndios, mesti\u00e7os e brancos pobres.\n\nNo sul, a cria\u00e7\u00e3o de gado \u00e9 destinada \u00e0 produ\u00e7\u00e3o do charque para o abastecimento da regi\u00e3o das minas.\n\nFonte: EncBrasil\/www.conhecimentosgerais.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Economia no Brasil Col\u00f4nia, Per\u00edodo, Colonial, Com\u00e9rcio, Brasileira, Escravid\u00e3o, Trabalho, A\u00e7ucareira, Explora\u00e7\u00e3o, Hist\u00f3ria, Economia no Brasil Col\u00f4nia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26088","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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