{"id":26041,"date":"2015-12-23T00:00:00","date_gmt":"2015-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/absolutismo-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:58:46","modified_gmt":"2026-09-01T17:58:46","slug":"absolutismo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-geral\/absolutismo-4\/","title":{"rendered":"Absolutismo"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n\n<strong>Absolutismo <\/strong>\u00e9 um tipo de monarquia nacional em que o monarca tem um grande poder e tende a ser encaradas com respeito e rever\u00eancia.\n\nApesar do nome, o poder do monarca \u00e9 limitado pela necessidade de ter alguma medida de apoio por parte da aristocracia rural. A aristocracia \u00e9 subordinado \u00e0 monarquia, fornece apoio pol\u00edtico e militar para a monarquia, mas tamb\u00e9m pode, de tempos em tempos, desafiar sua autoridade.\n\nA Fran\u00e7a \u00e9 o principal exemplo de absolutismo no in\u00edcio da era moderna.\n\nGoverno absoluto a centraliza\u00e7\u00e3o do poder pol\u00edtico nas m\u00e3os de um monarca, que aliada e exercido controle sobre o tradicional aristocracia fundi\u00e1ria, ganhou lealdade e apoio dos governantes comerciantes das cidades, e exercia o poder atrav\u00e9s de uma burocracia e um ex\u00e9rcito permanente.\n\nO grau de controle n\u00e3o era compar\u00e1vel ao totalitarismo do s\u00e9culo XX. O poder do rei era dependente da aristocracia que, embora subordinado, ainda manteve fontes independentes de poder e riqueza. Falta de tecnologia limita a capacidade do governo de regular a vida das pessoas.\n\nA Fran\u00e7a \u00e9 o principal exemplo de governo absoluto. Seu ministro financeira, Sully, o rei Henrique IV e lan\u00e7ou as bases de apoio \u00e0 monarquia atrav\u00e9s de pol\u00edticas iluminados que beneficiaram o povo. Cardeal Richelieu, como ministro do rei Lu\u00eds XIII, estabeleceu dom\u00ednio sobre a aristocracia rural e melhoria da administra\u00e7\u00e3o central do reino. Os huguenotes (protestantes franceses), foram subordinadas ao poder do governo central, e cidades fortificadas foram abolidas.\n\nApesar de Richelieu, e do rei Louis XIV, depois dele, conseguiu aumentar as receitas atrav\u00e9s da coopera\u00e7\u00e3o com as elites locais, que tributavam as pessoas, eles n\u00e3o conseguiram estabelecer uma fonte segura, independente da receita. Isso praga Fran\u00e7a ao longo do s\u00e9culo XVIII, e limitar o poder da monarquia. De acordo com o cardeal Mazarin, sucessor de Richelieu como ministro do rei, novos esfor\u00e7os para aumentar as receitas levou a uma rebeli\u00e3o (a Fronda) por elementos da aristocracia. O resultado da guerra civil era um compromisso com as elites sociais, que, em troca de sua coopera\u00e7\u00e3o, foram dados privil\u00e9gios especiais e isen\u00e7\u00e3o de impostos.\n\nO longo reinado de Louis XIV (1643-1715) representa o auge da monarquia absoluta na Fran\u00e7a. Ele recebeu uma educa\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica em lidar com os assuntos de Estado, sob a orienta\u00e7\u00e3o de Mazarin. Ele cercou-se de todas as &#8220;armadilhas da majestade&#8221;, fazendo o papel de um monarca superiores todo-poderoso, e ele trabalhou muito e bem no trabalho. Apesar de, supostamente absoluta no poder, ele conseguiu atrav\u00e9s da colabora\u00e7\u00e3o com a aristocracia. Embora mais centralizada e eficiente do que qualquer monarquia francesa anterior, o absolutismo foi na realidade &#8220;a \u00faltima fase de uma sociedade feudal hist\u00f3rico.&#8221; (P.506).\n\nPoder aristocr\u00e1tico foi enfraquecida e contornado atrav\u00e9s de pr\u00e9-ocupa\u00e7\u00e3o com a vida grandiosa na corte, e do emprego de n\u00e3o-elite (classe m\u00e9dia) pessoas na burocracia real. Patroc\u00ednio real foi uma fonte importante de mobilidade social, bem como aumentar o poder real.\n\n<strong>No entanto, a maior fraqueza no sistema era econ\u00f4mica e financeira:<\/strong> agricultores ou coletores de impostos mantido grandes partes dos impostos que recolhiam, enquanto os grupos de elite pr\u00f3speros estavam isentos. Os esfor\u00e7os de Colbert, ministro do rei finan\u00e7as, foram direcionados para uma pol\u00edtica mercantilista que envolvia subs\u00eddios governamentais de ind\u00fastria e do governo regulamentos franceses para incentivar a auto-sufici\u00eancia e um com\u00e9rcio de exporta\u00e7\u00e3o. Esses esfor\u00e7os tiveram algum sucesso, mas foram prejudicadas pela base tribut\u00e1ria inadequada. A economia francesa era essencialmente dependente da agricultura e os agricultores franceses foram t\u00e3o fortemente tributado que o setor agr\u00edcola foi continuamente em crise. Al\u00e9m disso, as guerras dispendiosas sobrecarregado o governo ea economia.\n\nRei Lu\u00eds XIV levou a Fran\u00e7a em guerras imperialistas que despertou medo e preocupa\u00e7\u00e3o entre os outros pa\u00edses europeus, drenado recursos em franc\u00eas, e trouxe mis\u00e9ria generalizada para o campesinato franc\u00eas &#8211; tudo isso para a aquisi\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de Estrasburgo e algumas prov\u00edncias que fazem fronteira com os Pa\u00edses Baixos espanh\u00f3is . Na sua morte, em 1715, a Fran\u00e7a estava \u00e0 beira da fal\u00eancia financeira e do pa\u00eds exausto e cansado da guerra.\n\nAs caracter\u00edsticas do absolutismo que se desenvolveram na Europa Oriental, no s\u00e9culo XVII foram consideravelmente diferente da de Fran\u00e7a e Espanha, a oeste. Europa Oriental recuperado do per\u00edodo de fome e doen\u00e7as no s\u00e9culo XIV, de uma maneira diferente. No Ocidente, quando os n\u00edveis de popula\u00e7\u00e3o eram baixos e havia uma escassez de m\u00e3o de obra (do s\u00e9culo 14), os camponeses foram capazes de alcan\u00e7ar uma maior liberdade de restri\u00e7\u00f5es feudais, enquanto que no Oriente, a aristocracia rural era capaz de apertar as restri\u00e7\u00f5es \u00e0 campesinato e reduzir suas liberdades. Isso pode ter sido em parte devido ao fato de que as cidades ocidentais eram muito mais influente do que no Oriente por causa da extensa revolu\u00e7\u00e3o comercial que ocorreu no Ocidente. As cidades forneceu uma alternativa e, muitas vezes um ref\u00fagio para os camponeses que deixaram a terra. Al\u00e9m disso, as monarquias ocidentais muitas vezes protegidos do campesinato de alguns dos piores abusos de domina\u00e7\u00e3o aristocr\u00e1tica. Como o capital ocidental foi usado para comprar comida no Oriente, os latifundi\u00e1rios, que controlavam os contatos comerciais, exerceu press\u00e3o sobre os camponeses a produzir para exporta\u00e7\u00e3o e n\u00e3o para seu pr\u00f3prio consumo. Enquanto isso, o crescimento urbano no Oriente era limitado e os monarcas conseguiram facilmente a dominar as cidades. Os monarcas, invariavelmente, ganhou o apoio da aristocracia, permitindo-lhes uma m\u00e3o livre no controle de seu campesinato. Al\u00e9m disso, a Guerra dos Trinta Anos (1618-1648) e outros conflitos em curso sobre as grandes plan\u00edcies centrais abertas da Europa Oriental colocado um pr\u00eamio sobre a necessidade de os ex\u00e9rcitos da aristocracia ou de uma monarquia para crescer forte e numerosa.\n\nAs tr\u00eas \u00e1reas onde as monarquias poderosas desenvolvidas foram a \u00c1ustria, Pr\u00fassia e R\u00fassia.\n<h4>O que \u00e9<\/h4>\nUma teoria pol\u00edtica sustentando que todo o poder deve ser atribu\u00edda a um governante ou outra autoridade.\n\nUma forma de governo em que todo o poder \u00e9 exercido em um \u00fanico governante ou outra autoridade.\n<h4>Os<strong>\u00a0Estados absolutistas<\/strong><\/h4>\nOs<strong> Estados absolutistas<\/strong> surgem na Europa durante os s\u00e9culos XVII e XVIII. Realizam a centraliza\u00e7\u00e3o administrativa, criam ex\u00e9rcitos permanentes, procuram firmar as fronteiras nacionais e empreendem pol\u00edticas mercantilistas e coloniais. Tornam seus pa\u00edses pot\u00eancias europeias.\n<h4>Absolutismo franc\u00eas<\/h4>\nA partir de 1560, sob a Reg\u00eancia de Catarina de Medicis, s\u00e3o combatidos os calvinistas. No epis\u00f3dio conhecido como a Noite de S\u00e3o Bartolomeu, s\u00e3o assassinados 20 mil huguenotes (protestantes).Trava a guerra dos tr\u00eas Henriques, entre 1585 e 1589, para garantir a sucess\u00e3o din\u00e1stica.\n\nEm 1589 Henrique de Bourbon sobe ao trono e em 1593 converte-se ao catolicismo sob o pretexto de que &#8220;Paris vale uma missa&#8221;. Seguem-se Lu\u00eds XIII e os cardeais Richelieu e Mazarino. O seu apogeu \u00e9 alcan\u00e7ado com Lu\u00eds XIV, o Rei Sol, entre 1661 e 1715.\n\nLu\u00eds XIV (1638-1715), conhecido como o Rei Sol, o maior dos reis absolutistas da Fran\u00e7a. Recebe forma\u00e7\u00e3o humanista e assume o poder em 1661, um ano ap\u00f3s o casamento com Maria Teresa, filha de Felipe IV da Espanha. Durante seu reinado, que se estende por mais de 50 anos, d\u00e1 incentivos \u00e0s atividades culturais, persegue os protestantes, reorganiza o ex\u00e9rcito e trava guerras contra a Espanha, Holanda, \u00c1ustria e Luxemburgo. Constr\u00f3i o luxuoso Pal\u00e1cio de Versalhes, onde vive a corte francesa. Pr\u00edncipe caprichoso, aprecia a etiqueta, festas e belas mulheres. Mant\u00e9m duas amantes e manifesta sempre seu desejo de governar sozinho. A ele se atribui a frase &#8220;L&#8217;\u00c9tat c&#8217;est moi&#8221; (O Estado sou eu).\n<h4>Absolutismo ingl\u00eas<\/h4>\nGanha for\u00e7a inicialmente com a dinastia dos Tudor, entre 1485 e 1603, principalmente com Henrique VIII e Elizabeth I, sendo refor\u00e7ado com a dinastia dos Stuart. O auge do centralismo acontece com Cromwel, em 1653, durante a Rep\u00fablica instalada pelo Parlamento, em 1649. Tenta prosseguir com a restaura\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica dos Stuart, em 1660, mas as disputas din\u00e1sticas, os conflitos entre cat\u00f3licos e protestantes e as lutas entre a Coroa e o Parlamento, dominado pela burguesia, conduzem \u00e0s revolu\u00e7\u00f5es inglesas do s\u00e9culo XVII. A burguesia, inicialmente ligada ao rei, na necessidade de suplantar os nobres e garantir a expans\u00e3o comercial, passa a disputar com este o controle do Estado.\n\nElizabeth I (1533-1603), ou Isabel, rainha da Inglaterra e da Esc\u00f3cia. Filha de Henrique VIII e Ana Bolena. Na inf\u00e2ncia estuda l\u00ednguas, m\u00fasica e dan\u00e7a. Sobe ao trono em 1558 e implanta definitivamente o protestantismo na Inglaterra. Aprisiona e manda decapitar Mary Stuart, sua prima e rival, rainha cat\u00f3lica da Esc\u00f3cia.\n\nCombate Felipe II da Espanha, que representa impedimento \u00e0 expans\u00e3o inglesa. Desenvolve o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria, propiciando um renascimento das artes e um relaxamento dos costumes. Nessa \u00e9poca, a Inglaterra passa a ser conhecida como &#8220;merry old England&#8221; (&#8220;alegre e velha Inglaterra&#8221;), embora a situa\u00e7\u00e3o do povo continue ruim. N\u00e3o faltam tentativas de rebeli\u00e3o e atentados \u00e0 vida da rainha, mas a ordem social \u00e9 mantida pelo terror.\n<h4>Revolu\u00e7\u00e3o Puritana<\/h4>\nInicia-se em 1628, quando o Parlamento imp\u00f5e a Carlos I, da dinastia dos Stuart, a &#8220;Peti\u00e7\u00e3o dos Direitos&#8221;, que limita o poder da Coroa. Como resposta, o rei dissolve o Parlamento e governa sozinho durante 11 anos. A guerra civil come\u00e7a em 1642. Oliver Cromwell comanda o ex\u00e9rcito parlamentarista, que manda decapitar Carlos I em pra\u00e7a p\u00fablica. A Rep\u00fablica \u00e9 instaurada em 1649 e, em 1653, Cromwell dissolve o Parlamento e exerce uma ditadura pessoal.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Absolutismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/aabsolu24.jpg\" alt=\"Absolutismo\" width=\"310\" height=\"187\" \/><\/p>\n\n<h4>Restaura\u00e7\u00e3o da monarquia<\/h4>\nRicardo, filho de Cromwell, sucede o pai mas n\u00e3o consegue se manter no poder por mais de oito meses. Um novo Parlamento \u00e9 eleito (1660) e decide pela restaura\u00e7\u00e3o da monarquia dos Stuart. Carlos II assume a Coroa cedendo ao dom\u00ednio do Parlamento. A restaura\u00e7\u00e3o estende-se pelo reinado de Carlos II (1660-1685) e de seu irm\u00e3o Jaime II (1685-1688).\n<h4>Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa<\/h4>\nDurante o reinado de Jaime II, cat\u00f3lico, cresce o descontentamento da alta burguesia e da nobreza anglicana. Temendo um governo ditatorial, o Parlamento ingl\u00eas prop\u00f5e a Coroa a Guilherme de Orange, pr\u00edncipe holand\u00eas casado com Mary Stuart (filha de Jaime II). A Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa come\u00e7a em 1688 quando se enfrentam as for\u00e7as de Guilherme de Orange e de Jaime II, que \u00e9 derrotado.\n\nEm 1669 Guilherme e Mary Stuart assumem o trono da Inglaterra. Assinam o Bill of Rights (declara\u00e7\u00e3o de direitos) que determina, entre outras coisas, a liberdade de imprensa, a manuten\u00e7\u00e3o de um ex\u00e9rcito permanente e o poder do Parlamento de legislar sobre tributos. A Revolu\u00e7\u00e3o marca o fim do absolutismo na Inglaterra e a instaura\u00e7\u00e3o da monarquia constitucional. Favorece a alian\u00e7a entre burguesia e propriet\u00e1rios rurais, que ser\u00e1 a base do desenvolvimento econ\u00f4mico ingl\u00eas.\n<p class=\"fonte\"><\/p>\n\n<h4>O que \u00e9<\/h4>\nSistema de governo no qual o poder \u00e9 concentrado nas m\u00e3os do monarca, caracter\u00edstico dos regimes da maioria dos Estados europeus entre os s\u00e9culos XVII e XVIII. Os reis controlam a administra\u00e7\u00e3o do Estado, formam ex\u00e9rcitos permanentes, dominam a padroniza\u00e7\u00e3o monet\u00e1ria e fiscal, procuram estabelecer as fronteiras de seus pa\u00edses e interv\u00eam na economia nacional por meio de pol\u00edticas mercantilistas e coloniais. Tamb\u00e9m criam uma organiza\u00e7\u00e3o judici\u00e1ria nacional, a justi\u00e7a real, que se sobrep\u00f5e ao fragmentado sistema feudal.\n\nA centraliza\u00e7\u00e3o do poder desenvolve-se a partir da crise do feudalismo. Com o crescimento comercial, a burguesia tem interesse em disputar o dom\u00ednio pol\u00edtico com os nobres e ap\u00f3ia a concentra\u00e7\u00e3o do poder. A Reforma Protestante do s\u00e9culo XVI tamb\u00e9m colabora para o fortalecimento da autoridade mon\u00e1rquica, pois enfraquece o poder papal e coloca as igrejas nacionais sob o controle do soberano. Com a evolu\u00e7\u00e3o das leis, com base no estudo do direito romano, surgem teorias que justificam o absolutismo, como as de Nicolau Maquiavel (1469-1527), Jean Bodin (1530-1595), Jacques Bossuet (1627-1704) e Thomas Hobbes (1588-1679).\n\nO Estado absolutista t\u00edpico \u00e9 a Fran\u00e7a de Lu\u00eds XIV (1638-1715).\n\n<strong>Conhecido como o Rei Sol, a ele \u00e9 atribu\u00edda a frase que se torna o emblema do poder absoluto: <\/strong>&#8220;O Estado sou eu&#8221;. Lu\u00eds XIV atrai a nobreza para o Pal\u00e1cio de Versalhes, perto de Paris, onde vive em clima de luxo in\u00e9dito na hist\u00f3ria do Ocidente. Na Inglaterra, no in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, Henrique VIII, segundo rei da dinastia Tudor, consegue impor sua autoridade aos nobres com o apoio da burguesia e assume tamb\u00e9m o poder religioso. O processo de centraliza\u00e7\u00e3o completa-se no reinado de sua filha Elizabeth I. No s\u00e9culo XVIII surge o despotismo esclarecido, uma nova maneira de justificar o fortalecimento do poder real, apoiada pelos fil\u00f3sofos iluministas.\n\nO processo de extin\u00e7\u00e3o do absolutismo na Europa come\u00e7a na Inglaterra com a Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa (1688), que limita a autoridade real com a Declara\u00e7\u00e3o de Direitos (Constitui\u00e7\u00e3o), assinalando a ascens\u00e3o da burguesia ao controle do Estado. Na Fran\u00e7a, o absolutismo termina com a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789). Nos outros pa\u00edses europeus, ele vai sendo derrotado com as Revolu\u00e7\u00f5es Liberais do s\u00e9culo XIX.\n<h4>Teoria<\/h4>\nO <strong>absolutismo<\/strong> \u00e9 uma teoria pol\u00edtica que defende que uma pessoa (em geral, um monarca) deve deter todo o poder. Esta ideia recebe frequentemente a designa\u00e7\u00e3o de &#8220;Direito Divino dos Reis&#8221;, implicando que a autoridade do governante emana directamente de Deus. Os te\u00f3ricos de relevo associados ao absolutismo incluem Agostinho de Hipona, Paulo de Tarso, Jacques-B\u00e9nigne Bossuet, e Thomas Hobbes.\n\nA ess\u00eancia do absolutismo implicava em conceder ao titular do poder um status acima de qualquer exame por parte de outro \u00f3rg\u00e3o, fosse ele judicial, legislativo, religioso ou eleitoral. Ou seja da ao rei poder ilimitado independente de seu estado fisico ou psicol\u00f3gico.\n<h4>Defini\u00e7\u00e3o<\/h4>\nRegime pol\u00edtico em que os reis possuem o poder absoluto sobre suas na\u00e7\u00f5es (concentra\u00e7\u00e3o de poderes nas m\u00e3os dos reis.\n<p class=\"fonte\"><\/p>\n<strong>LOCALIZA\u00c7\u00c3O GEOGR\u00c1FICA<\/strong>\n<blockquote>Europa Ocidental \u0096 auge foi atingido na Fran\u00e7a<\/blockquote>\n<strong>LOCALIZA\u00c7\u00c3O CRONOL\u00d3GICA<\/strong>\n<blockquote>Nos s\u00e9culos XV e XVI, ocorre o processo de centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica.\nNo s\u00e9culo XVII, ocorre o processo final, quando as Monarquias s\u00e3o absolutas e atingem o auge.<\/blockquote>\n<strong>CARACTER\u00cdSTICAS<\/strong>\n<blockquote><strong>O absolutismo, fen\u00f4meno de fortalecimento do poder pol\u00edtico do Rei, ocorreu em todos os pa\u00edses da Europa Ocidental, dentre eles:<\/strong> Portugal, Espanha, Fran\u00e7a e Inglaterra.\nO Estado nacional tendeu a prevalecer na organiza\u00e7\u00e3o dos Estados europeus, quando as na\u00e7\u00f5es europ\u00e9ias tiveram a tend\u00eancia de se organizarem em Estados nacionais centralizados e mon\u00e1rquicos.\nO absolutismo ocorreu em conseq\u00fc\u00eancia da decad\u00eancia do feudalismo e do triunfo do Capitalismo na Europa.\nA burguesia aliou-se ao Rei, que se fortaleceu, impondo seu poder sobre a nobreza, tornando o Estado centralizado, provocando o surgimento do Estado Moderno, organizado pela Monarquia absoluta.\nSurgiram fil\u00f3sofos pol\u00edticos que em suas obras procuraram legitimar e justificar o absolutismo dos Reis, como Nicolau Maquiavel, Jean Bodin, Thomas Hobbes e o Cardeal Bossuet.<\/blockquote>\n<strong>CAUSAS DA FORMA\u00c7\u00c3O DAS MONARQUIAS ABSOLUTAS<\/strong>\n<blockquote>A Reforma provocou as guerras de religi\u00e3o, nos finais do s\u00e9culo XVI, que foram cap\u00edtulo da guerra pela centraliza\u00e7\u00e3o do poder Real.\nAs conseq\u00fc\u00eancias da Guerra dos Cem Anos, que provocaram a decad\u00eancia do poder dos Senhores feudais, ascens\u00e3o da burguesia e a consolida\u00e7\u00e3o do poder Real.\nA alian\u00e7a da burguesia com o Rei.\nO aparecimento do sentimento nacional.\nO aparecimento da filosofia pol\u00edtica do \u0093direito divino dos Reis\u0094.<\/blockquote>\n<strong>O ABSOLUTISMO NA FRAN\u00c7A<\/strong>\n<blockquote>O processo de centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica teve in\u00edcio na Idade M\u00e9dia com os Reis Felipe Augusto, Lu\u00eds IX e Filipe IV.\nOs Reis da Dinastia de Valois, Carlos VIII, Lu\u00eds XII e Francisco I se notabilizaram no processo de centraliza\u00e7\u00e3o do poder real, com a expans\u00e3o territorial e a organiza\u00e7\u00e3o da Corte Real.\n<strong>Com a Dinastia de Bourbon o processo atinge o auge, iniciado por Henrique IV (1593-1610), que alicer\u00e7ou o absolutismo franc\u00eas com o aux\u00edlio de seu ministro Duque de Sully, atrav\u00e9s de medidas altamente eficientes:<\/strong>\nPromulga\u00e7\u00e3o do Edito de Nantes (1598), que estabeleceu a toler\u00e2ncia religiosa;\nReorganiza\u00e7\u00e3o financeira da Fran\u00e7a;\nIncentivo ao desenvolvimento comercial e industrial.\n<strong>Com Lu\u00eds XIII, primeiro sob a reg\u00eancia de Maria de M\u00e9dicis e sob o Ministro Cardeal Richelieu, as a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas conduziram o pa\u00eds ao apogeu:<\/strong>\n<blockquote>estabelecimento da Fran\u00e7a, como primeira pot\u00eancia do mundo;<\/blockquote>\nAuge do Absolutismo franc\u00eas sob os Reis Lu\u00eds XIV, Lu\u00eds XV e Lu\u00eds XVI.\n<strong>Sob o Reinado de Lu\u00eds XIV:<\/strong>\nInicialmente, sob a Reg\u00eancia de Ana D\u0092\u00c1ustria e seu ministro Cardeal Mazarino;\n<strong>O Rei franc\u00eas tornou-se o \u0093Rei-Sol\u0094, a encarna\u00e7\u00e3o do Rei-absoluto, atingindo a m\u00e1xima centraliza\u00e7\u00e3o do poder real, consagrado pela frase:<\/strong> \u0093L\u0092\u00c9tat c\u0092est moi\u0094 (O Estado sou Eu);\nRevoga\u00e7\u00e3o do Edito de Nantes (1685), estabelecendo o cristianismo como religi\u00e3o oficial do Estado;\nPromove guerras externas para expans\u00e3o territorial;\nPromove o desenvolvimento econ\u00f4mico, atrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o do Mercantilismo industrial, promovido por Colbert, com a cria\u00e7\u00e3o das ind\u00fastrias reais de produtos de luxo;\nAtinge, atrav\u00e9s de incentivos, grande desenvolvimento art\u00edstico e cient\u00edfico.\n<strong>Sob os Reis Lu\u00eds XV e Lu\u00eds XVI: <\/strong>com Lu\u00eds XV, a Fran\u00e7a \u00e9 derrotada na Guerra dos Sete Anos (1756 \u0096 1763);\nReinados com governos p\u00e9ssimos, gerando crises financeiras e desorganiza\u00e7\u00e3o interna no Estado franc\u00eas;\nA Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) p\u00f5e fim ao poder real absoluto na Fran\u00e7a, guilhotinando Lu\u00eds XVI e Maria Antonieta.<\/blockquote>\n<strong>O ABSOLUTISMO NA INGLATERRA<\/strong>\n<blockquote>Na Inglaterra, o absolutismo n\u00e3o atingiu o apogeu, havendo de fato a evolu\u00e7\u00e3o para o regime parlamentar de governo, sistema democr\u00e1tico-liberal, com algumas tentativas de Reis para implantar o absolutismo.\n<strong>O absolutismo real teve sua gl\u00f3ria na Inglaterra sob a Dinastia Tudor com os Reis Henrique VII, Henrique VIII e Elisabeth I:<\/strong>\nHenrique VII estabeleceu o absolutismo em conseq\u00fc\u00eancia da Guerra das Duas Rosas, travada entre as Casas de York e Lancaster, na disputa pelo poder Real;\nHenrique VIII e Elisabeth I reinaram com um respeito aparente pelo Parlamento ingl\u00eas, que na realidade era controlado pela pol\u00edtica real.\n<strong>O Absolutismo real entra em crise na Inglaterra sob a Dinastia dos Stuart:<\/strong>\nEm 1603, em conseq\u00fc\u00eancia da uni\u00e3o entre as coroas inglesa e escocesa, sobe ao trono Jaime I, da Casa dos Stuart, da Esc\u00f3cia, buscando exercer na Inglaterra a Monarquia de direito divino;\nDiante da revolta do Parlamento, Jaime I foi obrigado a recuar em sua pol\u00edtica absolutista, assinando a \u0093Peti\u00e7\u00e3o de Direitos\u0094 (1628), que limitava a autoridade do poder real;\nSeu sucessor, Carlos I insistiu na mesma pol\u00edtica absolutista, provocando Guerra Civil entre os Cavaleiros, partid\u00e1rios do Rei e os Cabe\u00e7as-Redondas, partid\u00e1rios do Parlamento, entre 1642 e 1649, que levou a vit\u00f3ria ao Parlamento, sendo seu l\u00edder Oliver Cromwell al\u00e7ado ao poder como Lord Protector, estabelecendo ditadura republicana e mandando o Rei Carlos I para a forca- \u00e9 uma experi\u00eancia republicana na Inglaterra.\nSeu sucessor Ricardo Cromwell foi deposto pelo Parlamento, que coroou o Rei Carlos II, retornando a Inglaterra ao regime mon\u00e1rquico;\nCarlos II e Jaime II n\u00e3o conseguem impor seus poderes absolutos, diante da for\u00e7a pol\u00edtica do Parlamento;\nSob Jaime II, ocorreu a Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa que resultou na deposi\u00e7\u00e3o do Rei e na ascens\u00e3o de sua filha Maria e seu marido Guilherme de Orange, que pacificamente participaram do golpe de estado, cumpriram o \u0093Bill Of Rights\u0094, Declara\u00e7\u00e3o de Direitos, discutido e votado pelo Parlamento e imposto a Maria II, Stuart e que, na realidade, institu\u00eda o ponto inicial do estabelecimento do Governo parlamentar na Inglaterra, que \u00e9 um governo liberal e democr\u00e1tico.<\/blockquote>\n<strong>CONCLUS\u00c3O<\/strong>\n\nO apoio dado ao Rei pala burguesia, constitu\u00edda, principalmente, de comerciantes de n\u00edvel internacional, ligados ao com\u00e9rcio de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, bem como os pequenos comerciantes localizados em \u00e1reas pertencentes aos dom\u00ednios reais foi decisivo no processo de centraliza\u00e7\u00e3o mon\u00e1rquica.\n\nOs burgueses visavam posi\u00e7\u00e3o social e maiores facilidades para operar o com\u00e9rcio.\n\nO Rei os acolheu dando-lhes postos na administra\u00e7\u00e3o real.\n\nAssim, essa burguesia urbana passou a arrecadar impostos, organizando as cidades, formando ex\u00e9rcito real profissional, fortalecendo o poder pol\u00edtico, econ\u00f4mico e militar do Rei, permitindo-lhe submeter o poder da nobreza rural e centralizando o poder real.\n\nFil\u00f3sofos que viveram nas Cortes reais, durante os s\u00e9culos XVI e XVII procuraram legitimar e justificar o poder absoluto dos Reis.\n<blockquote>Dentre eles, Nicolau Maquiavel que escreveu \u0093O Pr\u00edncipe\u0094, cujo conte\u00fado foi utilizado pelos Reis europeus para justificarem suas a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas;\nJean Bodin, autor de \u0093Rep\u00fablica\u0094 dizia que o poder real era ilimitado como o poder do chefe de fam\u00edlia ou patriarca;\nO Cardeal Jacques Bossuet em sua obra \u0093Pol\u00edtica segundo a Sagrada Escrita\u0094 justificava o \u0093direito divino dos Reis\u0094;\nThomas Hobbes em \u0093O Leviat\u00e3\u0094 justificava a Monarquia Absoluta.<\/blockquote>\n&nbsp;\n<h4><strong>A FORMA\u00c7\u00c3O DO ESTADO ABSOLUTISTA FRANC\u00caS <\/strong><\/h4>\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XVI, os reis franceses j\u00e1 se apresentavam com o poder consolidado, respondendo por seus atos somente a Deus. Criaram os servi\u00e7os p\u00fablicos, colocaram a Igreja sob seu controle e incentivaram o com\u00e9rcio, visando obter os metais preciosos.\n\nNa segunda metade do s\u00e9culo XVI, a Fran\u00e7a foi assolada por guerras religiosas entre cat\u00f3licos e calvinistas (huguenotes), que se estenderam de 1562 a 1598.\n\nEssas guerras envolveram as grandes fam\u00edlias aristocr\u00e1ticas que dominavam o pa\u00eds, pois os cat\u00f3licos eram chefiados pelo rei Henrique III da dinastia de Valois, e pelo Duque Henrique de Guise e os protestantes eram liderados por Henrique de Navarra ou Bourbon.\n\nHenrique III hesitava em combater os protestantes calvinistas, cuja grande maioria era de burgueses, respons\u00e1veis por parte consider\u00e1vel das riquezas do reino.\n\nA luta armada, iniciada em 1562, trouxe massacres tanto de huguenotes quanto de cat\u00f3licos, al\u00e9m de devasta\u00e7\u00f5es e de revoltas populares no campo e nas cidades. Com o assassinato do rei, em 1589, subiu ao trono seu parente mais pr\u00f3ximo, Henrique de Navarra, que para ser coroado aceitou converter-se ao catolicismo.\n\nAs guerras religiosas favoreceram o processo de centraliza\u00e7\u00e3o da monarquia, no reinado de Henrique IV de Navarra ou Bourbon, que durou de 1589 a 1610.\n\nEm 1598, foi publicado o Edito de Nantes, concedendo liberdade de culto aos huguenotes e permitindo seu livre acesso aos cargos p\u00fablicos. No setor econ\u00f4mico, destacou-se o ministro Sully que incentivou a agricultura, as manufaturas e a coloniza\u00e7\u00e3o, adotando medidas mercantilistas.\n\nNo governo de Henrique IV, foi criada a &#8220;paulette&#8221; (1604),que consistia na legaliza\u00e7\u00e3o da venda de cargos p\u00fablicos e de t\u00edtulos de nobreza, transformando-se numa importante fonte de renda para o Estado. 0 novo imposto teve um grande alcance pol\u00edtico-social, pois abriu \u00e0 burguesia mercantil e financeira a oportunidade de ascens\u00e3o social. Entre 1620 a 1624, a &#8220;paulette&#8221; chegou a representar 38% dos rendimentos reais. **Henrique IV morreu assassinado em 1610 e foi sucedido por seu filho, Lu\u00eds XIII.\n<h4><strong>A MONARQUIA DE &#8220;DIREITO DIVINO&#8221; <\/strong><\/h4>\nNo reinado de Lu\u00eds XIII (1610\/1643), o Estado Absolutista franc\u00eas consolidou-se. Seu ministro, o cardeal Richelieu, adotou uma pol\u00edtica interna que tinha por objetivo reduzir a autonomia dos nobres e acabar com todas as limita\u00e7\u00f5es &#8216;\u00e0 autoridade do rei. Ele perseguiu os huguenotes, derrotando-os definitivamente; refor\u00e7ou o ex\u00e9rcito e modernizou a burocracia, criando o cargo de Intendente, para supervisionar e controlar os governadores das prov\u00edncias. Do ponto de vista econ\u00f4mico, incrementou as pr\u00e1ticas mercantilistas, com o objetivo de transformar a Fran\u00e7a na maior pot\u00eancia europ\u00e9ia.\n\nA nobreza francesa foi se adaptando \u00e0 centraliza\u00e7\u00e3o, pois seus privil\u00e9gios, como as isen\u00e7\u00f5es de impostos, a prioridade na ocupa\u00e7\u00e3o de postos no ex\u00e9rcito e na administra\u00e7\u00e3o, continuaram assegurados. Por sua vez, a burguesia integrou-se ao Estado absolutista comprando cargos p\u00fablicos, t\u00edtulos de nobreza e terras, desviando, assim, seus capitais, do setor produtivo como o com\u00e9rcio e as manufaturas.\n\n0 Estado, com despesas cada vez mais elevadas na manuten\u00e7\u00e3o da corte, das guerras e do ex\u00e9rcito, sustentava-se atrav\u00e9s de numerosos aumentos das tarifas, que reca\u00edam basicamente sobre os camponeses, os artes\u00e3os e os pequenos burgueses. 0 imposto sobre o sal (gabela) foi estendido a todo s\u00fadito com mais de sete anos, obrigado a consumir, pelo menos, sete libras por ano; novas taxas e alf\u00e2ndegas internas sobre a circula\u00e7\u00e3o de mercadorias tamb\u00e9m foram criadas.\n\nEm 1610, o imposto da talha arrecadou 17 milh\u00f5es de libras; em 1644, 44 milh\u00f5es de libras. A nobreza isenta de seu pagamento e representando apenas 2% da popula\u00e7\u00e3o francesa, ficava com 20 a 30% de to da a renda nacional. Esse dado mostra o alto grau de explora\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica garantido pelo absolutismo sobre as classes mais baixas da sociedade.\n\n0 absolutismo franc\u00eas (ou &#8220;Antigo Regime&#8221;), como passou a ser chamado a partir da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa) atingiu o auge no reinado de Lu\u00eds XIV (1643-1715), denominado o &#8220;Rei Sol&#8221;.\n\n<strong>Durante a sua menoridade, o governo foi exercido pelo primeiro-ministro Mazarino, que enfrentou vitoriosamente v\u00e1rias rebeli\u00f5es da nobreza resistente ao absolutismo:<\/strong> as Frondas. <strong>A partir de 1661, com a morte de Mazarino, o monarca exerceu pessoalmente o poder, sem admitir qualquer contesta\u00e7\u00e3o, sendo-lhe atribu\u00edda \u00e0 frase: <\/strong>O Estado sou eu&#8221;.\n\nLuis XIV exigiu que os governadores das prov\u00edncias francesas, nomeados por apenas tr\u00eas anos, residissem em Paris, para melhor control\u00e1-los. Mandou construir o luxuoso Pal\u00e1cio de Versalhes, que chegou a abrigar mais de 10 mil pessoas, entre nobres e seus servidores, numa prova incontest\u00e1vel de prest\u00edgio e fausto.\n\nNa Corte, as principais fam\u00edlias da Fran\u00e7a desfrutavam de um elevado padr\u00e3o de vida, entre favo pens\u00f5es e cargos p\u00fablicos, al\u00e9m de ocuparem seu tempo em jogos, ca\u00e7adas, passeios, bailes e intrigas, gra\u00e7as aos impostos arrecadados entre as classes populares.\n\nComo justificativa da centraliza\u00e7\u00e3o imposta pelo Estado absolutista franc\u00eas, difundiu-se a teoria da monarquia de &#8220;direito divino&#8221;, segundo a qual o rei era o representante de Deus na terra e, por tanto, somente a Ele devia prestar contas. Para o historiador franc\u00eas H. Methivier, a monarquia de Lu\u00eds XIV era &#8220;uma verdadeira religi\u00e3o, 1 com seu deus (o Rei), seus sacerdotes (dignit\u00e1rios e cortes\u00e3os), seu dogma (teoria. do poder real), seus ritos (a etiqueta), seu templo (Versalhes), seus fi\u00e9is (os s\u00faditos) e seus her\u00e9ticos (os opositores).\n\nNo entanto, a centraliza\u00e7\u00e3o imposta por Lu\u00eds XIV tornou imposs\u00edvel a conviv\u00eancia entre cat\u00f3licos e protestantes. A partir da revoga\u00e7\u00e3o do Edito de Nantes, em 1685, acabando com a liberdade de culto, o com\u00e9rcio e a ind\u00fastria viram-se prejudicados com o \u00eaxodo de burgueses calvinistas. Al\u00e9m disso, a dispendiosa manuten\u00e7\u00e3o da corte e a s\u00e9rie de guerras desastrosas envolvendo quest\u00f5es com a Inglaterra, a Holanda, a Espanha, a \u00c1ustria e a Alemanha agravaram a situa\u00e7\u00e3o financeira do pais, provocando a mis\u00e9ria de camponeses e de artes\u00e3os.\n<h4><strong>A SOCIEDADE DA FRAN\u00c7A ABSOLUTISTA <\/strong><\/h4>\nDurante a \u00e9poca moderna, a sociedade francesa conservou sua divis\u00e3o em tr\u00e1s &#8220;ordens&#8221; ou &#8220;estados&#8221; e o seu car\u00e1ter aristocr\u00e1tico, heran\u00e7a do per\u00edodo feudal em que a terra era a principal riqueza. 0 rei, autoridade m\u00e1xima da monarquia absolutista de &#8220;direito divino&#8221;, era a fonte de toda justi\u00e7a, legisla\u00e7\u00e3o e administra\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n\n0 1o. Estado (alto e baixo clero) e o 2o. Estado (alta nobreza da corte e pequena nobreza das prov\u00edncias) representava menos de 3% da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e gozavam de isen\u00e7\u00f5es de impostos, leis e tribunais especiais. Do 2o. Estado fazia parte tamb\u00e9m a alta burguesia mercantil urbana, que enriquecida com os lucros obtidos nos neg\u00f3cios, havia adquirido terras, t\u00edtulos e cargos administrativos, transformando-se em nobreza togada, integrada ao Estado absolutista, com os mesmos privil\u00e9gios e direitos da nobreza tradicional de sangue.0 alto clero (bispos e abades), a alta nobreza da corte e a al ta burguesia enobrecida (nobreza togada) formavam a aristocracia do Estado absolutista, ocupando os melhores cargos do governo, da Igreja e do Ex\u00e9rcito, recebendo pens\u00f5es, subs\u00eddios e doa\u00e7\u00f5es que custavam ao Estado milh\u00f5es de libras por ano.\n\n0 3o. Estado (burgueses, artes\u00e3os e camponeses) abrangia cerca de 97% da popula\u00e7\u00e3o francesa, estava privado de qualquer privil\u00e9gio ou direito pol\u00edtico e era respons\u00e1vel pelo pagamento de todos os impostos que sustentavam o rei e as classes privilegiadas.\n\nOs grupos sociais que compunham o terceiro Estado eram bastante diversificados. Nas cidades, destacava-se a burguesia formada por magistrados, profissionais liberais, m\u00e9dios e pequenos comerciantes e donos de oficinas (amea\u00e7ados pela concorr\u00eancia das manufaturas), que pagava al tos impostos ao reino. Havia tamb\u00e9m uma massa de trabalhadores urbanos, pequenos artes\u00e3os, aprendizes, lojistas, biscateiros, desempregados, que sofria com os baixos sal\u00e1rios e com a carestia.\n\n<strong>No campo, estava a maior parte da popula\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a e do Terceiro Estado:<\/strong> eram pequenos propriet\u00e1rios, arrendat\u00e1rios, meeiros e servos que pagavam impostos ao Estado (a talha, sobre a propriedade; a capita\u00e7\u00e3o, por pessoa; as gabelas, sobre o sal e o vinho); \u00e0 Igreja (os d\u00edzimos, em dinheiro e em g\u00eaneros) e aos nobres, (o censo, renda em dinheiro; a jugada, parte da colheita; a portagem, pelo direito de circular nas estradas e pontes do dom\u00ednio do senhor; as banalidades, pelo uso do moinho, forno, forja bosques e pastagens).\n\n<strong>A maioria dos camponeses era pobre, obrigada a trabalhar na ter ra alheia por um pequeno sal\u00e1rio e lutava por manter o antigo costume de utiliza\u00e7\u00e3o coletiva das terras. Dividido em diferentes camadas, o campesinato unia-se num aspecto:<\/strong> o \u00f3dio aos d\u00edzimos pagos \u00e0 Igreja e as obriga\u00e7\u00f5es feudais devidas aos propriet\u00e1rios e ao Estado.\n<h4><strong>O DESENVOLVIMENTO DA ECONOMIA MERCANTIL INGLESA<\/strong><\/h4>\nDurante a \u00e9poca feudal, a popula\u00e7\u00e3o da <strong>Inglaterra<\/strong> vivia em maior parte no campo, em comunidades locais que produziam l\u00e3s e v\u00edveres para o pr\u00f3prio consumo.\n\nAs terras eram cultivadas visando o sustento familiar e passavam de pais para filhos.\n\n<strong>Os camponeses exploravam seus lotes dispersos em faixas pelas propriedades senhoriais, num sistema denominado &#8220;campos abertos:<\/strong> Eles utilizavam tamb\u00e9m as terras comuns&#8221; dos dom\u00ednios para a pastagem do gado, a ca\u00e7a ou a obten\u00e7\u00e3o madeira.\n\nGradualmente a partir do s\u00e9culo XV, as aldeias come\u00e7aram a modificar.\n\n<strong>Os g\u00eaneros agr\u00edcolas e as l\u00e3s nelas produzidos passaram ser vendidos em regi\u00f5es mais afastadas, iniciando-se a forma\u00e7\u00e3o de u: <\/strong>mercado nacional.\n\nA facilidade na obten\u00e7\u00e3o da 19 favoreceu o desenvolvimento da ind\u00fastria t\u00eaxtil que se espalhou pelas aldeias atrav\u00e9s sistema dom\u00e9stico de produ\u00e7\u00e3o, fugindo \u00e0s restri\u00e7\u00f5es impostas pelas corpora\u00e7\u00f5es de of\u00edcio nas cidades.\n\n\u00c0 medida que o com\u00e9rcio da l\u00e3 aumentava, os propriet\u00e1rios c terras iniciaram o cercamento de seus campos abertos (num processo denominado &#8220;enclousure&#8221; surgido no s\u00e9culo XVI e que se estendeu at\u00e9 s\u00e9culo XIX), expulsando os camponeses de seus lotes e acabando com os direitos tradicionais de utiliza\u00e7\u00e3o das &#8220;terras comuns&#8221; dos dom\u00ednios Os enclousures tinham por objetivo favorecer a cria\u00e7\u00e3o intensiva d carneiros para o fornecimento de l\u00e3 em bruto e contou sempre com o apoio do Parlamento.\n\nAs regi\u00f5es do sul e do leste da Inglaterra especializaram-se na produ\u00e7\u00e3o de l\u00e3 e de alimentos, cujos pre\u00e7os estavam em ascens\u00e3o. A., terras se valorizaram, transformando-se numa mercadoria como outra qualquer podendo ser compradas, vendidas ou arrendadas, a crit\u00e9rio de seu propriet\u00e1rio, 0 uso da moeda (Aumentado com a chegada do ouro e da prata da Am\u00e9rica) generalizou-se, substituindo o pagamento em esp\u00e9cie ou em trabalho entre camponeses e propriet\u00e1rios.\n\nNo s\u00e9culo XVI, a Inglaterra tornou-se tamb\u00e9m um grande centro de extra\u00e7\u00e3o de carv\u00e3o e de produ\u00e7\u00e3o de ferro, estanho, vidro, sab\u00f5es e constru\u00e7\u00e3o naval. Al\u00e9m da ind\u00fastria t\u00eaxtil, espalhada por burgos e aldeias do interior, surgiram empresas que utilizavam m\u00e9todos novos para a extra\u00e7\u00e3o do sal, o fabrico do papel, o refino do a\u00e7\u00facar e a fundi\u00e7\u00e3o do ferro e do cobre, A explora\u00e7\u00e3o das minas de carv\u00e3o foi melhorada 1 com a utiliza\u00e7\u00e3o de bombas que permitiam o trabalho a grande profundidade.\n\nOs lucros obtidos na produ\u00e7\u00e3o e na exporta\u00e7\u00e3o de mercadorias passaram &#8211; a ser investidos na compra de terras, ainda a principal riqueza e fonte de poder, por comerciantes, manufatureiros, traficantes e homens de neg\u00f3cios em geral. Surgiram assim os &#8220;agricultores capitalistas&#8221;, um novo grupo de propriet\u00e1rios rurais, que investia seus ganhos na explora\u00e7\u00e3o comercial da terra.\n\n0 desenvolvimento da economia mercantil dividiu os propriet\u00e1rios de terras e de riquezas em dois grupos antag\u00f4nicos. De um lado, a alta nobreza formada pela antiga aristocracia dos &#8220;pares&#8221; do reino, que vivia das rendas fixas da terra e dos favores da corte e interessava-se em manter as pr\u00e1ticas e os costumes feudais.\n\nDe outro lado, consolidava-se a burguesia urbana e a &#8220;gentry&#8221; formada pela pequena burguesia independente e pelos novos agricultores capitalistas; esse grupo era partid\u00e1rio do cercamento dos campos e da liberdade de produ\u00e7\u00e3o e de comercio.\n\nA popula\u00e7\u00e3o rural tamb\u00e9m foi afetada pelo crescimento econ\u00f4mico. Havia os camponeses &#8220;yeomen&#8221; (pequenos e m\u00e9dios propriet\u00e1rios de terras) a os camponeses arrendat\u00e1rios que n\u00e3o eram donos dos lotes que cultivavam. A maioria dos yeomen que possu\u00eda propriedades de tamanho m\u00e9dio e produzia para o mercado, progrediu. J\u00e1 os pequenos propriet\u00e1rios e os arrendat\u00e1rios com o in\u00edcio do cercamento dos campos, perderam suas terras e transformaram-se em assalariados ou desocupados.\n\nCom a expuls\u00e3o dos camponeses das terras cercadas, as revoltas tornaram-se freq\u00fcentes na Cornualha, no Devonshire e em Norfolk. 0 governo ingl\u00eas tentou interferir, defendendo para os camponeses as &#8216;Ire servas de terras de uso comum&#8221;, para a pastagem do gado, mas n\u00e3o obteve \u00eaxito, visto que a iniciativa ia contra os interesses da gentry e dos camponeses propriet\u00e1rios (os yeomen), beneficiados pelos cercamentos que possu\u00edam representantes no Parlamento.\n\n0 desenvolvimento econ\u00f4mico e a generaliza\u00e7\u00e3o do uso da moeda trouxeram lucros para a burguesia urbana, a gentry e parte da yeo manry, grupos sociais que se dedicavam ao com\u00e9rcio e \u00e0 produ\u00e7\u00e3o, enquanto que a alta nobreza e grande parte dos camponeses viam seus rendimentos diminu\u00edrem ou perderem seu valor.\n<h4><strong>ABSOLUTISMO E MERCANTILISMO<\/strong><\/h4>\nHenrique VII (1485\/1509) foi o iniciador da centraliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica na Inglaterra, submetendo os nobres e subordinando as administra\u00e7\u00f5es locais ao seu controle.\n\nA centraliza\u00e7\u00e3o prosseguiu no reinado de Henrique VIII (1509\/1547), facilitada pela cria\u00e7\u00e3o, em 1534, da Igreja Anglicana, chefiada pelo monarca e separada da Igreja Cat\u00f3lica Romana, ap\u00f3s uma crise com o papa Clemente VII. As terras e as propriedades da Igreja Cat\u00f3lica foram confiscadas pelo Estado e vendidas para a nobreza e para a burguesia.\n\nMesmo com o poder pol\u00edtico fortalecido, os monarcas ingleses da dinastia Tudor -Henrique VII, Henrique VIII, Eduardo VI, Maria Tudor e Elisabeth 1 (1558\/1603) &#8211; mantiveram um relacionamento razo\u00e1vel com o Parlamento, garantindo no pa\u00eds as tradi\u00e7\u00f5es e as apar\u00eancias de um governo representativo.\n\n0 reinado de Elisabeth I foi um, per\u00edodo de grande crescimento econ\u00f4mico e correspondeu ao apogeu do <strong>absolutismo na Inglaterra<\/strong>.\n\nSeu governo praticou intensa interven\u00e7\u00e3o na economia, atrav\u00e9s de medidas mercantilistas de favorecimento \u00e0% agricultura, \u00e0s manufaturas, ao com\u00e9rcio e \u00e0 navega\u00e7\u00e3o&#8217;, Em 1581, um mercantilista ingl\u00eas recomendava \u00e0 rainha &#8220;acabar com a importa\u00e7\u00e3o das mercadorias fabricadas no estrangeiro, e que poderiam s\u00ea-lo entre n\u00f3s, restringindo a exporta\u00e7\u00e3o de nossas l\u00e3s, peles e outros produtos no estado bruto, chamando artes\u00e3os de fora sob o controle das cidades, fabricando mercadorias suscet\u00edveis de serem exportadas.\n\nElisabeth I proibiu a exporta\u00e7\u00e3o de li em bruto e a importa\u00e7\u00e3o de fios e de tecidos; distribuiu pr\u00eamios a que m fabricasse bons navios e concedeu monop\u00f3lios tempor\u00e1rios \u00e0queles que introduzissem &#8216;novas atividades no pa\u00eds, Os trabalhadores das manufaturas inglesas eram recrutados entre os camponeses expulsos do campo, transformados em desempregados e mendigos. Criaram-se leis que previam castigos e penas de morte aos que se recusassem a trabalhar. Surgiram as &#8220;Workhouses&#8221;, onde os internos eram submetidos a uma longa jornada de trabalho, sob r\u00edgida disciplina.\n\nApesar de a rainha Elisabeth ter praticado interven\u00e7\u00f5es militares nos Pa\u00edses-Baixos e na Fran\u00e7a, a inferioridade dos ex\u00e9rcitos ingleses impediu qualquer ocupa\u00e7\u00e3o territorial no continente europeu. 0 feito militar de maior vulto de seu reinado foi \u00e0 anexa\u00e7\u00e3o da Irlanda conseguida em uma guerra iniciada em 1595 e que durou nove anos. Por ser uma ilha, a Inglaterra n\u00e3o se sentia amea\u00e7ada de invas\u00e3o, fato que desmilitarizou precocemente a sua nobreza. Por isso, n\u00e3o havia no e pa\u00eds um ex\u00e9rcito profissional permanente, semelhante aos existentes na Espanha e na Fran\u00e7a, as duas principais pot\u00eancias europ\u00e9ias do s\u00e9culo. XVI. Devido \u00e0 presen\u00e7a, do Parlamento, a Coroa inglesa tamb\u00e9m n\u00e3o tinha autonomia financeira nem uma burocracia forte, como a Fran\u00e7a.\n\nA grande realiza\u00e7\u00e3o do <strong>Estado absolutista<\/strong> ingl\u00eas foi a moderniza\u00e7\u00e3o de sua marinha, iniciada por Henrique VIII, que quadruplicou o n\u00famero de embarca\u00e7\u00f5es. A partir de 1579, os gale\u00f5es da frota real passaram a ser equipados com canh\u00f5es de longo alcance, fato que lhes permitia &#8216;acertar os navios inimigos a uma grande distancia. Al\u00e9m de servirem ao com\u00e9rcio, os navios passaram a servir tamb\u00e9m \u00e0 guerra, favorecendo a expans\u00e3o mar\u00edtima inglesa. Em 1588, os ingleses enfrentaram e venceram a &#8220;Invenc\u00edvel Armada&#8221; de Filipe II, aplicando um s\u00e9rio golpe no prest\u00edgio da Espanha, considerada ent\u00e3o o mais poderoso pa\u00eds europeu.\n\nA partir da\u00ed, intensificaram-se as viagens de navegadores e decors\u00e1rios \u00e0 Am\u00e9rica, com o objetivo de saquear as embarca\u00e7\u00f5es espanholas carregadas de ouro e de empreender contrabando com as Antilhas.\n<h4><strong>EXPANS\u00c3O MAR\u00cdTIMA E COLONIZA\u00c7\u00c3O<\/strong><\/h4>\nCom o crescimento do com\u00e9rcio e da navega\u00e7\u00e3o, foram fundadas as companhias inglesas de com\u00e9rcio, que reuniam capitais de acionistas e recebiam monop\u00f3lios do Estado para a explora\u00e7\u00e3o de determinado produto ou de uma zona comercial, Foi o caso da Companhia da Turquia, da Companhia de Mosc\u00f3via, da Companhia da \u00c1frica, da Companhia das \u00cdndias Orientais (1600) e da Companhia da Virg\u00ednia (fundada em 1606 para a explora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica Inglesa).\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o efetiva de territ\u00f3rios da Am\u00e9rica do Norte pelos ingleses ocorreu a partir de 1607, quando foi fundada Jamestown, capital da Virg\u00ednia, no governo de Jaime I. A a\u00e7\u00e3o colonizadora foi facilitada pela exist\u00eancia de grande n\u00famero de pessoas expulsas do campo pelos &#8220;enclousures&#8221; que se encaminhou para a Am\u00e9rica onde havia facilidade na obten\u00e7\u00e3o de terras.\n\n<strong>No decorrer do s\u00e9culo XVII, o fluxo migrat\u00f3rio contou com fam\u00edlias burguesas e nobres que abandonaram a Inglaterra devido \u00e0s persegui\u00e7\u00f5es religiosas ou pol\u00edticas:<\/strong> eram os puritanos, os presbiterianos, os quakers, os cat\u00f3licos, etc. At\u00e9 1776, data de sua independ\u00eancia, existiam 13 col\u00f4nias inglesas na Am\u00e9rica, fundadas por particulares por companhias de com\u00e9rcio ou pertencentes \u00e0 Coroa.\n\nDas col\u00f4nias americanas chegavam a metr\u00f3pole o tabaco, o \u00edndigo e o arroz (cultivados nas &#8220;plantations&#8221; escravistas do sul) e a batata, o milho, o centeio, a Levada e as peles de animais raros (produzidos nas col\u00f4nias do centro e do norte), sendo proibido o interc\u00e2mbio direto com outros pa\u00edses, Entretanto, essas proibi\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram muito respeitadas e logo se desenvolveram ativas trocas entre as col\u00f4nias do norte (regi\u00e3o denominada Nova Inglaterra), as Antilhas e a \u00c1frica. Esse com\u00e9rcio triangular fortaleceu a burguesia colonial e trouxe-lhe grandes lucros.\n\nAs cidades inglesas de L\u00edverpool e Bristol destacaram-se como portos ligados ao tr\u00e1fico de escravos para a Am\u00e9rica, devido \u00e0 necessidade crescente de m\u00e3o-de-obra nas planta\u00e7\u00f5es e nas minas das col\u00f4nias inglesas, portuguesas e espanholas. 0 escambo de negros na \u00c1frica era feito com mercadorias como t\u00eaxteis e utens\u00edlios de ferro. Estima &#8211; se que, durante os 300 anos do tr\u00e1fico de escravos, 15 milh\u00f5es de negros foram introduzidos na Am\u00e9rica, sendo o Brasil o principal comprador, ocasionando a maior migra\u00e7\u00e3o for\u00e7ada de um continente para outro que o mundo conheceu. Os lucros acumulados pela Inglaterra com essa atividade levaram muitos historiadores a considerarem-na uma das causas favor\u00e1veis ao in\u00edcio da revolu\u00e7\u00e3o industrial inglesa, em meados do s\u00e9culo XVIII.\n\n0 progresso econ\u00f4mico verificado nos s\u00e9culos XVI e XVII enriqueceu a burguesia e os propriet\u00e1rios rurais que produziam para o mercado. Por\u00e9m, entrou em choque com o sistema pol\u00edtico vigente, baseado em leis e institui\u00e7\u00f5es ainda predominante feudais devido \u00e0 influ\u00eancia da nobreza conservadora, fortemente representada na C\u00e2mara dos Lords. As mudan\u00e7as vieram com a Revolu\u00e7\u00e3o Inglesa de 1640\/1660, da qual sa\u00edrem vitoriosas as classes progressistas, que passaram a dominar o Parlamento ingl\u00eas, favorecendo o livre desenvolvimento das for\u00e7as capitalistas.\n<h4>Pensamentos Pol\u00edticos do Absolutismo<\/h4>\n<strong>Pensamento Pol\u00edtico: <\/strong>Hobbes e Locke\n\nDurante o s\u00e9culo XVII, o confronto entre o rei e o Parlamento gerou correntes de pensamento pol\u00edtico que se dividiam na defesa de um e de outro lado.\n\nDestacaram-se os fil\u00f3sofos THOMAS HOBBES (1588\/1679), ferrenho defensor do absolutismo e JOHN LOCKE (1632\/1704), te\u00f3rico do liberalismo.\n\n<strong>THOMAS HOBBES E 0 ABSOLUTISMO<\/strong>\n\nEm 1651 durante a Rep\u00fablica de Cromwell, surgiu em Londres livro, denominado &#8220;Leviat\u00e3, ou a Mat\u00e9ria, a Forma e o Poder de um Estado Eclesi\u00e1stico e Civil&#8221;, que se tornou uma das maiores obras pol\u00edticas de sua \u00e9poca. Seu autor, Thomas Hobbes, realista convicto, sentia-se desgostoso com os acontecimentos em sua p\u00e1tria (confronto rei X parla mento, guerra civil, execu\u00e7\u00e3o de Carlos I) e em sua obra, defendeu monarquia e o poder absoluto. Escolheu o t\u00edtulo de &#8220;Leviat\u00e3&#8221; (monstro que governou o caos primitivo), indicando a concep\u00e7\u00e3o que faz do Estado, como um monstro todo poderoso.\n\nHobbes nos ensina que, no in\u00edcio, todos os homens viviam no Estado natural &#8220;, sem estarem sujeitos a qualquer lei. Por isso, n\u00e3o via seguran\u00e7a, pois a luta de uns contra os outros era constante, de escapar a esse estado de guerra, os indiv\u00edduos estabeleceram entre si um &#8221;contrato&#8221;, pelo qual cediam todo os seu direitos a um sob suficientemente forte para proteg\u00ea-los contra a viol\u00eancia, dando origem a uma sociedade pol\u00edtica, o Estado. A vontade \u00fanica do soberano vai representar a vontade de todos.\n\nTal representante pode ser um homem (constituindo o Estado uma Monarquia), uma assembl\u00e9ia de todos os homens (constituindo uma democracia) ou uma assembl\u00e9ia de uma parte dos homens (constituindo uma aristocracia). Entre todas as formas de governo, a melhor \u00e9 a monarquia absoluta, porque parece a mais distanciada do &#8220;estado de natureza&#8221;, uma vez que na Monarquia, &#8220;o interesse pessoal do soberano \u00e9 o mesmo que o interesse p\u00fablico.&#8221;\n\nHobbes sustenta que ao rei \u00e9 l\u00edcito tudo, inclusive governo despoticamente, n\u00e3o porque fosse escolhido por Deus, mas porque fosse escolhido por Deus, mas porque o povo lhe deu o poder absoluto (ou soberania), que n\u00e3o pode ser dividido, sob pena de ser destru\u00eddo, Hobbes defende assim o absolutismo, sem fazer qualquer refer\u00eancia ao direito divino dos reis.\n\nEntre as caracter\u00edsticas da soberania encontra-se a de promulgar e abolir as leis, sendo o rei o \u00fanico poder legislativo. <strong>(Essa reflex\u00e3o est\u00e1 relacionada com o momento hist\u00f3rico em que Hobbes viveu: <\/strong>a disputa entre o rei e o parlamento que deu origem \u00e0 guerra civil, isto \u00e9 \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o do Estado. Por isso ele considera que o poder soberano, n\u00e3o pode estar dividido entre o monarca e o org\u00e3o legislativo,).\n\nA propriedade individual \u00e9 tamb\u00e9m uma concess\u00e3o do monarca, pois antes de existir a soberania do Estado, ningu\u00e9m podia gozar em seguran\u00e7a de suas posses.\n\nDessa forma, o governante pode, ao seu arb\u00edtrio, limitar ou distribuir as propriedades. Ao serem publicadas em 1651, as id\u00e9ias do &#8220;Leviat\u00e3&#8221;, de submiss\u00e3o \u00e0 autoridade, j\u00e1 estavam sendo ultrapassadas pelos fatos, na Inglaterra Quem mais se beneficiou com tais ensinamentos foi \u00e0 Fran\u00e7a de Lu\u00eds XIV, que nesse momento enfrentava a Fronda, a revolta dos nobres.\n\n<strong>JOHN LOCKE E 0 LIBERALISMO <\/strong>\n\nJ\u00e1 o escritor ingl\u00eas John Locke (1632\/1704) personificou, na Inglaterra do final do s\u00e9culo XVII, as tend\u00eancias liberais opostas \u00e0s id\u00e9ias absolutistas de Hobbes.\n\nPartid\u00e1rio dos defensores do Parlamento, seu &#8220;Ensaio sobre o Governo Civil&#8221; foi publicado em 1690, menos de dois anos depois da Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa de 1688, que, destronou o rei Jaime II.\n\n0 ponto de partida de Locke \u00e9 mesmo de Hobbes isto \u00e9, o &#8220;estado de natureza seguido de um &#8220;contrato&#8221; entre os homens, que criou a sociedade e o governo civil. Mas, Locke chega a conclus\u00f5es opostas \u00e0s de Hobbes pois, sustenta que, mesmo no estado de natureza, o homem e dotado de raz\u00e3o. Dessa forma, cada indiv\u00edduo pode conservar sua liberdade pessoal e gozar do fruto de seu trabalho. Entretanto, nesse estado natural faltam leis estabelecidas e aprovadas por todos e um poder capaz de fazer cumprir essas leis. Os indiv\u00edduos, ent\u00e3o consentem em abrir m\u00e3o de uma parte de seus direitos individuais, concedendo ao Estado a faculdade de julgar, punir e fazer a defesa externa. Entretanto, se a autoridade p\u00fablica, a quem foi confiada a tarefa de a todos proteger, abusar de seu poder, o povo tem o direito de romper o contrato e recuperar a sua soberania original. Assim Locke defendia o direito do povo em se sublevar contra o governo e justificava a derrubada e a substitui\u00e7\u00e3o de um soberano leg\u00edtimo por outro.\n\nA passagem do &#8220;estado natural&#8221; para o &#8220;estado social&#8221; s\u00f3 pode ser feita pelo consentimento (e n\u00e3o pela conquista) dos homens. &#8220;Sendo -Lodos os homens igualmente livres, iguais e independentes, nenhum pode ser tirado desse estado e submetido ao poder pol\u00edtico de outrem, sem o seu pr\u00f3prio consentimento, pelo qual pode convir, com outros homens, em agregar-se e unir-se em sociedade, tendo em vista a conserva\u00e7\u00e3o, a seguran\u00e7a m\u00fatua, a tranq\u00fcilidade da vida, o gozo sereno do que lhes cabe na propriedade, e melhor prote\u00e7\u00e3o contra os insultos daqueles que desejariam prejudic\u00e1-los e fazer-lhes mal.&#8221;\n\nEntre os direitos que, segundo Locke, o homem possu\u00eda quando no estado de natureza, est\u00e1 o da propriedade privada que \u00e9 fruto de seu trabalho. 0 Estado deve, portanto, reconhecer e proteger a propriedade. Locke defende tamb\u00e9m que a religi\u00e3o seja livre e que n\u00e3o dependa do Estado.\n\n<strong>A sociedade civil, que veio substituir o estado natural, possui dois poderes essenciais:<\/strong> um \u00e9 o legislativo, que determina como o Estado deve agir para a conserva\u00e7\u00e3o da sociedade e de seus membros; o outro e o executivo, que assegura a execu\u00e7\u00e3o das leis promulgadas. 0 poder legislativo e o executivo devem estar em diferentes m\u00e3os para evitar poss\u00edveis abusos.\n\nEm sua obra &#8220;Ensaio sobre o Governo Civil&#8221;, Locke defende os princ\u00edpios liberais de liberdade individual, direito \u00e0 propriedade e divis\u00e3o dos poderes do Estado.\n\nAo sustentar tamb\u00e9m o direito do povo a subleva\u00e7\u00e3o, fez a justificativa da Revolu\u00e7\u00e3o Gloriosa de 1688, que derrubou Jaime II e consolidou a vit\u00f3ria do Parlamento sobre o Rei.\n\nDe acordo com o cientista pol\u00edtico Norberto Bobbio, &#8220;Locke passou para a Hist\u00f3ria, &#8211; justamente como o te\u00f3rico da monarquia constitucional &#8211; um sistema pol\u00edtico baseado, ao mesmo tempo, na dupla distin\u00e7\u00e3o entre as duas partes do poder, o parlamento e o rei, e entre as duas fun\u00e7\u00f5es do Estado, a legislativa e a executiva, bem como na correspond\u00eancia quase perfeita entre essas duas distin\u00e7\u00f5es &#8211; o poder legislativo emana do povo representado no parlamento; o poder executivo \u00e9 delegado ao rei pelo parlamento&#8221;.\n\n&nbsp;\n<h4>O ESTADO ABSOLUTISTA FRANC\u00caS (s\u00e9c. XVI-XVIII)<\/h4>\n<strong>1) Forma\u00e7\u00e3o do Estado Franc\u00eas<\/strong>\n\nA partir do s\u00e9culo XII, os reis da Dinastia Capet\u00edngia (987-1328) iniciaram ampla campanha pol\u00edtica e militar para tomar o poder dos senhores feudais. Para isso foram auxiliados pela burguesia e tamb\u00e9m pela Igreja Cat\u00f3lica, ambos buscando prote\u00e7\u00e3o contra os abusos da nobreza.\n\nOs principal entrave para a unifica\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a foi a resist\u00eancia promovida pela Dinastia dos Plantageneta, fam\u00edlia nobre que ocupava o Poder Real na Inglaterra e possu\u00eda feudos na Fran\u00e7a (em especial na regi\u00e3o da Normandia).\n\n<strong>2) Consolida\u00e7\u00e3o do Estado Nacional e do Poder Real (s\u00e9culo XVI)<\/strong>\n\n<strong>2.1. Guerra dos Cem Anos (1337-1453)<\/strong>\n\nA Dinastia dos Valois (1328-1589) concretizou a forma\u00e7\u00e3o do Estado Absolutista na Fran\u00e7a ap\u00f3s a vit\u00f3ria contra a Inglaterra na Guerra dos Cem Anos.\n\nPelo Tratado de Paris (1259), a Inglaterra comprometera-se a abandonar suas pretens\u00f5es sobre a Normandia e outros territ\u00f3rios franceses.\n\nEntretanto, a Inglaterra continuava interessada em controlar ricos territ\u00f3rios da Fran\u00e7a, em especial a regi\u00e3o de Flandres, que politicamente devia obedi\u00eancia ao rei franc\u00eas, mas estava ligada economicamente \u00e0 Inglaterra (com\u00e9rcio de l\u00e3-tecidos).\n\nO estopim para a Guerra foi a interfer\u00eancia inglesa na sucess\u00e3o do trono franc\u00eas. Henrique III da Inglaterra era o \u00fanico herdeiro de Felipe IV, \u00faltimo rei capet\u00edngio da Fran\u00e7a. Os Valois opuseram-se aos interesses ingleses, iniciando a guerra.\n\nA Inglaterra dominou a Normandia em 1415, subjugando Paris. A rea\u00e7\u00e3o s\u00f3 se iniciou em 1429, quando Joana D\u0092Arc comandou os ex\u00e9rcitos franceses, derrotando os ingleses em Orle\u00e1ns.\n\nA vit\u00f3ria consolidou o Absolutismo na Fran\u00e7a com base no fortalecimento do Ex\u00e9rcito nacional e do sentimento de nacionalidade.\n\n<strong>2.2. As Guerras de Religi\u00e3o (1562-1598)<\/strong>\n\n<strong>Ap\u00f3s consolidado o Absolutismo na Fran\u00e7a na figura do Rei Absolutista, n\u00e3o demorou muito para que as classes que lhe davam apoio entrassem em choque:<\/strong> a burguesia (calvinista) de um lado e a nobreza (cat\u00f3lica) de outro.\n\nRapidamente as fam\u00edlias aristocr\u00e1ticas (nobres) mais influentes entraram na disputa entre burguesia calvinista e nobreza cat\u00f3lica. Os Guise lideraram a nobreza cat\u00f3lica, enquanto os Bourbon resolveram defender os burgueses calvinistas. Os Bourbon tamb\u00e9m eram nobres, mas preferiram aliar-se aos burgueses afim de combater os Guise, seus inimigos.\n\nEste enfrentamento resultou em uma guerra civil que teve como ponto m\u00e1ximo a Noite de S\u00e3o Bartolomeu (1572), quando milhares de huguenotes (calvinistas) foram mortos.\n\nA situa\u00e7\u00e3o somente foi pacificada quando Henrique IV(1589-1610), o primeiro rei Bourbon da Fran\u00e7a, assumiu o poder. Atrav\u00e9s do Edito de Nantes (1598), concedeu aos huguenotes a liberdade de religi\u00e3o, acesso aos cargos p\u00fablicos e a permiss\u00e3o de ter fortalezas.\n\nA coroa\u00e7\u00e3o de um Rei Bourbon na Fran\u00e7a representou uma vit\u00f3ria da burguesia calvinista, e uma derrota da nobreza cat\u00f3lica.\n\n<strong>3) Apogeu e Crise do Absolutismo na Fran\u00e7a (s\u00e9culos XVII-XVIII)<\/strong>\n\n<strong>3.1. Lu\u00eds XIV: o \u0093Rei-Sol\u0094 (1643-1715)<\/strong>\n\nAntes de assumir o poder, em fun\u00e7\u00e3o de sua menoridade, a Fran\u00e7a foi governada pelo Cardeal Mazarino. Durante seu governo, a nobreza cat\u00f3lica tentou retomar o prest\u00edgio perdido com a coroa\u00e7\u00e3o dos Bourbon atrav\u00e9s da rebeli\u00e3o das Frondas (1648-1652).\n\nAp\u00f3s a morte de Mazarino, Lu\u00eds XIV assume o poder pessoalmente. Mais do que qualquer outro monarca absolutista franc\u00eas, n\u00e3o admitiu qualquer contesta\u00e7\u00e3o \u00e0 sua autoridade.\n\nLu\u00eds XIV refor\u00e7ou o absolutismo franc\u00eas por meio de medidas autorit\u00e1rias. Cunhou a express\u00e3o \u0093O Estado sou Eu\u0094, para designar que nenhum aspecto da vida social e pol\u00edtica estaria fora de seu poder. Logicamente, Lu\u00eds XIV refor\u00e7ou a id\u00e9ia do direito divino.\n\nLu\u00eds XIV buscou refor\u00e7ar a unidade religiosa na Fran\u00e7a, dada suas rela\u00e7\u00f5es com a Igreja Cat\u00f3lica. Com isso, revogou o Edito de Nantes atrav\u00e9s da promulga\u00e7\u00e3o do Edito de Fountainbleu (1685) proibindo a liberdade religiosa aos calvinistas. Com esta medida, milhares de burgueses calvinistas fugiram para a Holanda e para a Inglaterra.\n\nEstas medidas representaram uma ruptura entre os Bourbon e a burguesia. Esta era, indiretamente, uma vit\u00f3ria da nobreza e da Igreja Cat\u00f3lica na Fran\u00e7a Absolutista. Ao mesmo tempo, todos os esfor\u00e7os de desenvolvimento econ\u00f4mico foram severamente abalados com a fuga de amplos contingentes da burguesia calvinista.\n\nLu\u00eds XIV envolveu-se em in\u00fameras guerras na Europa afim de assegurar a hegemonia militar e pol\u00edtica da Fran\u00e7a no continente. O principal inimigo de Lu\u00eds XIV (e da dinastia Bourbon) foi a dinastia dos Habsburgos, monarcas absolutistas da Espanha e Imperadores do Sacro Imp\u00e9rio Romano-Germ\u00e2nico.\n\nTal conflito entre Bourbons e Habsburgos foi intenso at\u00e9 1700, quando o ramo espanhol desta \u00faltima dinastia \u00e9 dissolvido. Isso ocorre porque o \u00faltimo Habsburgo espanhol, Carlos II, n\u00e3o deixou herdeiros, tendo nomeado Felipe D\u0092Anjou, neto de Lu\u00eds XIV para o trono. Tal decis\u00e3o colocou os Bourbon franceses no trono da Espanha e da Fran\u00e7a ao mesmo tempo, abalando o equil\u00edbrio europeu. Iniciou-se a Guerra de Sucess\u00e3o da Espanha (1701-1713), que colocou Espanha e Fran\u00e7a contra Inglaterra, Holanda, o Sacro- Imp\u00e9rio Romano Germ\u00e2nico, Su\u00e9cia e Dinamarca.\n\nA guerra terminou com o Tratado de Utretch (1713), que referendava a vit\u00f3ria da Inglaterra e de seu aliados. Os ingleses tomam Gibraltar e ganham a permiss\u00e3o de traficar escravos com as col\u00f4nias espanholas na Am\u00e9rica.\n\nA Fran\u00e7a saiu economicamente arrasada da Guerra de Sucess\u00e3o da Espanha. Seu prest\u00edgio pol\u00edtico tamb\u00e9m foi abalado. A pol\u00edtica religiosa de Lu\u00eds XIV (perseguindo os calvinistas) e sua pol\u00edtica externa (com uma s\u00e9rie de guerras desastrosas) enfraqueceram o absolutismo franc\u00eas.\n\n<strong>Estado e Absolutismo: A Fran\u00e7a de Luis XIV<\/strong>\n\nA agricultura continua a ser a base da economia dos pa\u00edses Europeus. Verificou-se um desenvolvimento das manufaturas, mas o elemento central da economia \u00e9 o com\u00e9rcio colonial. Os principais estados passam a preocupar-se com o equil\u00edbrio da balan\u00e7a comercial, aumentando as importa\u00e7\u00f5es e diminuindo as importa\u00e7\u00f5es. Esta pol\u00edtica econ\u00f4mica, o mercantilismo, consiste na maior acumula\u00e7\u00e3o poss\u00edvel de ouro e prata.\n\nAo mercantilismo correspondeu politicamente o absolutismo.\n\n<strong>Este sistema baseia-se na teoria do direito divino dos reis, e foi levado ao extremo por Lu\u00eds XIV: <\/strong>o rei det\u00e9m uma autoridade total e absoluta sobre os s\u00fabditos, concentrando em si os poderes do Estado.\n\nA Idade Moderna (s\u00e9c. XVII) corresponde ao Antigo Regime. H\u00e1 uma sociedade de ordens, estratificada e hierarquizada, em que o estatuto de cada ordem prov\u00e9m da sua condi\u00e7\u00e3o de nascimento e das fun\u00e7\u00f5es que exerce.\n\nO Clero e a Nobreza eram as ordens previlegiadas (estavam isentos de impostos, recebiam rendas, tinham tribunal pr\u00f3prio). O povo estava sujeito a pesados impostos e outras obriga\u00e7\u00f5es para com as classes previlegiadas.\n\nMas foi do povo que se destacou um grupo social, a burguesia, que atrav\u00e9s do enriquecimento pelo com\u00e9rcio e da cultura que foi adquirindo, ocupou lugares importantes junto dos reis, na administra\u00e7\u00e3o e na justi\u00e7a.\n\nA mobilidade social da burguesia vai desencadear uma rivalidade entre esta nova classe e a nobreza, o que adicionado ao sentimento de revolta popular, ir\u00e1 agravar as tens\u00f5es sociais, e isso vai constituir o principal fator da desagrega\u00e7\u00e3o do Antigo Regime.\n\n<strong>Fonte:\u00a0<\/strong>www2.sunysuffolk.edu\/ww.conhecimentosgerais.com.br\/www.superzap.com\/www.geocities.com\/www.hystoria.hpg.ig.com.br\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Absolutismo, Estados, Franc\u00eas, Ingl\u00eas, Sistema, Poder, Pol\u00edtico, Governo, Teoria, Inglaterra, Guerras, Economia, Monarquias, Causas, Absolutismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10322,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[57],"tags":[],"class_list":["post-26041","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-geral"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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