{"id":26037,"date":"2015-12-23T00:00:00","date_gmt":"2015-12-23T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-populacao-brasileira-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:58:41","modified_gmt":"2026-09-01T17:58:41","slug":"historia-da-populacao-brasileira-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/historia-da-populacao-brasileira-4\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>At\u00e9 1872 existem apenas estimativas sobre a popula\u00e7\u00e3o brasileira      feitas por diversos autores e baseadas nas fontes dispon\u00edveis: <\/strong>registros      paroquiais, listas de moradores das capitanias, censos provinciais, entre      outras. <\/p>\n   \n<p>De 1872 em diante \u00e9 poss\u00edvel contar com os dados oficiais dos recenseamentos      gerais, depois chamados de censos demogr\u00e1ficos, realizados regularmente a      cada d\u00e9cada, exceto nas de 1910 e 1930. O estudo dos censos permite acompanhar      o processo hist\u00f3rico da popula\u00e7\u00e3o brasileira e avaliar as tend\u00eancias demogr\u00e1ficas      atuais do pa\u00eds. <\/p>\n   \n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/historia-da-populacao-brasileira-3.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira\" width=\"216\" height=\"300\" title=\"Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira\" \/><strong><br \/>\n     Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/strong><\/p>\n   \n<h4><strong>Popula\u00e7\u00e3o colonial <\/strong><\/h4>\n   \n<p>A popula\u00e7\u00e3o brasileira come\u00e7a a ser constitu\u00edda durante o per\u00edodo da coloniza\u00e7\u00e3o.      Na sua origem, al\u00e9m dos colonos portugueses, est\u00e3o os \u00edndios americanos e      os negros africanos. As principais estimativas referentes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena      \u00e9poca do descobrimento s\u00e3o muito diversas entre si, variando de 1 milh\u00e3o a      3 milh\u00f5es de indiv\u00edduos.<\/p>\n   \n<p>O certo \u00e9 que essa popula\u00e7\u00e3o declina rapidamente com a coloniza\u00e7\u00e3o, em fun\u00e7\u00e3o      das doen\u00e7as, da fome e das guerras de exterm\u00ednio. Sup\u00f5e-se que, at\u00e9 a independ\u00eancia,      dois ter\u00e7os dos nativos j\u00e1 haviam sido eliminados. Quanto aos negros, as estimativas      tamb\u00e9m s\u00e3o variadas. Calcula-se entre 3,5 milh\u00f5es e 4 milh\u00f5es de indiv\u00edduos      trazidos da \u00c1frica para o Brasil pelo tr\u00e1fico de escravos, sendo 1,5 milh\u00e3o      na sua \u00faltima fase, entre 1800 e 1850. <\/p>\n   \n<p>Dois aspectos se destacam na evolu\u00e7\u00e3o demogr\u00e1fica brasileira nesse per\u00edodo.      O primeiro \u00e9 o grande salto da popula\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo XVIII, decorrente do incremento      da imigra\u00e7\u00e3o colonial portuguesa e do tr\u00e1fico africano provocado pela minera\u00e7\u00e3o      de ouro e diamante no Sudeste e Centro-Oeste. <\/p>\n   \n<p>O segundo \u00e9 o crescimento da popula\u00e7\u00e3o mesti\u00e7a gerado pela miscigena\u00e7\u00e3o de      brancos e \u00edndios e de brancos e negros, decorrente da alta taxa de masculinidade      da imigra\u00e7\u00e3o colonial e do tr\u00e1fico africano, estimulada pela pol\u00edtica natalista      da metr\u00f3pole interessada em ocupar mais rapidamente o territ\u00f3rio da col\u00f4nia.    <\/p>\n   \n<p>Calcula-se que por volta de 1800 os mesti\u00e7os (mulatos e caboclos) j\u00e1 representam      de 20% a 30% da popula\u00e7\u00e3o total. <\/p>\n   \n<h4><strong>Crescimento acelerado <\/strong><\/h4>\n   \n<p>Ao longo do s\u00e9culo XIX, a popula\u00e7\u00e3o aumenta 4,8 vezes, passando de cerca      de 3,5 milh\u00f5es de habitantes em 1800 para 17 milh\u00f5es em 1900. E no s\u00e9culo      XX aumenta 9 vezes, aproximando-se hoje de 160 milh\u00f5es de habitantes. <\/p>\n   \n<p><strong>Durante todo o s\u00e9culo XIX e primeira metade do s\u00e9culo XX, os fatores      desse crescimento acelerado continuam sendo principalmente externos: <\/strong>o      tr\u00e1fico de escravos africanos at\u00e9 1850 e a forte imigra\u00e7\u00e3o entre 1870 e 1960.      Nesse per\u00edodo v\u00eam para o pa\u00eds cerca de 5 milh\u00f5es de estrangeiros. Portugueses,      italianos, espanh\u00f3is, alem\u00e3es e japoneses s\u00e3o os grupos mais numerosos, atra\u00eddos      para a lavoura cafeeira do Sudeste e para as \u00e1reas de coloniza\u00e7\u00e3o pioneira      do Sul. <\/p>\n   \n<p><strong>A partir das d\u00e9cadas de 50 e 60, com o encerramento da grande imigra\u00e7\u00e3o      europ\u00e9ia e asi\u00e1tica, os fatores do crescimento populacional passam a ser basicamente      internos:<\/strong> manuten\u00e7\u00e3o de taxas elevadas de fecundidade e natalidade      e decl\u00ednio acentuado da taxa de mortalidade. Em 1900, a mortalidade \u00e9 de 29      por mil habitantes e o crescimento natural, de 1,6%; em 1960, a mortalidade      cai para 14 por mil e o crescimento natural sobe para 2,9%.<\/p>\n   \n<p>Essas taxas s\u00e3o resultado de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida e sa\u00fade p\u00fablica da      popula\u00e7\u00e3o (principalmente saneamento b\u00e1sico e vacina\u00e7\u00e3o preventiva) que fazem      tamb\u00e9m com que a esperan\u00e7a de vida m\u00e9dia do brasileiro passe dos 33 anos do      in\u00edcio do s\u00e9culo para 55 anos entre 1960 e 1970. <\/p>\n   \n<p>Com esse crescimento demogr\u00e1fico, o Brasil entra para a lista dos pa\u00edses      mais populosos do mundo. <\/p>\n   \n<p>O aumento acelerado reflete-se ainda nos \u00edndices de densidade demogr\u00e1fica.      Se em 1800 a densidade demogr\u00e1fica brasileira era de 0,4 hab.\/km\u00b2, hoje a      m\u00e9dia \u00e9 de 18,4 hab.\/km\u00b2. Enquanto na Regi\u00e3o Norte, por exemplo, a densidade      demogr\u00e1fica permanece abaixo de 3 hab.\/km\u00b2, na Regi\u00e3o Sudeste ela est\u00e1 acima      de 70 hab.\/km\u00b2. <\/p>\n   \n<h4><strong>Urbaniza\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Outro aspecto determinante do crescimento e da forma\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira      \u00e9 o alto grau de urbaniza\u00e7\u00e3o que ela adquire nos \u00faltimos 50 anos. Em 1940,      a popula\u00e7\u00e3o urbana representa 30% da popula\u00e7\u00e3o total; em 1970, ela j\u00e1 alcan\u00e7a      55%; hoje passa de 75%. Esses n\u00fameros indicam que o aumento da popula\u00e7\u00e3o urbana      vem sendo ainda mais acelerado que o do conjunto da popula\u00e7\u00e3o. As origens      do fen\u00f4meno est\u00e3o ligadas ao processo geral da industrializa\u00e7\u00e3o, intensificada      a partir dos anos 40 e 50. <\/p>\n   \n<p>O incremento das atividades industriais faz crescer o mercado de trabalho      urbano e leva para as cidades m\u00e9dias e grandes boa parte da for\u00e7a de trabalho      ociosa ou subocupada nas \u00e1reas rurais e semi-rurais. A ind\u00fastria d\u00e1 impulso      ao \u00eaxodo rural e direciona as grandes correntes migrat\u00f3rias do Norte e Nordeste      para o Sudeste.<\/p>\n   \n<p>As cidades incham com esse afluxo populacional &#8211; caso de S\u00e3o Paulo, que de      1,5 milh\u00e3o de habitantes em 1940 passa a 10 milh\u00f5es em 1990, al\u00e9m de outros      9 milh\u00f5es que gravitam \u00e0 sua volta nos 39 munic\u00edpios da \u00e1rea metropolitana.    <\/p>\n   \n<p>Apesar do agravamento dos problemas das cidades, a urbaniza\u00e7\u00e3o traz benef\u00edcios      econ\u00f4micos e sociais, como a melhora dos servi\u00e7os de infra-estrutura e a amplia\u00e7\u00e3o      dos servi\u00e7os de sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o para maiores parcelas da sociedade. Dessa      forma, acaba contribuindo para a queda da mortalidade &#8211; inclusive infantil      -, para o aumento da expectativa de vida, hoje em torno de 67 anos, e para      a eleva\u00e7\u00e3o do crescimento natural da popula\u00e7\u00e3o. <\/p>\n   \n<h4><strong>Tend\u00eancias demogr\u00e1ficas atuais <\/strong><\/h4>\n   \n<p>Nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, por\u00e9m, o crescimento da popula\u00e7\u00e3o brasileira vem      dando sinais de desacelera\u00e7\u00e3o. Entre 1980 e 1991, segundo os censos, o crescimento      foi de 23% (119 para 146 milh\u00f5es de habitantes), enquanto entre 1960 a 1970      tinha sido de 32% (de 70 milh\u00f5es para 93 milh\u00f5es de habitantes). <\/p>\n   \n<p><strong>Tamb\u00e9m a taxa de crescimento anual vem caindo:<\/strong> passa de      quase 3% na d\u00e9cada de 50 para 1,6% na d\u00e9cada de 90. <\/p>\n   \n<p><strong>Com isso, a popula\u00e7\u00e3o vem envelhecendo: <\/strong>diminui o grupo      et\u00e1rio de 0 a 10 anos (de 38% para 34% entre 1980 e 1991) e aumenta o de 65      anos e mais (de 4% para 4,8% no mesmo per\u00edodo). <\/p>\n   \n<p>Do ponto de vista demogr\u00e1fico, a desacelera\u00e7\u00e3o do crescimento e a recomposi\u00e7\u00e3o      et\u00e1ria da popula\u00e7\u00e3o brasileira decorrem da menor fecundidade das mulheres,      que geram menos filhos, e do decl\u00ednio continuado da taxa de mortalidade. Assim,      estreita-se a base e alarga-se o v\u00e9rtice da pir\u00e2mide demogr\u00e1fica, enquanto      a popula\u00e7\u00e3o absoluta tende a crescer em ritmo menor a cada ano. <\/p>\n   \n<p><strong>De um ponto de vista mais amplo, essas tend\u00eancias demogr\u00e1ficas resultam      de transforma\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, sociais e culturais profundas:<\/strong> mudan\u00e7a      na estrutura familiar (fam\u00edlias com menor n\u00famero de filhos, mas com maiores      encargos familiares), inser\u00e7\u00e3o cada vez maior da mulher no mercado de trabalho,      mais tempo dedicado \u00e0 prepara\u00e7\u00e3o profissional, maiores exig\u00eancias pessoais      de atividades culturais e de lazer, entre outras. <\/p>\n   \n<p>Essas mudan\u00e7as apontam para a consolida\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es de comportamento t\u00edpicos      das sociedades e culturas urbanas, o que indica que as atuais tend\u00eancias demogr\u00e1ficas      brasileiras devem continuar a prevalecer nos pr\u00f3ximos anos.<\/p>\n   \n<p>Fonte: EncBrasil<\/p>\n   \n<h6>Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/h6>\n    \n<p class=\"google\">  <\/p>\n     \n<h4>As ra\u00e7as formadoras da popula\u00e7\u00e3o brasileira <\/h4>\n   \n<p>Viajando pelo mundo, em contato com tantas gentes, fica f\u00e1cil notar como      a humanidade \u00e9 composta de muitas popula\u00e7\u00f5es (ra\u00e7as) que habitam regi\u00f5es diferentes      e se distinguem pela freq\u00fc\u00eancia com que nelas ocorrem certos tra\u00e7os heredit\u00e1rios.      Em cada na\u00e7\u00e3o as pessoas possuem aspectos f\u00edsicos caracter\u00edsticos e definidores      daqueles que nascem ali. <\/p>\n   \n<p>E, embora se observe nos tipos humanos fei\u00e7\u00f5es f\u00edsicas similares, n\u00e3o se      pode dizer que exista um grupo racialmente puro. Isso porque as popula\u00e7\u00f5es      contempor\u00e2neas s\u00e3o o resultado de um prolongado processo de miscigena\u00e7\u00e3o,      cuja intensidade variou ao longo do tempo.<\/p>\n   \n<p>No Brasil, entre o s\u00e9culo XVI ao XVIII, em aproximadamente 15 gera\u00e7\u00f5es, consolidou-se      a estrutura gen\u00e9tica da popula\u00e7\u00e3o brasileira, com o entrecruzamento de africanos,      europeus e \u00edndios. Ainda, no per\u00edodo colonial, franceses, holandeses e ingleses      tentaram se estabelecer em territ\u00f3rio brasileiro e deixaram alguma contribui\u00e7\u00e3o      \u00e9tnica, embora restrita. Assim, de uma mistura de ra\u00e7as, em clima tropical,      t\u00eam-se os povos do Brasil, uma gente bem diferente daquelas outras do resto      do mundo. <\/p>\n   \n<p>As tr\u00eas ra\u00e7as b\u00e1sicas formadoras da popula\u00e7\u00e3o brasileira s\u00e3o o negro, o europeu      e o \u00edndio, em graus muito vari\u00e1veis de mesti\u00e7agem e pureza. <\/p>\n   \n<p><strong>A miscigena\u00e7\u00e3o no Brasil deu origem a tr\u00eas tipos fundamentais de      mesti\u00e7o: <\/strong>Caboclo = branco + \u00edndio; Mulato = negro + branco; Cafuzo      = \u00edndio + negro. <\/p>\n   \n<p><strong>Indagam-se, agora, quem eram os povos que formaram a popula\u00e7\u00e3o brasileira?<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Eles eram assim:<\/strong><\/p>\n   \n<p><strong>Brancos<\/strong><\/p>\n   \n<p>S\u00e3o povos europeus, na maior parte portugueses, que trouxeram um complicado      caldeamento de lusitanos, romanos, \u00e1rabes e negros, que habitaram Portugal.    <\/p>\n   \n<p>Os demais grupos, vindos em grande n\u00famero para o Brasil, em diversas \u00e9pocas      italianos, espanh\u00f3is, alem\u00e3es, eslavos, s\u00edrios tamb\u00e9m tiveram mesti\u00e7agem semelhante.    <\/p>\n   \n<p>A partir de ent\u00e3o, a migra\u00e7\u00e3o tornou-se mais constante. O movimento de portugueses      para o Brasil foi relativamente pequeno no s\u00e9culo XVI, mas cresceu durante      os cem anos seguintes e atingiu cifras expressivas no s\u00e9culo XVIII. Embora      o Brasil fosse, no per\u00edodo, um dom\u00ednio de Portugal, esse processo tinha, na      realidade, sentido de imigra\u00e7\u00e3o. Assim, o Brasil \u00e9 o pa\u00eds de maior popula\u00e7\u00e3o      branca do mundo tropical.<\/p>\n   \n<p><strong>Negros <\/strong><\/p>\n   \n<p>Povos africanos trazidos para o Brasil como escravos, do s\u00e9culo XVI at\u00e9 metade      do s\u00e9culo XIX (1850). Vieram destinados \u00e0 lavoura canavieira, \u00e0 minera\u00e7\u00e3o      e \u00e0 lavoura cafeeira. <\/p>\n   \n<p><strong>Pertenciam a dois grandes grupos:<\/strong> os sudaneses e os bantos.      Os primeiros, geralmente altos e de cultura mais elaborada, foram, sobretudo,      para a Bahia. <\/p>\n   \n<p>Os bantos, origin\u00e1rios de Angola e Mo\u00e7ambique, predominaram na zona da mata      nordestina, Rio de Janeiro, Minas Gerais. Por fim, os africanos espalharam-se      por todo o territ\u00f3rio brasileiro, em engenhos de a\u00e7\u00facar, fazendas de cria\u00e7\u00e3o,      arraiais de minera\u00e7\u00e3o, s\u00edtios extrativos, planta\u00e7\u00f5es de algod\u00e3o, fazendas      de caf\u00e9 e \u00e1reas urbanas. Sua presen\u00e7a projetou-se em toda a forma\u00e7\u00e3o humana      e cultural do Brasil, com t\u00e9cnicas de trabalho, m\u00fasica e dan\u00e7as, pr\u00e1ticas      religiosas, alimenta\u00e7\u00e3o e vestimentas.<\/p>\n   \n<p><strong>\u00cdndios <\/strong><\/p>\n   \n<p>Os ind\u00edgenas brasileiros pertencem aos grupos chamados paleoamer\u00edndios, que      provavelmente migraram em primeiro lugar para o Novo Mundo. Estavam no est\u00e1dio      cultural neol\u00edtico (pedra polida). <\/p>\n   \n<p><strong>Agrupam-se em quatro troncos ling\u00fc\u00edsticos principais:<\/strong><\/p>\n   \n<blockquote>      \n<p><strong>1 &#8211;<\/strong> tupi<\/p>\n     \n<p><strong>2 &#8211;<\/strong> j\u00ea ou tapuia<\/p>\n     \n<p><strong>3 &#8211;<\/strong> cara\u00edba ou karib<\/p>\n     \n<p><strong>4 &#8211;<\/strong> aruaque ou nu-aruaque. <\/p>\n   <\/blockquote>\n   \n<p>H\u00e1, al\u00e9m disso, pequenos grupos ling\u00fc\u00edsticos, dispersos entre esses maiores,      como os pano, tucano, bororo e nhambiquara. Atualmente os \u00edndios acham-se      reduzidos a uma popula\u00e7\u00e3o de algumas dezenas de milhares, instalados, sobretudo,      nas reservas ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia, Centro-Oeste e Nordeste.<\/p>\n   \n<p>Os principais grupos de imigrantes no Brasil s\u00e3o portugueses, italianos,      espanh\u00f3is, alem\u00e3es e japoneses, que representam mais de oitenta por cento      do total. At\u00e9 o fim do s\u00e9culo XX, os portugueses aparecem como grupo dominante,      com mais de trinta por cento, o que \u00e9 natural, dada sua afinidade com a popula\u00e7\u00e3o      brasileira. <\/p>\n   \n<p>S\u00e3o os italianos, em seguida, o grupo que tem maior participa\u00e7\u00e3o no processo      migrat\u00f3rio, com quase trinta por cento do total, concentrados, sobretudo,      no estado de S\u00e3o Paulo, onde se encontra a maior col\u00f4nia italiana do pa\u00eds.      Seguem-se os espanh\u00f3is, com mais de dez por cento, os alem\u00e3es, com mais de      cinco, e os japoneses, com quase cinco por cento do total de imigrantes. Toda      essa gente tamb\u00e9m participa do processo de mistura racial no Brasil.<\/p>\n   \n<p>Assim, n\u00f3s brasileiros, segundo o mestre Darcy Ribeiro, somos um povo em      ser, impedido de s\u00ea-lo. Um povo mesti\u00e7o na carne e no esp\u00edrito, j\u00e1 que aqui      a mesti\u00e7agem jamais foi crime ou pecado. <\/p>\n   \n<p>Nela fomos feitos e ainda continuamos nos fazendo. Do branco, negro e do      \u00edndio juntaram-se os mesti\u00e7os na composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da popula\u00e7\u00e3o brasileira,      representados pelos caboclos (descendentes de brancos e amer\u00edndios), mulatos      (de brancos e negros) e cafuzos (de negros e amer\u00edndios). E essa mistura de      ra\u00e7as resultou, como se v\u00ea, a composi\u00e7\u00e3o do povo brasileiro. <\/p>\n   \n<p><strong>E este povo est\u00e1 assim distribu\u00eddo:<\/strong> predomina no litoral      o tipo mulato e, no interior, o branco e v\u00e1rios mesti\u00e7os. <\/p>\n   \n<p>A popula\u00e7\u00e3o \u00e9 mais \u00edndia no Norte, menos branca no Nordeste, mais \u00edndia e      mais branca no Centro-Oeste e menos negra no Sul. No Sudeste, historicamente      a \u00e1rea de maior desenvolvimento, h\u00e1 um pouco de todas as ra\u00e7as. Assim \u00e9 o      pa\u00eds, um mosaico de cor e ra\u00e7a, enchendo os olhos e encantando todos que aqui      chegam.<\/p>\n   \n<p>Fonte: www.gostodeler.com.br<\/p>\n   \n<h6>Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/h6>\n   \n<h4>CONSTITUI\u00c7\u00c3O DA POPULA\u00c7\u00c3O BRASILEIRA<\/h4>\n   \n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o brasileira foi formada a partir de tr\u00eas grupos fundamentais:<\/strong>      o branco europeu, o negro africano e o amer\u00edndio. <\/p>\n   \n<p>Antes da chegada dos portugueses, o territ\u00f3rio era habitado por milhares      de povos ind\u00edgenas (sobretudo dos grupos tupi e j\u00ea ou tapuia). <\/p>\n   \n<p>A partir da coloniza\u00e7\u00e3o, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena foi exterminada,      dela restando hoje apenas alguns milhares de indiv\u00edduos, aproximadamente 250      mil \u00edndios.<\/p>\n   \n<p>Os negros africanos, pertencentes sobretudo aos grupos bantos e sudaneses,      foram trazidos como escravos para trabalhar na agricultura (cana-de-a\u00e7\u00facar,      caf\u00e9) e na minera\u00e7\u00e3o (ouro e diamantes). Al\u00e9m dos portugueses, outros europeus      tamb\u00e9m contribu\u00edram para a forma\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o brasileira , atrav\u00e9s da imigra\u00e7\u00e3o,      principalmente a partir de 1850 (alem\u00e3es, italianos, espanh\u00f3is).<\/p>\n   \n<p><strong>A miscigena\u00e7\u00e3o desses tr\u00eas grupos \u00e9tnicos deu origem aos mesti\u00e7os:<\/strong>      mulatos (descendentes de brancos e negros), caboclos (de brancos e amer\u00edndios)      e cafuzos (de negros e amer\u00edndios). H\u00e1 ainda uma parte formada por descendentes      de povos asi\u00e1ticos, especialmente japoneses. <\/p>\n   \n<p>Para a forma\u00e7\u00e3o do contingente populacional do pa\u00eds, a imigra\u00e7\u00e3o em si pouco      representou (pouco mais de cinco milh\u00f5es de indiv\u00edduos, desde a Independ\u00eancia,      dos quais 3,5 milh\u00f5es permaneceram no pa\u00eds) e praticamente cessou a partir      do final da segunda guerra mundial.<\/p>\n   \n<h4><strong>L\u00edngua<\/strong><\/h4>\n   \n<p>Apesar da enorme extens\u00e3o territorial, o portugu\u00eas firmouse como a l\u00edngua      falada no Brasil, embora com ligeiras varia\u00e7\u00f5es do portugu\u00eas falado em Portugal.    <\/p>\n   \n<p>Levando em conta as condi\u00e7\u00f5es naturais e hist\u00f3ricas, e as diferencia\u00e7\u00f5es      resultantes das caracter\u00edsticas culturais regionais, o portugu\u00eas falado no      Brasil \u00e9 basicamente o mesmo em todo o territ\u00f3rio nacional, n\u00e3o se verificando      a ocorr\u00eancia de dialetos, mas t\u00e3o-somente de varia\u00e7\u00f5es regionais, como, por      exemplo, o portugu\u00eas falado no Rio Grande do Sul ou em algum estado do Nordeste.<\/p>\n   \n<h4>Densidade Populacional<\/h4>\n   \n<p><strong>Estrutura demogr\u00e1fica<\/strong><\/p>\n   \n<p>O Brasil \u00e9 o pa\u00eds mais populoso da Am\u00e9rica Latina e um dos dez mais populosos      do mundo (aproximadamente 193 milh\u00f5es de habitantes em 2007). <\/p>\n   \n<p><strong>A popula\u00e7\u00e3o brasileira est\u00e1 distribu\u00edda desigualmente:<\/strong> a      densidade demogr\u00e1fica da regi\u00e3o Sudeste \u00e9 mais de onze vezes maior que a da      regi\u00e3o Centro-Oeste; e a da regi\u00e3o Sul \u00e9 quase quinze vezes maior que a da      regi\u00e3o Norte. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1950, a maior parte da popula\u00e7\u00e3o se encontrava      no campo, dedicada \u00e0s atividades agropecu\u00e1rias. <\/p>\n   \n<p>A partir dessa \u00e9poca, com a crescente industrializa\u00e7\u00e3o, a tend\u00eancia se inverteu,      e, atualmente, mais de setenta por cento concentra-se nas cidades, principalmente      as litor\u00e2neas como retrata o mapa a seguir, o litoral \u00e9 densamente povoado,enquanto      o interior \u00e9 fracamente povoado.<\/p>\n   \n<p>O crescimento demogr\u00e1fico tamb\u00e9m aconteceu de forma desigual. No final do      s\u00e9culo XVIII, o Brasil possu\u00eda pouco mais de dois milh\u00f5es de habitantes. Na      \u00e9poca da Independ\u00eancia, cerca de 4.500.000, para chegar a sete milh\u00f5es em      1850. O primeiro censo demogr\u00e1fico realizado no pa\u00eds revelava uma popula\u00e7\u00e3o      de 9.930.478 habitantes. No final do s\u00e9culo XIX, pouco mais de quatorze milh\u00f5es      e, em 1900, exatos 17.438.434 habitantes. <\/p>\n   \n<p><strong>No s\u00e9culo XX, o ritmo do crescimento aumentou: <\/strong>de acordo      com os censos demogr\u00e1ficos, 30.635.605, em 1920; 41.236.315, em 1940; 51.944.397,      em 1950; 70.070.457, em 1960; 93.139.037, em 1970; 119.002.706, em 1980; 146.825.475      habitantes em 1991. Para 1993, a popula\u00e7\u00e3o estimada era de 151.571.727 habitantes.      A din\u00e2mica demogr\u00e1fica do pa\u00eds, que vinha se caracterizando por uma alta taxa      de crescimento, na d\u00e9cada de 1990 j\u00e1 apresentava uma tend\u00eancia declinante.<\/p>\n   \n<p>Em 1800, os negros eram 47% da popula\u00e7\u00e3o, contra 30% de mulatos e 23% de      brancos. Fatores como, por exemplo, a proibi\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos (1850),      a elevada mortalidade da popula\u00e7\u00e3o negra, o forte est\u00edmulo \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia      (expans\u00e3o cafeeira), al\u00e9m da intensa miscigena\u00e7\u00e3o entre brancos e negros,      alteraram profundamente a composi\u00e7\u00e3o \u00e9tnica da popula\u00e7\u00e3o brasileira . <\/p>\n   \n<p>Em 1880, os negros estavam reduzidos a 20% da popula\u00e7\u00e3o, contra 42% de mulatos      e 38% de brancos. Da\u00ed em diante, ocorreu a diminui\u00e7\u00e3o constante da popula\u00e7\u00e3o      negra e aumento progressivo da popula\u00e7\u00e3o branca (intensifica\u00e7\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o      europ\u00e9ia, ap\u00f3s a Aboli\u00e7\u00e3o da Escravid\u00e3o). Em 1991, os negros eram apenas 4,8%      da popula\u00e7\u00e3o total, contra 55,2% de brancos e 39,2% de mesti\u00e7os.<\/p>\n   \n<p>Os dados estat\u00edsticos fornecidos pelo recenseamentos gerais s\u00e3o relativamente      prec\u00e1rios e, at\u00e9 mesmo, omissos. No censo demogr\u00e1fico de 1970, por exemplo,      no auge de regime militar, n\u00e3o h\u00e1 nada relativo aos negros e aos \u00edndios. Por      qu\u00ea? Manobra estrat\u00e9gica do governo para impedir a conscientiza\u00e7\u00e3o ou atua\u00e7\u00e3o      de grupos \u00e9tnicos minorit\u00e1rios?<\/p>\n   \n<p>Os n\u00fameros oficiais, principalmente os que se referem a brancos e negros,      s\u00e3o pass\u00edveis de questionamento.<\/p>\n   \n<p>O primeiro recenseamento oficial no Brasil s\u00f3 foi realizado em 1872, ou seja,      372 anos ap\u00f3s a chegada dos portugueses e cinq\u00fcenta anos ap\u00f3s a Independ\u00eancia      do pa\u00eds.<\/p>\n   \n<p>H\u00e1 muita controv\u00e9rsia com rela\u00e7\u00e3o ao n\u00famero de negros que entraram no Brasil,      o mesmo ocorrendo com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena que habitava o pa\u00eds na      \u00e9poca da chegada dos colonizadores.<\/p>\n   \n<p>A ideologia do branqueamento, imposta pelo europeu, apregoando a superioridade      do branco (quanto mais branco, melhor) fez com que muitos indiv\u00edduos de ascend\u00eancia      negra passassem por brancos nos recenseamentos, a fim de obter maior aceita\u00e7\u00e3o      social.<\/p>\n   \n<p>Fatos como esse permitem supor que os n\u00fameros mostrados s\u00e3o exagerados para      mais, em rela\u00e7\u00e3o aos brancos, e para menos, em rela\u00e7\u00e3o aos negros.<\/p>\n   \n<p>A ideologia do branqueamento nada mais \u00e9 que um modelo discriminat\u00f3rio, de      natureza racista, criado pelas elites dominantes para marginalizar os negros,      impedindo-os de obter ascens\u00e3o social, econ\u00f4mica e cultural. O branqueamento      teve import\u00e2ncia decisiva no processo de descaracteriza\u00e7\u00e3o (enquanto ra\u00e7a)      e no esvaziamento da consci\u00eancia \u00e9tnica dos negros.<\/p>\n   \n<p>O mulato, produto da miscigena\u00e7\u00e3o entre brancos e negros, constitui importante      exemplo do poder de influ\u00eancia da ideologia do branqueamento. Por mais claro      e mais bem-aceito socialmente que o negro, o mulato passou a se considerar      superior ao negro, assimilando, com isso, a ideologia do branqueamento.<\/p>\n   \n<h4>Crescimento da popula\u00e7\u00e3o em 2020<\/h4>\n   \n<p>O Brasil deve chegar ao ano de 2020 com uma taxa m\u00e9dia de crescimento populacional      de apenas 0,71% ao ano.<\/p>\n   \n<p>A constata\u00e7\u00e3o faz parte da publica\u00e7\u00e3o Estat\u00edsticas do S\u00e9culo XX, divulgada      pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). <\/p>\n   \n<p>Segundo o documento, desde 1970, quando o Censo revelou que a popula\u00e7\u00e3o brasileira      era de 93,1 milh\u00f5es de habitantes, houve crescimento de 82%.<\/p>\n   \n<p>Ao longo do S\u00e9culo XX, a popula\u00e7\u00e3o tornou-se quase dez vezes maior. O Censo      de 1900 contou mais de 17,4 milh\u00f5es de pessoas. Em 1950, a popula\u00e7\u00e3o triplicou,      passando a 51,9 milh\u00f5es e, na segunda metade do s\u00e9culo, mais que triplicou.    <\/p>\n   \n<p>Em 2000, havia 169,5 milh\u00f5es de brasileiros. De acordo com a publica\u00e7\u00e3o,      a taxa m\u00e9dia de crescimento da popula\u00e7\u00e3o no s\u00e9culo passado foi de 2,91% ao      ano, nas duas primeiras d\u00e9cadas, caindo para 1,49% nas duas d\u00e9cadas seguintes.<\/p>\n   \n<p>A partir da d\u00e9cada de 40, o ritmo de crescimento da popula\u00e7\u00e3o voltou a se      intensificar, chegando a um pico hist\u00f3rico de 2,99% ao ano entre 1950 e 1960,      antes de declinar para o seu valor m\u00ednimo de 1,63%, na d\u00e9cada de 90. <\/p>\n   \n<p><strong>Segundo o IBGE, respons\u00e1vel pelo estudo, tudo indica que a trajet\u00f3ria      descendente dever\u00e1 permanecer no futuro, at\u00e9 chegar \u00e0 taxa de crescimento      populacional projetada para 2020:<\/strong> 0,71% de m\u00e9dia anual.<\/p>\n   \n<p>Fonte: www.portalimpacto.com.br<\/p>\n   \n<h6>Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/h6>\n   \n<h4>A invas\u00e3o do Brasil<\/h4>\n   \n<p>A revolu\u00e7\u00e3o mercantil em Portugal e Espanha estimularam \u00e0 procura por novas      terras, onde extra\u00edssem mat\u00e9ria-prima e riquezas. Tal expans\u00e3o recebeu o apoio      da Igreja Cat\u00f3lica (1454), que via a\u00ed a oportunidade de expandir o catolicismo,      tarefa que Deus teria dado ao homem branco. <\/p>\n   \n<p>Portugal e Espanha gastaram gente aos milh\u00f5es, acabaram com florestas, desmontam      morros a procura de minerais (estima-se que foram levados para Europa 3 milh\u00f5es      de quilates de diamantes e mil toneladas de ouro), s\u00f3 a classe dirigente permanece      a mesma, predisposta a manter o povo gemendo e produzindo , n\u00e3o o que os povos      colonizados querem ou precisam, mas o que eles imp\u00f5em \u00e0 massa trabalhadora,      que nem mesmo participa da prosperidade. <\/p>\n   \n<p><strong>Para os \u00edndios aqueles homens brancos eram gente do Deus-Sol (o criador      ou Ma\u00edra), mas esta vis\u00e3o se dissipa:<\/strong> como o povo predileto sofre      tantas priva\u00e7\u00f5es?, se referindo \u00e0s doen\u00e7as que os europeus lhe trouxeram,      coqueluche, tuberculose e sarampo, para as quais n\u00e3o tinham anticorpos. Assim,      muitos \u00edndios fogem para dentro da mata e outros passam a conviver com os      seus novos senhores. <\/p>\n   \n<p>Outros, deitavam em suas redes e se deixavam morrer ali. Aos olhos dos \u00edndios,      por que aqueles oriundos do mar precisavam acumular todas as coisas? Temiam      que as florestas fossem acabar? Em troca lhes davam machados, canivetes, espelhos,      tesouras, etc. Se uma tribo tinha uma ferramenta, a tribo do lado fazia uma      guerra pra tom\u00e1-la. <\/p>\n   \n<p>No ventre das mulheres ind\u00edgenas come\u00e7avam a surgir seres que n\u00e3o eram ind\u00edgenas,      meninas prenhadas pelos homens brancos e meninos que sabiam que n\u00e3o eram \u00edndios&#8230;      que n\u00e3o eram europeus. O europeu n\u00e3o aceitava como igual. O que eram? Brasil\u00edndios,      rejeitados pelo pai, europeu, filhos impuros desta terra, e pela m\u00e3e, \u00edndia.    <\/p>\n   \n<p>S\u00e3o tamb\u00e9m chamados de mamelucos, nome que os jesu\u00edtas deram aos \u00e1rabes que      tomavam crian\u00e7as dos pais e as cuidavam em casa. Esses filhos das \u00edndias aprendem      o nome das \u00e1rvores, o nome dos bichos, d\u00e3o nome a cada rio&#8230; Eles aprenderam,      dominaram parcialmente uma sabedoria que os \u00edndios tinham composto em dez      mil anos. Estesmamelucos eram ca\u00e7adores de \u00edndios, para vender ou para serem      seus escravos.<\/p>\n   \n<p>A grande contribui\u00e7\u00e3o da cultura portuguesa aqui foi fazer o engenho de a\u00e7\u00facar&#8230;      movido por m\u00e3o-de-obra escrava. Por isso, come\u00e7aram a trazer milh\u00f5es de escravos      da \u00c1frica. Metade morria na travessia, na brutalidade da chegada, de tristeza,      mas milh\u00f5es deles incorporaram-se ao Brasil. O custo do tr\u00e1fico de escravos      nos 300 anos de escravid\u00e3o foi de 160 milh\u00f5es de libras-ouro, cerca de 50%      do lucro obtido com a venda do ouro e do a\u00e7\u00facar .<\/p>\n   \n<p>Os escravos negros vinham para o Brasil e eram dispersados por esta terra,      evitando que um mesmo povo (ou etnia) permanecesse unido. Embora, iguais na      cor, falavam l\u00ednguas diferentes, o que os for\u00e7a a aprender o portugu\u00eas, o      idioma do seu capataz. Em geral, aos 15 anos eram aprisionados como escravos,      trocados por tabaco, aguardente e bugigangas, trabalhavam por 7 a 10 anos      seguidos e morriam de cansa\u00e7o f\u00edsico. Sofria vigil\u00e2ncia constante e puni\u00e7\u00e3o      atroz.<\/p>\n   \n<p>Havia um castigo pedag\u00f3gico preventivo, mas tamb\u00e9m mutila\u00e7\u00e3o de dedos, queimaduras,      dentes quebrados, 300 chicotadas para matar ou 50 por dia, para sobreviver.      Se fugia, era marcado a ferro em brasa, cortado um tend\u00e3o, tinha uma bola      de ferro amarrada ao p\u00e9 ou ent\u00e3o, era queimado vivo. Eles fizeram este pa\u00eds,      constru\u00edram ele inteiro e sempre foram tratados como se fossem o carv\u00e3o que      voc\u00ea joga na fornalha e quando voc\u00ea precisa mais compra outro.<\/p>\n   \n<p>Todos n\u00f3s somos carne da carne daqueles pretos e \u00edndios (torturados)e a m\u00e3o      possessa que os supliciou&#8230; A do\u00e7ura mais terna e a crueldade mais atroz      aqui se conjugaram para fazer de n\u00f3s a gente sentida\/ sofrida &#8230; Estima-se      que em 3 s\u00e9culos, o Brasil importou entre 4 a 13 milh\u00f5es de africanos. Um      e cada quatro, eram mulheres eram o luxo que se davam os senhores e o capatazes,      as mucamas, que at\u00e9 se incorporavam \u00e0 fam\u00edlia (ex : Chica da Silva), como      ama de leite. <\/p>\n   \n<p>Chegavam a provocar ci\u00fame nas senhoras brancas, que mandavam arrancar seus      dentes. <\/p>\n   \n<p><strong>Em 1823, em uma revolta em Pernambuco, organizada por barbeiros,      botic\u00e1rios, alfaiates, artes\u00e3os, ferradores, etc, armados de trabucos, uma      multid\u00e3o de gente livre e pobre cantava assim:<\/strong> marinheiros (portugueses)      e caiados (brancos). Todos devem se acabar, porque os pardos e o pretos, o      pa\u00eds h\u00e3o de habitar. <\/p>\n   \n<p>As classes sociais no Brasil lembram um funil invertido e n\u00e3o uma pir\u00e2mide,      como em outros pa\u00edses. O Patronato, o Patriciado e o Estamento gerencial s\u00e3o      as classes dominantes. O Patronato, empres\u00e1rios que exploram economicamente      empregados, O Patriciado, tem poder de mando devido a seu cargo, como generais,      deputados, bispos, l\u00edderes sindicais, O Estamento gerencial de empresas estrangeiras,      tecnocratas competentes que controlam a m\u00eddia, forma a opini\u00e3o p\u00fablica, elege      pol\u00edticos. Abaixo desta c\u00fapula, est\u00e3o as classes intermedi\u00e1rias ou os setores      mais din\u00e2micos, s\u00e3o propensas a prestar homenagem \u00e0s classes dominantes, mant\u00e9m      a ordem vigente e s\u00e3o constitu\u00eddas de pequenos oficiais, profissionais liberais,      policiais, professores, baixo-clero, etc. A seguir, vem as classes subalternas      ou n\u00facleo mais combativo, composta por oper\u00e1rios de f\u00e1bricas, trabalhadores      especializados, assalariados rurais, pequenos propriet\u00e1rios, arrendat\u00e1rios,      etc. Preocupam-se em proteger o que conquistaram. <\/p>\n   \n<p>Depois, h\u00e1 uma grande massa de oprimidos, o componente majorit\u00e1rio (que predomina),      enxadeiros, b\u00f3ias-frias-, empregadas dom\u00e9sticas, servi\u00e7os de limpeza, pequenas      prostitutas, biscateiros, delinq\u00fcentes, mendigos, etc, em geral, analfabetos.      Para Darcy Ribeiro, os escravos de hoje s\u00e3o essas pessoas subassalariados,      que infundem, com sua presen\u00e7a, pavor e p\u00e2nico pela amea\u00e7a de insurrei\u00e7\u00e3o      (revolu\u00e7\u00e3o) social e s\u00f3 s\u00e3o capazes de explos\u00f5es de revolta, mas, em geral,      aceitam seu destino de mis\u00e9ria, pois s\u00e3o incapazes de se organizarem politicamente,      como em sindicatos.<\/p>\n   \n<p><strong>Houve um conflito entre os jesu\u00edtas e os mercadores que escravizavam      os \u00edndios, como gado humano, quase um bicho:<\/strong> e da amea\u00e7a de extin\u00e7\u00e3o      dos \u00edndios, jesu\u00edtas constru\u00edram miss\u00f5es onde poderiam ensinar o catolicismo.      Para Darcy Ribeiro, as miss\u00f5es foram uma primeira experi\u00eancia socialista.    <\/p>\n   \n<p>Com o desemprego na Europa, no s\u00e9culo XIX, v\u00eam para c\u00e1 7 milh\u00f5es de pessoas.      Quando da chegada de outros povos imigrantes como italianos alem\u00e3es, japoneses,      etc, a popula\u00e7\u00e3o brasileira j\u00e1 era numericamente maci\u00e7a (quatorze milh\u00f5es      de brasileiros) e definida etnicamente quando absorveu a cultura e a ra\u00e7a      dos imigrantes, diferente dos europeus que foram para a Argentina ca\u00edram em      cima do povo argentino, paraguaio e uruguaio que haviam feito seus pa\u00edses,      que eram oitocentos mil, e disso saiu um povo europeizado.<\/p>\n   \n<p>S\u00f3 n\u00e3o ocorreu secess\u00e3o (fragmenta\u00e7\u00e3o, independ\u00eancia dos estados) do Brasil,      porque em cada unidade regional, havia representa\u00e7\u00f5es locais da mesma camada      dirigente (classe social)&#8230; Tal \u00e9 o Brasil de hoje, na etapa que atravessamos      na luta pela exist\u00eancia. J\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 \u00edndios amea\u00e7ando seu destino. Tamb\u00e9m negros      desafricanizados se integraram nela com um contingente diferenciado, mas que      n\u00e3o aspira a nenhuma autonomia \u00e9tnica. O pr\u00f3prio branco vai ficando cada vez      mais moreno e at\u00e9 se orgulha disso.<\/p>\n   \n<p><strong>Pergunta Darcy Ribeiro:<\/strong> Por que alguns povos, mesmo pobres      na etapa Colonial, progrediram aceleradamente, integrando-se \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial,      enquanto outros se atrasam?. <\/p>\n   \n<p><strong>Sua explica\u00e7\u00e3o:<\/strong> os povos transplantados, como os norte americanos      que vieram da Inglaterra, j\u00e1 se encontram prontos, mas, os povos novos, que      v\u00e3o se construindo mais lentamente, como o Brasil, com a mistura de \u00edndios,      negros e brancos. &#8230; Um aglomerado de \u00edndios e africanos, reunidos contra      a vontade e a administra\u00e7\u00e3o local, sob controle dos neo- brasileiros, filhos      de europeus e \u00edndias ou negras, dependentes da metr\u00f3pole (Portugal). <\/p>\n   \n<p>Os tr\u00eas s\u00e9culos de economia agr\u00e1ria no Brasil moeram e fundiram as matrizes      ind\u00edgena, negra e europ\u00e9ia em uma nova etnia.<\/p>\n   \n<p><strong>O povo brasileiro tem erup\u00e7\u00f5es de criatividade:<\/strong> no culto      a Iemanj\u00e1, que se cultuava no dia 2 de fevereiro na Bahia e 8 de mar\u00e7o em      S\u00e3o Paulo, no RJ, foi alterado para 31\/dezembro. \u00c0 Iemanj\u00e1 n\u00e3o se pede a cura      da Aids, mas um amante carinhoso ou que o marido n\u00e3o bata tanto. O negro guardou      sobretudo sua espiritualidade, sua religiosidade, seu sentido musical. (O      brasileiro \u00e9) um povo singular, capaz de fazer coisas, por exemplo, a beleza      do Carnaval carioca, que \u00e9 uma cria\u00e7\u00e3o negra, a maior festa da Terra!.<\/p>\n   \n<p>O antrop\u00f3logo identificou nas regi\u00f5es do Brasil 5 tipos de mesti\u00e7os ainda      existentes hoje.<\/p>\n   \n<h4>O Brasil Crioulo<\/h4>\n   \n<p>Representado pelos negros e mulatos na regi\u00e3o dos engenhos de a\u00e7\u00facar no nordeste      brasileiro, nas terras de Massap\u00e9 e no rec\u00f4ncavo baiano. Depois da aboli\u00e7\u00e3o,      o ex-escravo ganhava um peda\u00e7o de terra (fica como um agregado da fazenda,      em terra dos outros) para produzir comida e comprar sal, panos e satisfazer      necessidades mais elementares. <\/p>\n   \n<p>No s\u00e9culo 19, a roda d \u00b4\u00e1gua e a tra\u00e7\u00e3o animal s\u00e3o substitu\u00eddas pela m\u00e1quina      a vapor e os senhores de engenho s\u00e3o substitu\u00eddos por empresas banc\u00e1rias.      Em 1963, com a ditadura militar, houve o retorno ao antigo poder dos senhores      das fazendas (patronato), que reagiram ao projeto de pagamento de sal\u00e1rio      m\u00ednimo, atrav\u00e9s da eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar.<\/p>\n   \n<h4>O Brasil Caboclo<\/h4>\n   \n<p>No s\u00e9culo 19 e \u00faltimas d\u00e9cadas do s\u00e9c. 20, foram para a Amaz\u00f4nia 500 mil      nordestinos (fugindo da seca) para trabalhar com extra\u00e7\u00e3o de l\u00e1tex (borracha)      das seringueiras e, por isso, mais da metade dos caboclos que j\u00e1 viviam deste      trabalho, foram desalojados para as cidades de Bel\u00e9m e Manaus, perdendo-se      a sabedoria milenar de viver nas florestas que eles herdaram dos \u00edndios. <\/p>\n   \n<p>Em cada seringal, os mestres ensinam a sangrar a \u00e1rvore sem mat\u00e1-la, colher      o l\u00e1tex e depois defum\u00e1-lo em bolas de borracha. Em cada 10-15 km raramente      se encontra 200 seringueiras. <\/p>\n   \n<p><strong>Percorre-se, ainda hoje, duas vezes por dia uma mesma estrada:<\/strong>      de madrugada para sangrar as \u00e1rvores e ajustar as tigelas ao tronco e na segunda      vez, para vert\u00ea-las num gal\u00e3o que levar\u00e1 para o rancho. Depois, trabalha na      tarefa de coagula\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex. Al\u00e9m de coletor, dedicava-se \u00e0 ca\u00e7a e \u00e0 pesca      e protegia-se das flechas dos \u00edndios. <\/p>\n   \n<p>Nos primeiros anos da presen\u00e7a dos portugueses na Amaz\u00f4nia, \u00edndios s\u00e3o escravizados      para buscarem na mata as drogas da mata, as especiarias, os produtos que a      floresta oferece, como cacau, cravo, canela, urucum, baunilha, a\u00e7afr\u00e3o, salsa      parrilha, sementes, casacas, tub\u00e9rculos, \u00f3leos e resinas &#8211; eles foram o saber,      o nervo e o m\u00fasculo dessa sociedade parasit\u00e1ria. E isto porque nenhum colonizador      sobreviveria na mata sem esses \u00edndios que eram seus olhos, m\u00e3os e p\u00e9s.<\/p>\n   \n<p>H\u00e1 tamb\u00e9m a extra\u00e7\u00e3o de min\u00e9rios como mangan\u00eas, no Amap\u00e1, e Cassiterita,      em Rond\u00f4nia e na Amaz\u00f4nia, exploradas por uma multinacional americana a Bethlehem      Steel, cujo custo pago por ela \u00e9 apenas aquele que ela gasta para extrair      e transportar o min\u00e9rio. Militares alem\u00e3es sugeriram a Hitler que a conquistasse,      como importante ponto para a expans\u00e3o germ\u00e2nica. Os Estados Unidos propuseram      ditadura militar brasileira o uso da Amaz\u00f4nia por 99 anos para estudos. <\/p>\n   \n<h4>O Brasil Sertanejo<\/h4>\n   \n<p>No sert\u00e3o encontra-se uma vegeta\u00e7\u00e3o rara confinada de um lado pela floresta      da costa do atl\u00e2ntico, pela Amaz\u00f4nia e ao sul pela zona da mata. Nas faixas      de florestas, h\u00e1 palmeiras de buriti, carna\u00faba, baba\u00e7u, pastos raros e arbustos      com troncos tortuosos devido a irregularidade das chuvas. <\/p>\n   \n<p>A cria\u00e7\u00e3o de gado nesta regi\u00e3o fornece carne, couro e bois para servi\u00e7o e      transporte, animais trazidos de Cabo Verde, pelos portugueses, pertencendo      inicialmente aos engenhos e depois a criadores especializados. Os vaqueiros      naquela \u00e9poca davam conta do rebanho e como pagamento separavam 1 cabe\u00e7a de      gado para ele e tr\u00eas para o dono.<\/p>\n   \n<p><strong>O trabalho de pastoreio moldou o homem e o gado da regi\u00e3o: <\/strong>ambos      diminu\u00edram de tamanho, tornando-se ossudos e secos de carne. Hoje, enquanto      o gado cresce, alcan\u00e7ando ossatura mais ampla e recebe tratamento, o vaqueiro      e sua fam\u00edlia, n\u00e3o. Apesar das enormes somas de dinheiro que vem do governo      federal, para ajudar os flagelados pela seca, s\u00e3o os coron\u00e9is (fazendeiros      que monopolizam a terra) que se apropriam dos recursos, mais comovido pela      perda dos eu gado&#8230; do que pelo trabalhador sertanejo. Estas somas de dinheiro      v\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de estradas e para a\u00e7udes para o gado passar e beber      \u00e1gua. <\/p>\n   \n<p>Os sertanejos permanecem itinerantes, pois vivendo por dez anos em uma propriedade,      eles teriam direito a ela, mas dependeriam de um registro no cart\u00f3rio, que      fica distante e caro. Em contraste, pol\u00edticos estaduais concedem facilmente      milh\u00f5es de terras a donos que nunca as viram e que um dia desalojam sertanejos      que viviam nelas (isto chama-se grilhagem). <\/p>\n   \n<p>Diante de tanta mis\u00e9ria, o sertanejo que vive isolado no interior (diferente      do que vive no litoral), tem uma vis\u00e3o fatalista e conservadora sobre sua      vidaPeriodicamente, anunciavam a vinda do messias diziam o sert\u00e3o vai virar      mar e o mar vai virar sert\u00e3o. Um dos acontecimentos mais tr\u00e1gicos ocorreu      em Canudos, sob a lideran\u00e7a de Ant\u00f4nio Conselheiro, um profeta e reformador      social, era visto pelos fazendeiros como subversivo, que poderia estimular      a m\u00e3o-de-obra a abandonar as fazendas e reivindicar a divis\u00e3o das terras.      L\u00e1 chegaram a 1000 casas.<\/p>\n   \n<p><strong>Outro fen\u00f4meno que surge no sert\u00e3o \u00e9 o canga\u00e7o: <\/strong>uma forma      de banditismo, formado por jagun\u00e7os, que surgiu nas fazendas. <\/p>\n   \n<h4>O Brasil Caipira<\/h4>\n   \n<p>S\u00e3o os homens que dirigiam as bandeiras (explora\u00e7\u00e3o que adentrava ao interior      do Brasil), e a popula\u00e7\u00e3o paulista (mamelucos). Cada um deles possu\u00eda uma      indiada cativa para o cultivo da mandioca, feij\u00e3o, milho, ab\u00f3bora, tub\u00e9rculos,      tabaco, urucu, pimenta, ca\u00e7adas e pesca. L\u00e1 s\u00f3 se falava a l\u00edngua tupi. Dormiam      em redes, usavam gamelas, porongos, peneiras como as que os \u00edndios usavam,      al\u00e9m de armas, candeias de \u00f3leo. Consumiam rapadura e pinga. Cada fam\u00edlia      fiava e tecia algod\u00e3o para as roupas de uso di\u00e1rio e para os camisol\u00f5es e      ceroulas, para os homens e blusas largas e saias compridas, para as mulheres.      Andavam descal\u00e7os, de chinelas ou de alpargatas. N\u00e3o queriam apenas existir,      como os \u00edndios, mas estabelecer v\u00ednculos mercantis externos e aspirar a se      tornar uma camada dominante, adquirindo artigos de luxo e poder de influ\u00eancia      e mando. Por um s\u00e9culo e meio venderam mais de 300 mil \u00edndios para os engenhos      de a\u00e7\u00facar.<\/p>\n   \n<p>As bandeiras serviam, tamb\u00e9m, mas para explorar ouro e diamantes. O padre      Cal\u00f3geras avalia que 1400 toneladas de ouro e 3 milh\u00f5es de quilates de diamantes      foram levados do Brasil-Col\u00f4nia. Do ouro extra\u00eddo por Portugal quase todo      foi para a Inglaterra, para pagar as suas importa\u00e7\u00f5es, ouro que financiou      a ind\u00fastria inglesa. <\/p>\n   \n<p><strong>Um novo tipo social surgia: <\/strong>o garimpeiro, que explorava      clandestinamente o diamante, monop\u00f3lio de Portugal. <\/p>\n   \n<p><strong>Quando Monteiro Lobato (al\u00e9m do s\u00edtio do pica-pau amarelo) criou      o personagem Jeca Tatu , o fez como um piolho da terra, uma praga incendi\u00e1ria      que ati\u00e7ava fogo \u00e0 mata, destruindo as riquezas florestais para plantar ro\u00e7ados,      uma caricatura do caipira, destacando a pregui\u00e7a, a verminose e o desalento      que o faz responder sempre:<\/strong> n\u00e3o paga a pena a qualquer proposta de      trabalho que lhe faziam (ou entregava 50% da produ\u00e7\u00e3o ao patr\u00e3o ou trabalhava      por conta pr\u00f3pria, pagando pelo uso da terra, com 1\/3 da colheita. <\/p>\n   \n<p><strong>Outra sa\u00edda:<\/strong> ir para as cidades, marginalizando-se l\u00e1).      O que Lobato fez foi descrever o caipira sob o ponto de vista de um intelectual      e fazendeiro, diante da experi\u00eancia amarga de encaixar os caipiras no seu      sistema. O que Monteiro Lobato n\u00e3o viu foi o traumatismo cultural, o caipira      marginalizado pelo despojo de suas terras, como um produto residual natural      do latif\u00fandio agro-exportador. <\/p>\n   \n<p>Somente mais tarde \u00e9 que o escritor compreendeu e defendeu a reforma agr\u00e1ria.    <\/p>\n   \n<p>Outro tipo humano surgido foi o dos b\u00f3ias-frias que vivem em condi\u00e7\u00f5es piores      do que as que vivem os caipiras, cerca de 5 milh\u00f5es de pessoas \u00e0 espera da      posse de terras em que possam trabalhar. Eles est\u00e3o presentes mais nos canaviais      do que nas fazendas de caf\u00e9, isto porque os cafezais precisam de muita gente      apenas na derrubada da mata e nos 4 primeiros anos. Depois, s\u00f3 nas colheitas.    <\/p>\n   \n<h4>O Brasil Sulino<\/h4>\n   \n<p>Foi a expans\u00e3o dos paulistas ocupando a regi\u00e3o sul do Brasil, antes dominada      pelos espanh\u00f3is, a causa que anexou esta regi\u00e3o ao Brasil. No come\u00e7o do s\u00e9culo      18, paulistas e curitibanos v\u00eam para c\u00e1, instalarem- se como criadores de      cavalos e muares e recrutam os ga\u00fachos para o trato do gado. Sobre os ga\u00fachos      (popula\u00e7\u00e3o de mesti\u00e7os), estes surgem, segundo Darcy Ribeiro, dos filhos e      filhas entre espanh\u00f3is e portugueses com as \u00edndias guaranis.<\/p>\n   \n<p><strong>Havia um dito popular:<\/strong> esta indiada \u00e9 toda ga\u00facha. <\/p>\n   \n<p>Dedicavam-se ao gado que se multiplicava naturalmente nas duas margens do      rio da prata e que foram trazidos pelos jesu\u00edtas. Com o esgotamento das minas      de ouro e diamante e a pouca procura por gado do Sul, foi introduzida aqui      a t\u00e9cnica do charque, trazida pelos cearenses. J\u00e1 a imagem do ga\u00facho montado      em cavalo brioso, com bombacha, botas, sombreiro, pala vistosa, revolver,      adaga, dinheiro na guaiaca, boleadeiras, len\u00e7o no pesco\u00e7o, faixa na cintura      e esporas chilenas, diz Darcy Ribeiro, ou \u00e9 a imagem do patr\u00e3o, fantasiado      de homem do campo, ou \u00e9 de algu\u00e9m que integra algum clube urbano (centro nativista)      e n\u00e3o passa de folclore. <\/p>\n   \n<p>J\u00e1 o ga\u00facho novo, ser\u00e1 o pe\u00e3o empregado que cuida do gado, agora, mal pago,      come menos e vive maltrapilho. Apesar disso, o pe\u00e3o de est\u00e2ncia \u00e9 um privilegiado      em compara\u00e7\u00e3o com os biscateiros, os que vivem em terrenos baldios, os subocupados,      que arranjam trabalhos esporadicamente, em tosquias ou esticar os arames,      todos eles chamados de ga\u00fachos-a-p\u00e9. J\u00e1 os que vivem como aut\u00f4nomos rurais,      lavram o terreno dos outros, pelo regime de parceria.<\/p>\n   \n<p>Mas, n\u00e3o se pode dizer que o povo do Sul tivesse origem apenas paulista.    <\/p>\n   \n<p><strong>Havia, tamb\u00e9m lavradores vindos das ilhas dos A\u00e7ores em Portugal,      que ocuparam a regi\u00e3o litor\u00e2nea, com lavoura:<\/strong> milho, mandioca, feij\u00f5es,      ab\u00f3boras, etc, enquanto outros fugiram desta caipiriza\u00e7\u00e3o cultivando trigo,      os ga\u00fachos, nos campos da fronteira, com o pastoreio e os gringos, descendentes      dos imigrantes europeus, viviam isolados do resto da sociedade, o que fez      com que o governo brasileiro exigisse o ensino do idioma e os recrutasse os      gringos para o ex\u00e9rcito. <\/p>\n   \n<p>Com a distribui\u00e7\u00e3o legal de terras (sesmarias), em Rio grande, Pelotas, Viam\u00e3o      e miss\u00f5es, as invernadas se tornam est\u00e2ncias e o estancieiro se faz caudilho,      contra ataque dos castelhanos, acrescentando gado de outras bandas. Mais tarde,      o estancieiro se tornar\u00e1 patr\u00e3o, dono de matadouros e frigor\u00edficos. Os imensos      campos livres do passado, agora, s\u00e3o ret\u00e2ngulos, todos com donos. Entre as      inst\u00e2ncias h\u00e1 imensos corredores de aramados divis\u00f3rios. <\/p>\n   \n<p>Nosso destino \u00e9 nos unificarmos com todos os latino-americanos por nossa      oposi\u00e7\u00e3o comum ao mesmo antagonista, a Am\u00e9rica anglo-sax\u00f4nica, para fundarmos,      tal como ocorre na comunidade europ\u00e9ia, a na\u00e7\u00e3o latino-americana sonhada por      Bol\u00edvar. Hoje somos quinhentos milh\u00f5es, amanh\u00e3 seremos um bilh\u00e3o, contingente      suficiente para encarar a latinidade em face dos blocos chineses, eslavos,      \u00e1rabes e neobrit\u00e2nicos.<\/p>\n   \n<p>Somos povos novos ainda na luta para fazermos a n\u00f3s mesmos como um g\u00eanero      humano novo que nunca existiu antes. O Brasil \u00e9 j\u00e1 a maior das na\u00e7\u00f5es neolatinas,      com magnitude populacional e come\u00e7a a s\u00ea-lo tamb\u00e9m por sua criatividade art\u00edstica      e cultural. Precisa agora s\u00ea-lo no dom\u00ednio da tecnologia da futura civiliza\u00e7\u00e3o,      para se fazer pot\u00eancia econ\u00f4mica, de progresso auto- sustentado. Estamos nos      construindo na luta para florescer amanh\u00e3 como uma nova civiliza\u00e7\u00e3o, mesti\u00e7a      e tropical, orgulhosa de si mesma, mais alegre, porque mais sofrida. Melhor,      porque incorpora em si mais humanidade, mais generosa, porque aberta \u00e0 conviv\u00eancia      com todas as na\u00e7\u00f5es e todas as culturas e porque est\u00e1 assentada na mais bela      e luminosa prov\u00edncia da terra. <\/p>\n   \n<p>Fonte: www.scribd.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira, Origem, Forma\u00e7\u00e3o, Miscigena\u00e7\u00e3o, Urbaniza\u00e7\u00e3o, Acelerado, Migra\u00e7\u00f5es, Imigrantes, Brasil, Hist\u00f3ria da Popula\u00e7\u00e3o Brasileira<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10301,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26037","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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