{"id":26028,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/segundo-reinado-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:58:34","modified_gmt":"2026-09-01T17:58:34","slug":"segundo-reinado-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/segundo-reinado-4\/","title":{"rendered":"Segundo Reinado"},"content":{"rendered":"\n<strong>Segundo Reinado &#8211; O que foi<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>Segundo Reinado<\/strong>\u00a0foi a \u00e9poca de menos turbul\u00eancia no Brasil Imperial, \u00e9 que a classe dominante, dia a dia, ia consolidando o seu dom\u00ednio pol\u00edtico. O poder econ\u00f4mico, eles j\u00e1 possu\u00edam.\n\nAs revoltas e as rebeli\u00f5es, as contesta\u00e7\u00f5es e motins, eram controlados e contidos com mais facilidade. O Estado era forte\n\n\u00c0quela \u00e9poca, j\u00e1 se afirmava que \u201cnada mais liberal que um conservador na oposi\u00e7\u00e3o, nada mais conservador que um liberal no governo\u201d.\n\nOs partidos Liberal e Conservador representavam a aristocracia, com caracter\u00edsticas an\u00e1logas. O que mais parecia com um pol\u00edtico liberal era um pol\u00edtico conservador.\n\n<strong>Sob a hegemonia dos latifundi\u00e1rios do Sudeste, o Brasil era Imperial, mas com um Parlamentarismo \u201c\u00e0s avessas\u201d:\u00a0<\/strong>o Imperador reinava, e os latifundi\u00e1rios governavam.\n\nNo\u00a0<strong>Segundo Reinado<\/strong>, o caf\u00e9 j\u00e1 era o principal produto de exporta\u00e7\u00e3o. Cultiv\u00e1-lo n\u00e3o exigia investimentos altos, como a cana-de-a\u00e7\u00facar. No Sudeste havia clima e solo ideais. Com o decl\u00ednio da minera\u00e7\u00e3o, Minas Gerais se voltou para a planta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9.\n\nS\u00e3o Paulo investiu no favorecimento do seu solo e expandiu a planta\u00e7\u00e3o do caf\u00e9. No Rio de Janeiro, o caf\u00e9 espalhou-se ao norte at\u00e9 Campos, ao sul at\u00e9 Vassouras, no Vale do Para\u00edba.\n\nEm 1861, o Brasil teve saldo positivo na balan\u00e7a comercial (o pa\u00eds exportava mais do que importava), gra\u00e7as ao caf\u00e9.\n\nA Rep\u00fablica estava vindo \u00e0 luz, como resultado de profundas mudan\u00e7as econ\u00f4micas, pol\u00edticas e sociais que estavam ocorrendo no Pa\u00eds.\n\n<strong>D. PEDRO II &#8211; 1840 \u2013 1889<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159913 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund18.jpg\" alt=\"\" width=\"224\" height=\"300\" \/><strong>D. Pedro II<\/strong><\/p>\nNo ano de 1840, houve festa por todo o Pa\u00eds, principalmente nos sal\u00f5es e clubes das classes sociais ricas. Estavam comemorando a coroa\u00e7\u00e3o do jovem Imperador, D. Pedro II. O Pa\u00eds passou a ter menos turbul\u00eancia, em compara\u00e7\u00e3o com a instabilidade pol\u00edtica regencial. A tranquilidade do Segundo Imp\u00e9rio deve-se ao fato de a classe dominante ter conseguido consolidar o seu dom\u00ednio. As revoltas liberais, as contesta\u00e7\u00f5es e as rebeli\u00f5es populares eram controladas, contidas.\n\n<strong>A aristocracia fazia valer seu projeto:<\/strong>\u00a0constituir um Estado que atendesse a seus interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos, e assegurar seu dom\u00ednio.\n\n<strong>Como conseguiu isso?<\/strong>\n\nPromovendo uma persegui\u00e7\u00e3o implac\u00e1vel contra os liberais exaltados.\n\n<strong>O Ex\u00e9rcito e a Guarda Nacional praticavam arbitrariedades:<\/strong>\u00a0pris\u00f5es, torturas e assassinatos. As medalhas vinham sujas de sangue.\n\nNo\u00a0<strong>Segundo Reinado<\/strong>, o Imperador tinha poder apenas simb\u00f3lico. O mecanismo parlamentar refor\u00e7ava tal imagem. O Partido Liberal e o Partido Conservador representavam a classe dominante, a aristocracia escravista. Quanto mais passava o tempo, mais eles ficavam semelhantes.\n\n<strong>Consolidando o ad\u00e1gio:\u00a0<\/strong>\u201cNingu\u00e9m \u00e9 mais liberal que um conservador na oposi\u00e7\u00e3o, nem mais conservador que um liberal no governo\u201d. A concilia\u00e7\u00e3o nacional veio com a hegemonia dos cafeicultores do Sudeste (S\u00e3o Paulo, Rio de janeiro e Minas Gerais).\n\n<strong>A classe dominante criava um clima de consenso:\u00a0<\/strong>O Imperador ficava com o papel de protetor do Brasil, governante imparcial, Imperador de todos os brasileiros; todavia, o poder pol\u00edtico alternava-se entre os partidos Liberal e Conservador.\n\n<strong>Segundo Reinado &#8211; Cronologia<\/strong>\n\n<b>1848<\/b>\n\nOs latifundi\u00e1rios, que tinham enriquecido sem participar do esquema imperial, e a classe m\u00e9dia urbana, com a participa\u00e7\u00e3o dos camponeses e pe\u00f5es (que entraram na briga apenas por comida melhor e um dinheirinho extra), fizeram a\u00a0<b>Revolu\u00e7\u00e3o Praieira<\/b>, em Pernambuco. As tropas do Governo Imperial efetuaram fuzilamento em massa.\n\nDepois de v\u00e1rias pessoas do \u201c<b>pov\u00e3o<\/b>\u201d serem assassinadas, o Governo anistiou os latifundi\u00e1rios envolvidos.\n\nNeste mesmo ano, o Bar\u00e3o de Mau\u00e1,\u00a0<b>Irineu Evangelista de Sousa<\/b>, inicia a fundi\u00e7\u00e3o de ferro e bronze. Fabricava tamp\u00f5es de ferro e tubos para encanamento de g\u00e1s.\n\nChegando a construir setenta e dois navios e empregar mil oper\u00e1rios. O empreendimento n\u00e3o foi a pique, porque a\u00a0<b>Coroa<\/b>, antecipando uma pr\u00e1tica que viraria rotina neste pa\u00eds, fez vultosas encomendas e n\u00e3o honrou os compromissos.\n\n<strong>Ironia da hist\u00f3ria:\u00a0<\/strong>o Bar\u00e3o morreu pobre.\n\n<b>1850<\/b>\n\nCom a proibi\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio de escravos, o dinheiro do tr\u00e1fico \u00e9 jogado em atividades produtivas. A ind\u00fastria t\u00eaxtil emprega 3.000 pessoas. O parque gr\u00e1fico se expande. Os engenhos se modernizam.\n\nA metal\u00fargica progride. Todavia, a economia ainda se encontra tristemente atrelada ao trabalho escravo.\n\n<b>1851:\u00a0<\/b>A economia do Nordeste era doce para os latifundi\u00e1rios donos de engenhos e um baga\u00e7o amargo para a classe trabalhadora. Os fazendeiros nordestinos, buscando ganhar dinheiro vendendo escravos e brancos pobres para o Sudeste, tomavam as terras dos posseiros. O Estado fez at\u00e9 um senso, a fim de saber quem n\u00e3o estava trabalhando no Nordeste, para ser enviado \u00e0 cultura cafeeira do Sudeste. Nos sert\u00f5es de Pernambuco, Para\u00edba, Alagoas e Cear\u00e1, \u201c<b>a gente mi\u00fada e sem posi\u00e7\u00e3o social<\/b>\u201d revoltara-se:\u00a0<b>Revolta do Ronco da abelha<\/b>.\n\nBatalh\u00f5es de artilharia e de infantaria vieram de Recife, para calar o pov\u00e3o, e conseguiram.\n\n<b>1861: Herman Treodor Lundgren<\/b>, um imigrante su\u00ed\u00e7o, que ganhava a vida como int\u00e9rprete no posto do Recife, inaugura, em Cabo \u2013 Pernambuco, a primeira f\u00e1brica de p\u00f3lvora do pa\u00eds.\n\n<b>1871:\u00a0<\/b><strong>A lei Rio Branco, conhecida como Lei do Ventre Livre, diz:<\/strong>\u00a0\u201d\u00a0<b>todos os escravos nascidos a partir desta data s\u00f3 ser\u00e3o escravos at\u00e9 os oito anos<\/b>\u201c. A partir daquela data (8 anos) o dono do escravo optaria por receber 600 mil r\u00e9is de indeniza\u00e7\u00e3o do governo e libert\u00e1-lo, ou us\u00e1-lo como escravo at\u00e9 os 21 anos.\n\n<b>1874<\/b>\n\nO impostos ca\u00edam sobre os pobres como tamandu\u00e1s comendo formigueiros. At\u00e9 para vender um produto qualquer na feira, pagava-se imposto (<b>imposto do ch\u00e3o<\/b>), se n\u00e3o pagasse levava multa pesada.\n\nMas a coisa ficou mais s\u00e9ria, o governo anunciou que as antigas medidas (<b>arroba, farda e alqueire<\/b>) n\u00e3o podiam mais ser usadas, pois seriam substitu\u00eddas pelo metro e quilograma. Os sertanejos se revoltaram (<b>Revolta do Quebra-quilos \u2013 1874\/75<\/b>). A raiva, na verdade, era contra o governo, com suas imposi\u00e7\u00f5es arbitr\u00e1rias. Quando o pau cantou, foi o pov\u00e3o quem sofreu.\n\n<b>1875<\/b>\n\nO povo era controlado atrav\u00e9s de recrutamento militar, indiv\u00edduos insatisfeitos e rebeldes eram convocados e podiam ficar anos servindo o Ex\u00e9rcito do Governo Imperial.\n\nEssa aus\u00eancia trazia dificuldades para muitas fam\u00edlias. Esposas, m\u00e3es e irm\u00e3s revoltadas invadiram os escrit\u00f3rios p\u00fablicos nas cidades do interior nordestino para destru\u00edrem documentos de alistamento.\n\nMas as tropas governamentais mostraram que \u201clugar de mulher \u00e9 em casa\u201d (<b>Guerra das Mulheres<\/b>).\n\n<b>1885<\/b>\n\nA lei Saraiva-Cotegipe, conhecida por \u201c<b>Sexagen\u00e1rios<\/b>\u201c, liberta os escravos aos 60 anos de idade, desde que ele trabalhasse mais 3 anos de gra\u00e7a para o seu dono, ou o Governo pagasse a indeniza\u00e7\u00e3o ao propriet\u00e1rio pela liberta\u00e7\u00e3o.\n\nEssa lei teve pouco, ou mesmo nenhum, efeito pr\u00e1tico. A vida \u00e1rdua e os duros castigos impostos aos escravos, raramente os permitia atingir 60 anos. Al\u00e9m disso, terminou funcionando como um al\u00edvio aos seus senhores, j\u00e1 que os poucos escravos sexagen\u00e1rios n\u00e3o mais serviam para o trabalho bra\u00e7al, velhos e doentes, era uma fonte de despesas. Assim, a lei Saraiva-Cotegipe livrou-os de um \u00f4nus.\n\n<b>1888<\/b>\n\nA Monarquia, tentando recuperar a popularidade, assina a Lei \u00c1urea (<b>Princesa Isabel<\/b>). Na\u00a0<b>Corte<\/b>, um grande baile de comemora\u00e7\u00e3o. Os negros s\u00f3 puderam entrar como criados.\n\nAt\u00e9 no dia de sua liberdade foram discriminados.\n\n<b>1889<\/b>\n\nOs poderosos fazendeiros j\u00e1 n\u00e3o apoiavam o Imperador, porque este havia permitido a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, e eles, com isso, tinham tido muito preju\u00edzo.\n\nA Igreja Cat\u00f3lica tamb\u00e9m estava descontente. O catolicismo era a religi\u00e3o oficial do Brasil, e a Igreja recebia dinheiro do governo, era isenta de pagar impostos e gozava de muitos privil\u00e9gios. S\u00f3 que em troca, o governo se achava no direito de dar opini\u00f5es sobre o que a Igreja deveria fazer. Da\u00ed resultaram desentendimentos entre o governo e alguns bispos.\n\nEra proibido aos militares falar ou escrever sobre pol\u00edtica, sem licen\u00e7a do Governo Imperial. Naquele tempo, j\u00e1 se achava que os militares n\u00e3o deveriam se intrometer na pol\u00edtica, pois eles poderiam acabar usando as armas para impor suas opini\u00f5es.\n\n<strong>Outros seguimentos da sociedade achavam que o Brasil n\u00e3o devia ter reis nem imperadores, porque, junto com eles, quase sempre vive gente que n\u00e3o trabalha:<\/strong>\u00a0os nobres.\n\nPor esses e outros motivos, foi\u00a0<b>Proclamada a Rep\u00fablica<\/b>.\n\n<strong>Segundo Reinado \u2013 1840 &#8211; 1889<\/strong>\n\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159914 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Segund19.jpg\" alt=\"\" width=\"173\" height=\"300\" \/>\n\nO\u00a0<strong>segundo reinado<\/strong>\u00a0come\u00e7a em 23 de julho de 1840, quando dom Pedro II \u00e9 declarado maior de idade, e estende-se at\u00e9 15 de novembro de 1889, com a instaura\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\n\n\u00c9 um per\u00edodo de consolida\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es nacionais e de desenvolvimento econ\u00f4mico.\n\n<strong>Em sua primeira fase, entre 1840 e 1850, o pa\u00eds passa por uma s\u00e9rie de redefini\u00e7\u00f5es internas:<\/strong>\u00a0repress\u00e3o e anistia aos movimentos rebeldes e separatistas; reordenamento do cen\u00e1rio pol\u00edtico em bases bipartid\u00e1rias, introdu\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas parlamentaristas inspiradas no modelo brit\u00e2nico; reorganiza\u00e7\u00e3o da economia pela expans\u00e3o da cafeicultura e normaliza\u00e7\u00e3o do com\u00e9rcio exterior, principalmente com o Reino Unido.\n\nDom Pedro II (1825-1891) nasce no pal\u00e1cio da Quinta da Boa Vista, Rio de Janeiro, e \u00e9 batizado como Pedro de Alc\u00e2ntara Jo\u00e3o Carlos Leopoldo Salvador Bebiano Francisco Xavier de Paula Leoc\u00e1dio Miguel Gabriel Rafael Gonzaga.\n\nS\u00e9timo filho de dom Pedro I e da imperatriz Leopoldina, herda o direito ao trono com a morte de seus irm\u00e3os mais velhos Miguel e Jo\u00e3o Carlos. Tem 5 anos quando o pai abdica.\n\nFica no Brasil sob tutela de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva e, depois, do marqu\u00eas de Itanha\u00e9m.\n\n\u00c9 sagrado imperador aos 15 anos, em 18 de julho de 1841, um ano depois de ser declarado maior e come\u00e7ar a reinar.\n\nEm 30 de maio de 1843 casa-se com a princesa napolitana Teresa Cristina Maria de Bourbon, filha de Francisco I, do Reino das Duas Sic\u00edlias.\n\n<strong>Tem quatro filhos, mas s\u00f3 dois sobrevivem:<\/strong>\u00a0as princesas Isabel e Leopoldina. No in\u00edcio de seu governo faz viagens diplom\u00e1ticas \u00e0s prov\u00edncias mais conflitadas.\n\nCulto, protege artistas e escritores e mant\u00e9m correspond\u00eancia com cientistas de v\u00e1rias partes do mundo.\n\nEntre 1871 e 1887 faz tr\u00eas viagens ao exterior sempre pagando suas pr\u00f3prias despesas, e procura trazer para o Brasil v\u00e1rias inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas.\n\nom a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, deixa o pa\u00eds e vai com a fam\u00edlia para Portugal, em 17 de novembro de 1889. Dois anos depois, em 5 de dezembro, morre de pneumonia em Paris, aos 66 anos.\n\n<strong>Reorganiza\u00e7\u00e3o do poder<\/strong>\n\nCom o sucesso do movimento da maioridade, o Partido Liberal sobe ao poder junto com dom Pedro II. Forma a maioria no primeiro minist\u00e9rio do monarca, integrado tamb\u00e9m por membros da chamada fac\u00e7\u00e3o \u201c\u00e1ulica\u201d, grupo palaciano conservador que gravita em torno do imperador. A C\u00e2mara dos Deputados, por\u00e9m, \u00e9 de maioria conservadora. Dom Pedro \u00e9 convencido a dissolv\u00ea-la e convocar novas elei\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Elei\u00e7\u00f5es do \u201ccacete\u201d<\/strong>\n\nAs primeiras elei\u00e7\u00f5es do reinado de dom Pedro II s\u00e3o realizadas em 1840. Ficam conhecidas como elei\u00e7\u00f5es do \u201ccacete\u201d, devido aos m\u00e9todos corruptos e violentos usados pelo Partido Liberal para garantir a vit\u00f3ria de seus candidatos. Eles obt\u00eam a maioria na C\u00e2mara, mas o gabinete liberal fica pouco tempo no poder.\n\nEm 23 de mar\u00e7o de 1840 \u00e9 destitu\u00eddo pelo imperador, que atende \u00e0s press\u00f5es da fac\u00e7\u00e3o \u201c\u00e1ulica\u201d e dos conservadores.\n\n<strong>Como num c\u00edrculo vicioso, o novo gabinete de maioria conservadora toma posse em 1841 e repete o ato dos liberais:<\/strong>\u00a0dissolve a C\u00e2mara, onde a oposi\u00e7\u00e3o \u00e9 maioria, sob o argumento de que houve fraudes no processo eleitoral.\n\n<strong>Reforma do C\u00f3digo Criminal<\/strong>\n\nUma das primeiras e mais pol\u00eamicas medidas do gabinete conservador de 1841 \u00e9 a reforma do C\u00f3digo do Processo Criminal, com a centraliza\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es judicial e policial. Os ju\u00edzes de paz, eleitos nos munic\u00edpios, s\u00e3o destitu\u00eddos da maior parte de suas fun\u00e7\u00f5es, que passam para as m\u00e3os de ju\u00edzes nomeados pelo governo imperial. As reformas servem de complemento \u00e0 Lei de Interpreta\u00e7\u00e3o do Ato Adicional, editada durante a reg\u00eancia de Ara\u00fajo Lima e centralizam ainda mais o poder no pa\u00eds. A medida desagrada v\u00e1rios setores das elites agr\u00e1rias e, nas Prov\u00edncias, os representantes do Partido Liberal se recusam a obedec\u00ea-la.\n\n<strong>Reestrutura\u00e7\u00e3o do Estado<\/strong>\n\nA partir de meados do s\u00e9culo XIX o pa\u00eds entra num per\u00edodo de normaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica. Segundo os historiadores, isso resulta da ado\u00e7\u00e3o do sistema parlamentarista. No Brasil, n\u00e3o se usa a f\u00f3rmula cl\u00e1ssica inglesa \u201co rei reina mas n\u00e3o governa\u201d, j\u00e1 que o Poder Moderador do monarca \u00e9 mantido.\n\n<strong>Parlamentarismo<\/strong>\n\nConcretiza-se em 1847, quando dom Pedro II cria o cargo de primeiro-ministro ou de presidente do Conselho de Ministros. Escolhido pelo imperador, o primeiro-ministro se encarrega de formar o minist\u00e9rio e submet\u00ea-lo ao Parlamento (C\u00e2mara dos Deputados).\n\n<strong>O imperador \u00e9 o \u00e1rbitro em caso de oposi\u00e7\u00e3o entre minist\u00e9rio e Parlamento:<\/strong>\u00a0pode demitir o gabinete ministerial ou dissolver a C\u00e2mara dos Deputados.\n\nDurante os 39 anos em que se mant\u00e9m no poder, dom Pedro II forma 36 minist\u00e9rios diferentes, e os partidos Liberal e Conservador alternam-se no poder.\n\n<strong>Revoltas no Segundo Reinado<\/strong>\n\nA rea\u00e7\u00e3o conservadora que ocorre na primeira d\u00e9cada do reinado de dom Pedro II estimula o surgimento de movimentos de oposi\u00e7\u00e3o liberal. Conflitos explodem em v\u00e1rios pontos do pa\u00eds.\n\nAlguns evoluem para lutas armadas, como a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal, em S\u00e3o Paulo, e a Rebeli\u00e3o Praieira, em Pernambuco. No final do Imp\u00e9rio, crescem os levantes de car\u00e1ter popular urbano, as rebeli\u00f5es e fugas de escravos e o movimento republicano.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o liberal<\/strong>\n\nEm S\u00e3o Paulo, a oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o conservadora do governo central evolui para uma rebeli\u00e3o armada. A revolu\u00e7\u00e3o liberal, como fica conhecida, eclode na capital em 17 de maio de 1842.\n\n\u00c9 liderada por Rafael Tobias de Aguiar, aclamado presidente da Prov\u00edncia. Os rebeldes conseguem o apoio do padre Diogo Feij\u00f3 e da popula\u00e7\u00e3o de algumas vilas, entre elas Itapetininga, Itu, Porto Feliz e Capivari.\n\nTentam avan\u00e7ar sobre a capital e s\u00e3o derrotados pelo Ex\u00e9rcito, sob o comando de Lu\u00eds Alves de Lima e Silva, o bar\u00e3o de Caxias. Padre Feij\u00f3 \u00e9 preso em Sorocaba, em 21 de junho, mas Tobias de Aguiar consegue escapar. Os liberais mineiros tamb\u00e9m rebelam-se. No final de julho, Caxias chega a Minas e vence os liberais num violento combate travado em Santa Luzia, dia 20 de agosto.\n\nOs principais chefes s\u00e3o presos e, em mar\u00e7o de 1844, anistiados pelo imperador.\n\nRafael Tobias de Aguiar (1795-1857) \u00e9 um dos mais destacados chefes liberais da primeira metade do s\u00e9culo XIX. Nasce em Sorocaba, em uma rica fam\u00edlia de fazendeiros. Muito mo\u00e7o, ingressa no Regimento das Mil\u00edcias. Aos 26 anos, re\u00fane \u00e0s suas custas uma brigada de cem homens e vai para o Rio de Janeiro combater as tropas portuguesas que se op\u00f5em \u00e0 independ\u00eancia. Em S\u00e3o Paulo, \u00e9 eleito membro dos conselhos provinciais v\u00e1rias vezes e deputado \u00e0s Cortes, em Lisboa. Presidente da Prov\u00edncia de 1831 a 1835, e de 1840 a 1841, recebe o posto de brigadeiro honor\u00e1rio do Imp\u00e9rio.\n\nRealiza excelente administra\u00e7\u00e3o e aplica seu pr\u00f3prio ordenado em escolas, obras p\u00fablicas e de caridade. Em 1842, lidera a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal junto com o padre Diogo Ant\u00f4nio Feij\u00f3. Em 16 de maio de 1842,\n\nSorocaba \u00e9 declarada capital provis\u00f3ria da Prov\u00edncia e Rafael Tobias de Aguiar, seu presidente interino. Ele re\u00fane a chamada Coluna Libertadora, de 1.500 homens, e tenta invadir S\u00e3o Paulo e depor o presidente da Prov\u00edncia, o bar\u00e3o de Monte Alegre. Antes da batalha, casa-se com Domitila de Castro Canto e Melo, marquesa de Santos, com quem j\u00e1 tinha seis filhos.\n\nDerrotado e preso pelas for\u00e7as imperiais, tenta fugir para juntar-se aos farroupilhas do sul. Detido no caminho, fica preso na Fortaleza da Laje, no Rio de Janeiro, at\u00e9 a anistia concedida em 1844.\n\n<strong>Rebeli\u00e3o praieira<\/strong>\n\nOs moderados do Partido Liberal retornam ao poder em 1844, mas mant\u00eam as leis centralistas que antes combatiam. A ala radical do partido rebela-se. O maior foco oposicionista concentra-se em Pernambuco, onde o governo provincial est\u00e1 nas m\u00e3os de Ant\u00f4nio Chichorro da Gama, um liberal radical ligado ao Grupo da Praia chamado assim porque se re\u00fane em torno do jornal O Di\u00e1rio Novo, instalado na rua da Praia.\n\nOs praieiros tamb\u00e9m se voltam contra parcelas dos grandes propriet\u00e1rios rurais e comerciantes portugueses.\n\n<strong>Manifesto ao Mundo<\/strong>\n\nEm 1848, a Rebeli\u00e3o Praieira \u00e9 deflagrada sob o comando do capit\u00e3o de artilharia Pedro Ivo Veloso da Silveira. Come\u00e7a em Olinda e espalha-se rapidamente por toda a Zona da Mata pernambucana.\n\n<strong>Em janeiro de 1849, os praieiros lan\u00e7am o Manifesto ao Mundo, s\u00edntese de seu programa revolucion\u00e1rio:<\/strong>\u00a0voto livre e universal, plena liberdade de imprensa, trabalho como garantia de vida para o cidad\u00e3o brasileiro, efetiva independ\u00eancia dos poderes constitu\u00eddos e a extin\u00e7\u00e3o do poder moderador.\n\nConseguem a ades\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o urbana pobre, de pequenos arrendat\u00e1rios, boiadeiros, mascates e negros libertos. Chegam a congregar cerca de 2 mil combatentes. A luta prolonga-se por mais de um ano.\n\nS\u00e3o derrotados em mar\u00e7o de 1852.\n\n<strong>Extin\u00e7\u00e3o do liberalismo radical<\/strong>\n\nPara os historiadores, com a derrota da Rebeli\u00e3o Praieira desaparecem os \u00faltimos resqu\u00edcios do liberalismo radical e democr\u00e1tico surgido durante o processo de independ\u00eancia.\n\nSeu fim facilita a pol\u00edtica de concilia\u00e7\u00e3o entre liberais e conservadores, caracter\u00edstica do\u00a0<strong>segundo reinado<\/strong>.\n\n<strong>Levantes populares<\/strong>\n\nOs \u00faltimos anos do Imp\u00e9rio s\u00e3o sacudidos por v\u00e1rios levantes das popula\u00e7\u00f5es urbanas pobres. A carestia de vida \u00e9 o principal motivo dessas revoltas.\n\nTamb\u00e9m multiplicam-se pelo pa\u00eds manifesta\u00e7\u00f5es populares e com\u00edcios em favor da aboli\u00e7\u00e3o da escravatura, e da Rep\u00fablica.\n\n<strong>Quebra \u2013 Quilos<\/strong>\n\nO Brasil adere oficialmente ao Sistema M\u00e9trico em 1862, mas, em todo o pa\u00eds, permanecem em uso os sistemas tradicionais de medidas.\n\nEm 1874 a tentativa de adotar os padr\u00f5es do sistema m\u00e9trico provoca uma revolta popular violenta na Para\u00edba, conhecida como Quebra-Quilos. Para as autoridades da \u00e9poca, o movimento \u00e9 insuflado pelo clero, em briga com o governo. A rebeli\u00e3o \u00e9 contida, v\u00e1rios revoltosos s\u00e3o presos, inclusive padres.\n\n<strong>Revolta do Vint\u00e9m<\/strong>\n\nEm 1880, a popula\u00e7\u00e3o pobre do Rio de Janeiro se rebela contra o aumento das passagens dos bondes, ainda puxados por burros e trens. A chamada Revolta do Vint\u00e9m explode dia 1\u00ba de janeiro.\n\nA pol\u00edcia tenta cont\u00ea-la e os manifestantes respondem quebrando bondes, arrancando trilhos e virando os ve\u00edculos. A revolta s\u00f3 para com a interven\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, que abre fogo contra a multid\u00e3o e mata v\u00e1rias pessoas.\n\n<strong>Rela\u00e7\u00f5es internacionais<\/strong>\n\nDurante o\u00a0<strong>segundo reinado<\/strong>, o Brasil mant\u00e9m sua depend\u00eancia econ\u00f4mica em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Inglaterra. Os dois pa\u00edses enfrentam v\u00e1rios conflitos diplom\u00e1ticos e t\u00eam interesses divergentes na quest\u00e3o da escravid\u00e3o, mas a pol\u00edtica externa brasileira \u00e9 de alinhamento praticamente autom\u00e1tico com a dos ingleses. S\u00e3o eles que financiam as guerras em que o pa\u00eds se envolve no per\u00edodo contra o Uruguai, a Argentina e o Paraguai.\n\n<strong>Presen\u00e7a norte \u2013 americana<\/strong>\n\nOs industriais norte-americanos cobi\u00e7am participar do mercado brasileiro, mas n\u00e3o conseguem quebrar a hegemonia inglesa. Sem poder competir abertamente, passam a atuar contra os interesses ingleses. Fazem, inclusive, a intermedia\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro, atividade que tem a participa\u00e7\u00e3o dos embaixadores dos Estados Unidos no Brasil.\n\n<strong>Guerras platinas<\/strong>\n\nIndependente desde 1828, o Uruguai vive \u00e0s voltas com as disputas de poder, muitas vezes armadas, entre os partidos Colorado e Blanco. No in\u00edcio da d\u00e9cada de 40, o pa\u00eds \u00e9 governado pelo general Fructuoso Rivera, do Partido Colorado. O Brasil apoia Rivera em troca de seu afastamento da Argentina. O Partido Blanco, de oposi\u00e7\u00e3o, tenta tomar o poder sob o comando de Manuel Oribe e com a ajuda do ditador argentino Juan Manuel de Rosas. Cercam Montevid\u00e9u em 1843 e mant\u00eam seu controle por mais de oito anos.\n\nPrimeira guerra contra o Uruguai ou Quest\u00e3o Oribe. Em 1849, temendo o predom\u00ednio argentino na regi\u00e3o do Prata, o governo brasileiro decide intervir no conflito ao lado dos colorados.\n\nAlega que o pr\u00f3ximo passo de Oribe e Rosas seria a invas\u00e3o do Rio Grande do Sul. Financiados pelos ingleses, brasileiros e uruguaios colorados unem-se \u00e0s tropas argentinas de oposi\u00e7\u00e3o a Rosas, comandadas pelo general Urquiza. Os tr\u00eas Ex\u00e9rcitos tomam Montevid\u00e9u em dezembro de 1851, for\u00e7ando a rendi\u00e7\u00e3o de Manuel Oribe. Brasil e Uruguai assinam o Tratado de Limites, Com\u00e9rcio, Amizade e Subs\u00eddios.\n\n<strong>Guerra contra a Argentina ou Quest\u00e3o Rosas<\/strong>\n\nEm janeiro de 1852, o general Urquiza, l\u00edder militar da oposi\u00e7\u00e3o argentina, invade seu pa\u00eds com apoio de tropas uruguaias e brasileiras. O movimento tamb\u00e9m \u00e9 financiado pelos ingleses.\n\nRosas \u00e9 derrotado na batalha de Monte Caseros, em 3 de fevereiro de 1852. Brasil e Inglaterra garantem o direito de navegar nos rios Uruguai e Paran\u00e1, melhor caminho para penetrar no interior do continente.\n\n<strong>Segunda guerra contra o Uruguai ou Quest\u00e3o Aguirre<\/strong>\n\nO Partido Blanco d\u00e1 um golpe de estado e Atanasio Cruz Aguirre assume o poder. Mais uma vez, o Brasil fica ao lado dos colorados.\n\nUma esquadra comandada pelo almirante brasileiro Tamandar\u00e9 e um ex\u00e9rcito liderado pelo colorado Ven\u00e2ncio Flores bloqueiam Montevid\u00e9u em 2 de janeiro de 1864. Aguirre renuncia e o presidente do Senado, Tom\u00e1s Villalba, assume o governo em 20 de fevereiro de 1864. A vit\u00f3ria consolida a posi\u00e7\u00e3o brasileira no Prata.\n\n<strong>Guerra com o Paraguai<\/strong>\n\nDesde a primeira metade do s\u00e9culo XIX, o Paraguai investe no desenvolvimento econ\u00f4mico auto-suficiente. Sem as marcas da escravid\u00e3o, sua popula\u00e7\u00e3o tem um alto \u00edndice de alfabetiza\u00e7\u00e3o.\n\nA autonomia do pa\u00eds desafia o imperialismo brit\u00e2nico na Am\u00e9rica. Em 1862, Francisco Solano L\u00f3pez assume o governo e investe na organiza\u00e7\u00e3o militar. Em 11 de novembro de 1864, captura o navio brasileiro Marqu\u00eas de Olinda e, no dia seguinte, 12 de novembro, corta as rela\u00e7\u00f5es diplom\u00e1ticas com o Brasil. Em mar\u00e7o de 1865, tropas paraguaias invadem a Argentina.\n\nO objetivo paraguaio \u00e9 obter uma porto mar\u00edtimo, conquistando uma fatia dos territ\u00f3rios brasileiro e argentino.\n\nFrancisco Solano L\u00f3pez (1827-1870) \u00e9 filho e sucessor do presidente paraguaio Carlos Ant\u00f4nio L\u00f3pez. Em 1845, nomeado general-de-brigada, \u00e9 enviado \u00e0 Fran\u00e7a, onde compra armas e muni\u00e7\u00f5es e come\u00e7a a moderniza\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito paraguaio. Nomeado ministro da Guerra e da Marinha, Solano L\u00f3pez implanta internamente o sistema militar prussiano. Com a morte do pai, assume o governo e d\u00e1 continuidade \u00e0 sua pol\u00edtica de desenvolvimento econ\u00f4mico.\n\n<strong>Contrata mais de 200 t\u00e9cnicos estrangeiros para introduzir inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas:<\/strong>\u00a0implanta a primeira rede telegr\u00e1fica da Am\u00e9rica do Sul, redes de estradas de ferro, promove a instala\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias sider\u00fargicas, t\u00eaxteis, de papel e de tinta. Investe na constru\u00e7\u00e3o naval, fabrica\u00e7\u00e3o de canh\u00f5es, morteiros e balas de todos os calibres e institui o recrutamento militar compuls\u00f3rio. Sem contar com um litoral para expandir o com\u00e9rcio externo de seu pa\u00eds, assume uma pol\u00edtica expansionista frente ao Brasil e \u00e0 Argentina e, em 1864, desencadeia a mais sangrenta das guerras americanas.\n\nNo in\u00edcio, tem amplo apoio popular e det\u00e9m as tropas aliadas por cinco anos.\n\nDepois, as milhares de vidas perdidas enfraquecem sua posi\u00e7\u00e3o e popularidade.\n\nPara calar os opositores, manda executar centenas de compatriotas, acusando-os de conspira\u00e7\u00e3o, em 1868.\n\nL\u00f3pez \u00e9 morto ap\u00f3s a batalha de Cerro Cor\u00e1, ao fugir do cerco de um destacamento brasileiro.\n\nPor muitos anos, \u00e9 retratado pela historiografia apenas como um aventureiro. O julgamento \u00e9 revisto e, atualmente, \u00e9 considerado um her\u00f3i nacional.\n\n<strong>Tr\u00edplice Alian\u00e7a<\/strong>\n\nOs governos da Argentina, do Brasil e seus aliados uruguaios assinam o Tratado da Tr\u00edplice Alian\u00e7a, em 1\u00ba de maio de 1865, contra o Paraguai. Empr\u00e9stimos ingleses financiam as for\u00e7as aliadas. O Ex\u00e9rcito paraguaio, superior em contingente &#8211; cerca de 64 mil homens em 1864 &#8211; e em organiza\u00e7\u00e3o, defende o territ\u00f3rio de seu pa\u00eds por quase um ano. Finalmente, em 16 de abril de 1866, os aliados invadem o Paraguai ao vencer a batalha de Tuiuti, sob o comando do argentino Bartolomeu Mitre.\n\n<strong>Comando brasileiro<\/strong>\n\nEm 1868, o comando dos aliados passa para o bar\u00e3o de Caxias. Ele toma a fortaleza de Humait\u00e1, em 5 de agosto de 1868, e invade Assun\u00e7\u00e3o em 5 de janeiro.\n\nPassa o comando das tropas brasileiras ao conde d\u2019Eu, marido da princesa Isabel. Solano L\u00f3pez resiste no interior. A batalha final acontece em Cerro Cor\u00e1, em 1\u00ba de mar\u00e7o de 1870.\n\nO pa\u00eds \u00e9 ocupado por um comando aliado e sua economia \u00e9 destru\u00edda. A popula\u00e7\u00e3o paraguaia, que antes do conflito chegava a 1,3 milh\u00e3o de pessoas, fica reduzida a pouco mais de 200 mil pessoas.\n\n<strong>Reflexos da guerra no Brasil<\/strong>\n\nPara o Brasil, a guerra significa o in\u00edcio da ruptura com o sistema mon\u00e1rquico-escravista. Diante da dificuldade de recrutar soldados, escravos s\u00e3o alforriados para substitu\u00ed-los, fato que incentiva a campanha abolicionista. A consequ\u00eancia mais importante, por\u00e9m, \u00e9 o fortalecimento do Ex\u00e9rcito. Atra\u00eddos pela causa republicana, em poucos anos os militares passam a lider\u00e1-la.\n\nNo plano financeiro, o saldo final \u00e9 uma duplicata de 10 milh\u00f5es de libras que o Brasil deixa pendente com o Banco Rothchild, de Londres.\n\n<strong>Economia no Segundo Reinado<\/strong>\n\nA partir da metade do s\u00e9culo XIX, a economia brasileira entra num per\u00edodo de prosperidade e diversifica\u00e7\u00e3o de atividades. O caf\u00e9 torna-se a base da economia do pa\u00eds e a ind\u00fastria come\u00e7a a se desenvolver.\n\nOutros produtos agr\u00edcolas tamb\u00e9m ganham destaque na pauta de exporta\u00e7\u00f5es brasileiras.\n\n<b>Em linhas gerais podemos afirmar que a economia do Segundo Reinado manteve seu modelo agroexportador\u00a0integrado nos quadros da economia capitalista com a emerg\u00eancia de uma nova cultura:<\/b>\u00a0o caf\u00e9.\n\n<strong>Economia cafeeira no Imp\u00e9rio<\/strong>\n\n<strong>1\u00aa fase (1830\/1860)<\/strong>\n\n<strong>Principal p\u00f3lo produtor: Vale do Para\u00edba<\/strong>\n\n<strong>Caracter\u00edsticas:\u00a0<\/strong>Condi\u00e7\u00f5es geoclim\u00e1ticas altamente favor\u00e1veis Utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obras escrava Cultura extensiva e predat\u00f3ria Predom\u00ednio do Porto do Rio de Janeiro\u00a0<strong>Constitui\u00e7\u00e3o de uma nova Elite:<\/strong>\u00a0Os Bar\u00f5es do Caf\u00e9 Capital inicial proveniente de fontes internas\n\n<strong>2\u00aa fase (1860-1889)<\/strong>\n\n<b>Principal polo\u00a0produtor:\u00a0<\/b>Oeste Paulista\n\n<strong>Caracter\u00edsticas: Condi\u00e7\u00f5es geoclim\u00e1ticas altamente favor\u00e1veis:<\/strong>\u00a0terra roxa Utiliza\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obras imigrante verificando-se a transi\u00e7\u00e3o para o trabalho assalariado Cultura racional \u00e9 realizada com mentalidade mais empresarial Predom\u00ednio do Porto de Santos com escoadouro da produ\u00e7\u00e3o Implanta\u00e7\u00e3o do sistema ferrovi\u00e1rio\n\n<strong>Constitui\u00e7\u00e3o de uma nova elite econ\u00f4mica:<\/strong>\u00a0a burguesia cafeeira do oeste paulista Abertura de novos mercados externos notadamente EUA Amplos investimentos de origem inglesa.\n\n<strong>Diversifica\u00e7\u00e3o agr\u00edcola<\/strong>\n\nO cacau, produzido na Bahia, a borracha, explorada na bacia do rio Amazonas, e o algod\u00e3o, cultivado em larga escala no Maranh\u00e3o, Pernambuco e Cear\u00e1, passam a ser produtos expressivos na economia brasileira.\n\nEm 1860 o algod\u00e3o chega a ser o segundo produto de exporta\u00e7\u00e3o nacional. A expans\u00e3o de sua cultura, nesse per\u00edodo, \u00e9 consequ\u00eancia da Guerra de Secess\u00e3o norte-americana (1861-1865), que desorganiza a produ\u00e7\u00e3o algodoeira dos Estados Unidos. A pecu\u00e1ria, embora voltada para o mercado interno, \u00e9 a mais importante atividade econ\u00f4mica na regi\u00e3o centro-sul.\n\nTamb\u00e9m \u00e9 respons\u00e1vel pela efetiva ocupa\u00e7\u00e3o e povoamento do chamado Tri\u00e2ngulo Mineiro e sul do Mato Grosso.\n\n<strong>Economia cafeeira<\/strong>\n\nSeguindo os caminhos percorridos anteriormente pela cana-de-a\u00e7\u00facar, o caf\u00e9 atinge o oeste paulista de Campinas a Ribeir\u00e3o Preto) em meados do s\u00e9culo XIX.\n\nNessa regi\u00e3o de terra roxa, desenvolve-se de maneira extraordin\u00e1ria, superando em pouco tempo a produ\u00e7\u00e3o das \u00e1reas tradicionais do vale do Para\u00edba. Na d\u00e9cada de 1860, o porto de Santos torna-se o primeiro centro portu\u00e1rio de exporta\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n\n<strong>Grandes fazendas<\/strong>\n\nAs fazendas do Vale do Para\u00edba, primeiro centro cafeeiro da regi\u00e3o Sudeste, n\u00e3o t\u00eam mais do que 50 mil p\u00e9s de caf\u00e9. As do oeste paulista, por sua vez, chegam aos 600 mil ou 800 mil cafeeiros.\n\nNos \u00faltimos anos do s\u00e9culo XIX, tornam-se empresas modernas e mecanizadas, utilizam equipamentos aperfei\u00e7oados, como ventiladores, despolpadores e separadores de gr\u00e3os. Em consequ\u00eancia, surgem v\u00e1rias tarefas especializadas em seu interior, aumenta a divis\u00e3o do trabalho e a produtividade.\n\n<strong>Ind\u00fastria e servi\u00e7os<\/strong>\n\nAs atividades industriais, pouco significativas nos primeiros dec\u00eanios do s\u00e9culo XIX, come\u00e7am a crescer junto com a economia cafeeira, na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Enquanto de 1841 a 1845 apenas uma patente industrial \u00e9 expedida, entre 1851 e 1855 esse n\u00famero sobe para 40. Na d\u00e9cada seguinte, s\u00e3o fundadas 62 empresas industriais; 14 bancos; 3 caixas econ\u00f4micas; 20 companhias de navega\u00e7\u00e3o a vapor; 23 companhias de seguro; 4 companhias de coloniza\u00e7\u00e3o; 3 de transportes urbanos; 2 companhias de g\u00e1s e constru\u00eddas 8 estradas de ferro. Surgem grandes empreendedores no pa\u00eds, como Irineu Evangelista de Souza, o visconde de Mau\u00e1.\n\nIrineu Evangelista de Souza (1813-1889), o visconde de Mau\u00e1, industrial, banqueiro, pol\u00edtico e diplomata, \u00e9 um s\u00edmbolo dos capitalistas empreendedores brasileiros do s\u00e9culo XIX. Inicia seus neg\u00f3cios em 1846 com uma pequena f\u00e1brica de navios em Niter\u00f3i (RJ).\n\n<strong>Em um ano, j\u00e1 tem a maior ind\u00fastria do pa\u00eds:<\/strong>\u00a0emprega mais de mil oper\u00e1rios e produz navios, caldeiras para m\u00e1quinas a vapor, engenhos de a\u00e7\u00facar, guindastes, prensas, armas e tubos para encanamentos de \u00e1gua.\n\n<strong>\u00c9 pioneiro no campo dos servi\u00e7os p\u00fablicos:\u00a0<\/strong>organiza companhias de navega\u00e7\u00e3o a vapor no Rio Grande do Sul e no Amazonas; em 1852 implanta a primeira ferrovia brasileira, entre Petr\u00f3polis e Rio de Janeiro, e uma companhia de g\u00e1s para a ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica do Rio de Janeiro, em 1854.\n\nDois anos depois inaugura o trecho inicial da Uni\u00e3o e Ind\u00fastria, primeira rodovia pavimentada do pa\u00eds, entre Petr\u00f3polis e Juiz de Fora. Em sociedade com capitalistas ingleses e cafeicultores paulistas, participa da constru\u00e7\u00e3o da Recife and S\u00e3o Francisco Railway Company; da ferrovia dom Pedro II (atual Central do Brasil) e da S\u00e3o Paulo Railway (hoje Santos-Jundia\u00ed).\n\nInicia a constru\u00e7\u00e3o do canal do mangue no Rio de Janeiro e \u00e9 respons\u00e1vel pela instala\u00e7\u00e3o dos primeiros cabos telegr\u00e1ficos submarinos, ligando o Brasil \u00e0 Europa.\n\nNo final da d\u00e9cada de 1850, o visconde funda o Banco Mau\u00e1, MacGregor &amp; Cia., com filiais em v\u00e1rias capitais brasileiras e em Londres, Nova York, Buenos Aires e Montevid\u00e9u.\n\nLiberal, abolicionista e contr\u00e1rio \u00e0 Guerra do Paraguai, torna-se persona non grata no Imp\u00e9rio.\n\nSuas f\u00e1bricas passam a ser alvo de sabotagens criminosas e seus neg\u00f3cios s\u00e3o abalados pela legisla\u00e7\u00e3o que sobretaxava as importa\u00e7\u00f5es.\n\nEm 1875 o Banco Mau\u00e1 vai \u00e0 fal\u00eancia. O visconde vende a maioria de suas empresas a capitalistas estrangeiros.\n\n<strong>Impulso \u00e0 industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nEm 1844 \u00e9 criada a tarifa Alves Branco, que aumenta as taxas aduaneiras sobre 3 mil artigos manufaturados importados. Seu objetivo \u00e9 melhorar a balan\u00e7a comercial brasileira, mas acaba impulsionando a substitui\u00e7\u00e3o de importa\u00e7\u00f5es e a instala\u00e7\u00e3o de in\u00fameras f\u00e1bricas no pa\u00eds. Com o fim do tr\u00e1fico negreiro, os capitais empregados no com\u00e9rcio de escravos tamb\u00e9m impulsionam a industrializa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Novas ind\u00fastrias<\/strong>\n\nEm 1874 as estat\u00edsticas registram a exist\u00eancia de 175 f\u00e1bricas no pa\u00eds. Dez anos depois, elas j\u00e1 s\u00e3o mais de 600. Concentram-se em S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul e empregam mais de 20 mil oper\u00e1rios.\n\n<strong>O capital vem geralmente do setor agr\u00e1rio:<\/strong>\u00a0v\u00e1rios fazendeiros diversificam seus neg\u00f3cios e transformam-se em capit\u00e3es de ind\u00fastria.\n\n<strong>Cultura no Segundo Reinado<\/strong>\n\nNa segunda metade do s\u00e9culo XIX, as manifesta\u00e7\u00f5es culturais mant\u00eam as influ\u00eancias europeias, principalmente a francesa, mas cresce a presen\u00e7a de temas nacionais.\n\n<strong>Literatura<\/strong>\n\nO romantismo \u00e9 marcante na literatura at\u00e9 o final do s\u00e9culo XIX, quando cede lugar para o realismo. A prosa de fic\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica se alterna entre o nacionalismo indigenista e o relato de costumes tipicamente brasileiros.\n\nJos\u00e9 de Alencar representa bem essas duas tend\u00eancias, com destaque para Luc\u00edola, Iracema e O guarani. Na poesia, o maior expoente \u00e9 Gon\u00e7alves Dias, autor de I-Juca Pirama e Os timbiras. Surgem tamb\u00e9m os poetas estudantes, com uma produ\u00e7\u00e3o marcada pelo pessimismo e pelo sentimentalismo extremo, como \u00c1lvares de Azevedo em A noite da taverna e Mac\u00e1rio. No realismo, a descri\u00e7\u00e3o objetiva da realidade e das a\u00e7\u00f5es dos personagens substitui a vis\u00e3o rom\u00e2ntica. Alu\u00edsio Azevedo \u00e9 um dos mais completos autores do per\u00edodo, com suas obras O mulato, Casa de pens\u00e3o e O corti\u00e7o.\n\nA est\u00e9tica anti-rom\u00e2ntica se expressa na poesia pelo parnasianismo, com \u00eanfase no formalismo da m\u00e9trica, do ritmo e da rima. Seu maior representante \u00e9 Olavo Bilac.\n\n<strong>Cr\u00edtica social:\u00a0<\/strong>O maior representante da cr\u00edtica social na literatura \u00e9 Machado de Assis. Seus romances Dom Casmurro, Esa\u00fa e Jac\u00f3 e Mem\u00f3rias p\u00f3stumas de Br\u00e1s Cubas, ou os contos, como O alienista, refletem de maneira sutil, ir\u00f4nica e mordaz as transforma\u00e7\u00f5es sociais e a crise de valores dos \u00faltimos tempos do Imp\u00e9rio. Junto com outros intelectuais, Machado de Assis funda a Academia Brasileira de Letras, em 1876, da qual \u00e9 o primeiro presidente. Na poesia, destaca-se Castro Alves, que, por sua dedica\u00e7\u00e3o \u00e0 causa abolicionista, \u00e9 um dos primeiros representantes da arte engajada no Brasil.\n\n<strong>Teatro e m\u00fasica:\u00a0<\/strong>O ator Jo\u00e3o Caetano funda no Rio de Janeiro a primeira companhia nacional de teatro. Em suas performances, procura substituir o estilo r\u00edgido da apresenta\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica por uma nova naturalidade e liberdade de interpreta\u00e7\u00e3o. A m\u00fasica popular tamb\u00e9m se diversifica no per\u00edodo. Surgem o samba e a marcha, tocados por grupos de \u201cchor\u00f5es\u201d, conjuntos compostos por flauta, viol\u00e3o e cavaquinho, presen\u00e7a indispens\u00e1vel nos saraus das popula\u00e7\u00f5es urbanas de baixa renda.\n\n<strong>Cidades no Segundo Reinado:\u00a0<\/strong>A import\u00e2ncia das cidades cresce na segunda metade do s\u00e9culo XIX. Os novos empreendimentos industriais e de servi\u00e7os e o progresso t\u00e9cnico que os acompanha favorecem a ado\u00e7\u00e3o de equipamentos urbanos que melhoram a qualidade de vida de seus habitantes.\n\n<strong>Servi\u00e7os urbanos<\/strong>\n\nEm 1852 \u00e9 inaugurada a cidade de Teresina, no Piau\u00ed, primeira capital planejada do pa\u00eds. Em 1862, o Brasil adota o sistema m\u00e9trico. No mesmo ano, come\u00e7a a funcionar a primeira linha de tel\u00e9grafo el\u00e9trico, ligando o pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o ao quartel do Campo, no Rio de Janeiro. Na d\u00e9cada seguinte, o sistema de telegrafia j\u00e1 permite a comunica\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rias capitais brasileiras e com a Europa.\n\nA ilumina\u00e7\u00e3o p\u00fablica passa a ser feita a g\u00e1s em 1872.\n\nOs servi\u00e7os telef\u00f4nicos entram em opera\u00e7\u00e3o em 1877 no Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Salvador.\n\nE os bondes el\u00e9tricos come\u00e7am a funcionar em 1892.\n\n<strong>Decad\u00eancia do Imp\u00e9rio<\/strong>\n\nAs transforma\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas da segunda metade do s\u00e9culo XIX apressam o fim da monarquia. Federalistas, abolicionistas e positivistas se op\u00f5em ao excesso de centraliza\u00e7\u00e3o de poder e convergem para a solu\u00e7\u00e3o republicana. O desgaste aumenta quando o imperador perde o apoio da Igreja e do Ex\u00e9rcito.\n\nA ades\u00e3o da fam\u00edlia real \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o mina as rela\u00e7\u00f5es com os fazendeiros.\n\n<strong>Quest\u00e3o religiosa<\/strong>\n\n<strong>No final do Imp\u00e9rio, um incidente de pouca relev\u00e2ncia acaba tomando uma dimens\u00e3o inesperada:<\/strong>\u00a0o padre Almeida Martins \u00e9 suspenso pelo bispo do Rio de Janeiro por ter participado de uma solenidade ma\u00e7\u00f4nica. Na \u00e9poca, cat\u00f3licos e ma\u00e7ons convivem sem problema na cena pol\u00edtica brasileira.\n\nContrariando essa tradi\u00e7\u00e3o, os bispos de Olinda, Gon\u00e7alves de Oliveira, e do Par\u00e1, Macedo Costa, pro\u00edbem a participa\u00e7\u00e3o de ma\u00e7ons em confrarias e irmandades cat\u00f3licas.\n\nDom Pedro II interfere e manda suspender a medida. Os bispos mant\u00eam suas posi\u00e7\u00f5es e, em 1874, s\u00e3o presos e condenados a trabalhos for\u00e7ados. Recebem a solidariedade dos demais bispos e do Vaticano.\n\nMais tarde s\u00e3o anistiados, mas a Igreja n\u00e3o perdoa dom Pedro e retira-lhe o apoio.\n\n<strong>Oposi\u00e7\u00e3o republicana:\u00a0<\/strong>Ideias republicanas aparecem no Brasil desde o per\u00edodo colonial. Est\u00e3o presentes em movimentos como a Inconfid\u00eancia Mineira, de 1789, ou na Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana, de 1817. Ap\u00f3s a independ\u00eancia, ressurgem na Confedera\u00e7\u00e3o do Equador, de 1824, na Guerra dos Farrapos, de 1835 a 1845, e nos v\u00e1rios levantes liberais e populares. Voltam \u00e0 cena nos anos 60, bancadas principalmente por setores do Partido Liberal.\n\n<strong>Manifesto republicano:\u00a0<\/strong>Em dezembro de 1870 surge no Rio de Janeiro o jornal A Rep\u00fablica, que publica o Manifesto Republicano, texto de refer\u00eancia para os republicanos brasileiros. Defende o federalismo em oposi\u00e7\u00e3o ao unitarismo do Imp\u00e9rio, prega o fim da uni\u00e3o Estado-Igreja e do Senado vital\u00edcio. Essas id\u00e9ias ganham for\u00e7a em Prov\u00edncias importantes, como S\u00e3o Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, onde s\u00e3o formados partidos republicanos regionais, uma novidade frente aos partidos at\u00e9 ent\u00e3o constitu\u00eddos, de car\u00e1ter nacional.\n\n<strong>Funda\u00e7\u00e3o do PRP:\u00a0<\/strong>Jo\u00e3o Tibiri\u00e7\u00e1 Piratininga e Jos\u00e9 Vasconcelos de Almeida Prado, ricos fazendeiros da regi\u00e3o de Itu, em S\u00e3o Paulo, e adeptos do liberal-republicanismo, d\u00e3o in\u00edcio ao processo de organiza\u00e7\u00e3o do Partido Republicano Paulista. Convocam a Conven\u00e7\u00e3o de Itu, em 18 de abril de 1873, com 133 convencionais, 78 fazendeiros, 12 negociantes, 10 advogados, 8 m\u00e9dicos e 25 de outras profiss\u00f5es e fundam o PRP, em 1\u00ba de julho, num congresso de delegados eleitos em 29 munic\u00edpios. Dominado pelos grandes cafeicultores do oeste paulista, o PRP n\u00e3o se define sobre a aboli\u00e7\u00e3o da escravatura at\u00e9 1887.\n\n<strong>Oposi\u00e7\u00e3o nas cidades:\u00a0<\/strong>A oposi\u00e7\u00e3o ao regime se estende aos industriais de S\u00e3o Paulo e do Rio de Janeiro e \u00e0s classes m\u00e9dias urbanas. Os industriais querem reduzir as importa\u00e7\u00f5es, reivindica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tem acolhida no Parlamento, dominado pela aristocracia agr\u00e1ria. As camadas m\u00e9dias urbanas reivindicam maior representa\u00e7\u00e3o social. Exigem o fim do sistema eleitoral indireto e censit\u00e1rio que, nas elei\u00e7\u00f5es de 1876, permite que apenas 0,25 da popula\u00e7\u00e3o tenha direito ao voto.\n\n<strong>Reforma eleitoral:\u00a0<\/strong>Parte das reivindica\u00e7\u00f5es da popula\u00e7\u00e3o urbana \u00e9 atendida pela Lei Saraiva, elaborada por Rui Barbosa em 9 de janeiro de 1881, que reforma a legisla\u00e7\u00e3o eleitoral. Estabelece as elei\u00e7\u00f5es diretas, a elegibilidade para os n\u00e3o-cat\u00f3licos e escravos libertos. Mas mant\u00e9m a exig\u00eancia de renda anual superior a 200 mil-r\u00e9is para a qualifica\u00e7\u00e3o dos eleitores.\n\n<strong>Aristocracia agr\u00e1ria dividida:\u00a0<\/strong>Os republicanos se beneficiam das diverg\u00eancias profundas dentro da aristocracia agr\u00e1ria. Os representantes da lavoura a\u00e7ucareira e da cafeicultura tradicional do vale do Para\u00edba s\u00e3o maioria no Parlamento, mas j\u00e1 n\u00e3o t\u00eam poder econ\u00f4mico para garantir seu dom\u00ednio pol\u00edtico. Os representantes do progressista oeste paulista organizados no PRP s\u00e3o minoria, mas det\u00eam o poder econ\u00f4mico. Com ideais liberais e republicanos tornam-se l\u00edderes das camadas urbanas que come\u00e7am a rejeitar o Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Clubes e imprensa republicana:\u00a0<\/strong>O crescimento do movimento republicano \u00e9 r\u00e1pido. Em 1889 existem 273 clubes e 77 publica\u00e7\u00f5es republicanas espalhados por todo o pa\u00eds.\u00a0<strong>Entre elas, destacam-se os jornais:<\/strong>\u00a0A Rep\u00fablica, no Rio de Janeiro; A Federa\u00e7\u00e3o, no Rio Grande do Sul, A Prov\u00edncia de S. Paulo, atual O Estado de S. Paulo, e O Radical Paulistano, na capital paulista.\n\n<strong>Hist\u00f3ricos e revolucion\u00e1rios:\u00a0<\/strong>Os republicanos hist\u00f3ricos, ou evolucionistas, s\u00e3o liderados pelo pol\u00edtico e jornalista Quintino Bocai\u00fava. Contam com o apoio de um setor da aristocracia agr\u00e1ria do oeste paulista e esperam alcan\u00e7ar a Rep\u00fablica atrav\u00e9s de v\u00e1rias reformas paulatinas. Os revolucion\u00e1rios, ligados \u00e0s camadas m\u00e9dias urbanas, s\u00e3o liderados pelo tamb\u00e9m jornalista Ant\u00f4nio da Silva Jardim. Admitem lan\u00e7ar m\u00e3o da luta armada para derrubar o Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Oposi\u00e7\u00e3o militar:\u00a0<\/strong>Desde a Guerra do Paraguai as rela\u00e7\u00f5es dos militares com o poder civil n\u00e3o s\u00e3o boas. O Ex\u00e9rcito transforma-se numa institui\u00e7\u00e3o organizada e coesa. O contato com os Ex\u00e9rcitos da Argentina e do Uruguai, pa\u00edses republicanos, e a ades\u00e3o de muitos oficiais \u00e0 doutrina positivista, os leva a lutar pela Rep\u00fablica.\n\n<strong>Positivismo no Ex\u00e9rcito<\/strong>\n\nDepois da Guerra do Paraguai, o positivismo, doutrina elaborada pelo fil\u00f3sofo franc\u00eas Augusto Comte (1798-1857), encontra forte eco no Ex\u00e9rcito.\n\n<strong>Segundo o positivismo, o desenvolvimento da humanidade ocorre em tr\u00eas est\u00e1gios:\u00a0<\/strong>o est\u00e1gio teol\u00f3gico ou fict\u00edcio; o est\u00e1gio metaf\u00edsico ou abstrato e o terceiro, o est\u00e1gio cient\u00edfico ou positivo.\n\nPara atingir o est\u00e1gio positivo, as sociedades modernas deveriam se organizar em bases cient\u00edficas e conciliar a ordem e o progresso, mesmo que para isso fosse preciso usar a viol\u00eancia, como na Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.\n\nOs militares brasileiros identificam o est\u00e1gio positivo com os ideais republicanos.\n\n<strong>V\u00e1rios oficiais sentem-se encarregados de uma \u201cmiss\u00e3o salvadora\u201d:\u00a0<\/strong>organizar uma esp\u00e9cie de \u201cditadura republicana\u201d, \u00fanico caminho para corrigir os v\u00edcios da organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica e social do pa\u00eds.\n\n<strong>Ordem e progresso<\/strong>\n\n<strong>O lema \u201cordem e progresso\u201d da atual bandeira brasileira expressa os ideais positivistas elaborados por Augusto Comte:\u00a0<\/strong>\u201cNenhuma ordem leg\u00edtima poder\u00e1 daqui em diante estabelecer-se e, principalmente, durar, se n\u00e3o for plenamente compat\u00edvel com o progresso. Nenhum grande progresso poder\u00e1 se realizar eficazmente se n\u00e3o tender em \u00faltima an\u00e1lise para a evidente consolida\u00e7\u00e3o da ordem\u201d.\n\n<strong>Quest\u00e3o militar<\/strong>\n\nEm 1875 o Parlamento aprova o Regulamento Disciplinar do Ex\u00e9rcito, que pro\u00edbe os militares de manifestar publicamente suas diverg\u00eancias e posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas.\n\nEm 1884, a puni\u00e7\u00e3o do capit\u00e3o Ant\u00f4nio de Sena Madureira por apoiar publicamente o fim da escravatura detona o enfrentamento entre os militares e o governo.\n\nUma segunda puni\u00e7\u00e3o pelo mesmo motivo ao oficial Ernesto Augusto da Cunha Matos agrava a crise. Manifesta\u00e7\u00f5es pol\u00edticas de militares eclodem por todo o pa\u00eds, apesar das tentativas do governo de sufoc\u00e1-las.\n\nEm fevereiro de 1887, mais de 200 oficiais se re\u00fanem no Rio de Janeiro com o marechal Deodoro da Fonseca, her\u00f3i da Guerra do Paraguai e figura de grande prest\u00edgio, para exigir o fim das puni\u00e7\u00f5es. O governo cede, mas n\u00e3o consegue apaziguar os militares.\n\n<strong>Guerra do Paraguai<\/strong>\n\nO fato mais importante do\u00a0<strong>Segundo Reinado<\/strong>\u00a0no \u00e2mbito da pol\u00edtica externa foi a guerra do Paraguai.\n\nMas a maior consequ\u00eancia foi no \u00e2mbito pol\u00edtico.\n\nA guerra permitiu a afirma\u00e7\u00e3o do exercito como uma institui\u00e7\u00e3o com fisionomias e objetivos pr\u00f3prios. Os descontentamentos contra o Imp\u00e9rio ir\u00e3o ganhar outra express\u00e3o.\n\nAo mesmo tempo, a soldadesca se habituara a conviver na trincheira com seus companheiros negros, indignando-se de maneira crescente com as viol\u00eancias da escravid\u00e3o. Pouco tempo depois, nas \u201cquest\u00f5es militares\u201d, as novas concep\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito, tendendo para a Rep\u00fablica e a Aboli\u00e7\u00e3o, transformariam a heran\u00e7a da Guerra do Paraguai em uma for\u00e7a destrutiva do regime imperial que a empreendeu.\n\nA\u00a0<strong>Guerra do Paraguai<\/strong>\u00a0foi o conflito sangrento que contrap\u00f4s Brasil, Argentina e Uruguai ao Paraguai apressou o fim do Imp\u00e9rio no Brasil.\n\nIniciado em 1864, encerrou-se em 1870 com a morte de Solano L\u00f3pez, o ditador paraguaio, e com a rendi\u00e7\u00e3o do que restou do Ex\u00e9rcito paraguaio. A guerra provocou a devasta\u00e7\u00e3o e a ru\u00edna do Paraguai.\n\nNo Brasil, estimulou a politiza\u00e7\u00e3o dos oficiais do Ex\u00e9rcito e a propaga\u00e7\u00e3o de ideias abolicionistas e republicanas.\n\n<strong>Crise final<\/strong>\n\nO pr\u00f3prio governo colabora para a ades\u00e3o do marechal Deodoro \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o ao nomear o visconde de Ouro Preto para organizar um novo gabinete, em junho de 1889.\n\n<strong>Ouro Preto prop\u00f5e algumas reformas liberais:<\/strong>\u00a0democratiza\u00e7\u00e3o do voto, diminui\u00e7\u00e3o dos poderes do Conselho de Estado, implanta\u00e7\u00e3o do federalismo com maior autonomia para as Prov\u00edncias e medidas de est\u00edmulo ao desenvolvimento econ\u00f4mico.\n\nMas tamb\u00e9m tenta restaurar a disciplina no Ex\u00e9rcito e reorganizar a Guarda Nacional, medidas entendidas como interfer\u00eancia pelos militares.\n\nDeodoro adere primeiro \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o para derrubar Ouro Preto.\n\nNo in\u00edcio de novembro de 1889, ele e o almirante Eduardo Wandenkolk tamb\u00e9m aderem ao movimento republicano e \u00e0 conspira\u00e7\u00e3o contra o Imp\u00e9rio, j\u00e1 em curso.\n\n<strong>Atentado:\u00a0<\/strong>Em 15 de julho de 1889 dom Pedro II sofre um atentado na sa\u00edda do Teatro Santana. Ouve-se um grito de \u201cViva a Rep\u00fablica\u201d e um tiro \u00e9 disparado quando o monarca e a imperatriz j\u00e1 est\u00e3o em sua carruagem. O autor do atentado, Adriano do Vale, um portugu\u00eas de 20 anos, n\u00e3o tem qualquer liga\u00e7\u00e3o com os republicanos ou com os militares que combatem o governo. Dom Pedro II n\u00e3o d\u00e1 import\u00e2ncia ao fato e perdoa o agressor.\n\n<strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong>\n\nO golpe militar para derrubar o governo \u00e9 preparado para 20 de novembro. O governo organiza-se para combater o movimento. Temendo uma poss\u00edvel repress\u00e3o, os rebeldes antecipam a data para o dia 15.\n\nCom algumas tropas sob sua lideran\u00e7a, Deodoro cerca o edif\u00edcio, consegue a ades\u00e3o de Floriano Peixoto, chefe da guarni\u00e7\u00e3o que defende o minist\u00e9rio, e prende todo o gabinete.\n\n<strong>Dom Pedro II, que se encontra em Petr\u00f3polis, tenta contornar a situa\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0nomeia um novo ministro, Gaspar Martins, velho inimigo do marechal Deodoro.\n\nA escolha acirra ainda mais os \u00e2nimos dos militares. Na tarde do dia 15, a C\u00e2mara dos Vereadores do Rio de Janeiro, em sess\u00e3o presidida por Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, declara o fim da monarquia e proclama a Rep\u00fablica.\n\nDois dias depois a fam\u00edlia real embarca para Portugal, em sigilo.\n\n<strong>Organiza\u00e7\u00e3o Pol\u00edtica do Segundo Reinado<\/strong>\n\n<strong>O Segundo Reinado pode ser dividido em tr\u00eas momentos:<\/strong>\n<blockquote><strong>1\u00ba ) de 1840 a 1850:\u00a0<\/strong>per\u00edodo da consolida\u00e7\u00e3o, marcado pela cria\u00e7\u00e3o de leis voltadas para a ordem, at\u00e9 ent\u00e3o amea\u00e7ada pelos movimentos populares.<strong>\n2\u00ba ) de 1850 a 1870:\u00a0<\/strong>per\u00edodo da \u201d estabilidade geral\u201d, marcado pelo desenvolvimento da economia cafeeira e por uma s\u00e9rie de realiza\u00e7\u00f5es materiais feitas pelos grandes propriet\u00e1rios rurais e capitalistas.\u00a0<strong>3\u00ba ) de 1870 a 1889:\u00a0<\/strong>decl\u00ednio da monarquia, quando come\u00e7aram a se desenvolver a propaganda e o movimento republicano que puseram fim ao imp\u00e9rio.<\/blockquote>\nEntre as principais medidas, os liberais procuraram pacificar o pa\u00eds concedendo anistia a todos os implicados nas rebeli\u00f5es regenciais. A C\u00e2mara formada em sua maioria por conservadores, opunha-se ao gabinete liberal. Valendo-se do poder Moderador, o imperador dissolveu a C\u00e2mara e convocou novas elei\u00e7\u00f5es a qualquer custo, utilizando-se de todos os meios poss\u00edveis.\n\nNovos presidentes foram nomeados para as prov\u00edncias; ju\u00edzes de direito e delegados foram substitu\u00eddos. Todas essas mudan\u00e7as tinham o objetivo de intimidar o eleitorado e garantir a vit\u00f3ria para os liberais.\n\nOs liberais de S\u00e3o Paulo esperavam ajuda do liberais das prov\u00edncias de |Minas Gerais e do Rio de Janeiro e dos farroupilhas que ainda lutavam contra o imp\u00e9rio no Sul do pa\u00eds. Em 17 de mar\u00e7o, Tobias de Aguiar, em Sorocaba, foi proclamado presidente provis\u00f3rio da prov\u00edncia. Os liberais paulistas j\u00e1 estava derrotados quando os de Minas entraram na luta.\n\nComandada pelos liberais moderados Jos\u00e9 Feliciano Pinto e Nunes Galv\u00e3o, receberam o apoio do liberal exaltado Te\u00f3filo Ottoni. Os liberais das suas prov\u00edncias foram presos e anistiados em 1844 pelo imperador.\n\nPouco a pouco foram se integrando \u00e0 nova ordem imperial e aceitando a centraliza\u00e7\u00e3o do poder. De 1844 a 1848, quando dominaram o poder, os liberais utilizaram as mesmas \u201d leis reacion\u00e1rias\u201d que haviam combatido.\n\nO Brasil escravocrata tinha preconceitos contra o trabalho manual; por isso quase n\u00e3o havia escolas t\u00e9cnicas no pa\u00eds. O ideal educativo de nossa sociedade patriarcal era o bacharel, com sua ret\u00f3rica vazia e pomposa.\n\nNo Parlamento e nos altos cargos do Estado predominavam os bachar\u00e9is. O revezamento dos partidos no poder, as disputas entre as elites e a necessidade de progresso material do pa\u00eds requeriam uma estabilidade do Estado, que era dada pelo imperador e pela burocracia estatal.\n\n<strong>Parlamento as Avessas:\u00a0<\/strong>O parlamentarismo n\u00e3o estava previsto na Constitui\u00e7\u00e3o do imp\u00e9rio. O poder de nomear e demitir o minist\u00e9rio era exclusivo do imperador. A partir do per\u00edodo regencial, o parlamentarismo foi de estruturando lentamente. No sistema parlamentarista europeu, \u00e9 o Parlamento que, de acordo com o partido majorit\u00e1rio, escolhe o presidente do Conselho de Ministros que, por sua vez, escolhe o minist\u00e9rio, respons\u00e1vel pela administra\u00e7\u00e3o perante o Parlamento. O presidente do conselho \u00e9 o chefe de governo e pode ser derrubado pelos parlamentares.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Praieira<\/strong>\n\n<strong>Pernambuco, palco das revoltas liberais de 1817 e 1824, tinha sua economia, sociedade e pol\u00edtica dominadas por duas grandes fam\u00edlias de senhores de engenho:<\/strong>\u00a0Cavalcanti e Rego Barros.\n\nCom suas vastas clientelas de agregados e dependentes, essas fam\u00edlias controlavam respectivamente os partidos Liberal e Conservador. O Partido Conservador estabeleceu uma alian\u00e7a com a c\u00fapula do Partido Liberal, formada por grandes senhores de engenho e comerciantes tradicionais.\n\nOs senhores de engenho e comerciantes tradicionais tinham o apoio do governo provincial. Esse apoio lhes dava boas rendas advindas dos cargos p\u00fablicos que ocupavam.\n\nAs obras p\u00fablicas do governo nas imedia\u00e7\u00f5es dos latif\u00fandios dos senhores tradicionais beneficiavam o grupo ligado ao governo. Como participava do Legislativo nacional, esse grupo tinha prest\u00edgio social e podia conseguir empr\u00e9stimos fora da prov\u00edncia, entre outras vantagens. Os senhores de engenho e o comerciantes novos tamb\u00e9m ligados ao a\u00e7\u00facar estava exclu\u00eddos desses benef\u00edcios.\n\nPor essa raz\u00e3o, embora fossem ligados ao Partido Liberal, rebelaram-se contra a c\u00fapula do partido devido \u00e0 alian\u00e7a desta com os conservadores.\n\n<strong>A Revolu\u00e7\u00e3o Praieira foi uma Revolta Liberal<\/strong>\u00a0que eclodiu em Pernambuco em 1848. O esp\u00edrito republicano defendido pelas Revolu\u00e7\u00f5es de 1817 e 1824 continuava forte em Pernambuco.\n\nO descontentamento com a queda do minist\u00e9rio liberal era muito grande, aliado, na cidade do Recife, \u00e0 antiga hostlidade aos comerciantes portugueses. No interior permanecia o dom\u00ednio dos latifundi\u00e1rios, que ligados por la\u00e7os de amizade ou fam\u00edlia formavam uma oligarquia regional. Esses fatos determinaram um levante liberal em Olinda, chefiado por Joaquim Nunes Machado e pelo republicano Ant\u00f4nio Borges da Fonseca. O Partido Liberal em Pernambuco tinha caracter\u00edsticas muito pr\u00f3prias.\n\nDe 1845 a 1848 a prov\u00edncia foi governada por um praieiro, Chichorro da Gama. O principal jornal do partido era o Di\u00e1rio Novo, e como sua sede estava situada na rua da Praia originou o nome Partido da Praia, sendo seus adeptos os praieiros, opositores dos guabirus, de tend\u00eancia conservadora.\n\nEm 1849, a tentativa de dominar o Recife fracassou e, cinco meses depois, o movimento, iniciado em Olinda, foi esmagado pela a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica do presidente da prov\u00edncia e l\u00edder conservador Hon\u00f3rio Hermeto Carneiro Le\u00e3o, futuro marqu\u00eas do Paran\u00e1, sendo encerrado definitivamente em 1850.\n\nNo combate, morreu Joaquim Nunes Machado e os principais chefes, Borges da Fonseca, Jos\u00e9 In\u00e1cio de Abreu e Lima e Jer\u00f4nimo Vilela de Castro Tavares foram condenados \u00e0 pris\u00e3o perp\u00e9tua em Fernando de Noronha. Pedro Ivo, que ao lado de Jo\u00e3o Roma e Bernardo C\u00e2mara, tentara a resist\u00eancia no sul de Pernambuco foi enviado para o Rio de Janeiro, de onde conseguiu fugir para a Europa, morrendo na viagem. Em 1852 os condenados foram anistiados.\n\n<strong>Concilia\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA pr\u00e1tica de concilia\u00e7\u00e3o foi muito comum ao longo de toda a hist\u00f3ria do Brasil. Embora se tenha tentado confundir a no\u00e7\u00e3o de concilia\u00e7\u00e3o com a de entendimento, ambas s\u00e3o distintas. Numa concilia\u00e7\u00e3o, os grupos dirigentes, sem muito contato popular, sem diferen\u00e7as econ\u00f4micas, sociais ou partid\u00e1rias profundas entre si, desejam em tr\u00e9gua para a recomposi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as, para impedir que outros setores sociais ou mesmo as disputas entre os grupos dominantes possam criar dificuldades para a situa\u00e7\u00e3o vigente. Portanto, concilia\u00e7\u00e3o \u00e9 um arranjo, um acordo entre elites dominantes, sem consulta ou apoio popular; um pouco contra o pr\u00f3prio povo.\n\nTanto liberais como conservadores podiam participar do mesmo governo, defendendo o centralismo progressista, que lhes dava cargos governamentais. A d\u00e9cada de 1850 foi marcada pela concilia\u00e7\u00e3o e pelo progresso material que beneficiava os grupos dominantes.\n\nA concilia\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a declinar com a morte do Marqu\u00eas de Paran\u00e1 e o abalo provocado pelas quebras no com\u00e9rcio e na ind\u00fastria em 1856.\n\nA defesa da livre iniciativa unia conservadores moderados que queriam reformas parciais e liberais moderados que odiavam a revolu\u00e7\u00e3o e temiam.\n\nA Liga Progressista dominou o poder de 1862 a 1868, quando fundiu-se com os liberais hist\u00f3ricos, reunificando os liberais. Uma parcela dos liberais mais jovens, aliados a alguns liberais hist\u00f3ricos, formou o Partido Radical, que identificava o liberalismo com a democracia e exigia descentraliza\u00e7\u00e3o, ensino livre. Senado tempor\u00e1rio e eletivo, extin\u00e7\u00e3o do poder Moderador e sufr\u00e1gio direto e universal, entre outras reivindica\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.conhecimentosgerais.com.br\/www.geocities.com\/www.piauihp.com.br\/www.cliohistoria.110mb.com\/www2.mre.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Segundo Reinado, Brasil, Governo, Hist\u00f3ria, Pol\u00edtica, Pedro II, Partido, Rep\u00fablica, Imp\u00e9rio, Guerras, Economia, Sociedade, Segundo Reinado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10236,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26028","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Segundo Reinado - 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