{"id":26020,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/etapas-da-industrializacao-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:58:26","modified_gmt":"2026-09-01T17:58:26","slug":"etapas-da-industrializacao-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/etapas-da-industrializacao-4\/","title":{"rendered":"Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"\nA atividade industrial no Brasil teve in\u00edcio no per\u00edodo colonial.\n\nSua hist\u00f3ria, entretanto, n\u00e3o se caracteriza por uma evolu\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica. As atividades agr\u00edcolas e o extrativismo absorviam os poucos capitais e a m\u00e3o-de-obra, s\u00f3 dando margem, naquele per\u00edodo, \u00e0s ind\u00fastrias caseiras, \u00e0 agro-ind\u00fastria do a\u00e7\u00facar, a pequenas ind\u00fastrias no litoral, e aos estaleiros em que se constru\u00edam embarca\u00e7\u00f5es de madeira. A popula\u00e7\u00e3o extremamente rarefeita, mesmo ao longo da costa; as dificuldades de transporte, decorrentes das dist\u00e2ncias; o regime da escravid\u00e3o e do latif\u00fandio, e a pr\u00f3pria pol\u00edtica da metr\u00f3pole, que proibia, em 1766, a pr\u00e1tica do of\u00edcio de ourives, e por carta r\u00e9gia de 1785, todas as manufaturas de fumo, panos e bordados, foram outros tantos obst\u00e1culos a qualquer surto de manufaturas de valor.\n\nTal situa\u00e7\u00e3o se prolongou atrav\u00e9s do primeiro e do segundo reinado, quando ainda faltavam todos os elementos para uma ind\u00fastria aut\u00f4noma, concentrada e mecanizada, que procura a proximidade das fontes de energia, de mat\u00e9ria-prima, da clientela, dos transportes e, sobretudo, da m\u00e3o-de-obra. Na verdade, s\u00f3 depois da transfer\u00eancia da corte de D. Jo\u00e3o para o Brasil foram revogados os editos que vedavam at\u00e9 a exist\u00eancia de dep\u00f3sitos de salitre, fechavam as f\u00e1bricas t\u00eaxteis e mantinham a proscri\u00e7\u00e3o das fundi\u00e7\u00f5es de ferro instaladas em S\u00e3o Paulo e Minas.\n\nDepois da independ\u00eancia, o reconhecimento pelas pot\u00eancias europeias s\u00f3 se tornou poss\u00edvel mediante a concess\u00e3o de tarifas especiais para os produtos brit\u00e2nicos, concess\u00e3o que vigorou at\u00e9 1844.\n\nUm antigo empregado de firma brit\u00e2nica no Brasil, que conseguiu estabelecer-se e expandir seus neg\u00f3cios, tornando-se um homem de finan\u00e7as que acompanhava o surto industrial da Europa, Irineu Evangelista de Souza, teve o descortino de tentar o caminho da ind\u00fastria, sem levar em conta, entretanto, o grave obst\u00e1culo que representava o escravismo, invi\u00e1vel \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um mercado nacional.\n\nN\u00e3o obstante isso, registraram-se algumas iniciativas no campo da ind\u00fastria. Surgiu a fundi\u00e7\u00e3o de tubos de encanamento de \u00e1gua do rio Maracan\u00e3, no Rio de Janeiro. O estaleiro montado na Ponta da Areia, em Niter\u00f3i, ampliou a constru\u00e7\u00e3o naval do pa\u00eds, fabricando setenta navios em pouco mais de dez anos. Ligada ao impulso dos servi\u00e7os urbanos, criou-se a primeira empresa de ilumina\u00e7\u00e3o a g\u00e1s.\n\nOrganizou-se uma companhia de navega\u00e7\u00e3o no rio Amazonas. Em 1870, estimou-se em 742 mil contos de r\u00e9is, quantia avultada para a \u00e9poca, a produ\u00e7\u00e3o industrial do Brasil. O governo mon\u00e1rquico, todavia, voltava-se mais para as obras p\u00fablicas do que para prestigiar as iniciativas da ind\u00fastria privada nacional e o surgimento e consolida\u00e7\u00e3o de um empresariado vinculado aos interesses do pa\u00eds.\n\nConstru\u00edram-se, desse modo, portos para atender \u00e0s necessidades do com\u00e9rcio externo. As estradas de ferro se prolongaram, mas s\u00f3 a partir de 1870, vindo a interessar capitais ingleses e desempenhar um papel mais din\u00e2mico na economia do pa\u00eds. Instalaram-se companhias de for\u00e7a el\u00e9trica, de bondes, de telefones, de luz, de tel\u00e9grafos, por iniciativa do capital estrangeiro ou vindo a ser concedidas a este.\n\nNo per\u00edodo da primeira guerra mundial, instalaram-se no Brasil cerca de 5.940 empresas industriais, compreendendo-se a\u00ed a produ\u00e7\u00e3o de uns trinta artigos novos.\n\nMas dentre essas ind\u00fastrias n\u00e3o figurava a ind\u00fastria mec\u00e2nica nem os bens fundamentais capazes de possibilitar a cria\u00e7\u00e3o da base industrial do pa\u00eds. Na d\u00e9cada de 1940, pela primeira vez o valor da produ\u00e7\u00e3o industrial brasileira ultrapassou o da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, elevando-se a 13.000.000 de contos de r\u00e9is, contra 8.590.000.\n\nVerdadeiramente, s\u00f3 na d\u00e9cada de 1940 o Brasil logrou a primeira iniciativa industrial de vulto, que iria servir de base a uma modifica\u00e7\u00e3o na sua estrutura econ\u00f4mica.\n\nEsta se verificou em face de circunst\u00e2ncias criadas pela segunda guerra mundial. Necessitando instalar bases a\u00e9reas no territ\u00f3rio brasileiro para o tr\u00e2nsito dos seus avi\u00f5es de guerra para a \u00c1frica e Europa, os E.U.A. negociaram a implanta\u00e7\u00e3o de uma unidade sider\u00fargica que veio a constituir a Companhia Sider\u00fargica Nacional, pertencente ao Estado. A usina de Volta Redonda desempenhou, de fato, o papel de c\u00e9lula-mater da ind\u00fastria pesada nacional, propiciando ao longo de sua atividade, a cria\u00e7\u00e3o de novas ind\u00fastrias e a expans\u00e3o sider\u00fargica.\n\nOutro passo importante no sentido de uma industrializa\u00e7\u00e3o aut\u00f4noma foi a institui\u00e7\u00e3o do monop\u00f3lio estatal do petr\u00f3leo, mediante a cria\u00e7\u00e3o da Petrobr\u00e1s por meio da lei 2.004, de 3 de outubro de 1953.\n\nA descoberta do len\u00e7ol petrol\u00edfero do Lobato, na Bahia, em 1937, propiciou uma modifica\u00e7\u00e3o no c\u00f3digo de minas e a posterior institui\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional do Petr\u00f3leo, a fim de orientar o problemas do ponto de vista brasileiro.\n\nPara levar adiante o processo de desenvolvimento industrial, os pa\u00edses adotam uma s\u00e9rie de medidas que caracterizam suas op\u00e7\u00f5es.\n\nO conjunto dessas medidas e a orienta\u00e7\u00e3o que lhe \u00e9 impl\u00edcita constituem a pol\u00edtica industrial. No caso brasileiro, a industrializa\u00e7\u00e3o se iniciou tardiamente, o que leva o pa\u00eds a realizar grandes esfor\u00e7os, visando a diminuir a dist\u00e2ncia que o separa dos pa\u00edses desenvolvidos. A depend\u00eancia do mercado externo e a desigual distribui\u00e7\u00e3o da renda, que restringe o mercado interno, constituem ainda aspectos negativos para a industrializa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds.\n\nFatores ligados aos grandes acontecimentos econ\u00f4micos mundiais, profundos movimentos pol\u00edticos internos, condi\u00e7\u00f5es peculiares da regi\u00e3o, a pol\u00edtica industrial seguida pelos governos \u2013 t\u00eam import\u00e2ncia determinante em rela\u00e7\u00e3o as avan\u00e7os industriais. Na Am\u00e9rica Latina, cujos pa\u00edses durante longo tempo se mantiveram na posi\u00e7\u00e3o de fornecedores de mat\u00e9rias-primas para clientes industriais, tornou-se evidente que a substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es constitu\u00eda uma exig\u00eancia imperiosa para a industrializa\u00e7\u00e3o e o desenvolvimento econ\u00f4mico. A partir da d\u00e9cada de 1930 se fez sentir particularmente nesses pa\u00edses o enfraquecimento do setor externo. No Brasil, contudo, os sinais de debilitamento desse setor ocorreram bastante antes, ap\u00f3s o auge da borracha amaz\u00f4nica, que precedeu a primeira guerra mundial. Mas o pa\u00eds, essencialmente agr\u00edcola, como era qualificado, simplesmente intensificou as exporta\u00e7\u00f5es de caf\u00e9, refor\u00e7ou o com\u00e9rcio de algod\u00e3o e do cacau, sem vislumbrar ainda os rumos de uma pol\u00edtica de substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es.\n\nO deslocamento progressivo do centro do com\u00e9rcio internacional, do Reino Unido para os E.U.A., e medidas tomadas por esses dois pa\u00edses durante a crise, entre as quais sobressaem as fortes restri\u00e7\u00f5es protecionistas norte-americanas de 1930, tiveram consequ\u00eancias funestas para as economias dos pa\u00edses latino-americanos. A gravidade de tais reflexos, em cada pa\u00eds, fez-se sentir em fun\u00e7\u00e3o do coeficiente da importa\u00e7\u00e3o e da estrutura industrial de que este j\u00e1 dispusesse, para nessa estrutura apoiar seus esfor\u00e7os de substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Rapidamente recuperado em seguida \u00e0 d\u00e9cada de 1930, n\u00e3o prosseguiu de maneira favor\u00e1vel a evolu\u00e7\u00e3o posterior desse coeficiente:<\/strong>\u00a0o descenso continuou at\u00e9 a d\u00e9cada de 1950.\n\nO Brasil constitui-se na Am\u00e9rica Latina no pa\u00eds de mais baixo coeficiente de importa\u00e7\u00e3o, o que representou um fator decisivo para o crescimento do volume da produ\u00e7\u00e3o industrial interna. Iniciada a expans\u00e3o do incipiente parque industrial com as ind\u00fastrias de bens de consumo, procurou-se atingir, nos \u00faltimos anos, uma fase mais avan\u00e7ada, a da produ\u00e7\u00e3o de bens de equipamento e materiais b\u00e1sicos indispens\u00e1veis \u00e0 acelera\u00e7\u00e3o do ritmo do crescimento geral. Sens\u00edveis desequil\u00edbrios ainda se fazem notar, principalmente nos ramos produtores de mat\u00e9rias-primas b\u00e1sicas, a exemplo do que acontece com alguns produtos sider\u00fargicos e qu\u00edmicos que demandam vultosos investimentos e alta t\u00e9cnica de que carece a economia nacional. Em termos absolutos, segundo o relat\u00f3rio anual do BID (1969), o Brasil desfrutava em 1968 do maior crescimento industrial da Am\u00e9rica Latina, tendo superada a Argentina, a partir de 1962 (a taxa de crescimento industrial do Brasil entre 1961 e 1968 era de 5,2% contra 2,5% da Argentina). Tal resultado foi obtido em virtude de um elenco de provid\u00eancias governamentais, incluindo isen\u00e7\u00e3o de impostos, abatimentos no imposto de renda e correspondentes incentivos fiscais, relativos n\u00e3o s\u00f3 \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, o que representou, em 1968, um aumento de 15% na produ\u00e7\u00e3o industrial que participou com 28% do produto interno bruto. Tal posi\u00e7\u00e3o, por sua vez, se reflete no mercado externo.\n\nEm 1970 o objetivo da economia brasileira era deixar de depender exclusivamente da substitui\u00e7\u00e3o das importa\u00e7\u00f5es, ultrapassar a fase da exporta\u00e7\u00e3o de g\u00eaneros aliment\u00edcios e mat\u00e9rias-primas da produ\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e ampliar a pauta export\u00e1vel com variados produtos industriais. As metas m\u00ednimas estabelecidas para o per\u00edodo 1970-1973 estabeleciam o crescimento anual de 9 a 11% para a ind\u00fastria manufatureira e a minera\u00e7\u00e3o; 9 a 11% para a ind\u00fastria sider\u00fargica; 7 a 9% para o setor en\u00e9rgico. Influindo fortemente na composi\u00e7\u00e3o da taxa de crescimento industrial da Am\u00e9rica Latina, em que ocupa o primeiro lugar, em 1973, o Brasil divide com a Argentina, a Col\u00f4mbia e o M\u00e9xico, a responsabilidade por 80% da produ\u00e7\u00e3o industrial dessa parte do mundo.\n\n<strong>A grande concentra\u00e7\u00e3o industrial na Regi\u00e3o Sudeste<\/strong>\n\n<strong>Buscando as causas que influem na distribui\u00e7\u00e3o espacial da atividade industrial, podem se destacar dois fatores:<\/strong>\n<blockquote><strong>Fatores hist\u00f3rico-econ\u00f4micos<\/strong>\u00a0(m\u00e3o-de-obra, capital, mercado consumidor \u2013 interno e externo \u2013 tecnologia, transportes etc.)<strong>\nFatores naturais<\/strong>, isto \u00e9, aqueles que derivam das condi\u00e7\u00f5es naturais de uma certa \u00e1rea ou regi\u00e3o (mat\u00e9rias-primas e fontes de energia, por exemplo).<\/blockquote>\nAp\u00f3s a decad\u00eancia da agroind\u00fastria canavieira do Nordeste, no s\u00e9culo XVII, e a descoberta de metais preciosos nas Minas Gerais, a Regi\u00e3o Sudeste come\u00e7ou a estruturar-se como \u00e1rea de atra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o e de invers\u00e3o de capitais. Data, inclusive, dessa \u00e9poca, a mudan\u00e7a da capital pol\u00edtico-administrativa da col\u00f4nia, de Salvador para o Rio de Janeiro, cidade mais pr\u00f3xima da atividade mineradora. Esse fato constitui-se de grande import\u00e2ncia no crescimento da cidade do Rio de Janeiro e de sua \u00e1rea pr\u00f3xima, pois essa cidade tornou-se o centro de interc\u00e2mbio comercial. Atrav\u00e9s de seu porto, estabelecia-se o contato com o exterior e com as outras regi\u00f5es do Brasil.\n\nQuando ocorreu a decad\u00eancia da atividade mineradora, os trabalhadores das minas deslocaram-se em busca de solos mais f\u00e9rteis onde pudessem desenvolver uma agricultura de maior rendimento, encontrando-os no norte e nordeste de S\u00e3o Paulo.\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a cafeicultura, vinda do Rio de Janeiro, penetrava em solo paulista e, logo em seguida, atingia os solos f\u00e9rteis do planalto ocidental (as terras roxas).\n\nAl\u00e9m de atrair popula\u00e7\u00f5es de outras regi\u00f5es e \u00e1reas do Brasil, a expans\u00e3o da cafeicultura requisitou m\u00e3o-de-obra estrangeira, representada por imigrantes italianos, espanh\u00f3is, alem\u00e3es e outros.\n\nAl\u00e9m disso estimulou o desenvolvimento ferrovi\u00e1rio e a concentra\u00e7\u00e3o financeira.\n\nA instala\u00e7\u00e3o da corte portuguesa no Rio de Janeiro, a partir de 1808, tamb\u00e9m contribuiu para dinamizar n\u00e3o s\u00f3 a cidade, mas tamb\u00e9m a \u00e1rea pr\u00f3xima \u00e0 capital.\n\nA crise da cafeicultura de 1929\/30 possibilitou que muitos recursos financeiros que eram aplicados nessa cultura fossem transferidos para a atividade industrial.\n\nV\u00ea-se, ent\u00e3o, que desde o s\u00e9culo XVIII, o Sudeste foi-se estruturando como \u00e1rea de atra\u00e7\u00e3o de popula\u00e7\u00e3o e de capitais, tornando-se a regi\u00e3o concentradora da riqueza. Assim, o mercado consumidor e financeiro que a\u00ed se formou, o crescimento das cidades, principalmente S\u00e3o Paulo e Rio de Janeiro, o desenvolvimento ferrovi\u00e1rio e rodovi\u00e1rio, ao lado de recursos naturais favor\u00e1veis (potencial hidrel\u00e9trico, recursos minerais, solos f\u00e9rteis) e ainda o fluxo imigrat\u00f3rio estrangeiro que trouxe t\u00e9cnicas de produ\u00e7\u00e3o influ\u00edram na concentra\u00e7\u00e3o espacial da atividade industrial nessa regi\u00e3o.\n\nEm tempos recentes, essa posi\u00e7\u00e3o do Sudeste reafirmou-se, em vista de que, no governo do Presidente Juscelino Kubitcshek (1956-1961), o Plano de Metas deu \u00eanfase \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o industrial nessa regi\u00e3o e particularmente em S\u00e3o Paulo. Os planejadores acreditavam na necessidade de se criar um grande p\u00f3lo de desenvolvimento, tendo S\u00e3o Paulo como centro e que a partir do mesmo o desenvolvimento se propagaria, em c\u00edrculos conc\u00eantricos, contagiando as outras \u00e1reas e regi\u00f5es do pa\u00eds. Em vista dessa interpreta\u00e7\u00e3o, o governo de JK canalizou grandes investimentos p\u00fablicos em infra-estrutura (energia e transportes, al\u00e9m de sider\u00fargicas) e empr\u00e9stimos para a expans\u00e3o econ\u00f4mica de S\u00e3o Paulo e, em menor escala, do Rio de Janeiro e do sul de Minas Gerais.\n\nEssa orienta\u00e7\u00e3o aprofundou ainda mais os desequil\u00edbrios regionais j\u00e1 existentes e consolidou a posi\u00e7\u00e3o do Sudeste, como a regi\u00e3o de forte concentra\u00e7\u00e3o industrial, financeira, populacional e de renda. Desse modo, a Regi\u00e3o Sudeste tornou-se o centro das decis\u00f5es do pa\u00eds, exercendo forte polariza\u00e7\u00e3o sobre as demais regi\u00f5es.\n\nRepetiam-se, assim, ao n\u00edvel interno, isto \u00e9, entre as regi\u00f5es do Brasil, as rela\u00e7\u00f5es de domina\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o espacial, exercidas pela metr\u00f3pole sobre a col\u00f4nia, no passado, ou pelos pa\u00edses centrais (E.U.A. e pa\u00edses da Europa Ocidental e Jap\u00e3o) sobre os pa\u00edses perif\u00e9ricos (pa\u00edses subdesenvolvidos) na atualidade.\n\nA Regi\u00e3o Sudeste tornou-se a produtora de manufaturados e exportadora dos mesmos para as demais regi\u00f5es do pa\u00eds, a pre\u00e7os elevados e, estas, fornecedoras de mercados consumidores e de mat\u00e9rias-primas a pre\u00e7os baixos. Reproduziam-se, assim, ao n\u00edvel interno, as rela\u00e7\u00f5es coloniais do passado e do presente entre os pa\u00edses.\n\n<strong>Tend\u00eancias da industrializa\u00e7\u00e3o no Brasil<\/strong>\n\nVem acontecendo gradualmente uma descentraliza\u00e7\u00e3o industrial, ou seja, a implanta\u00e7\u00e3o de ind\u00fastrias em outras regi\u00f5es do pa\u00eds, e n\u00e3o s\u00f3 na Regi\u00e3o Sudeste.\n\nRegi\u00f5es que n\u00e3o se encontravam no \u201cmapa\u201d de empregos agora oferecem centenas de empregos, a m\u00e3o-de-obra est\u00e1 sendo procurada em estados que antes as pessoas se viam obrigadas a virem para S\u00e3o Paulo, a fim de trabalharem.\n\n<strong>Entretanto, esta regi\u00e3o continua centralizando e polarizando a vida econ\u00f4mica nacional, reproduzindo, como j\u00e1 foi assinalado, ao n\u00edvel interno, o neocolonialismo que se manifesta nas rela\u00e7\u00f5es espaciais internacionais:<\/strong>\u00a0de um lado os pa\u00edses centrais e de outro os pa\u00edses perif\u00e9ricos ou sat\u00e9lites dos primeiros.\n\n<strong>Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nA frase \u201c<strong>revolu\u00e7\u00e3o industrial<\/strong>\u201d tem sido usada h\u00e1 muito tempo para identificar o per\u00edodo aproximadamente de 1750 a 1825, durante o qual a aplica\u00e7\u00e3o acelerada de princ\u00edpios mec\u00e2nicos, incluindo energia a vapor, \u00e0 manufatura na Gr\u00e3-Bretanha produziu uma mudan\u00e7a identific\u00e1vel na estrutura e no crescimento econ\u00f4mico. Os trabalhadores foram agrupados em f\u00e1bricas usando concentra\u00e7\u00f5es de equipamentos de capital maiores em custo e mais eficientes em opera\u00e7\u00e3o do que os equipamentos de capital conhecidos na Gr\u00e3-Bretanha anteriormente.\n\nEssas f\u00e1bricas utilizaram algumas inova\u00e7\u00f5es mec\u00e2nicas, principalmente na fabrica\u00e7\u00e3o de t\u00eaxteis e ferro, que, com a aplica\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina a vapor, tornaram a escala fabril o tamanho mais econ\u00f4mico para a unidade de produ\u00e7\u00e3o.\n\nA proximidade de outras pessoas envolvidas em tais atividades manufatureiras tornou-se mais um fator de redu\u00e7\u00e3o de custos de grande import\u00e2ncia, resultando em \u201ceconomias externas\u201d que estimularam o agrupamento de empresas manufatureiras e, consequentemente, o crescimento de novas agrega\u00e7\u00f5es urbanas.\n\nO resultado foi que a Gr\u00e3-Bretanha rapidamente se tornou o primeiro estado industrial urbanizado.\n\nAtualmente, h\u00e1 pouco consenso entre os estudiosos sobre as origens da revolu\u00e7\u00e3o industrial na Gr\u00e3-Bretanha.\n\nTrabalhos recentes at\u00e9 questionam a singularidade do per\u00edodo cl\u00e1ssico da revolu\u00e7\u00e3o industrial na evolu\u00e7\u00e3o de longo prazo da estrutura industrial da economia brit\u00e2nica (Deane &amp; Cole 1962).\n\nA vis\u00e3o mais antiga de que as melhorias agr\u00edcolas do final do s\u00e9culo XVII e in\u00edcio do s\u00e9culo XVIII, juntamente com a ascens\u00e3o do com\u00e9rcio exterior, tornaram poss\u00edvel um setor manufatureiro com uma popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pido crescimento na Gr\u00e3-Bretanha tamb\u00e9m foi questionada.\n\nEsses problemas finais da historiografia econ\u00f4mica relativos \u00e0 revolu\u00e7\u00e3o industrial na Gr\u00e3-Bretanha n\u00e3o podem ser resolvidos aqui.\n\nO padr\u00e3o de industrializa\u00e7\u00e3o em outros pa\u00edses depois de 1800 foi amplamente semelhante em muitos aspectos ao experimentado pela Gr\u00e3-Bretanha, embora, \u00e9 claro, as permuta\u00e7\u00f5es nunca tenham sido as mesmas em dois pa\u00edses (Maizels, 1963). \u201cOs t\u00eaxteis primeiro\u201d (junto com o processamento de alimentos) tem sido quase a regra na industrializa\u00e7\u00e3o, seguido pelo desenvolvimento do transporte, ind\u00fastria pesada e empresas mais sofisticadas, como metalurgia, qu\u00edmica e eletr\u00f4nica.\n\n<strong>Na maioria dos casos, avan\u00e7os substanciais na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, ou aumento do com\u00e9rcio exterior, ou ambos, foram concomitantes ao desenvolvimento industrial. Estes foram essenciais, pois, como na Gr\u00e3-Bretanha do s\u00e9culo XVIII, a industrializa\u00e7\u00e3o foi acompanhada por dois fen\u00f4menos demogr\u00e1ficos onipresentes:<\/strong>\u00a0um r\u00e1pido aumento no tamanho da popula\u00e7\u00e3o total e sua agrega\u00e7\u00e3o em \u00e1reas urbanas.\n\nTem havido alguma confus\u00e3o sobre as li\u00e7\u00f5es desta hist\u00f3ria. Desde a Segunda Guerra Mundial, alguns economistas interessados em promover o desenvolvimento de na\u00e7\u00f5es industrialmente atrasadas t\u00eam defendido a ado\u00e7\u00e3o de um planejamento de \u201ccrescimento equilibrado\u201d. De acordo com essa proposta, a economia em desenvolvimento deveria suprir seus pr\u00f3prios mercados e insumos de produ\u00e7\u00e3o, com todos os setores crescendo \u201csimultaneamente\u201d (Lewis 1955, p. 283).\n\nA hist\u00f3ria do crescimento industrial bem-sucedido n\u00e3o mostra evid\u00eancias de tal crescimento no passado (Hughes, 1958). Em vez disso, a industrializa\u00e7\u00e3o tem sido o produto de certas ind\u00fastrias ou grupos de ind\u00fastrias &#8211; &#8220;setores l\u00edderes&#8221; e &#8220;ind\u00fastrias dominantes&#8221; (Rostow 1952; Hoffmann 1931) &#8211; avan\u00e7ando \u00e0 medida que avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos ocorreram e novos mercados foram abertos.\n\nO crescimento e mesmo o decl\u00ednio absoluto de ind\u00fastrias particulares tamb\u00e9m caracterizaram o desenvolvimento industrial, sendo o atraso no crescimento geral compensado por novos empreendimentos industriais que surgem e empurram para suas taxas m\u00e1ximas de crescimento, levando assim a economia com eles (Kuznets [1953]. ] 1954, pp. 253-277; Burns 1934) Nenhum conjunto de ind\u00fastrias que compunha uma determinada estrutura industrial em qualquer pa\u00eds foi respons\u00e1vel pelo desenvolvimento industrial, porque a mudan\u00e7a foi cont\u00ednua.\n\n<strong>Nascimento das F\u00e1bricas<\/strong>\n\nAl\u00e9m da moderniza\u00e7\u00e3o da agricultura, a Inglaterra tornou-se, em meados do s\u00e9culo XVIII, pioneira na evolu\u00e7\u00e3o do sistema manufatureiro para o sistema fabril.\n\nEntre as raz\u00f5es desse pioneirismo, destacou-se o desenvolvimento do com\u00e9rcio externo, favorecido pelas pr\u00e1ticas mercantilistas. Apoiada por uma frota mercante poderosa, a Inglaterra passou a dominar os mares, fazendo com que a Am\u00e9rica, a \u00c1frica e a \u00c1sia fossem exploradas pelas companhias de com\u00e9rcio que se dedicavam \u00e0 compra de produtos agr\u00edcolas e mat\u00e9rias primas coloniais, ao tr\u00e1fico negreiro e \u00e0 venda de produtos manufaturados ingleses.\n\n0 desenvolvimento mercantil ingl\u00eas impulsionou a busca de novas t\u00e9cnicas e m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o de mercadorias. Assim, a produ\u00e7\u00e3o realizada nas casas ou nas oficinas foi substitu\u00edda, no decorrer do s\u00e9culo XVIII,, pela produ\u00e7\u00e3o nas f\u00e1bricas. Esses estabelecimentos concentra vam um n\u00famero maior de oper\u00e1rios, utilizando-se de equipamentos fornecidos pelo empregador e produziam para um mercado mais vasto.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas ampliou o controle do empres\u00e1rio sobre o trabalhador que ainda detinha os conhecimentos t\u00e9cnicos sobre a produ\u00e7\u00e3o.\n\nCriaram-se nelas uma hierarquia e uma ordem inexistentes no sistema dom\u00e9stico e nas oficinas. A partir de meados do s\u00e9culo XVIII, quando surgiram as primeiras m\u00e1quinas na ind\u00fastria t\u00eaxtil do algod\u00e3o, j\u00e1 existia nas f\u00e1bricas um oper\u00e1rio disciplinado e assalariado.\n\n<strong>A MECANIZA\u00c7\u00c3O DA PRODU\u00c7\u00c3O<\/strong>\n\nAs primeiras inven\u00e7\u00f5es que deram inicio ao processo de mecaniza\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o ocorreram no setor t\u00eaxtil do algod\u00e3o que, por ser uma atividade mais recente na Inglaterra, n\u00e3o estava controlado pelos regu lamentos das corpora\u00e7\u00f5es de of\u00edcio. A ind\u00fastria algodoeira concentrava-se na regi\u00e3o do Lancaster, pr\u00f3xima ao porto de Liverpool, ligada ao com\u00e9rcio colonial, que recebia a mat\u00e9ria prima do Oriente, das Antilhas, do Brasil e das col\u00f4nias inglesas da Am\u00e9rica.\n\n<strong>As m\u00e1quinas que revolucionaram a produ\u00e7\u00e3o do algod\u00e3o foram:<\/strong>\u00a0a \u201cspinning-jenny\u201d, ou filat\u00f3rio, uma roda de fiar composta que produzia oito fios ao mesmo tempo, criada por James Hargraves, em 1767; a \u201cwater-frame\u201d ou bastidor hidr\u00e1ulico, que produzia fios para a urdidura e a trama do tecido, desenvolvida por Richard Arkwright, em 1769; e a \u201cmula\u201d, uma vers\u00e3o aperfei\u00e7oada das duas m\u00e1quinas anteriores, patenteada em 1779 por Samuel Crompton, que chegava a produzir 400 fios da melhor qualidade (mais finos e mais resistentes) ao mesmo tempo. Em 1785, Edmund Cartwright criou o tear mec\u00e2nico aumentando a produ\u00e7\u00e3o de tecidos e em 1792, Eli Whitney inventou o descaro\u00e7ador do algod\u00e3o, barateando a oferta da mat\u00e9ria prima em bruto.\n\n0 avan\u00e7o t\u00e9cnico decisivo para a mecaniza\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria foi a utiliza\u00e7\u00e3o da energia a vapor, a partir da m\u00e1quina criada em 1712 por Thomas Newcomen e aperfei\u00e7oada em 1769 por James Watt, um construtor de instrumentos cient\u00edficos da Universidade de Glascow. A m\u00e1quina a vapor de Newcomen foi muito empregada nas minas de carv\u00e3o para bombear a \u00e1gua; as modifica\u00e7\u00f5es introduzidas por Watt permitiram a sua utiliza\u00e7\u00e3o nas ind\u00fastrias. A energia a vapor substituiu com enorme vantagem a energia muscular, hidr\u00e1ulica ou e\u00f3lica, at\u00e9 ent\u00e3o usadas para movimentar as m\u00e1quinas.\n\nA energia a vapor possibilitou o crescimento da minera\u00e7\u00e3o, da metalurgia, da tecelagem e dos transportes; foi aplicada \u00e0s m\u00e1quinas de bombear a \u00e1gua e de i\u00e7ar os min\u00e9rios do fundo das minas, tornando o carv\u00e3o mais barato; movimentou f\u00e1bricas de fia\u00e7\u00e3o, de tecidos, de cerveja, de papel e moinhos de gr\u00e3os.\n\nAs inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas atingiram a ind\u00fastria metal\u00fargica com a inven\u00e7\u00e3o do laminador para a fabrica\u00e7\u00e3o de chapas de ferro e com o m\u00e9todo de pudlagem que eliminava o carbono do min\u00e9rio de ferro, produzindo um metal de melhor qualidade e mais forte. 0 ferro foi utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o de m\u00e1quinas mais resistentes, que podiam ser moldadas de forma padronizada, substituindo a madeira.\n\n0 uso do ferro e da energia a vapor permitiram a inven\u00e7\u00e3o de barco a vapor (1807), da locomotiva a vapor (1822) e de ferrovias de uso comercial facilitando e barateando o transporte a longa dist\u00e2ncia de mat\u00e9rias primas, mercadorias e passageiros.\n\nCriaram-se tamb\u00e9m melhores arados e generalizou-se o uso da debulhadora e da ceifadeira, A m\u00e1quina a vapor e a ind\u00fastria do ferro contribu\u00edram para a primeira arrancada da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. \u201c0 mundo industrial tornou-se como uma imensa f\u00e1brica, onde a acelera\u00e7\u00e3o do motor, sua desacelera\u00e7\u00e3o e suas paralisa\u00e7\u00f5es modificam a atividade dos oper\u00e1rios e regulam a produtividade\u201d. (MANTOUX P, op. cit. p. 340.)\n\n<strong>AS CIDADES E AS F\u00c1BRICAS<\/strong>\n\nAntes da inven\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina a vapor, as f\u00e1bricas situavam-se em zonas rurais pr\u00f3ximas \u00e0s margens dos rios, dos quais aproveitavam a energia hidr\u00e1ulica. Ao lado delas, surgiam oficinas, casas, hospeda rias, capela, a\u00e7ude, etc. A m\u00e3o-de-obra podia ser recrutada nas casas de corre\u00e7\u00e3o e nos asilos. Para fixarem-se, os oper\u00e1rios obtinham longos contratos de trabalho e moradia.\n\nCom o vapor, as f\u00e1bricas passaram a localizar-se nos arredores das cidades, onde contratavam trabalhadores. Elas surgiam \u201ctenebrosas e sat\u00e2nicas\u201d, em grandes edif\u00edcios lembrando quart\u00e9is, com chamin\u00e9s, apitos e grande n\u00famero de oper\u00e1rios. 0 ambiente interno era inadequado e insalubre, com pouca ilumina\u00e7\u00e3o e ventila\u00e7\u00e3o deficiente.\n\nAt\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, cidade grande na Inglaterra era uma localidade com cerca de 5 000 habitantes. Em decorr\u00eancia da industrializa\u00e7\u00e3o, a popula\u00e7\u00e3o urbana cresceu e as cidades modificaram-se. Os operarios, com seus parcos sal\u00e1rios, amontoavam-se em quartos e por\u00f5es desconfort\u00e1veis, em sub\u00farbios sem condi\u00e7\u00f5es sanit\u00e1rias.\n\nAs cidades tornaram-se feias e negras, envoltas numa atmosfera fumarenta, estendendo por todos os lados seus sub\u00farbios mal constru\u00ed dos. ( \u2026. ).\n\nNelas desenvolveu-se uma vida urbana que a velha Inglaterra n\u00e3o havia conhecido. Era a massa enorme e confusa do proletariado, que ocupava o formigueiro industrial com seu movimento disciplinado; a cima dela, dirigindo para seu lucro todo o mecanismo da grande ind\u00fastria, a aristocracia manufatureira, a classe poderosa dos capitalistas fundadores e propriet\u00e1rios das f\u00e1bricas\u201d.\n\n<strong>Consequ\u00eancias da Industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159839 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Etapas7.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"163\" \/><strong>Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Revolu\u00e7\u00e3o Industrial<\/strong>\u00a0teve consequ\u00eancias de curto \u00e0 longo prazo, sendo que uma das mais vis\u00edveis e uma das primeiras foi a explos\u00e3o demogr\u00e1fica devido ao \u00eaxodo rural que culminou com o crescimento desordenado das cidades e a explora\u00e7\u00e3o dos seres humanos, pois a procura de emprego passou a ser maior que a oferta.\n<blockquote>[\u2026] a &#8220;explos\u00e3o demogr\u00e1fica&#8221;, parece habilitar-se, na imprensa popular, para a met\u00e1fora da mudan\u00e7a ruidosa. Em vista da cacofonia das cidades, sem falar da viol\u00eancia incidental das ruas, o conceito de &#8220;explos\u00e3o&#8221; ou &#8220;revolu\u00e7\u00e3o&#8221; seria, pelo menos, igualmente adequado. (MOORE, 1968, p 94)<\/blockquote>\nO desemprego concentrou-se nas maiores cidades, o que proporcionava ao empres\u00e1rio capitalista burgu\u00eas um grande contingente de m\u00e3o-de-obra que poderia ser explorado por um pre\u00e7o irris\u00f3rio.\n\nA consequ\u00eancia disso foi o avan\u00e7ado do capitalismo, no qual existe uma intensifica\u00e7\u00e3o generalizada da explora\u00e7\u00e3o humana por parte dos emergentes detentores dos novos meios de produ\u00e7\u00e3o \u2013 fato que, por sua vez, gerar\u00e1 in\u00fameras rea\u00e7\u00f5es violentas em todo continente europeu por parte dos trabalhadores explorados e desempregados miser\u00e1veis. Outra consequ\u00eancia foi o isolamento do ser humano, como um fator psicol\u00f3gico a ser estudado.\n<blockquote>[\u2026] a Inglaterra pedia lucros e recebia lucros. Tudo se transformava em lucro. As cidades tinham sua sujeira lucrativa, suas favelas lucrativas, sua fuma\u00e7a lucrativa, sua desordem lucrativa, sua ignor\u00e2ncia lucrativa, seu desespero lucrativo\u2026 Pois a nova cidade n\u00e3o era um lar onde o homem pudesse achar beleza, felicidade, lazer, conhecimento, religi\u00e3o e as influ\u00eancias que civilizam a vis\u00e3o e o h\u00e1bito, mas um lugar deserto e desolado, sem cor, ar ou riso, onde o homem, a mulher e a crian\u00e7a trabalhavam, comiam e dormiam\u2026 as novas f\u00e1bricas e os novos altos-fornos eram como as pir\u00e2mides, mostrando mais a escraviza\u00e7\u00e3o do homem do que seu poder, lan\u00e7ando sua longa sombra sobre a sociedade que tinha tanto orgulho de tais coisas. (HAMMOND apud DEANE, 1969, p 271)<\/blockquote>\nPercebemos que as cidades metropolitanas se transformaram em locais nos quais as pessoas apenas dormiam, o que demonstra que o relacionamento com a fam\u00edlia se tornou \u00ednfimo, pela falta de tempo.\n\n<b>Estudando a evolu\u00e7\u00e3o dos sistemas sociais, Moore (1968) mostra que todas as mudan\u00e7as interferiram n\u00e3o somente na sociedade como um todo, mas tamb\u00e9m trouxeram consequ\u00eancias\u00a0para cada indiv\u00edduo, sendo, uma delas, a solid\u00e3o, objeto de estudo deste trabalho, sobre a qual ele afirma que:\u00a0<\/b>A principal quebra das grandes organiza\u00e7\u00f5es de parentesco \u00e9 a ampla mobilidade exigida pela industrializa\u00e7\u00e3o. Estas mobilidades geogr\u00e1ficas, implicando uma separa\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de parentes, \u00e9 tamb\u00e9m social, supondo assim a separa\u00e7\u00e3o de parentes em status e estilo de vida. (MOORE, 1968, p 110- 111)\n\nDas ideias desse autor pode-se depreender que a mobilidade geogr\u00e1fica, ou seja, a sa\u00edda das pessoas dos campos rurais para as grandes metr\u00f3poles contribuiu para a separa\u00e7\u00e3o da fam\u00edlia e os indiv\u00edduos come\u00e7aram a ficar mais solit\u00e1rios dentro de sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, ou seja, dentro da institui\u00e7\u00e3o que traz a base para sua socializa\u00e7\u00e3o.\n\nNo ambiente rural as fam\u00edlias e os vizinhos n\u00e3o moravam t\u00e3o perto, mas os encontros eram constantes, seja nas reuni\u00f5es familiares ou nos encontros religiosos.\n\nEssas situa\u00e7\u00f5es eram criadas com frequ\u00eancia. Nas cidades o espa\u00e7o f\u00edsico para esses encontros ficou reduzido, como no caso dos corti\u00e7os. As pessoas viviam em casas muito pr\u00f3ximas umas \u00e0s outras, mas n\u00e3o tinham tempo para conhecer melhor o seu vizinho, pois tinham uma carga de pelo menos 14 horas de trabalho fabril, segundo Hobsbawn (1983). Esse fato mostra a grande contradi\u00e7\u00e3o em que viviam, porque tantas pessoas juntas poderiam ter uma vida social mais intensa, mas, ao contr\u00e1rio disso, esses indiv\u00edduos viviam mais isolados.\n\nAs fam\u00edlias tamb\u00e9m se separaram nesse espa\u00e7o geogr\u00e1fico. Tios e primos em diversos graus, em busca de status social, necessitavam morar em localidades que convinham ao seu crescimento.\n\nOs parentes j\u00e1 n\u00e3o tinham mais tempo para se relacionar, pois a nova sociedade girava em torno da produtividade e do lucro, que dependia da m\u00e3o de obra de homens, mulheres e at\u00e9 mesmo crian\u00e7as.\n\nCom o surgimento da ind\u00fastria, o ser humano foi remodelado. Sua carga hor\u00e1ria aumentou e ele passou a ter menos tempo para a intera\u00e7\u00e3o familiar, com isso desenvolvem-se formas de conv\u00edvio condizentes com o novo modo de vida nas quais a presen\u00e7a f\u00edsica foi se tornando cada vez menos importante em um relacionamento social.\n\nA especifica\u00e7\u00e3o e a automatiza\u00e7\u00e3o criada e introduzida pela ind\u00fastria avan\u00e7am seus tent\u00e1culos para muito al\u00e9m do territ\u00f3rio de trabalho.\n\nA praticidade das m\u00e1quinas que garantiam o sustento enquanto embalavam pessoas em seu conforto, produziam, ao mesmo tempo, um crescente desconforto quando a pauta era a intera\u00e7\u00e3o f\u00edsica com o outro.\n\nO individualismo e a import\u00e2ncia da satisfa\u00e7\u00e3o do &#8220;eu&#8221;, servem muito bem ao prop\u00f3sito capitalista. As necessidades desse meio possuem uma carga pesada, pois atendem muito mais a interesses e inten\u00e7\u00f5es mercadol\u00f3gicas e publicit\u00e1rias do que humanistas.\n<blockquote>A sociedade p\u00f3s-industrial, ao estabelecer as bases para a cultura de massas, propiciou ao capitalismo disseminar quase universalmente sua ideologia individualista e pragm\u00e1tica: cada um por si.<\/blockquote>\nA m\u00e1quina tinha, inicialmente, a fun\u00e7\u00e3o de facilitar o trabalho. Ela parecia ser a solu\u00e7\u00e3o de tantos problemas, na medida em que era capaz de produzir o dobro na metade do tempo e, com isso, permitiria viver em condi\u00e7\u00f5es mais humanas. Acreditava-se que enquanto a m\u00e1quina produzia as pessoas poderiam conviver mais.\n\nFoi um sonho ing\u00eanuo, uma vez que o homem est\u00e1 muito mais apto a conhecer o funcionamento de uma m\u00e1quina e a sua previsibilidade do que algu\u00e9m de sua pr\u00f3pria esp\u00e9cie ou a si mesmo.\n<p class=\"imagem\">Uma das formas de disseminar o estado profundo da solid\u00e3o foi o equipamento televisivo.<\/p>\n<p class=\"imagem\">A m\u00eddia sempre foi o bra\u00e7o vital\u00edcio do dom\u00ednio sobre o aparelho social e a televis\u00e3o foi mero catalisador de um padr\u00e3o previamente consumado.<\/p>\nSeguindo as afirma\u00e7\u00f5es de Branco, pode-se concluir que no processo de materializa\u00e7\u00e3o o outro passou a SER estranho. A televis\u00e3o conseguia reunir toda a fam\u00edlia ao seu redor, mas apesar de as pessoas estarem juntas em um mesmo ambiente, suas aten\u00e7\u00f5es se dividiam com o aparelho.\n\nAs pessoas que viviam em pequenas cidades rurais tinham uma intera\u00e7\u00e3o pessoal com mais afinidades entre os moradores, pois a maioria se conhecia pelo nome e quase todos sabiam onde moravam e o que faziam.\n\nMoore (1968) descreve que nas cidades industriais existe um congestionamento an\u00f4nimo.\n\n<strong>Ele explica que:<\/strong>\n<blockquote>[\u2026] existem multid\u00f5es sem verdadeira intera\u00e7\u00e3o social, abundando as intera\u00e7\u00f5es segmentarias ou mesmo transit\u00f3rias. As chamadas rela\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias s\u00e3o nominalmente caracter\u00edsticas das rela\u00e7\u00f5es de emprego e, na realidade, de muitas outras entre o professor e o pai, funcion\u00e1rio p\u00fablico e cidad\u00e3o, senhorio e locat\u00e1rio e, num grau extremo comprador e vendedor (MOORE 1968, p.115 e 116).<\/blockquote>\nO autom\u00f3vel, avi\u00e3o, assim como os telefones reduziam dist\u00e2ncias, nos colocando mais pr\u00f3ximos aos indiv\u00edduos, assim como as diferen\u00e7as sociais nos colocavam mais longe do nosso semelhante.\n\nCom a individualiza\u00e7\u00e3o veio esse aspecto da indiferen\u00e7a pelo outro.\n\nH\u00e1 a id\u00e9ia do homem contempor\u00e2neo fechado em sua casa e rodeado de equipamentos eletr\u00f4nicos (pc, secret\u00e1ria eletr\u00f4nica, fax, impressora, cd rom, tv, v\u00eddeo, som, celular) que procuram aliviar esse mal estar, anestesi\u00e1-lo desse estranhamento, encapsulando-o em uma vida onde o contato com o mundo externo \u00e9 cada vez mais feito atrav\u00e9s de caminhos eletr\u00f4nicos.\n\nA ideologia capitalista tamb\u00e9m apresenta aspectos antag\u00f4nicos porque embora tenha criado o indiv\u00edduo (ao inv\u00e9s do semelhante) em sua insatisfa\u00e7\u00e3o, apresenta um apelo maci\u00e7o da ind\u00fastria para nos fazer entrar na massa, para agir como os outros e participar do que \u00e9 coletivo. Forjando em n\u00f3s a ideia de que o que \u00e9 da maioria \u00e9 necessariamente o melhor, de que estamos integrados em uma sociedade. Isso nos p\u00f5e em contato direto com essas duas for\u00e7as (individual\/coletivo) que nos fragmenta ainda mais.\n\nAo sair de casa queremos nos certificar de que estamos engajados no melhor de nosso social, as marcas de produtos que nos revestem n\u00e3o facilitam o encontro com o semelhante, apenas os desencontros entre os indiv\u00edduos.\n\nSomos por assim dizer um produto deste meio, capazes de amar a humanidade ao mesmo tempo em que n\u00e3o suportamos o pr\u00f3ximo, o estranho.\n\nO homem \u00e9 um ser que n\u00e3o coincide consigo mesmo e traz dentro de si uma negatividade. A busca inquieta da totalidade e satisfa\u00e7\u00e3o dever\u00e1 se regular sobre as coisas, sobre o mundo, levando a vontade na procura da posse, do dom\u00ednio e da Gl\u00f3ria.\u00a0<strong>O homem se aliena naquilo que lhe oferece uma imagem de sua unidade desejada:<\/strong>\u00a0a coisa. (RICOUER, 1996 apud LEVY p. 17)\n\nAo estabelecer as bases para a cultura de massas, a sociedade p\u00f3s-industrial, forneceu ferramentas ao capitalismo para espalhar pelo globo terrestre a ideologia individualista do &#8220;cada um por si.&#8221; A competi\u00e7\u00e3o que antes era entre povos, na\u00e7\u00f5es, e sociedades passou a ser entre indiv\u00edduos.\n\nEstamos todos caminhando para um isolamento, sem nos darmos conta desse fato que a cada dia traz p\u00e9ssimas consequ\u00eancias para a pessoa como ser humano.\n\n<strong>As tr\u00eas etapas das organiza\u00e7\u00f5es no decorrer do s\u00e9culo XX<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159838 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Etapas6.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"155\" \/><strong>Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n\n<table border=\"0\" width=\"542\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"0\" bgcolor=\"#000000\">\n<tbody>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Era!<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Era da iuduniaza\u00e7o C1a!ica<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Era da mdu!triaIua\u00e7to Yeoc1a\u00faca<\/strong><\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\"><strong>Era da Informa\u00e7ao<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Penodo<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">19OO-190<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">19S0 -1990<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Apo 1990<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Estrutura organizacional predominante<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Burocr\u00e1tica, funcional, piramidal, centrahzadora, r\u00edgida e inflex\u00edvel, Enfase nos \u00f5rg\u00e3os<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Mista, matricial, com \u00eanfase na departamentaliza\u00e7\u00e3o por produtos ou servi\u00e7os ou unidades estrat\u00e9gicas de neg\u00f3os<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Fluida, \u00e1gil e flex\u00edvel. totalmente descentralizadora. Enfase nas redes de equipes rnuftifuncionais<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Cultura organizacional predominante<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Teona X. Foco no passado, nas tradi\u00e7\u00f5es e nos vakres conservadores.<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Transi\u00e7\u00e3o. Foco no presente e no atual. Enfase na adapta\u00e7\u00e3o ao ambiente.<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Teoria Y. Foco no futuro e no destino Enfase na mudan\u00e7a e na inova\u00e7\u00e3o. Valoriza\u00e7\u00e3o do conhecimento e da cnatividade.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Ambiente organizacional<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Est\u00e1tico, previsivel, poucas e gradativas mudan\u00e7as.<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Intensifica\u00e7\u00e3o e acelera\u00e7\u00e3o das mudan\u00e7as ambientais<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Mut\u00e1vel, imprevis\u00edvel. turbulento, com grandes e intensas mudan\u00e7as.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Modo de lidar com as pessoas<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Pessoas corno fatores de produtos inertes e est\u00e1ticas. Enfase nas regras e controles r\u00edgidos para regular as pessoas<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Pessoas como recursos organizacioriais que devem ser administrados. Erifase nos objetivos organizacionais pai-a dirigir as pessoas.<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Pessoas corno seres humanos proativos e inteligentes que devem ser irnpulsionados. Enfase na liberdade e no comprometimento para motivar as pessoas.<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td bgcolor=\"#FFFFCC\">Administra\u00e7\u00e3o de pessoas<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Rela\u00e7\u00f5es industriais<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Administra\u00e7\u00e3o de recursos humanos<\/td>\n<td bgcolor=\"#FFFFFF\">Gest\u00e3o de pessoas<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.hystoria.hpg.ig.com.br\/www.agapo.com.br(Franchi Foglia)\/maxpages.com\/orbita.starmedia.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o, Brasil, Ind\u00fastrias, Brasileira, Consequ\u00eancias, Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, F\u00e1bricas, Produ\u00e7\u00e3o, Per\u00edodo, Hist\u00f3ria, Etapas da Industrializa\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":10178,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-26020","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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