{"id":25967,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/nova-republica-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:48","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:48","slug":"nova-republica-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/nova-republica-4\/","title":{"rendered":"Nova Rep\u00fablica"},"content":{"rendered":"\n<strong>Nova Rep\u00fablica &#8211; O que foi<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Nova Rep\u00fablica<\/strong>, termo que denota tanto o per\u00edodo da pol\u00edtica brasileira quanto do sistema de governo que come\u00e7ou em 15 de mar\u00e7o de 1985, quando os civis retomaram o controle do governo federal ap\u00f3s vinte e um anos de regime militar autorit\u00e1rio. A transi\u00e7\u00e3o para o regime civil democr\u00e1tico foi o culminar da Abertura, um longo processo de liberaliza\u00e7\u00e3o pol\u00edtica que come\u00e7ou no final dos anos 1970 sob o presidente militar Jo\u00e3o Baptista Figueiredo. Inicialmente, os brasileiros esperavam que a Nova Rep\u00fablica restaurasse as liberdades pol\u00edticas e alcan\u00e7asse o crescimento econ\u00f4mico sob procedimentos democr\u00e1ticos.\n\nA ampla mobiliza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica contra o regime militar parecia prometer um per\u00edodo de pol\u00edtica mais inclusiva, incorporando organiza\u00e7\u00f5es de base, movimentos sociais baseados em igrejas e trabalhadores sindicalizados no establishment pol\u00edtico mais tradicional. Esse otimismo, no entanto, foi prejudicado pelo impasse pol\u00edtico incessante, estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, alta infla\u00e7\u00e3o, esc\u00e2ndalo e deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es sociais, que assolaram o Brasil durante os anos 1980 e 1990.\n\nA Nova Rep\u00fablica come\u00e7ou em circunst\u00e2ncias inesperadamente tensas quando uma doen\u00e7a impediu o presidente eleito Tancredo Neves de assumir a presid\u00eancia e o vice-presidente eleito Jos\u00e9 Sarney foi empossado como &#8220;presidente em exerc\u00edcio&#8221;. Sarney assumiu plenos poderes presidenciais na semana anterior \u00e0 morte de Neves, em abril de 1985.\n\nO governo de coaliz\u00e3o de Sarney foi v\u00edtima imediata do pesar e decep\u00e7\u00e3o generalizados em torno da morte de Neves, bem como de seus pr\u00f3prios erros pol\u00edticos. Durante sua presid\u00eancia de cinco anos, Sarney geralmente n\u00e3o teve sucesso na lideran\u00e7a efetiva do poder executivo. O Executivo n\u00e3o conseguiu formar uma coaliz\u00e3o duradoura com o Legislativo para reformar o sistema pol\u00edtico brasileiro.\n\nA Assembl\u00e9ia Constituinte, convocada no final de 1986 para redigir uma nova constitui\u00e7\u00e3o federal, tamb\u00e9m se mostrou ineficaz na implementa\u00e7\u00e3o da maioria das grandes reformas do sistema pol\u00edtico nacional.\n\nEmbora os procedimentos democr\u00e1ticos, principalmente elei\u00e7\u00f5es abertas e a falta de interven\u00e7\u00e3o militar direta na pol\u00edtica, tenham sido consolidados e ampliados durante a presid\u00eancia de Sarney, um sistema partid\u00e1rio enfraquecido pelo facciosismo extremo e pela corrup\u00e7\u00e3o minou grande parte do programa de reforma pol\u00edtica. Pacotes de reforma econ\u00f4mica, como o Plano Cruzado (1986) e o Plano Ver\u00e3o (1989), que inclu\u00edam desvaloriza\u00e7\u00e3o da moeda, controle de pre\u00e7os, congelamento de sal\u00e1rios e renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas, proporcionaram apenas tr\u00e9guas tempor\u00e1rias da alta infla\u00e7\u00e3o e da instabilidade econ\u00f4mica.\n\nAs esperan\u00e7as de uma verdadeira mudan\u00e7a na vida pol\u00edtica e econ\u00f4mica nacional foram renovadas durante a corrida presidencial de 1990, as primeiras elei\u00e7\u00f5es presidenciais diretas no Brasil desde 1960.\n\nNo segundo turno de novembro, o ex-mec\u00e2nico Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ), enfrentou o conservador governador do estado de Alagoas, Fernando Collor De Mello.\n\nCollor derrotou Silva e imediatamente ap\u00f3s assumir a presid\u00eancia promulgou um pacote de reforma econ\u00f4mica radical que incluiu r\u00edgido controle de pre\u00e7os, apreens\u00e3o de bens privados e o enxugamento agressivo da burocracia federal e das empresas estatais. Como seus antecessores, esse pacote de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica funcionou brevemente e reduziu drasticamente a infla\u00e7\u00e3o. O governo Collor desmoronou quando um comit\u00ea do Congresso em 1992 descobriu corrup\u00e7\u00e3o maci\u00e7a dentro do poder executivo. Collor sofreu impeachment e renunciou em dezembro de 1992, e o vice-presidente Itamar Franco tornou-se presidente.\n\nO sistema republicano brasileiro continua sob o peso de uma burocracia federal inchada, recess\u00f5es econ\u00f4micas recorrentes e disparidades sociais abismais.\n\nA Nova Rep\u00fablica consolidou o fim da presen\u00e7a militar ativa na pol\u00edtica nacional, mas n\u00e3o das distor\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas do per\u00edodo autorit\u00e1rio.\n\nO pacote de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e as reformas pol\u00edticas introduzidas durante os primeiros meses da presid\u00eancia de Fernando Henrique Cardoso, que come\u00e7ou em janeiro de 1995, foram uma continua\u00e7\u00e3o do Plano Real que ele promulgou em 1993 enquanto era Ministro da Fazenda do Brasil.\n\nO sucessor de Cardoso foi Luiz In\u00e1cio Lula da Silva, que ganhou a presid\u00eancia em 2002. Silva fez amizade com o presidente venezuelano Hugo Ch\u00e1vez e o presidente americano George W. Bush em um esfor\u00e7o para expandir a presen\u00e7a do Brasil no mercado internacional e fortalecer a posi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds.\n\n<strong>Internamente, Silva promulgou programas sociais para enfrentar o que ele via como as necessidades mais prementes do pa\u00eds:<\/strong>\u00a0eliminar a fome, a pobreza e o trabalho infantil e aumentar a educa\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Nova Rep\u00fablica &#8211; Hist\u00f3ria Brasil<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159629 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Nova-R1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"300\" \/><strong>Rep\u00fablica<\/strong><\/p>\nA\u00a0<strong>Rep\u00fablica<\/strong>\u00a0introduziu os militares na pol\u00edtica nacional de forma cada vez mais \u201cprofissional\u201d a partir do Estado Novo, at\u00e9 convert\u00ea-los, em 1964, de poder arbitral nos conflitos das elites regionais em \u201cPoder Nacional\u201d e \u00fanico guardi\u00e3o permanente da \u201cOrdem e Progresso\u201d.\n\nEssa transforma\u00e7\u00e3o ocorre sobretudo depois da Segunda Guerra Mundial, com a mudan\u00e7a progressiva da doutrina da Escola Superior de Guerra e da forma de organiza\u00e7\u00e3o do Estado Maior das For\u00e7as Armadas, sintetizada, no per\u00edodo da ditadura militar at\u00e9 1979, no bin\u00f4mio \u201cSeguran\u00e7a e Desenvolvimento\u201d. Com a \u201cTransi\u00e7\u00e3o Democr\u00e1tica\u201d, o fim da Guerra Fria e o neoliberalismo da d\u00e9cada de 90, os militares est\u00e3o aparentemente sem \u201cDoutrina Positiva\u201d.\n\nOs bachar\u00e9is do poder civil correram atr\u00e1s e foram elaborando, depois de cada golpe militar ou mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico, uma nova Constitui\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\n\n\u00c9 fant\u00e1stico contrastar a longa dura\u00e7\u00e3o do c\u00f3digo comercial diante das frequentes mudan\u00e7as da Constitui\u00e7\u00e3o brasileira.\n\nA forma como entram e saem os direitos sociais e o car\u00e1ter crescentemente restritivo do papel da Federa\u00e7\u00e3o, mesmo na Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, merecem ser reestudados concretamente e n\u00e3o apenas \u00e0 luz das mudan\u00e7as da filosofia do direito, na qual foram t\u00e3o prof\u00edcuos os nossos bachar\u00e9is. A partir da desmontagem da Constitui\u00e7\u00e3o de 1988, os bachar\u00e9is est\u00e3o tamb\u00e9m aparentemente sem \u201cDoutrina Positiva\u201d.\n\nA proclama\u00e7\u00e3o da velha Rep\u00fablica confirmou a hegemonia paulista no pacto de domina\u00e7\u00e3o olig\u00e1rquico (contra os esperneios dos \u201cjacobinos\u201d civis e militares do Rio) e refor\u00e7ou os nexos da sua burguesia com os centros financeiros internacionais.\n\nDa\u00ed em diante, cada vez que a liga\u00e7\u00e3o se rompe ocorre uma mudan\u00e7a no padr\u00e3o de financiamento da acumula\u00e7\u00e3o de capital que torna necess\u00e1ria a interven\u00e7\u00e3o crescente do Estado Nacional (Caixa de Convers\u00e3o, Tesouro, Banco do Brasil, BNDE etc.) para repor as condi\u00e7\u00f5es de valoriza\u00e7\u00e3o da riqueza privada.\n\nAs pol\u00edticas macroecon\u00f4micas, sobretudo as cambiais, as monet\u00e1rias e de ajuste fiscal, nunca permitiram classificar claramente qualquer governo da Rep\u00fablica como plenamente liberal ou desenvolvimentista, mas sempre tentaram levar \u00e0 pr\u00e1tica uma \u201cmacroeconomia da riqueza\u201d que evitasse a quebra dos principais bancos privados.\n\nN\u00e3o \u00e9 por acaso que o patriciado paulista, apesar da acabrunhante derrota pol\u00edtica em 32, manteve os pr\u00f3speros e milion\u00e1rios neg\u00f3cios da sua nova burguesia e indicou o banqueiro Whitaker para ministro da Fazenda do primeiro governo de Vargas, que tentou refazer um novo pacto olig\u00e1rquico, o qual termina no Estado Novo.\n\nO Estado Desenvolvimentista nas suas v\u00e1rias vers\u00f5es, de Vargas a JK, de M\u00e9dici a Geisel, esgota-se com a crise financeira nacional e internacional de 1982, que levou de rold\u00e3o n\u00e3o apenas o padr\u00e3o de financiamento que soldava os interesses das burguesias agr\u00e1rio-industrial e financeira, mas tamb\u00e9m o regime militar e sua falsa \u201cvia prussiana\u201d.\n\nA Nova Rep\u00fablica \u00e9 o resultado de um novo pacto de compromisso entre as elites pol\u00edticas civis e militares que, simbolicamente, nasce e come\u00e7a a morrer com a morte do ilustre mineiro Tancredo Neves.\n\nEm 1994, depois de v\u00e1rias vers\u00f5es fracassadas de transi\u00e7\u00e3o, os \u201cpaulistas\u201d supostamente voltam ao poder. A nova \u201cAlian\u00e7a Liberal\u201d \u00e9 implementada, mas com o aux\u00edlio de economistas cariocas de novo estilo, e a \u201cala desenvolvimentista\u201d paulista foi posta para escanteio, at\u00e9 mesmo nas \u201cprivatiza\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias\u201d e na nova dire\u00e7\u00e3o do BNDES.\n\n<strong>Do ponto de vista constitucional o governo FHC foi al\u00e9m dos generais e da Rep\u00fablica Velha, destruindo uma das regras b\u00e1sicas da Rep\u00fablica:\u00a0<\/strong>a n\u00e3o-reelei\u00e7\u00e3o do presidente. Em compensa\u00e7\u00e3o, reintroduziu todos os \u201catrasos\u201d conhecidos em mat\u00e9ria de pacto olig\u00e1rquico, para torn\u00e1-lo global.\n\nSobre as reivindica\u00e7\u00f5es populares e da chamada \u201csociedade civil\u201d, aplica t\u00e1ticas de dissuas\u00e3o dignas de um oficial de \u201cEstado Maior\u201d que certamente aprendeu em seu apurado estudo da hist\u00f3ria brasileira.\n\nPara manter o apoio dos \u201caliados\u201d descontentes, usa o \u201cmimetismo sedutor\u201d de sua longa experi\u00eancia de vida cosmopolita e domina no limite os recursos midi\u00e1ticos para tentar apaziguar as massas.\n\nFinalmente, centraliza o poder do Executivo al\u00e9m dos limites jur\u00eddicos e tenta liquidar de vez o Pacto Federativo sem destruir o poder pol\u00edtico olig\u00e1rquico.\n\nSucateou parte das for\u00e7as produtivas internas a pretexto de submet\u00ea-las a uma abertura competitiva e reduziu a uma insignific\u00e2ncia o nosso com\u00e9rcio exterior, levando \u00e0s \u00faltimas consequ\u00eancias o \u201ccapitalismo dependente\u201d atrelado \u00e0s finan\u00e7as internacionais.\n\n<strong>Em resumo:\u00a0<\/strong>o atual presidente n\u00e3o levou em conta nem a legitimidade jur\u00eddica nacional nem o avan\u00e7o da organiza\u00e7\u00e3o dos trabalhadores nas \u00faltimas d\u00e9cadas.\n\n\u00c0 luz dos interesses das grandes empresas nacionais, p\u00fablicas e privadas, pode ser considerado um \u201cleiloeiro\u201d perdedor no mercado global. Como estadista nacional, afinal apequenou-se e corre o risco de tornar-se apenas um candidato a proc\u00f4nsul latino-americano da nova Pax Americana.\n\n<strong>Nova Rep\u00fablica &#8211; Per\u00edodo<\/strong>\n\nPer\u00edodo da\u00a0<strong>Hist\u00f3ria\u00a0<\/strong><strong><b>Brasileira<\/b><\/strong>\u00a0que vai de 1985 at\u00e9 aos dias atuais.\n\nA\u00a0<b>Nova<\/b>\u00a0<b>Rep\u00fablica<\/b>\u00a0\u00e9 o per\u00edodo de nossa hist\u00f3ria onde o Brasil passou a ser verdadeiramente um pa\u00eds democr\u00e1tico.\n\nEm 1985\u00a0<strong>Tancredo Neves<\/strong>\u00a0foi eleito Presidente do Brasil pelo col\u00e9gio eleitoral. A escolha de Tancredo Neves como presidente deu um ponto final na ditadura militar.\n\nNa v\u00e9spera de tomar posse do governo, Tancredo Neves adoeceu, e dias depois, 21 de Abril de 1985, venho a falecer.\n\n<strong>O Governo Sarney<\/strong>\u00a0<strong>(1985-1990)<\/strong>\n\nCom a morte de Tancredo Neves, o vice-presidente eleito, Jos\u00e9 Sarney, assumiu a presid\u00eancia do Brasil. Jos\u00e9 Sarney governou o Brasil espelhado na imagem de Tancredo Neves.\n\nO minist\u00e9rio foi composto pelos mesmos ministros escolhidos por Tancredo.\n\nO Governo Sarney deu inicio a\u00a0<strong>redemocratiza\u00e7\u00e3o do Brasil<\/strong>. Foi estabelecido elei\u00e7\u00f5es diretas para os cargos pol\u00edticos. Tamb\u00e9m foi dado o direito de votar aos analfabetos e foi criada uma\u00a0<b>nova<\/b>\u00a0constitui\u00e7\u00e3o.\n\nA Constitui\u00e7\u00e3o de 1988 \u00e9 a mais democr\u00e1tica que o Brasil j\u00e1 teve.\n\nNo campo pol\u00edtico o pa\u00eds respirava com a redemocratiza\u00e7\u00e3o mas, no campo econ\u00f4mico os problemas continuaram.\n\nBuscando uma solu\u00e7\u00e3o para a crise econ\u00f4mica, em Fevereiro de 1986, o Governo Sarney lan\u00e7ou um plano de estabiliza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, o\u00a0<strong>Plano Cruzado<\/strong>.\n\nA\u00a0<b>nova<\/b>\u00a0moeda, o\u00a0<strong>Cruzado<\/strong>, tinha o valor de mil\u00a0<strong>Cruzeiro<\/strong>, antiga moeda. Pelo Plano Cruzado ficou estabelecido o congelamento de pre\u00e7os e sal\u00e1rios.\n\nEstas medidas econ\u00f4micas n\u00e3o surtiram efeito pois a infla\u00e7\u00e3o voltou a subir.\n\nCom o fracasso do Plano Cruzado, outros planos econ\u00f4micos foram elaborados, foi o caso do\u00a0<strong>Plano Blesser<\/strong>\u00a0e Plano Ver\u00e3o que criou o\u00a0<strong>Cruzado Novo<\/strong>.\n\n<strong>O Governo Collor (1990-1993)<\/strong>\n\nNas elei\u00e7\u00f5es de 1989, com o caos econ\u00f4mico instalado no Brasil, a popula\u00e7\u00e3o optou por votar num candidato que n\u00e3o fosse o indicado pelo governo Sarney.\n\nO povo elegeu como Presidente do Brasil\u00a0<strong>Fernando Collor de Mello<\/strong>. Em sua campanha pol\u00edtica Collor afirmava que buscaria melhorias na condi\u00e7\u00e3o de vida do povo brasileiro, chamado por ele de p\u00e9s-descal\u00e7os e descamisados.\n\nLogo ao assumir a presid\u00eancia, Collor pois em pratica o\u00a0<strong>Plano Brasil Novo<\/strong>, conhecido tamb\u00e9m como\u00a0<strong>Plano Collor<\/strong>.\n\nO Plano Collor em compara\u00e7\u00e3o aos planos tomados pelos governos anteriores, foi o mais dr\u00e1stico. A moeda voltou a ser o cruzeiro que passou a ser circulado em menor quantidade. As contas banc\u00e1rias e cadernetas de poupan\u00e7as com saldo superior a 50 mil cruzeiros foram bloqueadas.\n\nInicialmente, as medidas econ\u00f4micas tomadas no Governo Collor at\u00e9 surtiram efeito, mas no andamento do governo a infla\u00e7\u00e3o voltou a subir.\n\nPara piorar a situa\u00e7\u00e3o do presidente Collor, sua imagem ficaria suja devido as denuncias de corrup\u00e7\u00e3o em seu governo.\n\nPedro Collor, irm\u00e3o do presidente, denunciou um esquema de corrup\u00e7\u00e3o que tinha como principal figura\u00a0<strong>Paulo C\u00e9sar Farias<\/strong>, tesoureiro da campanha politica de Collor.\n\nA descoberta do\u00a0<strong>Esquema PC Farias<\/strong>\u00a0atingiu em cheio a popularidade de Fernando Collor. Seus dias como presidente estavam contados.\n\nDemonstrando o seu descontentamento com o Governo Collor, boa parte da popula\u00e7\u00e3o\u00a0<b>brasileira<\/b>\u00a0surpreendentemente saiu as ruas para protestar. Queriam eles a imediata ren\u00fancia de Collor.\n\nPressionados pelos\u00a0<strong>Caras Pintadas<\/strong>, a C\u00e2mara dos Deputados instaurou uma Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito. Na\u00a0<strong>CPI<\/strong>\u00a0foram levantadas provas suficientes que comprovaram a participa\u00e7\u00e3o de Collor no Esquema PC.\n\nO Congresso Nacional teve que se reunir para discutir a aprova\u00e7\u00e3o do\u00a0<strong>Impeachment<\/strong>\u00a0de Fernando Collor de Melo. Em 29 de Dezembro de 1993 Fernando Collor optou por ren\u00fanciar a presid\u00eancia deixando o cargo para o seu vice, Itamar Franco.\n\n<strong>O Governo Itamar Franco (1993-1994)<\/strong>\n\nCom a ren\u00fancia de Fernando Collor, Itamar Franco teve que assumir a Presid\u00eancia do Brasil.\n\nNo Governo Itamar Franco, foi encontrado uma solu\u00e7\u00e3o para a crise econ\u00f4mica que assolava o Brasil.\n\nEm Maio de 1993 Itamar Franco nomeou Fernando Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda.\n\nFernando Henrique Cardoso, a frente de um grupo de economistas, elaborou um bem sucedido plano econ\u00f4mico, o\u00a0<strong>Plano Real<\/strong>. A\u00a0<b>nova<\/b>\u00a0moeda, o\u00a0<strong>Real<\/strong>, tornou-se um sucesso.\n\nCom a\u00a0<b>nova<\/b>\u00a0moeda a popula\u00e7\u00e3o teve um melhor poder aquisitivo e seus sal\u00e1rios n\u00e3o estavam mais sendo corro\u00eddos pela infla\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>O Governo Fernando Henrique Cardoso<\/strong>\u00a0<strong>(1995-2002)<\/strong>\n\nFoi dado a\u00a0<strong>Fernando Henrique Cardoso<\/strong>\u00a0o credito pela elabora\u00e7\u00e3o do Plano Real. A popula\u00e7\u00e3o confiava nele e por isso ele sagrou-se como candidato vencedor nas elei\u00e7\u00f5es presid\u00eanciais de 1994.\n\nFernando Henrique tomou posse do Governo em 1 de Janeiro de 1995. Ao final de 1998 foi reeleito como presidente derrotando novamente o candidato da oposi\u00e7\u00e3o, Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva.\n\nAl\u00e9m de se engajar na miss\u00e3o de manter a infla\u00e7\u00e3o baixa, o\u00a0<strong>Governo FHC<\/strong>\u00a0optou por privatizar as empresas estatais e abrir economia\u00a0<b>brasileira<\/b>\u00a0para o\u00a0<strong>MERCOSUL<\/strong>.\n\nA\u00a0<b>nova<\/b>\u00a0pol\u00edtica econ\u00f4mica adotada no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, fez com que o Brasil recorresse ao FMI o que gerou a desvaloriza\u00e7\u00e3o do Real.\n\n<strong>Nova Rep\u00fablica &#8211; Redemocratiza\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nO Brasil viveu em sua hist\u00f3ria tr\u00eas longos per\u00edodos democr\u00e1ticos. A Primeira Rep\u00fablica, de 1894 a 1930, era fortemente restrita, com poucos cidad\u00e3os aptos a votar e altamente corrupta e fisiol\u00f3gica.\n\nA segunda Rep\u00fablica, 1945 a 1964, era bem mais democr\u00e1tica, mas os sindicatos eram atrelados ao governo e os analfabetos eram proibidos de votar. A terceira Rep\u00fablica, de 1985 at\u00e9 hoje, apesar de v\u00e1rios problemas que h\u00e1 nela, \u00e9 a mais democr\u00e1tica de todas, com sufr\u00e1gio universal, sindicatos livres e constitui\u00e7\u00e3o social-democrata.\n\n<strong>Os novos partidos<\/strong>\n\n<strong>A liberdade para abertura de novos partidos:<\/strong>\u00a0No final de 1979, o Congresso extingue a ARENA e o MDB, abrindo caminho para a cria\u00e7\u00e3o dos novos partidos. Segundo a legisla\u00e7\u00e3o, todos os partidos deveriam ter um P de partido antes do nome. Isso foi feito para extinguir o termo ARENA, nada popular.\n<blockquote><strong>O PMDB:\u00a0<\/strong>O MDB, partido de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 ditadura, vira PMDB prevalecendo como um dos partidos mais fortes do pa\u00eds. Apesar de ter uma constitui\u00e7\u00e3o elitista, na d\u00e9cada de 80 assume posi\u00e7\u00f5es social-democratas. No final da d\u00e9cada de 80, desiludido com o governo Sarney, sairia do seio do PMDB o PSDB, que nasce de centro-esquerda e vai rumando para a direita, principalmente quando chega ao poder em 1995.<strong>\nO PDS, o PPB e o PFL:<\/strong>\u00a0A ARENA se transforma depois em PDS. Depois, o PDS se transformaria em PPB, tendo hoje o nome de PP. Em fun\u00e7\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es indiretas para presidente em 85, surge uma dissid\u00eancia dentro deste partido que d\u00e1 origem ao PFL. Todos esses partidos s\u00e3o de constitui\u00e7\u00e3o elitista e com id\u00e9ias francamente de direita, tendo pr\u00e1ticas corruptas recorrentes, fisiol\u00f3gicas e nepotistas.<strong>\nO PDT e o PTB:<\/strong>\u00a0Brizola volta do ex\u00edlio e com outros trabalhistas hist\u00f3ricos do PTB de Vargas e Jango tenta refundar o partido. No entanto, Ivete Vargas consegue a sigla na Justi\u00e7a, fundando um partido de direita vinculado ao PDS. Brizola fundaria, ent\u00e3o, o PDT, partido trabalhista e de esquerda.<strong>\nO PT:\u00a0<\/strong>O PT, que nasce tamb\u00e9m em 1980, surge diferente dos outros partidos, por n\u00e3o se vincular a nada da pol\u00edtica anterior. Formado por sindicalistas, ex-presos pol\u00edticos e intelectuais socialistas de esquerda, \u00e9 bem vinculado a movimentos sociais como o MST, a CUT e a parcela de esquerda da Igreja cat\u00f3lica.<strong>\nPCs:\u00a0<\/strong>Os partidos comunistas, que se dividiram em v\u00e1rios na d\u00e9cada de 60, foram proibidos neste momento de voltar \u00e0 legalidade, sendo legalizados s\u00f3 no final da d\u00e9cada de 80.<\/blockquote>\n<strong>Os novos organismos sociais e as mobiliza\u00e7\u00f5es<\/strong>\n<blockquote><strong>A reorganiza\u00e7\u00e3o dos sindicatos:\u00a0<\/strong>A partir das greves no ABC paulista e outras v\u00e1rias pelo pa\u00eds, os sindicatos se reorganizam e \u00e9 fundada a Central \u00danica dos Trabalhadores a CUT.<strong>\nO MST:\u00a0<\/strong>Em 1984 surge o Movimento dos Trabalhadores rurais sem terra no Sul do pa\u00eds, espalhando-se depois para o pa\u00eds inteiro.\nEsse movimento exige a reforma agr\u00e1ria no pa\u00eds e diante da imobilidade do Estado, faz ocupa\u00e7\u00f5es de terras pelo pa\u00eds.<strong>\nA reorganiza\u00e7\u00e3o da sociedade:\u00a0<\/strong>Al\u00e9m desses grandes movimentos sociais, surgem outros tamb\u00e9m nem sempre vinculados a quest\u00f5es pol\u00edticas ou quest\u00f5es de trabalho. S\u00e3o movimentos feministas, homossexuais, negros, ONGs diversas e associa\u00e7\u00f5es de moradores. De qualquer forma, mostram o ar democr\u00e1tico que se passava a respirar no pa\u00eds.<strong>\nElei\u00e7\u00f5es estaduais:<\/strong>\u00a0Nas elei\u00e7\u00f5es diretas estaduais de 1982 o PMDB consegue a vit\u00f3ria em importantes estados e Leonel Brizola consegue se eleger governador no estado do Rio de Janeiro, apesar do boicote da ditadura e das organiza\u00e7\u00f5es Globo, no que ficou conhecido como caso Proconsult.<strong>\nAs diretas j\u00e1:\u00a0<\/strong>Em 1984 uma emenda no Congresso para que houvesse elei\u00e7\u00f5es presidenciais diretas no ano seguinte levam a uma grande mobiliza\u00e7\u00e3o popular. \u00c9 a campanha das Diretas J\u00e1, a maior mobiliza\u00e7\u00e3o popular da hist\u00f3ria do pa\u00eds. Reuniu 40 mil pessoas em Curitiba, 50 mil em Natal, 1 milh\u00e3o no Rio e 1,3 milh\u00e3o em S\u00e3o Paulo. A emenda, no entanto, foi barrada no Congresso.<strong>\nO acordo para as elei\u00e7\u00f5es de 1985:<\/strong>\u00a0Para a elei\u00e7\u00e3o indireta para presidente, o PDS lan\u00e7a Paulo Maluf e o PMDB Tancredo Neves. O PDT ap\u00f3ia Tancredo e o PT n\u00e3o. Uma briga interna dentro do PDS leva \u00e0 cria\u00e7\u00e3o da frente liberal, que ap\u00f3ia Tancredo para presidente, dando o nome para o vice deste, Jos\u00e9 Sarney.<\/blockquote>\nTancredo venceria, mas morreria antes da posse, dando lugar a Sarney como o primeiro presidente civil desde 1964.\n\n<strong>Planos econ\u00f4micos, recess\u00e3o e mis\u00e9ria<\/strong>\n\nA d\u00e9cada de 80 teve amplos avan\u00e7os democr\u00e1ticos na pol\u00edtica e na sociedade, ao mesmo tempo que a economia praticamente estagnou, tendo apenas um ano de crescimento nada s\u00f3lido, o ano do Plano Cruzado.\n\nEm verdade, a economia n\u00e3o cresce de forma sustentada h\u00e1 25 anos gerando mis\u00e9ria, viol\u00eancia e desemprego.\n\n<strong>Sucess\u00e3o de planos e continuidade da mis\u00e9ria<\/strong>\n<blockquote><strong>Infla\u00e7\u00e3o e d\u00edvida incontrol\u00e1veis:<\/strong>\u00a0A infla\u00e7\u00e3o chegava aos tr\u00eas d\u00edgitos em 1980 e a d\u00edvida externa superava U$200 bilh\u00f5es em 1984. O Brasil faz um acordo com o FMI, cujas imposi\u00e7\u00f5es para liberar o empr\u00e9stimo levam \u00e0 forte recess\u00e3o. Tanto a infla\u00e7\u00e3o como a d\u00edvida p\u00fablica n\u00e3o s\u00f3 a externa, mas a interna tamb\u00e9m tendiam a aumentar. Esse era o quadro econ\u00f4mico do pa\u00eds quando Sarney chega ao poder.<strong>\nO plano Cruzado:<\/strong>\u00a0O ministro da Fazenda Den\u00edlson Funaro prop\u00f5e o plano Cruzado, onde pre\u00e7os e sal\u00e1rios seriam congelados. O plano leva a uma explos\u00e3o do consumo, o que deu grande popularidade ao governo. Al\u00e9m disso, gerou tamb\u00e9m um desest\u00edmulo \u00e0 poupan\u00e7a e desabastecimento. A economia iria crescer bastante, mas logo os comerciantes passariam a cobrar um \u00e1gio nos pre\u00e7os, o que era a volta da infla\u00e7\u00e3o.<strong>\nElei\u00e7\u00f5es estaduais e parlamentares:\u00a0<\/strong>O Cruzado estava ficando insustent\u00e1vel para as contas do governo. O presidente, no entanto, segurou o plano at\u00e9 depois das elei\u00e7\u00f5es de 1986 para aproveitar a popularidade do plano. Por isso, o PMDB de Sarney vence em todos os estados, exceto Sergipe e elege 54% dos constituintes.<strong>\nPlano Cruzado II:<\/strong>\u00a0O plano Cruzado tinha gerado um grande d\u00e9ficit na balan\u00e7a comercial, dificultando o pagamento da d\u00edvida externa. Acabadas as elei\u00e7\u00f5es, o governo decreta o fim do plano, lan\u00e7ando o Cruzado II, que liberava alguns pre\u00e7os e mantinha outros tabelados, com algum aumento. Por\u00e9m, a d\u00edvida tornara-se impag\u00e1vel e o governo declara morat\u00f3ria no in\u00edcio de 1987. O Cruzado II tamb\u00e9m n\u00e3o segura a infla\u00e7\u00e3o.<strong>\nPlano Bresser:\u00a0<\/strong>O novo ministro, Bresser Pereira, congela pre\u00e7os por 2 meses e aumenta os impostos. O plano n\u00e3o surtiu efeito, continuando descontroladas a infla\u00e7\u00e3o e a d\u00edvida. O ministro se demite no final de 87.<strong>\nArroz com feij\u00e3o:\u00a0<\/strong>O novo ministro Ma\u00edlson da N\u00f3brega tentou implantar um modelo neoliberal, abrindo a economia, privatizando estatais e cortando gastos p\u00fablicos. N\u00e3o controlou a infla\u00e7\u00e3o nem a d\u00edvida.<strong>\nPlano Ver\u00e3o:<\/strong>\u00a0Um novo plano \u00e9 tentado no final do governo com congelamento de pre\u00e7os e conten\u00e7\u00e3o de gastos p\u00fablicos. N\u00e3o adianta, a infla\u00e7\u00e3o chega aos 4 d\u00edgitos anuais e os juros a 80%.<strong>\nA pobreza e a criminalidade:<\/strong>\u00a0A crise econ\u00f4mica da d\u00e9cada de 80 n\u00e3o se resume \u00e0s constantes trocas de cadeira da posi\u00e7\u00e3o de ministro da Fazenda, muito pelo contr\u00e1rio. Onde ela mais se via era nas grandes cidades, nos sub\u00farbios, favelas, no campo. A d\u00e9cada foi marcada por saques, revoltas urbanas contra a carestia, greves, pelo desemprego e subemprego, pelo crescimento da pobreza, da mis\u00e9ria e, principalmente, pelo aumento estrondoso da criminalidade, vista nos roubos, seq\u00fcestros, assassinatos e no tr\u00e1fico de drogas, que d\u00e1 um grande salto nessa d\u00e9cada. A criminalidade s\u00f3 aumentou desde ent\u00e3o at\u00e9 hoje.<strong>\nDesilus\u00f5es:\u00a0<\/strong>O governo Sarney n\u00e3o foi ditatorial, mas estava longe de um regime democr\u00e1tico normal, com fortes momentos de autoritarismo. \u00c9 o caso da greve em Volta Redonda em 1988, onde Sarney convocou o Ex\u00e9rcito e este matou tr\u00eas oper\u00e1rios. Sarney prometera fazer uma reforma agr\u00e1ria, assentando 1,5 milh\u00f5es de fam\u00edlias. Acabou o governo assentando apenas 70 mil fam\u00edlias. A viol\u00eancia no campo no per\u00edodo matou 70 pessoas por ano. O pa\u00eds ainda assistiu chocado o assassinato do seringueiro Chico Mendes.<strong>\nImpopularidade e corrup\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>No final de seu governo, Sarney era um dos presidentes mais impopulares da hist\u00f3ria da Rep\u00fablica. Por onde passava, era vaiado com gritos, protestos e at\u00e9 com tentativas de agress\u00f5es f\u00edsicas. A corrup\u00e7\u00e3o dos tempos da ditadura continuou no seu governo, j\u00e1 que os mesmos pol\u00edticos da ditadura faziam parte do governo. CPIs chegaram a propor o seu impedimento devido \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o.<\/blockquote>\n<strong>A nova Constitui\u00e7\u00e3o (1988)<\/strong>\n\n<strong>Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA mais democr\u00e1tica Constitui\u00e7\u00e3o que o pa\u00eds j\u00e1 teve pode ser considerada uma Constitui\u00e7\u00e3o social-democrata, por defender amplos direitos para os trabalhadores e prever uma cidadania participativa..\n\n<strong>Avan\u00e7os:\u00a0<\/strong>A Constitui\u00e7\u00e3o previu um plebiscito, realizado em 93, onde o povo decidiria entre presidencialismo, parlamentarismo ou monarquia e o presidencialismo venceria.\n\nEla acabou definitivamente com a censura e tornou crime inafian\u00e7\u00e1vel a tortura, o tr\u00e1fico de drogas e o terrorismo. Determinava uma carga semanal de 44 horas de trabalho, dava liberdade sindical, amplo direito de greve, licen\u00e7a-paternidade, melhora na remunera\u00e7\u00e3o das f\u00e9rias e da licen\u00e7a-maternidade. A popula\u00e7\u00e3o poderia fazer um projeto de lei ao conseguir 1% das assinaturas de eleitores.\n\n<strong>A aventura de Fernando Collor<\/strong>\n\nA elei\u00e7\u00e3o para o primeiro presidente civil ap\u00f3s quase 30 anos sem elei\u00e7\u00f5es presidenciais n\u00e3o teve um resultado feliz. Diante de uma elei\u00e7\u00e3o estranha, onde os mais tradicionais pol\u00edticos n\u00e3o foram ao segundo turno, vence Fernando Collor. Seu curto governo se caracterizaria pela corrup\u00e7\u00e3o, pelo entreguismo econ\u00f4mico e pelo confisco das poupan\u00e7as.\n\n<strong>As elei\u00e7\u00f5es presidenciais de 89:<\/strong>\n<blockquote><strong>Os candidatos favoritos:<\/strong>\u00a0Estranhamente, as elei\u00e7\u00f5es de 89 levaram para o segundo turno dois candidatos n\u00e3o favoritos \u00e0 presid\u00eancia. Dentre os candidatos, havia Leonel Brizola, s\u00edmbolo do trabalhismo varguista e da Rep\u00fablica populista. Havia ainda Ulisses Guimar\u00e3es, o presidente da Constituinte e grande homem s\u00edmbolo das Diretas J\u00e1. Em fun\u00e7\u00e3o da p\u00e9ssima situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds e por ser a primeira elei\u00e7\u00e3o para presidente fortemente marcada pela televis\u00e3o, esses favoritos perderiam espa\u00e7o para dois n\u00e3o t\u00e3o favoritos.<strong>\nOs n\u00e3o favoritos:<\/strong>\u00a0Lula, apesar de ter sido o deputado federal mais votado do pa\u00eds, era de um partido ainda pequeno. Collor era um pol\u00edtico de fam\u00edlia tradicional em Alagoas, tamb\u00e9m n\u00e3o tinha uma proje\u00e7\u00e3o nacional. A campanha pela TV mudaria isto. Os dois v\u00e3o para o segundo turno.<strong>\nA vit\u00f3ria de Collor:\u00a0<\/strong>Usando de golpes baixos e explorando a televis\u00e3o e a amizade com o dono da empresa que det\u00e9m um monop\u00f3lio na teledifus\u00e3o no pa\u00eds, Collor chega ao poder, apoiado por empres\u00e1rios.<\/blockquote>\n<strong>O governo de Collor<\/strong>\n\n<strong>Confisco das poupan\u00e7as<\/strong>\n\nNo Plano Collor, o presidente confiscaria as contas correntes e cadernetas de poupan\u00e7a de todos os cidad\u00e3os, como afirmara na campanha que Lula faria. O plano, al\u00e9m de deixar milh\u00f5es de pessoas sem dinheiro, n\u00e3o conteve a infla\u00e7\u00e3o ou a d\u00edvida. O Plano Collor II tamb\u00e9m n\u00e3o logrou sucesso.\n<blockquote><strong>Reforma do Estado:<\/strong>\u00a0Collor prop\u00f5e uma reforma do Estado, trata-se de um plano neoliberal, onde foram extintos \u00f3rg\u00e3os da Era Vargas, como o IAA, o IBC, al\u00e9m da Siderbr\u00e1s e a Portobr\u00e1s. Ele vendeu propriedades da Uni\u00e3o, demitiu funcion\u00e1rios p\u00fablicos os maraj\u00e1s, como dizia na campanha, reduziu drasticamente tarifas aduaneiras e deu in\u00edcio a um programa de privatiza\u00e7\u00e3o das empresas estatais. O corte de gastos foi tanto, que o IBGE que fazia censos decenais desde 1940 foi por ele impedido de fazer em 1990, s\u00f3 o fazendo em 1991.<strong>\nEfeitos da reforma do Estado:\u00a0<\/strong>A reforma do Estado prenunciava o que seria, depois, o triunfo do neoliberalismo na pol\u00edtica de Estado. A abertura das tarifas alfandeg\u00e1rias levou a uma quebradeira de ind\u00fastrias nacionais, gerando desemprego e depress\u00e3o econ\u00f4mica. A produ\u00e7\u00e3o industrial do pa\u00eds decresceu 26% em um ano. Com tudo isso, a infla\u00e7\u00e3o n\u00e3o diminuiu sustentavelmente.<strong>\nEsc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Logo, apareceria outra face terr\u00edvel do governo Collor, um amplo esquema de corrup\u00e7\u00e3o que desviava dinheiro p\u00fablico para contas pessoais do presidente. Ao total, foram repassados pela obscura figura de PC Farias, 10 milh\u00f5es de d\u00f3lares para as contas de Collor.<strong>\nOs caras pintadas:\u00a0<\/strong>Diante dos esc\u00e2ndalos revelados pelas CPIs e pelo pr\u00f3prio irm\u00e3o de Collor, a popula\u00e7\u00e3o em sua maioria, estudantes vai \u00e0s ruas pedir o impedimento ou impeachment do presidente.<strong>\nA queda:<\/strong>\u00a0Diante de todas press\u00f5es dentro e fora do meio pol\u00edtico, a situa\u00e7\u00e3o de Collor se tornar\u00e1 insustent\u00e1vel. Uma tropa de choque constitu\u00edda de Roberto Jefferson e Jorge Bornhausen faz a defesa do presidente at\u00e9 os seus \u00faltimos momentos. No entanto, o Congresso vota pelo impedimento e no \u00faltimo momento, Collor renuncia, n\u00e3o deixando de perder os direitos pol\u00edticos por oito anos.<strong>\nMercosul:<\/strong>\u00a0\u00c9 criado em 1991 o Mercado comum do Sul, acordo comercial para redu\u00e7\u00e3o m\u00fatua das taxas aduaneiras de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. Depois, entrariam como s\u00f3cios Chile e Bol\u00edvia, e em 2005, a Venezuela.<\/blockquote>\n<strong>O triunfo do neoliberalismo<\/strong>\n\nA chegada de Fernando Henrique Cardoso o poder, assim como a continuidade de suas pol\u00edticas na economia por Lula, marca o triunfo do neoliberalismo no Brasil.\n\nTrata-se de uma vis\u00e3o que econ\u00f4mica que projeta um Estado necess\u00e1rio. O neoliberalismo \u00e9 fruto de um contexto hist\u00f3rico espec\u00edfico, com o fim da social-democracia, do socialismo real e ascens\u00e3o dos EUA como \u00fanica hiperpot\u00eancia mundial.\n\n<strong>A imposi\u00e7\u00e3o do neoliberalismo no Brasil e a resist\u00eanc<\/strong>ia\n\n<strong>Neoliberalismo, uma defini\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0Com o fim da Uni\u00e3o Sovi\u00e9tica e o fim do perigo comunista, n\u00e3o h\u00e1 mais motivo para a exist\u00eancia do Estado de bem-estar social no mundo e o chamado Estado de mal estar social no Terceiro mundo, a\u00ed inclu\u00eddo o Brasil. A organiza\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas se modifica, com o fortalecimento do capital financeiro.\n\n<strong>S\u00e3o tr\u00eas as mudan\u00e7as defendidas pelo neoliberalismo:<\/strong>\u00a0na rela\u00e7\u00e3o capital-trabalho, concretizado na flexibiliza\u00e7\u00e3o da legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, que \u00e9 na verdade o fim desta; na rela\u00e7\u00e3o Estado-capital, onde o Estado perde tamanho e poder com as privatiza\u00e7\u00f5es e a desregula\u00e7\u00e3o da a\u00e7\u00e3o das empresas; na rela\u00e7\u00e3o entre Estado e cidad\u00e3os, onde o Estado deixa de oferecer os servi\u00e7os fundamentais, acabando com a seguridade social e passando para o mercado a fun\u00e7\u00e3o de prover esses servi\u00e7os b\u00e1sicos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.\n<blockquote><strong>O plano Real:\u00a0<\/strong>O plano Real ainda no governo Itamar, feito por seu ministro da Fazenda FHC, caracteriza-se por indexar o c\u00e2mbio, elevar impostos federais e reduzir os gastos p\u00fablicos, inclusive em educa\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. As taxas alfandeg\u00e1rias v\u00e3o ao ch\u00e3o, trazendo produtos importados baratos, o que segura a infla\u00e7\u00e3o.\nIsso gera uma onda de consumo, o que d\u00e1 grande popularidade a Itamar e ao seu ministro. No entanto, h\u00e1 a\u00ed outro lado. H\u00e1 uma nova quebradeira na ind\u00fastria pelo Real valorizado e pelas taxas alfandeg\u00e1rias baixas. A ind\u00fastria nacional vai \u00e0 pen\u00faria.<strong>\nA elei\u00e7\u00e3o e reelei\u00e7\u00e3o de FHC:<\/strong>\u00a0Com a onda de consumo gerada pelo plano Real, FHC se elege facilmente presidente sobre Lula em 1994, impondo seu plano neoliberal. No meio do governo, o presidente manda para o Congresso a emenda da reelei\u00e7\u00e3o e esta \u00e9 aprovada, havendo um esc\u00e2ndalo de compra de votos na vota\u00e7\u00e3o da emenda. FHC se reelege em 1998.<strong>\nAs conseq\u00fc\u00eancias mal\u00e9ficas do plano:\u00a0<\/strong>Al\u00e9m de quebrar ind\u00fastrias e gerar desemprego, o plano Real, indexando a moeda e baixando as tarifas de importa\u00e7\u00e3o, eleva drasticamente a d\u00edvida externa. Mesmo com a situa\u00e7\u00e3o insustent\u00e1vel, o governo mant\u00e9m o plano at\u00e9 as elei\u00e7\u00f5es de 98. No in\u00edcio de 99, a indexa\u00e7\u00e3o cambial \u00e9 desfeita, tendo a d\u00edvida aumentado drasticamente e comprometendo todo o or\u00e7amento anual do Estado.<strong>\nAs reformas empreendidas por FHC:<\/strong>\u00a0FH afirma que quer acabar com a Era Vargas no Estado brasileiro. V\u00ea-se claramente quais s\u00e3o os seus objetivos quando ele afirma isto. Primeiramente, ele termina com a defesa da ind\u00fastria nacional, com a indexa\u00e7\u00e3o da moeda e com as taxas aduaneiras. P\u00f5e fim ao monop\u00f3lio de extra\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo pela Petrobr\u00e1s, fazendo uma grande reforma administrativa dentro desta empresa.Depois, tenta impor uma s\u00e9rie de privatiza\u00e7\u00f5es, n\u00e3o conseguindo todas. Privatiza todo o sistema Telebr\u00e1s por U$22 bilh\u00f5es e a Vale do Rio Doce. A CSN j\u00e1 havia sido privatizada na gest\u00e3o de Itamar por U$1 bilh\u00e3o. Extingue a SUDENE e a SUDAM.<strong>\nAs reformas que ele queria fazer:<\/strong>\u00a0FHC tinha ainda o plano de fazer mais privatiza\u00e7\u00f5es, o que poderia incluir o sistema Eletrobr\u00e1s todo\u00a0 parte dele foi privatizado por ele, a Petrobr\u00e1s, o BB, a Caixa Econ\u00f4mica e as universidades p\u00fablicas.\u00a0<strong>Queria ainda fazer uma s\u00e9rie de reformas:<\/strong>\u00a0a previdenci\u00e1ria, feita por Lula que limitaria todas as aposentadorias e imporia a contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria aos inativos; a trabalhista, que flexibilizaria as rela\u00e7\u00f5es trabalhistas, ou melhor, iria extingui-las; a tribut\u00e1ria, que reduziria impostos e n\u00e3o escalonaria o imposto de renda.<strong>\nA resist\u00eancia:<\/strong>\u00a0Nas ruas e nas empresas p\u00fablicas, uma s\u00e9rie de manifesta\u00e7\u00f5es, passeatas e greves eclodem contra as privatiza\u00e7\u00f5es e as reformas neoliberais. Os movimentos sociais e, na \u00e9poca, o PT se mobilizam, tendo import\u00e2ncia no impedimento de algumas reformas e privatiza\u00e7\u00f5es.<strong>\nO governo Lula:<\/strong>\u00a0Apesar de toda a esperan\u00e7a, o governo Lula manteve as linhas principais do governo anterior, aceitando guardar grandes somas do dinheiro p\u00fablico para o pagamento da d\u00edvida p\u00fablica e mantendo o cronograma de reformas, inclusive conseguindo aprovar a reforma da previd\u00eancia.<\/blockquote>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Maria da Concei\u00e7\u00e3o Tavares\/www.encyclopedia.com\/www.historiatecabrasil.com\/www.vetorvestibular.com.br\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Nova Rep\u00fablica, Brasil, Brasileira, Per\u00edodo, Hist\u00f3ria, Regime Militar, Governo, Caracter\u00edsticas, Transi\u00e7\u00e3o, Revolu\u00e7\u00e3o, Nova Rep\u00fablica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9912,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25967","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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