{"id":25961,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/manoel-deodoro-da-fonseca-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:44","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:44","slug":"manoel-deodoro-da-fonseca-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/biografias\/manoel-deodoro-da-fonseca-4\/","title":{"rendered":"Manoel Deodoro da Fonseca"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-04.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"245\" height=\"340\" \/>\n<b>Manoel Deodoro da Fonseca<\/b><\/p>\n\n<h4>Biografia<\/h4>\n<strong>Manoel Deodoro da Fonseca <\/strong>nasceu em Alagoas, em 1827, combateu revoltas contra o Imp\u00e9rio e lutou nas guerras do Prata e do Paraguai, alcan\u00e7ando o posto de marechal, em 1884.\n\nNo ano seguinte, foi nomeado comandante de armas do Rio Grande do Sul e l\u00e1 mesmo se envolveu com os fatos que o colocariam, a sua revelia, na lideran\u00e7a do movimento que acabou com o sistema mon\u00e1rquico.\n\nEm 1886, foi para o Rio de Janeiro, assumindo a chefia da fac\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito que era favor\u00e1vel \u00e0 liberta\u00e7\u00e3o dos escravos.\n\nComo presidente, sofreu violenta oposi\u00e7\u00e3o do Congresso, que tentou vencer articulando um golpe de Estado.\n\n<strong>N\u00e3o contava, por\u00e9m, com a resist\u00eancia do Ex\u00e9rcito, chefiada pelo vice-presidente, Marechal Floriano Peixoto e, em 1891, cansado e desiludido, renunciou ao cargo com a seguinte frase:<\/strong> &#8220;Assino o decreto de alforria do \u00faltimo escravo do Brasil&#8221;.\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<blockquote><b>Primeiro Per\u00edodo de Governo Republicano: <\/b>25.02.1891 a 15.11.1894 <b>\n1\u00aa fase: <\/b>25.02.1891 a 23.11.1891 <b>\nNascimento: <\/b>Alagoas (hoje, Marechal Deodoro) &#8211; AL, em 05.08.1827 <b>\nFalecimento:<\/b> Rio de Janeiro (DF) &#8211; RJ, em 23.08.1892 <b>\nProfiss\u00e3o: <\/b>Militar (Marechal) <b>\nPer\u00edodo de Governo:<\/b> 26.02.1891 a 23.11.1891 (08m28d) <b>\nIdade ao assumir: <\/b>63 anos <b>\nTipo de elei\u00e7\u00e3o:<\/b> indireta <b>\nVotos recebidos: <\/b>129 (cento e vinte e nove) <b>\nPosse:<\/b> em 26.02.1891, na Sess\u00e3o de Assembl\u00e9ia Geral do Congresso Nacional, presidida pelo Senhor Prudente Jos\u00e9 de Moraes Barros. <b>\nObserva\u00e7\u00e3o: <\/b>Renuncia ao cargo de Presidente da Rep\u00fablica em 23.11.1891<\/blockquote>\nFonte: www.ibgeteen.com.br\/www.planalto.gov.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\n\n<h4>Hist\u00f3ria<\/h4>\n<h4>Inf\u00e2ncia e Forma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<b>Manoel Deodoro da Fonseca <\/b>nasceu em Alagoas, atual Deodoro, no Estado de Alagoas. Pertencia a uma fam\u00edlia ilustre. Eram dez irm\u00e3os; os oito homens escolheram a carreira militar. Da mesma fam\u00edlia fizeram parte o Marechal Rufino En\u00e9ias da Fonseca Galv\u00e3o, visconde de Pelotas, ministro da Guerra do \u00faltimo gabinete imperial, e o Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, que ocupou a presid\u00eancia da Rep\u00fablica de 1910 a 1914.\n\nA forma\u00e7\u00e3o militar de Deodoro iniciou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, na qual ingressou ap\u00f3s concluir estudos de n\u00edvel m\u00e9dio, sendo reconhecido cadete em 1843.\n\nA Carreira Militar de Deodoro come\u00e7ou em 1848, na repress\u00e3o \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o Praieira, em Pernambuco. De volta ao Rio de Janeiro, foi promovido a capit\u00e3o, regressando a Pernambuco em 1856. Da\u00ed foi transferido, em 1859, para Mato Grosso, onde permaneceu tr\u00eas anos.\n\nEm dezembro de 1864 Deodoro incorporou-se \u00e0 Brigada Expedicion\u00e1ria do Rio da Prata. Assistiu \u00e0 queda de Montevid\u00e9u, um ano depois, seguindo direto para campanha do Paraguai. Retornou \u00e0 Corte em 1873 foi promovido a brigadeiro (posto extinto, que equivalia a general-de-brigada).\n\nEm 1883 foi designado comandante das armas da prov\u00edncia do Rio Grande do Sul. No ano seguinte, fora do cargo, recebeu a patente de marechal-de-campo, antepen\u00faltimo posto do Ex\u00e9rcito imperial, para novamente assumir o cargo, em 1885, quando Henrique de Lucena, o bar\u00e3o de Lucena, presidia a prov\u00edncia.\n\nO Envolvimento Pol\u00edtico de Deodoro come\u00e7ou com o afastamento do bar\u00e3o de Lucena, quando Deodoro passou a acumular a presid\u00eancia e o comando das armas da prov\u00edncia. Evolu\u00eda na \u00e9poca a Quest\u00e3o Militar (s\u00e9rie de conflitos envolvendo militares e o governo imperial), com repercuss\u00e3o nos principais centros do pa\u00eds. O jornal republicano A Federa\u00e7\u00e3o publicou um artigo do tenente-coronel Senna Madureira, condenando puni\u00e7\u00f5es infligidas a oficiais do Ex\u00e9rcito. Deodoro foi chamado a declarar se autorizava o artigo, e tentou inocentar seu subordinado. O ministro da Guerra, insatisfeito, resolveu punir pela segunda vez Senna Madureira, mas Deodoro recusou-se a transmitir a repreens\u00e3o. Mesmo diante da interven\u00e7\u00e3o pessoal do bar\u00e3o de Cotejipe, chefe do gabinete, Deodoro n\u00e3o recuou, e foi demitido de suas fun\u00e7\u00f5es no Rio Grande do Sul.\n\nNo Rio de Janeiro ganhava for\u00e7a a campanha pela anula\u00e7\u00e3o das puni\u00e7\u00f5es. Deodoro e Senna Madureira presidiram uma reuni\u00e3o de cerca de 200 oficiais, que enviaram uma mo\u00e7\u00e3o ao Imperador. Em maio de 1887, um manifesto assinado por Deodoro e pelo visconde de Pelotas agravou a crise. O Imp\u00e9rio, afinal, cancelou as puni\u00e7\u00f5es.\n\nNovas crises se sucederam. Apoiado pelos republicanos e abolicionistas, Deodoro candidatou-se ao Senado, mas fracassou diante da m\u00e1quina do Partido Conservador. Na presid\u00eancia do Clube Militar, fez aprovar uma mo\u00e7\u00e3o solicitando \u00e0 princesa Isabel que dispensasse o Ex\u00e9rcito da tarefa de perseguir escravos fugidos, por considerar esse papel indigno das For\u00e7as Armadas. Jo\u00e3o Alfredo de Oliveira, chefe do novo gabinete conservador, manobrou para afastar Deodoro da Corte. Em dezembro de 1888, cumprindo ordens do ministro da Guerra, Deodoro partiu para Corumb\u00e1, a fim de assumir o comando das armas do Mato Grosso. Mas, quando o coronel Augusto da Cunha Matos, oficial de patente inferior \u00e0 sua, foi nomeado presidente da prov\u00edncia, Deodoro abandonou o cargo, sem consentimento pr\u00e9vio do ministro da Guerra, e retornou ao Rio de Janeiro.\n<h4>Governo Provis\u00f3rio<\/h4>\nA Escolha de Deodoro para chefiar o governo provis\u00f3rio deveu-se \u00e0 sua inquestion\u00e1vel lideran\u00e7a no epis\u00f3dio militar que resultou na <strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong>.\n\nEssa lideran\u00e7a n\u00e3o significava, entretanto, que ele pudesse congregar em torno de si, por tempo duradouro, as diferentes correntes momentaneamente associadas para liquidar a monarquia.\n\nAs crises n\u00e3o tardariam a envolver o novo regime. Eram reflexo da multiplicidade de interesses que determinaram o advento da Rep\u00fablica. Cafeicultores ansiosos por um regime mais aberto, que lhes garantisse o controle efetivo do poder, oligarquias locais de toda esp\u00e9cie, escravistas descontentes com a Aboli\u00e7\u00e3o, uma classe m\u00e9dia urbana emergente, representada pelos ideais do liberalismo e, ao mesmo tempo, pela inquieta\u00e7\u00e3o militar &#8211; todas essas for\u00e7as, muitas vezes sem delinear claramente seus objetivos, compunham o cen\u00e1rio pol\u00edtico da nascente republicana. Al\u00e9m destas havia os positivistas e os monarquistas tradicionais, que aderiram em massa ao novo regime. Nesse quadro complexo, o Partido Republicano Paulista e o Ex\u00e9rcito eram as \u00fanicas for\u00e7as organizadas. De seu confronto nasceria a sucess\u00e3o de crises que marcou o breve governo de Deodoro.\n<h4>Governo Constitucional<\/h4>\nA Assembl\u00e9ia Constituinte reuniu-se em 15 de novembro de 1890 para votar a Constitui\u00e7\u00e3o e eleger o primeiro presidente constitucional. O governo provis\u00f3rio j\u00e1 apresentava sinais de desagrega\u00e7\u00e3o. De um lado, alinhavam-se as for\u00e7as civis, interessadas na imediata vig\u00eancia do regime constitucional e lideradas pelo Partido Republicano Paulista; de outro, as for\u00e7as militares e positivistas, que defendiam a continua\u00e7\u00e3o de Deodoro. A crise transparecia numa s\u00e9rie de pequenas quest\u00f5es transformadas em ponto de honra pela intransig\u00eancia dos ministros.\n\nEm novembro, o empastelamento do jornal monarquista A Tribuna Liberal chegou a provocar a demiss\u00e3o do minist\u00e9rio, que foi reconsiderada diante da amea\u00e7a de ren\u00fancia de Deodoro. Mas, pouco depois, o pr\u00f3prio Deodoro for\u00e7aria a ren\u00fancia coletiva do pr\u00f3prio minist\u00e9rio, concretizada em 20 de janeiro de 1891, quando os ministros insistiram em n\u00e3o aprovar a forma como Deodoro queria empreitar as obras do porto Torres, no Rio Grande do Sul, entregues a um amigo seu.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-05.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"235\" height=\"228\" \/><b>\nManoel Deodoro da Fonseca<\/b><\/p>\nNa Assembl\u00e9ia, o Partido Republicano Paulista ampliou suas base, elegendo Prudente de Morais Presidente da mesa do Congresso, derrotando o candidato do governista. A Assembl\u00e9ia Constituinte aprovou o anteprojeto constitucional &#8211; praticamente refeito por Rui Barbosa -, mantendo os principais federativos e reduzindo de seis para quatro anos o mandato presidencial, pois temia-se a longa perman\u00eancia de Deodoro no poder. Finalmente, pressionado pelos militares, que amea\u00e7aram dissolv\u00ea-la, a Assembl\u00e9ia elegeu Deodoro da Fonseca presidente e Floriano Peixoto vice-presidente da Rep\u00fablica. Na posse, Deodoro foi recebido com frieza.\n\nA vit\u00f3ria n\u00e3o seria capaz de garantir-lhe o poder, tanto que no dia 23 de novembro de 1891, Deodoro optou pela ren\u00fancia, passando o governo a Floriano Peixoto no pr\u00f3prio dia 23.\n\nFonte: www.clubemilitar.com.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-06.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"243\" height=\"310\" \/><b>\nManoel Deodoro da Fonseca<\/b><\/p>\n<b>Marechal Manoel Deodoro da Fonseca<\/b>, (Marechal Deodoro, AL; 5 de agosto de 1827; &#8211; Rio de Janeiro, RJ; 23 de agosto de 1892).\n\nOficial militar e pol\u00edtico brasileiro, proclamador da Rep\u00fablica e primeiro Presidente do Brasil.\n\nFilho de Manuel Mendes da Fonseca (1785 &#8211; 1859) e de Rosa Maria Paulina da Fonseca (1802 &#8211; 1873). Seu pai tamb\u00e9m foi militar, chegando \u00e0 patente de Tenente-Coronel, e pertencia ao Partido Conservador.\n\n<strong>Deodoro tinha duas irm\u00e3s e sete irm\u00e3os, tr\u00eas dos quais morreram na Guerra do Paraguai:<\/strong> Afonso Aur\u00e9lio da Fonseca (oca\u00e7ula), alferes do 34\u00ba Batalh\u00e3o dos Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria, o Capit\u00e3o Hip\u00f3lito Mendes da Fonseca, morto na Batalha de Curupaiti, e o Major Eduardo Emiliano da Fonseca, morto no combate da ponte de Itoror\u00f3.\n\nSeu irm\u00e3o mais velho, Hermes Ernesto da Fonseca, chegou ao posto de Marechal-de-Ex\u00e9rcito. Foi tamb\u00e9m presidente da Prov\u00edncia de Mato Grosso, governador da Bahia e comandante-de-armas nas prov\u00edncias da Bahia e do Par\u00e1. Foi pai de Hermes Rodrigues da Fonseca, que alcan\u00e7aria a patente de Marechal viria a ser o oitavo presidente da Rep\u00fablica do Brasil.\n\n<strong>Dois outros de seus irm\u00e3os se destacaram na carreira militar e pol\u00edtica:<\/strong> Severiano Martins da Fonseca, que chegou ao posto de Marechal-de-Campo, recebeu o t\u00edtulo nobili\u00e1rquico de Bar\u00e3o de Alagoas e foi diretor da Escola Militar de Porto Alegre; e Pedro Paulino da Fonseca, que foi Coronel honor\u00e1rio do Ex\u00e9rcito brasileiro, chefe do governo das Alagoas e Senador da Rep\u00fablica pelo mesmo estado.\n\nEm 1843, aos 16 anos, Deodoro matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, terminando em 1847 o curso de Artilharia. Em 1845, j\u00e1 era cadete de primeira classe. Em 1848, participou de sua primeira a\u00e7\u00e3o militar, ajudando na repress\u00e3o da Revolta Praieira, insurrei\u00e7\u00e3o promovida pelos liberais de Pernambuco.\n\nCasou-se aos 33 anos, no dia 16 de abril de 1860, com Mariana Cec\u00edlia de Souza Meireles, considerada pelos bi\u00f3grafos mulher educada, religiosa, modesta e prendada. O casal n\u00e3o teve filhos. H\u00e1 quem afirme que Deodoro fosse est\u00e9ril. Seu sobrinho, Hermes da Fonseca, que tamb\u00e9m chegou \u00e0 Presid\u00eancia, era tratado por Deodoro como um filho.\n\nEm 1852, foi promovido a primeiro-tenente. Em 24 de dezembro de 1856, recebeu a patente de Capit\u00e3o. Em dezembro de 1864, participou do cerco \u00e0 Montevid\u00e9u, durante a interven\u00e7\u00e3o militar brasileira contra o governo de Atanasio Aguirre no Uruguai. Pouco depois, o Uruguai, sob novo governo, mais o Brasil e a Argentina firmariam a Tr\u00edplice Alian\u00e7a, contra a ofensiva do ditador paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez.\n\nEm mar\u00e7o de 1865, rumou com o Ex\u00e9rcito brasileiro para o Paraguai, que havia invadido a prov\u00edncia do Mato Grosso. Deodoro comandava o 2o Batalh\u00e3o de Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. Seu desempenho no combate lhe garantiu men\u00e7\u00e3o especial na ordem do dia 25 de agosto de 1865. No ano seguinte, recebeu comenda no grau de Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro e, em 22 de agosto, a patente de Major.\n\nEm 18 de janeiro de 1868 foi promovido a Tenente-Coronel, por atos de bravura. Tamb\u00e9m por atos de bravura, recebeu a patente de Coronel, em 11 de dezembro do mesmo ano. Pelo decreto de 14 de outubro de 1874, Deodoro foi promovido a Brigadeiro, patente equivalente ao atual General-de-Brigada. Em 1885, tornou-se pela segunda vez comandante d&#8217;armas da Provincia do Rio Grande do Sul, cargo exercido juntamente com o de Vice-Presidente da Prov\u00edncia.\n\nTornaria-se, depois, Presidente interino dessa mesma Prov\u00edncia. Em 30 de agosto de 1887, recebia a patente de Marechal-de-Campo.\n\nPelo seu envolvimento na &#8220;Quest\u00e3o Militar&#8221; \u0096 confronto das classes armadas com o governo civil do Imp\u00e9rio \u0096 Deodoro foi chamado de volta ao Rio de Janeiro.\n\nNa verdade, o Marechal Deodoro havia permitido que a oficialidade da guarni\u00e7\u00e3o de Porto Alegre se manifestasse politicamente, o que era proibido pelo governo imperial. Chegando ao Rio, Deodoro foi festivamente recebido por seus colegas e pelos alunos da Escola Militar. Foi, ent\u00e3o, eleito primeiro presidente do Clube Militar, entidade que ajudara a constituir.\n\nEm 1888 Deodoro foi nomeado para o comando militar do Mato Grosso. Permaneceu no posto somente at\u00e9 meados de 1889, quando voltou para o Rio de Janeiro.\n\nA despeito da intensa propaganda republicana, a ideia da mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico n\u00e3o ecoava no pa\u00eds. Em 1884, foram eleitos para a C\u00e2mara dos Deputados, apenas tr\u00eas republicanos, inclusive os futuros Presidentes da Rep\u00fablica Prudente de Morais e Campos Sales. Na legislatura seguinte, apenas um conseguiu ser eleito. Na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o parlamentar realizada no Imp\u00e9rio, a 31 de agosto de 1889, o Partido Republicano s\u00f3 elegeu dois Deputados.\n\nPercebendo que n\u00e3o conseguiriam realizar seu projeto pol\u00edtico pelo voto, os republicanos optaram por concretizar suas ideias atrav\u00e9s de um golpe militar. Para tanto, procuraram capitalizar o descontentamento crescente das classes armadas com o governo civil do Imp\u00e9rio, desde a Quest\u00e3o Militar. Precisavam, todavia, de um l\u00edder de suficiente prest\u00edgio na tropa, para levarem a efeito seus planos.\n\nFoi assim que os republicanos passaram a aproximar-se de Deodoro, procurando seu apoio para um golpe de for\u00e7a contra o governo imperial. O que foi dif\u00edcil, visto ser Deodoro homem de convic\u00e7\u00f5es monarquistas, que declarava ser amigo do Imperador e lhe dever favores. Dizia ainda Deodoro querer acompanhar o caix\u00e3o do velho Imperador.\n\nEm 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram correr o boato, absolutamente sem fundamento, de que o governo do Primeiro-Ministro liberal Visconde de Ouro Preto havia expedido ordem de pris\u00e3o contra o Marechal Deodoro e o l\u00edder dos oficiais republicanos, o Tenente-Coronel Benjamin Constant. Tratava-se de proclamar a Rep\u00fablica antes que se instalasse o novo Parlamento, rec\u00e9m-eleito, cuja abertura estava marcada para o dia 20 de novembro.\n\nA falsa not\u00edcia de que sua pris\u00e3o havia sido decretada foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o governo imperial. Pela manh\u00e3 do dia 15 de novembro de 1889, o Marechal reuniu algumas tropas e as p\u00f4s em marcha para o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclama\u00e7\u00e3o, hoje chamado Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Penetrando no Quartel-General do Ex\u00e9rcito, Deodoro decretou a demiss\u00e3o do Minist\u00e9rio Ouro Preto \u0096 provid\u00eancia de pouca valia, visto que os pr\u00f3prios Ministros, cientes dos \u00faltimos acontecimentos, j\u00e1 haviam telegrafado ao Imperador, que estava em Petr\u00f3polis &#8211; RJ, pedindo demiss\u00e3o.\n\nNingu\u00e9m falava em proclamar a Rep\u00fablica, tratava-se apenas de trocar o Minist\u00e9rio, e o pr\u00f3prio Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou um &#8220;Viva Sua Majestade, o Imperador!&#8221;\n\nEnquanto isso, D. Pedro II, tendo descido para o Rio de Janeiro, em vista da situa\u00e7\u00e3o, reuniu o Conselho de Estado no Pa\u00e7o Imperial e, depois de ouvi-lo, decidiu aceitar a demiss\u00e3o pedida pelo Visconde de Ouro Preto e organizar novo Minist\u00e9rio.\n\nOs republicanos precisavam agir r\u00e1pido, para aproveitar os acontecimentos e convencer Deodoro a romper de vez os la\u00e7os com a monarquia. Valeram-se de outra not\u00edcia falsa. Quintino Bocai\u00fava e o Bar\u00e3o de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro, para informar-lhe que o novo Primeiro-Ministro, escolhido pelo Imperador, era Gaspar Silveira Martins, pol\u00edtico ga\u00facho com quem o Marechal n\u00e3o se dava por conta de terem disputado o amor da mesma mulher na juventude. Assim, foi Deodoro convencido a derrubar o regime.\n\nPelas tr\u00eas horas da tarde, reunidos alguns republicanos e Vereadores na C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro, foi lavrada uma ata, declarando solenemente proclamada a Rep\u00fablica no Brasil, que foi levada ao Marechal Deodoro.\n\n\u00c0 noite do dia 15, o Imperador encarregou o Conselheiro Jos\u00e9 Antonio Saraiva de presidir o novo Minist\u00e9rio. O novo Primeiro-Ministro se dirige por escrito ao Marechal, comunicando-lhe a decis\u00e3o do Imperador, ao que responde Deodoro que j\u00e1 havia concordado em assinar os primeiros atos que estabeleciam o regime republicano e federativo.\n\nFonte: www.integralismo.org.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<h4>1891<\/h4>\nEmbora a constitui\u00e7\u00e3o de 1891 determinasse que o Presidente da Rep\u00fablica seria eleito pelo voto direto da popula\u00e7\u00e3o, afirmava tamb\u00e9m que, ap\u00f3s a sua promulga\u00e7\u00e3o, o primeiro presidente seria eleito excepcionalmente pelo Congresso. Foi isso que ocorreu.\n\nCandidataram-se ao cargo de Presidente o <strong>Mal. Deodoro da Fonseca<\/strong> e o Presidente do Congresso Prudente de Morais; \u00e0 vice-presid\u00eancia concorreram o ex-ministro da Marinha almirante Eduardo Wandenkolk e o ex-ministro da Guerra, Mal. Floriano Peixoto. (OBS. A Constitui\u00e7\u00e3o prescrevia que, diferentemente de hoje, se candidatam em chapas separadas o Presidente e o Vice.) Foi vitoriosa a chapa dos dois marechais, embora a vota\u00e7\u00e3o de seus concorrentes demonstrasse a exist\u00eancia de uma ponder\u00e1vel for\u00e7a pol\u00edtica oposta ao governo. A oposi\u00e7\u00e3o a Deodoro formara-se durante o Governo Provis\u00f3rio, chegando mesmo a transformar-se em s\u00e9ria dissid\u00eancia entre aqueles que haviam criado o novo regime.\n\nO novo Presidente da Rep\u00fablica era amigo pessoal de D. Pedro II, sendo question\u00e1vel sua legitimidade para assumir o controle do novo regime pol\u00edtico. A oposi\u00e7\u00e3o acusava-o, ademais, de ser defensor da monarquia. Sua atua\u00e7\u00e3o, contudo, n\u00e3o demonstrou que tentava restaur\u00e1-la.\n\nHabituado \u00e0 disciplina militar o velho marechal irritava-se profundamente com a viol\u00eancia dos ataques que lhe eram desferidos pelos advers\u00e1rios.\n\n<strong>Com a aprova\u00e7\u00e3o de uma lei sobre a responsabilidade do Presidente da Rep\u00fablica, provavelmente preparando o caminho para um impeachment, Deodoro resolveu atacar o Congresso:<\/strong> em 3 de novembro de 1891 dissolvia-o, malgrado n\u00e3o ter poderes constitucionais para isso e, confiado no Ex\u00e9rcito, proclamava estado de s\u00edtio.\n\nApenas o governador do Par\u00e1, Lauro Sodr\u00e9, n\u00e3o apoiou o golpe de Deodoro. No Rio Grande do Sul, por\u00e9m, alguns militares aliados aos elementos da oposi\u00e7\u00e3o ao governo depuseram o governador J\u00falio de Castilhos constituindo uma junta governativa pitorescamente cognominada de governicho. Paralelamente, o almirante Cust\u00f3dio Melo, no Rio de Janeiro, toma a iniciativa de anular o golpe de Deodoro; na manh\u00e3 de 23 de novembro, ocupa v\u00e1rios navios e, amea\u00e7ando bombardear a cidade, intima o governo a render-se (1a. Revolta da Armada).\n\nConquanto Deodoro contasse com o apoio da maioria da guarni\u00e7\u00e3o militar, preferiu renunciar ao poder, evitando assim uma guerra civil. Ao entregar o governo ao Vice-presidente Floriano Peixoto, encerrava sua carreira pol\u00edtica e militar.\n\nFonte: elogica.br.inter.net\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<b>Nome: <\/b>Manoel Deodoro da Fonseca\n<b>Nascimento:<\/b> 5 de agosto de 1827\n<b>Local:<\/b> Na cidade de Alagoas, hoje conhecida como Marechal Deodoro, no estado de Alagoas.\n<b>Profiss\u00e3o: <\/b>Militar\n<b>Falecimento: <\/b>23 de agosto de 1892\n<h4>A\u00e7\u00f5es<\/h4>\nDurante o Imp\u00e9rio participa da brigada expedicion\u00e1ria ao rio da Prata, do cerco a Montevid\u00e9u e da Guerra do Paraguai. Em 1885, \u00e9 presidente da prov\u00edncia do Rio Grande do Sul. Preside o Clube Militar (1887-1889) e comanda os setores antiescravistas do Ex\u00e9rcito. Assume a chefia do governo provis\u00f3rio da Rep\u00fablica em 15 de novembro de 1889. Por meio de elei\u00e7\u00e3o indireta, passa a exercer a presid\u00eancia em 25 de fevereiro de 1891. Faleceu no Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1892.\n<h4>Enquanto Presidente<\/h4>\nO fim do Imp\u00e9rio traz conseq\u00fcentemente o banimento da fam\u00edlia imperial para a Europa, ato revertido em 1922. A proclama\u00e7\u00e3o do governo provis\u00f3rio da Rep\u00fablica, em 15 de novembro de 1889, estabeleceu, entre outras transforma\u00e7\u00f5es, a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado. Com a institui\u00e7\u00e3o do casamento civil e da laiciza\u00e7\u00e3o (substituir o pessoal religioso por pessoal laico) dos cemit\u00e9rios. Em 1890, foi criado o C\u00f3digo Penal brasileiro, reformado o C\u00f3digo Comercial e no ano seguinte, promulgada a primeira Constitui\u00e7\u00e3o republicana do pa\u00eds. Tinha inspira\u00e7\u00e3o liberal e parecida com o modelo norte americano. O sistema pol\u00edtico brasileiro passou a ser baseado no presidencialismo, federalismo e no regime de representatividade. Foram criados os tr\u00eas poderes de governo, Executivo, Legislativo e Judici\u00e1rio, extinguindo-se conseq\u00fcentemente, as institui\u00e7\u00f5es do Imp\u00e9rio-Conselho de Estados, o Poder Moderador e o Senado vital\u00edcio. Atrav\u00e9s das leis iniciais da Rep\u00fablica, foi regulamentado o uso dos s\u00edmbolos nacionais (hino, bandeira, selos e armas), tamb\u00e9m as datas comemorativas de \u00e2mbito nacional, que inclu\u00edram o 14 de julho, em refer\u00eancia \u00e0 data francesa e ao esp\u00edrito republicano revolucion\u00e1rio. A pol\u00edtica econ\u00f4mica, com o ministro da Fazenda Rui Barbosa, foi marcada pelo \u0093encilhamento\u0094. Caracterizou-se pelo incentivo \u00e0 emiss\u00e3o de moeda por alguns bancos e \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de sociedades an\u00f4nimas. Resultando em forte especula\u00e7\u00e3o financeira e na fal\u00eancia de bancos e empresas. A forma\u00e7\u00e3o de um novo minist\u00e9rio liderado pelo bar\u00e3o de Lucena \u0096 pol\u00edtico ligado \u00e0 monarquia \u0096, a tentativa de centraliza\u00e7\u00e3o do poder e as resist\u00eancias encontradas no meio militar, levaram o pa\u00eds a uma crise pol\u00edtica, que teve seu auge na dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional. Imediatamente se organizaram as for\u00e7as legalistas, que levaram \u00e0 ren\u00fancia de Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891.\n\nNesse per\u00edodo, houve uma crescente industrializa\u00e7\u00e3o, urbaniza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds e o aumento da grande imigra\u00e7\u00e3o europ\u00e9ia para o Brasil. S\u00f3 no ano de 1891 foi registrada a entrada de 216 mil estrangeiros.\n\nNo plano externo, a <strong>proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong>, ocorrida em meio \u00e0 realiza\u00e7\u00e3o da I Confer\u00eancia Internacional Americana, aproximou, diplomaticamente, o Brasil dos Estados Unidos da Am\u00e9rica. Em 1890, \u00c9mile Zola publicou A besta humana, e no ano seguinte, Conan Doyle publicou, na Inglaterra, as Aventuras de Sherlock Holmes.\n\nFonte: www.eleger.com.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-07.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"199\" height=\"249\" \/><b>\nManoel Deodoro da Fonseca <\/b><\/p>\n\n<h4>Presidente do Brasil<\/h4>\n<blockquote><b>Mandato: <\/b>15 de novembro de 1889 at\u00e9 23 de novembro de 1891\n<b>Vice-presidente: <\/b>Floriano Peixoto\n<b>Precedido por: <\/b>Imperador Dom Pedro II\n<b>Sucedido por: <\/b>Floriano Peixoto\n<b>Data de nascimento: <\/b>5 de agosto de 1827\n<b>Local de nascimento: <\/b>cidade de Alagoas\n<b>Data da morte: <\/b>23 de agosto de 1892\n<b>Local da morte: <\/b>Rio de Janeiro\n<b>Primeira-dama: <\/b>Mariana Cec\u00edlia de Sousa Meireles\n<b>Profiss\u00e3o: <\/b>Militar<\/blockquote>\n<b>Manoel Deodoro da Fonseca<\/b> (Cidade de Alagoas, 5 de agosto de 1827 \u0097 Rio de Janeiro, 23 de agosto de 1892) foi um militar e pol\u00edtico brasileiro, proclamador da Rep\u00fablica e primeiro presidente do Brasil.\n<h4>Juventude<\/h4>\nEm 1843, aos dezesseis anos, Deodoro matriculou-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, terminando em 1847 o curso de Artilharia. Em 1845, j\u00e1 era cadete de primeira classe. Em 1848, participou de sua primeira a\u00e7\u00e3o militar, ajudando na repress\u00e3o da Revolta Praieira, insurrei\u00e7\u00e3o promovida pelos liberais de Pernambuco.\n\nCasou-se aos 33 anos, no dia 16 de abril de 1860, com Mariana Cec\u00edlia de Sousa Meireles, considerada pelos bi\u00f3grafos mulher educada, religiosa, modesta e prendada. O casal n\u00e3o teve filhos. H\u00e1 quem afirme que Deodoro fosse est\u00e9ril. Seu sobrinho, Hermes da Fonseca, que tamb\u00e9m chegou \u00e0 Presid\u00eancia, era tratado por Deodoro como um filho.\n<h4>Carreira militar<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-08.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"193\" height=\"232\" \/>\nMarechal Deodoro da Fonseca (1889-1891)<\/b><\/p>\nEm 1852, foi promovido a primeiro-tenente. Em 24 de dezembro de 1856, recebeu a patente de Capit\u00e3o. Em dezembro de 1864, participou do cerco \u00e0 Montevid\u00e9u, durante a interven\u00e7\u00e3o militar brasileira contra o governo de Atanasio Aguirre no Uruguai. Pouco depois, o Uruguai, sob novo governo, mais o Brasil e a Argentina firmariam a Tr\u00edplice Alian\u00e7a, contra a ofensiva do ditador paraguaio Francisco Solano L\u00f3pez.\n\nEm mar\u00e7o de 1865, rumou com o Ex\u00e9rcito brasileiro para o Paraguai, que havia invadido a prov\u00edncia de Mato Grosso. Deodoro comandava o segundo Batalh\u00e3o de Volunt\u00e1rios da P\u00e1tria. Seu desempenho no combate lhe garantiu men\u00e7\u00e3o especial na ordem do dia 25 de agosto de 1865. No ano seguinte, recebeu comenda no grau de Cavaleiro da Ordem do Cruzeiro e, em 22 de agosto, a patente de Major.\n\nEm 18 de janeiro de 1868 foi promovido a tenente-coronel, por atos de bravura. Tamb\u00e9m por atos de bravura, recebeu a patente de Coronel, em 11 de dezembro do mesmo ano. Pelo decreto de 14 de outubro de 1874, Deodoro foi promovido a brigadeiro, patente equivalente ao atual general-de-brigada. Em 1885, tornou-se pela segunda vez comandante d&#8217;armas da Provincia do Rio Grande do Sul, cargo exercido juntamente com o de vice-presidente da prov\u00edncia. Tornar-se-ia, depois, presidente interino dessa mesma prov\u00edncia. Em 30 de agosto de 1887, recebia a patente de marechal-de-campo.\n\nPelo seu envolvimento na &#8220;Quest\u00e3o Militar&#8221; \u0096 confronto das classes armadas com o governo civil do Imp\u00e9rio \u0096 Deodoro foi chamado de volta ao Rio de Janeiro.\n\nNa verdade, o Marechal Deodoro havia permitido que a oficialidade da guarni\u00e7\u00e3o de Porto Alegre se manifestasse politicamente, o que era proibido pelo governo imperial. Chegando ao Rio, Deodoro foi festivamente recebido por seus colegas e pelos alunos da Escola Militar. Foi, ent\u00e3o, eleito primeiro presidente do Clube Militar, entidade que ajudara a constituir.\n\nEm 1888 Deodoro foi nomeado para o comando militar do Mato Grosso. Permaneceu no posto somente at\u00e9 meados de 1889, quando voltou para o Rio de Janeiro.\n<h4>A Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/h4>\nA despeito da intensa propaganda republicana, a ideia da mudan\u00e7a de regime pol\u00edtico n\u00e3o ecoava no pa\u00eds. Em 1884, foram eleitos para a C\u00e2mara dos Deputados, apenas tr\u00eas republicanos, entre eles os futuros presidentes da Rep\u00fablica Prudente de Morais e Campos Sales. Na legislatura seguinte, apenas um conseguiu ser eleito. Na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o parlamentar realizada no Imp\u00e9rio, a 31 de agosto de 1889, o Partido Republicano s\u00f3 elegeu dois Deputados.\n\nPercebendo que n\u00e3o conseguiriam realizar seu projeto pol\u00edtico pelo voto, os republicanos optaram por concretizar suas ideias atrav\u00e9s de um golpe militar. Para tanto, procuraram capitalizar o descontentamento crescente das classes armadas com o governo civil do Imp\u00e9rio, desde a Quest\u00e3o Militar. Precisavam, todavia, de um l\u00edder de suficiente prest\u00edgio na tropa, para levarem a efeito seus planos.\n\nFoi assim que os republicanos passaram a aproximar-se de Deodoro, procurando seu apoio para um golpe de for\u00e7a contra o governo imperial. O que foi dif\u00edcil, visto ser Deodoro homem de convic\u00e7\u00f5es monarquistas, que declarava ser amigo do Imperador e lhe dever favores. Dizia ainda Deodoro querer acompanhar o caix\u00e3o do velho Imperador.\n\nEm 14 de novembro de 1889, os republicanos fizeram correr o boato, absolutamente sem fundamento, de que o governo do primeiro-ministro liberal Visconde de Ouro Preto havia expedido ordem de pris\u00e3o contra o Marechal Deodoro e o l\u00edder dos oficiais republicanos, o tenente-coronel Benjamin Constant. Tratava-se de proclamar a Rep\u00fablica antes que se instalasse o novo Parlamento, rec\u00e9m-eleito, cuja abertura estava marcada para o dia 20 de novembro.\n\nA falsa not\u00edcia de que sua pris\u00e3o havia sido decretada foi o argumento decisivo que convenceu Deodoro finalmente a levantar-se contra o governo imperial. Pela manh\u00e3 do dia 15 de novembro de 1889, o marechal reuniu algumas tropas e as p\u00f4s em marcha para o centro da cidade, dirigindo-se ao Campo da Aclama\u00e7\u00e3o, hoje chamado Pra\u00e7a da Rep\u00fablica. Penetrando no Quartel-General do Ex\u00e9rcito, Deodoro decretou a demiss\u00e3o do Minist\u00e9rio Ouro Preto \u0096 provid\u00eancia de pouca valia, visto que os pr\u00f3prios Ministros, cientes dos \u00faltimos acontecimentos, j\u00e1 haviam telegrafado ao Imperador, que estava em Petr\u00f3polis &#8211; RJ, pedindo demiss\u00e3o.\n\nNingu\u00e9m falava em proclamar a Rep\u00fablica, tratava-se apenas de trocar o Minist\u00e9rio, e o pr\u00f3prio Deodoro, para a tropa formada diante do Quartel-General, ainda gritou um &#8220;Viva Sua Majestade, o Imperador!&#8221;\n\nEnquanto isso, D. Pedro II, tendo descido para o Rio de Janeiro, em vista da situa\u00e7\u00e3o, reuniu o Conselho de Estado no Pa\u00e7o Imperial e, depois de ouvi-lo, decidiu aceitar a demiss\u00e3o pedida pelo Visconde de Ouro Preto e organizar novo Minist\u00e9rio.\n\nOs republicanos precisavam agir r\u00e1pido, para aproveitar os acontecimentos e convencer Deodoro a romper de vez os la\u00e7os com a monarquia. Valeram-se de outra not\u00edcia falsa. Quintino Bocai\u00fava e o Bar\u00e3o de Jaceguai mandaram um mensageiro a Deodoro, para informar-lhe que o novo primeiro-ministro, escolhido pelo Imperador, era Gaspar Silveira Martins, pol\u00edtico ga\u00facho com quem o Marechal n\u00e3o se dava por conta de terem disputado o amor da mesma mulher na juventude. Assim, foi Deodoro convencido a derrubar o regime.\n\nPelas tr\u00eas horas da tarde, reunidos alguns republicanos e vereadores na C\u00e2mara Municipal do Rio de Janeiro, foi lavrada uma ata, declarando solenemente proclamada a Rep\u00fablica no Brasil, que foi levada ao Marechal Deodoro.\n\n\u00c0 noite do dia 15, o Imperador encarregou o conselheiro Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Saraiva de presidir o novo minist\u00e9rio. O novo primeiro-ministro dirige-se por escrito ao Marechal, comunicando-lhe a decis\u00e3o do Imperador, ao que responde Deodoro que j\u00e1 havia concordado em assinar os primeiros atos que estabeleciam o regime republicano e federativo.\n\nFonte: www.sampa.art.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-09.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"243\" height=\"276\" \/><b>\nMarechal Deodoro da Fonseca (1889-1891)<\/b><\/p>\n<b>Deodoro da Fonseca <\/b>&#8211; militar e estadista (1827-1892)\n\n<b>Manoel Deodoro da Fonseca<\/b> nasceu na cidade de Alagoas, atual Marechal Deodoro (AL).\n\nOficial do ex\u00e9rcito, combateu a Revolta Praieira em Pernambuco no ano de 1848, participando tamb\u00e9m da Guerra Platina (1864) e da Guerra do Paraguai (1865-1870).\n\nFoi promovido a marechal-de-campo em 1884 e, no ano seguinte, nomeado comandante de armas do Rio Grande do Sul.\n\nEm 1887 seguiu para o Rio de Janeiro, onde assumiu a lideran\u00e7a da fac\u00e7\u00e3o do ex\u00e9rcito favor\u00e1vel \u00e0 causa abolicionista.\n\nApesar de ser amigo do Imperador, gozava de grande prest\u00edgio junto \u00e0s tropas e acabou colocado \u00e0 frente do movimento militar que derrubou o Monarquia e proclamou a Rep\u00fablica no dia 15 de novembro de 1889.\n\nComo chefe do Governo Provis\u00f3rio, entrou em conflito com as lideran\u00e7as civis, resistindo \u00e0 convoca\u00e7\u00e3o da Assembl\u00e9ia Constituinte.\n\nSua elei\u00e7\u00e3o \u00e0 presid\u00eancia, em 1891, foi garantida gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o dos militares sobre o Congresso, com o qual entraria em choque ao substituir o Minist\u00e9rio herdado do Governo Provis\u00f3rio por outro sob o comando de um tradicional pol\u00edtico monarquista &#8211; o Bar\u00e3o de Lucena.\n\nUnindo-se a ele, Deodoro procurou refor\u00e7ar o Poder Executivo, fechando o Congresso em 3 de novembro, com a promessa de realizar novas elei\u00e7\u00f5es e de promover uma revis\u00e3o na Constitui\u00e7\u00e3o.\n\nSua tentativa de fazer calar a oposi\u00e7\u00e3o para melhor articular um golpe de estado esbarrou na resist\u00eancia do marechal Floriano Peixoto, levando-o a renunciar em 23 de novembro daquele mesmo ano.\n\nFonte: www.projetomemoria.art.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<b>Marechal Deodoro<\/b> nasceu na cidade de Alagoas, em Alagoas, no dia 5 de agosto de 1827 e estudou em escola militar desde os 16 anos.\n\nEm 1848, aos 21 anos, integrou as tropas que se dirigiram a Pernambuco para combater a Revolu\u00e7\u00e3o Praieira e participou ativamente de outros conflitos durante o Imp\u00e9rio, como a brigada expedicion\u00e1ria ao rio da Prata, o cerco a Montevid\u00e9u e da Guerra do Paraguai.\n\nIngressou oficialmente na pol\u00edtica em 1885, quando exerceu o cargo de presidente (equivalente ao atual de governador) da prov\u00edncia do Rio Grande do Sul. Assumiu a presid\u00eancia do Clube Militar de 1887 a 1889 e chefiou o setor antiescravista do Ex\u00e9rcito. Com o t\u00edtulo de marechal, Deodoro da Fonseca proclamou a rep\u00fablica brasileira no dia 15 de novembro de 1889 e assumiu a chefia do governo provis\u00f3rio.\n\nA primeira constitui\u00e7\u00e3o republicana estabelecia que as elei\u00e7\u00f5es no Brasil seriam diretas e que o presidente e seu vice seriam eleitos pelo voto popular. Entretanto, determinava tamb\u00e9m que, em car\u00e1ter excepcional, o primeiro presidente e o primeiro vice seriam eleitos indiretamente, isto \u00e9, pelo Congresso Nacional. Foi o que aconteceu. No dia seguinte \u00e0 promulga\u00e7\u00e3o da Constitui\u00e7\u00e3o, o Congresso elegeu de forma indireta os marechais Deodoro da Fonseca para presidente e Floriano Peixoto para vice-presidente, em 25 de fevereiro de 1891.\n\nO governo do Marechal deveria terminar em 1894, mas o per\u00edodo registrou s\u00e9rios problemas pol\u00edticos e econ\u00f4micos. A pol\u00edtica econ\u00f4mica, que tinha como ministro da Fazenda Rui Barbosa, foi marcada pelo &#8220;encilhamento&#8221;, que se caracterizou pelo incentivo \u00e0 emiss\u00e3o de moeda por alguns bancos e pela cria\u00e7\u00e3o de sociedades an\u00f4nimas. Como resultado, houve forte especula\u00e7\u00e3o financeira e fal\u00eancia de bancos e empresas.\n\nA forma\u00e7\u00e3o de um novo minist\u00e9rio liderado pelo bar\u00e3o de Lucena, pol\u00edtico vinculado \u00e0 ordem mon\u00e1rquica, a tentativa de centraliza\u00e7\u00e3o do poder e \u00e0s resist\u00eancias encontradas no meio militar conduziram o pa\u00eds a uma crise pol\u00edtica, que teve seu \u00e1pice na dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso Nacional. Ao mesmo tempo crescia no meio militar a influ\u00eancia de Floriano Peixoto, que tamb\u00e9m fazia oposi\u00e7\u00e3o a Deodoro juntamente com as for\u00e7as legalistas que levaram \u00e0 ren\u00fancia de Deodoro da Fonseca em 23 de novembro de 1891.\n\nFonte: www.netsaber.com.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-10.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"260\" height=\"393\" \/><b>\nMarechal Deodoro da Fonseca (1889-1891)<\/b><\/p>\nO<b> marechal Manoel Deodoro da Fonseca<\/b> nasceu no Estado de Alagoas, em 1827. De uma fam\u00edlia de militares, entrou na Escola Militar em 1843. Lutou na Revolu\u00e7\u00e3o Praieira (1848-1849), como tenente do Ex\u00e9rcito enviado para Pernambuco. Lutou na Guerra do Paraguai.\n\nEm 1887, fundou o Clube Militar. Em 15 de novembro de 1889, no Rio de Janeiro, liderou o golpe que dep\u00f4s a Monarquia.\n\nComo chefe do Governo Provis\u00f3rio que se instalou com a Rep\u00fablica, uma de suas primeiras medidas foi a dissolu\u00e7\u00e3o da C\u00e2mara dos Deputados.\n\nConvocou um Congresso Constituinte para elaborar a primeira Constitui\u00e7\u00e3o republicana, que o elegeu primeiro presidente da Rep\u00fablica em janeiro de 1891.\n\nPouco habilidoso, n\u00e3o conseguiu administrar as v\u00e1rias for\u00e7as que queriam participar dos destinos da na\u00e7\u00e3o e fechou o Congresso em 3 de novembro de 1891.\n\nRenunciou no dia 23, sendo substitu\u00eddo pelo vice-presidente, o tamb\u00e9m marechal Floriano Peixoto (1839-1895).\n\nMorreu no Rio de Janeiro, em 23 de agosto de 1892, nove meses depois de deixar a presid\u00eancia.\n\nFonte: www.historiamais.com\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/manoel-deodoro-da-fonseca-11.jpg\" alt=\"Manoel Deodoro da Fonseca\" width=\"227\" height=\"217\" \/><b>\nMarechal Deodoro da Fonseca (1889-1891)<\/b><\/p>\nMilitar alagoano.\n\nO primeiro presidente da Rep\u00fablica. Manoel Deodoro da Fonseca (5\/8\/1827 &#8211; 23\/8\/1892) nasce na cidade de Alagoas, hoje batizada com seu nome, <strong>Marechal Deodoro,<\/strong> e estuda em escola militar desde os 16 anos.\n\nCome\u00e7a a carreira no Ex\u00e9rcito e, em 1848, aos 21 anos, j\u00e1 integra as tropas que se dirigem a Pernambuco para combater a Revolu\u00e7\u00e3o Praieira.\n\nSua carreira ganha novo impulso ao participar das guerras da Cisplatina e Guerra do Paraguai e chega ao posto de marechal-de-campo em 1884.\n\nEm 1886 vai para o Rio de Janeiro e assume a lideran\u00e7a da fac\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito favor\u00e1vel \u00e0 aboli\u00e7\u00e3o da escravatura.\n\n<strong>Funda no ano seguinte o Clube Militar e, em nome da entidade, envia o seguinte requerimento \u00e0 princesa Isabel:<\/strong> &#8220;N\u00e3o consinta que os destacamentos do Ex\u00e9rcito que seguem para o interior, com a finalidade de manter a ordem, sejam encarregados d! a captura dos pobres negros, que fogem da escravid\u00e3o&#8230;&#8221;\n\nCom prest\u00edgio na estrutura do Ex\u00e9rcito, passa a liderar o movimento militar que derruba a Monarquia e proclama a Rep\u00fablica, em 15 de novembro de 1889.\n\nEm seguida, como chefe do governo provis\u00f3rio, entra em conflito com as lideran\u00e7as civis do movimento republicano.\n\nSua elei\u00e7\u00e3o para presidente, em 1891, \u00e9 garantida pela press\u00e3o dos militares sobre o Congresso nacional.\n\nNo exerc\u00edcio do poder, tenta vencer a oposi\u00e7\u00e3o articulando um golpe de Estado, mas enfrenta resist\u00eancia no Ex\u00e9rcito, chefiada pelo vice-presidente, marechal Floriano Peixoto. Renuncia em 23 de novembro de 1891.\n\nFonte: www.mundofisico.joinville.udesc.br\n<h6>Manoel Deodoro da Fonseca<\/h6>\nH\u00e1 muitas semelhan\u00e7as entre o comportamento de Deodoro, nosso primeiro Presidente, e D. Pedro I, nosso primeiro Imperador.\n\nOs dois eram liberais, mas apol\u00edticos, tinham uma forma\u00e7\u00e3o voltada para o militarismo, eram temperamentais e impulsivos, defendiam suas id\u00e9ias at\u00e9 o uso extremo da for\u00e7a, mas um e outro revelavam ingenuidade total no que se refere ao jogo pol\u00edtico.\n\nNo mesmo dia 15 de novembro de 1889, ap\u00f3s a <strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica<\/strong>, \u00e9 editado o Decreto n\u00ba1 do Governo Provis\u00f3rio, tra\u00e7ando as diretrizes b\u00e1sicas do regime que se iniciava. Fica institu\u00edda a Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil, adotando como forma de governo a Rep\u00fablica Federativa, isto \u00e9, o poder passa a ser compartilhado com as vinte unidades provinciais, ao contr\u00e1rio da Monarquia, onde o sistema era unit\u00e1rio e centralizador. O Rio de Janeiro, que era designado &#8220;Munic\u00edpio Neutro da Corte&#8221; passa a ser &#8220;Distrito Federal&#8221;. As prov\u00edncias, agora, chamam-se &#8220;Estados&#8221;. Deodoro \u00e9 o chefe do Governo Provis\u00f3rio, enquanto se estabelece a nova ordem para a convoca\u00e7\u00e3o de elei\u00e7\u00f5es constituintes.\n\nJ\u00e1 pela manh\u00e3 do dia 15, logo ap\u00f3s o golpe, o tenente Vinhais apodera-se do tel\u00e9grafo, enviando mensagem a todos os Presidentes de Prov\u00edncia, na qual anuncia a implanta\u00e7\u00e3o do novo regime e a deposi\u00e7\u00e3o do minist\u00e9rio mon\u00e1rquico, &#8220;pelas for\u00e7as de terra e mar&#8221;. Ao contr\u00e1rio do que ocorrera por ocasi\u00e3o da Independ\u00eancia, desta vez n\u00e3o h\u00e1 qualquer rea\u00e7\u00e3o \u00e0 mudan\u00e7a, registrando-se at\u00e9 uma certa apatia, como se estivesse administrando um fato esperado h\u00e1 algum tempo, e agora apenas consumado. Somente a Bahia esbo\u00e7a um sinal de rea\u00e7\u00e3o, para voltar logo \u00e0 normalidade, ao saber que o Imperador cedera \u00e0 imposi\u00e7\u00e3o das circunst\u00e2ncias, e que a tomada do poder deu-se sem derramamento de sangue.\n\nDiante da transi\u00e7\u00e3o pac\u00edfica de regime, cuida-se de tomar as provid\u00eancias para sua consolida\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Deodoro organiza seu primeiro minist\u00e9rio, formado com os civis e militares mais envolvidos com o processo de mudan\u00e7a:<\/strong> Justi\u00e7a, Campos Sales; Guerra, Benjamin Constant; Marinha, contra-almirante Eduardo Wandenkolk; Rela\u00e7\u00f5es Exteriores, Quintino Bocai\u00fava; Interior, Aristides da Silveira Lobo; Fazenda, Rui Barbosa; Agricultura, Com\u00e9rcio e Obras P\u00fablicas, Dem\u00e9trio Ribeiro.\n\nEste \u00faltimo foi nomeado por indica\u00e7\u00e3o dos positivistas e Deodoro sequer o conhecia [o positivismo \u00e9 sistema filos\u00f3fico materialista, que se apoia exclusivamente nos fatos e experi\u00eancias pr\u00e1ticas, repelindo por inteiro os princ\u00edpios de f\u00e9. \u00c9 partid\u00e1rio de um governo forte e centralizado].\n\nNo dia 17, ap\u00f3s a partida de D. Pedro II, os positivistas, por sugest\u00e3o de Benjamim Constant, v\u00e3o ao Pal\u00e1cio, em passeata, para prestar solidariedade ao novo governo, levando \u00e0 frente uma faixa com os dizeres &#8220;Ordem e Progresso&#8221;, frase criada por essa corrente filos\u00f3fica, e incorporada, em seguida, \u00e0 nova Bandeira Nacional, criada por decreto de 19 de novembro. Com dois representantes no pequeno Minist\u00e9rio, esperavam eles direcionar o governo e a constitui\u00e7\u00e3o na trilha de suas id\u00e9ias. Se n\u00e3o o conseguiram de todo, pelo menos deixaram presen\u00e7a marcada por toda a Rep\u00fablica Velha e na outra subsequente, perdendo, por\u00e9m, gradativamente, o fasc\u00ednio que despertavam no final do imp\u00e9rio.\n\nDentre as primeiras medidas do Governo Provis\u00f3rio, destacam-se a separa\u00e7\u00e3o entre a Igreja e o Estado, a seculariza\u00e7\u00e3o dos cemit\u00e9rios, e a institui\u00e7\u00e3o do registro civil de nascimentos, casamentos e \u00f3bitos, o que, at\u00e9 ent\u00e3o, era validado pela Igreja. Ficou acertado tamb\u00e9m, que, no primeiro anivers\u00e1rio da Rep\u00fablica, se instalaria a Assembleia Constituinte, segundo convoca\u00e7\u00e3o a ser feita oportunamente.\n<h4>A Assembl\u00e9ia Constituinte<\/h4>\nAs provid\u00eancias para a instala\u00e7\u00e3o da Constituinte j\u00e1 iam adiantadas. Em 3 de dezembro de 1889, dezoito dias ap\u00f3s a Independ\u00eancia, o governo nomeava uma comiss\u00e3o, presidida por Saldanha Marinho e composta de cinco juristas, com a miss\u00e3o de elaborar um anteprojeto a ser encaminhado aos constituintes, em seu tempo oportuno, para an\u00e1lise e aprova\u00e7\u00e3o. Essa comiss\u00e3o apresentou, n\u00e3o um, mas tr\u00eas anteprojetos, redigidos respectivamente por Am\u00e9rico Brasiliense, Rangel Pestana e Magalh\u00e3es Castro. Esses tr\u00eas trabalhos s\u00e3o, agora, entregues a um outro jurista, Rui Barbosa, que, com sua proverbial habilidade, reuniu as id\u00e9ias em um \u00fanico texto, unificando conceitos, aprimorando a forma e, al\u00e9m do que lhe fora pedido, alterando at\u00e9 o conte\u00fado dos textos iniciais, ao acrescentar na consolida\u00e7\u00e3o v\u00e1rios dispositivos que n\u00e3o estavam nos anteprojetos originais.\n\nSe, em teoria, tudo estava correndo dentro do concertado com os republicanos, na pr\u00e1tica, a coisa era diferente. Como dissemos, no minist\u00e9rio, havia dois positivistas, Benjamin Constant e Dem\u00e9trio Ribeiro, ambos defensores de um governo forte e centralizado e, sobretudo este \u00faltimo, tudo fazia para que fosse protelada a convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia. Dentro do Ex\u00e9rcito, tamb\u00e9m, surgia uma corrente, sustentada por destacados militares, que defendia a manuten\u00e7\u00e3o de todo o poder com o Governo Provis\u00f3rio. O pr\u00f3prio marechal Deodoro relutava em fazer a convoca\u00e7\u00e3o, irritando os republicanos mais exaltados, os quais se manifestavam pela imprensa, reclamando o prosseguimento da democratiza\u00e7\u00e3o do regime e lembrando que a indefini\u00e7\u00e3o do governo j\u00e1 vinha causando desconfian\u00e7as em pa\u00edses amigos, que retardavam em reconhecer o novo regime, trazendo dificuldades para o com\u00e9rcio exterior.\n\nPrevaleceu o bom senso e, em 22 de junho de 1890, finalmente, realizou-se a convoca\u00e7\u00e3o da Constituinte para a data j\u00e1 estabelecida, com elei\u00e7\u00f5es a se realizarem dois meses antes. Com efeito, as elei\u00e7\u00f5es se realizaram em 15 de setembro de 1890, por\u00e9m, em ambiente tumultuado e com s\u00e9rias acusa\u00e7\u00f5es quanto \u00e0 lisura do pleito, j\u00e1 que nomes totalmente desconhecidos conseguiram um n\u00famero expressivo de votos, incompat\u00edvel com sua pouca ou nenhuma proje\u00e7\u00e3o junto ao eleitorado. Mas, pelo menos, houve elei\u00e7\u00f5es, e grandes intelig\u00eancias nacionais conseguiram se sobressair, impondo sua for\u00e7a de lideran\u00e7a e neutralizando a vulgaridade dos demais. Com exce\u00e7\u00e3o de Benjamim Constant, que n\u00e3o se candidatou, os demais ministros (Campos Sales, almirante Wandenkolk, Quintino Bocai\u00fava, Silveira Lobo, Rui Barbosa e Dem\u00e9trio Ribeiro) foram todos eleitos. O anteprojeto, com a nova reda\u00e7\u00e3o proposta por Rui Barbosa, foi, ent\u00e3o, encaminhado \u00e0 Assembleia Constituinte que, como previsto, se instalou no dia 15 de novembro de 1890.\n<h4>A nova Constitui\u00e7\u00e3o<\/h4>\nEm um ano e dois meses, o projeto final estava pronto, discutido, emendado e votado. A Constitui\u00e7\u00e3o, em sua reda\u00e7\u00e3o final, foi promulgada pelo Congresso em 24 de fevereiro de 1891, entrando imediatamente em vigor. No dia seguinte, seria eleito o presidente da Rep\u00fablica, nesta primeira vez, excepcionalmente, por via indireta, com o voto dos parlamentares. Somente a partir do segundo Presidente \u00e9 que as elei\u00e7\u00f5es passariam a ser por voto direto.\n\nA nossa Carta Magna, embora incorporando as v\u00e1rias medidas j\u00e1 tomadas pelo Governo Provis\u00f3rio, era inspirada na Constitui\u00e7\u00e3o norte-americana, estabelecendo no pa\u00eds um regime republicano, com governo presidencialista e sistema federativo. (O contr\u00e1rio disto seria regime mon\u00e1rquico, com governo parlamentarista e sistema unit\u00e1rio). Na pr\u00e1tica, os governos que se seguiram adotaram apenas um presidencialismo forte e centralizado, dificultando ao m\u00e1ximo a aplica\u00e7\u00e3o do princ\u00edpio federativo, j\u00e1 que os Estados sempre foram dependentes, pol\u00edtica e financeiramente, do governo central. O fiel da balan\u00e7a pendeu, agora, para as oligarquias rurais, principalmente de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, gerando a pol\u00edtica que ficou sendo conhecida como de &#8220;caf\u00e9 com leite&#8221;, com o poder se alternando entre esses dois Estados at\u00e9 o fim da Rep\u00fablica Velha, em 1930.\n\nPor\u00e9m, em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o de 1824, a nova Carta representou consider\u00e1vel avan\u00e7o. As elei\u00e7\u00f5es para a C\u00e2mara, Senado e Presid\u00eancia da Rep\u00fablica passaram a ser diretas e universais. Na Carta anterior somente os deputados eram eleitos e, assim mesmo, por voto censit\u00e1rio, isto \u00e9, segundo a renda de cada um. Os senadores deixaram de ser vital\u00edcios. O voto era livre (n\u00e3o obrigat\u00f3rio) e universal (cada eleitor, um voto, sem contar a renda de cada um) mas somente para homens, maiores de 21 anos, e com uma s\u00e9rie de outras restri\u00e7\u00f5es, pois estavam proibidos de votar, al\u00e9m das mulheres, tamb\u00e9m os analfabetos, os militares e os religiosos. Com todas essas limita\u00e7\u00f5es, e n\u00e3o sendo obrigat\u00f3rio o voto, o n\u00famero de eleitores era muito pequeno, representando muito pouco o universo populacional, em torno de 40 milh\u00f5es de almas. As mulheres ganharam direito a voto na Constitui\u00e7\u00e3o de 1834, os militares e os religiosos, na de 1945 (com idade reduzida para 18 anos) e os analfabetos, na de 1988 (com idade reduzida para 16 anos). Nos cem anos de Rep\u00fablica ampliou-se, pois, passo a passo, o contingente eleitoral, tornando-o mais expressivo com rela\u00e7\u00e3o ao conjunto da popula\u00e7\u00e3o.\n<h4>A elei\u00e7\u00e3o do primeiro presidente da Rep\u00fablica<\/h4>\nEnquanto se discutia a nova Constitui\u00e7\u00e3o, eram feitas articula\u00e7\u00f5es para a elei\u00e7\u00e3o presidencial. Como se recorda, Deodoro era chefe do Governo Provis\u00f3rio e urgia eleger o presidente da Rep\u00fablica para um mandato regular, previsto para quatro anos. Na oposi\u00e7\u00e3o, lan\u00e7aram-se as candidaturas de Prudente de Morais e do marechal Floriano Peixoto, respectivamente para presidente e vice; pelo governo, aparecia o nome do pr\u00f3prio marechal Deodoro para presidente, tendo como companheiro de chapa o almirante Eduardo Wandenkolk. Deodoro permaneceu candidato sem se afastar do governo, o que o mantinha como chefe das For\u00e7as Armadas e, literalmente, com maior poder de fogo. O ambiente era pesado e a discuss\u00e3o transcorreu por todo o per\u00edodo constituinte, em clima tenso e no meio da boataria. Ningu\u00e9m em s\u00e3 consci\u00eancia acreditava que, perdendo as elei\u00e7\u00f5es, Deodoro consentisse entregar o poder aos seus opositores.\n\n<strong>E o rumo tomado pelos acontecimentos mostrava a realidade da situa\u00e7\u00e3o, como conta o historiador H\u00e9lio Silva:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;Corria entre os Congressistas rumores de que as tropas sairiam dos quart\u00e9is, no caso de o marechal Deodoro n\u00e3o ser eleito. Alarmados com o que se dizia, Floriano, Campos Sales, Jos\u00e9 Sime\u00e3o e outros, resolveram se reunir na casa deste \u00faltimo para planejar as provid\u00eancias que deveriam tomar no caso de vit\u00f3ria de Prudente [oposi\u00e7\u00e3o]. Proclamado o presidente da Rep\u00fablica, o Congresso deveria dar-lhe posse imediatamente, no pr\u00f3prio edif\u00edcio onde funcionava. O Minist\u00e9rio, tamb\u00e9m, j\u00e1 deveria estar organizado. Passariam a aguardar os acontecimentos em sess\u00e3o permanente, enquanto se trataria de angariar refor\u00e7os. O almirante Cust\u00f3dio de Melo [tamb\u00e9m da oposi\u00e7\u00e3o] j\u00e1 tinha armado um esquema para reagir. Eleito Prudente, o militar iria a toda pressa para o cais novo, embarcaria num escaler \u00e0 sua disposi\u00e7\u00e3o a caminho do cruzador Primeiro de Mar\u00e7o. Seu plano era levantar as for\u00e7as de mar&#8221;.<\/blockquote>\nPercebe-se o ambiente em que transcorreram as elei\u00e7\u00f5es. Acordos de bastidores, por\u00e9m, garantiriam a elei\u00e7\u00e3o do marechal Deodoro para Presidente, enquanto que os governistas se propuseram em eleger para vice o candidato da oposi\u00e7\u00e3o, marechal Floriano Peixoto. Foram, em consequ\u00eancia, sacrificadas as candidaturas de Prudente (oposi\u00e7\u00e3o) e Wandenkolk (governo), numa dobradinha que procurava misturar \u00f3leo e \u00e1gua, na esperan\u00e7a de obter uma subst\u00e2ncia homog\u00eanea.\n\n&#8220;Votaram 234 representantes. Prudente passa a presid\u00eancia [do Congresso] a Ant\u00f4nio Euz\u00e9bio Gon\u00e7alves de Almeida para fazer a apura\u00e7\u00e3o. O marechal Manuel Deodoro da Fonseca \u00e9 eleito por 129 votos, contra 97 dados a Prudente de Morais. Depois, \u00e9 feita a elei\u00e7\u00e3o para vice-Presidente. O marechal Floriano Peixoto, candidato da oposi\u00e7\u00e3o, \u00e9 eleito por 153 votos, contra 57 dados ao almirante Eduardo Wandenkolk.&#8221; Com o &#8220;jeitinho brasileiro&#8221;, estava vencida a primeira crise. Outras mais estavam por vir.\n<h4>Quem era Deodoro<\/h4>\nManuel Deodoro da Fonseca, agora Presidente da Rep\u00fablica dos Estados Unidos do Brasil, nasceu em Alagoas em 1927, participou da repress\u00e3o a revoltas contra o Imp\u00e9rio e esteve presente nas guerras do Prata e do Paraguai, chegando ao posto de marechal em 1884, ap\u00f3s o que foi nomeado comandante-de-armas no Rio Grande do Sul, onde se envolveu nos acontecimentos, que, \u00e0 sua revelia, colocaram-no na lideran\u00e7a do movimento que p\u00f4s fim ao imp\u00e9rio.\n\nH\u00e1 muitas semelhan\u00e7as entre o comportamento de Deodoro, nosso primeiro Presidente, e D. Pedro I, nosso primeiro Imperador. Os dois eram liberais, mas apol\u00edticos, tinham uma forma\u00e7\u00e3o voltada para o militarismo, eram temperamentais e impulsivos, defendiam suas id\u00e9ias at\u00e9 o uso extremo da for\u00e7a, mas um e outro revelavam ingenuidade total no que se refere ao jogo pol\u00edtico. D. Pedro prosperou enquanto tinha ao seu lado o h\u00e1bil Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, que lhe moldava as id\u00e9ias e sugeria os caminhos a percorrer, mas deu-se mal quando os Andradas passaram para a oposi\u00e7\u00e3o.\n\nJ\u00e1 o velho marechal (Deodoro assumira o governo com 62 anos) n\u00e3o tinha quem exercesse uma influ\u00eancia maior dentro do governo e lhe dirigisse as a\u00e7\u00f5es no tr\u00e2nsito pela complicada teia da vida p\u00fablica, em que \u00e9 preciso administrar, ao mesmo tempo, v\u00e1rias correntes antag\u00f4nicas. Foi assim que, logo no in\u00edcio do Governo Provis\u00f3rio, comprou o plano mirabolante de seu Ministro da Fazenda, Rui Barbosa, que consistiu na emiss\u00e3o desenfreada de moeda sem lastro, originando a especula\u00e7\u00e3o, gerando infla\u00e7\u00e3o e piorando a situa\u00e7\u00e3o financeira do pa\u00eds, que j\u00e1 se tornara ruim no final do Imp\u00e9rio. Como agravante, consentiu com a exig\u00eancia de Rui para que o plano fosse posto em pr\u00e1tica sem discuss\u00e3o pr\u00e9via com o restante do minist\u00e9rio, com o que assumiu individualmente as conseq\u00fc\u00eancias pelo seu fracasso. Como quebra, criando um clima de animosidade entre Rui e seus auxiliares diretos, acrescentou ao governo mais dificuldades do que podia administrar.\n\nNo mais, sua inexperi\u00eancia pol\u00edtica era proverbial. Ao receber, mais tarde, o anteprojeto da Constitui\u00e7\u00e3o, consolidado pelo pr\u00f3prio Rui, reclamou da inexist\u00eancia, nele, de um Poder Moderador, dando ao Executivo a prerrogativa de dissolver o Congresso e convocar novas elei\u00e7\u00f5es. Achava que era imposs\u00edvel governar, se n\u00e3o tivesse controle pessoal sobre o parlamento. Por fim, eleito Presidente, transferiu para o bar\u00e3o de Lucena a incumb\u00eancia de organizar um novo Minist\u00e9rio, como se ainda estiv\u00e9ssemos no regime parlamentarista.\n\nTal como aconteceu com D. Pedro, essa inexperi\u00eancia, aliada \u00e0 impulsividade, colocou-o, por fim, em confronto aberto com seus opositores, at\u00e9 criar uma situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel, fechando todos os caminhos para o di\u00e1logo e ficando sem alternativas para enfrentar uma crise por ele mesmo criada.\n<h4>O fechamento do Congresso e a ren\u00fancia<\/h4>\nO acordo emergencial feito por ocasi\u00e3o das elei\u00e7\u00f5es presidenciais desgostou profundamente a oposi\u00e7\u00e3o e estabeleceu as ra\u00edzes da instabilidade pol\u00edtica, pois, junto com Deodoro, tamb\u00e9m foi eleito o marechal Floriano Peixoto que, al\u00e9m de oposicionista, era inimigo pessoal do Presidente. Inicia-se logo uma conspira\u00e7\u00e3o para a derrubada do governo, com a participa\u00e7\u00e3o pouco velada do pr\u00f3prio vice-Presidente, enquanto, no Congresso, uma oposi\u00e7\u00e3o persistente praticamente obstru\u00eda a a\u00e7\u00e3o presidencial.\n\nPor outro lado, decretos governamentais pol\u00eamicos causavam p\u00e9ssima repercuss\u00e3o junto ao Congresso e \u00e0 opini\u00e3o p\u00fablica. Um deles, foi a concess\u00e3o do porto de Torres a empresa privada, com empr\u00e9stimos em condi\u00e7\u00f5es especiais e outras facilidades. Mais concess\u00f5es se fizeram da mesma maneira, uma delas envolvendo a Companhia Geral de Estradas de Ferro. A reforma do Banco do Brasil deu margem a favorecimentos que acabariam envolvendo nomes importantes da vida nacional, entre empres\u00e1rios e pol\u00edticos influentes. N\u00e3o havia, entretanto, m\u00e1 f\u00e9 do Presidente, que acreditava piamente estar colaborando para acelerar o desenvolvimento nacional.\n\nNo meio de tantos &#8220;amigos&#8221;, Deodoro nem precisava de inimigos, se bem que os tinha, e muitos, principalmente dentro do Congresso Nacional, onde a situa\u00e7\u00e3o se tornou insustent\u00e1vel.\n\n<strong>Impossibilitado de governar, tomou uma medida de extrema gravidade, cujas conseq\u00fc\u00eancias nem de longe podia imaginar:<\/strong> por decretos presidenciais, fechou o Congresso Nacional, estabeleceu &#8220;Estado de S\u00edtio&#8221; e mandou que for\u00e7as militares cercassem os edif\u00edcios da C\u00e2mara e do Senado. Embora a maioria dos parlamentares aceitasse a situa\u00e7\u00e3o de fato, retirando-se para seus Estados de origem, um grupo de deputados, de pequeno n\u00famero mas de grande for\u00e7a, intensificou o movimento conspirat\u00f3rio e conseguiu levantar a Marinha, sob o comando do almirante Cust\u00f3dio Jos\u00e9 de Melo, colocando em cheque o governo. Este, inicialmente, pensou em resistir, mas depois desistiu, temendo que o choque de tropas militares viesse levar o pa\u00eds a uma guerra civil, de consequ\u00eancias imprevis\u00edveis, por\u00e9m, certamente, desastrosas..\n\n<strong>Doente, cansado e desiludido, Deodoro manda chamar Floriano, a quem entrega o governo, assinando o ato de ren\u00fancia, em 23 de novembro de 1891, com uma frase que deixou para a Hist\u00f3ria:<\/strong> &#8220;Assino o decreto de alforria do \u00faltimo escravo do Brasil..&#8221;\n\nMorre nove meses depois e, conforme seu desejo expresso, \u00e9 enterrado em trajes civis, dispensadas as honras militares. Os que o conheceram, sempre elogiaram sua integridade. O grande mal de Deodoro foi que, durante toda vida, preparou-se para a guerra, mas estava despreparado para a paz. Sua forma\u00e7\u00e3o era de caserna e o ambiente pol\u00edtico exige um jogo cont\u00ednuo de simula\u00e7\u00f5es, de avan\u00e7os e recuos, que n\u00e3o condiziam nem com o temperamento, nem com a personalidade do marechal, dotado de uma espinha dorsal inflex\u00edvel.\n<h4>Quem era Floriano<\/h4>\nFloriano Vieira Peixoto, que assume a presid\u00eancia da Rep\u00fablica ap\u00f3s a ren\u00fancia de Deodoro, nasceu em Vila de Ipioca, Alagoas, em 1839. Filho de uma fam\u00edlia pobre e numerosa (tinha outros nove irm\u00e3os), seus pais o entregaram aos cuidados de um tio, senhor de engenho no litoral alagoano. Patrocinado pelo tio, estuda no Rio de Janeiro e, terminado o col\u00e9gio, assenta pra\u00e7a num quartel de Infantaria para, em seguida, matricular-se no Col\u00e9gio Militar. Teve participa\u00e7\u00e3o ativa na Guerra do Paraguai, atuando nas batalhas de Tuiuti, Itoror\u00f3, Lomas Valentinas e outras. Paralelamente \u00e0 vida militar, sempre manifestou especial interesse pela pol\u00edtica, sendo filiado ao Partido Liberal, que fazia oposi\u00e7\u00e3o ao governo imperial. Em seu Estado natal, tornou-se propriet\u00e1rio de dois engenhos, o que lhe deu contato com a vida rural, a pobreza e a injusti\u00e7a social, rotinas bem conhecidas do povo nordestino. Mesmo sendo senhor de engenho, tinha uma posi\u00e7\u00e3o francamente abolicionista. Em 1884, foi nomeado presidente da Prov\u00edncia de Mato Grosso, onde ficou por um ano. Chegou ao topo de sua carreira militar em 1888, ao ser promovido a marechal de campo. No \u00faltimo gabinete do Imp\u00e9rio, foi nomeado ajudante geral do Ex\u00e9rcito. Nessa condi\u00e7\u00e3o, em 15 de novembro de 1889, coube a ele comandar as tropas que, dentro do Campo de Santana, deviam preservar o Quartel General do Ex\u00e9rcito contra a investida dos soldados do marechal Deodoro, protegendo a autoridade do Chefe de Governo ali asilado. Recusou-se, por\u00e9m, a ordenar o contra-ataque, permitindo que Deodoro invadisse o quartel, com a subsequente pris\u00e3o do ministro Visconde de Ouro Preto, chefe do Conselho de Ministros do Imp\u00e9rio.\n\n<strong>Essa trai\u00e7\u00e3o jamais for perdoada pelos seus inimigos que lhe apontam, tamb\u00e9m, outras fraquezas de car\u00e1ter, como relaciona Iber\u00ea de Matos:<\/strong> &#8220;a trai\u00e7\u00e3o a Ouro Preto [mencionada acima]; a avers\u00e3o que lhe tinham Deodoro e Benjamin Constant, que n\u00e3o podiam ser gratuitas; a atitude d\u00fabia ou trai\u00e7oeira no epis\u00f3dio da elei\u00e7\u00e3o [\u00e0 Presid\u00eancia]; o apego ambicioso a um poder que n\u00e3o lhe pertencia; a impiedosa repress\u00e3o, com requintes de maldade, culminando com as tentativas de assassinato, pelo desterro para regi\u00f5es inabit\u00e1veis, de homens como Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, e os massacres no Paran\u00e1 e Santa Catarina; seu desprezo pela dignidade de homens como Gaspar da Silveira Martins, Cust\u00f3dio de Mello, Saldanha da Gama, Wandenkolk, Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, Olavo Bilac e tantos outros que foram v\u00edtimas de processos infamantes e perversos&#8230;&#8221;\n\n<strong>Outro autor, Jos\u00e9 Maria Bello, faz sua an\u00e1lise da personalidade de Floriano:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;N\u00e3o se distinguia Floriano por nenhum dom exterior de fasc\u00ednio ou de dom\u00ednio. Descuidado de si mesmo, m\u00e1scara med\u00edocre, de tra\u00e7os inexpressivos e adoentados. Falta-lhe, por exemplo, o porte marcial, o \u00e9lan, o olhar lampejante de Deodoro. N\u00e3o lhe vibra a voz arrastada de caboclo do Norte; n\u00e3o se lhe impacientam jamais os gestos e as atitudes. Pela perfeita impassibilidade, como por outras virtudes e defeitos, lembra Benito Juarez [presidente mexicano do Sec. XIX], vindo da mesma origem amer\u00edndia. N\u00e3o tem brilho a sua intelig\u00eancia que \u00e9, especialmente, a intui\u00e7\u00e3o divinat\u00f3ria dos homens. Escassa a sua cultura, quase reduzida aos vulgares conhecimentos t\u00e9cnicos da profiss\u00e3o. N\u00e3o revela curiosidades intelectuais, d\u00favidas, afli\u00e7\u00f5es de vida interior. Desdenha o dinheiro. Deixam-no completamente indiferente as comodidades materiais da vida. Despreza a humanidade e, por isso mesmo, nivela facilmente todos os valores que o cercam. Confundindo-se de bom grado nas multid\u00f5es humildes das ruas, conserva-se, entretanto, impenetr\u00e1vel a qualquer intimidade. A fam\u00edlia, de pequeno estilo burgu\u00eas, esgota-lhe, porventura, a capacidade afetiva. Como os de sua ra\u00e7a cabocla, \u00e9 um irredut\u00edvel desconfiado. N\u00e3o se expande nunca. Simples e acess\u00edvel embora, \u00e9 incapaz de intempestivas familiaridades, de grossas e alegres pilh\u00e9rias, t\u00e3o f\u00e1ceis, sempre, em Deodoro. No fundo, um triste. A sua ironia, t\u00e3o frisante no vasto anedot\u00e1rio que corre por sua conta, tem sempre alguma coisa do g\u00e9lido e do cruel dos temperamentos ressentidos e amargos.&#8221;<\/blockquote>\n\u00c9 este homem, cujo perfil o aproxima mais a uma m\u00e1quina do que a um ser humano, que chega, agora, ao governo e se prop\u00f5e a consolidar a Rep\u00fablica com sua m\u00e3o de ferro.\n<h4>A quest\u00e3o constitucional<\/h4>\nCome\u00e7a bem o governo. Logo ao assumir, em 23 de novembro de 1891, Floriano procura restabelecer a ordem constitucional quebrada por Deodoro. Convoca para o dia 18 de dezembro o Congresso fechado por seu antecessor e acaba com o Estado de S\u00edtio, restabelecendo todas as garantias constitucionais Mas, por outro lado, interv\u00e9m no sistema federalista, depondo, em nome da ordem, quase todos os governadores de Estado que apoiaram Deodoro quando este decretou a dissolu\u00e7\u00e3o do Congresso.\n\nCriou, por\u00e9m, outra crise institucional. O artigo 42 da nova Constitui\u00e7\u00e3o determinava que, &#8220;se no caso de vaga, por qualquer causa, da Presid\u00eancia ou vice-Presid\u00eancia n\u00e3o houverem ainda decorridos dois anos do per\u00edodo presidencial, proceder-se-\u00e1 a nova elei\u00e7\u00e3o&#8221;. Floriano recusou-se a faz\u00ea-lo, alegando que a Constitui\u00e7\u00e3o se referia a elei\u00e7\u00e3o presidencial pelo voto direto, sendo que Deodoro e ele foram eleitos em condi\u00e7\u00f5es excepcionais, por voto indireto do parlamento. Com efeito, por um cochilo de reda\u00e7\u00e3o, as Disposi\u00e7\u00f5es Transit\u00f3rias estabeleciam que a primeira elei\u00e7\u00e3o seria indireta e que &#8220;O Presidente e o vice-Presidente eleitos na forma deste artigo [por via indireta] ocupar\u00e3o a Presid\u00eancia e a vice-Presid\u00eancia da Rep\u00fablica por quatro anos&#8221;. Ora, Deodoro renunciou e Floriano n\u00e3o, permanecendo v\u00e1lido seu mandato. Eis o ardil utilizado. Sendo &#8220;vice&#8221; por todo o per\u00edodo de quatro anos, cabia a ele, Floriano, substituir o Presidente enquanto durasse sua aus\u00eancia, ou seja, at\u00e9 o final do mandato.\n\nVerificaram-se intensos e pol\u00eamicos debates, tanto na imprensa como no Congresso, ficando este com a responsabilidade de resolver a quest\u00e3o. Numa solu\u00e7\u00e3o essencialmente pol\u00edtica, o Congresso se manifestou favoravelmente \u00e0 perman\u00eancia de Floriano na presid\u00eancia at\u00e9 o final do per\u00edodo. Essa solu\u00e7\u00e3o foi defendida como sa\u00edda pac\u00edfica para a crise, dado que, num clima de efervesc\u00eancia pol\u00edtica, qualquer outra conclus\u00e3o poderia trazer conseq\u00fc\u00eancias funestas para a incipiente democracia brasileira. Para cumprir a Constitui\u00e7\u00e3o, durante todo o mandato, Floriano se considerava &#8220;vice-Presidente, em substitui\u00e7\u00e3o ao Presidente ausente&#8221;.\n<h4>Revolta da Armada (1892)<\/h4>\nNo dia 6 de abril de 1892, \u00e9 lan\u00e7ado um manifesto, assinado por treze generais e almirantes, exigindo que Floriano convoque novas elei\u00e7\u00f5es, nos termos da Constitui\u00e7\u00e3o. Entre os signat\u00e1rios, est\u00e1 o contra-almirante, Eduardo Wandenkolk, que nas elei\u00e7\u00f5es indiretas, teve de engolir a derrota, em favor do acordo de bastidores que entregou a vice-Presid\u00eancia ao marechal Floriano. Paralelamente, ocorrem manifesta\u00e7\u00f5es populares nas ruas do Rio de Janeiro, enquanto a imprensa incendeia os \u00e2nimos, alimentando a pol\u00eamica em torno de t\u00e3o controvertida mat\u00e9ria. Floriano, ent\u00e3o, apela \u00e0 for\u00e7a bruta, reprimindo com energia os protestos de rua, decretando &#8220;Estado de S\u00edtio&#8221; e colocando na indisponibilidade os oficiais insubordinados, atrav\u00e9s de aposentadoria compuls\u00f3ria que os retirou do comando, solucionando, momentaneamente a crise. N\u00e3o contente com a vit\u00f3ria, manda castigar severamente os envolvidos, deportando-os para as selvas inabitadas da Amaz\u00f4nia, e condenando-os a viver como bichos do mato, distantes da civiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o foram poupados jornalistas, homens de letras e at\u00e9 congressistas, que estavam protegidos com imunidades parlamentares. Entre estes se encontrava Jos\u00e9 do Patroc\u00ednio, o homem que se empenhou na liberta\u00e7\u00e3o dos escravos e, depois, se entregou \u00e0 causa republicana.\n\nNo ano seguinte, por\u00e9m, o contra-almirante Cust\u00f3dio de Mello, ministro da Marinha, se desentende com o marechal e demite-se, sublevando grande parte da Armada, estacionada na ba\u00eda da Guanabara, e recebendo refor\u00e7os com o apoio do almirante Saldanha da Gama, em dezembro de 1893. Ambos tinham pretens\u00f5es diferentes, j\u00e1 que Saldanha continuava monarquista mas, neste momento, a alian\u00e7a convinha a um e outro. A seu lado, est\u00e1 tamb\u00e9m o almirante Wandenkolk que, por raz\u00f5es pessoais, desejava ver o marechal fora do poder. Felizmente para o marechal, a subleva\u00e7\u00e3o n\u00e3o atingiu o Ex\u00e9rcito, que permaneceu fiel ao governo, o qual contava ainda com o apoio da nova classe dominante na Rep\u00fablica, a oligarquia formada pelos ruralistas.\n\nComo resposta imediata, Floriano ordenou \u00e0 artilharia um contra-ataque que atingiu pesadamente os rebelados. N\u00e3o encontrando maior receptividade no Rio de Janeiro e fracassando em sua tentativa de tomar a cidade, uma boa parte da Armada se retirou para o sul do pa\u00eds com o fim de refor\u00e7ar a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista iniciada no Rio Grande no ano anterior. Desembarcou na cidade de Desterro, Santa Catarina (hoje, Florian\u00f3polis) e procurou contato com os revolucion\u00e1rios ga\u00fachos que, entretanto, n\u00e3o viram com bons olhos esse apoio inesperado e n\u00e3o solicitado. Enquanto isso, o Governo central consegue restabelecer sua frota, enviando-a tamb\u00e9m para o sul e sufocando a Revolta da Armada.\n<h4>Revolu\u00e7\u00e3o Federalista no Sul (1893)<\/h4>\nA par com a elei\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o Assembl\u00e9ia Nacional Constituinte, elegia-se, tamb\u00e9m os representantes que iriam cuidar de redigir, votar e promulgar, em seu Estado, a Constitui\u00e7\u00e3o Estadual. Assim se fez, tamb\u00e9m, no Rio Grande do Sul e, em 14 de julho de 1891, exatamente na data do centen\u00e1rio da promulga\u00e7\u00e3o da Carta Magna da Fran\u00e7a, era proclamada a Constitui\u00e7\u00e3o ga\u00facha, reproduzindo, quase na \u00edntegra, o anteprojeto redigido por J\u00falio de Castilhos, com o aux\u00edlio de Assis Brasil e Ramiro Barcelos, com teor fortemente centralizador, concentrando grande parte dos poderes nas m\u00e3os do governador do Estado.\n\nCom efeito, a partir desta data, o Governador passava a ser eleito por cinco anos, com direito a reelei\u00e7\u00e3o (mais tarde, Borges de Medeiros, usando deste dispositivo, ficou no poder por 28 anos). Al\u00e9m disso, podia governar por decreto e tinha a prerrogativa de nomear, ele pr\u00f3prio, o vice-Governador. Havia um legislativo, mas sua a\u00e7\u00e3o se restringia \u00e0 elabora\u00e7\u00e3o e aprova\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento. Prevaleciam, pois, no Rio Grande, as ideias dos positivistas, aliados de um governo forte, centralizado e ditatorial. Assim, eleito governador, J\u00falio de Castilhos, nos seus 31 anos de idade e amigo do ent\u00e3o Presidente Deodoro da Fonseca, passou a ser o mais jovem ditador no Brasil.\n\n<strong>Acontece que, \u00e0 semelhan\u00e7a de seus vizinhos uruguaios, o Rio Grande do Sul possu\u00eda duas correntes pol\u00edticas fortes e claramente definidas:<\/strong> de um lado os &#8220;blancos&#8221;, republicanos, tamb\u00e9m conhecidos como &#8220;chimangos&#8221;; de outro, os &#8220;colorados&#8221;, federalistas, tamb\u00e9m conhecidos como &#8220;maragatos&#8221;. J\u00falio de Castilhos era um republicano e, com a Constitui\u00e7\u00e3o que ele mesmo preparou, garantiu-se perpetuamente no poder, afastando a chance de seus opositores. Estava espalhada a semente da disc\u00f3rdia que levaria o Rio Grande do Sul a dois anos e meio de uma guerra sangrenta e fratricida.\n\nA revolta explode em 1893 e os combates se espalham por todo o Estado. Enquanto isso, no Rio de Janeiro, sai Deodoro, entra Floriano. Este, pela l\u00f3gica deveria aliar-se aos federalistas, contudo achou-os perigosos ao novo regime, por defenderem, ainda, ideais monarquistas. Assim, o novo Presidente optou por apoiar os republicanos, liderados pelo governador J\u00falio de Castilhos, apesar de este ser amigo de Deodoro e haver, tempos atr\u00e1s, assumido posi\u00e7\u00e3o contra a perman\u00eancia de Floriano no poder. Pol\u00edtica tem dessas coisas&#8230;\n\nNo in\u00edcio de 1894, os federalistas avan\u00e7am sobre Santa Catarina, seguem at\u00e9 a cidade de Desterro (Florian\u00f3polis) e v\u00e3o se juntar aos revoltosos da Armada, que vieram do Rio de Janeiro (ver t\u00f3pico anterior), seguindo depois para o Paran\u00e1, onde tomam a cidade de Curitiba. N\u00e3o havia, por\u00e9m, f\u00f4lego para continuar. Uma revolu\u00e7\u00e3o, naquela \u00e9poca, com grande limita\u00e7\u00e3o de recursos t\u00e9cnicos, exigia quantidade apreci\u00e1vel de homens, por conseguinte, armamento e muni\u00e7\u00e3o para todos eles, o que faltava aos revoltosos. Com prud\u00eancia, ent\u00e3o, recuaram, concentrando-se apenas no Rio Grande do Sul e mantendo sua posi\u00e7\u00e3o at\u00e9 a sa\u00edda de Floriano e a posse do novo Presidente, Prudente de Morais, que consegue um acordo honroso para ambas as partes.\n\nO governo de J\u00falio de Castilhos saiu fortalecido com o apoio que recebeu de Prudente de Morais, ao mesmo tempo em que o Congresso Nacional, participando dessa obra de pacifica\u00e7\u00e3o, votou a anistia total aos participantes do movimento revolucion\u00e1rio. Estava superada a crise, mas n\u00e3o as diverg\u00eancias. Os &#8220;blancos&#8221; e os &#8220;colorados&#8221; tinham ideais quase irreconcili\u00e1veis e marcavam suas posi\u00e7\u00f5es pol\u00edticas at\u00e9 pela cor dos len\u00e7os que amarravam ao pesco\u00e7o. Os mais fan\u00e1ticos, cuidavam tamb\u00e9m da cor das roupas usadas em casa e pelos familiares.\n\n<strong>A prop\u00f3sito, comenta D. Alzira Vargas do Amaral Peixoto, em seu livro &#8220;Get\u00falio Vargas, meu Pai&#8221;:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;Comecei a observar em torno de mim e a fazer perguntas. Por que havia desespero e \u00f3dio em tantas fisionomias? Por que n\u00e3o podia cumprimentar certas pessoas? Por que janelas se fechavam silenciosamente e outras se abriam ostensivamente? Por que n\u00e3o podia usar vestidos de cor vermelha? Por que uma cidade pequena como S\u00e3o Borja se dava ao luxo de possuir dois clubes sociais? Por que s\u00f3 pod\u00edamos entrar em um e dev\u00edamos virar o rosto quando \u00e9ramos obrigados a passar em frente ao outro? Por que somente uma parte da fam\u00edlia de minha av\u00f3, do ramo Dornelles, tinha rela\u00e7\u00f5es conosco? Por qu\u00ea?&#8221;<\/blockquote>\nEssa situa\u00e7\u00e3o perdurou at\u00e9 1928, quando Get\u00falio Vargas (um &#8220;blanco&#8221; casado com uma &#8220;colorada&#8221;) assumiu o governo do Rio Grande do Sul e iniciou um processo de uni\u00e3o entre as duas fac\u00e7\u00f5es, mostrando que aquele Estado n\u00e3o conseguiria sair de suas fronteiras para abra\u00e7ar o resto do pa\u00eds, enquanto se ocupasse inteiramente com lutas internas. Por fim, unidos os destinos, em 1930, Get\u00falio, um &#8220;blanco&#8221;, colocou em seu pesco\u00e7o um len\u00e7o vermelho e subiu com destino ao Rio de Janeiro para a derrubada do Presidente Washington Lu\u00eds e a tomada do poder, no qual permaneceu 15 anos!\n<h4>E consolidou-se a Rep\u00fablica<\/h4>\nOs anos do governo Floriano foram dif\u00edceis para ele e, sem d\u00favida, muito mais dif\u00edceis para seus opositores, perseguidos sem tr\u00e9gua e castigados na forma da lei e muito al\u00e9m do que a lei permitia&#8230; Seu governo, longe de ser pacificador, foi um agente multiplicador de \u00f3dios, de tal maneira que a posse de Prudente de Morais, em 15 de novembro de 1894, trouxe a todos um al\u00edvio geral, mesmo com o conhecimento de que os dois eram amigos e correligion\u00e1rios. Floriano deixou uma terr\u00edvel marca em sua passagem pela Presid\u00eancia e os historiadores lhe reservam, no inferno, um apartamento perp\u00e9tuo, sem ar condicionado. Todavia, foi o marechal tudo o que dele falam?\n\nO processo hist\u00f3rico \u00e9 extremamente l\u00f3gico, n\u00e3o se guia por princ\u00edpios de \u00e9tica. Her\u00f3i \u00e9 o vencedor, subversivo \u00e9 quem perde. E Floriano ganhou a luta, cumprindo seu objetivo, qual seja, o de consolidar a Rep\u00fablica Brasileira, permitindo que os seus sucessores (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o do marechal Hermes) fossem todos civis e, at\u00e9 o fim da Rep\u00fablica Velha, a sociedade teve sua participa\u00e7\u00e3o no governo, ainda que de forma limitada, representada pelas suas oligarquias. Mas o poder pol\u00edtico-militar se manteve afastado durante esse per\u00edodo de quarenta anos. Ou se n\u00e3o afastado, pelo menos controlado em todas as tentativas para a retomada do poder.\n\nGrupos interessados na perpetua\u00e7\u00e3o do regime forte, representado pelo marechal, at\u00e9 que tentaram mant\u00ea-lo no poder, gerando forte boataria, em meio \u00e0 qual se realizaram as elei\u00e7\u00f5es. E mesmo depois de empossado o novo presidente da Rep\u00fablica, o primeiro eleito por voto direto, continuou a conspira\u00e7\u00e3o dos saudosistas, mais realistas que o rei, e que desejavam a volta do florianismo.\n\n<strong>A tudo Floriano assistia com desprezo, como conta H\u00e9lio Silva:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">&#8220;Quando, meses depois, um grupo de jovens oficiais da Escola Militar vai visit\u00e1-lo em seu retiro, na Fazenda Para\u00edso, na antiga Esta\u00e7\u00e3o da Divisa, hoje munic\u00edpio de Deodoro, Estado do Rio de Janeiro e lhe dirige um apelo como a \u00fanica esperan\u00e7a da Rep\u00fablica, Floriano sorri, respondendo com sua frase famosa e derradeira: Eu sou um inv\u00e1lido da P\u00e1tria&#8230; N\u00e3o sair\u00e1 mais dali, at\u00e9 29 de julho de 1895, quando termina sua vida.&#8221;<\/p>\nO velho e bravo guerreiro n\u00e3o durou nove meses ap\u00f3s sua \u00faltima batalha, mais violenta que todas as outras de que participara na Guerra do Paraguai. E como naquela, conquistou a vit\u00f3ria, apesar da barb\u00e1rie e das marcas de sangue e viol\u00eancia que deixou em sua passagem. Ao menos para ele, a miss\u00e3o estava cumprida.\n\nDescanse em paz.\n\nFonte: www.pitoresco.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manoel Deodoro da Fonseca, Vida, Governo, Pol\u00edtico, Hist\u00f3ria, Presidente, Brasil, Biografia, Marechal, Manoel Deodoro da Fonseca<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9868,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[56],"tags":[],"class_list":["post-25961","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-biografias"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Manoel Deodoro da Fonseca - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Manoel Deodoro da Fonseca - 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