{"id":25957,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/invasoes-francesas-no-brasil-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:42","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:42","slug":"invasoes-francesas-no-brasil-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/invasoes-francesas-no-brasil-4\/","title":{"rendered":"Invas\u00f5es Francesas no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Invas\u00f5es Francesas no Brasil &#8211; 1555 \u2013 1615<\/strong>\n\nNo s\u00e9culo XVI, logo ap\u00f3s o descobrimento, os franceses tentaram fundar col\u00f4nias no Brasil. A Fran\u00e7a nega a validade do Tratado de Tordesilhas e defende o princ\u00edpio do direito \u00e0 posse da terra por quem a ocupasse.\n\nO governo franc\u00eas apoia a atua\u00e7\u00e3o de cors\u00e1rios e piratas ao longo da costa brasileira e promove duas tentativas de fixa\u00e7\u00e3o territorial.\n\n<strong>Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica<\/strong>\n\nA primeira invas\u00e3o ocorreu em 1555, quando uma expedi\u00e7\u00e3o comandada por Nicolau Durand de Villegaignon estabelece uma col\u00f4nia na ilha de Serigipe (atual Villegaignon), na Ba\u00eda de Guanabara.\n\nChamada de Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica, \u00e9 destinada a abrigar protestantes calvinistas fugidos das guerras religiosas na Europa, que procuram explorar a troca de mercadorias baratas por pau-brasil com os ind\u00edgenas da regi\u00e3o.\n\nOs franceses organizam um arraial, constroem um forte e resistem mais de dez anos \u00e0s investidas portuguesas. S\u00e3o desalojados apenas em 1565, quando as for\u00e7as do governador-geral Mem de S\u00e1 e de seu sobrinho, Est\u00e1cio de S\u00e1, conseguem quebrar a alian\u00e7a entre os estrangeiros e os \u00edndios com o aux\u00edlio dos jesu\u00edtas Manuel da N\u00f3brega e Jos\u00e9 de Anchieta. Em seguida tomam posi\u00e7\u00e3o na ba\u00eda e fundam a cidade do Rio de Janeiro.\n\nOs franceses s\u00e3o expulsos em 1567.\n\n<strong>Fran\u00e7a Equinocial<\/strong>\n\nA segunda invas\u00e3o acontece no Maranh\u00e3o, a partir de 1594.\n\nDepois de naufragar na costa maranhense, os aventureiros Jacques Riffault e Charles des Vaux estabelecem-se na regi\u00e3o. Diante do lucro obtido com o escambo, conseguem o apoio do governo franc\u00eas para a cria\u00e7\u00e3o de uma col\u00f4nia, a Fran\u00e7a Equinocial. Em 1612, uma expedi\u00e7\u00e3o chefiada por Daniel de la Touche desembarca no Brasil centenas de colonos, constr\u00f3i casas e igrejas e levanta o forte de S\u00e3o Lu\u00eds, origem da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o.\n\nNo ano seguinte, os franceses s\u00e3o atacados por for\u00e7as portuguesas sa\u00eddas de Pernambuco, sob o comando de Jer\u00f4nimo de Albuquerque. Derrotados, os invasores deixam o Maranh\u00e3o em 1615.\n\nMesmo n\u00e3o conseguindo instalar-se no territ\u00f3rio brasileiro, os franceses n\u00e3o abandonam a costa do pa\u00eds. At\u00e9 o s\u00e9culo XVIII, piratas e cors\u00e1rios, com menor ou maior ajuda oficial, assediam e pilham constantemente povoados e engenhos. O alvo mais frequente \u00e9 o litoral nordestino, mas atacam tamb\u00e9m cidades importantes, como o Rio de Janeiro, invadida em 1710 e 1711 pelos cors\u00e1rios Du Clerc e Dugay-Trouen.\n\n<strong>Invas\u00f5es Francesas no Brasil &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n<p align=\"center\"><img decoding=\"async\" title=\"Invas\u00f5es Francesas no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iinvaso10.jpg\" alt=\"Invas\u00f5es Francesas no Brasil\" \/>\n<strong>Invas\u00f5es Francesas no Brasil<\/strong><\/p>\nOs portos franceses na Normandia, especialmente o de Rouen e Dieppe, onde no s\u00e9culo XVI estava estabelecida uma ind\u00fastria t\u00eaxtil florescente que se tornava a principal atividade econ\u00f4mica que competia com Portugal pelo mercado brasileiro. Atentos \u00e0 presen\u00e7a de vastas florestas com \u201cPau Brasil\u201d (usado no tingimento de tecidos) no litoral brasileiro, os franceses logo estabeleceram rela\u00e7\u00f5es comerciais com os ind\u00edgenas.\n\nA primeira viagem data de 1503-1504, quando a embarca\u00e7\u00e3o \u201cEspoir\u201d chegou \u00e0s costas brasileiras.\n\nAp\u00f3s este primeiro contato, multiplicaram-se as expedi\u00e7\u00f5es.\n\nEm 1531, dois navios franceses e 120 homens sob o comando de Jean Dup\u00e9ret, aportaram nas costas brasileiras. Na ilha de Santo Aleixo (pr\u00f3ximo de Recife), chamada pelos franceses de \u201cIle Saint-Alexis\u201d, eles constru\u00edram um forte e uma feitoria comercial. Esta feitoria francesa teve vida breve. Os portugueses capturaram os navios franceses na sua viagem de volta \u00e0 Europa e em dezembro de 1531 sitiaram o forte franc\u00eas at\u00e9 a rendi\u00e7\u00e3o.\n\nOs\u00a0<strong>franceses\u00a0<\/strong>fizeram tr\u00eas outras tentativas para se estabelecerem no Brasil. A primeira delas foi no Rio de Janeiro (1555-1560), a segunda em Ibiapaba-Cear\u00e1 (1590-1604), e a terceira em S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o (1612-1615).\n\n<strong>A Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica 1555-1560<\/strong>\n\nNa d\u00e9cada de 1550, a regi\u00e3o de Cabo Frio at\u00e9 o Rio de Janeiro estava mais sob o controle dos franceses do que sob o dom\u00ednio dos portugueses.\n\n<strong>Por quase cinco anos, entre 1555 e 1560, os franceses mantiveram um forte numa pequena ilha na Ba\u00eda de Guanabara (Rio de Janeiro):<\/strong>\u00a0o Forte Coligny.\n\nOs calvinistas Nicolas Durand de Villegagnon foi enviado ao Brasil em 1555 para marcar a presen\u00e7a francesa naquele lugar. Em 14 de agosto de 1555, com tr\u00eas navios, 600 marinheiros e colonos, ele partiu em dire\u00e7\u00e3o ao Brasil.\n\nA expedi\u00e7\u00e3o francesa chegou entre 10-15 de novembro de 1555, na Ba\u00eda de Guanabara e desembarcaram numa ilha deserta, a atual ilha de Villegagnon.\n\nNela foi constru\u00eddo o Forte Coligny e logo estabeleceram boas rela\u00e7\u00f5es com os ind\u00edgenas que l\u00e1 habitavam.\n\nOs membros desta primeira expedi\u00e7\u00e3o eram quase todos da Bretanha e da Normandia e subdividiam-se entre Cat\u00f3licos e Protestantes.\n\nPouco tempo depois, em mar\u00e7o de 1556, chegou uma segunda expedi\u00e7\u00e3o composta de tr\u00eas navios e 190 homens.\n\nA col\u00f4nia teve um bom desenvolvimento, mas as normas intolerantes e rigorosas de Villegagnon paralisaram o crescimento do promissor n\u00facleo franc\u00eas.\n\nAs regras opressoras de Villegagnon obrigaram uma boa parte dos colonos a abandonarem o local. Entre eles, alguns huguenotes que voltaram para a Fran\u00e7a, onde suas den\u00fancias levaram \u00e0 desist\u00eancia de uma expedi\u00e7\u00e3o de 700 a 800 colonos que estava sendo organizada.\n\nEm 1559, Villegagnon tamb\u00e9m voltou \u00e0 Fran\u00e7a, deixando o comendo da col\u00f4nia para seu sobrinho Bois-le-Comte.\n\nPortugal que n\u00e3o estava disposto a tolerar a presen\u00e7a francesa em suas terras, enviou uma expedi\u00e7\u00e3o de 120 portugueses e 1.000 \u00edndios, sob as ordens de Mem de S\u00e1, Governador Geral do Brasil (1558-1570), que em 16 de mar\u00e7o de 1560, ap\u00f3s dois dias e duas noites de um enfrentamento encarni\u00e7ado, destruiu a col\u00f4nia francesa. Os 70 sobreviventes franceses e seus 800 \u00edndios aliados, desmoralizados, abandonaram o forte e se refugiaram entre outros ind\u00edgenas.\n\n<strong>Como W.J. Eccles escreveu em seu livro \u201cFrance in America\u201d:\u00a0<\/strong>\u201cFor a century, French traders had challenged the Portuguese hold on this vast region, with little or no aid from the Crown. But for religious dissension at Rio de Janeiro, and the unfortunate character of Villegagnon, France rather than Portugal might well have established a vast empire in South America.\u201d\n\nTraduzindo, \u201cDurante um s\u00e9culo, os comerciantes franceses desafiaram os portugueses nesta vasta regi\u00e3o, com pequena ou nenhuma ajuda da Coroa. Mas por causa da dissen\u00e7\u00e3o religiosa no Rio de Janeiro, e do p\u00e9ssimo car\u00e1ter de Villegagnon, a Fran\u00e7a, mais do que Portugal, poderia ter fincado bases de um grande imp\u00e9rio na Am\u00e9rica do Sul.\n\n<strong>Ibiapaba 1590-1604<\/strong>\n\nEm 1590, sob o comando de Adolf Montbille, uma expedi\u00e7\u00e3o francesa se estabeleceu em Ibiapaba (Vi\u00e7osa-Cear\u00e1), onde os franceses fundaram uma feitoria e um forte, e comercializavam \u201cpau brasil\u201d com os \u00edndios que habitavam o n\u00facleo comercial franc\u00eas. Os franceses viveram em paz com os ind\u00edgenas por 14 anos, mas em 1604 uma expedi\u00e7\u00e3o portuguesa chefiada por Pero Coelho atacou a col\u00f4nia e ap\u00f3s uma batalha violenta, fo\u00e7aram os franceses a se renderem.\n\n<strong>S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o &#8211; 1612-1615<\/strong>\n\nEm 19 de mar\u00e7o de 1612, tr\u00eas navios franceses partiram do porto franc\u00eas de Canacale em dire\u00e7\u00e3o ao Maranh\u00e3o.\n\n<strong>Esses navios eram:<\/strong>\u00a0\u201cRegent\u201d sob o comendo de Rasilly e La Ravardi\u00e8re, \u201cCharlotte\u201d comandado pelo Bar\u00e3o de Sancy e o \u201cSainte-Anne\u201d.\n\nEm 24 de junho os navios chegaram \u00e0 Ilha de Fernando de Noronha onde permaneceram at\u00e9 8 de julho. L\u00e1 eles encontraram um portugu\u00eas e 17 ou 18 escravos ind\u00edgenas. Todos eles foram levados para o Maranh\u00e3o.\n\nEm 29 de julho, os franceses alcan\u00e7aram a ilha \u201cPequena do Maranh\u00e3o\u201d, que se encontrava deserta. Esta ilha foi batizada pelos franceses como Ilha de Santana (Sainte-Anne).\n\nDe l\u00e1 os franceses se deslocaram para a ilha \u201cGrande do Maranh\u00e3o\u201d onde eles encontraram alguns navios de Dieppe e de Le Havre com 400 franceses que comerciavam com os ind\u00edgenas.\n\nNesta ilha os capuchinhos constru\u00edram o convento de S\u00e3o Francisco (Sainte Fran\u00e7oise) e perto dele, um forte chamado Forte S\u00e3o Lu\u00eds (Saint-Louis).\n\nEm 20 de dezembro de 1612, uma capela religiosa foi inaugurada.\n\nAli os franceses viveram em paz por quase dois anos.\n\nEm 1613, os l\u00edderes do assentamento resolveram retornar \u00e0 Fran\u00e7a em busca de refor\u00e7os. Ap\u00f3s algumas tentativas junto \u00e0 Corte, eles come\u00e7aram a preparar uma expedi\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3spera. Na P\u00e1scoa de 1614, o navio \u201cRegent\u201d com 300 franceses partiram na dire\u00e7\u00e3o do Maranh\u00e3o. Em 14 de junho, o navio passou em frente do forte portugu\u00eas do Cear\u00e1, and em 18 de junho a expedi\u00e7\u00e3o chegava ao \u201cBuraco das Tartarugas\u201d ou Jaracoar\u00e1 onde havia outro forte portugu\u00eas..\n\nApesar dos obst\u00e1culos, os refor\u00e7os franceses chegaram a salvo no Maranh\u00e3o.\n\nReconhecendo a presen\u00e7a cont\u00ednua dos navios na regi\u00e3o, os portugueses constru\u00edram v\u00e1rios fortes para controlar a costa com o intuito de acabar com o com\u00e9rcio franc\u00eas. Em 1611 ou 1612, os portugueses haviam fundado o forte do Cear\u00e1, chamado Nossa Senhora do Amparo; em agosto de 1613, eles haviam fundado tamb\u00e9m o forte de Jaracoar\u00e1, chamado Nossa Senhora do Ros\u00e1rio.\n\nEm 26 de outubro de 1614, uma tropa portuguesa de 500 homens (portugueses e \u00edndios), chegou \u00e0 terra-firme, perto dos assentamento franceses, com o objetivo de os expulsar.\n\nOs portugueses acamparam em Guaxenduba onde constru\u00edram um acampamento fortificado, chamado Forte de Santa Maria.\n\nOs franceses do Maranh\u00e3o, sendo superiores em n\u00famero, decidiram tomar a iniciativa e em 19 de novembro de 1614, com 7 navios, 50 canh\u00f5es e o refor\u00e7o de 200 franceses e 1.500 \u00edndios atacaram o forte portugu\u00eas.\n\nO ataque se transformou, por\u00e9m, numa derrota esmagadora para os franceses.\n\nEm 27 de novembro de 1614, foi assinado um armist\u00edcio de dura\u00e7\u00e3o de um ano, com o objetivo de permitir ao rei da Fran\u00e7a e da Espanha estabelecer uma sa\u00edda diplom\u00e1tica.\n\nTamb\u00e9m decidiu-se enviar emiss\u00e1rios franceses e portugueses \u00e0 Europa para explicar a quest\u00e3o.\n\nEnt\u00e3o, em 16 de dezembro de 1614, o navio \u201cRegent\u201d, partiu para a Europa tendo a bordo emiss\u00e1rios portugueses e franceses. Os resultados desta miss\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o bem conhecidos.\n\nPor\u00e9m os refor\u00e7os franceses para o Maranh\u00e3o nunca chegaram.\n\nEntretanto, em 1\u00ba de novembro de 1615, uma frota portuguesa de 9 navios e de v\u00e1rias centenas de homens, sob o comando de Alexandre de Moura, chegou aos assentamentos franceses.\n\nOs portugueses aportaram na ilha \u201cGrande do Maranh\u00e3o\u201d e entrincheiraram-se na altura de S\u00e3o Francisco. O forte foi chamado de \u201cQuartel de S\u00e3o Francisco\u201d.\n\nEm 3 de novembro de 1615, os franceses j\u00e1 desmoralizados, se renderam sem lutas.\n\n<b>Invas\u00f5es Francesas em S\u00e3o Lu\u00eds\u00a0Maranh\u00e3o<\/b>\n\nA terra que hoje se chama\u00a0<strong>Maranh\u00e3o<\/strong>\u00a0foi, segundo algumas est\u00f3rias e alguns historiadores, o primeiro territ\u00f3rio a ser conhecido pelos obstinados descobridores europeus. De qualquer forma, norteando toda a Am\u00e9rica Latina, os limites que contornam o Maranh\u00e3o, tanto o de outrora como o atual, sempre estiveram como a dar boas vindas a quem viesse do mar.\n\nAssim passaram por aqui muitos e muitos, at\u00e9 que em abril de 1500 o portugu\u00eas Pedro \u00c1lvares Cabral descobre oficialmente a nossa antepassada Vera Cruz, legitimando para todos os efeitos a posse de Portugal sobre o que viria a ser o Brasil. Mas os interesses e a aten\u00e7\u00e3o da Coroa Portuguesa se deslocavam para bem longe daqui, importando ao rei D. Manuel apenas o lucro sem qualquer investimento em suas col\u00f4nias. E mesmo em se tratando de lucros, a col\u00f4nia brasileira se resumia \u00e0 sede da Corte, na Bahia.\n\nO norte do Brasil permaneceu por muitos anos como terra de ningu\u00e9m. Somente tr\u00eas d\u00e9cadas depois do descobrimento do Brasil D. Jo\u00e3o III resolveu dividi-lo em capitanias heredit\u00e1rias.\n\nMuitas foram as expedi\u00e7\u00f5es que tentaram colonizar a regi\u00e3o que dava acesso ao t\u00e3o badalado Peru, terra do Eldorado e de prometidas riquezas. Isto s\u00f3 se deu efetivamente em meados do s\u00e9culo XVII.\n\nDepois de vir como olheiro da Fran\u00e7a e de confirmar a excel\u00eancia das terras do norte brasileiro, Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardi\u00e8re volta com o companheiro Fran\u00e7ois de Rasilly e Auneles, em 1612, estabelecendo no dia 8 de setembro, na ilha do Maranh\u00e3o \u2013 chamada pelos \u00edndios de Upaon-A\u00e7u (Ilha Grande), o breve sonho da Fran\u00e7a Equinocial.\n\nApesar de lutarem por seus territ\u00f3rios, os \u00edndios do Nordeste chegaram a manter relacionamentos amistosos com os franceses. Daniel de la Touche e sua expedi\u00e7\u00e3o composta de tr\u00eas naus \u2013 Regente, Charlotte e Saint\u00b4Anne \u2013 sa\u00edram da Fran\u00e7a com o compromisso documentado de tentar aproxima\u00e7\u00e3o pac\u00edfica com os \u00edndios. \u00c9 claro que n\u00e3o era exatamente um tiro no escuro, um certo lobby j\u00e1 havia sido providenciado entre viajantes franceses (como Jacques Riffault e Charles Des Vaux) e chefes ind\u00edgenas com bom tr\u00e2nsito em v\u00e1rias aldeias. No Maranh\u00e3o existiam \u00edndios do grupo tupi, como as tribos tupinamb\u00e1s, tabajaras, caet\u00e9s \u2013 habitantes do litoral, e tamb\u00e9m \u00edndios do grupo tapuia, como os guaj\u00e1s, guajajaras, gamelas, barbados \u2013 nativos do interior.\n\nDa fus\u00e3o entre estes dois grupos surgiram os tupinambaranas, muito comum na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.\n\nA chegada dos franceses na ilha do Maranh\u00e3o foi o suficiente para que o norte sa\u00edsse do anonimato na mesa de decis\u00f5es da Coroa portuguesa.\n\nO forte de S\u00e3o Lu\u00eds foi reconquistado pelos portugueses na famosa batalha de Guaxenduba, nome das terras em frente \u00e0 ilha, entre os rios Munim e Anajatuba, em 3 de novembro de 1615.\n\nOs franceses estavam em maior n\u00famero e mais bem equipados que Jer\u00f4nimo de Albuquerque, sem falar dos \u00edndios tupinamb\u00e1s que os apoiavam. Apesar disso, a vit\u00f3ria foi lusitana. Para explicar o inexplic\u00e1vel, a sabedoria popular recorreu \u00e0 Virgem Maria, chamando a dita expedi\u00e7\u00e3o de milagrosa, por Ela ter transformado areia em p\u00f3lvora para os portugueses.\n\nCom os portugueses a coisa mudou de figura para os \u00edndios, que se viram \u00e0s voltas com a escravid\u00e3o, com a catequese dos jesu\u00edtas, com a mudan\u00e7a de seus h\u00e1bitos e, enfim, com a acultura\u00e7\u00e3o.\n\nA partir da\u00ed a Coroa n\u00e3o deixou o norte \u00e0 mingua, garantindo sua defesa contra piratas estrangeiros com edifica\u00e7\u00e3o de fortalezas. Em 1616 havia no Maranh\u00e3o 513 soldados, enquanto na Bahia, que era a sede do governo, havia 140. Os tr\u00eas principais fortes eram o Forte de S\u00e3o Lu\u00eds, o de Sardinha e o de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itapari.\n\nMesmo com todo esse aparato a ilha de S\u00e3o Lu\u00eds n\u00e3o ficou imune aos invasores, sofrendo o ataque de holandeses, em 25 de novembro de 1641.\n\nComandados pelo almirante Jon Cornellizon Lichthardt e o coronel Koin Anderson, desembarcaram no Desterro e tomaram a cidade. Depois consolidaram o dom\u00ednio partindo para o interior, especialmente Tapuitapera (hoje Alc\u00e2ntara) e Itapecuru, regi\u00e3o de mais intensa movimenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica.\n\nPouco tempo passaram os holandeses. Foram 27 meses de ocupa\u00e7\u00e3o, mas o suficiente para deixarem a cidade destru\u00edda, igrejas saqueadas e fazendas incendiadas. No dia 28 de fevereiro de 1644 os holandeses debandaram depois de algumas guerrilhas e batalhas, fazendo do Capit\u00e3o-Mor Teixeira de Melo o her\u00f3i da reconquista. Nessa \u00e9poca a escravid\u00e3o negra ainda era insignificante, sendo a m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena a mola propulsora do desenvolvimento do Estado, gerando incont\u00e1veis conflitos tanto internos como nas Cortes europ\u00e9ias.\n\nO pequeno desenvolvimento que houve ent\u00e3o foi gra\u00e7as ao trabalho servil do \u00edndio.\n\n<strong>Segundo historiadores, a vida econ\u00f4mica do Estado do Maranh\u00e3o entre 1621 e 1684 foi um tanto complicada:<\/strong>\u00a0tr\u00e1fico de \u00edndios, pequena exporta\u00e7\u00e3o de algod\u00e3o e de alguns produtos da terra.\n\nSem falar nas in\u00fameras proibi\u00e7\u00f5es, desde a explora\u00e7\u00e3o do ferro, como a fabrica\u00e7\u00e3o de tecidos de algod\u00e3o, l\u00e3, linha ou seda e at\u00e9 a de exercer a profiss\u00e3o de ourives. Claro que havia os privilegiados, os favores especiais e os monop\u00f3lios, ingredientes infal\u00edveis para a revolta, temperada pela insatisfa\u00e7\u00e3o geral.\n\nUm desses monop\u00f3lios foi a cria\u00e7\u00e3o, em 1682, da Companhia de Com\u00e9rcio do Maranh\u00e3o e Gr\u00e3o-Par\u00e1 \u2013 estopim da primeira revolta anticolonialista no Brasil que foi a insurrei\u00e7\u00e3o maranhense liderada por Manuel Beckman. A Companhia detinha a exclusividade de todo tipo de com\u00e9rcio e n\u00e3o pagava impostos.\n\nN\u00e3o por acaso o Governador de ent\u00e3o, Francisco S\u00e1 de Menezes, tamb\u00e9m era s\u00f3cio da Companhia. Apesar da compreens\u00edvel indiferen\u00e7a da Coroa sobre o que ocorria no Maranh\u00e3o, a situa\u00e7\u00e3o chegou ao ponto da popula\u00e7\u00e3o passar fome e os abusos da Companhia tornaram-se insuport\u00e1veis. Assim estava detonada a revolu\u00e7\u00e3o, sob a chefia de Manuel Beckman, lavrador bem-sucedido com experi\u00eancia pol\u00edtica como vereador. Em 23 de fevereiro de 1684 a revolu\u00e7\u00e3o partiu do convento dos capuchinhos de Santo Ant\u00f4nio, destronou autoridades como o pr\u00f3prio governador, o capit\u00e3o-mor e o comandante das for\u00e7as militares, constituindo uma Junta Governativa e expulsando ainda os jesu\u00edtas, que monopolizavam o com\u00e9rcio de \u00edndios.\n\nBeckman buscou ades\u00e3o nas cidades de Tapuitapera (Alc\u00e2ntara) e Bel\u00e9m. Nada feito.\n\nObteve apenas uma proposta de regalias do governador de Bel\u00e9m caso ele desistisse e rendesse obedi\u00eancia \u00e0s autoridades de antes. Manuel Beckman fez o poss\u00edvel para legalizar seu feito, mas a revolu\u00e7\u00e3o perdeu o entusiasmo inicial e fez-se o terreno para uma a\u00e7\u00e3o en\u00e9rgica da Coroa.\n\n<strong>\u00c9 hist\u00f3rica a frase de Beckman minutos antes de ser enforcado, no dia 2 de novembro de 1685:\u00a0<\/strong>\u201cpelo povo do Maranh\u00e3o morro contente\u201d.\n\nEle que teve todas as chances de empreender uma fuga diante do esfacelamento da revolu\u00e7\u00e3o, morreu como m\u00e1rtir deixando a semente libert\u00e1ria que brotaria anos depois com a inconfid\u00eancia mineira de Tiradentes (1789).\n\n<strong>Em tempo:\u00a0<\/strong>apesar da morte de seu l\u00edder, a revolu\u00e7\u00e3o atingiu seu objetivo m\u00e1ximo que era o de acabar com o monop\u00f3lio no com\u00e9rcio.\n\nUm s\u00e9culo de poucos acontecimentos significativos marcam o Maranh\u00e3o desse tempo, sempre subjugado pelos desmandos da Coroa. Em 1730, por exemplo, era recomenda\u00e7\u00e3o expressa que ningu\u00e9m mexesse com minas, cuidando somente da agricultura. E s\u00f3 em 1732 come\u00e7ou a circular no Maranh\u00e3o o dinheiro em forma de moedas de ouro, prata e cobre, eliminando os primitivos novelos de fios de algod\u00e3o e varas de pano. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 de agora que se ouve falar de reforma administrativa. Quando D. Jos\u00e9 (1750-1777) assume o reinado de Portugal e faz de Sebasti\u00e3o Jos\u00e9 de Carvalho e Melo, futuro Marqu\u00eas de Pombal, o seu ministro, uma nova mentalidade se delineia, com objetivos de moralizar a administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica do reinado de D. Jos\u00e9. Ele foi o grande respons\u00e1vel pelas transforma\u00e7\u00f5es progressistas na pol\u00edtica s\u00f3cio-econ\u00f4mica de Portugal com sua col\u00f4nias.\n\nO Estado do Maranh\u00e3o, que at\u00e9 ent\u00e3o era coligado ao Par\u00e1, tornou-se independente pela ordem-r\u00e9gia de 20 de agosto de 1772. De 1772 a 1779 Joaquim de Melo e P\u00f3voas governou o Maranh\u00e3o como estado independente. Como sobrinho de Pombal e por suas ideias motivado, P\u00f3voas muito fez para que o Maranh\u00e3o pudesse, nesses \u00faltimos anos de col\u00f4nia, experimentar o progresso. A cria\u00e7\u00e3o da Companhia Geral do Com\u00e9rcio mudou a situa\u00e7\u00e3o, trazendo escravos africanos a pre\u00e7os acess\u00edveis, apoiando a lavoura, construindo navios, financiando neg\u00f3cios, etc.\n\nO\u00a0<strong>Maranh\u00e3o<\/strong>\u00a0passa a ocupar o quarto lugar no ranking das maiores prov\u00edncias exportadoras, atr\u00e1s da Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro.\n\nMorre o Marqu\u00eas de Pombal e com ele suas ideias, em 1782. Mas seu poder j\u00e1 declinara uma d\u00e9cada antes, quando morrera seu protetor, o rei D. Jos\u00e9. Em 1785, um alvar\u00e1 da Coroa extingue todas as f\u00e1bricas e manufaturas de ouro, prata, seda, algod\u00e3o, linho e l\u00e3 existentes no Brasil.\n\nO desenvolvimento econ\u00f4mico voltaria a surgir quando a corte portuguesa teve que se mudar para o Brasil, fugindo das tropas napole\u00f4nicas. Com a abertura dos portos ao com\u00e9rcio das na\u00e7\u00f5es, a liberdade outorgada \u00e0s ind\u00fastrias nacionais, a funda\u00e7\u00e3o de escolas e organiza\u00e7\u00e3o banc\u00e1ria, tamb\u00e9m o Maranh\u00e3o p\u00f4de viver mais um per\u00edodo de prosperidade, em grande parte pelo cultivo do algod\u00e3o.\n\nO Estado do Maranh\u00e3o e o da Bahia foram os que mais receberam escravos da \u00c1frica. Para o Maranh\u00e3o vieram os angolas, congos, fanti-ashanti, nag\u00f4s, g\u00eages, entre outros.\n\n<strong>\u00c9 interessante comentar um exemplo de empres\u00e1ria bem-sucedida depois de lutar contra todo tipo de adversidade:\u00a0<\/strong>a negra Catarina Rosa Ferreira de Jesus, famosa Catarina Nina. Obstinada e competente, Catarina comprou sua liberdade e tornou-se rica comerciante de farinha, desfilando na Praia Grande ombro a ombro com os mais brancos fidalgos lusitanos.\n\n<strong>Maranh\u00e3o<\/strong>\u00a0foi uma das \u00faltimas prov\u00edncias a aceitar o grito de D.Pedro I no Ipiranga, aderindo \u00e0 independ\u00eancia do Brasil quase um ano depois do hist\u00f3rico 8 de setembro de 1822.\n\nTalvez por ter permanecido muito esquecido pela Coroa, o Maranh\u00e3o deu trabalho \u00e0s tropas militares do Imp\u00e9rio. Em especial no interior do Estado, o movimento dos que queriam a independ\u00eancia do Maranh\u00e3o era forte e s\u00f3 foi vencido com a chegada do pirata ingl\u00eas Alexander Cochrane respondendo pela fun\u00e7\u00e3o de Primeiro Almirante da Armada Imperial.\n\n\u00c0 for\u00e7a de alguns canh\u00f5es Lord Cochrane proclamou a ades\u00e3o da prov\u00edncia do Maranh\u00e3o ao Imp\u00e9rio do Brasil, no dia 28 de julho de 1823.\n\nA tranquilidade ainda estaria longe. Mais um vez a hist\u00f3ria do Maranh\u00e3o ganharia p\u00e1gina sangrenta com a Balaiada, rebeli\u00e3o armada que aconteceu em 1838. O movimento recebeu este nome por causa de seu l\u00edder, Manoel Francisco dos Anjos Ferreira, fabricante de balaios. Os ares de insatisfa\u00e7\u00e3o, as brigas pelo poder e as confusas no\u00e7\u00f5es de liberdade foram os elementos desta equa\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, velha conhecida dos homens.\n\nDiz-se que a gota d\u2019\u00e1gua foi uma tal \u201cLei dos Prefeitos\u201d, que dava poderes de juiz e delegado de pol\u00edcia aos prefeitos.\n\n<strong>Dois partidos pol\u00edticos eram not\u00edcia nessa \u00e9poca:\u00a0<\/strong>os ditos liberais e republicanos, chamados de Bem-te-Vis, e os assumidos conservadores, chamados de Cabanos.\n\n<strong>Um incidente de estrada deflagra a Balaiada:<\/strong>\u00a0Raimundo Vieira era vaqueiro de um chefe \u201cbem-te-vi\u201d e quando tangia o gado pr\u00f3ximo a Vargem Grande teve parte de seus homens presos sob alega\u00e7\u00e3o de recrutamento militar. O subprefeito era \u201ccabano\u201d e isso motivou Raimundo a reagir com viol\u00eancia, invadindo a pris\u00e3o da Vila da Manga e soltando seus boiadeiros. Logo os policiais viraram \u201cbalaios\u201d, e assim tamb\u00e9m todos os perseguidos, explorados, negros fugidos, etc.\n\nUm deles, o Chefe Cosme, intitulou-se \u201cTutor e Imperador da Liberdade Bem-Te-Vi\u201d, alardeando o apoio dos \u201cbem-te-vis\u201d ao movimento.\n\nMas apoio mesmo fundamentado em conceitos ideol\u00f3gicos n\u00e3o houve nenhum. Os intelectuais de destaque nesse tempo preferiram extravasar seus ideais na tinta do papel a pegar nas armas.\n\nE tudo ficou por conta do instinto. Foi preciso um ano de lutas at\u00e9 que o Cel. Lu\u00eds Alves de Lima e Silva pusesse fim \u00e0 revolta. O Cel. enriqueceu seu curr\u00edculo e ganhou o t\u00edtulo de Bar\u00e3o de Caxias.\n\nDom Cosme foi para a forca. Raimundo Vieira, o boiadeiro que tudo come\u00e7ou morreu a caminho do ex\u00edlio em S\u00e3o Paulo. A Balaiada durou dois anos e mobilizou cerca de dez mil homens.\n\nPor muitos anos o Maranh\u00e3o se viu verdadeiramente emaranhado nas teias da pol\u00edtica que insuflava o interior contra a capital, fazendeiros contra comerciantes e burocratas.\n\n<strong>Viveu dois grandes momentos de apogeu econ\u00f4mico no s\u00e9culo XVIII:\u00a0<\/strong>os Ciclos do Algod\u00e3o e do A\u00e7\u00facar. Com uma economia e sociedade tipicamente coloniais, o Maranh\u00e3o entrou em decad\u00eancia com a aboli\u00e7\u00e3o dos escravos, cujos bra\u00e7os sustentavam toda atividade produtiva do Estado. Quando a Rep\u00fablica chegou esse processo decadente se acentuou, despreparado que estava o Maranh\u00e3o para os novos encargos republicanos.\n\nEm 8 de setembro de 1612, nas terras habitadas de Ypaon-A\u00e7u, Daniel de La Touche, Senhor de La Ravardi\u00e8re, acompanhado de Fran\u00e7ois de Rasally, Senhor de Rasally e Aunelles, em nome da corte do rei menino Lu\u00eds XIII da Fran\u00e7a, aportou nesta ilha quase \u00e0 linha do Equador, com tr\u00eas navios e uma tripula\u00e7\u00e3o de 500 homens, onde edificou um forte e um ancoradouro.\n\nLogo depois, mandou celebrar uma missa por ordem de Maria de M\u00e9dici, m\u00e3e tutora do rei fran\u00e7\u00eas. Naquele momento surgia no Brasil uma capital fundada por franceses.\n\nEm 1915, os portugueses ent\u00e3o avan\u00e7aram sobre o forte de S\u00e3o Lu\u00eds e estenderam seu dom\u00ednio na regi\u00e3o. O forte foi rebatizado com o nome de S\u00e3o Felipe.\n\nCom a prov\u00edncia do Maranh\u00e3o, Portugal garantia o bloqueio e a coloniza\u00e7\u00e3o no Norte deste vasto continente brasileiro.\n\nEm 1641, os holandeses investiram na regi\u00e3o e por tr\u00eas anos dominaram o territ\u00f3rio, quando ent\u00e3o, ap\u00f3s algumas batalhas, a vit\u00f3ria garantiu a Portugal o dom\u00ednio definitivo do Maranh\u00e3o.\n\nJeito simples e rom\u00e2ntico de um povo de ver e viver a vida, expresso ora nos vivos bordados de seus azulejos, ora nos versos e cores de seu \u201cBumba-meu-Boi\u201d.\n\n<strong>FRANCESES NO NORTE E NORDESTE<\/strong>\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, ainda havia pontos do litoral brasileiro mais frequentados pelos cors\u00e1rios franceses do que pelos portugueses, como era o caso do Maranh\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Invas\u00f5es Francesas no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/iinvaso12.jpg\" alt=\"Invas\u00f5es Francesas no Brasil\" \/><strong>\nOs franceses ocupam o Maranh\u00e3o no in\u00edcio do s\u00e9culo XVII <\/strong><\/p>\nEm 1594, os tripulantes de dois navios franceses, dos tr\u00eas que formavam a frota de Jacques Riffault, ficaram perdidos na ilha de Santana, e conviveram pacificamente com os \u00edndios Tupinamb\u00e1s. Alguns anos depois, um dos tripulantes, Charles des Vaux, conseguira voltar a Fran\u00e7a, e este fizera uma intensa propaganda aos propriet\u00e1rios dos armadores da Normandia e Bretanha (Norte da Fran\u00e7a) para que se criasse uma col\u00f4nia francesa no Maranh\u00e3o.\n\nEssa id\u00e9ia foi aceita com entusiasmo por Daniel de la Touche, Senhor de La Ravardi\u00e8re, que j\u00e1 havia andado pelo litoral da atual Guiana, em viagem de explora\u00e7\u00e3o em 1604 com Jean Mocquet.\n\n<strong>A Fran\u00e7a Equinocial \u00e9 dividida em duas fases distintas:<\/strong>\u00a0em primeiro, o reconhecimento e em segundo, a ocupa\u00e7\u00e3o. A primeira fase foi organizada por La Ravardi\u00e8re, com o apoio de Francisco de Rasilly, Senhor des Aumels, Nicolau de Harlay de Sancy, Bar\u00e3o de la Molle e de Gros-Bois, com o objetivo de reconhecer a regi\u00e3o e viabilizar a constru\u00e7\u00e3o de um forte e manter o conv\u00edvio pac\u00edfico com os \u00edndios da regi\u00e3o, para uma posterior ocupa\u00e7\u00e3o com colonos. Nesta fase, a expedi\u00e7\u00e3o era composta por tr\u00eas navios, na qual a sua tripula\u00e7\u00e3o era basicamente de volunt\u00e1rios. Muitos deles eram fidalgos e aventureiros, al\u00e9m de quatro padres capuchinhos e de um portugu\u00eas e alguns \u00edndios, que se encontravam em degredo na ilha de Fernando de Noronha.\n\nE foi assim que, em 1611, a bandeira francesa, com flores-de-lis, foi hasteada pela primeira vez no Maranh\u00e3o, no meio dos Tupinamb\u00e1s. La Ravardi\u00e8re cumpriu a sua miss\u00e3o no Brasil, regressando seis meses mais tarde a Fran\u00e7a, pondo fim a primeira fase da Fran\u00e7a Equinocial.\n\n<strong>No dia 19 de mar\u00e7o de 1612, zarpara a frota, de Cancale, na Bretanha, e esta era composta por tr\u00eas navios:<\/strong>\u00a0La R\u00e9gente; comandado por La Ravardi\u00e8re auxiliado por Rasilly, Charlotte; com o Bar\u00e3o de Sancy e a nau Sante-Anne; com o irm\u00e3o de Rasilly. Entre os tripulantes haviam alguns padres capuchinhos, na qual destacou-se Claude d\u2019Abbeville, a quem se deve registro de todos os acontecimentos da Fran\u00e7a Equinocial.\n\nDois meses depois, a frota chegara ao Maranh\u00e3o e o desembarque fora completamente pacifico, mediante reconhecimento feito por Charles des Vaux, acolhido com manifesta\u00e7\u00f5es de amizade pelos Tupinamb\u00e1s.\n\nOs primeiros dias da col\u00f4nia foram de total alegria e festas; contudo, La Ravardi\u00e8re resolveu organiz\u00e1-la para garantir uma conviv\u00eancia harmoniosa, com o esfor\u00e7o convergente, sob a garantia da sua autoridade, que seria regida pelas \u201cLoys fondamentales \u00e9tablies en I \u2018Isle de Maragnan\u201d.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o da Fran\u00e7a Equinocial teve in\u00edcio com a constru\u00e7\u00e3o de um forte, (batizado por ordem de Rasilly, com o nome de S\u00e3o Lu\u00eds, em homenagem ao Rei Lu\u00eds XIII, o Justo, que posteriormente deu origem a cidade de S\u00e3o Lu\u00eds) com vinte pe\u00e7as de artilharia como estava previsto no plano inicial da constru\u00e7\u00e3o da nova col\u00f4nia.\n\nComo tudo corria bem para os franceses no Maranh\u00e3o, La Ravardi\u00e8re, de acordo com os seus companheiros, decidiu-se ir \u00e0 Fran\u00e7a para discutir assuntos da col\u00f4nia entendimentos com a Corte. Isso em novembro de 1612.\n\nA primeira expedi\u00e7\u00e3o para a reconquista do Maranh\u00e3o foi organizada pelo Governador-Geral Gaspar de Sousa, tendo como Comandante Jer\u00f4nimo de Albuquerque, ajudado pelo Sargento-Mor do Estado do Brasil, Diogo de Campos Morena. O efetivo das tropas compreendia centenas de portugueses, brasileiros e ind\u00edgenas. O transporte foi feito por via mar\u00edtima, partindo de Pernambuco, j\u00e1 inteiramente dominado pelos portugueses.\n\nNestas lutas espor\u00e1dicas entre franceses e luso-brasileiros, houve um impasse, ou seja, n\u00e3o ocorrera uma vit\u00f3ria definitiva de ambas as partes, resultando numa tr\u00e9gua negociada entre La Ravardi\u00e8re (j\u00e1 retornado da Fran\u00e7a, um ano antes) e Diogo Campos. A ideia era manter as posi\u00e7\u00f5es que ocupavam, \u00e0 espera de uma decis\u00e3o das Cortes respectivas, quanto \u00e0 posse definitiva do Maranh\u00e3o.\n\nContudo, o rei Felipe III n\u00e3o concordou (lembro que neste per\u00edodo da nossa hist\u00f3ria, tanto o Brasil como Portugal, estavam atrelados ao Imp\u00e9rio Espanhol) com a discuss\u00e3o do problema, firmando-se no direito certo que tinha Portugal \u00e0 posse das terras. Determinou que fosse enviada nova expedi\u00e7\u00e3o militar para ajudar as for\u00e7as j\u00e1 quarteladas no Maranh\u00e3o.\n\nLa Ravardi\u00e8re, vendo que n\u00e3o havia mais possibilidades de encontrar uma maneira diplom\u00e1tica para resolver o assunto, e sabendo da sua inferioridade num\u00e9rica em homens e material b\u00e9lico, rende-se no dia 3 de novembro de 1615, quando ele aceitou \u201cAu camp, devant le fort de Saint-Louis des Fran\u00e7ais\u201d, o ultimato do chefe portugu\u00eas, Jer\u00f4nimo de Albuquerque.\n\nMuito embora estava terminada a Segunda fase da ocupa\u00e7\u00e3o francesa no Maranh\u00e3o, in\u00fameros franceses continuaram nesta regi\u00e3o.\n\nPosteriormente ajudaram os portugueses e brasileiros a desbravar esta parte do Brasil que continuava selvagem aos olhos dos europeus. N\u00e3o obstante, com esta perman\u00eancia \u201csimb\u00f3lica\u201d dos franceses no extremo norte do Brasil, os governos de ambas as partes, primeiro com Portugal, depois com o pr\u00f3prio Brasil independente contra a Fran\u00e7a, tiveram s\u00e9rios problemas pol\u00edticos. A solu\u00e7\u00e3o veio em 01\/12\/1900, atrav\u00e9s de uma explana\u00e7\u00e3o realizada pelo diplomata brasileiro Bar\u00e3o do Rio Branco ao \u00e1rbitro do caso, W. Hauser, presidente do Conselho Su\u00ed\u00e7o.\n\n<strong>Invas\u00f5es Francesas no Brasil &#8211; Resumo<\/strong>\n\nAs invas\u00f5es das terras brasileiras por outros pa\u00edses europeus come\u00e7am assim que a not\u00edcia do descobrimento espalha-se pela Europa. Algumas s\u00e3o apenas incurs\u00f5es de piratas e aventureiros e limitam-se \u00e0 pilhagem.\n\nOutras s\u00e3o promovidas velada ou abertamente por outras pot\u00eancias europeias com o objetivo de conquistar terras no novo continente e estabelecer col\u00f4nias. Os ingleses, aliados de Portugal, n\u00e3o chegam a invadir o Brasil para estabelecer col\u00f4nias.\n\nOs cors\u00e1rios ingleses piratas que contam com a prote\u00e7\u00e3o velada da Coroa brit\u00e2nica fazem v\u00e1rias incurs\u00f5es ao litoral, saqueiam cidades e apresam cargas de navios.\n\nFranceses e holandeses procuram estabelecer col\u00f4nias no Brasil.\n\n<strong>Invas\u00f5es francesas<\/strong>\n\nDesde o Tratado de Tordesilhas, no final do s\u00e9culo XV, a Coroa francesa manifesta seu desacordo com a divis\u00e3o do mundo entre Portugal e Espanha. Defende o direito de uti possidetis a terra pertence a quem dela toma posse e os franceses se fazem presentes no litoral brasileiro logo ap\u00f3s o descobrimento.\n\n<strong>Franceses no Rio de Janeiro<\/strong>\n\nEm meados do s\u00e9culo XVI, os franceses ocupam o Rio de Janeiro com inten\u00e7\u00e3o de estabelecer uma col\u00f4nia a Fran\u00e7a Ant\u00e1rtica. A expedi\u00e7\u00e3o, chefiada por Nicolas Durand de Villegaignon, com apoio oficial, traz colonos calvinistas e os primeiros frades capuchinhos para o Brasil.\n\nFundam em 1555 o forte Coligny, base de sua resist\u00eancia \u00e0s investidas dos portugueses por mais de dez anos. Em 1565 s\u00e3o derrotados e expulsos pela armada de Est\u00e1cio de S\u00e1, sobrinho do governador-geral Mem de S\u00e1. Ele desembarca na ba\u00eda de Guanabara, toma o forte de Coligny e funda a cidade do Rio de Janeiro. Em 1710 e 1711 o Rio de Janeiro \u00e9 saqueado por duas expedi\u00e7\u00f5es de cors\u00e1rios franceses.\n\n<strong>Franceses no Maranh\u00e3o<\/strong>\n\nEm 1594 os franceses repetem a tentativa de construir uma col\u00f4nia em terras brasileiras a Fran\u00e7a Equinocial e invadem o Maranh\u00e3o. A expedi\u00e7\u00e3o \u00e9 comandada por Charles des Vaux e Jacques Riffault. Em 6 de setembro de 1612, liderados por Daniel de la Touche, fundam o forte de S\u00e3o Lu\u00eds, origem da cidade de S\u00e3o Lu\u00eds do Maranh\u00e3o. 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