{"id":25950,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/independencia-ou-morte-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:39","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:39","slug":"independencia-ou-morte-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/independencia-ou-morte-4\/","title":{"rendered":"Independ\u00eancia ou Morte"},"content":{"rendered":"\n<strong>Independ\u00eancia ou Morte &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nEm\u00a0<strong>7 de setembro de 1822<\/strong>, Dom Pedro, Pr\u00edncipe Regente do Brasil, declarou seu pa\u00eds independente e iniciou a guerra de liberta\u00e7\u00e3o contra Portugal.\n\n7 de setembro \u00e9 o Dia da Independ\u00eancia do Brasil.\n\nNa plan\u00edcie do Ipiranga, pr\u00f3ximo \u00e0 cidade de S\u00e3o Paulo, Dom Pedro I proclamou a independ\u00eancia do Brasil em 7 de setembro de 1822. Os Estados Unidos reconheceram esta nova na\u00e7\u00e3o em 1824.\n\n<strong>7 DE SETEMBRO<\/strong>\n\nO ano de 1822 come\u00e7ou dramaticamente para D.Pedro.\n\nFoi no dia 1\u00ba de janeiro que ele recebeu o manifesto escrito por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e assinado por toda a junta provincial da cidade. At\u00e9 ent\u00e3o, apesar de alguns cartazes espalhados pelas ruas do Rio e das manifesta\u00e7\u00f5es cada vez mais entusi\u00e1sticas que vinham recebendo nas ruas ou no teatro, D.Pedro n\u00e3o registrara nenhum sinal de apoio \u00e0 sua perman\u00eancia no Brasil.\n\nMas a carta de Bonif\u00e1cio era impactante. Segundo ela, as Cortes de Lisboa, baseadas \u201cno desprop\u00f3sito e no despotismo\u201d buscavam impor ao Brasil \u201cum sistema de anarquia e escravid\u00e3o\u201d. Movidos por uma \u201cnobre indigna\u00e7\u00e3o\u201d, os paulistas estavam \u201cprontos a derramar a \u00faltima gota do seu sangue e a sacrificar todas as suas posses para n\u00e3o perder o adorado pr\u00edncipe\u201d, em quem colocavam \u201csuas bem-fundamentadas esperan\u00e7as de felicidade e honra nacional\u201d.\n\nOs cariocas, que pensavam da mesma maneira, organizaram um abaixo-assinado com 8 mil nomes e o entregaram ao pr\u00edncipe uma semana depois, numa cerim\u00f4nia realizada ao meio-dia de 9 de janeiro.\n\n<strong>Depois de ler o documento, D.Pedro anunciou solenemente sua decis\u00e3o:<\/strong>\u00a0\u201cSe \u00e9 para o bem de todos e felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, dia ao povo que fico\u201d. Reunido em frente ao Pa\u00e7o Municipal, o povo saudou a decis\u00e3o do pr\u00edncipe. No dia 11, as tropas portuguesas tentaram obrigar o pr\u00edncipe a embarcar para Lisboa.\n\nApoiado pelo povo e por tropas leais, D.Pedro resistiu. A independ\u00eancia, agora, era uma quest\u00e3o de tempo.\n\nMarcam a aproxima\u00e7\u00e3o entre D.Pedro e a fac\u00e7\u00e3o mais conservadora da elite brasileira, formada por homens que, em sua maioria, tinham frequentado a Universidade de Coimbra e partilhavam da id\u00e9ia de um imp\u00e9rio luso-brasileiro. Cinco dias depois de expulsar do Rio as tropas lusas, comandadas pelo general Avilez, D.Pedro organizou um novo minist\u00e9rio e, para lider\u00e1-lo, escolheu Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva. Em 1\u00ba de agosto, declarou inimigas todas as tropas enviadas de Portugal sem o seu consentimento.\n\nNo dia 14, partiu para S\u00e3o Paulo para contornar uma crise na prov\u00edncia. No dia 2 de setembro, no Rio, a esposa de D.Pedro, D.Leopoldina, leu as cartas chegadas de Lisboa com as abusivas decis\u00f5es da Corte.\n\nReuniu os ministros e enviou mensageiros a D.Pedro.\n\nNo dia 7 de setembro, o pr\u00edncipe recebeu as cartas \u00e0s margens do Ipiranga e concluiu que era a hora de romper com a metr\u00f3pole.\n\n<strong>Depois de ler, amassar e pisotear as cartas, D.Pedro montou \u201csua bela besta baia\u201d, cavalgou at\u00e9 o topo da colina e gritou \u00e0 guarda de honra:<\/strong>\u00a0\u201cAmigos, as cortes de Lisboa nos oprimem e querem nos escravizar\u2026 Deste dia em diante, nossas rela\u00e7\u00f5es est\u00e3o rompidas\u201d.\n\n<strong>Ap\u00f3s arrancar a ins\u00edgnia portuguesa de seu uniforme, o pr\u00edncipe sacou a espada e gritou:<\/strong>\u00a0\u201cPor meu sangue, por minha honra e por Deus: farei do Brasil um pa\u00eds livre\u201d.\n\n<strong>Em seguida, erguendo-se nos estribos e al\u00e7ando a espada, afirmou:<\/strong>\u00a0<strong>\u201cBrasileiros, de hoje em diante nosso lema ser\u00e1:\u00a0<\/strong>Independ\u00eancia ou morte\u201d. Eram 4 horas da tarde de 7 de setembro de 1822.\n\nNo dia seguinte, iniciou a viagem de retorno ao Rio, onde chegou no tempo recorde de cinco dias, deixando toda a tropa 10 horas para tr\u00e1s. Na capital, foi saudado como her\u00f3i. A 1\u00ba de dezembro, aos 24 anos, foi coroado n\u00e3o rei, mas imperador, para mostrar que, apesar do direito mon\u00e1rquico, tamb\u00e9m fora eleito pelo \u201cpovo\u201d.\n\nNo dia 7 de setembro de 1822, o pr\u00edncipe regente dom Pedro retornava de uma viagem a Santos, cidade no litoral da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo.\n\n<strong>No meio do caminho, encontrou um mensageiro que lhe levava duas cartas:\u00a0<\/strong>a primeira exigia seu retorno imediato a Portugal.\n\n<strong>A segunda, apontava dois caminhos:<\/strong>\u00a0a obedi\u00eancia a Portugal ou a separa\u00e7\u00e3o total da metr\u00f3pole.\n\n<strong>Apoiado pela elite brasileira, dom Pedro n\u00e3o teve d\u00favidas:<\/strong>\u00a0proclamou a Independ\u00eancia do Brasil. Saiba como foram os acontecimentos que antecederam ao famoso \u201cGrito do Ipiranga\u201d.\n\nNo final do s\u00e9culo XVIII, Inglaterra e Fran\u00e7a disputavam a lideran\u00e7a no continente europeu. A Inglaterra industrializada era uma na\u00e7\u00e3o muito rica, que precisava cada vez mais de mercados para seus produtos.\n\nA Fran\u00e7a n\u00e3o tinha tantas f\u00e1bricas, mas contava com um ex\u00e9rcito poderoso, comandado por Napole\u00e3o Bonaparte. Para a Fran\u00e7a, a melhor maneira para se tornar a na\u00e7\u00e3o mais importante da Europa era sufocar a economia inglesa. Assim, em 1806, Napole\u00e3o decretou o Bloqueio Continental, proibindo todos os pa\u00edses europeus de comercializar com a Inglaterra. Quem fizesse neg\u00f3cios com a rival seria invadido pelo ex\u00e9rcito franc\u00eas.\n\nPara Portugal, a situa\u00e7\u00e3o ficou dif\u00edcil. Afinal, a Inglaterra era uma aliada importante e um pa\u00eds para o qual o Imp\u00e9rio portugu\u00eas devia muito dinheiro. Por outro lado, o ex\u00e9rcito franc\u00eas era poderoso.\n\nComo o governo portugu\u00eas n\u00e3o decidia de que lado ficava, em 1807, o imperador franc\u00eas Napole\u00e3o Bonaparte ordenou a ocupa\u00e7\u00e3o de Portugal.\n\n<strong>Para a corte de Lisboa havia duas op\u00e7\u00f5es:<\/strong>\u00a0aceitar o dom\u00ednio napole\u00f4nico ou partir para o Brasil.\n\nSem sa\u00edda, o governo portugu\u00eas fez um acordo secreto com os ingleses, que se comprometeram a ajudar a fam\u00edlia real e a corte portuguesa na fuga. Cerca de 15 mil pessoas abandonaram Portugal \u00e0s pressas.\n\nNa manh\u00e3 de 29 de novembro de 1807, oito naus, quatro fragatas, tr\u00eas brigues, uma escuna e outras embarca\u00e7\u00f5es partiram do rio Tejo, em Lisboa, sob prote\u00e7\u00e3o inglesa. Na bagagem, traziam tudo o que puderam carregar m\u00f3veis, objetos de arte, lou\u00e7as, livros, arquivos e dinheiro do tesouro imperial. Em 22 de janeiro de 1808, chegaram a Salvador, na Bahia. L\u00e1, eles foram festejados durante algumas semanas. Mas o destino final era a capital da col\u00f4nia, o Rio de Janeiro, onde dom Jo\u00e3o VI e sua comitiva desembarcaram no dia 8 de mar\u00e7o de 1808.\n\nA primeira medida de dom Jo\u00e3o ainda em Salvador foi a abertura dos portos do Brasil \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas.\n\n<strong>Quer dizer:<\/strong>\u00a0a partir dessa data, os produtos exportados para o Brasil n\u00e3o precisavam mais passar por Portugal e os portos brasileiros receberiam pela primeira vez navios com bandeiras das na\u00e7\u00f5es que mantinham boas rela\u00e7\u00f5es com Portugal.\n\nIsso foi muito importante, pois a col\u00f4nia come\u00e7ou a entrar em contato com os produtos e as ideias que circulavam em outras partes do mundo. Os portos do Brasil passaram a ter mais import\u00e2ncia para os ingleses, que tinham dificuldades para comerciar na Europa devido ao Bloqueio Continental de Napole\u00e3o.\n\n<strong>Entusiasmados, os comerciantes estrangeiros trouxeram de tudo:\u00a0<\/strong>tecidos, sapatos, talheres, lou\u00e7as, cristais, chap\u00e9us, cachimbos, xales, ferragens, queijo, manteiga, escovas, pentes, navalhas, perfumes, sabonetes, velas, pianos, carruagens, barbantes e caix\u00f5es, al\u00e9m de produtos in\u00fateis como carteira para notas (aqui s\u00f3 havia moedas), patins para gelo, casacos de pele e tecidos de l\u00e3 pesada, inadequados para nosso clima quente.\n\n<strong>Antes da chegada da fam\u00edlia real, o Brasil era obrigado a seguir uma s\u00e9rie de condi\u00e7\u00f5es:<\/strong>\n<blockquote>A proibi\u00e7\u00e3o de comerciar com outros pa\u00edses, a n\u00e3o ser Portugal.\nQualquer com\u00e9rcio entre Brasil e Portugal s\u00f3 podia ser feito apenas por pessoas autorizadas.\nNo territ\u00f3rio brasileiro, n\u00e3o podiam ser plantados produtos que j\u00e1 fossem cultivados em Portugal, nem fabricar artigos que fossem feitos por l\u00e1.<\/blockquote>\nAl\u00e9m das mudan\u00e7as comerciais, a chegada da fam\u00edlia real ao Brasil tamb\u00e9m causou um reboli\u00e7o cultural e educacional. Nessa \u00e9poca, foram criadas escolas como a Academia Real Militar, a Academia da Marinha, a Escola de Com\u00e9rcio, a Escola Real de Ci\u00eancias, Artes e Of\u00edcios, a Academia de Belas-Artes e dois Col\u00e9gios de Medicina e Cirurgia, um no Rio de Janeiro e outro em Salvador. Foram fundados o Museu Nacional, o Observat\u00f3rio Astron\u00f4mico e a Biblioteca Real, cujo acervo era composto por muitos livros e documentos trazidos de Portugal. Tamb\u00e9m foi inaugurado o Real Teatro de S\u00e3o Jo\u00e3o e o Jardim Bot\u00e2nico.\n\nUma atitude muito importante de dom Jo\u00e3o foi a cria\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil e da Imprensa R\u00e9gia. Essa \u00faltima editou obras de v\u00e1rios escritores e tradu\u00e7\u00f5es de obras cient\u00edficas.\n\nFoi um per\u00edodo de grande progresso e desenvolvimento.\n\nTanto movimento por aqui provocou a indigna\u00e7\u00e3o do outro lado do Atl\u00e2ntico. Afinal, o Brasil deixara de ser uma simples col\u00f4nia. Nosso pa\u00eds tinha sido elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Reino Unido a Portugal e Algarves.\n\nQuer dizer, enquanto a fam\u00edlia real esteve por aqui, a sede do reino foi o Rio de Janeiro, que recebeu muitas melhorias. Enquanto isso, em Portugal, o povo estava empobrecido com a guerra contra Napole\u00e3o e o com\u00e9rcio bastante prejudicado com a abertura dos portos brasileiros. Os portugueses estavam insatisfeitos e, em 1820, estourou a Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto cidade ao norte de Portugal. Os rebeldes exigiram a volta de dom Jo\u00e3o e a expuls\u00e3o dos governantes estrangeiros.\n\nQueriam tamb\u00e9m que o com\u00e9rcio do Brasil voltasse a ser feito exclusivamente pelos comerciantes portugueses. Cedendo \u00e0s press\u00f5es de Portugal, dom Jo\u00e3o voltou em 26 de abril de 1821. Deixou, contudo, seu filho dom Pedro como regente do Brasil. Assim, agradava aos portugueses e aos brasileiros que tinham lucrado com a vinda da corte portuguesa para o Brasil, especialmente com a abertura dos portos.\n\nEm Portugal, uma nova Constitui\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a ser feita para o Imp\u00e9rio portugu\u00eas. S\u00f3 que para a elabora\u00e7\u00e3o do documento, o Brasil, como Reino Unido, teria direito de enviar seus deputados.\n\nOs portugueses n\u00e3o aceitavam essa hip\u00f3tese e come\u00e7aram a pressionar para que o Brasil voltasse a ser col\u00f4nia, pois isso favoreceria seus interesses. Os brasileiros n\u00e3o aceitaram, queriam liberdade para comerciar e governar.\n\nA situa\u00e7\u00e3o do Brasil permaneceu indefinida durante o ano de 1821.\n\n<strong>No final desse ano, um fato novo redefiniu a situa\u00e7\u00e3o:\u00a0<\/strong>chegaram ao Rio de Janeiro decretos da corte que exigiam a completa obedi\u00eancia do Brasil \u00e0s ordens vindas da metr\u00f3pole. No dia 9 e dezembro de 1821, o governo brasileiro voltou a ser dependente de Portugal. Dom Pedro recebeu ordens para voltar a Portugal, mas o Partido Brasileiro grupo formado por grandes fazendeiros, comerciantes e altos funcion\u00e1rios p\u00fablicos o convenceu a ficar. O regente recebeu listas com assinaturas de cerca de 8.000 pessoas pedindo que ele permanecesse no pa\u00eds. Em 9 de janeiro de 1822, apoiado pelas prov\u00edncias do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, dom Pedro decidiu permanecer.\n\n<strong>Ele foi \u00e0 sacada e disse:\u00a0<\/strong>\u201cSe \u00e9 para o bem de todos e felicidade geral da na\u00e7\u00e3o, diga ao povo que fico!\u201d. Essa data ficou conhecida como o Dia do Fico.\n\nNo dia 16 de janeiro de 1822, dom Pedro nomeou Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva ministro dos Neg\u00f3cios do Interior, da Justi\u00e7a e dos Estrangeiros. Nos meses seguintes, o apoio do Partido Brasileiro a dom Pedro e o movimento de Independ\u00eancia cresceram bastante, principalmente na regi\u00e3o Sudeste. Por outro lado, a corte de Lisboa continuava exigindo a volta do pr\u00edncipe regente.\n\n<strong>Mais uma vez ele desafiou Portugal:\u00a0<\/strong>determinou que as ordens de Lisboa s\u00f3 teriam validade no Brasil depois de passar pelas suas m\u00e3os e receber autoriza\u00e7\u00e3o, o que ficou conhecido como \u201cCumpra-se\u201d. Diante dessa medida, o pr\u00edncipe regente recebeu do Senado da C\u00e2mara do Rio de Janeiro o t\u00edtulo de Defensor Perp\u00e9tuo do Brasil.\n\n<strong>No dia 7 de setembro, \u00e0s margens do riacho Ipiranga, ele leu uma carta de Portugal que exigia seu retorno imediato e outra de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio que dizia:\u00a0<\/strong>\u201cS\u00f3 existem dois caminhos: ou voltar para Portugal como prisioneiro das cortes portuguesas ou proclamar a Independ\u00eancia, tornando-se imperador do Brasil\u201d.\n\nHouve ainda uma carta escrita pela esposa de dom Pedro, a princesa austr\u00edaca dona Leopoldina, que refor\u00e7ava as id\u00e9ias do ministro. Diante das palavras de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, homem forte do governo e que ficaria conhecido como \u201cPatriarca da Independ\u00eancia\u201d, dom Pedro n\u00e3o teve d\u00favidas. Reagiu imediatamente, tirando do chap\u00e9u a fita com as cores vermelha e azul, que representavam a corte real portuguesa, jogando-a no ch\u00e3o.\n\n<strong>Levantou a espada e gritou:<\/strong>\u00a0\u201cIndepend\u00eancia ou morte!\u201d. A cena ficou conhecida como o \u201cGrito do Ipiranga\u201d, porque aconteceu \u00e0s margens do riacho Ipiranga, em S\u00e3o Paulo, para onde dom Pedro tinha ido em busca do apoio dos paulistas. Atualmente, no local dos acontecimentos, encontra-se o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, que guarda objetos da \u00e9poca da Independ\u00eancia.\n\nA maior parte da popula\u00e7\u00e3o brasileira acompanhou de forma ap\u00e1tica os acontecimentos que levaram \u00e0 Independ\u00eancia. Entre os escravos negros, ela nem existiu.\n\nAlgumas poucas senzalas se agitaram, pois acreditavam que haveria tamb\u00e9m o fim da escravid\u00e3o. Entretanto, para os milhares de escravos, a vida dura nas lavouras continuaria sem qualquer modifica\u00e7\u00e3o durante mais de 60 anos. A Independ\u00eancia n\u00e3o gerou mudan\u00e7as sociais.\n\nEm 1\u00ba de dezembro de 1822, dom Pedro foi aclamado imperador do Brasil, passando a usar o t\u00edtulo de dom Pedro I. A Independ\u00eancia do Brasil, no entanto, s\u00f3 foi reconhecida por Portugal no dia 13 de maio de 1825.\n\nAp\u00f3s alguns meses de negocia\u00e7\u00f5es, com a ajuda da Inglaterra, ficou decidido que o Brasil deveria pagar a Portugal 2 milh\u00f5es de libras esterlinas (moeda inglesa). O dinheiro foi emprestado ao novo pa\u00eds pelos ingleses.\n\nEsse foi o primeiro pedido de empr\u00e9stimo de nossa hist\u00f3ria.\n\nO\u00a0<strong>processo de independ\u00eancia<\/strong>\u00a0come\u00e7a com o agravamento da crise do sistema colonial e se estende at\u00e9 a ado\u00e7\u00e3o da primeira Constitui\u00e7\u00e3o brasileira, em 1824.\n\nAs revoltas do fim do s\u00e9culo XVIII e come\u00e7o do XIX, como a Inconfid\u00eancia Mineira, a Conjura\u00e7\u00e3o Baiana e a Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817, mostram o enfraquecimento dos Estados Unidos (1776) e a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa (1789) refor\u00e7am os argumentos dos defensores das ideias liberais e republicanas. Cresce a condena\u00e7\u00e3o internacional ao absolutismo mon\u00e1rquico e ao colonialismo.\n\nAumentam as press\u00f5es externas e internas contra o monop\u00f3lio comercial portugu\u00eas e o excesso de impostos numa \u00e9poca de livre-mercado e circula\u00e7\u00e3o de mercadorias.\n\nA instala\u00e7\u00e3o da Corte portuguesa no Brasil, em 1808, contribui para a separa\u00e7\u00e3o definitiva das duas na\u00e7\u00f5es. A abertura dos portos, a eleva\u00e7\u00e3o da col\u00f4nia \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de reino e a cria\u00e7\u00e3o do Reino Unido de Portugal, e Algarve praticamente cortam os v\u00ednculos coloniais e preparam a independ\u00eancia. Com a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, em 1820, a burguesia portuguesa tenta fazer o Brasil retornar \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia. A partir de 1821, as Cortes Constituintes \u2013 o Parlamento lusitano \u2013 tomam decis\u00f5es contr\u00e1rias aos interesses brasileiros, como a transfer\u00eancia de importantes \u00f3rg\u00e3os administrativos para Lisboa.\n\nTamb\u00e9m obrigam Dom Jo\u00e3o VI a jurar lealdade \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o por elas elaborada e a retornar imediatamente a Portugal. O rei portugu\u00eas volta, mas deixa no Brasil o filho Dom Pedro como Regente, para conduzir a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, caso fosse inevit\u00e1vel.\n\nPressionado pelas Cortes Constituintes, Dom Jo\u00e3o VI chama Dom Pedro \u00e0 Lisboa. Mas o pr\u00edncipe regente resiste \u00e0s press\u00f5es, que considera uma tentativa de esvaziar o poder da monarquia.\n\nForma-se em torno dele um grupo de pol\u00edticos brasileiros que defende a manuten\u00e7\u00e3o do status do Brasil no Reino Unido. Em 29 de dezembro de 1821, Dom Pedro recebe um abaixo-assinado pedindo que n\u00e3o deixe o Brasil. Sua decis\u00e3o de ficar \u00e9 anunciada no dia 9 de janeiro do ano seguinte, num gesto enf\u00e1tico. O epis\u00f3dio passa \u00e0 Hist\u00f3ria como o Dia do Fico.\n\nEntre os pol\u00edticos que cercam o Regente est\u00e3o os irm\u00e3os Antonio Carlos e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, e o Visconde de Cairu, Jos\u00e9 da Silva Lisboa.\n\nPrincipal ministro e conselheiro de Dom Pedro, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio luta, num primeiro momento, pela manuten\u00e7\u00e3o dos v\u00ednculos com a antiga metr\u00f3pole, resguardando o m\u00ednimo de autonomia brasileira.\n\nConvencido de que a separa\u00e7\u00e3o \u00e9 irrevers\u00edvel, aceita a independ\u00eancia desde que a monarquia continue. Para ele, o regime mon\u00e1rquico \u00e9 o \u00fanico capaz de neutralizar a interven\u00e7\u00e3o portuguesa nas prov\u00edncias e preservar a unidade pol\u00edtico-territorial do pa\u00eds. Fora da Corte, outros l\u00edderes liberais, como Joaquim Gon\u00e7alves Ledo e Janu\u00e1rio da Cunha Barbosa, atuam nos jornais e nas lojas ma\u00e7\u00f4nicas. Fazem pesadas cr\u00edticas ao colonialismo portugu\u00eas e defendem total separa\u00e7\u00e3o da metr\u00f3pole.\n\nEm 3 de junho de 1822, Dom Pedro recusa fidelidade \u00e0 Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa e convoca a primeira Assembleia Constituinte brasileira. Em 1\u00ba de agosto, baixa um decreto considerado inimigas tropas portuguesas que desembarquem no pa\u00eds. Cinco dias depois, assina o Manifesto \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas, redigido por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio. Nele, Dom Pedro justifica o rompimento com as Cortes Constituintes de Lisboa e assegura \u201ca independ\u00eancia do Brasil, mas como reino irm\u00e3o de Portugal\u201d.\n\nA primeira aproxima\u00e7\u00e3o pictogr\u00e1fica que temos com a Independ\u00eancia do Brasil acontece como deve ser, nos livros de escola, quando vemos a pintura de Pedro Am\u00e9rico, O Grito do Ipiranga, elaborada em 1888, j\u00e1 no final do Segundo Reinado.\n\nD. Pedro II foi educado pelos melhores professores brasileiros e era estimulado por seu tutor, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, a travar contato com as artes e os artistas de seu tempo.\n\nA isto somado o fato da for\u00e7a do cultivo do caf\u00e9 na lavoura brasileira, o Segundo Reinado no Brasil foi bastante pr\u00f3spero e trouxe muitos avan\u00e7os em arte e cultura.\n\nD. Pedro II foi o maior incentivador da cultura e da arte na hist\u00f3ria do Brasil. Pedro Am\u00e9rico, subvencionado pelo Imp\u00e9rio, estudou na Europa e, a pedido do Imperador, pintou v\u00e1rias obras. Destaque para O Grito do Ipiranga, de 1888.\n\nO fato de o quadro datar de 66 anos ap\u00f3s os eventos protagonizados pelo pai do Imperador, D. Pedro I, n\u00e3o deve toldar o nosso racioc\u00ednio.\n\nA\u00a0<strong>Independ\u00eancia<\/strong>\u00a0foi fermentada num longo processo. Napole\u00e3o Bonaparte liderava a Revolu\u00e7\u00e3o Burguesa na Europa, num tempo em que Portugal era ref\u00e9m econ\u00f4mico da grande pot\u00eancia da \u00e9poca, a Inglaterra. Com o avan\u00e7o inexor\u00e1vel de tropas napole\u00f4nicas a Portugal, a Inglaterra enviou tropas e navios, tanto para combater Napole\u00e3o quanto para escoltar a Fam\u00edlia Real para o Brasil em 1808.\n\nMuitos historiadores enfatizam o momento da transfer\u00eancia da Fam\u00edlia real para o Brasil como o marco do in\u00edcio de todo o processo de Independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Portugal. Alguns preferem a express\u00e3o emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica, dada a depend\u00eancia cr\u00f4nica em rela\u00e7\u00e3o ao grande capital estrangeiro. Naquela \u00e9poca, Inglaterra. Hoje, EUA.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159499 size-full\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Indepe13.jpg\" alt=\"\" width=\"610\" height=\"336\" \/><strong>Independ\u00eancia ou Morte- Pintura de Pedro Am\u00e9rico<\/strong><\/p>\nNo Brasil D. Jo\u00e3o VI come\u00e7a a esbo\u00e7ar o arcabou\u00e7o de uma Na\u00e7\u00e3o Soberana, com um Banco pr\u00f3prio, o Banco do Brasil, fundado no momento de sua chegada, 1808, a assinatura de Tratados de Com\u00e9rcio com as Na\u00e7\u00f5es Amigas, etc. No Congresso de Viena, em 1815, ocorre a Eleva\u00e7\u00e3o do Brasil a Reino Unido a Portugal e Algarves, com o rei D. Jo\u00e3o VI residindo aqui. O Brasil, formalmente, n\u00e3o era mais uma Col\u00f4nia, mas um Reino Unido. Em torno deste tema gira todo o processo de Independ\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o a Portugal.\n\n<strong>As cortes, comandadas pela burguesia portuguesa, eram compostas por homens levados ao poder no processo conhecido como Revolu\u00e7\u00e3o do Porto<\/strong>: afirmavam a autonomia pol\u00edtica de Portugal em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Inglaterra mas desejavam avidamente levar novamente o Brasil ao estatuto de Col\u00f4nia.\n\nO movimento de ruptura com as cortes em Portugal j\u00e1 estava fermentando na mente de D. Jo\u00e3o VI quando foi for\u00e7ado a voltar para l\u00e1 em 1821 ap\u00f3s a deposi\u00e7\u00e3o dos ingleses pelas cortes de Lisboa na Revolu\u00e7\u00e3o do Porto.\n\n<strong>Percebendo os \u00e2nimos daqueles que come\u00e7avam a orgulhar-se em chamar-se de BRASILEIROS deixou D. Pedro como Pr\u00edncipe Regente e recomendou:\u00a0<\/strong>Pedro, se o Brasil se separar, antes seja para ti, que me h\u00e1s de respeitar, do que para algum desses aventureiros.\n\nEm dezembro de 1821 chega ao Rio de Janeiro uma ordem das cortes a D. Pedro. Deveria ele abolir a reg\u00eancia e regressar imediatamente a Portugal.\n\nResignado, come\u00e7a a fazer os preparativos para o regresso quando a onda de indigna\u00e7\u00e3o dos brasileiros se faz not\u00f3ria. Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, na condi\u00e7\u00e3o de membro destacado do governo provis\u00f3rio de S\u00e3o Paulo, envia uma carta a D. Pedro.\n\nNela criticava duramente a decis\u00e3o das Cortes de Lisboa e chamava a sua aten\u00e7\u00e3o para o importante papel reservado ao pr\u00edncipe nesse momento de crise. Aquela carta foi publicada na Gazeta do Rio de 8 de janeiro de 1822, com grande repercuss\u00e3o. Dez dias depois, chegou ao Rio uma comitiva paulista, integrada por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, para entregar ao pr\u00edncipe a representa\u00e7\u00e3o paulista.\n\nNesse mesmo dia, D. Pedro nomeou Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio ministro do Reino e dos Estrangeiros, cargo que este resolveu aceitar depois da insist\u00eancia do pr\u00f3prio pr\u00edncipe.\n\n<strong>Essa nomea\u00e7\u00e3o tinha um forte significado simb\u00f3lico:<\/strong>\u00a0pela primeira vez o cargo era ocupado por um brasileiro.\n\nEmpossado no cargo de ministro do Reino e de Estrangeiros, em janeiro de 1822, Bonif\u00e1cio logo conquistou, para a causa emancipadora, os representantes da \u00c1ustria e da Inglaterra. Al\u00e9m disso, ordenou ao Chanceler-Mor (cargo que corresponde, hoje, ao de ministro da Justi\u00e7a) que n\u00e3o publicasse lei alguma, vinda de Portugal, sem primeiro submet\u00ea-la \u00e0 a aprecia\u00e7\u00e3o do pr\u00edncipe; nomeou um c\u00f4nsul brasileiro para Londres, declarando, ao Gabinete ingl\u00eas, que s\u00f3 tal funcion\u00e1rio poderia, ent\u00e3o, liberar navios que se destinassem ao Brasil; enviou emiss\u00e1rios \u00e0s Prov\u00edncias do norte, a fim de congreg\u00e1-los para a causa da independ\u00eancia, avisando que teriam que se sujeitar \u00e0 reg\u00eancia de D. Pedro e n\u00e3o \u00e0s ordens que recebessem de Lisboa.\n\nAs Prov\u00edncias do norte estavam ao lado das Cortes portuguesas e executando o decreto 124, de 29 de setembro de 1821; principalmente, no Maranh\u00e3o, o que fez com que Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, em of\u00edcio \u00e0 Junta de Governo daquela Prov\u00edncia, dissesse, ironicamente, que n\u00e3o era de se esperar que o Maranh\u00e3o tivesse \u201ca aparente e fastigiosa ideia de ser considerada prov\u00edncia daquele reino (Portugal)\u201d. O Brasil, \u00e0quela altura dos acontecimentos, n\u00e3o podia continuar fragmentado e Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio estava enfrentando a tarefa herc\u00falea de reunir as Prov\u00edncias, unindo o pa\u00eds em torno de uma ideia pol\u00edtica, que era a monarquia constitucional parlamentar. No dizer de Tito L\u00edvio Ferreira e Manoel Rodrigues Ferreira, sob esse ponto de vista, ele \u00e9, legitimamente, o campe\u00e3o da unidade do Brasil.\n\nSempre ativo, aliciou conspiradores em Pernambuco, no Maranh\u00e3o, no Rio Grande do Norte, na Bahia e no Par\u00e1, para que se rebelassem, na hora exata, contra a metr\u00f3pole que o ludibriara, traindo o acordo do Reino Unido de Portugal e do Brasil; em junho de 1822, reorganizou o er\u00e1rio, por interm\u00e9dio de seu irm\u00e3o, Martim Francisco, e, em julho, formou uma nova Armada, contratando, para a obra de constru\u00e7\u00e3o da Marinha de Guerra, o marujo e aventureiro lorde Cochrane. Importante ainda a presen\u00e7a de Gon\u00e7alves Ledo, que angariou os fundos necess\u00e1rios para fortalecer a Armada.\n\nLevou D. Pedro a conquistar a simpatia das popula\u00e7\u00f5es de Minas e de S\u00e3o Paulo, for\u00e7ando-o a viajar, pois, dizia ele, o Brasil n\u00e3o \u00e9 o Rio de Janeiro.\n\n<strong>Quando os decretos vindos de Portugal anulavam, sumariamente, todos os atos da reg\u00eancia, ele, habilmente aliado a D. Leopoldina, escreve a D. Pedro, jurando que, de Portugal, o humilham:\u00a0<\/strong>De Portugal n\u00e3o temos a esperar sen\u00e3o escravid\u00e3o e horrores. Venha V.A. Real o quanto antes e decida-se; porque irresolu\u00e7\u00f5es e medidas de \u00e1gua morna, \u00e0 vista desse inimigo que n\u00e3o nos poupa, para nada servem e um momento perdido \u00e9 uma desgra\u00e7a. Com isso, instigava o pr\u00edncipe a se rebelar, combatendo as suas hesita\u00e7\u00f5es e des\u00e2nimos.\n\nHoje est\u00e3o dispon\u00edveis inclusive na Internet os documentos comprobat\u00f3rios de que os acontecimentos de 7 de setembro foram premeditados e conduzidos por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.\n\nEm fins de agosto, a Ma\u00e7onaria no Brasil se organizava e enviava emiss\u00e1rios como Ant\u00f4nio de Menezes Vasconcellos Drummond que, chegando de Pernambuco para onde fora comissionado por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, traz informa\u00e7\u00f5es e cartas inquietantes. As Cortes em Lisboa chamando o Pr\u00edncipe de rapazinho, ordenam seu imediato regresso e ainda o aprisionamento de Bonif\u00e1cio.\n\nEncontra-se no magist\u00e9rio muitos professores que preferem minimizar (ou mesmo ridicularizar) os fatos que tiveram lugar \u00e0s margens do Ipiranga naquela data.\n\nN\u00e3o me conto entre estes. Quem dera os governantes de hoje tivessem a mesma coragem!\n\nA documenta\u00e7\u00e3o comprobat\u00f3ria \u00e9 muito extensa e est\u00e1 \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o do pesquisador. \u00c0 falta de maiores habilidades ou mesmo confian\u00e7a no m\u00e9todo chamado de viagens astrais, atenho-me \u00e0 documenta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Cito aqui, a t\u00edtulo de exemplo, a carta do Padre Belchior, de 1896, mencionada por Jos\u00e9 Castellani em sua p\u00e1gina e que diz, em seus pontos principais, o seguinte:\u00a0<\/strong>O pr\u00edncipe mandou-me ler alto as cartas trazidas por Paulo Bregaro e Ant\u00f4nio Cordeiro. (\u2026) D. Pedro, tremendo de raiva, arrancou de minhas m\u00e3os os pap\u00e9is e, amarrotando-os, pisou-os e deixou-os na relva. Eu os apanhei e guardei. Depois, abotoando-se e compondo a fardeta pois vinha de quebrar o corpo \u00e0 margem do riacho do Ipiranga, agoniado por uma disenteria, com dores, que apanhara em Santos virou-se para mim e disse: &#8211; E agora, padre Belchior?\n\n<strong>E eu respondi prontamente:<\/strong>\u00a0-Se V.A. n\u00e3o se faz rei do Brasil, ser\u00e1 prisioneiro das Cortes e talvez deserdado por elas. N\u00e3o h\u00e1 outro caminho, sen\u00e3o a independ\u00eancia e a separa\u00e7\u00e3o.\n\nD. Pedro caminhou alguns passos, silenciosamente, acompanhado por mim, Cordeiro, Bregaro, Carlota e outros, em dire\u00e7\u00e3o aos nossos animais, que se achavam \u00e0 beira da estrada.\n\n<strong>De repente estacou-se, j\u00e1 no meio da estrada, dizendo-me:\u00a0<\/strong>&#8211; Padre Belchior, eles o querem, ter\u00e3o a sua conta. As Cortes me perseguem, chamam-me, com desprezo, de rapazinho e brasileiro. Pois ver\u00e3o agora o quanto vale o rapazinho. De hoje em diante est\u00e3o quebradas as nossas rela\u00e7\u00f5es: nada mais quero do governo portugu\u00eas e proclamo o Brasil para sempre separado de Portugal!\n\n<strong>(\u2026) E arrancando do chap\u00e9u o la\u00e7o azul e branco, decretado pelas Cortes, como s\u00edmbolo na na\u00e7\u00e3o portuguesa, atirou-o ao ch\u00e3o, dizendo:\u00a0<\/strong>&#8211; La\u00e7o fora, soldados! Viva a independ\u00eancia, a liberdade, a separa\u00e7\u00e3o do Brasil.\n\n(\u2026) O pr\u00edncipe desembainhou a espada, no que foi acompanhado pelos militares; os paisanos tiraram os chap\u00e9us.\n\n<strong>E D. Pedro disse:\u00a0<\/strong>&#8211; Pelo meu sangue, pela minha honra, pelo meu Deus, juro fazer a liberdade do Brasil.\n\n(\u2026) Firmou-se nos arreios, esporeou sua bela besta baia e galopou, seguido de seu s\u00e9quito, em dire\u00e7\u00e3o a S\u00e3o Paulo, onde foi hospedado pelo brigadeiro Jord\u00e3o, capit\u00e3o Ant\u00f4nio da Silva Prado e outros, que fizeram milagres para contentar o pr\u00edncipe.\n\nMal apeara da besta, D. Pedro ordenou ao seu ajudante de ordens que fosse \u00e0s pressas ao ourives Lessa e mandasse fazer um d\u00edstico em ouro, com as palavras Independ\u00eancia ou Morte, para ser colocado no bra\u00e7o, por um la\u00e7o de fita verde e amarela. E com ele apareceu no espet\u00e1culo, onde foi chamado o rei do Brasil, pelo meu querido amigo alferes Aquino e pelo padre Ildefonso (\u2026)\n\nA ata da nona sess\u00e3o do Grande Oriente do Brasil Assembleia Geral realizada no 13\u00ba dia do 5\u00ba m\u00eas ma\u00e7\u00f4nico do Ano da Verdadeira Luz 5822 (2 e agosto de 1822), consta ter o Gr\u00e3o-Mestre da Ordem, conselheiro Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva, proposto a inicia\u00e7\u00e3o de Sua Alteza D. Pedro de Alc\u00e2ntara. E que, aceita a proposta com un\u00e2nime aplauso, e aprovada por aclama\u00e7\u00e3o geral, foi imediata e convenientemente comunicada ao mesmo proposto, que se dignando aceit\u00e1-la, compareceu logo na mesma sess\u00e3o e sendo tamb\u00e9m logo iniciado no primeiro grau na forma regular e prescrita na liturgia, prestou o juramento da Ordem e adotou o nome her\u00f3ico de Guatimozin. Na d\u00e9cima sess\u00e3o, realizada a 5 de agosto, Guatimozin recebeu o grau de Mestre Ma\u00e7om.\n\nAssembleia Geral\u00a0 do Grande Oriente Bras\u00edlico, fundado a 17 de junho de 1822, fechado a 25 de outubro do mesmo ano, pelo seu Gr\u00e3o-Mestre, D. Pedro I, e reinstalado como Grande Oriente do Brasil, em 1831, foi publicada, junto com outras, no Boletim Oficial do Grande Oriente do Brasil, N\u00ba 10, de outubro de 1874, no Ano III da publica\u00e7\u00e3o (criada em 1872).\n\nDaquela ata, consta que a Assembleia decidiu ser imperiosa a proclama\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia e da realeza constitucional, na pessoa de D. Pedro. Mostra, tamb\u00e9m, que o dia da sess\u00e3o, 20\u00ba dia do 6\u00ba m\u00eas ma\u00e7\u00f4nico do Ano da Verdadeira Luz de 5822, era o dia 9 de setembro. Isso porque o Grande Oriente utilizava, na \u00e9poca, um calend\u00e1rio equinocial, muito pr\u00f3ximo do calend\u00e1rio hebraico, situando o in\u00edcio do ano ma\u00e7\u00f4nico no dia 21 de mar\u00e7o (equin\u00f3cio de outono, no hemisf\u00e9rio Sul) e acrescentando 4000 aos anos da Era Vulgar. Desta maneira, o 6\u00ba m\u00eas ma\u00e7\u00f4nico tinha in\u00edcio a 21 de agosto e o seu 20\u00ba dia era, portanto, 9 de setembro, como situa o Boletim de 1874.\n\nPortanto, n\u00e3o \u00e9 procedente supor que a data da Assembleia tenha sido 20 de agosto (dia do Ma\u00e7om no Brasil), tampouco se deve minimizar o fato de que a Ma\u00e7onaria atuava viva e ativamente na dire\u00e7\u00e3o da independ\u00eancia, particularmente atrav\u00e9s do Gr\u00e3o Mestre Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio e do Primeiro Vigilante, Ledo Ivo.\n\nO fato existiu temos a ata e \u00e9 digno de ser lembrado e comemorado por todos os ma\u00e7ons, mesmo porque n\u00e3o era poss\u00edvel, no dia 9, os obreiros terem conhecimento dos fatos do dia 7, dados os escassos recursos de comunica\u00e7\u00e3o da \u00e9poca. Mas n\u00e3o a ponto de falsear a verdade hist\u00f3rica, quer por ufanismo, quer por desconhecimento.\n\nA tarefa \u00e9 monumental. Cumpre romper os grilh\u00f5es que nos atam aos Estados Unidos da Am\u00e9rica. O presidente Lula j\u00e1 mencionou, ao chamar o presidente de l\u00e1 de companheiro Bush que considera aquele pa\u00eds um parceiro imprescind\u00edvel para o Brasil. Por seus atos e palavras percebemos sua falta de disposi\u00e7\u00e3o assim como de toda a alta burguesia brasileira no sentido de encaminhar a Independ\u00eancia de que precisamos.\n\nQue a reflex\u00e3o em torno dos atos heroicos de nossos ancestrais possa inspirar nossos contempor\u00e2neos.\n<p align=\"left\"><strong>Independ\u00eancia ou Morte &#8211; Resumo<\/strong><\/p>\nA partir de abril de 1821, D. Pedro passa a governar o Brasil na condi\u00e7\u00e3o de regente.\n\n<strong>As Cortes Portuguesas enviam medidas que visam conduzir o Brasil a sua antiga condi\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia (medidas recolonizadoras):<\/strong>\n<blockquote><strong>24\/04\/1821<\/strong>, declarando independentes do Rio de Janeiro e diretamente subordinadas a Lisboa todas as prov\u00edncias do Brasil<strong>\n29\/08\/1821<\/strong>, anula\u00e7\u00e3o das decis\u00f5es jur\u00eddicas e do tribunais brasileiros<strong>\n09\/12\/1821<\/strong>, exigindo a volta do pr\u00edncipe D. Pedro para Portugal.<\/blockquote>\n<strong>A REA\u00c7\u00c3O DA ELITE AGR\u00c1RIA consistiu em lutar contra tais medidas recolonizadoras e fazendo de tudo para ter o apoio do pr\u00edncipe D. Pedro por meio de:<\/strong>\n<blockquote>Peti\u00e7\u00e3o com mais de 8 000 assinaturas.\u00a0 Argumentos convincentes que resultar\u00e1 no dia do FICO (09\/01\/1822).\nT\u00edtulo de Gr\u00e3o-mestre do Grande Oriente do Brasil.\nT\u00edtulo de Protetor e defensor Perp\u00e9tuo do Brasil.\n12\/01\/1822, forma\u00e7\u00e3o de um Minist\u00e9rio s\u00f3 de brasileiros.\nAbril de 1822, decreto do Cumpra-se.\nJunho de 1822, convoca\u00e7\u00e3o da Assembleia Legislativa e Constituinte.<\/blockquote>\nTendo sido convidado pela C\u00e2mara Municipal de S\u00e3o Paulo \u00e0 visitar aquela cidade, D. Pedro partiu para l\u00e1 em 14 de agosto, chegando onze dias depois.\n\nDom Pedro ainda estava em viagem (encontrava-se em Pindamonhangaba), quando, em 20 de agosto, Joaquim Gon\u00e7alves Ledo prop\u00f4s, no Grande Oriente do Brasil, Loja ma\u00e7\u00f4nica do Rio de Janeiro, a proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia. Dezoito dias mais tarde\u2026\n\nO mensageiro Paulo Bregaro encontrou Dom Pedro na tarde do dia 7 de setembro, voltando de Santos, \u00e0s margens do riacho Ipiranga em S\u00e3o Paulo (\u2026).\n\n12 de outubro de 1822 foi realizada a aclama\u00e7\u00e3o de Dom Pedro como o primeiro imperador do Brasil, com o t\u00edtulo de Dom Pedro I (no mesmo dia em que completava 24 anos).\n\n<strong>As caracter\u00edsticas da Independ\u00eancia do Brasil:<\/strong>\n<blockquote>Foi de forma pac\u00edfica, ou seja, sem o derramamento de sangue, n\u00e3o violenta.\nSem a participa\u00e7\u00e3o do povo.\nSegundo os interesses da elite com a manuten\u00e7\u00e3o da monarquia e escravid\u00e3o.<\/blockquote>\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0useum.org\/culturabrasil\/educaterra\/www.cdb.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Independ\u00eancia ou Morte, Brasil, Hist\u00f3ria, Proclama\u00e7\u00e3o, Rep\u00fablica, Processo, Governo, Pa\u00eds, Dom Pedro, Pol\u00edtica, Dia, Independ\u00eancia ou Morte<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9811,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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