{"id":25936,"date":"2015-12-22T00:00:00","date_gmt":"2015-12-22T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:28","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:28","slug":"magnatas-do-trafico-negreiro-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/","title":{"rendered":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro"},"content":{"rendered":"\n<strong>Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro &#8211; Hist\u00f3ria do Brasil<\/strong>\n\nAbstraindo-se a elevada porcentagem de navios em poder dos homens da na\u00e7\u00e3o hebreia, seria imposs\u00edvel no tr\u00e1fico (negreiro).\n\nDe meados do s\u00e9culo XVII em diante os grandes veleiros da \u00e9poca passaram a alojar homens, mulheres e crian\u00e7as em distintos patamares. Assim, na se\u00e7\u00e3o inferior do navio, ficavam os moleques, os rapazes e os machos adultos; no repartimento intermedi\u00e1rio, as mulheres, e no superior, em divis\u00f5es apartadas, as gr\u00e1vidas e as crian\u00e7as menores. Os espa\u00e7os restantes, anexos aos costados da proa e da popa, eram reservados exclusivamente para as sentinelas e para as utilidades, respectivamente. Guardas, em todos os casos, vigiavam durante a noite impondo a disciplina.\n\nSabe-se, igualmente, que os cativos viajavam assentados em filas paralelas, de uma \u00e0 outra extremidade de cada cobertura. Ao se deitarem para dormir, curvavam-se para tr\u00e1s, depondo a cabe\u00e7a sobre o colo dos que os seguiam imediatamente. \u00c9 a isso, portanto, que certos missivistas aludem ao afirmarem que os negros navegavam amontoados uns por cima dos outros.\n\nOs esfor\u00e7os no sentido de obter \u201cpe\u00e7as de escravos\u201d, selecion\u00e1-las por estatura, idade, sexo e vigor, marc\u00e1-las com o ferrete e mant\u00ea-las com sa\u00fade at\u00e9 aos embarques via Novo Mundo. Na marca\u00e7\u00e3o das \u201cpe\u00e7as\u201d, como se tratasse de animais ou de simples objetos, juntavam-lhe primeiro com sebo o local a receber o ferrete, geralmente no bra\u00e7o, no est\u00f4mago e mesmo no rosto.\n\nPara marranos e crist\u00e3os-novos o ato poderia comparar-se ao dos antigos hebreus, os quais furavam uma das orelhas ao escravo e nela punham min\u00fascula argola de metal como prova de senhorio.\n\nO que interessava (para os judeus) era o montante de \u201cprodutos\u201d (negros) carregados\u2026 Nada menos que tr\u00eas naus conduziram cada uma acima de 1000 cabe\u00e7as. S\u00f3 a de nome Na. Sra. do Popolo levou 1079.\n\nMas as desvantagens tamb\u00e9m se fizeram sentir, porque o ve\u00edculo (navio) ficou mais pesado, menos control\u00e1vel, menos obediente ao leme, mais sujeito aos vendavais e mais ating\u00edvel pelos cors\u00e1rios.\n\nNestas ocasi\u00f5es imprevis\u00edveis, o recurso consistia em atirar ao oceano valiosas por\u00e7\u00f5es do carregamento (dos escravos).\n\nSomente Jo\u00e3o Soeiro empregava no tr\u00e1fico legal, como no sub-rept\u00edcio, mais de 30 navios transportadores.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg\" alt=\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro\" width=\"300\" height=\"350\" \/><strong>\nPara economia de espa\u00e7o os negros eram transportados sentados<\/strong><\/p>\nQuando, h\u00e1 alguns anos, curs\u00e1vamos Hist\u00f3ria da Am\u00e9rica, na Fac. de Fil. Ci\u00eancias e Letras, da Univ. de S\u00e3o Paulo, veio-nos \u00e0 mente a ideia de que o tr\u00e1fico negreiro deveria andar nas m\u00e3os de judeus portugueses, gra\u00e7as a certas evid\u00eancias que possu\u00edamos. O assunto talvez comportasse uma tese de doutoramento, conforme desej\u00e1vamos, e para a qual nos incentivou o mestre da disciplina acima, professor Rozendo Sampaio Garcia.\n\nIniciamos, ent\u00e3o, na qualidade de aluno ainda, as primeiras leituras e as pesquisas em demanda do nosso objetivo. Eis por\u00e9m que, ao nos defrontarmos com determinado documento origin\u00e1rio do Conselho das \u00cdndias, mas baseado em den\u00fancias remetidas ao rei da Espanha, tivemos que abrir um hiato a fim de buscar luzes acerca do problema sugerido pelo texto.\n\nDizia este que os sertanistas de S\u00e3o Paulo quando se apossavam dos \u00edndios paraguaios, aldeados nas \u201credu\u00e7\u00f5es\u201d jesu\u00edticas, lhes punham nomes do Antigo Testamento. O que, noutras palavras, significava que muitos dentre os predadores seriam da estirpe judaica, e que, al\u00e9m do escravismo africano, havia uma segunda corrente alimentada por cativos ind\u00edgenas, e conduzida por aqueles bandeirantes.\n\n<strong>Sendo, pois, assim, como identificar tais Indiv\u00edduos?<\/strong>\n\nA tarefa se afigurava gigantesca! As barreiras pareciam inamov\u00edveis \u00e0 luz do condicionamento gerado por preconceitos e por fatores de natureza pol\u00edtico-religiosa.\n\nOs velhos cronistas nada informavam e nem as genealogias. As leis da Igreja se opunham ao ingresso dos neo-conversos nas Ordens espirituais e \u00e0 recep\u00e7\u00e3o de comendas honor\u00edficas.\n\nO mesmo se passava quanto aos cargos p\u00fablicos, exigindo-se que tanto estes como aqueles fossem portadores da leg\u00edtima seiva ariana.\n\nPor sua vez, homens ilustres, a exemplo de Taunay, admitiam que, se houve crist\u00e3os-novos e marranos na capitania de S\u00e3o Vicente, o montante seria bem inferior relativamente a Pernambuco e \u00e0 Bahia. Mas, uma coisa era a teoria, e outra, a realidade objetiva, segundo comprovamos depois.\n\nFomos t\u00e3o longe no sentido de esclarecer o problema relativo aos sertanistas de S\u00e3o Paulo, que, afinal, resultou uma tese assaz diferente daquela proconcebida ao iniciarmos os estudos. E, assim, surgiu a nossa primeira obra intitulada Crist\u00e3os-Novos, Jesu\u00edtas e Inquisi\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>* Anos depois veio a lume a segunda, com o objetivo de lhe dar continuidade sob a ep\u00edgrafe de Os Crist\u00e3os-Novos:<\/strong>\u00a0Povoamento e Conquista do Solo Brasileiro (1530-1680). * Uma terceira, denominada Os Crist\u00e3os-Novos e o Comercio no Atl\u00e2ntico Meridional, ** abrangendo a mesma fase hist\u00f3rica, real\u00e7ou ainda mais o quadro h\u00e1 tanto imaginado. O tempo decorreu, mas, por detr\u00e1s do novo tema, que agora se enfoca, t\u00ednhamos realizado tr\u00eas extenuantes viagens a Portugal \u00e0 procura de documentos alusivos \u00e0 quest\u00e3o em apre\u00e7o.\n\nPor conseguinte, somente depois disso nos foi poss\u00edvel regressar ao ponto de partida. No Interregno a nossa vis\u00e3o acerca dos judeus sefardins se ampliou consideravelmente.\n\nGranjeamos uma experi\u00eancia sobremodo valiosa. A documenta\u00e7\u00e3o que obtivemos com vistas ao tr\u00e1fico negreiro nos permite, assim, oferecer aos estudiosos novas perspectivas quanto \u00e0 mat\u00e9ria.\n\n<strong>Com grande surpresa chegamos \u00e0 conclus\u00e3o de que os judeus ib\u00e9ricos foram os principais detentores do com\u00e9rcio negreiro, e mais<\/strong>: que um cl\u00e3, ligado por interesses econ\u00f4micos, quando n\u00e3o tamb\u00e9m por la\u00e7os sangu\u00edneos, o explorou largamente. De modo que, afora isso, o tr\u00e1fico seria quase imposs\u00edvel, assim como a coloniza\u00e7\u00e3o do Brasil e da Am\u00e9rica Espanhola, por falta de outros mercadores habilitados, car\u00eancia de embarca\u00e7\u00f5es, escassez de povoadores brancos e de obreiros que se sujeitassem a trabalhos servis, a exemplo dos exigidos pela ind\u00fastria a\u00e7ucareira e pelo entabulamento das jazidas mineral\u00f3gicas.\n\n<strong>O escravismo constituiu-se, pois, em fator de suma import\u00e2ncia para a economia ibero-americana, porquanto canalizou recursos para os cofres de Portugal e da Espanha; imprimiu vida \u00e0s minas do M\u00e9xico e do Peru<\/strong>: incrementou e manteve durante s\u00e9culo e meio, pelo menos, a monocultura canavieira do Brasil; animou a imigra\u00e7\u00e3o para o Novo Mundo em virtude das alvissareiras condi\u00e7\u00f5es que ia propiciando. Ouro, prata, a\u00e7\u00facar, plantas tintoriais, marfim, e outras esp\u00e9cies, influ\u00edram eficazmente desde essa ocasi\u00e3o no com\u00e9rcio mundial. O Atl\u00e2ntico Sul se agigantou.\n\nNossa preocupa\u00e7\u00e3o concentrou-se nos dois primeiros s\u00e9culos dos tempos modernos, mas, de maneira particular, no XVII, em que o assunto \u00e9 pouco ventilado ainda hoje. Quase nada se escreveu, por exemplo, acerca da transfer\u00eancia dos direitos peculiares \u00e0 Coroa lusitana para as m\u00e3os dos escravistas e nem sobre a forma pela qual o tr\u00e1fico era conduzido, limitando-se os autores a narrar o que se passava entre a \u00c1frica e a Am\u00e9rica.\n\nMuitos jamais trouxeram a lume o fato de que a pol\u00edtica monopolista do Governo tamb\u00e9m abrangia o setor negreiro desde as fontes de suprimento at\u00e9 \u00e0s \u00e1reas de importa\u00e7\u00e3o.\n\n\u00c9 preciso, outrossim, levar em conta, que o escravismo assumiu diferentes aspectos no decorrer dos anos. Foi um at\u00e9 fins da Idade M\u00e9dia, mas depois, os descobrimentos mar\u00edtimos e a consequente ocupa\u00e7\u00e3o de novas terras, nas margens opostas do Atl\u00e2ntico Sul, deram-lhe outro car\u00e1ter.\n\nNem a modalidade que vigeu no XVII se pode equiparar \u00e0 predominante no s\u00e9culo anterior, ou do subsequente, quando o ouro do Brasil ponderou na economia europeia. Monocultura canavieira, explora\u00e7\u00e3o mineral\u00f3gica, cultivo de cafezais, cada qual teve o seu regime peculiar.\n\nSe, por\u00e9m, quisermos encontrar a estrutura funcional do tr\u00e1fico negreiro em sua totalidade, devemos busc\u00e1-la no s\u00e9culo XVI, ao t\u00e9rmino das \u00faltimas d\u00e9cadas.\n\nA partir da\u00ed ela pouco se inovou quanto ao duplo objetivo de atender ao Brasil e \u00e0s \u00cdndias de Castela. Eis por que, para compreender razoavelmente o fluxo escravista no per\u00edodo alusivo \u00e0s Minas Gerais, no s\u00e9culo XVIII, mister se faz lig\u00e1-lo \u00e0s fases antecedentes. O mesmo, contudo, n\u00e3o se passou quanto s possess\u00f5es de Castela, visto que os portugueses haviam sido ultrapassados pelos fornecedores ingleses, holandeses e franceses.\n\nNo caso das \u00cdndias Ocidentais e Rio da Prata verifica-se que o tr\u00e1fico guarda certa semelhan\u00e7a com o destinado ao Brasil durante a uni\u00e3o das duas Coroas ib\u00e9ricas (1580-1640), dadas as afinidades pol\u00edticas entre ambas, \u00e0 contiguidade geogr\u00e1fica e aos respectivos interesses econ\u00f4micos. Mas as diferen\u00e7as tamb\u00e9m existiram, conforme viremos a demonstrar trazendo \u00e0 cena os contratos afro-brasileiros e os \u201casientos\u201d afro-indianos. A documenta\u00e7\u00e3o sobre esta mat\u00e9ria \u00e9 abundante, o que, todavia, de par com o escopo da presente obra, nos obriga a us\u00e1-la apenas de maneira parcial.\n\nQuanto \u00e0 Am\u00e9rica portuguesa n\u00e3o \u00e9 menos farta a messe de textos, sobretudo manuscritos, os quais ainda jazem mal explorados. Os escritores t\u00eam-se preocupado mais com os dois \u00faltimos s\u00e9culos da escravid\u00e3o, olvidando, talvez, que os anteriores s\u00e3o bastante significativos para a Hist\u00f3ria, para a Sociologia, para a Economia e para a Ci\u00eancia Pol\u00edtica, e deveras necess\u00e1rios \u00e0 boa compreens\u00e3o do assunto.\n\nEm nosso estudo demos prefer\u00eancia \u00e0s fontes originais, e em especial \u00e0quelas ainda mal conhecidas, a exemplo dos contratos de arrendamento, os quais, via de regra, inclu\u00edam outros monop\u00f3lios de menor import\u00e2ncia conforme as \u00e1reas abrangidas. \u00c9 o caso relativo aos estanques do ferro, do marfim e da urzela.\n\nNessa trama toda, como n\u00e3o poderia deixar de ser, foi not\u00e1vel o papel desempenhado pelos hebreus portugueses. Afeitos \u00e0s atividades econ\u00f4micas na Ib\u00e9ria medieval, integraram-se tamb\u00e9m nos empreendimentos de ultramar, sem excluir o tr\u00e1fico de escravos, a produ\u00e7\u00e3o e o com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar, a cobran\u00e7a dos d\u00edzimos e das taxas alfandeg\u00e1rias, e assim por diante.\n\nTivemos, por conseguinte, de efetuar o levantamento nominal dos principais traficantes e de estabelecer-lhes a identifica\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea, isto \u00e9, se arianos ou semitas, crist\u00e3os da velha etnia ou judeus sefardins. E, para tanto, recorremos aos arquivos do Santo Of\u00edcio, \u00e0s chancelarias reais, aos documentos alusivos as Companhias de Com\u00e9rcio, \u00e0s fontes de origem colonial, e, por fim, \u00e0s genealogias, procurando deslindar os la\u00e7os familiares, esgalhados n\u00e3o raro em direitura Fran\u00e7a, \u00e0 It\u00e1lia, aos Pa\u00edses-Baixos, \u00e0 Inglaterra, \u00e0 \u00c1frica e aos demais continentes.\n\nTal relacionamento explicaria o seu predom\u00ednio nos interc\u00e2mbios comerciais da Pen\u00ednsula com o exterior, e isso os colocava a cavaleiro no tr\u00e1fico de escravos gra\u00e7as \u00e0s mercadorias que recebiam de fora e que destinavam aos escambos onde fosse aconselh\u00e1vel. Como ningu\u00e9m, os judeus ib\u00e9ricos dispunham de cr\u00e9ditos l\u00e1 fora, s\u00f3 poss\u00edveis a reduzido n\u00famero de negociantes da velha etnia crist\u00e3.\n\nLonge de n\u00f3s a pretens\u00e3o de originalidade no tratamento dispensado ao tema proposto. Queremos apenas esclarecer melhor certos aspectos da mat\u00e9ria em apre\u00e7o e tamb\u00e9m mostrar alguns pontos olvidados at\u00e9 agora.\n\nChamamos a aten\u00e7\u00e3o especialmente para a maneira controvertida acerca do procedimento para com os escravos a bordo; o problema dos transportes entre a \u00c1frica, Brasil e \u00cdndias de Castela; a quest\u00e3o dos lucros auferidos pelos traficantes negreiros. Al\u00e9m de outros considerados.\n\nAgora, conhe\u00e7amos bem de perto os grandes escravistas do tr\u00e1fico negreiro nos seus prim\u00f3rdios.\n\n<strong>*<\/strong>\u00a0Publicados pela Livraria Pioneira Editora, em co-edi\u00e7\u00e3o com a EDUSP.<strong>\n**\u00a0<\/strong>Idem, em co-edi\u00e7\u00e3o com INL\/MEC.\n\n<strong>As Ra\u00edzes do Monopolismo Escravista<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159579 \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Magnat7.jpg\" alt=\"\" width=\"378\" height=\"210\" \/><strong>Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro<\/strong><\/p>\nO sistema de monop\u00f3lios adotado pela coroa portuguesa nasceu com a primeira monarquia e se aprofundou nas seguintes. Era \u00f3bvio que assim fosse, em virtude dos bens e dos direitos inerentes \u00e0 mesma desde a funda\u00e7\u00e3o da Nacionalidade, e acrescidos de outros no decurso dos anos por despojos de guerra, por compra, por confiscos e pela incorpora\u00e7\u00e3o de herdades sem descendentes. Neles estavam compreendidos, al\u00e9m de im\u00f3veis, os portos, os rios, os min\u00e9rios, as salinas, as estradas e certos produtos ainda que origin\u00e1rios de \u00e1reas alheias \u00e0 Coroa. E da\u00ed a faculdade de explor\u00e1-los a seu talante, diretamente ou n\u00e3o. Podia, tamb\u00e9m, cobrar as portagens (alf\u00e2ndegas e portos secos), as alcavalas, as sisas, as d\u00edzimas e outros Impostos e taxas. Tais rendas constitu\u00edam as fontes de receita.\n\nDe par com esse processo, o Pr\u00edncipe governante tornou-se \u201cipso-facto\u201d o agente e defensor da \u201crep\u00fablica\u201d, cabendo-lhe o dever de administr\u00e1-la com acerto em beneficio do povo.\n\nColetores de tributos e regulamentos surgem em conson\u00e2ncia. A m\u00e1quina fazend\u00e1ria se complica \u00e0 medida que o Governo por \u00faltimo abra\u00e7a o mercantilismo. D. Manuel foi o exemplo do soberano-mercador.\n\nNo seu reinado o C\u00f3digo Afonsino \u00e9 adaptado \u00e0s condi\u00e7\u00f5es vigentes na \u00e9poca (1514; 1521), e, de igual modo, v\u00eam a p\u00fablico em 1516 o Regimento e as Ordena\u00e7\u00f5es da Fazenda, todos com vistas aos interesses da Coroa.\n\nEsta \u00faltima, todavia, passou gradativamente a ceder a terceiros, por determinado tempo, e mediante uma remunera\u00e7\u00e3o, certas \u00e1reas e fun\u00e7\u00f5es inerentes ao patrim\u00f4nio r\u00e9gio. O pagamento, total ou parcial, efetuava-se, via de regra, em esp\u00e9cie, mas, a partir do s\u00e9culo XIII, tamb\u00e9m na forma de pec\u00fania, gra\u00e7as ao desenvolvimento do meio circulante, de par com o dos neg\u00f3cios.\n\nPerfilam, ent\u00e3o, no rol dos arrendat\u00e1rios, enfiteutas, foristas ou aprazadores, indiv\u00edduos da estirpe judaica relacionados com a florescente classe da burguesia. Eles n\u00e3o se at\u00eam \u00e0 simples atividade mercantil, mas adotam outros tipos de transa\u00e7\u00f5es, como a usura, a arrecada\u00e7\u00e3o de impostos, o meneio de bens im\u00f3veis, e assim por diante. Enquanto isso, os demais habitantes, entregues \u00e0 agricultura, ao artesanato e a trabalhos mar\u00edtimos, desprezam o ramo dos neg\u00f3cios; ali\u00e1s, em sintonia com a Igreja, a qual levantava barreiras \u00e0s composi\u00e7\u00f5es lucrativas.\n\n\u00c9 not\u00f3ria a ascend\u00eancia comercial e financeira dos hebreus sefardins nos reinados de D. Sancho II (1223-1247) e seguintes, at\u00e9 ao de Afonso V (1438-1481), quando gozam de certa liberdade, t\u00eam a prote\u00e7\u00e3o dos monarcas e inclusive atingem posi\u00e7\u00f5es de destaque junto aos mesmos. E, se acaso, os s\u00fad\u00edtos crist\u00e3os erguerem queixas, fruto de ci\u00fames, antes que de incompatibilidades \u00e9tnicas ou religiosas, os reis geralmente se fazem de surdos e n\u00e3o as ouvem.\n\nAssim, pois, o clero, a fidalguia e a Coroa utilizam os servi\u00e7os dos referidos hebreus, confiando-lhes a administra\u00e7\u00e3o dos bens, arrendando-lhes propriedades e direitos, socorrendo-se de seus of\u00edcios, tomando empr\u00e9stimos e efetuando outras transa\u00e7\u00f5es.\n\nUma evid\u00eancia acha-se precisamente no C\u00f3digo Afonsino, livro II, tit\u00ba 68, atrav\u00e9s do qual se v\u00ea que eles costumavam arrendar para si as d\u00edzimas, as ofertas e esmolas das igrejas, conventos e capelas, recolhendo-as, inclusive, no hor\u00e1rio das rezas. Logo mais, e eis que tamb\u00e9m adentram o com\u00e9rcio ultramarino. Por volta de 1472, junto com mercadores genoveses, monopolizam o a\u00e7\u00facar da Madeira. \u00c9 comum encontr\u00e1-los, outrossim, associados com estrangeiros da estirpe dos Afaitati, dos Di Nigro e de tantos mais.\n\nAo tempo de el-rei D. Jo\u00e3o II (1481-1495), quando a expans\u00e3o mar\u00edtima toma vulto, o quadro \u00e9 bem sintom\u00e1tico. Ao redor do Trono postulam m\u00e9dicos ilustres, matem\u00e1ticos, cosm\u00f3grafos e contratadores.\n\nNa verdade, as Cortes de \u00c9vora, em 1490, procuraram atalhar o que julgavam ser um mal, ou seja, a ocupa\u00e7\u00e3o dos judeus nos cargos p\u00fablicos e nos arrendamentos. E n\u00e3o era para menos, pois at\u00e9 h\u00e1 pouco detinham tamb\u00e9m sob o seu controle as rendas dos mestrados das Ordens Honor\u00edficas, coisa por demais estranha, visto o car\u00e1ter religioso peculiar \u00e0s mesmas. Desatendeu o monarca \u00e0 exig\u00eancia, alegando inexistirem melhores rendeiros. Entretanto, nos anos futuros revelou-se avesso para com os dessa prog\u00eanie, ao contr\u00e1rio do sucessor, D. Manuel, o qual lhes foi bastante simp\u00e1tico, a ponto de o apelidarem \u201cEl-rei judeu\u201d.\n\nEntrementes o Atl\u00e2ntico Sul cai sob o dom\u00ednio de Portugal. Por direito de descobrimento e de conquista, assegurado por bulas papais e pelo Tratado de Tordesilhas, o oceano e as terras circunjacentes pertencem \u00e0 Coroa. E, assim, pode servir-se deles como quiser, explorando-os por si ou por intermedi\u00e1rios devidamente autorizados. Recorre, ent\u00e3o, a contratos, pela maneira como vinha procedendo noutros casos at\u00e9 a\u00ed. Nunca, por\u00e9m, abre m\u00e3o da soberania sobre os mesmos. Mant\u00e9m o exclusivismo. Monop\u00f3lios, estancos, impostos e taxas s\u00e3o fontes de renda que o Tesouro Real explora.\n\n<strong>Por que os Arrendamentos?<\/strong>\n\n<strong>N\u00e3o seria prefer\u00edvel que o Estado explorasse diretamente os seus pr\u00f3prios recursos, ao inv\u00e9s de ced\u00ea-los a terceiros e ainda com a desvantagem de perder somas consider\u00e1veis a favor dos contratadores?<\/strong>\n\nCremos que as circunst\u00e2ncias prevalecentes no Reino, sobretudo nos tempos modernos, n\u00e3o permitiam outra solu\u00e7\u00e3o aos governantes portugueses.\n\nO patrim\u00f4nio f\u00edsico e os respectivos direitos eram muitos e de natureza variad\u00edssima, mas o Pa\u00eds n\u00e3o dispunha de gente bastante para atender \u00e0 administra\u00e7\u00e3o em geral, caso tivesse que utilizar apenas crist\u00e3os arianos, pois estes careciam de condi\u00e7\u00f5es para o exerc\u00edcio de certas atividades, a exemplo das estritamente comerciais. A grande maioria do povo era constitu\u00edda por analfabetos e sem experi\u00eancia do trato mercantil.\n\nEmpreg\u00e1-los equivaleria a aumentar o \u00f4nus ainda mais, a reduzir a produ\u00e7\u00e3o e, consequentemente, tamb\u00e9m os lucros. Lembre-se que a base econ\u00f4mica estribara-se durante s\u00e9culos no amanho do solo.\n\nOutro fator ponder\u00e1vel derivava das crises intermitentes com que o Er\u00e1rio se debatia. O Estado, por seu esp\u00edrito mercantilista, sujeitara-se \u00e0s conting\u00eancias do mercado internacional, e isso pesava na balan\u00e7a. Mas, al\u00e9m de tudo, os gastos com o imp\u00e9rio, manuten\u00e7\u00e3o e funcionalismo, absorviam consider\u00e1vel soma da receita. As ten\u00e7as e os juros abocanhavam o restante.\n\n<strong>E os imprevistos?<\/strong>\n\nOs vedores da Fazenda viviam embara\u00e7ados. O desequil\u00edbrio nos or\u00e7amentos anuais era cada vez maior. E, ent\u00e3o, \u00e0 falta de numer\u00e1rio, lan\u00e7avam-se fintas, pediam-se donativos e empr\u00e9stimos, ao passo que os arrendamentos continuavam sempre na ordem do dia, sob a forma de monop\u00f3lios ou de simples privil\u00e9gios.\n\nEste neg\u00f3cio convinha \u00e0 Coroa por diversas raz\u00f5es. Primeiro porque os bens e os direitos deixavam de ser est\u00e1ticos e se tornavam din\u00e2micos, geradores de receita e de trabalho. Segundo, porque movimentavam o com\u00e9rcio e ofereciam recursos \u00e0 Fazenda. Em terceiro lugar, porque a Coroa, embora tivesse que efetuar gastos com a manuten\u00e7\u00e3o de feitorias, no caso da \u00c1frica, ou com a administra\u00e7\u00e3o oficial no Brasil, os disp\u00eandios eram m\u00ednimos, relativamente ao que devia receber dos contratos. Noutras palavras, explorava o patrim\u00f4nio com o desembolso de parcas quantias.\n\nOs cr\u00e9ditos prefixados a favor da Coroa revertiam aos cofres p\u00fablicos em presta\u00e7\u00f5es ou de uma vez. O sistema tamb\u00e9m lhe facultava conservar a supremacia original, fiscalizar a execu\u00e7\u00e3o dos contratos e manter a autoridade sobre os territ\u00f3rios dominados.\n\nNo caso das possess\u00f5es ultramarinas, servia de instrumento para suprir os colonos daqueles artigos que lhes eram indispens\u00e1veis, pois o contratador ocupava-se necessariamente da mercancia. Sucedia, ainda, por seu interm\u00e9dio, o pagamento de 1% para as chamadas \u201cobras pias\u201d, tais como igrejas, capelas, conventos, manuten\u00e7\u00e3o de \u00f3rf\u00e3os, etc., em cera, dinheiro, ou por outra forma.\n\nO arrendat\u00e1rio, por sua vez, beneficiava-se de uma s\u00e9rie de vantagens, dentre a quais a de representar a Coroa no neg\u00f3cio em apre\u00e7o e de usufruir a prote\u00e7\u00e3o da mesma enquanto vigisse o acordo.\n\nO monop\u00f3lio \u00e9 dele em termos de \u201cfideicomisso\u201d. Pertence-lhe temporariamente, podendo explor\u00e1-lo e tirar lucros vantajosos. N\u00e3o precisa temer concorrentes.\n\nOutros interessados no ramo ter\u00e3o que aceitar as condi\u00e7\u00f5es que impuser, segundo as demandas do mercado.\n\nO privilegiado deve, contudo, oferecer os seus pr\u00f3prios bens em garantia, assim como os de fiadores id\u00f4neos. Se falhar nos pagamentos \u00e0 Fazenda, todos sofrer\u00e3o penhora ou tamb\u00e9m o encarceramento, a come\u00e7ar pelo contratador.\n\nIndiv\u00edduos da estirpe hebreia prosseguiram em escala ascendente ap\u00f3s a Idade M\u00e9dia a monopolizar os tratos da Coroa. Os descobrimentos mar\u00edtimos apanharam-nos j\u00e1 envolvidos no mercantilismo e, ent\u00e3o, aproveitaram-se das oportunidades que se entreabriram. Os novos arrendamentos lhe agu\u00e7aram a ambi\u00e7\u00e3o, mais do que os antigos.\n\nHouve ainda ao tempo do Venturoso tentativas no sentido de abolir tal sistema, de modo a que tudo corresse em benef\u00edcio exclusivo da Fazenda.\n\nInexistindo, por\u00e9m, as desejadas condi\u00e7\u00f5es, voltou-se atr\u00e1s no ano de 1516, e aos crist\u00e3os-novos se facultou o privil\u00e9gio que vinham usufruindo.\n\n<strong>E mais:<\/strong>\u00a0D. Manuel fez o poss\u00edvel para ret\u00ea-los no Pa\u00eds, visto consider\u00e1-los \u00fateis \u00e0 na\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Os Arrendamentos no S\u00e9culo XVI<\/strong>\n\nDe fato, j\u00e1 no in\u00edcio do reinado manuelino os hebreus detinham uma boa soma de contratos. Entre estes, os das alf\u00e2ndegas, o do suprimento de cereais, os das sisas do pescado e os da madeira.\n\nA figura central a destacar-se na ocasi\u00e3o, tem por alvo o rico mercador Jo\u00e3o Rodrigues Mascarenhas, traficante de negros e cobrador de diversos impostos. \u00c9 tempo de crise!\n\nFaltam comest\u00edveis e os pre\u00e7os gritam alto. O povo se revolta, desconhecendo as causas intrincadas do problema. O clamor se alastra! Lisboa, foco do trato comercial, \u00e9 atingida gravemente.\n\nCentenas perecem no conflito, e um deles \u00e9 o referido Mascarenhas.\n\nMas, n\u00e3o obstante, D. Manuel entrega o arrendamento de Santa Cruz (Brasil) a um cons\u00f3rcio de crist\u00e3os-novos encabe\u00e7ado por Fern\u00e3o de Noronha, diversos dos quais tamb\u00e9m exploram no momento o tr\u00e1fico negreiro.\n\nEsse mesmo soberano, a fim de proporcionar recursos ao Er\u00e1rio e levar adiante os neg\u00f3cios em que o Estado se achava metido, introduziu em 1500 os malfadados \u201cpadr\u00f5es de juros\u201d, que nada mais eram do que empr\u00e9stimos de particulares Coroa. Ali\u00e1s, outros governos se utilizavam de semelhante alvedrio. Sucede, todavia, que, segundo o crit\u00e9rio manuelino, os juros, quando n\u00e3o tamb\u00e9m a d\u00edvida total, deviam ser amortizados ou pagos em definitivo atrav\u00e9s do produto das rendas j\u00e1 estabelecidas. O expediente virou costume dali por diante. D. Jo\u00e3o III, o cardeal-rei, D. Sebasti\u00e3o e os sucessores seguiram-lhe, todos, nas pegadas.\n\n<strong>O Que Isso Significa?<\/strong>\n\nQue, simplesmente, parte da receita deixava de ingressar nos debilitados cofres da fazenda. O gravame financeiro se desenvolve \u00e0 medida que os juros ficam acumulados e novos \u201cpadr\u00f5es\u201d s\u00e3o oferecidos ao p\u00fablico, ou melhor, a burgueses da etnia hebreia. O Estado transformara-se em cliente obrigat\u00f3rio dos sefardins portugueses.\n\nAssim, pelo visto, D. Jo\u00e3o III (1521-1557) herdou um \u00f4nus pesado demais, que as riquezas da \u00edndia n\u00e3o conseguiam superar. Os com promissos, ali\u00e1s, aumentaram porque as col\u00f4nias tamb\u00e9m requeriam aten\u00e7\u00f5es, o Brasil notadamente, cobi\u00e7ado pelos franceses. Por sua vez, as letras de c\u00e2mbio, a juros, recobram impulso a partir de 1522 em virtude de transa\u00e7\u00f5es com o exterior, e quem manobra ambas as coisas s\u00e3o os sefardins coadjuvados por colegas residentes nos Pa\u00edses-Baixos, Alemanha, Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia e outras partes. A d\u00edvida flutuante como, de igual modo, a consolidada, crescem.\n\nDe 1545 a 1551 a na\u00e7\u00e3o sofre os impactos da crise internacional. Surgem novas fontes de receita, mas desprezam-se outras. NO entanto, a institui\u00e7\u00e3o do Santo Of\u00edcio em Portugal (1534), por obra de D. Jo\u00e3o III, constrangera numerosos judeus a emigrar, de sorte que o mesmo rei lamentava depois as dificuldades em achar contratadores para as rendas da Coroa.\n\nEra chegada a vez de os corretores de Lisboa e os das pra\u00e7as comerciais redobrarem os esfor\u00e7os. A classe existia desde, pelo menos, Afonso III (1248-1279).\n\nDesfrutam eles do reconhecimento e da prote\u00e7\u00e3o do Governo. Na qualidade de profissionais servem de intermedi\u00e1rios nos neg\u00f3cios civis, como tamb\u00e9m nos da Coroa. Assim, oferecem mercadorias a particulares, fretam navios, legalizam pap\u00e9is nas reparti\u00e7\u00f5es, ajustam acordos ou discutem os contratos de arrendamento com as partes interessadas. Recebem uma porcentagem pelo que realizam. Os seus atos, contudo, norteiam-se por Regulamento pr\u00f3prio, reestruturado em 1500 por el-rei. Entre as prescri\u00e7\u00f5es exigidas a cada postulante estavam a leitura e o saber contas, de modo que, no geral, o oficio caia em m\u00e3os de hebreus, sempre mais dedicados \u00e0s letras e aos n\u00fameros.\n\nApesar de vigiados pela Santa Inquisi\u00e7\u00e3o, os da estirpe continuavam atuantes. O alto neg\u00f3cio da pimenta os atrai. Jo\u00e3o Carlos Afaitati, juntamente com os Di Nigro e os irm\u00e3os Diogo Mendes (em Antu\u00e9rpia) e Francisco Mendes (em Lisboa), al\u00e9m de outros aliados, monopolizam a especiaria. Anos mais tarde, novo grupo, encabe\u00e7ado por Tom\u00e1s Ximenes (1592-1596), lidera as transa\u00e7\u00f5es.\n\n\u00c9 o tempo em que repontam os nomes de Hector Mendes e de Jorge Roiz Solis.\n\nS\u00e3o, todos eles, burgueses ricos e bem relacionados, o que os torna em condi\u00e7\u00f5es de conduzir esse trato, ali\u00e1s dos mais complexos.\n\nEntretanto, o Er\u00e1rio ia-se debilitando passo a passo. S\u00f3 os juros a pagar, em 1544, somavam 1.946.000 cruzados, sendo remota a possibilidade de liq\u00fcid\u00e1-los pelos meios normais. Os recursos extraordin\u00e1rios, sim, esses se iam perpetuando. Os crist\u00e3os-novos prosseguiam \u00e0 frente dos mesmos e a dominar os contratos, incluindo os das Ilhas Adjacentes. Em 1558 o alusivo \u00e0s rendas dos A\u00e7ores estava em poder de Miguel Gomes Bravo, membro de uma fam\u00edlia que se projetou nos neg\u00f3cios de Portugal a partir de ent\u00e3o.\n\nD. Sebasti\u00e3o e o Cardeal-rei n\u00e3o foram mais felizes que os anteriores.\n\n<strong>Ao contr\u00e1rio:\u00a0<\/strong>a depress\u00e3o financeira se acentuou durante o governo de ambos. O primeiro esvaziou os cofres p\u00fablicos e os de particulares para a campanha em \u00c1frica.\n\nO segundo precisou arcar com as d\u00edvidas j\u00e1 acumuladas, al\u00e9m de se preocupar com os prisioneiros de Alc\u00e1cer Quibir. A venda de t\u00edtulos oficiais, quer antigos como novos, tornou-se o recurso ordin\u00e1rio da Fazenda.\n\nAs obriga\u00e7\u00f5es do Tesouro perderam o valor em ate 45%. Quem dispunha de pec\u00fania, tirou bons lucros da situa\u00e7\u00e3o.\n\nNingu\u00e9m, contudo, igualou os Filipes quanto ao recolhimento de verbas por meios extraordin\u00e1rios. Eles indultaram burgueses ricos, a troco dos \u201cpadr\u00f5es\u201d que lhes tomaram, conforme sucedeu a Jorge Fernandes d\u2019Elvas e associados, praticantes de neg\u00f3cios ilicitos.\n\nA custa de vultosas quantias os Habsburgos madrilenos obtiveram o perd\u00e3o dos chefes da Igreja para os judeus condenados pelo Santo Of\u00edcio. Venderam prodigamente t\u00edtulos da Fazenda com validade heredit\u00e1ria.\n\nAos da etnia hebr\u00e9ia permitiram, de igual modo, o monop\u00f3lio quase absoluto dos contratos portugueses.\n\nNo referente aos \u201cpadr\u00f5es\u201d, o dom\u00ednio pertence a sefardins do porte de Ant\u00f4nio Fernandes d\u2019Elvas, o velho, aparentado com os Gomes d\u2019Elvas, com os Coronel e os Ximenes. Quando faleceu, os cr\u00e9ditos passaram aos descendentes, incluindo o genro Tom\u00e1s Ximenes, mais poderoso, ali\u00e1s, do que ele.\n\nNo rol dos possuidores de t\u00edtulos da Fazenda Real na \u00e9poca, contam-se Heitor Mendes de Brito, Jorge Roiz Solis, Lu\u00eds Gomes Angel, Francisco Lagarto, Diogo Roiz de Lisboa, Jo\u00e3o Soeiro, Duarte Dias Henriques, Andr\u00e9 Rodrigues de Estrem\u00f3s, os Castro do Rio, e tantos mais. O Er\u00e1rio, por conseguinte, dependia substancialmente deles, diversos dos quais andavam identificados com o tr\u00e1fico negreiro.\n\n<strong>A Situa\u00e7\u00e3o no S\u00e9culo XVII<\/strong>\n\nO quadro impressiona, outrossim, quanto aos demais arrendamentos da Coroa no alvorecer do s\u00e9culo XVII. Por exemplo, as alf\u00e2ndegas, compreendendo os portos mar\u00edtimos e os secos, j\u00e1 vinham sendo explorados por judeus desde a Idade M\u00e9dia. As mercadorias pagavam taxas \u00e0 entrada e \u00e0 sa\u00edda. Com os descobrimentos, o com\u00e9rcio se expandiu, facultando maiores neg\u00f3cios.\n\nApesar das isen\u00e7\u00f5es e das fraudes, os contratadores obtinham bons lucros, parte dos quais iam beneficiar a Fazenda Real. As rendas mar\u00edtimas andavam pela casa dos 186.500$000 rs. nos anos de 1.602 \u2013 1.603, conjuntamente. Eram as maiores do Reino e se achavam a cargo de Manuel Gomes da Costa, Jorge Roiz Solis e Pero de Boe\u00e7a. Em 1605, este concorreu sozinho \u00e0 de Lisboa, tendo sido antes o agente do cons\u00f3rcio no Algarve.\n\nManuel Gomes da Costa deveria reembolsar atrav\u00e9s das verbas que fossem entrando, os cr\u00e9ditos feitos com o provimento de doze navios da armada. Na ocasi\u00e3o, era contratador, tamb\u00e9m, das rendas do Consulado.\n\nPor sua vez, a cidade de Lisboa, centro principal do com\u00e9rcio portugu\u00eas, costumava negociar os direitos de el-rei. Nos anos de 1603 a 1613 o empreendimento pertencia a Fern\u00e3o Lopes Lopes, pelo valor de 76.100$000 rs. V\u00ea-lo-emos, depois a explorar os tributos do Consulado, e a partir de 1626 os do pau-brasil.\n\nAs ter\u00e7as, que, igualmente, constitu\u00edam valiosa fonte da receita, andavam trespassadas a judeus. Assim, em 1590, como a seguir. Em 1603 detinham-nas Lu\u00eds Fernandes Monsanto e Francisco de Oliveira Paredes, \u00e0 raz\u00e3o de 24.040$000 r\u00e9is por ano. Depois, arrendou-as em nova fase, Manuel Moreno Chaves, por 21.000$000.\n\nO Consulado, institu\u00eddo em 1592, com vistas \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de um comboio de navios, sofreu o mesmo destino. Tomou o arrendamento, de 1600 a 1608, o j\u00e1 conhecido Manuel Gomes da Costa, por 55.000$000 rs. ao ano. Tiveram-no, depois, Pero de Bae\u00e7a e outros.\n\nO apresto para as naus da \u00cdndia tamb\u00e9m andou em arrendamento. Elas deviam ser entregues nos estaleiros em condi\u00e7\u00f5es de singrar os oceanos. O ressarcimento ao contratador se processava em quotas, e \u00e0s vezes sob a forma de \u201cpadr\u00f5es de juros\u201d. Fato semelhante se passou com Jorge Roiz Solis, o qual, para atender quele fim, se associou a Cosmo Dias. O compromisso abrangia os anos de 1604 a 1609.\n\nSabe-se que, posteriormente, a Fazenda n\u00e3o encontrou facilidade para equipar as naus.\n\nCerca de 1619 surgem como fornecedores de pregaduras e \u00e2ncoras \u00e0 Coroa, os crist\u00e3os-novos Francisco Dias de Brito e Diogo Gomes da Costa.\n\nNo caso dos socorros ao Brasil usou-se o mesmo processo, sem excluir em tais emerg\u00eancias os donativos e os empr\u00e9stimos.\n\nHavia outras rendas no Reino, a exemplo das jazidas mineral\u00f3gicas. As do estanho gozavam de evid\u00eancia, devido ao seu emprego no fabrico de lou\u00e7as. De 1602 a 1606 o contrato pertenceu a Miguel Roiz de Le\u00e3o, por 250$000 rs. ao ano.\n\nNa verdade, eram t\u00e3o numerosos os aprazamentos em poder dos hebreus sefardins no lustro de 1600, a ponto de causarem queixas em todo o Reino por parte das classes menos favorecidas, ao passo que, em contrapartida, a nobreza era beneficiada pela Casa Real atrav\u00e9s da redistribui\u00e7\u00e3o das verbas adentradas nos cofres da Na\u00e7\u00e3o. Alegava-se contra eles a exorbit\u00e2ncia nos pre\u00e7os dos v\u00edveres, na taxa\u00e7\u00e3o das sisas e nos tributos novos. O Santo Of\u00edcio, obviamente, referendava o clamor, de sorte que, dirigindo-se a S. Maj., solicitou-lhe rejeitasse os donativos dos referidos s\u00faditos \u201cporque sendo eles os detentores de todo o com\u00e9rcio e dos contratos do Reino\u2026 fariam subir os precos para forrar o dinheiro oferecido\u201d. Entretanto, em abril e junho de 1601 os s\u00faditos hebreus obtiveram dois alvar\u00e1s permitindo-lhes sair do Reino com as fam\u00edlias e bens para qualquer parte sem pedir licen\u00e7a e dar fian\u00e7as. Pelo benef\u00edcio ofertaram a el-rei 470.000 cruzados por interm\u00e9dio de Jorge Rodrigues Lobo e de Rodrigo de Andrade.\n\nMas, fora da Metr\u00f3pole, eles tamb\u00e9m dominavam os contratos da Fazenda Real, assim como o tr\u00e1fico de mercadorias e de escravos. Sen\u00e3o, vejamos em resumo.\n\n<b>No mesmo quinqu\u00eanio\u00a0de 1600, auferiam\u00a0os direitos dos seguintes monop\u00f3lios:<\/b>\u00a0da \u00c1frica, o cons\u00f3rcio de Manuel Gomes d\u2019Elvas (1599-1605); o provimento das for\u00e7as em Ceuta e T\u00e2nger corria atrav\u00e9s de Jorge Roiz da Costa as rendas dos A\u00e7ores estavam em m\u00e3os do contratador Gabriel Ribeiro por 40.000$000 ao ano, e depois sob as de Ant\u00f4nio Caldeira, filho do traficante negreiro Manuel Caldeira; as da Madeira, de 1602 a 1608, foram cedidas a Francisco Roiz Vit\u00f3ria, ao pre\u00e7o de 21.400$000 por ano; as de Barlavento a Sim\u00e3o Roiz Mantua, de 1602 a 1606.\n\nO Brasil n\u00e3o escapou. O arrendamento dos d\u00edzimas foi sempre o mais cobi\u00e7ado. Tomou-o, primeiro, Bento Dias de Santiago, seguido por Gabriel Ribeiro da Costa. E assim, durante todo o s\u00e9culo XVII, correu quase sempre pelas m\u00e3os de indiv\u00edduos da estirpe hebreia.\n\nO pau-brasil abrira o precedente43. O tabaco deu continuidade \u00e0 rotina, o qual, do uso terap\u00eautico, converteu-se em v\u00edcio, e participou largamente no escambo de escravos. O primeiro contrato valeu 40$000 por um ano, mas foi subindo sempre. Em 1640 passou a 10.000 cruzados. Em 1698 alcan\u00e7ou 1.600.000. Nesta mesma data os seus d\u00edzimos andavam em poder de Josef Gomes da Silva, residente no Rio de Janeiro.\n\nOs juros do \u201cpadr\u00e3o\u201d que possu\u00eda o crist\u00e3o-novo Ant\u00f4nio da Gama Nunes eram-lhe pagos e aos herdeiros, depois, atrav\u00e9s desse monop\u00f3lio.\n\nQuanto, por\u00e9m, \u00e0s reclama\u00e7\u00f5es do povo acerca das carestias, devemos levar em conta que os judeus n\u00e3o eram culpados por tudo. A desenvoltura nos pre\u00e7os dependia de muitos fatores. Diversos contratos, ao inv\u00e9s de lucros, por isso mesmo, deram preju\u00edzos aos rendeiros.\n\nUm pouco mais, ou seja em 1612 e de novo em 1616, ordenava Filipe III \u00e0 Mesa da Consci\u00eancia e Ordens que n\u00e3o se concedessem por forma alguma os h\u00e1bitos nobilitantes aos crist\u00e3os-novos, pois quantos os recebiam deixavam de ser contratadores, e isto constitu\u00eda um mal para a Fazenda\u2019. De fato, a na\u00e7\u00e3o carecia deles e tamb\u00e9m dos restantes mercadores, conforme a decis\u00e3o sugerida em 1627, pedindo o banimento dos hebreus, salvo os do referido grupo.\n\nDuarte Gomes Solis aventurou ir mais longe, dizendo que o rei deveria favorec\u00ea-los com honrarias e imunidades. E o apologista tinha sobejas raz\u00f5es. Faltava gente para o trato; as neg\u00f3cios com a \u00cdndia declinavam; o perd\u00e3o geral em 1627 possibilitara a fuga de bons elementos para as Prov\u00edncias Unidas47. Se o Santo Oficio persistisse com as suas praxes, alegavam, outrossim, os da grei sefardita, o Reino iria de mal a pior48.\n\nFinda a vig\u00eancia filipina com a ascens\u00e3o ao trono, em 1640, do duque de Bragan\u00e7a, viu-se o novo governante em p\u00e9ssimas condi\u00e7\u00f5es. S\u00f3 os hebreus portugueses lhe poderiam dar ajuda, conforme os fatos demonstraram a seguir. Nas embaixadas ao estrangeiro, destacaram-se Jer\u00f4nimo Nunes Santar\u00e9m, Manuel da Gama de P\u00e1dua e Diogo Lopes Ulhoa; como representante da Coroa na Fran\u00e7a, Manuel Fernandes Vila Real, e na Inglaterra Manuel Rodrigues Lamego.\n\n<strong>Agentes e financistas:<\/strong>\u00a0na Holanda, Jer\u00f4nimo Nunes da Costa e Baltazar Roiz de Matos; em Hamburgo, Duarte Nunes da Costa. Os do primeiro grupo lutaram a favor do reconhecimento da novel monarquia, ao passo que os do \u00faltimo adquiriram armas e navios para o Governo, o qual enfrentava os ataques de holandeses e de espanh\u00f3is.\n\nOs suprimentos de recursos ao Algarve e \u00e0 Bahia de Salvador estiveram a cargo por mais de uma vez de Duarte da Silva e de outros cong\u00eaneres.\n\nEntre os financistas salientaram-se tamb\u00e9m Francisco Botelho Chacon e Manuel Garcia Franco. Como fornecedor de trigo lembramos o nome de Sim\u00e3o Mendes Chacon. Contratadores das ter\u00e7as, Diogo Fernandes Penso e Sim\u00e3o Locano. Fundidor da Casa da Moeda de prata, o rico negociante Gaspar Pacheco. O tesoureiro da alf\u00e2ndega de Lisboa foi ent\u00e3o Lu\u00eds Mendes d\u2019Elvas.\n\nO estanco do vinho para o Brasil e a compra de muni\u00e7\u00f5es para todo o Reino estava sob o cargo de Diogo Roiz de Lisboa.\n\nA lista se alonga sobretudo ap\u00f3s as garantias obtidas a favor dos judeus pelo padre Ant\u00f4nio Vieira e a conseq\u00fcente forma\u00e7\u00e3o da Companhia Geral de Com\u00e9rcio do Brasil, muito embora os esfor\u00e7os em contr\u00e1rio pelo Santo Of\u00edcio.\n\nOs inconformados cat\u00f3licos, obviamente, reagiram sem nada conseguir enquanto viveu o monarca. A situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se altera a partir da Reg\u00eancia de D. Lu\u00edsa de Gusm\u00e3o.\n\nTodavia os hebreus ainda disp\u00f5em de influ\u00eancias na Corte. Empr\u00e9stimos, \u201cpadr\u00f5es de juros\u201d e contratos de arrendamento por gente sua figuram nos livros da Fazenda Real e nos das Chancelarias at\u00e9 fins do s\u00e9culo XVII. Numerosos possu\u00edam cr\u00e9ditos nas tesourarias da Coroa. Uma decis\u00e3o em 1672 fora in\u00f3cua em pretender vedar-lhes o acesso aos contratos, assim como, anteriormente (1668), querer expuls\u00e1-los do Pa\u00eds.\n\n<strong>Os Crist\u00e3os-Novos e o Escravismo Africano<\/strong>\n\n<strong>Ora! Se os hebreus portugueses haviam dominado os arrendamentos nas duas \u00faltimas cent\u00farias, que raz\u00e3o teriam para se desinteressar dos alusivos ao tr\u00e1fico de escravos?<\/strong>\u00a0Nenhuma!\n\nBasta lembrar que a institui\u00e7\u00e3o servil vicejou no Mundo Antigo e se manteve durante o Imp\u00e9rio Romano. A Igreja Crist\u00e3 aceitou-a como fato normal. Os germanos e os \u00e1rabes tamb\u00e9m a praticavam.\n\nDurante a reconquista ib\u00e9rica fizeram-se escravos de ambos os lados.\n\nEste momento hist\u00f3rico coincide com o avan\u00e7o dos portugueses rumo \u00e0 \u00c1frica Ocidental. Sucedera antes a tomada de Arzila por Afonso V, quando 250 judeus foram levados a Portugal como escravos. Na verdade, em 1444 chegaram os primeiros escravos negros, com os quais se iniciou o tr\u00e1fico. Em 1472 j\u00e1 se resgatavam para fora do Reino.\n\nDe 1486 a 1493 entraram 3.589 da Coroa, sem enumerar os de particulares. Milhares ficaram retidos no Pais, dada a car\u00eancia de bra\u00e7os para a agricultura e demais afazeres. Outros mais foram destinados s Ilhas.\n\nAos poucos Lisboa se transformou em mercado exportador de \u201cpe\u00e7as\u201d para a Espanha e Antilhas. Depois sucedeu a ind\u00fastria a\u00e7ucareira no Brasil.\n\nPortugal, evidentemente, n\u00e3o inventou o escravismo, mas \u00e9 ineg\u00e1vel que lhe deu vigoroso impulso, por se assenhorear das fontes supridoras e por se haver entregue ao colonialismo mercantilista.\n\nA institui\u00e7\u00e3o juguladora acabou triunfando! Rar\u00edssimas pessoas a condenaram. Ela j\u00e1 estava prescrita no Direito Romano e no C\u00f3digo Visig\u00f3tico. Entrou, a seguir, nas Ordena\u00e7\u00f5es do Reino.\n\nA Igreja fez-lhe vistas largas. O clero passou a depender do sistema. A Ordem de Cristo, por seu turno, tinha o direito de receber a vintena dos escravos procedentes da Guin\u00e9, conforme autoriza\u00e7\u00e3o subscrita por D. Manuel a 22 de fevereiro de 150251.\n\nOs judeus ib\u00e9ricos nenhum motivo acharam para menosprezar o escravismo face ao ambiente e \u00e0 mentalidade em vig\u00eancia na \u00e9poca. Os pr\u00f3prios ancestrais viveram sob sujei\u00e7\u00e3o em diversas \u00e9pocas.\n\nAinda ao tempo de D. Jo\u00e3o II e de D. Manuel muitos o foram. Al\u00e9m do mais, o tr\u00e1fico negreiro era um neg\u00f3cio como outro qualquer, e que, evidentemente, tamb\u00e9m deviam abra\u00e7ar. Acrescente-se, por fim, que o com\u00e9rcio do a\u00e7\u00facar corria por suas m\u00e3os em grande parte.\n\n<strong>Mas, sem escravos, como se fariam canaviais ou trabalhariam os engenhos?<\/strong>\n\nQuanto maior fosse a conjuga\u00e7\u00e3o de ambos, maior soma haveria de neg\u00f3cios e maiores os lucros.\n\nOs sefardins, por conseguinte, aliaram-se ao tr\u00e1fico negreiro e o monopolizaram durante o ciclo do a\u00e7\u00facar brasileiro, conjugando-o outrossim com a minera\u00e7\u00e3o hispano-americana.\n\nVale a pena esclarecer que o governo portugu\u00eas correu ao encontro das aspira\u00e7\u00f5es alimentadas por aqueles mercadores. Entregando-lhes os contratos, mantinha abertas as rotas para o Atl\u00e2ntico Sul e para o Oriente, conservava as fontes supridoras de escravaria para o Reino e Col\u00f4nias e de tudo obteria vantagens.\n\n<strong>Em \u00faltima an\u00e1lise:<\/strong>\u00a0o escravismo era um neg\u00f3cio de natureza capitalista, ao alcance da burguesia sefardita. E da\u00ed, s\u00f3 interessar sob a forma de monop\u00f3lio.\n\nDiga-se tamb\u00e9m que ele se ligava estritamente ao sistema latifundi\u00e1rio, representado pela sesmaria e o seu respectivo engenho de a\u00e7\u00facar.\n\nO ultramar estava proibido aos estrangeiros, salvo exce\u00e7\u00f5es consentidas pelos monarcas. Os Filipes fecharam-no mesmo de todo aos alien\u00edgenas. Mas os crist\u00e3os-novos, por virtude do batismo e da sua condi\u00e7\u00e3o de s\u00faditos leg\u00edtimos, podiam adentr\u00e1-lo, sobretudo se fossem detentores dos contratos.\n\nOs riscos a enfrentar no oceano e nas pra\u00e7as europeias, tanto quanto nas \u00e1reas do escambo, eram de vulto. Podiam os rendeiros ganhar muito ou arruinar-se.\n\nMas estavam dispostos a aceit\u00e1-los. O trato exigia voca\u00e7\u00e3o, e eles a possu\u00edam.\n\nQue os detentores do com\u00e9rcio escravista pertenciam \u00e0 etnia hebreia, n\u00e3o resta a menor d\u00favida, conforme veremos ao examinar os contratos firmados com a Fazenda Real.\n\nA sua testa surgir\u00e3o nomes como os de Fern\u00e3o de Noronha no s\u00e9culo XVI, e o de Diogo da Fonseca Henriques, no fim do XVII.\n\nTomaremos por base, ent\u00e3o, o texto dos referidos documentos, mal conhecidos at\u00e9 agora. Isto, qui\u00e7\u00e1, em raz\u00e3o de andarem dispersos em arquivos de Portugal e Espanha.\n\nFelizmente coube-nos a oportunidade de encontrar quase todas essas valiosas rel\u00edquias.\n\n<strong>E quem lucrava com tudo isso?<\/strong>\n\nTodos s historiadores que tratam do assunto ressaltam que um dos principais motivos de se procurar por todas as formas justificar a liceidade ou a moralidade da escravid\u00e3o foram os enormes lucros que o tr\u00e1fico de escravos gerava para seus organizadores.\n\nGorender comenta que esse interesse econ\u00f4mico chegou mesmo a forjar o \u201cestere\u00f3tipo do \u00edndio incapaz\u201d, uma vez que o \u00edndio estava mais ou menos protegido por diversas leis.\n\n<strong>O que gerava esses lucros t\u00e3o grandes?<\/strong>\n\nGorender explica que era, o fato de que \u201co escravo negro n\u00e3o tinha valor na \u00c1frica, ao contr\u00e1rio do que sucedia do outro lado do Atl\u00e2ntico\u201d.\n\nA despesa do traficante era praticamente a do transporte, de tal forma que a sua venda nos mercados da Am\u00e9rica trazia lucros que esse historiador n\u00e3o hesita em chamar \u201cfabulosos\u201d.\n\n<strong>As Justificativas da Escravid\u00e3o<\/strong>\n\n<strong>Como justificar a escravid\u00e3o que renascia?<\/strong>\n\n\u201cA validade moral do cativeiro constituiu uma perturbadora quest\u00e3o no per\u00edodo moderno. O cristianismo [\u2026] pregava que a humanidade provinha de origens comuns, com seres feitos \u00e0 imagem e semelhan\u00e7a de Deus; a Europa extinguia a servid\u00e3o feudal e caminhava para uma crescente devo\u00e7\u00e3o \u00e0 liberdade.\n\n<strong>Como conciliar tal quadro com a sujei\u00e7\u00e3o Imposta por essa mesma Europa aos africanos?<\/strong>\n\nA necessidade de justific\u00e1-la levou, ent\u00e3o, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da ideologia da escravid\u00e3o, definida como um conjunto sistem\u00e1tico de ideias, cren\u00e7as e valores desenvolvido em princ\u00edpios racionais que se transformam em representa\u00e7\u00f5es coletivas e universais\u201d.\n\nUm dos argumentos dessa \u201cideologia\u201d foi o de que a escravid\u00e3o era um mal, mas um mal necess\u00e1rio, uma vez que sem escravos n\u00e3o teria sido poss\u00edvel a coloniza\u00e7\u00e3o. Na citad\u00edssima frase de Antonil, \u201cos escravos s\u00e3o as m\u00e3os e os p\u00e9s do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel conservar e aumentar fazendas, nem ter engenho corrente\u201d.\u00a0<strong>O padre Hoornaert, em seus coment\u00e1rios cr\u00edticos \u00e0 escravid\u00e3o no Brasil, conclui:<\/strong>\u00a0\u201cOs escravos, al\u00e9m de constitu\u00edrem a moeda corrente entre Angola e o Brasil, s\u00e3o a base do edif\u00edcio social, pois \u00absem escravos, n\u00e3o h\u00e1 Brasil\u00bb.\n\nA escravid\u00e3o n\u00e3o se constitui numa op\u00e7\u00e3o dentro do Brasil, mas num imperativo do sistema implantado no pa\u00eds com a coloniza\u00e7\u00e3o portuguesa\u201d.\n\nOutro argumento foi o de que a escravid\u00e3o era uma condi\u00e7\u00e3o natural de alguns homens. O Direito Romano pensava assim, e dessa forma considerava a escravid\u00e3o perfeitamente legal.\n\nTanto Plat\u00e3o como Arist\u00f3teles admitiam a inferioridade intelectual como basc natural da escravid\u00e3o.\n\n<strong>E se o Direito Romano justificava a escravid\u00e3o, como um humanista do Renascimento iria contest\u00e1-la?<\/strong>\n\nPara os homens da \u00e9poca, n\u00e3o era justo atacar uma institui\u00e7\u00e3o aprovada pelos ilustres autores da Antiguidade, que eles tanto admiravam.\n\nArgumentou-se tamb\u00e9m, e bastante, que a \u201cevidente inferioridade racial dos negros e dos \u00edndios\u201d justificaria por si s\u00f3 a escravid\u00e3o.\n\nOutro argumento escravagista foi o de que todos os africanos traficados j\u00e1 eram escravos em seus pa\u00edses de origem. Um historiador senegal\u00eas, depois de lembrar que \u201co tr\u00e1fico negreiro constituiu uma atividade muito antiga na \u00c1frica\u201d, comenta que \u201cos corretores africanos preferiam os homens e mulheres nascidos na escravatura aos homens livres reduzidos \u00e0 servid\u00e3o. Isto porque, habituados \u00e0 fome e \u00e0 fadiga, os primeiros suportavam melhor os sofrimentos das viagens longas\u201d.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0Jos\u00e9 Gon\u00e7alves Salvador\/www.libreopinion.com\/dicionario.sensagent.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro, Hist\u00f3ria, Escravismo, Escravos, Escravid\u00e3o, Lucros, Brasil, Col\u00f4nia, Texto, Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9717,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25936","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro, Hist\u00f3ria, Escravismo, Escravos, Escravid\u00e3o, Lucros, Brasil, Col\u00f4nia, Texto, Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"Portal S\u00e3o Francisco\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-12-22T00:00:00+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-09-01T17:57:28+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"300\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"350\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"admin\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"admin\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"38 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"admin\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"headline\":\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-01T17:57:28+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/\"},\"wordCount\":7575,\"commentCount\":0,\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/mmagnat2.jpg\",\"articleSection\":[\"Hist\u00f3ria do Brasil\"],\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/\",\"name\":\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/mmagnat2.jpg\",\"datePublished\":\"2015-12-22T00:00:00+00:00\",\"dateModified\":\"2026-09-01T17:57:28+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/mmagnat2.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/wp-content\\\/uploads\\\/2026\\\/08\\\/mmagnat2.jpg\",\"width\":300,\"height\":350},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/historia-do-brasil\\\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/\",\"name\":\"Portal S\u00e3o Francisco\",\"description\":\"\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c\",\"name\":\"admin\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"en-US\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"url\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"contentUrl\":\"https:\\\/\\\/secure.gravatar.com\\\/avatar\\\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g\",\"caption\":\"admin\"},\"sameAs\":[\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\"],\"url\":\"https:\\\/\\\/lab.fabricadelandings.com.br\\\/portalsaofrancisco\\\/author\\\/admin\\\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco","robots":{"index":"noindex","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco","og_description":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro, Hist\u00f3ria, Escravismo, Escravos, Escravid\u00e3o, Lucros, Brasil, Col\u00f4nia, Texto, Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro","og_url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/","og_site_name":"Portal S\u00e3o Francisco","article_published_time":"2015-12-22T00:00:00+00:00","article_modified_time":"2026-09-01T17:57:28+00:00","og_image":[{"width":300,"height":350,"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"admin","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"admin","Est. reading time":"38 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/"},"author":{"name":"admin","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"headline":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-09-01T17:57:28+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/"},"wordCount":7575,"commentCount":0,"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg","articleSection":["Hist\u00f3ria do Brasil"],"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/","name":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro - Portal S\u00e3o Francisco","isPartOf":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg","datePublished":"2015-12-22T00:00:00+00:00","dateModified":"2026-09-01T17:57:28+00:00","author":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#primaryimage","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg","contentUrl":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mmagnat2.jpg","width":300,"height":350},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/magnatas-do-trafico-negreiro-4\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Magnatas do Tr\u00e1fico Negreiro"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#website","url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/","name":"Portal S\u00e3o Francisco","description":"","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/#\/schema\/person\/809496378e7bdc3449a70c476cbf211c","name":"admin","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"en-US","@id":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","url":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","contentUrl":"https:\/\/secure.gravatar.com\/avatar\/6045cf4fc0371fc5aec7344e43b344f211b127263be3422700dd9684eea84d9d?s=96&d=mm&r=g","caption":"admin"},"sameAs":["https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco"],"url":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/author\/admin\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25936","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25936"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25936\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media\/9717"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25936"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25936"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25936"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}