{"id":25915,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/historia-da-fotografia-no-brasil-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:10","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:10","slug":"historia-da-fotografia-no-brasil-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/historia-da-fotografia-no-brasil-4\/","title":{"rendered":"Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n\nEm 17 de janeiro de 1840, o abade franc\u00eas Louis Comte apareceu diante de uma plateia expectante no Hotel Pharoux, no centro do Rio de Janeiro, para demonstrar um processo conhecido apenas por boatos no continente sul-americano.\n\nEm menos de nove minutos, noticiou um jornal, Comte usou o daguerreotipo rec\u00e9m-inventado para produzir uma imagem do Largo do Pa\u00e7o, a pra\u00e7a ensolarada em que ficava o hotel, &#8216;com tal fidelidade, precis\u00e3o e detalhes minuciosos que se podia ver que o efeito tinha sido feito pela m\u00e3o da natureza, quase sem a interven\u00e7\u00e3o do artista&#8217;.\n\nTr\u00eas dias depois, Comte repetiu sua manifesta\u00e7\u00e3o no Pal\u00e1cio de S\u00e3o Crist\u00f3v\u00e3o em frente ao imperador Pedro II, de 14 anos.\n\nAssim come\u00e7ou para o monarca brasileiro uma paix\u00e3o vital\u00edcia pela\u00a0<strong>fotografia<\/strong>.\n\nO an\u00fancio do inventor franc\u00eas Louis Daguerre no ano anterior de uma nova t\u00e9cnica para capturar o mundo gerou entusiasmo global.\n\nMas no Brasil tinha um atrativo especial, pois oferecia a oportunidade de refazer a imagem do pa\u00eds. Desde a publica\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo XVI, dos primeiros relatos dessa terra luxuriante e povoada de canibais, o Brasil era uma tela na qual os europeus projetavam suas fantasias, ed\u00eanicas ou diab\u00f3licas.\n\nO ci\u00fame com que os portugueses guardavam o conhecimento de sua col\u00f4nia brasileira desencorajava os artistas locais a produzirem representa\u00e7\u00f5es fi\u00e9is de seu pa\u00eds; as poucas paisagens que sobrevivem antes do s\u00e9culo XIX s\u00e3o obra de intrusos holandeses ou brit\u00e2nicos.\n\nSomente com a migra\u00e7\u00e3o da corte portuguesa de Lisboa para o Rio, em 1808, as imagens do pa\u00eds se tornaram comuns. Mesmo assim, os artistas respons\u00e1veis eram em grande parte de origem europeia, com destaque para Jean-Baptiste Debret, que chegou ao Rio em 1816 \u00e0 frente de uma \u201cmiss\u00e3o art\u00edstica\u201d francesa. A fotografia, ent\u00e3o, forneceu uma forma de apresentar o Brasil ao mundo de forma naturalista, livre de preconceitos.\n\nA\u00a0<strong>fotografia<\/strong>\u00a0pode n\u00e3o ter sido uma inven\u00e7\u00e3o brasileira \u2013 apesar dos protestos de H\u00e9rcule Florence, imigrante franc\u00eas, de que havia descoberto o m\u00e9todo de Daguerre de forma independente anos antes de ser divulgado ao mundo \u2013, mas amadureceu com o pa\u00eds, que conquistou a independ\u00eancia apenas em 1822.\n\nA chegada do daguerreotipo ao Rio precedeu em seis meses a assun\u00e7\u00e3o formal do poder por Pedro, o primeiro governante nativo do Brasil.\n\nAo longo de seu longo reinado, o imperador se mostraria o patrono mais dedicado da c\u00e2mera, adotando-a como sinal de modernidade e do lugar do Brasil na comunidade das na\u00e7\u00f5es civilizadas. Al\u00e9m disso, oferecia ao autointitulado cidad\u00e3o-imperador um meio de se exibir para seus s\u00faditos em grande parte analfabetos em seus vastos dom\u00ednios.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159380 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Histor11-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"211\" \/><strong>Pinheiros brasileiros fotografados por Marc Ferrez (1843-1923) em 1880-84.\nBiblioteca Nacional do Brasil<\/strong><\/p>\nCom exce\u00e7\u00e3o da rainha Vit\u00f3ria, nenhum outro monarca explorou ou explorou a nova tecnologia com tanto vigor quanto o imperador brasileiro.\n\nPedro adquiriu seu pr\u00f3prio aparelho de daguerreotipo poucas semanas ap\u00f3s a apresenta\u00e7\u00e3o de Comte, meses antes de tal equipamento estar dispon\u00edvel comercialmente no Brasil.\n\nQuando o pr\u00edncipe Adalberto da Pr\u00fassia visitou Pedro II no Rio em 1849, ele notou que o imperador se ocupava com \u201cexperimentos\u201d fotogr\u00e1ficos, cuja complexidade confundiu seu h\u00f3spede alem\u00e3o.\n\n\u00c0 medida que o imperador assumiu o papel de padrinho da ci\u00eancia brasileira, os fot\u00f3grafos tomaram lugar ao lado do Observat\u00f3rio Imperial, do Laborat\u00f3rio do Estado e da Faculdade de Medicina como objetos de sua aten\u00e7\u00e3o. A partir de 1842, fotografias apresentadas em exposi\u00e7\u00f5es realizadas na Academia Imperial de Belas Artes.\n\nPedro gastou milhares de r\u00e9is em \u00e1lbuns fotogr\u00e1ficos e tutoriais para sua fam\u00edlia. Em 1851, ele nomeou o franc\u00eas Abraham-Louis Buvelot como fot\u00f3grafo da corte, dois anos antes da rainha Vit\u00f3ria criar um cargo equivalente. Profissionais visitantes da Europa e da Am\u00e9rica do Norte foram convidados a fazer retratos do imperador, sua barba \u2013 como convinha a um rei-fil\u00f3sofo \u2013 cada vez mais grisalha. As solenidades reais, galas e visitas foram cuidadosamente registradas e v\u00e1rios fot\u00f3grafos foram admitidos na Ordem da Rosa.\n\nNa d\u00e9cada de 1850, a fotografia tornou-se uma marca de status no Brasil. Cidad\u00e3os ricos acorreram para tirar seus retratos; com o desenvolvimento de t\u00e9cnicas de reprodu\u00e7\u00e3o confi\u00e1veis, eles passaram a usar cartes de visite com suas semelhan\u00e7as tamb\u00e9m.\n\nA maioria dos fot\u00f3grafos atuantes no Brasil se limitou ao lucrativo mercado de retratos, instalando-se em hot\u00e9is ou montando est\u00fadios em ruas da moda no Rio, S\u00e3o Paulo e outros lugares.\n\nMas uma pequena coorte procurou documentar o pa\u00eds, com um olho no mercado tur\u00edstico e outro no interesse dos meios oficiais pelo potencial cient\u00edfico da c\u00e2mera. Este grupo inclu\u00eda dois europeus, Augusto Stahl e Revert Henrique Klumb, este \u00faltimo um favorito da imperatriz Teresa Cristina, tanto que em 1865 se mudou para Petr\u00f3polis, onde a fam\u00edlia imperial tinha sua resid\u00eancia de ver\u00e3o.\n\nAo lado de panoramas do Rio e de outras \u00e1reas, Stahl e Klumb produziram fotos de pessoas locais realizando tarefas cotidianas, vestidas com trajes tradicionais \u2013 lembran\u00e7as populares entre os visitantes estrangeiros.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159383 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Histor12-1.jpg\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"300\" \/><strong>Pedro II doou sua cole\u00e7\u00e3o de mais de 21.000 fotografias, incluindo registros de esp\u00e9cimes de\nplantas nativas, para a Biblioteca Nacional do Brasil. Biblioteca Nacional do Brasil<\/strong><\/p>\nO praticante mais inovador, no entanto, foi Marc Ferrez, um carioca de nascimento que viveu na Fran\u00e7a at\u00e9 o in\u00edcio da d\u00e9cada de 1860. Ele desenvolveu novos equipamentos, incluindo uma c\u00e2mera capaz de capturar panoramas de at\u00e9 190 graus. Ele tamb\u00e9m aproveitou seus servi\u00e7os para a comunidade cient\u00edfica do Brasil ao embarcar na tarefa de S\u00edsifo de pesquisar o pa\u00eds.\n\nEm 1875 acompanhou uma miss\u00e3o da Comiss\u00e3o Geol\u00f3gica e Geogr\u00e1fica Imperial para registrar a flora, fauna e topografia da Bahia. Na d\u00e9cada seguinte, fotografou tribos ind\u00edgenas em Goi\u00e1s e Mato Grosso.\n\nSeu trabalho revela um interesse consistente no posicionamento e uma aten\u00e7\u00e3o meticulosa \u00e0 ilumina\u00e7\u00e3o. Era seu objetivo, declarou ele, \u201capresentar objetos em sua verdadeira forma [\u2026] mantendo a perspectiva com precis\u00e3o matem\u00e1tica\u201d. Mais do que qualquer outro fot\u00f3grafo, Ferrez foi o embaixador do Brasil no mundo. Uma paisagem urbana do Rio ganhou uma medalha de ouro em 1876 na Exposi\u00e7\u00e3o do Centen\u00e1rio na Filad\u00e9lfia, que Pedro II abriu ao lado do presidente Ulysses S. Grant, e seu trabalho ganhou mais elogios na Exposi\u00e7\u00e3o Universal de Paris dois anos depois.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159382 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Histor9-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><strong>Pedro II do Brasil fotografado por Joaquim Insley Pacheco (1830\u20131912) em 1883.\nBiblioteca nacional do Brasil<\/strong><\/p>\nEmbora Ferrez, Stahl e Klumb fossem atra\u00eddos pela paisagem do Brasil, o esp\u00edrito governante de suas obras era o progresso e n\u00e3o o romantismo. N\u00e3o foram as florestas indom\u00e1veis e os rios caudalosos do pa\u00eds que eles come\u00e7aram a registrar, mas a influ\u00eancia civilizadora do homem sobre a terra. As caracter\u00edsticas definidoras eram terraplenagem, pontes e trilhos de trem; planta\u00e7\u00f5es, portos e minas.\n\nKlumb narrou a constru\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1850 da primeira estrada macadame do Brasil, ligando Petr\u00f3polis a Juiz de Fora; tr\u00eas d\u00e9cadas depois, Ferrez capturou a implanta\u00e7\u00e3o de ferrovias atrav\u00e9s do Paran\u00e1 e Minas Gerais. E sempre parecia haver um fot\u00f3grafo por perto para a inevit\u00e1vel visita do imperador para inaugurar o \u00faltimo t\u00fanel ou reservat\u00f3rio.\n\nHouve uma cena na hist\u00f3ria imperial do pa\u00eds que as c\u00e2meras n\u00e3o estavam dispon\u00edveis para gravar.\n\nEm 15 de novembro de 1889, um c\u00edrculo de oficiais do ex\u00e9rcito ocupou o centro do Rio e declarou a aboli\u00e7\u00e3o da monarquia. Pedro e sua fam\u00edlia tiveram 48 horas para deixar o pa\u00eds. O imperador, isolado em Petr\u00f3polis de seus ministros na capital, declarou que aquiesceria e marcou sua sa\u00edda do Brasil para as 14h do dia 17 de novembro. Mas os l\u00edderes do golpe, temendo a rea\u00e7\u00e3o p\u00fablica ao ver o imperador idoso sendo empurrado para o ex\u00edlio, ordenaram que ele embarcasse antes do amanhecer, quando nenhuma c\u00e2mera poderia capturar o momento. Foi uma homenagem, embora cercada de ironia, ao sucesso de Pedro II em consolidar o novo meio no Brasil.\n\n<strong>A ORIGEM DA FOTOGRAFIA NO BRASIL<\/strong>\n\nO Brasil foi o primeiro pa\u00eds da America Latina a conhecer a\u00a0<strong>fotografia<\/strong>.\n\nEm 1830 um Franc\u00eas chamado Hercules Florence j\u00e1 tinha descoberto isoladamente o processo fotogr\u00e1fico.\n\nFoi somente em 1840, alguns meses ap\u00f3s Daguerre anunciar a Daguerreotipia, que a fotografia oficialmente chegou ao Brasil pelas m\u00e3os de Louis Compte.\n\nAntoine Hercules Romuald Florence, era franc\u00eas de Nice, e chegou ao Brasil com 2\u00ba desenhista da expedi\u00e7\u00e3o do Bar\u00e3o de Langsdorff no ano de 1824.\n\nEm 1830 Hercules Florence desenvolveu um processo fotogr\u00e1fico que chamou de Pholygraphie.\n\nA Pholygraphie foi usada para imprimir r\u00f3tulos de rem\u00e9dio e diplomas da Mar\u00e7onaria.\n\nSeu feito s\u00f3 foi reconhecido 140 anos depois atrav\u00e9s das pesquisa do estudioso de fotografia brasileira Boris Kossoy, nos anos 60.\n\nO ab\u00e1de franc\u00eas Luiz Compte, chega ao Brasil com a expedi\u00e7\u00e3o franco-belga da fragata LOrientale em janeiro de 1840.\n\nAt\u00f4nita a popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro assiste a uma demonstra\u00e7\u00e3o de Daguerreotipia no Pa\u00e7o Imperial.\n\n<strong>A imprensa nacional d\u00e1 ampla cobertura:\u00a0<\/strong>He preciso ter visto a cousa com seus pr\u00f3prios olhos\u2026 anuncia o Jornal do Commercio.\n\nO Imperador Don Pedro II n\u00e1 \u00e9poca com 15 anos assiste entusiasmado o espet\u00e1culo e compra alguns daguerreotipo de Compte.\n\nFot\u00f3grafos europeus na d\u00e9cada de 40 vieram para o Brasil e se estabeleceram Inicialmente nas cidades portu\u00e1rias como Recife, Salvador e Rio de Janeiro.\n\nNa Para\u00edba os primeiros registro fotogr\u00e1ficos a partir de 1850, por fot\u00f3grafos vindos de Recife. Em 1861 foi publicado o primeiro livro de Fotografia no Brasil Brazil Pittoresco de Victor Front.\n\nCom o surgimento do Ambrotipo e do Ferrotipo a fotografia se tornou acess\u00edvel a maioria das pessoas. As oportunidades de ganhar dinheiro com a elite rural, fez com que muitos fot\u00f3grafos se dirigissem ao Interior do pa\u00eds.\n\n<strong>Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil &#8211; Resumo<\/strong>\n\nO franc\u00eas radicado no Brasil,\u00a0<strong>Hercules Florence<\/strong>, inventou a fotografia 3 anos antes do que de Louis Daguerre e Joseph Nic\u00e9phore Ni\u00e9pce\n\n<strong>Hercules Florence \u2013\u00a0<\/strong>03 de julho de 1833\n\n<strong>Em 1804, nascia em Nice, na Fran\u00e7a, exatamente no dia 29 de fevereiro daquele ano bissexto, Antoine Hercules Romuald Florence \u2013 ou Hercules Florence, que foi como o franc\u00eas radicado no Brasil gravou seu nome na Hist\u00f3ria por ter sido um dos pioneiros na inven\u00e7\u00e3o de uma descoberta que mudaria a vida da sociedade moderna:<\/strong>\u00a0a fotografia.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/histor311.jpg\" alt=\"Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil\" width=\"163\" height=\"228\" \/>\nHercules Florence <\/strong><\/p>\n<p align=\"left\">Foi na Fran\u00e7a que a fotografia desenvolveu-se e propagou-se como uma das principais descobertas da modernidade, atrav\u00e9s das pesquisas de Louis Daguerre e Joseph Nic\u00e9phore Ni\u00e9pce que, juntos, conseguiram criar o processo de revela\u00e7\u00e3o fotoqu\u00edmica. Mas, enquanto na Fran\u00e7a a fotografia ganhava espa\u00e7o e notoriedade atrav\u00e9s de Daguerre e Ni\u00e9pce, no Brasil, um franc\u00eas de nascimento, mas brasileiro de mulher (duas), filhos (20), netos, bisnetos e tataranetos j\u00e1 havia intu\u00eddo a possibilidade de fixar imagens em c\u00e2mara-escura.<\/p>\n<strong>Hercules Florence<\/strong>, tr\u00eas anos antes de seus compatriotas, j\u00e1 era um inventor isolado e ainda desconhecido &#8211; do processo fotogr\u00e1fico. Hoje, gra\u00e7as ao trabalho incans\u00e1vel e obstinado do jornalista e professor Boris Kossoy, Florence \u00e9 considerado refer\u00eancia quando se fala na inven\u00e7\u00e3o da fotografia. Kossoy investiu, de 1972 a 1976, numa das mais ardorosas pesquisas e reconstitui\u00e7\u00e3es de m\u00e9todos, t\u00e9cnicas e processos j\u00e1 realizadas no Brasil para levar uma pessoa do anonimato ao p\u00f3dio da hist\u00f3ria.\n\nFlorence descobriu isoladamente um processo de grava\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da luz, que batizou de Photografie, em 1832 &#8211; tr\u00eass anos antes de Daguerre. A ironia hist\u00f3rica, ocultada por 140 anos, \u00e9 que o processo era mais eficiente do que o de Daguerre como comprova a publica\u00e7\u00e3o detalhada do sistema da photografie na revista &#8221; A Phenix de 26 de outubro de 1939 e reproduzido no Jornal do Com\u00e9rcio, do Rio de Janeiro, dois meses depois.\n\n<strong>Hercules Florence ficou internacionalmente conhecido a partir da publica\u00e7\u00e3o do livro de Kossoy, \u201c1833:<\/strong>\u00a0a Descoberta Isolada da Fotografia no Brasil\u201d (Editora Duas Cidades, 1980).\n\nO livro e o trabalho de Kossoy, incluindo a reprodu\u00e7\u00e3o dos m\u00e9todos registrados por Florence nos laborat\u00f3rios do Rochester Institute of Technology, levaram ao reconhecimento internacional do pesquisador franco-brasileiro na descoberta da fotografia.\n\n<strong>Mais que fotografia<\/strong>\n\nA contribui\u00e7\u00e3o de\u00a0<strong>Hercules Florence<\/strong>\u00a0\u00e0 ci\u00eancia, \u00e0s artes e \u00e0 hist\u00f3ria n\u00e3o ficou apenas restrita \u00e0s descobertas que precederam a fotografia tal qual conhecemos hoje. Desenhista, pintor, fot\u00f3grafo, tip\u00f3grafo, inventor, Florence integrou na Expedi\u00e7\u00e3o Langsdorff como segundo desenhista, a pedido do Bar\u00e3o Heinrich von Langsdorff, por sua habilidade com os tra\u00e7os.\n\nDurante a Expedi\u00e7\u00e3o, tornou-se tamb\u00e9m ge\u00f3grafo da empreitada que seguiu do Rio de Janeiro \u00e0 Amaz\u00f4nia a fim de desvendar o territ\u00f3rio brasileiro e, durante a viagem, encantou-se pelo canto dos p\u00e1ssaros.\n\nNa ocasi\u00e3o, concebeu um m\u00e9todo para a transcri\u00e7\u00e3o do canto dos p\u00e1ssaros que ele batizou de Zoophonia.\n\nHercules Florence \u00e9 tamb\u00e9m o respons\u00e1vel por diversas outras inven\u00e7\u00f5es, dentre elas a Polygraphia, um sistema de impress\u00e3o simult\u00e2nea de todas as cores prim\u00e1rias, em que a impress\u00e3o \u00e9 efetuada sem a utiliza\u00e7\u00e3o da prensa. Na \u00e1rea das artes visuais, Florence n\u00e3o se destacou apenas na fotografia, apesar de ter sido por ela que tenha ganhado notoriedade; era um ex\u00edmio desenhista o que o creditou a integrar a Expedi\u00e7\u00e3o Langsdorff &#8211; e um pintor de talento. Atrav\u00e9s de desenhos e telas, Florence revelou-se pela qualidade e firmeza de seu tra\u00e7o e dons de observa\u00e7\u00e3o e provou ser um documentarista dotado de grande talento e sensibilidade.\n\nEle executou diversos desenhos para documentar os lugares por onde passou a expedi\u00e7\u00e3o e os tipos humanos que encontrou, principalmente depois da morte de outro desenhista a ela ligado, Adrien Taunay.\n\nEm 1825, em S\u00e3o Paulo, lutando com a escassez de meios e a falta de ferramentas apropriadas, executou trabalhos not\u00e1veis, entre os quais um retrato do futuro sogro, o m\u00e9dico \u00c1lvaro Machado, e outros retratos do ent\u00e3o bar\u00e3o de Congonhas do Campo, do Dr. Nicolau Pereira de Campos.\n\nA fam\u00edlia Florence conserva ciosamente cole\u00e7\u00f5es de documentos originais do patriarca, incluindo obras inacabadas e in\u00e9ditas. Entre elas, as aquarelas e os textos do que Florence intitula \u201cAtlas pittoresque des ciels\u201d ou \u201cTrait\u00e9 des ciels, \u00e0 la usage des jeunes paysagistes\u201d.\n\nFlorence morreu em deixando a seu pa\u00eds de ado\u00e7\u00e3o e a humanidade, um legado de realiza\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, hist\u00f3ricas, geogr\u00e1ficas, art\u00edsticas, culturais, tecnol\u00f3gicas, agr\u00edcolas, comerciais e educacionais.\n\n<strong>Cidad\u00e3o brasileiro e campineiro<\/strong>\n\n<strong>Hercules Florence<\/strong>\u00a0chegou ao Brasil em 1824, e durante quase 50 anos viveu na Vila de S\u00e3o Carlos, como era ent\u00e3o conhecida a cidade de Campinas. Para o munic\u00edpio mudou-se em 1830, ap\u00f3s ter se casado com Maria Ang\u00e9lica de Vasconcellos.\n\nFlorence passou a dedicar-se ao com\u00e9rcio, abrindo uma loja de tecidos e tratando de neg\u00f3cios em Campinas. Foi na cidade que idealizou a poligrafia e fez, entre os anos de 1832 e 1836, experi\u00eancias com fotografia.\n\nEm 1836, adquiriu, gra\u00e7as a \u00c1lvares Machado, uma tipografia completa, que foi a primeira que se tem registro a se instaurar em Campinas.\n\nA partir dessa fotografia, Hercules Florence deu origem ao \u201cO Paulista\u201d, primeiro jornal do interior da prov\u00edncia de S\u00e3o Paulo. Mas foi s\u00f3 dois anos depois, no dia 10 de dezembro, que Florence teve licen\u00e7a da C\u00e2mara de S\u00e3o Carlos para montar uma tipografia na cidade, que foi intalada no largo da Matriz do Carmo. Em 1858, \u00e9 impresso em sua litografia o Aurora Campineira, primeiro jornal de Campinas-SP. Nascia, ent\u00e3o, a imprensa da cidade. Seu talento m\u00faltiplo atrai ainda a aten\u00e7\u00e3o do imperador Dom Pedro II, que esteve em Campinas em 1876 para visit\u00e1-lo.\n\nQuatro anos ap\u00f3s a morte de sua primeira esposa, Maria Ang\u00e9lica, Hercules Florence casou-se, em Campinas, com Carolina Krug, de religi\u00e3o protestante. Com Carolina, teve sete filhos. Vinte e cinco anos depois, no dia 27 de mar\u00e7o, ap\u00f3s ter dedicado a vida \u00e0 sua descoberta da fotografia e ter vivido na tentativa de provar seu pioneirismo isolado nos processos fotoqu\u00edmicos, Florence morreu em Campinas, cidade onde residiu por quarenta e nove anos e que escolheu para viver e constituir sua fam\u00edlia. Foi sepultado no cemit\u00e9rio da Saudade (sepultura n\u00famero 247), sem que conseguisse de fato comprovar suas descobertas.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.apollo-magazine.com\/www.slideshare.net\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil, Origem, Inventor, H\u00e9rcules Florence, Brasileiro, Pioneiros, Resumo, Fot\u00f3grafo, In\u00edcio, Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9536,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25915","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Hist\u00f3ria da Fotografia no Brasil - 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