{"id":25911,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/economia-da-borracha-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:06","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:06","slug":"economia-da-borracha-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/economia-da-borracha-4\/","title":{"rendered":"Economia da Borracha"},"content":{"rendered":"\n<strong>Economia da Borracha &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\nDurante quase meio s\u00e9culo, de 1870 a 1920, a produ\u00e7\u00e3o de borracha na Amaz\u00f4nia \u00e9 uma das mais importantes atividades econ\u00f4micas do pa\u00eds.\n\nEnvolvendo cerca de 100 mil pessoas, em grande parte nordestinos retirantes das grandes secas da d\u00e9cada de 1870, a exporta\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex amaz\u00f4nico chega a atingir m\u00e9dias anuais de 40 mil toneladas, enviadas para os Estados Unidos e para a Europa.\n\nGrandes bancos, empresas de com\u00e9rcio e companhias de navega\u00e7\u00e3o inglesas, francesas e norte-americanas instalam ag\u00eancias em Bel\u00e9m e Manaus, algumas delas centralizando seus neg\u00f3cios no Brasil e na Am\u00e9rica do Sul.\n\nA prosperidade e a moderniza\u00e7\u00e3o exibidas por essas duas cidades, com seus teatros, caf\u00e9s, palacetes, lojas, bondes, telefones e luz el\u00e9trica, s\u00e3o resultado da combina\u00e7\u00e3o da riqueza natural da floresta com o avan\u00e7o da revolu\u00e7\u00e3o industrial.\n\nOs milh\u00f5es de seringueiras nativas concentradas na Amaz\u00f4nia Ocidental, sobretudo nas \u00e1reas que viriam a constituir o estado do Acre, representam uma imensa fonte de goma el\u00e1stica.\n\nE a acelera\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria automotiva, a partir da inven\u00e7\u00e3o do motor a combust\u00e3o e dos pneus de borracha vulcanizada, cria um enorme mercado consumidor dessa mat\u00e9ria-prima.\n\nJuntando as duas pontas do processo est\u00e3o os milhares de seringueiros, com sua m\u00e3o-de-obra barata, e os agenciadores; os coron\u00e9is donos das terras; os regat\u00f5es, arrendat\u00e1rios dos seringais e transportadores do produto; e as empresas exportadoras.\n\nA riqueza da borracha parece ilimitada, e a modernidade da belle \u00e9poque chega \u00e0 selva. Mas, logo ap\u00f3s a I Guerra Mundial (1914-1918), notam-se sinais de r\u00e1pido decl\u00ednio.\n\nO consumo mundial diminui momentaneamente e, o mais grave, come\u00e7a a ser suprido por pa\u00edses da \u00c1sia, para onde a seringueira fora levada clandestinamente por grupos ingleses.\n\nA\u00a0<strong>Amaz\u00f4nia<\/strong>\u00a0fica sem o monop\u00f3lio dessa mat\u00e9ria-prima e, com isso, perde o interesse para os grandes investimentos e empreendimentos capitalistas internacionais, entrando ent\u00e3o num processo de decad\u00eancia econ\u00f4mica.\n\n<strong>Economia da Borracha &#8211; Processo<\/strong>\n\nCom o aperfei\u00e7oamento do\u00a0<strong>processo de vulcaniza\u00e7\u00e3o<\/strong>, a borracha proveniente da seringueira tornou-se um produto altamente valorizado no mercado internacional e crucial para a expans\u00e3o da ent\u00e3o nascente ind\u00fastria automobil\u00edstica, tendo ainda muitas outras aplica\u00e7\u00f5es industriais.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom11.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"413\" height=\"279\" \/>\n<strong>Economia da Borracha<\/strong><\/p>\nPor volta de 1880 at\u00e9 1914, a borracha amaz\u00f4nica foi um dos principais produtos da pauta brasileira de exporta\u00e7\u00f5es, ficando atr\u00e1s somente do caf\u00e9, o que gerou para os cofres dos governos estadual e federal elevadas somas advindas do recolhimento de impostos.\n\nDa\u00ed as duas d\u00e9cadas seguintes \u00e0 proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica, em 15 de novembro de 1889, terem sido marcadas de forma contundente pela explora\u00e7\u00e3o da seringueira na Amaz\u00f4nia, que abundava nas regi\u00f5es dos altos rios amazonenses.\n\nJ\u00e1 no s\u00e9culo XX, a alta carga de impostos federais que incidia sobre o produto amaz\u00f4nico teria tornado vi\u00e1vel e lucrativa a implanta\u00e7\u00e3o, por parte de europeus e norte-americanos, de extensos seringais no Sudeste Asi\u00e1tico.\n\nAproveitando o excepcional aquecimento da economia amazonense, Manaus transformou-se de um simples vilarejo \u00e0 beira do rio Negro em uma pujante cidade, dotada de infraestrutura urbana moderna, tornando-se a sede dos neg\u00f3cios que giravam em torno da borracha na Amaz\u00f4nica ocidental.\n\nO governador Eduardo Ribeiro destacou-se por suas a\u00e7\u00f5es administrativas visando \u00e0 estrutura\u00e7\u00e3o urbana e paisag\u00edstica de Manaus, dotando, inclusive, a cidade com o Teatro Amazonas, a mais importante demonstra\u00e7\u00e3o de refinamento e bom gosto da Belle \u00c9poque no Brasil, inaugurado em dezembro de 1896.\n\nManaus tornou-se t\u00e3o poderosa que abrigava um dos maiores milion\u00e1rios do mundo, o comendador J. G. Ara\u00fajo, propriet\u00e1rio de extensos seringais. De 1899 a 1903, a capital amazonense custeou o processo de usurpa\u00e7\u00e3o de parte do territ\u00f3rio boliviano, o Acre, que por fim foi anexado ao Brasil mediante o pagamento de dois milh\u00f5es de libras esterlinas.\n\nEm janeiro de 1909, os amazonenses criaram a primeira universidade brasileira, que recebeu o nome de Escola Universit\u00e1ria Livre de Manaus, atualmente denominada de Universidade Federal do Amazonas (Ufam).\n<p class=\"imagem\"><b><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom12.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"338\" height=\"423\" \/><\/b>\n<b>Seringueiro, o Her\u00f3i\u00a0An\u00f4nimo<\/b><\/p>\nCom o decl\u00ednio da\u00a0<strong>economia da borracha<\/strong>, o Amazonas passou por um longo per\u00edodo de estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, que vai de 1914 ao in\u00edcio da d\u00e9cada de 1940.\n\nCom o acesso aos seringais asi\u00e1ticos bloqueado pelos japoneses durante a Segunda Guerra Mundial, os norte-americanos financiaram a retomada da produ\u00e7\u00e3o da borracha durante um breve per\u00edodo, de 1941 a 1945, em que houve a exporta\u00e7\u00e3o de mais de 70 mil toneladas do produto.\n\nData dessa d\u00e9cada a cria\u00e7\u00e3o do Banco da Amaz\u00f4nia (Basa) e de outros mecanismos de apoio ao desenvolvimento regional. Com o fim da guerra e o desinteresse norte-americano pelo produto amaz\u00f4nico, o governo brasileiro passou a considerar a Amaz\u00f4nia em seus planos de desenvolvimento.\n\nCom a cria\u00e7\u00e3o da Zona Franca de Manaus, em 1967, e sua consolida\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, a economia industrial amazonense se agiganta a cada dia, gerando cerca de 400 mil empregos, diretos e indiretos, al\u00e9m de um faturamento anual que em 2008 ultrapassou os US$ 30 bilh\u00f5es.\n\nO governo amazonense, aproveitando a excepcional fase econ\u00f4mica, que se estende desde 1994, investe em infraestrutura para dotar o Estado com as condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias para manter e expandir o atual crescimento econ\u00f4mico e garantir o bem-estar social de sua gente, com sustentabilidade ambiental e comprometimento com o futuro.\n\n<strong>A Economia da Borracha no Par\u00e1<\/strong>\n\nNo fim da d\u00e9cada de 1840-1850, a popula\u00e7\u00e3o do Par\u00e1 estava ainda sofrendo os efeitos da Cabanagem e da repress\u00e3o anticabana.\n\n<strong>O per\u00edodo que segue \u00e9 caracterizado pelo ciclo da borracha:\u00a0<\/strong>a antiga droga do sert\u00e3o se tornou a mat\u00e9ria-prima da nova ind\u00fastria automobil\u00edstica. A Amaz\u00f4nia era, ent\u00e3o, a \u00fanica regi\u00e3o produtora de borracha no mundo.\n\n<strong>O per\u00edodo de explora\u00e7\u00e3o da borracha na regi\u00e3o amaz\u00f4nica pode ser dividida em cinco fases:<\/strong>\n<blockquote><strong>1)\u00a0<\/strong>No come\u00e7o da produ\u00e7\u00e3o da borracha a atividade estava entregue a aventureiros desorganizados e escravizadores de \u00edndios, a produtividade n\u00e3o chegava a 90 quilos por homem ao ano, ou seja, 1\/3 da produ\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo XX. Durante a fase de eleva\u00e7\u00e3o inicial moderada, de 1830 a 1850, a produ\u00e7\u00e3o ocorria em um mundo selvagem e atrasado em que a maior parte da m\u00e3o-de-obra era de \u00edndios e tapuios.<strong>\n2)<\/strong>\u00a0A fase de melhoria do tiroc\u00ednio (aprendizado ou exerc\u00edcio), permitiu um desenvolvimento acelerado da produtividade, de 1850 a 1870; algumas t\u00e9cnicas novas foram empregadas; havia certas divis\u00f5es de tarefas operacionais; o emprego da navega\u00e7\u00e3o a vapor, que permitiu a descoberta de seringais virgens; este momento permitia uma produ\u00e7\u00e3o de uns 200 quilos por seringueiro ao ano.<strong>\n3)\u00a0<\/strong>A fase de adestramento nordestino, de 1870 a 1890, com modesta eleva\u00e7\u00e3o; ocorreu um grande contingente de imigra\u00e7\u00f5es origin\u00e1rios do Nordeste, no entanto, tornava-se necess\u00e1rio uma nova aprendizagem pois os nordestinos n\u00e3o tinham experi\u00eancias com a floresta amaz\u00f4nica.<strong>\n4)\u00a0<\/strong>A fase acreana, de 1890 a 1910; o aproveitamento em larga escala dos seringais do Acre impulsionou a produ\u00e7\u00e3o, permitindo uma produ\u00e7\u00e3o que subiu de 210 para 230 quilos m\u00e9dia por homem.<strong>\n5)<\/strong>\u00a0No per\u00edodo mais recente, por ocasi\u00e3o da Segunda Guerra Mundial e nas d\u00e9cadas seguintes, a melhoria das condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, e a assist\u00eancia governamental via Banco da Borracha, mais tarde a SUDHEVA, etc., permitiu que a produtividade se desenvolvesse mais que no passado.<\/blockquote>\n<strong>A borracha<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Borracha<\/strong>\u00a0\u00e9 uma subst\u00e2ncia natural ou sint\u00e9tica que se caracteriza por sua elasticidade, repel\u00eancia \u00e0 \u00e1gua e resist\u00eancia el\u00e9trica. A borracha natural \u00e9 obtida de um l\u00edquido leitoso de cor branca chamado l\u00e1tex, encontrado em numerosas plantas. A borracha sint\u00e9tica \u00e9 preparada a partir de hidrocarbonetos insaturados.\n\nUma das \u00e1rvores\u00a0<strong>produtoras de borracha<\/strong>\u00a0\u00e9 a\u00a0<strong>seringueira Hevea brasiliensis<\/strong>, da fam\u00edlia das Euforbi\u00e1ceas, origin\u00e1ria do Amazonas. Outra planta produtora \u00e9 a \u00e1rvore-de-goma, Castilloa elastica, origin\u00e1ria do M\u00e9xico.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom13.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"339\" height=\"257\" \/><strong>\nA seringueira ou Hevea brasiliensis<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom14.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"226\" height=\"351\" \/><strong>\nA borracha bruta \u00e9 branca ou incolor. Atrav\u00e9s de um corte inicial e da remo\u00e7\u00e3o seletiva da casca, uma seringueira\nproduz em m\u00e9dia 1,8 kg de borracha bruta anualmente<\/strong><\/p>\nEm estado natural, a\u00a0<strong>borracha bruta<\/strong>\u00a0\u00e9 um hidrocarboneto branco ou incolor. \u00c0 temperatura do ar l\u00edquido, cerca de 195 \u00baC, a borracha pura \u00e9 um s\u00f3lido duro e transparente. De 0 a 10 \u00baC, \u00e9 fr\u00e1gil e opaca e, acima de 20 \u00baC, torna-se mole, flex\u00edvel e transl\u00facida. Ao ser amassada mecanicamente ou aquecida em temperatura acima dos 50 \u00baC, a borracha adquire uma textura de pl\u00e1stico pegajosa. A borracha pura \u00e9 insol\u00favel em \u00e1gua, \u00e1lcali ou \u00e1cidos fracos e sol\u00favel em benzeno, petr\u00f3leo, hidrocarbonetos clorados e dissulfureto de carbono. Na fabrica\u00e7\u00e3o atual de artigos de borracha natural, esta \u00e9 tratada em m\u00e1quinas com outras subst\u00e2ncias.\n\nA mistura \u00e9 processada mecanicamente sobre uma base ou moldada, sendo logo colocada em moldes para posterior vulcaniza\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>A descoberta dos europeus da borracha (s\u00e9c. XVIII)<\/strong>\n\nQuando os portugueses descobriram a borracha, chamaram-na assim porque o produto permitia apagar a tinta no papel em que se havia escrito. Os portugueses do Par\u00e1 aprenderam com os om\u00e1guas (tribo do M\u00e9dio Amazonas) a fazer com essa subst\u00e2ncia umas bolas de seringa.\n\n<strong>Logo, a palavra seringa serviu para designar a pr\u00f3pria \u00e1rvore, como se pode perceber no relato do viajante portugu\u00eas Alexandre Rodrigues Ferreira, em 1783:<\/strong>\n\nA seringueira, nome comum de cerca de 10 esp\u00e9cies de um g\u00eanero de \u00e1rvores produtoras de l\u00e1tex, nativas da Amaz\u00f4nia. \u00c9 a c\u00e9lebre \u00e1rvore da borracha. A esp\u00e9cie mais explorada, por dar o l\u00e1tex de melhor qualidade, distribui-se de forma espont\u00e2nea por toda a regi\u00e3o compreendida entre a bacia do rio Ucaiali e o Xingu, ao sul, e o estu\u00e1rio do rio Amazonas ao norte. Mede entre 20 e 30 m de altura, podendo chegar a 50 metros.\n<p align=\"left\"><strong>Do uso artesanal at\u00e9 a grande\u00a0<\/strong><b>ind\u00fastria<\/b><\/p>\n<strong>S\u00e9rios problemas t\u00e9cnicos existiam, dificultando uma boa utiliza\u00e7\u00e3o da borracha:<\/strong>\u00a0ela se tornava pegajosa com o calor da regi\u00e3o e ficava dura nos pa\u00edses com esta\u00e7\u00e3o fria.\n\nA solu\u00e7\u00e3o foi a inven\u00e7\u00e3o da vulcaniza\u00e7\u00e3o, um processo que torna el\u00e1stica, resistente, insol\u00favel, a borracha natural. Tal descoberta foi feita por Goodyear, nos Estados Unidos, em 1839.\n\nA\u00a0<strong>vulcaniza\u00e7\u00e3o<\/strong>\u00a0\u00e9 um processo pelo qual a borracha, cozida com enxofre, perde suas propriedades n\u00e3o desej\u00e1veis (pegajosidade).\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom15.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"394\" height=\"217\" \/>\n<strong>Logomarca da Companhia de Pneus Goodyear, fundada em 1898 por Frank Seiberling.\nO nome da fabrica foi em homenagem de Charles Goodyear.\nGoodyear inventou a vulcaniza\u00e7\u00e3o em 1839<\/strong><\/p>\nComparada com a borracha vulcanizada, a n\u00e3o tratada apresenta muito poucas aplica\u00e7\u00f5es. \u00c9 usada em cimentos, fitas isolantes, fitas adesivas e como isolante para mantas e sapatos.\n\nA\u00a0<strong>borracha vulcanizada<\/strong>\u00a0\u00e9 empregada nas correias transportadoras, para fabricar mangueiras, pneus e rolos para uma ampla variedade de m\u00e1quinas, para fabricar roupa imperme\u00e1vel, em materiais isolantes e em muitas outras aplica\u00e7\u00f5es. \u00c9 poss\u00edvel chamar borracha sint\u00e9tica a toda subst\u00e2ncia elaborada artificialmente que se pare\u00e7a com a borracha natural. Obt\u00e9m-se por rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas, conhecidas como condensa\u00e7\u00e3o ou polimeriza\u00e7\u00e3o, a partir de determinados hidrocarbonetos insaturados.\n\n<strong>Produzem-se v\u00e1rios tipos de borracha sint\u00e9tica:<\/strong>\u00a0neoprene, buna, borracha fria e outras borrachas especiais.\n\nCom a vulcaniza\u00e7\u00e3o, a demanda do novo produto se intensificou. Por exemplo, a Gr\u00e3-Bretanha importou 200 quilos de borracha em 1830, 10.000, em 1857 e 58.000, em 1874.\n\nMas o salto decisivo foi com a inven\u00e7\u00e3o da roda pneum\u00e1tica. O inventor foi Dunlop, que aplicou \u00e0 bicicleta de seu filho, em 1888.\n\nA inven\u00e7\u00e3o e a produ\u00e7\u00e3o do autom\u00f3vel com o emprego de rodas pneum\u00e1ticas tornaram, definitivamente, a industria contempor\u00e2nea dependente da\n\nO pessoal empregado na industria da borracha nos Estados Unidos passou de 2.600, em 1850, para 50.000, em 1910.\n\n<strong>Da droga do sert\u00e3o \u00e0 borracha industrial:<\/strong>\u00a0o Par\u00e1 \u00e9 transformado\n\nPrecedida de um conhecimento cient\u00edfico que se desenvolvia desde 1736, a descoberta da vulcaniza\u00e7\u00e3o da borracha nos Estados Unidos e Inglaterra, cerca de um s\u00e9culo ap\u00f3s, criara novas oportunidades para a combalida economia da Amaz\u00f4nia.\n\nA procura externa do produto foi um fator para suscitar uma atmosfera propicia para os neg\u00f3cios regionais, justificando a importa\u00e7\u00e3o de tecnologia ent\u00e3o moderna. A oferta regional, de in\u00edcio limitada a artigos rudimentares de borracha, expandiu-se at\u00e9 1875, fazendo forte apelo a uma organiza\u00e7\u00e3o produtiva escravista, da qual o \u00edndio foi primeiro e principal sustent\u00e1culo.\n\nNo entanto, a nova atividade necessitava de muitos bra\u00e7os o que gerou grande mobilidade intra-setorial e espacial da popula\u00e7\u00e3o ativa. De 1825 a 1850, a produ\u00e7\u00e3o comercial de borracha restringia-se principalmente a Bel\u00e9m e \u00e0s ilhas, mas logo se expandira at\u00e9 o Xingu e o Tapaj\u00f3s, no Par\u00e1.\n\nEntre 1850 e 1870, as imigra\u00e7\u00f5es transp\u00f5e a fronteira do Amazonas e se dirigem aos seringais dos rios Madeira e Purus. \u00c9 nesse per\u00edodo que a popula\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia do Amazonas come\u00e7a a ter express\u00e3o maior.\n\nAo aproximar-se o fim da d\u00e9cada de setenta, o problema da escassez de m\u00e3o-de-obra assumiu fei\u00e7\u00e3o mais grave. A borracha destronara o cacau.\n\nDesta forma, em meados do s\u00e9culo XIX, a economia tradicional, baseada nas drogas do sert\u00e3o privilegiou uma delas, a borracha. Com efeito, \u00e0 \u00e9poca, a Amaz\u00f4nia era o \u00fanico fornecedor mundial da borracha; em consequ\u00eancia, ela se beneficiou do aumento da demanda estrangeira. A partir de 1857, a borracha tornou-se o produto mais exportado (mais de 30% do total). Seis anos depois, j\u00e1 ultrapassava com mais de 43% das exporta\u00e7\u00f5es.\n\nO aumento da produ\u00e7\u00e3o foi cada vez mais r\u00e1pido e se estendeu do Par\u00e1 ao resto da Amaz\u00f4nia, a partir de 1890. A partir dos anos 80, o Par\u00e1, primeiro, a Amaz\u00f4nia toda, em seguida, entram no per\u00edodo de auge da produ\u00e7\u00e3o da borracha, crescendo at\u00e9 a d\u00e9cada de 1900-1910. A produ\u00e7\u00e3o passa de 8.500 ton., em 1880, para mais de 40.000 ton., em 1910.\n\n<strong>Havia um aspecto original e \u00fanico, tamb\u00e9m:<\/strong>\u00a0uma grande ind\u00fastria, a ind\u00fastria automobil\u00edstica, come\u00e7ou a se desenvolver a partir de um produto (l\u00e1tex) extra\u00eddo da mata amaz\u00f4nica, gra\u00e7as ao trabalho manual do seringueiro, seguindo a experi\u00eancia dos \u00edndios.\n\nO seringueiro era (e \u00e9) um homem que trabalha na mata, vivendo da extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex da seringa (ou seringueira) trabalhando diariamente na estrada, usando como principais instrumentos o fac\u00e3o do mato ou machadinha, o ter\u00e7ado, a tigelinha e um balde (para at\u00e9 6 ou 10 litros de l\u00e1tex).\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom19.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"209\" height=\"309\" \/><strong>\nSeringueiro da Amaz\u00f4nia extrai o l\u00e1tex da Hevea brasiliensis, a mais explorada das 10 esp\u00e9cies de seringueira<\/strong><\/p>\nAp\u00f3s sangrar a \u00e1rvore, o seringueiro coloca a tigelinha, que deve receber o l\u00e1tex, escorrendo das incis\u00f5es feitas. Uma \u00e1rvore suporta em m\u00e9dia 4 tigelinhas.\n\nVolta mais tarde para recolh\u00ea-las. Ent\u00e3o entrega-se a defuma\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex. Despeja o leite numa bacia, acende o fogo, empregando a madeira resinosa de que disp\u00f5e, o que provoca a fuma\u00e7a necess\u00e1ria e apropriada \u00e0 coagula\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex na forma comercial. O\n\nderrama um pouco do l\u00e1tex na extremidade de um pau chato, com a forma de esp\u00e1tula.\n\nO pau \u00e9 virado com as m\u00e3os, devagar, na fuma\u00e7a e o l\u00e1tex se coagula pela a\u00e7\u00e3o do \u00e1cido carb\u00f4nico contido na fuma\u00e7a. Depois de feitas grandes bolas de borracha, o pau \u00e9 suspenso a um gancho, ou girado em barras paralelas, em quanto elas s\u00e3o colocadas de modo a permitir a a\u00e7\u00e3o de rolar para diante e para tr\u00e1s, na fuma\u00e7a. As bolas feitas por esse modo variam de 5 e 10 kg (cada bola).\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom20.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"374\" height=\"201\" \/><strong>\nFerramentas do seringueiro &#8211; a) fac\u00e3o ou machadinha, b) ter\u00e7ado, c) tigelinha, d) balde<\/strong><\/p>\n<strong>O Sistema de Aviamento<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>seringueiro<\/strong>\u00a0n\u00e3o era um trabalhador assalariado. Embora n\u00e3o tendo um patr\u00e3o, como um assalariado, o seringueiro era dependente do dono do barrac\u00e3o (o aviador). Vendia sua produ\u00e7\u00e3o para ele; comprava dele o que precisava para viver no meio da mata.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Economia da Borracha\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/eeconom23.jpg\" alt=\"Economia da Borracha\" width=\"348\" height=\"330\" \/><strong>\nSeringueiro no barracao com as bolas de borracha<\/strong><\/p>\nInicialmente foi utilizado para o trabalho da explora\u00e7\u00e3o da borracha a m\u00e3o-de-obra ind\u00edgena, os brancos tentaram engajar \u00edndios de algumas tribos na produ\u00e7\u00e3o.\n\nContudo, foram os trabalhadores nordestinos que sustentaram a for\u00e7a de trabalho da borracha. Nascidos no meio dos sert\u00f5es secos, a chegada no mundo amaz\u00f4nico foi um grande desafio.\n\nOs trabalhadores nordestinos desconheciam as t\u00e9cnicas de trabalho, os segredos da mata, ele \u00e9 um estranho ao meio f\u00edsico e ao meio s\u00f3cio-econ\u00f4mico da regi\u00e3o.\n\nNos primeiros momentos do uso da m\u00e3o-de-obra de nordestinos cometeu-se diversos erros e grandes imprud\u00eancias na explora\u00e7\u00e3o da borracha. Desta forma, os trabalhadores nordestinos tiveram que ser adestrados para a nova fun\u00e7\u00e3o. No final do s\u00e9culo XIX, os nordestinos constitu\u00edam quase que a totalidade dos seringueiros na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.\n\nA extra\u00e7\u00e3o do l\u00e1tex para a borracha se fazia no seringal, parte da mata com muitas seringueiras. Antes de poder extrair o l\u00e1tex, o mateiro devia descobrir e delimitar um seringal dentro da mata.\n\nDepois abriam-se as estradas de seringa. A produ\u00e7\u00e3o da borracha dependia de uma rede de comercializa\u00e7\u00e3o.\n\nO seringueiro dependia do aviador do barrac\u00e3o, aquele que aviava. Mas, o aviador, dependia tamb\u00e9m do seringueiro, da sua entrega esperada da borracha.\n\nDesta forma, os dois eram ligados mutuamente.\n\n<strong>No entanto, nas rela\u00e7\u00f5es entre aviador e seringueiro n\u00e3o havia igualdade:\u00a0<\/strong>o segundo dependia, at\u00e9 para a manuten\u00e7\u00e3o de sua vida, do primeiro, vivendo isolado no seringal.\n\nO aviador aproveitava-se dessa situa\u00e7\u00e3o, impondo os pre\u00e7os dos produtos, consumidos pelos seringueiros, que vinham de Bel\u00e9m. Em Bel\u00e9m, meia d\u00fazia de grandes firmas estrangeiras, com matrizes na Inglaterra, Alemanha e nos Estados Unidos, reuniam toda a produ\u00e7\u00e3o regional, monopolizando a comercializa\u00e7\u00e3o da borracha.\n\n<strong>Assim era o sistema de aviamento:<\/strong>\u00a0o seringueiro era aviado pelo barrac\u00e3o; o barrac\u00e3o era aviado por casas exportadoras; as casas exportadoras eram financiadas por bancos estrangeiros.\n<h4>A decad\u00eancia do ciclo da borracha<\/h4>\nUma mudan\u00e7a ocorreu na produ\u00e7\u00e3o da borracha e que veio a modificar a produ\u00e7\u00e3o paraense. Na \u00c1sia passou-se a plantar a h\u00e9vea e a se produzir a borracha.\n\nAo inv\u00e9s de ser extrair o l\u00e1tex de \u00e1rvores que crescem espontaneamente, como se faz dentro da mata, na \u00c1sia planta-se a h\u00e9vea em locais determinados. Era a heveicultura, o plantio da h\u00e9vea.\n\nEssa nova produ\u00e7\u00e3o foi lan\u00e7ada pelos ingleses em suas col\u00f4nias da \u00c1sia, onde o clima \u00e9 semelhante ao clima tropical \u00famido da Amaz\u00f4nia.\n\nEm 1876, o bot\u00e2nico ingl\u00eas Wickman transportou, \u00e0s escondidas, sementes de h\u00e9vea da Amaz\u00f4nia para Londres. Pouco depois, 7. 000 mudas de h\u00e9vea foram transportadas para o Ceil\u00e3o no sul da \u00cdndia.\n\nNa d\u00e9cada de 1890, j\u00e1 se tinha certeza de que a h\u00e9vea havia se adaptado ao meio natural da \u00c1sia. Em 1900, as planta\u00e7\u00f5es se estendiam \u00e0s col\u00f4nias inglesas (Ceil\u00e3o, Mal\u00e1sia e Birm\u00e2nia) e holandesas (Indon\u00e9sia).\n\n<strong>Os resultados foram espetaculares:<\/strong>\u00a03 ton. de borracha, em 1900 e 16.000, em 1910. Foi um sucesso agron\u00f4mico e econ\u00f4mico, depois de 25 anos dedicados \u00e0 pesquisa experimental.\n\nAl\u00e9m disto, ocorreu a apari\u00e7\u00e3o de fungos nas \u00e1rvores plantadas na Amaz\u00f4nia, assim como nas planta\u00e7\u00f5es das Guianas era o mal das folhas.\n\nNo Brasil os pesquisadores n\u00e3o se interessaram muito pelo combate do fungo, somente o bot\u00e2nico Jacques Huber, diretor do Museu Emilio Goeldi, pesquisou sobre a quest\u00e3o. Desta forma, ap\u00f3s o bot\u00e2nico falecer, a problema do fungo, inexistente na \u00c1sia, permaneceu na regi\u00e3o amaz\u00f4nica.\n\nTamb\u00e9m o pre\u00e7o mundial da borracha caiu brutalmente, a partir do m\u00eas de maio de 1910, pela entrada da produ\u00e7\u00e3o asi\u00e1tica, suprindo a demanda.\n\nEste fato acabou sendo o come\u00e7o da decad\u00eancia da produ\u00e7\u00e3o da borracha.\n\n<b>Como consequ\u00eancia, as importa\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o diminu\u00edram em at\u00e9 50%:\u00a0<\/b>n\u00e3o havia mais dinheiro para importar. E a queda dos impostos (sobre as exporta\u00e7\u00f5es) impediram que o governo terminasse obras p\u00fablicas que beneficiariam a economia.\n\n<strong>A crise afetou todos os setores da economia da borracha:<\/strong>\u00a0no centro do seringal, onde o seringueiro desenvolvia suas atividades; na beira, onde o seringalista fazia seus neg\u00f3cios; no rio, onde o barqueiro transportava borracha e alimentos e, na cidade, pequena ou grande, onde o aviador e o exportador faziam as suas transa\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Borracha:<\/strong>\u00a0novas tentativas\n\nNa regi\u00e3o amaz\u00f4nica, houve duas novas tentativas para se produzir, de novo, o l\u00e1tex em quantidade, pelo cultivo e pela coleta silvestre. Entre 1934 e 1945 houve uma tentativa da Companhia Ford.\n\n<strong>A economia dos Estados Unidos era muito din\u00e2mica nos anos 20:<\/strong>\u00a0o n\u00famero de carros em circula\u00e7\u00e3o aumentou significativamente entre 1920 e 1930. O pa\u00eds era o maior produtor mundial de carros.\n\nA borracha cultivada respondia a demanda para fabricar pneum\u00e1ticos. Mas 90% desta produ\u00e7\u00e3o dependiam das col\u00f4nias europeias da \u00c1sia.\n\nA Companhia Ford, que utilizava um quarto da borracha produzida no mundo, teve a ideia de produzir, ela mesma, a borracha necess\u00e1ria para suas usinas. Henry Ford escolheu o Brasil, que dava vantagens aos que queriam fazer planta\u00e7\u00f5es de h\u00e9vea. Importou da \u00c1sia mudas da planta e, em 1934, plantou-as em Fordl\u00e2ndia, ao sul de Santar\u00e9m. A doen\u00e7a das folhas manifestou-se logo. Em 1935, foi aberta uma nova planta\u00e7\u00e3o (em Belterra), a sudeste de Santar\u00e9m, como campo de experimenta\u00e7\u00e3o. Contudo, depois de 10 anos a demanda n\u00e3o foi suficiente, assim, a planta\u00e7\u00e3o encerrou suas atividades em 1945.\n\nDurante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), os pa\u00edses da \u00c1sia com planta\u00e7\u00f5es da h\u00e9vea foram ocupados pelo ex\u00e9rcito do Jap\u00e3o que, nessa conflagra\u00e7\u00e3o, era inimigo dos Estados Unidos.\n\nO EUA ficaram com dificuldades em obter borracha para a produ\u00e7\u00e3o de pneus e outros produtos. Desta forma, o governo deste pa\u00eds, firmou um acordo com o governo brasileiro para a produ\u00e7\u00e3o da borracha.\n\nHouve ajuda financeira com a cria\u00e7\u00e3o do Banco de Cr\u00e9dito da Borracha. Na \u00e9poca 32.000 nordestinos foram trazidos para trabalhar na Amaz\u00f4nia. No entanto, os resultados n\u00e3o foram os esperados.\n\nCom o fim da Segunda Guerra Mundial e a nova concorr\u00eancia da borracha sint\u00e9tica, a exporta\u00e7\u00e3o da borracha amaz\u00f4nica voltou a entrar em decad\u00eancia.\n\n<strong>Agricultura X Extrativismo<\/strong>\n\nO desenvolvimento da agricultura na Amaz\u00f4nia foi comumente associado ao in\u00edcio de um processo civilizador da regi\u00e3o. Neste sentido, a forma\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio amaz\u00f4nico a partir da fixa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em \u00e1reas nas quais praticassem a atividade agr\u00edcola foi vista por muitos pensadores, pol\u00edticos e pessoas influentes da regi\u00e3o amaz\u00f4nica como uma promessa de transforma\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e social a qual transformaria a Amaz\u00f4nia de um deserto em um celeiro do mundo.\n\nContudo, neste contexto, muitos membros ilustres pertencentes \u00e0s principais capitais da regi\u00e3o amaz\u00f4nica s\u00e3o un\u00e2nimes em responsabilizar a valoriza\u00e7\u00e3o da borracha pelo exterm\u00ednio das atividades agr\u00edcolas na Amaz\u00f4nia.\n\nNesta discuss\u00e3o surge a problem\u00e1tica do conflito existente entre\u00a0<strong>agricultura x extra\u00e7\u00e3o.<\/strong>\n\nEsta problem\u00e1tica encontra seu momento m\u00e1ximo exatamente no per\u00edodo que corresponde ao surgimento da borracha como um dos principais produtos na pauta da exporta\u00e7\u00e3o das prov\u00edncias do extremo-norte (entre as d\u00e9cadas de 1850 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1860).\n\nA discuss\u00e3o sobre a problem\u00e1tica agricultura x extra\u00e7\u00e3o esclarece muito sobre as pr\u00f3prias a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e econ\u00f4micas das elites da regi\u00e3o amaz\u00f4nica em rela\u00e7\u00e3o ao desenvolvimento regional. De fato, a busca pelo estabelecimento de uma pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola na regi\u00e3o amaz\u00f4nica estava intimamente ligada a revitaliza\u00e7\u00e3o da agricultura regional na medida em que a valoriza\u00e7\u00e3o da borracha vai sendo vista como a respons\u00e1vel por um progressivo escassamente de g\u00eaneros agr\u00edcolas, em especial os aliment\u00edcios, os quais passaram a ser obtidos principalmente atrav\u00e9s da importa\u00e7\u00e3o de outras regi\u00f5es, a pre\u00e7os mais elevados.\n\nDesta forma, percebemos como as discuss\u00f5es cr\u00edticas sobre a economia gom\u00edfera era orientada no sentido de se pensar a atividade extrativa da borracha como promotora e intensificadora dos problemas s\u00f3cio-econ\u00f4micos da regi\u00e3o.\n\n\u00c9 neste contexto que surge o ideal do estabelecimento de uma pol\u00edtica de coloniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, especialmente implantada a partir da imigra\u00e7\u00e3o europeia, com a finalidade de amenizar na Prov\u00edncia, segundo muitos paraenses acreditavam, seus problemas cr\u00f4nicos, principalmente a escassez de produtos aliment\u00edcios e de m\u00e3o-de-obra, assim como seria tamb\u00e9m um elemento fundamental para dar origem a uma forma mais duradoura de desenvolvimento regional.\n\nContudo, os projetos de coloniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola n\u00e3o seriam bem-sucedidos sen\u00e3o contasse como apoio do governo central; isto surgia como um grande obst\u00e1culo para o desenvolvimento agr\u00edcola da regi\u00e3o pois a Corte demonstrava muito mais interesse em financiar assentamentos de imigrantes no Extremo-Sul do Brasil.\n\n\u00c9 exatamente sob esse contexto que surge a ideia da forma\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia como celeiro do mundo.\n\nPercebemos como desde o governo de Lauro Sodr\u00e9 h\u00e1 toda uma preocupa\u00e7\u00e3o pelo fato de a Amaz\u00f4nia ter se tornando cada vez mais dependente do neg\u00f3cio da extra\u00e7\u00e3o da borracha para sua sobreviv\u00eancia econ\u00f4mica e o seu desenvolvimento social.\n\nNeste sentido, basicamente se pensava em se estabelecer uma coloniza\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, baseada na pequena propriedade e na imigra\u00e7\u00e3o de estrangeiros (os quais teriam supostamente uma maior qualifica\u00e7\u00e3o profissional).\n\nDe fato, a inspira\u00e7\u00e3o para tal projeto j\u00e1 vinha da Lei n.\u00ba 601, de 18-09-1850 (conhecida como a lei de terras).\n\nContudo, foi durante o governo de Paes de Carvalho (1897-1901) em que houve um maior apoio \u00e0s pol\u00edticas de coloniza\u00e7\u00e3o e povoamento na regi\u00e3o amaz\u00f4nica, especialmente o Par\u00e1 no qual houveram patroc\u00ednios destinados a transformar algumas regi\u00f5es em um verdadeiro celeiro do mundo.\n\nNeste sentido, a regi\u00e3o litor\u00e2nea e a Bragantina, quase que desabitadas antes dos projetos de coloniza\u00e7\u00e3o, tornaram-se um dos maiores centros populacionais da Amaz\u00f4nia. 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