{"id":25906,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-guaranitica-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:57:02","modified_gmt":"2026-09-01T17:57:02","slug":"guerra-guaranitica-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/guerra-guaranitica-4\/","title":{"rendered":"Guerra Guaran\u00edtica"},"content":{"rendered":"\n&nbsp;\n<h4>Guerra Guaran\u00edtica no Rio Grande do Sul (1752-1756)<\/h4>\n<strong>Originalmente, a popula\u00e7\u00e3o nativa do Rio Grande do Sul era formada por cinco na\u00e7\u00f5es de ind\u00edgenas<\/strong>: charruas, minuanos, patos, tapes e guaycanans; a maior influ\u00eancia nos h\u00e1bitos e valores dos ga\u00fachos veio das na\u00e7\u00f5es de \u00edndios charruas e minuanos, que eram os mais bravos e guerreiros.\n\nHabitavam uma regi\u00e3o formada pelo atual Estado do Rio Grande do Sul e parte do Estado de Santa Catarina, que foi longamente disputada por Espanha e Portugal.\n\nPelo Tratado de Tordesilhas, firmado entre Portugal e Espanha em 1494 (logo ap\u00f3s a descoberta da Am\u00e9rica por Crist\u00f3v\u00e3o Colombo), a Portugal perteceriam todos os territ\u00f3rios descobertos a leste de um meridiano situado 370 l\u00e9guas a oeste do arquip\u00e9lago de Cabo Verde, ou seja, a leste de uma linha imagin\u00e1ria ligando as atuais cidades de Bel\u00e9m, do Par\u00e1; e Laguna, de Santa Catarina. O Tratado permaneceu v\u00e1lido at\u00e9 1750, quando pelo\u00a0<strong>Tratado de Madri\u00a0<\/strong>passou a vigorar o princ\u00edpio de que a terra pertence a quem a ocupa.\n\nConforme previsto, os espanh\u00f3is vieram ocupar logo seus territ\u00f3rios, fundando cidades como Buenos Aires e Assun\u00e7\u00e3o, em 1536. Fundaram, tamb\u00e9m, por interm\u00e9dio dos jesu\u00edtas, diversas povoa\u00e7\u00f5es na bacia do Rio Uruguai; no lado oriental, fundaram redu\u00e7\u00f5es como S\u00e3o Miguel (a primeira, em 1627), S\u00e3o Jo\u00e3o, S\u00e3o Louren\u00e7o, S\u00e3o Luiz, S\u00e3o Nicolau, S\u00e3o Borja e Santo \u00c2ngelo (a \u00faltima, em 1707).\n\nTodavia, aventureiros paulistas aterrorizavam constantemente qualquer iniciativa de povoa\u00e7\u00e3o ou coloniza\u00e7\u00e3o de terras, que dificultava enormemente a expans\u00e3o espanhola na \u00e1rea. De outro lado, as andan\u00e7as de aventureiros portugueses, a procura de gado ou de \u00ednd\u00edgenas para serem levados embora, encorajou a Coroa Portuguesa a dominar de forma mais definitiva a regi\u00e3o.\n\nPor isso, resolveu fundar, em 1680, em frente a Buenos Aires, uma fortifica\u00e7\u00e3o chamada Col\u00f4nia do Sacramento, para atestar seu dom\u00ednio sobre os territ\u00f3rios a leste do Rio da Prata.\n\nA Col\u00f4nia foi arrasada no mesmo ano; entretanto, via negocia\u00e7\u00f5es, foi retomada em 1683.\n\nFoi novamente entregue aos espanh\u00f3is em 1703 e retomada (em fun\u00e7\u00e3o do Tratado de Utrecht) em 1716. Com a tomada de Montevid\u00e9u pelo governador de Buenos Aires, Col\u00f4nia do Sacramento ficou sitiada, e, por isso, abandonada pelos portugueses em 1736, que recuaram at\u00e9 Rio Grande, onde fundaram em 1737 o Pres\u00eddio Jesus Maria Jos\u00e9 (sob comando do brigadeiro Jos\u00e9 da Silva Paes).\n\nO\u00a0<strong>Tratado de Madri<\/strong>\u00a0tinha a inten\u00e7\u00e3o de resolver os conflitos de terras entre Portugal e Espanha; trocava os Sete Povos das Miss\u00f5es (que ficaria para Portugal) por Col\u00f4nia do Sacramento (que ficaria para a Espanha); pelo Tratado, os \u00edndios deveriam retirar-se com seus pertences m\u00f3veis para o outro lado do Rio Uruguai; todavia, estas determina\u00e7\u00f5es causaram grande revolta entre os povos ind\u00edgenas, que se rebelaram contra os signat\u00e1rios do Tratado (Portugal e Espanha); por isso, entraram em guerra contra os ex\u00e9rcitos portugu\u00eas e espanhol (chamada de<strong>\u00a0Guerra Guaran\u00edtica<\/strong>); ap\u00f3s pequenas escaramu\u00e7as, em que morreu o l\u00edder Sep\u00e9 Tiaraju, foram severamente vencidos na batalha de Caiboat\u00e9, em 1756; nesse combate, morreram mais de 1.200 guerreiros ind\u00edgenas, inclusive o novo chefe Nicolau Languiru.\n\nDerrotados nos combates e perseguidos nos pr\u00f3prios entrincheiramentos, abandonaram suas terras e se refugiaram nas matas e nas serras.\n\n<strong>Guerra Guaran\u00edtica &#8211; Conflitos<\/strong>\n<p class=\"imagem\" style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159319 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra14.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"223\" \/><strong>Guerra Guaran\u00edtica<\/strong><\/p>\nNome que se d\u00e1 aos violentos conflitos que envolvem os \u00edndios guaranis e as tropas espanholas e luso-brasileiras no sul do Brasil ap\u00f3s a assinatura do\u00a0<strong>Tratado de Madri<\/strong>, em 1750.\n\nOs guaranis de Sete Povos das Miss\u00f5es recusam-se a deixar suas terras no territ\u00f3rio do Rio Grande do Sul e a transferir-se para o outro lado do rio Uruguai, conforme ficara acertado no acordo de limites entre Portugal e Espanha.\n\nCom o apoio parcial dos jesu\u00edtas, no in\u00edcio de 1753 os guaranis missioneiros come\u00e7am a impedir os trabalhos de demarca\u00e7\u00e3o da fronteira e anunciam a decis\u00e3o de n\u00e3o sair de Sete Povos.\n\nEm resposta, as autoridades enviam tropas contra os nativos, e a guerra explode em 1754.\n\nOs castelhanos, vindos de Buenos Aires e Montevid\u00e9u, atacam pelo sul, e os luso-brasileiros, enviados do Rio de Janeiro sob o comando do general Gomes Freire, entram pelo rio Jacu\u00ed.\n\nJuntando depois as tropas na fronteira com o Uruguai, os dois ex\u00e9rcitos sobem e atacam frontalmente os batalh\u00f5es ind\u00edgenas, dominando Sete Povos em maio de 1756.\n\nChega ao fim a resist\u00eancia guarani.\n\nUm dos principais l\u00edderes guaranis \u00e9 o capit\u00e3o Sep\u00e9 Tiaraju.\n\nEle justifica a resist\u00eancia ao tratado em nome do direito leg\u00edtimo dos \u00edndios em permanecer nas suas terras.\n\nComanda milhares de nativos at\u00e9 ser assassinado em fevereiro de 1756.\n\n<strong>M\u00e9dio Paran\u00e1<\/strong>\n\n\u00c9 dif\u00edcil dar um nome a esta \u00e1rea. Considerando que ela \u00e9 limitada a oeste pelo curso do rio Paraguai, que a sudeste abrange a bacia do alto Uruguai, e que ultrapassa para leste, sem limites definidos, o curso do Paran\u00e1, pensamos na express\u00e3o \u201cMesopot\u00e2mia Platina\u201d, que, entretanto, se aplicaria mais adequadamente \u00e0 regi\u00e3o mais ao sul, entre o Uruguai e o Paran\u00e1.\n\nConsiderando a quase (ou total, se levarmos em conta a tend\u00eancia a tomar os guaiaquis tamb\u00e9m como\u00a0<strong>guaranis<\/strong>) exclusividade da presen\u00e7a guarani, talvez pud\u00e9ssemos denomin\u00e1-la \u201c\u00c1rea Guarani\u201d. Por outro lado, h\u00e1\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0fora desta \u00e1rea, os chiriguanos (ditos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0ocidentais), que est\u00e3o no Chaco, o que tornaria inadequada tamb\u00e9m essa segunda denomina\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Os guaranis propriamente ditos se dividem atualmente em quatro ramos:\u00a0<\/strong>os pain-taviter\u00e3, conhecidos no Brasil como caiu\u00e1s; os av\u00e1-catu-et\u00ea, conhecidos no Brasil como nhandevas; os mbi\u00e1s; e os chiriguanos, que est\u00e3o em outra \u00e1rea etnogr\u00e1fica, o Chaco.\n\nNa verdade, se consider\u00e1ssemos todos os falantes do guarani (com exce\u00e7\u00e3o, obviamente daqueles que, apesar de o falarem, n\u00e3o se consideram \u00edndios, e que s\u00e3o a maioria) e mais aqueles a que se tende hoje a estender a identifica\u00e7\u00e3o de guarani (guaiaquis, guaraios) numa mesma \u00e1rea etnogr\u00e1fica, esta \u00e1rea se prolongaria mais para o norte, e dividiria no meio a \u00e1rea Mamor\u00e9, deixando a sub-\u00e1rea de Chiquitos de um lado e a de Mojos do outro.\n\n<strong>Diferentes destinos<\/strong>\n\nOs\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, a partir da conquista europ\u00e9ia, tiveram destinos diferentes. Aqueles que viviam na margem esquerda do rio Paraguai, ao norte e ao sul da cidade de Assun\u00e7\u00e3o, a princ\u00edpio julgaram estar estabelecendo uma rela\u00e7\u00e3o de alian\u00e7a com os espanh\u00f3is, cedendo-lhes suas mulheres, tomando-os como cunhados, at\u00e9 perceberem que na verdade estavam subjugados.\n\nEram conhecidos como \u201cc\u00e1rios\u201d, termo que n\u00e3o sei se constitui uma outra maneira de dizer \u201ccarij\u00f3s\u201d, o nome aplicado aos guaranis do litoral sul do Brasil no s\u00e9culo XVI.\n\nDepois de vencidos os levantes que fizeram para tentar corrigir o logro em que tinham ca\u00eddo, esses\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0entraram no regime de servi\u00e7os pessoais para encomenderos e os trabalhos obrigat\u00f3rios tempor\u00e1rios da mita.\n\nAfastadas desta \u00e1rea, a princ\u00edpio em afluentes do rio Paran\u00e1 em territ\u00f3rio que hoje \u00e9 brasileiro, os jesu\u00edtas estabeleceram as redu\u00e7\u00f5es, onde os \u00edndios estavam livres daqueles trabalhos for\u00e7ados, mas tinham sua vida rigidamente controlada pelos mission\u00e1rios.\n\nNo final do s\u00e9culo XVI e in\u00edcio do s\u00e9culo XVII, os bandeirantes paulistas fizeram v\u00e1rias incurs\u00f5es escravizadoras sobre essas redu\u00e7\u00f5es, at\u00e9 que os jesu\u00edtas conseguiram autoriza\u00e7\u00e3o para equipar os \u00edndios com armas de fogo, de modo que eles derrotaram os bandeirantes em Mboror\u00e9. Os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0escravizados pelos bandeirantes foram utilizados no trabalho nas vizinhan\u00e7as de S\u00e3o Paulo e qui\u00e7\u00e1 at\u00e9 vendidos para a regi\u00e3o a\u00e7ucareira do Nordeste.\n\nA derrota dos bandeirantes em Mboror\u00e9 levou-os a dirigirem suas expedi\u00e7\u00f5es noutra dire\u00e7\u00e3o, mais para noroeste. Outras miss\u00f5es se instalaram no rio Uruguai. No Atlas Hist\u00f3rico Escolar, publicado pelo ent\u00e3o Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e Cultura em 1960, h\u00e1 um mapa das miss\u00f5es jesu\u00edticas na p\u00e1gina 41.\n\nOs jesu\u00edtas tamb\u00e9m estabeleceram miss\u00f5es nas terras dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0itatins, entre o rio Paraguai e seus afluentes, o Apa e o Miranda, portanto, em territ\u00f3rio hoje brasileiro. Essas miss\u00f5es foram atacadas em 1648 pelo bandeirante Ant\u00f4nio Raposo Tavares. Os itatins dispersados se dirigiram mais para o sul e seu territ\u00f3rio foi ocupado pelos ramo guaicuru dos cadiu\u00e9us, que a\u00ed vivem at\u00e9 hoje.\n\nOs\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0do rio Uruguai acabaram envolvidos nas quest\u00f5es de limites entre Portugal e Espanha. O tratado de Madrid, assinado pelas duas metr\u00f3poles em 1750 entregava a Portugal as terras onde estavam instaladas as miss\u00f5es da margem esquerda do rio Uruguai a troco da col\u00f4nia do Sacramento, no rio da Prata, em frente a Buenos Aires, prevendo tamb\u00e9m a transfer\u00eancia dos \u00edndios para as terras da col\u00f4nia de Sacramento.\n\nOs\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0e os tapes guaranizados se revoltaram contra a decis\u00e3o e o combate contra eles tomou o nome de Guerra Guaran\u00edtica. Nessa luta morreu o l\u00edder ind\u00edgena Sep\u00e9 Tiaraju, presente at\u00e9 hoje na mem\u00f3ria ga\u00facha. O confronto decisivo, de espanh\u00f3is e portugueses contra os \u00edndios, ocorreu em 1756 e deu o tema ao poema \u00e9pico Uruguai (\u201cO Uraguai\u201d), do mineiro Jos\u00e9 Bas\u00edlio da Gama, publicado em 1769. A derrota e dispers\u00e3o dos \u00edndios, a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas em 1767, a anula\u00e7\u00e3o do tratado de Madrid (com a devolu\u00e7\u00e3o dos sete povos das miss\u00f5es \u00e0 Espanha pelo tratado de Santo Ildefonso em 1777) e, finalmente, a conquista da regi\u00e3o por brasileiros em 1801, marcaram em definitivo o fim dos aldeamentos ind\u00edgenas do rio Uruguai, alguns dos quais viraram ru\u00ednas (o mais conhecido \u00e9 o de Santo \u00c2ngelo), e outros, ocupados por brancos, deram origem a cidades modernas (como S\u00e3o Borja).\n\nA origem dos atuais subgrupos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0se explica em parte pelas diferentes situa\u00e7\u00f5es em que se colocaram perante as miss\u00f5es jesu\u00edticas do per\u00edodo colonial.\n\n<strong>Miguel Bartolom\u00e9 (1991: 31-32), com base em Le\u00f3n Cadogan (que combinou pesquisa documental com hist\u00f3ria oral), fala-nos de uma separa\u00e7\u00e3o que ocorreu devido ao conflito entre dois l\u00edderes:<\/strong>\u00a0Paragua, favor\u00e1vel \u00e0 redu\u00e7\u00e3o e \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, combateu Guaira. Os seguidores do segundo se refugiaram nas profundezas da selva e deram origem aos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0geralmente chamados de Kaaguygua ou Kaingua (caiu\u00e1s).\n\nOs seguidores do primeiro habitaram as miss\u00f5es do sul do Paraguai. Com a expuls\u00e3o dos jesu\u00edtas em 1768, voltaram \u00e0 vida na selva para evitar cair nas m\u00e3os dos encomenderos, dando origem aos av\u00e1 catu et\u00ea ou nhandevas. Quanto aos mbi\u00e1s (: 81), nunca estiveram em miss\u00e3o.\n\n<strong>Sobreposi\u00e7\u00e3o de \u00e1reas<\/strong>\n\nA prov\u00edncia argentina de Misiones tem como popula\u00e7\u00e3o ind\u00edgena exclusivamente os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>. O mesmo acontece com o oriente do Paraguai, com a \u00fanica exce\u00e7\u00e3o dos ach\u00e9s, que, n\u00e3o obstante, tamb\u00e9m pertencem \u00e0 mesma fam\u00edlia ling\u00fc\u00edstica. No Brasil,entretanto, a \u00e1rea etnogr\u00e1fica do\u00a0<strong>M\u00e9dio Paran\u00e1<\/strong>\u00a0se sobrep\u00f5e \u00e0 do Planalto Meridional Brasileiro, a ponto de podermos at\u00e9 pensar em fazermos desta uma sub-\u00e1rea daquela.\n\n\u00c9 verdade que h\u00e1 no Brasil setores exclusivamente\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, como a extremidade meridional de Mato Grosso do Sul. A\u00ed, com exce\u00e7\u00e3o da reserva de Dourados, que tamb\u00e9m abriga terenas, todas as terras ind\u00edgenas s\u00e3o\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, habitadas em sua maioria por caiu\u00e1s, mas tamb\u00e9m por nhandevas. Ali\u00e1s, no Brasil, os caiu\u00e1s se concentram a\u00ed, estando ausentes nos outros estados.\n\n<strong>Outro setor exclusivo dos guaranis \u00e9 o litoral do sudeste e do sul do Brasil:<\/strong>\u00a0ao norte de Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo; nas vizinhan\u00e7as de Parati, no Rio de janeiro; a nordeste e sudoeste de Santos, em S\u00e3o Paulo; na ba\u00eda de Paranagu\u00e1, no Paran\u00e1; nos arredores de Florian\u00f3polis, em Santa Catarina; nas vizinhan\u00e7as de Porto Alegre e ao longo da margem ocidental da lagoa do Patos, no Rio Grande do Sul.\n\nNote-se que em todos esses lugares eles s\u00e3o mbi\u00e1s, com exce\u00e7\u00e3o do litorais de S\u00e3o Paulo, onde h\u00e1 tamb\u00e9m nhandevas, e do Esp\u00edrito Santo, onde h\u00e1 tamb\u00e9m tupiniquins.\n\nJ\u00e1 no interior dos estados sulinos, h\u00e1 uma predomin\u00e2ncia nhandeva, mas que vai diminuindo ao mesmo tempo em que cresce a mbi\u00e1 \u00e0 medida que se avan\u00e7a para o sul.\n\nTr\u00eas quadros inclu\u00eddos neste cap\u00edtulo mostram a distribui\u00e7\u00e3o dos subgrupos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0pelas terras ind\u00edgenas no Brasil.\n\nOs n\u00fameros que precedem os nomes das terras ind\u00edgenas s\u00e3o os mesmos pelos quais elas s\u00e3o indicadas no volume Povos Ind\u00edgenas no Brasil\u00a0 1991\/1995, publicado pelo Instituto Socioambiental.\n\nEssa distribui\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0no Brasil apresenta, em primeiro lugar, uma correspond\u00eancia com sua distribui\u00e7\u00e3o no Paraguai, onde os caiu\u00e1s ficam ao norte, os mbi\u00e1s ao sul e os nhandevas na posi\u00e7\u00e3o intermedi\u00e1ria.\n\nEm segundo lugar, aponta uma crescente expans\u00e3o dos mbi\u00e1s pelos litoral.\n\nVale acrescentar que a expans\u00e3o mbi\u00e1 alcan\u00e7ou at\u00e9 um pa\u00eds que j\u00e1 n\u00e3o dispunha de popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, o Uruguai, localizando-se em dois pontos junto ao rio que d\u00e1 nome ao pa\u00eds.\n\nA atual distribui\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0no Brasil decorre em grande parte de migra\u00e7\u00f5es recentes. Os antigos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0do oeste do Paran\u00e1 foram extintos nos dois primeiros s\u00e9culos do per\u00edodo colonial, pelo menos como grupos organizados, devidos aos assaltos dos bandeirantes preadores de \u00edndios \u00e0s miss\u00f5es jesu\u00edticas. Os do litoral sul, os carij\u00f3s, tiveram o mesmo destino nas m\u00e3os daqueles que buscavam ouro.\n\nFinalmente, os do extremo sul foram destru\u00eddos pela Guerra Guaran\u00edtica e confrontos posteriores.\n\nOs\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0que hoje habitam os estados brasileiros do sul s\u00e3o provenientes de migra\u00e7\u00f5es recentes.\n\n<strong>Algumas, desde o s\u00e9culo passado, tiveram como motivo a procura da Terra sem Males, que ativou os distintos ramos dos guaranis em momentos diversos:<\/strong>\u00a0os nhandevas, no final do s\u00e9culo passado e in\u00edcio deste; os mbi\u00e1s, mais recentemente; e eventualmente tamb\u00e9m os caiu\u00e1s (Schaden 1974: 166-75). Antes da pesquisa de Schaden, que come\u00e7ou em 1946, os mbi\u00e1s j\u00e1 haviam chegado ao Esp\u00edrito Santo (: 5).\n\n<strong>Os guaranis do Brasil, faz meio s\u00e9culo<\/strong>\n\nCom base em numerosas e curtas visitas a grupos locais de diferentes \u00e1reas geogr\u00e1ficas, de 1946 a 1954, a etnografia de Egon Schaden tem o m\u00e9rito de ser um dos raros trabalhos, talvez o \u00fanico, que nos d\u00e1 uma vis\u00e3o geral da cultura dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, pelo menos daqueles estabelecidos no Brasil.\n\nEle esteve entre os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0do litoral (Rio Branco, Bananal e Itariri) e do interior (Ararib\u00e1) do Estado de S\u00e3o Paulo, do oeste do Paran\u00e1 (Laranjinha), de Mato Grosso do Sul (Dourados, Panambi, Amamba\u00ed, Taquapiri e Jacare\u00ed) e tamb\u00e9m do Paraguai (Paso Yovai), al\u00e9m de entrevistar aqueles que visitavam S\u00e3o Paulo e S\u00e3o Vicente (: xi-xii).\n\nSchaden come\u00e7a pelo aspecto f\u00edsico, lembra o abandono do furo labial para a inser\u00e7\u00e3o do tembet\u00e1 pelos nhandevas, mas a sua manuten\u00e7\u00e3o por boa parte dos mbi\u00e1s e mais ainda pelos caiu\u00e1s (: 19).\n\nA aceita\u00e7\u00e3o do casamento com civilizados (o mais freq\u00fcentemente de mulher ind\u00edgena com homem sertanejo) n\u00e3o eram raras no caso dos nhandevas, mas evitadas pelos mbi\u00e1s, sob alega\u00e7\u00e3o de que estranhos n\u00e3o poderiam participar satisfatoriamente das cerim\u00f4nias religiosas (: 22-3).\n\nOs\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0viviam em pequenas casas destinadas a fam\u00edlias elementares. Schaden ainda viu tr\u00eas casas grandes de estilo antigo em aldeias caiu\u00e1s (: 25-8).\n\nDescreve tamb\u00e9m as pe\u00e7as do vestu\u00e1rio tradicional que ainda usavam (: 31-5), mais numerosas entre os caiu\u00e1s. Sobre os ombros os homens caiu\u00e1s usavam o ponchito, isto \u00e9, um poncho pequeno; cobriam-se da cintura at\u00e9 abaixo dos joelhos com o txirip\u00e1, um ret\u00e2ngulo de pano com franjas em tr\u00eas lados (j\u00e1 havia desaparecido uma outra pe\u00e7a menor, que lhe era alternativa, chamada tamb\u00e9a\u00f3); traziam na cintura a faixa txumb\u00e9 (tinham tamb\u00e9m um cinto ricamente ornamentado chamado k\u00fa\u00e1kuah\u00e1, mas de uso exclusivamente ritual); nos p\u00e9s tinham sand\u00e1lias com solas de pneu, chamadas aparato, corruptela de \u201calpargata\u201d.\n\nAo txirip\u00e1 dos homens correspondia a ent\u00e3o j\u00e1 desaparecida pe\u00e7a feminina tup\u00e1i; tamb\u00e9m j\u00e1 n\u00e3o mais existia a vata, ou seja, \u201cbata\u201d, uma blusa com mangas, de uso feminino.\n\nOs nhandevas de Mato Grosso do Sul usavam algumas pe\u00e7as semelhantes \u00e0s dos caiu\u00e1s, mas no litoral de S\u00e3o Paulo n\u00e3o guardavam nenhuma. A\u00ed, entretanto, as mulheres usavam o tip\u00f3i, um saco que as cobria at\u00e9 meia canela, com orif\u00edcios para a cabe\u00e7a e os bra\u00e7os.\n\nOs homens mbi\u00e1s no Brasil j\u00e1 n\u00e3o guardavam nenhuma pe\u00e7a tradicional, mas no Paraguai tinham o tamb\u00e9a\u00f3, pe\u00e7a diferente da hom\u00f4nima caiu\u00e1, pois era uma faixa de tecido que passava entre as pernas, presa \u00e0 cintura por um cinto de couro ou algod\u00e3o, por sobre o qual caiam uma ponta para a frente e outra para tr\u00e1s.\n\nNo litoral de S\u00e3o Paulo (Itariri) essa pe\u00e7a era usada por debaixo das cal\u00e7as. As mulheres cobriam-se com a typ\u00fddja\u00e1, menos ampla que a tup\u00e1i caiu\u00e1, desde logo abaixo dos seios; no litoral de S\u00e3o Paulo (Itariri) algumas a usavam debaixo do vestido.\n\nNa agricultura destaca Schaden o milho, importante no calend\u00e1rio ritual, a ponto de se poder falar numa \u201creligi\u00e3o do milho\u201d (: 43).\n\nPlantavam o milho mole ou sabor\u00f3 para consumo interno e elabora\u00e7\u00e3o de bebida fermentada, que os mbi\u00e1s n\u00e3o faziam (: 57, nota 10), e o duro, destinado \u00e0 comercializa\u00e7\u00e3o.\n\nO feij\u00e3o era cultivado duas vezes por ano, uma delas junto com o milho (\u201cfeij\u00e3o das \u00e1guas\u201d). Al\u00e9m disso plantavam a cana-de-a\u00e7\u00facar, amendoim, mandioca (: 38-9) e ainda batata-doce, ab\u00f3bora, morango (ab\u00f3bora-moranga), algod\u00e3o (: 42).\n\nSchaden reproduz uma interessante explica\u00e7\u00e3o dada por um nhandeva sobre os cuidados tomados para evitar a degeneresc\u00eancia do milho (: 41-2), que, embora n\u00e3o pare\u00e7a concordar inteiramente com a moderna Gen\u00e9tica, implica, de qualquer modo, numa sele\u00e7\u00e3o das sementes a serem cultivadas.\n\nA mandioca utilizada era geralmente a mansa (macaxeira ou aipim), a n\u00e3o ser no litoral de S\u00e3o Paulo, onde, por influ\u00eancia dos cai\u00e7aras, faziam a farinha de mandioca brava (: 43).\n\nUma planta de largo uso ritual era o urucu (: 45). O tabaco era usado pelos caiu\u00e1s sob a forma de rap\u00e9, colocado entre o l\u00e1bio interior e a gengiva. Os tr\u00eas ramos dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0faziam uso de cachimbos.\n\nOs mbi\u00e1s fumavam cigarros e os ofereciam at\u00e9 a crian\u00e7as bem pequenas, que, por vezes, o rejeitavam, para n\u00e3o ficarem tontas (: 45).\n\nAo tratar do uso das armadilhas na ca\u00e7a e na pesca, da aplica\u00e7\u00e3o dos mbi\u00e1s a esta \u00faltima atividade, causa-nos uma incr\u00e9dula nostalgia a refer\u00eancia de Schaden ao eventual aparecimento de uma vara de porcos selvagens na faixa litor\u00e2nea de S\u00e3o Paulo (: 46-8).\n\nAs atividades agr\u00edcolas de subsist\u00eancia dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0eram at\u00e9 certo ponto prejudicadas pelo trabalho remunerado (\u201cchanga\u201d) que desenvolviam nas terras de fazendeiros e sitiantes, que inclu\u00eda, no Mato Grosso do Sul, a safra da erva-mate (: 39). Faziam tamb\u00e9m a coleta da guavira para as f\u00e1bricas de aguardente e vinagre (: 46).\n\nSchaden notou a decad\u00eancia dos mutir\u00f5es, devido \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da coes\u00e3o dos grupos de vizinhan\u00e7a e aos gastos necess\u00e1rios para alimentar os participantes e sua substitui\u00e7\u00e3o por outras formas de trabalho, como conceder a empreitada a um outro guarani. Por outro lado, o mutir\u00e3o ganhava uma outra fun\u00e7\u00e3o naquelas \u00e1reas onde os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0estavam mais entrosados com os civilizados, que era a de estreitar essas rela\u00e7\u00f5es (: 49-54).\n\nSurgiu, por outro lado, entre aqueles que se dedicavam \u00e0 confec\u00e7\u00e3o de artefatos para turistas e freq\u00fcentadores de praias, a figura do empreendedor guarani, que convocava os companheiros a trabalharem, vendendo seus produtos e empregando parte do lucro em compra de mantimentos para eles (: 53).\n\nApesar disso, Schaden chama a aten\u00e7\u00e3o para a incompatibilidade entre a mentalidade voltada para o lucro e a competi\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica e os ideais religiosos dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0(: 55-6).\n\nDiz-nos Schaden de um grande respeito dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0pelas crian\u00e7as, a ponto de trat\u00e1-las quase como adultos. O n\u00famero de seus brinquedos era reduzido. O dinheiro que ganhavam, gastavam-no como lhes aprazia.\n\nA instru\u00e7\u00e3o formal era descurada, mas n\u00e3o os cuidados m\u00e1gicos para favorecer seu desenvolvimento. A cren\u00e7a na reencarna\u00e7\u00e3o dos nhandevas convergia para esse tipo de atitude, uma vez que chegavam a ver em certas crian\u00e7as o retorno de determinados falecidos (: 59-64).\n\nSchaden toma a prec\u00e1ria estabilidade do casamento como ind\u00edcio da desorganiza\u00e7\u00e3o social dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, com exce\u00e7\u00e3o dos mbi\u00e1s, e a relaciona ao esfacelamento da fam\u00edlia extensa (: 70-1).\n\nAo contr\u00e1rio do comumente esperado entre os tupis, para os quais a m\u00e3e n\u00e3o gera, os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0admitiam que a crian\u00e7a do sexo masculino prov\u00e9m do pai, e a do feminino, da m\u00e3e (: 82-108).\n\nA primeira menstrua\u00e7\u00e3o era marcada pelo corte de cabelo, recolhimento da jovem e evita\u00e7\u00e3o de certos alimentos, sobretudo carne de ca\u00e7a (: 84-6). O rapaz tinha o l\u00e1bio perfurado para o uso do tembet\u00e1, o que n\u00e3o mais se realizava entre os nhandevas e, por decis\u00e3o de um l\u00edder religioso, entre os mbi\u00e1s do litoral de S\u00e3o Paulo (: 89-92).\n\nA par do l\u00edder religioso, pa\u00ed ou \u00f1ander\u00fa, o grupo local contava no Brasil, com um capit\u00e3o nomeado pelo chefe de posto, que se ocupava das rela\u00e7\u00f5es com os brancos e medidas policiais (: 95-101). Vale registrar que, conforme Miguel Bartolom\u00e9 (1991: 34), os nhandevas do Paraguai mant\u00eam alguma lealdade a um \u201cchefe m\u00e1ximo\u201d, chamado Juan Pablo Vera, a quem os \u00edndios acorrem para consultar, viajando dezenas de quil\u00f4metros para expor problemas n\u00e3o solucionados pelos chefes locais, geralmente referentes a pr\u00e1ticas religiosas que precisam de continuar, apesar das press\u00f5es em contr\u00e1rio de mission\u00e1rios cat\u00f3licos e protestantes.\n\nO curioso \u00e9 que os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0visitados em Paso Yovai (Yros\u00e3), no Paraguai, por Egon Schaden, tinham entre eles um velho l\u00edder chamado Pablo Vera (Schaden 1974: xii, 36, 89, 134).\n\nNeste lugar viviam mbi\u00e1s e n\u00e3o nhandevas, devendo tratar-se, portanto, de l\u00edderes distintos.\n\n<strong>A religi\u00e3o guarani<\/strong>\n\nMas \u00e9 \u00e0 religi\u00e3o aquele aspecto de sua cultura a que os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0mais se dedicam e, por isso, tem recebido mais aten\u00e7\u00e3o dos pesquisadores.\n\nSchaden aponta o contraste entre uma fixidez e uniformidade not\u00e1veis no conjunto das doutrinas privativas dos sacerdotes, de um lado, e representa\u00e7\u00f5es religiosas p\u00fablicas sujeitas a grande varia\u00e7\u00e3o, de outro (: 107).\n\nUm tema sempre levantado \u00e9 o quanto de influ\u00eancia crist\u00e3 sobre a religi\u00e3o dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, uma vez que uma boa parte deles descende daqueles que viveram nas miss\u00f5es jesu\u00edticas.\n\nA cren\u00e7a numa divindade suprema e criadora, o uso freq\u00fcente da cruz, a rela\u00e7\u00e3o entre o destino da alma e a responsabilidade moral do indiv\u00edduo, por exemplo.\n\nEntretanto, sua vis\u00e3o de mundo est\u00e1 fundada numa cosmogonia pr\u00f3pria, de que faz parte o mito dos g\u00eameos Sol e Lua, que o livro de Miguel Bartolom\u00e9, referente aos nhandevas, examina em detalhe.\n\nVale notar que esse mito apresenta v\u00e1rios epis\u00f3dios que se podem encontrar entre ind\u00edgenas muito distantes, como os teneteharas do Maranh\u00e3o, no mito do Kwar\u00fap dos camaiur\u00e1s do alto Xingu, e at\u00e9 entre \u00edndios n\u00e3o-tupis, como os marubos do sudoeste do Amazonas.\n\nOutro tema \u00e9 o da multiplicidade ou dualidade de almas e a possibilidade da reencarna\u00e7\u00e3o. Esta \u00e9 plenamente admitida pelos nhandevas, reservada somente \u00e0s crian\u00e7as cuja morte seja muito sentida pela fam\u00edlia segundo os caiu\u00e1s, e negada pelos mbi\u00e1s (: 109-110).\n\nPara os nhandevas h\u00e1 pelo menos duas almas. Uma, associada \u00e0 fala, portanto \u00e0 comunica\u00e7\u00e3o entre seres humanos, relaciona-se aos desejos, sentimentos e manifesta\u00e7\u00f5es mais nobres do indiv\u00edduo. Destina-se ao c\u00e9u, caso n\u00e3o volte a se reencarnar. A outra corresponde mais ao temperamento e fica vagando pela terra depois da morte, como ser perigoso, se n\u00e3o vier a reencarnar-se juntamente com a primeira (: 110-115).\n\nOs mbi\u00e1s admitem a exist\u00eancia de pelo menos tr\u00eas almas. Uma ben\u00e9vola e outra mal\u00e9vola produzem manifesta\u00e7\u00f5es referentes a outras pessoas, estejam pr\u00f3ximas ou a grande dist\u00e2ncia.\n\nA terceira protege a pessoa de que \u00e9 integrante.\n\nA pessoa morre se todas as almas a abandonam ao mesmo tempo. Por\u00e9m, tal como entre os nhandevas, o que est\u00e1 em jogo \u00e9 um dualismo das inclina\u00e7\u00f5es sociais e anti-sociais.\n\nA parte boa da pessoa vagueia numa regi\u00e3o intermedi\u00e1ria at\u00e9 que se complete a decomposi\u00e7\u00e3o do corpo, depois do que entra no C\u00e9u. A parte m\u00e1 erra pela terra como assombra\u00e7\u00e3o (: 115-7).\n\nOs caiu\u00e1s tamb\u00e9m t\u00eam uma concep\u00e7\u00e3o dualista da alma. s\u00f3 que a menos boa n\u00e3o nasce com a pessoa; vai-se formando ao longo de sua exist\u00eancia terrena (: 117-8).\n\nUm terceiro tema \u00e9 o das freq\u00fcentes rezas. A reza, porah\u00eai, ora \u00e9 comunit\u00e1ria, ora familiar, dirigidas pelo nhander\u00fa ou pelo chefe da fam\u00edlia, umas s\u00e3o antigas, transmitidas por ensinamento, outras s\u00e3o de posse individual, aprendidas de um esp\u00edrito protetor, em sonho. S\u00f3 os caiu\u00e1s n\u00e3o disp\u00f5em desta \u00faltima modalidade.\n\nAs coletivas s\u00e3o em linguagem arcaica, mas ainda compreens\u00edvel aos conhecedores. Os homens as cantam com seus marac\u00e1s, enquanto as mulheres batem no ch\u00e3o com um grosso e longo tubo de taquara.\n\nO nhander\u00fa distingue-se dos demais pela maior quantidade de rezas que possui.\n\nAbstin\u00eancia de carne e, em determinadas circunst\u00e2ncias, a pr\u00e1tica da castidade est\u00e3o entre os procedimentos para tornar-se um nhander\u00fa.\n\nSobre o nhander\u00fa ou pa\u00ed nhandeva pode-se encontrar mais detalhes no livro de Miguel Bartolom\u00e9 (1991), que o inclui na categoria de xam\u00e3.\n\nAs rezas t\u00eam finalidades pr\u00e1ticas, de interesse coletivo ou individual, principalmente para propiciar o plantio e desenvolvimento do milho. Schaden n\u00e3o d\u00e1 exemplos de rezas menos voltadas a fins pr\u00e1ticos.\n\nSua reiterada afirma\u00e7\u00e3o do misticismo guarani \u00e9 contrabalan\u00e7ada com a revela\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia da reza de fazer mal e da pr\u00e1tica de feiti\u00e7o (: 124-8). Nos grupos locais muito atingidos pela desorganiza\u00e7\u00e3o social, a reza ainda se pratica em fam\u00edlia; mas em Dourados Schaden nunca ouviu um nhandeva cantar sua reza (: 118-24).\n\nFinalmente, talvez o mais marcante de todos os temas \u00e9 a busca da Terra sem Males. Essa procura foi motivo de muitas das migra\u00e7\u00f5es dos grupos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>.\n\nAl\u00e9m de ser um modo de fugir \u00e0 poss\u00edvel implos\u00e3o do mundo, a busca desse lugar de bem-aventuran\u00e7a parece ter sido estimulada pela insatisfa\u00e7\u00e3o dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0com as condi\u00e7\u00f5es em que vivem perante os brancos.\n\nA cren\u00e7a tem diferentes nuances, conforme se trate dos nhandevas, caiu\u00e1s ou mbi\u00e1s, e as migra\u00e7\u00f5es que provocaram afetaram esses distintos subgrupos em momentos diversos (: 161-77).\n\n<strong>Os guaranis e a teoria<\/strong>\n\nA etnografia guarani tem suscitado v\u00e1rios problemas. Um deles \u00e9 saber at\u00e9 que ponto os jesu\u00edtas deixaram sua marca nas cren\u00e7as ind\u00edgenas atuais. A venera\u00e7\u00e3o da cruz, uma divindade principal e criadora, enfim o lugar central que ocupam as atividades e cren\u00e7as religiosas no cotidiano dos\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0t\u00eam sido objeto dessa discuss\u00e3o.\n\nOutra quest\u00e3o \u00e9 a da modifica\u00e7\u00e3o do sistema de parentesco, que se sup\u00f5e admitisse no passado o casamento com a filha da irm\u00e3. Tema hoje um tanto esquecido, foi discutido por Watson (1952).\n\nO fato de o guarani atual manter-se alheio a certos valores da civiliza\u00e7\u00e3o ocidental tem levado os brancos e outros \u00edndios com que t\u00eam contato a situ\u00e1-los de modo bastante desfavor\u00e1vel.\n\nO antigo Servi\u00e7o de Prote\u00e7\u00e3o aos \u00cdndios, por exemplo, transferiu \u00edndios terenas para o interior de S\u00e3o Paulo, a fim de estimularem os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0a se \u201ccivilizarem\u201d.\n\nNas reservas da regi\u00f5es sudeste e sul do Brasil, os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0vivem ao lado de \u00edndios de outras etnias, o mais freq\u00fcentemente caingangues; mesmo nas reservas criadas primordialmente para abrigar os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>, eles s\u00e3o colocados em posi\u00e7\u00e3o hierarquicamente inferior pelas outras etnias.\n\nMas, talvez, o tema guarani que mais discuss\u00e3o tenha provocado entre os estudiosos seja a procura da Terra sem Males. A princ\u00edpio, o exemplo guarani, ou tupi, de um modo geral, serviu para mostrar que as cren\u00e7as messi\u00e2nicas n\u00e3o t\u00eam de estar necessariamente ligadas \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de contato com a sociedade ocidental, podem preexistir a ela. Depois, a busca da Terra sem Males serviu de base \u00e0 teoria de Clastres segundo a qual consistiria num mecanismo que impediria o aparecimento do Estado.\n\nVale notar, por outro lado, que autores como Susnik e Meli\u00e0 parecem admitir que a cren\u00e7a na Terra sem Males era a principio um pouco mais voltada para este mundo. Seria a terra prop\u00edcia para os\u00a0<strong>guaranis<\/strong>\u00a0se estabelecerem e desenvolverem todas as suas expectativas culturais do que entendiam por bem viver. Na medida em que a conquista europ\u00e9ia, ao mesmo tempo em que os submetia, instalava um sistema predat\u00f3rio dos recursos naturais, a Terra sem Males foi deixando de ser procurada neste mundo e se tornou cada vez mais m\u00edstica.\n\n<strong>Guerra Guaran\u00edtica &#8211; Hist\u00f3ria de San Angel Cust\u00f3dio<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159320 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra15.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"230\" \/><strong>Guerra Guaran\u00edtica<\/strong><\/p>\n<strong>San Angel Cust\u00f3dio<\/strong>\u00a0integra o conjunto dos Trinta Povos Guarani, entre funda\u00e7\u00f5es, deslocamentos e a estrutura definitiva das Redu\u00e7\u00f5es Jesu\u00edtico- Guarani, a redu\u00e7\u00e3o de San Angel, uma das \u00faltimas, foi fundada em 12 de agosto de 1706 pelo Padre Diogo Hase.\n\nA origem de San Angel deu-se pela necessidade de deslocamento de parte dos habitantes da Redu\u00e7\u00e3o de Concepci\u00f3n (hoje territ\u00f3rio argentino localizado na Prov\u00edncia de Misiones) que, em 1706, alcan\u00e7ava mais de 5.600 pessoas, e em m\u00e9dia, os povoados missioneiros comportavam de dois a cinco mil \u00edndios.\n\nOutro motivo apresentado para a funda\u00e7\u00e3o de San Angel foi o medo de que doen\u00e7as poderiam alastrar-se e dizimar a popula\u00e7\u00e3o de Concepci\u00f3n (CARBONEL DE MASY, 1992: 97).\n\nA funda\u00e7\u00e3o de San Angel, confirmada por pesquisas bibliogr\u00e1ficas e documentais a data de 12 de agosto de 1706, entre os rios Iju\u00ed Grande e Ijuizinho, por\u00e9m o local escolhido n\u00e3o oferecia condi\u00e7\u00f5es favor\u00e1veis para a expans\u00e3o do povoado e, no ano seguinte, foi transferido mais para o norte, onde hoje se encontra o munic\u00edpio de mesmo nome (Santo \u00c2ngelo).\n\nA escolha dos terrenos para localiza\u00e7\u00e3o dos povoados missioneiros era feita com cuidado pelos Jesu\u00edtas, pois deveriam ter solos f\u00e9rteis, presen\u00e7a de \u00e1gua, vegeta\u00e7\u00e3o e uma grande preocupa\u00e7\u00e3o com a defesa, dando preferencia a lugares altos, com matas, que poderiam servir de esconderijos.\n\nQuanto \u00e0 denomina\u00e7\u00e3o dada a San Angel Cust\u00f3dio, sabe-se que os Jesu\u00edtas costumavam adotar nomes de santos que eram considerados padroeiros dos povoados. Na literatura religiosa, \u00e9 considerado como anjo da guarda.\n\nNa Espanha, a data consagrada ao anjo da guarda \u00e9 2 de outubro. Isso permite deduzir que na redu\u00e7\u00e3o de San Angel a festa em homenagem ao padroeiro se realiza nesta data, tradi\u00e7\u00e3o que se mant\u00e9m at\u00e9 hoje.\n\nCom rela\u00e7\u00e3o ao crescimento populacional da redu\u00e7\u00e3o, se enquadra em alta natalidade e uma mortalidade reduzida, trazendo um saldo positivo de crescimento natural. M\u00e9dia de 4.199 habitantes e, no auge do desenvolvimento, mais ou menos 5.417 habitantes. A partir de 1768, a popula\u00e7\u00e3o de San Angel, como as demais, come\u00e7a a decrescer, chegando a 1827 com apenas 103 habitantes.\n\nComo as demais redu\u00e7\u00f5es, a de San Angel seguia basicamente a mesma distribui\u00e7\u00e3o espacial. Hoje s\u00e3o in\u00fameras as an\u00e1lises feitas por estudiosos que, segundo Cardiel, buscam descobrir o modelo para a forma dos povoados guaran\u00edticos missioneiros.\n\nPal\u00e1cios (1991: 131) diz que foi inspirado no greco-romano que originou o plano renascentista espanhol levado para a Am\u00e9rica, o modelo urbanista das Miss\u00f5es era em forma de plano damero, que se baseava em toda uma legisla\u00e7\u00e3o que continha recomenda\u00e7\u00f5es para funda\u00e7\u00e3o dos povoados.\n\nSegundo Cabrer, Santo \u00c2ngelo n\u00e3o correspondia totalmente \u00e0s demais redu\u00e7\u00f5es, o Cotigua\u00e7u estaria localizado no estremo sul do povoado e a igreja voltada para o sul e n\u00e3o para o norte.\n\nConforme registros feitos pelo Padre Antonio Sepp, o material utilizado na constru\u00e7\u00e3o da igreja foi a pedra cupim (itacuru), que era s\u00f3 escavar a terra para encontr\u00e1-la. Em 1828, a igreja estava em p\u00e9ssimo estado de conserva\u00e7\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o deixava de mostrar a sua beleza, assemelhava-se \u00e0s demais igrejas missioneiras.\n\nAs casas dos \u00edndios eram constru\u00eddas com taipas (taquara com barro) ou com adobes (tijolos de barro seco ao sol) colocados sobre fileiras de pedras at\u00e9 uma certa altura para proteger da umidade. As cobertas eram de telhas.\n\nComo as demais redu\u00e7\u00f5es, a de Santo \u00c2ngelo ressalta-se, tamb\u00e9m na pintura, na escultura, no importante papel da evangeliza\u00e7\u00e3o dos Guarani missioneiros. O trabalho art\u00edstico tinha car\u00e1ter did\u00e1tico, \u00fatil \u00e0 evangeliza\u00e7\u00e3o, utilizando a estatu\u00e1ria para transmitir mensagens visuais aos ind\u00edgenas, complementar o ensino da catequese as imagens de Cristo, dos anjos e dos santos de devo\u00e7\u00e3o.\n\nA economia das Redu\u00e7\u00f5es visava \u00e0 autosufici\u00eancia e cada povoado dispunha de recursos diferenciados, com sistema de interc\u00e2mbio entre as Redu\u00e7\u00f5es de suas produ\u00e7\u00f5es para suplementa\u00e7\u00e3o das necessidades de cada um. Mais tarde, com a produ\u00e7\u00e3o excedente, as Redu\u00e7\u00f5es passaram a comercializar, permitindo, assim, o pagamento dos tributos reais e a aquisi\u00e7\u00e3o de armas e outros produtos.\n\nA Redu\u00e7\u00e3o de Santo \u00c2ngelo comercializava erva-mate e algod\u00e3o. No aspecto econ\u00f4mico das Redu\u00e7\u00f5es, destacava-se a singularidade e o desenvolvimento alcan\u00e7ado pelos povoados do Guarani, administrados por Jesu\u00edtas, onde o aproveitamento simult\u00e2neo e racional de recursos agr\u00edcolas, pecu\u00e1rios e florestais, de atividades artesanais e industriais, transforma-se em um ambiente favor\u00e1vel e fundamental para proporcionar a satisfa\u00e7\u00e3o das necessidades b\u00e1sicas dos Guarani nos povoados.\n\nA organiza\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-administrativa de Santo \u00c2ngelo, como das demais, estava inserida na esfera jur\u00eddica da administra\u00e7\u00e3o colonial espanhola, mesclando elementos tradicionais da sociedade Guarani com institui\u00e7\u00f5es da cultura espanhola, mas que adquire aspectos originais. O Cabildo, sede administrativa, adaptado para a sociedade guaran\u00edtica, garantia a seguran\u00e7a externa, mantinha a ordem interna e as fun\u00e7\u00f5es eram desempenhadas por caciques ind\u00edgenas e Jesu\u00edtas.\n\nA decad\u00eancia de Santo \u00c2ngelo, assim como as demais dos povoados missioneiros da banda oriental do rio Uruguai, inicia com a assinatura do Tratado de Madrid, em 1750, que delimitava fronteiras entre Portugal e Espanha. Nessa negocia\u00e7\u00e3o as terras dos Sete Povos eram trocadas pelas terras da Col\u00f4nia do Sacramento.\n\nNa tentativa de transfer\u00eancia dos \u00edndios dos Sete Povos para terras espanholas, a resist\u00eancia dos \u00edndios em abandonar seus povoados, planta\u00e7\u00f5es, etc., fez com que os mesmos se rebelassem, tentando defender suas terras dos portugueses, originando-se, assim, a difama\u00e7\u00e3o dos Jesu\u00edtas na Am\u00e9rica e na Europa, acusados de serem os respons\u00e1veis pela resist\u00eancia dos \u00edndios.\n\nMuitas negocia\u00e7\u00f5es entre \u00edndios, portugueses e espanh\u00f3is foram realizadas, mas em v\u00e3o. \u00c9 deflagrada a Guerra Guaran\u00edtica em 1754. Batalhas acontecem, queima de postos, mortes de muitos \u00edndios.\n\nUma das maiores batalhas dessa guerra foi a de Caiboat\u00e9, em 1756, onde as tropas guaran\u00edticas foram derrotadas, e \u00e9 quando inicia a debandagem e o abandono de seus povoados.\n\nOs ex\u00e9rcitos portugueses e espanh\u00f3is v\u00e3o tomando os povoados para assegurar a partida dos \u00edndios.\n\nA expuls\u00e3o dos Jesu\u00edtas, em 1768, muda as diretrizes administrativas, pois os novos administradores, religiosos de outras ordens e civis, n\u00e3o estavam preparados e a economia, educa\u00e7\u00e3o e a religi\u00e3o entram em decl\u00ednio.\n\nA situa\u00e7\u00e3o de servid\u00e3o dos \u00edndios levou os mesmos a procurar trabalho como pe\u00f5es.\n\n<strong>Repovoamento de Santo \u00c2ngelo<\/strong>\n\nA primeira tentativa de povoamento foi logo ap\u00f3s o Tratado de Madrid pelo governo luso, trazendo casais a\u00e7orianos que aguardavam em Viam\u00e3o, Rio Grande e Porto Alegre.\n\nA retirada dos \u00edndios dos povoados missioneiros se fez para dar continuidade ao processo de coloniza\u00e7\u00e3o desse espa\u00e7o, mas esse processo fracassou devido aos acontecimentos como a Guerra Guaran\u00edtica, por exemplo.\n\nEm 1824, novos projetos de coloniza\u00e7\u00e3o, do governo do Estado, trazendo uma leva de imigrantes alem\u00e3es que se instalou em S\u00e3o Jo\u00e3o. Em 1831, come\u00e7am a chegar fam\u00edlias paulistas (portuguesas), adquirindo grandes \u00e1reas de terras, as sesmarias, por volta de 1850\/1860.\n\n<strong>Foram considerados grandes latifundi\u00e1rios:\u00a0<\/strong>Francisco de Paula e Silva, Ant\u00f4nio Manoel de Oliveira, Francisco Corr\u00eaa Taborda, Alfredo Pinheiro Machado, Bento Barbosa de Lima, Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Antunes, entre outros. Desses, dois resolveram restaurar o povoado de Santo \u00c2ngelo, em 1859, Ant\u00f4nio Manoel de Oliveira e Alfredo Pinheiro Machado que, limpando o espa\u00e7o da antiga redu\u00e7\u00e3o, encontraram vest\u00edgios da igreja e de outras constru\u00e7\u00f5es do per\u00edodo Jesu\u00edtico-Guarani, iniciando, assim, a nova Santo \u00c2ngelo.\n\nOficialmente, as terras de Santo \u00c2ngelo at\u00e9 1822 pertenciam ao munic\u00edpio de Rio Pardo. A partir da\u00ed, passaram a integrar o novo munic\u00edpio de Cachoeira do Sul. Em 1857, com emancipa\u00e7\u00e3o de Cruz Alta, Santo \u00c2ngelo passa a integrar o novo munic\u00edpio. E, em 22 de mar\u00e7o de1873, pela Lei provincial n\u00famero 835, Santo \u00c2ngelo foi elevado \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Vila e sede do munic\u00edpio, desmembrando suas terras dos munic\u00edpios de Cruz Alta e S\u00e3o Borja.\n\nHoje Santo \u00c2ngelo possui uma popula\u00e7\u00e3o estimada em torno de 76.000 habitantes, formada por uma grande diversidade \u00e9tnica. A base econ\u00f4mica do munic\u00edpio \u00e9 o com\u00e9rcio, a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os, pequenas ind\u00fastrias e a atividade agropastoril.\n\n<strong>Atualmente, o munic\u00edpio de Santo \u00c2ngelo integra a Rota Miss\u00f5es, um dos roteiros tur\u00edsticos da regi\u00e3o missioneira, onde, neste munic\u00edpio, pode-se visitar atrativos como:<\/strong>\n\nCatedral Angelopolitana \u2013 constru\u00edda no mesmo espa\u00e7o da antiga igreja jesu\u00edtico-guarani, a partir de 1929, sendo conclu\u00edda no final da d\u00e9cada de 1950. O estilo da igreja lembra a arquitetura das igrejas missioneiras.\n\nEm seu interior, possui uma escultura do per\u00edodo missioneiro e que retrata a imagem de Cristo, esculpida em madeira; um painel retratando a saga missioneira do artista pl\u00e1stico Tadeu Martins. No p\u00f3rtico da igreja, encontram-se esculturas feitas pelo escultor austr\u00edaco Valentin Von Adamovichi, em pedra gr\u00eas, retratando os sete padroeiros dos Sete Povos das Miss\u00f5es.\n\n<strong>Museu Municipal Doutor Jos\u00e9 Olavo Machado:\u00a0<\/strong>O pr\u00e9dio que hoje abriga o museu foi constru\u00eddo entre 1870\/1880, foi resid\u00eancia do \u00faltimo intendente de Santo \u00c2ngelo, Ulisses Rodrigues. O museu foi inaugurado em 1985, abriga v\u00e1rias etapas da Hist\u00f3ria de Santo \u00c2ngelo desde o pr\u00e9-jesu\u00edtico, o per\u00edodo jesu\u00edtico-guarani at\u00e9 o repovoamento de Santo \u00c2ngelo, com um espa\u00e7o do museu destinado a exposi\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias.\n\n<strong>Memorial da Coluna Prestes:\u00a0<\/strong>O pr\u00e9dio que abriga o memorial hoje foi a antiga Esta\u00e7\u00e3o Ferrovi\u00e1ria de Santo \u00c2ngelo, constru\u00edda a partir de 1917, inaugurada em 1921.\nDesde dezembro de 1996, abriga o Memorial da Coluna Prestes que retrata o maior movimento revolucion\u00e1rio invicto da hist\u00f3ria mundial, que partiu de Santo \u00c2ngelo em outubro de 1924. Ao lado do memorial, funciona o museu ferrovi\u00e1rio.\n\n<strong>Capela do Col\u00e9gio Teresa Verzeri:\u00a0<\/strong>Em seu interior, possui pintura sacra do italiano Em\u00edlio Sessa.\n\n<strong>Centro de Cultura Missioneira:\u00a0<\/strong>Localizado no campus da URI, oferece sess\u00e3o de v\u00eddeos sobre a Hist\u00f3ria das Miss\u00f5es, possui uma biblioteca setorial com excelente acervo sobre a Hist\u00f3ria do Rio Grande do Sul e Miss\u00f5es, entre outros.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.geocities.com\/www.urisan.tche.br\/www.terragaucha.com.br\/EncBrasil\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra Guaran\u00edtica, Brasil, Hist\u00f3ria, Causa, Consequ\u00eancia, Resist\u00eancia, Guaranis, Ind\u00edgenas, L\u00edder, Religi\u00e3o, Conquista, Guerra Guaran\u00edtica<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9414,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25906","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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