{"id":25901,"date":"2015-12-21T00:00:00","date_gmt":"2015-12-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-dos-emboabas-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:56:58","modified_gmt":"2026-09-01T17:56:58","slug":"guerra-dos-emboabas-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/guerra-dos-emboabas-4\/","title":{"rendered":"Guerra dos Emboabas"},"content":{"rendered":"\n<strong>Guerra dos Emboabas &#8211; Hist\u00f3ria Brasil<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Guerra dos Emboabas\u00a0<\/strong>foi um conflito entre mineradores paulistas, de um lado, e comerciantes portugueses e brasileiros de outras regi\u00f5es, de outro, pelo acesso \u00e0s minas de ouro de Minas Gerais.\n\nEm 1708, mineradores paulistas e sertanejos op\u00f5em-se \u00e0 presen\u00e7a de forasteiros portugueses e brasileiros, chamados de\u00a0<strong>emboabas\u00a0<\/strong>(do tupi buabas, aves com penas at\u00e9 os p\u00e9s, em refer\u00eancia \u00e0s botas que usavam), na zona mineradora de Minas Gerais.\n\nComo descobridores das minas, os paulistas alegam ter direito preferencial sobre a extra\u00e7\u00e3o.\n\nPara garantir o acesso ao ouro, os emboabas atacam Sabar\u00e1 sob o comando de Manuel Nunes Viana.\n\nCerca de 300 paulistas contra-atacam, mas acabam se rendendo.\n\nO chefe emboaba Bento do Amaral Coutinho desrespeita o acordo de rendi\u00e7\u00e3o e, em 1709, mata dezenas de paulistas no local que fica conhecido como Cap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o.\n\nPara consolidar seu controle sobre a regi\u00e3o, Portugal cria a capitania de S\u00e3o Paulo e das Minas do Ouro.\n\nA\u00a0<strong>Guerra dos Emboabas<\/strong>\u00a0foi o \u00fanico movimento do Brasil Col\u00f4nia no qual h\u00e1 a participa\u00e7\u00e3o da classe m\u00e9dia.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas &#8211; Ouro<\/strong>\n\nQuando as not\u00edcias da descoberta de ouro em Minas Gerais se espalharam pelo Brasil e chegaram a Portugal, milhares de pessoas acorreram \u00e0 regi\u00e3o.\n\nNo livro Cultura e opul\u00eancia do Brasil por suas Drogas e Minas, do padre Jo\u00e3o Ant\u00f4nio Andreoni (Antonil), editado em 1711, encontramos a seguinte refer\u00eancia ao afluxo de pessoas a Minas Gerais.\n<p align=\"center\">\u201cA sede do ouro estimulou tantos a deixarem suas terras e a meterem-se por caminhos t\u00e3o \u00e1speros como s\u00e3o os das minas, que dificultosamente se poder\u00e1 dar conta do n\u00famero de pessoas que atualmente l\u00e1 est\u00e3o\u2026\u201d<\/p>\nO afluxo de forasteiros desagradou os paulistas. Por terem descoberto as minas e por elas se encontrarem em sua capitania, os paulistas reivindicaram direito exclusivo de explor\u00e1-las. Entre 1708 e 1709, ocorreram v\u00e1rios conflitos armados na zona aur\u00edfera, envolvendo de um lado paulistas e de outro portugueses e elementos vindos de v\u00e1rios pontos do Brasil.\n\nOs paulistas referiam-se aos rec\u00e9m-chegados com o apelido pejorativo de emboabas. Os emboabas aclamaram o riqu\u00edssimo portugu\u00eas Manuel Nunes Viana como governador das Minas. Nunes Viana, que enriquecera com o contrabando de gado para a zona mineira, foi hostilizado por Manuel de Borba Gato, um dos mais respeitados paulistas da regi\u00e3o. Nos conflitos que se seguiram, os paulistas sofreram v\u00e1rias derrotas e foram obrigados a abandonar muitas minas.\n\nUm dos epis\u00f3dios mais importantes da Guerra dos Emboabas foi o massacre de paulistas pelos embobas, no chamado Cap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o. Nas proximidades da atual cidade de S\u00e3o Jo\u00e3o del-Rei, um grupo de paulistas chefiados por Bento do Amaral Coutinho. Este prometeu aos paulistas que lhes pouparia a vida, caso se rendessem. Entretanto, quando eles entregaram suas armas, foram massacrados impiedosamente.\n\nEm repres\u00e1lia, os paulistas organizaram uma tropa de mais ou menos 1 300 homens. Essa for\u00e7a viajou para Minas com o objetivo de aniquilar os emboabas, mas n\u00e3o chegou a atingir aquela capitania.\n\nA guerra favoreceu os emboabas e fez os paulistas perderem v\u00e1rias minas. Por isso, eles partiram em busca de novas jazidas; em 1718 encontraram ricos campos aur\u00edferos em Mato Grosso.\n\n<b>Estas foram as principais consequ\u00eancias\u00a0da Guerra dos Emboabas:<\/b>\n<blockquote>Cria\u00e7\u00e3o de normas que regulamentam a distribui\u00e7\u00e3o de lavras entre emboabas e paulistas e a cobran\u00e7a do quinto.\nCria\u00e7\u00e3o da capitania de S\u00e3o Paulo e das Minas de Ouro, ligada diretamente \u00e0 Coroa, independente portanto do governo do Rio de Janeiro (3 de novembro de 1709).\nEleva\u00e7\u00e3o da vila de S\u00e3o Paulo \u00e0 categoria de cidade\nPacifica\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o das minas, com o estabelecimento do controle administrativo da metr\u00f3pole.<\/blockquote>\n<strong>Mem de S\u00e1<\/strong>\n\nUm dos principais acontecimentos durante o governo de Mem de S\u00e1, sucessor de Duarte da Costa, foi a expuls\u00e3o dos franceses no Rio de Janeiro.\n\nOs invasores tinham estabelecido rela\u00e7\u00f5es cordiais com os ind\u00edgenas, incitando-os contra os portugueses.\n\nEm 1563, os jesu\u00edtas Jos\u00e9 de Anchieta e Manuel de N\u00f3brega conseguiram firmar a paz entre os portugueses e os \u00edndios tamoios, que amea\u00e7avam a seguran\u00e7a de S\u00e3o Paulo e de S\u00e3o Vicente.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas:<\/strong>\u00a0corrida de ouro e sangue\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159309 size-full\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"531\" height=\"264\" \/><strong>Guerra dos Emboabas<\/strong><\/p>\nNo final do s\u00e9culo XVII e no come\u00e7o do s\u00e9culo XVIII, o a\u00e7\u00facar atravessou uma grave crise devido \u00e0 concorr\u00eancia de Barbados, de maneira que a descoberta das minas encontrou uma resson\u00e2ncia favor\u00e1vel entre os elementos quase arruinados, que viram nelas o meio de recuperar a prosperidade que o a\u00e7\u00facar n\u00e3o mais lhes proporcionava.\n\nRocha Pitta informa que as primeira levas de povoadores provinham justamente da zona a\u00e7ucareira. \u201cO ouro das minas do sul foi a pedra im\u00e3 da gente do Brasil e com t\u00e3o veemente atra\u00e7\u00e3o, que muita parte dos moradores das suas capitanias, principalmente da Bahia correram a busc\u00e1-la levando escravos que ocupavam em lavouras, posto que menos ricos para ostenta\u00e7\u00e3o mas necess\u00e1rios para a vida, se a ambi\u00e7\u00e3o dos homens n\u00e3o trocara quase sempre o mais \u00fatil pelo mais v\u00e3o.\n\nDa sua aus\u00eancia se foi experimentando a falta na carestia dos v\u00edveres e mantimentos, por haverem ficado desertas as fazendas que produziam\u201d (PITTA, S.R, 1976; 241)\n\nA not\u00edcia do descobrimento do ouro correu com velocidade atraindo grande contingente populacional para o territ\u00f3rio compreendido pelas comarcas de Ouro Preto, Rio das Velhas, Serro Frio e Demarca\u00e7\u00e3o Diamantina no centro do atual Estado de Minas Gerais, onde foram surgindo, nas margens dos c\u00f3rregos e rios, os caminhos, as capelas, vendas, ro\u00e7as, arraiais, termos e vilas.\n\nAssociada \u00e0 atividade mineradora surge a popula\u00e7\u00e3o dos criadores de gado nas margens do Rio S\u00e3o Francisco.\n\nOs primeiros foram os paulistas que desde o final do s\u00e9culo XVII e nas duas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XVIII, se espalharam por todas as partes \u00e0 procura de novas jazidas superficiais de ouro.\n\nOs baianos foram os primeiros competidores dos portugueses mas acabam perdendo a batalha que culmina com a mudan\u00e7a da capital para o Rio de Janeiro.\n\nOs paulista eram os filhos de portugueses nascidos no Brasil que seguiam os ideais europeus do usufruto da natureza.\n\nAntes da descoberta do ouro j\u00e1 haviam explorado a escraviza\u00e7\u00e3o de \u00edndios e eliminado o Quilombo dos Palmares. Os forasteiros j\u00e1 eram cada vez mais numerosos, vindos especialmente de Portugal, procedentes, na maior parte, da regi\u00e3o de Braga. N\u00e3o eram bons mineradores. Dedicavam-se mais ao com\u00e9rcio.\n\nConforme relat\u00f3rio da \u00e9poca, \u201cneste estado se achavam as minas, correspondendo o rendimento ao custoso trabalho dos mineiros com rendosas conveni\u00eancias, aumentando de cada vez mais o concurso dos neg\u00f3cios e do povo de v\u00e1rias partes e maiormente de Portugal, entre os quais vieram muitos que, sendo mais ardilosos para o neg\u00f3cio, quiseram inventar contratos de v\u00e1rios g\u00eaneros para, mais depressa e com menos trabalho, encherem as medidas a que aspiravam da incans\u00e1vel ambi\u00e7\u00e3o, como foi um religiosos trino, Frei Francisco de Meneses\u201d. (C\u00f3dice Costa Matoso, 1999; 192) Os primeiro aglomerados n\u00e3o chegavam a formar arraiais em face do nomadismo dos exploradores.\n\n<strong>As primeiras capelas tamb\u00e9m s\u00e3o provis\u00f3rias, sem vig\u00e1rios, em situa\u00e7\u00e3o an\u00e1rquica, como registra o c\u00f3dice Costa Matoso:<\/strong>\u00a0\u201cN\u00e3o se divida que entre tantos bons havia alguns maus, principalmente mulatos, bastardos e carij\u00f3s, que alguns insultos faziam, como os mais fazem ainda nas corte entre a Majestade e as Justi\u00e7as, quanto mais em um sert\u00e3o onde, sem controv\u00e9rsia, campeava a liberdade sem sujei\u00e7\u00e3o a nenhuma lei nem justi\u00e7a a natural observada dos bons\u201d. (C\u00f3dice Costa Matoso. 1999; 193) Os portugueses chegam determinados a expulsar os paulista e ocupar o espa\u00e7o; impor o monop\u00f3lio comercial a todos os produtos consumidos na regi\u00e3o mineradora. Com eles vieram muitos crist\u00e3os-novos.\n\nO choque maior foi contra os paulistas e em seguida com as pr\u00f3prias autoridades do rei. (CARRATO, J. F. 1968; 4)\n\nNessa situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica a administra\u00e7\u00e3o portuguesa tentou sustar o fluxo de forasteiro que de todas as partes do Brasil, da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica e de outros pa\u00edses se encaminhavam para Minas Gerais em busca de riquezas, respons\u00e1veis pelo extravio do ouro na forma de contrabando. Proibiu aos estrangeiros de irem \u00e0s conquistas de Portugal ou morarem nelas.\n\nEm 1707 refor\u00e7a essa proibi\u00e7\u00e3o determinando que todos os estrangeiros deveriam, sem remiss\u00e3o, ser despejados da terra.\n\n\u201cA presen\u00e7a desses estrangeiros parecia nefasta porque viriam eles a fazer o seu pr\u00f3prio com\u00e9rcio, que era dos naturais do Reino\u201d. (HOLANDA, S. B. 1968; 277)\n\nSe a Coroa quis privilegiar os rein\u00f3is reservando a eles o privil\u00e9gio do com\u00e9rcio, foram eles os principais respons\u00e1veis pelo descaminho do ouro e do diamante; Os rein\u00f3is queriam por voca\u00e7\u00e3o permanecer nas orlas do mar mas ao mesmo tempo dominar os neg\u00f3cios e as riquezas do interior.\n\nO s\u00edtio preferido pelos portugueses era o Rio de Janeiro. O primeiro governador-geral, Tom\u00e9 de Souza, em visita \u00e0s capitanias do Sul, mostrou-se encantado com as belezas do Rio de Janeiro, prevendo para o local \u201cuma honrada e boa tanto mais quanto, ao longo da Costa, j\u00e1 n\u00e3o h\u00e1 rio em que entrem os franceses sen\u00e3o neste, e tiram dele muita pimenta\u201d. (HOLANDA, S B. 1963; 126) Pimenta \u00e9 s\u00edmbolo de bons neg\u00f3cios, de neg\u00f3cios rendosos e f\u00e1ceis.\n\nTom\u00e9 de Souza, de volta do Sul permaneceu longo tempo no Rio de Janeiro, chegando a Salvador somente no final de seu mandato. Progressivamente o Rio de Janeiro vai tomando de Salvador os poderes de capital.\n\nEssa ideologia de privil\u00e9gios comerciais centralizados em uma cidade talhada para o mesmo fim, n\u00e3o se dissolveu com a atividade mineradora.\n\nConcentrada na Capitania do Rio de Janeiro, grande quantidade de portugueses e seus descendentes fluminenses migram-se para a regi\u00e3o das minas. Relat\u00f3rio de um viajante franc\u00eas an\u00f4nimo, de 1703, observa que a descoberta das minas provocou um grande desequil\u00edbrio econ\u00f4mico na capitania do Rio de Janeiro, com milhares de habitantes deixando as planta\u00e7\u00f5es desertas e tudo reduzindo \u00e0 pen\u00faria em que se debatia ent\u00e3o o resto do Brasil. \u201cSe esses dez mil homens que antes se dedicavam, quase todos, a cultivar a terra, n\u00e3o desamparassem suas habita\u00e7\u00f5es, permaneceria ali a abund\u00e2ncia que fazia a sua verdadeira riqueza.\n\nEm consequ\u00eancia do afluxo para as terras mineiras, a farinha de mandioca se j\u00e1 era cara na Bahia, desaparecera do Rio ou era vendida a pre\u00e7os fabulosos\u201d. (HOLANDA, S. B. 1968; 280)\n\nOs paulista s\u00e3o mais numerosos que os fluminenses.\n\nCom sua escravaria atuam na lavoura, na minera\u00e7\u00e3o e na cria\u00e7\u00e3o de animais de carga. N\u00e3o eram mais bravos que os portugueses como Raposo Tavares, mas tinham o sangue amer\u00edndio.\n\nNas bandeiras aprenderam com os ind\u00edgenas a se defender das intemp\u00e9ries e as a\u00e7\u00f5es b\u00e9licas. Sabiam combinar as armas dos europeus com as dos \u00edndios.\n\nA corrida para as minas chegou despovoar parte de S\u00e3o Paulo. Os nordestinos, antes da descoberta do ouro j\u00e1 vinham circulando no territ\u00f3rio das minas. Relat\u00f3rio an\u00f4nimo de 1705 informa que pelo Rio S\u00e3o Francisco \u201centram os gados de que sustenta o grande povo que est\u00e1 nas minas de tal sorte que de nenhuma outra parte lhe v\u00e3o nem lhe podem ir os ditos gados, porque n\u00e3o os h\u00e1 nos sert\u00f5es de S\u00e3o Paulo nem nos do Rio de Janeiro\u201d. (ABREU, C. 2000; 159) Rein\u00f3is, fluminenses, baianos e pernambucanos misturavam-se no l\u00e9xico Emboabas, e se identificavam pela reivindica\u00e7\u00e3o de privil\u00e9gios comerciais.\n\nHolanda diz que a sedu\u00e7\u00e3o dos neg\u00f3cios altamente rendosos, inclu\u00eddos neles os de contrabando, serviu, provavelmente, para povoar Minas Gerais. No in\u00edcio a lavoura n\u00e3o despertou aten\u00e7\u00e3o, al\u00e9m do desinteresse governamental por ela. (HOLANDA, S. B. 1968; 281)\n\nA posse das minas havia sido garantida aos paulistas pela carta r\u00e9gia de 18 de mar\u00e7o de 1694, exigindo dos propriet\u00e1rios o pagamento do quinto devido \u00e0 Fazenda Real. Em 1700 a C\u00e2mara de S\u00e3o Paulo solicitou da Coroa portuguesa n\u00e3o doar datas de terras na regi\u00e3o das minas a n\u00e3o ser para os moradores da Vila que tanto sacrif\u00edcio tinha sido para os descobridores.\n\nO rei remeteu o documento ao governador do Rio de Janeiro, Artur de S\u00e1 Meneses para que ele opinasse, mas recomendava ao mesmo que n\u00e3o concedesse data alguma de terras de sesmarias, limitando-se a faze-lo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s terras aur\u00edfera, na forma do regimento do governador. Este regimento irritava os paulistas porque privilegiava os forasteiros portugueses.\n\nNumerosos ricos e importantes mercadores do Rio de Janeiro conseguiram grandes doa\u00e7\u00f5es, com protesto de Garcia Rodrigues Pais, folho de Fernan\u00e3o Dias Paes.\n\nNa opini\u00e3o de Golgher as reivindica\u00e7\u00f5es dos paulista eram descabidas uma vez que eles n\u00e3o dispunham de capitais para investimentos em tecnologia e n\u00e3o dominavam o mercado externo, nem condi\u00e7\u00f5es de abastecimento.\n\nNas minas s\u00f3 venciam aquele que conseguia arrancar mais ouro dos ribeiros, nada valendo ser um fidalgo, comerciante ou agricultor. Ali todos transformavam-se em mineradores, simplesmente.\n\nA minera\u00e7\u00e3o era niveladora social no sentido democr\u00e1tico. O bandeirante, embora insubstitu\u00edvel na penetra\u00e7\u00e3o, n\u00e3o foi o tipo ideal para a atividade mineradora, completamente falho para a explora\u00e7\u00e3o pac\u00edfica. (GOLGHER, I. 1982; 51)\n\nPor outro lado, tamb\u00e9m os portugueses n\u00e3o estavam preparados. Agiram \u00e0s cegas, sem obedecer a qualquer tra\u00e7ado pr\u00e9vio.\n\nObserva Golgher que desde os primeiros anos do s\u00e9culo XVIII at\u00e9 a Independ\u00eancia do Brasil, nunca houve plano administrativo.\n\nSomente no in\u00edcio do governo de Pombal houve uma tentativa de racionaliza\u00e7\u00e3o administrativa sem ter chegado a termos pr\u00e1ticos.\n\nOs problemas que vieram \u00e0 tona estavam acima de capacidade dos quadros governamentais geridos por Lisboa. A carestia e a falta de bra\u00e7os, eram supridas pelo \u00eaxodo das popula\u00e7\u00f5es do campo.\n\nSurgiram grandes e pr\u00f3ximos n\u00facleos urbanos que em face do alto poder aquisitivo proporcionaram o aparecimento de um enorme mercado consumidor, sobre o qual os portugueses qu4eriam ter monop\u00f3lios, gerando descontentamentos generalizados.\n\n<strong>Proibiram tudo:\u00a0<\/strong>abertura de caminhos; migra\u00e7\u00f5es internas; com\u00e9rcio de escravos de outras regi\u00f5es que n\u00e3o a do Rio de Janeiro.\n\n\u201cPara resolver um problema puramente econ\u00f4mico, o Estado feudal portugu\u00eas p\u00f4s em funcionamento seu aparelho governamental de repress\u00e3o, convocando os delatores a dividirem com a Fazenda Real, os bens daqueles que iam por em pleno funcionamento as minas que deveriam quintos para a coroa.\n\nEssas medidas absurdas n\u00e3o eram de car\u00e1ter provis\u00f3rio que visassem apenas atender a uma emerg\u00eancia; tiveram elas papel estorvante por muito tempo e sua influ\u00eancia negativa no desenvolvimento da Col\u00f4nia\u201d (GOLGHER, I. 1982; 54) Como reinava a desconfian\u00e7a com rela\u00e7\u00e3o aos governos de capitanias, a Coroa resolveu criar uma Superintend\u00eancia das Minas, em 1703, gerida diretamente pelo rei, concedendo ao superintendente poderes extremamente amplos.\n\n<strong>O primeiro superintendente foi o desembargador Jos\u00e9 Vaz Pinto que teve mais poderes que qualquer outra autoridade governamental existente na Col\u00f4nia:\u00a0<\/strong>acumulava os poderes de efetuar neg\u00f3cios; administra\u00e7\u00e3o, justi\u00e7a, pol\u00edcia e fiscal. Estava acima dos governadores de capitanias. Os poderes do superintendente Vaz Pinto anularam os paulistas, colocando em pr\u00e1tica o Regimento das Minas vindo de Lisboa.\n\nPr\u00f3prio de uma \u00e9poca de despotismo esclarecido o legislador tentou diminuir os conflitos latentes na regi\u00e3o mas n\u00e3o preveniu quanto ao facciosismo dos superintendentes. No dizer de Golgher, entregaram ao gato a prote\u00e7\u00e3o do rato. \u201cCom efeito, o pobre, esbulhado, nada podia esperar da prote\u00e7\u00e3o do superintendente ou guarda-mor. Isto, na realidade era um engodo, mormente quando consideramos a estrutura social-econ\u00f4mica da minera\u00e7\u00e3o sob o dom\u00ednio dos paulistas, que se alicer\u00e7ava em castas privilegiadas.\n\nN\u00e3o podia, consequentemente, o homem do povo, contar com a justi\u00e7a que o Estado lhe oferecia\u201d. (GOLGHER, I. 1982; 63) O homem vindo da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica, mesmo que l\u00e1, pobre, desvalido e discriminado, na regi\u00e3o das minas foi protegido tornando-se homem de brio e lutador pelos seus direitos e por isso, muitas vezes pegou em arma.\n\nOcorre que as autoridades r\u00e9gias faziam e desfaziam suas pr\u00f3prias resolu\u00e7\u00f5es para desfrutar de vantagens na minera\u00e7\u00e3o.\n\nOutro fator que contribuiu para a disc\u00f3rdia e para a exalta\u00e7\u00e3o dos \u00e2nimos entre paulistas e forasteiros foi a luta do portugu\u00eas Frei Francisco de Menezes, aliado de Nunes Viana, para obter o monop\u00f3lio da carne de gado, sob protesto dos paulistas.\n\nO governador do Rio de Janeiro, ao negar o monop\u00f3lio levou em considera\u00e7\u00e3o o excessivo pre\u00e7o da carne bovina, o que constituiria na extors\u00e3o das gentes famintas da regi\u00e3o.\n\nEm 1705 o superintendente Vaz Pinto, inesperadamente, deixou o cargo e fugiu para o Rio de Janeiro. Aproveitando-se da situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica, o guarda-mor tenente general Manoel de Borba Gato usurpou o cargo assumindo a Superintend\u00eancia das Minas.\n\n<strong>Come\u00e7a a dar aten\u00e7\u00f5es aos paulistas sob protestos dos emboabas, a exemplo de uma carta do rei de Portugal dirigida ao governador do Rio de Janeiro, de 17-06-12705:<\/strong>\u00a0Fui informado que nas Minas do Sul h\u00e1 grandes desordens n\u00e3o s\u00f3 a respeito dos quintos pertencem \u00e0 Fazenda Real mas ainda na justa distribui\u00e7\u00e3o das datas e reparti\u00e7\u00e3o das mesmas minas, procedendo daqui tantos esc\u00e2ndalos e excessos que merecem se lhe aplique o maior cuidado para se quietarem (\u2026) chamado \u00e0 nossa presen\u00e7a os moradores nobre e principais daquele distrito obede\u00e7ais da minha parte fazendo-lhe ver a minha carta. (\u2026)\u201d (GOLGHER, I. 1982; 73\/74) No \u00faltimo ano que precedeu a guerra aberta entre as duas fac\u00e7\u00f5es (1708) a situa\u00e7\u00e3o ficou muito tensa, com muitas mortes. Nos relatos de Rocha Pitta os paulistas reagem com viol\u00eancia \u00e0 expans\u00e3o do poderio portugu\u00eas.\n\n<strong>Tiveram princ\u00edpio as dissens\u00f5es no arraial do Rio das Mortes, por uma que fez um paulista tirania e injustamente a um forasteiro humilde:<\/strong>\u00a0que vivia de uma ag\u00eancia. Desta sem raz\u00e3o, alterados os outros forasteiros e de culpavelmente enfurecidos solicitaram a vingan\u00e7a da vida de um e da ofensa de todos.(PITTA, S. R. 1976; 142)\n\nAo mesmo tempo ocorreram novos dist\u00farbios em Caet\u00e9 onde os filhos bastardos do paulista Jos\u00e9 Pardo mataram um portugu\u00eas, refugiando-se na casa do patr\u00e3o, sendo perseguidos pela multid\u00e3o.\n\nDiante da resist\u00eancia de Jos\u00e9 Pardo \u00e0 entrega dos homicidas, a multid\u00e3o invadiu a sua casa e o matou.\n\nO incidente entre Jer\u00f4nimo Pedrosa de Barros que respondia pela alcunha de Jer\u00f4nimo Poderoso (5), aliado a J\u00falio C\u00e9sar tentaram tomar de um forasteiro a sua espingarda.\n\nA resist\u00eancia dos forasteiros em n\u00e3o entregar a arma mereceu a interven\u00e7\u00e3o de Manoel Nunes Viana. (C. COSTA MATOSO, 1999; 197)\n\nDerrotados, os paulistas recorreram a Borba Gato, superintendente das Minas e tio de Jer\u00f4nimo Poderoso, para tentar a expuls\u00e3o de Nunes Viana da regi\u00e3o das minas. Em bando (6) de 1708 Borba Gato intimou Nunes Viana a deixar as minas em 24 horas, alegando que ele havia praticado com\u00e9rcio ilegal de gado.\n\nNunes Viana n\u00e3o se intimidou com as amea\u00e7as de confisco de bens contidas no bando e passou a mobilizar for\u00e7as. Conseguiu organizar um contingente de dois mil homens.\n\nOs paulistas de Caet\u00e9 se refugiaram em Sabar\u00e1, enquanto Nunes Viana era aclamado chefe do levante e general das Minas.\n\nFoi constitu\u00eddo um governo com sede em Caet\u00e9, tendo como chefe o portugu\u00eas Manoel Nunes Viana e os demais cargos distribu\u00eddos aos baianos.\n\nAs primeiras medidas dos emboabas foram no sentido de anular a a\u00e7\u00e3o dos paulistas, enquanto estes buscavam for\u00e7as no governo da capitania do Rio de Janeiro.\n\nAs lutas por interesses e privil\u00e9gios nas minas desagradavam a Coroa de vez que prejudicavam tanto a produ\u00e7\u00e3o mineral quanto a arrecada\u00e7\u00e3o de tributos.\n\nA popula\u00e7\u00e3o ficava prejudicada com a escassez de com a carestia, principalmente de alimentos.\n\nO governo da capitania do Rio de Janeiro, S\u00e3o Paulo e Minas, Dom Fernando de Lancastre, continuava se desgastando pois todas as medidas tomadas provocaram descontentamentos de ambos os lados.\n\nNeste ambiente, os paulistas dos arraiais de Sabar\u00e1, Raposos, Rio das Velhas e Ro\u00e7a Grande resolveram isolar o reduto Emboaba em Caet\u00e9.\n\nNunes Viana atacou de surpresa os paulistas fazendo incendiar as suas casas. Muitos paulistas foram feitos prisioneiros e outros fugiram a nado pelo Rio das Velhas.\n\nOs Emboabas vitoriosos promoveram a elei\u00e7\u00e3o de Manoel Nunes Viana como governador de Minas at\u00e9 que o rei viesse a nomear outro (PITTA, S.R. 1976; 242) Apesar de Nunes Viana ser portugu\u00eas e fidalgo, contrariava os interesses de Lisboa que n\u00e3o queria que as riquezas das minas se escoassem via Bahia. O Rio de Janeiro era o escoadouro preferido, onde os novos ricos, com toda seguran\u00e7a, deveriam embarcar para a Ib\u00e9ria.\n\nPor isso Dom Fernando de Lancastre tentou afastar os emboabas e retornar os paulistas n\u00e3o ao mando, ao poder, mas ao papel de gestor de produ\u00e7\u00e3o. Retiraram-se os paulistas para o Rio das Mortes, onde se prepararam para a defesa. Nunes Viana mandou for\u00e7as para destruir-lhes sob o comando de\n\nBento do Amaral Coutinho enquanto os paulistas tinham como chefe Valentim Pedroso de Barros. A primeira investida sobre S\u00e3o Jos\u00e9 Del Rei, (hoje Tiradentes) foi favor\u00e1vel aos paulistas.\n\nMas ao se dispersarem em pequenos grupos pelas matas, possibilitaram a tropa de Bento do Amaral Coutinho efetuar emboscadas nas matas.\n\nUm desses cap\u00f5es de mata foi cercado por Coutinho que garantiu aos paulistas poupar-lhes as vidas mediante entrega das armas.\n\nAcreditando nas promessas de Coutinho os paulistas depuseram as armas e em seguida foram eliminados pelos emboabas.\n\nA historiografia tem oferecido amplas e controvertidas informa\u00e7\u00f5es sobre esse epis\u00f3dio chamado \u201ccap\u00e3o da trai\u00e7\u00e3o\u201d. Se os testemunhos da \u00e9poca torceram a veracidade dos fatos em favor das fac\u00e7\u00f5es envolvidas, n\u00e3o temos hoje o interesse de um julgamento no qual aponte os menos ou mais malvados na contenda.\n\nAmbos os belicosos estavam dispostos a matar os advers\u00e1rios na defesa de seus interesses.\n\n<strong>A literatura que narra o fato com toda a paix\u00e3o tem funda raz\u00e3o:<\/strong>\u00a0a mais s\u00f3lida \u00e9 a que os portugueses muniam-se da tradi\u00e7\u00e3o do enriquecimento por meio de chumbo e p\u00f3lvora, como fizera Raposo Tavares no s\u00e9culo anterior. O portugu\u00eas Rocha Pita, contempor\u00e2neo do fato, defende Manoel Nunes Viana e condena com veem\u00eancia o comandante Bento do Amaral Coutinho. \u201cEstranharam este horrendo procedimento as pessoas dignas que iam naquele ex\u00e9rcito, e n\u00e3o quiseram mover as armas contra os rendidos, afeando aquela maldade, impr\u00f3pria de \u00e2nimos generosos e cat\u00f3licos, e ainda das mesmas feras, que muitas vezes se compadecem dos que se lhes humilham.\n\nPor\u00e9m as de \u00e2nimo vil e os escravos, disparando e esgrimindo as armas, fizeram nos miser\u00e1veis paulistas tantas mortes e feridas que deixaram aquele infeliz campo coberto de corpos, uns j\u00e1 cad\u00e1veres, outros meio mortos, ficando abatido e f\u00fanebre o s\u00edtio pela mem\u00f3ria da trai\u00e7\u00e3o e pelo horror do estrago; e com estas bizarrias cru\u00e9is voltou o Amaral vilmente ufano com o seu destacamento para o lugar donde sa\u00edra\u201d (PITTA, S.R. 1976; 243\/244)\n\nO governador do Rio de Janeiro, Dom Fernando de Lancastre, resolveu ir a Minas, em 1709, passando pelo Rio das Mortes e tomando o caminho para Congonhas, onde se encontrava Nunes Viana.\n\nCorreu a not\u00edcia de que o governador castigaria Nunes Viana o que o fez receber Lancastre com hostilidade.\n\nSem for\u00e7as o governador voltou humilhado para o Rio de Janeiro. A Metr\u00f3pole nomeou um outro governador para o Rio de Janeiro, Dom Antonio de Albuquerque Coelho de Carvalho, com instru\u00e7\u00f5es especiais para a pacifica\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio mineiro. Intimado a comparecer \u00e0 presen\u00e7a do novo governador, Nunes Viana prestou-lhe submiss\u00e3o, retirando-se para as suas fazendas do S\u00e3o Francisco.\n\nO novo governador visitou outras localidades e tomou diversas medidas administrativas. Providenciou a cria\u00e7\u00e3o da Capitania de S\u00e3o Paulo e Minas, pela carta r\u00e9gia de 11 de julho de 1711, desmembrando-se do Rio de Janeiro.\n\n<strong>A nova capitania teve como primeiro governador o pr\u00f3prio Antonio de Albuquerque, que logo ap\u00f3s a sua posse partiu para Minas, onde criou os primeiros munic\u00edpios:<\/strong>\u00a0Mariana, Ouro Preto e Sabar\u00e1. O governador encontrava-se em S\u00e3o Paulo para impedir que os paulistas marchassem para Minas de arma em punho.\n\nComo parte do entendimento devolveu aos paulistas as suas jazidas aur\u00edferas e p\u00f4s fim \u00e0 Guerra dos Emboabas. (MATTOS, O. N. 1963; 306)\n\nA partir da\u00ed os paulistas v\u00e3o perdendo as posi\u00e7\u00f5es e os pap\u00e9is em Minas. Como queriam os portugueses, os paulistas s\u00e3o pesquisadores de novas jazidas, ajudam ampliar o territ\u00f3rio de Minas Gerais e descobrem as minas de Goi\u00e1s e Mato Grosso.\n\nMas a Metr\u00f3pole reserva aos portugueses o poder e os servi\u00e7os burocr\u00e1ticos; as atividades rendosas como a agricultura de subsist\u00eancia nas proximidades das minas; o com\u00e9rcio e o abastecimento; o transporte e a pecu\u00e1ria.\n\nAo mesmo tempo que os portugueses se conflitavam com os paulistas em Minas, ocorria no Pernambuco o conflito entre propriet\u00e1rios de terras de Olinda e a elite comercial de Recife, formada por rein\u00f3is.\n\nDepois da expuls\u00e3o dos holandeses, em 1654, os produtores perderam o mercado de a\u00e7\u00facar para os antilhanos.\n\nOs comerciantes portugueses radicados em Recife eram chamados de mascates. Por sua superioridade econ\u00f4mica os mascates passaram a elevar as taxas e executar hipotecas, embora n\u00e3o contatem com autonomia pol\u00edtica. Mas em 1710 Recife consegue a emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica para descontentamento de Olinda.\n\nNo mesmo ano os olindenses invadiram Recife e derrubaram o pelourinho. A coroa decidiu interferir no confronto nomeando um novo governador que confirmou a autonomia de Recife. A discrimina\u00e7\u00e3o, os preconceitos mantidos pelos portugueses visavam excluir os nativos. Os revoltosos de Olinda eram chamados de p\u00e9-rapados, isto \u00e9, desclassificados.\n\nCabral de Mello mostra as particularidades das contradi\u00e7\u00f5es entre os interesses coloniais e metropolitano e entre a a\u00e7ucarocracia e o com\u00e9rcio. \u201cComo homens de neg\u00f3cios, os mascates eram suspeito de s\u00f3 desejarem os cargos p\u00fablicos com a mira no lucro, especialmente na arremata\u00e7\u00e3o dos contratos de impostos e na fixa\u00e7\u00e3o de altos pre\u00e7os para os v\u00edveres\u201d (MELLO, E. C. 2001; 59)\n\nO interesse dos portugueses ao deixarem a Europa para exercer cargos p\u00fablicos na Col\u00f4nia como governador de capitania, ouvidor, juiz-de-fora era o de enriquecimento il\u00edcito, levando vida tranq\u00fcila na volta ao Reino.\n\nAs oportunidades de ganhos il\u00edcitos davam lutar aos maiores abusos.(Ibdem,61).Era essa a ambi\u00e7\u00e3o dos portugueses na luta contra os olindenses.\n\nQueriam participar da vida p\u00fablica n\u00e3o como ideal c\u00edvico, mas a busca de vantagens pessoais.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas &#8211; Minas Gerais<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159308 \" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Guerra2-1.jpg\" alt=\"\" width=\"439\" height=\"289\" \/><strong>Guerra dos Emboabas<\/strong><\/p>\nA explora\u00e7\u00e3o do ouro no Brasil-col\u00f4nia suscitou sangrentas repress\u00f5es do poder portugu\u00eas, como a\u00a0<strong>guerra dos emboabas.<\/strong>\n\nA\u00a0<b>Guerra dos Emboabas<\/b>\u00a0foi um conflito ocorrido na regi\u00e3o das Minas Gerais, no Brasil, de 1707 a 1709.\n\nConflito entre brasileiros e rein\u00f3is, pela posse das minas de ouro no territ\u00f3rio de Minas Gerais, a guerra dos emboabas come\u00e7ou em 1708 e s\u00f3 terminou em 1710. Garantidos por ato r\u00e9gio, os paulistas se julgavam com o direito de dirigir os trabalhos de minera\u00e7\u00e3o, mas a enorme aflu\u00eancia de forasteiros e as dificuldades surgidas no abastecimento ocasionaram repetidos choques armados com os \u201cemboabas\u201d. (A palavra parece derivar do nome dado pelos ind\u00edgenas \u00e0s aves de pernas emplumadas, para referir-se aos portugueses, que usavam botas de cano alto.)\n\nO ponto de refer\u00eancia para o in\u00edcio das lutas \u00e9 12 de outubro de 1708, quando Borba Gato, superintendente das minas, determinou que o chefe dos emboabas, Manuel Nunes Viana, grande criador de gado e contrabandista de ouro, fosse expulso de Minas Gerais. Nunes Viana, estabelecido na Bahia, tamb\u00e9m disputava em Minas Gerais o monop\u00f3lio da carne, fumo e aguardentes de que necessitavam os bandeirantes, mas n\u00e3o era o \u00fanico. Sob seu comando, os emboabas estabeleceram um governo pr\u00f3prio na regi\u00e3o e decidiram atacar os paulistas concentrados em Sabar\u00e1, \u00e0s margens do rio das Mortes. Um contingente comandado por Bento do Amaral Coutinho atacou os paulistas, chefiados por Valentim Pedroso de Barros e Pedro Pais de Barros, no Arraial da Ponta do Morro, atual Tiradentes. Derrotados, os paulistas renderam-se a Amaral Coutinho. Este, em desrespeito \u00e0s garantias dadas, trucidou cerca de 300 paulistas (alguns historiadores reduzem esse n\u00famero a cinquenta), no local que ficou conhecido como Cap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o, em janeiro ou fevereiro de 1709.\n\nA paz s\u00f3 foi restabelecida com a chegada do capit\u00e3o-general do Rio de Janeiro, Ant\u00f4nio de Albuquerque Coelho de Carvalho, que obrigou Nunes Viana a deixar Minas Gerais e voltar para a regi\u00e3o do rio S\u00e3o Francisco. Alguns paulistas recuperaram suas antigas lavras, mas outros debandaram. Em 11 de novembro de 1709 foi criada a Capitania de S\u00e3o Paulo e Minas, governada por Ant\u00f4nio de Carvalho.\n\n<strong>Guerra dos Emboabas &#8211; Resumo<\/strong>\n\nA briga pelo ouro em Minas Gerais culminou, em 1708, com a Guerra dos Emboabas. \u201cEmboaba\u201d (\u201cestrangeiro\u201d em tupi-guarani) era o nome dado pelos antigos aventureiros paulistas, maioria no lugar, aos portugueses e gente de outras regi\u00f5es do pa\u00eds que iam chegando. Os inevit\u00e1veis choques entre os antigos donos do peda\u00e7o e os rec\u00e9m-chegados levaram \u00e0 guerra, vencida pelos emboabas \u2013 os paulistas, em menor n\u00famero, abandonaram a regi\u00e3o, indo procurar ouro e pedras preciosas em Goi\u00e1s e Mato Grosso.\n\nO epis\u00f3dio mais sangrento do conflito ocorreu em fevereiro de 1709, quando um grupo de 50 paulistas rendeu-se ao l\u00edder das tropas emboabas, que depois de desarm\u00e1-los ordenou sua execu\u00e7\u00e3o.\n\nO local do massacre ficou conhecido como Cap\u00e3o da Trai\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0EncBrasil\/www.tratosculturais.com.br\/www.geocities.com\/www.tribunadonorte.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra dos Emboabas, Brasil, Hist\u00f3ria, Conflito, Ouro, Minas Gerais, Conseq\u00fc\u00eancias, Causa, Motivo, Minera\u00e7\u00e3o, Resumo, Guerra dos Emboabas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9378,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25901","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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