{"id":25891,"date":"2015-12-18T00:00:00","date_gmt":"2015-12-18T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/guerra-do-contestado-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:56:52","modified_gmt":"2026-09-01T17:56:52","slug":"guerra-do-contestado-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/guerra-do-contestado-4\/","title":{"rendered":"Guerra do Contestado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>O conflito do Contestado<\/h4>\nNo come\u00e7o do s\u00e9culo XX houve um violento conflito de terra que envolveu posseiros pobres, negros, mesti\u00e7os e ind\u00edgenas, numa \u00e1rea de 25 mil quil\u00f4metros quadrados, regi\u00e3o disputada pelas prov\u00edncias do Paran\u00e1 e Santa Catarina.\n\nUma companhia norte-americana, a Brazil Railway, que construiu a estrada de ferro S\u00e3o Paulo &#8211; Rio Grande, recebeu do governo, como parte do pagamento, terras em uma faixa de quinze quil\u00f4metros de cada lado da ferrovia. Essa empresa deveria colonizar a \u00e1rea com imigrantes, mas o seu principal interesse era a explora\u00e7\u00e3o da floresta nativa, rica em pinheiros e imbuias.\n\nA popula\u00e7\u00e3o que morava nessas terras como posseiros foi expulsa, e essa gente veio a se unir aos quase 8 mil trabalhadores da estrada de ferro que haviam sido recrutados nas grandes cidades e que, ap\u00f3s o t\u00e9rmino da constru\u00e7\u00e3o, se viram completamente abandonados. Tamb\u00e9m foram arruinados os pequenos madeireiros, pois n\u00e3o podiam competir com uma grande empresa estadunidense instalada na regi\u00e3o do Contestado, a mais moderna serraria da Am\u00e9rica Latina, e que exportava a madeira para os Estados Unidos.\n\nH\u00e1 tempos aquela regi\u00e3o era freq\u00fcentada por beatos, que se ocupavam da vida religiosa do povo. H\u00e1 registros de um Jo\u00e3o Maria, a partir de 1840, que se seguiu a outro monge com o mesmo nome. O mais famoso foi um terceiro Jos\u00e9 Maria, que se dizia irm\u00e3o do anterior e liderou, em 1912,a primeira revolta. O povo se uniu para lutar pela posse da terra, por uma sociedade mais justa, orientada por princ\u00edpios religiosos.\n\nEm 1914 houve um novo confronto em Taquaru\u00e7u que resultou em uma verdadeira carnificina. Os sobreviventes se reuniram em novo arraial, Caraguat\u00e1. Ali o movimento come\u00e7ou a receber novas ades\u00f5es e a revolta ganhou um car\u00e1ter mais organizado. Os rebeldes conseguiram manter o controle sobre a vasta regi\u00e3o com in\u00fameras vilas onde viviam os seguidores do monge e alguns redutos estrat\u00e9gicos.\n\nO movimento foi liquidado em fins de 1915, ap\u00f3s quase um ano de intensa luta. Pela primeira vez o governo brasileiro utilizou avi\u00f5es de bombardeio e de reconhecimento. Os remanescentes refugiaram-se no vale do rio Santa Maria, onde foram esmagados por 6 mil soldados do Ex\u00e9rcito e da Pol\u00edcia dos dois estados, al\u00e9m de mais mil homens fornecidos pelos coron\u00e9is da regi\u00e3o.\n\nA viol\u00eancia e crueldade foram marca da a\u00e7\u00e3o das for\u00e7as governamentais. Casas incendiadas, mais de 6 mil pessoas mortas, inclusive mulheres e crian\u00e7as.\n\nNesse movimento participaram tamb\u00e9m ind\u00edgenas Kaingang e Xokleng, sendo que at\u00e9 hoje os Kaingang de Santa Catarina realizam o batismo de S\u00e3o Jo\u00e3o Maria. Os remanescentes do Contestado, chamados de cafusos, ainda vivem em Santa Catarina, mantendo uma organiza\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria, sendo seus l\u00edderes chamados de cacique e vice-cacique.\n<h4>A <strong>Guerra do Contestado<\/strong><\/h4>\nA <strong>Guerra do Contestado<\/strong> foi um conflito que alcan\u00e7ou enormes propor\u00e7\u00f5es na hist\u00f3ria do Brasil e, particularmente, dos Estados do Paran\u00e1 e de Santa Catarina. Semelhante a outros graves momentos de crise, interesses pol\u00edtico-econ\u00f4micos e messianismo se misturaram ao contexto explosivo.\n\nOcorrido entre 1912 e 1916, o conflito envolveu, de um lado, a popula\u00e7\u00e3o cabocla daqueles Estados, e, de outro, os dois governos estaduais, apoiados pelo presidente da Rep\u00fablica, Hermes da Fonseca.\n\nA regi\u00e3o do conflito, localizada entre os dois Estados, era disputada pelos governos paranaense e catarinense. Afinal, era uma \u00e1rea rica em erva-mate e, sobretudo, madeira. Originalmente, os moradores da regi\u00e3o eram posseiros caboclos e pequenos fazendeiros que viviam da comercializa\u00e7\u00e3o daqueles produtos.\n\nFonte: geocities.yahoo.com.br\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nA hist\u00f3ria da <strong>Guerra do Contestado<\/strong>, que se desenrolou no Planalto catarinense entre os anos de 1912 e 1915, ainda n\u00e3o foi totalmente eluciada.\n\nH\u00e1 muito a ser descoberto e muito a ser admitido.\n\nAfinal, num epis\u00f3dio onde devotos religiosos viram guerrilheiros e militares s\u00e3o transformados em jagun\u00e7os sedentos por vingan\u00e7a, a verdade tende a ser escamoteada para favorecer a um ou a outro lado.\n\nMas o fato \u00e9 que a mem\u00f3ria est\u00e1 l\u00e1, viva e mais inquietante do que nunca, inspirando at\u00e9 os dias de hoje os moradores da regi\u00e3o que um dia foi t\u00e3o violentamente disputada entre os estados de Santa Catarina e do Paran\u00e1.\n<h4>CRONOLOGIA E FATOS DA GUERRA<\/h4>\n<blockquote><strong>1910: <\/strong>A Brazil Railway conclui o trecho da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo Rio Grande do Sul, chegando ao Rio Urugaui. Cerca de 8 mil trabalhadores s\u00e3o dispensados e ficam perambulando pela regi\u00e3o. <strong>\n1911: <\/strong>\u00c9 criada a Southern Brazil Lumber and Colonization company. \u00c9 iniciada as expuls\u00f5es de fam\u00edlias de agricultores das margens da ferrovia e das terras pr\u00f3ximas que eram ricas em pinheiros. <strong>\n1912: <\/strong>Aparece em Campos Novos o monge Jos\u00e9 Maria. <strong>\nAgosto, 6: <\/strong>Festa do Senhor bom Jesus na localidade de Taquaru\u00e7\u00fa, no munic\u00edpio de Curitibanos. Convidados pelos festeiro no lugar, o monge Jos\u00e9 Maria comparece. A festa re\u00fane uitos desempregados e fam\u00edlias expulsas de suas terras pela Lumber and Colonization. Ap\u00f3s a festa muitas fam\u00edlias permanecem no local e passam a construir um n\u00facleo de fi\u00e9is do monge. Jos\u00e9 Maria l\u00ea a Hist\u00f3ria de Carlos Magnos e dos Doze Pares de Fran\u00e7a e ali constitui 24 homens como seus Doze Pares. <strong>\nOutubro: <\/strong>Amea\u00e7ado pelo &#8220;coronel&#8221; Albuquerque, de Curitibanos, Jos\u00e9 Maria retira-se para o Irani (a oeste) seguido por 40 cavaleiros armados. <strong>\nOutubro, 22: <\/strong>Batalha do Irani. Tropas do Regimento de seguran\u00e7a do Paran\u00e1 atacam o monge e seus seguidores. No combate morre o coronel Jo\u00e3o Gualberto, comandante das tropas paranaenses, e o m\u00edstico Jos\u00e9 Maria. <strong>\n1913 Dezembro, 1\u00ba : <\/strong>in\u00edcio do reduto de Taquaru\u00e7u, sob a ideran\u00e7a de Euz\u00e9bio dos Santos e Chico Ventura. Um filho de Euz\u00e9bio, Manoel, \u00e9 tido como vidente. <strong>\nDezembro, 29: <\/strong>Primeiro ataque a Taquaru\u00e7\u00fa, por tropas do Ex\u00e9rcito e da Pol\u00edcia Militar Catarinense. Os atacantes s\u00e3o repelidos. <strong>\n1914 Janeiro: <\/strong>In\u00edcio do reduto de Caraguat\u00e1. <strong>\nFevereiro, 8: <\/strong>Segundo ataque a Taquaru\u00e7\u00fa. O reduto \u00e9 bombardeado e arrasado. Os sobreviventes v\u00e3o juntar-se ao reduto de caraguat\u00e1. ali, est\u00e1 no comando a viregem Maria Rosa. <strong>\nMar\u00e7o, 9: <\/strong>Ataque de for\u00e7as do Ex\u00e9rcito a Caraguat\u00e1. Grande vit\u00f3ria da Irmandade. Segue-se uma epidemia de tifo e o reduto \u00e9 transferido para Bom sossego (vale do Timbozinho). <strong>\nAbril: <\/strong>Assume o comando da repress\u00e3o ao movimento o general Carlos de Mesquita. em sua ofensiva encontra o reduto de caraguat\u00e1 j\u00e1 abandonado, limitando-se a queimar os ranchos que ainda encontrou. D\u00e1 sua miss\u00e3o por cumprida e deixa na regi\u00e3o apenas uma tropa comandada pelo capit\u00e3o Matos Costa, sediada em Vila Nova do timb\u00f3. <strong>\nJunho: <\/strong>Lideran\u00e7as populares da regi\u00e3o de Canoinhas aderem \u00e0 irmandade. Entre essas, Aleixo Gon\u00e7alnves de Lima, bonif\u00e1cio Papudo e Ant\u00f4nio Tavares Jr. Tamb\u00e9m numeroso grupo da oposi\u00e7\u00e3o de Curitibanos, liderado por Paulino Pereira. Formam-se diversos novos reduto menores. <strong>\nJulho, 15: <\/strong>Ataque da Irmandade a Canoinhas. <strong>\nAgosto: <\/strong>Mudan\u00e7a do reduto principal para Ca\u00e7ador. <strong>\nSetembro, 5: <\/strong>Destrui\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o Calmon e da Serraria da Limber naquela localidade por um piquete da Irmandade comandado por Francisco Alonso. <strong>\nSetembro, 6: <\/strong>Destrui\u00e7\u00e3o da Esta\u00e7\u00e3o S\u00e3o Jo\u00e3o. Emboscada ao trem militar comandado por Matos Costa, quando este perde a vida. <strong>\nSetembro, 11: <\/strong>Chega \u00e0 regi\u00e3o o general Fernando Setembrino de Carvalho, para dirigir a guerra contra a Irmandade. <strong>\nSetembro, 26: <\/strong>Piquete da irmandade ocupa Curitibanos. Na mesma \u00e9poca , outros piquetes ocupam, ao norte, Salseiro, Iracema, Moema, Papanduva. <strong>\nOutubro, 26: <\/strong>Tropas do Ex\u00e9rcito ocupam Salseiro. <strong>\n1915, Janeiro 8: <\/strong>Reduto Tavares, o mais oriental, \u00e9 tomado. <strong>\nJaneiro, 19: <\/strong>Opera\u00e7\u00e3o de reconhecimento a\u00e9reo pelos aviadores capit\u00e3o Kirk e Darioli. <strong>\nFevereiro: <\/strong>Opera\u00e7\u00e3o &#8220;limpeza&#8221; do capit\u00e3o Tertuliano Potyguara (com 200 soldados e 500 vaqueanos) no vale do Timbozinho. Destr\u00f3i os redutos de S\u00e3o Sebasti\u00e3o e Pinheiros. Mais grupos v\u00e3o reunir-se ao reduto principal de Santa Maria. <strong>\nFevereiro, 8: <\/strong>Primeiro ataque ao reduto Santa Maria, por tropas sob o comando do tte. Cel. Estillac Leal. A guarda do reduto repele ao ataque. <strong>Mar\u00e7o, 1\u00ba: <\/strong>Cai o aeroplano Morane-Saulnier do capit\u00e3o Kirk, quando realizaa v\u00f4o de reconhecimento indo unir0se \u00e0s tropas que atacariam o Santa Maria no dia seguinte. O piloto morre no acidente e a avia\u00e7\u00e3o n\u00e3o participou mais da guerra. <strong>\nMar\u00e7o, 2: <\/strong>Novo ataque contra Santa Maria pela coluna Sul (Estillac Leal). Lan\u00e7am-se obuses. N\u00e3o tem \u00eaxito. <strong>\nMar\u00e7o, fim do m\u00eas: <\/strong>Destacamento especial sob comando do capit\u00e3o Potyguara avan\u00e7a pelo norte, tomando uma a uma as Guardas e os redutos anexados ao reduto principal. Entra finalmente em Santa Maria, mas fica cercado pela t\u00e1tica de defesa da Irmandade. Consegue socorro dos 2 mil homens de Estillac Leal. Santa Maria \u00e9 totalmente incendiado. <strong>\nAbril\/Maio: <\/strong>Sob o comando de Adeodato muitos sobreviventes reagrupam-se em novos redutos (S\u00e3o Miguel depois S\u00e3o Pedro e Pedras Brancas) e, ap\u00f3s a retirada do grosso das tropas, reiniciam a guerra. Muitos dos que tentaram se apresentar \u00e0s tropas militares foram sumariamente fuzilados no mato. <strong>\nOutubro, 17: <\/strong>O reduto de Pedras Brancas \u00e9 tomado. <strong>\nDezembro, 17: <\/strong>O \u00faltimo reduto, S\u00e3o Pedro, \u00e9 destru\u00eddo por uma for\u00e7a de vaqueanos. <strong>\n1916, Agosto: <\/strong>Adeodato Manoel de Ramos, \u00faltimo comandante &#8220;Jagun\u00e7o&#8221; \u00e9 preso e enviado para a cadeia em Florian\u00f3polis. 7 anos depois tenta fugir e \u00e9 morto por um oficial&#8230; (Nos anos que se seguiram, os sobreviventes sertanejos continuaram sendo ca\u00e7ados e fuzilados, ou degolados, por policiais e piquetes de vaqueanos, a mando dos coron\u00e9is). <strong>\nOutubro, 20: <\/strong>\u00c9 assinado o Tratado dos Limites, entre o Paran\u00e1 e Santa Catarina, pondo fim ao mais sangrento conflito campon\u00eas dos tempos modernos.<\/blockquote>\nFonte: www.transrodace.com.br\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\nLuta armada entre fan\u00e1ticos e tropas do ex\u00e9rcito na regi\u00e3o do <strong>Contestado<\/strong> (Sul do Brasil) tem rela\u00e7\u00f5es apenas circunstanciais com a quest\u00e3o de limites entre Santa Catarina e o Paran\u00e1.\n\nDe fato, o lit\u00edgio, que devia ter sido encerrado com o pronunciamento do Supremo Tribunal (1906), continuou a ser agitado, chegando os pol\u00edtico paranaenses a proporem a cria\u00e7\u00e3o do Estado das Miss\u00f5es, compreendendo a zona contestada (1910).\n\nEm 1912,surgiu o primeiro entrev\u00earo, sob o pretexto de que o Paran\u00e1 f\u00f4ra invadido por fan\u00e1ticos de Santa Catarina, seguindo para o local um contingente da pol\u00edcia daquele Estado,sob o sob o comando do coronel do ex\u00e9rcito Jo\u00e3o Gualberto Gomes de S\u00e1, que foi desbaratado pelos sertanejos, morrendo na peleja e o Monje Jos\u00e9 Maria.\n\nA concentra\u00e7\u00e3o de fan\u00e1ticos, entretando , nada tinha a ver com a quest\u00e3o de limites.\n\nO monge, ex-soldado da pol\u00edcia ou do ex\u00e9rcito, n\u00e3o se sabe ,mas certamente um desetor ,conseguira reunir em seu s\u00e9quito os antigos trabalhadores da Estrada de Ferro S. Paulo-Rio Grande, desempregados desde o paralisamento das obras em Uni\u00e3o da Vit\u00f3ria (1906), Tornando-se assim marginais de uma vasta ainda despovoada.\n\nOrganizaram-se ent\u00e3o, o que o mongedenominava Quadros Santos, um dos quais transp\u00f4s a fronteira , indo se fixar em Campos doIrano.\n\nMorto Jos\u00e9 Maria, os sertanejos passaram a obedecer um nov\u00f4 chefe, Eus\u00e9bio Ferreira dos Santos, cuja a filha tinha vis\u00f5es, entrincheirando-se em Taquaru\u00e7u.\n\nOs demais Quadros Santos se dispiseram em pontos diversos numa \u00e1rea , de dif\u00edcil topografia , cada qual com o seu Santo, inclusive um tal D. Manuel Alves de Assun\u00e7\u00e3o Rocha, que pretendia ser o &#8220;Imperador da Monarquia Sul Brasileira &#8220;.\n\nNomeado para a inspetoria da Regi\u00e3o Militar, que compreendia os dois estados (12 de Setembro de 1914),o General Setembrino de Carvalho mobilizou sete mil homens, pondo fim \u00e0 sangrenta contenda com a tomada de Santa Maria (5 de abril de 1915).\n\nA 12 de Outubro de 1916, os governadores Filipe Schimidt(Santa Catarina ) e Afonso de Camargo (paran\u00e1) assinaram um acordo e o munic\u00edpio de Campos de Irani passou a chamar-se Conc\u00f3rdia.\n\nFonte: omotim.tripod.com\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\nO povoamento do planalto serrano foi diferente da do litoral catarinense na sua composi\u00e7\u00e3o de recursos humanos. As escarpas serranas, densamente cobertas pela Mata Atl\u00e2ntica, junto com os povos ind\u00edgenas, representavam s\u00e9rios obst\u00e1culos para o povoamento da regi\u00e3o.\n\nA ocupa\u00e7\u00e3o se deu de atrav\u00e9s do com\u00e9rcio de gado entre o Rio Grande do Sul e S\u00e3o Paulo j\u00e1 no s\u00e9culo XVIII, fazendo surgir os primeiros locais de pouso.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o Farroupilha e Federalista tamb\u00e9m contribu\u00edram para o aumento de contigente humano, que buscavam fugir dessas situa\u00e7\u00f5es beligerantes.\n\nEm 1853 come\u00e7a a disputa de limites entre Santa Catarina e Paran\u00e1, quando este \u00faltimo se desmembra de S\u00e3o Paulo e firma posse sobre o oeste catarinense.\n\nCom a constitui\u00e7\u00e3o de 1891, \u00e9 assegurada aos Estados o direito de decretar impostos sobre as exporta\u00e7\u00f5es e mercadorias, como tamb\u00e9m ind\u00fastrias e profiss\u00f5es, o que acirra ainda mais a quest\u00e3o dos limites, pois a regi\u00e3o era rica em ervas.\n\nEm 1904 Santa Catarina tem ganho de causa perante o Supremo Tribunal Federal, mas o Paran\u00e1 vai recorrer perdendo novamente em 1909 e 1910. Por\u00e9m a discuss\u00e3o n\u00e3o finda por aqui, sendo resolvida em 1916 quando os governadores Felipe Schmidt (SC) e Afonso Camargo (PR), por interm\u00e9dio do Presidente Wenceslau Br\u00e1z, assinam um acordo estabelecendo os limites atuais entre os dois estados.\n\nVale lembrar que essa disputa n\u00e3o tinha muita relev\u00e2ncia na popula\u00e7\u00e3o, pois o poder era sempre representado pelos coron\u00e9is, tanto fazia pertencer \u00e0 Santa Catarina ou Paran\u00e1.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra1.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Assinatura do Acordo no Pal\u00e1cio do Catete,\nem Outubro de 1916<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra2.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Foto do segundo monge Jo\u00e3o Maria<\/strong><\/p>\nA figura dos monges teve valor fundamental para a quest\u00e3o do Contestado, sendo mais destacado o Jos\u00e9 Maria. O primeiro monge foi Jo\u00e3o Maria, de origem italiana, que peregrinou entre 1844 a 1870 quando morre em Sorocaba. Jo\u00e3o Maria levava uma vida extremamente humilde, e serviu para arrebanhar milhares de crentes, por\u00e9m n\u00e3o exerceu influ\u00eancia dos acontecimentos que viriam a acontecer, mas serviu para refor\u00e7ar o messianismo coletivo.\n\nO segundo monge, que tamb\u00e9m se chamava Jo\u00e3o Maria surge com a Revolu\u00e7\u00e3o Federalista de 1893 ao lado dos maragatos. De come\u00e7o vai mostrar sua posi\u00e7\u00e3o messi\u00e2nica, fazendo previs\u00f5es a respeito dos fatos pol\u00edticos. Seu verdadeiro nome era Atan\u00e1s Marcaf, provavelmente de origem S\u00edria. Jo\u00e3o Maria vai exercer forte influ\u00eancia sobre os crentes, que v\u00e3o esperar pela sua volta ap\u00f3s seu desaparecimento em 1908.\n\n<strong>Essa espera vai ser preenchida em 1912 pela figura do terceiro monge:<\/strong> Jos\u00e9 Maria. Surgiu como curandeiro de ervas, apresentando-se com o nome de Jos\u00e9 Maria de Santo Agostinho. Ningu\u00e9m sabia ao certo qual a sua origem, seu verdadeiro nome era Miguel Lucena Boaventura e, de acordo com um laudo da pol\u00edcia da Vila de Palmas\/PR, tinha antecedentes criminais e era desertor do ex\u00e9rcito.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra3.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Jos\u00e9 Maria com tr\u00eas virgens <\/strong><\/p>\nDentre as fa\u00e7anhas que deram fama ao monge Jos\u00e9 Maria, podemos destacar foi a ressurrei\u00e7\u00e3o de uma jovem, provavelmente v\u00edtima de catalepsia, e a cura da esposa do coronel Francisco de Almeida, acometida por uma doen\u00e7a incur\u00e1vel. O coronel ficou t\u00e3o agradecido que ofereceu terras e uma grande quantidade de ouro, mas o monge n\u00e3o aceitou, o que ajudou ainda mais o aumento de sua fama, pois passou a ser considerado santo, que veio \u00e0 terra apenas para curar e tratar os doentes e necessitados.\n\nJos\u00e9 Maria n\u00e3o era um curandeiro vulgar, sabia ler e escrever, anotando propriedades medicinais em seus cadernos. Montou a &#8220;farm\u00e1cia do povo&#8221; no rancho de um capataz do coronel Almeida, onde passou a atender diariamente at\u00e9 tarde da noite.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra4.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Imbuia com 10 metros de circunfer\u00eancia<\/strong><\/p>\nA regi\u00e3o planaltina vai excercer grande cobi\u00e7a entre os Estados de Santa Catarina e Paran\u00e1, assim como para o Grupo Farquhar (Brazil Railway Company, como veremos adiante), apropriando-se do maior n\u00famero de terras poss\u00edveis.\n\nA vida econ\u00f4mica da regi\u00e3o, durante muito tempo, vai girar em torno da cria\u00e7\u00e3o extensiva do gado bovino, na coleta da erva mate e na extra\u00e7\u00e3o de madeira, material empregado na constru\u00e7\u00e3o de praticamente todas as resid\u00eancias. Os ervais encontravam seu mercado na regi\u00e3o do Prata.\n\nNas terras dos coron\u00e9is os agregados e pe\u00f5es podiam servir-se das ervas sem qualquer proibi\u00e7\u00e3o, por\u00e9m quando o mate adquiriu valor comercial, os coron\u00e9is come\u00e7aram a explorar a coleta abusiva do mate em suas terras.\n\nComo regi\u00e3o fornecedora de gado para a feira de Sorocaba e erva mate para os pa\u00edses do Prata, o planalto catarinense inseria-se economicamente a n\u00edvel nacional, no modelo agr\u00e1rio-comercial-exportador dependente.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra5.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Locomotiva da estrada de ferro <\/strong><\/p>\nCom a expans\u00e3o da \u00e1rea cafeicultora brasileira, surgiu a necessidade de se interligar os n\u00facleos urbanos com a regi\u00e3o sulina, para que esta os abastecesse com produtos agro-pastoris. \u00c9 criada ent\u00e3o uma comiss\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o de uma Estrada de Ferro para ligar esses dois p\u00f3los.\n\nA concess\u00e3o da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo &#8211; Rio Grande, iniciou com o engenheiro Jo\u00e3o Teixeira Soares em 1890, abandonando o projeto em 1908, transferindo a concess\u00e3o para uma empresa norte-americana Brazil Railway Company, pertencente ao multimilion\u00e1rio Percival Farquhar, que al\u00e9m do direito de terminar a estrada, ganha tamb\u00e9m o direito de explorar 15 Km de cada lado da estrada.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra6.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Tropa de seguran\u00e7a montada pela Lumber<\/strong><\/p>\nFarquhar cria tamb\u00e9m a Souther Brazil Lumber and Colonization Co., que tinha por objetivo de extrair a madeira da regi\u00e3o e depois comercializ\u00e1-la no Brasil e no exterior. Al\u00e9m disso, a empresa ganha tamb\u00e9m o direito de revender os terrenos desapropriados \u00e0s margens da estrada de ferro. Esses terrenos seriam vendidos preferencialmente aos imigrantes estrangeiros que formavam suas col\u00f4nias no sul do Brasil.\n\nPara a constru\u00e7\u00e3o do trecho que faltava da ferrovia, a empresa contratou cerca de 8000 homens da popula\u00e7\u00e3o urbana do Rio de Janeiro, Santos, Salvador e Recife, prometendo sal\u00e1rios compensadores.\n\nAo encerrar a constru\u00e7\u00e3o da ferrovia, esses funcion\u00e1rios foram demitidos, sem ter para onde ir pois a empresa n\u00e3o honrou o acorde de lev\u00e1-los de volta ao t\u00e9rmino do trabalho. Passam ent\u00e3o a engrossar a popula\u00e7\u00e3o carente que perambulava a regi\u00e3o do Contestado.\n\nA Brazil Lumber providencia a constru\u00e7\u00e3o de duas grandes serrarias, uma em Tr\u00eas Barras, considerada a maior da Am\u00e9rica do Sul, e outra em Calmon, no qual d\u00e3o in\u00edcio a devasta\u00e7\u00e3o dos imensos e seculares pinherais.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra7.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/><strong>\nRegi\u00e3o envolvida naq guerra<\/strong><\/p>\nA guerra inicia-se oficialmente em 1912, com o combate do Irani, que resultou nas mortes do monge Jos\u00e9 Maria e tamb\u00e9m do coronel Jo\u00e3o Gualberto, e vai at\u00e9 a pris\u00e3o de Adeodato, \u00faltimo e mais destacado chefes dos fan\u00e1ticos, em 1916. \u00c9 tamb\u00e9m neste ano em que \u00e9 assinado o acordo de limites entre Santa Catarina e Paran\u00e1.\n\nDurante esse per\u00edodo, podemos observar uma mudan\u00e7a nos quadros dos fan\u00e1ticos com a ades\u00e3o dos ex-funcion\u00e1rios da Brazil Railway Company. Juntam-se tamb\u00e9m ao movimento um expressivo n\u00famero de fazendeiros que come\u00e7avam a perder terras para o grupo Farquhar e para os coron\u00e9is. Com essas mudan\u00e7as o grupo vai tornar-se mais organizado, distribuindo fun\u00e7\u00f5es a todos, utilizando tamb\u00e9m t\u00e1ticas de guerrilha.\n\nNo epis\u00f3dio em que o Jos\u00e9 Maria monta sua &#8220;farm\u00e1cia do povo&#8221; nas terras do coronel Almeida, cresce absurdamente sua popularidade, sendo convidado para participar da festa do Senhor do Bom Jesus, em Taquaru\u00e7u &#8211; munic\u00edpio de Curitibanos. Atendendo ao convite Jos\u00e9 Maria participa acompanhado de 300 fi\u00e9is, ao terminar a festa Jos\u00e9 Maria continuou em Curitibanos atendendo pessoas que n\u00e3o tinham mais onde ir. Curitibanos era uma cidade sob o dom\u00ednio do coronel Francisco de Albuquerque, que preocupado com ac\u00famulo dos &#8220;fi\u00e9is&#8221; manda um telegrama para a capital pedindo aux\u00edlio contra &#8220;rebeldes que proclamaram a monarquia em Taguaru\u00e7\u00fa&#8221;, sendo atendido com o envio de tropas.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra8.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Caboclos moradores da regi\u00e3o do Contestado<\/strong><\/p>\nDiante dessa situa\u00e7\u00e3o, Jos\u00e9 Maria parte para o Irani com toda essa popula\u00e7\u00e3o carente. Por\u00e9m na \u00e9poca Irani pertencia a Palmas, sob controle do Estado do Paran\u00e1, que via nesse movimento de pessoas uma &#8220;estrat\u00e9gia&#8221; de ocupa\u00e7\u00e3o por parte do Estado de Santa Catarina. Logo \u00e9 enviada tropas do Regimento de Seguran\u00e7a do Paran\u00e1, sob o comando do coronel Jo\u00e3o Gualberto, que junto com Jos\u00e9 Maria, morre no combate.\n\nTerminada a luta com dezenas de corpos e com a vit\u00f3ria dos fan\u00e1ticos, Jos\u00e9 Maria \u00e9 enterrado com t\u00e1buas para facilitar a sua ressurrei\u00e7\u00e3o, que aconteceria acompanhado de um Ex\u00e9rcito Encantado, ou Ex\u00e9rcito de S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Os caboclos defendiam a Monarquia Celeste, pois viam na Rep\u00fablica um instrumento do diabo, dominado pelas figuras dos coron\u00e9is.\n\nEm dezembro de 1913, organiza-se em Taquaru\u00e7\u00fa um novo reduto que logo reuniu 3000 crentes, que atenderam ao chamado de Teodora, uma antiga seguidora de Jos\u00e9 Maria que dizia ter vis\u00f5es do monge. Ao final deste ano, o governo federal e uma For\u00e7a P\u00fablica catarinense, atacam o reduto. O ataque fracassa e os fan\u00e1ticos se apoderam das armas. A partir de ent\u00e3o come\u00e7am a surgir novos redutos, cada vez mais em locais afastados para dificultar o ataque das tropas legais.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra9.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Escombros da serraria da fazenda Santa\nLeoc\u00e1dia queimada pelos caboclos<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra10.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Vista parcial do reduto <\/strong><\/p>\nEm janeiro de 1914 um novo ataque feito em conjunto com os dois Estados e o governo federal que arrasa completamente o acampamento de Taquaru\u00e7\u00fa. Mas a maior parte dos habitantes j\u00e1 estavam em Caraguat\u00e1, de dif\u00edcil acesso. No dia 9 de mar\u00e7o de 1914 os soldados travam uma nova batalha, sendo derrotados.\n\nEssa derrota repercute em todo o interior, trazendo para o reduto mais e mais pessoas. Neste momento, formam-se piquetes para o arrebanhamento de animais da regi\u00e3o para suprir as necessidades do reduto.\n\nMesmo com a vit\u00f3ria \u00e9 criado outro reduto, o de Bom Sossego, e perto dele o de S\u00e3o Sebasti\u00e3o. Este \u00faltimo chegou a ter aproximadamente 2000 moradores.\n\nOs fan\u00e1ticos n\u00e3o ficam s\u00f3 a esperar os ataques do governo, atacam as fazendas dos coron\u00e9is retirando tudo o que precisavam para as necessidades do reduto.\n\nPartiram tamb\u00e9m para atacar v\u00e1rias cidades, como foi o caso de Curitibanos. O principal alvo nesses casos eram cart\u00f3rios onde se encontravam registros das terras, sendo incendiados. Outro ataque foi em Calmon, destruindo a segunda serraria da Lumber, destruindo-a completamente.\n\nNo auge do movimento, o territ\u00f3rio ocupado equivalia ao Estado de Alagoas, totalizando 20.000. At\u00e9 o fim do movimento haviam morrido cerca de 6000.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra11.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Este grupo de caboclos mostrou a um fot\u00f3grafo an\u00f4nimo que estava disposto a se defender<\/strong><\/p>\n\n<h4>O contra-ataque do governo<\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra12.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>General Setembrino <\/strong><\/p>\nCom a nomea\u00e7\u00e3o do General Setembrino de Carvalho para o comando das opera\u00e7\u00f5es contra os fan\u00e1ticos, a guerra muda de posi\u00e7\u00e3o. At\u00e9 ent\u00e3o os rebeldes haviam ganho grande parte dos combates e as vit\u00f3rias do governo eram inexpressivas. Setembrino vai reunir 7000 soldados, dispondo tamb\u00e9m de dois avi\u00f5es de observa\u00e7\u00e3o e combate.\n\nEm seguida manda um manifesto aos habitantes das \u00e1reas ocupadas garantindo a devolu\u00e7\u00e3o de terras para quem se entregasse, e tratamento in\u00f3spito para quem continuasse.\n\n<strong>Setembrino vai adotar uma nova postura de guerra, ao inv\u00e9s de ir ao combate direto, cerca os fan\u00e1ticos com tropas vindas de todas as dire\u00e7\u00f5es:<\/strong> norte &#8211; sul &#8211; leste &#8211; oeste.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra13.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Avi\u00e3o usado na Guerra do Contestado <\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra14.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Sertanejos do Contestado ap\u00f3s serem aprisionados<\/strong><\/p>\nCom esse cerco, come\u00e7a a faltar comida nos acampamentos, fazendo com que alguns fan\u00e1ticos come\u00e7assem a se entregar, mas na sua maioria eram velhos, mulheres e crian\u00e7as, talvez para que sobrasse mais comida aos combatentes. Come\u00e7a a se destacar do reduto a figura do Adeodato, o \u00faltimo l\u00edder dos fan\u00e1ticos, que muda o reduto-mor para o vale de Santa Maria, que contou com cerca de 5000 homens.\n\nNa medida em que ia faltando comida, Adeodato come\u00e7a a se revelar autorit\u00e1rio, n\u00e3o aceitando ser desafiado.\n\n<strong>Aos que queriam desertar, ou se entregar, era aplicada a pena m\u00e1xima:<\/strong> a morte. Em dezembro de 1915 o \u00faltimo reduto \u00e9 devastado pelas tropas de Setembrino.\n\nAdeodato foge, vagando com tropas ao seu alcan\u00e7o, conseguindo escapar de seus perseguidores, mas a fome e o cansa\u00e7o faz com que Adeodato se entregue em in\u00edcio de agosto de 1916.\n\nEm 1923, sete anos ap\u00f3s ter sido preso, Adeodato \u00e9 morto numa tentativa de fuga pelo pr\u00f3prio diretor da cadeia, chegava ao fim a trajet\u00f3ria do \u00faltimo comandante dos fan\u00e1ticos da regi\u00e3o do Contestado.\n<p class=\"imagem\"><img decoding=\"async\" title=\"Guerra do Contestado\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/gguerra151.jpg\" alt=\"Guerra do Contestado\" \/>\n<strong>Detalhe do monumento erguido no munic\u00edpio de Irani \u00e0s\nmilhares de v\u00edtimas da Guerra do Conterstado.<\/strong><\/p>\n<b>Fonte:<\/b> br.geocities.com\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\nNo per\u00edodo compreendido entre 1912 a 1916, na \u00e1rea ent\u00e3o disputada pelos Estados de Santa Catarina e Paran\u00e1, denominada regi\u00e3o do Contestado, uma luta pela posse de terra levou \u00e0s armas, cerca de 20 mil sertanejos.\n\nRevoltados com os governos estaduais, que promoviam a concentra\u00e7\u00e3o da terra, nas m\u00e3os de poucos e com o governo federal, que concedeu uma extensa \u00e1rea, j\u00e1 habitada, \u00e0 empresa norte-americana respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o da estrada de ferro S\u00e3o Paulo &#8211; Rio Grande do Sul no territ\u00f3rio, os cablocos enfrentaram as for\u00e7as militares dos dois Estados e do Ex\u00e9rcito Nacional, encarregados da repress\u00e3o\n\nLiderados inicialmente por um monge peregrino, que um ano mais tarde, ap\u00f3s sua morte, faria eclodir um movimento messi\u00e2nico de cren\u00e7a na sua ressurrei\u00e7\u00e3o e na instaura\u00e7\u00e3o de um reinado de paz, justi\u00e7a e fraternidade, os revoltosos chegaram a controlar uma \u00e1rea de 28 mil quel\u00f4metros quadrados.\n\nCom o prop\u00f3sito de garantir direito de terras, combateram a entrada do capital estrangeiro, que explorava a madeira e vendia a terra a colonos imigrantes.\n\nA &#8220;<strong>Guerra do Contestado<\/strong>&#8220;, como ficou conhecido o epis\u00f3dio, terminou em massacre e a rendi\u00e7\u00e3o em massa dos sertanejos que, embora tivessem se empolgado com as primeiras vit\u00f3rias, n\u00e3o puderam resistir \u00e0 superioridade b\u00e9lica das for\u00e7as repressivas. Al\u00e9m do fuzil do canh\u00e3o e da metralhadora, pela primeira vez na Am\u00e9rica Latina era usada a avia\u00e7\u00e3o com fins militares.\n\nTerminada a Guerra, Paran\u00e1 e Santa Catarina chegam a um acordo sobre a Quest\u00e3o dos Limites e a coloniza\u00e7\u00e3o da regi\u00e3o \u00e9 intensificada.\n\nSurgem as primeiras cidades e uma cultura regional come\u00e7a a ser delineada.\n\nA economia extrativista da erva-mate e da madeira vai cedendo lugar aos novos empreendimentos de processamento da mat\u00e9ria-prima.\n\nA moderniza\u00e7\u00e3o atinge tamb\u00e9m a propriedade rural. A regi\u00e3o passa a viver uma nova realidade s\u00f3cio-econ\u00f4mica e cultural.\n\nO desenvolvimento, que acontece a passos largos, preserva, contudo, o esp\u00edrito inconformista e empreendedor do homem do Contestado, que venceu as adversidades de uma regi\u00e3o in\u00f3spita e conflitante na luta por sua sobreviv\u00eancia e na busca de seus direitos.\n\nA li\u00e7\u00e3o est\u00e1 estampada na cultura e nas marcas que hoje se erguem por todo o territ\u00f3rio como marcos e refer\u00eancias tur\u00edsticas porque resgatam um dos mais importantes epis\u00f3dios da hist\u00f3ria brasileira.\n\nOs fatos hist\u00f3ricos e culturais inerentes \u00e0 Quest\u00e3o do Contestado, associados \u00e0 natureza e aos produtos da regi\u00e3o, constituem importante roteiro tur\u00edstico regional.\n\nFonte: www.radarsul.com.br\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\nA disputa travada entre as prov\u00edncias do Paran\u00e1 e Santa Catarina, pela \u00e1rea localizada no planalto meridional entre os rios do Peixe e Peperigua\u00e7u, estendendo-se aos territ\u00f3rios de Curitibanos e Campos Novos era antiga, originada antes mesmo da cria\u00e7\u00e3o da prov\u00edncia do Paran\u00e1, em 1853, permanecendo em lit\u00edgio at\u00e9 o per\u00edodo republicano.\n\nEm 1855, o governo da prov\u00edncia do Paran\u00e1 desenvolvia tese de que a sua jurisdi\u00e7\u00e3o se estendia por todo o planalto meridional. Da\u00ed em diante, uma luta incessante vai ter lugar no Parlamento do Imp\u00e9rio, onde os representantes de ambas as prov\u00edncias propunham solu\u00e7\u00f5es, sem chegar a f\u00f3rmulas conciliat\u00f3rias.\n\nDepois de v\u00e1rios acontecimentos que protelaram as decis\u00f5es &#8211; como a abertura da &#8220;Estrada da Serra&#8221; e tamb\u00e9m a disputa entre Brasil e Argentina pelos &#8220;Campos de Palmas&#8221; ou &#8220;Misiones&#8221; &#8211; o Estado de Santa Catarina, em 1904, teve ganho de causa, embora o Paran\u00e1 se recusasse a cumprir a senten\u00e7a.\n\nHouve novo recurso e, em 1909, nova decis\u00e3o favor\u00e1vel a Santa Catarina, quando, mais uma vez, o Paran\u00e1 contesta. Em 1910, o Supremo Tribunal d\u00e1 ganho de causa a Santa Catarina.\n<h4>A Guerra do Contestado e as opera\u00e7\u00f5es militares<\/h4>\nA regi\u00e3o contestada era povoada por &#8220;posseiros&#8221; que, sem oportunidade de ascens\u00e3o social ou econ\u00f4mica, como pe\u00f5es ou agregados das grandes fazendas, tomavam, como alternativa, a procura de paragens para tentar nova vida.\n\nAo lado desses elementos sem maior cultura &#8211; mas fundamentalmente religiosos, subordinados a um cristianismo ortodoxo &#8211; v\u00e3o se congregar outros elementos como os oper\u00e1rios da constru\u00e7\u00e3o da Estrada de Ferro S\u00e3o Paulo-Rio Grande, ao longo do vale do rio do Peixe.\n\nJunto a esta popula\u00e7\u00e3o marginalizada, destaca-se a atua\u00e7\u00e3o dos chamados &#8220;monges&#8221;, dentre os quais o primeiro identificado chamava-se Jo\u00e3o Maria de Agostoni, de nacionalidade italiana, que transitou pelas regi\u00f5es do Rio Negro e Lages, desaparecendo ap\u00f3s a Proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica.\n\nAp\u00f3s 1893, consta o aparecimento de um segundo Jo\u00e3o Maria, entre os rios Igua\u00e7u e Uruguai. Em 1987, surge outro monge, no munic\u00edpio de Lages. Em 1912, em Campos Novos, surge o monge Jos\u00e9 Maria, ex-soldado do Ex\u00e9rcito, Miguel Lucena de Boaventura, que n\u00e3o aceitava os problemas sociais que atingiam a popula\u00e7\u00e3o sertaneja do planalto.\n\nO agrupamento que come\u00e7ou a se formar em torno do monge, composto principalmente de caboclos sa\u00eddos de Curitibanos, se instala nos Campos do Irani. Esta \u00e1rea, sob o controle do Paran\u00e1, teme os &#8220;invasores catarinenses&#8221; e mobiliza o seu Regimento de Seguran\u00e7a, pois esta invas\u00e3o ocorre, justamente, naquele momento de lit\u00edgio entre os dois Estados.\n\nEm novembro de 1912, o acampamento de Irani \u00e9 atacado pela for\u00e7a policial paranaense e trava-se sangrento combate, com a perda de muitos homens e de grande quantidade de material b\u00e9lico do Paran\u00e1, o que fez desencadear novos confrontos, al\u00e9m do agravamento das rela\u00e7\u00f5es entre Paran\u00e1 e Santa Catarina.\n\nOs caboclos v\u00e3o formar, pela segunda vez, em dezembro de 1913, uma concentra\u00e7\u00e3o em Taquaru\u00e7u, que se tornou a &#8220;Cidade Santa&#8221;, com grande religiosidade e, na qual, os caboclos tratavam-se como &#8220;irm\u00e3os&#8221;. Neste mesmo ano, tropas do Ex\u00e9rcito e da For\u00e7a Policial de Santa Catarina atacam Taquaru\u00e7u, mas s\u00e3o expulsas, deixando, ali, grande parte do armamento.\n\nAp\u00f3s a morte de outro l\u00edder, Praxedes Gomes Damasceno, antigo seguidor do monge Jos\u00e9 Maria, os caboclos se encontram enfraquecidos. No segundo ataque, Taquaru\u00e7u era um reduto com grande predom\u00ednio de mulheres e crian\u00e7as, sendo a povoa\u00e7\u00e3o arrasada.\n\nOutros povoados, ainda, como Perdizes Grandes, seriam formados e diversos outros combates, principalmente sob a forma de guerrilhas, se travariam at\u00e9 que o conflito na regi\u00e3o realmente terminasse.\n\nFonte: www.viegasdacosta.hpg.ig.com.br\n<h6>Guerra do Contestado<\/h6>\n<h4>Movimento Messi\u00e2nico (1912-1916)<\/h4>\nEm 1912, numa regi\u00e3o contestada por Santa Catarina e Paran\u00e1, houve um conflito bastante semelhante ao de Canudos, ou seja, camponeses expulsos de suas terras e sem trabalho decidem organizar uma comunidade, sob o comando de um monge.\n\nUma empresa norte-americana, ao construir a estrada de ferro que iria ligar S\u00e3o Paulo ao Rio Grande do Sul, desapropriou as terras que margeavam a ferrovia e, em troca, muito gentilmente ofereceu trabalho \u00e0s fam\u00edlias camponesas na constru\u00e7\u00e3o da mesma.\n\nQuando as obras terminaram, uma popula\u00e7\u00e3o enorme de camponeses ficou sem ter o que fazer nem para onde ir. Esta situa\u00e7\u00e3o era semelhante a dos camponeses expulsos de suas terras por poderosas empresas madeireiras que, tamb\u00e9m, vinham se instalando na regi\u00e3o.\n\nEsses camponeses se uniram aos &#8216;monges&#8217; Jo\u00e3o Maria e Jos\u00e9 Maria e fundaram alguns povoados &#8211; &#8220;Monarquia Celeste&#8221; -, com ordem pr\u00f3pria a semelhan\u00e7a de Canudos.\n\n<strong>O governo rapidamente tratou de dizimar esse movimento campon\u00eas (utilizando at\u00e9 avi\u00f5es). As for\u00e7as ficaram assim compostas:<\/strong> peludos (representavam o governo) contra os pelados (massa camponesa marginalizada).\n\nEm 1916, os \u00faltimos n\u00facleos foram arrasados por tropas do governo.\n<h4>Desenrolar da Guerra e Conflitos<\/h4>\nOs coron\u00e9is da regi\u00e3o e o governo come\u00e7aram a ficar preocupados com a lideran\u00e7a de Jos\u00e9 Maria e sua capacidade de atrair camponeses. O governo passou a acusa ele de ser um inimigo da rep\u00fablica, que tinha como objetivo desestruturar o governo. Com isso, policiais e soldados do ex\u00e9rcito foram enviados ao local, com o objetivo de acabar com o movimento.\n\nOs soldados e policiais come\u00e7aram a perseguir Jos\u00e9 Maria e seus seguidores. Armados de espingardas de ca\u00e7a, fac\u00f5es e enxadas, os camponeses resistiram e enfrentaram as for\u00e7as oficiais que estavam bem armadas. Nestes conflitos armados, morrerem em torno de 5 mil \u00e0 8 mil rebeldes. As baixas do lado das tropas oficiais foram bem menores.\n<h4>Jos\u00e9 Maria<\/h4>\nJos\u00e9 Maria pregava a cria\u00e7\u00e3o de um mundo novo, regido pelas leis de Deus, onde todos viveriam em paz, com prosperidade justi\u00e7a e terras para trabalhar, por isso, conseguiu reunir milhares de seguidores, principalmente de camponeses sem terras.\n\nFonte: leandrobrito.br.tripod.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Guerra do Contestado, Hist\u00f3ria, Brasil, Conflito, Revolta, Movimento, Luta, Causa, Foto, L\u00edder, Regi\u00e3o, Per\u00edodo, Fim, Guerra do Contestado<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9255,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25891","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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