{"id":25857,"date":"2015-12-17T00:00:00","date_gmt":"2015-12-17T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/corte-portuguesa-no-brasil-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:56:36","modified_gmt":"2026-09-01T17:56:36","slug":"corte-portuguesa-no-brasil-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/historia-do-brasil\/corte-portuguesa-no-brasil-4\/","title":{"rendered":"Corte Portuguesa no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<strong>Corte Portuguesa no Brasil &#8211; O que foi<\/strong>\n\nNo in\u00edcio do s\u00e9culo XIX, a pol\u00edtica expansionista de Napole\u00e3o Bonaparte altera o equil\u00edbrio pol\u00edtico da Europa.\n\nO imperador tenta impor a supremacia da Fran\u00e7a sobre os demais pa\u00edses.\n\n<strong>A Inglaterra resiste e Napole\u00e3o decreta o chamado bloqueio continental:<\/strong>\u00a0a proibi\u00e7\u00e3o, sob a amea\u00e7a das armas, de os demais pa\u00edses do continente negociarem com a Inglaterra.\n\nPortugal tenta uma pol\u00edtica de neutralidade, mas continua negociando com os ingleses. Em repres\u00e1lia, o imperador franc\u00eas ordena a invas\u00e3o de Portugal pelas tropas do general Jean Junot.\n\nFirma com a Espanha o Tratado de Fontainebleau (1807), que reparte o territ\u00f3rio portugu\u00eas entre os dois pa\u00edses, dividindo-o em dois reinos, Lusit\u00e2nia e Algarves.\n\nEssa divis\u00e3o n\u00e3o \u00e9 posta em pr\u00e1tica, mas a amea\u00e7a de uma invas\u00e3o francesa faz com que a fam\u00edlia real portuguesa se transfira para o Brasil.\n\n<strong>Fuga da fam\u00edlia real<\/strong>\n\nEm outubro de 1807 os governos portugu\u00eas e ingl\u00eas assinam um acordo secreto em que a Inglaterra se compromete a ajudar a nobreza em fuga. Come\u00e7a, ent\u00e3o, o que os historiadores caracterizam como o momento do \u201csalve-se quem puder\u201d. A not\u00edcia da fuga da fam\u00edlia real espalha-se, e Lisboa \u00e9 tomada pelo caos. Apavorada, a popula\u00e7\u00e3o da cidade sai \u00e0s ruas para protestar contra os governantes que n\u00e3o hesitam em deix\u00e1-la entregue \u00e0 pr\u00f3pria sorte.\n\n<strong>S\u00e9quito real<\/strong>\n\nDia 29 de novembro, depois de v\u00e1rios incidentes, a esquadra real parte de Lisboa escoltada por navios de guerra ingleses. V\u00e1rios nobres morrem afogados ao tentar alcan\u00e7ar a nado os navios superlotados. Nas 36 embarca\u00e7\u00f5es, o pr\u00edncipe-regente dom Jo\u00e3o, a fam\u00edlia real e seu s\u00e9quito, estimado em 15 mil pessoas, trazem j\u00f3ias, pe\u00e7as de ouro e prata e a quantia de 80 milh\u00f5es de cruzados, o equivalente \u00e0 metade do dinheiro circulante no reino.\n\nEm janeiro de 1808, a frota lusa chega \u00e0 Bahia. O Brasil passa a ser sede da monarquia portuguesa.\n\n<strong>Dom Jo\u00e3o VI (1767-1826)<\/strong>\n\nFilho da rainha dona Maria I e do pr\u00edncipe dom Pedro III, herda o direito ao trono com a morte do primog\u00eanito dom Jos\u00e9.\n\nEm 1785, casa-se com dona Carlota Joaquina, uma das herdeiras do trono espanhol. Dom Jo\u00e3o assume a reg\u00eancia de Portugal em 1792, quando sua m\u00e3e enlouquece e enfrenta conflitos internos e externos durante todo o seu governo.\n\nNa Fran\u00e7a, Lu\u00eds XVI \u00e9 executado pelos revolucion\u00e1rios e as monarquias europeias temem destino semelhante. Na corte portuguesa, dom Jo\u00e3o sofre constantes tentativas de golpes tramados pela esposa e pelo filho, dom Miguel.\n\nNo Brasil, dona Carlota tenta derrubar dom Jo\u00e3o e conspira com diferentes grupos da nobreza espanhola. Pretende conquistar a Coroa da Espanha, unir os dois reinos e tornar-se imperatriz das Am\u00e9ricas.\n\nQuando dom Jo\u00e3o, de volta a Portugal, submete-se ao regime constitucionalista, dona Carlota e dom Miguel assumem a luta pela autonomia do trono frente \u00e0s Cortes.\n\nPrendem dom Jo\u00e3o durante uma revolta em Lisboa, em 1824. O rei foge sob a prote\u00e7\u00e3o dos ingleses e manda prender a esposa e o filho. Isolado na corte, morre dois anos depois.\n\n<strong>A corte no Rio de Janeiro<\/strong>\n\nEm 7 de mar\u00e7o de 1808, a corte se transfere para o Rio de Janeiro. No primeiro momento, a mudan\u00e7a provoca grandes conflitos com a popula\u00e7\u00e3o local.\n\nA pequena cidade, com apenas 46 ruas, 19 largos, seis becos e quatro travessas, n\u00e3o tem como acomodar de uma hora para outra os 15 mil novos habitantes.\n\nPara resolver o problema, os funcion\u00e1rios reais recorrem \u00e0 viol\u00eancia, obrigando os moradores das melhores casas a abandon\u00e1-las a toque de caixa. A senha P.R. (pr\u00edncipe-regente), inscrita nas portas das casas escolhidas, passa a ter para o povo o sentido pejorativo de \u201cponha-se na rua\u201d. Apesar dos contratempos iniciais, a instala\u00e7\u00e3o da realeza ajuda a tirar a capital da letargia econ\u00f4mica e cultural em que est\u00e1 mergulhada.\n\n<strong>Novas institui\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nToda a burocracia administrativa do Estado portugu\u00eas \u00e9 remontada no Brasil. Para fazer frente \u00e0s novas despesas \u00e9 criado, em 1808, o primeiro Banco do Brasil.\n\nSua fun\u00e7\u00e3o \u00e9 obter fundos para cobrir os gastos suntu\u00e1rios da Corte, pagar os soldados e promover transa\u00e7\u00f5es comerciais. Instalam-se o Er\u00e1rio R\u00e9gio, depois transformado em Minist\u00e9rio da Fazenda; o Conselho de Estado; a Junta de Com\u00e9rcio; a Intend\u00eancia Geral da Pol\u00edcia; o Desembargo do Pa\u00e7o; a Mesa de Consci\u00eancia e Ordens (ou tribunal) e a Junta Real de Agricultura e Navega\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Repercuss\u00f5es econ\u00f4micas<\/strong>\n\nLogo ao chegar, dom Jo\u00e3o decreta a abertura dos portos \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas, abolindo o monop\u00f3lio comercial luso. A vida econ\u00f4mica muda radicalmente.\n\nO s\u00e9quito real amplia a demanda de bens de consumo e aumenta as despesas p\u00fablicas. O com\u00e9rcio se diversifica com a inunda\u00e7\u00e3o de produtos estrangeiros suntu\u00e1rios e o pr\u00edncipe toma medidas de incentivo \u00e0 ind\u00fastria.\n\n<strong>Est\u00edmulo \u00e0s manufaturas<\/strong>\n\nDom Jo\u00e3o revoga o alvar\u00e1 de 1785, que proibia as manufaturas brasileiras e autoriza a instala\u00e7\u00e3o de tecelagens, f\u00e1bricas de vidro e de p\u00f3lvora, moinhos de trigo e uma fundi\u00e7\u00e3o de artilharia.\n\nTamb\u00e9m facilita a vinda de artes\u00e3os e profissionais liberais europeus, inclusive m\u00e9dicos e farmac\u00eauticos. Dez anos depois da chegada da corte ao Brasil, a popula\u00e7\u00e3o do Rio de Janeiro aumenta de 50 mil para 100 mil habitantes.\n\n<strong>Presen\u00e7a inglesa no Brasil<\/strong>\n\nAt\u00e9 1814 a abertura dos portos beneficia exclusivamente a Inglaterra, que praticamente monopoliza o com\u00e9rcio com o Brasil.\n\nOutros tratados firmados por dom Jo\u00e3o em 1810, o de Amizade e Alian\u00e7a e o de Com\u00e9rcio e Navega\u00e7\u00e3o consolidam ainda mais a presen\u00e7a inglesa na col\u00f4nia.\n\nO Tratado de Com\u00e9rcio, por exemplo, fixa a taxa de 15% para todas as importa\u00e7\u00f5es inglesas e de 24% para as de outras na\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Abertura cultural<\/strong>\n\nCom a corte no Brasil, dom Jo\u00e3o toma v\u00e1rias iniciativas para estimular a educa\u00e7\u00e3o, a ci\u00eancia e as artes na col\u00f4nia.\n\n<strong>Promove v\u00e1rias miss\u00f5es culturais, com a vinda de cientistas e artistas franceses, alem\u00e3es e ingleses:<\/strong>\u00a0o pintor e escritor franc\u00eas Jean-Baptiste Debret, o bot\u00e2nico franc\u00eas Auguste Saint-Hilaire, o naturalista alem\u00e3o Karl Friedrich von Martius, o pintor alem\u00e3o Johann Moritz Rugendas e o naturalista e ge\u00f3logo brit\u00e2nico John Mawe.\n\n<strong>Centros culturais<\/strong>\n\nS\u00e3o criadas a primeira escola superior, a M\u00e9dico-cir\u00fargica, em Salvador, em 18\/2\/1808; a Academia da Marinha, em 5\/5\/1808, e a Academia Militar do Rio de Janeiro, em 4\/12\/1808; e a primeira Biblioteca P\u00fablica (atual Biblioteca Nacional), tamb\u00e9m no Rio de Janeiro, em 13\/5\/1811. Cultura e ci\u00eancias s\u00e3o tamb\u00e9m estimuladas com a cria\u00e7\u00e3o do Jardim Bot\u00e2nico e da Escola Real de Ci\u00eancias, Artes e Of\u00edcios (depois Academia de Belas Artes), em 4\/12\/1810.\n\n<strong>Imprensa<\/strong>\n\nO pr\u00edncipe dom Jo\u00e3o instala a primeira tipografia do Brasil e inaugura a Imprensa R\u00e9gia, em maio de 1808. Em setembro do mesmo ano come\u00e7a a circular A gazeta do Rio de Janeiro. Publicada tr\u00eas vezes por semana, a Gazeta n\u00e3o chega a ser um jornal, mas um peri\u00f3dico que publica an\u00fancios e atos oficiais da Coroa.\n\nA imprensa brasileira nasce efetivamente em Londres, com a cria\u00e7\u00e3o do Correio Brasiliense, pelo jornalista Hip\u00f3lito Jos\u00e9 da Costa. Apesar de favor\u00e1vel \u00e0 monarquia, o jornal tem cunho liberal, defende a aboli\u00e7\u00e3o gradual da escravid\u00e3o e prop\u00f5e em seu lugar a ado\u00e7\u00e3o do trabalho assalariado e o incentivo \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. O Correio braziliense circula entre 1808 e 1822, sem interrup\u00e7\u00f5es.\n\n<strong>Reino Unido<\/strong>\n\nCom a derrota de Napole\u00e3o frente aos ingleses, a Europa passa por um processo de reorganiza\u00e7\u00e3o de suas fronteiras internas. O Congresso de Viena, realizado em 1815, exige que as casas reais destronadas por Napole\u00e3o voltem a se instalar em seus reinos para, ent\u00e3o, reivindicar a posse e negociar os limites de seus dom\u00ednios.\n\n<strong>Para cumprir essa exig\u00eancia num momento em que a corte portuguesa est\u00e1 instalada na col\u00f4nia, dom Jo\u00e3o usa um artif\u00edcio:\u00a0<\/strong>em 16 de dezembro de 1815 promove o Brasil de col\u00f4nia a reino e cria o Reino Unido de Portugal e Algarves.\n\nA medida agrada aos ingleses, que veem com bons olhos a instala\u00e7\u00e3o definitiva do governo portugu\u00eas no Brasil. Em 1816, com a morte da rainha dona Maria I, o pr\u00edncipe-regente \u00e9 sagrado rei, com o t\u00edtulo de dom Jo\u00e3o VI.\n\n<strong>Conflitos internos e externos<\/strong>\n\nOs gastos com a burocracia do governo e manuten\u00e7\u00e3o da corte no Rio de Janeiro provocam um aumento excessivo nos tributos cobrados nas regi\u00f5es exportadoras. Nas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo XIX, a seca e a crise do setor a\u00e7ucareiro aumentam o descontentamento dos senhores locais.\n\nAo mesmo tempo, em Portugal, surge um movimento antiabsolutista que exige maior participa\u00e7\u00e3o das cortes, o Parlamento portugu\u00eas, nas decis\u00f5es pol\u00edticas do reino. A Revolu\u00e7\u00e3o Pernambucana de 1817 e a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, em Portugal, em 1820, prenunciam os movimentos que v\u00e3o desaguar na independ\u00eancia do Brasil, em 1822.\n\n<strong>Revolu\u00e7\u00e3o pernambucana<\/strong>\n\nO mau desempenho da ind\u00fastria a\u00e7ucareira no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX mergulha Pernambuco em um per\u00edodo de instabilidade. Distantes do centro do poder, a presen\u00e7a da corte no Brasil traduz-se apenas em aumento de impostos e faz crescer a insatisfa\u00e7\u00e3o popular contra os portugueses.\n\n<strong>Em 1817 estoura uma revolta:<\/strong>\u00a0de um lado, propriet\u00e1rios rurais, clero e comerciantes brasileiros, de outro, militares e comerciantes portugueses vinculados ao grande com\u00e9rcio de importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>Governo revolucion\u00e1rio<\/strong>\n\nDenunciado o movimento, o governador Caetano Pinto manda prender os envolvidos. Os l\u00edderes civis n\u00e3o oferecem resist\u00eancia, mas o capit\u00e3o Jos\u00e9 de Barros Lima, chamado de Le\u00e3o Coroado, mata o brigadeiro Manoel Barbosa de Castro ao receber ordem de pris\u00e3o. Seu ato deflagra um motim na fortaleza das Cinco Pontas e a rebeli\u00e3o ganha as ruas. O governador refugia-se na fortaleza de Brum, no Recife, mas capitula e em 7 de mar\u00e7o embarca para o Rio de Janeiro.\n\nDe posse da cidade, os rebeldes organizam o primeiro governo brasileiro independente, baseado na representa\u00e7\u00e3o de classes, e proclamam a Rep\u00fablica.\n\nEnviam emiss\u00e1rios aos Estados Unidos, Inglaterra e regi\u00e3o platina para pedir o reconhecimento do novo governo. Procuram articular o movimento na Bahia, Alagoas, Rio Grande do Norte e Para\u00edba, mas recebem ades\u00f5es apenas nesta \u00faltima.\n\n<strong>A quest\u00e3o da escravid\u00e3o<\/strong>\n\nO governo revolucion\u00e1rio compromete-se a garantir os direitos individuais, as liberdades de imprensa, culto e opini\u00e3o, mas divide-se na quest\u00e3o da escravid\u00e3o.\n\nComerciantes, como Domingos Jos\u00e9 Martins, defendem a aboli\u00e7\u00e3o. Os representantes do setor agr\u00edcola, como Francisco de Paula, se op\u00f5em, temendo a repeti\u00e7\u00e3o dos massacres de brancos ocorridos no Haiti.\n\nA diverg\u00eancia impede a participa\u00e7\u00e3o dos combatentes negros e de suas lideran\u00e7as, como o capit\u00e3o mulato Pedro Pedroso.\n\nDivididos e isolados do resto da col\u00f4nia, os revoltosos n\u00e3o resistem por muito tempo. S\u00e3o derrotados pelas tropas de dom Jo\u00e3o VI em 19 de maio de 1817.\n\nAs lideran\u00e7as s\u00e3o presas e os l\u00edderes mais importantes s\u00e3o executados.\n\n<strong>Cortes Constituintes<\/strong>\n\nA eleva\u00e7\u00e3o do Brasil a Reino Unido a limenta o inconformismo em Portugal. Sob tutela brit\u00e2nica desde 1808 e alijados do centro das decis\u00f5es pol\u00edticas do reino, a nobreza e comerciantes que permanecem no territ\u00f3rio portugu\u00eas reivindicam maior autonomia.\n\nCresce o movimento antiabsolutista e, em 24 de agosto de 1820, \u00e9 deflagrada a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto. Como consequ\u00eancia, em janeiro de 1821, as Cortes Constituintes, o Parlamento nacional, que n\u00e3o se reunia desde 1689, voltam a ser instaladas.\n\n<strong>A press\u00e3o da metr\u00f3pole<\/strong>\n\nInteressadas em reativar o monop\u00f3lio colonial, as Cortes diminuem a autonomia do Reino Unido.\n\nOs delegados brasileiros s\u00e3o minoria \u2013 dos 250 representantes, o Brasil tem direito a 75 e nem todos viajam a Portugal para as se\u00e7\u00f5es.\n\nEm agosto de 1821, com 50 representantes presentes, as Cortes decidem elevar os impostos sobre a importa\u00e7\u00e3o de tecido brit\u00e2nico pelo Brasil de 15% para 30% e exigem que dom Jo\u00e3o VI volte a Portugal.\n\n<strong>Processo de independ\u00eancia<\/strong>\n\nQuando dom Jo\u00e3o VI regressa a Portugal deixa seu filho, dom Pedro, como pr\u00edncipe-regente do Brasil.\n\nA aristocracia latifundi\u00e1ria brasileira passa a considerar dom Pedro como a sa\u00edda para um processo de independ\u00eancia sem traumas. Ao apoiar dom Pedro, impedem a atua\u00e7\u00e3o dos grupos republicanos e abolicionistas e a participa\u00e7\u00e3o das camadas populares no processo separatista. Apostam que a manuten\u00e7\u00e3o da monarquia garantiria a unidade do pa\u00eds, evitando os processos revolucion\u00e1rios separatistas em andamento nas regi\u00f5es de coloniza\u00e7\u00e3o espanhola. Tamb\u00e9m evitaria radicalismos e, o mais importante, manteria o sistema escravocrata.\n\n<strong>Dia do Fico<\/strong>\n\nAtento aos movimentos no Brasil, dom Jo\u00e3o VI ordena que dom Pedro volte a Portugal.\n\nEm 29 de dezembro de 1821 o pr\u00edncipe-regente recebe um abaixo-assinado pedindo sua perman\u00eancia no Brasil. Ele anuncia sua decis\u00e3o de ficar dia 9 de janeiro de 1822, epis\u00f3dio que passa a ser conhecido como Dia do Fico.\n\n<strong>Conselho de Procuradores<\/strong>\n\n<strong>Dom Pedro inicia v\u00e1rias reformas pol\u00edticas e administrativas:<\/strong>\u00a0em 16 de janeiro nomeia Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva para ministro do Reino e Estrangeiros, o mais alto cargo at\u00e9 ent\u00e3o ocupado por brasileiro.\n\nPor sua influ\u00eancia junto ao pr\u00edncipe-regente e em todo o processo de independ\u00eancia, Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio passa \u00e0 hist\u00f3ria com o t\u00edtulo de Patriarca da Independ\u00eancia.\n\nEm fevereiro, dom Pedro cria o Conselho de Procuradores Gerais das Prov\u00edncias do Brasil \u2013 uma esp\u00e9cie de Parlamento \u2013 com a fun\u00e7\u00e3o de examinar as decis\u00f5es das Cortes e julgar sobre sua aplicabilidade na Col\u00f4nia.\n\nNo m\u00eas seguinte recebe da ma\u00e7onaria \u2013 organiza\u00e7\u00e3o influente nos movimentos de independ\u00eancia \u2013 o t\u00edtulo de Protetor e Defensor Perp\u00e9tuo do Brasil.\n\n<strong>Manifesto \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas<\/strong>\n\nEm 3 de junho dom Pedro convoca uma Assembleia Constituinte para substituir o Conselho de Procuradores e, em 1\u00b0 de agosto, baixa decreto considerando inimigas as tropas portuguesas que desembarquem no pa\u00eds.\n\nDia 6 de agosto lan\u00e7a o Manifesto \u00e0s Na\u00e7\u00f5es Amigas, elaborado por Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio, onde dom Pedro assegura \u201ca independ\u00eancia do Brasil, mas como reino irm\u00e3o de Portugal\u201d.\n\n<strong>Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva (1763-1838)<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Corte Portuguesa no Brasil\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ccorte-7.jpg\" alt=\"Corte Portuguesa no Brasil\" width=\"226\" height=\"311\" \/><strong>\nJos\u00e9 Bonif\u00e1cio de Andrada e Silva <\/strong><\/p>\nNasce em uma das fam\u00edlias mais ricas de Santos, em S\u00e3o Paulo, e muito jovem vai estudar em Coimbra. Permanece na Europa por 36 anos. Em Lisboa, destaca-se como naturalista, ge\u00f3logo e metalurgista.\n\nFunda a primeira c\u00e1tedra de metalurgia lusitana e torna-se intendente geral das minas de Portugal.\n\nVolta ao Brasil em 1819 e, j\u00e1 com grande prest\u00edgio, lidera a bancada brasileira nas Cortes Constitucionais, em Lisboa.\n\nInicialmente n\u00e3o revela inten\u00e7\u00f5es separatistas e procura apenas preservar as vantagens conquistadas pelo Brasil desde 1808. Com a inflexibilidade das Cortes, transforma-se em ardoroso defensor da independ\u00eancia.\n\n\u00c9 um dos pol\u00edticos mais importantes do Imp\u00e9rio, com grande influ\u00eancia junto a dom Pedro.\n\n<strong>Advers\u00e1rio do absolutismo, defende uma monarquia constitucional, mesclando posi\u00e7\u00f5es liberais e conservadoras:\u00a0<\/strong>\u201cNunca fui nem serei realista puro, mas nem por isso me alistarei jamais debaixo das esfarrapadas bandeiras da suja e ca\u00f3tica democracia\u201d, afirma em discurso na Assembleia Constituinte, no Imp\u00e9rio.\n\nIndisp\u00f5e-se com o imperador durante o processo constituinte e, em 1823, \u00e9 preso e exilado junto com outras lideran\u00e7as. Retorna ao Brasil seis anos depois, reconcilia-se com dom Pedro I e, com a abdica\u00e7\u00e3o, \u00e9 nomeado tutor do pr\u00edncipe herdeiro. Afasta-se da pol\u00edtica em 1835.\n\n<strong>Proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia<\/strong>\n\n<strong>Portugal continua a tomar medidas para manter o Brasil sob seu dom\u00ednio:<\/strong>\u00a0anula a convoca\u00e7\u00e3o da Constituinte, amea\u00e7a enviar tropas e exige o retorno imediato do pr\u00edncipe-regente.\n\nDom Pedro est\u00e1 nos arredores de S\u00e3o Paulo, perto do riacho do Ipiranga, quando recebe em 7 de setembro de 1822 os despachos com as exig\u00eancias das Cortes.\n\nTamb\u00e9m recebe cartas de dona Leopoldina e de Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio incentivando-o a proclamar a independ\u00eancia. \u201cDe Portugal n\u00e3o temos o que esperar sen\u00e3o escravid\u00e3o e horrores\u201d, diz Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio.\n\nDom Pedro proclama ent\u00e3o a independ\u00eancia.\n\n\u00c9 aclamado imperador em 12 de outubro e coroado em 1\u00ba de dezembro.\n\n<strong>Resist\u00eancia<\/strong>\n\nOs portugueses que vivem no pa\u00eds resistem durante algum tempo, principalmente nas Prov\u00edncias onde h\u00e1 grande concentra\u00e7\u00e3o de tropas ou onde a comunidade lusa \u00e9 numerosa.\n\nNa Bahia, o Imp\u00e9rio s\u00f3 \u00e9 aceito em 2 de julho de 1823, depois de v\u00e1rios enfrentamentos entre a popula\u00e7\u00e3o e os soldados portugueses. No Maranh\u00e3o, o reconhecimento ocorre em 28 de julho do mesmo ano.\n\n<strong>Corte Portuguesa no Brasil &#8211; Fam\u00edlia Real<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>fam\u00edlia real portuguesa<\/strong>\u00a0permaneceu no Brasil de 1808 a 1821.\n\nO deslocamento do governo metropolitano para a col\u00f4nia \u00e9 provocado pela conjuntura europeia durante o per\u00edodo napole\u00f4nico e influencia diretamente o processo da independ\u00eancia.\n\nDom Jo\u00e3o \u00e9 o regente do reino, no lugar da m\u00e3e, dona Maria I, quando as tropas francesas invadem o territ\u00f3rio portugu\u00eas, em novembro de 1807. A invas\u00e3o \u00e9 consequ\u00eancia da alian\u00e7a de Portugal com a Inglaterra, pa\u00eds contra o qual o imperador franc\u00eas Napole\u00e3o Bonaparte havia decretado um bloqueio comercial. Com o apoio da esquadra brit\u00e2nica, dom Jo\u00e3o transfere o governo e a corte para o Brasil.\n\nChega \u00e0 Bahia em janeiro de 1808, instalando-se dois meses depois no Rio de Janeiro.\n\n<strong>Principais medidas<\/strong>\n\nEntre as primeiras decis\u00f5es tomadas por dom Jo\u00e3o est\u00e3o a abertura dos portos \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas, a funda\u00e7\u00e3o do Banco do Brasil e do Jardim Bot\u00e2nico e a permiss\u00e3o para o funcionamento de f\u00e1bricas e manufaturas.\n\nEm 1810 \u00e9 assinado um acordo que concede tarifas preferenciais \u00e0s mercadorias inglesas.\n\nNos anos seguintes, dom Jo\u00e3o cria a Academia Militar e da Marinha, a Biblioteca Real e a Imprensa R\u00e9gia. Em 1815 eleva o Brasil \u00e0 condi\u00e7\u00e3o de Reino Unido.\n\nO artif\u00edcio \u00e9 utilizado para que a monarquia portuguesa esteja formalmente representada no Congresso de Viena, que reorganiza o mapa pol\u00edtico da Europa ap\u00f3s a derrota de Napole\u00e3o.\n\nUm ano depois recebe no Rio de Janeiro a Miss\u00e3o Francesa, um grupo de artistas e intelectuais, entre eles Jean-Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay.\n\n<strong>Pol\u00edtica externa<\/strong>\n\nDom Jo\u00e3o desenvolve no Brasil estrat\u00e9gias expansionistas contra os interesses da Fran\u00e7a bonapartista e manda invadir a Guiana Francesa em 1809.\n\nCom o objetivo de se tornar regente do Imp\u00e9rio colonial espanhol na Am\u00e9rica, enquanto durasse a ocupa\u00e7\u00e3o da Espanha por Napole\u00e3o, envia for\u00e7as navais para sitiar Montevid\u00e9u e ocupar a Banda Oriental (atual Uruguai), territ\u00f3rio integrante do antigo Vice-Reinado do Prata. Com a independ\u00eancia da Argentina, em 1816, o Vice-Reinado se desagrega, e o Brasil anexa a Banda Oriental a seu territ\u00f3rio, em 1821, como Prov\u00edncia Cisplatina.\n\nAp\u00f3s a morte da m\u00e3e, o regente \u00e9 coroado dom Jo\u00e3o VI no Rio de Janeiro em 1818. Em 1820 estoura em Portugal a Revolu\u00e7\u00e3o do Porto, movimento liberal e antiabsolutista da burguesia.\n\nDepois de convocar em Lisboa as Cortes Constituintes, o governo revolucion\u00e1rio imp\u00f5e ao rei o juramento antecipado da primeira Constitui\u00e7\u00e3o portuguesa e exige sua volta.\n\nDom Jo\u00e3o VI jura seguir a futura Carta e regressa \u00e0 metr\u00f3pole em 26 de abril de 1821, deixando dom Pedro, seu filho mais velho, como regente do Reino Unido do Brasil.\n\n<strong>Mudan\u00e7a<\/strong>\n\nA mudan\u00e7a da fam\u00edlia real e da Corte portuguesa para o Brasil foi consequ\u00eancia da situa\u00e7\u00e3o europeia no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX. Naquela \u00e9poca, a Europa estava inteiramente dominada pelo imperador dos franceses, Napole\u00e3o Bonaparte. Com sua pol\u00edtica expansionista, ele submetera a maior parte dos pa\u00edses europeus \u00e0 domina\u00e7\u00e3o francesa. O principal inimido de Napole\u00e3o era a Inglaterra, cuja poderosa armada o imperador n\u00e3o pudera vencer.\n\nEm 1806, Napole\u00e3o decretou o Bloqueio Continental, obrigando todas as na\u00e7\u00f5es da Europa continental a fecharem seus portos ao com\u00e9rcio ingl\u00eas. Com essa medida, Napole\u00e3o pretendia enfraquecer a Inglaterra, privando-a de seus mercados consumidores e de suas fontes de abastecimento. Nessa \u00e9poca, Portugal era governado pelo Pr\u00edncipe Regente Dom Jo\u00e3o, pois sua m\u00e3e, a Rainha Dona Maria I, sofria das faculdades mentais.\n\nPressionado por Napole\u00e3o, que exigia o fechamento dos portos portugueses ao com\u00e9rcio ingl\u00eas, e ao mesmo tempo pretendendo manter as rela\u00e7\u00f5es com a Inglaterra, Dom Jo\u00e3o tentou adiar o mais que p\u00f4de uma decis\u00e3o definitiva sobre o assunto.\n\nSe aderisse ao Bloqueio Continental, Portugal ficaria em condi\u00e7\u00f5es extremamente dif\u00edceis, porque a economia portuguesa dependia basicamente da Inglaterra.\n\nOs ingleses eram os maiores fornecedores dos produtos manufaturados consumidos em Portugal e tamb\u00e9m os maiores compradores das mercadorias portuguesas e brasileiras. A Inglaterra, por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o queria perder seu velho aliado, principalmente porque o Brasil representava um excelente mercado consumidor de seus produtos.\n\nPara resolver a situa\u00e7\u00e3o de acordo com os interesses de seu pa\u00eds, o embaixador em Lisboa, Lorde Percy Clinton Smith, Visconte de Strangford, conseguiu convencer Dom Jo\u00e3o a transferir-se com sua Corte para o Brasil Desse modo, os ingleses garantiam o acesso ao mercado consumidor brasileiro.\n\nA transfer\u00eancia da Corte era uma boa solu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m para a fam\u00edlia real, pois evitava a deposi\u00e7\u00e3o da dinastia de Bragan\u00e7a pelas for\u00e7as napole\u00f4nicas. O Tratado de Fontainebleau, estabelecido entre a Fran\u00e7a e a Espanha em outubro de 1807, apressou a decis\u00e3o do Pr\u00edncipe Regente Dom Jo\u00e3o a abandonar a metr\u00f3pole. Por aquele tratado, Portugal e suas col\u00f4nias, inclusive o Brasil, seriam repartidos entre a Fran\u00e7a e a Espanha.\n\nNo dia 29 de novembro, Dom Jo\u00e3o e sua fam\u00edlia, acompanhados por cerca de 15.000 pessoas, partiram para o Brasil. No dia seguinte, as tropas francesas do general Junot invadiram Lisboa.\n\nQuatro navios brit\u00e2nicos escoltaram as embarca\u00e7\u00f5es portuguesas at\u00e9 o Brasil; parte da esquadra portuguesa aportou na Bahia e parte no Rio de Janeiro.\n\nA chegada de Dom Jo\u00e3o \u00e0 Bahia, onde ficou pouco mais de um m\u00eas, ocorreu em 22 de janeiro de 1808.\n\nTeve in\u00edcio, ent\u00e3o, uma nova Hist\u00f3ria do Brasil, pois a col\u00f4nia foi a grande beneficiado com a transfer\u00eancia da Corte.\n\nA presen\u00e7a da administra\u00e7\u00e3o real criou pouco a pouco condi\u00e7\u00f5es para a futura emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da col\u00f4nia. Na Bahia, Dom Jo\u00e3o seguiu para o Rio de Janeiro. Ali, o alojamento da numerosa comitiva do pr\u00edncipe causou grandes problemas. As melhores resid\u00eancias da cidade foram requisitadas para os altos funcion\u00e1rios da Corte, n\u00e3o sendo poucas as pessoas despejadas de suas casas para hospedar os rec\u00e9m-chegados.\n\n<strong>D.JO\u00c3O VI E A FAM\u00cdLIA REAL PORTUGUESA NO BRASIL (1808)<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-159153 size-full\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Corte-4.jpg\" alt=\"\" width=\"488\" height=\"291\" \/><strong>Corte portuguesa<\/strong><\/p>\nA vinda da\u00a0<strong>fam\u00edlia real portuguesa<\/strong>\u00a0para o Brasil representou um passo importante para a nossa futura independ\u00eancia pol\u00edtica.\n\nNa primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo XIX, as for\u00e7as militares de Napole\u00e3o Bonaparte, tomaram a Europa, em nome dos ideais democr\u00e1ticos da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa.\n\nNapole\u00e3o tinha a inten\u00e7\u00e3o de dominar a Europa dividindo o continente entre aliados e amigos da Fran\u00e7a. Essa divis\u00e3o foi levada radicalmente em 1806, quando foi declarado o BLOQUEIO CONTINENTAL por meio do qual pretendia sufocar a economia inglesa, que era principal advers\u00e1rio franc\u00eas.\n\nBloqueio Continental foi institu\u00eddo atrav\u00e9s de um decreto de Napole\u00e3o Bonaparte, assinado em 1806, proibindo os pa\u00edses europeus de receberem navios ingleses em seus portos e de venderem produtos a Inglaterra.\n\nCom essa medida Napole\u00e3o Bonaparte pretendia enfraquecer a Inglaterra, privando-a de seus mercados consumidores e de suas fontes de abastecimentos. Aliado fiel do Imp\u00e9rio Brit\u00e2nico, Portugal viu-se no meio de um grave conflito internacional. N\u00e3o podia virar as costas a Inglaterra, nem afrontar o bloqueio napole\u00f4nico.\n\n<strong>A situa\u00e7\u00e3o interna de Portugal apresentava dificuldades administrativas e pol\u00edticas:\u00a0<\/strong>falta de orienta\u00e7\u00e3o do regente D.Jo\u00e3o nos assuntos de governo e diverg\u00eancia entre os partid\u00e1rios mon\u00e1rquicos e liberais.\n\nNo plano externo a situa\u00e7\u00e3o era bastante grave, devido ao expansionismo napole\u00f4nico e as amea\u00e7as a Portugal.\n\nPortugal se encontrava sob o dom\u00ednio econ\u00f4mico ingl\u00eas desde o Tratado de Methuen em 1703.\n\nO Tratado de Methuen foi assinado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, em que Portugal abriria seus portos aos manufaturados ingleses em troca da compra do vinho lusitano. Isso implicou a depend\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica dos portugueses com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 Inglaterra.\n\n<strong>O Tratado de Methuen possu\u00eda apenas dois artigos:<\/strong>\n<blockquote><strong>Artigo 1\u00ba \u2013\u00a0<\/strong>Sua Sagrada Majestade El-Rei de Portugal promete, tanto em sue pr\u00f3prio Nome, como no seu Sucessores, admitir para sempre de aqui em diante, no Reino da Portugal, panos de l\u00e3 e mais f\u00e1bricas de lanif\u00edco da Inglaterra, como era costume at\u00e9 o tempo em que forma proibidas pelas leis, n\u00e3o obstante qualquer condi\u00e7\u00e3o em contr\u00e1rio.<strong>\nArtigo 2\u00ba \u2013<\/strong>\u00a0\u00e9 estipulado que Sua Sagrada e Real Majestade Brit\u00e2nica, em Seu Pr\u00f3prio Nome,e no de Seus sucessores, ser\u00e1 obrigada para sempre, de aqui em diante, de admitir na Gr\u00e3-Bretanha os vinhos do produto de Portugal, de sorte que em tempo algum n\u00e3o se poder\u00e1 exigir direitos de alf\u00e2ndegas nesses vinhos, ou debaixo de qualquer outro t\u00edtulo direta ou indiretamente, ou sejam transportados para Inglaterra em pipas, toneis ou qualquer outra vasilha que seja, mais que o que se costuma pedir por igual quantidade ou medida da vinho de Fran\u00e7a, diminuindo ou abatendo ter\u00e7a parte do direito de costume.<\/blockquote>\nEsse Tratado ampliou o depend\u00eancia econ\u00f4mica e pol\u00edtica de Portugal em rela\u00e7\u00e3o a Inglaterra. Tratado de Methuen abriu tamb\u00e9m um importante canal para a transfer\u00eancia de riquezas produzidas no Brasil para a Inglaterra.\n\nPortugal na \u00e9poca era governado pelo Pr\u00edncipe D.Jo\u00e3o, filho segundo de D.Maria I e Pedro III ( o primog\u00eanito D.Jos\u00e9 morrera em 1788) , como regente j\u00e1 que a rainha se encontrava interditada por insanidade mental desde 1792. Seu aspecto f\u00edsico n\u00e3o o ajudava; o rotundo Bragan\u00e7a aparentava ser um d\u00e9bil, tanto que Jos\u00e9 Bonif\u00e1cio lhe deu o apelido de \u201cJo\u00e3o Burro\u201d. No entanto o pr\u00edncipe ocultava uma intelig\u00eancia atilada por debaixo da timidez e morosidade de suas resolu\u00e7\u00f5es. Odiava-os, jogava entre si seus conselheiros e ministros, dividia para reinar, triunfava cansando seus advers\u00e1rios. Sua mulher, a Infanta Carlota Joaquina de Bourbons, filha mais velha de Carlos V da Espanha reunida um mau g\u00eanio intempestivo dos Habsburgo; n\u00e3o foram felizes.\n\nD. Jo\u00e3o VI n\u00e3o estava destinado a reinar, pois n\u00e3o era herdeiro do trono. Por isso ningu\u00e9m se preocupou em dar-lhe uma educa\u00e7\u00e3o que o habilitasse a exercer o governo.\n\nD. Jo\u00e3o assumiu a reg\u00eancia do trono ap\u00f3s o enlouquecimento da sua m\u00e3e, D.Maria I.Foi reconhecido oficialmente como regente em 1792.Com a morte da Rainha em 1816,o Regente assumiu o trono com o t\u00edtulo de D.Jo\u00e3o VI.\n\nAo ser intimado por Napole\u00e3o em 12 de agosto de 1807 para aderir o Bloqueio Continental contra a Inglaterra, D.Jo\u00e3o foi evasivo em sua resposta e procurou ganhar tempo, fechando os portos do reino aos ingleses e enviando ao Brasil o primog\u00eanito D.Pedro com o objetivo de resguarda-lo.\n\n<strong>Em 22 de outubro assinava por meio de seus representantes em Londres uma \u201cConven\u00e7\u00e3o Secreta\u201d pela qual ficava acertada com a Inglaterra, que logo resultou em ocupa\u00e7\u00e3o da Ilha da Madeira pelos ingleses os seguintes itens:<\/strong>\n<blockquote><strong>1-<\/strong>\u00a0a transfer\u00eancia da sede da monarquia portuguesa para o Brasil\n<strong>2-<\/strong>\u00a0a entrega da esquadra portuguesa Inglaterra.\n<strong>3-<\/strong>\u00a0a entrega da Ilha da Madeira aos ingleses, que teriam a\u00ed um ponto estrat\u00e9gico na luta contra os franceses.\n<strong>4-<\/strong>\u00a0a concess\u00e3o de um porto livre para os ingleses, de preferencia em Santa Catarina.\n<strong>5-<\/strong>\u00a0a assinatura de novos tratados comerciais com a Inglaterra ap\u00f3s a transfer\u00eancia da Corte Portuguesa para o Brasil<\/blockquote>\nSe Portugal aderisse ao Bloqueio Continental esse pa\u00eds ficaria em condi\u00e7\u00f5es extremamente dif\u00edcil, porque a economia portuguesa dependia basicamente da Inglaterra. Os ingleses eram os maiores fornecedores dos produtos manufaturados consumidos em Portugal e tamb\u00e9m os maiores compradores de mercadorias portuguesas e brasileiras.\n\nA Inglaterra por sua vez, tamb\u00e9m n\u00e3o queria perder seu velho aliado, principalmente porque o Brasil representava um excelente mercado consumidor de seus produtos.\n\nO Imp\u00e9rio portugu\u00eas naquela \u00e9poca tinha perdido muito do brilho que alcan\u00e7ara no passado.\n\nAlgumas regi\u00f5es descobertas e exploradas pelos portugueses na \u00c1sia e na \u00c1frica passaram para o dom\u00ednio de outras pot\u00eancias europeias, principalmente a Holanda e a Inglaterra.\n\nA Revolu\u00e7\u00e3o Industrial respons\u00e1vel pelo grande desenvolvimento ingl\u00eas as partir do s\u00e9culo XVIII, n\u00e3o se estendeu a Portugal, que se viu obrigado a comprar da Inglaterra os produtos industrializados que necessitava.\n\nA economia portuguesa ficou por isso complementar \u00e0 economia inglesa. Em 1807, Fran\u00e7a e Espanha assinavam o TRATADO DE FONTAINEBLEU, decidindo invadir Portugal e dividir entre si suas col\u00f4nias.\n\nEnquanto isso, a Inglaterra for\u00e7ava Portugal a ratificar a CONVEN\u00c7\u00c3O SECRETA, o que deu em novembro de 1807, apesar das fortes press\u00f5es dos setores favor\u00e1veis Fran\u00e7a.\n\nPara resolver a situa\u00e7\u00e3o de acordo com os interesses de seu pa\u00eds, o embaixador ingl\u00eas em Lisboa, Lorde PERCY CLINTON SMITH,Visconde de STRANGFORD, conseguiu convencer D.Jo\u00e3o a transferir-se com a sua corte para o Brasil garantindo desse modo aos ingleses o acesso ao mercado consumidor brasileiro. O pagamento desta transfer\u00eancia\u201d ocorreu ainda em 1808 quando D.Jo\u00e3o VI decretou a abertura do portos \u00e0s na\u00e7\u00f5es amigas, pondo fim, na pr\u00e1tica, ao exclusivismo metropolitano que at\u00e9 ent\u00e3o restringia drasticamente o com\u00e9rcio do Brasil, fazendo na verdade todas as concess\u00f5es comerciais a Inglaterra; era o que os ingleses queriam, e assim foi feito.\n\nA transfer\u00eancia tamb\u00e9m \u00e9 uma boa solu\u00e7\u00e3o para a corte lusitana, pois evitava a deposi\u00e7\u00e3o da dinastia BRAGAN\u00c7A pelas for\u00e7as napole\u00f4nicas. A esquadra saiu do Tejo, com a fam\u00edlia real no dia 29 de novembro de 1807, contava ao todo com quinze navios, sendo apenas quatorze seguiram viagem, porque a escuna CURIOSA depois de ter sa\u00eddo retornou ao Tejo.\n\n<strong>As for\u00e7as navais que sa\u00edram do Tejo, sob o comando do Vice-Almirante MANUEL DA CUNHA SOUTO-MAIOR, sendo ajudante-geral o Chefe de Divis\u00e3o JOAQUIM JOS\u00c9 MONTEIRO TORRES, compunha-se das seguintes unidades:<\/strong>\n\nNaus de linha, PRINCIPE REAL que possu\u00eda cerva de 69 metros de comprimento, comandada por FRANCISCO JOS\u00c9 DO CANTO E CASTRO, foi nesta embarca\u00e7\u00e3o que embarcou o Pr\u00edncipe Regente D.Jo\u00e3o que foi colocado nos aposentos do comandante do navio, que situava-se na popa, eram os mais espa\u00e7osos.\n\nDispunham de espa\u00e7o para gabinete de trabalho, quarto de dormir, sala de refei\u00e7\u00f5es. Os banhos eram tomados numa grande tina com a \u00e1gura da chuva esquentada num fog\u00e3o.\n\nSendo D.Jo\u00e3o um amante da m\u00fasica, \u00e9 poss\u00edvel que espet\u00e1culos tenham sido organizados nesse espa\u00e7o para espantar o t\u00e9dio da viagem. Rainha de Portugal comandada por FRANCISCO MANOEL DE SOUTO-MAIOR; Principe do Brasil comandada por FRANCISCO DE BORJA SALEMA;Medusa comandada por HENRIQUE DA FONSECA PREGO;Conde D.Henrique comandada por JOS\u00c9 MOREIRA DE ALMEIDA;Martins de Freitas comandada por D.Manuel Meneses;Afonso Albuquerque comandada por INACIO DA COSTA QUINTELA; D.Jo\u00e3o de Castro comandada por D.MANUEL JOS\u00c9.\n\nFragatas;( navios de guerra,a vela,de tr\u00eas mastros era inferior a nau e superior a corveta)Minerva comandada por Rodrigo Jos\u00e9 Ferreira Lobo; Golfinho,comandada por Lu\u00eds da Cunha Moreira;Ur\u00e2nia comandada por D.Manuel.\n\nA brique (embarca\u00e7\u00e3o pequena,dois mastros,velas quadrangulares)Vingan\u00e7a comandada por DIOGO NICOLAU KEATING.\n\nA escuna( embarca\u00e7\u00e3o pequena veloz,dois mastros,vela latina) Curiosa comandada por Isidoro Francisco Guimar\u00e3es.E a T\u00e9tis comandada por PAULO JOS\u00c9 MIGUEL.\n\nNa nau Pr\u00edncipe Real, que era a de maior tonelagem, embarcaram a Rainha D.Maria I, o Pr\u00edncipe-Regente, o pr\u00edncipe da Beira e mais os infantes D.Miguel e D.Pedro Carlos seguidos pelos marqueses da Aguiar, Vargas e Torres Novaes, e os conselheiros de Estado D.Fernando Jos\u00e9 de Portugal.\n\nNa nau Afonso Albuquerque vieram a princesa regente, a princesa da Beira e as infantas D.Maria Isabel, D.Maria Assun\u00e7\u00e3o e D.Ana de Jesus Maria, acompanhadas pelos condes de Caparica e Cavaleiros.\n\nNa nau Rainha de Portugal se acomodaram a Princesa do Brasil, vi\u00fava, e as infantas D.Isabel Maria, D.Maria Francisca e D.Mariana, acompanhadas pelo marques de Lavradio.\n\n<strong>Nas outras embarca\u00e7\u00f5es vieram os seguintes titulares:<\/strong>\u00a0An\u00e1dia, Belmonte, Belas, Cadaval, Penalva, Pombal, Pombeiro, Redondo; os conselheiros de Estado Ant\u00f4nio de Araujo de Azevedo, D.Jo\u00e3o de Almeida, D.Rodrigo de Souza Coutinho, General Jo\u00e3o Forbes Skellater, desembargador do Pa\u00e7o Tom\u00e1s Ant\u00f4nio de Vilanova Portugal e monsenhor subdi\u00e1cono Joaquim da N\u00f3brega Cam.\n\nEmbarque da Fam\u00edlia Real Portuguesa para o Brasil, em 29 de novembro de 1807. D.Jo\u00e3o e a fam\u00edlia real e mais de 15.000 pessoas embarcavam em Portugal com destino ao Brasil fugindo do avan\u00e7o das tropas de Napole\u00e3o Bonaparte.\n\nOs navios ingleses que comboiaram a esquadra portuguesa foram o London, Malborough, Monarch e o Bedford, sob o comando em chefe do Vice-Almirante GRAHAN MOORE.\n\nAo todo, mais de 70 navios haviam deixado o porto de Lisboa. A frota portuguesa tinha aproximadamente 55 navios, dentre estas, um navio de mantimento, 25 navios mercantes que costumavam fazer o com\u00e9rcio com o Brasil e 20 navios de guerra levando fuzileiros navais para a prote\u00e7\u00e3o da frota. Os restantes eram navios ingleses encarregados de escoltar todo o grupo.\n\nN\u00e3o havia restando nenhuma embarca\u00e7\u00e3o de peso no porto de Lisboa que pudesse ser confiscado pelos franceses.\n\nAl\u00e9m dos navios que partiram, o resto da frota portuguesa estava retido nos portos das col\u00f4nias por ordem real para que n\u00e3o fossem capturados.\n\nAntes da sa\u00edda da frota, partira na frente uma embarca\u00e7\u00e3o menor e mais veloz o brigue VOADOR, com a miss\u00e3o de avisar o vice -rei do Brasil que a corte portuguesa estava a caminho do Rio de janeiro para ali se instalar.\n\nSob a ira do povo de Lisboa, a fam\u00edlia real embarcou para o Brasil abandonando o pa\u00eds a sua pr\u00f3pria sorte.\n\nEm Lisboa chegava a not\u00edcia de que tropas francesas comandadas pelo general JUNOT tinham invadido o norte de Portugal, essa not\u00edcia levou p\u00e2nico a corte.\n\nOs fidalgos organizaram-se e conseguiram levantar milh\u00f5es de cruzados em ouro e diamantes, al\u00e9m de cerca da metade do dinheiro em circula\u00e7\u00e3o no reino.\n\nTodos os nobres queriam embarcar, mesmo correndo riscos de vida; distintas damas afogavam-se tentando alcan\u00e7ar os botes j\u00e1 lotados que se dirigiam aos navios enquanto a popula\u00e7\u00e3o presenciava desolada a FUGA DE SEUS GOVERNANTES.\n\nConta-se que a \u00fanica mostra de lucidez foi dada por D.Maria I, a louca m\u00e3e de D.Jo\u00e3o.\n\n<strong>Dep\u00f4s de 16 anos de clausula devido \u00e0 sua dem\u00eancia, a rainha-m\u00e3e gritava aos condutores dos coches que os conduziam:<\/strong>\u00a0\u201cn\u00e3o corram tanto! Querem que pensem que estamos fugindo?\u201d\n\nA situa\u00e7\u00e3o nos navios era muito dif\u00edcil. As embarca\u00e7\u00f5es tinham sa\u00eddo com os por\u00f5es superlotados e tr\u00eas vezes a capacidade normal de pessoas a bordo. O congestionamento interno a bordo era total, havia gente e coisas espalhadas por todos os lados. N\u00e3o havia camas para todos e v\u00e1rias pessoas dormiam no conv\u00e9s, enfrentando as chuvas e o calor aumentava \u00e0 medida que se aproximavam dos tr\u00f3picos.\n\nA \u00e1gua e a comida foram racionadas para que n\u00e3o faltassem at\u00e9 o final da viagem.\n\nNa confus\u00e3o do embarque, muitos ficaram apenas com a roupa do corpo. Os que tinham embarcado a bagagem n\u00e3o conseguiram encontra. Era muito dif\u00edcil manter a higiene a bordo, pois n\u00e3o havia \u00e1gua para o banho par tantas pessoas e a pequena tripula\u00e7\u00e3o n\u00e3o conseguia dar conta da limpeza dos navios.\n\nO Rio de Janeiro passava a ser a sede da instala\u00e7\u00e3o da Corte no Brasil..Ve-se o Pal\u00e1cio dos Vice-Reis onde se alojava a realeza.\n\nEssa situa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m atingia a fam\u00edlia real e, logo um surto de piolhos fez com que a princesa CARLOTA JOAQUINA e as damas da corte tivessem de raspar as cabe\u00e7as e enrola-las em faixa para evitar a propaga\u00e7\u00e3o.\n\n<strong>S\u00e9rie dos quatorze reis de Portugal e da Espanha, que aclamaram e reconheceram o Brasil, at\u00e9 se constituir um Imp\u00e9rio independente:<\/strong>\n<blockquote><strong>1-\u00a0<\/strong>D.Manuel, faleceu em 13 de dezembro de 1521.<strong>\n2-\u00a0<\/strong>D.Jo\u00e3o III de Portugal, faleceu em 11 de junho de 1557.<strong>\n3-<\/strong>\u00a0D. Sebasti\u00e3o, faleceu em 04 de agosto de 1578.<strong>\n4-<\/strong>\u00a0D. Henrique,o cardeal, faleceu em 31 de janeiro de 1580.<strong>\n5-<\/strong>\u00a0D.Felipe de Castela, faleceu em 13 de setembro de 1598.<strong>\n6-<\/strong>\u00a0D.Felipe de Castela, faleceu em 31 de mar\u00e7o de 1621.<strong>\n7-<\/strong>\u00a0D.Felipe IV durou seu reinado em Lisboa at\u00e9 1\u00ba de dezembro de 1640<strong>\n8-<\/strong>\u00a0D.Jo\u00e3o IV de Portugal, faleceu em 06 de novembro de 1656.<strong>\n9-<\/strong>\u00a0D.Afonso VI deposto em Lisboa em 23 de novembro de 1667.<strong>\n10-<\/strong>\u00a0D.Pedro II, faleceu em 09 de dezembro de 1750.<strong>\n11-<\/strong>\u00a0D.Jo\u00e3o V faleceu em 31 de julho de 1750.<strong>\n12-<\/strong>\u00a0D.Jos\u00e9 I,faleceu em 24 de fevereiro de 1777.<strong>\n13-\u00a0<\/strong>D.Maria I, deixou de governar em 10 de fevereiro de 1792, faleceu em 20 de mar\u00e7o de 1816.<strong>\n14-<\/strong>\u00a0D.Jo\u00e3o VI de Portugal e I como imperador, em nome do Brasil, deixou de reinar no Brasil com a proclama\u00e7\u00e3o de Independ\u00eancia em 1822<\/blockquote>\nA essa altura, o Estado portugu\u00eas estava em alto mar, com destino s\u00e3o Rio de Janeiro, levando tudo o que precisava para se estabelecer ali como se fosse em Lisboa. Foi uma longa e penosa viagem.\n\nPoucos dias depois, as tropas francesas entravam em Lisboa. A temida divis\u00e3o invasora era na realidade uma cansada tropa de 1.200 homens sem AS MENORES CONDI\u00c7\u00d5ES DE COMBATE. N\u00e3o possu\u00edam artilharia, muni\u00e7\u00f5es, sapatos e g\u00eaneros aliment\u00edcios, cambaleavam de cansa\u00e7o, a tropa na realidade era um hospital e n\u00e3o um ex\u00e9rcito.\n\nD.Jo\u00e3o deixar\u00e1 uma declara\u00e7\u00e3o ao povo portugu\u00eas que sua partida era prefer\u00edvel a uma resist\u00eancia que certamente, seria derrotada. Dizia que tudo fizera para manter a neutralidade do reino de Portugal, mas as tropas de Napole\u00e3o estavam a caminho da capital com a inten\u00e7\u00e3o de derruba-lo, e por isso ele tinha de para com corte at\u00e9 a paz novamente se estabelecer. Nomeava uma reg\u00eancia para governar o pa\u00eds enquanto estivesse fora.\n\nCom a fuga da fam\u00edlia real, a grande vitoriosa foi \u00e0 Inglaterra.\n\n<strong>O primeiro-ministro ingl\u00eas WILLIAM PITT, discursou no parlamento, afirmando<\/strong>:\u201d transferindo-se o trono portuguesa para o Brasil o Imp\u00e9rio da Am\u00e9rica do Sul e o da Gr\u00e3-Bretanha ficar\u00e3o ligados eternamente, fazendo essas duas potencias um com\u00e9rcio exclusivo\u201d.\n\nLogo no principio da viagem sobreveio uma tormenta que dispersou quase toda a esquadra. Um veleiro O VOADOR, chegou primeiro ao Brasil, entrando no Rio de Janeiro no dia 14 de janeiro de 1808 com uma viagem de quarenta e seis dias. Pouco depois fundearam a\u00ed outros navios com parte da fam\u00edlia real, ao passo que o pr\u00edncipe regente chegava a Bahia, desembarcado a 23 de janeiro de 1808.\n\nEsses navios fundearam na Bahia \u00e0s 04 horas da tarde do dia 22 de janeiro, desembarcado a fam\u00edlia real no dia 24 de janeiro \u00e0s 05 horas da tarde. A viagem para o Rio de Janeiro s\u00f3 iria ocorrer 30 dias depois do desembarque.\n\nDa Bahia, D.Jo\u00e3o seguiu para o Rio de Janeiro.Ali o alojamento da numerosa comitiva do Pr\u00edncipe causou grandes problemas. As melhores resid\u00eancias da cidade foram requisitadas para os altos funcion\u00e1rios da Corte, n\u00e3o sendo poucas pessoas despejadas de suas casas para hospedar os rec\u00e9m-chegados. A chegada do Pr\u00edncipe D.Jo\u00e3o ao Brasil deu inicio a uma nova \u00e9poca na Hist\u00f3ria do Brasil, pois a col\u00f4nia foi a grande beneficiada com a transfer\u00eancia da Corte. A presen\u00e7a da administra\u00e7\u00e3o real criou pouco a pouco condi\u00e7\u00f5es para a futura emancipa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica da col\u00f4nia.\n\nO Brasil que o regente e sua Corte encontraram tinha dezessete capitanias e uma popula\u00e7\u00e3o estimada entre 3 a 4 milh\u00f5es de habitantes, n\u00e3o contando os \u00edndios n\u00e3o aculturados. Pouco menos da popula\u00e7\u00e3o era composta de escravos negros e pardos. Pouco mais da metade era constitu\u00edda de pessoas livres, brancos em sua maioria. No total apenas um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o era de brancos. A sociedade era tipicamente agr\u00e1ria, e apesar do crescimento urbano do \u00faltimo meio s\u00e9culo, as cidades eram modestas e muito prec\u00e1rias. Salvador possu\u00eda 60.000 pessoas, Recife 30.000, S\u00e3o Paulo 20.000.\n\nSess\u00e3o das Cortes Portuguesas. A politica praticada pelas Cortes Portuguesas, ao exigir o retorno de D.Pedro \u00e0 metr\u00f3pole, foi um dos motivos que contribu\u00edram para a proclama\u00e7\u00e3o da Independ\u00eancia do Brasil.\n\nCom a instala\u00e7\u00e3o da Corte, ultrapassou os 100.000 habitantes, o que agravou suas car\u00eancias de infra-estrutura, como moradia abastecimento de \u00e1gua, saneamento, sa\u00fade.\n\nA vida do governo portugu\u00eas para o Brasil fato \u00fanico na hist\u00f3ria dos colonizadores europeus da Am\u00e9rica, n\u00e3o alterou radicalmente esse quadro. Mas a perman\u00eancia de quase d\u00e9cadas e meia da Corte no Rio de Janeiro e a transposi\u00e7\u00e3o para a col\u00f4nia dos principais \u00f3rg\u00e3os da Estado metropolitano, fizeram do Brasil nesse per\u00edodo, o centro do Imp\u00e9rio Lusitano.\n\nHouve at\u00e9 ministros, pol\u00edticos e intelectuais portugueses e brasileiros que chegaram a sonhar com um \u201cimp\u00e9rio luso brasileiro\u201d; no entanto essa ideia n\u00e3o vingou. No entanto a presen\u00e7a portuguesa no Brasil mudou, o equil\u00edbrio das rela\u00e7\u00f5es col\u00f4nia-metr\u00f3pole a favor da col\u00f4nia, de sua maior autonomia e, no final, de sua emancipa\u00e7\u00e3o.\n\nAinda em Salvador, D.Jo\u00e3o assinou a Carta R\u00e9gia de 28 de janeiro de 1808, decretando a abertura dos portos brasileiros, sofrendo grande influ\u00eancia de Jos\u00e9 da silva Lisboa, o Marques de Cair\u00fa.\n\nFicava liberada a importa\u00e7\u00e3o de quaisquer mercadorias transportadas em navios portugueses ou estrangeiros em paz com a Coroa Portuguesa. Portugal pagaria 16% de taxa alfandeg\u00e1ria e os outros pa\u00edses 24%.\n\nO decreto de abertura dos portos, colocou fim ao monop\u00f3lio luso sobre o com\u00e9rcio brasileiro, que era a base da pol\u00edtica colonial portuguesa.\n\nV\u00e1rios fatores contribu\u00edram para abertura dos portos no Brasil. O Estado Portugu\u00eas at\u00e9 ent\u00e3o mercantilista, convencera-se repentinamente das vantagens do liberalismo econ\u00f4mico, por\u00e9m, estavam radicalmente enganados.\n\nA medida aparentemente liberal surgiu da necessidade de se conseguirem recursos financeiros para a implanta\u00e7\u00e3o da administra\u00e7\u00e3o na nova sede da Coroa sendo a cobran\u00e7a das taxas alfandeg\u00e1ria o melhor meio de obt\u00ea-la.\n\nAs press\u00f5es inglesas aliadas \u00e0s dos propriet\u00e1rios locais tornavam-se acirradas, desencadeando os fatores que em conjunto levaram ao fim do pacto colonial.\n\nA ofensiva contra os estatutos coloniais prosequiam. Em 1\u00ba de abril de 1808, D.Maria I revoga o alvar\u00e1 de 1785, liberando o estabelecimento de industrias e manufaturas no Brasil.\n\n<strong>Na pr\u00e1tica essa provid\u00eancia n\u00e3o atingiu seus objetivos:<\/strong>\u00a0dava-se liberdade industrial e n\u00e3o condi\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento de industrias, faltava o capital e um mercado consumidor interno. Al\u00e9m disso, sem prote\u00e7\u00e3o alfandeg\u00e1ria, tornava-se imposs\u00edvel competir com os produtos brit\u00e2nicos. Os ingleses dificultavam ao m\u00e1ximo as importa\u00e7\u00f5es de maquinas, j\u00e1 que elas interessavam um mercado consumidor e n\u00e3o um produtor concorrente.\n\n<strong>Quando D.Jo\u00e3o chegou ao Brasil, os principais produtos export\u00e1veis produzidos na col\u00f4nia eram:<\/strong>\n<blockquote>A\u00e7\u00facar (34% das exporta\u00e7\u00f5es produzido em todo o litoral)\nAlgod\u00e3o (24,4%, produzido principalmente no Maranh\u00e3o, Pernambuco e Bahia.)\nCouro (9,8%, produzido principalmente no Rio Grande do Sul)\nArroz (4%, produzido no Rio de Janeiro, Par\u00e1 e Maranh\u00e3o)\nTabaco (3,8%, produzido principalmente na Bahia)\nCacau (2,7% produzido no Par\u00e1)\nCaf\u00e9 (1,8%produzido em v\u00e1rias capitanias)\nAguardente (1,3%,produzida no Rio de Janeiro, Pernambuco, Rio de Janeiro e outras capitanias)<\/blockquote>\nEm 1810, D.Jo\u00e3o assinou v\u00e1rios tratados com a Inglaterra, sendo o mais importante deles o TRATADO DE COM\u00c9RCIO E NAVEGA\u00c7\u00c3O, que estabelecia uma taxa de apenas 15% sobre a importa\u00e7\u00e3o de produtos ingleses. Para avaliar o significado dessa medida, basta lembrar que a taxa de importa\u00e7\u00e3o de produtos portugueses era de 16% e a de produtos de outras na\u00e7\u00f5es de 24%.\n\nCom esse tratado os ingleses praticamente eliminavam a concorr\u00eancia no mercado brasileiro, dominando-o por completo.\n\nAl\u00e9m disso, os tratado de 1810 acabaram com as vantagens que o Alvar\u00e1 de 1\u00ba de abril de 1808 trouxera para a ind\u00fastria brasileira. Esta ficou ent\u00e3o obrigada a sofrer a concorr\u00eancia insuport\u00e1vel dos produtos ingleses, que entravam na col\u00f4nia pagando taxas alfandeg\u00e1rias muito baixas.\n\nPelo TRATADO DE ALIAN\u00c7A E AMIZADE ficou determinado a proibi\u00e7\u00e3o da Santa Inquisi\u00e7\u00e3o no Brasil e a gradual extin\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico negreiro para a col\u00f4nia.\n\nConsolidava-se a preponder\u00e2ncia inglesa. Importantes setores da elite luso-brasileira manifestaram seu descontentamento com rela\u00e7\u00e3o aos tratados de 1810. a Igreja Cat\u00f3lica, os comerciantes reinois e os propriet\u00e1rios escravocratas sentiam-se prejudicados. No entanto a muito tempo a Inglaterra exigia a aboli\u00e7\u00e3o gradativa do tr\u00e1fico negreiro para o Brasil.\n\nEste j\u00e1 n\u00e3o interessava ao capitalismo industrial assentado nas rela\u00e7\u00f5es assalariadas de produ\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o a\u00e7\u00facar brasileiro produzido por escravos competia com o a\u00e7\u00facar ingl\u00eas produzido nas Antilhas.\n\n<strong>Medidas e a\u00e7\u00f5es do governo de D.Jo\u00e3o VI no Brasil, entre 1808 e 1821, e alguns acontecimentos ligados a elas:<\/strong>\n<h4>POL\u00cdTICA ECON\u00d4MICA<\/h4>\n<blockquote>Abertura dos Portos -1808\nF\u00e1brica e manufaturas-1808\nReal Junta de Com\u00e9rcio e Agricultura, F\u00e1bricas e Navega\u00e7\u00e3o-1808\nBanco do Brasil-1808\nTratado de Alian\u00e7a e Com\u00e9rcio com a Inglaterra- 1810\nF\u00e1brica de Ferro de Ipanema- 1811\nF\u00e1brica de Ferro Patriota- 1811\nNavega\u00e7\u00e3o e Com\u00e9rcio Costeiro -1816<\/blockquote>\nO Banco do Brasil, primeira institui\u00e7\u00e3o de cr\u00e9dito que teve o pa\u00eds, organizado sob a apar\u00eancia de um estabelecimento puramente mercantil, era destinado por clausula expressa na lei de sua cria\u00e7\u00e3o para servir imediatamente ao governo, n\u00e3o s\u00f3 como agente em algumas de suas transa\u00e7\u00f5es financeiras de import\u00e2ncia, mas principalmente prestando-lhe o aux\u00edlio do cr\u00e9dito pr\u00f3prio em circunstancias extraordin\u00e1rias, em raz\u00e3o de gozarem as suas notas do foro de moedas legal. Essa banco institu\u00eddo com limitado capital de mil e duzentos contos, dividido em outras tantas a\u00e7\u00f5es e gozando de um privil\u00e9gio de vinte anos no exerc\u00edcio de largas faculdades que lhe foram dadas; n\u00e3o obstante alguns graves defeitos de sua lei org\u00e2nica e especialmente de seus estatutos, prestou ao pa\u00eds relevantes servi\u00e7os.\n\n<strong>POL\u00cdTICA E ADMINISTRA\u00c7\u00c3O<\/strong>\n<blockquote>Conselho de Estado,Minist\u00e9rios,Tribunais,Intend\u00eancia de Pol\u00edcia,Arsenal, Escola da Marinha- 1808\nAcademia Real Militar \u2013 1808\nImigra\u00e7\u00e3o -1811\nReino Unido -1815\nAclama\u00e7\u00e3o de D.Jo\u00e3o VI -1818\nRevolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto-1820\nRegresso a Portugal- 1821<\/blockquote>\n<strong>CULTURA<\/strong>\n<blockquote>Escolas m\u00e9dico-cir\u00fargicas-1808\nImprensa R\u00e9gia- 1808\nBiblioteca Real- 1810\nJardim Bot\u00e2nico-1811\nReal Teatro de S\u00e3o Jo\u00e3o-1813\nMiss\u00e3o Francesa e Escola Real de Ci\u00eancias,Artes e Of\u00edcio-1816\nMuseu Real- 1818<\/blockquote>\nA introdu\u00e7\u00e3o do ensino m\u00e9dico no Brasil deve-se ao pernanbucano Dr Jos\u00e9 Correia Pican\u00e7o \u2013 primeiro bar\u00e3o de Goiana- que depois de ter feito estudos em Lisboa, os completou em Paris, e a\u00ed se casara com uma filha do professor Sabathier. Rgressando a Portugal foi sucessivamente nomeado professor de anatomia e Cururgia da Universidade de Coimbra, primeiro cirurgi\u00e3o da Casa Real e cirurgi\u00e3o Mor do Reino.Nesta dupla qualidade acompanhou a fam\u00edlia real ao Brasil propondo ao pr\u00edncipe regente, na passagem pela Bahia, a cria\u00e7\u00e3o da Escola M\u00e9dico- Cirurgica, efetivamente mandada organizar pelos aviso de 18 de Fevereiro de 1808. Todas as realiza\u00e7\u00f5es de D. Jo\u00e3o VI na \u00e1rea cultural estavam voltadas para para a mentalidade colonialista e n\u00e3o se preocupava em beneficiar o povo, satisfazia sim as elites, que tinha na realizada a vontade de europeizar o Brasil.\n\n<strong>POL\u00cdTICA EXTERNA<\/strong>\n<blockquote>Guiana Francesa (invas\u00e3o)-1809-1817\nBanda Oriental (ocupa\u00e7\u00e3o)- 1811-1821<\/blockquote>\nEm 1809, as tropas lusitanas tomaram a Guiana Francesa. Esta regi\u00e3o permaneceu em m\u00e3os portuguesas at\u00e9 1817.A invas\u00e3o foi uma represaria contra a Fran\u00e7a pela invas\u00e3o de Portugal.\n\nEm fevereiro de 1815, o Brasil foi elevado a categoria de Reino Unido de Portugal e Algarves, deixando oficialmente de ser col\u00f4nia, medida acertada no Congresso de Viena, reuni\u00e3o das pot\u00eancias que venceram Napole\u00e3o.Com isso buscou-se restabelecer o equil\u00edbrio de for\u00e7as na Europa e legitimar a perman\u00eancia de D.Jo\u00e3o no Rio de janeiro.\n\nRua do Piolho no Rio de Janeiro em 1817.A atual Rua da Carioca pouco se modificou com a chegada da Corte Portuguesa no Rio de Janeiro, mantendo-se seu aspecto colonial como na realidade toda a cidade. Havia um predom\u00ednio da casas baixas, simples, ruas de terra batida.\n\nO aumento das despesas, oriundas da presen\u00e7a da Corte portuguesas no Brasil, acarretou crescente tributa\u00e7\u00e3o sobre a popula\u00e7\u00e3o brasileira, o que somado ao anseio de liberdade pol\u00edtica e as dificuldades econ\u00f4micas vivenciadas pelo nordeste, detonou em 1817 A Insurrei\u00e7\u00e3o Pernambucana, violentamente esmagada pelas tropas governamentais.Em 1818, faleceu a rainha D.Maria I e o pr\u00edncipe-regente foi coroado rei com o t\u00edtulo de D.Jo\u00e3o VI.\n\nA partir de 1821, as capitanias passaram a ser chamadas de prov\u00edncias.\n\n<strong>No mesmo ano foram criadas mais quatro prov\u00edncias:<\/strong>\u00a0Rio Grande do Sul, Alagoas, Santa Catarina e Sergipe.\n\nAntes da volta de D.Jo\u00e3o VI para Portugal em 1821, a administra\u00e7\u00e3o era centralizada nas m\u00e3os do rei, e dos governantes das capitanias, subordinadas diretamente \u00e0 autoridade real.\n\nAp\u00f3s o retorno de D.Jo\u00e3o VI e antes de independ\u00eancia, a administra\u00e7\u00e3o ficou reestruturada com predomin\u00e2ncia da autoridade das Cortes sobre o rei.\n\nCom a vinda da fam\u00edlia real para o Brasil, a situa\u00e7\u00e3o em Portugal ficou dr\u00e1stica. A reg\u00eancia portuguesa era manipulada pelo militar ingl\u00eas Lorde BERESFORD, marcada pela tirania. Agravou-se uma crise econ\u00f4mica, fome, mis\u00e9ria, era a t\u00f4nica para o povo portugu\u00eas Esses fatores provocaram a chamada Revolu\u00e7\u00e3o Liberal do Porto em 1820, provocada pelas ideias revolucion\u00e1rias do liberalismo, que contagiava a burguesia lusa.\n\nImediatamente institu\u00edram uma junta provis\u00f3ria com o intuito de redigir uma constitui\u00e7\u00e3o para o reino.O absolutismo mon\u00e1rquico portugu\u00eas estava agonizante e at\u00e9 o rei teria que respeitar a lei.\n\nO objetivo dos revolucion\u00e1rios portugueses eram a constitucionaliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, a expuls\u00e3o de BERESFORD e o retorno de D.Jo\u00e3o VI a Portugal.\n\nEsse liberalismo s\u00f3 era bem visto pelos portugueses em sua terra natal, pois para o Brasil exigiam a recoloniza\u00e7\u00e3o.Na realidade apesar de mostrar-se liberal, a burguesia lusa era predominantemente mercantilista pretendendo tirar Portugal de crise econ\u00f4mica restabelecendo o monop\u00f3lio de com\u00e9rcio sobre o Brasil, em outras palavras era o retorno do Pacto Colonial.\n\nN\u00e3o houve outra alternativa a D.Jo\u00e3o VI, ou ele retornava ou seria destronado.\n\n<strong>Em 1821 o rei D.Jo\u00e3o VI marcou sua volta a Lisboa. D.Jo\u00e3o VI atrav\u00e9s de um decreto entregou a seu filho D. Pedro a reg\u00eancia do Brasil, e pressentindo o inevit\u00e1vel \u2013 a independ\u00eancia- teve o cuidado de recomendar o sequinte:<\/strong>\u00a0\u201cPedro, se o Brasil se separar antes seja para ti, que me h\u00e1s de respeitar, do que para alguns desses aventureiros\u201d.\n\nD.Pedro come\u00e7ou a reger o Brasil auxiliado por quatro ministros e, al\u00e9m da parte administrativa, podia comutar as penas judiciais, nomear funcion\u00e1rios, conceder t\u00edtulos honor\u00edficos e medalhas militares, declarar guerra, estabelecer tr\u00e9guas e assinar tratados provis\u00f3rios, como podemos observar, s\u00e3o poderes de quase-soberano.O retorno da fam\u00edlia real para Portugal ocorreu em meio a grande agita\u00e7\u00e3o nacional.Espalharam a not\u00edcia de que os navios que conduziriam a Corte estavam repletos de ouro, que o tesouro do Banco do Brasil teria sido saqueado.\n\nAs pretens\u00f5es recolonizadoras de Portugal eram evidenciadas em decretos que objetivavam enfraquecer o poder de D.Pedro e for\u00e7a-lo a regressar a Portugal.\n\nTais decretos buscavam anular os poderes pol\u00edticos administrativos, militar e judicial do Pr\u00edncipe Regente.\n\n<b>As ideias\u00a0centrais de alguns desses decretos eram:<\/b>\n<blockquote>Unifica\u00e7\u00e3o dos ex\u00e9rcitos portugu\u00eas e brasileiro.\nNomea\u00e7\u00e3o de um governador de armas obediente as ordens diretas de Portugal para cada prov\u00edncia.\nExtin\u00e7\u00e3o das reparti\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e tribunais criados no per\u00edodo joanino o Rio de Janeiro.\nCria\u00e7\u00e3o de um imposto alfandeg\u00e1rio adicional 1% sobre os produtos transportados nos navios portugueses, 6% sobre os transportados em navios estrangeiros, com redu\u00e7\u00e3o para 2% caso os produtos fossem embarcados em Portugal.<\/blockquote>\n<b>Portugal n\u00e3o desejava de forma alguma perder o Brasil.Por\u00e9m se a separa\u00e7\u00e3o entre Brasil Portugal n\u00e3o pudesse ser evitada, que a independ\u00eancia\u00a0SE FIZESSE COM OS PORTUGUESES NO PODER. Por seu turno, os grupos que exerciam a influ\u00eancia nos destinos do pa\u00eds estavam orientados em tr\u00eas dire\u00e7\u00f5es diferentes:<\/b>\n<blockquote><strong>1-\u00a0<\/strong>haviam os que queriam a pura e simples volta do Brasil a situa\u00e7\u00e3o de col\u00f4nia,tal como queriam as Cortes de Lisboa\n<strong>2-<\/strong>\u00a0haviam aqueles -portugueses e brasileiros-que apoiavam D.Pedro e queriam uma indeped\u00eancia pac\u00edfica,sem lutas,com a instala\u00e7\u00e3o chefiada pela pr\u00edncipe.\n<strong>3-<\/strong>\u00a0finalmente,haviam os que estavam mais ligados aos movimentos populares e pretendiam a proclama\u00e7\u00e3o da rep\u00fablica.<\/blockquote>\n<strong>Tornou-se vencedor o grupo ligado a D.Pedro que estava no poder e que seria benefici\u00e1rio da independ\u00eancia, da forma pela qual foi feita:<\/strong>\u00a0sem o povo.\n\nAssim diante de novos decretos das Cortes anulando algumas de suas decis\u00f5es, impondo-lhe ministros e mandando instaurar processos criminais contra os que contra\u00edssem as Cortes de Lisboa, D.Pedro decidiu declarar a separa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica entre Brasil e Portugal em 07 de setembro de 1822.\n\n<strong>Se,de um lado a independ\u00eancia proclamada em 07 de setembro de 1822 quebrou os la\u00e7os com os portugueses,por outro,ficou mantido a liga\u00e7\u00e3o depend\u00eancia para com o capitalismo ingl\u00eas pois politicamente e financeiramente n\u00e3o foi f\u00e1cil o in\u00edcio do governo do D.Pedro<\/strong>: sem dinheiro por n\u00e3o virem mais contribui\u00e7\u00f5es das prov\u00edncias tinha ainda contra si todas as fac\u00e7\u00f5es e as estruturas sociais do per\u00edodo colonial.A Constitui\u00e7\u00e3o de 25 de mar\u00e7o de 1824 que possu\u00eda 179 artigos estabelecia um Imp\u00e9rio unit\u00e1rio, heredit\u00e1rio e adotou uma norma que foram aperfei\u00e7oadas durante o correr desse reinado.\n\nEsta Constitui\u00e7\u00e3o procurou assegurar ampla liberdade individual \u2013 art 179- e garantir liberdade econ\u00f4mica e de inciativa. Resguardava o direito de propriedade em toda a sua plenitude.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.conhecimentosgerais.com.br\/br.geocities.com\/www.jlourenco.com\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Corte Portuguesa no Brasil, Hist\u00f3ria, Mudan\u00e7a, Transfer\u00eancia, Fam\u00edlia, Real, Pol\u00edtica, Independ\u00eancia, Medidas, Col\u00f4nia, Corte Portuguesa no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":9043,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[54],"tags":[],"class_list":["post-25857","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia-do-brasil"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Corte Portuguesa no Brasil - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Corte Portuguesa no Brasil - 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