{"id":25757,"date":"2015-12-15T00:00:00","date_gmt":"2015-12-15T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/teoria-de-gaia-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:53:59","modified_gmt":"2026-09-01T17:53:59","slug":"teoria-de-gaia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/teoria-de-gaia-4\/","title":{"rendered":"Teoria de Gaia"},"content":{"rendered":"\n<strong>Teoria de Gaia &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Teoria de Gaia<\/strong>, tamb\u00e9m conhecida como\u00a0<strong>Hip\u00f3tese de Gaia<\/strong>, \u00e9 uma tese que afirma que o planeta Terra \u00e9 um ser vivo.\n\nDe acordo com esta teoria, nosso planeta possui a capacidade de auto-sustenta\u00e7\u00e3o, ou seja \u00e9 capaz de gerar, manter e alterar suas condi\u00e7\u00f5es ambientais.\n\nA\u00a0<strong>Teoria de Gaia<\/strong>\u00a0foi criada pelo cientista e ambientalista ingl\u00eas James Ephraim Lovelock, no ano de 1969.\n\nContou com os estudos da bi\u00f3loga norte-americana Lynn Margulis. O nome da teoria \u00e9 uma homenagem a deusa Gaia, divindade que representava a Terra na mitologia grega.\n\nQuando foi lan\u00e7ada, esta teoria n\u00e3o conseguiu agradar a comunidade de cientistas tradicionais.\n\nFoi, primeiramente, aceita por ambientalistas e defensores da ecologia. Por\u00e9m, atualmente, com o problema do aquecimento global, esta teoria est\u00e1 sendo revista e muitos cientistas tradicionais j\u00e1 aceitam algumas id\u00e9ias da Teoria de Gaia.\n\n<strong>Hip\u00f3tese de<\/strong>\u00a0<strong>Gaia<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>Hip\u00f3tese de Gaia<\/strong>, proposta primeiramente por James Lovelock como hip\u00f3tese da resposta da Terra, prop\u00f5e que a Terra pode e deve ser considerado um organismo e que cria condi\u00e7\u00f5es para sua exist\u00eancia. Gaia, na mitologia grega, \u00e9 a deusa que personifica a Terra, por isso o nome sugerido para a hip\u00f3tese. Se aceitar-mos essa teoria poderia-mos dizer que os oceanos, por exemplo, s\u00e3o os pulm\u00f5es do planeta vivo ou que os rios s\u00e3o os vasos sangu\u00edneos.\n\n<strong>Mas para que serve essa teoria?<\/strong>\n\nSimples, serve para olhar-mos o nosso planeta de outra perspectiva e ainda mais, olhar para n\u00f3s mesmos, os seres viventes, de outra forma.\n\n<strong>Daqui para frente escolha o que voc\u00ea quer ser:<\/strong>\u00a0um parasita ou uma c\u00e9lula de defesa do organismo Terra.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Teoria de Gaia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/teoria17-1.jpg\" alt=\"Teoria de Gaia\" width=\"292\" height=\"289\" \/><strong>Hip\u00f3tese de<\/strong>\u00a0<strong>Gaia<\/strong><\/p>\nA melhor maneira de compreender a fragilidade da biosfera talvez seja atrav\u00e9s da\u00a0<strong>Hip\u00f3tese de Gaia\u00a0<\/strong>e do texto elaborado pelo Greenpeace que nos faz pensar sobre o comportamento da esp\u00e9cie Homo sapiens.\n\n<strong>O termo Gaia foi usado pela primeira vez no s\u00e9culo XVII pelo m\u00e9dico ingl\u00eas William Gilbert referindo-se a M\u00e3e Terra e popularizado pelo norte-americano James Lovelock quando formulou a hip\u00f3tese de Gaia:\u00a0<\/strong>a Terra seria um superorganismo, de certa forma fr\u00e1gil, mas com capacidade de auto-recupera\u00e7\u00e3o.\n\nNa Terra, como no metabolismo de um organismo vivo, cada parte influencia e depende de outras partes, ao perturbar uma s\u00f3 dessas partes da vida pode afetar o todo. Mais recentemente, essa hip\u00f3tese foi comungada por Jonathan Weiner, mas com uma certa preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo Weiner os agentes destrutivos hoje s\u00e3o artificiais e provocam desgaste em quase todo o planeta, ao mesmo tempo.\n\n<strong>A constitui\u00e7\u00e3o de Gaia seria t\u00e3o vigorosa a ponto de reparar naturalmente o desgaste e manter o planeta saud\u00e1vel? Poder\u00e1 Gaia nos salvar?<\/strong>\n\nA Terra tem 4,6 bilh\u00f5es de anos, se condensarmos esse espa\u00e7o de tempo num conceito compreens\u00edvel, poder\u00edamos comparar a Terra a uma pessoa que neste momento estaria completando 46 anos. Nada sabemos dos 7 primeiros anos de vida dessa pessoa e m\u00ednimas s\u00e3o as informa\u00e7\u00f5es sobre o longo per\u00edodo de sua juventude e matura\u00e7\u00e3o.\n\nSabemos, no entanto, que foi aos 42 anos que a terra come\u00e7ou a florescer. Os dinossauros e os grandes r\u00e9pteis surgiram h\u00e1 um ano, quando o planeta tinha 45 anos.\n\nOs mam\u00edferos apareceram h\u00e1 apenas oito meses e na semana passada os primeiros homin\u00eddeos aprenderam a caminhar eretos.\n\nNo fim dessa semana a Terra ficou coberta com uma camada de gelo, mas abrigou em seu seio as sementes da vida.\n\nO homem moderno tem apenas quatro horas de exist\u00eancia e faz uma hora que descobriu a agricultura. A Revolu\u00e7\u00e3o Industrial iniciou h\u00e1 um minuto. Durante esses sessenta segundos da imensid\u00e3o do tempo geol\u00f3gico, o homem fez do para\u00edso um dep\u00f3sito de lixo.\n\nMultiplicou-se como praga, causou a extin\u00e7\u00e3o de in\u00fameras esp\u00e9cies, saqueou o planeta para obter combust\u00edveis; armou-se at\u00e9 os dentes para travar, com suas armas nucleares inteligentes, a \u00faltima de todas as guerras, que destruir\u00e1 definitivamente o \u00fanico o\u00e1sis da vida no sistema solar.\n\nA evolu\u00e7\u00e3o natural de 4,6 bilh\u00f5es de anos seria anulada num segundo pela a\u00e7\u00e3o do animal inteligente que inventou o conhecer.\n\n<strong>Ser\u00e1 esse o nosso destino:<\/strong>\u00a0Texto do Greenpeace.\n\n<strong>Gaia &#8211; O PLANETA VIVO<\/strong>\n\n<strong>Entenda melhor a hip\u00f3tese de James Lovelock<\/strong>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teoria de Gaia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/teoria16.jpg\" alt=\"Teoria de Gaia\" width=\"391\" height=\"275\" \/>\n<strong>Teoria de Gaia<\/strong><\/p>\nO que acontece \u00e0 Terra, acontece aos filhos da Terra, declarou, em 1855, o chefe ind\u00edgena Seattle ao presidente norte-americano Franklin Pierce, numa carta que respondia \u00e0 proposta da compra da terra dos \u00edndios pelos brancos. Nesse texto, que acabou se tornando um manifesto ambientalista, Seattle, l\u00edder dos Duwamish, nativos do atual Estado de Washington, d\u00e1 a entender que a Terra \u00e9 uma entidade viva, onde todos os seus componentes os seres vivos, as rochas, as \u00e1guas e a atmosfera interagem em harmonia, conferindo vida ao planeta. O Homem n\u00e3o tece a teia da vida, afirma Seattle, ele \u00e9 apenas um fio dessa teia. Essa percep\u00e7\u00e3o, embora adquirida apenas por meio da sensibilidade do chefe duwamish, est\u00e1 incrivelmente imbu\u00edda de uma no\u00e7\u00e3o que a ci\u00eancia come\u00e7a a adotar apenas agora. Quase cem anos depois, um cientista prop\u00f5e uma vis\u00e3o do planeta que comprova as palavras do chefe ind\u00edgena.\n\nJames Lovelock, um dos mais prestigiados cientistas brit\u00e2nicos da atualidade, sugere uma abordagem bastante abrangente para entender nosso planeta e as altera\u00e7\u00f5es pelas quais ele est\u00e1 passando. Lovelock, que trabalhou na NASA e \u00e9 autor de diversas inven\u00e7\u00f5es, entre elas o ECD, sigla inglesa para detector de captura de el\u00e9trons, (um aparelho que permite mensurar o ac\u00famulo global de pesticidas e a polui\u00e7\u00e3o pelos fluocarbonos, produtos qu\u00edmicos respons\u00e1veis pelo bu\u00adraco na camada de oz\u00f4nio), entende a Terra como um sistema fisiol\u00f3gico \u00fanico, uma entidade viva. E como todo ser vivo, a Terra seria capaz de auto-regular seus processos qu\u00edmicos e sua temperatura.\n\nLovelock lan\u00e7ou sua ideia pela primeira vez no final da d\u00e9cada de 1960 num artigo publicado no peri\u00f3dico \u00cdcaro, editado pelo lend\u00e1rio Carl Sagan. A vida, ou a biosfera, regula ou mant\u00e9m o clima e a composi\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica em um n\u00edvel \u00f3timo para si mesma, prop\u00f4s ele na revista.\n\nEssa vis\u00e3o anal\u00edtica da Terra como um sistema \u00fanico, que Lovelock batizou de Gaia, o nome que os antigos gregos da\u00advam \u00e0 deusa Terra, \u00e9 essencialmente fisiol\u00f3gica, considerando o planeta como um organismo onde seus componentes intera\u00adgem de forma a sustentar a vida. A Terra funcionaria como um sistema interligado e jamais separado em biosfera, atmosfera, litosfera e hidrosfera, como os cientistas fazem. Essas divis\u00f5es n\u00e3o s\u00e3o divis\u00f5es reais da Terra, mas esferas de influ\u00eancia habi\u00adtadas por cientistas e acad\u00eamicos, diz Lovelock.\n\nDe fato, na medida em que desenvolveu a Hip\u00f3tese Gaia, Lovelock percebeu que n\u00e3o \u00e9 apenas a vida, ou seja, a biosfera, que regula o sistema Gaia, mas todos os seus com\u00adponentes.\n\nA evolu\u00e7\u00e3o dos organismos est\u00e1 intimamente ligada \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o do ambiente f\u00edsico e qu\u00edmico. Sua a\u00e7\u00e3o conjunta constitui um processo auto-regulador. Da mesma forma como o clima, a composi\u00e7\u00e3o das rochas, que formam a litosfera, o ar, os rios e os oceanos s\u00e3o determinantes na evolu\u00e7\u00e3o dos seres vivos de um ambiente. As esp\u00e9cies animais e vegetais tamb\u00e9m transformam e recriam os ambientes ao seu redor.\n\nMais que isso, al\u00e9m de se modificar mutuamente, o conjunto dessas re\u00adla\u00e7\u00f5es confere uma outra percep\u00e7\u00e3o do conceito de vida, em \u00e2mbito planet\u00e1rio.\n\nA defini\u00e7\u00e3o mais adequada de vida ainda \u00e9 debatida intensamente no meio cient\u00edfico. H\u00e1 diferentes formas de se entender o significado dessa palavra.\n\nA defini\u00e7\u00e3o mais tradicional a coloca como a propriedade das plantas e dos animais que lhes permite ingerir alimentos, extrair energia, crescer de acordo com suas instru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas e se reproduzir.\n\nUma outra defini\u00e7\u00e3o considera que todos os sistemas vivos t\u00eam fronteiras as paredes das c\u00e9lulas, as membranas, ou a pele, t\u00eam capacidade de manter um meio interno constante, precisam de um fluxo constante de energia para preservar sua integridade e excretam produtos residuais.\n\nLovelock observa que Gaia apresenta muitas dessas caracter\u00edsticas. A Terra \u00e9, por exemplo, limitada no exterior pelo espa\u00e7o, com o qual troca irradia\u00e7\u00e3o de energia a luz solar entrando, e a radia\u00e7\u00e3o t\u00e9rmica saindo.\n\nO planeta utiliza energia solar e rege uma esp\u00e9cie de metabolismo em escala planet\u00e1ria. A Terra absorve energia de alta qualidade, como a luz solar, e excreta energia de baixa qualidade, como raios infravermelhos, para o espa\u00e7o. \u00c9 tamb\u00e9m um sistema que se auto-regula. O clima permaneceu satisfat\u00f3rio para a vida duran\u00adte 3,8 bilh\u00f5es de anos, mesmo tendo havido um aumento de 25% de produ\u00e7\u00e3o solar.\n\nO clima certamente n\u00e3o foi mantido por uma casualidade feliz, argumenta Lovelock.\n\nAs mais fortes obje\u00e7\u00f5es \u00e0 Hip\u00f3tese Gaia atacam o fato de a Terra n\u00e3o poder se reproduzir. Se ela n\u00e3o se reproduz, n\u00e3o pode estar viva. Na verdade, Gaia pertenceria a uma ca\u00adtegoria distinta de vida, a mesma a qual pertencem os recifes de coral e as colm\u00e9ias, ou seja, sistemas auto-reguladores que sustentam vida, crescem e evoluem com ela.\n\nA vis\u00e3o proposta pela Hip\u00f3tese Gaia \u00e9 importante porque traz uma perspectiva nova na maneira de entender o planeta e a vida, da qual somos parte. H\u00e1, por\u00e9m, uma implica\u00e7\u00e3o maior no fato de o planeta ser um organismo vivo, capaz de se auto-regular e de resolver problemas que ameacem seus processos. Qualquer esp\u00e9cie que afete adversamente o meio ambiente, tornando-o menos favor\u00e1vel para a prog\u00eanie de Gaia, acabar\u00e1 sendo banida, exatamente como acontece com os membros mais fracos de uma esp\u00e9cie que n\u00e3o conseguem passar pelo teste de aptid\u00e3o evolutiva, sustenta Lovelock. Dessa forma, Gaia tenderia a buscar sua sobreviv\u00eancia, mesmo que para isso tivesse de eliminar a esp\u00e9cie mais inteligente que produziu.\n\nA julgar pelas mudan\u00e7as clim\u00e1ticas e por suas dr\u00e1sticas consequ\u00eancias que estamos come\u00e7ando a testemunhar, Lovelock est\u00e1 com a raz\u00e3o.\n\n<strong>Os \u00f3rg\u00e3os de Gaia<\/strong>\n\nJames Lovelock sustenta que, como todo organismo vivo, o planeta possui \u00f3rg\u00e3os, que seriam os ecossistemas.\n\n<strong>Os ecossistemas se espalham por toda a superf\u00edcie da Terra:<\/strong>\u00a0desde o \u00c1rtico at\u00e9 os desertos, das Florestas temperadas e tropicais aos campos e p\u00e2ntanos, do litoral ao Fundo dos oceanos.\n\nEsses ecossistemas s\u00e3o sustentados por outros, invis\u00edveis. Trata-se dos ecossistemas bacterianos fotossintetizadores e consumidores, que ficam na superf\u00edcie do solo e do mar, e os fermentadores e anaer\u00f3bicos, que vivem no subterr\u00e2neo. Lovelock diz que os ecossistemas podem ser vistos como superorganismos que possuem algumas carac\u00adter\u00edsticas das entidades vivas, isto \u00e9, auto-regula\u00e7\u00e3o, homeostase (tend\u00eancia que o organismo tem de se estabilizar) e metabolismo. S\u00e3o tamb\u00e9m os \u00f3rg\u00e3os de Gaia, prop\u00f5e o cientista brit\u00e2nico. Embora estejam ligados a todos os outros ecossistemas, cada um deles tem uma identidade distinta e desempenha um papel de import\u00e2ncia vital em todo o orga\u00adnismo, aponta Lovelock.\n\n<strong>Uma nova Ci\u00eancia<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>geofisiologia<\/strong>\u00a0\u00e9 uma nova ci\u00eancia proposta por James Lovelock que estuda a vida a partir de uma pers\u00adpectiva mais abrangente. A\u00a0<strong>geofisiologia<\/strong>\u00a0\u00e9 <strong>a ci\u00eancia dos grandes sistemas vivos, como a Terra<\/strong>, explica o cientista brit\u00e2nico.\u00a0<strong>Ela se ocupa da maneira como a Terra viva fun\u00adciona<\/strong>. A geofisiologia ignora as divis\u00f5es tradicionais entre as ci\u00eancias da Terra, como geologia, por exemplo, e as da vida, como a biologia, que concebem a evolu\u00e7\u00e3o das ro\u00adchas e a da vida como duas \u00e1reas cient\u00edficas separadas. Em lugar disso, a geofisiologia trata os dois processos como uma \u00fanica ci\u00eancia evolutiva que pode explicar detalhadamente a hist\u00f3ria do planeta.\n\n<strong>GAIA \u2013 O PLANETA VIVO<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Teoria de Gaia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/teoria20.jpg\" alt=\"Teoria de Gaia\" width=\"261\" height=\"261\" \/>\n<strong>Teoria de Gaia<\/strong><\/p>\nNovas evid\u00eancias cient\u00edficas mostram, a cada dia, que de fato a Terra \u00e9 um superorganismo, dotado de auto-regula\u00e7\u00e3o. Como partes desses sistemas, por\u00e9m, temos responsabilidade individual em mant\u00ea-la viva e saud\u00e1vel para as futuras gera\u00e7\u00f5es.\n\nA id\u00e9ia de que a Terra \u00e9 viva pode ser t\u00e3o velha quanto a humanidade. Os antigos gregos deram-lhe o poderoso nome de Gaia e tinham-na por deusa. Antes do s\u00e9culo 19, at\u00e9 mesmo os cientistas sentiam-se confort\u00e1veis com a no\u00e7\u00e3o de uma Terra viva. Segundo o historiador D. B. McIntyre (1963), James Hutton, normalmente conhecido como o pai da geologia, disse numa palestra para a Sociedade Real de Edimburgo na d\u00e9cada de 1790 que considerava a Terra um superorganismo e que seu estudo apropriado seria atrav\u00e9s da fisiologia.\n\nHutton foi mais adiante e fez a analogia entre a circula\u00e7\u00e3o do sangue, descoberta por Harvey, e a circula\u00e7\u00e3o dos elementos nutrientes da Terra, e a forma como o sol destila \u00e1gua dos oceanos para que torne a cair como chuva e refresque a terra.\n\nEssa vis\u00e3o hol\u00edstica de nosso planeta n\u00e3o persistiu no s\u00e9culo seguinte. A ci\u00eancia estava se desenvolvendo rapidamente e logo se fragmentou numa colet\u00e2nea de profiss\u00f5es quase independentes.\n\nTornou-se prov\u00edncia do especialista, e pouco de bom se podia dizer acerca do racioc\u00ednio interdisciplinar. N\u00e3o se podia fugir de tal introspec\u00e7\u00e3o. Havia tanta informa\u00e7\u00e3o a ser coletada e selecionada!\n\nCompreender o mundo era tarefa t\u00e3o dif\u00edcil quanto montar um quebra-cabe\u00e7a do tamanho do planeta. Era dif\u00edcil demais perder a no\u00e7\u00e3o da figura enquanto se procurava e separava as pe\u00e7as.\n\nQuando, h\u00e1 alguns anos, vimos as fotografias da Terra tiradas do espa\u00e7o, tivemos um vislumbre do que est\u00e1vamos tentando modelar. Aquela vis\u00e3o de estonteante beleza; aquela esfera salpicada de azul e branco mexeu com todos n\u00f3s, n\u00e3o importa que agora seja apenas um clich\u00ea visual.\n\nA no\u00e7\u00e3o de realidade de compararmos a imagem mental que temos do mundo com aquela que percebemos atrav\u00e9s de nossos sentidos. \u00c9 por isso que a vis\u00e3o que os astronautas tiveram da Terra foi t\u00e3o perturbadora.\n\nMostrou-nos a que dist\u00e2ncia est\u00e1vamos afastados da realidade.\n\nA Terra tamb\u00e9m foi vista do espa\u00e7o pelos olhos mais discernentes dos instrumentos, e foi esta \u00f3tica que confirmou a vis\u00e3o que James Hutton teve de um planeta vivo. Vista \u00e0 luz infravermelha, a Terra \u00e9 uma anomalia estranha e maravilhosa entre os outros planetas do Sistema Solar. Nossa atmosfera, o ar que respiramos mostrou-se escandalosamente fora de equil\u00edbrio, quimicamente falando.\n\n\u00c9 como a mistura de gases que penetra no coletor de um motor de combust\u00e3o interna, ou seja, hidrocarbonetos e oxig\u00eanio misturados, enquanto nossos parceiros mortos Marte e V\u00eanus t\u00eam atmosferas de gases exauridos por combust\u00e3o.\n\nA composi\u00e7\u00e3o inortodoxa da atmosfera emite um sinal t\u00e3o forte na faixa infravermelha que poder\u00e1 ser reconhecido por uma espa\u00e7onave a grande dist\u00e2ncia do Sistema Solar.\n\nAs informa\u00e7\u00f5es que ele transporta s\u00e3o evid\u00eancia \u00e0 primeira vista da presen\u00e7a da vida. Por\u00e9m, mais do que isso, se a atmosfera inst\u00e1vel da Terra foi capaz de persistir e n\u00e3o se tratava de um evento casual, ent\u00e3o isto significaria que o planeta est\u00e1 vivo \u2013 pelo menos at\u00e9 o ponto em que compartilha com outros organismos vivos a maravilhosa propriedade da homeostase, a capacidade de controlar sua composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica e se manter bem quando o ambiente externo est\u00e1 mudando.\n\nQuando, baseado nessa evid\u00eancia, eu trouxe novamente \u00e0 baila a vis\u00e3o de que nos encontr\u00e1vamos sobre um superorganismo \u2013 e n\u00e3o uma mera bola de pedra -, o argumento n\u00e3o foi bem recebido.\n\nMuitos cientistas o ignoraram ou criticaram sobre a base de que n\u00e3o era necess\u00e1rio explicar os fatos da Terra.\n\n<strong>Conforme disse o ge\u00f3logo H. D. Holland:<\/strong>\u00a0\u201cVivemos numa Terra que \u00e9 o melhor dos mundos somente para aqueles que est\u00e3o bem adaptados ao seu estado vigente\u201d. O bi\u00f3logo Ford Doolittle (1981) disse que para manter a Terra em estado constante favor\u00e1vel \u00e0 vida precisar\u00edamos prever e planejar, e que nenhum estado desse tipo conseguiria evoluir atrav\u00e9s da sele\u00e7\u00e3o natural. Em suma, disseram os cientistas, a id\u00e9ia era teleol\u00f3gica e intest\u00e1vel. Dois cientistas, entretanto, pensaram de forma diferente; um deles foi a eminente bi\u00f3loga Lynn Margulis e o outro o geoqu\u00edmico Lars Sillen.\n\nLynn Margulis foi minha primeira colaboradora (Margulis e Lovelock, 1974). Lars Sillen morreu antes que houvesse uma oportunidade. Foi o romancista William Golding (comunica\u00e7\u00e3o pessoal, 1970) quem sugeriu usar o poderoso nome Gaia para a hip\u00f3tese que supunha estar viva a Terra.\n\nNos \u00faltimos 10 anos, tais cr\u00edticas foram rebatidas \u2013 por um lado devido a novas evid\u00eancias e por outro devido a um simples modelo matem\u00e1tico chamado Daisy World. Nele, o crescimento competitivo de plantas de colora\u00e7\u00e3o clara e outras de colora\u00e7\u00e3o escura em um mundo m\u00e1gico mostra-se mantenedor do clima planet\u00e1rio constante e confort\u00e1vel face \u00e0 grande mudan\u00e7a na emiss\u00e3o de calor da estrela do planeta.\n\nO modelo \u00e9 bastante homeost\u00e1tico e pode resistir a grandes perturba\u00e7\u00f5es n\u00e3o apenas na emiss\u00e3o de calor como tamb\u00e9m na popula\u00e7\u00e3o vegetal. Ele se comporta como um organismo vivo, mas n\u00e3o s\u00e3o necess\u00e1rias previs\u00f5es ou planejamentos para sua opera\u00e7\u00e3o.\n\nAs teorias cient\u00edficas n\u00e3o s\u00e3o julgadas tanto por estarem certas ou erradas quanto o s\u00e3o pelo valor de suas previs\u00f5es.\n\nA teoria de Gaia j\u00e1 se mostrou t\u00e3o frut\u00edfera nestes termos que por ora pouco importaria se estivesse errada. Um exemplo, tirado dentre tantas previs\u00f5es, foi a sugest\u00e3o de que o composto sulfeto de dimetilo seria sintetizado por organismos marinhos em larga escala para servir de portador natural de enxofre do oceano para a terra.\n\nSabia-se na \u00e9poca que alguns elementos essenciais \u00e0 vida, como o enxofre, eram abundantes nos oceanos, mas encontravam-se em processo de exaust\u00e3o em pontos da superf\u00edcie da Terra. Segundo a teoria de Gaia, seria necess\u00e1rio um portador natural, e foi previsto o sulfeto de dimetilo. Agora sabemos que este composto \u00e9 de fato o portador natural do enxofre, mas, na ocasi\u00e3o em que a previs\u00e3o foi feita, buscar um composto t\u00e3o incomum assim no ar e no mar teria ido de encontro \u00e0 sabedoria convencional. \u00c9 improv\u00e1vel que tivessem ido buscar sua presen\u00e7a n\u00e3o fosse pelo est\u00edmulo da teoria de Gaia.\n\nA teoria de Gaia v\u00ea a biota e as rochas, o ar e os oceanos como exist\u00eancia de uma entidade fortemente conjugada. Sua evolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um processo \u00fanico, e n\u00e3o v\u00e1rios processos separados estudados em diferentes pr\u00e9dios de universidades. Ela tem um significado profundo para a biologia. Afeta at\u00e9 a grande vis\u00e3o de Darwin, pois talvez n\u00e3o seja mais suficiente dizer que os indiv\u00edduos que deixarem a maior prole ter\u00e3o \u00eaxito. Ser\u00e1 necess\u00e1rio acrescentar a cl\u00e1usula de que podem conseguir contanto que n\u00e3o afetam adversamente o meio ambiente.\n\nA teoria de Gaia tamb\u00e9m amplia a ecologia te\u00f3rica. Colocando-se as esp\u00e9cies e o meio ambiente juntos, algo que nenhum ecologista te\u00f3rico fez, a instabilidade matem\u00e1tica cl\u00e1ssica de modelos de biologia populacional est\u00e1 curada.\n\nPela primeira vez temos, a partir desses modelos novos, modelos geofisiol\u00f3gicos, uma justificativa te\u00f3rica para a diversidade, para a riqueza rousseauniana de uma floresta tropical \u00famida, para o emaranhado banco darwiniano. Esses novos modelos ecol\u00f3gicos demonstram que, \u00e0 medida que aumenta a diversidade, tamb\u00e9m aumentam a estabilidade e a resili\u00eancia.\n\nAgora podemos racionalizar a repugn\u00e2ncia que sentimos pelos excessos dos neg\u00f3cios agr\u00edcolas.\n\nFinalmente temos uma raz\u00e3o para nossa ira contra a elimina\u00e7\u00e3o insensata de esp\u00e9cies e uma resposta para aqueles que dizem tratar-se de um mero sentimentalismo.\n\nN\u00e3o precisamos mais justificar a exist\u00eancia de florestas tropicais \u00famidas sobre as bases prec\u00e1rias de que elas podem conter plantas com drogas capazes de curar doen\u00e7as humanas.\n\nA teoria de Gaia nos for\u00e7a a ver que elas oferecem muito mais que isso. Dada sua capacidade de evapotranspirar enormes volumes de vapor d\u2019\u00e1gua, elas servem para refrescar o planeta propiciando-lhe a prote\u00e7\u00e3o solar de nuvens brancas refletoras. Sua substitui\u00e7\u00e3o por lavoura poderia precipitar um desastre em escala global.\n\nUm sistema geofisiol\u00f3gico sempre come\u00e7a com a a\u00e7\u00e3o de um organismo individual. Se esta a\u00e7\u00e3o for localmente ben\u00e9fica para o meio ambiente, ela ent\u00e3o poder\u00e1 se difundir at\u00e9 que acabe resultando um altru\u00edsmo global.\n\nGaia sempre opera assim para atingir seu altru\u00edsmo. N\u00e3o h\u00e1 previs\u00e3o ou planejamento envolvido. O inverso tamb\u00e9m \u00e9 verdadeiro, e qualquer esp\u00e9cie que afete o meio ambiente desfavoravelmente est\u00e1 sentenciada, mas a vida continua. Ser\u00e1 que isto se aplica aos seres humanos agora.\n\n<strong>Estaremos fadados a precipitar uma mudan\u00e7a do atual estado confort\u00e1vel da Terra para um quase certamente desfavor\u00e1vel para n\u00f3s por\u00e9m confort\u00e1vel para a biosfera de nossos sucessores?<\/strong>\n\nPor sermos conscientes, h\u00e1 alternativas, tanto boas quanto m\u00e1s. Por certos caminhos, o pior destino que nos aguarda \u00e9 sermos alistados como os m\u00e9dicos e as enfermeiras de um planeta geri\u00e1trico com a infind\u00e1vel e intang\u00edvel tarefa de buscar eternamente tecnologias capazes de mant\u00ea-lo adequado ao nosso tipo de vida \u2013 algo que at\u00e9 bem pouco tempo atr\u00e1s receb\u00edamos gratuitamente por sermos uma parte de Gaia.\n\nA filosofia de Gaia n\u00e3o \u00e9 humanista. Mas, sendo av\u00f4 de oito netos, eu preciso ser otimista. Vejo o mundo como um organismo vivo do qual somos parte; n\u00e3o os donos, n\u00e3o os inquilinos, sequer os passageiros.\n\n<strong>Explorar esse mundo na escala que fazemos seria t\u00e3o tolo quanto considerar supremo o c\u00e9rebro e dispens\u00e1veis as c\u00e9lulas de minerar nosso f\u00edgado em busca de nutrientes para algum benef\u00edcio de curta dura\u00e7\u00e3o?<\/strong>\n\nPor sermos habitantes de cidades, ficamos obcecados pelos problemas humanos.\n\nAt\u00e9 mesmo os ambientalistas parecem mais preocupados com a perda de um ano de expectativa de vida devido ao c\u00e2ncer do que com a degrada\u00e7\u00e3o do mundo natural atrav\u00e9s do desmatamento ou dos gases do efeito estufa \u2013 algo que poderia causar a morte de nossos netos.\n\nEstamos t\u00e3o alienados do mundo da natureza que poucos somos os que conhecemos os nomes das flores e dos insetos selvagens das localidades onde vivemos ou percebemos a rapidez de sua extin\u00e7\u00e3o.\n\nGaia funciona a partir do ato de um organismo individual que se desenvolve at\u00e9 o altru\u00edsmo global. Envolve a\u00e7\u00e3o em n\u00edvel pessoal.\n\n<strong>Voc\u00ea bem pode perguntar:<\/strong>\u00a0\u201cE o que posso fazer?\u201d\n\n<strong>Quando procuro agir pessoalmente em favor de Gaia atrav\u00e9s da modera\u00e7\u00e3o, acho \u00fatil pensar em tr\u00eas elementos mortais:<\/strong>\u00a0combust\u00e3o, gado e motoserra. Devem existir muitos outros.\n\nUma coisa que voc\u00ea pode fazer, e isto n\u00e3o passa de um exemplo, \u00e9 comer menos carne de boi. Agindo assim, e se os m\u00e9dicos estiverem certos, voc\u00ea poder\u00e1 estar fazendo um bem a si pr\u00f3prio; ao mesmo tempo, poder\u00e1 estar reduzindo as press\u00f5es sobre as florestas dos tr\u00f3picos \u00famidos. Ser ego\u00edsta \u00e9 humano e natural.\n\nMas se preferirmos ser ego\u00edstas no caminho correto, ent\u00e3o a vida pode ser rica e ainda assim consistente com um mundo adequado para os nossos netos, bem como para os netos de nossos parceiros em Gaia.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.wiltonoliveira.com\/www.hidro.ufcg.edu.br\/desconstruindo.com.br\/www.ufpa.br(James E. 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