{"id":25629,"date":"2015-12-11T00:00:00","date_gmt":"2015-12-11T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/ecossistemas-aquaticos-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:51:11","modified_gmt":"2026-09-01T17:51:11","slug":"ecossistemas-aquaticos-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/meio-ambiente-2\/ecossistemas-aquaticos-4\/","title":{"rendered":"Ecossistemas Aqu\u00e1ticos"},"content":{"rendered":"\n<strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos &#8211; O que \u00e9<\/strong>\n\nAs comunidades de plantas e animais que vivem na \u00e1gua s\u00e3o conhecidas como<strong>\u00a0ecossistemas aqu\u00e1ticos<\/strong>.\n\nEles s\u00e3o divididos em dois grupos principais.\n\n<strong>Ecossistemas de \u00e1gua doce<\/strong>\u00a0s\u00e3o encontrados em \u00e1guas com baixas concentra\u00e7\u00f5es de sais, de lagoas a estu\u00e1rios.\n\nOs\u00a0<strong>ecossistemas marinhos<\/strong>\u00a0s\u00e3o encontrados na \u00e1gua salgada dos mares e oceanos. A maioria de n\u00f3s n\u00e3o est\u00e1 longe de algum tipo de ecossistema aqu\u00e1tico, seja no oceano ou em uma lagoa local.\n\nA natureza de um ecossistema aqu\u00e1tico \u00e9 moldada, como em terra, pela disponibilidade de alimentos, oxig\u00eanio e temperatura predominante. Soma-se a isso a salinidade, que \u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de sal da \u00e1gua.\n\n<strong>Ecossistemas aqu\u00e1ticos<\/strong>\u00a0em \u00e1guas rasas, onde h\u00e1 muita luz solar, geralmente tendem a ser os mais produtivos. A polui\u00e7\u00e3o da \u00e1gua, geralmente proveniente de atividades humanas, \u00e9 a que mais pressiona os ecossistemas aqu\u00e1ticos. Por exemplo, os peixes podem ser mortos pela chuva \u00e1cida em lagos ou pela falta de oxig\u00eanio onde os nutrientes em excesso foram despejados em um estu\u00e1rio.\n\n<strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos &#8211; Hist\u00f3ria<\/strong>\n\n<strong>Ecossistemas aqu\u00e1ticos<\/strong>\u00a0s\u00e3o as comunidades de organismos, seu ambiente aqu\u00e1tico circundante e a rela\u00e7\u00e3o entre os dois. Os ambientes aqu\u00e1ticos, ou aquosos, s\u00e3o divididos em \u00e1gua doce e marinhos. A \u00e1gua doce tem menos de um grama por litro de s\u00f3lidos dissolvidos, principalmente sais, dos quais o cloreto de s\u00f3dio \u00e9 o mais importante para os organismos vivos. Salinidade \u00e9 o termo dado \u00e0 concentra\u00e7\u00e3o de sais em um corpo de \u00e1gua. A \u00e1gua salgada cont\u00e9m mais de um grama por litro de s\u00f3lidos dissolvidos.\n\n<strong>Ecossistemas de \u00e1gua doce\u00a0<\/strong>s\u00e3o encontrados em lagoas, lagos, reservat\u00f3rios, rios e c\u00f3rregos.\n\n<strong>Ecossistemas marinhos ou de \u00e1gua salgada\u00a0<\/strong>s\u00e3o encontrados nos mares e oceanos. Os estu\u00e1rios, que s\u00e3o lugares onde um rio encontra o mar, como a Ba\u00eda de S\u00e3o Francisco, s\u00e3o parte de \u00e1gua doce e parte marinha em sua composi\u00e7\u00e3o. A diversidade de um ecossistema aqu\u00e1tico depende da temperatura, disponibilidade de luz, nutrientes, oxig\u00eanio e salinidade. Isso cria ecossistemas muito diferentes, por exemplo, em uma lagoa rasa em um clima temperado com muita luz em compara\u00e7\u00e3o com o oceano profundo, onde as condi\u00e7\u00f5es s\u00e3o escuras e frias.\n\nUma grande variedade de plantas, animais e micr\u00f3bios s\u00e3o encontrados em ecossistemas aqu\u00e1ticos, desde bact\u00e9rias que toleram altas temperaturas em fontes hidrotermais no fundo do oceano at\u00e9 a baleia azul, que \u00e9 o maior animal do mundo. Os menores s\u00e3o o fitopl\u00e2ncton e o zoopl\u00e2ncton, os animais e plantas microsc\u00f3picos que formam a camada inferior da cadeia alimentar aqu\u00e1tica. H\u00e1 tamb\u00e9m muitos invertebrados aqu\u00e1ticos, incluindo vermes, insetos e crust\u00e1ceos. Entre os vertebrados aqu\u00e1ticos, os anf\u00edbios, como os sapos, vivem na terra e na \u00e1gua, enquanto os peixes s\u00e3o animais puramente aqu\u00e1ticos. Muitos p\u00e1ssaros, como ma\u00e7aricos, gaivotas e patos, vivem na \u00e1gua ou perto dela. As baleias s\u00e3o um dos poucos mam\u00edferos que podem viver no ambiente marinho.\n\nRios e c\u00f3rregos s\u00e3o ambientes l\u00f3ticos, ou fluindo, de \u00e1gua doce. Seus organismos tendem a ser pequenos, com corpos achatados, para que n\u00e3o sejam varridos. Folhas ca\u00eddas, insetos e outros detritos s\u00e3o importantes fontes de alimento. Lagos e reservat\u00f3rios s\u00e3o sistemas l\u00eanticos, ou em camadas, com \u00e1gua parada. A camada litor\u00e2nea, pr\u00f3xima \u00e0 beira de um lago, geralmente possui um grande ecossistema com organismos que podem usar tanto a terra quanto a \u00e1gua, como lib\u00e9lulas, sapos, patos e tartarugas.\n\nEstu\u00e1rios s\u00e3o regi\u00f5es onde o rio encontra o mar, ou oceano. Compreendem uma zona costeira semifechada, aberta ao meio marinho. Um estu\u00e1rio tem diferentes ecossistemas, como um sapal, que est\u00e1 mais distante do mar. Os loda\u00e7ais s\u00e3o de mar\u00e9 e, portanto, \u00e0s vezes aqu\u00e1ticos e \u00e0s vezes terrestres. A gama de esp\u00e9cies em loda\u00e7ais tende a ser estreita, mas pode haver muitos indiv\u00edduos dentro dessa faixa.\n\nOs canais s\u00e3o as \u00e1reas de um estu\u00e1rio que se conectam ao oceano e geralmente s\u00e3o ricos em peixes e crust\u00e1ceos como caranguejos. Em geral, um estu\u00e1rio \u00e9 um ecossistema rico porque tende a ser raso e h\u00e1 uma boa mistura de nutrientes.\n\nAs principais diferen\u00e7as entre ambientes de \u00e1gua doce e marinhos s\u00e3o a salinidade da \u00e1gua, a profundidade da \u00e1gua e a disponibilidade de luz solar para a fotoss\u00edntese. Os organismos de \u00e1gua doce precisam de mecanismos para evitar a perda de \u00e1gua, porque a \u00e1gua flui de regi\u00f5es de alta concentra\u00e7\u00e3o de sal para aquelas de baixa concentra\u00e7\u00e3o de sal.\n\nOs organismos marinhos em profundidade precisam lidar com a press\u00e3o da \u00e1gua em seus corpos e a falta de luz solar. Esses fatores significam que os ecossistemas de \u00e1gua doce e marinhos podem ser muito diferentes em sua diversidade.\n\nMilhares de diferentes invertebrados s\u00e3o encontrados nos mares e oceanos. Existem esponjas, equinodermos (que incluem estrelas do mar, ouri\u00e7os-do-mar e pepinos-do-mar) e cnid\u00e1rios, como \u00e1guas-vivas, corais e an\u00eamonas do mar. Os moluscos, que s\u00e3o encontrados em terra e no mar, incluem os gastr\u00f3podes (lamas, lesmas e carac\u00f3is), cefal\u00f3podes (polvo, lula e choco) e bivalves (am\u00eaijoas, mexilh\u00f5es, berbig\u00e3o, ostras e vieiras). A maioria dos crust\u00e1ceos s\u00e3o animais marinhos e incluem caranguejos, lagostas, camar\u00f5es, cracas e piolhos.\n\nExistem tamb\u00e9m muitas esp\u00e9cies de vermes marinhos que vivem no fundo do mar ou na areia das zonas costeiras.\n\nCerca de metade das 25.000 esp\u00e9cies conhecidas de peixes vivem no ambiente marinho, principalmente em \u00e1reas mais rasas e mais quentes.\n\n<strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos &#8211; Meio Ambiente<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160528 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ecossi3.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"183\" \/><strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos<\/strong><\/p>\nOs\u00a0<strong>ambientes aqu\u00e1ticos<\/strong>, marinhos e continentais abrigam grande diversidade de seres, incluindo algas, bact\u00e9rias, macr\u00f3fitas, artr\u00f3podes (crust\u00e1ceos e insetos) e vertebrados.\n\nDa fauna que habita os ambientes aqu\u00e1ticos, os peixes representam um pouco mais que a metade das esp\u00e9cies de vertebrados conhecidos no mundo, com 24.618 esp\u00e9cies, sendo que 9.966 esp\u00e9cies ocupam \u00e1guas doces permanentemente. (Nelson, 1994).\n\nA rede hidrogr\u00e1fica brasileira apresenta um grau de diversidade de grande riqueza e elevada complexidade.\n\nTrata-se de um conjunto de bacias e regi\u00f5es hidrogr\u00e1ficas com caracter\u00edsticas de ecossistemas bastante diferenciados, o que propicia o desenvolvimento de m\u00faltiplas esp\u00e9cies vivas da flora e da fauna aqu\u00e1tica.\n\nEsse conjunto de ecossistemas aqu\u00e1ticos comporta parte da rica biodiversidade brasileira.\n\n<strong>Os ecossistemas aqu\u00e1ticos s\u00e3o analisados de acordo com o bioma ao qual pertencem, como segue:<\/strong>\u00a0Floresta Amaz\u00f4nica, Caatinga, Cerrado e Pantanal, Mata Atl\u00e2ntica e Campos Sulinos e, Zona Costeira e Marinha (MMA, 2002).\n\n<strong>Floresta Amaz\u00f4nica<\/strong>\n\n<strong>Existem tr\u00eas tipos de florestas:<\/strong>\u00a0as florestas montanhosas Andinas, as florestas de terra firme e as florestas fluviais alagadas, as duas \u00faltimas na Amaz\u00f4nia brasileira.\n\nA maioria dos sete milh\u00f5es de km<sup>2<\/sup>\u00a0da Floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 constitu\u00edda por floresta de terra firme.\n\nA \u00e1rea de drenagem do Rio Amazonas, somada a do Rio Tocantins, totaliza mais de 6,8 milh\u00f5es de Km\u00b2, caracterizando-se como a maior do mundo. Para se ter id\u00e9ia da sua dimens\u00e3o, ela corresponde a cerca de 1\/3 da \u00e1rea total da Am\u00e9rica do Sul. A descarga amaz\u00f4nica representa 20% de toda a \u00e1gua doce que alimenta os oceanos do planeta por todos os rios.\n\nA dimens\u00e3o da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio Amazonas e a sua grande heterogeneidade ambiental s\u00e3o raz\u00f5es de fundamental import\u00e2ncia para a manuten\u00e7\u00e3o de sua alta diversidade.\n\nO n\u00famero de esp\u00e9cies de peixes encontradas na Bacia do Rio Amazonas, segundo estimativa de Roberts (1972) supera 1.300, quantidade superior \u00e0 encontrada nas demais bacias do mundo.\n\nAmbientes como as corredeiras e os pequenos igarap\u00e9s dos Escudos Cristalinos das Guianas ou do Brasil; o canal principal dos rios e os diferentes tipos de \u00e1reas alagadas pelas cheias dos rios; florestas e savanas periodicamente alagadas pela chuva; e, \u00e1reas costeiras alagadas pelas mar\u00e9s, abrigam n\u00e3o somente esp\u00e9cies end\u00eamicas, mas tamb\u00e9m sustentam grande biomassa de peixes, exploradas pela pesca artesanal ou de subsist\u00eancia.\n\nN\u00e3o h\u00e1 informa\u00e7\u00f5es seguras sobre amea\u00e7as, desaparecimento ou extin\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies de peixes na Amaz\u00f4nia Brasileira. Por\u00e9m \u00e9 constatado a diminui\u00e7\u00e3o, ou mesmo o desaparecimento local de algumas esp\u00e9cies, devido \u00e0 pesca intensa ou a alguma altera\u00e7\u00e3o ambiental, como desmatamento da floresta marginal, minera\u00e7\u00e3o no canal do rio ou represamento.\n\nO quadro, a seguir, apresenta as biotas aqu\u00e1ticas e seus correspondentes n\u00edveis de import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Aqu\u00e1tica da Floresta Amaz\u00f4nica.\n\n<strong>Observa-se que a indica\u00e7\u00e3o de extrema ou a de muito alta import\u00e2ncia biol\u00f3gica baseou-se na ocorr\u00eancia de fen\u00f4menos biol\u00f3gicos especiais, tais como:<\/strong>\u00a0a presen\u00e7a de peixes anuais e\/ou cavern\u00edculas; e, a elevada diversidade fil\u00e9tica e de endemismo.\n\n<strong>Identificam-se como a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o e a utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel da diversidade biol\u00f3gica do sistema aqu\u00e1tico da Amaz\u00f4nia Brasileira a realiza\u00e7\u00e3o de estudos sobre a taxonomia, biogeografia, biologia e ecologia das esp\u00e9cies end\u00eamicas a determinadas regi\u00f5es e das esp\u00e9cies migradoras, e a identifica\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es para proteger e manejar os seguintes ambientes:<\/strong>\u00a0\u00e1reas alagadas da Plan\u00edcie Amaz\u00f4nica (v\u00e1rzeas e igap\u00f3s); \u00e1reas alagadas, corredeiras e cabeceiras do Escudo das Guianas (rio Negro, Trombetas, Jar\u00ed, Araguari e outros); \u00e1reas alagadas, corredeiras e cabeceiras do Escudo do Brasil (rio Tocantins, Xingu, Tapaj\u00f3s e afluentes do rio Madeira); e, encostas dos Andes (rio Amazonas, Madeira, Purus, Juru\u00e1 e Japur\u00e1).\n\n<strong>Caatinga<\/strong>\n\nO clima semi\u00e1rido da regi\u00e3o e o predom\u00ednio de rios intermitentes poderiam evidenciar a baixa diversidade da biota aqu\u00e1tica da Caatinga, dotada de poucas esp\u00e9cies end\u00eamicas e com um predom\u00ednio de esp\u00e9cies generalistas amplamente distribu\u00eddas. Entretanto, estudos apontam que a Caatinga n\u00e3o \u00e9 pobre em esp\u00e9cies aqu\u00e1ticas.\n\nEsses estudos identificaram no Bioma da Caatinga 185 esp\u00e9cies de peixes, distribu\u00eddas em 100 g\u00eaneros, sendo que 57,3% das esp\u00e9cies registradas s\u00e3o end\u00eamicas.\n\nDestaque-se o grande n\u00famero de esp\u00e9cies de peixes anuais (fam\u00edlia Rivulidae) encontradas apenas ao longo do m\u00e9dio curso do Rio S\u00e3o Francisco.\n\nOs aspectos relacionados \u00e1 conserva\u00e7\u00e3o dos peixes da caatinga ainda s\u00e3o precariamente conhecidos. Apenas quatro esp\u00e9cies que ocorrem no bioma foram identificadas como amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o. Por\u00e9m, deve-se considerar que grande parte da ictiofauna n\u00e3o foi ainda avaliada.\n\nRessalta-se, no entanto, que a amplia\u00e7\u00e3o de \u00e1reas de ocupa\u00e7\u00e3o agropecu\u00e1ria e urbana contribuem para a redu\u00e7\u00e3o e a degrada\u00e7\u00e3o de habitats dispon\u00edveis para os peixes de \u00e1gua doce.\n\nA polui\u00e7\u00e3o de cursos de \u00e1gua por esgotos urbanos, agrot\u00f3xicos e efluentes industriais causa s\u00e9rios impactos ambientais, especialmente aos ecossistemas aqu\u00e1ticos da Caatinga.\n\nOs projetos de grandes obras de engenharia, que incluem barramento e as interliga\u00e7\u00f5es de rios s\u00e3o, tamb\u00e9m, fatores que afetam bastante a biota aqu\u00e1tica.\n\n<strong>A indica\u00e7\u00e3o de \u00e1reas priorit\u00e1rias para peixes foi realizada a partir da identifica\u00e7\u00e3o da distribui\u00e7\u00e3o da ictiofauna, resultando na divis\u00e3o da Caatinga em quatro ecorregi\u00f5es:<\/strong>\u00a0Maranh\u00e3o\/Piau\u00ed; Nordeste M\u00e9dio Oriental; Bacia do Rio S\u00e3o Francisco; e, Bacias do Leste. Em cada uma das ecorregi\u00f5es foram selecionadas \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o da biota aqu\u00e1tica, baseada especialmente no diagn\u00f3stico biol\u00f3gico, que inclui a riqueza e o endemismo de esp\u00e9cies; a presen\u00e7a de esp\u00e9cies amea\u00e7adas; e, a ocorr\u00eancia de fen\u00f4menos biol\u00f3gicos especiais.\n\nObserva-se, entretanto, pelo n\u00famero de bacias com informa\u00e7\u00e3o insuficiente, que o conhecimento sobre a ictiofauna ainda \u00e9 muito incipiente no bioma da Caatinga.\n\nAs a\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias consistem em realizar um invent\u00e1rio biol\u00f3gico da biota alem de coibir a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas em ambientes aqu\u00e1ticos naturais, sem o devido embasamento de estudos de impactos ambientais.\n\n<strong>Cerrado e Pantanal<\/strong>\n\nA diversidade de esp\u00e9cies no Cerrado e no Pantanal pode ser exemplificada pelos dados da ictiofauna. Estima-se que existam cerca de 780 esp\u00e9cies nesse bioma, no entanto este n\u00famero pode ser maior devido \u00e0s constantes descobertas de outras esp\u00e9cies.\n\nAtualmente, apenas 0,44% do Cerrado e do Pantanal est\u00e1 contemplado por Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o genuinamente aqu\u00e1ticas, sendo, portanto, recomend\u00e1vel a cria\u00e7\u00e3o de novas Unidades, que considerem as esp\u00e9cies migradoras, com a finalidade de conservar a riqueza existente.\n\nOs sistemas mais amea\u00e7ados na regi\u00e3o compreendem as cabeceiras das bacias de drenagem e as plan\u00edcies de inunda\u00e7\u00f5es dos grandes rios. Inserem-se ainda as veredas e os brejos de altitude, pois s\u00e3o habitados por v\u00e1rias esp\u00e9cies anuais de distribui\u00e7\u00e3o muito restrita.\n\nNesse bioma \u00e9 tamb\u00e9m recomend\u00e1vel a prote\u00e7\u00e3o das \u00e1reas com conex\u00f5es entre bacias hidrogr\u00e1ficas, em especial a do rio Sap\u00e3o (rio do Sono &#8211; rio Preto), localizada no Chapad\u00e3o oeste do Estado da Bahia e a regi\u00e3o do c\u00f3rrego Arrependido (rio Preto &#8211; rio S\u00e3o Marcos), nas proximidades do Distrito Federal.\n\nO quadro a seguir apresenta as \u00e1reas priorit\u00e1rias para a conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Aqu\u00e1tica do bioma do Cerrado e Pantanal.\n\n<strong>Mata Atl\u00e2ntica e Campos Sulinos<\/strong>\n\nOs ecossistemas aqu\u00e1ticos da Mata Atl\u00e2ntica brasileira possuem uma ictiofauna rica e variada associada \u00e0 floresta, que lhe proporciona prote\u00e7\u00e3o e alimento.\n\nA caracter\u00edstica marcante da sua ictiofauna \u00e9 seu grau de endemismo, resultante do processo de evolu\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das esp\u00e9cies em \u00e1rea geomorfologicamente isolada.\n\nOs ecossistemas aqu\u00e1ticos dos Campos Sulinos fazem parte de grandes drenagens que atravessam variadas forma\u00e7\u00f5es vegetais, inclusive a Mata Atl\u00e2ntica.\n\n<strong>As principais biotas aqu\u00e1ticas dos Campos Sulinos s\u00e3o<\/strong>: parte da bacia do rio Paranapanema, em S\u00e3o Paulo; o rio Ribeira, no Paran\u00e1; o alto do rio Igua\u00e7u, incluindo seus afluentes no Paran\u00e1 e Santa Catarina; e, o alto do rio Uruguai, com seus afluentes formadores em Santa Catarina e Rio Grande do Sul.\n\nCom essa conforma\u00e7\u00e3o torna-se evidente a heterogeneidade da ictiofauna dos ecossistemas aqu\u00e1ticos do bioma Campos Sulinos, pois compreendem elementos de drenagens distintas quanto a geomorfologia (alto Paran\u00e1, alto Igua\u00e7u, alto Uruguai, por exemplo), que se mantiveram historicamente isolados de outras bacias hidrogr\u00e1ficas.\n\nNa biota da Mata Atl\u00e2ntica foram enquadradas vinte e tr\u00eas \u00e1reas em uma das categorias de import\u00e2ncia biol\u00f3gica e seis \u00e1reas diagnosticadas como insuficientemente conhecidas.\n\nA \u00e1rea que apresenta a taxa mais elevada de endemismo nesse bioma \u00e9 a dos riachos litor\u00e2neos do Estado do Rio de Janeiro, que tamb\u00e9m apresenta maior n\u00famero de esp\u00e9cies entre as demais, inclusive, algumas da fam\u00edlia Rivulidae, em perigo de extin\u00e7\u00e3o.\n\nA regi\u00e3o de cabeceiras do rio Igua\u00e7u nos Campos Sulinos possui elevados \u00edndices de diversidade e endemismo, al\u00e9m de um n\u00famero bastante representativo de esp\u00e9cies raras e amea\u00e7adas e de comunidades especiais, caracterizando-se como \u00e1rea de extrema import\u00e2ncia biol\u00f3gica.\n\nUm outro fator a ser ressaltado \u00e9 que algumas dessas \u00e1reas s\u00e3o alvo de projetos de constru\u00e7\u00e3o de reservat\u00f3rios e de usinas hidrel\u00e9tricas, de minera\u00e7\u00e3o, de atividades agr\u00edcolas e de outros tipos de a\u00e7\u00e3o que podem causar a degrada\u00e7\u00e3o ambiental.\n\nOs dados biol\u00f3gicos apresentados aliados \u00e0 grande fragilidade do ecossistema e ao grau de amea\u00e7a existente, justificam que essa \u00e1rea seja caracterizada como de alta prioridade de conserva\u00e7\u00e3o.\n\nAs cabeceiras do rio Paranapanema, parcialmente inclu\u00edda nas biotas da Mata Atl\u00e2ntica e dos Campos Sulinos, foram identificadas como priorit\u00e1rias para a realiza\u00e7\u00e3o do invent\u00e1rio da ictiofauna.\n\nO quadro a seguir apresenta as biotas aqu\u00e1ticas e seus correspondentes n\u00edveis de import\u00e2ncia para a conserva\u00e7\u00e3o da Biodiversidade Aqu\u00e1tica da Mata Atl\u00e2ntica e dos Campos Sulinos.\n\n<strong>Zona Costeira e Zona Marinha<\/strong>\n\nA extens\u00e3o e a diversidade da Zona Costeira e da Zona Marinha brasileira, em termos de ecossistemas e esp\u00e9cies, configuram uma situa\u00e7\u00e3o distintiva, em que \u00e0 biodiversidade local e \u00e0s in\u00fameras esp\u00e9cies end\u00eamicas se sobrep\u00f5em rotas migrat\u00f3rias e s\u00edtios de condicionamento e desova para esp\u00e9cies migrat\u00f3rias de distribui\u00e7\u00e3o global. Assim, a preserva\u00e7\u00e3o ou a degrada\u00e7\u00e3o de determinados ecossistemas deixa de ter um efeito local. A perda de esp\u00e9cies end\u00eamicas implica no empobrecimento da biodiversidade global, e a devasta\u00e7\u00e3o ou a fragmenta\u00e7\u00e3o de habitats pode gerar efeitos amplificados sobre diversas popula\u00e7\u00f5es e suas rotas migrat\u00f3rias, interferindo na din\u00e2mica de ecossistemas muitas vezes distantes das \u00e1reas afetadas.\n\nTr\u00eas ecorregi\u00f5es costeiras e marinhas do Brasil t\u00eam a sua biodiversidade reconhecida em avalia\u00e7\u00f5es internacionais.\n\nA primeira corresponde \u00e0s regi\u00f5es de manguezais e \u00e0s \u00e1reas \u00famidas costeiras que se estendem da Venezuela ao norte do Brasil, suportando grandes popula\u00e7\u00f5es de peixes e aves migrat\u00f3rias, alem de tartarugas e do peixe-boi-marinho. A segunda refere-se integralmente \u00e0 costa brasileira, incorporando os ecossistemas costeiros e marinhos do Nordeste, formados por dunas, restingas, manguezais e recifes de corais. A terceira engloba os ecossistemas do Atl\u00e2ntico sudoeste, compartilhando \u00e1reas da Argentina, do Uruguai e do sul do Brasil, de extrema import\u00e2ncia para popula\u00e7\u00f5es de mam\u00edferos marinhos e aves costeiras e marinhas.\n\nA Zona Marinha, que se inicia na regi\u00e3o costeira e se estende at\u00e9 200 milhas, constitui a Zona Econ\u00f4mica Exclusiva. \u00c9 ambientalmente menos vulner\u00e1vel por oferecer grandes resist\u00eancias \u00e0s interven\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas, resist\u00eancias que se ampliam na medida em que se afasta da linha da costa, representadas pelas grandes profundidades e correntes mar\u00edtimas, tempestades e pela dist\u00e2ncia que guarda das \u00e1reas terrestres densamente ocupadas.\n\nAl\u00e9m de fornecer parte substancial dos alimentos consumidos no Planeta a Zona Marinha responde por diversos recursos minerais, com destaque para o petr\u00f3leo.\n\nA biodiversidade dos oceanos \u00e9 enorme e ainda pouco investigada. Contudo, \u00e9 mundialmente reconhecida a amea\u00e7a que paira sobre as tartarugas marinhas e os mam\u00edferos, com destaque para certas esp\u00e9cies de baleias, alem da sobrepesca que afeta grande parcela dos estoques pesqueiros. Os acidentes ambientais, principalmente com produtos qu\u00edmicos e petroqu\u00edmicos embarcados, representam amea\u00e7as constantes tanto para os oceanos como para as \u00e1reas costeiras.\n\nA Zona Costeira brasileira \u00e9 uma unidade territorial, definida em legisla\u00e7\u00e3o para efeitos de gest\u00e3o ambiental, que se estende por 17 estados e abrange mais de 400 munic\u00edpios distribu\u00eddos do norte equatorial ao sul temperado do Pa\u00eds. Tem como aspectos distintivos sua extens\u00e3o e a grande variedade de esp\u00e9cies e de ecossistemas. Se estende por 7.300 km, dist\u00e2ncia que se eleva para mais de 8.500 km, quando se considera o recorte litor\u00e2neo. A plataforma continental apresenta largura vari\u00e1vel, com cerca de 80 milhas n\u00e1uticas no Amap\u00e1, e 160 milhas n\u00e1uticas na foz do rio Amazonas, reduzindo-se para 20 a 30 milhas n\u00e1uticas na regi\u00e3o Nordeste, onde \u00e9 constitu\u00edda, basicamente, por fundos irregulares com forma\u00e7\u00e3o de algas calc\u00e1rias.\n\nA partir do Rio de Janeiro, na dire\u00e7\u00e3o sul, a plataforma volta a se alargar, formando extensos fundos cobertos de areia e lama.\n\nA Zona Costeira mant\u00e9m forte contato com dois outros importantes biomas de elevada biodiversidade, o Amaz\u00f4nico e, com expressiva sobreposi\u00e7\u00e3o, o da Mata Atl\u00e2ntica, este com o pouco que lhe resta praticamente concentrado junto ou sobre a Zona Costeira.\n\n\u00c9 uma regi\u00e3o de transi\u00e7\u00e3o ecol\u00f3gica que desempenha importante fun\u00e7\u00e3o de liga\u00e7\u00e3o e trocas gen\u00e9ticas entre os ecossistemas terrestres e marinhos, fato que a classifica como ambiente complexo, diversificado e de extrema import\u00e2ncia para a sustenta\u00e7\u00e3o da vida no mar. A elevada concentra\u00e7\u00e3o de nutrientes e outras condi\u00e7\u00f5es ambientais favor\u00e1veis, como os gradientes t\u00e9rmicos e a salinidade vari\u00e1vel e, ainda, as excepcionais condi\u00e7\u00f5es de abrigo e suporte \u00e0 reprodu\u00e7\u00e3o e \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o inicial da maioria das esp\u00e9cies que habitam os oceanos, transformaram os ambientes costeiros num dos principais focos de aten\u00e7\u00e3o no que diz respeito \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o ambiental e \u00e0 manuten\u00e7\u00e3o de sua biodiversidade.\n\nA preocupa\u00e7\u00e3o com a integridade e o equil\u00edbrio ambiental das regi\u00f5es costeiras decorre do fato de serem as mais amea\u00e7adas do Planeta tanto por representarem elos de intensa troca das sociedades humanas (mercadorias), como pela explora\u00e7\u00e3o desordenada e muitas vezes predat\u00f3ria de seus recursos naturais (peixes e outros recursos vivos) e ainda por terem se tornado o principal local de lazer, turismo ou moradia de grandes massas de popula\u00e7\u00f5es urbanas.\n\n<strong>A Zona Costeira \u00e9 respons\u00e1vel por ampla gama de \u201cfun\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas\u201d, tais como:<\/strong>\u00a0a preven\u00e7\u00e3o de inunda\u00e7\u00f5es, da intrus\u00e3o salina e da eros\u00e3o costeira; a prote\u00e7\u00e3o contra tempestades; a reciclagem de nutrientes e de subst\u00e2ncias poluidoras; e a provis\u00e3o de habitats e recursos para uma variedade de esp\u00e9cies exploradas, direta e indiretamente.\n\nOs ecossistemas da Zona Costeira de maior relev\u00e2ncia s\u00e3o os estu\u00e1rios, manguezais e lagoas costeiras, bem como os banhados e \u00e1reas \u00famidas costeiras que, em fun\u00e7\u00e3o do elevado grau de interfer\u00eancia com a gest\u00e3o de recursos h\u00eddricos, s\u00e3o analisados a seguir.\n\n<strong>Estu\u00e1rios, Manguezais e Lagoas Costeiras<\/strong>\n\n<strong>Regi\u00e3o Norte<\/strong>\n\nNa regi\u00e3o Norte est\u00e3o inclu\u00eddas, entre outras \u00e1reas, o setor atl\u00e2ntico da costa norte do Amap\u00e1; o golf\u00e3o amaz\u00f4nico; a ilha de Maraj\u00f3; as reentr\u00e2ncias paraenses e maranhenses; o Parque Nacional dos Len\u00e7\u00f3is Maranhenses e o complexo estuarino formado pela baia de Tubar\u00e3o; o golf\u00e3o maranhense; a \u00e1rea dos pequenos len\u00e7\u00f3is e estu\u00e1rios do rio Pregui\u00e7as; e, o delta do rio Parna\u00edba.\n\nA fauna \u00e9 representada por quel\u00f4nios, mam\u00edferos (peixe-boi-marinho), aves (ocorr\u00eancia e reprodu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies amea\u00e7adas de extin\u00e7\u00e3o, como o guar\u00e1, e corredores de migra\u00e7\u00e3o e invernada para outras esp\u00e9cies) e peixes diversos.\n\n<strong>As principais a\u00e7\u00f5es antr\u00f3picas s\u00e3o:<\/strong>\u00a0o desmatamento de manguezais, v\u00e1rzeas, de madeiras de lei para o carv\u00e3o e a agricultura itinerante; o extrativismo vegetal (a\u00e7a\u00ed e esp\u00e9cies lenhosas); o contrabando de animais silvestres; a biopirataria; a ca\u00e7a; a pesca predat\u00f3ria e a captura predat\u00f3ria de caranguejos; a cria\u00e7\u00e3o de gado bovino e bubalinos nos campos, apicuns e marismas; a constru\u00e7\u00e3o de estradas em \u00e1reas de preserva\u00e7\u00e3o permanente; a drenagem de igarap\u00e9s e cursos d&#8217;\u00e1gua; a extra\u00e7\u00e3o de minerais de uso direto na constru\u00e7\u00e3o civil; a expans\u00e3o urbana desordenada; os res\u00edduos s\u00f3lidos e esgotos dom\u00e9sticos; efluentes industriais; especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria; e, a ocupa\u00e7\u00e3o desordenada nas sedes municipais, nos aterros e no garimpo.\n\n<strong>Os principais efeitos naturais s\u00e3o:<\/strong>\u00a0a eros\u00e3o, assoreamento e o excesso pluvial; a prograda\u00e7\u00e3o lamosa; os movimentos e\u00f3licos das areias, provocando mortalidade de \u00e1rvores e assoreamento; o afogamento de manguezal (nas reentr\u00e2ncias maranhenses); a migra\u00e7\u00e3o de dunas; a combust\u00e3o espont\u00e2nea; e, a mortandade de peixes por mar\u00e9s vermelhas.\n\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nRealiza\u00e7\u00e3o de uma avalia\u00e7\u00e3o de processos e din\u00e2mica oceanogr\u00e1fica e hidrol\u00f3gica da regi\u00e3o deltaica do Amazonas, do Parque Nacional de Len\u00e7\u00f3is e do Golf\u00e3o Maranhense; a realiza\u00e7\u00e3o de estudos de sustentabilidade dos recursos naturais e sua capacidade de suporte; a institui\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o de planos de manejo das Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o; a aplica\u00e7\u00e3o de programas de educa\u00e7\u00e3o ambiental; a espacializa\u00e7\u00e3o de dados por sensoriamento remoto (orbital, aerotransportado); a realiza\u00e7\u00e3o de invent\u00e1rios biol\u00f3gicos; os Planos Diretores de Munic\u00edpios Costeiros; a identifica\u00e7\u00e3o da etnoecologia de comunidades tradicionais; e, o monitoramento sistem\u00e1tico das atividades portu\u00e1rias.\n\n<strong>Regi\u00e3o Nordeste<\/strong>\n\nA Zona Costeira do nordeste compreende a \u00e1rea que se estende do delta do Parna\u00edba at\u00e9 a divisa da Bahia com o Esp\u00edrito Santo, englobando oito estados. Ali se encontram ecossistemas estuarinos, manguezais e lagoas costeiras, considerados de extrema import\u00e2ncia biol\u00f3gica, com alta biodiversidade, riqueza de esp\u00e9cies e diversidade fil\u00e9tica.\n\nO delta do Parna\u00edba foi indicado como \u00e1rea de estrema import\u00e2ncia, caracterizado por expressivo manguezal. O ambiente \u00e9 rico em diversidade biol\u00f3gica fil\u00e9tica e abriga o peixe-boi-marinho. Esse ecossistema tem sofrido grandes press\u00f5es antr\u00f3picas de salinas, carciniculturas, riziculturas com o uso inadequado de agrot\u00f3xicos, desmatamentos e sobrepesca de caranguejos e camar\u00f5es.\n\nNo Cear\u00e1 destacam-se os estu\u00e1rios do rio Jaguaribe e do Coco, al\u00e9m de \u00e1reas estuarinas de alta biodiversidade de Aracati, Camocim e Barroquinha. Essas \u00e1reas t\u00eam sido utilizadas para aq\u00fcicultura, sendo marcadas, tamb\u00e9m, pela pesca predat\u00f3ria, a sobrepesca, a expans\u00e3o urbana, as ind\u00fastrias e a falta de saneamento b\u00e1sico.\n\nNo Rio Grande do Norte, as \u00e1reas de Curimata\u00fa\/Cunha\u00fa, lagoa do Guara\u00edra e o Potengi s\u00e3o caracterizadas por estu\u00e1rios e manguezais ricos em biodiversidade fil\u00e9tica, riqueza de esp\u00e9cies de import\u00e2ncia socioecon\u00f4mica, sob fortes press\u00f5es antr\u00f3picas, decorrentes das atividades de carcinocultura, ind\u00fastria canavieira, esgotos dom\u00e9sticos e hospitalares, al\u00e9m do extrativismo.\n\nO Estado da Para\u00edba e de Pernambuco apresenta, tamb\u00e9m, estu\u00e1rios e manguezais importantes, pela alta biodiversidade e pela riqueza de esp\u00e9cies de interesse econ\u00f4mico e sociocultural.\n\nAs amea\u00e7as mais importantes s\u00e3o a ocupa\u00e7\u00e3o humana, os efluentes qu\u00edmicos, o desmatamento, a especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, as press\u00f5es antr\u00f3picas oriundas de agroind\u00fastrias, o excessivo uso de agrot\u00f3xicos em canaviais e os efluentes urbanos.\n\nO litoral de Alagoas inclui o delta do rio S\u00e3o Francisco, compartilhado com Sergipe, e o complexo estuarino-lagunar Munda\u00fa\/Manguaba, apresentando grande piscosidade.\n\nO primeiro \u00e9 uma regi\u00e3o que necessita de estudos faunisticos e flor\u00edsticos, por se tratar de \u00e1rea pouco comprometida e com baixo grau de amea\u00e7a potencial.\n\nTamb\u00e9m o litoral de Sergipe corresponde a \u00e1rea com grande diversidade de esp\u00e9cies e import\u00e2ncia comercial. Necessita, ainda, de invent\u00e1rios, estudos da biologia das verias esp\u00e9cies e avalia\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o pesqueira.\n\nAo longo do litoral da Bahia ocorrem manguezais com alta riqueza de esp\u00e9cies e diversidade fil\u00e9tica. Nos estu\u00e1rios, algumas esp\u00e9cies end\u00eamicas de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos, bem como esp\u00e9cies migrat\u00f3rias de tartarugas e gar\u00e7as, j\u00e1 foram identificadas. Todas as suas \u00e1reas t\u00eam esp\u00e9cies de interesse econ\u00f4mico e sociocultural.\n\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\n<strong>Objetivando conter os efeitos dos impactos gerados nos diversos ecossistemas da regi\u00e3o em quest\u00e3o, recomenda-se<\/strong>: nas \u00e1reas de manguezais, de extrema import\u00e2ncia biol\u00f3gica, devem ser inclu\u00eddas em projetos integrados e interdisciplinares, que envolvam o estudo das bacias hidrogr\u00e1ficas a elas relacionadas; realiza\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de levantamentos da biodiversidade, das comunidades, particularmente a bent\u00f4nica, em vista do seu pouco conhecimento na regi\u00e3o Nordeste; a realiza\u00e7\u00e3o de estudos e pesquisas sobre a \u00e1rea de recupera\u00e7\u00e3o de estu\u00e1rios e manguezais; e o desenvolvimento de t\u00e9cnicas que indiquem a capacidade de carga e a assimila\u00e7\u00e3o dos sistemas, de modo que esses dados possam subsidiar decis\u00f5es em prol da preserva\u00e7\u00e3o dos ecossistemas de manguezais, em obedi\u00eancia \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o em vigor.\n\n<strong>Regi\u00e3o Sudeste<\/strong>\n\nApesar do grande numero de institui\u00e7\u00f5es de pesquisas na regi\u00e3o, algumas \u00e1reas podem ser consideradas como pouco estudadas ou com disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es desconhecida.\n\n<strong>S\u00e3o elas:\u00a0<\/strong>a baia de S\u00e3o Francisco do Sul, a baia de Guaratuba, a foz do rio Para\u00edba do Sul e a baia de Vit\u00f3ria. Alem disso, a informa\u00e7\u00e3o dispon\u00edvel n\u00e3o se encontra padronizada ou sistematizada, fato que se reflete sobre o pr\u00f3prio grau de conhecimento da biodiversidade.\n\nA pesca artesanal que ocorre nos estu\u00e1rios da regi\u00e3o, aliada \u00e0 sua caracter\u00edstica de criadouro de moluscos, peixes e crust\u00e1ceos em fase inicial de vida, confere \u00e0 maior parte das esp\u00e9cies ocorrentes elevado interesse econ\u00f4mico e sociocultural. A atividade pesqueira artesanal comp\u00f5e forte elemento intr\u00ednseco \u00e0s comunidades litor\u00e2neas, consolidando a import\u00e2ncia das esp\u00e9cies estuarinas como elemento sociocultural na regi\u00e3o. Destaca-se ainda o valor da composi\u00e7\u00e3o floristica dos manguezais, muito importante para a fauna associada, mas que, sendo de baixa diversidade, acarreta maior fragilidade do sistema, enfatizando a import\u00e2ncia econ\u00f4mica de sua conserva\u00e7\u00e3o.\n\nO perfil de entorno dos estu\u00e1rios, das baias e das lagoas costeiras do Sudeste constitui-se de forma\u00e7\u00f5es intrinsecamente fr\u00e1geis. Devido ao seu complexo dinamismo e \u00e0s suas conforma\u00e7\u00f5es e dimens\u00f5es, esses ambientes, quando alterados por dist\u00farbios naturais ou antropog\u00eanicos, podem acarretar danos at\u00e9 irrevers\u00edveis para o sistema, comprometendo as importantes fun\u00e7\u00f5es que realizam.\n\nA regi\u00e3o Sudeste \u00e9 a de maior densidade demogr\u00e1fica e constitui o maior p\u00f3lo econ\u00f4mico e industrial do Pa\u00eds. Destaca-se o eixo Rio \u2013 S\u00e3o Paulo que, por sua localiza\u00e7\u00e3o na zona costeira, exerce influ\u00eancia direta como press\u00e3o desestabilizadora dos ecossistemas aqu\u00e1ticos. Associados a isso, destacam-se a urbaniza\u00e7\u00e3o descontrolada, os portos (fontes reais e potenciais de polui\u00e7\u00e3o qu\u00edmica), os terminais petrol\u00edferos, as atividades de cultivo aqu\u00e1tico (incluindo a introdu\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies ex\u00f3ticas) e o aporte de \u00e1guas fluviais contendo fertilizantes e defensivos agr\u00edcolas.\n\n<strong>Tr\u00eas compartimentos podem ser considerados como extremamente perturbados:\u00a0<\/strong>a baias de Santos, a baia da Guanabara e a de Vit\u00f3ria. Outros se encontram em n\u00edvel crescente de impacto.\n\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nA elabora\u00e7\u00e3o e a implementa\u00e7\u00e3o de Plano de A\u00e7\u00e3o para as \u00e1reas consideradas priorit\u00e1rias, especialmente com a cria\u00e7\u00e3o de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o com base em pesquisas e estudos de representatividade; a realiza\u00e7\u00e3o de um levantamento completo das esp\u00e9cies end\u00eamicas na regi\u00e3o; o apoio \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Meio Ambiente &#8211; 2, com a inclus\u00e3o dos ecossistemas em quest\u00e3o; a defini\u00e7\u00e3o de indicadores adequados para que se possa realizar o monitoramento das condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e da qualidade ambiental desses ecossistemas.\n\nEste tipo de a\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 um acompanhamento das tend\u00eancias de m\u00e9dio e longo prazos sobre a sua din\u00e2mica e eventuais altera\u00e7\u00f5es; e, a realiza\u00e7\u00e3o de estudos para conhecimento e conserva\u00e7\u00e3o sustentada da biodiversidade costeira no litoral Sudeste.\n\n<strong>Regi\u00e3o Sul<\/strong>\n\nNa regi\u00e3o Sul registram-se, tamb\u00e9m, \u00e1reas pouco estudadas ou cuja disponibilidade de informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o \u00e9 conhecida, tais como o arroio Chu\u00ed, a lagoa Mirim, o estu\u00e1rio do rio Mampituba-RS e do rio Ararangu\u00e1 e a foz do rio Tijucas-SC.\n\nApesar da exist\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es sobre a biodiversidade e a rela\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies da flora e da fauna registradas para a regi\u00e3o estuarina da lagoa dos Patos e para as demais regi\u00f5es estuarinas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, essas informa\u00e7\u00f5es n\u00e3o se encontram sistematizadas.\n\nExistem diversas esp\u00e9cies end\u00eamicas para a regi\u00e3o de converg\u00eancia do Atl\u00e2ntico sul ocidental, ressaltando-se as necessidades de programas conjuntos com o Uruguai e a Argentina para estudos e conserva\u00e7\u00e3o da biodiversidade nos sistemas estuarino-lagunares dos tr\u00eas pa\u00edses.\n\nAs migra\u00e7\u00f5es de crust\u00e1ceos dec\u00e1podos (siris, camar\u00f5es) e peixes que utilizam os estu\u00e1rios como \u00e1rea de ber\u00e7\u00e1rio nas marismas no Rio Grande do Sul e manguezais de Santa Catarina, pradarias de espermat\u00f3fitas submersas e enseadas rasas, constituem-se em fen\u00f4menos biol\u00f3gicos excepcionais nos estu\u00e1rios do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina. A lagoa do Peixe, no Rio Grande do Sul, funciona como importante \u00e1rea de repouso e alimenta\u00e7\u00e3o de aves migrat\u00f3rias.\n\nA maioria das esp\u00e9cies de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos nos ambiente estuarinos da regi\u00e3o Sul apresenta grande import\u00e2ncia econ\u00f4mica e sociocultural, sustentando elevado numero de pescadores artesanais que, h\u00e1 v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es, tem neste tipo de atividade sua sobreviv\u00eancia. As pescarias de camar\u00f5es, siris, caranguejos, mexilh\u00f5es, ostras, tainhas, bagres, corvinas, entre outras esp\u00e9cies, fazem parte das tradi\u00e7\u00f5es das comunidades de pescadores artesanais do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, desde o s\u00e9culo passado.\n\nA grande import\u00e2ncia ecol\u00f3gica e social dos estu\u00e1rios fundamenta-se, principalmente, nos habitats rasos, muitos deles vegetados, dominados por marismas, manguezais e fundos de gram\u00edneas e microalgas submersas, que funcionam como \u00e1reas de cria\u00e7\u00e3o. Estes habitats, geralmente localizados em enseadas e ba\u00edas protegidas, s\u00e3o muito suscet\u00edveis a efeitos antr\u00f3picos agudos que causam a eros\u00e3o ou o assoreamento. Efeitos cr\u00f4nicos, decorrentes de altera\u00e7\u00f5es da circula\u00e7\u00e3o ou do lan\u00e7amento de efluentes, que provoquem aumento dos teores da mat\u00e9ria org\u00e2nica e da demanda dos teores de oxig\u00eanio, tamb\u00e9m podem ser extremamente danosos em ba\u00edas e enseadas. Deve ser considerado, ainda, que os distintos habitats estuarinos encontram-se interligados por meio de cont\u00ednua retroalimenta\u00e7\u00e3o dos processos de produ\u00e7\u00e3o e consumo, sendo fundamental a preserva\u00e7\u00e3o dessas \u00e1reas para a manuten\u00e7\u00e3o da import\u00e2ncia ecol\u00f3gica e econ\u00f4mica das regi\u00f5es estuarinas.\n\nAs enseadas estuarinas localizadas no entorno das cidades de Rio Grande, Tramanda\u00ed e Torres, no Rio Grande do Sul, e de Itaja\u00ed, Laguna e parte dos manguezais em S\u00e3o Francisco do Sul, em Santa Catarina, encontram-se sob forte press\u00e3o antr\u00f3pica. No Rio Grande do Sul, o entorno das tr\u00eas regi\u00f5es urbanas recebe forte contamina\u00e7\u00e3o por efluentes dom\u00e9sticos e industriais. Outro problema que afeta os estu\u00e1rios, em especial as regi\u00f5es estuarinas da lagoa dos Patos, Tramanda\u00ed e Laguna, \u00e9 a sobrepesca a que est\u00e3o submetidos esses ecossistemas.\n\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\nEvitar o lan\u00e7amento de efluentes dom\u00e9sticos e industriais n\u00e3o tratados, diretamente nas regi\u00f5es estuarinas; evitar a implementa\u00e7\u00e3o de loteamentos, constru\u00e7\u00f5es de pontes, estradas, obras portu\u00e1rias, etc., sem os devidos estudos de impacto ambiental; efetuar o manejo dos recursos naturais renov\u00e1veis, muitos dos quais encontram-se em sobreexplota\u00e7\u00e3o; implementar estudos com metodologias padronizadas para a obten\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es consistentes sobre a biodiversidade das regi\u00f5es estuarinas do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina; e, elaborar programas regionais conjuntos de estudos de diagn\u00f3stico e manejo com pesquisadores e institui\u00e7\u00f5es do Uruguai e da Argentina, que possuem ambientes e comunidades naturais semelhantes.\n\nO interc\u00e2mbio deve ocorrer desde as fases iniciais de levantamentos, passando pelos diagn\u00f3sticos at\u00e9 as etapas de monitoramento e manejo dos recursos e ecossistemas.\n\n<strong>Banhados e \u00c1reas \u00damidas Costeiras<\/strong>\n\nEsse ecossistema abrange os banhados, tamb\u00e9m conhecidos como brejos ou p\u00e2ntanos, lagoas de \u00e1gua doce, lagoas de \u00e1gua salobra ou salgada sem influ\u00eancia marinha direta, v\u00e1rzeas, savanas e florestas inundadas (peri\u00f3dicas ou temporariamente) e campos inundados, localizados na Zona Costeira.\n\nS\u00e3o apontadas 25 \u00e1reas de import\u00e2ncia para banhados e \u00e1reas \u00famidas costeiras, basicamente em fun\u00e7\u00e3o da sua fragilidade intr\u00ednseca, import\u00e2ncia ecol\u00f3gica e funcional e da exist\u00eancia de fen\u00f4menos biol\u00f3gicos excepcionais.\n\nO grau de comprometimento das \u00e1reas varia de pouco a muito comprometida, sendo que as principais formas de impacto mudam conforme a regi\u00e3o estudada.\n\nNo extremo sul, a a\u00e7\u00e3o antr\u00f3pica que mais contribui para a degrada\u00e7\u00e3o dos banhados e das lagoas de \u00e1gua doce \u00e9 o cultivo do arroz irrigado, com a drenagem das \u00e1reas, uso de agrot\u00f3xicos e fertilizantes para as lavouras e o retorno dessas \u00e1guas com os res\u00edduos para os sistemas naturais.\n\nAo norte da regi\u00e3o Sul e nas regi\u00f5es Sudeste e Nordeste, o maior impacto \u00e9 provocado pela urbaniza\u00e7\u00e3o e pelo turismo, com a drenagem de \u00e1reas para expans\u00e3o urbana, polui\u00e7\u00e3o domestica nas lagoas e banhados e retirada da \u00e1gua das lagoas para abastecimento da popula\u00e7\u00e3o. Na regi\u00e3o Norte, o maior impacto \u00e9 provocado pela falta de manejo adequado da pecu\u00e1ria bubalina, que degrada as \u00e1reas, formando canais nas \u00e1reas alagadas e mudando a hidrologia do sistema.\n\nChama a aten\u00e7\u00e3o a pouca import\u00e2ncia dada aos banhados, que se reflete diretamente na falta de estudos desenvolvidos nessas \u00e1reas. Os estudos existentes tratam sobre aves lim\u00edcolas, em especial sobre esp\u00e9cies migrat\u00f3rias do hemisf\u00e9rio norte. O maior n\u00famero de estudos concentra-se nas lagoas e nas florestas periodicamente inundadas.\n\n<strong>Recomenda\u00e7\u00f5es<\/strong>\n\n<strong>Incentivar pesquisas cient\u00edficas nesses ecossistemas, abordando os seguintes aspectos (al\u00e9m de invent\u00e1rio de esp\u00e9cies nas regi\u00f5es onde este trabalho n\u00e3o foi efetuado)<\/strong>: din\u00e2mica e funcionalidade; experimentos com uso sustentado de esp\u00e9cies nos diferentes tipos de banhados e \u00e1reas \u00famidas e segundo as potencialidades socioecon\u00f4micas regionais; avalia\u00e7\u00e3o do impacto do cultivo de arroz sobre a biodiversidade dos sistemas naturais, abordando os diferentes fatores negativos (adubos, agrot\u00f3xicos, drenagem, retirada de \u00e1gua, retorno da \u00e1gua servida da lavoura, entre outros); e, avalia\u00e7\u00e3o do impacto da bubalinocultura sobre a estrutura e a biodiversidade dos sistemas.\n\n<strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos &#8211; Brasil<\/strong>\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160529 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/Ecossi4.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"200\" \/><strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos<\/strong><\/p>\nO Brasil tem uma \u00e1rea de aproximadamente 8.500.000 km<sup>2<\/sup>, dos quais a faixa continental da zona costei ra ocupa cerca de 442.000 km<sup>2<\/sup>, isto \u00e9 5,2% das terras emersas do territ\u00f3rio nacional. S\u00e3o 7.408 km de extens\u00e3o de linha de costa, sem levar em conta os recortes litor\u00e2neos ( ba\u00edas, reentr\u00e2ncias, golf\u00f5es, etc.), que muito ampliam a mencionada extens\u00e3o, elevando-a para mais de 8,5 mil km voltados para o Oceano Atl\u00e2ntico (Com iss\u00e3o Nacional Independente sobre os Oceanos, 1998).\n\nA zona costeira do Nordeste se est ende desde a Ba\u00eda de S\u00e3o Marcos at\u00e9 a Ba\u00eda de Todos dos Santos. Segundo Silvei ra (1964) apud MMA (1997).\n\n<strong>Esta zona esta subdividida em dois grandes comparti mentos:<\/strong>\u00a0a Costa Semi-\u00c1rida, que se situa \u00e0 noroeste do Cabo Calcanhar, e a Costa Nordeste Oriental, que vai do Cabo Calcanhar at\u00e9 a Ba\u00eda de Todos os Santos.\n\nA Costa Semi-\u00c1rida que se estende des de a Ponta de Itapag\u00e9 (leste do Rio Acara\u00fa) no Estado do Cear \u00e1, at\u00e9 o Cabo Calcanhar, no Estado do Rio Grande do Norte, apresenta dire\u00e7\u00e3o noroeste-sudeste at\u00e9 as proximidades de Macau (RN). Neste ponto toma a dire\u00e7\u00e3o oeste?les te at\u00e9 o Cabo Calcanhar, quando finalmente inflete para nor-nordeste ? su-sudeste (Silveira, 1964 apud MMA, 1997). Nesta regi\u00e3o as plan\u00edcies costeiras s\u00e3o quas e inexistentes, em fun\u00e7\u00e3o sobretudo da presen\u00e7a de tabuleiros e arenitos de prai a naturais.\n\nObserva-se ainda nesta regi\u00e3o grandes campos de dunas m\u00f3veis e fixas.\n\nJ\u00e1 a Costa Nordeste Oriental, que vai desde o Cabo Calc anhar (RN) at\u00e9 o Porto das Pedras (AL), abrange parte do litoral do Estado do Rio Grande do Norte, Para\u00edba, Pernam buco e Alagoas.\n\nO clima predominante nesta zona costeira \u00e9 mais \u00famido que na Cost a Semi-\u00c1rida. Segundo Perrin (1982) apud MMA (1997), para a costa norte as precip ita\u00e7\u00f5es em per\u00edodos de seca s\u00e3o da ordem de 500 a 700 mm, enquanto que para o litoral sul, as precipita\u00e7\u00f5es s\u00e3o em torno de 1.400 e 1.600 mm.\n\nAo longo da hist\u00f3ria, as zonas costeira s ofereceram vant agens aos viajantes e colonizadores. Cerca de quarenta por c ento da popula\u00e7\u00e3o mundial vive num raio de 100km das linhas da costa.\n\nAssociada \u00e0 ocupa\u00e7\u00e3o desses terrenos, encontra- se uma crescente necessidade de infra- estrutura industrial e de facilidade recreacionais.\n\nO efeito cumulativo do crescimento em nome do desenvolvimento tem acarretado aos espa\u00e7os de conviv\u00eancia humana uma taxa cada vez maior de comprometimento e degrada\u00e7\u00e3o ambiental.\n\nNas \u00faltimas d\u00e9cada, nota-se claramente o progressivo interesse global pelo manejo de \u00e1reas costeiras.\n\nEm praticam ente todas as regi\u00f5es do mundo existem exemplos de na\u00e7\u00f5es desenvolvidas ou emergentes que avaliaram ou que est\u00e3o avaliando, em estudos de viabilidade, a implanta\u00e7\u00e3o de programas de manejo costeiro. Esse interesse se deve, mu ito provavelmente, a uma tomada de consci\u00eancia de que os sistemas costeiro s, s\u00e3o mais bem dotados em recursos naturais renov\u00e1veis, em compara\u00e7\u00e3o com o ecossistema terrestres (Comiss\u00e3o Nacional Independente sobre os Oceanos, 1998).\n\n<strong>Tal regi\u00e3o litor\u00e2nea, como faixa de contato entre a terra e o mar, abriga atividades humanas caracter\u00edsticas de sua si tua\u00e7\u00e3o privilegiada<\/strong>: as pr\u00e1ticas de pesca comercial e recreativa, a maricult ura, o transporte mar\u00edtimo, os esportes aqu\u00e1ticos, o uso dos terminais portu\u00e1rios, as ind\u00fastrias de pesca e turismo, entre muitas outras. Por tudo isso, a zona co steira se caracteriza pela complexidade das atividades que abriga e pela sensibilidade dos seus ecossistemas.\n\nPara os ecossistemas costeiros \u00e9 difi cil definir seus limites e \u00e1reas de influ\u00eancia, uma vez que estes ecossistemas incluem tanto os organismos quanto o ambiente abi\u00f3tico. Dessa forma, assim co mo os sistemas terrestres adjacentes s\u00e3o afetados pela a\u00e7\u00e3o do mar, o ambient e marinho recebe a influ\u00eancia terrestre. A magnitude dessas intera\u00e7\u00f5es \u00e9 vari\u00e1vel, de acordo com a maior ou menor extens\u00e3o das bacias hidrogr\u00e1ficas, co letoras de sedimentos e de res\u00edduos poluentes de vasta \u00e1reas interiores, e com as condi\u00e7\u00f5es oceanogr\u00e1ficas e climatol\u00f3gicas, que regulam a influ\u00eancia dos oceanos sobre a massa continental.\n\n\u00c9 poss\u00edvel, portanto, incluir na defini\u00e7 \u00e3o de zona costeira, por um lado, todas as \u00e1reas contidas nas bacias hidrogr\u00e1ficas que a afetam e, por outro, a extens\u00e3o marinha at\u00e9 a quebra da plataforma conti nental ou at\u00e9 o limit e da ZEE (Comiss\u00e3o Nacional Independente sobre os Oceanos, 1998).\n\nDevido a sua riqueza biol\u00f3gica, os eco ssistemas costeiros s\u00e3o os grandes ber\u00e7\u00e1rios naturais, tanto das esp\u00e9cies cara cter\u00edsticas desses ambientes, como das pel\u00e1gicas, bem como de outros animais que migram para as \u00e1reas costeiras durante a fase reprodutiva.\n\nFauna e flora associadas a esses ecossi stemas constituem significativa fonte de alimentos para as popula\u00e7\u00f5es humanas. Os estoques de peixes, moluscos, crust\u00e1ceos e aves aqu\u00e1ticas formam expressiva biomassa.\n\nOs recursos pesqueiros alcan\u00e7am altos pre\u00e7os no mercado internacional, caracterizando-se como importante f onte de divisas para muitos pa\u00edses.\n\n<strong>Al\u00e9m da pesca, o Brasil possui outros interesses econ\u00f4micos na sua zona costeira, entre os quais incluem-se:<\/strong>\u00a0a explora\u00e7\u00e3o do petr\u00f3leo, uma vez que o petr\u00f3leo, ou \u00f3leo mineral, corresponde a 40% da energia utiliz ada pelo homem e tende a crescer nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas, os recursos minerais, onde pode-se afirmar que todos os elementos qu\u00edmico s naturais conhecidos apresentam-se na \u00e1gua do mar e grande parte dos dep\u00f3sitos minerais hoje em explota\u00e7\u00e3o nos continentes teve sua origem ligada aos oceanos direta ou indiretamente e a aq\u00fcicultura, ainda n\u00e3o explorada em todos o seu potencial pelo pa\u00eds, que possui cerca de 15% da \u00e1gua pot\u00e1vel do planeta e grandes extens\u00f5es de terras subaproveitadas.\n\nEm rela\u00e7\u00e3o aos ambientes da zona co steira, lagunas, estu\u00e1rios e ba\u00edas, est\u00e3o entre os ecossistemas mais produt ivos da biosfera. A zona costeira, em particular os estu\u00e1rios, pode ser defin ida como \u00e1rea de planejamento ou \u00e1rea problema, n\u00e3o s\u00f3 as suas caracter\u00edstica s ecol\u00f3gicas e ao uso intensivo que dela se faz, como tamb\u00e9m pela potenciali dades para um r\u00e1pido desenvolvimento de atividades humanas (Comiss\u00e3o Nacional Independente sobre os Oceanos, 1998)\n\nA zona costeira brasileira abriga um mosaico de ecossistemas de alta relev\u00e2ncia ambiental. Ao longo do litoral alternam-se mangues, restingas, campos de dunas e fal\u00e9sias, ba\u00edas e estu\u00e1rios, reci fes e corais, praias e cost\u00f5es, plan\u00edcies intermar\u00e9s e outros ambientes important es do ponto de vista ecol\u00f3gico.\n\nEm tal zona se localizam as maiores manchas residuais da Mata Atl\u00e2ntica e manguezais de expressiva ocorr\u00eancia na zona cost eira essenciais na reprodu\u00e7\u00e3o bi\u00f3tica marinha e no equil\u00edbrio das intera\u00e7\u00f5es da terra com o mar. Enfim, os espa\u00e7os litor\u00e2neos possuem uma significativa ri queza em termos de recursos naturais e ambientais, que vem sendo colocada em ri sco, em decorr\u00eancia da intensidade do processo de ocupa\u00e7\u00e3o desordenada.\n\n<strong>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos &#8211; Tipos<\/strong>\n\nUm\u00a0<strong>ecossistema aqu\u00e1tico<\/strong>\u00a0\u00e9 qualquer ambiente baseado na \u00e1gua, no qual plantas e animais interagem qu\u00edmica e fisicamente com o pr\u00f3prio ambiente. Ecossistemas aqu\u00e1ticos s\u00e3o, geralmente, divididos em dois tipos \u2013 marinho e de \u00e1gua doce. Ecossistemas marinhos cobrem cerca de 70% da superf\u00edcie terrestre.\n\nOceanos, estu\u00e1rios, recifes de coral e costais, s\u00e3o alguns dos v\u00e1rios tipos de ecossistemas marinhos. Ecossistemas de \u00e1gua doce ocupam menos de 1% da superf\u00edcie terrestre, e s\u00e3o subdivididos em l\u00eanticos, l\u00f3ticos e pantanal.\n\n<strong>Oceanos<\/strong>\n\n<strong>A Terra possui 5 grandes oceanos:<\/strong>\u00a0Pac\u00edfico, \u00cdndico, \u00c1rtico, Atl\u00e2ntico e Ant\u00e1rtico.\n\n<strong>Mesmo que os oceanos sejam conectados um ao outro, cada um possui esp\u00e9cies e caracter\u00edsticas \u00fanicas. De acordo com Barbara A. Somerville (Biomas da Terra:<\/strong>\u00a0Oceanos, Mares e Recifes), o Oceano Pac\u00edfico \u00e9 o maior e mais profundo, e o Oceano Atl\u00e2ntico \u00e9 o segundo maior. Oceanos s\u00e3o o habitat de diferentes formas de vida. As \u00e1guas do \u00c1rtico e do Ant\u00e1rtico s\u00e3o extremamente geladas, mesmo assim s\u00e3o cheias de vida. A maior popula\u00e7\u00e3o de Krill (pequenos animais semelhantes a camar\u00f5es) habita sob o gelo do Oceano Ant\u00e1rtico.\n\n<strong>Estu\u00e1rios:\u00a0<\/strong>Estu\u00e1rios s\u00e3o lugar onde os rios encontram o mar, e podem ser definidos como \u00e1reas onde a \u00e1gua salgada \u00e9 dilu\u00edda em \u00e1gua doce. Desembocaduras, ba\u00edas costais, p\u00e2ntanos salgados e corpos d\u2019\u00e1gua atr\u00e1s de praias barreiras s\u00e3o alguns exemplos de estu\u00e1rios. Eles s\u00e3o biologicamente produtivos por terem uma circula\u00e7\u00e3o de \u00e1gua especial, que aprisiona plantas e nutrientes que estimulam produ\u00e7\u00f5es prim\u00e1rias.\n\n<strong>Recifes de Corais:\u00a0<\/strong>De acordo com a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental, recifes de corais s\u00e3o o segundo ecossistema mais rico do planeta, e possuem uma grande diversidade de plantas e animais. Devido a esse fato, recifes de corais s\u00e3o comumente chamados de florestas tropicais dos oceanos.\n\n<strong>Costal:\u00a0<\/strong>Terra e \u00e1gua se juntam para criar o ecossistema costal. Esse ecossistema possui uma distinta estrutura, diversidade e fluxo de energia. Plantas e algas s\u00e3o encontrados no fundo do ecossistema costal. A fauna \u00e9 diversa e consiste de insetos, lesmas, peixes, caranguejos, camar\u00f5es, lagostas, etc.\n\n<strong>L\u00f3tico:\u00a0<\/strong>Ecossistemas l\u00f3ticos s\u00e3o sistemas onde a \u00e1gua flui r\u00e1pida e unidirecionalmente, como rios e c\u00f3rregos. Nesses ambientes habitam numerosas esp\u00e9cies de insetos como lib\u00e9lulas e besouros que evolu\u00edram para se adaptar as caracter\u00edsticas desse ambiente para sobreviver. Muitas esp\u00e9cies de peixes, como enguias, trutas e vair\u00f5es (peixes de isca) s\u00e3o encontrados aqui. V\u00e1rios mam\u00edferos como castores, lontras e golfinhos de \u00e1gua doce habitam o ecossistema l\u00f3tico.\n\n<strong>L\u00eantico:\u00a0<\/strong>O ecossistema l\u00eantico inclui todos habitats de \u00e1gua parada, como lagos e lagoas. Esses ecossistemas s\u00e3o habitat natural de algas, plantas enraizadas e flutuantes, e invertebrados como caranguejos e camar\u00f5es. Anf\u00edbios como sapos e salamandras, r\u00e9pteis como jacar\u00e9s e cobras d\u2019\u00e1gua, todos tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados nesse ambiente.\n\n<strong>Pantanal:\u00a0<\/strong>Pantanais s\u00e3o \u00e1reas pantanosas, que, algumas vezes, s\u00e3o cobertos por \u00e1gua e possuem uma grande diversidade de plantas e animais. P\u00e2ntanos, brejos e charcos s\u00e3o alguns exemplos desse ecossistema. Plantas como p\u00edceas negras e l\u00edrios aqu\u00e1ticos s\u00e3o comumente achados nesse ambiente. A fauna consiste de lib\u00e9lulas, p\u00e1ssaros como a gar\u00e7a verde e peixes como o l\u00facio do norte.\n\n<strong>Condicionantes biol\u00f3gicos dos ecossistemas aqu\u00e1ticos<\/strong>\n\n<strong>A comunidade planct\u00f4nica<\/strong>\n\nO fitopl\u00e2ncton \u00e9 definido como o pl\u00e2ncton de natureza vegetal, ou seja, o pl\u00e2ncton capaz de sintetizar sua pr\u00f3pria subst\u00e2ncia pelo processo de fotoss\u00edntese, a partir da \u00e1gua, do g\u00e1s carb\u00f4nico e da energia luminosa.\n\n\u00c9 constitu\u00eddo por algas microsc\u00f3picas, c\u00e9lulas isoladas ou c\u00e9lulas reunidas em col\u00f4nias, medindo de algumas micra a centenas de micra.\n\nNo meio estuarino, a temperatura e a salinidade, s\u00e3o os fatores que mais influenciam o crescimento tanto do zoopl\u00e2ncton como do fitopl\u00e2ncton. Por outro lado, podemos considerar que com rela\u00e7\u00e3o a temperatura, o crescimento do fitopl\u00e2ncton se realiza com a mesma efic\u00e1cia tanto para as esp\u00e9cies de altas latitudes e \u00e1guas frias, como para os tr\u00f3picos, onde a temperatura das \u00e1guas se caracterizam por serem altas.\n\n<strong>O fitopl\u00e2ncton<\/strong>\n\nEm an\u00e1lises realizadas na regi\u00e3o costeira (Petrobr\u00e1s, 1997), foram observadas grandes diversidade, onde predominaram diatom\u00e1ceas, cianof\u00edceas, dinoflagelados e crisof\u00edceas.\n\n<strong>Com rela\u00e7\u00e3o aos grupos, a composi\u00e7\u00e3o do fitopl\u00e2ncton est\u00e1 representada pelos seguintes grupos:\u00a0<\/strong>Diatom\u00e1ceas; Cianof\u00edceas; Dinoflagelados e Clorof\u00edceas.\n\n<strong>O zoopl\u00e2ncton<\/strong>\n\nO zoopl\u00e2ncton se caracteriza por apresentar uma grande biomassa e uma pequena diversidade de organismos, onde o grupo dos Copepodas \u00e9 o mais significativo, chegando a alcan\u00e7ar 80% ou mais do n\u00famero total de indiv\u00edduos (ECOPLAN, 1990).\n\n\u00c9 interessante notar a freq\u00fc\u00eancia de ocorr\u00eancia e abund\u00e2ncia de Appendicularia, possivelmente do g\u00eanero Oikopleura. Os Chaetognatha, representados por algumas esp\u00e9cies de Sagitta, tamb\u00e9m s\u00e3o bastantes freq\u00fcentes. Sendo organismos carn\u00edvoros, sua ocorr\u00eancia e abund\u00e2ncia em um local est\u00e1 mais ligada \u00e0 qualidade e quantidade de presas do que \u00e0s condi\u00e7\u00f5es hidrol\u00f3gicas.\n\nOutros organismos tamb\u00e9m podem ser observados no zoopl\u00e2ncton (larvas de Gastropoda, larvas de Polychaeta, larvas de Brachyura, ovos e larvas de peixes e de crust\u00e1ceos), apresentando valores significativos.\n\nA presen\u00e7a significativa de ovos e larvas de peixes e crust\u00e1ceos no zoopl\u00e2ncton, confirma a import\u00e2ncia das \u00e1reas estuarinas como \u00e1rea de desenvolvimento larval de esp\u00e9cies, tanto estuarinas como marinhas.\n\n<strong>A fauna carcinol\u00f3gica<\/strong>\n\nConsiderando-se principalmente \u00e0s esp\u00e9cies de valor comercial, os caranguejos-u\u00e7a (Ucides cordatum), Guiamum (Cardisoma guanhumi), Sir\u00ed-azul (Callinectes sp.) e os camar\u00f5es (Penaeus sp.) destacam-se como os mais intensamente exploradas pelas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas. Estes \u00faltimos que representam o recursos mais importante economicamente, s\u00e3o capturados nos estu\u00e1rios ainda na fase juvenil.\n\nOs indiv\u00edduos adultos s\u00e3o explorados na regi\u00e3o costeira por uma frota que utiliza redes-de-arrasto.\n\n\u00c9 importante ressaltar que os camar\u00f5es s\u00e3o habitantes tempor\u00e1rios do estu\u00e1rio, onde passam parte de seu ciclo de vida (fases p\u00f3s-larval \u00e0 juvenil).\n\nDeste modo o papel do estu\u00e1rio no ciclo de vida de camar\u00f5es \u00e9 extremamente importante, sendo sua conserva\u00e7\u00e3o uma condi\u00e7\u00e3o indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o dos estoques costeiros, explorados comercialmente por uma frota artesanal direcionada a este recurso.\n\n<strong>A fauna malacol\u00f3gica<\/strong>\n\n<strong>Nos complexos estuarinos e regi\u00e3o costeira, podem ser identificadas tr\u00eas esp\u00e9cies de moluscos de interesse econ\u00f4mico:<\/strong>\u00a0Sururu (Mytela falcata), Sarnambi ou Unha-de-velho (Anomalocardia brasiliana) e a ostra-de-mangue (Crassostrea rhizophora), sendo esta \u00faltima a esp\u00e9cie mais importante, tanto no aspecto comercial como no volume de coleta.\n\nA extra\u00e7\u00e3o de ostras (Crassostrea) \u00e9 praticada principalmente em bancos-de-ostras existentes nas margens m\u00e9dia e superior do estu\u00e1rio pelas popula\u00e7\u00f5es ribeirinhas, que comercializam o produto nos mercados locais, sendo pois considerada mais como uma atividade complementar da renda familiar.\n\n<strong>A fauna ictiol\u00f3gica<\/strong>\n\nPodem ser identificados e catalogados 32 esp\u00e9cies de peixes, sendo 13 (treze) as esp\u00e9cies mais exploradas comercialmente, representadas principalmente pelas tainhas, carapebas, serras, camurins, meros, bagres, pescadas (Tabela 4), sendo as tainhas (Mugil curema e M. brasiliensis) as que apresentaram maior abund\u00e2ncia.\n\n<strong>Embora n\u00e3o existam estat\u00edsticas de desembarques oficiais para as capturas realizadas nas \u00e1rea estuarinas, observa-se que as esp\u00e9cies que mais se destacam nas capturas s\u00e3o por ordem crescente de import\u00e2ncia:<\/strong>\u00a0a tainha, a carapeba a pescada com 12%, o peixe-serra com 10% e outras esp\u00e9cies de pequenas dimens\u00f5es, com 5%.\n\n<strong>A fauna costeira<\/strong>\n\nMuito embora possa-se ainda encontrar vest\u00edgios da fauna silvestre original, as \u00e1reas estuarinas do Rio Grande do Norte, n\u00e3o mais ostentam a diversidade e abund\u00e2ncia do passado.\n\nAlgumas esp\u00e9cies de mam\u00edferos e principalmente aves desapareceram completamente, enquanto outras est\u00e3o amea\u00e7adas.\n\nJ\u00e1 na regi\u00e3o costeira, em consequ\u00eancia sobretudo dos constantes desmatamentos para constru\u00e7\u00e3o de empreendimentos urbanos e \u00e0 ca\u00e7a ilegal, atualmente os animais de m\u00e9dio e grande porte s\u00e3o bastante raros.\n\nOs mam\u00edferos mais abundantes s\u00e3o os guaxinis, os gatos-do-mato, as jaguatiricas, as raposas e as pre\u00e1s (ECOPLAN, 1999).\n\nJ\u00e1 na regi\u00e3o costeira, onde predominam as paisagens abertas, sejam elas antr\u00f3picas ou naturais modificadas, propicia o aparecimento preponderante de esp\u00e9cies t\u00edpicas desse tipo de ambiente. Desta forma, principalmente nas \u00e1reas estuarinas, de salinas e regi\u00e3o de praias, pode-se observar a presen\u00e7a ainda bastante significativa de aves lim\u00edcolas migrat\u00f3rias pertencentes a v\u00e1rias esp\u00e9cies de ma\u00e7aricos, gar\u00e7as, gaivotas dentre outras.\n\n<strong>Fonte:<\/strong>\u00a0www.anp.gov.br\/www.encyclopedia.com\/www.mma.gov.br\/www.ehow.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ecossistemas Aqu\u00e1ticos, Brasil, Fauna, Flora, Ambientes, Meio Ambiente, Bioma, Terrestre, Floresta, Amaz\u00f4nica, Consequ\u00eancia, Ecossistemas Aqu\u00e1ticos<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":7060,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[53],"tags":[],"class_list":["post-25629","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-meio-ambiente-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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