{"id":25569,"date":"2015-12-10T00:00:00","date_gmt":"2015-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/meteorologia-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:50:04","modified_gmt":"2026-09-01T17:50:04","slug":"meteorologia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/meteorologia-4\/","title":{"rendered":"Meteorologia"},"content":{"rendered":"\n<strong>Meteorologia &#8211; Defini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nImagine por um segundo que voc\u00ea n\u00e3o seja um ser humano lendo um artigo na Internet, e sim uma pulga &#8211; e n\u00e3o qualquer pulga, mas uma que vive toda a sua vida no pelo de um urso. Dado um ambiente assim hostil, seria preciso aprender bem alguns fatos para garantir a sobreviv\u00eancia. Que pontos o urso co\u00e7a ou morde com mais frequ\u00eancia? Quando ele dorme? Onde fica o melhor sangue? Com que ferocidade atacou seus parasitas no passado, e como pode se comportar no futuro? Caso essa exist\u00eancia pare\u00e7a desgastante, pense um pouco no ambiente terr\u00edvel em que vivemos a cada dia.\n\nOs seres humanos vivem na superf\u00edcie externa da crosta da Terra, uma camada de 4,99 trilh\u00f5es de toneladas de gases a que chamamos de atmosfera. Como no caso da pulga em nosso exemplo, nossas vidas podem depender exatamente da maneira como o ambiente que nos cerca se comporta. Em seus momentos mais amenos, o tempo alimenta nossas safras, nos oferece ar limpo para respirar e prov\u00ea um ambiente em geral confort\u00e1vel. Mas nos dias ruins, a atmosfera, descrita de maneira mais completa em Como funciona o clima, gera nevadas fatais, calores escaldantes, inunda\u00e7\u00f5es destrutivas e tempestades capazes de devastar cidades inteiras. Como qualquer parasita interessado em sobreviver, vale a pena saber o que o hospedeiro pode decidir fazer em seguida.\n\nSe voc\u00ea j\u00e1 saiu correndo para a escola ou o trabalho de manh\u00e3 sem verificar primeiro a previs\u00e3o do tempo, voc\u00ea provavelmente n\u00e3o passou pelo equivalente: ser dilacerado pela garra de um urso. Talvez voc\u00ea tenha trope\u00e7ado no gelo da cal\u00e7ada ou o percurso para o seu destino tenha sido um pouco mais lento, mas tudo bem, n\u00e3o? No final do dia ainda haver\u00e1 um jantar quente \u00e0 sua espera na sua casa confort\u00e1vel.\n\nNossas vidas nem sempre estiveram t\u00e3o protegidas contra o tempo, ainda que nos pa\u00edses em desenvolvimento e nos ambientes mais in\u00f3spitos, a sobreviv\u00eancia di\u00e1ria ainda dependa da M\u00e3e Natureza. A despeito das modernas salvaguardas contra secas e inunda\u00e7\u00f5es, o tempo ainda pode prejudicar o abastecimento de \u00e1gua e comida, at\u00e9 mesmo nos pa\u00edses mais avan\u00e7ados. Mas no mundo antigo a capacidade de usar observa\u00e7\u00f5es atuais e passadas para prever padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos fazia da pessoa mais que um meteorologista &#8212; fazia dela um xam\u00e3, um profeta, at\u00e9 mesmo um l\u00edder. Hoje, os meteorologistas acrescentam tecnologia moderna \u00e0s suas observa\u00e7\u00f5es, usando f\u00edsica e estat\u00edstica para desempenhar servi\u00e7o igualmente vital, ainda que n\u00e3o necessariamente os vejamos como profetas.\n\nNeste artigo, examinaremos a meteorologia, o estudo cient\u00edfico da atmosfera e dos in\u00fameros fen\u00f4menos que a mant\u00e9m em constante fluxo e turbilh\u00e3o ao nosso redor.\n\n<strong>Previs\u00f5es do tempo no passado: plantas, animais e folclore<\/strong>\n\nO reconhecimento de padr\u00f5es \u00e9 uma das propriedades essenciais da intelig\u00eancia. O seu cachorro sabe que ganha presente se fizer um truque, porque voc\u00ea sempre lhe d\u00e1 comida quando ela rola pelo ch\u00e3o. E voc\u00ea sabe que ganhar\u00e1 um pijama de Natal de sua tia porque j\u00e1 tem um arm\u00e1rio cheio de pijamas horrorosos. Nossos c\u00e9rebros aprendem e agem com base nos padr\u00f5es que percebemos em torno de n\u00f3s. Por sabermos o que houve antes, podemos antever o futuro.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor1.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"352\" height=\"228\" \/>\nOs seres humanos primitivos observavam animais e vegeta\u00e7\u00e3o locais para ajudar a determinar o tempo. Quem precisa da meteorologia de TV quando h\u00e1 p\u00e1ssaros migrat\u00f3rios?<\/strong><\/p>\nOs primeiros seres humanos observaram os padr\u00f5es do tempo e aprenderam a antecipar mudan\u00e7as que afetavam seu suprimento de alimentos ou seu bem-estar. Criaram nomes para as esta\u00e7\u00f5es do ano e at\u00e9 mesmo formas de calend\u00e1rio que orientavam suas jornadas e, mais tarde, o ciclo de cultivo de suas safras. As pessoas sabiam que o tempo seria baseado em suas experi\u00eancias cumulativas, assim como o que foi passado pelos seus ancestrais. Por exemplo, certas tribos de abor\u00edgenes australianos preservam 18 mil gera\u00e7\u00f5es de observa\u00e7\u00f5es sobre o tempo local [fonte: BBC]. Fora de seu territ\u00f3rio, esse conhecimento logo perde o valor, mas a compreens\u00e3o deles sobre a meteorologia pode incluir muitos detalhes locais. Uma tribo pode reconhecer entre duas e seis esta\u00e7\u00f5es, a depender dos fatores de precipita\u00e7\u00e3o e temperatura.\n\nOs primeiros seres humanos aprenderam que a queda da temperatura estava associada \u00e0 aproxima\u00e7\u00e3o do inverno. Conheciam a apar\u00eancia do c\u00e9u e os cheiros que precedem um temporal. E, se os seus sentidos n\u00e3o lhes bastavam, se voltavam a indicadores oferecidos pela natureza: os ciclos de vida de diversas formas de vegeta\u00e7\u00e3o e as migra\u00e7\u00f5es de animais. Al\u00e9m disso, muitas esp\u00e9cies de animais est\u00e3o mais sintonizadas \u00e0s mudan\u00e7as na press\u00e3o do ar e da \u00e1gua que muitas vezes sinalizam tempestades e outras mudan\u00e7as na atmosfera.\n\nMuito antes que os seres humanos inventassem aparelhos para medir essas condi\u00e7\u00f5es, eles simplesmente observavam os campos e os c\u00e9us. Os animais reconhecem padr\u00f5es sutis na atmosfera, e n\u00f3s reconhecemos padr\u00f5es em seu comportamento de resposta. As tradi\u00e7\u00f5es desse tipo s\u00e3o mantidas ainda hoje nas p\u00e1ginas de almanaques rurais e em pr\u00e1ticas como a do &#8220;Dia da Marmota&#8221;. Para aprender mais sobre a rela\u00e7\u00e3o entre animais e o tempo, leia Os animais podem prever o tempo?\n\nAcompanhar o tempo em uma regi\u00e3o ou territ\u00f3rio tribal \u00e9 uma coisa, mas mapear padr\u00f5es atmosf\u00e9ricos em escala mundial \u00e9 empreitada bem diferente. Ao longo dos \u00faltimos s\u00e9culos, se desenvolveu a meteorologia sin\u00f3ptica, ou a ideia de mapear o tempo de maneira abrangente em uma grande \u00e1rea. Ao comparar condi\u00e7\u00f5es de tempo simult\u00e2neas em \u00e1reas adjacentes, os cientistas se tornaram mais capazes de prever condi\u00e7\u00f5es em uma \u00e1rea mais ampla e de fornecer a esp\u00e9cie de mapa do tempo que vemos na TV e na Internet a cada dia.\n\nComo os meteorologistas registram as condi\u00e7\u00f5es do tempo hoje? Leia a pr\u00f3xima p\u00e1gina para descobrir como determinamos o que o tempo est\u00e1 aprontando agora.\n\n<strong>A meteorologia hoje: bar\u00f4metros, term\u00f4metros e higr\u00f4metros<\/strong>\n\nVoc\u00ea provavelmente j\u00e1 ouviu dizer que quanto mais palpiteiros houver, piores os resultados, talvez como refer\u00eancia a um disco, uma empresa ou at\u00e9 uma equipe esportiva. A ideia \u00e9 que, quanto mais pessoas estiverem envolvidas em um projeto, maior chance de que o resultado cause confus\u00e3o, seja chato ou simplesmente horr\u00edvel. De certa forma, a atmosfera \u00e9 uma dessas situa\u00e7\u00f5es em que h\u00e1 fatores demais dando palpite: gravidade, luz solar, rota\u00e7\u00e3o, zonas de press\u00e3o conflitantes, oceanos frios, desertos quentes, cadeias de montanhas e correntes de ar fort\u00edssimas, para mencionar alguns. Essas for\u00e7as constantemente for\u00e7am a atmosfera a se mover, e compreender o que ela est\u00e1 fazendo a cada dado momento requer muito estudo e observa\u00e7\u00e3o.\n\nTr\u00eas das propriedades essenciais da atmosfera s\u00e3o a press\u00e3o do ar, a temperatura do ar e a umidade. Para realmente entender o que est\u00e1 acontecendo, \u00e9 preciso que essas condi\u00e7\u00f5es sejam medidas. Por isso, a meteorologia n\u00e3o emergiu realmente como ci\u00eancia antes do s\u00e9culo 17, quando foram inventados o bar\u00f4metro, que mede confiavelmente a press\u00e3o do ar, e um term\u00f4metro preciso para medir temperaturas. Antes do final do s\u00e9culo, os cientistas tamb\u00e9m desenvolveram higr\u00f4metros confi\u00e1veis para medir a umidade. Esses instrumentos, bem como medidores do n\u00edvel de chuva, permitiram melhoras no planejamento agr\u00edcola e nas viagens mar\u00edtimas.\n\nMas para obter uma vis\u00e3o verdadeiramente sin\u00f3ptica sobre as condi\u00e7\u00f5es correntes do tempo, \u00e9 necess\u00e1ria uma maneira de se comunicar com os observadores de outras regi\u00f5es. A inven\u00e7\u00e3o do tel\u00e9grafo, em 1837, tornou isso poss\u00edvel. Por volta da metade do s\u00e9culo 19, os meteorologistas de diversas esta\u00e7\u00f5es eram capazes de se comunicar rapidamente uns com os outros e montar o quadro geral.\n\n<strong>A meteorologia do futuro: modelos num\u00e9ricos de previs\u00e3o do tempo<\/strong>\n\nA tecnologia moderna permite que meteorologistas compreendam a atmosfera da Terra de forma in\u00e9dita, e lhes oferece um ponto de vista excelente para observar o tempo do planeta. Mas como eles traduzem essas observa\u00e7\u00f5es em uma previs\u00e3o razo\u00e1vel daquilo que o tempo continuar\u00e1 a fazer?\n\nPor volta do final do s\u00e9culo 19, os meteorologistas estavam usando bal\u00f5es meteorol\u00f3gicos para estudar as camadas superiores da atmosfera. Ao faz\u00ea-lo, conseguiram descobertas essenciais sobre a press\u00e3o do ar em altitude elevada e os padr\u00f5es do vento. Com isso, eles puderam descobrir o papel desempenhado pelos centros de baixa press\u00e3o na determina\u00e7\u00e3o de padr\u00f5es meteorol\u00f3gicos. Voc\u00ea j\u00e1 deve ter visto o apresentador apontar para eles em uma previs\u00e3o do tempo na TV. O ar mais frio e denso avan\u00e7a em espiral para \u00e1reas mais quentes e de press\u00e3o mais baixa, vindo de regi\u00f5es vizinhas. Isso leva o ar quente a subir para a parte superior da atmosfera, onde se espalha para todos os lados. Essas forma\u00e7\u00f5es s\u00e3o conhecidas como ciclones (n\u00e3o confundir com furac\u00f5es e tuf\u00f5es, que em algumas regi\u00f5es recebem o nome de ciclones.)\n\nMas essa eleva\u00e7\u00e3o do ar n\u00e3o acontece apenas em um centro de baixa press\u00e3o. Tamb\u00e9m acontece quando duas massas de ar colidem em uma frente. Em ambos os casos, o ar elevado muitas vezes forma nuvens e sistemas de tempestades. Com essas descobertas, os meteorologistas estavam mais preparados para prever o tempo. N\u00e3o estavam mais apresentando palpites informados baseados em reconhecimento de padr\u00f5es, mas sim compreendendo como funciona a atmosfera.\n\nNo s\u00e9culo 20, os avan\u00e7os na avia\u00e7\u00e3o tornaram poss\u00edvel um estudo melhor da atmosfera superior, e novas tecnologias de r\u00e1dio permitiram que os meteorologistas acrescentassem equipamentos sens\u00edveis aos seus bal\u00f5es, que subiam a altitudes ainda maiores &#8212; uma pr\u00e1tica que continua. De maneira semelhante, b\u00f3ias meteorol\u00f3gicas equipadas com r\u00e1dios comunicavam as condi\u00e7\u00f5es vigentes no mar, entre as quais a temperatura da \u00e1gua, a velocidade do vento e a altura das ondas. Depois da Segunda Guerra Mundial, os cientistas come\u00e7aram a usar o radar para estudar o tempo, porque essa tecnologia tornava poss\u00edvel detectar chuvas, al\u00e9m de avi\u00f5es.\n\nEm 1960, novo avan\u00e7o foi acrescentado para ampliar nossa capacidade de observar e medir a atmosfera da Terra: o sat\u00e9lite meteorol\u00f3gico. Ao colocar esses observat\u00f3rios automatizados em \u00f3rbitas polares de norte a sul e \u00f3rbitas geoestacion\u00e1rias de leste a oeste, os seres humanos conseguiram ver a atmosfera de fora, de um ponto de vista realmente sin\u00f3ptico. Os sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos oferecem mais que uma vis\u00e3o extraterrestre do clima: tamb\u00e9m portam sensores que medem temperatura, umidade e radia\u00e7\u00e3o solar.\n\nUma coisa \u00e9 saber o que est\u00e1 acontecendo agora, mas como os meteorologistas transformam esses dados em uma ideia sobre o que vai acontecer amanh\u00e3? Leia a pr\u00f3xima se\u00e7\u00e3o para descobrir.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor2.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"350\" height=\"265\" \/>\n<strong>Meteorologista monitora os movimentos de um furac\u00e3o para tentar prever seu trajeto<\/strong><\/p>\nEm lugar de simplesmente observar as condi\u00e7\u00f5es correntes e estimar o futuro com base em observa\u00e7\u00f5es passadas, os meteorologistas criam modelos de previs\u00e3o de tempo num\u00e9ricos (NWP). Os modelos s\u00e3o c\u00e1lculos objetivos, baseados em dados f\u00edsicos que, quando processados por um computador, predizem como ser\u00e1 o tempo no futuro. As equa\u00e7\u00f5es envolvidas nesses modelos s\u00e3o complexas e envolvem m\u00faltiplas vari\u00e1veis atmosf\u00e9ricas. Essas vari\u00e1veis deixam certa margem de erro, de modo que quanto mais distante no futuro for a data para a qual se deseja a previs\u00e3o, maior a chance de erro.\nObserve qualquer previs\u00e3o de tempo hora a hora: a previs\u00e3o para cada hora \u00e9 um passo para o futuro poss\u00edvel. A previs\u00e3o inicial (por exemplo, a de como estar\u00e1 o tempo dentro de uma hora) resulta da aplica\u00e7\u00e3o de um modelo de computador ao tempo que temos agora. Depois, para conseguir um modelo sobre que tempo teremos em duas horas, as diversas equa\u00e7\u00f5es s\u00e3o aplicadas ao primeiro modelo obtido. Assim, embora a previs\u00e3o inicial se baseie em dados reais, a segunda se baseia em condi\u00e7\u00f5es previstas, que podem ser menos que precisas. Cada previs\u00e3o subseq\u00fcente eleva a possibilidade de erro. Por isso, os modelos NWP se tornam cada vez menos precisos quando avan\u00e7am para o futuro.\n\nOs meteorologistas v\u00eam constantemente melhorando os modelos NWP, desde os anos 80. Ao alter\u00e1-los constantemente, criaram equa\u00e7\u00f5es mais precisas e com menor margem de erro. Outra t\u00e9cnica, conhecida como Estat\u00edstica de Produ\u00e7\u00e3o de Modelos, melhora a previs\u00e3o do tempo ao tomar o modelo NWP, baseado em condi\u00e7\u00f5es atuais, e extrapol\u00e1-lo para comparar com as condi\u00e7\u00f5es passadas de superf\u00edcie em dada regi\u00e3o. O m\u00e9todo essencialmente usa leituras meteorol\u00f3gicas do passado para compensar alguns dos erros inerentes ao modelo NWP.\n\n<strong>Homens do tempo X meteorologistas<\/strong>\n\nQual \u00e9 a diferen\u00e7a entre um meteorologista e o homem do tempo na TV? Enquanto o primeiro \u00e9 um cientista diplomado em meteorologia ou ci\u00eancias atmosf\u00e9ricas, o homem do tempo n\u00e3o necessariamente tem forma\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. De fato, Narciso Vernizzi e Sandra Annenberg n\u00e3o s\u00e3o meteorologistas, ainda que tenham ganhado fama apresentando previs\u00f5es do tempo.\n\nA despeito dos avan\u00e7os continuados na meteorologia, n\u00e3o espere previs\u00f5es infal\u00edveis em breve. Ao considerar as numerosas vari\u00e1veis em um modelo NWP, \u00e9 importante perceber at\u00e9 que ponto uma pequena discrep\u00e2ncia pode fazer diferen\u00e7a. Em 1961, o meteorologista e criador da teoria do caos Edward Lorenz decidiu considerar as diferen\u00e7as que um modelo poderia sofrer com uma discrep\u00e2ncia de um \u00fanico ponto decimal. Com base nesse estudo, ele cunhou o termo efeito borboleta, definido pela quest\u00e3o: &#8220;Quando uma borboleta bate as asas no Brasil, ela est\u00e1 causando um tornado no Texas?&#8221;\n\nMas embora a previs\u00e3o do tempo esteja longe de ser infal\u00edvel, a meteorologia j\u00e1 salvou incont\u00e1veis vidas ao permitir que cientistas prevejam onde um tempo muito severo vai surgir, e alertem as pessoas com anteced\u00eancia. A previs\u00e3o semanal do tempo pode n\u00e3o ser perfeita, mas nossa compreens\u00e3o sobre o complexo conjunto de movimentos da atmosfera em que vivemos tampouco o \u00e9.\n\n<strong>Meteorologia &#8211; O que \u00e9\u00a0<\/strong>\n\nA\u00a0<strong>meteorologia<\/strong>\u00a0\u00e9 a ci\u00eancia que estuda os fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos e est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 pr\u00e1tica da astronomia. Para entender como as previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o feitas e como os dados em que esta ci\u00eancia se baseia para tais previs\u00f5es s\u00e3o coletados, vamos estudar alguns dos instrumentos do meteorologista (profissional dedicado \u00e0 meteorologia).\n\nOs dados coletados por instrumentos simples ganham fundamental import\u00e2ncia quando adicionados a outros dados, obtidos por sistemas mais complexos como os radares, bal\u00f5es e sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos, os quais nos fornecem imagens das forma\u00e7\u00f5es de nuvens sobre a terra em tempo real.\n\nAs previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas atuais s\u00e3o feitas por computadores de alta velocidade que analisam um enorme volume de dados hist\u00f3ricos e medi\u00e7\u00f5es recentes, coletadas por milhares de esta\u00e7\u00f5es espalhadas por todo o mundo, al\u00e9m de dados recebidos via sat\u00e9lites.\n\n<strong>Objetivo<\/strong>\n\nConhecer e construir instrumentos de coleta de dados para o registro hist\u00f3rico e previs\u00f5es meteorol\u00f3gicas.\n\n<strong>Esta\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica<\/strong>\n\nUma esta\u00e7\u00e3o de coleta de dados meteorol\u00f3gicos \u00e9 um local adequado e bem planejado, que cont\u00e9m um conjunto de instrumentos aptos a fornecerem: a temperatura, a dire\u00e7\u00e3o e velocidade dos ventos, os volumes de precipita\u00e7\u00f5es, o tempo de insola\u00e7\u00e3o, a umidade da atmosfera, a capacidade de evapora\u00e7\u00e3o etc.\n\nOs dados da coleta di\u00e1ria e os hist\u00f3ricos desses dados de anos anteriores \u00e9 que nos permitir\u00e3o fazer compara\u00e7\u00f5es e &#8216;arriscar&#8217; a prever como se comportar\u00e1 o clima no futuro. \u00c0s vezes esta \u00e9 uma necessidade imediata e a probabilidade de acerto est\u00e1 diretamente ligada \u00e0 extens\u00e3o do nosso conhecimento.\n\nPor exemplo,\n\nQual \u00e9 a probabilidade de observarmos o eclipse total do Sol no amanhecer do dia 29 de mar\u00e7o de 2006, em Natal-RN?\n\nSer\u00e1 que l\u00e1 chegando o c\u00e9u n\u00e3o estar\u00e1 totalmente encoberto impossibilitando a m\u00ednima vis\u00e3o dos acontecimentos?\n\nBaseados nos registros dos anos anteriores poderemos decidir fazer, ou n\u00e3o, a longa viagem para observ\u00e1-lo.\n\nMilhares de pessoas dedicadas, passam anos e anos coletando estes dados sistematicamente para formar a base deste trabalho.\n\nMuitos destes instrumentos podem ser constru\u00eddos com materiais corriqueiros e nos permitir\u00e3o obter dados bastante confi\u00e1veis se comparados aos registros oficiais. Uma simples anota\u00e7\u00e3o nas nossas agendas de observa\u00e7\u00f5es poder\u00e3o nos ajudar no futuro.\n\n<strong>O pluvi\u00f4metro<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nO pluvi\u00f4metro (do latim pluviu= chuva, metru= medir), tamb\u00e9m conhecido como hiet\u00f4metro ou ud\u00f4metro, destina-se a medir a quantidade de precipita\u00e7\u00e3o, em forma de chuva, garoa, orvalho, neve ou granizo em uma determinada regi\u00e3o.\n\n<strong>Medida da precipita\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nA unidade &#8216;generalizadamente&#8217; adotada para a medida da &#8220;precipita\u00e7\u00e3o&#8221; \u00e9 o mil\u00edmetro, subentendo-se que 1 mm de precipita\u00e7\u00e3o corresponde \u00e0 altura que se eleva 1 litro de \u00e1gua quando homogeneamente distribu\u00edda numa base de 1 metro quadrado. Assim, dizer em que tal regi\u00e3o houve uma precipita\u00e7\u00e3o de &#8220;10 mm&#8221;, significa dizer que (em m\u00e9dia), cada &#8216;metro quadrado&#8217; dessa regi\u00e3o recebeu &#8217;10 litros&#8217; de \u00e1gua da chuva.\n\nPara medir a chuva, qualquer recipiente de formato cil\u00edndrico ou prism\u00e1tico pode servir. Basta colocar uma latinha ou outro recipiente numa \u00e1rea descoberta. Como a \u00e1rea \u00e9 constante, podemos medir diretamente (usando uma proveta graduada) quantos mil\u00edmetros se acumularam dentro do recipiente. Este processo, todavia, tem pouca precis\u00e3o, podendo gerar erros de 1 ou 2 mil\u00edmetros (1 ou 2 litros de erro, por metro quadrado; 1 milh\u00e3o ou 2 milh\u00f5es de litros de erro, por quil\u00f4metro quadrado!).\n\nUm meio mais exato de efetuar a medida \u00e9 usar uma vasilha de grande di\u00e2metro de &#8216;boca&#8217; e medir o volume de \u00e1gua acumulado atrav\u00e9s do uso de uma proveta. Dividindo o volume de \u00e1gua coletada pela \u00e1rea de capta\u00e7\u00e3o do recipiente, podemos obter dados com precis\u00e3o de d\u00e9cimos de mil\u00edmetro.\nTomemos um exemplo:\n\nDigamos que voc\u00ea usou uma lata de leite em p\u00f3, cuja &#8216;boca&#8217; tem di\u00e2metro de 10 cm, e recolheu 400 cm3 (medidos com uma proveta) de \u00e1gua durante a chuva &#8216;de ontem&#8217;.\nDe quantos &#8216;mil\u00edmetros&#8217; foi a precipita\u00e7\u00e3o?\n\nPrimeiro, devemos determinar qual a \u00e1rea da &#8216;boca&#8217; da lata. Vamos lembrar, da geometria, que a \u00e1rea do c\u00edrculo em fun\u00e7\u00e3o do seu raio \u00e9 dada por Ac\u00edrculo = p.r2 .\n\n<strong>Como o di\u00e2metro de nossa lata mede 10 cm, seu raio ser\u00e1 de 5 cm; ent\u00e3o:<\/strong>\n\nA&#8217;boca&#8217; = 3,14 x 52 = 78,5 cm2 . Dividindo-se o volume de \u00e1gua (400 cm3) pela \u00e1rea da &#8216;boca&#8217; da lata (78,5 cm2) encontramos 5,095 cm ou 50,95 mm. Essa foi a precipita\u00e7\u00e3o da chuva &#8216;de ontem&#8217;: 50,95 mm.\n\nNas regi\u00f5es mais frias o conjunto deve prever um sistema de aquecimento para derreter a neve ou o granizo.\n\nNas esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas s\u00e3o usados pluvi\u00f4metros padronizados. O mais utilizado no Brasil \u00e9 o padr\u00e3o franc\u00eas, conhecido como &#8220;Ville de Paris&#8221;.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor3.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"206\" height=\"356\" \/><\/p>\n<strong>O term\u00f4metro<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nMedir e registrar as varia\u00e7\u00f5es de temperatura ao longo do tempo.\n\nO term\u00f4metro comum apenas nos mostra a temperatura ambiente no momento de sua leitura. Normalmente s\u00e3o usados term\u00f4metros de merc\u00fario ou \u00e1lcool colorido colocados \u00e0 sombra em local ventilado. O \u00e1lcool tem sido preferido por n\u00e3o congelar quando as temperaturas variam abaixo de zero. Tais tipos de term\u00f4metros s\u00e3o pouco usados nas esta\u00e7\u00f5es por n\u00e3o permitirem o registro de dados al\u00e9m do visual.\n\nO mais usado nas esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, \u00e9 o term\u00f4metro registrador de m\u00e1ximas e m\u00ednimas, tipo Six-Bellani. Ele registra (por um processo puramente mec\u00e2nico) as temperaturas m\u00e1ximas e m\u00ednimas num intervalo de tempo. \u00c9 um term\u00f4metro de dois ramos, com um pequeno \u00edndice de material ferro magn\u00e9tico (Im e IM) dentro do capilar de cada ramo. Os ramos s\u00e3o ligados a bulbos de vidro A e B. Na parte inferior dos ramos temos merc\u00fario; o bulbo A \u00e9 completamente preenchido com \u00e1lcool (colorido, em geral) e o bulbo B, apenas parcialmente, restando uma c\u00e2mara de vapor de \u00e1lcool.\n\nCom o aumento da temperatura o \u00e1lcool (subst\u00e2ncia termom\u00e9trica) de A dilata, contorna o \u00edndice Im e empurra a coluna de Hg para baixo; no outro ramo o filete de Hg sobe e empurra o \u00edndice de ferro IM para cima. Com o resfriamento, o \u00e1lcool do bulbo A &#8216;encolhe&#8217; e a press\u00e3o de vapor no bulbo B empurra \u00e1lcool (que contorna o \u00edndice IM) e o Hg para baixo; Hg sobe no ramo da esquerda e leva o \u00edndice Im para cima.\n\nAssim, o \u00edndice IM permanece indicando a maior temperatura daquele ambiente e Im indicando a menor temperatura. As temperaturas devem ser lidas sempre pela extremidade do \u00edndice mais pr\u00f3xima do Hg. No dia seguinte, para &#8220;zerar&#8221; o dispositivo, basta usar um pequeno \u00edm\u00e3 para arrastar os \u00edndices de encontro ao Hg.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor4.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"94\" height=\"246\" \/><\/p>\n<strong>O anem\u00f4metro<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nMedir a velocidade do vento e enviar dados.\n\nO anem\u00f4metro (do grego anemus= vento) mais preciso \u00e9 o tipo rotor horizontal de conchas de Robinson. Um rotor com 3 conchas hemisf\u00e9ricas aciona um mecanismo ou uma roda dentada onde \u00e9 instalado um pick-up eletr\u00f4nico. A vantagem deste sistema \u00e9 que ele independe da dire\u00e7\u00e3o do vento, e por conseguinte de um dispositivo de alinhamento. Este equipamento tinha um custo muito alto, mas as vers\u00f5es modernas com pick-up eletr\u00f4nico s\u00e3o bem acess\u00edveis. A roda dentada \u00e9 magn\u00e9tica e induz no pick-up, al\u00e9m dos pulsos de contagem, a corrente gerada no sistema, que carrega um acumulador miniatura e alimenta a base de tempo.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor5.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"225\" height=\"301\" \/><\/p>\nUm dos modelos mais usados atualmente pelas esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas instaladas em regi\u00f5es adversas, como na Ant\u00e1rtida, \u00e9 conhecido como avi\u00e3ozinho. Dotado de uma h\u00e9lice para fluxo axial ele pode trabalhar com ventos de at\u00e9 320 quil\u00f4metros por hora. Tem um corpo central que funciona como gerador de sinais e de energia para o indicador de velocidade, e sua &#8216;rabeta&#8217;, al\u00e9m de manter a h\u00e9lice na dire\u00e7\u00e3o do vento, ainda fornece eletronicamente esta dire\u00e7\u00e3o. Os dados s\u00e3o acumulados em um registrador ou numa mem\u00f3ria eletr\u00f4nica que \u00e9 descarregada para coletores de dados ou transmitidos \u00e0 dist\u00e2ncia.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor6.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"267\" height=\"248\" \/><\/p>\nO modelo mais simples, e menos preciso, mais acess\u00edvel a amadores \u00e9 o de deflex\u00e3o de uma chapinha articulada. Este anem\u00f4metro tamb\u00e9m \u00e9 conhecido como &#8220;anem\u00f4metro de Da Vinci&#8221;, por ter sido concebido pelo famoso cientista italiano. Ele consiste de uma chapinha que \u00e9 deslocada pelo vento sobre uma escala previamente aferida. Note que a escala varia exponencialmente. Normalmente \u00e9 montado sob um cata-vento, que prov\u00ea o alinhamento correto.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor7.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"245\" height=\"235\" \/><\/p>\n<strong>O anemosc\u00f3pio<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nIndicar a &#8216;dire\u00e7\u00e3o&#8217; do vento.\n\nO anemosc\u00f3pio, cata-vento ou biruta \u00e9 uma massa pivotada sobre um eixo vertical, dotada de um leme, que se orienta na &#8216;dire\u00e7\u00e3o&#8217; do vento. Sobre o o anemosc\u00f3pio \u00e9 colocada uma rosa-dos-ventos para facilitar a leitura. Existem normas de dimensionamento para a sua constru\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor8.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"264\" height=\"283\" \/><\/p>\nLembre-se que a &#8220;dire\u00e7\u00e3o do vento&#8221; \u00e9 terminologia incorreta para traduzir a &#8220;orienta\u00e7\u00e3o&#8221; de onde vem o vento, ou seja, com essa terminologia se pretende informar a dire\u00e7\u00e3o e o sentido do vento.\n\nCostuma-se usar o anemosc\u00f3pio como suporte para o anem\u00f4metro mais simples, de deflex\u00e3o.\n\n<strong>O evapor\u00edmetro<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nAvaliar o volume evaporado de um espelho d&#8217;\u00e1gua.\n\nO evapor\u00edmetro ou tanque evaporim\u00e9trico \u00e9 um reservat\u00f3rio raso, instalado pr\u00f3ximo ao pluvi\u00f4metro, sobre um estrado de madeira. No Brasil usa-se o tanque padr\u00e3o do U.S. Weather Bureau. Ele \u00e9 circular com 4 p\u00e9s de di\u00e2metro (1,22 m) e uma altura de 10 polegadas (25,4 cm) feito de chapa galvanizada. Dentro do tanque \u00e9 colocado um flutuador preso a um micr\u00f4metro.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor9.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"266\" height=\"131\" \/><\/p>\nPara prote\u00e7\u00e3o do conjunto existe um quebra ondas, ou &#8220;po\u00e7o tranq\u00fcilizador&#8221;.\n\nO tanque \u00e9 abastecido at\u00e9 5 cm da borda e as leituras do micrometro s\u00e3o feitas \u00e0s 9 horas da manh\u00e3 de cada dia. N\u00e3o havendo precipita\u00e7\u00e3o, a evapora\u00e7\u00e3o di\u00e1ria \u00e9 dada pela diferen\u00e7a das medidas do micr\u00f4metro. No caso de chuva, a medida do pluvi\u00f4metro deve ser adicionada.\n\nDevido \u00e0s dimens\u00f5es o tanque recebe energia pelas laterais e conduzida pela base, al\u00e9m da a\u00e7\u00e3o dos ventos na camada de ar saturado. Por este motivo \u00e9 inserido um &#8220;coeficiente de tanque&#8221;, que vale entre 0,7 e 0,8 para o sudeste do Brasil.\n\n<strong>O psicr\u00f4metro<\/strong>\n\n<strong>Finalidade<\/strong>\n\nMedir a quantidade de vapor d&#8217;\u00e1gua na atmosfera.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Meteorologia\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/meteor10.jpg\" alt=\"Meteorologia\" width=\"180\" height=\"292\" \/><\/p>\nA umidade relativa do ar (U) \u00e9 medida com um psicr\u00f4metro, que consiste em dois term\u00f4metros em uma mesma base, um deles envolvido por uma mecha de algod\u00e3o(gase) embebida com \u00e1gua. Alguns modelos usam ventila\u00e7\u00e3o for\u00e7ada a 2,5 metros por segundo, e uma constante psicrom\u00e9trica \u00e9 inserida na f\u00f3rmula. Os valores s\u00e3o inseridos numa f\u00f3rmula ou num gr\u00e1fico e resultam na umidade do ar em rela\u00e7\u00e3o ao ar saturado de vapor d&#8217;\u00e1gua.\n\nO interesse do homem pelos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos revela-se, desde \u00e9pocas pr\u00e9-hist\u00f3ricas, em pr\u00e1ticas ritual\u00edsticas de car\u00e1ter m\u00e1gico. Como ci\u00eancia aut\u00f4noma, entretanto, a meteorologia \u00e9 relativamente recente e data do s\u00e9culo XIX, quando foram feitas as primeiras previs\u00f5es do tempo. No s\u00e9culo XX, o progresso da avia\u00e7\u00e3o e, posteriormente, dos sat\u00e9lites artificiais abriu uma nova era para a meteorologia.\n\nMeteorologia \u00e9 a ci\u00eancia que estuda as leis que regem os fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos e, de forma particular, os que ocorrem na baixa atmosfera, ou troposfera, at\u00e9 uma altitude m\u00e9dia de 15.000m. Ci\u00eancia que fornece a base das previs\u00f5es do tempo, a meteorologia envolve o estudo sistem\u00e1tico das varia\u00e7\u00f5es de curto prazo &#8212; ou seja, di\u00e1rias &#8212; de temperatura, umidade, press\u00e3o atmosf\u00e9rica, ventos, nebulosidade e precipita\u00e7\u00e3o, e suas causas. Embora sejam ci\u00eancias intimamente relacionadas, n\u00e3o se deve confundir a meteorologia com a climatologia, que estuda as condi\u00e7\u00f5es e varia\u00e7\u00f5es do tempo numa determinada \u00e1rea ao longo de um extenso per\u00edodo de tempo, que pode variar de um m\u00eas a um milh\u00e3o de anos.\n\nS\u00e3o duas as principais divis\u00f5es da meteorologia: a din\u00e2mica e a sin\u00f3ptica. A meteorologia din\u00e2mica lida basicamente com a atividade atmosf\u00e9rica e os processos f\u00edsicos ligados \u00e0 circula\u00e7\u00e3o do ar. A pesquisa envolve o uso de modelos matem\u00e1ticos que, processados em computadores, contribuem para a compreens\u00e3o das caracter\u00edsticas f\u00edsicas e estruturais das camadas mais baixas da atmosfera. A meteorologia sin\u00f3ptica se concentra nos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos diretamente associados ao tempo. A designa\u00e7\u00e3o deriva do m\u00e9todo sin\u00f3ptico, que consiste em tra\u00e7ar num mapa os dados obtidos em observa\u00e7\u00f5es simult\u00e2neas das condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas durante um per\u00edodo de tempo espec\u00edfico, o que fornece uma vis\u00e3o abrangente do tempo na \u00e1rea em quest\u00e3o.\n\nA coleta dos dados \u00e9 feita normalmente por equipamentos estrategicamente distribu\u00eddos por todo o mundo, entre eles radares de superf\u00edcie e sistemas de sensoriamento remoto como sondas transportadas por bal\u00f5es e sat\u00e9lites meteorol\u00f3gicos. Com esses dados, os meteorologistas fazem previs\u00f5es de tempo locais de curto prazo &#8212; as que projetam as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas com uma anteced\u00eancia m\u00e1xima de 12 horas. Para estender a previs\u00e3o a um per\u00edodo maior, ou a uma \u00e1rea maior, empregam-se modelos matem\u00e1ticos baseados em leis f\u00edsicas de conserva\u00e7\u00e3o de movimento, temperatura, massa e umidade. Processados em supercomputadores de alta velocidade, esses modelos possibilitam a previs\u00e3o acurada de campos de press\u00e3o, altera\u00e7\u00f5es de temperatura e, num grau menor, precipita\u00e7\u00e3o, com cinco a sete dias de anteced\u00eancia. A previs\u00e3o de base num\u00e9rica \u00e9 em grande parte baseada nos princ\u00edpios e na metodologia da meteorologia din\u00e2mica.\n\nDe acordo com sua aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, a meteorologia abrange outras se\u00e7\u00f5es complementares. Os princ\u00edpios meteorol\u00f3gicos aplicados \u00e0 avia\u00e7\u00e3o e \u00e0 navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima e fluvial s\u00e3o objeto da meteorologia aeron\u00e1utica e mar\u00edtima, respectivamente. A meteorologia agr\u00edcola se aplica \u00e0 agricultura. Quest\u00f5es relativas a irriga\u00e7\u00e3o, nascentes, provis\u00e3o de \u00e1gua etc. pertencem ao campo da hidrometeorologia. A meteorologia m\u00e9dica compreende quest\u00f5es relativas \u00e0s altera\u00e7\u00f5es que os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos e o clima podem causar no organismo humano.\n\n<strong>Fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos<\/strong>\n\nAl\u00e9m dos diversos gases que a comp\u00f5em, a atmosfera, camada gasosa que envolve a Terra, cont\u00e9m impurezas, como poeira, cinzas e sal. Essas part\u00edculas diminutas, que s\u00f3 podem ser percebidas em conjunto ou com o aux\u00edlio de instrumentos, s\u00e3o de grande import\u00e2ncia nos processos meteorol\u00f3gicos, e em sua influ\u00eancia se baseiam teorias mais recentes sobre produ\u00e7\u00e3o artificial de chuvas e controle do tempo. Tamb\u00e9m \u00e9 importante a quantidade de vapor d&#8221;\u00e1gua em suspens\u00e3o, que determina a umidade relativa do ar.\n\nA troposfera \u00e9 a camada inferior da atmosfera, na qual t\u00eam lugar os fen\u00f4menos meteorol\u00f3gicos. \u00c9 uma camada relativamente inst\u00e1vel, com frequente ocorr\u00eancia de correntes verticais que causam condensa\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o de nuvens e precipita\u00e7\u00e3o. Acima da tropopausa, camada de transi\u00e7\u00e3o cuja altura varia conforme a latitude e a esta\u00e7\u00e3o do ano, come\u00e7a a estratosfera, que se estende a at\u00e9 cinquenta quil\u00f4metros de altura. A exist\u00eancia de uma camada de oz\u00f4nio no n\u00edvel inferior da estratosfera, a cerca de trinta quil\u00f4metros de altitude, tem estreita correla\u00e7\u00e3o com as condi\u00e7\u00f5es de tempo reinantes nas camadas inferiores da troposfera. A estratosfera costuma ser muito est\u00e1vel e desprovida de nuvens (\u00e0 exce\u00e7\u00e3o das chamadas nuvens-de-madrep\u00e9rola, formadas pela capa de oz\u00f4nio), principalmente no espa\u00e7o compreendido entre a tropopausa e a camada de oz\u00f4nio. Oferece, assim, condi\u00e7\u00f5es ideais de v\u00f4o.\n\nA maior frequ\u00eancia de incandesc\u00eancia de meteoros entre quarenta e oitenta quil\u00f4metros de altura pode indicar a exist\u00eancia de uma camada de ar muito aquecido, com temperatura entre 60o e 70o C, \u00e0s vezes denominada mesosfera. A camada de transi\u00e7\u00e3o entre o n\u00edvel inferior da estratosfera e a mesosfera se denomina estratopausa. A sessenta quil\u00f4metros de altitude encontra-se uma camada que tende a absorver as ondas eletromagn\u00e9ticas, cujo aparecimento se deve \u00e0 a\u00e7\u00e3o dos raios solares.\n\n\u00c0 mesopausa, nova camada de transi\u00e7\u00e3o, segue-se a ionosfera, que se estende at\u00e9 500km de altitude. Em seu n\u00edvel inferior, a cerca de cem quil\u00f4metros de altitude, \u00e0s vezes podem-se observar as chamadas nuvens noctilucentes, extremamente raras. A ionosfera tamb\u00e9m se caracteriza pelo aumento constante da temperatura, o que faz com que seja tamb\u00e9m denominada termosfera. A atmosfera, a essa altura, \u00e9 extremamente ionizada e de grande condutibilidade el\u00e9trica. Entre as diversas subcamadas em que se divide a ionosfera, a camada conhecida como Kennelly-Heaviside, entre 100 e 120km, reflete as ondas hertzianas, que retornam ent\u00e3o \u00e0 superf\u00edcie terrestre, fato que explica o grande alcance das emissoras de r\u00e1dio. Entre 120 e 180km ocorre o fen\u00f4meno eletromagn\u00e9tico das auroras boreais e austrais. H\u00e1, por\u00e9m, fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos observados em imensas altitudes. J\u00e1 foram comprovadas auroras a 1.200km da superf\u00edcie terrestre.\n\nObserva\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas. Para se proceder a um resumo do estado do tempo em determinado lugar, numa hora marcada, \u00e9 necess\u00e1ria uma rigorosa e met\u00f3dica observa\u00e7\u00e3o dos fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos existentes. Um elemento meteorol\u00f3gico essencial \u00e9 a temperatura do ar. Outros dados fundamentais para a observa\u00e7\u00e3o meteorol\u00f3gica s\u00e3o: press\u00e3o atmosf\u00e9rica, intensidade e dire\u00e7\u00e3o do vento, umidade relativa do ar, evapora\u00e7\u00e3o, radia\u00e7\u00e3o solar e diferentes tipos de nebulosidade.\n\n<strong>Temperatura do ar<\/strong>\n\nPara medir a temperatura do ar usa-se o term\u00f4metro de merc\u00fario, graduado pela escala Celsius ou Fahrenheit. Nas esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas, esse e outros instrumentos s\u00e3o guardados num abrigo de madeira, a fim de proteg\u00ea-los contra as chuvas e a radia\u00e7\u00e3o solar. H\u00e1 tamb\u00e9m term\u00f4metros de m\u00e1ximas e m\u00ednimas. Os term\u00f4metros registradores, ou term\u00f3grafos, apresentam diversos tipos, dos quais o mais utilizado \u00e9 o de Bourdon.\n\nPress\u00e3o atmosf\u00e9rica. Usualmente medida pelos bar\u00f4metros de merc\u00fario, que exprimem o peso de uma atmosfera circundante por unidade de \u00e1rea da superf\u00edcie exposta, a press\u00e3o atmosf\u00e9rica varia com a latitude, a gravidade da Terra e a temperatura, e invariavelmente diminui com a altitude. Nos pa\u00edses que seguem o sistema decimal, a escala barom\u00e9trica \u00e9 avaliada em mil\u00edmetros. Em 1914 adotou-se o milibar (mb) como unidade de press\u00e3o.\n\nPara medir a press\u00e3o atmosf\u00e9rica, tamb\u00e9m se utiliza o bar\u00f4metro aner\u00f3ide, que pode ser dotado de uma escala indicadora de altitude e, nesse caso, recebe o nome de alt\u00edmetro. Os alt\u00edmetros s\u00e3o muito \u00fateis no caso de observa\u00e7\u00f5es operadas a bordo de aeroplanos ou bal\u00f5es de sondagem.\n\nUmidade. Medida da quantidade de vapor d&#8221;\u00e1gua existente na atmosfera, a umidade pode variar de zero a quatro por cento em volume. A quantidade m\u00e1xima que o ar pode absorver \u00e9 tanto maior quanto mais elevada for a temperatura. Em termos de aplica\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica, interessam ainda outras medi\u00e7\u00f5es de umidade, como o ponto de orvalho e a umidade relativa do ar.\n\nChama-se umidade relativa do ar a raz\u00e3o (expressa em percentagem) entre o conte\u00fado do vapor d\u00e1gua no ar e a press\u00e3o m\u00e1xima do vapor d\u00e1gua \u00e0 mesma temperatura. A temperatura do ponto de orvalho \u00e9 aquela que deve atingir uma massa de ar (mantendo constante seu teor de umidade) para ficar saturada de vapor d\u00e1gua. \u00c9 sempre expressa em graus de temperatura e comparada com a temperatura do ar livre para se chegar \u00e0s condi\u00e7\u00f5es de umidade. Se o ar \u00e9 resfriado abaixo do ponto de orvalho, tem in\u00edcio a condensa\u00e7\u00e3o e parte do vapor d\u00e1gua se torna l\u00edquida.\n\nOs principais instrumentos para medi\u00e7\u00e3o da umidade s\u00e3o o higr\u00f4metro de cabelo e o psicr\u00f4metro. O primeiro comp\u00f5e-se de um conjunto de fios de cabelo humano, que reage \u00e0s varia\u00e7\u00f5es de umidade do ar, esticando-se ou encurtando. Esses movimentos atuam sobre um ponteiro que se desloca sobre um mostrador. O psicr\u00f4metro consiste em dois term\u00f4metros de merc\u00fario com bulbos cil\u00edndricos, um dos quais envolto em tecido de algod\u00e3o mergulhado em \u00e1gua destilada. A diferen\u00e7a de temperatura entre os dois term\u00f4metros d\u00e1 a medida da umidade do ar. Mediante tabelas especiais, se obt\u00e9m tamb\u00e9m o ponto de orvalho, a press\u00e3o do vapor d\u00e1gua e a umidade relativa do ar.\n\n<strong>Evapora\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nO processo de transforma\u00e7\u00e3o da \u00e1gua em vapor &#8212; evapora\u00e7\u00e3o &#8212; \u00e9 afetado por quatro fatores: press\u00e3o do vapor d\u00e1gua \u00e0 superf\u00edcie, press\u00e3o do vapor do ar, velocidade do vento e salinidade. H\u00e1 diversos m\u00e9todos para medir a evapora\u00e7\u00e3o, e at\u00e9 esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas especiais. O instrumento comumente usado \u00e9 o evapor\u00edmetro, recipiente graduado cheio de \u00e1gua que indica a quantidade evaporada.\n\n<strong>Nuvens<\/strong>\n\nMassas de vapor d \u00e1gua condensado, as nuvens comp\u00f5em-se de gotas d \u00e1gua ou cristais de gelo, cujo di\u00e2metro varia de 0,025 a 0,1mm. H\u00e1 dez tipos de nuvens segundo a classifica\u00e7\u00e3o internacional estabelecida em 1896 e revisada periodicamente. De modo geral, os tipos de nuvens que indicam bom tempo s\u00e3o: cirro, cirro-c\u00famulo, alto-c\u00famulo e c\u00famulo. Todos os outros tipos &#8212; cirro-estrato, alto-estrato, estrato-c\u00famulo, estrato, nimbo-estrato, c\u00famulo-nimbo &#8212; podem indicar mau tempo presente ou a suceder e, com exce\u00e7\u00e3o dos cirros-estratos, ocasionam precipita\u00e7\u00e3o. A identifica\u00e7\u00e3o dos tipos de nuvens requer longo per\u00edodo de aprendizado t\u00e9cnico.\n\n<strong>Precipita\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nAs principais formas de precipita\u00e7\u00e3o s\u00e3o a chuva, a neve e o granizo. O chuvisco, tamb\u00e9m chamado garoa, precipita\u00e7\u00e3o em gotas muito pequenas (di\u00e2metro inferior a 0,5mm), \u00e9 pr\u00f3prio das nuvens do tipo estrato. Desse mesmo tipo de nuvem prov\u00e9m a neve granulada, precipita\u00e7\u00e3o de gr\u00e3ozinhos opacos. O granizo \u00e9 origin\u00e1rio de c\u00famulo-nimbo, quando a temperatura est\u00e1 atingindo o ponto de congelamento. A quantidade de precipita\u00e7\u00e3o pode ser medida pelos pluvi\u00f4metros e registradores pluviom\u00e9tricos.\n\n<strong>Vento<\/strong>\n\nDo ponto de vista meteorol\u00f3gico, \u00e9 de interesse medir a dire\u00e7\u00e3o e a intensidade do vento, definido como o ar em movimento horizontal. Os movimentos verticais denominam-se correntes.\n\nComo simples indicador da dire\u00e7\u00e3o do vento (aquela de onde ele prov\u00e9m) usa-se o cata-vento. Os anemosc\u00f3pios registram a dire\u00e7\u00e3o do vento, e os anem\u00f4metros a velocidade. O anem\u00f3grafo mostra a velocidade do vento num gr\u00e1fico.\n\nA escala mais usada para medir a velocidade do vento \u00e9 a de Beaufort, de 1805, criada originalmente em fun\u00e7\u00e3o do efeito do vento sobre as velas dos navios e posteriormente adaptada. Segundo ela, s\u00e3o 13 os graus de intensidade do vento, assim ordenados: calmaria, brisa, vento leve, vento fresco, vento moderado, vento regular, vento meio forte, vento forte, vento muito forte, ventania, vendaval, tempestade, furac\u00e3o ou tuf\u00e3o.\n\n<strong>Observa\u00e7\u00f5es complementares<\/strong>\n\nTanto para a avia\u00e7\u00e3o como para a navega\u00e7\u00e3o mar\u00edtima, a visibilidade \u00e9 um dado complementar de valor. De modo geral, mede-se a visibilidade horizontal, definida como a dist\u00e2ncia m\u00e1xima horizontal na qual os objetos de grande porte ou massa (edif\u00edcios, montanhas, torres) podem ser vistos sem o aux\u00edlio de instrumentos \u00f3pticos. A visibilidade vertical \u00e9 bem mais importante e define-se como a dist\u00e2ncia m\u00e1xima do solo \u00e0 base da nuvem mais baixa, desde que o c\u00e9u esteja encoberto.\n\nA altura da base de uma nuvem chama-se teto, termo hoje empregado em linguagem comum, mas que oficialmente foi substitu\u00eddo pela express\u00e3o &#8220;altura da base da nuvem&#8221;. H\u00e1 formas diversas de determin\u00e1-la: por bal\u00f5es de teto (cheios de g\u00e1s e controlados de maneira a se elevarem em raz\u00e3o definida), por projetores luminosos (fachos luminosos projetados verticalmente, com a altura da base da nuvem calculada trigonometricamente por meio da eleva\u00e7\u00e3o angular do instrumento observador) ou pelo medidor eletr\u00f4nico da base das nuvens (autom\u00e1tico, em que a altura do facho vertical \u00e9 determinada por c\u00e9lula fotoel\u00e9trica e o princ\u00edpio da triangula\u00e7\u00e3o luminosa).\n\nA visibilidade depende tamb\u00e9m do estado do tempo, principalmente da ocorr\u00eancia de nevoeiros, neblinas e n\u00e9voas. A n\u00e9voa pode ser seca, se a umidade relativa do ar n\u00e3o atinge 85%, e \u00famida, se excede esse valor.\n\nA radia\u00e7\u00e3o solar \u00e9 outro fen\u00f4meno de grande import\u00e2ncia para a meteorologia. A energia necess\u00e1ria para a produ\u00e7\u00e3o de correntes de ar, tormentas e outros fen\u00f4menos atmosf\u00e9ricos procede quase totalmente da radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica emitida pelo Sol e transformada pela superf\u00edcie terrestre e pela pr\u00f3pria atmosfera. A parte que atinge a superf\u00edcie terrestre denomina-se insola\u00e7\u00e3o.\n\nO instrumento usado na medida da radia\u00e7\u00e3o solar \u00e9 o pireli\u00f4metro. Baseia-se no efeito termel\u00e9trico, pelo qual o aquecimento diferencial provoca for\u00e7a eletromotriz proporcional \u00e0 quantidade de radia\u00e7\u00e3o recebida. Os dados fornecidos por esse instrumento t\u00eam largo uso na arquitetura e na engenharia (ilumina\u00e7\u00e3o), e servem para bot\u00e2nicos e agricultores, pois o crescimento das plantas decorre essencialmente da quantidade de radia\u00e7\u00e3o recebida.\n\n<strong>Massas de ar<\/strong>\n\nDefine-se massa de ar como uma grande por\u00e7\u00e3o de ar muito espessa e de alguma homogeneidade em sentido horizontal. Em termos de temperatura e umidade, principalmente, as massas de ar cont\u00eam propriedades id\u00eanticas e varia\u00e7\u00f5es uniformes. Formam-se sobre \u00e1reas uniformes de terra ou de \u00e1gua, com fraca circula\u00e7\u00e3o de vento sobre elas.\n\nAs massas de ar podem ser polares e tropicais, conforme venham dos p\u00f3los ou das regi\u00f5es tropicais, e continentais ou mar\u00edtimas. Geralmente s\u00e3o transportadas para regi\u00f5es distantes das de sua forma\u00e7\u00e3o. Assim, o ar tropical, quente e \u00famido, \u00e9 transportado para as regi\u00f5es temperadas e polares, e o ar polar, frio e seco, vai para os tr\u00f3picos.\n\n<strong>Forma\u00e7\u00e3o de frentes<\/strong>\n\nQuando uma massa de ar polar e uma massa de ar tropical se encontram, tendem a preservar suas condi\u00e7\u00f5es f\u00edsicas em vez de se misturarem livremente. Isso resulta na forma\u00e7\u00e3o de frentes, ou descontinuidades, em toda a extens\u00e3o da superf\u00edcie de encontro, ao longo da qual ocorrem as principais mudan\u00e7as de tempo.\n\nA forma\u00e7\u00e3o de uma frente ou a regenera\u00e7\u00e3o e fortalecimento de frentes fracas recebe o nome de frontog\u00eanese. Ocorre em regi\u00f5es onde, pelo sistema de ventos, ocorre uma converg\u00eancia entre ar frio polar e ar quente tropical. Uma das condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e9 um flagrante contraste de temperatura. A front\u00f3lise, enfraquecimento ou dissipa\u00e7\u00e3o das frentes, se d\u00e1 quando o regime dos ventos favorece a diverg\u00eancia e se torna quase nula a separa\u00e7\u00e3o de temperaturas.\n\nNuma frente quente, o ar aquecido, mais leve, se eleva sobre o ar frio; numa frente fria, o ar quente \u00e9 deslocado e substitu\u00eddo pelo ar frio. Na \u00e1rea adiante da frente quente ocorre uma queda lenta de press\u00e3o, com forma\u00e7\u00e3o de nuvens altas. Na \u00e1rea dianteira da frente fria, a press\u00e3o cai r\u00e1pida e continuamente e formam-se nuvens m\u00e9dias e baixas.\n\n<strong>Plotagem e an\u00e1lise das cartas sin\u00f3pticas<\/strong>\n\nA carta sin\u00f3ptica, ou carta de tempo, serve para fazer a an\u00e1lise do tempo com vistas a sua previs\u00e3o. A Organiza\u00e7\u00e3o Meteorol\u00f3gica Mundial (OMM) elaborou o sistema-padr\u00e3o de s\u00edmbolos para a plotagem de fen\u00f4menos e demais dados meteorol\u00f3gicos numa carta sin\u00f3ptica.\n\nOs dados sin\u00f3pticos de superf\u00edcie e de altitude s\u00e3o lan\u00e7ados na carta sin\u00f3ptica e procede-se, ent\u00e3o, \u00e0 plotagem das observa\u00e7\u00f5es de superf\u00edcie, todas referentes \u00e0 mesma hora. Em cartas especiais, plotam-se as observa\u00e7\u00f5es de radiossondas, que d\u00e3o os \u00edndices de temperatura e umidade nos diferentes n\u00edveis de altitudes. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso registrar observa\u00e7\u00f5es sobre a dire\u00e7\u00e3o e velocidade do vento nos n\u00edveis padr\u00e3o (850, 700 e 500 milibares). Todos esses dados s\u00e3o b\u00e1sicos para a prepara\u00e7\u00e3o das cartas de press\u00e3o constante, de ventos em altitude etc.\n\nA configura\u00e7\u00e3o das linhas is\u00f3baras em cartas sin\u00f3pticas permite acompanhar a forma\u00e7\u00e3o e a evolu\u00e7\u00e3o das depress\u00f5es barom\u00e9tricas ou ciclones e, por meio delas, a marcha das massas de ar de suas frentes. As is\u00f3baras s\u00e3o linhas que, num mapa, unem os pontos de igual press\u00e3o atmosf\u00e9rica ao n\u00edvel do mar. Os ventos sopram quase exatamente ao longo das is\u00f3baras, com baixa press\u00e3o \u00e0 direita no hemisf\u00e9rio sul e \u00e0 esquerda no hemisf\u00e9rio norte.\n\nQuando as is\u00f3baras aparecem muito juntas umas das outras indicam bruscas varia\u00e7\u00f5es de press\u00e3o; quando est\u00e3o espa\u00e7adas, varia\u00e7\u00f5es lentas. Se as press\u00f5es aumentam do exterior para o centro h\u00e1 indica\u00e7\u00e3o de anticiclone; em caso inverso, um ciclone ou depress\u00e3o barom\u00e9trica. Um eixo de altas press\u00f5es indica uma dorsal, cunha ou crista barom\u00e9trica. De maneira inversa, um eixo de baixas press\u00f5es representa um cavado barom\u00e9trico. Quando as is\u00f3baras est\u00e3o paralelas, h\u00e1 uma rampa barom\u00e9trica. Em regra, nos anticiclones h\u00e1 bom tempo, em virtude da descida de ar das camadas superiores para as inferiores (subsid\u00eancia). Nos ciclones e cavados impera o mau tempo, devido \u00e0 convec\u00e7\u00e3o.\n\nAs isotermas s\u00e3o as linhas que ligam os pontos (localidades) que apresentam igual temperatura (reduzida ao n\u00edvel do mar). O exame da distribui\u00e7\u00e3o das isotermas no mapa revela a influ\u00eancia dos diferentes fatores que atuam sobre a temperatura: latitude, continentalidade, maritimidade, correntes mar\u00edtimas etc.\n\n<strong>Meteorologia no Brasil<\/strong>\n\nDesde a d\u00e9cada de 1970, o Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe), em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos SP, recebe as informa\u00e7\u00f5es fornecidas pelos sat\u00e9lites americanos Goes e pelo europeu Meteosat. Complementam essas informa\u00e7\u00f5es os dados sobre temperatura, umidade, press\u00e3o e ventos coletados por radares e esta\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas de superf\u00edcie, mantidas pelo Departamento Nacional de Meteorologia do Minist\u00e9rio da Agricultura. Com base nesse conjunto de informa\u00e7\u00f5es era feita a previs\u00e3o do tempo no pa\u00eds.\n\nEm 1993, o Brasil lan\u00e7ou o SCD1 (Sat\u00e9lite de Coleta de Dados), inteiramente constru\u00eddo no pa\u00eds e destinado a coletar nove vezes ao dia, com grande confiabilidade, dados sobre mar\u00e9s, \u00edndices de chuvas e n\u00edveis de polui\u00e7\u00e3o atmosf\u00e9rica de sensores espalhados pelo pa\u00eds. Essas informa\u00e7\u00f5es permitem aos meteorologistas brasileiros fazer previs\u00f5es de at\u00e9 cinco dias de anteced\u00eancia, e superar grandemente a marca anterior, de 48 horas. O equipamento, de vida \u00fatil de um ano, \u00e9 substitu\u00eddo periodicamente e, gra\u00e7as a essa inova\u00e7\u00e3o, o Brasil passou a contribuir para a rede internacional de informa\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas de que sempre se beneficiou at\u00e9 possuir seu pr\u00f3prio sat\u00e9lite.\n\nFonte: ciencia.hsw.uol.com.br\/biomania.com\n\n&nbsp;\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Meteorologia, Instrumentos, Medi\u00e7\u00e3o, Como Medir, Como Funciona, Heli\u00f3grafo, Bar\u00f4metro, Anemosc\u00f3pio, Higr\u00f4metro, Evapor\u00edmetro, O que \u00e9, Meteorologia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6432,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-25569","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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