{"id":25565,"date":"2015-12-10T00:00:00","date_gmt":"2015-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/manguezais-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:50:00","modified_gmt":"2026-09-01T17:50:00","slug":"manguezais-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/manguezais-4\/","title":{"rendered":"Manguezais"},"content":{"rendered":"\nImportant\u00edssimos, tanto para a vida animal, como para a vida humana, os <strong>mangues ou manguezais <\/strong>constituem-se num dos mais belos e interessantes ecossistemas que existem. Apresentando formas e seres bastante singulares, o mangue desperta a aten\u00e7\u00e3o e curiosidade de todos.\n\nSua vegeta\u00e7\u00e3o adaptada \u00e0s condi\u00e7\u00f5es estuarinas \u0096 onde ocorre a mistura da \u00e1gua doce dos rios com a \u00e1gua salgada do mar, \u00e9 formada por poucas esp\u00e9cies vegetais, bem adaptadas \u00e0s condi\u00e7\u00f5es ambientais e quase sempre de apar\u00eancias ex\u00f3ticas.\n\n<strong>Entre elas destacam-se:<\/strong> mangue vermelho (Rhizophora mangue), mangue branco (Laguncularia racemosa) e mangue preto (Avicennia shaueriana).\n\n<strong>Os mangues caracterizam-se como \u00e1reas de elevada produtividade prim\u00e1ria, devido ao ac\u00famulo de mat\u00e9ria org\u00e2nica, principalmente:<\/strong> folhas, frutos e restos de animais; formando substrato rico onde desenvolvem-se bact\u00e9rias, fungos, algas e microorganismos que servem de alimentos para pequenos peixes, camar\u00f5es, crust\u00e1ceos e muitos outros seres vivos.\n\nO mangue, al\u00e9m de ser um importante segmento da cadeia alimentar, \u00e9 um verdadeiro \u0093ber\u00e7\u00e1rio\u0094 natural. \u00c9 local de prote\u00e7\u00e3o, alimenta\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o de grande n\u00famero de esp\u00e9cies de valor comercial. Nas condi\u00e7\u00f5es ambientais do mangue, os filhotes de muitas esp\u00e9cies ficam desenvolvendo-se at\u00e9 terem tamanho suficiente para viverem em outros ambientes como o mar.\n\nAl\u00e9m de sua import\u00e2ncia para as esp\u00e9cies animais, os manguezais s\u00e3o important\u00edssimos tamb\u00e9m para os seres humanos. Milhares de fam\u00edlias, em todo o Brasil, dependem direta ou indiretamente dos recursos existentes no mangue.\n\n<strong>Animais como<\/strong>: lambreta, sururu, ostra, caranguejo-u\u00e7\u00e1, guaiamum, siri, aratu e outros, s\u00e3o fontes fundamentais na alimenta\u00e7\u00e3o das fam\u00edlias que vivem pr\u00f3ximas dos mangues.\n\nAl\u00e9m da alimenta\u00e7\u00e3o dos produtos do mangue, tamb\u00e9m \u00e9 poss\u00edvel obter-se renda atrav\u00e9s da venda dos mesmos. As Marisqueiras e Coletores comercializam os produtos do mangue como forma de obter dinheiro para comprar outros itens essenciais para o lar. As crian\u00e7as, filhos destes profissionais, desde cedo j\u00e1 aprendem o \u00e1rduo, e ao mesmo tempo divertido, trabalho na lama do mangue.\n<h4><strong>LEIS QUE PROTEGEM OS MANGUES<\/strong><\/h4>\nExistem v\u00e1rios dispositivos nas leis brasileiras que protegem os manguezais, tanto na esfera federal, como na estadual e municipal. Os mangues s\u00e3o considerados \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, conforme o C\u00f3digo florestal, Lei 771, art. 2o, de 15\/09\/1965; art. 18o da Lei 6.938, de 31\/08\/1981; Decreto 89.336, de 31\/04\/1984; e resolu\u00e7\u00e3o 4 do CONAMA, de 18\/09\/1985. Assim sendo, n\u00e3o \u00e9 permitido o corte, destrui\u00e7\u00e3o ou degrada\u00e7\u00e3o dos manguezais.\n\nPor\u00e9m, na pr\u00e1tica, as leis t\u00eam-se mostrado bastante fr\u00e1geis na prote\u00e7\u00e3o efetiva dos nossos manguezais. O desconhecimento destas leis, pela grande parte da popula\u00e7\u00e3o que vive pr\u00f3xima aos mangues, tem sido um dos principais fatores que levam \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos mesmos. \u00c9 necess\u00e1rio que as popula\u00e7\u00f5es que dependem dos manguezais estejam atentas e denunciem aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, qualquer tipo de agress\u00e3o a este maravilhoso ecossistema.\n<h4>ENTRE A TERRA E O MAR<\/h4>\nO <strong>manguezal <\/strong>\u00e9 o grupo de plantas que se desenvolvem em zona litor\u00e2nea, em substrato plano, lodoso, nas margens de estu\u00e1rios (zona de encontro entre o rio e mar), enseadas, lagoas, ba\u00edas, etc.. Se trata de um tipo singular de vegeta\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea que n\u00e3o suporta geada e \u00e9 limitado \u00e0 habitats salinos ou salubres porque periodicamente s\u00e3o inundados pela mar\u00e9.\n\nO manguezal possui uma profunda capacidade de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s duras condi\u00e7\u00f5es; um solo inconsistente e salgado e a defici\u00eancia de oxig\u00eanio em virtude do alagamento pelas oscila\u00e7\u00f5es constantes da mar\u00e9.\n\nOs manguezais, que delineiam cerca de 25% dos litorais do planeta, s\u00f3 come\u00e7aram a ser valorizados a partir de d\u00e9cada de setenta, quando foram realizados os primeiros estudos atestando sua import\u00e2ncia para ecologia.\n\nO manguezal no Brasil aparece em quase toda a extens\u00e3o litor\u00e2nea.\n\nAs plantas dos manguezais tem sua localiza\u00e7\u00e3o dispersa devido a toler\u00e2ncia das esp\u00e9cies em rela\u00e7\u00e3o aos diferentes teores de salinidade e aos diversos graus de adapta\u00e7\u00e3o ao tipo de solo.\n\n<strong>Do mar para o interior do mangue, \u00e9 predominante a sucess\u00e3o dos mangues:<\/strong> vermelho, siri\u00faba e branco. O mangue vermelho \u00e9 encontrado junto ao litoral.\n\nSucessivamente vem a siri\u00faba. O mangue branco instala-se onde a salinidade \u00e9 menor.\n\nOs mangues, servem para indicar a vegeta\u00e7\u00e3o, o solo ou a esp\u00e9cie Rhizophora Mangle (mangue vermelho). As suas sementes germinam no interior do fruto, ainda preso \u00e0 planta que o formou, de tal modo que as plantinhas s\u00f3 abandonam a planta &#8220;m\u00e3e&#8221; quando t\u00eam v\u00e1rios cent\u00edmetros de comprimento, enterrando-se no solo lodoso do mangue ao ca\u00edrem.\n\nEsta nova plantinha \u00e9 capaz de flutuar e, se as condi\u00e7\u00f5es forem favor\u00e1veis (mar\u00e9 baixa), ao penetrar na lama, a sua chance de se enraizar logo \u00e9 muito grande, formando assim as ra\u00edzes advent\u00edcias.\n\nCom todas essas descri\u00e7\u00f5es feitas acima, pode-se dizer que s\u00f3 as esp\u00e9cies mais adaptadas ao meio sobrevivem. Essa adapta\u00e7\u00e3o pode se dar em v\u00e1rias caracter\u00edsticas das plantas, como as ra\u00edzes. H\u00e1 uma quantidade muito grande de ra\u00edzes a\u00e9reas, em forma de arco. Assim, elas est\u00e3o aptas para a multiplica\u00e7\u00e3o de pontos de apoio, onde elas podem tombar sem cair, resistindo a maiores press\u00f5es.\n\nAs ra\u00edzes a\u00e9reas asseguram a planta a indispens\u00e1vel area\u00e7\u00e3o (pneumat\u00f3foros, que s\u00e3o encontradas no mangue branco). Algumas &#8220;protuber\u00e2ncias&#8221; nascem verticalmente das ra\u00edzes que se desenvolvem horizontalmente sobre o lodo.\n\n&#8220;Os bosques de mangues, regados pelas mar\u00e9s, protegem os continentes da eros\u00e3o, reduzem a polui\u00e7\u00e3o das praias e, principalmente, garantem comida farta para a fauna dos oceanos.&#8221; (fonte: Super-Interessante) O mangue evita que as ondas do mar (principalmente em ressaca ou quando a mar\u00e9 esta alta) destruam tudo pela frente, ao alcan\u00e7arem a terra.\n\n&#8220;A cortina verde tramada por essas \u00e1rvores \u00e9 capaz de filtrar poluentes, o que reduz a contamina\u00e7\u00e3o das praias, impedindo que os produtos do continente sejam despejados nas \u00e1guas costeiras&#8221;. Por exemplo quando h\u00e1 desmatamento pr\u00f3ximo \u00e0s \u00e1reas litor\u00e2neas as ra\u00edzes a\u00e9reas dos mangues ret\u00eam os sedimentos do solo, impedindo que eles sejam carregados pelas \u00e1guas das chuvas e se acumulem no fundo dos mares, o que n\u00e3o permitiria a aproxima\u00e7\u00e3o de navios, por causa do risco de ficarem encalhados.\n\nUltimamente alguns manguezais vem sendo destru\u00eddos, correndo o risco de desaparecerem do mapa, devido a crescente especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria, que frequentemente aterra esses bosques. Esta destrui\u00e7\u00e3o faz com que diminuam os peixes da regi\u00e3o, prejudicando a pesca artesanal, que sustenta in\u00fameras fam\u00edlias brasileiras, n\u00e3o permitindo a realiza\u00e7\u00e3o de um de seus principais pap\u00e9is, o de fornecedor de alimento.\n\n<strong>Explica a bi\u00f3loga Yara Scheaffer-Novelli, da universidade de S\u00e3o Paulo:<\/strong> &#8220;A cadeia alimentar marinha come\u00e7a nessas florestas&#8221;, que diz que, &#8220;ao ser atacada por fungos e protozo\u00e1rios famintos, a vegeta\u00e7\u00e3o dos manguezais derruba folhas, frutos e flores, que come\u00e7am a degradar-se; no ch\u00e3o lamacento, eles se combinam com uma s\u00e9rie de prote\u00ednas e minerais transportados pela \u00e1gua doce dos rios, chuvas e len\u00e7\u00f3is fre\u00e1ticos.\n\nO calor do sol, finalmente, ajuda milh\u00f5es de micr\u00f3bios, presentes tanto no solo como na \u00e1gua salgada das mar\u00e9s, a terminarem a receita de um caldo nutritivo, que alimenta, por exemplo, os filhotes de camar\u00e3o.\n\nEssas mol\u00e9culas de nutrientes s\u00e3o arrastadas pela mar\u00e9, enquanto baixa, at\u00e9 as \u00e1reas costeiras, da\u00ed enchem a barriga de larvas e peixes pequenos que, por sua vez, alimentam esp\u00e9cies marinhas maiores e assim por diante.&#8221;\n\n<strong>A fartura de comida t\u00edpica dos manguezais torna poss\u00edvel sua super popula\u00e7\u00e3o:<\/strong> convivem ali at\u00e9 10 000 indiv\u00edduos;entre peixes, moluscos e crust\u00e1ceos; por metro quadrado.\n\nOs <strong>manguezais<\/strong> s\u00e3o ecossistemas costeiros das regi\u00f5es de clima quente do planeta. Est\u00e3o localizados na faixa entre a mar\u00e9 alta e a mar\u00e9 baixa, junto \u00e0 foz dos rios, no interior de ba\u00edas, estu\u00e1rios e outros locais protegidos da a\u00e7\u00e3o das ondas do mar, onde a \u00e1gua doce e a \u00e1gua salgada se misturam em diferentes propor\u00e7\u00f5es.\n\nOs manguezais no Brasil se estendem desde o Oiapoque, no Amap\u00e1, at\u00e9 Laguna, em Santa Catarina. Mais ao sul as temperaturas s\u00e3o muito baixas para o desenvolvimento das esp\u00e9cies do manguezal.\n\nA faixa sul-sudeste da costa do Brasil apresenta manguezais exclusivamente em ba\u00edas, estu\u00e1rios e \u00e1reas protegidas da grande energia do mar. \u00c9 o caso do complexo estuarino da regi\u00e3o de Iguape e Canan\u00e9ia, no litoral sul do estado de S\u00e3o Paulo.\n<h4>Mangue vermelho: extra\u00e7\u00e3o de tanino<\/h4>\n&#8220;Na regi\u00e3o de Canan\u00e9ia, temos tr\u00eas esp\u00e9cies de \u00e1rvores de mangue. Uma delas \u00e9 conhecida como mangue vermelho, Rhizophora mangle. A caracter\u00edstica principal dela, e mais marcante, \u00e9 a presen\u00e7a das ra\u00edzes escora ou ris\u00f3foros, que s\u00e3o adapta\u00e7\u00f5es a um sedimento pouco consolidado. Chama-se mangue vermelho porque, se rasparmos seu tronco, poderemos observar que por dentro ele \u00e9 vermelho. A casca do mangue vermelho \u00e9 utilizada para extra\u00e7\u00e3o de tanino.\n\nOutra esp\u00e9cie comum aqui na regi\u00e3o \u00e9 o mangue siri\u00faba, ou mangue preto, que \u00e9 a Avicennia schaueriana. A caracter\u00edstica marcante dessa esp\u00e9cie &#8211; e que a difere do mangue vermelho &#8211; \u00e9 a presen\u00e7a de pneumat\u00f3foros, que s\u00e3o as ra\u00edzes respirat\u00f3rias. O mangue preto tem um sistema de ra\u00edzes que chamamos de ra\u00edzes radiais, tamb\u00e9m uma adapta\u00e7\u00e3o a esse sedimento pouco consolidado. Quando a mar\u00e9 sobe, essa raiz come\u00e7a a fazer as trocas gasosas.\n<h4>Mangue branco: ra\u00edzes bem adaptadas<\/h4>\nA terceira esp\u00e9cie de \u00e1rvore de mangue que ocorre na regi\u00e3o de Canan\u00e9ia \u00e9 o mangue branco, a Laguncularia racemosa. Uma caracter\u00edstica dessa esp\u00e9cie \u00e9 a presen\u00e7a de um pec\u00edolo vermelho, que \u00e9 o cabo da folha. Essa esp\u00e9cie tamb\u00e9m tem um sistema radicular radial, adaptado ao sedimento pouco consolidado, s\u00f3 que difere um pouco pelo tamanho um pouco menor do pneumat\u00f3foro.\n\nEssas esp\u00e9cies s\u00e3o predominantes tamb\u00e9m ao longo de toda a costa brasileira.\n\nA principal diferen\u00e7a entre os manguezais brasileiros est\u00e1 em suas dimens\u00f5es. Nas regi\u00f5es norte e nordeste, onde a varia\u00e7\u00e3o dos limites entre as mar\u00e9s \u00e9 maior, o manguezal apresenta bosques com at\u00e9 30 metros de altura. A ilha do Caju, no delta do Parna\u00edba, \u00e9 uma \u00e1rea praticamente livre da a\u00e7\u00e3o humana. Apesar disso, os pesquisadores j\u00e1 detectam os sinais da falta de cuidado com as margens dos rios e com a ocupa\u00e7\u00e3o das franjas dos manguezais.\n\n&#8220;Isso aqui \u00e9 mais um banco de areia em forma\u00e7\u00e3o dentro do estu\u00e1rio. Perto daqui, temos um j\u00e1 formado. Esse sistema \u00e9 danificado por causa da deposi\u00e7\u00e3o de material silicoso. Essa deposi\u00e7\u00e3o vem do assoreamento que se verifica ao longo do rio (rio Parna\u00edba, que acompanha a divisa entre Maranh\u00e3o e Piau\u00ed), da derrubada de vegeta\u00e7\u00e3o e consequente carrea\u00e7\u00e3o desse material para o estu\u00e1rio. Com essa deposi\u00e7\u00e3o, deixa de haver a presen\u00e7a das bact\u00e9rias que deveriam fazer a decomposi\u00e7\u00e3o de mat\u00e9ria org\u00e2nica para formar novas prote\u00ednas. &#8221;\n\nE o material org\u00e2nico daqui &#8211; as folhas do manguezal e o pr\u00f3prio res\u00edduo urbano, industrial e dom\u00e9stico das cidades &#8211; \u00e9 todo carreado para o mar.\n\n<strong>Esse tipo de delta de mar aberto (delta do rio Parna\u00edba) tem esse problema<\/strong>: por ser de mar aberto, o delta n\u00e3o tem pequenos igarap\u00e9s, que favoreceriam o processo de transforma\u00e7\u00e3o dessa mat\u00e9ria org\u00e2nica em nitrog\u00eanio e enxofre para as novas prote\u00ednas. O material org\u00e2nico \u00e9 diretamente perdido para o mar. A falta de prote\u00ednas ocasiona a perda de biomassa e todas as popula\u00e7\u00f5es s\u00e3o diminu\u00eddas.\n\n<strong>Isso quer dizer o seguinte: <\/strong>o h\u00e1bitat natural de uma conchinha, por exemplo, \u00e9 em sedimento lodoso. Nos locais em que j\u00e1 houve deposi\u00e7\u00e3o de material silicoso, observa-se uma grande quantidade de valvas abertas, mortas. A popula\u00e7\u00e3o delas seria muito maior, n\u00e3o fosse a deposi\u00e7\u00e3o irregular do material silicoso carreado pelo rio&#8221;.\n\nAinda em fun\u00e7\u00e3o do trabalho de preserva\u00e7\u00e3o da ilha do Caju, \u00e9 poss\u00edvel encontrar uma fauna rica e bem desenvolvida, como os belos caranguejos-u\u00e7\u00e1.\n\n<strong>A produ\u00e7\u00e3o dos manguezais do delta do Parna\u00edba ainda \u00e9 muito grande:<\/strong> os catadores da regi\u00e3o fornecem caranguejos para todo o norte e nordeste, com algumas sobras para exporta\u00e7\u00e3o. Mas a maior parte da produ\u00e7\u00e3o de carne de caranguejos na regi\u00e3o \u00e9 processada ainda em regime familiar, gerando uma renda insuficiente.\n\nFoi a explora\u00e7\u00e3o predat\u00f3ria do manguezal, associada \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o do h\u00e1bitat, que praticamente esgotou a produ\u00e7\u00e3o de caranguejos na regi\u00e3o de Recife, em Pernambuco. A captura \u00e9 feita, muitas vezes, com redes de pl\u00e1stico que emaranham os animais e matam indiferentemente filhotes machos e f\u00eameas. O resultado \u00e9 o empobrecimento da energia produtiva do ecossistema e da popula\u00e7\u00e3o que vive em torno do manguezal.\n\nA lama escura do manguezal \u00e9 banhada pelas \u00e1guas salobras do estu\u00e1rio. Quando a mar\u00e9 recua, os caranguejos saem da toca. Eles realizam um importante trabalho de movimenta\u00e7\u00e3o constante do sedimento do manguezal, construindo galerias e trazendo para a superf\u00edcie parte dos sedimentos, rica em nutrientes, que vai ser transportada pelas \u00e1guas do estu\u00e1rio na pr\u00f3xima mar\u00e9.\n\nSe a captura de caranguejos for muito superior \u00e0 capacidade de reprodu\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, o manguezal perder\u00e1 um elo muito importante da sua cadeia alimentar.\n\n\u00c9 verdade que os caranguejos se reproduzem em boa quantidade, mas \u00e9 importante encontrar um ponto de equil\u00edbrio, uma forma sustent\u00e1vel de explorar esse recurso do ecossistema.\n\nO termo<strong> manguezal<\/strong> \u00e9 utilizado para descrever uma variedade de comunidades costeiras tropicais dominadas por esp\u00e9cies vegetais, arb\u00f3reas ou arbustivas que conseguem crescer em solos com alto teor de sal.\n\nO termo &#8220;mangue&#8221; origina-se do voc\u00e1bulo Malaio, &#8220;manggimanggi&#8221; e do ingl\u00eas mangrove, servindo para descrever as esp\u00e9cies vegetais que vivem no manguezal.\n<h4>Import\u00e2ncia dos Manguezais<\/h4>\nOs <strong>manguezais <\/strong>s\u00e3o ecossistemas de grande import\u00e2ncia no equil\u00edbrio ecol\u00f3gico, sendo um ber\u00e7\u00e1rio favor\u00e1vel para o desenvolvimento de muitas esp\u00e9cies de animais e plantas. \u00c9 muito valioso o estudo do manguezal, principalmente para a preserva\u00e7\u00e3o deste meio. O primeiro contato com um ecossistema de manguezal pode deixar muitas pessoas desapontadas, por\u00e9m, com o conhecimento desse local t\u00e3o cheio de vida pode-se ter uma vis\u00e3o completamente diferente. S\u00f3 quem vivencia diariamente das riquezas de um manguezal sabe o quanto \u00e9 importante a sua preserva\u00e7\u00e3o.\n\nV\u00e1rios produtos podem ser obtidos dos manguezais como rem\u00e9dios, \u00e1lcool, ado\u00e7antes, \u00f3leos, tanino, etc&#8230; Sua \u00e1rea pode ser utilizada para turismo ecol\u00f3gico, educa\u00e7\u00e3o ambiental, apicultura, piscicultura e cria\u00e7\u00e3o de outras esp\u00e9cies marinhas, al\u00e9m de sua principal fun\u00e7\u00e3o que \u00e9 o de ser ber\u00e7\u00e1rio de v\u00e1rias esp\u00e9cies vegetais e animais.\n\nAs \u00e1reas dos manguezais s\u00e3o, portanto, de extrema import\u00e2ncia para as popula\u00e7\u00f5es, uma vez que delas prov\u00e9m boa parte das prote\u00ednas (mariscos e peixes), t\u00e3o essenciais para a subsist\u00eancia. Curandeiras empregam diferentes produtos vegetais fazendo uso de suas propriedades bactericidas e adstringentes na cura de v\u00e1rias mol\u00e9stias comuns ao ambiente. O tanino, produto obtido da casca das \u00e1rvores, serve para proteger as redes e as velas das embarca\u00e7\u00f5es.\n\nComo se pode notar o manguezal tem muito a oferecer por\u00e9m, o seu potencial deve ser utilizado de maneira racional, de forma sustentada, atendendo \u00e0s suas necessidades de recomposi\u00e7\u00e3o como per\u00edodo de desovas, perflora\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies vegetais, entre outras&#8230;\n\nEm todo litoral brasileiro, a pesca do camar\u00e3o \u00e9 uma das importantes atividades econ\u00f4micas, tanto no campo da pesca artesanal como no da industrial. Al\u00e9m dos camar\u00f5es, outros invertebrados s\u00e3o explorados comercialmente como Iphigenia brasiliensis, Lucina pectinata, Anomalocardia brasiliana, Mytella falcata, Crassostrea brasiliana, Tagelus plebeius, Ucides cordatus, Cardisoma guanhumi e Callinectes danae, todos oriundos dos manguezais.\n<h4>Clima<\/h4>\nEmbora seja um ecossistema tropical, tamb\u00e9m pode ocorrer em climas temperados, sendo normalmente substitu\u00eddo por outros ecossistemas mais adequados \u00e0s altas latitudes, como as marismas.\n\n<strong>Quanto a temperatura e a precipita\u00e7\u00e3o pluvial, as condi\u00e7\u00f5es ideais para desenvolvimento dos manguezais est\u00e3o pr\u00f3ximas \u00e0s seguintes: <\/strong>\n<blockquote>Temperaturas m\u00e9dias acima de 20o C; M\u00e9dia das temperaturas m\u00ednimas n\u00e3o inferior a 15o C; Amplitude t\u00e9rmica anual menor que 5o C;* Precipita\u00e7\u00e3o pluvial acima de 1.500 mm\/ano, sem prolongados per\u00edodos de seca. * Este item ainda esta sobre estudo, pois h\u00e1 manguezais bem representativos com maiores amplitudes t\u00e9rmicas.<\/blockquote>\n<h4>Salinidade<\/h4>\nA salinidade intersticial \u00e9 um par\u00e2metro de grande import\u00e2ncia uma vez que pode interferir no desenvolvimento de plantas, altura das \u00e1rvores e diminui\u00e7\u00e3o das folhas. As esp\u00e9cies vegetais dos manguezais s\u00e3o plantas hal\u00f3fitas, pr\u00f3prias de ambientes salinos. Embora essas plantas possam se desenvolver em ambientes livres da presen\u00e7a do sal, em tais condi\u00e7\u00f5es n\u00e3o ocorre forma\u00e7\u00e3o de bosques, pois perdem espa\u00e7o na competi\u00e7\u00e3o com plantas de crescimento r\u00e1pido, melhor adaptadas \u00e0 presen\u00e7a de \u00e1gua doce.\n<h4>Vegeta\u00e7\u00e3o<\/h4>\nAs esp\u00e9cies constituintes dos manguezais correspondem a um n\u00famero limitado de fam\u00edlias (umas 13) que compreendem de 18 a 20 g\u00eaneros. Cada g\u00eanero pode estar representado por uma ou por v\u00e1rias esp\u00e9cies e neste \u00faltimo caso as esp\u00e9cies diferem morfologicamente pouco entre s\u00ed, isto indica que o fator ecol\u00f3gico \u00e9 uma for\u00e7a t\u00e3o consider\u00e1vel, que conseguiu imprimir a esp\u00e9cies de diversas origens taxon\u00f4micas, uma morfologia especial e bastante homog\u00eanea que as distingue das demais. Por outro lado o extremismo das condi\u00e7\u00f5es ecol\u00f3gicas e sua homogeneidade atrav\u00e9s da imensa \u00e1rea tropical e a especializa\u00e7\u00e3o pouco desenvolvida.\n\nAs esp\u00e9cies variam latitudinalmente, em decorr\u00eancia do clima e \u00edndices pluviom\u00e9tricos.\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manguezais\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mangue51.jpg\" alt=\"Manguezais\" width=\"291\" height=\"221\" \/><\/p>\n\n<h4><strong>Caracter\u00edsticas Gerais <\/strong><\/h4>\nOs <strong>mangues<\/strong> ocupam no litoral uma \u00e1rea de 25000 Km2, distribu\u00eddos ao longo do litoral (desde o Amap\u00e1, at\u00e9 Santa Catarina).\n\nO manguezal \u00e9 um ambiente sujeito a processos marinhos, estuarino e lagunar, podendo ser alterado representativamente pela modifica\u00e7\u00e3o de processos hidrol\u00f3gicos e hidrodin\u00e2micos, interagentes de sedimenta\u00e7\u00e3o e de &#8220;sistemas vizinhos&#8221;.\n\nOs bosques de manguezal variam segundo a latitude, o meio f\u00edsico, a hidrografia e a atmosfera, garantindo a variedade bot\u00e2nica e zool\u00f3gica.\n\nS\u00e3o cerca de 60 tipos de \u00e1rvores diferentes e outras 20 associa\u00e7\u00f5es oferecendo suporte a mais de 200 esp\u00e9cies animais em todo o mundo.\n\nO estabelecimento do ecossistema, onde se instalam \u00e1rvores e arbustos caracter\u00edsticos dos mangues, est\u00e1 vinculado \u00e0 exist\u00eancia de redutores de sedimenta\u00e7\u00e3o fina que formam um solo fluido e pouco compactado, dificultando a sustenta\u00e7\u00e3o, um solo pouco oxigenado na superf\u00edcie e desprovido de oxig\u00eanio abaixo dela.\n\nO substrato \u00e9 retido pelas ra\u00edzes e troncos das \u00e1rvores, absorvendo a mat\u00e9ria org\u00e2nica produzida por cada unidade.\n<h4><strong>DEGRADA\u00c7\u00c3O <\/strong><\/h4>\nOs mais graves efeitos provocados pela superutiliza\u00e7\u00e3o humana dos manguezais s\u00e3o os que acarretam um desmatamento em larga escala. H\u00e1 destrui\u00e7\u00e3o total das \u00e1rvores para uso de lenha e carv\u00e3o.\n\nSe o processo de desmatamento se associar ao uso de m\u00e1quinas e ao aterramento, remove-se e a terra (com sementes e pl\u00e2ntulas) e a re-coloniza\u00e7\u00e3o da \u00e1rea se torna praticamente imposs\u00edvel.\n\nAs retifica\u00e7\u00f5es de drenagem para evitar inunda\u00e7\u00f5es locais alteram a rede de drenagem, a jusante do mangue ou em seu interior, causando ressecamento.\n\nEm \u00e1reas de desenvolvimento industrial e agr\u00edcola, metais pesados, petr\u00f3leo e seus derivados, pesticidas e herbicidas, quando atingem \u00e1reas estuarinas e costeiras a elevadas concentra\u00e7\u00f5es, causam disfun\u00e7\u00f5es enzim\u00e1ticas em animais e plantas, causando a poss\u00edvel morte dos manguezais.\n<h4><strong>Caracter\u00edsticas gerais e distribui\u00e7\u00e3o dos mangues<\/strong><\/h4>\nOs <strong>manguezais ou mangues<\/strong> s\u00e3o biomas litor\u00e2neos, onde o solo \u00e9 lodoso e salgado. Formam-se junto a desembocaduras de rios e em litorais protegidos da a\u00e7\u00e3o direta do mar, tais como ba\u00edas de \u00e1guas paradas ou litorais guarnecidos por dique de areia. Durante a mar\u00e9 cheia, o solo do mangue fica coberto por \u00e1gua salobra.\n\nOs manguezais se estendem por toda a costa brasileira, com interrup\u00e7\u00e3o nas regi\u00f5es de litoral rochoso. Existem mangues bem desenvolvidos no Par\u00e1, Amazonas, Maranh\u00e3o, Bahia, Rio Grande no Norte, S\u00e3o Paulo e Paran\u00e1.\n\nOs Manguezais n\u00e3o se restringem estritamente \u00e0 orla mar\u00edtima, mas podem penetrar v\u00e1rios quil\u00f4metros no continente, seguindo o curso dos rios cujas \u00e1guas se misturam com o mar durante as mar\u00e9s cheias. Em Bel\u00e9m (PA) e S\u00e3o Lu\u00eds (MA), a vegeta\u00e7\u00e3o t\u00edpica de mangue penetra at\u00e9 cerca de 40 Km pelo interior.\n\nMangues internos tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados no litoral sul de S\u00e3o Paulo, na regi\u00e3o de Canan\u00e9ia, e no litoral norte do Paran\u00e1, nas regi\u00f5es de Ararapira e do Parque Nacional do Superagui.\n\nA distribui\u00e7\u00e3o t\u00e3o ampla dos manguezais, em estados do norte e do sul, mostra que esse bioma \u00e9 pouco afetado pelo clima, e suas caracter\u00edsticas se devem predominantemente a fatores ed\u00e1ficos, isto \u00e9, relativos ao solo.\n\nEste \u00e9 formado por areia fina e lodo e apresenta teor variado de sal, dependendo de sua proximidade e contato com a \u00e1gua do mar. Pelo fato de estar constantemente salgado, o solo do mangue \u00e9 pobre em g\u00e1s oxig\u00eanio, o que determina a sobreviv\u00eancia apenas de bact\u00e9rias anaer\u00f3bicas produtoras de g\u00e1s sulf\u00eddrico, que lhe confere um cheiro caracter\u00edstico.\n<h4><strong>Vegeta\u00e7\u00e3o e fauna<\/strong><\/h4>\n<strong>Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 vegeta\u00e7\u00e3o predominante, a popula\u00e7\u00e3o cai\u00e7ara distingue tr\u00eas tipos de manguezal:<\/strong>\n<blockquote><strong>a)<\/strong> o &#8220;mangue-vermelho&#8221;, em que predomina a esp\u00e9cie Rhizophora mangue popularmente conhecida como &#8220;mangue-bravo&#8221;; <strong> b)<\/strong> o &#8220;mangue- branco&#8221;, em que predomina a esp\u00e9cie lagunaria racemosa, popularmente chamada &#8220;mangue-manso&#8221;; <strong> c)<\/strong> o &#8220;mangue-seriba&#8221;ou &#8220;mangue-siri\u00faba&#8221;, em que predominam esp\u00e9cies do g\u00eanero Avicennia.<\/blockquote>\nEsses tr\u00eas tipos de mangue est\u00e3o presentes, juntos ou separados, nas diversas regi\u00f5es do Brasil. N\u00e3o h\u00e1 vegeta\u00e7\u00e3o rasteira nos manguezais, e s\u00e3o poucas as plantas ep\u00edfitas presentes, entre elas algumas orqu\u00eddeas e bromeli\u00e1ceas.\n\nO &#8220;mangue-vermelho&#8221; Rhizophora mangle \u00e9 um arbusto facilmente identificado por suas ra\u00edzes de formato arqueado, que apoiam a planta no ch\u00e3o, aumentando sua \u00e1rea de sustenta\u00e7\u00e3o &#8212; uma n\u00edtida adapta\u00e7\u00e3o ao solo pouco firme do manguezal. Rhizophora mangle atinge, normalmente, entre 3 e 6 m de altura, mas em mangues mais internos, pode chegar a 12 m.\n\nA Avicennia tomentosa, popularmente chamada &#8220;siri\u00faba&#8221;, ocorre mais frequentemente nos manguezais pr\u00f3ximos \u00e0 orla mar\u00edtima. Sua principal caracter\u00edstica \u00e9 apresentar ra\u00edzes cujas extremidades afloram perpendicularmente ao solo, os pneumat\u00f3foros Uma adapta\u00e7\u00e3o curiosa apresentada pela Avicennia tomentosa \u00e9 a germina\u00e7\u00e3o da semente dentro do fruto, ainda preso \u00e0 planta-m\u00e3e.\n\nA jovem planta resultante da germina\u00e7\u00e3o tem uma raiz reta e duas folhas opostas, assumindo o aspecto de um dardo. Ao cair, a raiz se orienta perpendicularmente e penetra, como uma seta, no solo lodoso. Essa adapta\u00e7\u00e3o garante que a semente n\u00e3o seja sepultada pelo lodo salgado.\n\nOutra adapta\u00e7\u00e3o curiosa das plantas do manguezal \u00e9 o alto potencial osm\u00f3tico de suas c\u00e9lulas, muito maior do que o das c\u00e9lulas de plantas que vivem em outras regi\u00f5es. Trata-se de uma adapta\u00e7\u00e3o fisiol\u00f3gica relacionada com a absor\u00e7\u00e3o de \u00e1gua pelas ra\u00edzes.\n\nGra\u00e7as ao potencial osm\u00f3tico elevado, as plantas do mangue desenvolveram alto poder de suc\u00e7\u00e3o celular, o que \u00e9 necess\u00e1rio para retirar, por osmose, \u00e1gua do solo salgado.\n\nNos manguezais vivem diversas esp\u00e9cies de caranguejos e moluscos. Tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas aves aqu\u00e1ticas, entre as quais gar\u00e7as e diversas esp\u00e9cies de p\u00e1ssaros.\n\n<strong>O que \u00e9<\/strong>\n\nOs <strong>manguezais<\/strong> s\u00e3o ecossistemas que portam comunidades vegetais t\u00edpicas de ambientes alagados, resistentes \u00e0 alta salinidade da \u00e1gua e do solo. Colonizam as costas tropicais e subtropicais, estando presentes nas Am\u00e9ricas, \u00c1frica, \u00c1sia e Oceania.\n\nNo Brasil, os manguezais ocorrem desde o Cabo Orange no Amap\u00e1, at\u00e9 a cidade de Laguna em Santa Catarina.\n\n<strong>No passado, a extens\u00e3o dos manguezais brasileiros era muito maior<\/strong>: muitos portos, ind\u00fastrias, loteamentos e rodovias costeiras foram desenvolvidos em \u00e1reas de manguezal.\n\nOs manguezais n\u00e3o s\u00e3o muito ricos em esp\u00e9cies, por\u00e9m, destacam-se pela grande abund\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es que neles vivem. Por isso podem ser considerados uns dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.\n\nO estu\u00e1rio \u00e9 a faixa de transi\u00e7\u00e3o entre os ambientes terrestre e marinho. \u00c9 onde a \u00e1gua salgada do mar se encontra com a \u00e1gua doce do rio. Dessa mistura surge um solo alagado, salino, rico em nutrientes e em mat\u00e9ria org\u00e2nica.\n\nPoucas plantas est\u00e3o aptas a sobreviver num local inundado pelo mar e com pouco oxig\u00eanio, mas isso n\u00e3o impede que florestas cres\u00e7am na \u00e1gua salobra. Os manguezais t\u00eam diferentes tipos de \u00e1rvores, como o mangue vermelho, mangue branco, mangue preto e o mangue bot\u00e3o.\n\nEm apenas cinco anos, uma \u00e1rvore de mangue fica adulta e reproduz, podendo chegar a 20 metros de altura. Suas ra\u00edzes s\u00e3o capazes de passar per\u00edodos ficando cobertas pela \u00e1gua do mar e conseguir o oxig\u00eanio que n\u00e3o encontram no solo.\n\n\u00c9 o caso das ra\u00edzes chamadas &#8216;pneumat\u00f3foros&#8217;, que deixam uma ponta fora da lama, ajudando a planta a &#8216;respirar&#8217;. Brom\u00e9lias e orqu\u00eddeas s\u00e3o outras esp\u00e9cies da flora do manguezal. Quanto a fauna, destacam-se as v\u00e1rias esp\u00e9cies de caranguejos, formando enormes popula\u00e7\u00f5es nos fundos lodosos.\n\nNos troncos submersos encontram-se v\u00e1rios animais filtradores, tais como as ostras. Uma grande variedade de peixes penetra nos manguezais na mar\u00e9 alta. Muito dos peixes que constituem o estoque pesqueiro das \u00e1guas costeiras dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem.\n\nPor esse motivo o manguezal \u00e9 considerado o &#8216;ber\u00e7\u00e1rio do mar&#8217;.\n\nDiversas esp\u00e9cies de aves comedoras de peixes e de invertebrados marinhos fazem seus ninhos nas \u00e1rvores do manguezal, alimentando-se especialmente na mar\u00e9 baixa, quando os fundos lodosos s\u00e3o expostos.\n\n<strong>Os manguezais fornecem rica alimenta\u00e7\u00e3o prot\u00e9ica para a popula\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea:<\/strong> a pesca artesanal de peixes, camar\u00f5es, caranguejos e moluscos \u00e9 para os moradores do litoral uma das principais fontes de subsist\u00eancia.\n\nA destrui\u00e7\u00e3o gratuita, a polui\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e qu\u00edmica das \u00e1guas, derramamento de petr\u00f3leo e aterros mal planejados, s\u00e3o os grandes inimigos do manguezal. A vegeta\u00e7\u00e3o do manguezal enriquece e mant\u00e9m a produtividade das \u00e1guas costeiras pr\u00f3ximas, sustentando os estoques de camar\u00f5es e de peixes os quais o homem captura para seu consumo.\n\nA fauna do manguezal, possuindo um grande valor nutritivo e econ\u00f4mico para o homem, atrai popula\u00e7\u00f5es humanas que se instalam nas proximidades do manguezal. As comunidades ribeirinhas mant\u00eam rela\u00e7\u00e3o de grande depend\u00eancia com os recursos oferecidos pelo manguezal.\n\nMulheres e crian\u00e7as saem durante a mar\u00e9 baixa \u00e0 procura de mariscos, tanto daqueles que se enterram na lama, como das ostras presas nas ra\u00edzes do mangue vermelho. Enquanto isso os homens pescam nas \u00e1guas protegidas dos estu\u00e1rios.\n\nEsses agrupamentos populacionais s\u00e3o pobres e, de um modo geral n\u00e3o recebem apoio dos \u00f3rg\u00e3os governamentais. Entretanto, para que os recursos do manguezal sejam utilizados racionalmente, de forma sustentada, \u00e9 preciso que o homem entenda melhor o funcionamento desse ambiente.\n\nDeve-se evitar fatos comuns hoje em dia, como a captura de caranguejos durante a \u00e9poca de reprodu\u00e7\u00e3o, pois justamente nessa fase que ficam mais expostos tornando-se presa f\u00e1cil.\n\n<strong>Assim, a conserva\u00e7\u00e3o dos manguezais nos leva a duas quest\u00f5es<\/strong>: a social e a ambiental.\n\nA import\u00e2ncia social mostra que muitas pessoas vivem do manguezal e dependem desse ambiente para sobreviver. Por exemplo, s\u00f3 em Pernambuco, mais de 20 mil fam\u00edlias de pescadores sobrevivem da pesca artesanal e da coleta de moluscos e crust\u00e1ceos.\n\nA import\u00e2ncia ambiental mostra que o manguezal \u00e9 uma verdadeira &#8216;maternidade e ber\u00e7\u00e1rio&#8217; de v\u00e1rias esp\u00e9cies. Um determinado impacto que esteja afetando o manguezal pode desencadear o surgimento de outros, ao longo do tempo. O ac\u00famulo de subst\u00e2ncias t\u00f3xicas no ambiente pode ter seus efeitos multiplicados atingindo inclusive a sa\u00fade humana.\n<blockquote>Mangue Vermelho (Rhizophora mangle) Mangue Branco ou Mangue-Verdadeiro (Languncularia racemosa) S\u00edriba, ou Siri\u00faba (Avicennia schaueriana) tamb\u00e9m Mangue-Preto. Mangue-Preto (Avicennia germinans) Mangue-de-Bot\u00e3o, Bolota (Comacarpus erectus) Pratur\u00e1 (Spartina)<\/blockquote>\nA costa brasileira apresenta, numa superf\u00edcie de cerca de 20 mil km2, desde o Cabo Orange, no Amap\u00e1, at\u00e9 o munic\u00edpio de Laguna, em Santa Catarina, uma estreita faixa de floresta chamada manguezal ou mangue. Este \u00e9 composto por um pequeno n\u00famero de esp\u00e9cies de \u00e1rvores e desenvolve-se principalmente nos estu\u00e1rios e na foz dos rios, onde h\u00e1 \u00e1gua salobra e local semi-abrigado da a\u00e7\u00e3o das ondas, mas aberto para receber a \u00e1gua do mar.\n\nTrata-se de ambiente com bom abastecimento de nutrientes, onde, sob os solos lodosos, h\u00e1 uma textura de ra\u00edzes e material vegetal parcialmente decomposto, chamado turfa. Nos estu\u00e1rios, os fundos lodosos s\u00e3o atravessados por canais de mar\u00e9s (gamboas), utilizados pela fauna para os seus deslocamentos entre o mar, os rios e o manguezal.\n\nO Brasil tem uma das maiores extens\u00f5es de manguezais do mundo.\n\nMenosprezado no passado, pois a presen\u00e7a do mangue estava intimamente associada \u00e0 febre amarela e \u00e0 mal\u00e1ria, enfermidades j\u00e1 controladas, a palavra mangue, infelizmente, adquiriu o sentido de desordem, sujeira ou local suspeito.\n\nO manguezal foi durante muito tempo considerado um ambiente in\u00f3spito pela presen\u00e7a constante de borrachudos, mosquitos p\u00f3lvora e mutucas. As florestas escuras, barrentas, sem atrativos est\u00e9ticos e infectadas por insetos molestantes fez com que, at\u00e9 meados da d\u00e9cada de 70, se pensasse que o progresso do litoral marinho fosse equivalente a praias limpas, aterros saneados, portos confinados por concreto e experimentos de cultivo para aproveitar os terrenos dos velhos manguezais.\n\nEmbora seja grande a import\u00e2ncia econ\u00f4mica e social do manguezal, este enfoque foi em parte respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o de portos, balne\u00e1rios e rodovias costeiras em suas \u00e1reas, diminuindo a extens\u00e3o dos mangues.\n\nAo contr\u00e1rio de outras florestas, os manguezais n\u00e3o s\u00e3o ricos em esp\u00e9cies, por\u00e9m destacam-se pela grande abund\u00e2ncia das popula\u00e7\u00f5es que neles vivem. Por isso podem ser considerados um dos mais produtivos ambientes naturais do Brasil.\n\n<strong>Somente tr\u00eas \u00e1rvores constituem as florestas de mangue:<\/strong> o mangue vermelho ou bravo, o mangue branco e o mangue seriba ou seriuba.\n\n<strong>Vivem na zona das mar\u00e9s, apresentando uma s\u00e9rie de adapta\u00e7\u00f5es:<\/strong> ra\u00edzes respirat\u00f3rias (que abastecem com oxig\u00eanio as outras ra\u00edzes enterradas e diminuem o impacto das ondas da mar\u00e9), capacidade de ultrafiltragem da \u00e1gua salobra e desenvolvimento das pl\u00e2ntulas na planta materna, para serem posteriormente dispersas pela \u00e1gua do mar.\n\nA flora do manguezal pode ser acrescida de poucas esp\u00e9cies, como a samambaia do mangue, a gram\u00ednea Spartina, a brom\u00e9lia Tillandsia usneoides, o l\u00edquen Usnea barbata (as duas \u00faltimas conhecidas como barba de velho e muito semelhantes entre si) e o hibisco.\n\nNo Norte do Pa\u00eds, as espessas florestas de mangue apresentam \u00e1rvores que podem atingir 20 metros de altura. Na regi\u00e3o Nordeste h\u00e1 um tipo de manguezal conhecido como &#8220;mangue seco&#8221;, com \u00e1rvores de pequeno porte em um substrato de alta salinidade. J\u00e1 no Sudoeste brasileiro, apresenta aspecto de bosque de arbustos.\n\nO ch\u00e3o escuro do mangue \u00e9 coberto por \u00e1gua na preamar. Ricas comunidades de algas crescem sobre as ra\u00edzes a\u00e9reas das \u00e1rvores, na faixa coberta pela mar\u00e9, e, entre elas, encontram-se algas vermelhas, verdes e azuis. Os troncos permanentemente expostos e as copas das \u00e1rvores s\u00e3o pobres em plantas ep\u00edfitas. Bact\u00e9rias e fungos decomp\u00f5em as folhas do manguezal e a cadeia alimentar \u00e9 baseada no uso dos detritos resultantes desta decomposi\u00e7\u00e3o.\n\nQuanto \u00e0 fauna, destacam-se v\u00e1rias esp\u00e9cies de caranguejos, formando enormes popula\u00e7\u00f5es nos fundos lodosos. As ostras, mexilh\u00f5es, berbig\u00f5es e cracas se alimentam filtrando da \u00e1gua os pequenos fragmentos de detritos vegetais, ricos em bact\u00e9rias. H\u00e1 tamb\u00e9m esp\u00e9cies de moluscos que perfuram a madeira dos troncos de \u00e1rvores, construindo ali os seus tubos calc\u00e1rios e se alimentando de microorganismos que decomp\u00f5em a lignina dos troncos, auxiliando a renova\u00e7\u00e3o natural do ecossistema atrav\u00e9s da queda de \u00e1rvores velhas, muito perfuradas.\n\nOs camar\u00f5es tamb\u00e9m entram nos mangues durante a mar\u00e9 alta para se alimentar.\n\nMuitas das esp\u00e9cies de peixes do litoral brasileiro dependem das fontes alimentares do manguezal, pelo menos na fase jovem. Entre eles est\u00e3o bagres, robalos, manjubas e tainhas. A riqueza de peixes atrai predadores, como algumas esp\u00e9cies de tubar\u00f5es, ca\u00e7\u00f5es e at\u00e9 golfinhos. O jacar\u00e9 de papo amarelo e o sapo Bufo marinus podem, ocasionalmente, ser encontrados.\n\nAves t\u00edpicas s\u00e3o poucas, devido \u00e0 pequena diversidade flor\u00edstica; entretanto, algumas esp\u00e9cies usam as \u00e1rvores do mangue como pontos de observa\u00e7\u00e3o, de repouso e de nidifica\u00e7\u00e3o. Estas aves se alimentam de peixes, crust\u00e1ceos e moluscos, especialmente na mar\u00e9 baixa, quando os fundos lodosos est\u00e3o expostos.\n\nEntre os mam\u00edferos, o coati \u00e9 especialista em alimentar-se de caranguejos. A lontra, h\u00e1bil pescadora, \u00e9 frequente, assim como o guaxinim.\n\nOs manguezais, usados pelos homens dos sambaquis h\u00e1 mais de 7 mil anos e, a partir de ent\u00e3o, pelas popula\u00e7\u00f5es que os sucederam, fornecem uma rica alimenta\u00e7\u00e3o proteica para a popula\u00e7\u00e3o litor\u00e2nea brasileira. A pesca artesanal de peixes, camar\u00f5es, caranguejos e moluscos \u00e9 para os moradores do litoral a principal fonte de subsist\u00eancia.\n\nEmbora protegido por lei, o manguezal ainda sofre com a destrui\u00e7\u00e3o gratuita, polui\u00e7\u00e3o dom\u00e9stica e qu\u00edmica das \u00e1guas, derramamentos de petr\u00f3leo e aterros mal planejados.\n\nLama, lodo, \u00e1guas escuras, caranguejos e mosquitos. Lugares insalubres e prop\u00edcios \u00e0 dissemina\u00e7\u00e3o de doen\u00e7as. Assim eram vistos os manguezais, um importante ecossistema existente no Brasil e em outras regi\u00f5es tropicais do mundo. O processo de ocupa\u00e7\u00e3o humana no litoral brasileiro provocou, principalmente at\u00e9 meados do s\u00e9culo XX, um enorme impacto neste ecossistema. Aterros e desmatamentos, em fun\u00e7\u00e3o da expans\u00e3o urbana e industrial, reduziram drasticamente as \u00e1reas de manguezal. O desconhecimento sobre a import\u00e2ncia deste ecossistema fez com que grandes \u00e1reas de manguezal fossem destru\u00eddas at\u00e9 como forma de melhorar o visual da cidade.\n\nNa tentativa de mudar este quadro, o manguezal \u00e9 hoje, de acordo com a Lei Federal n.\u00ba 4771, \u00c1rea de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente. Por\u00e9m, apesar disso, este importante ecossistema continua sendo amea\u00e7ado, principalmente devido \u00e0 falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o e de planos de recupera\u00e7\u00e3o por parte das autoridades competentes. Mas por que preservar os manguezais? Por que este ecossistema \u00e9 t\u00e3o importante?\n<h4><strong>Caracter\u00edsticas e adapta\u00e7\u00f5es<\/strong><\/h4>\nO <strong>manguezal<\/strong> \u00e9 um ecossistema costeiro, que ocorre apenas em lugares com influ\u00eancia de mar\u00e9s e de \u00e1gua salobra, mistura de \u00e1gua doce e salgada. Por isso \u00e9 comum encontrarmos este ecossistema em regi\u00f5es estuarinas (local onde um rio des\u00e1gua no mar), em lagoas e ba\u00edas. Eles tamb\u00e9m s\u00f3 ocorrem em pontos da costa onde h\u00e1 dep\u00f3sito de sedimento fino, a argila, da\u00ed os manguezais estarem sempre associados \u00e0 lama. \u00c9 um ecossistema altamente produtivo, principalmente devido ao grande aporte de nutrientes vindos dos rios que se depositam em seu sedimento. O manguezal \u00e9 um ecossistema exclusivamente tropical. No Brasil eles ocorrem praticamente ao longo de toda a costa, desde o Amap\u00e1 at\u00e9 Santa Catarina.\n\nOs mangues, plantas que comp\u00f5em o manguezal, dominam a paisagem deste ecossistema.\n\n<strong>No Brasil ocorrem apenas tr\u00eas g\u00eaneros e na regi\u00e3o sudeste apenas tr\u00eas esp\u00e9cies:<\/strong> mangue vermelho (Rhizophora mangle), mangue preto ou seriba (Avicennia schaueriana) e mangue branco (Laguncularia racemosa). Al\u00e9m destas tr\u00eas esp\u00e9cies, algumas brom\u00e9lias, orqu\u00eddeas e liquens tamb\u00e9m est\u00e3o presentes e outras esp\u00e9cies arb\u00f3reas s\u00e3o encontradas nas \u00e1reas de transi\u00e7\u00e3o com outros ecossistemas, como o algodoeiro-da-praia (Hibiscus pernambucensis).\n\nA baixa diversidade da flora do manguezal, em contraste com a mata atl\u00e2ntica por exemplo, se deve \u00e0s condi\u00e7\u00f5es abi\u00f3ticas \u00e0s quais este ecossistema est\u00e1 submetido.\n\nPoucas esp\u00e9cies apresentam adapta\u00e7\u00f5es para sobreviver num ambiente com uma s\u00e9rie de caracter\u00edsticas estressantes como o manguezal.\n\nPor estar recebendo influ\u00eancia de \u00e1gua salobra, tanto as \u00e1guas quanto o sedimento apresentam altos teores de sal, que s\u00e3o incorporados pelos organismos. O sal, se estiver muito concentrado, pode se tornar t\u00f3xico para esses organismos, principalmente para as plantas. As esp\u00e9cies vegetais do manguezal apresentam adapta\u00e7\u00f5es para eliminar o excesso de sal atrav\u00e9s de estruturas chamadas gl\u00e2ndulas de sal presentes em suas folhas. Quem estiver visitando um manguezal, pode verificar este fato lambendo uma folha de mangue e sentindo o gosto de sal.\n\nOutro fator ambiental limitante para as plantas \u00e9 a falta de oxig\u00eanio no solo. Al\u00e9m do solo ser compacto em virtude do pequeno tamanho dos gr\u00e3os, o sedimento, permanece submerso pela mar\u00e9 cheia durante boa parte do dia. As ra\u00edzes dos mangues, por estarem submersas, teriam dificuldade de absorver oxig\u00eanio, j\u00e1 que este g\u00e1s est\u00e1 muito mais presente no ar do que na \u00e1gua.\n\n<strong>Por\u00e9m, os mangues apresentam ra\u00edzes peculiares que garantem a sua sobreviv\u00eancia:<\/strong> ra\u00edzes a\u00e9reas. No mangue preto e no mangue branco, ra\u00edzes chamadas pneumat\u00f3foros emergem de baixo do sedimento em dire\u00e7\u00e3o ao ar, de maneira que mesmo durante a mar\u00e9 cheia as extremidades das ra\u00edzes ficam expostas ao ar possibilitando as trocas gasosas por parte das plantas. J\u00e1 o mangue vermelho apresenta expans\u00f5es no caule principal contendo lenticelas, que s\u00e3o buracos por onde s\u00e3o feitas as trocas gasosas. As ra\u00edzes dos mangues s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para segurar o sedimento junto \u00e0 margem, impedindo a eros\u00e3o e um consequente assoreamento dos rios e canais os quais margeiam.\n\n<strong>As plantas do manguezal apresentam uma outra importante caracter\u00edstica fundamental na sua sobreviv\u00eancia<\/strong>: a viviparidade. Ao contr\u00e1rio da maioria das esp\u00e9cies vegetais, onde a semente germina no solo, as sementes do mangue germinam ainda presas \u00e0 planta m\u00e3e, formando uma estrutura chamadas prop\u00e1gulos. Quando atingem determinado tamanho, estes prop\u00e1gulos caem da planta se fixando no sedimento ou ent\u00e3o s\u00e3o dispersos pela \u00e1gua at\u00e9 se fixarem em um outro local. Esta adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 importante pois uma semente dificilmente germinaria num solo pouco oxigenado e constantemente inundado, al\u00e9m do que a jovem planta teria dificuldade de se fixar num sedimento frequentemente invadido pelo movimento das mar\u00e9s.\n<h4><strong>Fauna<\/strong><\/h4>\nA fauna do manguezal tamb\u00e9m \u00e9 bem caracter\u00edstica. Nele habitam diversas esp\u00e9cies de caranguejos, como o guaiamum, o caranguejo u\u00e7a e o aratu. Estes organismos s\u00e3o de fundamental import\u00e2ncia para a ciclagem de nutrientes do ecossistema. Alimentam \u0096se de folhas que caem das \u00e1rvores, retalhando-as e possibilitando o ataque por bact\u00e9rias decompositoras que tornar\u00e3o os nutrientes novamente dispon\u00edveis para as plantas. Al\u00e9m disso, os t\u00faneis cavados pelos caranguejos s\u00e3o importantes para a aera\u00e7\u00e3o do solo. Muitos outros animais tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados no manguezal, como caramujos, ostras, mexilh\u00f5es, poliquetos e diversas esp\u00e9cies de peixes.\n\nMuitos animais de outros ecossistemas utilizam o manguezal para obterem seu alimento. Mam\u00edferos, como a lontra e guaxinim, visitam os manguezais durante a noite para ca\u00e7arem caranguejos e outros invertebrados. Algumas esp\u00e9cies de aves tamb\u00e9m se alimentam de peixes, caramujos e poliquetos, como \u00e9 caso do ma\u00e7arico por exemplo, uma ave migrat\u00f3ria do hemisf\u00e9rio norte que habita os Estados Unidos e o Canad\u00e1. Durante o inverno nesses pa\u00edses, os ma\u00e7aricos migram para \u00e1reas mais quentes como o Brasil, onde ent\u00e3o descansam e se alimentam nos manguezais.\n<h4><strong>Import\u00e2ncia<\/strong><\/h4>\n\u00c9 comum denominarmos os manguezais como o verdadeiros &#8220;ber\u00e7\u00e1rios da natureza&#8221;, isto porque diversas esp\u00e9cies de peixes marinhos, como a tainha, o robalo e o baiac\u00fa por exemplo, utilizam as \u00e1guas do manguezal para desovarem. Os filhotes dos peixes, chamados alevinos, nascem e se desenvolvem neste ecossistema antes de voltarem para o mar, pois no mangue eles encontram um ambiente com muito alimento e livre de predadores. Com a destrui\u00e7\u00e3o dos manguezais, estas esp\u00e9cies de peixe, muitas de interesse econ\u00f4mico, n\u00e3o tem lugar para se reproduzirem. Alguns estudos t\u00eam demonstrado que a destrui\u00e7\u00e3o de manguezais em determinados lugares da costa est\u00e1 associado \u00e0 diminui\u00e7\u00e3o da atividade pesqueira na regi\u00e3o.\n\nComo voc\u00eas puderam perceber, preservar o manguezal \u00e9 importante n\u00e3o s\u00f3 para as esp\u00e9cies que nele habitam, mas tamb\u00e9m para v\u00e1rias outras que dele necessitam, inclusive n\u00f3s.\n<h4><strong>Flora<\/strong><\/h4>\nSendo o manguezal um ecossistema que apresenta caracter\u00edsticas peculiares quanto \u00e0 salinidade, n\u00edvel de oxigena\u00e7\u00e3o, inunda\u00e7\u00e3o pela mar\u00e9 e composi\u00e7\u00e3o do substrato, as esp\u00e9cies vegetais que conseguem ali sobreviver possuem adapta\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias para enfrentar tais caracter\u00edsticas.\n\n<strong>As esp\u00e9cies t\u00edpicas que ocorrem neste manguezal s\u00e3o:<\/strong> Rhizophora mangle (mangue vermelho); Avicennia schaueriana (mangue siriuba); Laguncularia racemosa (mangue branco) e Spartina alterniflora (capim paratur\u00e1), sendo esta \u00faltima uma gram\u00ednea que ocorre nas margens, \u00e0 frente da vegeta\u00e7\u00e3o lenhosa.\n\nNas \u00e1reas onde ocorrem derrubada das esp\u00e9cies t\u00edpicas \u00e9 comum o aparecimento de popula\u00e7\u00f5es de Hibiscus pernanbucencis (guaxima do mangue) e Acrostichum aureum (aven\u00e7\u00e3o).\n\n<strong>Na orla do manguezal, as principais esp\u00e9cies que ocorrem s\u00e3o:<\/strong> Inga affinis (ing\u00e1 doce), Erythrina speciosa (suin\u00e3) e Tabebuia cassinoides (tabebuia do brejo).\n\n<strong>Na zona de transi\u00e7\u00e3o entre o manguezal e outros tipos de vegeta\u00e7\u00e3o ocorrem as seguintes esp\u00e9cies:<\/strong>\n<blockquote>Dalbergia ecastophylla, Paspalum vaginatum, Schinus terebinthifolius (aroeira) e Typha domingensis (taboa). Deve-se ainda mencionar a presen\u00e7a, nos galhos de R. mangle e L. racemosa da hemiparasita conhecida vulgarmente como &#8220;erva de passarinho&#8221;, da fam\u00edlia Loranthaceae, bem como a forma\u00e7\u00e3o das &#8220;balseiras&#8221;, ilha de vegeta\u00e7\u00e3o formadas principalmente por Echinochloa sp (cararana), Paspalum repens (canarana) e Eichornia crassipes (aguap\u00e9), que descem pelos rios indo por vezes at\u00e9 \u00e0 Ba\u00eda de Guanabara.<\/blockquote>\n<h4><strong>Fauna<\/strong><\/h4>\nO ecossistema de manguezal apresenta um elevado \u00edndice de diversidade biol\u00f3gica, uma vez que sua estrutura propicia um grande n\u00famero de nichos ecol\u00f3gicos que s\u00e3o utilizados por in\u00fameras esp\u00e9cies nos diferentes est\u00e1gios de desenvolvimento. Merece destaque o papel que desempenha como pouso de aves migrat\u00f3rias.\n\n<strong>Dentre as esp\u00e9cies encontradas em levantamentos j\u00e1 efetuados, citamos:<\/strong>\n\n<strong>Insetos:<\/strong>\n\nV\u00e1rios tipos de borboletas, lavadeiras, lib\u00e9lulas (Zigoptera e Anisoptera), abelha, mutucas (Tabanidae) e maruins (Ceratopogonidae).\n<p align=\"left\"><strong>Crust\u00e1ceos:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Cracas &#8211;<\/strong> (Balanus sp).<strong>Aratu &#8211; <\/strong>(Goniopsis cruentata).<strong>Siri-azul &#8211;<\/strong> (Callinectes danae).<strong>Guaiamu &#8211;<\/strong> (Cardisoma guanhumi).<strong>Marinheiro &#8211;<\/strong> (Aratus pisonii).<strong>U\u00e7\u00e1 &#8211;<\/strong> (Ucides cordatus).<strong>Chama-mar\u00e9 &#8211;<\/strong> (Uca sp).<strong>Camar\u00e3ozinho-canhoto &#8211;<\/strong> (Alpheus heterochaelis).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Moluscos:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Caramujo do mangue &#8211;<\/strong> (Melampus coffeus).<strong>Samanguai\u00e1 &#8211;<\/strong> (Anomalocardia brasiliana).<strong>Macoma &#8211;<\/strong> (Macoma constricta).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Peixes:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Tainha &#8211;<\/strong> (Mugil sp).<strong>Robalo &#8211;<\/strong> (Centropomus sp).<strong>Sardinha &#8211;<\/strong> (Sardinella sp).<strong>Bagre &#8211; <\/strong>(Tachisurus sp).<strong>Savelha &#8211;<\/strong> (Brevoortia tyrannus).<strong>Parati &#8211;<\/strong> (Mugil sp).<strong>Acar\u00e1 &#8211;<\/strong> (Geophagus brasiliensis).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>R\u00e9pteis:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Jacar\u00e9 &#8211;<\/strong> (Caiman sp).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Aves:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Atob\u00e1 &#8211;<\/strong> (Sula I. Leucogaster).<strong>Bingu\u00e1 &#8211; <\/strong>(Phalacrocorax b. brasilianus).<strong>Anhinga &#8211;<\/strong> (Anhinga a anhinga).<strong>Jo\u00e3o-grande &#8211;<\/strong> (Fregata magnificens).<strong>Maguari &#8211;<\/strong> (Ardea cocoi).<strong>Socozinho &#8211;<\/strong> (Butorides s. stiatus).<strong>Gar\u00e7a branca grande &#8211;<\/strong> (Casmerodius albus egreta).<strong>Gar\u00e7a branca pequena &#8211;<\/strong> (Egretta t. thula).<strong>Gar\u00e7a azul &#8211;<\/strong> (Florida caerulea).<strong>Soco\u00ed &#8211; <\/strong>(Ixobrychus sp).<strong>Soc\u00f3 &#8211;<\/strong> (Nyctanassa violacea cayennensis).<strong>Colheiro &#8211;<\/strong> (Ajaia ajaia).<strong>Marreca anama\u00ed &#8211; <\/strong>(Amazonetta brasiliens\u00eds).<strong>Irer\u00ea &#8211;<\/strong> (Dendrocygna viduata).<strong>Frango d&#8217;\u00e1gua &#8211;<\/strong> (Gallinula chlropus galeata).<strong>Frango d&#8217;\u00e1gua azul &#8211;<\/strong> (Porphyrula martinica).<strong>Pia\u00e7oca &#8211;<\/strong> (Jacana spinosa jacana).<strong>Ma\u00e7arico-de-coleira &#8211;<\/strong> (Charadrius semipal matus).<strong>Anu do brejo &#8211; <\/strong>(Crotophaga major).<strong>Alma-de-gato &#8211; <\/strong>(Piaya cayana macroura).<strong>Saci &#8211; <\/strong>(Tapera naevia).<strong>Martim-pescador grande &#8211;<\/strong> (Megaceryle t. torquata).<strong>Pica-pau pequeno &#8211;<\/strong> (Picumnus c. cirratus).<strong>Viuvinha &#8211;<\/strong> (Arundinicola leococephala).<strong>Sebinho-do-mangue &#8211;<\/strong> (Conirostrum b. bicolor).<\/p>\n<\/blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Mam\u00edferos:<\/strong><\/p>\n\n<blockquote>\n<p align=\"left\"><strong>Pre\u00e1 &#8211; (<\/strong>Cavia sp).<strong>Capivara &#8211;<\/strong> (Hydrochoerus sp).<\/p>\n<\/blockquote>\n<strong>Jana\u00edna Santos<\/strong>\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manguezais\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mangue54.jpg\" alt=\"Manguezais\" width=\"292\" height=\"181\" \/><\/p>\nO <strong>manguezal <\/strong>\u00e9 um ecossistema muito importante para o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico. A riqueza do seu solo deve-se, principalmente, aos nutrientes trazidos pelas \u00e1guas dos rios, que garantem um ecossistema altamente produtivo. O manguezal funciona como um ber\u00e7\u00e1rio natural para o desenvolvimento de muitas esp\u00e9cies de animais e plantas. Existe em lugares que sofrem a influ\u00eancia de mar\u00e9s, permitindo a mistura da \u00e1gua salgada (do mar), com a \u00e1gua doce (do rio).\n\nFatores como temperatura e precipita\u00e7\u00e3o pluvial influenciam o desenvolvimento do manguezal, assim como as temperaturas m\u00e9dias, que devem ser acima de 20\u00ba C e m\u00ednimas, de at\u00e9 15\u00ba C. Outro fator importante \u00e9 a salinidade do solo, que pode interferir no desenvolvimento das esp\u00e9cies do manguezal, como na altura das \u00e1rvores e na quantidade das suas folhas.\n\n<strong>Poucas s\u00e3o as esp\u00e9cies vegetais que possuem condi\u00e7\u00f5es para sobreviver em um local como o manguezal:<\/strong> inundado pela \u00e1gua do mar, com pouco oxig\u00eanio e alta salinidade. As esp\u00e9cies vegetais do manguezal adaptam-se para eliminar o excesso de sal, atrav\u00e9s das chamadas gl\u00e2ndulas de sal, presentes nas folhas. A falta de oxig\u00eanio no solo, que permanece submerso pela mar\u00e9 cheia, por um per\u00edodo do dia, \u00e9 outro fator ambiental limitante para o desenvolvimento das plantas do manguezal.\n\n<strong>O Brasil possui 12% dos manguezais do mundo:<\/strong> s\u00e3o 25 mil km2, que se estendem do Cabo Orange, no Amap\u00e1, at\u00e9 o munic\u00edpio de Laguna, em Santa Catarina.\n\nOs manguezais s\u00e3o encontrados nas Am\u00e9ricas, \u00c1frica, \u00c1sia e Oceania.\n\nOs mangues s\u00e3o \u00e1rvores que comp\u00f5em o manguezal. Uma \u00e1rvore de mangue leva cerca de cinco anos para se tornar &#8220;adulta&#8221;, pronta para a reprodu\u00e7\u00e3o. Nesse est\u00e1gio, a \u00e1rvore pode chegar a 20 metros de altura.\n\n<strong>Existem cerca de 13 tipos de fam\u00edlias de mangue, sendo os mais conhecidos:<\/strong> o mangue vermelho (Rizhofora mangle), o mangue branco (Laguncularia erectus), o mangue preto ou cano\u00e9 (Avicennia sp) e o mangue de bot\u00e3o (Conocarpus erectus).\n\nAl\u00e9m destas esp\u00e9cies, existem grupos de plantas que ocorrem, principalmente \u00e0s margens ou na borda interior dos manguezais, como as samambaias. N\u00e3o s\u00e3o esp\u00e9cies exclusivas das \u00e1reas de mangues, mas s\u00e3o tolerantes aos diferentes teores de salinidade. Existem ainda outros grupos, que vivem sobre as \u00e1rvores de mangue, mas sem se utilizar dos nutrientes das \u00e1rvores hospedeiras, como as brom\u00e9lias, as orqu\u00eddeas e os l\u00edquens. S\u00e3o as plantas ep\u00edfitas.\n\nAs ra\u00edzes a\u00e9reas do mangue permitem que as \u00e1rvores obtenham oxig\u00eanio no ar, j\u00e1 que na \u00e1gua o ar \u00e9 menos concentrado. No mangue preto e no mangue branco, as ra\u00edzes, chamadas pneumat\u00f3foras, ficam com uma parte da raiz fora do solo, de forma que, durante as mar\u00e9s cheias, as extremidades da ra\u00edzes ficam expostas ao ar, para conseguir o oxig\u00eanio que n\u00e3o encontram na \u00e1gua.\n<h4><strong>A fauna do manguezal<\/strong><\/h4>\nDiversas esp\u00e9cies, como o caranguejo, o guaiamum e o aratu habitam os manguezais Al\u00e9m deles, outras esp\u00e9cies, como ostras e mexilh\u00f5es, est\u00e3o presentes nos manguezais e se alimentam, filtrando da \u00e1gua os pequenos fragmentos de vegetais. Por isto, s\u00e3o considerados &#8220;filtradores naturais&#8221;. Os caranguejos, ao cavar seus &#8220;buracos&#8221;, ajudam na aera\u00e7\u00e3o do solo.\n\n<strong>Os moluscos que se prendem aos mangues tamb\u00e9m t\u00eam uma grande import\u00e2ncia para os manguezais<\/strong>: eles se alimentam de microorganismos e ajudam a renova\u00e7\u00e3o natural do ecossistema.\n\nOs filhotes de peixes, chamados de alevinos, nascem e se desenvolvem neste ecossistema (por isto, os manguezais s\u00e3o considerados maternidade e ber\u00e7\u00e1rio naturais). Quando a mar\u00e9 est\u00e1 alta, camar\u00f5es e muitas esp\u00e9cies de peixes do litoral brasileiro, como tainhas e bagres, dentre outros, na fase jovem, aproveitam para entrar no mangue e se alimentar.\n\nA mar\u00e9 baixa \u00e9 o tempo prop\u00edcio para que as aves se alimentam dos peixes, crust\u00e1ceos e moluscos dos manguezais.\n\nNesse ecossistema, tamb\u00e9m podem ser encontrados mam\u00edferos como o quati, que se alimenta de caranguejos, lontra que \u00e9 uma h\u00e1bil pescadora, e o guaxinim.\n\nMuitas esp\u00e9cies de aves fazem os seus ninhos nas \u00e1rvores dos manguezais. O ma\u00e7arico \u00e9 uma ave do hemisf\u00e9rio norte, que habita nos Estados Unidos e no Canad\u00e1 e que, durante o inverno, migra para as \u00e1reas mais quentes do planeta, como o Brasil, onde descansam e se alimentam, nos manguezais.\n\nPercebe-se, assim, que os manguezais t\u00eam muito a oferecer. \u00c9 um ecossistema muito importante para a pesca artesanal de peixes, camar\u00f5es, caranguejos e moluscos &#8211; uma das principais fonte de subsist\u00eancia para os moradores do litoral.\n<p align=\"center\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Manguezais\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mangue55.jpg\" alt=\"Manguezais\" width=\"258\" height=\"264\" \/><\/p>\n\n<h4><strong>LEIS QUE PROTEGEM OS MANGUES<\/strong><\/h4>\nExistem v\u00e1rios dispositivos nas leis brasileiras que protegem os manguezais, tanto na esfera federal, como na estadual e municipal. Os mangues s\u00e3o considerados \u00c1reas de Preserva\u00e7\u00e3o Permanente, conforme o C\u00f3digo florestal, Lei 771, art. 2o, de 15\/09\/1965; art. 18o da Lei 6.938, de 31\/08\/1981; Decreto 89.336, de 31\/04\/1984; e resolu\u00e7\u00e3o 4 do CONAMA, de 18\/09\/1985. Assim sendo, n\u00e3o \u00e9 permitido o corte, destrui\u00e7\u00e3o ou degrada\u00e7\u00e3o dos manguezais.\n\nPor\u00e9m, na pr\u00e1tica, as leis t\u00eam-se mostrado bastante fr\u00e1geis na prote\u00e7\u00e3o efetiva dos nossos manguezais. O desconhecimento destas leis, pela grande parte da popula\u00e7\u00e3o que vive pr\u00f3xima aos mangues, tem sido um dos principais fatores que levam \u00e0 destrui\u00e7\u00e3o dos mesmos. \u00c9 necess\u00e1rio que as popula\u00e7\u00f5es que dependem dos manguezais estejam atentas e denunciem aos \u00f3rg\u00e3os respons\u00e1veis pela prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente, qualquer tipo de agress\u00e3o a este maravilhoso ecossistema.\n<h4><strong>Mangue-vermelho (Rhizophora mangle L.)<\/strong><\/h4>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter\" title=\"Manguezais\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/mangue56.jpg\" alt=\"Manguezais\" width=\"292\" height=\"188\" \/><\/p>\nEsses ambientes, os manguezais, ganham destaque em fun\u00e7\u00e3o dos in\u00fameros \u0093servi\u00e7os ecol\u00f3gicos\u0094 e da rica diversidade biol\u00f3gica associada, tornando esta uma das regi\u00f5es de maior import\u00e2ncia conservacionista. Contudo, infelizmente, \u00e9 tamb\u00e9m uma das regi\u00f5es mais amea\u00e7adas em todo o planeta. Neste contexto \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o do mangue-vermelho encontra grande presen\u00e7a, sendo esta uma das principais esp\u00e9cies vegetais deste tipo de ecossistema.\n\nAs \u00e1rvores de mangue-vermelho s\u00e3o indiv\u00edduos pioneiros, ou seja, juntamente com outras esp\u00e9cies s\u00e3o os primeiros a ocupar regi\u00f5es de transi\u00e7\u00e3o. Neste caso, s\u00e3o \u00e1reas entre o ambiente marinho e a desembocadura de rios de \u00e1gua doce, capazes de desenvolver um solo bastante lodoso, inst\u00e1vel e rico em mat\u00e9ria org\u00e2nica em decomposi\u00e7\u00e3o.\n\nEm fun\u00e7\u00e3o da instabilidade do terreno, o mangue-vermelho disp\u00f5e de estruturas auxiliares na sustenta\u00e7\u00e3o da planta. Observa-se notavelmente a exist\u00eancia de ramos laterais que saem diretamente do caule e prendem-se ao substrato.\n\nTais ramos s\u00e3o conhecidos como ra\u00edzes advent\u00edcias ou de ancoragem, as quais prendem a planta no solo, permitindo que a mesma permane\u00e7a firme mesmo com as inunda\u00e7\u00f5es frequentes das mar\u00e9s. Ainda, a exist\u00eancia de estruturas especializadas nas ra\u00edzes do mangue-vermelho permite que a planta consiga realizar trocas gasosas (CO2 e O2), mesmo quando o solo est\u00e1 encharcado.\n\nO \u00edntimo contato com o ambiente marinho torna os manguezais regi\u00f5es onde a concentra\u00e7\u00e3o de sal \u00e9 bastante elevada, limitando outras esp\u00e9cies menos tolerantes de habit\u00e1-lo. Somente um n\u00famero reduzido de esp\u00e9cies, como o pr\u00f3prio mangue-vermelho, tem a capacidade de sobreviver e reproduzir nestes ecossistemas.\n\nNesta \u00e1rvore, uma olhada detalhada em suas folhas revela a exist\u00eancia de pequeninas gl\u00e2ndulas respons\u00e1veis pela elimina\u00e7\u00e3o do excesso de sal absorvido pela planta.\n\nOutra importante caracter\u00edstica desta \u00e1rvore est\u00e1 no modo como se reproduz. Ao observarmos uma \u00e1rvore de mangue-vermelho, em determinadas \u00e9pocas do ano, nota-se a exist\u00eancia de pequenas estruturas em formato de \u0093caneta\u0094, penduradas nos galhos. Tais estruturas, na realidade, consistem em prop\u00e1gulos da planta, ou seja, um meio de reprodu\u00e7\u00e3o. Estes prop\u00e1gulos ao se desprenderem caem diretamente no solo, germinando ali, ou ent\u00e3o s\u00e3o carregados pelas mar\u00e9s a longas dist\u00e2ncias, colonizando outras regi\u00f5es estuarinas.\n\nO Mangue-vermelho, apesar de ser uma esp\u00e9cie nativa do Brasil, tamb\u00e9m \u00e9 amplamente encontrado em outras partes do mundo, como no continente africano. A grande resist\u00eancia de seus prop\u00e1gulos, bem como o poder de dispers\u00e3o dos mesmos, faz com que seja uma esp\u00e9cie muito comum em ambientes estuarinos. Contudo, mesmo assim \u00e9 uma esp\u00e9cie bastante amea\u00e7ada, em fun\u00e7\u00e3o da destrui\u00e7\u00e3o de ambiente de manguezais.\n\nAl\u00e9m da especula\u00e7\u00e3o imobili\u00e1ria em \u00e1reas onde ocorrem estes ecossistemas, o mangue-vermelho sofre com a explora\u00e7\u00e3o para o uso de sua madeira, principalmente como lenha. Em fun\u00e7\u00e3o disso, tal esp\u00e9cie, juntamente com as outras que habitam os manguezais, merecem destaque especial, devendo ser protegidas conforme determina a legisla\u00e7\u00e3o brasileira.\n\nFonte: www.geocities.com\/www.iesambi.org.br\/ www.moisesneto.com.br\/www.cprh.pe.gov.br\/www.ecossistema.bio.br\/www.tvcultura.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Manguezais, Mangue, Brasileiro, Leis, Import\u00e2ncia, Litoral, Brasil, Ecossistema, Clima, Fauna, Flora, Vegeta\u00e7\u00e3o, Localiza\u00e7\u00e3o, Manguezais<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":6392,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-25565","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Manguezais - 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