{"id":25561,"date":"2015-12-10T00:00:00","date_gmt":"2015-12-10T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/espeleologia-4\/"},"modified":"2015-12-10T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-10T00:00:00","slug":"espeleologia-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/espeleologia-4\/","title":{"rendered":"Espeleologia"},"content":{"rendered":"\n<strong>O que \u00e9 &#8211; Espeologia<\/strong>\n\nA <strong>espeleologia<\/strong> \u00e9 um ramo das ci\u00eancias que se concentra no estudo das cavernas. V\u00e1rias disciplinas cient\u00edficas est\u00e3o envolvidas na espeleologia, incluindo biologia , hidrologia e geologia , entre outras. O estudo das cavernas tem uma s\u00e9rie de implica\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas e te\u00f3ricas, sendo os profissionais da \u00e1rea conhecidos como espele\u00f3logos. As pessoas que desejam seguir carreira nesta disciplina podem optar por estudar em universidades com um departamento de espeleologia ou procurar faculdades com ramos das ci\u00eancias que seriam relevantes para espele\u00f3logos.\n\n<strong>Espeleologia<\/strong> \u00e9 a ci\u00eancia que tem por princ\u00edpios a procura, explora\u00e7\u00e3o, observa\u00e7\u00e3o e interpreta\u00e7\u00e3o das cavernas, levando em conta seu processo de forma\u00e7\u00e3o, seu ambiente e sua rela\u00e7\u00e3o com o ambiente externo, tendo por objetivo definir crit\u00e9rios para sua preserva\u00e7\u00e3o e assim, promover o uso racional destas.\n\nO estudo das grutas depende de um conjunto de Ci\u00eancias, incorporando ramos de diferentes disciplinas. Envolve todos os aspectos estruturais, sua forma\u00e7\u00e3o, morfologia, qu\u00edmica, f\u00edsica, meteorologia, geomorfologia, estudo dos animais e vegetais cavern\u00edculos.\n\nA Espeleologia pode oferecer inestim\u00e1vel ajuda a Paleontologiae a Arqueologia, na compreens\u00e3o da exist\u00eancia de tipos de vidas de animais e de humanos primitivos.\n\nUm estudo espeleol\u00f3gico cuidadoso pode oferecer uma ilustra\u00e7\u00e3o l\u00f3gica de toda uma \u00e1rea.\n\nUm entusiasmo para com a Espeleologia tem sido mostrado por pesquisadores em todo o mundo nos \u00faltimos anos. A fascina\u00e7\u00e3o que as grutas exercem no ser humano, transp\u00f5e as fronteiras das pesquisas em laborat\u00f3rios. A beleza natural e cient\u00edfica atrai a intelig\u00eancia humana, desejosa de compreender a natureza de suas forma\u00e7\u00f5es e os m\u00faltiplos fen\u00f4menos associados, respons\u00e1veis pelo seu aparecimento.\n\nN\u00e3o podemos esquecer que os primeiros vagidos do Homo sapiens ainda como Homo speleus, foram ouvidos no interior desses pal\u00e1cios da Natureza.\n\nAs grutas representam o ber\u00e7o dos nossos antepassados, que sa\u00edram do seu horizonte estreito e da sua escurid\u00e3o para as dimens\u00f5es e claridade do Cosmo.\n\nAs grutas e abrigos-sob-rocha constituem um patrim\u00f4nio de insetim\u00e1vel valor cient\u00edfico e cultural. Algumas grutas j\u00e1 ganharam import\u00e2ncia internacional e integram o acervo da Humanidade.\n\n<strong>Espeleologia<\/strong> \u00e9 uma atividade cient\u00edfica e\/ou l\u00fadica que se dedica ao estudo e explora\u00e7\u00e3o das cavidades naturais.\n\nPodemos dizer que a hist\u00f3ria da Espeleologia \u00e9 t\u00e3o antiga como o pr\u00f3prio Homem. Na pr\u00e9-hist\u00f3ria as cavernas foram os primeiros abrigos verdadeiramente eficazes contra o frio que reinava no per\u00edodo das glacia\u00e7\u00f5es. As in\u00fameras pinturas rupestres que podemos encontrar nestes locais, constituem por si s\u00f3, prova da ocupa\u00e7\u00e3o destes valiosos &#8220;apartamentos&#8221; naturais. Em Fran\u00e7a, por exemplo, as famosas cavernas de Lascaux preservam gravuras da vida pr\u00e9-hist\u00f3rica, que oferecem indica\u00e7\u00f5es preciosas sobre as origens da esp\u00e9cie humana.\n\nContudo, foi s\u00f3 no s\u00e9culo XIX que a Espeleologia surgiu como atividade de explora\u00e7\u00e3o sistem\u00e1tica de grutas. Deve-se ao Franc\u00eas, Edouard Alfred Martel (1859-1938), considerado por muitos o pai da Espeleologia, o desenvolvimento e divulga\u00e7\u00e3o desta disciplina. Durante a sua inf\u00e2ncia viajou pela Europa com os seus pais, o que possibilitou a visita a algumas importantes grutas. As verdadeiras explora\u00e7\u00f5es vieram anos mais tarde, quando j\u00e1 era advogado. Entre 1890 e 1936 escreve 21 obras e mais de 1000 artigos para revistas sobre explora\u00e7\u00e3o e topografia de grutas. Depois da sua morte em 1938, seguiram-se importantes disc\u00edpulos como Robert de Joly, o inventor da escada de cabos de a\u00e7o, e Norbert Casteret.\n\nOs espele\u00f3logos, mais do que ningu\u00e9m, t\u00eam a responsabilidade moral de protegerem as cavernas que exploram, minimizando a deteriora\u00e7\u00e3o gradual que ocorre sempre que uma caverna \u00e9 descoberta. Uma das regras de ouro \u00e9 retirarem das cavernas tudo o que levam para dentro, da visita ficam apenas com as boas recorda\u00e7\u00f5es e alguns registos fotogr\u00e1ficos.\n\nA evolu\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica e cient\u00edfica da explora\u00e7\u00e3o de grutas foi evoluindo at\u00e9 aos nossos dias. Atualmente existem in\u00fameras Federa\u00e7\u00f5es de Espeleologia espalhadas um pouco por todo o mundo.\n\nNa Espeleologia, desporto e investiga\u00e7\u00e3o caminham lado a lado . A progress\u00e3o nas cavidades naturais exige esfor\u00e7o f\u00edsico, assim como, conhecimentos de t\u00e9cnicas espec\u00edficas de transposi\u00e7\u00e3o de obst\u00e1culos.\n\n<strong>Quanto ao aspecto cient\u00edfico, existe um grande n\u00famero de \u00e1reas em que o estudo pode ser efetuado:<\/strong> geologia, paleontologia (estudo dos f\u00f3sseis), hidrologia (estudo da circula\u00e7\u00e3o de \u00e1guas), fauna e flora das cavidades, s\u00e3o apenas alguns exemplos.\n\nDeste modo, para praticar esta fascinante atividade \u00e9 imprescind\u00edvel adquirir uma s\u00e9rie de conhecimentos t\u00e9cnicos de explora\u00e7\u00e3o e conhecimentos cient\u00edficos. E para isso, nada melhor que frequentar um curso de Espeleologia. Existem desde cursos de inicia\u00e7\u00e3o (n\u00edvel 1) at\u00e9 cursos avan\u00e7ados de especializa\u00e7\u00e3o (n\u00edvel 4).\n\nEntre eles situam-se os cursos de n\u00edvel 2, que conferem autonomia para progress\u00e3o dentro de uma gruta, bem como os de n\u00edvel 3, que \u00e0s compet\u00eancias anteriores acrescentam autonomia para equipar um percurso (colocar cordas, escolher locais) e a capacidade para liderar uma equipa.\n\nAs cavernas, bem como os restantes tesouros naturais, s\u00e3o um recurso valioso que importa proteger.\n\n<strong>As amea\u00e7as s\u00e3o muitas:<\/strong> lixo, efluentes n\u00e3o tratados, polui\u00e7\u00e3o dos len\u00e7\u00f3is de \u00e1gua e vandalismo, est\u00e3o a destruir rapidamente estes ambientes de caracter\u00edsticas \u00fanicas.\n<h4>1. A espeleologia<\/h4>\nDesde a pr\u00e9-hist\u00f3ria at\u00e9 os dias de hoje, as cavernas s\u00e3o ambientes que sempre estiveram presentes na hist\u00f3ria da humanidade. Esse interesse do homem pelos ambientes cavern\u00edcolas pode ser comprovado pelas in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es das mais antigas civiliza\u00e7\u00f5es que l\u00e1 s\u00e3o encontradas, como as pinturas rupestres e os restos de ocupa\u00e7\u00e3o humana.\n\nDiante de tamanha import\u00e2ncia para a humanidade, os ambientes cavern\u00edcolas passaram a ser estudados como uma ci\u00eancia pr\u00f3pria, a denominada espeleologia.\n\nDo grego spelaion, que significa cavernas, e logos, estudo, a espeleologia surge com a principal finalidade de promover o estudo, a observa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o das cavernas, visando sempre a cria\u00e7\u00e3o de efetivos mecanismos que contribuam para a sua conserva\u00e7\u00e3o.\n\nNeste sentido, a espeleologia surge como ci\u00eancia no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, tendo como precursor o estudioso franc\u00eas E. Alfred Martel, o qual, conhecido como o \u0093pai da espeleologia\u0094, abriu caminho para o desenvolvimento de uma metodologia cient\u00edfica voltada ao estudo s\u00e9rio e disciplinado dos ambientes cavern\u00edcolas.\n\nO pioneiro da espeleologia no Brasil, por sua vez, foi o dinamarqu\u00eas Peter Lund, cujo trabalho, voltado para o estudo e descoberta de f\u00f3sseis, muito contribuiu para a pesquisa cient\u00edfica nas cavernas em meados do s\u00e9culo XIX. Cerca de meio s\u00e9culo ap\u00f3s, o alem\u00e3o Richard Krone tamb\u00e9m demonstrou seu interesse pelas cavernas brasileiras, mais especificamente para aquelas situadas no Vale do Ribeira, no Estado de S\u00e3o Paulo.\n\nApenas em 1937 teve in\u00edcio no Brasil um estudo sistem\u00e1tico e organizado das cavernas, com a cria\u00e7\u00e3o da Sociedade Excursionista e Espeleol\u00f3gica, ent\u00e3o substitu\u00edda, em 1969, pela atual Sociedade Brasileira de Espeleologia, que abra\u00e7ou o objetivo de organizar as diretrizes da espeleologia nacional.\n\nAtualmente o Brasil possui um n\u00famero aproximado de 4245 cavernas cadastradas, conforme dados do Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil (CNC), n\u00famero este que demonstra a grandiosidade do patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico de nosso pa\u00eds e, portanto, a grande import\u00e2ncia e relev\u00e2ncia do estudo dessas cavidades naturais.\n<h4>2. As cavidades naturais subterr\u00e2neas como patrim\u00f4nio cultural<\/h4>\nDe acordo com o artigo 20, inciso X, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, as cavidades naturais subterr\u00e2neas e os s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e pr\u00e9-hist\u00f3ricos s\u00e3o considerados bens da Uni\u00e3o, raz\u00e3o pela qual, nesta condi\u00e7\u00e3o, uma vez que s\u00e3o tamb\u00e9m bens ambientais e, portanto, difusos, caber\u00e1 ao Poder P\u00fablico Federal unicamente a sua gest\u00e3o, ou seja, a sua administra\u00e7\u00e3o.\n\nDa\u00ed se infere concluir que as cavidades naturais subterr\u00e2neas n\u00e3o constituem, propriamente, bens de propriedade da Uni\u00e3o, mas s\u00e3o bens de uso comum do povo e indispens\u00e1veis \u00e0 sadia qualidade de vida. Configuram, portanto, bens de toda a coletividade, que dever\u00e1 participar diretamente de sua administra\u00e7\u00e3o, juntamente com o Estado.\n\nAl\u00e9m disso, as cavidades naturais subterr\u00e2neas, uma vez que constituem s\u00edtios de valores hist\u00f3rico, arqueol\u00f3gico, paleontol\u00f3gico, ecol\u00f3gico e cient\u00edfico, s\u00e3o consideradas, conforme determina o artigo 216, inciso V, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, patrim\u00f4nio cultural do Brasil.\n\nCom fundamento nesses dispositivos constitucionais foi editado o Decreto n.\u00b0 99.559\/1990, o qual disp\u00f5e acerca da prote\u00e7\u00e3o das cavidades naturais subterr\u00e2neas existentes no territ\u00f3rio nacional, e pode ser considerado a primeira legisla\u00e7\u00e3o a dar uma defini\u00e7\u00e3o clara e objetiva sobre a espeleologia.\n\nLogo em seu artigo 1\u00b0, o Decreto refor\u00e7a a ideia de que as cavidades naturais constituem patrim\u00f4nio cultural brasileiro e, \u0093como tal, ser\u00e3o preservadas e conservadas de modo a permitir estudos e pesquisas de ordem t\u00e9cnico-cient\u00edfica, bem como atividades de cunho espeleol\u00f3gico, \u00e9tnico-cultural, tur\u00edstico, recreativo e educativo\u0094.\n\nUm dos primeiros conceitos de patrim\u00f4nio cultural, como bem salientado por Celso Antonio Pacheco Fiorillo, remetia a todo o \u0093conjunto dos bens m\u00f3veis e im\u00f3veis existentes no pa\u00eds, cuja conserva\u00e7\u00e3o seja de interesse p\u00fablico, quer por vincula\u00e7\u00e3o a fatos memor\u00e1veis da hist\u00f3ria do Brasil, quer por seu excepcional valor arqueol\u00f3gico ou etnogr\u00e1fico, bibliogr\u00e1fico ou art\u00edstico\u0094 (artigo 1\u00b0 do Decreto-Lei n.\u00b0 25\/37).\n\nEm assim sendo, conforme se depreende do quanto exposto, as cavidades naturais subterr\u00e2neas poder\u00e3o ser utilizadas para as mais diversas atividades, desde estudos e pesquisas cient\u00edficas e espeleol\u00f3gicas, at\u00e9 mesmo atividades esportivas e tur\u00edsticas, desde que, \u00e0 evid\u00eancia, sejam constante e adequadamente preservadas e conservadas.\n\nPara tanto, como j\u00e1 dito anteriormente, observando-se o princ\u00edpio da coopera\u00e7\u00e3o para a prote\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio cultural do Brasil, conclui-se que caber\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 ao Poder P\u00fablico em geral, incluindo Uni\u00e3o, Estados e Munic\u00edpios, mas tamb\u00e9m \u00e0 pr\u00f3pria comunidade, em colabora\u00e7\u00e3o com o Estado, preservar e conservar as cavidades naturais subterr\u00e2neas.\n\nCaber\u00e1 ao Poder P\u00fablico, portanto, e \u00e0 Uni\u00e3o, especificamente, por interm\u00e9dio do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis (IBAMA), a fiscaliza\u00e7\u00e3o e controle do uso do patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico brasileiro, consoante determina o artigo 4\u00b0 do Decreto acima citado[5].\n<h4>3. Cavernas: conceito e forma\u00e7\u00e3o<\/h4>\n<strong>Para possibilitar sua efetiva prote\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o, deve-se, antes de tudo, determinar o que se entende por cavidade natural subterr\u00e2nea, que \u00e9 exatamente aquilo a que se refere o par\u00e1grafo \u00fanico do artigo 1\u00b0 do Decreto n.\u00b0 99.556\/90, que vem redigido da seguinte forma<\/strong>: \u0093Entende-se como cavidade natural subterr\u00e2nea todo e qualquer espa\u00e7o subterr\u00e2neo penetr\u00e1vel pelo homem, com ou sem abertura identificada, popularmente conhecido como caverna, incluindo seu ambiente, conte\u00fado mineral e h\u00eddrico, a fauna e a flora ali encontrados e o corpo rochoso onde os mesmos se inserem, desde que a sua forma\u00e7\u00e3o haja ocorrido por processos naturais, independentemente de suas dimens\u00f5es ou do tipo de rocha encaixante. Nesta designa\u00e7\u00e3o est\u00e3o inclu\u00eddos todos os termos regionais, tais como gruta, lapa, toca, abismo, furna e buraco\u0094.\n\nAs cavernas s\u00e3o, em outras palavras, espa\u00e7os formados necessariamente por processos naturais, penetr\u00e1veis pelo homem e com um patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico determinado, ou seja, um ecossistema pr\u00f3prio.\n\nConclui-se, ent\u00e3o, que somente ser\u00e3o consideradas cavernas aqueles espa\u00e7os formados em decorr\u00eancia de fen\u00f4menos naturais.\n\nE mais. S\u00e3o as regi\u00f5es de rochas calc\u00e1rias que normalmente determinam a forma\u00e7\u00e3o das cavidades subterr\u00e2neas, ou seja, regi\u00f5es de rochas compostas por carbonato de c\u00e1lcio que, em contato com o \u00e1cido carb\u00f4nico proveniente das \u00e1guas com suficiente teor de \u00e1cidos, \u00e9 facilmente dissolvido. Desta forma, a dissolu\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio faz com que a rocha v\u00e1 tamb\u00e9m, aos poucos, se dissolvendo.\n\nCom a dissolu\u00e7\u00e3o da rocha, abrem-se in\u00fameras fendas, aberturas estas que v\u00e3o se ampliando na medida em que a \u00e1gua passa a nelas penetrar, gerando um grande vazio, ou seja, uma cavidade.\n\nEsta cavidade, por sua vez, poder\u00e1 ou n\u00e3o ser considerada uma caverna, circunst\u00e2ncia que depender\u00e1 de que a fenda formada alcance profundidade suficiente para permitir a entrada do homem.\n<h4>4. O patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico: ecossistema e elementos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais<\/h4>\n<strong>O patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico vem definido da seguinte forma pelo artigo 5\u00b0, inciso I, do Decreto n.\u00b0 99.556\/90:<\/strong> \u0093O conjunto de elementos bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos, s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais, subterr\u00e2neos ou superficiais, representados pelas cavidades naturais subterr\u00e2neas ou a esta associados\u0094.\n\nO patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico, portanto, \u00e9 formado por todo o ecossistema dos ambientes cavern\u00edcolas, bem como por todos os elementos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais, como os f\u00f3sseis e as pinturas rupestres que podem ser encontradas nesses locais.\n\n<strong>a) O ecossistema cavern\u00edcola<\/strong>\n\nEm primeiro lugar, cumpre-nos observar que a no\u00e7\u00e3o de ecossistema compreende todos os elementos de uma determinada \u00e1rea, incluindo os elementos vivos e os n\u00e3o vivos, como o ar, o solo e a \u00e1gua, bem como todas as intera\u00e7\u00f5es que ocorrem entre esses elementos.\n\nO ambiente das cavernas \u00e9 denominado hip\u00f3geo ou subterr\u00e2neo, qual seja, \u00e9 aquele ambiente que apresenta como principais caracter\u00edsticas a aus\u00eancia permanente de luz e a tend\u00eancia \u00e0 estabilidade ambiental. Trata-se, portanto, de um ambiente onde a adequa\u00e7\u00e3o \u00e0 aus\u00eancia de luz constitui fator determinante para a sobreviv\u00eancia de animais e vegetais, o que, de certa forma, imp\u00f5e severas restri\u00e7\u00f5es \u00e0 vida no interior das cavernas.\n\nEm assim sendo, conclui-se ser imposs\u00edvel a sobreviv\u00eancia de organismos que dependam da luz para sobreviver neste ambiente, como \u00e9 o caso dos vegetais fotossintetizantes. Deste modo, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 plantas fotossintetizantes, pode-se dizer que os organismos cavern\u00edcolas se utilizam de outros meios para a obten\u00e7\u00e3o da energia e mat\u00e9ria org\u00e2nica necess\u00e1rias para o seu desenvolvimento e sobreviv\u00eancia.\n\n<strong>E de fato, nas cavernas, a mat\u00e9ria org\u00e2nica \u00e9 obtida pelos mais diversos modos:<\/strong> em pequena quantidade, s\u00e3o obtidas por meio das bact\u00e9rias quimiossintetizantes, que se utilizam da energia qu\u00edmica de liga\u00e7\u00e3o de determinadas mol\u00e9culas para a produ\u00e7\u00e3o da mat\u00e9ria org\u00e2nica necess\u00e1ria; enquanto os demais m\u00e9todos de obten\u00e7\u00e3o relacionam-se ao transporte da mat\u00e9ria org\u00e2nica de fora para dentro das cavernas, que pode se dar pela \u00e1gua, pelos pr\u00f3prios animais que entram e saem da caverna, ou, at\u00e9 mesmo pelo ar, como ocorre com o p\u00f3len.\n\n<strong>Do quanto exposto, verifica-se que em decorr\u00eancia da aus\u00eancia de luz, outro problema surge para os animais cavern\u00edcolas:<\/strong> a escassez de alimentos.\n\nPortanto, a esses animais cabe n\u00e3o somente a busca dos alimentos, que j\u00e1 s\u00e3o escassos, mas tamb\u00e9m a localiza\u00e7\u00e3o dos mesmos no escuro. Para tanto, eles dever\u00e3o desenvolver os demais sentidos em detrimento da vis\u00e3o, que n\u00e3o apresenta nenhuma utilidade no interior das cavernas.\n\nCavern\u00edcolas s\u00e3o, assim, os animais que t\u00eam nas cavernas pelo menos parte de seu habitat, e nelas se orientam perfeitamente, diferentemente dos demais animais que penetram nas cavernas por acidente.\n\n<strong>Sendo assim, esses animais dividem-se da seguinte forma: <\/strong>os trogloxenos s\u00e3o aqueles que vivem no interior das cavernas, por\u00e9m dela saem em determinado per\u00edodo de sua vida, como \u00e9 o caso dos morcegos que saem das cavernas \u00e0 procura de alimentos; os trogl\u00f3filos s\u00e3o aqueles que podem viver tanto dentro como fora do ambiente cavern\u00edcola, como ocorre com a maioria dos organismos e, por fim, os trogl\u00f3bios s\u00e3o aqueles que vivem somente no interior das cavidades subterr\u00e2neas, uma vez que em fun\u00e7\u00e3o de suas especializa\u00e7\u00f5es, como a aus\u00eancia de olhos, ficam impossibilitados de transitar no ambiente externo.\n\nTendo em vista a estabilidade do ambiente cavern\u00edcola, os trogl\u00f3bios s\u00e3o aqueles organismos afetados diretamente por qualquer altera\u00e7\u00e3o no meio, como na temperatura ou umidade do ar, raz\u00e3o pela qual diz-se que esse ambiente \u00e9 extremamente fr\u00e1gil, vulner\u00e1vel e facilmente afetado por fatores externos.\n\n<strong>b) Elementos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais<\/strong>\n\nAnalisando-se, ainda, o conceito legal de patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico, verifica-se que al\u00e9m de todo esse ecossistema, ele tamb\u00e9m compreende os elementos s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais encontrados nas cavernas.\n\nComp\u00f5em tais elementos todos aqueles vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos e paleontol\u00f3gicos que se encontram abrigados por milhares de anos no interior das cavidades subterr\u00e2neas, al\u00e9m das \u00e1guas e minerais raros que auxiliam no desenvolvimento social e econ\u00f4mico do pa\u00eds.\n\n\u00c9 sabido que, em fun\u00e7\u00e3o da composi\u00e7\u00e3o das rochas que formam as cavernas, esse ambiente subterr\u00e2neo conserva, como poucos, as ossadas de animais extintos, bem como polens de antigos vegetais, dando origem aos conhecidos f\u00f3sseis, objetos de estudo da ci\u00eancia da paleontologia.\n\n<strong>As ossadas dos animais, explicam os estudiosos, teriam entrado nas cavernas das seguintes formas:<\/strong> por meio de predadores que l\u00e1 se abrigam e se alimentam de sua presa, pela queda de animais, pelos animais que entram para se alimentar e acabam l\u00e1 morrendo, pelos animais trogl\u00f3xenos e, por fim, pelo transporte de cad\u00e1veres e restos de esqueleto pela \u00e1gua que vem do ambiente externo.\n\nAdemais, s\u00e3o tamb\u00e9m encontrados in\u00fameros vest\u00edgios de vida humana, como restos de ferramentas, instrumentos, ou cer\u00e2micas utilizados pelo homem pr\u00e9-hist\u00f3rico, e que integram a denominada ci\u00eancia da arqueologia.\n\nPor fim, pode-se dizer tamb\u00e9m que os espeleotemas (dep\u00f3sitos de origem qu\u00edmica formados no interior das cavernas), como as estalactites e estalagmites, ao lado de sua est\u00e9tica e beleza diferenciadas, fazem parte do patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico em fun\u00e7\u00e3o de sua import\u00e2ncia para os estudos f\u00edsicos e qu\u00edmicos, devendo, portanto, ser, da mesma forma, preservados.\n<h4><strong>5. O turismo: ecoturismo, desenvolvimento sustent\u00e1vel e educa\u00e7\u00e3o ambiental<\/strong><\/h4>\nA caracter\u00edstica mais conhecida das cavernas \u00e9 o seu potencial tur\u00edstico, e o turismo, por si s\u00f3, \u00e9 importante fonte de desenvolvimento social.\n\nMaior relev\u00e2ncia ainda possui o turismo quando analisamos seu papel no Vale do Ribeira, regi\u00e3o economicamente desfavorecida em nosso Estado e carente de uma atividade econ\u00f4mica que explore, de maneira sustent\u00e1vel e correta, seu enorme patrim\u00f4nio ambiental.\n\nAs cavernas s\u00e3o, portanto, interessantes locais de visita\u00e7\u00e3o, ou seja, lugares prop\u00edcios para o desenvolvimento do turismo, uma vez que comportam belezas \u00fanicas e raras. Entretanto, para que as visita\u00e7\u00f5es sejam poss\u00edveis, \u00e9 necess\u00e1rio que se fa\u00e7a um planejamento pr\u00e9vio, bem como devem ser fornecidas todas as informa\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias aos visitantes, evitando, assim, a ocorr\u00eancia de um poss\u00edvel impacto ambiental.\n\nNeste sentido, portanto, cabe falar-se em ecoturismo, uma vez que se trata de modalidade do turismo cujos objetivos s\u00e3o a preserva\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio ecol\u00f3gico, ou seja, a pr\u00e1tica tur\u00edstica que tem por finalidade a implementa\u00e7\u00e3o do uso racional do ambiente visitado, \u0093tendo sempre em vista o conhecimento detalhado das particularidades do quadro natural, e da potencialidade dos recursos naturais, objetivando uma melhor qualidade de vida para a popula\u00e7\u00e3o local\u0094.\n\nCabe ao ecoturismo, desta forma, o planejamento das visita\u00e7\u00f5es e explora\u00e7\u00e3o dos ambientes cavern\u00edcolas, de forma a buscar sempre o desenvolvimento sustent\u00e1vel local, ou seja, a pr\u00e1tica da atividade tur\u00edstica sem que dela resultem dr\u00e1sticas altera\u00e7\u00f5es no meio ambiente visitado.\n\nO turismo pode ser respons\u00e1vel pela entrada de in\u00fameros materiais estranhos ao ambiente das cavernas, o que poderia ocasionar um forte desequil\u00edbrio em seu ecossistema. Al\u00e9m disso, todas as instala\u00e7\u00f5es feitas nesses ambientes a fim de proporcionar a visita\u00e7\u00e3o, como escadas e ilumina\u00e7\u00e3o artificial, tamb\u00e9m influenciam para o desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico interno, raz\u00e3o pela qual elas somente poder\u00e3o ser efetuadas ap\u00f3s um estudo pr\u00e9vio do impacto ambiental que poderiam causar.\n\nAl\u00e9m disso, o turismo jamais deve ser dissociado da educa\u00e7\u00e3o ambiental, posto que esta \u00e9 a ferramenta fundamental para o manejo de tal atividade, seja no que tange aos turistas em si, pessoas que causam impacto eventual no ambiente visitado, mas tamb\u00e9m no profissional da \u00e1rea, que de forma constante e regular, interage no meio ambiente objeto da visita\u00e7\u00e3o tur\u00edstica. Somente a educa\u00e7\u00e3o ambiental ensina \u00e0 popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas o verdadeiro valor da atividade tur\u00edstica, como tamb\u00e9m a maneira adequada (preservacionista) de exerc\u00ea-la, ou seja, apenas por meio de um processo educativo ambiental \u00e9 que a popula\u00e7\u00e3o conscientiza-se para o uso sustent\u00e1vel de seus recursos.\n\nHelita Barreira Cust\u00f3dio observa, com propriedade, que \u0093a educa\u00e7\u00e3o ambiental, insepar\u00e1vel da permanente educa\u00e7\u00e3o geral e da educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfico ambiental, da educa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnico-ambiental, da educa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mico-ambiental, da educa\u00e7\u00e3o pol\u00edtico-ambiental ou educa\u00e7\u00e3o jur\u00eddico-ambiental em particular, constitui, na verdade, o caminho fundamental, o meio \u00fanico capaz de conduzir qualquer pessoa ao imprescind\u00edvel grau de real sensibilidade e de respons\u00e1vel tomada de consci\u00eancia, aliado ao firme prop\u00f3sito, por meio de efetiva participa\u00e7\u00e3o, contribui\u00e7\u00e3o ou a\u00e7\u00e3o no sentido de explorar ou utilizar racionalmente a propriedade (pr\u00f3pria ou alheia, p\u00fablica ou privada), os recursos ambientais (naturais ou culturais) nela integrantes, bem como integrantes do meio ambiente e da Natureza, em permanente defesa e preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio ambiental saud\u00e1vel, com condi\u00e7\u00e3o essencial \u00e0 continuidade da vida em geral e \u00e0 sobreviv\u00eancia da pr\u00f3pria humanidade. Trata-se, evidentemente, de tema de indiscut\u00edvel relev\u00e2ncia e progressiva atualidade, objeto de permanentes preocupa\u00e7\u00f5es, reflex\u00f5es, promo\u00e7\u00f5es, atua\u00e7\u00f5es, uma vez que compreende direitos, deveres e co-responsabilidades de todos, tanto nos \u00e2mbitos do Direito Internacional, do Direito Comunit\u00e1rio e do Direito Comparado como no \u00e2mbito de nosso Direito Positivo\u0094.\n\nEspecificamente no que tange ao patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico brasileiro, a educa\u00e7\u00e3o ambiental, juntamente com o ecoturismo, passam a ser respons\u00e1veis pela orienta\u00e7\u00e3o de toda a comunidade, no sentido de possibilitarem a valoriza\u00e7\u00e3o deste acervo natural, possibilitando, da mesma forma, o desenvolvimento das condi\u00e7\u00f5es s\u00f3cio-econ\u00f4micas do pa\u00eds, por meio da utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais que as cavernas oferecem.\n\nA popula\u00e7\u00e3o, deste modo, tem o direito de saber da exist\u00eancia do patrim\u00f4nio ecol\u00f3gico de seu pa\u00eds, pois s\u00f3 assim estar\u00e1 apta a conserv\u00e1-lo, e, sabendo conserv\u00e1-lo, saber\u00e1 bem utiliz\u00e1-lo, de forma sustent\u00e1vel e compat\u00edvel com o imperativo da preserva\u00e7\u00e3o ambiental.\n<h4>6. A import\u00e2ncia do patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico e os meios de sua preserva\u00e7\u00e3o<\/h4>\nConforme se observou, o patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico \u00e9 repleto de riquezas raras e espec\u00edficas de cada local, recursos estes que n\u00e3o podem ser simplesmente destru\u00eddas pela a\u00e7\u00e3o do homem, no mais das vezes em busca apenas de sua satisfa\u00e7\u00e3o pessoal e, por que n\u00e3o ponderar, ego\u00edstica. Ao rev\u00e9s, verifica-se claramente que o acervo espeleol\u00f3gico necessita de ampla prote\u00e7\u00e3o, a fim de se evitar a degrada\u00e7\u00e3o e destrui\u00e7\u00e3o das cavernas brasileiras.\n\n\u00c9 certo que o patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico contribui, e muito, para o desenvolvimento social e econ\u00f4mico do pa\u00eds, seja em fun\u00e7\u00e3o da variedade de min\u00e9rios que podem ser encontrados, bem como em fun\u00e7\u00e3o do calc\u00e1rio que \u00e9 utilizado na fabrica\u00e7\u00e3o do cimento, ou at\u00e9 mesmo em fun\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas que servem para o abastecimento das popula\u00e7\u00f5es locais.\n\nDeste modo, esses recursos naturais fornecidos pelos ambientes das cavernas n\u00e3o podem ser ignorados, posto que de extrema import\u00e2ncia para o desenvolvimento do pa\u00eds. Entretanto, eles apenas poder\u00e3o ser utilizados de forma sustent\u00e1vel, ou seja, de forma a mant\u00ea-los em quantidade suficiente para n\u00e3o afetar negativamente o ecossistema l\u00e1 desenvolvido.\n\nN\u00e3o se pode olvidar que as cavernas, apesar das in\u00fameras utilidades que proporcionam, constituem patrim\u00f4nio cultural do pa\u00eds e, como bens ambientais que s\u00e3o, devem ser sempre conservadas e preservadas, respeitando-se, como j\u00e1 dito, o seu uso sustent\u00e1vel.\n\nOs ambientes cavern\u00edcolas s\u00e3o estrat\u00e9gicos reservat\u00f3rios de \u00e1guas, que podem servir para o abastecimento de aqu\u00edferos, ou para a an\u00e1lise do comportamento h\u00eddrico local, desde que, para tanto, n\u00e3o haja o risco da ocorr\u00eancia de um desequil\u00edbrio ecol\u00f3gico, em fun\u00e7\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o de um dos principais elementos que comp\u00f5em o ecossistema das cavidades subterr\u00e2neas.\n\nDa mesma forma, o desmatamento dos arredores das cavernas, a contamina\u00e7\u00e3o das \u00e1guas subterr\u00e2neas e a constru\u00e7\u00e3o de barragens devem ser evitados, uma vez que teriam como resultado a descaracteriza\u00e7\u00e3o desses ambientes, ou at\u00e9 mesmo a sua destrui\u00e7\u00e3o, se dessas barragens resultar a inunda\u00e7\u00e3o do local.\n\nN\u00e3o se pode esquecer, tamb\u00e9m, que as cavernas compreendem, como j\u00e1 observado anteriormente, verdadeiros s\u00edtios arqueol\u00f3gicos e paleontol\u00f3gicos, uma vez que conservam in\u00fameras formas de vidas antigas, possibilitando, assim, o desenvolvimento das ci\u00eancias da arqueologia e paleontologia.\n\nA prop\u00f3sito de tais ci\u00eancias, cumpre esclarecer que a arqueologia volta-se para o estudo da vida e cultura dos povos antigos, por meio da an\u00e1lise dos objetos encontrados nas escava\u00e7\u00f5es, e a paleontologia preocupa-se com o estudo de f\u00f3sseis de animais j\u00e1 extintos ou de vegetais antigos. Ambas s\u00e3o umbilicalmente ligadas \u00e0 espeleologia, pois o material de estudo e pesquisa existente no \u00e2mago das cavernas, al\u00e9m de raro e riqu\u00edssimo, est\u00e1 ainda por ser descoberto e explorado.\n\nPor fim, h\u00e1 que se observar que as cavernas abrigam um n\u00famero indeterminado de animais que delas dependem para sobreviver, posto que s\u00e3o facilmente afetados por qualquer altera\u00e7\u00e3o do ambiente interno, bem como v\u00e1rias esp\u00e9cies vegetais que s\u00e3o especialmente desenvolvidas para a vida em ambientes subterr\u00e2neos. Trata-se, portanto, da prote\u00e7\u00e3o da fauna e da flora que comp\u00f5em o ecossistema cavern\u00edcola, de forma a conservar todo o equil\u00edbrio indispens\u00e1vel para a manuten\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas pr\u00f3prias daquele ambiente.\n\nO ambiente cavern\u00edcola \u00e9 fundamental para a compreens\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o dos seres vivos ao longo da hist\u00f3ria, para o entendimento do caminho das \u00e1guas e para a data\u00e7\u00e3o do passado geol\u00f3gico.\n\nSendo assim, in\u00fameras raz\u00f5es podem ser utilizadas para justificar a utiliza\u00e7\u00e3o das cavernas de forma adequada a proteger o fr\u00e1gil ecossistema que elas compreendem, sem que em virtude dessa prote\u00e7\u00e3o reste prejudicado o crescimento social e econ\u00f4mico delas proveniente.\n<h4>7. As cavernas do Estado de S\u00e3o Paulo: O Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira<\/h4>\nO Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) \u00e9 composto por importantes Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o, seja em virtude de sua cobertura vegetal excepcional (mata atl\u00e2ntica e esp\u00e9cies sens\u00edveis de nossa biota) ou da fauna ali existente, mas principalmente em raz\u00e3o de seu grandioso patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico. No PETAR encontramos as maiores cavernas do Estado, com rara diversidade ecol\u00f3gica, arqueol\u00f3gica e paleontol\u00f3gica.\n\nLocalizado ao sul do Estado de S\u00e3o Paulo e abrangendo principalmente os munic\u00edpios de Iporanga e Apia\u00ed, o parque foi criado em 1958, e destaca-se tanto pelo alto grau de preserva\u00e7\u00e3o de suas matas como por sua grande diversidade ecol\u00f3gica, uma vez que representa aproximadamente 21% dos remanescentes de mata atl\u00e2ntica do pa\u00eds.\n\nComportando mais de 250 cavernas, a regi\u00e3o \u00e9 uma das principais Prov\u00edncias Espeleol\u00f3gicas do pa\u00eds, abrigando grandes cavernas de import\u00e2ncia mundial.\n\nSeus terrenos c\u00e1rsticos e o clima \u00famido e quente possibilitaram que, ao longo de milhares de anos, a a\u00e7\u00e3o da chuva originasse as in\u00fameras cavernas que se encontram na regi\u00e3o, integrantes de um vasto e exuberante patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico.\n\nA explora\u00e7\u00e3o e o mapeamento das cavernas situadas na regi\u00e3o foi iniciada pelos grupos da Sociedade Brasileira de Espeleologia e pelo Instituto Geogr\u00e1fico e Geol\u00f3gico da Universidade de S\u00e3o Paulo. Gra\u00e7as a este mapeamento, hoje em dia a explora\u00e7\u00e3o tur\u00edstica das cavernas constitui uma das principais fontes de renda para a comunidade local.\n\nNeste sentido, a regi\u00e3o do Vale do Ribeira vem se tornando um atrativo tur\u00edstico cada vez mais procurado, raz\u00e3o pela qual determinados cuidados devem ser observados, no sentido de que deve haver na regi\u00e3o, como em todo e qualquer patrim\u00f4nio ambiental do pa\u00eds e do mundo, um turismo muito bem planejado e organizado, que possibilite a explora\u00e7\u00e3o e visita\u00e7\u00e3o de forma a preservar e conservar as especificidades locais.\n\nToda a potencialidade cient\u00edfica e ambiental destas cavidades naturais ainda est\u00e1 por ser descoberta, eis que o Poder P\u00fablico jamais destinou recursos humanos ou financeiros suficientes para o estudo, com m\u00e9todo e seriedade, deste patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico. Ao rev\u00e9s, \u00e9 vergonhoso o descaso para com tal patrim\u00f4nio, renegado a \u00faltimo plano nas pol\u00edticas preservacionistas ambientais, como se de patrim\u00f4nio ambiental n\u00e3o se tratasse.\n\nTamanho \u00e9 o descaso para com a import\u00e2ncia ecol\u00f3gica local, que atualmente tramita um projeto, j\u00e1 aprovado pelo Poder P\u00fablico, autorizando a constru\u00e7\u00e3o de quatro barragens ao longo do rio Ribeira de Iguape, cuja finalidade declarada \u00e9 a de gera\u00e7\u00e3o de energia para a ind\u00fastria. Todavia, tais barragens, se constru\u00eddas, inundar\u00e3o cerca de 11 mil hectares, incluindo as cavernas que ali se encontram, as quais seriam completamente destru\u00eddas em virtude do alagamento e descaracteriza\u00e7\u00e3o de seus ecossistemas.\n\nConclui-se, portanto, que a autoriza\u00e7\u00e3o para a constru\u00e7\u00e3o destas barragens, da forma como colocada, afronta o princ\u00edpio da utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais, comprometendo, talvez de modo irrevers\u00edvel, o maior patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico de nosso Estado, resultariam no total desequil\u00edbrio e destrui\u00e7\u00e3o desse vasto acervo natural.\n\nDeste modo, com a suposta finalidade de promover o desenvolvimento s\u00f3cio-econ\u00f4mico da regi\u00e3o, o projeto de constru\u00e7\u00e3o das barragens traria in\u00fameros preju\u00edzos, os quais poderiam ser plenamente evitados, caso se resolvesse por investir em outras \u00e1reas tamb\u00e9m capazes de promover o desenvolvimento local, como o ecoturismo, que prima pela utiliza\u00e7\u00e3o sustent\u00e1vel dos recursos naturais ao mesmo tempo em que constitui uma das principais fontes de renda para a popula\u00e7\u00e3o regional.\n\n<strong>Conclus\u00f5es<\/strong>\n\n<strong>1. <\/strong>A espeleologia (do grego spelaion: cavernas, e logos: estudo), ci\u00eancia voltada ao estudo, pesquisa, observa\u00e7\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o das cavernas, trabalha em conjunto com a paleontologia, a arqueologia e a biologia, pois os ambientes cavern\u00edcolas abrigam rar\u00edssimos s\u00edtios arqueol\u00f3gicos, elementos reveladores das primeiras ocupa\u00e7\u00f5es humanas, pinturas rupestres, f\u00f3sseis mineralizados, ecossistema pr\u00f3prio, min\u00e9rios especiais e reservat\u00f3rios de \u00e1gua doce, al\u00e9m de propiciar a compreens\u00e3o da adapta\u00e7\u00e3o dos seres vivos ao longo da hist\u00f3ria natural, o caminho das \u00e1guas e a data\u00e7\u00e3o do passado geol\u00f3gico.\n\n<strong>2.<\/strong> O Brasil possui 4.245 cavidades naturais inscritas junto ao Cadastro Nacional de Cavernas do Brasil, sendo que quase 400 delas s\u00e3o situadas no Estado de S\u00e3o Paulo, dentre as quais a maior parte localiza-se no Vale do Ribeira.\n\n<strong>3.<\/strong> Segundo o artigo 5\u00b0 do Decreto n\u00b0 99.556\/90, o patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico compreende o conjunto de elementos bi\u00f3ticos e abi\u00f3ticos, s\u00f3cio-econ\u00f4micos e hist\u00f3rico-culturais, subterr\u00e2neos ou superficiais, representados pelas cavidades naturais, e, nos termos do artigo 216, V, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, constitui patrim\u00f4nio cultural brasileiro.\n\n<strong>4.<\/strong> Tanto a fauna como a flora cavern\u00edcolas t\u00eam por habitat o fr\u00e1gil ambiente das cavernas, sendo a maioria das esp\u00e9cies exclusivas daquele ambiente hip\u00f3geo, fora dos quais n\u00e3o sobreviveriam. Vest\u00edgios arqueol\u00f3gicos, como restos de ferramentas e cer\u00e2micas das civiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e9-hist\u00f3ricas, s\u00edtios paleont\u00f3gicos intactos, onde ossadas e f\u00f3sseis de animais s\u00e3o conservados pelo ambiente calc\u00e1rio, \u00e1guas mineralizadas, minerais raros e forma\u00e7\u00f5es minerais \u00fanicas, como os espeleotemas, important\u00edssimos para os estudos f\u00edsico-qu\u00edmicos, integram as cavidades naturais e constituem o que denominamos acervo cavern\u00edcola.\n\n<strong>5. <\/strong>As cavernas possuem natural aptid\u00e3o para o turismo, seja pela beleza de seus p\u00f3rticos, rios e lagos subterr\u00e2neos de \u00e1guas cristalinas, como pela forma\u00e7\u00e3o po\u00e9tica de seus espeleotemas. Tal inclina\u00e7\u00e3o natural deve ser incentivada como meio para o desenvolvimento s\u00f3cio-econ\u00f4mico regional. Todavia, cumpre-nos associar, ao que conhecemos por ecoturismo, a educa\u00e7\u00e3o ambiental e a sustentabilidade da explora\u00e7\u00e3o desta atividade econ\u00f4mica, a fim de evitar o impacto ambiental no fr\u00e1gil ambiente cavern\u00edcola, especialmente ao que se refere ao fluxo de visitantes.\n\n<strong>6. <\/strong>Os ambientes cavern\u00edcolas s\u00e3o estrat\u00e9gicos reservat\u00f3rios de \u00e1gua, que podem servir para o abastecimento de aqu\u00edferos ou para a an\u00e1lise do comportamento geo-h\u00eddrico local, desde que respeitado o equil\u00edbrio ecol\u00f3gico e observada sua sustentabilidade.\n\n<strong>7. <\/strong>Ao lado da cobertura vegetal remanescente da Mata Atl\u00e2ntica, o Parque Estadual Tur\u00edstico do Alto Ribeira (PETAR) encontra nas cavernas sua maior riqueza ambiental, pois somente em dos munic\u00edpios que o integram (Iporanga\/SP) situam-se mais de 270 cavidades naturais. Um projeto para a constru\u00e7\u00e3o de barragens no Rio Ribeira de Iguape constitui grav\u00edssima amea\u00e7a para todo este patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico, na medida em que, inundando larga por\u00e7\u00e3o do Parque, destruir\u00e1 de forma irrevers\u00edvel este acervo cavern\u00edstico.\n\n<strong>8. <\/strong>Toda a potencialidade cient\u00edfica e ambiental das cavidades naturais brasileiras ainda est\u00e1 por ser descoberta, inexplorada que se encontra pela aus\u00eancia de investimentos em recursos humanos e financeiros por parte do Poder P\u00fablico. \u00c9 vergonhoso o descaso para com o nosso patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico, renegado a \u00faltimo plano nas pol\u00edticas preservacionistas ambientais, como se de patrim\u00f4nio cultural e ambiental n\u00e3o se tratasse. Urge reverter este quadro, valorizando e preservando o patrim\u00f4nio espeleol\u00f3gico nacional.\n\nFonte: www.geocities.com\/www.esec-lousa.rcts.pt\/www.mp.sp.gov.br\/www.mp.sp.gov.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Espeleologia, Ci\u00eancia, Cavernas, Brasil, O que \u00e9, Atividade, Import\u00e2ncia, Caracter\u00edsticas, Patrim\u00f4nio, Forma\u00e7\u00e3o, Estudo, Hist\u00f3ria, Espeleologia<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-25561","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Espeleologia - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Espeleologia - 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