{"id":25473,"date":"2015-12-03T00:00:00","date_gmt":"2015-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/proalcool-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:48:47","modified_gmt":"2026-09-01T17:48:47","slug":"proalcool-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/proalcool-4\/","title":{"rendered":"Pro\u00e1lcool"},"content":{"rendered":"\nO\u00a0<strong>PRO\u00c1LCOOL\u00a0<\/strong>foi um programa bem-sucedido de substitui\u00e7\u00e3o em larga escala dos derivados de petr\u00f3leo. Foi desenvolvido para evitar o aumento da depend\u00eancia externa de divisas quando dos choques de pre\u00e7o de petr\u00f3leo. De 1975 a 2000, foram produzidos cerca de 5,6 milh\u00f5es de ve\u00edculos a \u00e1lcool hidratado. Acrescido a isso, o Programa substituiu por uma fra\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool anidro (entre 1,1% a 25%) um volume de gasolina pura consumida por uma frota superior a 10 milh\u00f5es de ve\u00edculos a gasolina, evitando, assim, nesse per\u00edodo, emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico da ordem de 110 milh\u00f5es de toneladas de carbono (contido no CO2), a importa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 550 milh\u00f5es de barris de petr\u00f3leo e, ainda, proporcionando uma economia de divisas da ordem de 11,5 bilh\u00f5es de d\u00f3lares.\n\n<strong>EVOLU\u00c7\u00c3O DO PROGRAMA NACIONAL DO \u00c1LCOOL &#8211; Pro\u00e1lcool<\/strong>\n\nO Programa Nacional do \u00c1lcool ou Pro\u00e1lcool foi criado em 14 de novembro de 1975 pelo decreto n\u00b0 76.593, com o objetivo de estimular a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool, visando o atendimento das necessidades do mercado interno e externo e da pol\u00edtica de combust\u00edveis automotivos. De acordo com o decreto, a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool oriundo da cana-de-a\u00e7\u00facar, da mandioca ou de qualquer outro insumo deveria ser incentivada por meio da expans\u00e3o da oferta de mat\u00e9rias-primas, com especial \u00eanfase no aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, da moderniza\u00e7\u00e3o e amplia\u00e7\u00e3o das destilarias existentes e da instala\u00e7\u00e3o de novas unidades produtoras, anexas a usinas ou aut\u00f4nomas, e de unidades armazenadoras.\n\nA cana-de-a\u00e7\u00facar tem o mais alto retorno para os agricultores por hectare plantado. O custo de produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar no pa\u00eds \u00e9 baixo (inferior a US$ 200\/toneladas6), podendo dessa maneira competir no mercado internacional. Tal mercado \u00e9, entretanto, vol\u00e1til e apresenta grandes oscila\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os.\n\nA produ\u00e7\u00e3o mundial de a\u00e7\u00facar em 2000 foi de 131 milh\u00f5es de toneladas, sendo de cerca de 13% a participa\u00e7\u00e3o do Brasil. As etapas na produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7\u00facar e do \u00e1lcool diferem apenas a partir da obten\u00e7\u00e3o do suco, que poder\u00e1 ser fermentado para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool ou tratado para o a\u00e7\u00facar. Caso a produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar se torne menos atrativa devido \u00e0s redu\u00e7\u00f5es de pre\u00e7os internacionais o que frequentemente ocorre poder\u00e1 ser mais vantajoso a mudan\u00e7a na produ\u00e7\u00e3o para \u00e1lcool.\n\nA decis\u00e3o de produ\u00e7\u00e3o de etanol a partir de cana-de-a\u00e7\u00facar, al\u00e9m do pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar, \u00e9 pol\u00edtica e econ\u00f4mica, envolvendo investimentos adicionais. Tal decis\u00e3o foi tomada em 1975, quando o governo federal decidiu encorajar a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0 gasolina pura, com o objetivo de reduzir as importa\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo, ent\u00e3o com um grande peso na balan\u00e7a comercial externa. Nessa \u00e9poca, o pre\u00e7o do a\u00e7\u00facar no mercado internacional vinha decaindo rapidamente, o que tornou conveniente a mudan\u00e7a de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar para \u00e1lcool.\n\n<strong>No programa Brasileiro do \u00c1lcool, Pro\u00e1lcool, destacam-se cinco fases distintas:<\/strong>\n\n<strong>1a. 1975 a 1979 &#8211; Fase Inicial<\/strong>\n\no esfor\u00e7o foi dirigido sobretudo para a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool anidro para a mistura com gasolina. Nessa fase, o esfor\u00e7o principal coube \u00e0s destilarias anexas. A produ\u00e7\u00e3o alcooleira cresceu de 600 milh\u00f5es de l\/ano (1975-76) para 3,4 bilh\u00f5es de l\/ano (1979-80).\n\nOs primeiros carros movidos exclusivamente a \u00e1lcool surgiram em 1978.\n\n<strong>2a. 1980 a 1986 &#8211; Fase de Afirma\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\no segundo choque do petr\u00f3leo (1979-80) triplicou o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo e as compras desse produto passaram a representar 46% da pauta de importa\u00e7\u00f5es brasileiras em 1980. O governo, ent\u00e3o, resolve adotar medidas para plena implementa\u00e7\u00e3o do Pro\u00e1lcool. S\u00e3o criados organismos como o Conselho Nacional do \u00c1lcool &#8211; CNAL e a Comiss\u00e3o Executiva Nacional do \u00c1lcool &#8211; CENAL para agilizar o programa. A produ\u00e7\u00e3o alcooleira atingiu um pico de 12,3 bilh\u00f5es de litros em 1986-87 (gr\u00e1fico 1), superando em 15% a meta inicial do governo de 10,7 bilh\u00f5es de l\/ano para o fim do per\u00edodo. A propor\u00e7\u00e3o de carros a \u00e1lcool no total de autom\u00f3veis de ciclo Otto (passageiros e de uso misto) produzidos no pa\u00eds aumentou de 0,46% em 1979 para 26,8% em 1980, atingindo um teto de 76,1% em 1986 (gr\u00e1fico 2).\n\n<strong>3a. 1986 a 1995 &#8211; Fase de Estagna\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\na partir de 1986, o cen\u00e1rio internacional do mercado petrol\u00edfero \u00e9 alterado. Os pre\u00e7os do barril de \u00f3leo bruto ca\u00edram de um patamar de US$ 30 a 40 para um n\u00edvel de US$ 12 a 20. Esse novo per\u00edodo, denominado \u0093contra-choque do petr\u00f3leo\u0094, colocou em xeque os programas de substitui\u00e7\u00e3o de hidrocarbonetos f\u00f3sseis e de uso eficiente da energia em todo o mundo. Na pol\u00edtica energ\u00e9tica brasileira, seus efeitos foram sentidos a partir de 1988, coincidindo com um per\u00edodo de escassez de recursos p\u00fablicos para subsidiar os programas de est\u00edmulo aos energ\u00e9ticos alternativos, resultando num sens\u00edvel decr\u00e9scimo no volume de investimentos nos projetos de produ\u00e7\u00e3o interna de energia.\n\nA oferta de \u00e1lcool n\u00e3o p\u00f4de acompanhar o crescimento descompassado da demanda, com as vendas de carro a \u00e1lcool atingindo n\u00edveis superiores a 95,8% das vendas totais de ve\u00edculos de ciclo Otto para o mercado interno em 1985.\n\nOs baixos pre\u00e7os pagos aos produtores de \u00e1lcool a partir da abrupta queda dos pre\u00e7os internacionais do petr\u00f3leo (que se iniciou ao final de 1985) impediram a eleva\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o interna do produto. Por outro lado, a demanda pelo etanol, por parte dos consumidores, continuou sendo estimulada por meio da manuten\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o relativamente atrativo ao da gasolina e da manuten\u00e7\u00e3o de menores impostos nos ve\u00edculos a \u00e1lcool comparados aos \u00e0 gasolina. Essa combina\u00e7\u00e3o de desest\u00edmulo \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e de est\u00edmulo \u00e0 sua demanda, pelos fatores de mercado e interven\u00e7\u00e3o governamental assinalados, gerou a crise de abastecimento da entressafra 1989-90. Vale ressaltar que, no per\u00edodo anterior \u00e0 crise de abastecimento houve desest\u00edmulo tanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool, conforme citado, quanto \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar, que \u00e0quela \u00e9poca tinham seus pre\u00e7os fixados pelo governo.\n\nA produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool manteve-se em n\u00edveis praticamente constantes, atingindo 11,8 bilh\u00f5es de litros na safra 1985-86; 10,5 bilh\u00f5es em 1986-87; 11,5 bilh\u00f5es em 1987-88; 11,7 bilh\u00f5es em 1988-89 e 11,9 bilh\u00f5es em 1989-90. As produ\u00e7\u00f5es brasileiras de a\u00e7\u00facar no per\u00edodo foram de 7,8 milh\u00f5es de toneladas na safra 1985-86; 8,2 milh\u00f5es em 1986-87; 7,9 milh\u00f5es em 1987-88; 8,1 milh\u00f5es em 1988-89 e 7,3 milh\u00f5es de toneladas em 1989-90. As exporta\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00facar, por sua vez, reduziram-se nesse per\u00edodo, passando de 1,9 milh\u00f5es de toneladas na safra 1985-86 para 1,1 milh\u00e3o de toneladas na safra 1989-90.\n\nApesar de seu car\u00e1ter ef\u00eamero, a crise de abastecimento de \u00e1lcool do fim dos anos 1980 afetou a credibilidade do Pro\u00e1lcool, que, juntamente com a redu\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos ao seu uso, provocou, nos anos seguintes, um significativo decr\u00e9scimo da demanda e, consequentemente, das vendas de autom\u00f3veis movidos por esse combust\u00edvel.\n\nDeve-se acrescentar ainda outros motivos determinantes que, associados, tamb\u00e9m contribu\u00edram para a redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o dos ve\u00edculos a \u00e1lcool. No final da d\u00e9cada de 1980 e in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, o cen\u00e1rio internacional dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo sofreu fortes altera\u00e7\u00f5es, tendo o pre\u00e7o do barril diminu\u00eddo sensivelmente. Tal realidade, que se manteve praticamente como a t\u00f4nica dos dez anos seguintes, somou-se \u00e0 tend\u00eancia, cada vez mais forte, da ind\u00fastria automobil\u00edstica de optar pela fabrica\u00e7\u00e3o de modelos e motores padronizados mundialmente (na vers\u00e3o \u00e0 gasolina). No in\u00edcio da d\u00e9cada de 1990, houve tamb\u00e9m a libera\u00e7\u00e3o, no Brasil, das importa\u00e7\u00f5es de ve\u00edculos automotivos (produzidos, na sua origem exclusivamente na vers\u00e3o gasolina e diesel) e, ainda, a introdu\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica de incentivos para o \u0093carro popular\u0094 \u0096 de at\u00e9 1000 cilindradas \u0096 desenvolvido para ser movido a gasolina.\n\nA crise de abastecimento de \u00e1lcool somente foi superada com a introdu\u00e7\u00e3o no mercado do que se convencionou chamar de mistura MEG, que substitu\u00eda, com igual desempenho, o \u00e1lcool hidratado. Essa mistura (60% de etanol hidratado, 34% de metanol e 6% de gasolina) obrigaria o pa\u00eds a realizar importa\u00e7\u00f5es de etanol e metanol (que no per\u00edodo entre 1989-95 superou a 1 bilh\u00e3o de litros) para garantir o abastecimento do mercado ao longo da d\u00e9cada de 1990. A mistura atendeu as necessidades do mercado e n\u00e3o foram constatados problemas s\u00e9rios de contamina\u00e7\u00e3o e de sa\u00fade p\u00fablica.\n\n<strong>4a. 1995 a 2000 &#8211; Fase de Redefini\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nOs mercados de \u00e1lcool combust\u00edvel, tanto anidro quanto hidratado, encontram-se liberados em todas as suas fases de produ\u00e7\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e revenda sendo os seus pre\u00e7os determinados pelas condi\u00e7\u00f5es de oferta e procura. De cerca de 1,1 milh\u00e3o de toneladas de a\u00e7\u00facar que o pa\u00eds exportava em 1990 passou-se \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de at\u00e9 10 milh\u00f5es de toneladas por ano (dominando o mercado internacional e barateando o pre\u00e7o do produto). Se questionou como o Brasil, sem a presen\u00e7a da gest\u00e3o governamental no setor, encontrar\u00e1 mecanismos de regula\u00e7\u00e3o para os seus produtos (altamente competitivos): a\u00e7\u00facar para o mercado interno, a\u00e7\u00facar para o mercado externo, etanol para o mercado interno e etanol para o mercado externo. Dadas as externalidades positivas do \u00e1lcool e com o intuito de direcionar pol\u00edticas para o setor sucroalcooleiro, foi criado, por meio do decreto de 21 de agosto de 1997, o Conselho Interministerial do A\u00e7\u00facar e do \u00c1lcool &#8211; CIMA.\n\nSegundo os dados da Associa\u00e7\u00e3o Nacional de Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores \u0096 ANFAVEA, de 1998 a 2000, a produ\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos a \u00e1lcool manteve-se em n\u00edveis de cerca de 1%. A constitui\u00e7\u00e3o da chamada \u0093frota verde\u0094, ou seja, o est\u00edmulo e a determina\u00e7\u00e3o do uso do \u00e1lcool hidratado em determinadas classes de ve\u00edculos leves, como os carros oficiais e t\u00e1xis, tem provocado um debate entre especialistas da \u00e1rea econ\u00f4mica, contr\u00e1rios aos incentivos, e os especialistas da \u00e1rea ambiental, favor\u00e1veis aos incentivos ao etanol. Em 28 de maio de 1998, a medida provis\u00f3ria n\u00ba 1.662 disp\u00f4s que o Poder Executivo elevar\u00e1 o percentual de adi\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool et\u00edlico anidro combust\u00edvel \u00e0 gasolina obrigat\u00f3rio em 22% em todo o territ\u00f3rio nacional at\u00e9 o limite de 24%. Os produtores e centros de pesquisa testaram a mistura de \u00e1lcool e \u00f3leo diesel.\n\nPara a implementa\u00e7\u00e3o do Pro\u00e1lcool, foi estabelecido, em um primeiro instante, um processo de transfer\u00eancia de recursos arrecadados a partir de parcelas dos pre\u00e7os da gasolina, diesel e lubrificantes para compensar os custos de produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool, de modo a viabiliz\u00e1-lo como combust\u00edvel. Assim, foi estabelecida uma rela\u00e7\u00e3o de paridade de pre\u00e7os entre o \u00e1lcool e o a\u00e7\u00facar para o produtor e incentivos de financiamento para as fases agr\u00edcola e industrial de produ\u00e7\u00e3o do combust\u00edvel. Com o advento do ve\u00edculo a \u00e1lcool hidratado, a partir de 1979, adotou-se pol\u00edticas de pre\u00e7os relativos entre o \u00e1lcool hidratado combust\u00edvel e a gasolina, nos postos de revenda, de forma a estimular o uso do combust\u00edvel renov\u00e1vel.\n\n<strong>5a. Fase Atual<\/strong>\n\nTrinta anos depois do in\u00edcio do Pro\u00e1lcool, o Brasil vive agora uma nova expans\u00e3o dos canaviais com o objetivo de oferecer, em grande escala, o combust\u00edvel alternativo. O plantio avan\u00e7a al\u00e9m das \u00e1reas tradicionais, do interior paulista e do Nordeste, e espalha-se pelos cerrados. A nova escalada n\u00e3o \u00e9 um movimento comandado pelo governo, como a ocorrida no final da d\u00e9cada de 70, quando o Brasil encontrou no \u00e1lcool a solu\u00e7\u00e3o para enfrentar o aumento abrupto dos pre\u00e7os do petr\u00f3leo que importava. A corrida para ampliar unidades e construir novas usinas \u00e9 movida por decis\u00f5es da iniciativa privada, convicta de que o \u00e1lcool ter\u00e1, a partir de agora, um papel cada vez mais importante como combust\u00edvel, no Brasil e no mundo.\n\nA tecnologia dos motores flex fuel veio dar novo f\u00f4lego ao consumo interno de \u00e1lcool. O carro que pode ser movido a gasolina, \u00e1lcool ou uma mistura dos dois combust\u00edveis foi introduzido no Pa\u00eds em mar\u00e7o de 2003 e conquistou rapidamente o consumidor. Hoje a op\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 oferecida para quase todos os modelos das ind\u00fastrias e, os autom\u00f3veis bicombust\u00edveis ultrapassaram pela primeira vez os movidos a gasolina na corrida do mercado interno. Diante do n\u00edvel elevado das cota\u00e7\u00f5es de petr\u00f3leo no mercado internacional, a expectativa da ind\u00fastria \u00e9 que essa participa\u00e7\u00e3o se amplie ainda mais. A rela\u00e7\u00e3o atual de pre\u00e7os faz com que o usu\u00e1rio dos modelos bicombust\u00edveis d\u00ea prefer\u00eancia ao \u00e1lcool.\n\nA velocidade de aceita\u00e7\u00e3o pelos consumidores dos carros bicombust\u00edveis, ou flex fuel, foi muito mais r\u00e1pida do que a ind\u00fastria automobil\u00edstica esperava. As vendas desses ve\u00edculos j\u00e1 superaram as dos autom\u00f3veis movidos a gasolina. Os bicombust\u00edveis representaram 49,5% do total de autom\u00f3veis e comerciais leves vendidos no m\u00eas, enquanto a participa\u00e7\u00e3o dos movidos a gasolina ficou em 43,3%, segundo a Anfavea \u0096 Associa\u00e7\u00e3o Nacional dos Fabricantes de Ve\u00edculos Automotores. A prefer\u00eancia do mercado levou a C\u00e2mara Setorial de A\u00e7\u00facar e do \u00c1lcool, \u00f3rg\u00e3o ligado ao governo, a rever suas proje\u00e7\u00f5es e indicar que a participa\u00e7\u00e3o da nova tecnologia dever\u00e1\natingir 75% dos carros vendidos em 2006.\n\n<strong>Perspectivas para o Pro-\u00c1lcool<\/strong>\n\nComo na \u00e9poca das crises do petr\u00f3leo dos anos 70, o mundo est\u00e1 empenhado em encontrar uma solu\u00e7\u00e3o duradoura para seu problema energ\u00e9tico. A preocupa\u00e7\u00e3o ambiental se somou \u00e0 redu\u00e7\u00e3o dos estoques e \u00e0 alta dos pre\u00e7os dos combust\u00edveis f\u00f3sseis para valorizar as fontes renov\u00e1veis e menos poluentes de energia.\n\nO setor energ\u00e9tico no Brasil vem sofrendo diversas mudan\u00e7as, como a tentativa de se retomar projetos que levem em conta o meio ambiente e o mercado de trabalho. Tendo-se como refer\u00eancia a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima, o governo brasileiro tem mostrado interesse em manter e reativar o Pro\u00e1lcool, dado que o \u00e1lcool combust\u00edvel exerce um importante papel na estrat\u00e9gia energ\u00e9tica para um desenvolvimento sustentado.\n\nO surgimento, em todo o mundo, de novos tipos de ve\u00edculos e tecnologias de motores (como \u00e9 o caso dos motores de pilhas a combust\u00edvel e dos ve\u00edculos \u0093flexfuel\u0094) tem provocado mudan\u00e7as importantes na tradicional postura da ind\u00fastria automobil\u00edstica e de outros agentes atuantes no mercado.\n\nAs perspectivas de eleva\u00e7\u00e3o do consumo do \u00e1lcool se somam a um momento favor\u00e1vel para o aumento das exporta\u00e7\u00f5es do a\u00e7\u00facar, e o resultado \u00e9 o in\u00edcio de uma onda de crescimento sem precedentes para o setor sucroalcooleiro.\n\nUm estudo da \u00danica aponta que o setor ter\u00e1 que atender at\u00e9 2010 uma demanda adicional de 10 bilh\u00f5es de litros de \u00e1lcool, al\u00e9m de 7 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7\u00facar. A produ\u00e7\u00e3o desta safra, iniciada em abril, deve ser de 17 bilh\u00f5es de litros de \u00e1lcool e 26 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7\u00facar. Para incrementar a produ\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 preciso levar mais 180 milh\u00f5es de toneladas de cana para a moagem, com uma expans\u00e3o dos canaviais estimada em 2,5 milh\u00f5es de hectares at\u00e9 2010. Esses investimentos dever\u00e3o criar 360 mil novos empregos diretos e 900 mil indiretos.\n\nCerca de 40 novas usinas est\u00e3o em projeto ou em fase de implanta\u00e7\u00e3o, com um total de investimentos calculado em 3 bilh\u00f5es de d\u00f3lares. A maior parte delas concentra-se no oeste do Estado de S\u00e3o Paulo, ocupando espa\u00e7o aberto pelo deslocamento da pecu\u00e1ria. H\u00e1 21 novas usinas em instala\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o, informa Luiz Guilherme Zancaner, presidente da Udop \u0096 Usinas\ne Destilarias do Oeste Paulista, associa\u00e7\u00e3o fundada em 1985 para agrupar as destilarias ali implantadas no embalo do Pro\u00e1lcool. O oeste de S\u00e3o Paulo, segundo Zancaner, oferece custos menores de arrendamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s regi\u00f5es tradicionais do Estado e condi\u00e7\u00f5es naturais de clima, solo e topografia adequadas para os canaviais. \u0093Temos a vantagem de uma cana mais rica em a\u00e7\u00facar que a da regi\u00e3o de Ribeir\u00e3o Preto, por causa do clima menos \u00famido\u0094, diz ele.\n<p style=\"text-align: center;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-160773 aligncenter\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/proalcool.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><b>Pro\u00e1lcool<\/b><\/p>\n\u00c9 importante lembrar que com o fim da segunda guerra, a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cresceu e os pre\u00e7os ficaram est\u00e1veis at\u00e9 o final da d\u00e9cada de 60, quando o pre\u00e7o do petr\u00f3leo come\u00e7ou a sofrer press\u00e3o da Organiza\u00e7\u00e3o dos Pa\u00edses Exportadores de petr\u00f3leo (OPEP). Com o fim da guerra \u00e1rabe-israelence o mundo se assusta com a cota\u00e7\u00e3o do barril de petr\u00f3leo, que em 1973 passa de US$ 2 para US$ 11, todo esse cen\u00e1rio levou a uma corrida para novas fontes de energias alternativas renov\u00e1vel, para substituir os combust\u00edveis f\u00f3sseis.\n\nO Pro\u00e1lcool (Programa Nacional do \u00c1lcool) teve inicio em 14 de Novembro de 1975 no governo Geisel, com o decreto n\u00ba 76593, e tinha como objetivo incentivar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool de qualquer insumo, atrav\u00e9s do aumento da oferta de mat\u00e9rias-primas, visando o aumento da produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola, bem como a amplia\u00e7\u00e3o, moderniza\u00e7\u00e3o e instala\u00e7\u00e3o de novas unidades produtoras e armazenadoras. A primeira fase do programa seria adicionar \u00e1lcool anidro \u00e1 gasolina com o objetivo de diminuir a importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo. O governo investiu no programa 7 bilh\u00f5es de d\u00f3lares at\u00e9 1989 em subs\u00eddios, pesquisas entre outros. A Petrobr\u00e1s ficou com a responsabilidade de compra de toda a produ\u00e7\u00e3o, transporte, armazenamento, distribui\u00e7\u00e3o e a mistura do \u00e1lcool a gasolina.\n\nO Brasil foi o pa\u00eds que mais se destacou na busca do \u00e1lcool como combust\u00edvel renov\u00e1vel, seguido pelo Estados Unidos e Paraguai porem em pequena escala. \u00c9 importante destacar o empenho do governo em incentivos a pesquisas tecnol\u00f3gicas para que o \u00e1lcool substitu\u00edsse os derivados de petr\u00f3leo, como a nafta. O pro\u00e1lcool come\u00e7ou bem, pois a safra 1977-1978 teve um crescimento, de 664 mil de m3 para 1,5 milh\u00f5es de m3, chegando 13 milh\u00f5es m3 na safra de 1987-1988, sendo que em 1986 j\u00e1 contava com 567 destilarias com capacidade de produ\u00e7\u00e3o de 16 milh\u00f5es de m3.\n\nO Brasil estava no caminho certo, pois j\u00e1 em 1978 dava inicio a exporta\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool para o Jap\u00e3o e EUA e o Pro\u00e1lcool ganhava for\u00e7a, pois os conflitos no Oriente M\u00e9dio em 1979 faz com que o petr\u00f3leo alcance a casa dos US$ 60. Como o Brasil vinha galgando a sua auto-sufici\u00eancia em petr\u00f3leo, pois al\u00e9m da Petrobr\u00e1s aumentar a sua produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo o Pro\u00e1lcool j\u00e1 era uma realidade e cada vez mais n\u00f3s depend\u00edamos menos da importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo.\n\nEm 19 de setembro de 1979 o Governo e a ANFAVEA assinam protocolo no qual os fabricantes de autom\u00f3veis deveriam buscar novas tecnologias para produ\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie de ve\u00edculos a \u00e1lcool hidratado. O pre\u00e7o do \u00e1lcool hidratado foi fixado em 64.5% do pre\u00e7o da gasolina, tamb\u00e9m foi reduzido o IPI para os carros movidos a \u00e1lcool.\n\nAs ind\u00fastrias automotivas receberam incentivos para a produ\u00e7\u00e3o de carros movidos a \u00e1lcool e acesso a toda tecnologia desenvolvida pelas estatais, envolvida com o programa Pro\u00e1lcool, os consumidores aderiram ao novo combust\u00edvel, por\u00e9m alguns problemas de corros\u00e3o e partida deixou os consumidores com receio do novo combust\u00edvel, estes problemas foram resolvidos em 1981. A ind\u00fastria automotiva continuou apostando no programa pensando no aquecimento do mercado e investiu no aperfei\u00e7oamento dos motores movidos a \u00e1lcool. No Brasil de todo o \u00e1lcool produzido na d\u00e9cada de 80 aproximadamente 85% eram destinados a fins combust\u00edveis, distribuindo-se entre anidro para mistura com gasolina e hidratado para ve\u00edculos com motor especialmente desenvolvido para esse combust\u00edvel.\n\nEm 1985 o governo brasileiro comemora o balan\u00e7o do Pro\u00e1lcool: com mais de 1 milh\u00e3o de empregos diretos e indiretos e com uma safra de onze bilh\u00f5es de litros. Os benef\u00edcios n\u00e3o param por ai, tanto os carros movido a \u00e1lcool hidratado como os com a mistura gasolina com \u00e1lcool anidro, presenteia o meio ambiente com menos polui\u00e7\u00e3o. Estava tudo cainhando bem at\u00e9 que o pre\u00e7o do petr\u00f3leo se estabiliza e come\u00e7a a declinar, ent\u00e3o o governo se v\u00ea obrigado a bancar a diferen\u00e7a chegando a ponto de aumentar o pre\u00e7o da gasolina e diesel para repassar para o \u00e1lcool.\n\nEm 1986 a produ\u00e7\u00e3o de carro \u00e1lcool chega a 95% de sua produ\u00e7\u00e3o total e a produ\u00e7\u00e3o do \u00e1lcool carburante esta no seu limite com 12 bilh\u00f5es de litros de \u00e1lcool e n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es de suprir toda a demanda, mas se arrasta at\u00e9 o inicio da d\u00e9cada de 90, importando o \u00e1lcool para abastecer a nossa frota que j\u00e1 estava estimada em quatro milh\u00f5es de ve\u00edculos.\n\nEm 1988 a produ\u00e7\u00e3o anual de carros a \u00e1lcool estava em 63% da produ\u00e7\u00e3o total, caindo para 47% em 1989 e a partir da\u00ed a produ\u00e7\u00e3o cai pr\u00f3ximo de 0% at\u00e9 2001. A queda do consumo de \u00e1lcool hidratado, foi compensada com o aumento do \u00e1lcool anidro que era misturada \u00e0 gasolina com o aumento da frota. O Conselho Interministerial de A\u00e7\u00facar e \u00c1lcool &#8211; (CIMA) \u00e9 o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelo controle da porcentagem de \u00e1lcool adicionada \u00e0 gasolina, a qual deveria conter de 20 a 24% de \u00e1lcool anidro com toler\u00e2ncia de 1% para mais ou menos.\n\nCom a lei de 1994 de prote\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, a qual determinava 22% de \u00c1lcool a gasolina, com essa medida o d\u00e9ficit atingiu um bilh\u00e3o de litros de \u00e1lcool. O programa Pro\u00e1lcool esta no ponto de entrar em colapso ent\u00e3o o governo federal resolve incentivar, porem as montadoras j\u00e1 haviam reduzido a produ\u00e7\u00e3o de carro a \u00e1lcool por conta do desabastecimento e os usineiros endividados come\u00e7aram a produzir a\u00e7\u00facar que era mais rent\u00e1vel. Devido \u00e0 dificuldade de abastecimento, o consumidor de carro a \u00e1lcool voltou para os carros movido a gasolina, para resolver o problema dos usineiros, o setor estava cobrando do governo um combust\u00edvel \u00fanico com maior porcentagem de \u00e1lcool a gasolina.\n\nNo final da d\u00e9cada de 80, os EUA, Jap\u00e3o e Europa desenvolveram uma nova tecnologia, flex fuels na qual o motor tem sensores que reconhecem os teores da mistura e ajustam automaticamente a opera\u00e7\u00e3o do motor para as condi\u00e7\u00f5es mais favor\u00e1veis ao seu uso. Em mar\u00e7o de 2003, as montadoras iniciaram a produ\u00e7\u00e3o de motores flex movidos com etanol hidratado, gasolina ou com qualquer mistura desses combust\u00edveis.\n\nComo vimos at\u00e9 agora o pro\u00e1lcool enfrentou grandes desafios, mas podemos afirmar que foram superados, com certeza outros desafios vir\u00e3o e dever\u00e3o ser tratados com muita responsabilidade por todos os envolvidos no processo, pois o Brasil saiu na frente no desenvolvendo de novas tecnologias, para a utiliza\u00e7\u00e3o de uma energia limpa e renov\u00e1vel de fontes como a biomassa da cana-de-a\u00e7\u00facar e outros vegetais, para que se transforme em um dos principais energ\u00e9ticos do s\u00e9culo 21.\n\n<strong>Manoel Ruiz<\/strong>\n\nPressionado pelo primeiro choque do petr\u00f3leo, causado pela guerra do Golfo P\u00e9rsico (Yom Kipur) e do embargo \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo cru pela OPEP, em 1973, o governo brasileiro criou, na segunda metade do ano de 1975, o programa denominado PRO\u00c1LCOOL.\n\nO\u00a0<strong>PRO\u00c1LCOOL\u00a0<\/strong>foi desenvolvido para incentivar a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool e viabilizar seu uso como combust\u00edvel para autom\u00f3veis e como mat\u00e9ria-prima para a ind\u00fastria qu\u00edmica.\n\nNa safra 75\/76, a produ\u00e7\u00e3o nacional de \u00e1lcool foi de 555.627 m3 (cerca de 158.750 barris de petr\u00f3leo), enquanto a produ\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo era de 160 mil barris\/dia, correspondente \u00e0 23% das necessidades do pa\u00eds.\n\nOs gastos com a importa\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo passaram de U$ 600 milh\u00f5es, em 1973, para U$ 2 bilh\u00f5es, em 1974. Mas, na segunda crise do petr\u00f3leo, em 1979, o pa\u00eds j\u00e1 fabricava autom\u00f3veis movidos a \u00e1lcool e a produ\u00e7\u00e3o de \u00e1lcool atingiu 3.396.455 m3.\n\nEm 1983, as vendas de carros a \u00e1lcool ultrapassaram o n\u00edvel dos anos anteriores (cerca de 200 mil ve\u00edculos\/ano, 38% do total de ve\u00edculos vendidos) para 581.000 ve\u00edculos\/ano (88,5% do total de ve\u00edculos vendidos).\n\nEm 1986, a produ\u00e7\u00e3o de carros a \u00e1lcool atingiu seu auge: 698.564 ve\u00edculos (92,0% do total de ve\u00edculos vendidos).\n\nFonte: www.sindacucar.com.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pro\u00e1lcool, Programa Nacional do \u00c1lcool, Hist\u00f3ria, Origem, Fases, Tabelas, Brasil, Governo Brasileiro, Vantagens, Benef\u00edcios, Como Surgiu, Pro\u00e1lcool<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5581,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-25473","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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