{"id":25454,"date":"2015-12-03T00:00:00","date_gmt":"2015-12-03T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/geografia-urbana-4\/"},"modified":"2015-12-03T00:00:00","modified_gmt":"2015-12-03T00:00:00","slug":"geografia-urbana-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/geografia-2\/geografia-urbana-4\/","title":{"rendered":"Geografia Urbana"},"content":{"rendered":"\nA Geografia urbana tem como objeto de estudo principal as cidades e o seus processos de produ\u00e7\u00e3o urbana. Isto \u00e9: como a cidade se reproduz, como as pessoas se aglomeram sob determinadas l\u00f3gicas sociais, produzindo assim tecidos urbanos.\n\nA sucess\u00e3o dos tempos faz com que diversas l\u00f3gicas sobrepostas estejam presentes em um mesmo espa\u00e7o. H\u00e1 l\u00f3gicas dominantes, mas estas possuem uma historicidade, intensidade e dura\u00e7\u00e3o. Cada nova l\u00f3gica encontrar\u00e1 a resist\u00eancias de todas as outras anteriores que ainda conseguirem deixar rastros f\u00edsicos.\n\n&#8220;A cidade \u00e9 uma sucess\u00e3o de tempos desiguais.&#8221; (mais ou menos isso), dita por Milton Santos. \u00c9 esta sucess\u00e3o de tempos de siguais que permite falar em diferentes fases de crescimento urbano. Fases estas que acompanham a evolu\u00e7\u00e3o da economia do respectivo pa\u00eds em que se encontram, modando desta forma a sua rede urbana consoante o grau de desenvolvimento atingido.\n\nFonte: pt.wikipedia.org\n<h6>Geografia Urbana<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nCoerente com essa premissa, \u00e9 muito importante que o processo de ensino-aprendizagem seja focado em conte\u00fados e estrat\u00e9gias que realcem a vincula\u00e7\u00e3o entre o conhecimento e o mundo real, de modo a que se alcance uma aprendizagem significativa de conte\u00fados relevantes para o aluno.\n\nEsclare\u00e7a-se, desde j\u00e1, que n\u00e3o se trata aqui de propor uma educa\u00e7\u00e3o utilit\u00e1ria, submissa aos interesses do mercado de trabalho. O intento \u00e9 advogar um processo de aprendizagem que, rico de significados e capaz de dar inteligibilidade ao mundo do qual faz parte o aluno, lhe seja mais prazeroso e atraente.\n<h2>O espa\u00e7o urbano, o espa\u00e7o do vivido<\/h2>\nPartindo dos princ\u00edpios referidos acima, entendemos ser coerente defender a pertin\u00eancia da tem\u00e1tica urbana como relevante no bojo de qualquer proposta pedag\u00f3gica, em especial, de ensino de geografia. Primeiramente porque, se pretendemos uma educa\u00e7\u00e3o que habilite o aluno a aumentar o seu grau de consci\u00eancia e poder de interfer\u00eancia sobre a sua realidade, o fen\u00f4meno urbano se imp\u00f5e pelo seu car\u00e1ter universal no mundo contempor\u00e2neo. A esse respeito, duas observa\u00e7\u00f5es s\u00e3o importantes para enquadrar adequadamente o que foi afirmado.\n\nQuando falamos em universalidade do fen\u00f4meno urbano n\u00e3o estamos apenas nos referindo aos percentuais da popula\u00e7\u00e3o que vive em aglomerados considerados como urbanos no mundo de hoje. De fato, em que pesem os problemas ligados \u00e0s metodologias de defini\u00e7\u00e3o de aglomerados urbanos e n\u00e3o-urbanos, pouco mais de 50% da popula\u00e7\u00e3o do planeta \u00e9 considerada urbana hoje, segundo a ONU. No Brasil, segundo o Censo 2000 do IBGE, a taxa \u00e9 de 81,2%[2].\n\nContudo, a id\u00e9ia do urbano como universal vai al\u00e9m dessa quest\u00e3o quantitativa. Mesmo aqueles que vivem nas \u00e1reas rurais s\u00e3o alcan\u00e7ados pelo fen\u00f4meno urbano em seu cotidiano. A tradicional separa\u00e7\u00e3o entre campo e cidade, vistos como dois mundos distintos, h\u00e1 muito deixou de fazer sentido, inclusive no Brasil. Ainda que continue existindo uma divis\u00e3o territorial do trabalho entre campo e cidade, esta assumiu claramente o comando desse processo.\n\nHoje o morador do campo n\u00e3o apenas consome, ou aspira consumir, os produtos e servi\u00e7os das atividades urbanas como at\u00e9 mesmo os valores e modos de viver da cidade est\u00e3o cada vez mais presentes no campo, gra\u00e7as principalmente ao desenvolvimento das redes de comunica\u00e7\u00e3o e de transporte. Essa realidade se aplica \u00e0 maior parte da popula\u00e7\u00e3o do Brasil, ou seja, aquela situada no Centro-Sul do pa\u00eds e em algumas parcelas do Norte e Nordeste. Um pequeno exemplo dessa interconex\u00e3o \u00e9 a cena, j\u00e1 banalizada, dos casebres em plena zona rural com suas parab\u00f3licas \u201cespetadas\u201d no teto.\n\nN\u00e3o \u00e9 por acaso que a maioria dos cientistas sociais pensa como o economista Paul Singer, que, j\u00e1 na d\u00e9cada de 70, afirmava que:\n\n\u201c(\u2026) hoje j\u00e1 \u00e9 leg\u00edtimo se colocar a d\u00favida quanto \u00e0 validade da distin\u00e7\u00e3o entre campo e cidade. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil prever uma situa\u00e7\u00e3o em que a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u201crural\u201d, no sentido ecol\u00f3gico, se dedique a fun\u00e7\u00f5es urbanas e que a pr\u00e1tica da agricultura \u2013 mecanizada, automatizada, computadorizada \u2013 em nada se distinga das demais atividades urbanas\u201d. (SINGER, 1995:27)\n\nSe tudo isso fosse pouco para mostrar o qu\u00e3o urbano \u00e9 o mundo atual, eis que temos tamb\u00e9m aqui no Brasil (seguindo a tend\u00eancia de outras \u00e1reas do mundo) o avan\u00e7o das atividades n\u00e3o-rurais no campo, diminuindo ainda mais a dist\u00e2ncia entre aqueles espa\u00e7os.\n\nSegundo dados da OCDE, em 1996, 36% dos americanos moravam na zona rural e apenas 7% dos domic\u00edlios do pa\u00eds viviam da atividade agr\u00edcola. No caso do Brasil, segundo dados citados no estudo \u201cO Brasil rural precisa de uma estrat\u00e9gia de desenvolvimento\u201d, coordenado por Jos\u00e9 Eli da Veiga, 22% da renda das fam\u00edlias rurais nordestinas vem de outras atividades que n\u00e3o a agropecu\u00e1ria. No Sudeste, as atividades externas \u00e0 agropecu\u00e1ria j\u00e1 perfazem 28,9% da renda rural.\n\nPor tudo isso, entendemos que tratar da tem\u00e1tica urbana em sala de aula \u00e9 abordar um tema que est\u00e1 profundamente associado \u00e0 realidade cotidiana dos alunos, seja como espa\u00e7o vivido, seja por estar envolvido no espa\u00e7o de rela\u00e7\u00f5es definido a partir das cidades, fazendo com que, em qualquer caso, o espa\u00e7o urbano seja uma refer\u00eancia fundamental para situar o indiv\u00edduo no mundo.\n<h2>A cidade como interface privilegiada entre o global e o local<\/h2>\nUm outro aspecto relevante a refor\u00e7ar o tem\u00e1rio urbano como importante vi\u00e9s da pr\u00e1tica pedag\u00f3gica em geografia, est\u00e1 nas perspectivas que ele enseja no sentido de forjar uma \u201cleitura de mundo\u201d do aluno-cidad\u00e3o. Esse objetivo, tantas vezes explicitado, pode ser alcan\u00e7ado a partir das possibilidades de amplia\u00e7\u00e3o da percep\u00e7\u00e3o espacial do educando e da sua capacidade de articular fen\u00f4menos e processos que ocorrem em diferentes escalas, tendo como ponto de partida a cidade. Como afirma Neil Smith:\n\n\u201c(&#8230;) esta concep\u00e7\u00e3o de espa\u00e7o n\u00e3o est\u00e1 ligada ao lugar imediato, mas implica a possibilidade de abstrair do lugar imediato e a possibilidade de se conceber uma extens\u00e3o espacial para al\u00e9m da experi\u00eancia imediata\u201d. (1988:124)\n\nDe fato, a conex\u00e3o espa\u00e7o-lugar no \u00e2mbito da Geografia n\u00e3o \u00e9 fortuita e tem origem na percep\u00e7\u00e3o de que os novos processos do sistema capitalista, em sua etapa monopolista-global, resultam em um espa\u00e7o geogr\u00e1fico que \u00e9 muito mais que a mera soma de suas partes. Esse espa\u00e7o \u00e9 compreens\u00edvel a partir de sua din\u00e2mica geral, pelas suas manifesta\u00e7\u00f5es singulares, e principalmente pela rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica entre ambas. Exemplos dessa vis\u00e3o podem ser observados nos trabalhos de Carlos (1996) e Santos (1996) . Para Carlos (1996:29) o lugar se apresentaria como o ponto de articula\u00e7\u00e3o entre a mundialidade em constitui\u00e7\u00e3o e o local, enquanto especificidade concreta, enquanto momento. Santos (1996:251-252) afirma que: \u201cOs lugares podem ser vistos como um interm\u00e9dio entre o Mundo e o Indiv\u00edduo (&#8230;) cada lugar \u00e9, \u00e0 sua maneira, o mundo\u201d, tra\u00e7ando um paralelo entre esta id\u00e9ia e a de \u201cglocalidade\u201d, de G. Benko (apud Santos, 1996:252), isto \u00e9, o lugar como interse\u00e7\u00e3o simult\u00e2nea de fen\u00f4menos globais e locais.\n\n\u00c9 essa acep\u00e7\u00e3o de lugar, na sua rela\u00e7\u00e3o dial\u00e9tica com o mundial, que fornece o suporte para entendermos que o urbano e sua materialidade b\u00e1sica, a cidade, constituem um rico campo de possibilidades para que o aluno possa entender o mundo a partir de sua viv\u00eancia na urbe. O fato de que a cidade (ou parte dela) \u00e9 um lugar que, simultaneamente, faz parte de uma rede de cidades, que se articulam em diferentes escalas hierarquizadas, torna poss\u00edvel sair da an\u00e1lise apenas idiogr\u00e1fica, da descri\u00e7\u00e3o do \u00fanico. O professor pode, a partir dos estudos urbanos, mostrar ao aluno que a sua cidade \u00e9 uma interessante (e nesse ponto \u00fanica) combina\u00e7\u00e3o de processos universais, particulares e singulares que se relacionam. Esta perspectiva do urbano aponta, inclusive, para uma rica possibilidade interdisciplinar em fun\u00e7\u00e3o da crescente tend\u00eancia de valoriza\u00e7\u00e3o da hist\u00f3ria local.\n\n\u00c9 bem verdade que, para o aluno da metr\u00f3pole, h\u00e1 que se introduzir a quest\u00e3o de que o lugar pode n\u00e3o ser (e na maioria dos casos n\u00e3o \u00e9) a cidade como um todo, mas uma parte dela (que pode at\u00e9 mesmo ser apenas um ou poucos bairros). Mas, de qualquer forma, mant\u00e9m-se a possibilidade de articular o espa\u00e7o vivido com o espa\u00e7o abstratamente concebido, o que constitui uma rica fonte de conhecimento e possibilidades de amplia\u00e7\u00e3o cognitiva.\n<h2>O espa\u00e7o urbano, o espa\u00e7o geogr\u00e1fico em sua plenitude<\/h2>\nSe partirmos da defini\u00e7\u00e3o, j\u00e1 cl\u00e1ssica, de Milton Santos (1996) de que o espa\u00e7o geogr\u00e1fico \u00e9 o conjunto indissoci\u00e1vel de sistemas de objetos e sistemas de a\u00e7\u00f5es, n\u00e3o h\u00e1 como deixar de reconhecer o car\u00e1ter did\u00e1tico do estudo do espa\u00e7o da cidade como estrat\u00e9gia de apreens\u00e3o do objeto de estudo da ci\u00eancia geogr\u00e1fica, cuja import\u00e2ncia na forma\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia espacial do cidad\u00e3o justifica a inclus\u00e3o daquela disciplina no curr\u00edculo escolar.\n\nOs sistemas de objetos podem ser subdivididos em dois subgrupos. Os sistemas naturais e os sistemas artificiais, os constructos humanos. Os sistemas de a\u00e7\u00f5es foram definidos por Milton Santos (1996) como os sistemas de processos dotados de prop\u00f3sito. Correspondem \u00e0 din\u00e2mica das sociedades que produzem o espa\u00e7o. \u00c9 esse \u201cdi\u00e1logo\u201d, entre a sociedade e seu espa\u00e7o, que constr\u00f3i e reconstr\u00f3i continuamente o espa\u00e7o geogr\u00e1fico.\n\nPelo exposto, fica claro que o espa\u00e7o urbano re\u00fane e expressa, de forma contundente, esses componentes estruturantes do espa\u00e7o geogr\u00e1fico. N\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil, por exemplo, desvelar para o aluno como a forma atual de sua cidade est\u00e1 intimamente relacionada \u00e0 rela\u00e7\u00e3o entre o processo hist\u00f3rico de ocupa\u00e7\u00e3o\/constru\u00e7\u00e3o e as caracter\u00edsticas do s\u00edtio urbano.\n\nDe igual modo, demonstrar, atrav\u00e9s da an\u00e1lise da segrega\u00e7\u00e3o social do espa\u00e7o urbano, as caracter\u00edsticas, contradi\u00e7\u00f5es e desigualdades da sociedade que construiu e constr\u00f3i o espa\u00e7o de vida do educando exp\u00f5e a ess\u00eancia do espa\u00e7o geogr\u00e1fico. Essa tarefa \u00e9 muito facilitada (especialmente em um pa\u00eds como o Brasil) pelas possibilidades abertas a partir da an\u00e1lise da paisagem e dos fatos extremamente familiares aos alunos, posto que presentes em seu espa\u00e7o vivido.\n\nAl\u00e9m disso, a an\u00e1lise dos espa\u00e7os urbanos constru\u00eddos em temporalidades pret\u00e9ritas, mas que em fun\u00e7\u00e3o da in\u00e9rcia espacial ainda fazem parte do espa\u00e7o do presente, permite n\u00e3o apenas construir a percep\u00e7\u00e3o de que a materialidade que comp\u00f5e o espa\u00e7o geogr\u00e1fico est\u00e1 sempre sendo redefinida, como tamb\u00e9m demonstrar a sua \u201cidade\u201d atrav\u00e9s da observa\u00e7\u00e3o dos sistemas t\u00e9cnicos que tais materialidades incorporam. Segundo Milton Santos (1996), essa \u00e9 a forma de se fazer o enquadramento temporal dos sistemas de objetos componentes do espa\u00e7o geogr\u00e1fico. Nesse sentido as perspectivas a partir da an\u00e1lise do espa\u00e7o citadino s\u00e3o in\u00fameras, pelo menos naquelas que n\u00e3o sejam muito recentes e para aquelas que conseguiram preservar fra\u00e7\u00f5es razo\u00e1veis de sua mem\u00f3ria urbana.\nElementos te\u00f3ricos fundamentais para a proposta pedag\u00f3gica de construir um olhar geogr\u00e1fico a partir do urbano: algumas reflex\u00f5es\n\nSe desejamos um ensino de geografia que v\u00e1 al\u00e9m de fornecer informa\u00e7\u00f5es com \u201cprazo de validade\u201d, \u00e9 fundamental que a aprendizagem esteja pautada em elementos te\u00f3ricos que, em conjunto, possam dotar o aluno de uma compet\u00eancia intelectual capaz de ampliar a sua compreens\u00e3o da din\u00e2mica do mundo \u00e0 sua volta.\n\n\u00c9 not\u00f3rio que o car\u00e1ter intrinsecamente interdisciplinar dos estudos urbanos vincule esse campo de investiga\u00e7\u00e3o a categorias, conceitos e processos que n\u00e3o est\u00e3o restritos \u00e0 ci\u00eancia geogr\u00e1fica, e \u00e9 saud\u00e1vel que assim o seja. Contudo, esse fato n\u00e3o deve nos demover da iniciativa de enfrentar uma dif\u00edcil tarefa. Trata-se de tentar definir quais os processos, categorias e conceitos que poderiam ser chamados de essenciais para a proposta pedag\u00f3gica de constru\u00e7\u00e3o de um olhar geogr\u00e1fico a partir do fen\u00f4meno urbano.\n\nMesmo sabendo que a maior parte desses elementos te\u00f3ricos n\u00e3o constitui \u201cpropriedade exclusiva\u201d da geografia, temos que, em muitos casos, a apropria\u00e7\u00e3o e seu uso nessa ci\u00eancia confere-lhe significados e aplica\u00e7\u00f5es distintas das verificadas em outros campos do conhecimento. Assim, justifica-se a pertin\u00eancia da empreitada, uma vez que nosso objetivo \u00e9 contribuir para balizar o ensino b\u00e1sico de geografia.\n\nEsse prop\u00f3sito vai tamb\u00e9m ao encontro das muitas tentativas de renova\u00e7\u00e3o do ensino de geografia, empreendidos de forma significativa h\u00e1 pelo menos vinte e cinco anos, no sentido de um ensino de geografia n\u00e3o-idiogr\u00e1fico e capaz de capacitar o homem comum a interpretar os fen\u00f4menos e formas s\u00f3cio-espaciais de seu cotidiano nas suas variadas escalas. Para isso, entendemos que os quadros te\u00f3ricos de refer\u00eancia s\u00e3o fundamentais, pois eles permitem que o aluno seja capaz de transferir o conhecimento adquirido na sala de aula para situa\u00e7\u00f5es novas em seu cotidiano.\n\n\u201cA forma\u00e7\u00e3o de conceitos \u00e9 uma habilidade fundamental para a vida cotidiana. Os instrumentos conceituais s\u00e3o importantes porque ajudam as pessoas a categorizarem o real, a classific\u00e1-lo, a fazer generaliza\u00e7\u00f5es. Os conceitos s\u00e3o importantes mediadores da rela\u00e7\u00e3o das pessoas com a realidade; eles nos libertam da escravid\u00e3o do particular\u201d (COLL SALVADOR, 1997 Apud CAVALCANTI, 2002, p.36)\n\nDa proposta acima, mesmo como um desdobramento dela, surge outra mais complexa, ainda que indispens\u00e1vel para que aquela adquira operacionalidade. Estamos falando da quest\u00e3o crucial a respeito de qual seria a melhor distribui\u00e7\u00e3o do conjunto te\u00f3rico, que se venha a definir como necess\u00e1rio, ao longo das s\u00e9ries dos n\u00edveis de ensino m\u00e9dio e fundamental.\n\nTal arranjo deve, em termos pedag\u00f3gicos ideais, respeitar os diferentes n\u00edveis cognitivos do alunado, de forma a definir quais conceitos devem ser apresentados em cada momento da vida escolar, o grau de aprofundamento que pode ser atingido naquela s\u00e9rie para os processos a serem apreendidos, as escalas de an\u00e1lise mais adequadas e as inter-rela\u00e7\u00f5es poss\u00edveis. Al\u00e9m disso, como se j\u00e1 n\u00e3o fosse muito a fazer, essa proposta deve estar horizontalmente referenciada com outros conte\u00fados da pr\u00f3pria geografia e de outras disciplinas, de modo a garantir coer\u00eancia com os pr\u00e9-requisitos necess\u00e1rios.\n\nUm elemento motivador para o trabalho proposto no par\u00e1grafo anterior \u00e9 evitar a eterna repeti\u00e7\u00e3o de conte\u00fados abordados em determinada s\u00e9rie do ensino fundamental para, depois, serem esquecidos nas s\u00e9ries seguintes e serem retomados de forma muito semelhante no ensino m\u00e9dio, a t\u00edtulo de aprofundamento. O resultado \u00e9 a falta de conceitos e no\u00e7\u00f5es fundamentais para que o pretendido aprofundamento possa ser realizado, obrigando o professor do ensino m\u00e9dio a efetivamente ensin\u00e1-los (ou seja come\u00e7ar do zero) ou impedindo que os objetivos sejam alcan\u00e7ados. Em alguns casos, os fundamentos te\u00f3ricos at\u00e9 foram competentemente trabalhados, mas o hiato entre a s\u00e9rie em que eles foram trabalhados e a s\u00e9rie em que eles s\u00e3o retomados dificulta muito sua recupera\u00e7\u00e3o. Esse fato corriqueiro em nossa pr\u00e1tica pedag\u00f3gica s\u00f3 atesta a import\u00e2ncia de encontrarmos formas de oportunizar aos alunos a utiliza\u00e7\u00e3o, nas s\u00e9ries subseq\u00fcentes, de referenciais te\u00f3ricos assimilados nas s\u00e9ries precedentes.\n\nNota-se facilmente que a agenda n\u00e3o \u00e9 pequena e este trabalho n\u00e3o tem, obviamente, a pretens\u00e3o de esgot\u00e1-la. O que se pretende \u00e9 contribuir com algumas reflex\u00f5es que possam constituir um ponto de partida para a discuss\u00e3o, pelo menos no que tange aos processos e conceitos essenciais para o ensino da geografia a partir do urbano.\n\nEntendemos que o ponto de partida dessa proposta deve ser o de definirmos, dentro do mega-processo de urbaniza\u00e7\u00e3o, quais fen\u00f4menos, formas espaciais e processos constituiriam o conjunto capaz de vertebrar o processo pedag\u00f3gico em tela. Dentro de um primeiro esfor\u00e7o de sistematiza\u00e7\u00e3o, julgamos apropriado listar esses quadros de refer\u00eancia em tr\u00eas grupos: processos, formas espaciais e temas integradores e de aprofundamento. Achamos apropriado, tamb\u00e9m, separar os dois primeiros grupos de acordo com sua pertin\u00eancia \u00e0s duas cl\u00e1ssicas escalas de an\u00e1lise do fen\u00f4meno urbano: a intra-urbana e a da rede urbana. O resultado pode ser conferido no quadro abaixo:\n<h2>Escala Intra-Urbana<\/h2>\n<h2>Escala da Rede Urbana<\/h2>\n<h2>Processos<\/h2>\n\u00a7 Segrega\u00e7\u00e3o urbana (induzida e espont\u00e2nea)\n\n\u00a7 Intera\u00e7\u00f5es (s\u00f3cio)espaciais\n\n\u00a7 Periferiza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Suburbaniza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Centraliza\u00e7\u00e3o\/Descentraliza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Intera\u00e7\u00f5es (s\u00f3cio)espaciais\n\n\u00a7 Hierarquiza\u00e7\u00e3o das cidades\n\n\u00a7 Metropoliza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Centraliza\u00e7\u00e3o\/Descentraliza\u00e7\u00e3o\n<h2>Formas<\/h2>\n\u00a7 Bairro\n\n\u00a7 Favela\n\n\u00a7 \u00c1rea Central\n\n\u00a7 Sub-Centros Comerciais Shopping Centers\n\n\u00a7 Sub\u00farbios\n\n\u00a7 Sistema de Transporte\n\n\u00a7 Espa\u00e7o peri-urbano\n\n\u00a7 Cidade\n\n\u00a7 Aglomerado urbano\n\n\u00a7 Aglomera\u00e7\u00e3o urbana (com e sem conurba\u00e7\u00e3o)\n\n\u00a7 Rede Urbana\n\n\u00a7 Metr\u00f3pole\n\n\u00a7 Regi\u00e3o Metropolitana\n\n\u00a7 Megal\u00f3pole\n\n\u00a7 Megacidades\n\n\u00a7 Cidades Globais\n\n\u00a7 Sistema de Transporte\n\n\u00a7 Sistemas de Comunica\u00e7\u00e3o\n<h2>Temas Integradores e de Aprofundamento<\/h2>\n\u00a7 S\u00edtio Urbano\n\n\u00a7 A cidade como acumula\u00e7\u00e3o desigual de tempos hist\u00f3ricos\n\n\u00a7 As rela\u00e7\u00f5es entre atividades econ\u00f4micas e o processo de urbaniza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Fun\u00e7\u00f5es urbanas\n\n\u00a7 A cidade como centro de gest\u00e3o do territ\u00f3rio\n\n\u00a7 A cidade como difusora de bens e informa\u00e7\u00f5es\n\n\u00a7 As rela\u00e7\u00f5es campo-cidade\n\n\u00a7 O papel do Estado no processo de urbaniza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Movimentos sociais urbanos\n\n\u00a7 Cultura e urbaniza\u00e7\u00e3o\n\n\u00a7 Meio ambiente urbano\n\nO objetivo do quadro sin\u00f3tico acima \u00e9 que ele constitua um ponto de partida para os prop\u00f3sitos do ensino da geografia urbana, a respeito dos quais discorremos anteriormente. Sabemos que muito precisa ser feito para que ele adquira operacionalidade, em especial quanto \u00e0 tarefa de definir a(s) s\u00e9rie(s) nas quais cada conceito e cada processo devem ser apresentados e em quais momentos eles devem ser aprofundados. Contudo, esperamos que seja \u00fatil \u00e0s reflex\u00f5es subseq\u00fcentes.\n<h2>Conclus\u00e3o<\/h2>\nMuito ainda precisa e pode ser feito no desenvolvimento de metodologias de ensino de geografia, em particular no que tange \u00e0 tem\u00e1tica urbana. Muito se tem dito a respeito de integrar a produ\u00e7\u00e3o acad\u00eamica da geografia com a disciplina ensinada no ensino b\u00e1sico. A tarefa de estruturar propostas pedag\u00f3gicas, adequadas \u00e0s demandas da sociedade brasileira em geral e do alunado em particular, imp\u00f5e-se como uma necessidade. N\u00e3o apenas em fun\u00e7\u00e3o da necessidade de tornar mais efetiva e prazerosa a atividade docente, mas tamb\u00e9m por que os descaminhos da geografia ensinada em sala de aula abrem flanco para o questionamento da pertin\u00eancia da disciplina (ou, no m\u00ednimo, da carga hor\u00e1ria a ela atribu\u00edda) na grade curricular do ensino b\u00e1sico, conforme j\u00e1 ocorreu aqui e em outros pa\u00edses.\n\nCumpre assim que um n\u00famero crescente de docentes lancem-se \u00e0 tarefa coletiva de construir um conjunto de iniciativas que permitam formar um corpo metodol\u00f3gico que, no seu pluralismo, ofere\u00e7a embasamento s\u00f3lido para o grande n\u00famero de profissionais que cotidianamente est\u00e3o envolvidos com a dissemina\u00e7\u00e3o do conhecimento e do olhar geogr\u00e1fico para a sociedade civil, com todas as possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o social que isso representa.\n\nFonte: www.igeo.uerj.br\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Geografia Urbana, Estudo, Objetivo, O que \u00e9, L\u00f3gica, Espa\u00e7o, Cidade, Globaliza\u00e7\u00e3o, Localiza\u00e7\u00e3o, Caractert\u00edsticas, Geografia Urbana<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[52],"tags":[],"class_list":["post-25454","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geografia-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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