{"id":25398,"date":"2015-12-01T00:00:00","date_gmt":"2015-12-01T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/futurismo-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:47:52","modified_gmt":"2026-09-01T17:47:52","slug":"futurismo-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/futurismo-4\/","title":{"rendered":"Futurismo"},"content":{"rendered":"\nO <strong>Futurismo<\/strong> \u00e9 um movimento art\u00edstico criado na It\u00e1lia em 1909 pelo poeta Filippo Tommaso Marinetti.\u00a0Foi um movimento que veio, de maneira muito forte, contra a tradi\u00e7\u00e3o,\u00a0ressaltava\u00a0aspectos din\u00e2micos da vida contempor\u00e2nea: velocidade e mecaniza\u00e7\u00e3o.\n\nOs poetas e pintores flagravam\u00a0 movimento e a simultaneidade dos objetos: aqueles, por meio de pontua\u00e7\u00e3o, sintaxe, forma e significados novos; estes, pela repeti\u00e7\u00e3o de formas, ressaltando linhas de for\u00e7a, aus\u00eancia de divis\u00e3o entre os objetos e espa\u00e7o.\n\nOs artistas futuristas foram os\u00a0pioneiros\u00a0na utiliza\u00e7\u00e3o de\u00a0ru\u00eddos na m\u00fasica e, cr\u00edtica e humoristicamente, criaram at\u00e9 um &#8220;teatro sint\u00e9tico futurista&#8221;, com pe\u00e7as cujos atos duravam menos de cinco minutos.\n\nPortal S\u00e3o Francisco\n\n<strong>Futurismo &#8211; O que foi<\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-131278 size-full\" title=\"Futurismo\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/futurismo.jpg\" alt=\"Futurismo\" width=\"400\" height=\"300\" \/><\/p>\n<strong>Iniciado:<\/strong> 1909\n\n<strong>Finalizado:<\/strong> final de 1920\n\nO <strong>Futurismo<\/strong> foi um movimento de arte de vanguarda lan\u00e7ado na It\u00e1lia, em 1909, apesar de movimentos paralelos terem surgido na R\u00fassia, Inglaterra e outros lugares.\n\nFoi um dos primeiros importantes movimentos de arte moderna n\u00e3o centradas em Paris &#8211; uma raz\u00e3o pela qual n\u00e3o \u00e9 levado a s\u00e9rio na Fran\u00e7a.\n\nO <strong>Futurismo<\/strong> exaltou o dinamismo do mundo moderno, especialmente a sua ci\u00eancia e tecnologia.\n\nA ideologia futurista influenciou todos os tipos de arte.\n\nCome\u00e7ou na literatura, mas se espalhar para todos os meios, incluindo a pintura, escultura, desenho industrial, arquitetura, cinema e m\u00fasica.\n\nNo entanto, a maioria dos seus principais expoentes eram pintores.\n\nDeixou de ser uma for\u00e7a est\u00e9tica em 1915, logo ap\u00f3s o in\u00edcio da Primeira Guerra Mundial, mas permaneceu na It\u00e1lia at\u00e9 a d\u00e9cada de 1930.\n<h4>Futurismo &#8211; O que \u00e9<\/h4>\nO <strong>Futurismo<\/strong> foi um Movimento art\u00edstico e liter\u00e1rio\u00a0iniciado oficialmente em 1909 com a publica\u00e7\u00e3o do Manifesto Futurista, do poeta italiano Filippo Marinetti (1876-1944), no jornal franc\u00eas Le Figaro. O texto rejeita o moralismo e o passado, exalta a viol\u00eancia e prop\u00f5e um novo tipo de beleza, baseado na velocidade.\n\nO apego do\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0ao novo \u00e9 t\u00e3o grande que chega a defender a destrui\u00e7\u00e3o de museus e de cidades antigas. Agressivo e extravagante, encara a guerra como forma de higienizar o mundo.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0produz mais manifestos &#8211; cerca de 30, de 1909 a 1916 &#8211; que obras, embora esses textos tamb\u00e9m sejam considerados express\u00f5es art\u00edsticas. H\u00e1 enorme repercuss\u00e3o, principalmente na Fran\u00e7a e na It\u00e1lia, onde v\u00e1rios artistas, entre eles Marinetti, se identificam com o fascismo nascente. Ap\u00f3s a I Guerra Mundial, o\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0entra em decad\u00eancia, mas seu esp\u00edrito influencia o dad\u00e1.\n\n<strong>Artes pl\u00e1sticas<\/strong>\n\nAs obras refletem o mesmo ritmo e esp\u00edrito da sociedade industrial. Para expressar velocidade na pintura, os artistas recorrem \u00e0 repeti\u00e7\u00e3o dos tra\u00e7os das figuras.\n\nSe querem mostrar muitos acontecimentos ao mesmo tempo, adaptam t\u00e9cnicas do cubismo. Na escultura, os futuristas fazem trabalhos experimentais com vidro e papel e seu expoente \u00e9 o pintor e escultor italiano Umberto Boccioni (1882-1916). Sua escultura Formas \u00danicas na Continuidade do Espa\u00e7o (1913) &#8211; interse\u00e7\u00e3o de in\u00fameros volumes distorcidos &#8211; \u00e9 uma das obras emblem\u00e1ticas do<strong>futurismo<\/strong>. Nela se capta a id\u00e9ia de\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0e de for\u00e7a.\n\nPreocupados com a intera\u00e7\u00e3o entre as artes, alguns pintores e escultores se aproximam da m\u00fasica e do teatro. O pintor italiano Luigi Russolo (1885-1947), por exemplo, cria instrumentos musicais e os utiliza em apresenta\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.\n\nNa R\u00fassia, o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0tem papel importante na prepara\u00e7\u00e3o da Revolu\u00e7\u00e3o Russa (1917) e caracteriza as pinturas de Lari\u00f3nov (1881-1964) e Gontcharova (1881-1962).\n\n<strong>Literatura<\/strong>\n\nAs principais manifesta\u00e7\u00f5es ocorrem na poesia italiana. Sempre a servi\u00e7o de causas pol\u00edticas, a primeira antologia sai em 1912. O texto \u00e9 marcado pela destrui\u00e7\u00e3o da sintaxe, dos conectivos e da pontua\u00e7\u00e3o, substitu\u00edda por s\u00edmbolos matem\u00e1ticos e musicais. A linguagem \u00e9 espont\u00e2nea e as frases s\u00e3o fragmentadas para expressar velocidade. Os autores abolem os temas l\u00edricos e incorporam \u00e0 poesia palavras ligadas \u00e0 tecnologia. As id\u00e9ias de Marinetti, mais atuante como te\u00f3rico que como poeta, influenciam o poeta cubista franc\u00eas Guillaume Apollinaire (1880-1918).\n\nNa R\u00fassia, o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0se expressa basicamente na literatura &#8211; enquanto os autores italianos se identificam com o fascismo, os russos aliam-se \u00e0 esquerda.\n\nVlad\u00edmir Maiak\u00f3vski (1893-1930), o poeta da Revolu\u00e7\u00e3o Russa, aproxima a poesia do povo. Viktor Khl\u00e9bnikov (1885-1922) \u00e9 outro poeta de destaque.\n\n<strong>Teatro<\/strong>\n\nIntroduz a tecnologia nos espet\u00e1culos e tenta interagir com o p\u00fablico. O manifesto de Marinetti sobre teatro, de 1915, defende representa\u00e7\u00f5es de apenas dois ou tr\u00eas minutos, um pequeno texto, ou nenhum texto, v\u00e1rios objetos em cena e poucos atores.\n\nAs experi\u00eancias na It\u00e1lia concentram-se no teatro experimental fundado em 1922 pelo italiano Anton Giulio Bragaglia (1890-1960). Marinetti tamb\u00e9m publica uma obra dram\u00e1tica em 1920, Elettricit\u00e0 Sensuale, mesmo t\u00edtulo de uma pe\u00e7a sua escrita em 1909.\n\n<strong>FUTURISMO\u00a0NO BRASIL<\/strong>\n\nO\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0colabora para desencadear o modernismo, que dominou as artes ap\u00f3s a Semana de Arte Moderna de 1922. Os modernistas usam algumas das t\u00e9cnicas do futurismo e discutem suas id\u00e9ias, mas rejeitam o r\u00f3tulo, identificado com o fascista Marinetti.\n\n<strong>Caracter\u00edsticas do Futurismo<\/strong>\n<blockquote>Dinamicidade\nAspectos mec\u00e2nicos\nVelocidade abstrata\nUso de elementos geom\u00e9tricos\nEsquemas sucessivos de representa\u00e7\u00e3o do objeto pict\u00f3rico, como exposi\u00e7\u00e3o fotogr\u00e1fica m\u00faltipla.\nMovimentos animados pela fragmenta\u00e7\u00e3o das figuras representadas, conforme o modernismo. ( no final da fase fica pr\u00f3ximo ao cubismo )<\/blockquote>\n<strong>Principais artistas<\/strong>\n<blockquote>Umberto Boccioni\nCarlo Carr\u00e1\nLuigi Russolo\nGino Severini\nGiacomo Balla<\/blockquote>\n<strong>Manifesto Futurista<\/strong>\n\n<strong>Filippo Tommaso Marinett<\/strong>\n\n<strong>20 de fevereiro de 1909, publicado no jornal franc\u00eas Le Figaro<\/strong>\n<blockquote>\u00931. N\u00f3s pretendemos cantar o amor ao perigo, o h\u00e1bito da energia e a intrepidez.\n2. Coragem, aud\u00e1cia, e revolta ser\u00e3o elementos essenciais da nossa poesia.\n3. Desde ent\u00e3o a literatura exaltou uma imobilidade pesarosa, \u00eaxtase e sono. N\u00f3s pretendemos exaltar a a\u00e7\u00e3o agressiva, uma ins\u00f3nia febril, o progresso do corredor, o salto mortal, o soco e a bofetada.\n4.\u00a0<strong>N\u00f3s afirmamos que a magnifici\u00eancia do mundo foi enriquecida por uma nova beleza:<\/strong>\u00a0a beleza da velocidade. Um carro de corrida cuja capota \u00e9 adornada com grandes canos, como serpentes de respira\u00e7\u00f5es explosivas de um carro bravejante que parece correr na metralha \u00e9 mais bonito do que a Vit\u00f3ria da Samotr\u00e1cia.\n5. N\u00f3s queremos cantar hinos ao homem e \u00e0 roda, que arremessa a lan\u00e7a de seu esp\u00edrito sobre a Terra, ao longo de sua \u00f3rbita\n6. O poeta deve esgotar a si mesmo com ardor, esplendor, e generosidade, para expandir o fervor entusi\u00e1stico dos elementos primordiais.\n7. Excepto na luta, n\u00e3o h\u00e1 beleza. Nenhum trabalho sem um car\u00e1cter agressivo pode ser uma obra de arte. Poesia deve ser concebida como um ataque violento em for\u00e7as desconhecidas, para reduzir e serem prostradas perante o homem.\n8. N\u00f3s estamos no \u00faltimo promont\u00f3rio dos s\u00e9culos!\u0085 Porque n\u00f3s dever\u00edamos olhar para tr\u00e1s, quando o que queremos \u00e9 atravessar as portas misteriosas do Imposs\u00edvel? Tempo e Espa\u00e7o morreram ontem. N\u00f3s j\u00e1 vivemos no absoluto, porque n\u00f3s criamos a velocidade, eterna, omnipresente.\n9. N\u00f3s glorificaremos a guerra \u0097 a \u00fanica higiene militar, patriotismo, o gesto destrutivo daqueles que trazem a liberdade, ideias pelas quais vale a pena morrer, e o escarnecer da mulher.\n10. N\u00f3s destruiremos os museus, bibliotecas, academias de todo o tipo, lutaremos contra o moralismo, feminismo, toda a cobardice oportunista ou utilit\u00e1ria.\n11. N\u00f3s cantaremos as grandes multid\u00f5es excitadas pelo trabalho, pelo prazer, e pelo tumulto; n\u00f3s cantaremos a can\u00e7\u00e3o das mar\u00e9s de revolu\u00e7\u00e3o, multicoloridas e polif\u00f3nicas nas modernas capitais; n\u00f3s cantaremos o vibrante fervor nocturno de arsenais e estaleiros em chamas com violentas luas el\u00e9ctricas; esta\u00e7\u00f5es de comboio cobi\u00e7osas que devoram serpentes emplumadas de fuma\u00e7a; f\u00e1bricas pendem em nuvens por linhas tortas de suas fuma\u00e7as; pontes que transp\u00f5em rios, como ginastas gigantes, lampejando no sol com um brilho de facas; navios a vapor aventureiros que fungam o horizonte; locomotivas de peito largo cujas rodas atravessam os trilhos como o casco de enormes cavalos de a\u00e7o freados por tubula\u00e7\u00f5es; e o voo macio de avi\u00f5es cujos propulsores tagarelam no vento como faixas e parecem aplaudir como um p\u00fablico entusiasmado.<\/blockquote>\n<h4>Futurismo &#8211; M<strong>ovimentos de Vanguarda<\/strong><\/h4>\nFoi um\u00a0<strong>movimento liter\u00e1rio art\u00edstico\u00a0<\/strong>surgido na Europa, na primeira d\u00e9cada do s\u00e9c XX.\n\nO\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0reivindicava uma ruptura com o passado, buscando novas formas, assuntos e estilo, que melhor representaria a modernidade, era das m\u00e1quinas, aeroplanos, f\u00e1bricas e da\u00a0<strong>velocidade<\/strong>.\n\n<strong>O lema central era &#8220;liberdade para a palavra&#8221; e, neste sentido, afirmava o manifesto:\u00a0<\/strong>&#8220;destruir a sintaxe&#8221;. Pretendiam defender o uso do verbo no infinito e abolir adv\u00e9rbios e adjetivos, assim, acompanhar cada substantivo de outro com fun\u00e7\u00e3o de adjetivo. Pretendiam buscar analogia cada vez mais simples e suprimir a pontua\u00e7\u00e3o.\n\nNas artes pl\u00e1sticas procuravam obter a m\u00e1xima desordem abolindo o lado psicol\u00f3gico. Exaltou o culto ao perigo e na\u00a0<strong>velocidade<\/strong>encontrou a sua melhor express\u00e3o. &#8221; Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova &#8211; a\u00a0<strong>velocidade<\/strong>&#8221;\n\nO\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0atingiu o campo pol\u00edtico pregando o nacionalismo, viol\u00eancia e a pr\u00e1tica da guerra que na It\u00e1lia levou base ao fascismo.\n\nFoi um\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0forte, com grandes pretens\u00f5es, pois queria atingir diversas artes (m\u00fasica, pintura, dan\u00e7a, poesia, teatro e cinema).\n\nNo Brasil ele se iniciou com a semana de arte moderna reuni\u00e3o artistas modernistas no Brasil (sic)*, no qual houve exposi\u00e7\u00f5es, debates, declama\u00e7\u00f5es, et coetera.\n\nDesta semana, difundiu se os ideais da vanguarda de origem europ\u00e9ia originando o modernismo brasileiro.\n\nNaturalmente os\u00a0<strong>movimentos de vanguarda\u00a0<\/strong>declinaram enfim todo o rebuli\u00e7o, renova\u00e7\u00e3o repentinas se apagaram.\n<h4>Futurismo &#8211; <strong>Movimento Futurista<\/strong><\/h4>\nAp\u00f3s o nascimento do Cubismo, o mundo testemunhou grandes mudan\u00e7as; a Europa estava numa \u00e9poca de r\u00e1pida industrializa\u00e7\u00e3o, a tecnologia disparou em velocidade m\u00e1xima transformando o mundo agr\u00e1rio em industrial e o mundo rural em urbano e os <strong>futuristas<\/strong> exaltaram esta velocidade.\n\nO\u00a0<strong>movimento futurista\u00a0<\/strong>foi fundado pelo poeta italiano Fillippo Tomasso Marinetti (1876-1944) que em seu manifesto publicado em Paris, em 20 fevereiro de 1909 proclamava o fim da arte passada, exigindo a renova\u00e7\u00e3o total da cultura e da arte. Buscavam tornar a It\u00e1lia livre do peso de sua hist\u00f3ria (per\u00edodo da Primeira Guerra Mundial) e inser\u00ed-la no mundo moderno. Ao poeta, juntaram-se outros artistas que propunham a exalta\u00e7\u00e3o do futuro, da t\u00e9cnica, da ra\u00e7a, da velocidade. Neste sentido, glorificavam o ritmo da vida moderna, a era das m\u00e1quinas com a eletricidade, o autom\u00f3vel e o avi\u00e3o.\n\nA poesia transformou-se em \u0093palavras em liberdade\u0094 e em \u0093palavras visuais\u0094, representadas de forma extravagantes; a m\u00fasica transformou-se numa entoa\u00e7\u00e3o de ru\u00eddos executada com novos instrumentos musicais.\n\nEm abril de 1910, era lan\u00e7ado o Manifesto da Pintura Futurista.\n\nTanto na pintura como na escultura, os futuristas tentaram por todos os meios reproduzir o\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0(velocidade: compunham seres humanos ou animais com m\u00faltiplos membros dispostos radialmente e em\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0triangular) e decompondo as partes (como os planos quebrados e recortados do Cubismo) combinando com as cores fortes do Fauvismo. Portanto, a arte futurista \u00e9 a soma do estilo cubista, com o uso arbitr\u00e1rio das cores numa composi\u00e7\u00e3o din\u00e2mica.\n\nO\u00a0<strong>movimento<\/strong>, a velocidade, a vida moderna, a viol\u00eancia, as m\u00e1quinas e a quebra com a arte do passado eram as principais metas do\u00a0<strong>Futurismo<\/strong>.\n\n<strong>A Primeira Guerra Mundial e a morte do pintor e escultor italiano Umberto Boccioni em 1916, ferido em conflito, foi um golpe decisivo para o movimento que acabou se dissolvendo por\u00e9m, serviu para chamar a aten\u00e7\u00e3o para a nova vida que se punha a frente:<\/strong>\u00a0a vida com as m\u00e1quinas.\n\n<strong>Os futuristas mais famosos foram:<\/strong>\n<blockquote>Umberto Boccioni (1882-1916)\nGiacomo Balla (1871-1958)\nGino Severini (1883-1966)\nLuigi Russolo (1886-1947)\nFortunato Depero (1892-1960)\nCarlo Carr\u00e1 (1881-1966)<\/blockquote>\n<h4>Futurismo &#8211; Origem<\/h4>\n<strong>Movimento art\u00edstico e liter\u00e1rio\u00a0<\/strong>que teve origem no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, antes da Primeira Guerra Mundial, e que se desenvolve na Europa, sobretudo em It\u00e1lia, com os trabalhos de F. T. Marinetti, que estudara em Paris, onde publicou La conqu\u00eate des \u00e9toiles (1902) e Destruction (1904), livros que despertaram o interesse de escritores de cr\u00e9ditos j\u00e1 firmados na \u00e9poca como P. Claudel.\n\n<strong>Como principais representantes da escola italiana de Marinetti temos:<\/strong>\n<blockquote>Paolo Buzzi (1874-1956)\nArdengo Soffici (1879-1964)\nGiovanni Papini (1881-1956)\nEnrico Cavacchioli (1884-1954)\nCorrado Govoni (1884-1965)\nAldo Palazzeschi (1885-1974)\nLuciano Folgore (1888-1966)<\/blockquote>\n<strong>Mas foi Marinetti o maior protagonista do futurismo e foi ele quem elaborou o primeiro manifesto futurista, publicado em Le Figaro, em 1909, cujo original em italiano cont\u00e9m as seguintes premissas:<\/strong>\n<blockquote><strong>1.<\/strong>\u00a0Noi vogliamo cantare l\u0092amor del pericolo, l\u0092abitudine all\u0092energia e alla temerit\u00e0.<strong>\n2.<\/strong>\u00a0Il coraggio, l\u0092audacia, la ribellione, saranno elementi essenziali della nostra poesia.<strong>\n3.<\/strong>\u00a0La letteratura esalt\u00f2 fino ad oggi l\u0092immobilit\u00e0 pensosa, l\u0092estasi e il sonno. Noi vogliamo esaltare il movimento aggressivo, l\u0092insonnia febbrile, il passo di corsa, il salto mortale, lo schiaffo ed il pugno.<strong>\n4.<\/strong>\u00a0<strong>Noi affermiamo che la magnificenza del mondo si \u00e8 arricchita di una bellezza nuova:\u00a0<\/strong>la bellezza della velocit\u00e0. Un automobile da corsa col suo cofano adorno di grossi tubi simili a serpenti dall\u0092alito esplosivo&#8230; un automobile ruggente, che sembra correre sulla mitraglia, \u00e8 pi\u00f9 bello della Vittoria di Samotracia.<strong>\n5.\u00a0<\/strong>Noi vogliamo inneggiare all\u0092uomo che tiene il volante, la cui asta ideale attraversa la Terra, lanciata a corsa, essa pure, sul circuito della sua orbita.<strong>\n6.\u00a0<\/strong>Bisogna che il poeta si prodighi, con ardore, sfarzo e munificenza, per aumentare l\u0092entusiastico fervore degli elementi primordiali.<strong>\n7.\u00a0<\/strong>Non v\u0092\u00e8 pi\u00f9 bellezza, se non nella lotta. Nessuna opera che non abbia un carattere aggressivo pu\u00f2 essere un capolavoro. La poesia deve essere concepita come un violento assalto contro le forze ignote, per ridurle a prostrarsi davanti all\u0092uomo.<strong>\n8.<\/strong>\u00a0Noi siamo sul promontorio estremo dei secoli!&#8230; Perch\u00e9 dovremmo guardarci alle spalle, se vogliamo sfondare le misteriose porte dell\u0092Impossibile? Il Tempo e lo Spazio morirono ieri. Noi viviamo gi\u00e0 nell\u0092assoluto, poich\u00e9 abbiamo gi\u00e0 creata l\u0092eterna velocit\u00e0 onnipresente.<strong>\n9.\u00a0<\/strong>Noi vogliamo glorificare la guerra -sola igiene del mondo- il militarismo, il patriottismo, il gesto distruttore dei libertar\u00ee, le belle idee per cui si muore e il disprezzo della donna.<strong>\n10.\u00a0<\/strong>Noi vogliamo distruggere i musei, le biblioteche, le accademie d\u0092ogni specie, e combattere contro il moralismo, il femminismo e contro ogni vilt\u00e0 opportunistica o utilitaria.<strong>\n11. Noi canteremo le grandi folle agitate dal lavoro, dal piacere o dalla sommossa:<\/strong>\u00a0canteremo le maree multicolori o polifoniche delle rivoluzioni nelle capitali moderne; canteremo il vibrante fervore notturno degli arsenali e dei cantieri incendiati da violente lune elettriche; le stazioni ingorde, divoratrici di serpi che fumano; le officine appese alle nuvole pei contorti fili dei loro fumi; i ponti simili a ginnasti giganti che scavalcano i fiumi, balenanti al sole con un luccichio di coltelli; i piroscafi avventurosi che fiutano l\u0092orizzonte, le locomotive dall\u0092ampio petto, che scalpitano sulle rotaie, come enormi cavalli d\u0092acciaio imbrigliati di tubi, e il volo scivolante degli aeroplani, la cui elica garrisce al vento come una bandiera e sembra applaudire come una folla entusiasta. (Le premier Manifeste du futurisme: \u00e9dition critique avec, en fac-simil\u00e9, le manuscrit original de F.T. Marinetti, \u00c9ditions de l\u0092Universit\u00e9 d\u0092Ottawa, 1986)<\/blockquote>\nMarinetti apelava n\u00e3o s\u00f3 a uma ruptura com o passado e com a tradi\u00e7\u00e3o mas tamb\u00e9m exaltava um novo estilo de vida, de acordo com o dinamismo dos tempos modernos.\n\nNo plano liter\u00e1rio, a escrita e a arte s\u00e3o vistas como meios expressivos na representa\u00e7\u00e3o da velocidade, da viol\u00eancia, que exprimem o dinamismo da vida moderna, em oposi\u00e7\u00e3o a formas tradicionais de express\u00e3o. Rompe-se com a tradi\u00e7\u00e3o aristot\u00e9lica no campo da literatura, que j\u00e1 estava enra\u00edzada na cultura ocidental.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0contesta o sentimentalismo e exalta o homem de a\u00e7\u00e3o. Destaca-se a originalidade, que Marinetti procura pelo elogio ao progresso, \u00e0 m\u00e1quina, ao motor, a tudo o que representa o moderno e o imprevisto. No Manifesto T\u00e9cnico da Literatura (1912), Marinetti evoca a liberta\u00e7\u00e3o da sintaxe e dos substantivos. \u00c9 neste sentido que os adjetivos e os adv\u00e9rbios s\u00e3o abolidos, para dar mais valor aos substantivos. A utiliza\u00e7\u00e3o dos verbos no infinito, a aboli\u00e7\u00e3o da pontua\u00e7\u00e3o, das conjun\u00e7\u00f5es, a supress\u00e3o do \u0093eu\u0094 na literatura e o uso de s\u00edmbolos matem\u00e1ticos s\u00e3o medidadas inovadoras.\n\nDe igual modo, aparecem novas concep\u00e7\u00f5es tipogr\u00e1ficas ao surgir a recusa da p\u00e1gina tradicional. Assim, procura-se a simultaneidade de formas e sensa\u00e7\u00f5es e \u00e9 na poesia que o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0encontra a sua melhor express\u00e3o.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0influenciou a pintura, a m\u00fasica e outras artes como o cinema. Neste aspecto, Marinetti sugeriu que se fizesse um filme futurista que surgiu com o t\u00edtulo Vida Futurista (1916). Neste filme, levantaram-se problemas de \u00e2mbito social e psicol\u00f3gico. O cinema era ent\u00e3o visto como uma nova arte de grande alcance expressivo.\n\nCom o come\u00e7o da Primeira Guerra Mundial, os valores do mundo tradicional s\u00e3o postos em causa e da\u00ed que se agrave um clima de tens\u00e3o social que se vinha arrastando por alguns anos. Os valores ditos burgueses come\u00e7am a serem questionados e o mesmo acontece \u00e0s formas de arte que representam esse mundo.\n\nConsequentemente, o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0surge como resultado dessa ruptura na arte, assim como o criacionismo, o dada\u00edsmo, o cubismo, o ultra\u00edsmo, o orfismo e o surrealismo. O futurismo foi respons\u00e1vel pelo aparecimento de numerosos manifestos e exposi\u00e7\u00f5es que provocaram esc\u00e2ndalos.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0sempre teve a sua faceta pol\u00edtica. Marinetti fomenta o esplendor da guerra, do militarismo, do patriotismo, e depois torna-se um defensor convicto do fascismo italiano.\n\nO <strong>futurismo<\/strong> caracteriza a vida moderna na sua fragmenta\u00e7\u00e3o, nos contrastes de classes, na agressividade social e por isso se serve dos manifestos para a ret\u00f3rica pol\u00edtica.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0difunde-se em v\u00e1rios outros pa\u00edses, para al\u00e9m da It\u00e1lia e da Fran\u00e7a, incluindo Portugal. Segundo Pedro Oliveira, o jornal portugu\u00eas Di\u00e1rio dos A\u00e7ores seria o \u00fanico a reproduzir o primeiro manifesto futurista de Marinetti e a publicar uma entrevista do mesmo teorizador. Posteriormente, M\u00e1rio de S\u00e1-Carneiro e \u00c1lvaro de Campos aderem ao futurismo, assim como Jos\u00e9 de Almada Negreiros com o Manifesto Anti-Dantas (1916), onde se apresenta como poeta futurista do Orpheu.\n\nApesar de s\u00f3 terem sa\u00eddo dois n\u00fameros desta revista, ela conseguiu escandalizar a burguesia, amea\u00e7ada pelo poder mon\u00e1rquico que podia derrotar as institui\u00e7\u00f5es republicanas. Da\u00ed o aparecimento da express\u00e3o \u0093esc\u00e2ndalo do Orpheu\u0094, pela n\u00e3o aceita\u00e7\u00e3o das provoca\u00e7\u00f5es de alguns elementos da revista. Apesar do desaparecimento do idealismo da \u00c1guia, o Orpheu garante um maior fortalecimento da est\u00e9tica futurista e da agressividade que lhe \u00e9 inerente.\n\nDe fato, Portugal ao entrar na Primeira Guerra Mundial justifica as \u0093Exorta\u00e7\u00f5es da Guerra\u0094 de Almada e o ano de 1917 \u00e9 de grande import\u00e2ncia para o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>, pois \u00e9 nesse ano que ocorre a \u0093Sess\u00e3o Futurista no Teatro Republicano\u0094, se divulga o \u0093Ultimatum Futurista \u00e0s Gera\u00e7\u00f5es Portuguesas do S\u00e9culo XX\u0094 de Almada e se lan\u00e7a a revista Portugal Futurista, que continha textos de Apollinaire, Almada e \u00c1lvaro de Campos.\n\nImporta destacar as condi\u00e7\u00f5es em que Fernando Pessoa reconhece o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0nas sua pr\u00f3pria poesia.\n\n<strong>Em carta ao Di\u00e1rio de Not\u00edcias, esclarece:<\/strong>\u00a0\u0093O que quero acentuar, acentuar bem, acentuar muito bem, \u00e9 que \u00e9 preciso que cesse a trapalhada, que a ignor\u00e2ncia dos nossos cr\u00edticos est\u00e1 fazendo, com a palavra\u00a0<strong>futurismo<\/strong>.\n\nFalar de\u00a0<strong>futurismo<\/strong>, quer a prop\u00f3sito do primeiro n\u00famero do Orpheu, quer a prop\u00f3sito do livro do Sr. S\u00e1-Carneiro, \u00e9 a coisa mais disparatada que se pode imaginar. (&#8230;) A minha Ode Triunfal, no primeiro n\u00famero do Orpheu, \u00e9 a \u00fanica coisa que se aproxima do futurismo. Mas aproxima-se pelo assunto que me inspirou, n\u00e3o pela realiza\u00e7\u00e3o &#8211; e em arte a forma de realizar \u00e9 que caracteriza e distingue as correntes e as escolas.\u0094 (Carta datada de 4-6-1915, in Obras em Prosa, vol.V, org. de Jo\u00e3o Gaspar Sim\u00f5es, C\u00edrculo de Leitores, Lisboa, 1987, pp.208-209). \u00c1lvaro de Campos foi diretamente influenciado por outra das grandes figuras de inspira\u00e7\u00e3o dos poetas futuristas, o norte-americano Walt Whitman. No Manifesto Futurista est\u00e1 a recusa da arte dominante que \u00e9 o simbolismo, e, neste sentido, temos o anti-aristotelismo de \u00c1lvaro de Campos e o Manifesto Anti-Dantas de Almada. A revista Portugal Futurista sai logo de circula\u00e7\u00e3o pelo seu aspecto provocat\u00f3rio.\n\nDe fato, o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0surge como um esc\u00e2ndalo (ao gosto dos futuristas) e se as not\u00edcias nos jornais n\u00e3o foram muitas, elas foram suficientes para a transmiss\u00e3o do pensamento futurista e sua consolida\u00e7\u00e3o como movimento de vanguarda.\n\nPoliticamente, vivia-se uma situa\u00e7\u00e3o de intoler\u00e2ncia ideol\u00f3gica que n\u00e3o foi atenuada com a subida ao poder de Sid\u00f3nio Pais. Com o desaparecimento prematuro de Amadeo e Santa-Rita Pintor, em 1918, e com a dispers\u00e3o de outras personalidades do\u00a0<strong>futurismo<\/strong>, este acabaria por se dissipar.\n\nUm outro pa\u00eds a sofrer a influ\u00eancia futurista foi o Brasil, onde se ansiava romper com os\u00a0<strong>movimentos<\/strong>\u00a0est\u00e9ticos anteriores e, por outro lado, inovar no plano nacional.\n\nNo extremo oriental da Europa, a R\u00fassia \u00e9 um dos polos privilegiados no desenvolvimento do futurismo que surgiu com o manifesto Uma Bofetada no Gosto P\u00fablico, assinado por D. Bourlyok, A. Kroutchoykh e V. Mayakovsky. Os futuristas russos opunham-se \u00e0s vanguardas simbolistas e eram considerados como representantes de um importante aspecto do vanguardismo russo. Surgem grupos como o<strong>\u00a0cubo-futurismo\u00a0<\/strong>e o ego-<strong>futurismo<\/strong>.\n\n\u00c9 de notar o papel determinante que o futurismo teve na literatura russa, pois \u00e9 bem capaz de ter influenciado indiretamente o surrealismo, o cubismo, o expressionismo e o dada\u00edsmo.\n\nO\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0influenciou as teorias dos formalistas russos no manuseamento livre das palavras, no verso livre, na nova sintaxe.\n\nDe fato, o futurismo inovou na poesia e na prosa ao caracterizar a arte de forma geom\u00e9trica e abstrata. Queriam criar uma nova linguagem po\u00e9tica, liberta de todo o tipo de restri\u00e7\u00f5es e que fosse distinta das formas tradicionais de arte. Este tipo de atitude consiste num desafio ao que os escritores futuristas como Kamensky, Mayakovsky e Khlebnykov designam por sociedade burguesa decadente, aliada a uma autocracia czarista. Os futuristas russos estiveram ligados ao fascismo.\n\nPode-se dizer que proclamavam uma utopia socialista, um novo para\u00edso terrestre e da\u00ed a ades\u00e3o \u00e0 Revolu\u00e7\u00e3o. Depois da Revolu\u00e7\u00e3o de Outubro deu-se a ascens\u00e3o do fascismo e muitos futuristas come\u00e7aram a destacar-se no plano oficial da literatura. Apesar da arte se comprometer com a pol\u00edtica, o\u00a0<strong>movimento<\/strong>\u00a0morre na d\u00e9cada de vinte.\n<h4><strong>Futurismo &#8211; <\/strong>Movimento Modernista<\/h4>\n<strong>Futurismo<\/strong> foi um movimento modernista lan\u00e7ado por Marinetti (Filippo Tommaso Marinetti), autor italiano (1876-1944), e que se baseia numa concep\u00e7\u00e3o exasperadamente din\u00e2mica da vida, toda voltada para o futuro, e combate o culto do passado e da tradi\u00e7\u00e3o, o sentimentalismo, prega o amor das formas n\u00edtidas, concisas e velozes; \u00e9 nacionalista e antipacifista.\n\nMas, \u00e9 imprescind\u00edvel iniciar esse trabalho com a apresenta\u00e7\u00e3o do pr\u00f3prio Fernando Pessoa sobre o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>.\n\n<strong>Futurismo<\/strong>\u00a0esse, que em Portugal, adquiriu um car\u00e1ter Sensacionista.\n\n<strong>Os tr\u00eas princ\u00edpios b\u00e1sicos do &#8220;sensacionismo&#8221;, tal como Pessoa os formulou em voz de seu mestre Alberto Caeiro s\u00e2o:<\/strong>\n<blockquote><strong>1.\u00a0<\/strong>Todo objeto \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o nossa<strong>\n2.\u00a0<\/strong>Todo objeto \u00e9 uma sensa\u00e7\u00e3o em objeto<strong>\n3.\u00a0<\/strong>Portanto, toda arte \u00e9 a convers\u00e3o de uma sensa\u00e7\u00e3o numa outra sensa\u00e7\u00e3o.<\/blockquote>\nEntretanto no caso de Pessoa ainda temos a exist\u00eancia de Pessoas. Ele n\u00e3o tem nenhum paralelo pr\u00f3ximo, n\u00e3o apenas por causa de sua estrutura onde quatro vozes assumem uma \u00fanica personalidade, mas tamb\u00e9m por diferen\u00e7as mercantes entre essas quatro vozes. Cada uma tem sua pr\u00f3pria biografia e f\u00edsico detalhados. Caeiro \u00e9 loiro, p\u00e1lido e de olhos azuis; Reis \u00e9 de um vago moreno mate; e &#8220;Campos, entre branco e moreno, tipo vagamente de judeu portugu\u00eas, cabelo, por\u00e9m, liso e normalmente apartado ao lado, mon\u00f3culo&#8221;, como nos diz Pessoa. Caeiro quase n\u00e3o disp\u00f4s de educa\u00e7\u00e3o e vive de pequenos rendimentos. Reis, educado num col\u00e9gio de jesu\u00edtas, \u00e9 um m\u00e9dico auto-exilado no Brasil desde 1919, por convic\u00e7\u00f5es mon\u00e1rquicas. Campos \u00e9 engenheiro naval e latinista.\n\nO Caeiro em Pessoa faz poesia por pura e inesperada inspira\u00e7\u00e3o. A obra de Ricardo Reis \u00e9 fruto de uma delibera\u00e7\u00e3o abstrata, quase anal\u00edtica. As afinidades com Campos s\u00e3o as mais nebulosas e intricadas. &#8220;\u00c9 um semi-geter\u00f4nimo porque, n\u00e3o sendo a personalidade a minha, \u00e9, n\u00e3o diferente da minha, mas uma simples mutila\u00e7\u00e3o dela. Sou eu, manos o racioc\u00ednio e afetividade&#8221;.\n\nA l\u00edngua de Campos \u00e9 bastante parecida \u00e0 de Pessoa; Caeiro escreve um portugu\u00eas descuidado, por vezes com lapsos; Reis \u00e9 um purista cujo linguajar Pessoa considera exagerado.\n\nCaeiro, Reis e Campos s\u00e3o &#8220;os protagonistas de romance que Pessoa jamais escreveu&#8221; segundo Octavio Paz em &#8220;A Centenary Pessoa&#8221; (&#8221; Um Pessoa Centen\u00e1rio&#8221;). Pessoa n\u00e3o \u00e9 entretanto &#8220;um inventor de poetas-personagens, mas um criador de obras de poetas&#8221;, argumenta Paz. &#8220;A diferen\u00e7a \u00e9 crucial&#8221;. As biografias imagin\u00e1rias, as anedotas, o &#8220;realismo m\u00e1gico&#8221; do contexto hist\u00f3rico-pol\u00edtico-social em que cada m\u00e1scara se desenvolve s\u00e3o um acompanhamento, uma elucida\u00e7\u00e3o para os textos. O enigma da autonomia de Reis e Campos \u00e9 tal que, vez por outra, eles chegam a tratar Pessoa com ironia ou condescend\u00eancia. Caeiro, por sua vez, \u00e9 o mestre, cuja brusca autoridade e salto para a vida generativa, desencadeiam todo o projeto dram\u00e1tico. Paz distingue com acur\u00e1cia estes fantasmas animados.\n\nEssa brev\u00edssima introdu\u00e7\u00e3o a respeito do heter\u00f4nimos de Fernando Pessoa serve para esclarecer de que modo o\u00a0<strong>futurismo<\/strong>\u00a0\u00e9 encontrado nesse autor, nascido em Lisboa aos 13 de junho de 1888. Vamos encontrar caracter\u00edsticas mais marcantes dessa express\u00e3o em um dos Pessoas, Alv\u00e1ro de Campos.\n\nCampos \u00e9 considerado o mais moderno dos heter\u00f4nimos de Fernando Pessoa.\n\n<strong>Possuidor de tr\u00eas fase:<\/strong>\u00a0a do Opi\u00e1rio; a mecanicista, whitmaniana; a do sono e do cansa\u00e7o, a partir de &#8220;A Casa Branca&#8221; e &#8220;Nau Preta&#8221;; poema escrito em 11 de outubro de 1916.\n\nApresenta o heter\u00f4nimo as caracter\u00edsticas que passamos a indicar. Na primeira fase, composta do poema &#8220;Opi\u00e1rio&#8221; e dois sonetos, &#8220;Quando olho para mim e n\u00e3o me percebo&#8221; e &#8220;A Pra\u00e7a da Figueira de manh\u00e3&#8221;, encontra-se morbidez, decadentismo, torpor (&#8220;\u00c9 antes do \u00f3pio que a minha alma \u00e9 doente&#8221;).\n\n<strong>A segunda fase comp\u00f4e-se dos seguintes poemas:<\/strong>\u00a0&#8220;Ode Triunfal&#8221;, &#8220;Dois Excertos de Odes&#8221;, &#8220;Ode mar\u00edtima&#8221;, &#8220;Sauda\u00e7\u00e3o a Walt Whitman&#8221; e &#8220;Passagem das Horas&#8221;.\n\n<strong>Com exce\u00e7\u00e3o do segundo poema, predomina nesta fase o esp\u00edrito nietzschiano, a inspira\u00e7\u00e3o de Walt Whitman e do futurismo italiano de Marinetti, que se aclimata ao caso portugu\u00eas atrav\u00e9s, como j\u00e1 foi dito, do Sensacionismo:<\/strong>\u00a0&#8220;Sentir tudo de todas as maneiras&#8221;.\n\n<strong>Outras caracter\u00edsticas marcantes da segunda fase:<\/strong>\u00a0desordem de sensa\u00e7\u00f5es (&#8220;Multipliquei-me para me sentir,\/ precisei sentir tudo&#8221;); inquietude do ap\u00f3s-guerra, dinamismo, intera\u00e7\u00e3o na civiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina (&#8220;Eia eletricidade, nervos doentes da Mat\u00e9ria!&#8221;); sadomasoquismo (&#8220;Ser o pirata-resumo de toda a pirataria no seu auge\/ E a v\u00edtima-s\u00edntese, mas de carne e osso de todos os piratss do mundo!&#8221;).\n\nHomem da cidade, \u00c1lvaro de Campos desumaniza-se, ao tentar explicar a li\u00e7\u00e3o sensacionista de Alberto Caeiro ao mundo da m\u00e1quina.\n\n<strong>N\u00e3o consegue acompanhar como um super-homem a pressa mecanicista, e deprime-se, chegando a escrever o poerma &#8220;Mestre, mau mestre querido!&#8221;, dedicado a Caeiro, poema em que, apesar do respeito do mestre, lhe apresenta queixas:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;Por que \u00e9 que me chamaste par o alto dos montes\nSe eu, crian\u00e7a das cidades do vale, n\u00e3o sabia respira?\nPor que \u00e9 que me acordaste para a sensa\u00e7\u00e3o e a nova alma,\nSe eu n\u00e3o saberei sentir, se a minha alma \u00e9 sempre a minha?&#8221;<\/blockquote>\nSurge a terceira fase de Campos sobretudo devido \u00e0 falta de adapta\u00e7\u00e3o \u00e0s teorias de Caeiro e \u00e0 desilus\u00e3o pr\u00f3pria do ap\u00f3s-guerra.\n\n<strong>Vejamos as caracter\u00edsticas desta fase:<\/strong>\u00a0antidomatismo (&#8220;N\u00e3o me venham com conclus\u00f5es!&#8221;; revolta, incoformismo (&#8220;V\u00e3o para o diabo sem mim,\/ Ou deixem-me ir sozinho para o Diabo!&#8221;) enternecidmento memorialista, que tamb\u00e9m ocorre na segunda fase (&#8220;\u00d3 \u00e9u azul! &#8211; o mesmo da minha inf\u00e2ncia, &#8211; \/ Eterna verdade vazia a perfeita!&#8221;); senso de fragilidade humana e senso do real (&#8220;W wu tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil&#8221;); desprezo ao mito do hero\u00edsmo (&#8220;Ah a frescura na face de n\u00e3o cumprir um dever!&#8221;); dispers\u00e3o (&#8220;Outra vez te revejo,\/ Mas, ai, a mim n\u00e3o me revejo!&#8221; &#8211; refere-se o autor a Lisboa no importante poema Lisbon Revisited); express\u00e3o de semidem\u00eancia (&#8220;Se ao menos endoidecesse deveras!\/ <strong>Mas n\u00e3o: <\/strong>press\u00e3o \u00e9 eset estar entre,\/ Este quase,\/ Este poder ser que&#8230;,\/Isto&#8221;); torpor expresso em sono e cansa\u00e7o (&#8220;O sono universal que desce individualmente sobre mim\/ [E o sono da s\u00edntese de todas as desesperan\u00e7as&#8221;); preocupa\u00e7\u00e3o com o existencial (&#8220;Sou quem falhei ser.\/ Somos todos quem nos supusemos,\/ A nossa realidade \u00e9 o que n\u00e3o conseguimos nunca&#8221;); ado\u00e7\u00e3o de intensos e funcionais desvios gramaticais e a livre metria (&#8220;Eu que me ag\u00fcente comigo e com os comigos de mim&#8221;; &#8220;Ou somos, todos os Eu que estive aqui ou estiveram,\/ Uma s\u00e9rie de contas-entes ligadas por um fio &#8211; mem\u00f3ria,\/ Uma s\u00e9rie de mim de algu\u00e9m fora de mim?&#8221;; &#8220;Um suprem\u00edssimo cansa\u00e7o,\/ \u00cdssimo, \u00edssimo, \u00edssimo,\/ Cansa\u00e7o&#8230;&#8221;).\n\nPor tudo isso, estilisticamente, ele \u00e9 &#8220;moderno&#8221;, &#8220;futurista&#8221;, entusiasmado com as novidades da civiliza\u00e7\u00e3o industrial, como um disc\u00edpulo de Marinetti, que introduz na linguagem po\u00e9tica as palavras desse admir\u00e1vel mundo novo. Louva o cheiro fresco da tinta de tipografia, os cartazes colados h\u00e1 pouco, ainda molhados, a telegrafia sem fio, os t\u00faneis, o canal do Panam\u00e1, o canal de Suez&#8230; \u00c1lvaro de Campos guia autom\u00f3vel e faz disso mat\u00e9ria de poema. Nem Caeiro nem Reis seriam capazes de semelhante proeza.\n\nJ\u00e1 Alverto Caeiro \u00e9, como o pr\u00f3prio Pessoa o confessa em sua famosa carta a Adolfo Casais Monteiro sobre a g\u00eanese da heteron\u00edmia &#8211; &#8220;Aparecera em mim o meu mestre&#8221; -, o mestre de todos os demais heter\u00f4nimos e, inclusive, de seu criador. Isto porque os textos po\u00e9ticos que levam a assinatura de Alberto Caeiro t\u00eam, na obra pessoana, a finalidade de encarnar a ess\u00eancia do &#8220;sensacionismo&#8221;.\n\n<strong>Podemos facilmente verificar, pela leitura dos poemas de Caeiro,que ele \u00e9, dentre os heter\u00f4nimos, aquele que representa a postura mais radical face a esses postulados pessoanos:<\/strong>\u00a0para o mestre, o que importa \u00e9 vivenciar o mundo, sem peias e m\u00e1scaras simb\u00f3licas, em toda a sua multiplicidade sensacionista.\n\n\u00c9 por este motivo que, repetidamente, Caeiro, em seus poemas, insiste naquilo que ele mesmo chama de &#8220;aprendizagem de desaprender&#8221;, ou seja, o homem deve aprender a n\u00e3o pensar, a silenciar a mente, libertando-se assim de todos os padr\u00f5es, modelos, m\u00e1scaras e pseudo-certezas ideol\u00f3gicas, culturais, signos enfim, que desde cedo lhe foram impostos, para dedica-se s\u00f3 e simplesmente \u00e0 revolucion\u00e1ria e reveladora aventura do contato direto e sem media\u00e7\u00f5es com a realidade concreta, palp\u00e1vel, que nos cerca e de que fazemos parte.\n\n<strong>A verdadeira vida para Caiero reduz-se, deste modo, ao &#8220;puro sentir&#8221;, sendo o sentimento da &#8220;vis\u00e3o&#8221; o mais relevante de todos, por ser o que nos coloca em rela\u00e7\u00e3o mais estreita e integral com o mundo objetivo:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;O essencial \u00e9 saber ver,\nSaber ver sem estar e pensar,\nSaber ver quando se v\u00ea,\nE nem pensar quando se v\u00ea,\nNem ver quando se pensa.&#8221;<\/blockquote>\nNascido em Lisboa, em 1889, e falecido, v\u00edtima de tuberculose, na mesma cidade, em 1915, Caeiro passou quase todos os anos de sua curta vida no Ribatejo, na quinta de propriedade de uma tia velha, onde pastoreava ovelhas e procurava, diariamente, exercitar o que ele mesmo chamou de a &#8220;perversa ci\u00eancia de ver&#8221;.\n\nEm decorr\u00eancia dessa sua postura face \u00e0 vida e dessa pr\u00e1tica sensacionista, nasce uma estranha poesia empenhada em fazer a cr\u00edtica mais radical de linguagem, da cultura, das ideologias e, paradoxalmente, da pr\u00f3pria atividade po\u00e9tica, via nega\u00e7\u00e3o, rejei\u00e7\u00e3o e recusa de qualquer tipo de pensamento.\n\n<strong>A poesia de Caeiro \u00e9, neste sentido, uma curiosa poesia de anti-poesia, feita com o objetivo espec\u00edfico de p\u00f4r em xeque todas as m\u00e1scaras simb\u00f3licas (palabras, conceitos, pensamentos, ideologias, religi\u00f5es, arte) com que estamos habituados a &#8220;vestir&#8221; a realidade, esquecidos de que ela simplesmente \u00e9 e vale por si mesma, e de que a \u00fanica experi\u00eancia que vale a pena \u00e9 a de uma esp\u00e9cie de sil\u00eancio simb\u00f3lico total ( o homem, neste caso, se libertaria do poder constrangedor de todo e qualquer signo, deixando, portanto, de atribuir significados ao mundo), o \u00fanico caminho que, segundo Caeiro, nos possibilitaria a vis\u00e3o e, consequentemente, o conhecimento do real em toda a sua verdade, enquanto pura presen\u00e7a e pura exist\u00eancia:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;A espantosa realidade das coisas \u00e9 a minha descoberta\nde todos os dias. Cada coisa \u00e9 o que \u00e9, e \u00e9 dif\u00edcil expli-\ncar a algu\u00e9m quanto isso me alegra, e quanto isso me\nbasta.&#8221;<\/blockquote>\nVoltemos \u00e0 cria\u00e7\u00e3o do Sensacionismo atribu\u00eddo a \u00c1lvaro de Campos, onde \u00e9 que est\u00e1, a nosso ver, a realiza\u00e7\u00e3o po\u00e9tica mais pr\u00f3xima das premissas filos\u00f3ficas de Kant. Ali\u00e1s, essa produ\u00e7\u00e3o &#8220;sensacionista&#8221;, produzida e publicada nos anos 1915 e 1916, corresponde a um dos pontos mais altos da poesia fernandina, como expressado mundo contempor\u00e2neo, isto \u00e9, o mundo constru\u00eddo pela Civiliza\u00e7\u00e3o da T\u00e9cnica e da M\u00e1quina, onde as sensa\u00e7\u00f5es humanas parecem explodir, tal o grau em que s\u00e3o provocadas.\n\n<strong>Refiro-me, precisamente, aos poemas:<\/strong>\u00a0&#8220;Ode Triunfal&#8221;; &#8220;Ode Mar\u00edtima&#8221;; &#8220;Sauda\u00e7\u00e3o a Walt Whitmann&#8221;; &#8220;Passagem das Horas&#8221; e &#8220;Casa Branca Nau Preta&#8221;. Neste \u00faltimo poema, j\u00e1 existe uma outra atmosfera, melanc\u00f3lica, desalentada, que contrasta com a euforia vital que predomina nos primeiros e indica que o &#8220;sensacionismo&#8221; de \u00c1lvaro de Campos estava se esgotando, ou pelo menos iria enfatizar outros aspectos da poss\u00edvel apreens\u00e3o do Real.\n\n<strong>Nesses poemas, aparece de maneira indiscut\u00edvel a inten\u00e7\u00e3o b\u00e1sica do processo Po\u00e9tico de Fernando Pessoa:<\/strong>\u00a0consumar a alquimia do verbo, ou melhor transubstanciar em Palavra a &#8220;verdade&#8221; do Real, intu\u00edda pelas sensa\u00e7\u00f5es. Obviamente, n\u00e3o ser\u00e1 por acaso que, nos anos 1915 e 1916, quando aqueles poemas eram publicados ou escritos, Fernando Pessoa registrava tamb\u00e9m, em seus manuscritos soltos, reflex\u00f5es filos\u00f3ficas e est\u00e9ticas que indicam com clareza a intencionalidade criadora que orientava, no momento, sua produ\u00e7\u00e3o po\u00e9tica.\n\nPara se compreender melhor o quanto a poesia fernandina foi &#8220;programada&#8221; ou era &#8220;intelectualizada&#8221; (como ele mesmo tantas vezes afirmou) parece-me bastante esclarecedor um apanhado de trechos de alguns textos pessoanos. Vejamos, por exemplo, um fragmento de sues &#8220;textos filos\u00f3ficos&#8221;, cuja data prov\u00e1vel \u00e9 dos anos acima mencionados (1915-1916)\n<blockquote>&#8220;Tudo \u00e9 sensa\u00e7\u00e3o.&#8221;\n&#8220;O espiritual em n\u00f3s \u00e9 a pot\u00eancia para sentir e o sentir \u00e9\na sensa\u00e7\u00e3o, o ato.&#8221;\n&#8220;Tudo o que existe \u00e9 uma fato mental, isto \u00e9, concebido.&#8221;\n&#8220;Criar, isto \u00e9, conceber uma coisa como em n\u00f3s, mas\nn\u00e3o em n\u00f3s, \u00e9 conceb\u00ea-la como feita da nossa pr\u00f3pria\nsubst\u00e2ncia conceptiva, sem ser essa mesma subst\u00e2ncia.&#8221;<\/blockquote>\nA\u00ed temos enunciada de maneira \u00f3bvia uma explica\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es entre eu e mundo, tendo em vista o sentir, pensar e conhecer, de lastro kantiano.\n\n<strong>Tal lastro aparece tamb\u00e9m em certas reflex\u00f5es pessoais (recolhidas em P\u00e1ginas \u00cdntimas, com da prov\u00e1vel de 1916, mas que talvez sejam anteriores \u00e0 publica\u00e7\u00e3o dos poemas em quest\u00e3o), onde Fernando Pessoa analisa teoricamente o que \u00c1lvaro de Campos realiza poeticamente na diretriz do Sensacionismo, e com isso nos d\u00e1 as &#8220;chaves&#8221; mais adequadas para compreendermos a natureza da alquimia verbal ali pretendida pelo poeta. Diz Pessoa:<\/strong>\n\n&#8220;Nada existe, n\u00e3o existe a realidade, apenas sensa\u00e7\u00e3o. As id\u00e9ias s\u00e3o sem-as\u00e7\u00f5es, mas de coisas n\u00e3o situadas no espa\u00e7o e, por vezes, nem mesmo situadas no tempo. A l\u00f3gica, o lugar das id\u00e9ias, outra esp\u00e9cie de espa\u00e7o.&#8221;\n<blockquote>&#8220;A finalidade da arte \u00e9 simplesmente aumentar a auto-consci\u00eancia huma-\nna. O seu crit\u00e9rio \u00e9 a aceita\u00e7\u00e3o geral (ou semi-geral), mais arde ou mais\ncedo, pois \u00e9 essa a prova de que, na realidade, ela tende a aumentar a\nauto-consci\u00eancia entre os homens. Quanto mais decompomos e analisa-\nmos as nossas sensa\u00e7\u00f5es em seus elementos ps\u00edquicos, tanto mais au-\nmentamos a nossa auto-consci\u00eancia. A arte tem, pois, o dever de se tornar cada vez mais consciente.&#8221;<\/blockquote>\n<strong>A\u00ed temos pelo menos tr\u00eas importantes premissas que alicer\u00e7am o universo po\u00e9tico fernandino no tema em quest\u00e3o:<\/strong>\u00a0a import\u00e2ncia basilar das sensa\u00e7\u00f5es na apreens\u00e3o do mundo das rela\u00e7\u00f5es: homem X mundos exterior; a diferen\u00e7a de natureza entre &#8220;sensa\u00e7\u00f5es&#8221; (ligadas \u00e0 intui\u00e7\u00e3o) e &#8220;id\u00e9ias&#8221; (ligadas \u00e0 intelig\u00eancia, \u00e0 l\u00f3gica, \u00e0 raz\u00e3o); e a finalidade pragm\u00e1tica da arte: tornar a humanidade auto-consciente das realidades que lhe s\u00e3o essenciais \u00e0 evolu\u00e7\u00e3o.\n\nEssas premissas podem ser rastreadas em todo o universo po\u00e9tico fernandino (ort\u00f4nimo ou heter\u00f4nimo); e \u00e9 atrav\u00e9s dessa perspectiva (a de o poeta tentar decompor e analisar suas sensa\u00e7\u00f5es at\u00e9 o fundo de seus componentes ps\u00edquicos, para aumentar sua auto-consci\u00eancia do Real que deve ser objetivado no poema), que compreende melhor o ritmo torrencial dos poemas sensacionistas.\n\n<strong>Em &#8220;Ode Triunfal&#8221; de \u00c1lvaro de Campos, por exemplo:<\/strong>\n<blockquote>&#8220;A dolorosa luz das grandes l\u00e2mpadas el\u00e9tricas da f\u00e1brica\nTenho febre e escrevo.\nEscrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,\nPara a beleza disto totalmente desconhecido dos antigos\nO rodas, \u00f5 engrenagens, r-r-r-r-r-r-r eterno!\nEm f\u00faria fora e dentro de mim.&#8221;<\/blockquote>\nMais do que a euforia futurista de Marinetti ( a primeira a tentar encontrar o ritmo e a atmosfera pr\u00f3pria \u00e0 civiliza\u00e7\u00e3o da m\u00e1quina); mais do que a ades\u00e3o \u00e0 &#8220;vitalidade transbordante&#8221;, ao &#8220;belo feroz&#8221; ou &#8220;\u00e0 for\u00e7a sensual&#8221; do universo po\u00e9tico de Walt Whitmann, os poemas sensacionistas de \u00c1lvaro de Campos expressam a experi\u00eancia quase apocal\u00edptica do poeta contempor\u00e2neo, ao pretender expressar um mundo que ultrapassou sua capacidade normal de apreens\u00e3o, um mundo &#8220;totalmente desconhecido dos antigos&#8221;, mas resultante irredut\u00edvel destes \u00faltimos.\n\nO poeta tenta (e praticamente o consegue) nos comunicar suas sensa\u00e7\u00f5es na totalidade. N\u00e3o, a epid\u00e9rmica vis\u00e3o do bab\u00e9lico mundo moderno que os futuristas ofereciam, mas uma apreens\u00e3o global, abrangente, que sugere o mundo como um &#8220;continuum vital&#8221;, em que presente, passado e futuro se amalgamam na alquimia do verbo, tal como na realidade c\u00f3smica as viv\u00eancias est\u00e3o amalgamadas.\n<blockquote>&#8220;Canto, e canto o presente e tamb\u00e9m o passado e o futuro\nPorque o presente \u00e9 todo o passado e todo o futuro\nE h\u00e1 Plat\u00e3o e Virg\u00edlio dentro das M\u00e1quinas e das luzes el\u00e9tricas\nS\u00f3 porque houve outrora e foram humanos Virg\u00edlio e Plat\u00e3o.&#8221;<\/blockquote>\nCom uma profunda consi\u00eancia da metamorfose, como processo fundamental da vida, Fernando Pessoa, tal como os grandes criadores, seus contempor\u00e2neos, introjeta o passado no presente, como algo vivo, que ocultamente dinamiza as realidades.\n\n<strong>Esse \u00e9 um dos aspectos fundamentais da poesia fernandina:\u00a0<\/strong>a dilui\u00e7\u00e3o das fronteiras entre os &#8220;tempos&#8221; que regem nossa vida concreta, para revelar o Tempo infinito que tudo engloba e que permanece desconhecido dos homens.\n\nMas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 dos &#8220;tempos&#8221; que se anulam as fronteiras. Na palavra de Pessoa h\u00e1 uma grande \u00e2nsia de fundir &#8220;espa\u00e7os&#8221; distintos e distantes em s\u00f3 espa\u00e7o abrangente e perene. Como h\u00e1 tamb\u00e9m a \u00e2nsia de expans\u00e3o da Individualidade, para que seja alcan\u00e7ada a Totalidade do ser ou um plenitude de sentir e ser, quase c\u00f3smica, na qual pressentimos uma grande identifica\u00e7\u00e3o com o fen\u00f4meno de nossos dias, o &#8220;mutante cultural&#8221;.\n\nFonte: www.visual-arts-cork.com\/br.geocities.com\/www.cfh.ufsc.br\/www2.fcsh.unl.pt\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Futurismo, Movimento, Estilo, Art\u00edstico, O que \u00e9, Arte, Brasil, Obra, Pintura, Manifesto, Caracter\u00edsticas, Origem, Futurismo<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5002,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-25398","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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