{"id":25324,"date":"2015-11-30T00:00:00","date_gmt":"2015-11-30T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/arquitetura-desconstrutivista-4\/"},"modified":"2026-09-01T17:46:48","modified_gmt":"2026-09-01T17:46:48","slug":"arquitetura-desconstrutivista-4","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/arte-2\/arquitetura-desconstrutivista-4\/","title":{"rendered":"Arquitetura Desconstrutivista"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"ads-cima\"><\/p>\n&nbsp;\n<h4>A forma tal qual a emo\u00e7\u00e3o humana ?!<\/h4>\n<em>\u0093 A arquitetura deve nos fazer sentir diferente, se n\u00e3o, a engenharia j\u00e1 seria o suficiente.\u0094 Daniel Libeskind.<\/em>\n<p class=\"imagem\"><em><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon78.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"450\" height=\"297\" \/>\n<\/em><strong>MGM Center \u0096 Libeskind<\/strong><\/p>\n<strong>Desconstru\u00e7\u00e3o:<\/strong>\u00a0termo que surge pela primeira vez em um texto de E. Husserl, trata a desconstru\u00e7\u00e3o como decomposi\u00e7\u00e3o, desmontagem dos elementos da escrita de modo a se descobrir partes de um texto que estejam dissimuladas. (ponto!)\n\nA partir do termo, o conceito de desconstru\u00e7\u00e3o \u00e9 elaborado por Jacques Derrida, fil\u00f3sofo, afirma que as palavras n\u00e3o possuem a capacidade de expressar tudo o que se quer por elas exprimir, de modo que palavras e conceitos n\u00e3o comunicam o que prometem e assim, s\u00e3o capazes de serem modificados no pensamento. Sendo assim, o que vemos, ouvimos e dizemos s\u00f3 poderia ser de fato uma verdade imut\u00e1vel, se aceitarmos desconstruir, encontrar a ess\u00eancia, tirar o amb\u00edguo e despertar os sentidos.\n\nEm outras palavras, seria como dizer que para sentir o que um texto, uma obra de arte, ou no nosso caso, uma edifica\u00e7\u00e3o quer realmente lhe transmitir, fosse preciso que os excessos fossem retirados e o essencial lhe causasse uma inquieta\u00e7\u00e3o, despertasse uma curiosidade, vontade diferente de querer saber, descobrir .\n\nNa arquitetura, n\u00e3o apenas baseada na filosofia de Jacques, diz-se que o desconstrutivismo tamb\u00e9m possui ra\u00edzes no construtivismo Russo, sendo que o construtivismo russo prega o uso das formas geom\u00e9tricas puras e, o desconstrutivismo pega essa forma, desmonta, remonta, desconstr\u00f3i, transforma e, como os construtivistas, ainda considera a simplicidade de tais formas como sendo a ess\u00eancia de suas obras.\n\nPeter Eisenman, em um estudo de tal conceito desenvolveu as casas de I \u00e0 XI, bem como a Casa Guard\u00edola, que se desenvolve atrav\u00e9s da desconstru\u00e7\u00e3o de um cubo e cria planos em \u0091L\u0092 que se interpoem.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon79.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"500\" height=\"265\" \/>\nCasa Guard\u00edola \u0096 Peter Eisenman<\/strong><\/p>\nN\u00e3o obstante, arquitetos como Rem Koolhas (fundador do escrit\u00f3rio OMA), n\u00e3o apenas descontr\u00f3i a forma como tamb\u00e9m incorpora aspectos que seriam tempor\u00e1rios das constru\u00e7\u00f5es em sua volumetria final (como faziam os russos).\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon80.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"500\" height=\"194\" \/>\nSeattle Central Library, Seattle e CCTV Headquarters, Pequim \u0096 Rem Koolhaas<\/strong><\/p>\nParticularmente, acredito que \u00e9 poss\u00edvel encontrar tamb\u00e9m uma certa influ\u00eancia do cubismo anal\u00edtico, basta ver as obras de Frank Gehry, onde se v\u00ea formas e conte\u00fados dissecados e vistos de diferentes perspectivas simultaneamente (Adoroo!); ou ainda, um pouco do expressionismo, na distor\u00e7\u00e3o das formas de Coop Himmelblau.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon81.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"450\" height=\"199\" \/>\nLou Ruvo Center, Vegas \u0096 Frank Gehry e BMW Headquarters, Munich \u0096 Coop Himmelblau<\/strong><\/p>\nNo entanto, o mais importante de se dizer no momento seria que, mesmo tendo se desenvolvendo em paralelo com o p\u00f3s-modernismo, publicando textos nas mesmas revistas, se opondo aos mesmos conceitos modernistas, o desconstrutivismo n\u00e3o pode ser considerado uma corrente p\u00f3s moderna, j\u00e1 que, (didaticamente falando)enquanto o p\u00f3s-modernismo desconstr\u00f3i \u0091conceitualmente\u0092, os desconstrutivistas lidam diretamente com a estrutura\u00e7\u00e3o f\u00edsica da arquitetura, as formas, as paredes, os planos, a volumetria.\n\nRefer\u00eancias hist\u00f3ricas \u00e0 parte, o que realmente faz a Arquitetura desconstrutivista fazer brilhar os olhos de n\u00f3s estudantes? O que nos deixa inquietos, faz querer olhar duas, tr\u00eas vezes antes de formar uma opini\u00e3o, ou continuar em d\u00favida a respeito ?\n\nAt\u00e9 hoje n\u00e3o conheci um aluno de arquitetura que n\u00e3o tivesse ficado sem rea\u00e7\u00e3o em sua primeira vez diante de uma obra de Bernard Tschumi, ou at\u00e9 mesmo um desenho, um croqu\u00ed da Zaha Hadid. (*\u0097*)\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon82.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"500\" height=\"351\" \/>\nDancing Towers, Dubai \u0096 Zaha Hadid e Park de la Villete, Paris \u0096 Bernard Tschumi<\/strong><\/p>\nA verdade \u00e9 que a arquitetura \u0093nasceu\u0094 dentro de padr\u00f5es l\u00f3gicos, racionais , geom\u00e9tricos, e se baseando primordialmente nos eixos coordenados e ortogonais do plano cartesiano (x,y,z). Quase 350 anos depois, ainda \u00e9 raro andar pela cidade e encontrar uma edifica\u00e7\u00e3o que n\u00e3o ostente tal ortogonalidade referente dos projetos iluministas.\n\nN\u00e3o obstante, a geometria descritiva, com o uso do plano cartesiano e do chamado triedo mongeano, tornou poss\u00edvel um processo de industrializa\u00e7\u00e3o da constru\u00e7\u00e3o e consequentemente tornou os projetos completamente previs\u00edveis. Se desenhado dentro dos planos ortogonais, cubos, cilindros, pir\u00e2mides e s\u00f3lidos geom\u00e9tricos no geral, tornam-se comuns como sendo figuras estruturantes do pensamento e pr\u00e1tica projetual.\n\nNo entanto o homem n\u00e3o \u00e9 puramente racional sendo muitas vezes tomado completamente por emo\u00e7\u00f5es, logo, ao desarticular os planos ortogonais, brincar com as formas e criar uma instabilidade perceptiva, Os desconstrutivistas passam a lidar com o emocional humano e, como j\u00e1 diria Derrida, causar a inquieta\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para o questionamento e compreens\u00e3o da obra apresentada.\n\nDaniel Libeskind ao projetar o Museu do Holocausto lidou justamente com os aspectos emocionais de modo a dar identidade ao seu projeto. Seria f\u00e1cil fazer alus\u00e3o \u00e0 cultura judaica colocando estrelas de Davi ou signos marcantes e representativos da cultura, no entanto, ele optou por desconstruir a estrela de modo que o edif\u00edcio n\u00e3o demonstra explicitamente seu prop\u00f3sito podendo (ou n\u00e3o!) evidenciar o sofrimento daquele povo durante o holocausto, mas ao se deparar com o mesmo, a primeira tentativa de compreender a obra causa questionamento e incita a curiosidade do olho.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon83.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"500\" height=\"263\" \/>\nMuseu Judaico, desconstru\u00e7\u00e3o da Estrela de Davi por Daniel Libeskind<\/strong><\/p>\nSeria ent\u00e3o essa a origem de nossas rea\u00e7\u00f5es perante o desconstrutivismo? A curiosidade perante o impl\u00edcito, o caos contido? O que quer que seja, poderemos sentir e tentar descobrir de pertinho em breve, o Rio de Janeiro est\u00e1 prestes a ganhar o Museu da Imagem e do Som, de Diller Scofidio + Renfro. O escrit\u00f3rio de NY se inspirou no cal\u00e7ad\u00e3o carioca de modo a criar um edif\u00edcio marcado pelas passarelas e volumes se interpondo, n\u00e3o deixa de ser a desconstru\u00e7\u00e3o da forma.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon44.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"647\" height=\"186\" \/>\nMuseu da Imagem e do Som, RJ<\/strong><\/p>\nPor \u00faltimo, n\u00e3o menos importante, apesar de toda overdose de sensa\u00e7\u00f5es que o desconstrutivismo nos causa, n\u00e3o posso deixar de mencionar o fato de que muitas desses obras possuem or\u00e7amentos exorbitantes e, n\u00e3o poderiam ser desenvolvidas sem aux\u00edlio das tecnologias dispon\u00edveis no mercado hoje. A id\u00e9ia inicial sempre parte de um croqu\u00ed bem elaborado, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 mente humana que calcule uma estrutura projetada por Frank Gehry ou Zaha Hadid sem o aux\u00edlio de um computador decente. (NASA que o digaa amores!)\n\nFonte: www.arquitetonico.ufsc.br\n<h6>Arquitetura Desconstrutivista<\/h6>\n<p class=\"google\"><\/p>\nArquitetura sempre foi uma institui\u00e7\u00e3o cultural central que tem sido avaliada principalmente por promover a ordem e estabilidade. Estas qualidades s\u00e3o geralmente um produto da pureza geom\u00e9trica da composi\u00e7\u00e3o formal.\n\nO arquiteto sempre sonhou com a forma pura, com produ\u00e7\u00e3o de objetos em que qualquer instabilidade ou desordem deveriam ser exclu\u00eddos. Os edif\u00edcios se constroem com formas geom\u00e9tricas simples \u0096 cubos, cilindros, esferas, cones. pir\u00e2mides, etc. , combinando-os para conseguir conjuntos est\u00e1veis (fig.1), seguindo regras de composi\u00e7\u00e3o que impedem uma entre em conflito com o outra.\n\nN\u00e3o se permite a uma forma distorcer outra, resolvendo todo conflito potencial. As formas contribuem harmoniosamente para formar um todo unificado. Esta estrutura geom\u00e9trica consoante se converte na estrutura f\u00edsica do pr\u00e9dio: a sua pureza formal se entende como garantia da estabilidade estrutural.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon47.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"251\" height=\"176\" \/>\n<strong>Fig. 1 \u0096 A li\u00e7\u00e3o de Roma. Le Corbusier. Ilustra\u00e7\u00e3o de L\u0092Esprit Nouveau, n\u00ba 14. 1922.<\/strong><\/p>\nTendo produzido esta estrutura b\u00e1sica, o arquiteto, em seguida, elabora um projeto final que preserva sua pureza. Qualquer desvio de ordem estrutural, qualquer impureza, se entende como uma amea\u00e7a contra os valores formais representados pela unidade, harmonia e estabilidade, e por isso \u00e9 isolado, tratado como puro enfeite. A arquitetura \u00e9 uma disciplina conservadora que produz formas puras, protegendo-as contra a contamina\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon48.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"225\" height=\"167\" \/>\n<strong>Fig. 2 \u0096 Showroom de Produtos Best. Projeto Notch. Sacramento, Calif\u00f3rnia, 1977.<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon49.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"222\" height=\"146\" \/>\nFig. 3. Spliting: Four Corners. Gordon Matta Clark. 1974.<\/strong><\/p>\nOs projetos dessa exposi\u00e7\u00e3o [1] representa uma sensibilidade diferente, em que o sonho da forma pura foi alterado. A forma foi contaminada. O sonho tornou-se um esp\u00e9cie de pesadelo. \u00c9 esta capacidade de alterar as nossas id\u00e9ias sobre a forma que faz com que esses projetos sejam desconstrutivos. Eles n\u00e3o derivam da modalidade filos\u00f3fica contempor\u00e2neo chamado Desconstru\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon50.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"229\" height=\"158\" \/>\n<strong>Fig. 4 \u0096 Centro Ushimado Internacional do Festival de Arte de Ushimado. Jap\u00e3o, 1984. Hiromi Fujii.<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon51.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"225\" height=\"151\" \/>\n<strong>Fig. 5 \u0096 Castelos de Romeu e Julieta. Bienal de Veneza. 1985. Peter Eisenman<\/strong><\/p>\nN\u00e3o s\u00e3o uma aplica\u00e7\u00e3o da teoria desconstrutiva. Em vez disso, emergem da tradi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica e exibem certas qualidades desconstrutivas. A desconstru\u00e7\u00e3o em si mesma, por\u00e9m, \u00e9 freq\u00fcentemente confundida com a desmontagem das constru\u00e7\u00f5es.\n\nPor conseguinte, todo o projeto arquitet\u00f4nico provocativo que pare\u00e7a desfazer a estrutura, seja pela simples ruptura de um objeto (Figs. 2, 3) ou da complexa incorpora\u00e7\u00e3o de um objeto em uma colagem (Figs. 4, 5) &#8211; tem sido chamado de desconstru\u00e7\u00e3o. Estas estrat\u00e9gias t\u00eam produzido alguns dos mais formid\u00e1veis projetos nos \u00faltimos anos, mas s\u00e3o apenas simula\u00e7\u00f5es da obra desconstrutiva em outras disciplinas, j\u00e1 que n\u00e3o exploram a condi\u00e7\u00e3o \u00fanica do objeto arquitet\u00f4nico.\n\nA desconstru\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 a destrui\u00e7\u00e3o ou dissimula\u00e7\u00e3o. Apesar de certas falhas estruturais evidenciadas nas estruturas aparentemente est\u00e1veis, estas falhas n\u00e3o levam ao colapso da estrutura. Pelo contr\u00e1rio, a desconstru\u00e7\u00e3o recebe toda a sua for\u00e7a a partir do seu desafio aos pr\u00f3prios valores da harmonia, unidade, e estabilidade, propondo em seu lugar uma outra vis\u00e3o da estrutura: nela as falhas s\u00e3o vistas como falhas inerentes \u00e0 estrutura. N\u00e3o podem ser removidas sem destru\u00ed-la. Elas s\u00e3o, na verdade, estruturais.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon52.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"150\" height=\"219\" \/>\nFig. 6 \u0096 Supremus #50. Malevich. 1950. Imagem DRUTT, 2003.<\/strong><\/p>\nUm arquiteto desconstrutivista n\u00e3o \u00e9 aquele que desmonta edif\u00edcios, mas aquele que localiza os dilemas que lhes s\u00e3o inerentes. O arquiteto desconstrutivista deixa de lado a tradi\u00e7\u00e3o das formas \u0093puras\u0094 arquitect\u00f3nicas e identifica os sintomas de uma impureza reprimida. A impureza se manifesta atrav\u00e9s de uma mistura de suave convencimento e violenta tortura: a forma \u00e9 submetida a um interrogat\u00f3rio.\n\nPara isto, cada projeto utiliza estrat\u00e9gias formais desenvolvidas pela vanguarda russa do in\u00edcio do s\u00e9culo XX. O Construtivismo Russo foi um marco fundamental na tradi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica, que foi t\u00e3o completamente retorcida, que provocou uma rachadura atrav\u00e9s da qual certas possibilidades arquitet\u00f4nicas inquietantes se tornaram vis\u00edveis pela primeira vez.\n\nO pensamento tradicional sobre a natureza do objeto arquitet\u00f4nico foi colocada em d\u00favida. Mas essa possibilidade n\u00e3o foi reconhecida. A ferida na tradi\u00e7\u00e3o n\u00e3o tardou a fechar, deixando uma cicatriz discreta. Estes projetos abriram esta cicatriz.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon53.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"285\" height=\"197\" \/>\nFig. 7 &#8211; Relevo de canto. V. Tatlin. 1915.<\/strong><\/p>\nA Vanguarda russa representou um desafio \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o, quebrando as regras tradicionais de composi\u00e7\u00e3o, em que a rela\u00e7\u00e3o hier\u00e1rquica e equilibrada entre as formas criam um todo unificado. As formas puras s\u00e3o usadas para produzir composi\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas \u0093impuras\u0094 e torcidas.\n\nTanto os suprematistas, liderados por Malevich, como os construtores de obras tridimensionais, especialmente Tatlin, colocavam formas simples em conflito para produzir uma geometria vol\u00e1til e inquieta (Figs. 6, 7). N\u00e3o havia um \u00fanico eixo ou hierarquia de formas, mas um ninho de linhas e formas em competi\u00e7\u00e3o e conflito.\n\nNos anos que antecederam a revolu\u00e7\u00e3o de 1917, esta geometria tornou-se cada vez mais irregular. Nos anos que se seguiram, a vanguarda foi recha\u00e7ando progressivamente as artes tradicionais por consider\u00e1-las uma fuga da realidade social, mas, n\u00e3o obstante, se dedicaram \u00e0 arquitetura, precisamente porque ser esta inerentemente funcional e n\u00e3o poder ser separada da sociedade.\n\nEntendiam a arquitetura como uma arte, mas com base suficiente na fun\u00e7\u00e3o para poder ser utilizada na promo\u00e7\u00e3o do objetivos revolucion\u00e1rios, e desde que a arquitetura \u00e9 t\u00e3o entrela\u00e7ada com a sociedade, a revolu\u00e7\u00e3o social requeria uma revolu\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica.\n\nCome\u00e7ou-se a pesquisar sobre a poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o da arte pr\u00e9-revolucionaria como base para as estruturas radicais. As formas, que tinham ressuscitado nos desenhos iniciais, transformaram-se em relevos e geometrias inst\u00e1veis que se multiplicaram para criar um novo tipo de espa\u00e7o interior (Fig. 8), parecendo estar prestes a se transformar em arquitetura.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon54.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"280\" height=\"296\" \/>\nFig. 8. Caf\u00e9 Pittoresque. Aplique de Parede. Tatlin, 1917. Imagem JOHNSON, WIGLEY, 1988, p. 12.<\/strong><\/p>\nO monumento de Tatlin (Fig. 9), no qual as formas geom\u00e9tricas puras est\u00e3o presas em uma estrutura retorcida, parecia anunciar uma revolu\u00e7\u00e3o na arquitetura. Na verdade, por um per\u00edodo de tempo, esbo\u00e7aram-se uma s\u00e9rie de projetos avan\u00e7ados.\n\nNa esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio Rodchenko, por exemplo (Fig. 10), as formas puras atravessam o quadro estrutural, modificando-o e modificando-se. No projeto da habita\u00e7\u00e3o comunal de Krinskii (Fig. 11), o quadro foi completamente desintegrado, as formas j\u00e1 n\u00e3o tem rela\u00e7\u00f5es estruturais, e parecem produto de uma explos\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon55.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"223\" height=\"293\" \/>\nFig. 9 \u0096 Monumento da 3\u00aa Internacional. Vladmir Tatlin, 1917<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon56.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"187\" height=\"281\" \/>\nFig. 10 \u0096 Desenho para uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio. Aleksandr Rodchenko. 1920<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon57.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"300\" height=\"242\" \/>\nFig. 11 \u0096 Desenho para Comuna. Vladmir Krinskii. 1920<\/strong><\/p>\nMas todas essas estruturas radicais nunca foram constru\u00eddas. Houve uma grande mudan\u00e7a ideol\u00f3gica. Na medida em que os construtivistas se comprometiam mais com a arquitetura, a instabilidade de sua obras pr\u00e9-revolucion\u00e1ria iam desaparecendo. O conflito de formas que definia os primeiros trabalhos, foi gradualmente se resolvendo.\n\nAs montagens inst\u00e1veis de formas em conflito se tornaram montagens maquinistas de formas em harmoniosa coopera\u00e7\u00e3o para alcan\u00e7ar objetivos espec\u00edficos. No Pal\u00e1cio do Trabalho dos irm\u00e3os Vesnin, obra can\u00f4nica do construtivismo, que foi elogiado como inaugurador de uma nova era no dom\u00ednio da arquitectura, a geometria que identificava as primeiras obras somente est\u00e1 presente nos cabos superiores (Fig. 12).\n\nE mesmo a\u00ed ele se suavisa ainda mais, ao passar de um esbo\u00e7o preliminar para o projeto final (Fig. 13), no qual a perigosa fantasia se converteu em segura realidade. No desenho as linhas dos cabos se entrechocam e volumes b\u00e1sicos s\u00e3o distorcidos. Mas, no projeto final, os volumes foram purificados \u0096 fizeram-se suaves, cl\u00e1ssicos, e todos os cabos convergem ao longo de um \u00fanico movimento, hier\u00e1rquico e vertical.\n<p class=\"img\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon58.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"295\" height=\"219\" \/>\nFig. 12 \u0096 Desenho preliminar para o pal\u00e1cio dos Trabalhadores. Irm\u00e3o Vesnin. 1922<\/strong><\/p>\n<p class=\"img\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon59.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"216\" height=\"298\" \/>\nFig. 13 \u0096 Projeto final para o Pal\u00e1cio dos Trabalhadores. 1923. Irm\u00e3o Vesnin.<\/strong><\/p>\nToda a tens\u00e3o do primeiro esbo\u00e7o \u00e9 resolvido em um \u00fanico eixo: a geometria sem dire\u00e7\u00e3o se alinha. O projeto cont\u00e9m apenas vest\u00edgios de estudos pr\u00e9-revolucion\u00e1rios: aquela primeira obra aqui tornou-se um mero ornamento aplicado sobre o telhado de uma composi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, de formas puras. A estrutura inferior permanece inalterada.\n\nA instabilidade tinha sido marginalizada. Na verdade, s\u00f3 teve a oportunidade de desenvolver-se plenamente nas formas de arte tradicionalmente considerada marginais: cenografias teatrais, decora\u00e7\u00f5es de rua, fontes, fotomontagens e design de vestu\u00e1rio (figs. 14-18) \u0096 as artes n\u00e3o tinham restri\u00e7\u00f5es estruturais e funcionais.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon60.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"175\" height=\"286\" \/>\n<strong>Fig. 14 \u0096 Desenho de um quiosque. A. Rodchenko. 1919<\/strong><\/p>\nA Vanguarda Russa n\u00e3o teve puramente obst\u00e1culos pol\u00edticos e tecnol\u00f3gicos para construir seus estudos iniciais. Nem deixou o esp\u00edrito de seu primeiro trabalho. Por\u00e9m, a instabilidade dos trabalhos pr\u00e9-revolucion\u00e1rios nunca tinha sido proposta como uma possibilidade estrutural. Aquela obra n\u00e3o estava t\u00e3o preocupada com a desestabiliza\u00e7\u00e3o da estrutura.\n\nPelo contr\u00e1rio, preocupava-se com a pureza fundamental da estrutura. Sua geometria irregular \u00e9 entendida como uma rela\u00e7\u00e3o din\u00e2mica entre as formas flutuando no espa\u00e7o, mais do que de uma condi\u00e7\u00e3o inst\u00e1vel estrutural inerentes \u00e0s formas: a pureza das formas individuais nunca foi questionada, nunca tinha manipulado a sua estrutura interna.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon61.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"299\" height=\"220\" \/>\nFig. 15 \u0096 Maquete para cenografia. Museu da Cultura. Velimir Khlenikov. 1923<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon62.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"304\" height=\"172\" \/>\nFig. 16 \u0096 Maquete para cenografia da obra de A. Ostrovsky. V. Tatlin. 1935.<\/strong><\/p>\nMas, em sua tentativa de converter os primeiros experimentos formais em estruturas arquitet\u00f4nicas retorcidas, Tatlin, Rodchenko e Krinsk\u00edi, transformaram o dinamismo em estabilidade. Seus desenhos s\u00e3o, portanto, uma aberra\u00e7\u00e3o, uma possibilidade extrema para al\u00e9m do esp\u00edrito das primeiras obras.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon63.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"286\" height=\"186\" \/>\nFig. 17 \u0096 Cenografia Teatral Construtiva. Iakov Chernikov. 1931<\/strong><\/p>\nA arquitetura construtivista mais est\u00e1vel dos Vesnin, paradoxalmente, manteve esse esp\u00edrito, a preocupa\u00e7\u00e3o com a pureza estrutural, justamente protegendo a forma de amea\u00e7a de instabilidade. Como conseq\u00fc\u00eancia, n\u00e3o foi capaz de alterar a condi\u00e7\u00e3o tradicional do objeto arquitect\u00f4nico.\n\nA arquitetura se manteve em seu papel tradicional. Nesse sentido, o projeto vanguardista radical fracassou no dom\u00ednio da arquitectura. H\u00e1 estrat\u00e9gias formais poss\u00edveis dentro da arquitetura que transformam a sua condi\u00e7\u00e3o fundamental; tais transforma\u00e7\u00f5es ocorreram em outras artes, mas n\u00e3o na arquitetura.\n\nHouve apenas uma mudan\u00e7a de estilo, e at\u00e9 mesmo o novo estilo logo sucumbiu ao movimento moderno, que se desenvolvia em paralelo, na mesma \u00e9poca. A Vanguarda russa foi corrompida pela pureza do movimento moderno.\n\nO movimento moderno tentou uma purifica\u00e7\u00e3o da arquitectura ao despoj\u00e1-la de toda a ornamenta\u00e7\u00e3o da tradi\u00e7\u00e3o cl\u00e1ssica, revelando a pureza da a estrutura funcional subjacente. A pureza formal associava-se com a efici\u00eancia funcional.\n\nMas o movimento moderno estava obcecado pela funcionalidade est\u00e9tica elegante, e n\u00e3o pela din\u00e2mica complexa da fun\u00e7\u00e3o em si mesma. Ao inv\u00e9s de utilizar os requisitos espec\u00edficos do programa funcional para gerar a ordem b\u00e1sica dos seus projetos, manipulava a pele das formas geom\u00e9tricas puras para representar o conceito geral de fun\u00e7\u00e3o. Ao utilizar uma est\u00e9tica maquinista produzia um estilo funcionalista.\n\nComo os cl\u00e1ssicos, articulava a superf\u00edcie de uma forma de tal maneira que marcava a sua pureza. Restaurava a mesma tradi\u00e7\u00e3o da qual tentava escapar, substituindo a envolvente cl\u00e1ssica com uma moderna, mas sem transformar a condi\u00e7\u00e3o fundamental do objeto arquitet\u00f4nico. A arquitetura permanecia como agente estabilizador.\n\nCada um dos projetos nesta exposi\u00e7\u00e3o explora a rela\u00e7\u00e3o entre a instabilidade da primeira vanguarda R\u00fassia e estabilidade do tardo-moderno. Cada projeto usa a est\u00e9tica tardo-moderna fundindo-a entretanto com a geometria radical da obra pr\u00e9-revolucion\u00e1ria.\n\nAplicam uma dem\u00e3o de frio verniz do Estilo Internacional sobre as formas ansiosamente conflitivas da arte de vanguarda. Ai se localiza a tens\u00e3o daquelas primeiras obras sob a pele da arquitetura moderna, que irritam a modernidade por de dentro da sua pr\u00f3pria genealogia distorcida.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon84.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"345\" height=\"350\" \/>\nInstala\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio de advocacia Schuppich, Sporn, Winisschofer. Viena, 1983-7. Coop Himmelblau.<\/strong><\/p>\nN\u00e3o necessariamente trabalham com fontes conscientemente construtivistas. Pelo contr\u00e1rio, para desmantelar a tradi\u00e7\u00e3o continua na qual movimento moderno estava envolvido, utilizam as estrat\u00e9gias ensaiadas pelas vanguardas inevitablelmente testado para o chumbo.\n\nN\u00e3o imitam caprichosamente o vocabul\u00e1rio dos russos; a quest\u00e3o \u00e9 que foram os russos que descobriram a configura\u00e7\u00f5es geom\u00e9tricas que podem ser usadas para desestabilizar a estrutura, e essas configura\u00e7\u00f5es podem ser encontradas reprimidas no final dos anos modernos.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon85.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"400\" height=\"278\" \/>\nInstala\u00e7\u00e3o do escrit\u00f3rio de advocacia Schuppich, Sporn, Winisschofer. Interior<\/strong><\/p>\nO uso de vocabul\u00e1rio formal do construtivismo n\u00e3o \u00e9 um jogo historicista que habilmente retira os trabalhos da vanguarda de seu contexto social da alta carga ideol\u00f3gica, tratando-os apenas como objetos est\u00e9ticos.\n\nA verdadeira estetiza\u00e7\u00e3o das primeiras investiga\u00e7\u00f5es formais se produziu quando a pr\u00f3pria vanguarda as transformou em arte mais ornamental do que estrutural. Os projetos desta exposi\u00e7\u00e3o, no entanto, retomam aquelas primeiras incurs\u00f5es estruturais, e as devolve ao seu ambiente social.\n\nMas isto n\u00e3o implica somente em ampliar os relevos ou fazer vers\u00f5es tridimensionais aos primeiros desenhos. Esses projetos n\u00e3o recebem a sua for\u00e7a a partir da utiliza\u00e7\u00e3o de formas conflitantes. Isso s\u00f3 serve como cen\u00e1rio para uma subvers\u00e3o mais fundamental da tradi\u00e7\u00e3o arquitet\u00f4nica.\n\nA est\u00e9tica \u00e9 usada apenas para explorar uma possibilidade ainda mais radical que a vanguarda russa tornou poss\u00edvel, mas n\u00e3o lhe tirou proveito. Se os projectos de uma forma completa esta tarefa, ao faz\u00ea-lo, eles tamb\u00e9m a transforma: superam o construtivismo. Esta mudan\u00e7a \u00e9 o \u0093des-\u0094 de \u0093des-construtivista\u0094. Os projetos podem ser chamados desconstrutivistas porque, apesar de partirem do construtivismo, constituem-se em uma mudan\u00e7a radical dele.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon66.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"496\" height=\"278\" \/>\nWexner Center de Artes Visuais. Arquiteto Peter Eisenman. Columbus, Ohio, 1987-9.<\/strong><\/p>\nEssa altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o resultado de viol\u00eancia externa. N\u00e3o \u00e9 uma fratura ou um corte, ou uma fragmenta\u00e7\u00e3o ou uma perfura\u00e7\u00e3o. Alterar a forma por fora com estes meios n\u00e3o \u00e9 amea\u00e7ar a forma, apenas danific\u00e1-la. O dano produz um efeito decorativo, uma est\u00e9tica do perigo, representa\u00e7\u00e3o quase pitoresca do risco, mas n\u00e3o uma amea\u00e7a tang\u00edvel.\n\nEm contraste, a arquitetura desconstrutivista altera as formas por dentro. Mas isso n\u00e3o significa que a geometria retorcida se converteu em uma nova forma de decora\u00e7\u00e3o de interiores. N\u00e3o \u00e9 uma simples ocupa\u00e7\u00e3o de um espa\u00e7o definido por uma figura j\u00e1 existente. A altera\u00e7\u00e3o interna se incorporou de fato \u00e0 estrutura interna, \u00e0 constru\u00e7\u00e3o. \u00c9 como se uma esp\u00e9cie de parasita tivesse infectando a forma, distorcendo-a por dentro.\n\nO projeto de remodela\u00e7\u00e3o num \u00e1tico apresentados nesta exposi\u00e7\u00e3o , por exemplo, \u00e9, claramente, uma forma que foi distorcidos por organismo estranho, um animal retorcido e perturbador que atravessa a esquina. Um relevo retorcido contagia a caixa ortogonal. \u00c9 um monstro esquel\u00e9tico que rompe os elementos de uma forma em sua luta emergente.\n\nLiberto das amarras da estrutura familiar ortogonal, a cobertura \u00e9 parcialmente rasgada e torcida. A distor\u00e7\u00e3o \u00e9 especialmente inquietante porque parece pertencer \u00e0 forma, fazer par com ela. Parece como se sempre tivesse estado ali, latente, at\u00e9 que o arquiteto a liberou: o estranho que emerge das escadas, paredes e do plano da cobertura e n\u00e3o uma fissura ou um canto escuro \u0096 toma sua forma dos mesmos elementos que definem o volume b\u00e1sico do \u00e1tico. O estranho \u00e9 uma excresc\u00eancia da mesma forma que est\u00e1 violando.\n\nA forma \u00e9 em si mesma de distorcida. No entanto, essa distor\u00e7\u00e3o interna n\u00e3o destruir o forma. De alguma forma estranha, a forma permanece intacta. Ser\u00e1 esta uma arquitetura de ruptura, de deslocamento, deflex\u00e3o, deforma\u00e7\u00e3o e distor\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de demoli\u00e7\u00e3o, desmontagem, decad\u00eancia, decomposi\u00e7\u00e3o ou desintegra\u00e7\u00e3o. Desloca a estrutura, mais do que a destr\u00f3i.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon67.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"196\" height=\"261\" \/>\nWexner Center de Artes Visuais. Escadas<\/strong><\/p>\nO que \u00e9 mais preocupante, em \u00faltima an\u00e1lise, nessas obras \u00e9 que a forma n\u00e3o s\u00f3 sobrevive \u00e0 tortura, mas parece ser fortalecida por ela. Talvez a forma tenha sido inclusive produzida por esta tortura. \u00c9 confuso determinar o que se vai em primeiro lugar, se o anfitri\u00e3o ou o parasita. \u00c0 primeira vista, a diferen\u00e7a entre a forma e sua distor\u00e7\u00e3o ornamental parece clara, mas ao examinar mais cuidadosamente, a linha que as divide parece romper.\n\nComo um olhar mais cuidadoso, torna-se menos claro o ponto de que acaba a forma perfeita e come\u00e7a sua imperfei\u00e7\u00e3o; parecem estar inextricavelmente entrela\u00e7adas. N\u00e3o se pode desenhar uma linha entre elas. N\u00e3o se pode ser liberar a forma mediante alguma t\u00e9cnica cir\u00fargica; n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel um incis\u00e3o l\u00edmpida. Remover o parasita iria matar o hospedeiro. Formam os dois uma entidade simbi\u00f3tica.\n\nIsso produz uma sensa\u00e7\u00e3o desconfort\u00e1vel de inquieta\u00e7\u00e3o, desafiando o senso de identidade est\u00e1vel e coerente que n\u00f3s associamos com a forma pura. \u00c9 como se a perfei\u00e7\u00e3o tivesse sempre possu\u00eddo taras cong\u00eanitas n\u00e3o diagnosticadas e que est\u00e3o agora come\u00e7ando a se tornar vis\u00edveis. A perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 secretamente monstruosa. Torturada por dentro, a forma aparentemente perfeita confessa seu crime, a sua imperfei\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon68.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"322\" height=\"214\" \/>\n<strong>Casa Gehry. Santa M\u00f4nica, Calif\u00f3rnia, 1978<\/strong><\/p>\nEste sensa\u00e7\u00e3o de deslocamento \u00e9 n\u00e3o somente na forma desses projetos. Tamb\u00e9m ocorre entre essas formas e seu contexto. Nos \u00faltimos anos, a associa\u00e7\u00e3o moderna responsabilidade social com o programa funcional foi substitu\u00edda por uma preocupa\u00e7\u00e3o com o contexto.\n\nMas o contextualismo foi utilizado como uma desculpa para a mediocridade, para o tolo servilismo frente ao familiar. Uma vez que a arquitetura desconstrutivista busca o estranho dentro do familiar, desloca o contexto, em vez de ceder a ele.\n\nOs projetos nesta exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o ignoram os contextos, eles n\u00e3o s\u00e3o anti-contextuais. Em vez disso, cada um deles fazem-lhes interven\u00e7\u00f5es muito espec\u00edficas.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon69.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"326\" height=\"369\" \/>\n<strong>Casa Gehry. Interior.<\/strong><\/p>\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon70.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"374\" height=\"199\" \/>\nCasa Gehry. Perspectiva<\/strong><\/p>\nO que os torna inquietantes \u00e9 a maneira que eles encontram o estranho escondido de antem\u00e3o no fam\u00edliar. Em seu discurso, os elementos do contexto se fazem extranhos. Em um dos projetos, as torres foram derrubadas em seus lados, enquanto outras pontes s\u00e3o levantadas para se tornarem torres, elementos subterr\u00e2neos emergem da terra e flutuar na superf\u00edcie, ou, de repente, os materiais mais comuns se tornam ex\u00f3ticos.\n\nCada projeto ativa uma parte do contexto, a fim de alterar o resto dele, extraindo-lhe propriedades at\u00e9 ent\u00e3o ocultas, que se convertem em protagonistas. Cada uma dessas propriedades , em seguida, assume uma presen\u00e7a misteriosa, fora do contexto do qual precede, estranho e ao mesmo tempo familiar: uma esp\u00e9cie de monstro adormecido que acorda ao defrontar-se com o cotidiano.\n\nEsta altera\u00e7\u00e3o provoca uma complicada resson\u00e2ncia entre o interior alterado das formas e sua altera\u00e7\u00e3o do contexto, que questiona o papel das as paredes que definem essa forma. A divis\u00e3o entre o interior e o exterior se v\u00ea radicalmente alterada.\n\nA forma j\u00e1 n\u00e3o divide simplesmente um interior de um exterior. A geometria demonstra ser muito mais retorcida: o sentimento de estar delimitado, seja por um edif\u00edcio ou uma habita\u00e7\u00e3o, se v\u00ea alterada.\n\nMas n\u00e3o simplesmente pela elimina\u00e7\u00e3o das paredes; o fechamento das paredes n\u00e3o muda simplesmente pela moderna planta livre. Isso n\u00e3o \u00e9 liberdade, libera\u00e7\u00e3o, mas estresse; n\u00e3o \u00e9 relaxamento, por\u00e9m mais tens\u00e3o.\n\nAs paredes se abrem, mas de forma amb\u00edgua. N\u00e3o h\u00e1 janelas simplesmente, aberturas regulares que perfuram uma parede s\u00f3lida; em vez disso, a parede \u00e9 torturada, partida e dobrada. N\u00e3o \u00e9 mais um elemento que d\u00e1 seguran\u00e7a ao dividir o familiar daquilo que n\u00e3o o \u00e9, o interior do exterior. Toda a condi\u00e7\u00e3o de envolvente se faz em peda\u00e7os.\n\nEmbora a arquitetura desconstrutivista ameace essa propriedade fundamental dos objetos arquitet\u00f4nicos, n\u00e3o constitui uma vanguarda. N\u00e3o \u00e9 uma ret\u00f3rica do novo. Melhor dizer que que exp\u00f5e o estranho escondido no tradicional. \u00c9 um choque do antigo. Tira proveito da debilidade da tradi\u00e7\u00e3o para altera-la, em vez de super\u00e1-la. Como a vanguarda Moderna, pretende ser inquietante, alienante.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon71.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"373\" height=\"111\" \/>\n<strong>City Edge. Berlim, 1987. Daniel Libeskind<\/strong><\/p>\nMas n\u00e3o a partir da retaguarda da vanguarda, n\u00e3o a partir das margens. Mas ocupando e alterando centro. Esta obra n\u00e3o \u00e9 fundamentalmente distinta das antigas tradi\u00e7\u00f5esque questiona. N\u00e3o abandona a tradi\u00e7\u00e3o. Pelo contr\u00e1rio, habita o centro da tradi\u00e7\u00e3o para demonstrar que a arquitetura esteve sempre infectada, que a forma pura sempre esteve contaminada.\n\nAo habitar completamente a tradi\u00e7\u00e3o, obedecendo sua l\u00f3gica interna mais rigorosamente do que nunca, estes arquitetos descobriram certos dilemas dentro da tradi\u00e7\u00e3o que aqueles que passam son\u00e2mbulos para ela n\u00e3o conseguimos vislumbrar.\n\nArquitetura desconstrutivista, portanto, coloca problemas, tanto no centro como nas margens, tanto para a maioria conservadora como para uma franja radical da profiss\u00e3o arquitet\u00f4nica. Nenhum deles pode apropriar-se dessas obras. Elas n\u00e3o podem ser simplesmente imitadas pelos marginais, pois eles exigem um profundo conhecimento dos meandros da tradi\u00e7\u00e3o e, portanto, cumplicidade com eles.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon72.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"226\" height=\"322\" \/>\n<strong>Skyline. Hamburgo, 1985. Coop Himmelblau<\/strong><\/p>\nMas tamb\u00e9m n\u00e3o pode ser feita a partir do centro, eles n\u00e3o podem ser t\u00e3o facilmente assimiladas. Convidam ao consumo, usando tradicionais formas arquitet\u00f4nicas, tentando faze-las aceitas tal qual s\u00e3o, mas, ao infectar essas formas, sempre produzem um tipo de indigest\u00e3o. \u00c9 neste momento de resist\u00eancia cr\u00edtica que adquirem sua maior for\u00e7a.\n\nMuitas obras supostamente radicais, nos \u00faltimos anos, t\u00eam se auto-neutralizado por manter-se em uma posi\u00e7\u00e3o marginal. Foram desenvolvidos projetos brilhantemente conceituais, com aspecto talvez mais radical do que os do presente exposi\u00e7\u00e3o, mas sem o mesmo poder, uma vez que n\u00e3o enfrentam o centro da tradi\u00e7\u00e3o marginalizando-se a si mesmos pelos pr\u00f3prios ao excluir a constru\u00e7\u00e3o.\n\nDitos projetos n\u00e3o se defrontam com a arquitetura, mas fazem sofisticadas glosas dela. Produzem uma esp\u00e9cie de coment\u00e1rio da constru\u00e7\u00e3o, se se destinar a construir. Tais desenhos carregam o estigma da desconex\u00e3o com as vanguardas hist\u00f3ricas. Habitam as margens, a linha de frente, a fronteira. S\u00e3o a proje\u00e7\u00e3o do futuro, de mundos novos, de fantasias ut\u00f3picas.\n\nEm contraste, as obras apresentadas nesta exposi\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma proje\u00e7\u00e3o do futuro nem uma simples lembran\u00e7a do passado. Antes \u00e9 um intento de vestir-se com a tradi\u00e7\u00e3o viva, imitando-a a partir do centro. A arquitetura desconstrutivista encontra as fronteiras, os limites da arquitetura, ocultos dentro das formas cotidianas. Encontra um territ\u00f3rio novo dentro de objetos antigos.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon73.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"237\" height=\"321\" \/>\n<strong>Parque La Villette. Paris, 1985<\/strong><\/p>\nEsta obra tolera o tipo de observa\u00e7\u00e3o que habitualmente s\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel nos dom\u00ednios distantes da realidade das formas constru\u00eddas. Os projetos s\u00e3o radicais precisamente porque n\u00e3o se coloca nos santu\u00e1rios do desenho, da teoria ou da escultura.\n\nHabitam o reino da constru\u00e7\u00e3o. Algun foram constru\u00eddos, outros seriam constru\u00eddos, outros n\u00e3o ser\u00e3o jamais levados \u00e0 realidade, mas todos s\u00e3o pass\u00edveis de constru\u00e7\u00e3o, todos est\u00e3o orientados para ser constru\u00eddos. Desenvolvem uma coer\u00eancia arquitet\u00f4nica, ao enfrentar os problemas b\u00e1sicos da constru\u00e7\u00e3o \u0096 a estrutura e a fun\u00e7\u00e3o \u0096 embora de forma pouco convencional.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon74.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"207\" height=\"217\" \/>\nFolie do parque La Villette. Bernard Tchumi.<\/strong><\/p>\nEma cada um dos projetos, a estrutura tradicional de planos paralelos, erguidos horizontalmente a partir do plano do solo, e contidos em uma forma regular, se retorce. O marco est\u00e1 distorcido, inclusive o plano do solo esta deslocado. Questiona-se a forma pura levando a estrutura a seus limites, por\u00e9m n\u00e3o mais al\u00e9m destes.\n\nA estrutura se desloca mas n\u00e3o cai. Apenas \u00e9 levada ao ponto em que come\u00e7a a ser inquietante. A obra produz uma sensa\u00e7\u00e3o de desconforto quando os solos e as paredes como\u00e7am a mover-se de forma inquietante, tentando-nos a buscar seguran\u00e7a em alguma coisa perto das bordas. Por\u00e9m, se estas estruturas produzem uma sensa\u00e7\u00e3o de inseguran\u00e7a, isto n\u00e3o se deve \u00e0 sua fragilidade. S\u00e3o edif\u00edcios extremamente s\u00f3lidos.\n\nO que sucede \u00e9 que a solidez se organiza de maneira pouco familiar, altrerando o nosso senso comum de estrutura. Apesar de serem estruturalmente est\u00e1veis, s\u00e3o, ao mesmo tempo estruturalmente terror\u00edficas.\n\nEsta altera\u00e7\u00e3o do sentido tradicional da estrutura tamb\u00e9l altera o sentido tradicional da fun\u00e7\u00e3o. Os modernos, em sua \u00e9poca, diziam que a forma seguia a fun\u00e7\u00e3o e que as formas de efici\u00eancia funcional teriam necessariamente uma geometria pura.\n\nMas sua est\u00e9tica n\u00e3o levava em conta a qualidade desordenada dos requisitos funcionais reais. Na arquitetura desconstrutivista, n\u00e3o obstante, a ruptura da forma pura resulta em uma complexidade din\u00e2mica de condi\u00e7\u00f5es concretas que \u00e9 mais afinada com a complexidade funcional.\n\nE al\u00e9m disso, as formas s\u00e3o alteradas antes, e s\u00f3 ent\u00e3o dotadas de um programa funcional. A forma n\u00e3o segue a fun\u00e7\u00e3o, mas a fun\u00e7\u00e3o segue a deforma\u00e7\u00e3o.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon75.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"219\" height=\"173\" \/>\n<strong>The Peak. Hong Kong. 1982. Zaha M. Hadid<\/strong><\/p>\nApesar de questionar as id\u00e9ias tradicionais sobre a estrutura, estes progetos s\u00e3o rigorosamente estruturais. Apesar de questionar a ret\u00f3rica funcionalista do movimento moderno, cada projeto \u00e9 rigorosamente funcional.\n\nPara a maioria dos arquitetos, este compromisso com a constru\u00e7\u00e3o \u00e9 uma virada recente, que mudou completamente o tem de suas obras. Deixaram suas complexas abstra\u00e7\u00f5es para enfrentar a materialidade dos projetos constru\u00eddos.\n\nEsta mudan\u00e7a confere a suas obras um fundo cr\u00edtico. A obra cr\u00edtica s\u00f3 se pode fazer no limite do constru\u00eddo: para comprometer-se com o discurso, os arquitetos t\u00eam que comprometer-se com a constru\u00e7\u00e3o. O objeto se converte no lugar de coloca\u00e7\u00e3o de toda a inquieta\u00e7\u00e3o te\u00f3rica.\n\nOs te\u00f3ricos se v\u00eaem for\u00e7ados a sair do santu\u00e1rio da teoria, os pr\u00e1ticos despertam de sua pr\u00e1tica sonamb\u00falica. Ambos se encontram no reino da constru\u00e7\u00e3o e se comprometem com objetos.\n\nIsto n\u00e3o debe ser entendido como um afastamento da teoria, mas indica que o papel tradicional da teoria mudou. J\u00e1 n\u00e3o \u00e9 um dom\u00ednio abstrato que defende e rodeia os objetos, protegendo-os de um exame por meio da mistifica\u00e7\u00e3o. A teoria arquitet\u00f4nica geralmente recha\u00e7a um encontro com o objeto.\n\nPreocupa-se mais em velar do que expor os objetos. Neste s projetos, toda a teoria est\u00e1 presente no pr\u00f3prio objeto. As proposi\u00e7\u00f5es tomam a forma de objetos mais do que abstra\u00e7\u00f5es verbais. O que conta \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o do objeto, n\u00e3o a teoria abstrata. Com isso, a for\u00e7a do objeto faz com que a teoria que o produziu seja irrelevante.\n\nConsequentemente, este projetos podem ser considerados fora de seu contexto te\u00f3rico habitual. Podem ser analisados em termos estritamente formais porque a condi\u00e7\u00e3o formal porque a condi\u00e7\u00e3o formal de cada objeto inclui toda sua for\u00e7a ideol\u00f3gica.\n\nTal an\u00e1lise serve para uma aproxima\u00e7\u00e3o com arquitetos altamente conceituais a outros mais pragm\u00e1ticos. Eles se unem para produzir objetos inquietantes que interrogam a forma pura de tal maneira que exp\u00f5em a condi\u00e7\u00e3o reprimida da arquitetura.\n<p class=\"imagem\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon76.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"372\" height=\"180\" \/>\nThe Peak. Hong Kong. 1982. Zaha M. Hadid<\/strong><\/p>\nIsto n\u00e3o quer dizer que fa\u00e7am parte de um novo movimento. A arquitetura desconstrutivista n\u00e3o \u00e9 um \u0093ismo\u0094. Mas tampouco s\u00e3o sete arquitetos independentes. Trata-se de um peculiar ponto de interse\u00e7\u00e3o entre arquitetos muito diferentes que se movem em dire\u00e7\u00f5es diferentes. Estes projetos s\u00e3o breves momentos em programas independentes.\n\nClaramente influenciam-se mutuamente. De formas muito complexas, mas n\u00e3o formam uma equipe. S\u00e3o, enfim, uma alian\u00e7a inc\u00f4moda. Esta exposi\u00e7\u00e3o trata tanto do inc\u00f5modo como da alia\u00e7a.. O epis\u00f3dio ter\u00e1 uma vida curta. Os arquitetos continuar\u00e3o seus caminhos diferentes, Seus projetos n\u00e3o servir\u00e3o para autorizar uma certa maneira de fazer um certo tipo de objeto.\n\nN\u00e3o \u00e9 um novo estilo; os projetos n\u00e3o compartilham simplesmente uma est\u00e9tica. Os que os arquitetos compartilham \u00e9 o fato de que cada um deles constr\u00f3i edif\u00edcios inquietantes explorando o potencial oculto da modernidade.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Arquitetura Desconstrutivista\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/08\/ddescon77.jpg\" alt=\"Arquitetura Desconstrutivista\" width=\"224\" height=\"201\" \/>\n<strong>Biocentrum. Universidade de Frankfurt, 1987. Peter Eisenman<\/strong><\/p>\nA inquieta\u00e7\u00e3o que estes edif\u00edcios produzem n\u00e3o \u00e9 apenas perceptual; n\u00e3o \u00e9 uma resposta pessoal frente \u00e0s obras, nem tampouco \u00e9 um estado mental. O que est\u00e1 sendo alterado \u00e9 um conjunto de presun\u00e7\u00f5es culturais profundamente arraigadas, que est\u00e1 por traz de uma certa vis\u00e3o da arquitetura, presun\u00e7\u00f5es sobre a ordem, a harmonia, a estabilidade e a unidade.\n\nEntretanto, esta altera\u00e7\u00e3o n\u00e3o deriva de, ou resulta em uma mudanza fundamental na cultura. A inquieta\u00e7\u00e3o n\u00e3o foi produzida por um novo esp\u00edrito do tempo; n\u00e3o \u00e9 que um mundo inquieto produza uma arquitetura inquieta. Nem tampouco \u00e9 a ang\u00fastia pessoal do arquiteto; n\u00e3o \u00e9 uma forma de expressionismo, o arquiteto n\u00e3o expressa nada com ele. O arquiteto somente faz poss\u00edvel que a tradi\u00e7\u00e3o se equivoque, que se deforme em si mesma.\n\nA preocupa\u00e7\u00e3o da arquitetura desconstrutivista habita mais o subconsciente da forma pura do que o subconsciente do arquiteto. O arquiteto simplesmente anula as inibi\u00e7\u00f5es formais tradicionais para liberar o corpo extranho. Cada arquiteto libera inibi\u00e7\u00f5es diferentes, de maneira que subverte a forma de maneiras radicalmente distintas.\n\nCada um deles se faz protagonista de um dilema diferente da forma pura. Ao faze-lo produzem uma arquitetura sinuosa, uma arquitetura escorregadia, que desliza descontroladamente do familiar para o desconhecido, at\u00e9 a extranha tomada de consci\u00eancia de sua pr\u00f3pria natureza extranha, uma arquitetura, finalmente, que se distorce a si mesma para revelar-se de novo. Os projetos sugerem que a arquitetura sempre tem estado questionada por esta classe de enigmas, que s\u00e3o a origem de sua for\u00e7a e seu deleite, e que fazem poss\u00edvel sua formid\u00e1vel presen\u00e7a.\n\n<strong>Mark Wigley &#8211; Diretor Associado da Exposi\u00e7\u00e3o<\/strong>\n\nProjetos e edif\u00edcios expostos no MoMA, 1988 na exposi\u00e7\u00e3o Deconstructivist Architecture.\nFrank O. Gehry- Casa Gehry, Santa Monica, CA. 1978.\nDaniel Libeskind \u0096 City Edge. Berlim, 1987.\nRem Koolhas (OMA) \u0096 Edif\u00edcio em Roterd\u00e3, Holanda, 1982.\nPeter Eisenman \u0096 Biocentrum. Universidade de Frankfurt, 1987.\nZaha M. Hadid \u0096 The Peak. Hong Kong, 1982.\nCoop Himmelblau. __ Viena, 1985. Edif\u00edcio em Viena, 1986. Skyline, Hamburgo, 1985\nBernard Tchumi. Parc de La Villette, Paris, 1985.\n\nFonte: coisasdaarquitetura.wordpress.com\n<h6>Arquitetura Descontrutivista<\/h6>\n<p class=\"imagem\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Arquitetura Desconstrutivista, Movimento, Conceito, Projeto, Arquitetos, Desenho, Estilo, Arquitetura Desconstrutivista<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":4444,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[50],"tags":[],"class_list":["post-25324","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arte-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Arquitetura Desconstrutivista - Portal S\u00e3o Francisco<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"noindex, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Arquitetura Desconstrutivista - 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