{"id":23345,"date":"2016-01-21T00:00:00","date_gmt":"2016-01-21T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/uncategorized\/acafrao\/"},"modified":"2026-09-01T15:54:26","modified_gmt":"2026-09-01T15:54:26","slug":"acafrao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/alimentos-2\/acafrao\/","title":{"rendered":"A\u00e7afr\u00e3o"},"content":{"rendered":"\nOs benef\u00edcios para a sa\u00fade do a\u00e7afr\u00e3o s\u00e3o v\u00e1rios dentre eles\u00a0 promover a sa\u00fade mental, auxiliar na preven\u00e7\u00e3o da degenera\u00e7\u00e3o macular, melhorar a pele, prevenir a perda de cabelo, melhorar a sa\u00fade respirat\u00f3ria, aumentar a vitalidade sexual, aliviar a dor e melhorar o sistema hormonal, auxiliar na sa\u00fade do cora\u00e7\u00e3o, promover boa digest\u00e3o e bom para o funcionamento celular.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 o tempero mais caro do mundo &#8211; com 1 libra (450 gramas) custando entre 500 e 5.000 d\u00f3lares.\n\nA raz\u00e3o para o seu pre\u00e7o elevado \u00e9 o seu m\u00e9todo de colheita intensivo em m\u00e3o-de-obra, tornando a produ\u00e7\u00e3o dispendiosa.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 colhido \u00e0 m\u00e3o a partir da flor Crocus sativus , vulgarmente conhecida como \u201ca\u00e7afr\u00e3o a\u00e7afr\u00e3o\u201d. O termo \u201ca\u00e7afr\u00e3o\u201d aplica-se \u00e0s estruturas semelhantes a fios da flor, ou estigma.\n\nOriginou-se na Gr\u00e9cia, onde foi reverenciado por suas propriedades medicinais. As pessoas comem a\u00e7afr\u00e3o para aumentar a libido, melhorar o humor e melhorar a mem\u00f3ria.\n\nAqui est\u00e3o 11 benef\u00edcios de sa\u00fade impressionantes do a\u00e7afr\u00e3o.\n<ul>\n \t<li>Poderoso antioxidante<\/li>\n \t<li>Melhora o humor e trata sintomas de depress\u00e3o<\/li>\n \t<li>Reduz os sintomas da TPM<\/li>\n \t<li>Tem a\u00e7\u00e3o afrodis\u00edaca<\/li>\n \t<li>Diminui o apetite e auxilia no emagrecimento<\/li>\n \t<li>Diminui n\u00edveis de a\u00e7\u00facar no sangue<\/li>\n \t<li>Reduz fatores para doen\u00e7as card\u00edacas<\/li>\n<\/ul>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra8.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"343\" height=\"254\" \/><\/p>\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 uma planta que sempre esteve acompanhada de sacerdotes, fil\u00f3sofos e reis, isto provavelmente pelas suas qualidades e pelo seu pre\u00e7o, sempre muito alto. Os povos antigos utilizavam o a\u00e7afr\u00e3o em rituais solares, isto devido \u00e0 sua colora\u00e7\u00e3o.\n\nO nome za\u0092faran, nome de origem \u00e1rabe-persa, foi encontrado pela primeira vez em um afresco do pal\u00e1cio de Minos, em Creta, por volta de 1700 a 1600 a.C. Conta-se que o antigo imperador romano Nero, mandou atapetar as ruas com a\u00e7afr\u00e3o para se apresentar ao povo.\n\n\u00c9 originado do Oriente, sendo introduzido na Espanha pelos \u00e1rabes, e difundindo-se pelo resto da Europa mediterr\u00e2nea. N\u00e3o confunda a c\u00farcuma, denominada de a\u00e7afr\u00e3o pelos brasileiros, com o verdadeiro a\u00e7afr\u00e3o. Deste empregam-se os estigmas das flores, enquanto da c\u00farcuma utilizam-se os rizomas.\n\nDeve ser dilu\u00eddo em um pouco de \u00e1gua quente na hora de ser utilizado, isto para hidrat\u00e1-lo e facilitar a libera\u00e7\u00e3o de seus pigmentos e odores. Alguns povos tamb\u00e9m utilizam o a\u00e7afr\u00e3o para colorir roupas e utilizar como maquilagem.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o pode ser cultivado sob climas temperados a tropicais, suportando bem temperaturas frias a quentes. N\u00e3o \u00e9 uma planta muito exigente ao tipo de solo, desde que seja bem drenado. Recomenda-se utilizar solos adubados com mat\u00e9ria org\u00e2nica, como estercos, e ap\u00f3s o plantio cobrir com palhadas.\n\nA colheita inicia-se com a florada, aproximadamente um ano ap\u00f3s o plantio, e se estender\u00e1 por v\u00e1rios meses. A colheita ter\u00e1 de ser feita em intervalos muito curtos, praticamente 2 a 3 passadas por semana, isto por que as flores s\u00e3o lan\u00e7adas quase que diariamente, e se n\u00e3o forem colhidas j\u00e1 no dia seguinte elas estar\u00e3o murchas e n\u00e3o ser\u00e3o aproveitadas.\n\nRecomenda-se colher no per\u00edodo da manh\u00e3, depois da seca do orvalho. Logo ap\u00f3s a colheita das flores deve se retirar os estames, e lev\u00e1-los a secar em um secador com ar aquecido. O rendimento est\u00e1 em torno de 10 a 15 kg\/ha de estigmas secos ap\u00f3s o terceiro ano de cultivo. Para se obter 1 kg de estigma deve-se colher de 100.000 a 150.000 flores. O pre\u00e7o pago atualmente pelo a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 de U$ 2.000 a U$ 3.000\/ kg. No varejo o grama sai mais caro que o grama do ouro.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 rico em carotenoides, e \u00e9 devido a presen\u00e7a destes pigmentos que \u00e9 utilizado como corante de cor amarelo dourado. Possui tamb\u00e9m agliconas, picros\u00eddios, \u00f3leos essenciais entre outros.\n\nPossui a\u00e7\u00e3o aperitiva, eup\u00e9ptica, estimulante nervoso, emenagogo e externamente pode ser usado para diminuir as dores gengivais. O a\u00e7afr\u00e3o n\u00e3o deve ser usado por pessoas sem o seu devido conhecimento, pois em doses um pouco maiores pode fazer mal, podendo at\u00e9 levar \u00e0 morte.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o possui um sabor levemente amargo, pungente, por\u00e9m agrad\u00e1vel. Possui odor agrad\u00e1vel, penetrante, doce, picante e floral. Na culin\u00e1ria o a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 empregado principalmente em pratos de pa\u00edses mediterr\u00e2neos, sendo muito empregado em pa\u00edses como Espanha e It\u00e1lia.\n\n\u00c9 usado como corante e aromatizante. Emprega-se nas famosas paella espanholas, risotos italianos, pratos de peixe e crust\u00e1ceos, sopas, pratos com f\u00edgado, molhos, inclusive os de tomate, massas, past\u00e9is, entre outros. O a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 sempre utilizado em pequenas doses, pois seus aromas s\u00e3o muito intensos.\n\n<strong>Nome cient\u00edfico:<\/strong> <em>Crocus sativus <\/em>\n<h4>Apresenta\u00e7\u00e3o<\/h4>\nNa culin\u00e1ria utiliza-se apenas os 3 pistilos de cor vermelha-alaranjada de cada flor, que podem ser utilizados inteiros ou em p\u00f3. Devido ao seu pre\u00e7o, at\u00e9 pelo sabor intenso e forte, muito pouco a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio. A chave \u00e9 distribu\u00ed-lo de maneira uniforme.\n\nEle pode ser esmagado at\u00e9 tornar-se um p\u00f3 fino. Mas, \u00e9 muito mais f\u00e1cil deixar o a\u00e7afr\u00e3o em uma infus\u00e3o com \u00e1gua quente. Uma pitada poder\u00e1 criar o sabor e a cor desejada.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o dever\u00e1 expandir em contato com \u00e1gua e um copo deve ser suficiente para 500 gramas de arroz.\n<h4>Usos<\/h4>\nA\u00e7afr\u00e3o aparece principalmente na culin\u00e1ria \u00e1rabe, do Mediterr\u00e2neo e na cozinha asi\u00e1tica. A sua fun\u00e7\u00e3o mais comum \u00e9 a de dar a cor amarela ao arroz. Ele combina muito bem com peixe e marisco. \u00c9 um ingrediente chave da paella espanhola!\n\nNa Inglaterra, o a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 provavelmente mais conhecido por seu uso em Cornish p\u00e3o doce de passas. Sendo utilizado atualmente na Europa em alguns pratos \u00e0 base de frutos do mar ou peixes (paella Valenciana e bouillabaisse) e risotos (sendo o mais famoso o alla Milanesa).\n\nUsado extensivamente em pratos \u00e0 base de arroz na \u00cdndia, pode ser ainda combinado a folhas de louro, canela, cravo, cardamomo, anis estrelado, noz moscada ou macis. Sua utiliza\u00e7\u00e3o em conjunto com hortel\u00e3 pode ser particularmente agrad\u00e1vel, sendo verificada no Ir\u00e3.\n\nO uso do a\u00e7afr\u00e3o associado a especiarias picantes \u00e9 comum no golfo \u00e1rabe.\n\nAlguns doces indianos s\u00e3o preparados com a\u00e7afr\u00e3o, bem como manteigas temperadas.\n<h4>Curiosidade<\/h4>\nFeito do estigma seco do a\u00e7afr\u00e3o Crocus, precisa de 75.000 flores ou 225.000 estigmas colhidos para fazer uma \u00fanica libra. Esta \u00e9 a raz\u00e3o deste ser a especiaria mais cara do mundo!\n<h4>Nomes em outra l\u00edngua<\/h4>\n<strong>Ingl\u00eas:<\/strong> saffron\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra13.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"455\" height=\"295\" \/><\/p>\n\n<h4>O ouro vermelho<\/h4>\nCle\u00f3patra j\u00e1 usava o a\u00e7afr\u00e3o tanto para sua beleza como por suas propriedades medicinais e culin\u00e1rias.\n\nDesde 2300 A.C. existem refer\u00eancias variadas sobre seu uso em ritos e cerim\u00f4nias, em medicina e na gastronomia.\n\n<strong>Mesmo sendo desconhecida a origem da palavra &#8220;a\u00e7afr\u00e3o&#8221;, esta denomina\u00e7\u00e3o sobreviveu quase sem altera\u00e7\u00e3o, nas distintas l\u00ednguas:<\/strong> z\u00e1faran (\u00e1rabe), azafr\u00e1n (espanhol), saffron (ingl\u00eas), Zaferano (italiano), safran (franc\u00eas) assim como em Hindu, grego, etc.\n\n<strong>A\u00e7afr\u00e3o<\/strong> s\u00e3o os pistilos das flores Crocus Sativus.\n\n<strong>\u00c9 a mais cara de todas as especiarias:<\/strong> S\u00e3o necess\u00e1rios 80 kg de flores (200 a 250.000 flores) para produzir 1 kg de <strong>a\u00e7afr\u00e3o<\/strong>.\n\nO rendimento \u00e9 da ordem de 8 kg de a\u00e7afr\u00e3o por hectare.\n\nDa mesma forma que manteve verbaliza\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m manteve, ao largo do tempo, seu modo de cultivo, de colheita, de sele\u00e7\u00e3o dos pistilos e de sua secagem, o que pode ser comprovado em afrescos que datam de 1300 A.C. Continua sendo um cultivo em que a m\u00e3o de obra tem um fator econ\u00f4mico decisivo para a produ\u00e7\u00e3o e para a determina\u00e7\u00e3o de seu pre\u00e7o. A m\u00e3o de obra interv\u00e9m na colheita manual e di\u00e1ria de cada uma das flores (a 15cm do solo), na limpeza dos 3 pistilos de cada flor e na secagem.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra16.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"240\" height=\"372\" \/><\/p>\nHoje o maior e melhor produtor de a\u00e7afr\u00e3o no mundo \u00e9 a Espanha, especialmente na regi\u00e3o de Castilla-La Mancha.\n<h4>Uso do A\u00e7afr\u00e3o<\/h4>\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 muito utilizado na alta culin\u00e1ria dos pa\u00edses do Mediterr\u00e2neo assim como na \u00cdndia e em todos os pa\u00edses de influ\u00eancia Ib\u00e9rica.\n\n<strong>\u00c9 usado em in\u00fameros pratos:<\/strong> sopas, peixes, frutos do mar, carnes, sobremesas, etc. Mas \u00e9 com o arroz que encontra seu casamento perfeito.\n\nN\u00e3o pode ter uma boa &#8220;paella&#8221; sem a\u00e7afr\u00e3o!\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra17.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"415\" height=\"255\" \/><\/p>\nO A\u00e7afr\u00e3o leg\u00edtimo (n\u00e3o confundir com o c\u00farcuma ou a\u00e7afr\u00e3o da terra) encontra-se nas lojas gastron\u00f4micas e \u00e9 vendido por grama.\u00c9 melhor conserv\u00e1-lo em frascos de vidro e sem a presencia de luz. Tanto a luz como a umidade deteriora seu aroma e sabor.\n\nAs geladeiras &#8220;Frost Free&#8221; s\u00e3o um lugar perfeito para sua conserva\u00e7\u00e3o mantendo-o bem sequinho.\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra19.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"332\" height=\"320\" \/><\/p>\n\n<h4>O condimento mais caro do mundo<\/h4>\nN\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel produzir uma aut\u00eantica paella espanhola sem a mais cara especiaria do mundo, o a\u00e7afr\u00e3o.\n<h4><strong>E, por que custa t\u00e3o caro esse condimento de sabor delicado, de caracter\u00edstica acre-doce (ligeiramente amargo), aroma suave e floral? <\/strong><\/h4>\nSeu alto pre\u00e7o justifica-se pelo fato de que s\u00e3o necess\u00e1rias 200 mil flores da planta a\u00e7afr\u00e3o para se obter aproximadamente um quilo desse tempero. Desses milhares de flores extraem-se 600 mil pistilos (pistilos s\u00e3o as unidades do \u00f3rg\u00e3o feminino das flores, tamb\u00e9m conhecidas como gineceu, formadas pelo ov\u00e1rio, estilete e estigma) para se chegar em apenas mil gramas desse ingrediente t\u00e3o especial.\n\nMuito utilizado entre os europeus em alguns de seus mais tradicionais pratos (como a j\u00e1 mencionada paella, o bouillabaisse franc\u00eas, o bucho madrilenho, o risoto italiano,&#8230;), o a\u00e7afr\u00e3o faz parte da hist\u00f3ria da humanidade desde as civiliza\u00e7\u00f5es da antiguidade. H\u00e1 registros de uso desse condimento entre os eg\u00edpcios, os babil\u00f4nios, os ass\u00edrios, os gregos e tamb\u00e9m entre os romanos.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 inclusive mencionado pelos hebreus a partir do C\u00e2ntico dos c\u00e2nticos de Salom\u00e3o e, entre os romanos era muitas vezes misturado ao vinho, pois se acreditava que possu\u00eda poderes afrodis\u00edacos.\n\n<strong>Na Gr\u00e9cia, a produ\u00e7\u00e3o do a\u00e7afr\u00e3o era feita nas margens ou encostas das regi\u00f5es onde eram plantadas as oliveiras, as vinhas e o trigo, conforme percebemos a partir do texto de Marie-Claire Amouretti:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">A reconstitui\u00e7\u00e3o dessa paisagem fortemente marcada pela a\u00e7\u00e3o do homem n\u00e3o seria completa se n\u00e3o lev\u00e1ssemos em conta as eschatiai (ou \u0093margens\u0094), mais produtivas do que se poderia supor. A import\u00e2ncia da colheita de ervas arom\u00e1ticas era consider\u00e1vel, principalmente na regi\u00e3o das florestas. Havia tamb\u00e9m, outros recursos vegetais, como as bolotas de carvalho, o a\u00e7afr\u00e3o, o quermes&#8230; (AMOURETTI, 1998)<\/p>\nSeu nome \u00e9 origin\u00e1rio do \u00e1rabe za\u0092faran e significa amarelo. De acordo com estudos acerca de sua p\u00e1tria natal, o a\u00e7afr\u00e3o teria surgido inicialmente na \u00c1sia Menor ou Oriente M\u00e9dio (h\u00e1, no entanto, controv\u00e9rsias que transportam a origem do a\u00e7afr\u00e3o para a \u00cdndia, a Espanha ou ainda para a Gr\u00e9cia), de onde, atrav\u00e9s do Mediterr\u00e2neo ganhou o mundo. Os maiores produtores mundiais dessa reputada especiaria s\u00e3o os pa\u00edses ib\u00e9ricos, Espanha e Portugal.\n\nNo Brasil, o plantio j\u00e1 existe, apesar de reduzido, o que obriga o nosso mercado a depender fortemente da importa\u00e7\u00e3o. Devido ao seu alto custo h\u00e1, evidentemente, muita falsifica\u00e7\u00e3o desse produto no mercado.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 usualmente encontrado em p\u00f3 ou seco para venda. Al\u00e9m de ser usado como tempero \u00e9 ainda um corante de alimentos misturado a receitas de p\u00e3es e bolos em pa\u00edses como a Inglaterra e a Alemanha.\n\nEm terras brasileiras h\u00e1 um outro condimento\/corante que atende pelo mesmo nome (e que tamb\u00e9m possui outras denomina\u00e7\u00f5es como batatinha-amarela, a\u00e7afreiro, gengibre de dourar, gengibre dourado). Recebemos esse produto popularmente conhecido como a\u00e7afr\u00e3o da terra dos ind\u00edgenas nativos do Brasil. N\u00e3o se trata do mesmo produto de alto valor oriundo da Europa, mas em alguns casos pode at\u00e9 ser utilizado como substituto do original.\n\nRecomenda-se que seu uso n\u00e3o seja exagerado j\u00e1 que em maiores quantidades, pode ser t\u00f3xico. \u00c9 composto de c\u00e1lcio, ferro, vitamina C, vitaminas do complexo B e por f\u00f3sforo.\n\nTamb\u00e9m possu\u00ed qualidades medicinais confirmadas por pesquisas em que se afirma que ajuda a baixar o colesterol, tem propriedades analg\u00e9sicas e antioxidantes e que, al\u00e9m disso, ajuda a relaxar as art\u00e9rias coron\u00e1rias. Chega a ser utilizado em infus\u00e3o para o tratamento de resfriados e \u00e9 considerado como afrodis\u00edaco mesmo nos dias de hoje.\n\nVoltando a hist\u00f3ria desse nobre alimento recolhemos registros da import\u00e2ncia do a\u00e7afr\u00e3o durante a Idade M\u00e9dia para a cultura \u00e1rabe. Entre os mouros a devo\u00e7\u00e3o a esse condimento era t\u00e3o grande que destacamos, na arte de cozinhar, os aromatizantes como seu principal elemento. Nesse \u00ednterim h\u00e1, evidentemente, espa\u00e7o de destaque para o Safran (a\u00e7afr\u00e3o em franc\u00eas), como podemos ver nesse trecho do texto\n\n<strong>Os ocidentais e os outros, de autoria de Bernard Rosenberger:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">As especificidades da arte culin\u00e1ria \u00e1rabe est\u00e3o nos ingredientes e em suas combina\u00e7\u00f5es, no modo de cozinhar, nos sabores e na consist\u00eancia. Seguindo os passos dos autores da \u00e9poca cl\u00e1ssica, primeiro examinaremos os ingredientes capazes de modificar o sabor e as propriedades dos alimentos. A classifica\u00e7\u00e3o proposta por um deles, embora surpreendente, \u00e9 muito reveladora. Come\u00e7a pelos aromatizantes, os mais nobres \u0093temperos\u0094 para os \u00e1rabes. Em primeiro lugar est\u00e3o o alm\u00edscar e o \u00e2mbar (&#8230;); depois, a \u00e1gua de rosas, muito acess\u00edvel, o a\u00e7afr\u00e3o, a canela, a galanga, o cravo da \u00edndia,&#8230; (ROSENBERGER, 1998).<\/p>\nOs \u00e1rabes utilizavam o a\u00e7afr\u00e3o em variadas receitas, entre as quais destacamos os bolos, p\u00e3es e roscas.\n\n\u00c9 novamente Bernard Rosenberger quem refor\u00e7a essa afirma\u00e7\u00e3o nos dizendo que \u0093a maioria dos bolos (\u00e1rabes) leva poucos ovos, s\u00eamola de trigo, muitas am\u00eandoas, nozes, pistache, t\u00e2maras, a\u00e7\u00facar, mel, especiarias como canela, a\u00e7afr\u00e3o e, mais raramente, nardo e c\u00e2nfora\u0094.\n\n\u00c9 justamente dessa grande afei\u00e7\u00e3o dos mouros pelo Azafr\u00e1n (como o condimento \u00e9 chamado em espanhol) e tamb\u00e9m de sua prolongada estadia em territ\u00f3rio ib\u00e9rico, especialmente espanhol, que se consolida a produ\u00e7\u00e3o do condimento em maior escala entre os habitantes do Velho Mundo. E n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a mat\u00e9ria-prima que \u00e9 legada aos espanh\u00f3is, tamb\u00e9m as receitas daquela regi\u00e3o da Europa incorporam termos e ingredientes muito comuns aos povos das mil e uma noites, entre eles o a\u00e7afr\u00e3o.\n\nAl\u00e9m dos mouros tamb\u00e9m os judeus tornaram o a\u00e7afr\u00e3o parte constante de sua dieta e, dessa forma, acabaram influenciando a gastronomia europeia a partir do intenso interc\u00e2mbio cultural e comercial estabelecidos com aquele continente.\n\nRegistra-se, por exemplo, o uso do a\u00e7afr\u00e3o em receitas de sopas judias do final da Idade M\u00e9dia como um dos condimentos de uso regular, o que se pode perceber na afirma\u00e7\u00e3o feita por Miguel Angel Motis Dolader em seu artigo\n\n<strong>A alimenta\u00e7\u00e3o judia na Idade M\u00e9dia:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">As sopas ocupam um lugar de primeira import\u00e2ncia (no receitu\u00e1rio judaico), mesmo nas ocasi\u00f5es festivas. O hamin, onipresente, representa um elemento essencial do regime, por ser muito rico em prote\u00ednas. \u00c9 constitu\u00eddo de legumes secos (gr\u00e3o de bico), legumes sazonais (couve, alho-por\u00f3), ovos cozidos, carne (pato, vaca, carneiro ou boi), cebolas e especiarias como a\u00e7afr\u00e3o, pimenta e sal. (DOLADER, 1998)<\/p>\nH\u00e1, evidentemente, restri\u00e7\u00f5es ao consumo de determinados produtos na dieta judaica em per\u00edodos de jejum religioso como o Yom Kippur. Nessas ocasi\u00f5es evitam-se as carnes vermelhas, as bebidas alco\u00f3licas e os temperos considerados muito quentes (por secarem a boca) como a pimenta e o a\u00e7afr\u00e3o.\n\nApesar disso, ressalte-se que ao lado do alho, coentro, sal e da pr\u00f3pria pimenta, o Zafferano (a\u00e7afr\u00e3o em italiano) \u00e9 mencionado como sendo um dos condimentos b\u00e1sicos da dieta judaica.\n\nMesmo levando-se em conta a utiliza\u00e7\u00e3o regular do a\u00e7afr\u00e3o entre \u00e1rabes e judeus e a transposi\u00e7\u00e3o de elementos da cultura gastron\u00f4mica desses povos para a Europa, o consumo do a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 restrito entre os europeus na transi\u00e7\u00e3o da Idade M\u00e9dia para a Moderna devido ao seu alto custo e evidentes dificuldades financeiras da grande maioria dos habitantes das nascentes cidades europeias do per\u00edodo.\n\nMesmo assim, entre os europeus, o a\u00e7afr\u00e3o passou a ser utilizado tamb\u00e9m no tempero de carnes bovinas, consideradas frias e grosseiras e que, por esse motivo tinham que ser acompanhadas por um tempero de caracter\u00edsticas quentes. Al\u00e9m dessas carnes, tamb\u00e9m os frutos do mar, como as ostras, tinham seus encantos naturais associados ao Saffron (tradu\u00e7\u00e3o inglesa para a\u00e7afr\u00e3o), especialmente quando cozidos.\n\nAl\u00e9m dos evidentes ganhos quanto ao sabor nos pratos em que se utiliza o a\u00e7afr\u00e3o, os europeus tamb\u00e9m gostavam muito de utilizar essa especiaria em fun\u00e7\u00e3o de suas qualidades enquanto corante.\n\n<strong>Isso \u00e9 destacado por Bruno Laurioux em seu artigo sobre as Cozinhas medievais dos s\u00e9culos XIV e XV:<\/strong>\n<p class=\"imagem\">O pr\u00f3prio uso do a\u00e7afr\u00e3o pode resultar em cores muito diferentes; passado na peneira antes de ser misturado \u00e0 sopa, faz com que esta adquira uma cor escura; se \u00e9 simplesmente polvilhado nos alimentos no final da coc\u00e7\u00e3o, o prato fica apenas ligeiramente amarelado. (LARIOUX, 1998)<\/p>\nA pobreza do campesinato e do proletariado urbano europeu durante a Idade Moderna se tornou empecilho para que o povo viesse mesmo a conhecer o Kesar (palavra indiana para a\u00e7afr\u00e3o) e v\u00e1rios outros condimentos importados do oriente. Al\u00e9m desse nosso celebrado protagonista nessa viagem pela hist\u00f3ria dos alimentos, tamb\u00e9m a pimenta, o gengibre, a canela, a noz-moscada, o cravo da \u00edndia e outros importantes temperos, corantes e conservantes de alimentos muito raramente eram associados a suas produ\u00e7\u00f5es na cozinha.\n\nApesar dos registros que se possuem sobre o per\u00edodo moderno referendarem a ideia de que as especiarias continuavam sendo utilizadas entre os europeus, especialmente da burguesia e da nobreza, registram-se varia\u00e7\u00f5es em seu uso ao final do s\u00e9culo XVIII que demonstram o desaparecimento de algumas variedades de condimentos das mesas locais (como a malagueta, o cardamomo, o anis,&#8230;), a utiliza\u00e7\u00e3o associada a sabores espec\u00edficos (caso da canela que cada vez mais passou a ser usada em pratos doces) ou ainda a diminui\u00e7\u00e3o radical no uso devido aos custos como era o caso do a\u00e7afr\u00e3o.\n\nO a\u00e7afr\u00e3o volta a ter grande destaque a partir do s\u00e9culo XIX quando da emerg\u00eancia das escolas gastron\u00f4micas regionais europeias, particularmente relacionado \u00e0 alta gastronomia francesa. Refer\u00eancias ao produto aparecem nos primeiros guias tur\u00edsticos europeus como o Guide Michelin ou o Guide Bleu em que cada regi\u00e3o dos pa\u00edses da Europa come\u00e7a a ser mapeada, redescoberta, indicada e sugerida por suas belas paisagens e deliciosas oportunidades gastron\u00f4micas. Para polvilhar esses pratos t\u00e3o especiais e atraentes, nada melhor do que contar com o mais caro condimento do mundo&#8230;\n\n<strong>Jo\u00e3o Lu\u00eds de Almeida Machado <\/strong>\n<p class=\"imagem\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"A\u00e7afr\u00e3o\" src=\"https:\/\/lab.fabricadelandings.com.br\/portalsaofrancisco\/wp-content\/uploads\/2026\/09\/Acafra20.jpg\" alt=\"A\u00e7afr\u00e3o\" width=\"369\" height=\"248\" \/><\/p>\nS\u00e3o os pistilos de uma flor de cor violeta, origin\u00e1ria do Oriente, cultivada na Espanha e no Paquist\u00e3o.\n\nO verdadeiro a\u00e7afr\u00e3o tem um pre\u00e7o elevado devido \u00e0s dificuldades no cultivo. Especiaria de forte aroma, sabor amargo e colora\u00e7\u00e3o vermelho-alaranjada.\n\nUtilizado no preparo de arroz, risotos, massas, carnes, sopas, cremes, crust\u00e1ceos, carnes brancas, p\u00e3es, doces e biscoitos. Indispens\u00e1vel na paella, no risoto milan\u00eas.\n\nDeve ser dissolvido na \u00e1gua, em caldos, no azeite ou \u00f3leo quente antes de qualquer preparo.\n\nOs estigmas da flor do a\u00e7afr\u00e3o t\u00eam propriedades antiespasm\u00f3dicas e sedativas. Como infus\u00e3o, usa-se no tratamento da asma,coqueluche, histeria, c\u00e1lculos dos rins, f\u00edgado e bexiga. No combate \u00e0s hemorroidas \u00e9 usado como cataplasma quente.\n<h4>Crocus sativus Linn\u00e9<\/h4>\n<h4>Fam\u00edlia<\/h4>\nA flor do a\u00e7afr\u00e3o, cujos estigmas s\u00e3o usados desde a antiguidade na fabrica\u00e7\u00e3o de perfumes, tinturas e condimentos, constituiu importante fonte de riqueza durante a Idade M\u00e9dia.\n\nA\u00e7afr\u00e3o (Crocus sativus) \u00e9 uma planta herb\u00e1cea da fam\u00edlia das irid\u00e1ceas. De seu bulbo &#8211; talo subterr\u00e2neo no qual se acumulam \u00f3leos e subst\u00e2ncias nutritivas &#8211; nascem diretamente as flores de p\u00e9talas viol\u00e1ceas, cuja parte inferior tem forma de funil. Os estigmas s\u00e3o pequenos filamentos que comp\u00f5em o pistilo, ou \u00f3rg\u00e3o reprodutor feminino. De colora\u00e7\u00e3o avermelhada, aparecem na propor\u00e7\u00e3o de tr\u00eas para cada flor. Essa \u00e9 a parte da planta que se utiliza como especiaria.\n\nDe origem oriental, a planta era utilizada como mat\u00e9ria-prima de perfumes na antiga Gr\u00e9cia e na Roma imperial. Seu cultivo foi introduzido na Espanha no s\u00e9culo X, de onde migrou para os demais pa\u00edses mediterr\u00e2neos.\n\nPara que o cultivo do a\u00e7afr\u00e3o se d\u00ea em condi\u00e7\u00f5es satisfat\u00f3rias, o solo deve ser poroso e bem ventilado e a temperatura, amena. A coleta das flores se realiza no outono, ocasi\u00e3o em que os estigmas s\u00e3o separados e torrados.\n\nA obten\u00e7\u00e3o de meio quilo de a\u00e7afr\u00e3o demanda setenta mil a oitenta mil flores, o que determina seu alto custo.\n\nO plantio do a\u00e7afr\u00e3o \u00e9 generalizado na Espanha, Fran\u00e7a, It\u00e1lia e Ir\u00e3.\n\nFonte: www.jperegrino.com.br\/www.chefonline.com.br\/gourmet.ig.com.br\/www.artigocientifico.uol.com.br\/www.paoladiverona.com.br\/www.severomoreira.net\/www.biomania.com.br\/\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A\u00e7afr\u00e3o, Tempero, Culin\u00e1ria, Benef\u00edcio, O que \u00e9, Propriedade, Indica\u00e7\u00e3o, Uso, Origem, Hist\u00f3ria, Sabor, Cor, Caracter\u00edstica A\u00e7afr\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":23353,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"footnotes":""},"categories":[64],"tags":[],"class_list":["post-23345","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos-2"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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